A Necessidade de Termos uma Vida Santa – Luciano de Paula Lourenço

A Necessidade de Termos uma Vida Santa – Luciano de Paula Lourenço

Aula 09 – A NECESSIDADE DE TERMOS UMA VIDA SANTA

3º Trimestre/2017

Texto Base: 1Pd.1:13-22 

“Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (1Pd.1:15).

INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo da Declaração de Fé das Assembleias de Deus, estudaremos nesta Aula a respeito da “necessidade de termos uma vida santa”. O povo de Deus foi separado como Sua propriedade exclusiva (Cl.3:12b). Nós, ou seja, a Igreja, fomos eleitos para a santidade. E ser santo é ser separado do mundo para Deus. Agora, tirados do mundo, mesmo estando geograficamente no mundo, somos propriedades exclusivas de Deus (1Pd.2:9). Fomos comprados por um alto preço e agora não somos mais de nós mesmos (1Co.6:19,20). Somos feitos santos aos olhos de Deus por causa do sacrifício de Cristo na cruz, ainda que a santidade seja um alvo progressivo da salvação.

I. DEFININDO OS TERMOS

  1. A santidade de Deus.Deus é Santo, por natureza – “…porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo…” (Lv.19:2). Esta é uma das mais solenes declarações encontradas na Bíblia. Deus, e somente Deus, é Santo na sua essência, conforme disse o profeta Amós, em duas ocasiões: “Jurou o Senhor Jeová, pela sua santidade” (Am.4:2); “Jurou o Senhor Jeová pela sua alma” (Am.6:8). A santidade é característica fundamental de Deus (Is.6:3; Ap.4:8). Nenhuma de todas as suas criaturas, mesmo Lúcifer que, ao que parece, era a mais perfeita delas, não era santo na sua essência, e por isto pecou – “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniquidade em ti […] elevou-se o teu coração por causa da tua formosura…” (Ez.28:15,17). Portanto, somente o Criador, somente Deus, que por ser santo na sua essência, possui absoluta pureza moral, não podendo, pois, pecar. Podemos afirmar que Deus não pode pecar, aborrece o pecado, mas, ama o pecador. O mesmo Deus que disse “sou santo”, também disse que “eu, o Senhor, não mudo” (Ml.3:6). Com efeito, Sua Palavra diz que nele “não há mudança, nem sombra de variação” (Tiago 1:17). Deus é, eternamente, Santo.
  1. Significado.Santificar significa pôr à parte, separar, consagrar ou dedicar uma coisa ou alguém para uso estritamente pessoal. O verbo hebraico qadash (“ser santo”), e seus derivados “santo, santificar, dedicar, consagrar”, no Antigo Testamento, significam “separar”. Dizer que qualquer coisa, objeto ou pessoa é consagrada, separada ou dedicada a Deus significa dizer que isso pertence a Ele (cf. Êx.13:2) ou serve a Ele com exclusividade (cf. Êx.30:30; Lv.20:26).

Em Lv.20:26, Deus diz a Israel que o havia separado dos outros povos para que eles fossem Seus – “E ser-me-eis santos, porque eu, o SENHOR, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus”. Vemos aqui as duas dimensões da santificação: primeiro, a separação dos outros povos, ou seja, a separação do pecado; segundo, a separação para que Israel fosse propriedade peculiar de Deus entre as nações (cf. Ex.19:5,6), isto é, uma separação para Deus.

Da mesma forma é o povo de Deus da Nova Aliança. A sua santificação tem dois lados: sua separação para a posse e uso de Deus e; a separação do pecado, do erro, de todo e qualquer mal conhecido, para obedecer e agradar a Deus. Esta separação para Deus envolve, portanto, num primeiro instante, a consciência por parte do salvo de que ele agora não mais vive, mas é Cristo quem vive nele (Gl.2:20). O crente salvo, santo, vive separado do pecado e das práticas mundanas pecaminosas, para o domínio e uso exclusivo de Deus. É exatamente o contrário do crente que se mistura com as coisas tenebrosas do pecado.

Ao mesmo tempo em que a santificação é uma separação do pecado, é, também, uma separação para Deus. O salvo não apenas é mantido separado do pecado, não apenas é liberto do pecado, mas também é posto numa posição de serviço, de destaque e de designação por parte do Senhor, para que produza obras que levem à glorificação do Seu nome.

Jesus, gerado por obra e graça do Espírito Santo (Lc.1:35), manteve-Se sem pecado durante toda a Sua existência terrena, mas, além de viver separado do pecado, também foi separado para Deus, a fim de fazer o bem e curar a todos os oprimidos do diabo (At.10:38), para consumar a obra da salvação, glorificando o nome do Pai (João 17:4). Nós, como membros do Corpo de Cristo (1Co.12:27), devemos, igualmente, repetir o que fez o nosso Mestre, seguindo as Suas pisadas (1Pd.2:21).

Quando somos salvos, devemos estar conscientes de que a salvação traz a nós um propósito divino para nossas vidas. Não mais andamos segundo a nossa vontade, mas, sim, segundo a vontade dAquele que nos salvou. Todo o nosso querer passa a estar submetido à vontade divina; passamos a ser guiados pelo Espírito de Deus (Rm.8:14); passamos a ter uma vida dirigida por Deus. É, aliás, neste sentido que Jesus diz que o nascido da água e do Espírito é como o vento que sopra, que não sabe de onde veio nem para onde vai (João 3:8). Não dependemos mais dos nossos planos nem de nossas ideias, mas estamos, sempre, à disposição do Senhor e da Sua vontade. Somos propriedade peculiar de Deus, passamos a pertencer-lhe e isto nos faz com que ajamos e estejamos onde, como e quando Ele assim desejar no cumprimento da Sua vontade.

Um dos objetivos da santificação, nesta separação para Deus, é a de nos tornar insuscetíveis a qualquer censura ou repreensão, ou seja, de nos tornar exemplos e referências para todos as pessoas com quem convivemos. Quando somos separados para Deus, somos separados para sermos exemplos às outras pessoas, para sermos testemunhas da transformação que Cristo opera no ser humano e, assim, sermos instrumentos para que os homens glorifiquem a Deus, reconheçam Sua soberania e Seu poder. Assim como os tropeços dos salvos contribuem extremamente para o descrédito em Deus e na Sua Palavra (e os tropeços são chamados de “escândalos”, que é a palavra grega para tropeço), assim também a conduta irrepreensível de um salvo é uma grande pregação e demonstração do poder de Deus aos homens.

A separação para Deus, também, tem o objetivo de nos conservar irrepreensíveis para a vinda de Jesus – “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts.5:23).

II. A NECESSIDADE DE TERMOS UMA VIDA SANTA

A Santidade é a marca característica de um crente, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Aquele que esta no lugar santo para adorar a Deus deve ter as mãos limpas e um coração puro, e não deve ter jurado enganosamente (Sl.24:3,4). Para habitar no “monte santo de Deus” – em Sua presença – o crente deve caminhar com integridade (praticar a justiça) e não fazer mal ao seu próximo (Sl.15). Deus “nos elegeu nele [em Cristo] antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele” (Ef.1:4).

  1. Israel.O estilo de vida dos israelitas devia estar de acordo com a santidade do seu Deus: “Santos sereis, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo” (Lv.19:2). Essa santidade exigida era mais do que natural, porque Deus é santo (Lv.11:44), e os israelitas foram “separados”, ou seja, “retirados” dentre os povos para Deus.

A mensagem bíblica é a de que Deus quer que haja uma nítida linha divisória entre o mundo dos santos e o mundo dos ímpios. Foi por causa da mistura entre as linhagens de Sete e de Caim que Deus destruiu o mundo com o dilúvio. Assim foi com Israel – “E vós me sereis reino sacerdotal e povo santo…” (Êx.19:6). Ao deixar todas as demais nações, de lado, Deus se propôs formar um povo especial com o qual passaria a se relacionar. Porém, sendo santo, Deus somente se relaciona com santos. Daí, uma das coisas que Deus queria de Israel era que fosse um “povo santo”.

Deus havia dito a Israel – “E vós me sereis…o povo santo”. Porém, em lugar de se tornar “o povo santo”, Israel se tornou um povo apóstata e idólatra; contaminou-se tanto que foi acusado por Deus de prostituição e de adultério espiritual – “E disse mais o Senhor nos dias do rei Josias: viste o que fez a rebelde Israel? Ela foi-se a todo o monte alto, e debaixo de toda árvore verde, e ali andou prostituindo-se […] E sucedeu que pela fama da sua prostituição contaminou a terra, porque adulterou com a pedra e com o pau” (Jr.3:6-9). Esta era a triste condição do povo que Deus queria que fosse “o povo santo”.

  1. A Igreja.Por falta de Santidade, Deus deixou de relacionar-se com as nações; por falta de Santidade, Deus deixou de relacionar-se com Israel. O mesmo não pode acontecer comigo e com você, isto é, com a Igreja. A Igreja, como Reino de Deus, aqui na Terra, deverá ser sempre santa. A Igreja, na condição de “Noiva do Cordeiro”, não pode e não será rejeitada, porque ela é a “…a igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef.5:27). Porém, a igreja, enquanto denominação local, cometendo o erro das gerações antediluvianas, acabando por deixar apagar a marca divisória que separava os filhos de Deus dos filhos dos homens, promovendo a mistura, também podemos ser rejeitados se viermos a cometer o erro da geração antediluviana e o erro do povo de Israel. Exatamente para que isto não aconteça, a Palavra de Deus nos adverte, dizendo: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pd.1:15,16).

A nossa santificação é a vontade direta e perfeita de Deus para nós, conforme nos exorta o apóstolo Paulo: “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição, que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra, não na paixão de concupiscência, como os gentios, que não conhecem a Deus” (1Ts 4:3-5). Portanto:

a) Devemos ser santos porque somos filhos de Deus– “Amados, agora somos filhos de Deus…”(1João 3:2). Quando um filho ama seu pai ele se orgulha quando alguém diz que ele se parece com o pai. O mesmo sentimento compartilha o pai quando alguém diz que seu filho é a “sua cara”. Contudo, não havendo amor essa mesma declaração aborrece tanto o filho como o pai.

b) Devemos ser santos porque queremos fazer a vontade do Pai– “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação…”(1Ts.4:3). Todo bom filho sente prazer e se esforça para fazer a vontade de seu pai. Todo pai fica feliz quando seu filho procura ser-lhe agradável. A Bíblia diz que Deus quer que seus filhos sejam santos.

c) Devemos ser santos porque queremos ser morada de Deus e Templo para o seu Espírito– “Jesus respondeu, e disse-lhe: se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada”(João 14:23); “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós…”(1Co.6:9). Pela Bíblia sabemos que o corpo é o santuário, ou o Templo de Deus e a morada do Espírito – “Não sabeis vós que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós” (1Co.3:16); “…porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: neles habitarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo” (2Co.6:16).

A expressão habitar não é a mesma coisa que visitar. O visitante não permanece muito tempo e só entra nos aposentos com a permissão do dono da casa; o que habita tem acesso livre. O visitante vem, e vai, o que habita permanece no lugar. Assim, se Deus, na Pessoa do Espírito Santo, apenas nos visitasse de vez em quando, poderíamos nos descuidar quanto a Santificação do corpo. Porém, a Palavra de Deus diz que Ele habita em nós. A mesma Palavra diz que Ele é Santo na sua essência, ou seja, é absolutamente santo – “…porque eu o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lv.19:2). Sendo Santo ele só pode habitar num corpo que também seja santo. Por isto ser santo é uma exigência do próprio Deus, conforme diz: “…Santo sereis”. Nós com todas nossas impurezas não sentimos bem habitando, ou convivendo num lugar sujo, imundo, quanto mais Deus. Daí, se eu quero que Ele habite em mim, então, preciso não apenas estar limpo, preciso estar purificado. Seu corpo está sempre em condições de ser morada do Espírito Santo?

d) Devemos ser santos porque queremos ser um vaso nas mãos de Deus. Santificação significa ser separado para uso de Deus. Daí, qualquer que desejar ser um vaso nas mãos de Deus, tem que ser um vaso separado para seu uso. Isto significa ser santo. Esta é a condição exigida pela Palavra de Deus, conforme escreveu Paulo: “Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra. De sorte que, se alguém se purifica destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor e preparado para toda boa obra”(2Tm.2:20,21).

e) Devemos ser santos porque somos peregrinos a caminho da Canaã Celestial– “…Andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação”(1Pd.1:17). Os que não conhecem a Bíblia pensam que para ser santo é preciso estar morando no Céu. Pensam que é lá que vivem os santos. Porém, pela Palavra de Deus sabemos que Deus exigiu que Israel fosse santo durante a peregrinação através do deserto. Foi lá no Monte Sinai que Deus disse: “…Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo”(Lv.19:2). Naquele deserto, Israel teria que andar com Deus. Porém, o Profeta Amós, pergunta: “Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?”(Amós 3:3). Deus é Santo. Só existe uma maneira de poder andar com Ele: sendo Santo.

f) Devemos ser santos porque queremos morar no Céu– “Senhor, quem habitarás no teu tabernáculo? Quem morará no teu santo monte?” (Salmo 15:1). O Senhor Deus diz: “Os meus olhos procurarão os fiéis da terra, para que estejam comigo; o que anda num caminho reto, esse me servirá”(Salmo 101:6). Somente os santos é que podem ser fiéis. Só os santos morarão no Céu.

g) Devemos ser santos porque é uma exigência de Deus. Essa exigência é mais do que natural porque Deus é Santo. Diz o apóstolo Pedro: “mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (lPd.1:15,16). Portanto, da mesma maneira como Deus escolheu e santificou o povo de Israel para viver em santidade, assim também o Senhor Jesus nos chamou para vivermos uma vida santa. Israel precisava viver longe das práticas imorais dos cananeus; nós, da mesma forma, devemos ter cuidado para não nos conformarmos com este mundo (Rm.12:2).

Diante do exposto, percebe-se que ser santo é uma exigência de Deus para aqueles que querem servi-lo e segui-lo. Todavia, em que pese o Senhor ter dito “santo sereis” (Lv.19:2), a Palavra de Deus nos ensina que Ele respeita a vontade do homem e não viola sua liberdade, ou seu livre arbítrio. Obedecer ou não obedecer é uma decisão do homem. Ninguém será santo à força. Foi assim com Israel, e é assim com a Igreja.

III. A POSSIBILIDADE DE TERMOS UMA VIDA SANTA

No Novo Testamento, os cristãos salvos em Jesus, são reconhecidos como santos (cf. At.9:13,32,41), e é dessa maneira que o apóstolo Paulo se dirige aos crentes nas suas epístolas (cf. Rm.1:7). A base dessa santificação é o sacrifício vicário de Jesus (Hb.10:10,14), mas ela é obra do Deus trino e uno por ocasião da conversão do pecador a Cristo (João 17:17; 1Co.6:11; 1Pd.1:2).

De acordo com a Bíblia, a santificação do crente é tríplice: Posicional, Progressiva e Futura.

  1. A santificação posicional.A partir do momento que cremos em Jesus, passamos a ser justificados e mudamos de posição diante de Deus, que não nos vê como éramos, mas que, agora, por causa de Cristo, nos vê como pessoas justas. Ao mudarmos de posição diante de Deus, alcançamos o que os estudiosos da Bíblia denominam de “santificação posicional”. A partir do instante em que aceitamos a Cristo como nosso Senhor e Salvador, nossos pecados são perdoados, somos justificados e, por isso, passamos a ser “santos de Deus”. Por isso, todo pecador arrependido e remido pelo Senhor Jesus é um “santo”, não tendo, pois, cabimento, procedimentos como os de “canonização” ou “beatificação”, como vemos em alguns segmentos religiosos.

Portanto, o ser humano torna-se santo ao nascer de novo, ou seja, no exato momento em que ocorre a Regeneração; nesse momento, acontece uma mudança no ser humano – de pecador perdido para santificado em Cristo (At.26:18; 1Co.1:2). É a santificação posicional, ou instantânea, conforme Paulo disse ao carcereiro de Filipo quando este perguntou: “…que é necessário que eu faça para me salvar?”. A resposta foi simples e direta: “…crê no Senhor Jesus, e serás salvo…” (Atos 16:30,31). Paulo acrescenta que “…as coisas velhas já passaram: eis que tudo se fez novo” (2Co.5:17).

Ao crer em Jesus, segundo afirmou João, o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado (1João 1:7). Nesse exato momento, o seu corpo, inteiramente purificado, torna-se o Templo do Espírito Santo, que passa a habitar nele. Se este homem for chamado à eternidade, está salvo, e irá para o Paraíso. Foi exatamente o que aconteceu com o ladrão na cruz; ele creu, e o Senhor Jesus lhe disse: “…em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc.23:43). É como a pessoa que toma um belo banho, à noite; deita-se, e dorme; limpa e perfumada, dorme; porém, não acorda; morre durante o sono, mas morre limpa.

Na santificação posicional, o crente que nasceu de novo recusa-se a permitir que os seus membros pequem, portanto, a santificação deve ser contínua. Ele deve deliberadamente seguir “…a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb.12:14). Não basta ser santo aos domingos, ou na semana da Santa Ceia. A Palavra de Deus diz: “Em todo tempo sejam alvos os teus vestidos…” (Ec.9:8).

  1. A santificação real.É conhecida como a santificação presente. Ela é progressiva. Diz o apóstolo Paulo: “Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundice da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus” (2Co.7:1). Em outras palavras foi o que Paulo disse aos tessalonicenses: “…assim andai, para que continueis a progredir cada vez mais” (1Ts.4:1). Como sabemos, o novo convertido é um recém-nascido, espiritualmente. A criança não desenvolve por si só os hábitos de higiene. Ela precisa ser ensinada a cultivar esses hábitos até que se conscientize da importância e necessidade deles. No plano espiritual, com muito mais razão, o ensino é fundamental porque todos os hábitos anteriormente adquiridos, enquanto no mundo, são contrários à Santificação. É preciso, primeiro, despojar-se do velho homem, como ensinou Paulo: “Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso sentido, e vos revistais do novo homem, que, segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade” (Ef.4:22-24).

Por falta de ensino da Palavra de Deus e por falta de uma vida de oração, muitos crentes continuam “meninos na fé”. A Santificação que deveria ser progressiva, continuou, contudo, prejudicada, ou estagnada. A Igreja onde a Palavra de Deus não é ensinada, é Igreja onde não há Santificação Progressiva. Em consequência, seus membros não conseguem se livrar dos velhos hábitos e costumes aprendidos no mundo.

Não basta ser santo; não basta ser santo cada dia; é preciso ser mais santo, cada dia. Enquanto vivemos neste mundo, o nosso corpo mortal não foi redimido, transformado e glorificado e, por isso, precisamos dia após dia estar diante de Jesus, buscando-o e consagrando a nossa vida para o Espírito Santo sobrepujar a natureza má da nossa “carne”. A Palavra de Deus nos mostra que fomos chamados para sermos santos em toda a esfera da vida (cf. 1Pd.1:15,16). Portanto, a Santificação precisa ser progressiva – “Mas todos nós, com cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (2Co.3:18).

  1. A santificação futura.“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”(1Ts.5:23). Trata-se da santificação completa e final (1João 3:2).

O Senhor Jesus que é santo, virá buscar os que são consagrados a Ele (1Ts.3:13; 5:23; 2Ts.1:10; Hb.12:14). Por isso, a vontade de Deus para a vida do crente é que ele seja santo, separado do pecado (1Ts.4:3). Mas observe, a Bíblia exige a separação do pecado, não dos pecadores. Esta prática, que se disseminou entre os cristãos por volta do terceiro ou quarto século, no entanto, tem um grande equívoco. Com relação a isto, aliás, o próprio Jesus foi enfático em Sua oração sacerdotal, ao dizer que não pedia ao Pai que tirasse os salvos do mundo, mas tão somente que os livrasse do mal (João 17:15). Ele próprio deu o exemplo, em todo o Seu ministério, jamais se isolou dos pecadores, tanto que isto foi um dos pontos principais da censura dos fariseus ao Senhor (Mt.9:10,11), censura que foi repelida por Cristo (Mt.9:12,13).

Além de nos fazer instrumentos para a glorificação do Senhor, a separação para Deus permite-nos conservar separados do pecado, aguardando o instante final de nossa salvação, que é a glorificação, daí porque o apóstolo Paulo ter dito que esta conservação é para a vinda do Senhor, pois, a partir de então, seremos transformados e, glorificados, ficaremos para sempre livres do “corpo do pecado”.

A Santificação é um dos fatores que nos mantêm preparados e vigilantes para a volta de Cristo (Hb.12:14; 1Ts.5:23; Ap.19:7,8). É neste sentido que a santificação se equipara à “consagração”, termo muito utilizado pelos crentes pentecostais. A consagração é, como se verifica, pelo próprio significado da palavra, a destinação exclusiva para o uso da divindade ou para fins de culto, ou seja, a consagração significa a entrega total ao Senhor. A consagração faz com que o bem ou pessoa não mais pertença a quem quer que seja, mas, sim, a Deus.

Nenhum crente será totalmente santificado para Deus até que nossa posição e prática estejam em perfeita harmonia, e isso só ocorrerá quando formos glorificados, por ocasião da vinda de Cristo, e nos tornarmos semelhantes a Ele (1João 3:1-3). Esta é a nossa santificação futura ou definitiva, que aguarda nossa completa glorificação em corpos ressurretos (Ef.5:26-27; Jd.24,25), quando o Senhor Jesus “transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso” (Fp.3:21). Essa é a nossa mais sublime esperança.

CONCLUSÃO

É a esperança de ver Jesus em sua vinda de glória que faz com que os crentes busquem a santificação. Paulo afirma que há uma coroa ou recompensa para os justos, que será dada por ocasião da volta do Senhor Jesus a todos aqueles que amarem a sua vinda (2Tm.4:8).

 “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos. E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro” (1João 3:2,3).

“E agora, filhinhos, permanecei nele, para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e não sejamos confundidos por ele na sua vinda” (1João 2:28).

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) – William Macdonald.

Revista Ensinador Cristão – nº 71. CPAD.

Pr. Esequias Soares. A Razão de nossa Fé. CPAD.

Ev. Caramuru Afonso Francisco. O Cristão e sua Santificação. PortalEBD_2006.

Ev. Caramuru Afonso Francisco. Exortação à Santificação. PortalEBD_2010.

Wayne Grudem. Teologia Sistemática Atual e exaustiva.

Publicado no Blog do Luciano de Paula Lourenço

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