A Evangelização das Pessoas com Deficiência – Pr. Adilson Guilhermel

A Evangelização das Pessoas com Deficiência – Pr. Adilson Guilhermel

A EVANGELIZAÇÃO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

Texto Áureo: Lucas 14.21 Sai depressa pelas ruas e bairros da cidade e traze aqui os pobres, e os aleijados, e os mancos, e os cegos.

Leitura Bíblica em Classe: João 5.1-9

Comentário. O mundo convive com as consequências da queda de Adão, isto porque, sem o pecado toda a sua descendência seria perfeita, porém com o pecado o homem sofre as consequências trágicas dessa queda. Entre essas consequências estão as deformidades físicas, como também as morais, porém isso não é um obstáculo nem para a salvação e nem para o serviço do Senhor. Isso é demonstrado por Cristo, quando na rejeição dos judeus a sua doutrina de salvação, Ele manda que convidem os pobres, aleijados, cegos e os coxos. Assim a salvação independente de qualquer deficiência, pois todos tem o direito de entregar-se ao Senhor para serem salvos. Isso mostra que as deficiências físicas não se constituem uma barreira para o serviço cristão, pois estamos inteiramente debaixo da graça de Deus.

No Antigo Testamento as leis cerimoniais exigiam que os sacerdotes fossem livres de defeitos e marcas. Essa exigência da lei implicava que os sacrifícios que o povo levava para o Senhor deviam ser perfeitos, assim como os sacerdotes que recebiam os sacrifícios para oferecê-los no altar do holocausto. Um sacerdote com defeito físico não podia oficiar no tabernáculo para oferecer sacrifícios ao Senhor. A desqualificação de pessoas portadoras de defeitos físicos seja oriunda de acidentes ou de nascença não os impedia de ocupar-se em trabalhos manuais, tais como, trazer madeira para os sacrifícios, trabalhos de limpeza e outros mais, porém limitado ao átrio do tabernáculo. Todas essas exigências da lei cerimonial envolvia uma tipologia que apontava para Cristo como nosso perfeito Sumo Sacerdote, sem nenhum defeito, em qualquer sentido. (Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus; Hebreus 7:26). Com a Nova Aliança estabelecida pela vitória consumada por Cristo na Cruz, todas as exigências das leis cerimoniais deixaram de existir, não havendo mais restrições a qualquer pessoa para servir ao Senhor em qualquer ofício da Igreja.

I – A SUFICIÊNCIA DE CRISTO PARA COM AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

  1. A deficiência no Antigo Testamento pela lei deveria ser atendida – 2 Samuel 4.4 E Jônatas, filho de Saul, tinha um filho aleijado de ambos os pés; era da idade de cinco anos quando as novas de Saul e Jônatas vieram de Jizreel, e sua ama o tomou, e fugiu; e sucedeu que, apressando-se ela a fugir, ele caiu, e ficou coxo; e o seu nome era Mefibosete..

Mefibosete, filho de Jônatas foi uma exceção que escapou da matança imposta à casa de Saul. Isto porque, Davi havia prometido a Jônatas que trataria bondosamente aos seus descendentes quando subisse ao trono já coroado. Mefibosete, aos cinco anos de idade, sofreu uma queda que o deixou aleijado dos pés. Esse fato aconteceu quando sua ama fugindo dos ataques filisteus deixou a criança cair provocando o aleijamento. Ele seria um sucessor ao trono, porém estava impedido, não pelo fato de ser aleijado e sim porque Deus havia determinado o fim da linhagem de Saul para essa sucessão. Davi o acolheu no palácio onde tinha o direito de participar da mesa do Rei, não havendo qualquer restrição pelo fato de estar aleijado. Jesus chama a todos sem qualquer restrição para que se assentem à sua mesa.

  1. A deficiência no Novo Testamento foi totalmente atendida por Cristo.

João 3.16  Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Jesus não foi enviado por Deus somente para a salvação de Israel. No seu plano de salvação estavam incluídos todos os povos do mundo inteiro. A bíblia diz: Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os limites da terra. Isso significa que todos que sem exceção que olharem para Cristo com o coração arrependido, Ele de maneira alguma os lançará fora. Jesus dá vida eterna a todos os que creem nele, pois a salvação é para todo o mundo. Basta observarmos todos os deficientes físicos que Cristo atendeu prontamente, mesmo com as oposições, a qual enfrentava.

II – OS SURDOS ENTENDERÃO O EVANGELHO NA LINGUAGEM DE SINAIS

  1. Todos os esforços devem ser usados para conduzir os surdos a Jesus.

Marcos 7.37 E, admirando-se sobremaneira, diziam: Tudo faz bem; faz ouvir os surdos e falar os mudos.

Jesus em suas muitas caminhadas deparou com vários tipos de pessoas com deficiência e entre elas haviam surdos e mudos. Os milagres extraordinários foram realizados em todo ministério de Cristo e posteriormente após a sua ascensão aos céus, pelos apóstolos. Esses milagres extraordinários eram necessários, para que o povo cressem na autoridade apostólica sobre as enfermidades e aceitassem de bom grado a pregação do evangelho após a partida de Cristo. Os milagres que Jesus e depois os seus apóstolos realizavam, não era uma regra e sim uma exceção, pois a regra era a palavra. De nada adiantaria só a realização de milagres se não houvesse a ministração da palavra de Deus, pois é a palavra de Deus que realiza os verdadeiros milagres em nossa vida. Em nossos dias muitos ministérios fazem um balcão de milagres com todo tipo de heresia e o mais preocupante é que o povo acredita nesses mercadores da fé. A questão de trabalhar com surdos e mudos não é algo comum, porém quem quer alcançar estas pessoas, ou mesmo as que já têm congregados nestas condições deve ter necessariamente pessoas qualificadas na linguagem dos sinais para que elas possam ser doutrinadas.

  1. A integração dos surdos exige meios adequados na sua inclusão.

Provérbios 31.8  Abre a tua boca a favor do mudo, pela causa de todos que são designados à destruição.

Deus cuida de todos os homens sem qualquer acepção de pessoas. Ele também exige que haja uma atenção especial com as pessoas portadoras de deficiência física, destacando aqui, os mudos e surdos, que por sua impossibilidade de falar ou ouvir possam ser defendidos por uma autoridade maior para que não sofram qualquer tipo de injustiça. Quanto a evangelização dos surdos e mudos, ela deve ser feita sem restrições, pois a salvação é para todos independente da sua condição física. Todo esforço deve ser empreendido na evangelização dos surdos e mudos. Mesmo não entendendo a linguagem dos sinais devemos nos esforçar para de alguma forma fazê-los entender os nossos propósitos de levá-los a Cristo e por isso de forma alguma devem ser ignorados.

III – A VISÃO DE CRISTO PARA OS CEGOS É DE CARÁTER UNIVERSAL

  1. Conduzir os cegos a Cristo exige muita sensibilidade e cuidado.

Marcos 10.46 Depois, foram para Jericó. E, saindo ele de Jericó com seus discípulos e uma grande multidão, Bartimeu, o cego, filho de Timeu, estava assentado junto do caminho, mendigando.

O episódio com o cego de Jericó chamado Bartimeu revela a insensibilidade de algumas pessoas em relação aos portadores de deficiência, nesse caso o cego que clamava a misericórdia de Jesus. Alguns dos seguidores de Jesus insensíveis aos apelos do cego, ainda o reprendiam para que se calasse. Jesus, porém não ficou insensível ao clamor do cego e reagiu prontamente com compaixão por aquela alma sofrida que almejava um milagre para ser curado da sua cegueira. Nesse caso, após ser curado quando passou a ver, não precisava de maiores cuidados porque o seu problema foi resolvido. Em nossos dias os milagres extraordinários, ou seja, operações de maravilhas realizadas por Cristo e posteriormente pelos seus apóstolos já não acontecem com a frequência daqueles tempos. Isso mostra que na evangelização dos cegos não se deve passar a eles promessas de curas, não que Deus não possa curar, o problema é que não havendo a cura, ele não acreditará mais na Palavra de Deus.

  1. Os cegos devem ter um tratamento especial no seu discipulado.

Deuteronômio 27.18  Maldito aquele que fizer que o cego erre de caminho. E todo o povo dirá: Amém.Isaías 29.18  E naquele dia os surdos ouvirão as palavras do livro, e dentre a escuridão e dentre as trevas os olhos dos cegos as verão.

A legislar as leis cíveis, Moisés com a inspiração divina escreveu sobre uma advertência a todos a respeito do tratamento que deveriam dar as pessoas com deficiência visual. Isso incluía punição a quem zombassem dos cegos, enganassem, explorassem e outras coisas mais. Quem fizesse um cego errar o caminho por qualquer atitude contra ele seria considerado maldito e sofreria as consequência de estar sob maldição e não mais de bênção. Isso mostra que Deus revelava preocupação especial por pessoas com deficiências. A humanidade vive essa situação por causa do pecado original, porém Deus tem uma promessa de restauração, onde não mais haverá qualquer tipo de deficiência na terra, mais isso só acontecerá quando Cristo implantar o reino milenar após a grande tribulação. Essa promessa é para Israel e as nações que alcançarem a salvação nesse período. Isso não se aplica a Igreja, pois nessa dispensação da graça a nossa missão é ganhar almas para o reino, sem acepção de pessoas. O cego ao contrário do surdo tem mais facilidade de aprender a palavra porque pode ouvir, mas como não pode ler com os olhos, isso não é problema, porque pode ler com as mãos através da bíblia em braile.

IV – OS PARALÍTICOS DEVEM SER AJUDADOS A CHEGAR ATÉ CRISTO

  1. Conduzir deficientes físicos a Cristo é o dever de todo crente.

Lucas 14.13 Mas, quando fizeres convite, chama os pobres, aleijados, mancos e cegos,

Nessa parábola temos uma revelação sobre a compaixão de Jesus, que deve ser imitada por todos os crentes. Aqui não se trata de um anfitrião qualquer convidando pessoas e sim do anfitrião celestial convidando a todos para o seu banquete, indicando também que as pessoas mais pobres e deficientes são os que mais demonstram interesse pelo reino de Deus. Jesus ilustra que a graça divina é estendida a todos, sem qualquer acepção de pessoas. Esse é um princípio a ser seguido por todos os que professam a fé cristã como verdadeiros seguidores de Cristo. Um verdadeiro discípulo de Cristo não pode se caracterizar por atitudes egoístas no tocante ao que concerne a pessoas com deficiências, isto porque eles têm direitos iguais perante Deus, o qual deseja que todos se salvem. Jesus deu vários exemplos em suas ações atendendo a todos, incluindo os deficientes físicos, sendo por muitas vezes indo até eles, como também os que vinham até Ele.

  1. O cristão tem obrigação de facilitar acesso ao deficiente físico.

Marcos 2.3 E vieram ter com ele conduzindo um paralítico, trazido por quatro. 4  E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava, e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico.

Um exemplo de amor pelo próximo é descrito quando quatro homens trazem um paralítico até Jesus. Não foi simples levá-lo até a casa onde estava o Senhor, pois a multidão impedia que o fizessem com facilidade. Porém esses homens não olharam para as circunstâncias, pois tinham um propósito determinado de conduzir o paralítico e procuraram achar um meio para isso, sem nunca pensar e desistir. Nesse caso foi pelo telhado da casa que abriram um buraco e desceram o paralítico até Jesus. Muitos crentes não fazem obras que exijam sacrifícios porque duvidam mais do que creem e para esses é mais fácil agir assim. O cristão autentico deve espontaneamente ser apoiador dos outros sem nunca cessar a sua persistência, pois levar almas a Cristo exige grande dose de zelo e amor pelas almas. O paralítico não podia ajudar-se a si mesmo e dependia que outros o ajudassem, não importando a energia que dispensassem para ajudar o deficiente físico. O que tem contribuído para que muitos deficientes se decepcionem com o evangelho é o fato de muitos evangelizadores os iludirem com promessas de milagres, os quais não acontecendo acabam deixando essa alma em completo descrédito com o evangelho.

Elaborado pelo Pastor Adilson Guilhermel

Publicado no site Esboços da EBD

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