Rute, uma Mulher Digna de Confiança – Luciano de Paula Lourenço

Rute, uma Mulher Digna de Confiança – Luciano de Paula Lourenço

Aula 07 – RUTE, UMA MULHER DIGNA DE CONFIANÇA

2º Trimestre/2017

Texto Base: Rute 1:11,14-18

“[…] porque, aonde quer que tu fares, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (Rt.1:16).

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, trataremos do caráter de mais uma personagem bíblica. Agora é a vez das mulheres extraordinárias da Bíblia Sagrada. Inicialmente, trataremos do caráter bondoso e fiel de Rute, mulher moabita, nora de Noemi. Sua história é uma das mais belas da Bíblia Sagrada, cheia de emoções profundas, em que se destacam o poder do amor e a vitoriosa providência divina. Nada além do amor e da fé pessoal de Rute foi exigido dela para encontrar abrigo sob a mão poderosa do Deus de Israel. A narrativa do livro que tem o seu nome, além de oferecer-nos abençoadoras lições morais e espirituais, é um atributo divino às mulheres, verdadeiras heroínas em tempos de crise. Além do mais, a história de Rute revela seu caráter bondoso e fiel ao Deus de Israel e à sua sogra. Aprendemos com seu perfil que o amor e a bondade são capazes de mudar a história de uma pessoa, pois essa mulher, que não fazia parte do povo de Deus, foi a bisavó de Davi e entrou na genealogia de Jesus.

I. RUTE, UM RESUMO DE SUA ORIGEM

Rute era natural de Moabe, nação inimiga de Israel. Por lei, Rute não podia fazer parte do povo de Deus, pois Ele determinou que nem moabitas nem amonitas poderiam fazer parte da “congregação do Senhor”, ou do povo de Israel, “nem ainda a sua décima geração” (Dt.23:3-6; Ne.13:1,2). Como, então, Rute vinculou-se ao povo de Israel? A graça provedora e salvadora de Deus abraçou essa mulher com toda a força da Sua infinita misericórdia. Deus permitiu que uma família judaica estivesse no caminho de Rute. Essa família era constituída de quatro pessoas: o casal – Elimeleque e Noemi e os dois filhos – Malom e Miliom. Rute casou-se com Malom. O casamento deu-se em Moabe.

Qual o motivo dessa família judaica se mudar para Moabe, nação inimiga de Israel? Crise financeira e econômica na terra onde moravam, Belém de Judá. A crise é uma encruzilhada, onde precisamos inevitavelmente tomar uma decisão: uns colocam os pés na estrada da vitória, outros avançam pelos atalhos da fuga e do fracasso. Elimeleque, Noemi, Malom e Quiliom escolheram fugir, em vez de enfrentar a crise. Contudo, fugir nem sempre é a alternativa mais segura e sensata. Na hora da crise, devemos olhar para Deus, em vez de mirarmos apenas as circunstâncias. Quando somos encurralados pelas circunstâncias adversas, precisamos acreditar que Deus está acima e no controle delas. Em um tempo de crise, Abrão fugiu para o Egito e ali quase acabou com o seu casamento; na mesma situação, Isaque foi tentado a descer ao Egito, mas Deus lhe advertiu: “Não desças ao Egito” (Gn.26:2).
Por causa da fome que incidia sobre a nação de Israel, essa família judaica mudou-se para Moabe na esperança de ter dias melhores. Mas esta decisão sem a orientação de Deus trouxe crises ainda piores para essa família, pois o marido de Noemi e seus dois filhos faleceram em Moabe, precocemente. A morte não respeita idade, força nem beleza; ela leva tanto o velho quanto o jovem; ela leva tanto o rico quanto o pobre. Noemi ficou viúva, pobre, sem filhos e em terra estranha; eles saíram para fugir da crise e deram de cara com ela. Elimeleque liderou sua família a fugir da Casa do Pão, para uma terra idólatra, enquanto deveria ter liderado sua família a buscar a Deus no tempo de crise.
O enfrentamento da crise é melhor do que a fuga. Fugir não é uma escolha segura. Na crise, precisamos buscar o abrigo das asas do Onipotente, em vez de buscar falsos refúgios. Infelizmente, não foi o que aconteceu com a família de Elimeleque. Na escuridão das circunstâncias adversas, essa família belemita saiu da sua terra em busca de refúgio e encontrou a morte; saiu da casa do Pão em busca de sobrevivência e encontrou a sepultura; eles fugiram da fome, mas não conseguiram escapar da morte. Somente um membro da família ficou com vida, Noemi. Ela estava viva, mas enfrentou o drama da solidão em Moabe; ela ficou sozinha em terra estranha; não tinha parente nem dinheiro; estava absolutamente só, sem lar, sem marido, sem filhos, sem amigos, sem esperança, sem herança. Deus, porém, lhe concedeu um escape: uma nora que a amou e a acolheu em tempos de amargura; seu nome: Rute, cujo significado é “amizade”.
Dez anos depois, Deus concedeu a bênção da fartura de pão na casa do pão – Belém de Judá (Rt.1:6). Noemi, então, resolve voltar à sua terra de origem, e levou Rute consigo; elas trabalharam, mantiveram a fé em Deus e foram grandemente abençoadas. Todos nós enfrentamos momentos de dor e aflição, mas a nossa fé nos faz avançar, trabalhar e ver o impossível ser realizado, sob o auspício de Deus.

II. O CUIDADO DE NOEMI E O CARÁTER DE RUTE

Deus é soberano. Ele vigia o seu povo e faz acontecer a ele o que é bom. Ele governa sobre todas as coisas e abençoa os que confiam nEle. A morte de Elimeleque, Malom e Quiliom não afetaram os desígnios de Deus. A viuvez e a pobreza de Noemi e de Rute não fecharam a porta da providência divina. A amargura existencial dessas duas viúvas não impediu o braço de Deus de abrir as janelas dos céus.

  1. Um amor sincero e profundo. Rute e Noemi estabeleceram uma aliança de amor diante das circunstâncias mais adversas. Elas semearam uma na vida da outra. Elas cultivaram um relacionamento de lealdade e cuidado uma com a outra. Rute torna-se amiga e filha da sua sogra. Ela passa a ser a provedora da sogra, e a sogra, a sua conselheira. A Bíblia diz: “Em todo o tempo ama o amigo; mas é na adversidade que nasce o irmão” (Pv.17:17).

Rute foi fiel e sincera à sua sogra não apenas nos tempos de escassez e pobreza; ela também continuou investindo na vida de sua sogra depois de ter se casado com um homem rico (Rute 4:13-17) e dar à luz um filho promissor. As próprias mulheres de Belém disseram a Noemi que Rute lhe era melhor do que sete filhos (Rute 4:15). Rute não descartou sua sogra quando dela não mais precisava. A sua amizade não era uma relação utilitarista e conveniente. Seu amor não era apenas de palavras, mas de fato e de verdade, sincero e profundo.

  1. O caráter amoroso de Rute.Diante da insistência de Noemi, Orfa – a sua outra nora, casada com Quiliom -, voltou ao seu povo e aos seus deuses (Rt.1:15); Rute, porém, se dispôs seguir sua sogra a terra de Belém. Rute fez uma bela afirmação de fidelidade, determinação e compromisso de amor. Ela quis compartilhar o futuro de Noemi: sua viagem, seu lar, sua fé. Foi a promessa de uma fidelidade sincera na vida e para toda a vida. Foi a expressão de amor e compromisso na viagem, no lar, na família, na vida e na morte. Ela se converteu ao Deus de Noemi e O invocou para firmar seu juramento.

Destacamos, a seguir, alguns pontos importantes acerca do caráter amoroso de Rute (adaptado do Livro Rute – uma perfeita história de amor, de Hernandes Dias Lopes):

a) um amor desinteressado (Rt.1:14b).A Bíblia diz que o amor de Rute pela sogra não era interesseiro. A relação havia sido edificada sobre o fundamento sólido do amor, e não sobre a areia movediça dos interesses. O amor é mais forte do que a morte; nem os rios podem afogá-lo. O amor é guerreiro, é combativo, ele tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta; o amor jamais acaba.

b) um amor persistente diante das dificuldades (Rt.1:16). Rute disse a Noemi: “Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te…” (Rt.1:16a). O amor não retrocede diante das dificuldades; ele é firme no seu propósito; ele não se curva diante dos arrazoados da lógica. Nenhum argumento usado por Noemi demoveria Rute de segui-la. O amor vai às últimas consequências para estar ao lado da pessoa amada.

c) um amor capaz de enfrentar novos desafios (Rt.1:16b).O amor não faz exigências, ele tem disposição para enfrentar novos desafios. Ele se sacrifica a favor da pessoa amada. Rute está pronta a deixar sua terra, sua parentela, sua religião, para caminhar na companhia de sua sogra, sem garantias do amanhã. Rute disse:” […] porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu…”.

d) um amor disposto a assumir novos compromissos (Rt.1:16c).Rute está pronta a começar novos relacionamentos com pessoas e com Deus. Ela está disposta a fazer rompimentos com o passado e novas alianças com o futuro. Ela está disposta a deixar sua terra e seus deuses para abraçar o povo de Deus e o Deus desse povo. Rute não apenas ama a sua sogra, mas se converte ao Deus de sua sogra e adota o povo de sua sogra como o seu povo. Rute diz a Noemi:“[…] o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus”.

e) um amor tão forte que nunca pode ser quebrado (Rt.1:17a).Rute ousadamente diz a Noemi: “Onde quer que morreres, morrerei eu e aí serei sepultada…”.O compromisso do amor não se extingue com a morte. Rute não retrocederá em sua aliança depois da morte de sua sogra. Ela jamais voltará à sua terra e aos seus primitivos deuses, ainda que sua sogra venha a morrer. Sua aliança com sua sogra é definitiva, inquebrável. Ela dispôs-se a seguir Noemi e cortou todas as pontes do passado.

f) um amor que faz promessas sob juramento (Rt.1:17b).Rute termina sua fala com Noemi, assim:“[…] faça-me o Senhor o que bem lhe aprouver, se outra cousa que não seja a morte me separar de ti”. Rute não só faz promessas, mas faz promessas sob juramento. Ela não somente faz juramento com promessas, mas o faz na presença de Deus. Ela empenha sua palavra e coloca nela o sinete do seu juramento. Ela firma uma aliança e dá garantias da perenidade desse pacto.

  1. Qualidades morais de Rute.A felicidade de Rute foi pavimentada pela sua própria vida. Vejamos alguns atributos dessa jovem viúva moabita:

a) Rute era uma mulher convertida ao Deus vivo (Rt.1:16,17).À semelhança de Abraão, ela deixou sua parentela e foi para uma terra distante por causa da sua fé no Deus vivo. Deus passou a ser o seu Senhor. Rute buscou abrigo debaixo das asas de Deus (Rt.2:12), e Boaz a chama de bendita de Deus (Rt.3:10).

b) Rute era uma mulher trabalhadora (Rt.2:2,15-17).Ela era uma mulher diligente, que tinha coragem para trabalhar e fazer tudo quanto estava ao seu alcance. Ela não era uma peça de porcelana, uma taça de cristal. Rute tinha fibra, tinha punhos de aço e mãos adestradas para o trabalho.

c) Rute era uma mulher que tinha um lindo relacionamento com sua sogra (Rt.1:16,17; 2:11,12,18,22,23; 3:1; 4:15).O amor e o cuidado de Rute por Noemi já eram um fato conhecido na cidade de Belém (Rt.2:11,12). A fama de Rute a precedeu em Belém. Rute é uma mulher leal. Ela não despreza a sua sogra logo que as coisas começam a melhorar para ela. As duas têm um profundo amor uma pela outra. Noemi é conselheira de Rute; Rute, discípula de Noemi. Mesmo depois que Rute se casou e teve um filho, é dito sobre ela: “[…] tua nora, que te ama […] ela te é melhor de que sete filhos” (Rt.4:15). A ambição de todos os casados era uma prole masculina numerosa; assim, falar de Rute como sendo mais valiosa para Noemi do que sete filhos (a expressão proverbial para a família perfeita) é o supremo tributo.

d) Rute era uma mulher de bom testemunho em toda a cidade (Rt.3:11).Ela foi uma mulher que impactou a cidade não pela sua beleza, mas pelas suas virtudes. Sua beleza interior era mais esplêndida do que sua beleza exterior. O maior patrimônio que possuímos é o nosso nome, o nosso caráter. O bom nome vale mais do que as riquezas.

III. COMO RUTE ENTROU NA GENEALOGIA DE JESUS

  1. Rute chega a Belém.Assim, pois, foram-se ambas, até que chegaram a Belém…” (Rt.1:19a). “Assim, Noemi voltou, e com ela, Rute, a moabita, sua nora…” (Rute 1:22). A chegada a Belém, depois de dez anos, significou um tempo de recomeço. Às vezes recomeçar não é fácil, é constrangedor, é humilhante, porém, é a única maneira de darmos novamente uma chance à vida. A chegada de Noemi, porém, produziu profundos sentimentos no povo da cidade e no próprio coração dela. Destacamos dois fatos:

a) uma comoção geral (Rute 1:19).“…e sucedeu que, entrando elas em Belém, toda a cidade se comoveu por causa delas, e diziam: Não é esta Noemi?”(Rute 1:19). A chegada de Noemi e Rute a Belém chamou a atenção de toda a cidade. Elas ganharam notoriedade não pelo sucesso alcançado em Moabe, mas pelas tragédias colhidas naquela região. Toda a cidade se comoveu ao ver aquela que saíra ditosa e voltara infeliz; saíra casada e voltara viúva; saíra com dois filhos e voltara apenas com o atestado de óbito de ambos. O que provoca espanto e comoção em Belém é o retorno de Noemi depois de tantas perdas, de tantas tragédias, de tantos desastres. O mesmo poderá se aplicar a qualquer crente que se desviar dos caminhos do Senhor; o Senhor poderá trazê-lo de volta vazio, normalmente por meio de severa disciplina.

b) uma lamentação pessoal (Rute 1:20,21).O primeiro ato de Noemi em Belém foi mudar o seu nome. Ela não quis mais ser chamada de Noemi (“agradável, feliz”), mas de Mara (“amargura”). Ela estava tomada por um profundo senso de autopiedade. Ela queria que todos soubessem quanta dor, quanta amargura e quanta tristeza latejavam em seu peito. Ela não queria mais ostentar um nome que era a negação de toda a sua dolorosa experiência vivida em Moabe. Ela olhava para o passado e não tinha mais nenhum motivo para alegrar-se. Para Noemi, o Deus Todo-Poderoso usara Seu poder não para socorrê-la, mas para torná-la amarga e infeliz. Ela se sentia prisioneira de Deus, e sua porção era o cálice do sofrimento. Diz o texto:“[…] e sucedeu que, entrando elas em Belém, toda a cidade se comoveu por causa delas, e diziam: Não é esta Noemi? Porém ela lhes dizia: Não me chameis Noemi; chamai-me Mara, porque grande amargura me tem dado o Todo-Poderoso. Cheia parti, porém vazia o Senhor me fez tornar; por que, pois, me chamareis Noemi? Pois o Senhor testifica contra mim, e o Todo-Poderoso me tem afligido tanto” (1:19-21).

  1. uma providência especial (Rute 1:22).A despeito das circunstâncias adversas e dos sentimentos turbulentos de Noemi, ela chegou com sua nora Rute a Belém exatamente no princípio da sega da cevada (Rute 1:22), a época das primícias (que tipifica a ressurreição de Cristo). Aqui um novo capítulo se abre na vida dessas duas viúvas. A providência carrancuda da crise vai mostrar a face sorridente da graça. A extrema pobreza dessas duas mulheres vai abrir as cortinas para um tempo novo de riqueza e felicidade para ambas. A própria mão da providência as trouxera de Moabe para protagonizarem uma das mais lindas histórias de toda a Bíblia. Rute seria sua provedora. Rute seria para Noemi melhor do que sete filhos. Rute seria sua filha, mãe de seu neto, bisavó do grande rei Davi, e ancestral do Messias (Mt.1:5). A Bíblia diz que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus (Rm.8:28). Isto não é uma hipótese ou mera possibilidade, mas um fato real. Deus é quem tece as circunstâncias da nossa vida, até mesmo aquelas mais amargas, para o nosso bem.
  1. Ao chegar a Belém, Rute se dispôs a trabalhar por Noemi, e não apenas a viver comela.Disse Rute: “Deixa-me ir ao campo, e apanharei espigas atrás daquele em cujos olhos eu achar graça” (Rute 2:2). Rute demonstrou disposição de trabalhar e buscar o seu sustento e o sustento da sua sogra. Ela não ficou esperando, de braços cruzados, um milagre acontecer. Ela se moveu, se mexeu na direção do trabalho. Ela assumiu sem traumas que era carente e necessitada. Rute teve iniciativa para cuidar de sua sogra. Ela assumiu a posição de provedora da sua sogra Noemi.

Elas chegaram a Belém no “princípio da sega das cevadas” (Rute 1:22), ou seja, quando a colheita estava começando. Rute vai para um campo de cevada que pertencia a um parente de Elimeleque, ele se chamava Boaz. Ali no campo, ela ajunta as espigas que os segadores deixavam para trás.

Não havia muitas maneiras de uma viúva ganhar a vida, contudo, uma delas era o costume de respigar. Havia providência, na lei, para que na época da colheita o fazendeiro não colhesse as bordas da propriedade, nem apanhasse aquilo que caísse no solo, à passagem dos ceifeiros (Lv.19:9; 23:22). Se ele esquecesse um molho no campo, estava proibido de voltar para apanhá-lo (Dt.24:19). Essas provisões eram feitas com vistas aos pobres. A Bíblia diz que os ricos devem ser generosos no repartir. A semente que se multiplica não é a que comemos, mas a que semeamos. Quando abrimos a mão para repartir com generosidade, Deus multiplica a nossa sementeira, pois a alma generosa prosperará.

  1. Rute atrai a atenção de Boaz e casa com ele.A abundante semeadura que Rute fez na vida de sua sogra foi recompensada. Seu casamento com um homem piedoso e rico foi a recompensa do investimento que fez na vida da sua sogra. Quem semeia, ainda que com lágrimas, colhe seus frutos com alegria. Quem semeia com fartura, com abundância faz a sua colheita. Se a recompensa não for recebida nesta terra, com certeza está segura no céu.

Deus honrou a decisão, a atitude e o trabalho de Rute. Ela descobriu que Boaz era parente de Elimeleque (Rt.2:3) e, por lei, ele poderia se casar com ela e redimi-la. Ele é um tipo de Cristo, o nosso Redentor, que sendo rico se fez pobre para nos fazer herdeiros das suas riquezas (2Co.8:9).

Depois de algum tempo, Boaz procedeu de acordo com a lei, e diante das testemunhas e dos anciãos, casou-se com Rute. Ele declarou: “[…] também tomo por mulher a Rute, a moabita, que foi mulher de Malom, para suscitar o nome do falecido sobre a sua herdade, para que o nome do falecido não seja desarraigado dentre seus irmãos e da porta do seu lugar: disto sois hoje testemunhas” (Rt.4:10). O povo que compareceu à cerimónia ficou feliz com o casamento (Rt.4:11,12). Dessa união matrimonial, nasce um filho, o qual recebeu o nome de Obede. Mais tarde, Obede se tornou o avô de Davi. Assim, ela entrou na genealogia de Jesus (Mt.1:5).

O bem que você faz a outras pessoas volta para você mesmo. O que você semeia você colhe. O casamento de Rute com Boaz foi pavimentado pelo que Rute fez com Noemi em Moabe. Concordo com o Rev. Hernandes Dias Lopes, quando diz que a lei da semeadura e da colheita é uma lei universal que se aplica a todos, em todos os tempos e em todos os lugares. Quem planta mentira, colhe traição; quem planta verdade, colhe lealdade; quem planta ciúmes, colhe suspeita; quem planta confiança, colhe descanso; quem planta inveja, colhe mediocridade; quem planta admiração, colhe grandeza; quem planta amizade, colhe compromisso; quem planta contenda, colhe solidão; quem planta ódio, colhe amargura; quem planta amor, colhe ternura. A Bíblia diz que quem semeia com lagrimas, com júbilo voltará trazendo os seus feixes (Sl.126:5,6). Quem semeia com fartura, com abundância ceifará (2Co.9:6).

Precisamos aprender a semear na vida dos outros. Precisamos ser generosos em nossas ações, pródigos em nossos elogios e transcendentes em nossas reações. Precisamos abençoar, em vez de maldizer; perdoar, em vez de agasalhar no peito a mágoa; exercer misericórdia, em vez de esmagar aqueles que já estão feridos como cana quebrada.

Rute semeou do pouco que tinha na vida da sua sogra, e Deus multiplicou a sua sementeira. Você nunca é tão pobre que não possa semear na vida das outras pessoas. A alma generosa prosperará. Quanto mais você dá, mais você tem para dar. Quando você acumula mais do que pode usar, seus tesouros são entregues à traça e à ferrugem. Pense nisso!

CONCLUSÃO

Rute nos ensina que o refúgio do homem e dos bens deste mundo são insuficientes, fracos e incapazes de nos dar segurança. Precisamos buscar abrigo em Deus e nas coisas de Deus. Tomar decisões sem consultar a Deus e sem seguir Sua orientação é fazer escolhas para o desastre. Escolher os caminhos mais fáceis na hora da crise nem sempre é a decisão mais segura. Nossa confiança precisa estar no Provedor mais do que na provisão. Quando as coisas nos faltarem, precisamos nos alegrar em Deus como fez o profeta Habacuque (Hc.3:17,18) – “Porquanto, ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja vacas, todavia, eu me alegrarei no SENHOR, exultarei no Deus da minha salvação”.

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Antigo e Novo Testamento) – William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 70. CPAD.

Comentário Bíblico Pentecostal. Novo Testamento. CPAD.

Pr. Elinaldo Renovato de Lima. O caráter do Cristão. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Rute – uma perfeita história de amor.

Publicado no Blog do Luciano de Paula Lourenço

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