O Ministério da Igreja – Francisco Barbosa

O Ministério da Igreja – Francisco Barbosa

O Ministério da Igreja

TEXTO DO DIA SÍNTESE
“E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai, a ele, glória e poder para todo o sempre. Amém!” (Ap 1.6). O ministério da Igreja é um lugar para os servos de Deus, visando o aperfeiçoamento dos santos.
AGENDA DE LEITURA
Segunda – At 4.32

Ministério e unidade

Terça – At 6.1-3

Ministério e serviço

Quarta – At 9.36

Ministério e misericórdia

Quinta – At 8.6

Ministério e sinais

Sexta – At 4.8

Ministério e o poder do Espírito Santo

Sábado – At 4.13

Ministério e ousadia

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

EXPLICAR o que significa o ministério;

ENFATIZAR que os cristãos são chamados a servir ao Senhor como sacerdotes, como mediadores da mensagem da salvação;

DESTACAR que a Igreja tem a mensagem da reconciliação, e deve fazer dessa mensagem e de sua prática um ministério.

INTERAÇÃO

O exercício do ministério na igreja do Senhor é muito mais do que apenas possuir um cargo na igreja. É preciso entender que o serviço ministerial possui um significado muito especial que norteia e dá sentido ao que fazemos na obra de Deus. Ministrar está intrinsecamente ligado a nossa identidade cristã. Somos chamados por Deus para exercer o sacerdócio real, cujo objetivo é trazer aos homens as verdades do evangelho eterno de nosso Senhor Jesus Cristo.

Procure demonstrar aos seus educandos a importância de exercerem o ministério na Casa do Senhor, enfatizando que esse ministério não pode ser exercido de qualquer maneira. Antes, o exercício do ministério cristão requer santidade, conhecimento e obediência aos valores e princípios da Palavra de Deus. É preciso compreender que a essência da mensagem que trazemos é a reconciliação da criatura com o seu Criador, e é nosso papel trabalhar para que esta geração conheça o único meio de voltar à comunhão plena com Deus.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

A forma como o ministério da igreja é organizado influencia muito na maneira como a igreja é gerida. Inicie sua aula perguntando aos alunos o que significa ter um ministério na igreja local. Permita que expressem o que sabem sobre o assunto. Em seguida, apresente aos alunos um quadro com os diversos cargos ministeriais encontrados nas igrejas dos dias atuais. Compare-os ao modelo da Igreja Primitiva. Seus alunos poderão notar que muitos cargos sofreram alterações na nomenclatura e também no propósito real da sua função. Mostre aos alunos, a partir da reflexão a respeito do que é ministério, que apesar das mudanças ocorridas na história da igreja, o comprometimento e a seriedade no exercício do ministério devem permanecer o mesmo.

TEXTO BÍBLICO
1 Pedro 2.1-10.
1 Deixando, pois, toda malícia, e todo engano, e fingimentos, e invejas, e todas as murmurações,

2 desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que, por ele, vades crescendo,

3 se é que já provastes que o Senhor é benigno.

4 E, chegando-vos para ele, a pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa,

5 vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo.

6 Pelo que também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal da

esquina, eleita e preciosa; e quem nela crer não será confundido.

7 E assim para vós, os que credes, é preciosa, mas, para os rebeldes, a pedra que os edificadores reprovaram, essa foi a principal da esquina;

8 e uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, para aqueles que tropeçam na palavra, sendo desobedientes; para o que também foram destinados.

9 Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;

10 vós que, em outro tempo, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia.

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

INTRODUÇÃO

Muitas pessoas dizem que desejam ter um ministério. E o que é, essencialmente, ministrar? É dar ordens, ter prerrogativas de privilégio, ou estar em uma plataforma falando às pessoas? Não. Ministrar é servir. Aquele que ministra o faz porque é servo de Deus em primeiro lugar, e servo de seus irmãos, pois assim foi comissionado por Deus. Nesta lição, trataremos da importância do ministério na Igreja e do ministério de todos os crentes diante de Deus e dos homens. [Comentário: Esta lição é oportuna e esclarecedora, dado que hoje é bem comum ouvirmos muitas igrejas e pessoas usarem a palavra ministério. Dentre os vários usos, temos o exemplo do ministério de louvor, da pregação, de oração, de ação social, infantil, de dança e muitos outros. No contexto bíblico essa palavra, na maioria das vezes em que aparece, significa serviço. No Novo Testamento a palavra grega para ministério é “diakonia” e indica a prestação de algum tipo serviço ou trabalho. Como, por exemplo, nesse texto: “e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério diakonia da palavra.” (At 6.4). Ou seja, eles se dedicariam ao trabalho, ao serviço da pregação da palavra de Deus. Ainda que sejam importantes os talentos pessoais de uma pessoa, o que faz dela um verdadeiro ministro de Deus é a vocação divina. No texto sagrado encontramos o termo ‘ministério’ aplicado aos mais váriados serviços designados por Deus aos seus servos: ministério dos levitas, dos sacerdotes, dos profetas, dos apóstolos (2Cr 6.32; At 1.25). É em Jesus que encontramos o padrão que todos os outros ministérios devem seguir e se basear (Lc 3.23). Assim, quem tem um ministério é um trabalhador, um servo voltado a agradar a Deus com aquilo que faz, com seu serviço. Quem tem um ministério tem o seu foco no próximo, no servir da melhor forma possível com o dom que Deus lhe deu. Hoje em dia, infelizmente, muitos têm usado essa palavra para mostrar certo status por pertencer ao ministério “a” ou “b”, o que foge totalmente do ideal bíblico.] Dito isto, vamos pensar maduramente a fé cristã?

I. O QUE É MINISTÉRIO

  1. Ministério é uma forma de adorar a Deus. Adorar é uma manifestação de fé, uma forma de aproximar a criatura de seu Criador. Por meio da adoração, demonstramos nosso apreço e afeição pelo nosso Deus, sem precisar pedir nada em troca. Nossas petições ficam na esfera de nossas orações, ao passo que, na adoração, simplesmente nos regozijamos na presença de Deus e agradecemos a Ele por sua presença entre nós, por suas bênçãos e pela salvação manifesta ao seu povo. [Comentário: BASE BIÍBLICA: O Dom de Serviço é percebido no texto de Romanos: “… e a outro a interpretação das línguas. Se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino” (Rm 12.7). Há muita confusão sobre louvor e adoração e muitos até dizem que o momento de louvor se restringe àquele momento de canticos. Sabemos que Deus procura os verdadeiros adoradores, e isso não se refere à adoração verbalizada em forma de cantico. Adoração é obediência a Deus. O cristão adora porque obedece e porque tem prazer em adorar, e quer sentir mais e mais a presença de Deus em sua vida. Este é o verdadeiro sentido da adoração. Uma linda expressão de louvor não tem nada a ver com palavras faladas, escritas ou cantadas se as mesmas não forem acompanhadas de vidas de fé na Palavra de Deus e na obra do Senhor Jesus Cristo, resultando em vidas que louvam, mesmo que não haja nenhum som. Creio que, quando o período de louvor é realizado por pessoas consagradas a Deus, com equilíbrio espiritual, com músicas (principalmente do Cantor Cristão) que trazem mensagens de edificação para a igreja, com músicas que trazem mensagens evangelísticas, com músicas que glorifiquem o nome do Senhor, com músicas cujos ritmos são coerentes com o ambiente cristão e com a reverência que devemos ter com o nosso Deus, com instrumentos consagrados a Deus, com músicos consagrados, dotados de bom senso musical e que respeitam os ouvidos e gosto de todos os irmãos, creio que o período de louvor será muito bem-vindo no louvor da igreja.]
  1. Ministério, adoração e fé. A adoração como manifestação da nossa fé, é um serviço, um ministério. A expressão hebraica abad traz a ideia de “trabalhar, servir, adorar”. A expressão grega latreuo traz a mesma ideia de serviço e adoração (dessa expressão vem as palavras “idolatria”, adoração ou serviço a um ídolo). Aquele que ministra a um ídolo, o idólatra, também o adora, ignorando o verdadeiro Deus. Nesse contexto, precisamos entender que quando servimos ao Senhor, devemos igualmente ter um comportamento que demonstra que o adoramos também.[Comentário: Adoração está ligada a pelo menos três outras idéias: sacrifício, gratidão e fé. Adoração e sacrifício. Conta o livro de Gênesis que Abraão, quando levava seu filho Isaque para ser sacrificado, em certo momento falou aos servos que os acompanhavam: “Fiquem aqui com o jumento enquanto eu e o rapaz vamos até lá. Depois de adorarmos, voltaremos” (22.5). Podia ter dito “depois de sacrificarmos”, mas disse “depois de adorarmos”. Podia ter se referido ao ato exterior de sacrificar; mas preferiu indicar a atitude interior de demonstrar reverência e respeito por Deus. É isso que Paulo quis dizer quando falou aos cristãos de Roma: “Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional [ou adoração] de vocês” (Romanos 12.1). Coração que adora é coração que se entrega, é coração que doa de si mesmo. Adorar é entregar a filha a Deus a fim de que ela se torne uma missionária em campo distante. Adorar é ofertar com liberalidade para a obra de Deus. É também dar a uma pessoa necessitada como se estivesse dando para Deus (Mateus 25.37-40). Adoração e gratidão. Ainda em Gênesis, lemos a história do servo de Abraão que foi a um lugar distante buscar uma esposa para Isaque, o filho de seu senhor (24.4, 10). Durante a viagem o servo orou, pedindo orientação divina (24.12-14). Ao ver respondida sua oração (24.15-20), ele “curvou-se em adoração ao Senhor” (24.26) e disse “Bendito seja o Senhor, que me conduziu na jornada” (26.27). Percebe-se claramente um elemento de gratidão. O que vemos nessa passagem é alguém que reconhece a direção de Deus em sua vida e, por isso, agradece, isto é, adora. Coração que adora é coração que agradece. Adorar é lembrar de agradecer a Deus aquilo que pedimos e recebemos e também aquilo que recebemos sem nem mesmo termos pedido. É agradecer coisas tanto grandes quanto pequenas: a gripe que foi embora, o salário recebido, a promoção no emprego, a reconciliação com alguém que virou as costas. Adoração e fé. Adoração pressupõe fé. Isso fica patente num dos encontros entre Jesus ressuscitado e seus discípulos: “quando o viram, adoraram; mas alguns duvidaram” (Mateus 28.17). Isso nos ensina que a dúvida é um obstáculo à adoração. A fé é parte integrante da adoração. Sem fé não acontece adoração. Coração que adora é coração que confia em Deus. Adorar é reconhecer que Deus continua no controle mesmo quando se perde o emprego, quando chega a doença, quando se enfrenta uma crise familiar, quando Deus responde “não” à oração. Agir assim requer fé. Texto extraído dehttp://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=78. Diante de tudo o que foi exposto, conclui-se que quando falamos em louvor e adoração, a idéia de cantar um hino ou um cântico na igreja, mas o louvor e a adoração não se limitam apenas a estarmos cantando hinos ou cânticos ao Senhor nos cultos de domingo. É muito mais do que música! Na verdade, eles não estão sujeitos e nem dependem da música para existirem ou serem praticados! O louvor e a adoração são, antes de tudo, um estilo de vida.]
  1. Ministério é serviço. Quando falamos que uma pessoa trabalha em um ministério dentro da igreja local, estamos igualmente falando que essa pessoa está fazendo um trabalho específico dentro daquela igreja. Os obreiros da igreja, por exemplo, exercem seu ministério, seu serviço a Deus, servindo à igreja para a qual foram chamados a pastorear. Pessoas que lidam com departamentos infantis também estão prestando um serviço a Deus quando estão instruindo crianças em suas classes. Ministério, nessa acepção, é serviço. Há três palavras gregas que designam o termo ministro: leitourgos, um funcionário público que prestava um serviço ao Estado; hūperetes, a pessoa que trabalhava em um navio de escravos, e diaconos, aqueles que serviam às mesas. Por essas informações, podemos perceber que o ministro é um servo, uma pessoa que, por força de suas atribuições, tem mais obrigações e deveres do que necessariamente privilégios. Cremos, com isso, que devemos cuidar bem daqueles que são chamados por Deus para servir aos seus irmãos e à Igreja, pois o serviço cristão é mútuo, uns servindo aos outros.[Comentário: É bom esclarecer que enquanto os dons de manifestação do Espírito são voltados à edificação da Igreja, considerando os irmãos como Corpo, os dons de serviço são direcionados ao trabalho, considerando os irmãos como indivíduos. Ministério, em Romanos 12.7, é servir. Temos como exemplos na Bíblia o ministério (serviço) físico e material de Febe (Rm 16.1-2), e o ministério (espiritual) da reconciliação entre os irmãos (2Co 5.18). Trabalho assistência, mão de obra, hospedagem, refeição, arrumação, manutenção, limpeza, escolas, asilos e orfanatos são manifestações desse dom. Muitos irmãos têm este dom para serviços dessa natureza. No original grego, serviço é “diakonia”, de onde vem a designação diácono. Em outras palavras, todos os diáconos deviam ter esse dom. O dom de ministrar’ diz respeito a prestar serviço material e espiritual sem jamais esperar recompensa, reconhecimento, retribuição ou remuneração.]

Pense!

De que forma temos sido pessoas que levam a sério um ministério ou uma vocação dada por Deus?

Ponto Importante

Servir é uma forma de demonstrar aos que nos cercam a nossa adoração a Deus. Quando amamos a Deus nos tornamos servos dEle.

II. O MINISTÉRIO SACERDOTAL DOS CRENTES

  1. Ministério no Antigo Testamento. No Antigo Testamento, o ministério era tido como uma atividade espiritual. Os sacerdotes e levitas integravam o ministério religioso em Israel, e posteriormente, Deus levantou profetas que também tinham um ministério. Enquanto os levitas e sacerdotes oficiavam no sentido de intermediar a aproximação do homem para com Deus, os profetas falavam em nome de Deus ao povo. [Comentário: No tempo do Antigo Testamento, havia dos tipos de ministérios: o levítico e o profético. Os juízes, sempre é bom lembrar, não eram ministros religiosos, mas magistrados civis e líderes levantados por Deus para conduzir a nação israelita em momentos de grande adversidade. Já os levitas e sacerdotes, bem como os profetas, eram ministérios essencialmente religiosos. Ao contrário do que pensam alguns hoje sobre o ministério levítico, são os filhos de Levi que foram designados para o ministério e a descendência de Arão, especificamente para o ministério sacerdotal, que primeiro se realizou no Tabernáculo e depois, no Templo, cuja estrutura original foi construída durante o reinado de Salomão, filho de Davi. O ministério sacerdotal era, essencialmente, um ministério intercessório. O sacerdote era o mediador entre o povo e Deus, e não apenas no que diz respeito ao oferecimento de sacrifícios para expiação das culpas do povo, mas também no sentido mais comum, de orar em favor do povo. Era responsabilidade do sacerdote também ensinar a Lei de Deus para a população (Êx 28.1-29.45; Lv 21.1-23; 1Cr 24.1-31).http://www.cpadnews.com.br/conteudo-exclusivo/16856/o-ministerio-no-antigo-testamento.html.]
  1. Ministério no Novo Testamento. No Novo Testamento, a palavra ministério traz a ideia de serviço, e de forma peculiar, apresenta aqueles que são salvos em Cristo como pessoas que atuam em um ministério como sacerdotes de Deus aos homens. Esse ministério é conhecido como “sacerdócio universal dos crentes”. [Comentário:No Novo Testamento o Dom do Serviço é uma resposta direta de Deus à necessidade da Igreja Local – Corpo de Cristo, diante do crescimento explosivo do numero de salvos a partir da pregação poderosa, entusiasmada e empolgante do Evangelho. O Dom de Serviços ou da Diaconia renasce um pouco após o inicio da Igreja. Visto que a capacidade especial de Servir ao Senhor Deus através das pessoas já existia ou ocorria desde o Antigo Testamento. Em Atos 26.16: “Porque por isto te apareci, para te constituir ministro…“, o termo grego para ‘ministro’ é huperetes, cujo significado sempre está ligado à ideia geral de serviço. Huperetes designa aquele que rema, portanto, o membro da tripulação de um navio. Também qualquer serviçal. Em Mt 5.25 designa o oficial de justiça; os serventuários, em Mt 26.58; o assistente na sinagoga, em Lc 4.20, o servo auxiliar em At 13.5; os guardas em Jo 7.32. É como se Paulo dissesse: “que os homens nos considerem como serviçais de Cristo“. Muito bem traduz a Bíblia na Linguagem de Hoje: “Vocês nos devem tratar como servidores de Cristo.”]
  1. O cristão como um sacerdote. Pela ideia do sacerdócio universal dos crentes queremos dizer que todos aqueles que já experimentaram a salvação são chamados a servir ao Senhor como sacerdotes, como mediadores da mensagem da salvação. Essa premissa, baseada em 1 Pedro 2.9 foi criada na Reforma Protestante, e é atribuída a Lutero, para contrapor a ideia de que apenas os sacerdotes da igreja romana eram detentores da salvação e da autoridade divina. Por ocasião da Reforma, Lutero ensinou que Deus chama a todos para que sejam sacerdotes do Deus Altíssimo. Essa definição não deve ser confundida com o ministério pastoral de nossas igrejas. Lutero nunca disse que não poderia haver pastores, ou que todas as pessoas seriam pastores na igreja, pois o ministério pastoral é para pessoas com vocação e formação para ministrar ao rebanho de Cristo. Deus chama pastores para que possam ser responsáveis pelo rebanho do Senhor, e eles são nossos sacerdotes. Isso não significa que todos os crentes são pastores! Nem todos possuímos a vocação ao ministério pastoral, de conduzir o rebanho do Senhor. Esse ministério é reservado a pessoas que Deus chama com essa finalidade específica. Entretanto, diante dos homens, somos sacerdotes, ou seja, representamos a Deus neste mundo que carece da salvação. Por isso, pregamos e oramos pelos que ainda não conhecem Jesus. [Comentário: Os crentes são chamados “reis e sacerdotes” e um “sacerdócio real” como reflexo de sua posição privilegiada de herdeiros do reino do Todo Poderoso Deus e do Cordeiro. Todo cristão tem um “serviço sacrificial”, um ofício por meio do qual ele expressa seu louvor e obediência a Deus. O cristão tem, além disso, um ministério de intercessão e o “poder de apontar e julgar o que é correto e incorreto na fé”. Martinho Lutero afirmou que todo cristão tem a capacidade de julgar segundo as Escrituras e de rejeitar todo ensino que contradiz o que as Escrituras ensinam. Esta foi a maior contribuição de Lutero à eclesiologia protestante, contudo, nenhum outro elemento de seu ensino é tão mal compreendido como a doutrina do sacerdócio universal do crente. O sacerdócio de todos os cristãos é tanto uma responsabilidade quanto um privilégio, um serviço tanto quanto uma posição. Deus fez-nos um corpo, um “bolo” (imagem favorita de Lutero). Nossa unidade e igualdade em Cristo é demonstrada por nosso amor mútuo e nosso cuidado uns pelos outros. “O fato de que somos todos sacerdotes e reis significa que cada um de nós, cristãos, pode ir perante Deus e interceder pelo outro. Se eu notar que vocês não têm fé ou têm uma fé fraca, posso pedir a Deus que lhe dê uma fé sólida.” Tudo isso implica que ninguém pode ser um cristão sozinho. Assim como não podemos nascer de nós mesmos, ou batizar a nós mesmos, da mesma forma não podemos servir a Deus sozinhos. Aqui, abordamos outra grande definição da igreja apresentada por Lutero: communio sanctorum , uma comunidade de santos. Mas quem são os santos? Não são supercristãos que foram elevados à glória celeste, em cujos “méritos” podemos conseguir ajuda nos caminhos da vida. Todos os que crêem em Cristo são santos. Conforme Paul Althaus disse: “Lutero trouxe a comunidade dos santos do céu para a terra”.www.monergismo.com/textos/igreja/sacerdocio_lutero_timothy.htm]

Pense!

Como cristão, represento e apresento Deus junto a este mundo carente de ver o poder do Senhor transformando vidas?

Ponto Importante

O sacerdócio de todos os crentes é uma premissa da Reforma Protestante.

III. O MINISTÉRIO DA COMUNHÃO E DA RECONCILIAÇÃO

  1. A reconciliação. Essa expressão retrata a união de duas ou mais pessoas depois que barreiras foram removidas. Quando vemos os efeitos do pecado na vida das pessoas, entendemos também a separação que há entre o homem e Deus.[Comentário: “Reconciliar-se”, “reconciliação”, referem-se a mudar de inimizade para amizade; mudar de considerar ofensor e inimigo, mudar de odiar, para doravante considerar amigo e amar; relacionamento de paz (em oposição à anterior guerra), de comunhão (em oposição à anterior inimizade), de remoção de todos os obstáculos, e de acesso ao Pai, tudo trazido pelo derramamento do sangue por Cristo como nosso substituto. A ênfase é em ato e atitude unilateral (primeiramente de Deus (Rm 5.10), na propiciação; depois do homem, na conversão (2Co 5.18-20).]
  1. A reconciliação é obra divina. A reconciliação entre Deus e o homem foi iniciada por Deus, pois “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação” (2Co 5.19). A Igreja tem a mensagem da reconciliação, e deve fazer dessa mensagem e de sua prática um ministério. O mesmo deve ser feito em relação aos que, em algum momento, tropeçaram na caminhada cristã e se afastaram do convívio dos santos. Enquanto não formos arrebatados e chamados para estar com o Senhor, vivemos sujeitos ao pecado e aos ataques deste mundo, que buscam a todo custo nos afastar da presença do Senhor. Nossa postura, como servos e servas de Deus, é fazer com que esses irmãos afastados sejam reconciliados com a igreja local e estejam na comunhão dos santos. [Comentário: Mesmo que temporalmente simultâneas, a seqüência lógica é: propiciação implica reconciliação da parte de Deus. Propiciação é a causa, reconciliação da parte de Deus é o efeito: A morte de Cristo propiciou a Deus e, conseqüentemente, pela sua parte Deus está reconciliado, faltando ao homem reconciliar-se (arrepender-se, crer, humilhar-se, render-se, receber) (2Co 5.18-20; Rm 5.10). Portanto, podemos ver a obra da reconciliação em dois instantes de tempo:
  2. (1) Desde a eternidade passada, em propósito; (2) no madeiro, em efetivação; e (3) para sempre: Deus reconciliou Ele mesmo com o mundo, através de Jesus Cristo [a iniciativa, a providência e a consecução são todas e somente de Deus! (2Co 5.18-19).
  3. Agora: o homem necessita se reconciliar com Deus através de Jesus Cristo (2Co 5.20).

A Bíblia diz que Cristo nos reconciliou com Deus (Rm 5.10; 2Co 5.18; Cl 1.20-21). Deus não apenas reconciliou consigo mesmo o homem como também todas as coisas no céu e na terra (Cl 1.20). Por causa desta reconciliação, Deus:

– Derrama bênçãos temporais também sobre os não salvos (Mt 5.45; Rm 2.4);

– Dilata ao homem a oportunidade de se arrepender (2Pe 3.9);

– Libertará os céus e a terra dos resultados da queda, na efetivação da restauração final (Rm 8.19-21)]

  1. A comunhão. A palavra comunhão traz a ideia de atos de fraternidade, de companheirismo. A Igreja de Cristo não pode ser marcada por partidarismo e dissensões, pois um reino dividido não subsiste (Mc 3.24). A comunhão é inspirada pelo amor, e este é o adesivo que une duas partes que de outra forma entrariam em atrito. [Comentário: A comunhão é um aspecto-chave da vida cristã. Os crentes em Cristo devem se unir em amor, fé e encorajamento. Essa é a essência da koinonia. Filipenses 2.1-2 declara: “Portanto, se há algum conforto em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão no Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões, Completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa”. Tendo o mesmo amor, sendo um em espírito e propósito“. Koinonia está em acordo um com o outro, sendo unidos em propósito, e servindo ao lado uns dos outros. Nossa koinonia uns com os outros é baseada em nossa koinonia comum com Jesus Cristo. Em 1 João 1: 6-7 diz: “Se dissermos que temos comunhão com Ele, e andarmos em trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Mas se andarmos na luz como Ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo pecado“. Um exemplo poderoso do que koinonia deve ser semelhante pode ser encontrado em um estudo da frase “um outro” na Bíblia. A Escritura nos ordena a nos devotarmos uns aos outros (Rm 12.10), a honrar uns aos outros (Rm 12.10), a viver em harmonia uns com os outros (Rm 12.16; 1Pd 3.8), aceitar uns aos outros 15.7), sirvam uns aos outros em amor (Gl 5.13), sejam bondosos e compassivos uns para com os outros (Ef 4.32), advertir uns aos outros (Cl 3.16), encorajar uns aos outros (1Ts 5.11; Hb 3.13), estimular uns aos outros em relação ao amor e boas obras (Hb 10.24), oferecer hospitalidade (1Pd 4.9) amar uns aos outros (1Pd 1.22; 1Jo 3.11; 3.23, 4.7, 4.11,12). Isso é o que deve ser a verdadeira koinonia bíblica. https://www.gotquestions.org/koinonia.html]

Pense!

Até que ponto você tem sido uma pessoa que busca efetivamente, em atitudes, a reconciliação entre outras pessoas e Cristo?

Ponto Importante

Reconciliação e comunhão costumam andar juntas na vida cristã. Primeiro partes opostas se reconciliam, para depois manterem a fraternidade da comunhão.

CONCLUSÃO

Em Cristo, vemos todos os exemplos de que a Igreja precisa para efetuar seu ministério. Ele foi servo, é nosso Sumo Sacerdote, busca a reconciliação e faz com que tenhamos comunhão com Deus. Que nossas vidas sejam pautadas no exemplo de Jesus. [Comentário: O ministério de Jesus consistia em pregar e ensinar as boas-novas do reino (Mt 4.23), instruindo aqueles que respondiam afirmativamente à sua proclamação a terem uma atitude de total submissão à sua própria pessoa e ensino, por ser ele o Messias, Rei e Salvador. Ele foi mestre perfeito. Em todos os seus feitos e pronunciamentos, encontramos um modelo a ser imitado, um exemplo a ser seguido. Não era sem razão que os seus discípulos e mesmo aqueles que não se enfileiravam entre os seus, assim se dirigiam a ele, reconhecendo-o como Mestre (Mt 19.16; Jo 3.2). Quando Jesus terminou de proferir o “Sermão do Monte”, registra Mateus: “Estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os escribas” (Mt 7.28-29). Eu encontro aqui o maior exemplo a ser imitado: ensinar com autoridade! Para isso, é preciso reconciliação, comunhão (vertical e horizontal) e desprendimento para o serviço. Você está disposto?] “NaquEle que me garante: “Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8)”,

Francisco Barbosa

Campina Grande-PB

Janeiro de 2017

HORA DA REVISÃO

  1. Segundo a lição, o que é adorar?

Adorar é uma manifestação de fé, uma forma de aproximar a criatura de seu Criador.

  1. O que é ministério?

É um serviço, trabalho específico realizado dentro daquela igreja.

  1. Quais são as 3 palavras gregas que designam o termo ministro? Quais são os seus significados?

As três palavras gregas são: leitourgos, um funcionário público que prestava um serviço ao Estado; hūperetes, a pessoa que trabalhava em um navio de escravos, e diaconos, aqueles que serviam às mesas.

  1. Como era o ministério no Antigo Testamento?

O ministério era constituído pelos sacerdotes e levitas, e posteriormente, os profetas. Enquanto os levitas e sacerdotes oficiavam no sentido de intermediar a aproximação do homem para com Deus, os profetas falavam em nome de Deus ao povo.

  1. Qual a ideia de sacerdócio universal dos crentes?

Significa dizer que todos aqueles que já experimentaram a salvação são chamados a servir ao Senhor como sacerdotes, como mediadores da mensagem da salvação.

SUBSÍDIO I

O sumo sacerdote

“Dentro da divisão dos coatitas, a família de Arão passou a ser de sacerdotes. De um lado isso os tornou encarregados dos levitas. Itamar supervisionava os gersonitas (Nm 4.28) e os meraritas (v.33); Eleazar cuidava dos coatitas (v.16). Por outro lado os sacerdotes eram distintos dos levitas, porque só eles podiam tocar nas coisas santas — tudo que tivesse a ver com o altar, a lâmpada, ou a mesa da proposição (Nm 4.5-15).

O sacerdote nem sempre era quem fazia o sacrifício, mas era ele quem levava o sangue para o altar (por exemplo, Lv 3.2). O próprio Arão veio a ser sumo sacerdote (às vezes chamado de principal sacerdote). Ele usava roupas especiais (Lv 16.2), interpretava o lançamento das sortes sagradas que eram mantidas em seu peitoral.

Arão tinha quatro filhos. Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar. Nadabe e Abiú morreram por terem cometido sacrilégio em seus deveres religiosos como sacerdotes (Lv 10.1-3) e o sumo sacerdócio passou então a Eleazar e foi mantido em sua família (Nm 20.25-29). Eli era um sacerdote da família de Eleazar. O sumo sacerdócio parece ter passado depois para a família de Itamar (veja 1Rs 2.27; cf. 1Cr 24.3). Foi Salomão quem fez retornar a linhagem de volta à família de Eleazar, colocando Zadoque na posição de sumo sacerdote. Essa posição foi mantida na família dele até que seu descendente veio a ser deposto por Antíoco Epifânio nos dias dos macabeus” (GOWER, Ralph. Novo Manual dos Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2012, pp.326,327).

SUBSÍDIO II

“No Antigo testamento, o sacerdócio era restrito a uma minoria qualificada. Sua atividade distintiva era oferecer sacrifícios a Deus, em prol do seu povo e comunicar-se diretamente com Deus (Êx 19.6; 28.1; 2Cr 29.11). Agora, por meio de Jesus Cristo, todo crente é constituído sacerdote para o serviço de Deus (Ap 1.6; 5.10; 20.6). Esse sacerdócio de todos os crentes abrange o seguinte:

(1) Todos os crentes têm acesso direto a Deus, através de Cristo (1Pe 3.18; Jo 14.6; At 4.12; Ef 2.18).

(2) Todos os crentes têm a obrigação de viver uma vida santa (1Pe 2.5,9; 1.14-17).

(3) Todos os crentes devem oferecer ‘sacrifícios espirituais’ a Deus, inclusive: (a) viver em obediência a Deus, sem conformar-se com o mundo (Rm 12.1,2); (b) orar a Deus e louvá-lo (Sl 50.14; Hb 13.15); (c) servir com o coração íntegro e mente disposta (1Cr 28.9; Fp 2.17; Ef 5.1,2); (d) praticar boas ações (Hb 13.16); (e) contribuir com nossas posses materiais (Rm 12.13; Fp 4.18) e (f) apresentar nossos corpos a Deus como instrumentos de justiça (Rm 6.13,19).

(4) Todos os crentes devem interceder e orar uns pelos outros e por todos (Cl 4.12; 1Tm 2.1; Ap 8.3).

(5) Todos os crentes devem proclamar a Palavra e orar pelo sucesso dela (1Pe 2.9; 3.15; At 4.31; 1Co 14.26; 2Ts 3.1; Hb 13.15)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, 1995, p.1940).

Publicado no Blog Auxílio ao Mestre

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