Quem Ama Cumpre Plenamente a Lei Divina – Luciano de Paula Lourenço

Quem Ama Cumpre Plenamente a Lei Divina – Luciano de Paula Lourenço

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Texto Base: Romanos 12:8-14

“A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei” (Rm 13.8).

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos a respeito do Amor como Fruto do Espírito. Sem esta virtude é impossível absorver as demais virtudes do Fruto do Espírito exarados em Gálatas 5:22; todas as outras virtudes dependem do Amor. É a suprema virtude do Fruto do Espírito, e a maior verdade revelada por Deus aos homens é: Deus é amor (1João 4:8b). Apesar de ser algo conhecido de todos, lamentavelmente não é uma realidade que se possa atingir com o intelecto ou com a mente. Somente aqueles que se convertem e recebem o Espírito Santo em suas vidas é que podem, efetivamente, ter o amor divino e, assim, desenvolver as nove qualidades apontadas nas Escrituras como sendo o Fruto do Espírito. Jesus deixou-nos muito claro ao dizer que seus discípulos seriam reconhecidos pelo amor (João15: 12; 1João 2:10,11; 3:10,11). Aliás, a maior marca de uma igreja não é sua teologia, seu templo, tradições, mas sim o seu amor para com o Senhor Jesus e para com o próximo.

I. DEUS CRIOU O HOMEM DOTADO DE CAPACIDADE PARA AMAR 

  1. Deus é amor (1João 4:8). O amor faz parte da própria natureza de Deus. Ainda que Deus não quisesse amar, mesmo assim ele continuaria amando, porque Deus é amor. Ao criar o homem, ele inspirou-se em si mesmo – “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança… E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou…” (Gn.1:26,27). Criado à imagem de Deus, e sendo que Deus é amor, subentende-se que o amor tornou-se parte da própria natureza do homem. O homem foi criado com capacidade para amar. Assim, se Adão não tivesse pecado, ele nunca teria conhecido o ódio, a inimizade, o desejo de vingança, a cobiça, a inveja, e coisas semelhantes. As obras da carne não seriam produzidas em seu corpo. Adão tinha sido criado para amar.
  1. O Pecado afetou a imagem de Deus existente no homem. O homem, ao pecar, perdeu a capacidade plena de poder amar. Na medida em que se foi aprofundando no lamaçal do pecado, o homem foi, proporcionalmente, perdendo a capacidade de amar – de amar a Deus, de amar a si mesmo, de amar ao próximo. Todavia, o amor nunca foi eliminado, de forma total e absoluta, da vida do homem, porque o amor faz parte de sua própria natureza, visto ter sido ele criado à imagem de Deus, e “Deus é amor”.

Por mais primitivo que seja o homem, por mais estúpido, por mais mau caráter, em todo homem existe uma centelha de amor, por mais que alguns procurem escondê-la. Todo homem ama alguém, ou alguma coisa. Daí o adágio que diz que “os brutos também amam”.

O homem natural jamais poderá viver a vida cristã como ela deve ser vivida. Não pode haver Cristianismo sem amor, sem muito amor. A marca registrada do discípulo de Jesus é o amor, conforme afirmou o próprio Jesus: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (João 13:35). O amor é, também, o distintivo do filho de Deus – “Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei o bem […] e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo…” (Lc.6:35).

Ser “evangélico”, especialmente aqui no Brasil, não é difícil. Porém, em qualquer parte do mundo, ser discípulo de Cristo, ser cristão, ser filho de Deus, é simplesmente impossível sem o Novo Nascimento. O homem natural, dependendo do grau de envolvimento com o pecado, ele perde a capacidade até de amar a si mesmo, de zelar pela sua autoestima. Nesta condição, de forma alguma ele poderá viver tal como o Senhor Jesus ensinou: “…Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e toda a tua alma, e de todo o teu pensamento…Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt.22:37,39).  Na expressão “o teu próximo”, estão incluídos, também, os inimigos, por isto o Senhor Jesus foi taxativo ao declarar: “…amai a vossos inimigos…”.

Ser “evangélico” pode ser fácil, mas, ser um crente salvo, é difícil, é impossível para o homem natural. Talvez seja esta uma das causas que muitas Denominações, ditas como Evangélicas, preferem não ensinar, no seu todo, a Palavra de Deus. Preferem esconder a Cruz e manter o povo em ritmo de festa, envolvendo-o mais e mais com a busca das coisas da terra.

Ensinar sobre o negar-se a si mesmo, amar os inimigos, fazer bem aos que nos aborrecem, bendizer os que nos maldizem, orar pelos que nos caluniam, oferecer a outra face, entregar a capa e também a túnica, caminhar a segunda milha – este ensino somente os que nasceram de novo, somente os verdadeiros cristãos, somente os cidadãos do Céu, somente os discípulos de Jesus, somente os filhos de Deus, podem aceitar. E, só podem aceitar, porque, conforme afirmou Paulo, “porque o amor de Cristo nos constrange…”(2Co.5:14).

  1. O Espírito Santo restaura, no homem, a imagem de Deus, devolvendo-lhe a capacidade plena de Amar. “Mas o fruto do Espírito é: amor…” (Gl.5:22). Biblicamente, a vida cristã tem que começar com o Novo Nascimento, quando, segundo afirmou Paulo, “assim que, se alguém está em Cristo, Nova Criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2Co.5:17). Neste novo homem o Espírito Santo pode habitar – “…Porque vós sois o templo do Deus vivente…” (2Co.6:16). Assim, na medida em que o homem vai dando lugar ao Espírito Santo, ele vai moldando, nesse novo homem, a imagem de Deus. Na proporção em que a imagem de Deus vai sendo restaurada, mais e mais a natureza de Deus vai sendo devolvida ao homem, e “Deus é amor”. É assim, e tão somente assim, que o homem poderá chegar à capacidade plena de amar. De amar a Deus, de amar a si mesmo, de amar os que o amam, e de amar, também, os seus inimigos.

Deus não pede o que o homem não tem para dar. Deus não exige o que o homem não pode fazer. Deus sabe que os seus filhos têm amor para dar. Deus sabe que seus filhos podem amar, até mesmo os seus inimigos. Você é filho de Deus?

II. A SINGULARIDADE DO AMOR ÁGAPE

O Amor mencionado nas Escrituras como sendo a essência divina é o chamado amor “ágape”, assim denominado pela palavra grega utilizada no Novo Testamento para esta espécie de amor. Usado cerca de 250 vezes no Novo Testamento, “ágape” é a palavra utilizada todas as vezes em que se menciona um amor que tem como origem o próprio Deus, a começar do chamado “texto áureo da Bíblia” (cf. João 3:16). É um amor que não leva em consideração o valor do ente amado, que não se importa em satisfação própria, mas que tem prazer tão somente no benefício do ente amado. Envolve a inteligência, as emoções e a vontade (faculdades da alma).

O amor proveniente de Deus é o amor que leva em consideração o outro, não a si próprio. Deus não ama o homem porque tenha ele algum valor diante de Deus, pois o homem e toda a sua justiça, como descreveu o profeta, não passa de trapo de imundícia (Is.64:6). Diante do Senhor, o homem é como um vapor é como a erva do campo (Tg.5:14; 1Pd.1:24). Apesar disto tudo, Deus nos ama e nos quer bem a todo instante e, neste amor, humanizou-se e se fez maldito para nos proporcionar o restabelecimento da comunhão perdida por causa do pecado e, assim, tornar possível que voltemos a viver eternamente na sua companhia. Isto é o amor ágape, tão bem descrito em 1Coríntios 13, cujas características são:

  1. O amor é sofredor (1Co.13:4). Quem tem o verdadeiro amor proveniente de Deus não se importa com o sofrimento, com o padecer. Quem ama, sofre se este sofrimento representa o bem do ente amado. O amor divino é altruísta, ou seja, vê o benefício do outro e vive em função do outro, não de si mesmo.
  1. O amor é benigno (1Co.13:4). Quem tem o verdadeiro amor proveniente de Deus não tem má-fé, não tem más intenções (ou, como se diz, “segundas intenções”). Quem ama sempre é movido pela boa-fé, pela pureza de propósitos, de intenções e de pensamentos.
  1. O amor não é invejoso (1Co.13:4). Quem tem o verdadeiro amor não cobiça o que é do próximo, não se incomoda com o sucesso, o êxito e o bem-estar do seu semelhante. A inveja, diz-nos a Escritura, é a podridão dos ossos (Pv.14:30b) e, em razão dela, ocorreu o primeiro homicídio. Queiramos o progresso e o sucesso do próximo, alegremo-nos com a alegria do outro, não cobicemos as suas bênçãos, nem a sua posição. Jesus, sendo o próprio Deus, fez questão de prometer e destinar aos seus servos maior êxito e maior sucesso ministerial do que o dEle próprio (João 14:12). Se não aguentamos o bem do próximo, o sucesso do nosso vizinho, do nosso irmão, do nosso companheiro de trabalho, cuidado, este é um sinal evidente de que nós não amamos e que, portanto, não é um verdadeiro filho de Deus.
  1. O amor não trata com leviandade (1Co.13:4). O amor não busca a vanglória, não tem o objetivo de alcançar a vaidade, o poder pelo poder, a satisfação pela satisfação. Muito pelo contrário, o verdadeiro amor sempre tem uma finalidade: o de obter a glorificação de Deus. Jesus tudo fez neste mundo para que o nome do Senhor fosse glorificado (João 17:4) e deve ser este o comportamento de todo verdadeiro cristão (Mt.5:16).
  1. O amor não se ensoberbece (1Co.13:4). O amor não gera orgulho. O amor proveniente de Deus não cria uma autossuficiência no homem, não o faz sentir melhor do que os outros, não faz nascer um senso de superioridade em quem ama. O orgulho só aparece quando se acha iniquidade no ser orgulhoso, exatamente do mesmo modo que ocorreu com o diabo (Is.14:12-14 c/c Ez.28:15).
  1. O amor não se porta com indecência (1Co.13:4). Quem ama não é indecente, segue os bons costumes, demonstra pudor, compostura e respeito. Quem ama é puro, tem autoridade moral, sendo transparente e de excelente reputação. Será, sim, criticado, mas as críticas que lhes forem feitas apenas servirão para evidenciar o seu bom testemunho e o bom porte apresentado diante de Deus e dos homens (1Pd.2:12).
  1. O amor não busca os seus interesses (1Co.13:5). O amor proveniente de Deus é altruísta, leva em conta o outro, não está interessado em si mesmo, nem em seu próprio benefício, mas antes quer o benefício do outro.
  1. O amor não se irrita (1Co.13:5). O amor apresenta uma mansuetude, uma tranquilidade, irradia uma paz que é diferente das promessas de paz oferecidas pelo mundo. A paz daquele que ama é, precisamente, a paz de Cristo (João 16:33), a paz verdadeira. O amor não é irritante, não provoca contendas, divisões, nem se envolve em competições e em tarefas de destruição do próximo. O amor tudo suporta (1Co.13:7).
  1. O amor não suspeita mal (1Co.13:5). Quem ama não faz suposições maldosas contra o próximo, não é preconceituoso, não julga precipitadamente pela aparência, não se acha superior aos demais. Jesus determinou que não devemos julgar com base na aparência, mas de acordo com a reta justiça (João 7:24). Jesus nunca suspeitou mal os outros, a ponto de, mesmo sabendo que estava sendo traído, ter chamado Judas de amigo (Mt.26:50).
  1. O amor não folga com a injustiça (1Co.13:6). O amor não compactua com a injustiça, nem a admite ou tolera. Quem ama, não pratica a injustiça, pois o filho de Deus é um praticante da justiça (1João 3:10). Jesus, a quem devemos imitar, é justo (At.3:14). Somente quem pratica a justiça poderá habitar no tabernáculo do Senhor (Sl.15:1,2).
  1. O amor folga com a verdade (1Co.13:6). O amor sempre opta pela verdade, jamais se manifesta através ou por intermédio da mentira ou do engano. Por isso, Deus, que é amor, também é verdade (Jr.10:10). Jesus, como Deus que é, também é a verdade (João 14:6). A Palavra de Deus é a verdade (João 17:17) e, por isso, quem ama tem prazer em obedecer aos mandamentos do Senhor.

Como podemos perceber, o amor ágape, ou seja, o amor divino, não é uma teoria, não é um estado mental, mas é um conjunto de ações concretas, de atitudes efetivas que devem ser praticadas pelos servos de Deus, não apenas faladas, pensadas ou meditadas.

III. AMAR A DEUS, A SI MESMO E AO PRÓXIMO

O homem salvo possui amor que se manifesta em três dimensões: em direção a Deus – Dimensão Vertical; em direção aos outros homens – Direção Horizontal; em direção a si mesmo – Direção Interior. Cada uma destas três dimensões do amor é dependente das outras. Não podemos amar o próximo, se não amamos a Deus; se menosprezarmos o próximo, não amamos a Deus; se odiarmos a nós mesmos, não podemos mostrar a preocupação adequada pelas necessidades do nosso semelhante, porque não temos a preocupação adequada por nossas próprias necessidades.

  1. O amor a Deus – a Dimensão vertical. O amor é uma característica indispensável para quem diz ser filho de Deus, é como se fosse o próprio DNA espiritual do cristão sincero e verdadeiro; este amor não é apenas a essência da comunhão entre Deus e o homem, o próprio núcleo da vida espiritual, mas é, como afirma Paulo, o primeiro “gomo” do fruto do Espírito (Gl.5:22); ou seja, necessariamente este amor tem de se traduzir em atitudes, em ações, tem de se manifestar fora do indivíduo. Não foi por outra razão que Deus, ao entregar a Moisés a lei, estabeleceu que o resumo de todos os mandamentos fosse: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder” (Dt.6:5). Só assim poderia haver a guarda de todos os mandamentos e, por conseguinte, temor a Deus (cf. Dt.6:1,2). Este mandamento foi endossado por Cristo, quando indagado a respeito do que era mais importante na lei (Mt.22:37). Portanto, amar a Deus significa submeter-se à vontade do Senhor, fazer aquilo que Ele nos manda na sua Palavra; significa renunciar à vontade própria, ao ego, à sua individualidade para fazer aquilo que o Senhor determinou que fizéssemos. Não é possível amar a Deus sem observar a sua Palavra.

A primeira prova que temos de que alguém realmente se tornou um filho de Deus é o fato de que ele passou a amar a Deus, e amar a Deus é simples de ser verificado: “Vós sereis meus amigos se fizerdes o que Eu vos mando” (João 15:14); “Aquele que tem os Meus mandamentos e os guarda, este é o que Me ama” (João 14:21a).

  1. O amor a si mesmo – a Dimensão interior. O “amor a si mesmo” reflete o amor de Deus em nós. Ao proferir o segundo grande mandamento, Cristo faz uma observação extremamente importante: “amarás o próximo como a ti mesmo”. O amor divino, implantado no coração do homem pelo Espírito Santo, após o arrependimento dos pecados, não gera apenas uma fonte que jorra em direção a Deus, estabelecendo a comunhão entre o salvo e o Senhor, nem somente em relação ao próximo, que é qualquer outro ser humano, mas também estabelece um canal que gera amor no próprio salvo.

O cristão é uma pessoa que se ama, ou seja, alguém que se gosta, alguém que tem autoestima, alguém que não se despreza, que não se acha inferior, que não é uma pessoa mal resolvida consigo própria. Mas alguém poderá dizer: Jesus se amava? Ele não se entregou por nós? Ele não deixou a sua glória? Como podemos dizer que Jesus se amava? Ora, esta questão tem uma resposta afirmativa, pois Jesus jamais iria ensinar algo que não tivesse feito (At.1:1). Nesta terra, Jesus foi a pessoa que mais se amou. Como podemos afirmar isto? Pelo simples fato de que foi a única pessoa que não pecou (Hb.4:15). A maior prova que damos de que amamos a nós mesmos é o fato de não pecarmos, de não sermos atraídos pela nossa concupiscência e, deste modo, garantirmos vida eterna para nós.

Entretanto, não podemos confundir amar a si mesmo com “ser amante de si mesmo”, que é uma característica do ímpio e não do salvo (cf.2Tm.3:2). Ser amante de si mesmo é colocar-se no lugar de Deus, passar a querer tirar vantagem de tudo para si, é se relacionar com os outros buscando tão somente o bem próprio, a satisfação própria, é idolatrar a si mesmo. Quem, por exemplo, pratica boas obras para “crescer”, “evoluir” espiritualmente, está sendo amante de si mesmo, pois não visa o bem do outro, mas o próprio bem. Usa o outro como meio para atingir o fim, que é o benefício próprio. É a atitude popularmente conhecida como “venha a nós, vosso reino nada”.

Portanto, amar-se é procurar o melhor para si. Amar-se é buscar o que há de mais excelente para si. Amar-se é criar condições para que haja o mais pleno desenvolvimento de seu ser, de sua essência, e isto só é possível no ser humano quando eliminamos o fator que faz com que a natureza humana decaia e seja distorcida: o pecado. Damos prova de que nos amamos quando nos santificamos, quando buscamos a santidade, quando nos separamos do pecado – “sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca, mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo” (1João 5:18a). Amar-se é, portanto, separar-se do pecado, conservar-se irrepreensível, espírito, alma e corpo até a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo (1Ts.5:23).

  1. O amor ao próximo – Dimensão horizontal. O amor divino que se encontra no salvo não se limita apenas ao relacionamento entre Deus e o homem, mas também se manifesta em direção às demais pessoas que estão à volta do salvo. Por isso, Jesus, ao responder à indagação daquele doutor da lei, fez a devida complementação, para mostrar que um bom relacionamento entre Deus e o salvo redunda num bom relacionamento entre o salvo e os demais seres humanos. Quem ama a Deus, ama o próximo (1João 4:21).

O amor a Deus é pressuposto para que se tenha amor ao próximo. Não é possível amar o próximo sem que antes se ame a Deus. Daí porque não podermos confundir o amor ao próximo com o mero exercício de filantropia, com dó ou qualquer outro sentimento que tenha em vista a ajuda circunstancial a outrem, como, aliás, defendem aqueles que acham que as boas obras de alguém ocasionam a este alguém algum progresso espiritual.

Amar o próximo não é dizer a alguém que o ama, mas um amor que se mostra por atitudes concretas, por ações efetivas, por obras. Amor ao próximo não é amor de palavra nem de língua, mas amor por obras e em verdade (1João 3:18).

Amar o próximo é sentir compaixão por ele, ou seja, sentir a sua dor, como se fosse nossa e, assim, suprir as necessidades imediatas do nosso semelhante, lembrando que ele é tão imagem e semelhança de Deus quanto nós. O próximo é qualquer ser humano, como bem nos explicitou Jesus na parábola do bom samaritano, e este amor supera todo e qualquer preconceito, toda e qualquer barreira, toda e qualquer tradição.

Amar o próximo não é apenas ajudar alguém do ponto-de-vista material, mas, sobretudo, levar este alguém a uma vida de comunhão com Deus, a um equilíbrio em todos os aspectos da sua vida. Medidas emergenciais serão necessárias, como nos mostra a parábola do bom samaritano, mas é extremamente necessário que levemos o próximo a entender que deve, sobretudo, amar a Deus, para que também ame o próximo, como nós o amamos.

O amor ao próximo é determinado pelo Senhor, é seu mandamento (João 15:12), e tem como exemplo o próprio amor que Cristo apresentou a nós, ou seja, o da completa renúncia para que desfrutássemos da vida eterna. Jesus nos amou primeiro, fez o que não podíamos fazer, mas nem por isso fez o que poderíamos e deveríamos fazer. Este é o limite do amor ao próximo: fazer aquilo que ele não pode fazer, mas ensinar-lhe a fazer o que pode e deve fazer.

Quando amamos o próximo da forma determinada na Palavra de Deus, melhoramos sensivelmente o ambiente em que vivemos.

IV. DOIS INIMIGOS QUE NÃO PODEM SER AMADOS 

“…. Amai a vossos inimigos…” (Lc.6:27).

A estabilidade de todo reino sempre se fundamentou na necessidade de enfraquecer, ou mesmo destruir os inimigos do reino e do rei. Nunca houve reino sem prisões cheias de inimigos, sem pena de morte para quem se levantasse contra o rei. Todavia, o Senhor Jesus fundou o Seu Reino em bases nunca vistas antes. Em lugar de mandar prender, espancar, matar seus inimigos e opositores de Seu Reino, ele ordenou aos seus súditos, como um dever, dizendo-lhes: “amai a vossos inimigos…”. Jesus é, pois, um Rei diferente de todos os demais reis e seu Reino em nada se assemelha a qualquer outro reino. Ele também exige que seus súditos não sejam como os súditos dos outros reinos. O amor é o fundamento do Seu Reino.

Entretanto, existem dois inimigos que o homem de Deus não pode amar, nem mesmo manter qualquer tipo de relacionamento com eles – trata-se de Satanás e do Mundo.

  1. Satanás, o maior inimigo do Cristão. A inimizade entre Satanás e o homem foi colocado pelo próprio Deus – “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente…” (Gn.3:15). Não podemos nos esquecer desta sentença bíblica: Satanás é inimigo do homem e o homem de Deus deve ser inimigo de Satanás. Esta inimizade foi posta por Deus e nunca será revogada. Não há na Bíblia qualquer passagem que possa levar o homem a anular, ou minimizar, essa inimizade. Somos inimigos e queremos continuar sendo inimigos.

Satanás é inimigo de Deus e Deus é inimigo de Satanás. Satanás é inimigo dos filhos de Deus e os filhos de Deus são inimigos de Satanás. Biblicamente, não há possibilidade de qualquer acordo, ou qualquer convivência pacifica. Ele é chamado de nosso adversário, ou seja, aquele que se opõe a nós, aquele que luta contra nós, conforme afirmou Pedro: “sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1Pd.5:8).

Os que não conhecem a Palavra de Deus, também não sabem quem é Satanás. Há quem procure conviver ou relacionar-se com ele, até pensando poder receber dele alguma ajuda, ou favor. Ignoram que sua natureza é má e que, por isto, ele não pode amar, e, por conseguinte, não pode fazer o bem, conforme o Senhor Jesus afirmou, referindo-se a ele: “O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir…” (João 10:10). Lamentavelmente, quer seja por ignorância da Bíblia Sagrada, quer seja por desobediência voluntária a Deus, ou por pura rebeldia, o Satanismo é uma das Seitas que mais está crescendo, hoje, em número de adoradores de Satanás, especialmente nos Estados Unidos, aquele que já foi o maior país evangélico do mundo e de onde vieram os nossos missionários.

Há, ainda, outras Seitas que se dizem cristãs, que pregam sobre a necessidade de orar pela conversão de Satanás e de seus anjos. Estes grupos não tratam Satanás como inimigo, e, se o adoram, ou se oram e pedem oração por ele, é porque o amam. Talvez até procurem justificarem-se usando a Palavra de Deus, pois, o Senhor Jesus, na verdade, disse: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem” (Mt.5:44). Esquecem, ou não sabem que a mesma Palavra de Deus, instrui os filhos de Deus, no sentido de: resistir ao diabo – “Ao qual resisti firmes na fé…” (1Pd.5:9), “…resisti ao diabo, e ele fugirá de vós…” (Tg.4:7); não lhe dar lugar – “Não deis lugar ao diabo” (Ef.4:27); estar firmes contra suas ciladas – “Revesti-vos de toda armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo” (Ef.6:11).

Assim, a ordem bíblica, dada pelo próprio Jesus, quando disse “amai, pois, a vossos inimigos…”, certamente que não inclui Satanás. Ele é inimigo de Deus e é nosso inimigo e, como tal, tem que ser tratado. Com ele o homem de Deus não pode ter qualquer tipo de relacionamento. Foi por manter um relacionamento amistoso com ele que Eva foi enganada e pecou. Satanás é um inimigo que não pode ser amado pelos filhos de Deus. Pense nisso!

  1. O Mundo – outro grande inimigo que não pode ser amado pelos filhos de Deus. Certamente, o mundo com o qual o filho de Deus não pode e não deve se relacionar, é o mundo moral, o reino das trevas, do qual a Palavra de Deus diz, que “… todo o mundo está no maligno” (1João 5:19).

Este mundo é o agente de Satanás, o seu reino aqui na Terra. Desta forma, se o mundo constitui o reino das trevas, onde impera o pecado em toda sua amplitude, e, se nós somos filhos de Deus, pertencemos ao Reino da Luz. Então Paulo pergunta: “… porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? (2Co.6:14). O mundo é, pois, inimigo de Deus, e, inimigo de Deus é nosso inimigo – “Se vós fosseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas, porque não sois do mundo, por isso é que o mundo vos aborrece” (João 15:19).

Deus sempre quis que houvesse uma separação entre o seu povo e o mundo. Simbolicamente, ele deixou isto bem claro, quando, no deserto, ao mandar Moisés construir o Tabernáculo, determinou que ele fosse fechado, em toda sua extensão, por uma espécie de muro, formado por “cortinas de linho fino torcido”, bem fixado em colunas e bases de cobre, distante uma da outra, cerca de, apenas, dois metros e meio. A altura era de cinco côvados, cerca de mais de dois metros (Êx.27:9-19). O desejo de Deus era que o Tabernáculo fosse um lugar fechado, separado, ou um lugar santo. Num sentido individual, o Tabernáculo, hoje, sou eu e você; no sentido coletivo, o Tabernáculo representa a Igreja.  Fica claro, portanto, que Deus quer, eu, você e sua igreja, separados do mundo.

Algumas Denominações e alguns crentes que se dizem “evangélicos”, certamente por não conhecerem a Palavra de Deus, parece que interpretam a ordem de Jesus sobre a necessidade de “Amai a vossos inimigos”, como que incluindo o mundo entre os que devem ser amados. Não sabem, ou, sabendo, procuram ignorar que relações de amizade, ou de amor com o mundo, constitui infidelidade, ou traição a Deus, por cuja causa são chamados de adúlteros, na expressão usada por Tiago: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tg.4:4).

O mundo é um inimigo que não pode ser amado pelos filhos de Deus. Trata-se de um amor proibido, pela Bíblia – “não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1João 2:15).

“Amai, pois, a vossos inimigos…”, foi o que o Senhor Jesus ordenou. Porém, Satanás e o mundo, embora sendo nossos inimigos, não estão entre aqueles que Jesus nos mandou amar. Considere isto!

CONCLUSÃO

Sem que haja o verdadeiro amor na vida do crente, nenhuma das outras características poderá se manifestar na vida do homem. O amor e o seu contínuo desenvolvimento é o que deve ser buscado pelo cristão a cada dia, até o dia do arrebatamento da Igreja. Um amor que não é meramente teórico, que não é somente um belo discurso ou um estado mental, mas, sim, um amor prático, que faz boas obras e que faz os homens glorificarem a Deus que está nos céus (Mt.5:16). Como nova criatura, você precisa amar e evidenciar esse amor mediante suas atitudes e palavras.

Conta-se que durante as atrocidades cometidas contra os armênios, um soldado turco perseguia uma moça e seu irmão. Encurralado num beco sem saída, o moço foi espancado e morto pelo soldado, diante dos olhos da irmã. Esta conseguiu saltar o muro e fugiu. Tempos depois, ela, sendo enfermeira, trabalhava num hospital militar. Certo dia foi levado para a enfermaria onde ela servia aquele soldado que maltratara seu irmão. Ele estava à beira da morte e dependia de seus cuidados. Bastava descuidar um pouco, e ele morreria. A enfermeira reconheceu o soldado. Era o mesmo que matara seu irmão. Sua “velha natureza” gritava: vingue-se! Sua nova natureza, porém, dizia: Ame-o! Aquele que disse “Amai, pois, a vossos inimigos…”, venceu. Ela cuidou do soldado com um carinho especial, e ele sobreviveu. O soldado também tinha reconhecido a moça. Certo dia, já fora de perigo, ele perguntou-lhe porque ela não o tinha deixado morrer. Ela então lhe respondeu: Porque sigo Aquele que disse: “amai os vossos inimigos”. O soldado passou alguns minutos calado. Depois disse: “não sabia que existia tal religião. Se esta é a sua religião, conta-me mais, porque quero adotá-la”.

Que venhamos rogar ao Pai um coração amoroso, capaz de amar até mesmo aqueles que se declaram nossos inimigos – “Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei o bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus” (Lc.6:35).

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) – William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 69. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Gálatas, a carta da liberdade cristã.

Antônio Gilberto. O Fruto do Espírito. CPAD.

Ev. Caramuru Afonso Francisco. Amor: o Fruto excelente.PortalEBD_2005.

Comentário Bíblico Pentecostal. Novo Testamento. CPAD.

Publicado no Blog do Luciano de Paula Lourenço

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