A Evangelização Urbana e suas Estratégias – Ev. Isaías de Jesus

A Evangelização Urbana e suas Estratégias – Ev. Isaías de Jesus

A EVANGELIZAÇÃO URBANA E SUAS ESTRATÉGIAS

Texto Áureo  = “E aconteceu que, acabando Jesus de dar instruções aos seus doze discípulos, partiu dali a ensinar e a pregar nas cidades deles.” (Mt 11.1).

Verdade Prática = A evangelização urbana é o primeiro desafio missionário da igreja e o estágio inicial para se alcançar os confins da terra

Leitura Bíblica = Atos 2.1-12

INTRODUÇÃO

Jesus Cristo mandou pregar o evangelho a toda a criatura, em todo o mundo. Nenhum lugar pode ficar excluído e nenhuma pessoa deve ser considerada não-evangelizável. No Brasil, como em muitos países, 80% das pessoas vivem nas cidades, ao contrário do que havia há poucas décadas, quando a maior parte vivia nas áreas rurais. Este é um grande desafio para as igrejas cristãs. As cidades têm grandes e graves problemas, próprios do crescimento urbano desordenado a que são submetidas, tais como concentração excessiva de pessoas, desigualdades sociais, problemas de habitação, favelas, falta de saneamento, de saúde, etc. No que tange à evangelização, as cidades oferecem facilidades e dificuldades, como veremos adiante. As igrejas precisam ter estratégias de trabalho para alcançar as cidades. Há diferenças, entre evangelizar numa Metrópole e num lugar interiorano. Neste estudo, apenas damos uma pequena contribuição à reflexão sobre o assunto.

  1. O FENÔMENO DAS CIDADES

No inicio de tudo, os homens viviam em áreas agro-pastoris. Com o passar do tempo, a escassez de bens os obrigava a sair, em busca de outros locais para sobrevivência. Sempre houve uma tendência para os homens se concentrarem em tomo de um núcleo populacional. A famosa TORRE DE BABEL foi uma tentativa de concentração urbana, não aprovada por Deus. Este queria que os homens se multiplicassem, enchendo a Terra. Damy FERREIRA (P. 139) vê a evolução das cidades em várias etapas.

A primeira, de 5.000 a.C. a 500 d.C, até à queda de Roma, quando se estabeleceram grandes cidades como Jericó, Biblos, Jerusalém, Babilônia, Nínive, Atenas, Esparta e Roma. Eram as chamadas “polis”.

A segunda, quando encontramos, na Renascença, já na Idade Moderna, as cidades de Roma, Florença, Constantinopla, Londres, Paris, Toledo, entre outras. Eram as chamadas “neópolis”.

A terceira, com a Revolução Industrial, por volta de 1750, quando apareceram cidades-pólos, como Nova Iorque, Chicago, Londres, Berlim, Paris, Tóquio, Moscou, etc. São as “metrópoles”, verdadeiras cidades-mães. A última etapa, já na época atual, surgem as “megalópoles”, com cidades-satélites e bairros ligados uns aos outros. Dentre elas, destacam-se S. Paulo, Rio de janeiro, Tóquio, Londres, N. Iorque, etc. As cidades em geral são tratadas como de pequeno, médio e grande porte, dependendo da população, tamanho, influência, etc.

  1. AS CIDADES NA BÍBLIA

Há quem pregue que as cidades são de origem humana, sem a aprovação divina, alegando que a primeira cidade foi criada por um homicida, Caim. E que Deus planejou um jardim e não uma Cidade (Gn 4.17). Depois do Dilúvio, os homens procuraram fazer cidades.

Nessa visito, diz-se que há um plano diabólico para as cidades. Elas, quanto maiores, são o refúgio ideal para criminosos, centros de prostituição, do crime, da violência. De fato, as aglomerações urbanas, nos moldes em que sido construídas, resultam em lugares perigosos, onde a qualidade de vida, em geral, torna-se difícil para o bem-estar espiritual e humano.

Discordando da opinião dos que vêm a cidade como centros mais favoráveis ao diabo, Ferreira (P. 140) diz que Deus tem planos importantes para as grandes cidades. O Cristianismo surgiu numa grande cidade – Jerusalém – , espalhando-se por grandes centros, como Samaria, e Antioquia. Por outro lado, Deus mandou Abraão sair de Ur, uma grande cidade, e mandou começar a conquista de Canal por Jericó, de porte considerável para sua época.

Linthicum, p. 27) diz que “a Cidade é campo de batalha entre Deus e satanás” e que Ele se preocupa com o bem-estar da Cidade (Jn 4.10) e que a atividade redentora de Deus centraliza-se em muito nas cidades (51 46.4-5; Zc 8.3; Mc 15.21.39) ~.31>, lembrando que a vinda do reino de Deus é descrita como a vinda de uma Cidade redimida – a Nova Jerusalém (Ap 21-22). -2- Deus permitiu que Israel construísse cidades (Am 9.14); em Canaã, em meio as cidades tomadas, Deus determinou que houvesse “cidades de refúgio (Nm 35.11).

  1. JESUS E AS CIDADES

No seu ministério terreno, Jesus desenvolveu a evangelização tanto na área rural como nas cidades. • Andava de cidade em cidade(Lc 8.l); • Chegou á cidade, viu-a e chorou sobre ela (Lc 19.41); • mandou pregar em qualquer cidade ou povoado ~t 10.11). Seguindo o exemplo de Jesus, a igreja atual precisa enfrentar o desafio da evangelização ou das missões urbanas.

  1. O DESAFIO DAS MISSÕES URBANAS

As cidades, com sua complexidade social, cultural , econômica, emocional e espiritual, constituem-se campo propício para atuação da igreja ou do inferno; dos cristãos ou dos feiticeiros; dos homens de bem ou dos assassinos. A cidade em que vivemos é campo de batalha entre Deus e o diabo; a cidade pertencerá aos céus ou ao inferno; depende de quem agir com mais eficiência e eficácia, com as forças dos céus ou do inimigo.

Segundo LINTHICUM (p. 23), os sistemas sociais, econômicos, políticos, educacionais. e outros, na Cidade, estio sob a influência dos demônios, das potestades das trevas. É preciso muito poder, muita oração, muito jejum e muita ação para que as estruturas das cidades sejam tomadas do poder do inimigo. O desafio é grande. 1′– o que está conosco é maior do que ele.

4.1. PONTOS FAVORÁVEIS PARA AS MISSÕES URBANAS

HESSELGRAVE (p. 71), diz que as cidades são pólos de influência sobre toda uma área a seu redor, sendo, por isso> mais favoráveis para a implantação de igrejas, pelas seguintes razões: 1) Abertura as mudanças; 2) Concentração de recursos; 3) Potencial para contato relevante com as comunidades em redor.

4.2. PONTOS DESFAVORÁVEIS PARA AS EVANGELIZAÇÕES URBANAS

1) Populações concentradas verticalmente em edifícios fechados. Os condomínios, hoje, são quase impenetráveis aos que desejam evangelizar pessoalmente.

2) Excesso de entretenimento. Antigamente, só havia um pequeno campo de futebol em cidades de médio porte. Hoje, há estádios grandes, que atraem muita gente; a televisão tirou as pessoas das ruas e as confinou dentro de suas casas. O evangelismo pessoal é muito dificultado nessas condições. O uso da televisão é muito caro para atingir as pessoas confinadas em suas casas.

3) A concentração de igrejas diferentes, além das seitas diversas, causam confusão junto à população. Cada uma evangelizando com mensagens diferentes e contraditórias Parece que há um “supermercado da fé”. Há quem ofereça religião como mercadoria mais barata, em “promoção”, com descontos (sem exigências, sem compromissos) e há os que “cobram” caro demais, com exigências radicais.

4) O elevado grau de materialismo e consumismo, do homem urbano faz com que o mesmo sinta-se auto-suficiente, sem a necessidade de Deus.

5) Os movimentos filosófico- religiosos, tipo Nova Era, apontam para uma vida isenta de responsabilidades para com o Deus pessoal, Senhor de todos. Como enfrentar essas dificuldades?

  1. ESTRATÉGIAS PARA A EVANGELIZAÇÃO URBANAS

1) ORAÇÃO E JEJUM PELA CIDADE. O homem pecador se opõe a Deus (1Co 2.14; Rm 8.7; Ef 2.1). O diabo força o homem a não buscar a Deus (Ef 2.2; 2Co 4.4). Qualquer plano de evangelização por melhor que seja, com recursos, métodos, estratégias, fracassará, se NÃO tiver o PODER DE DEUS.

Este só vem pela busca, pela Oração. Deus age. Fp 1.29; Ef 2.8; Jo 6.44. Os demônios infestam as cidades. Só são expulsos pelo poder da oração (Sl 122; Jr 29.7; Lc 19.41). A oração é a base.

2) PREPARO DAS PESSOAS PARA A EVANGELIZAÇÃO DAS CIDADES. Esse preparo refere-se ao estudo da Palavra de Deus. É o preparo na Palavra (2Tm 2.15). As seitas preparam bem seus adeptos. As igrejas precisam gastar tempo e recursos no preparo dos que evangelizam.

3) PLANEJAMENTO DA EVANGELIZAÇÃO. O sucesso da evangelização depende do Espírito Santo. Só Ele convence o pecador (Jo 16.8). Entretanto, no que depende de nós, precisamos fazer o que está ao nosso alcance, a nossa parte.

a) Definir áreas a serem evangelizadas. (Bairro, quarteirão, ruas)

b) Definir os grupos de evangelização

c) Distribuir as áreas com os grupos (Rua tal com grupo tal; ou quarteirão tal com tal grupo, etc.

d) Estabelecer metas ou alvos (nº de decisões, pessoas batizadas, etc..)

e) Preparar os meios necessários: literatura, equipamentos, recursos financeiros, etc.

f) Mobilizar todos os setores da igreja para a execução do que for planejado: jovens, adolescentes, adultos, com a LIDERANÇA À FRENTE.

  1. MÉTODOS DE EVANGELISMO PARA AS MISSÕES URBANAS

6.1. EVANGELISMO PESSOAL. E o mais tradicional e muito eficiente, principalmente nos bairros mais pobres. Inclui pessoa a pessoa; casa-em-casa; evangelização em aeroportos, em bares e restaurantes;  ev. em estações rodo e ferroviárias; na entrada de estádios ; em feiras-livres; em filas (INAMPS, bancos, ônibus, etc.); em hospitais, penitenciárias, em escolas (intervalos de aula);

6.2. EVANGELISMO EM GRUPO. Inclui evangelização de grupos de pessoas: grupos de alunos, de professores, de menores abandonados, de homossexuais, de prostitutas, e também os já conhecidos GRUPOS FAMILIARES, ou células de evangelização; reuniões especiais em restaurantes, chás, classes na Escola Dominical (foi criada para isso); evangelização com fitas cassete e de vídeo (reúne-se um grupo);

6.3. EVANGELISMO EM MASSA. Inclui cultos ao ar-livre, série de palestras ou conferências nas igrejas; cruzadas evangelísticas, campanhas. Só tem valor se houver uma preocupação séria com o DISCIPULADO. E melhor preparar , primeiro, as pessoas para fazer o discipulado antes de fazer a evangelização.

  1. DISCIPULADO.

É indispensável que, em cada igreja ou congregação, haja grupos ou setores de discipulado, que integrem o novo converso de maneira segura e acolhedora. Sem esse trabalho, toda a evangelização fica frustrada. Perdem-se mais de 90% das decisões em pouco tempo.

  1. MEIOS PARA A EVANGELIZAÇÃO URBANA

1) Programas de rádio e de televisão;

2) Adesivos para veículos;

3) Revistas, e jornais para autoridades, consultórios médicos;

4) Apresentações de corais, bandas e conjuntos em público, em praças, em escolas, em bancos, em repartições;

5) Distribuição de Bíblias a autoridades;

6) Literatura (folhetos) bem selecionados;

7) Exposição de Bíblias e de literatura evangélica;

8) Artigos em jornais da cidade;

9) Telefone;

10) Cartas e cartões-postais; e muitos outros..

  1. EVANGELIZAÇÃO E OS DESAFIOS NO SÉCULO XXI

Queremos oferecer ao menos uma reflexão sobre a evangelização e os desafios que estão diante de nós neste século XXI, porém fazendo isto, precisamos de início advertir que não demonstraremos como montar uma mensagem do Evangelho que contemple os desejos deste mundo, pois não é assim que se evangeliza, até se pode contextualizar, adaptar ou atualizar (e pensamos que isso deva ser feito), entretanto, o conteúdo da mensagem não pode sofrer mudança alguma, são verdades insubstituíveis e absolutas.

Portanto, deixemos os ensinos elementares a respeito de Cristo e avancemos para a maturidade, sem lançar novamente o fundamento do arrependimento de atos que conduzem à morte, da fé em Deus, da instrução a respeito de batismos, da imposição de mãos, da ressurreição dos mortos e do juízo eterno (Hebreus 6.1,2).

E aqui está um dos grandes desafios que este século nos impõe, a questão do absoluto X relativo, onde devemos pregar o absoluto bíblico numa geração que relativiza tudo.

Willimon, em seu artigo “Por que é perigoso querer relacionar o Evangelho com o mundo moderno”, diz que infelizmente, com frequência os cristãos têm tratado o mundo moderno como se ele fosse um fato, uma realidade a qual nós estamos obrigados a ajustar-nos e a nos adaptarmos, em vez de tratá-lo como um ponto de vista sobre o qual devemos apenas discutir […] A Bíblia não quer falar ao mundo moderno; a Bíblia quer converter o mundo moderno.

  1. A QUESTÃO DA PÓS-MODERNIDADE

O maior desafio para a evangelização no século XXI é ser sensível a ponto de perceber como é o ser humano deste século. Como ele está? O que pensa? Como reage? O que pensa sobre Deus (o Deus cristão)? Como pensa a espiritualidade? Saber disso é essencial para contextualizarmos a mensagem e buscar estratégias que sejam eficazes diante deste “público” tão diverso e caracterizado. Abaixo, apresentamos uma breve pesquisa sobre a questão da Pós-Modernidade.

Falando em pós-modernidade, não podemos esquecer da questão Imagem e Realidade. Os meios audiovisuais, utilizando-se da sua capacidade de atingir mais sentidos humanos (visão e audição, responsáveis por mais de ¾ das informações que chegam ao cérebro), têm um potencial mais rico e imediato para transmitir sua mensagem e sua visão de realidade. A literatura, a música e a poesia dependem de um grau mais alto de abstração e interação lógica com o intelecto.

Sabemos que um dos efeitos da Globalização é a homogeneização das relações de produção e dos hábitos de consumo. A entropia que se prega no Pós-Moderno diz respeito ao fim das proibições, à admissão de todo e qualquer produto (e tudo vira produto), pois, seu regulamento caberá ao mercado, toda produção é considerada mercadoria.

  1. O HOMEM E A MULHER DO SÉCULO XXI

Precisamos entender quando nos propomos a estudar sobre a evangelização a situação das pessoas, modos de agir, pensar e crer, pois todos sofrem um enorme bombardeio de mudanças e influências de toda espécie e é óbvio que afeta a todas as pessoas (mente, sistema emocional, comportamento social e espiritual).

Apresentamos a relação de manifestações citadas por Damy Ferreira e que ajudarão nosso entendimento sobre o tema.

  1. Ateísmo: o ateísmo estará aumentando cada vez mais no mundo. Por um lado, o homem alcança recursos científicos e pensa que é todo poderoso. Por outro lado, ele vê o fracasso da religião e fica decepcionado. Em 1990 havia 233 milhões de ateus no mundo.
  1. Materialismo: em 1990 o número de materialistas declarados era de 866 milhões e está crescendo. O materialismo desvia o homem do sentido espiritual da vida.
  1. Satanismo: ao contrário do que se poderia imaginar, o satanismo, em diversas modalidades, vai crescendo no mundo. A igreja de Satã está se multiplicando por todos os lados. O movimento intitulado Nova Era é uma das grandes agências do satanismo,e muitas pessoas, como que por revolta e incredulidade, estão se entregando ao satanismo. Tem-se percebido que muitos filmes infantis estão com doutrinas satânicas embutidas.
  1. Ceticismo: povo que duvida de tudo, não crê em nada. Vai vivendo a vida. “Quando, pois, o Filho do homem vier, achará fé na terra?”
  1. O endeusamento do homem: o corpo, as emoções, o sexo, a sabedoria – tudo tem sido idolatrado e continuará sendo. É a volta às mitologias antigas.
  1. A ênfase da vida emocional: percebe-se que o homem deste tempo, em vez de ser mais racional, tende a ser mais emocional. Talvez o próprio sofrimento resultante da velocidade do progresso tenha criado este apelo à emoção. Um dos exemplos é o excessivo apelo às emoções sexuais dos nossos dias.
  1. O homem e a máquina. Por outro lado, uma boa parte do homem do século XXI viverá como máquina e com as máquinas, o que o fará frio para certas coisas sociais e espirituais.
  1. E a pobreza continuará grassando pelo mundo, em virtude das dificuldades com a produção da natureza. Por exemplo, já se fala no reaproveitamento da água de esgotos. A previsão é tão catastrófica, que um filme foi montado em que um navegador solitário, que vivia no mar com sua embarcação, é assaltado por uma outra comunidade que também vivia numa plataforma marítima, só porque tinha um pouco de água potável e sabia de uma terra aonde ainda havia um pequeno riacho de água doce.
  1. Tudo isto fará desenvolver um ser humano muito especial para ser alcançado pela pregação do Evangelho. Isto, naturalmente, representa o trabalho do deus deste século, como disse o apóstolo Paulo.

Recorremos ao texto de Damy Ferreira:

  1. O povo de Deus terá que estar cada vez mais preparado para evangelizar com espiritualidade e sabedoria no século XXI. Todos os crentes devem acompanhar o progresso e suas modificações na vida. Aliás, Billy Graham disse que o segredo da boa pregação é o pregador estar em dia: com Deus, com a Bíblia, e com o mundo.
  1. Como bom estrategista, o diabo estará em dia com tudo, e será sempre uma resistência à altura, à pregação do Evangelho. Portanto, o povo de Deus precisará sempre botar o diabo no seu programa de Evangelização, isto é, contar com a sua oposição.
  1. O desafio da velocidade do aumento populacional e das dificuldades de se localizar o pecador é tremendo. As estimativas de 1990 mostravam que a população mundial cresceria, a partir do ano 2000, em 95 milhões de pessoas cada ano. Será que estamos vencendo esta avalanche, ganhando para Cristo os que já existem antes que morram, e alcançando os milhões que estão nascendo a cada ano? A nossa tarefa de anunciar o Evangelho a todas as gentes, para que venha o fim (Mateus 24.14), será cada vez mais difícil. Ela também sofre as mutações dos tempos. Por isso precisa estar preparada para conduzir a vida cristã das pessoas de acordo com a vontade de Deus. Mais do que nunca, ela tem que definir sua natureza: se ela tem que transformar o mundo ou se deve ser transformada por ele.
  1. Finalmente, mais do que nunca deveremos obedecer ao quarto ponto do nosso resumo do Evangelho: a volta de Cristo, Jesus Cristo está voltando, e o mundo precisa estar avisado. Este é o sentido de Mateus 24.14, “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações, e então virá o fim”.
  1. ESTRATÉGIAS DE EVANGELIZAÇÃO URBANA.

Em tempo de cumprimento dos últimos dias o que devem fazer as igrejas locais à nível de evangelização urbana? A conversão de indivíduos à fé cristã, sua busca e transformação operados pela ação do Espírito Santo se dá apenas mediante a pregação da Palavra de Deus e sua aplicação interna, esta feita pelo Espírito Santo.”Visto como na sabedoria de Deus o mundo pela sua sabedoria não conheceu a Deus, aprouve a Deus salvar pela loucura da pregação os que crêem. (1Co 1:21).

Precisamos de ousadia, entusiasmo e sabedoria. O mundo é dinâmico e não estático. Precisamos estudar a população ao redor da igreja, e na sabedoria do Espírito Santo, escolher os métodos, estabelecer as estratégias, lembrando sempre que a oração precede a ação.

  1. FORMANDO GRUPOS DE ORAÇÃO = “Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim, a favor desta terra, para que eu não a destruísse; mas a ninguém achei” (Ez22:30). A igreja precisa sentir o desejo de orar pelos ainda não convertidos. Interceder significa literalmente “interpor-se”, “colocar-se entre”. O maior exemplo de intercessão é o de Jesus:”pelos transgressores intercedeu” (Is 53:12). Jerram Barrs, Professor de Estudos Cristãos e Cultura Contemporânea do Francis A. Schaeffer Institute assim se expressou: “Oração sincera, apaixonada e poderosa deve brotar dos nossos corações em favor daquele a quem amamos, e daqueles cujas vidas são ligadas conosco, na teia da existência diária”.
  1. TESTEMUNHO PESSOAL = O evangelismo pessoal ou testemunho pessoal de vida é um dos mais eficientes métodos evangelísticos. É preciso viver o que se prega, senão a evangelização torna-se uma hipocrisia. Tornamos o Evangelho conhecido mais pelo perfume do que pela palavra. Francisco de Assis disse aos seus discípulos: “Evangelize sempre; se necessário, use palavras”.
  1. A RECEPTIVIDADE = Boa receptividade da parte dos membros da igreja local é muito importante com os visitantes. É necessário ter uma equipe treina de recepcionistas, os quais darão atenção, antes, durante e depois do culto aos visitantes e membros ausentes que retornam. Um cafezinho após o culto oportuniza a confraternização entre todos. Convém lembrar sempre Rm 15:7 – “Portanto recebei-vos uns aos outros, como também Cristo nos recebeu, para glória de Deus.”
  1. CONSCIENTIZAÇÃO = Urge aos cristãos tomarem consciência da realidade da sua cidade e os seus desafios. Considerar os fatos bíblicos e o princípios neles presentes, relacionados com missões urbanas é de fundamente importância para a evangelização da cidade. Apreciar os métodos de missões urbanas, hoje adotados, com base e modelos bíblicos é dever da igreja que almeja alcançar sua cidade para Cristo. Vejamos algumas estratégias de evangelização urbana:
  1. DINÂMICAS AO AR LIVRE = O evento deve ser muito bem divulgado. Na sua prática as canções executadas devem ser de fácil assimilação. A pregação da palavra deve mostrar claramente o plano de salvação em Jesus Cristo. Os assistentes de primeira vez devem ser cadastrados para uma futura visita ou envio de cartas ou ainda literatura pelo correio. É importante a distribuição de um folheto evangelístico aos presentes com a agenda das atividades e endereço da igreja, buscando assim um eficiente discipulado.
  1. EQUIPE DE VISITAÇÃO AOS LARES: Objetiva visitar os irmãos faltosos, doentes, visitantes e novos convertidos. Na visita deve-se levar material de apoio: Bíblias, folhetos e boletim semanal da igreja. Razões da visitação:

a) Encorajamento:- “Pelo que exortai-vos uns aos outros e edificai-vos uns aos outros, como na verdade o estais fazendo.(1 Tess 5:11); Exortamo-vos também, irmãos, a que admoesteis os insubordinados, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos. (1 Tess 5:14).

b) Admoestação:- “o qual nós anunciamos, admoestando a todo homem, e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito em Cristo;” Cl 1:28; ” A palavra de Cristo habite em vós ricamente, em toda a sabedoria; ensinai-vos e admoestai-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, louvando a Deus com gratidão em vossos corações.” (Cl 3:16)

c) Repreensão aos desatentos:- “Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra.” (2Tm 3:16-17)

d) Instrução e permanência na sã doutrina:- “prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos,” (2Tm 4:2-3)

CADASTRO DE VISITANTES, NOVOS CONVERTIDOS E INTERESSADOS:

“Respondeu-lhe o senhor: Sai pelos caminhos e atalhos e obriga a todos a entrar, para que fique cheia a minha casa”(Lc 14.23).

A igreja deve imprimir as fichas para cadastro. A partir daí, em todas as reuniões no templo, nas casas, ao ar livre, etc., equipes de irmãos bem treinados e orientados colherão os nomes dos visitantes, novos convertidos e interessados para futuros contatos.

PLANTAÇÃO DE IGREJAS

O crescimento das igrejas também acontece quando são iniciados pontos de pregação. Quantas igrejas têm expandido seu trabalho abrindo pontos de pregação em bairros onde residem vários membros ou às vezes apenas uma família, usando como local uma área simples, porém adequada.

CONCLUSÃO:

Portanto, a atividade missionária da igreja deve principiar sempre pelas ruas da sua própria cidade. Assim, o ensaio de elaboração de um projeto de missões urbanas, visando à evangelização das cidades é um grande desafio que cada igreja local deve aceitar.

A palavra de Cristo à igreja não é uma opção e nem deve ser objeto de discussão. É uma ordem. É a filosofia de vida da igreja. Missões urbanas é tarefa da igreja. Lembrando que todo trabalho missionário urbano só terá valor se houver uma preocupação séria com o discipulado.

Em tempo de cumprimento dos últimos dias o que devem fazer as igrejas locais à nível de evangelização urbana? A conversão de indivíduos à fé cristã, sua busca e transformação operados pela ação do Espírito Santo se dá apenas mediante a pregação da Palavra de Deus e sua aplicação interna, esta feita pelo Espírito Santo.”Visto como na sabedoria de Deus o mundo pela sua sabedoria não conheceu a Deus, aprouve a Deus salvar pela loucura da pregação os que crêem. (1 Co 1:21)

Precisamos de ousadia, entusiasmo e sabedoria. O mundo é dinâmico e não estático. Precisamos estudar a população ao redor da igreja, e na sabedoria do Espírito Santo, escolher os métodos, estabelecer as estratégias, lembrando sempre que a oração precede a ação.

Portanto, a igreja na cidade deve decidir saturar a comunidade local com o Evangelho de Cristo, mover-se para fora das quatro paredes da igreja local, por proclamar o Evangelho pela voz e pela vida, testemunhando em palavras e em obras, na missão integral da igreja a evangelização, por mover-se para frente, mas somente em unidade e de jamais barganhar o Evangelho da graça, em nenhuma circunstância.

BIBLIOGRAFIA

Livro Evangelização e Questões Urbanas

paginamissionariasemeandoapalavra.blogspot.com.br

FERREIRA, Dam. Evangelismo total Rio, Juerp, 1990.

HESSELGRAVE, David J. Plantando igrejas. 5. Paulo, Vida Nova, s.d.

LINTHICUM, Roberto. A transformação da cidade. Belo Horizonte, Missão Editora, 1990.

 

A EVANGELIZAÇÃO URBANA E SUAS ESTRATÉGIAS

Texto Áureo  = “E aconteceu que, acabando Jesus de dar instruções aos seus doze discípulos, partiu dali a ensinar e a pregar nas cidades deles.” (Mt 11.1).

Verdade Prática = A evangelização urbana é o primeiro desafio missionário da igreja e o estágio inicial para se alcançar os confins da terra

Leitura Bíblica = Atos 2.1-12

INTRODUÇÃO

Simônides de Céos (556-468 a.C.) afirmou que a cidade é a grande mestra do ser humano. Não sei em que sentido o poeta grego referia-se ao caráter pedagógico da metrópole. Acredito que tanto no bom quanto no mau sentido. Na cidade, apreendemos a fazer o bem e a solidarizar- nos nas emergências e tragédias. Ela, porém, dá-nos a impressão de que jamais deixa de ser emergente e trágica, pois leva-nos a ver o mal em cada uma de suas praças e logradouros.

Que alternativa nos resta?

A natureza gregária da alma humana prende-nos ao espírito urbano. Logo, não podemos fugir à cidade. Se nos voltarmos, porém, à Bíblia Sagrada, constataremos que ainda é possível ser feliz numa megalópole como São Paulo; a bênção divina não cobre apenas o campônio, mas também o citadino. Confortando os israelitas prestes a deixar o nomadismo para se tomarem gregários, promete-lhes o Senhor: “Bendito serás tu na cidade e bendito serás no campo” (Dt 28.3).

O que nos ensina a promessa divina? Antes de tudo, que Deus tem um plano específico para a sua cidade, querido leitor, visando à irradiação do evangelho para regiões longínquas e desconhecidas. A evangelização do mundo, a propósito, teve Jerusalém como ponto de partida. E, centrifugando-se da Cidade Santa, veio a alcançar os confins da Terra.

I. A Cidade e o Instinto Gregário do Ser Humano

Se o mundo é criação divina, a cidade é invenção humana. Ela surgiu da necessidade social de Adão que, embora haja vindo à existência no Éden, logo demandou a presença de um ser que lhe fosse semelhante. Sem Eva, o jardim jamais seria um paraíso. Observando o isolamento do homem, declarou o Pai Celeste que a solidão não é nada boa. Lançava-se, ali, entre os rios Tigre e Eufrates, a semente que germina a família, floresce a cidade e frutifica o Estado.

  1. Definindo os limites da cidade. Quando Aristóteles (3 84-322) afirmou que o homem é um animal político, não se referia apenas à política partidária que, tanto em Atenas quanto em Brasília, divide nossos representantes em agremiações e siglas. A expressão grega zoon pohtikon (animal político) denota, em primeiro plano, o instinto gregário do ser humano; sem a cidade, a política é impossível.

A palavra “cidade” origina-se do vocábulo grego polis. E, deste, provém o nome que, há quase três milênios, emprestamos ao oficio que deveria promover o bem comum de toda a sociedade. Refiro-me à velha e mal compreendida política.

Embora ciência e arte, ela não parece, às vezes, nem humana, nem exata e muito menos bela. Por isso, requerem-se, de quem a exerce, algumas virtudes indispensáveis: amor a Deus e ao próximo, moral irretorquível e comprovada vocação para administrar a coisa pública.

Já em latim, a palavra “cidade” vem do vocábulo civitatem, do qual nasceram dois importantes termos que, ainda, não foram devidamente incorporados ao nosso cotidiano: civismo e civilidade. Logo, a vida numa cidade só é possível quando cumprimos nossos deveres e usufruímos dos direitos fundamentais da cidadania.

Urbs é outra palavra latina para cidade. Temos, aqui, um termo que descreve a metrópole não propriamente como fenômeno político, mas como a comunidade racionalmente organizada e sustentável. É por isso que denominamos a ação evangelizadora, na cidade, de evangelismo urbano. Nossa estratégia contemplará a urbs de forma racional e planejada, visando à proclamação da Palavra de Deus em todas as estratificações da região metropolitana.

  1. A primeira cidade. Arguido por Deus quanto ao assassinato de Abel, seu irmão, supunha Caim restar-lhe apenas uma alternativa: ser um nômade naquela vastidão ainda inexplorada. Por essa razão, queixa-se ao Justo Juiz: “Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua face me esconderei; e serei fugitivo e errante na terra, e será que todo aquele que me achar me matará” (Gn 4.14). Seu impulso gregário, porém, constrange-O a fixar-se cm Node, na banda oriental do Éden, onde constrói a primeira cidade humana.

Naquele ermo, não muito longe dc Adão, o homicida se casa com uma de suas irmãs, gera filhos e filhas, e dá continuidade à cultura da terra. A expansão de sua família faz surgir uma aldeia, que não demoraria a tomar-se uma cidade dinâmica e produtiva. Em homenagem ao seu filho, chama a iníqua metrópole pelo nome de seu filho, Enoque.

Os enoquianos prosperam, expandem a agropecuária e desenvolvem tecnologias e artes. O autor sagrado, ao denunciar a poligamia de Lameque, sumaria os avanços científicos e artísticos daqueles citadinos:

E tomou Lameque para si duas mulheres; o nome de uma era Ada, e o nome da outra, Zilá. E Ada teve a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e têm gado. E o nome do seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e órgão. E Zilá também teve a Tubalcaim, mestre de toda obra de cobre e de ferro; e a irmã de Tubalcaim foi Naamá. (Gn 4.19-22)

Com o avanço da cidade de Enoque, chegam a intolerância e a violência. Numa confissão que mais parece um poema épico, Lameque gaba-se de suas façanhas homicidas às suas esposas: “Ada e Zilá, ouvi a minha voz; vós, mulheres de Lameque, escutai o meu dito: porque eu matei um varão, por me ferir, e um jovem, por me pisar. Porque sete vezes Caim será vingado; mas Lameque, setenta vezes sete” (Gn 4.23,24).

A partir do marco zero daquela cidade, a impiedade alastra-se por toda a sociedade adâmica e contamina, inclusive, os descendentes de Sete que, ao contrário dos filhos de Caim, ainda porfiavam em buscar o Senhor. Mas, àquela altura, a metrópole caimita já estava condenada a desaparecer nas águas do Dilúvio.

  1. A última cidade. Desde a cidade de Enoque, muitas metrópoles surgiram e desapareceram. Algumas, como Babilônia, fizeram-se orgulhosas e imperiais. Outras, à semelhança de Nínive, tornaram-se sanguinárias e genocidas. Mas, uma a uma, vêm caindo diante do Senhor de toda a Terra. Até a capital do Império Romano, que está para ressurgir, experimentou a derrota, a vergonha e a humilhação.

Na consumação da História e do Tempo, o Senhor revelará a Jerusalém Celeste, na cronologia divina, derradeira. Ela, porém, já existia em seu espírito antes que o universo fosse criado. Na ilha de Patmos, o evangelista João veio a contemplá-la como que descendo de Deus, para inaugurar o Novo Céu e a Nova Terra. Como descrevê-la? Perseveremos até o fim, para que entremos por seus átrios com louvor e ações de graças. Esta é a Cidade de Deus.

II. Cidade, um Lugar Estratégico

As cidades sempre foram estratégicas à obra de Deus. Ele usou até mesmo a capital do Império Romano para expandir o seu Reino. Por essa razão, trabalhemos o evangelho de Cristo urbanisticamente, visando alcançar o mundo através de nossas metrópoles.

  1. Babel, a cidade do antievangelho. Após o Dilúvio, repete Deus a Noé a ordem que, no princípio, dera a Adão: “Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra” (Gn 9.1). Os filhos do patriarca, todavia, ao deixarem a região do Ararate, concentraram-se na planície de Sinear, e, ali, puseram-se a construir uma cidade à prova d’água, cuja torre haveria de arranhar o céu. Por isso, o Senhor resolve confundir a língua da segunda civilização humana (Gn 9.7).

Daquela cidade, que entraria para a História Sagrada como sinônimo de apostasia e confusão, os descendentes de Noé são espalhados pelos mais distantes e desconhecidos continentes.

Agrupando-se de acordo com seus troncos linguísticos, os jafetitas concentram-se na Europa, os camitas, na Africa e partes de Canaã, e os semitas, desde Aram, espraiam-se pelo Oriente Médio.

Ao dispersar a raça a partir de Sinear, o Senhor preservou-nos a espécie, pois nenhum ajuntamento, quer humano quer animal, sobrevive fechando-se em guetos. Se aqueles antigos pretendiam, com a sua torre, arranhar o céu, vieram a tocar os alicerces do inferno.

A lição de Babel é emblemática e não será ignorada pela Igreja. A ordem de Cristo é que, a partir da cidade, alcancemos as regiões mais remotas da Terra. Se a Igreja é a assembleia de Deus chamada para fora de suas paredes, não haverá de concentrar-se em torres. Concentrando-se, jamais arranhará os céus. Mas, saindo de seu comodismo, andará com o Senhor nas regiões celestiais.

Não são poucas as igrejas que, hoje, extinguem-se em confusões e desinteligências, pois já não saem a evangelizar, pois querem evangelizar sem sair. A evangelização, contudo, é dinâmica. Evangelizar e sair são verbos geminados. Quem evangeliza, sai; quem sai, evangeliza. Por isso, a ordem do Senhor é clara: “Ide”. Ela também poderia ser traduzida como “indo”. O evangelista jamais deixa de ir; sai dia e noite, pois a sua sementeira não conhece tempo nem estação.

Faça como o evangelista da parábola. Jesus garante que ele saiu, mas não diz se ele voltou.

  1. Jericó, a cidade das grandes conquistas. Josué foi divinamente inspirado a iniciar a conquista de Canaã a partir de Jericó (Js 2.1). Ele poderia ter escolhido outra cidade, quer aquém, quer além do Jordão, mas nenhuma era tão estratégica a Israel como a metrópole das palmeiras. Subjugando-a, os israelitas teriam condições de neutralizar as demais vilas e aldeias de Canaã.

Josué, como servo do Senhor dos Exércitos, iniciou a sua campanha justamente por Jericó. E, dali, teve condições de manter uma guerra sem quartel nem trégua, até que o povo de Deus estivesse instalado segura e confortavelmente naquela terra boa e ampla.

De igual modo, agirá a Igreja em sua obra evangelizadora. Não podemos simplesmente comissionar evangelistas e missionários, sem dispormos de um plano mestre de evangelismo e missões. É urgente conhecermos o tempo, o terreno a ser conquistado e a estratégia a ser empregada num empreendimento evangelístico.

A obra evangelizadora assemelha-se a uma operação de guerra. Por esse motivo, precisamos da ajuda do Senhor dos Exércitos. Aquele que ajudou Josué a sitiar e a tomar Jericó não nos faltará com o seu auxílio num momento de tanta urgência como este.

  1. Jerusalém, a cidade da grande comissão. Se o Reino de Jesus fosse secular e mundano, teria Ele ordenado a construção de igrejas e catedrais, para eternizarem-lhe a mensagem e a obra. Uma igreja imortalizar-lhe-ia o primeiro milagre; outra, o Sermão do Monte; e, terras de Canaã, em o Novo Testamento, suas estratégias continuam infalíveis. Por isso, impulsionou os apóstolos e evangelistas a irem de cidade em cidade até que fossem alcançados os limites mais extremos daquele mundo. O trabalho evangelístico semeado em Jerusalém e florescido em Antioquia frutificaria, agora, em terrenas europeias. Essa importantíssima fase da obra missionária da Igreja Cristã teve início com uma visão.

Paulo encontrava-se em Trôade, região ocupada hoje pela Turquia, quando teve uma visão. Eis que lhe aparece um varão macedônio, rogando-lhe com insistência: “Passa à Macedônia e ajuda-nos” (At 16.9). O apóstolo entendeu imediatamente a urgência do chamamento divino, pois não se tratava apenas da evangelização de uma cidade, ou de uma região, mas de um novo continente.

A equipe de Paulo, junta-se Lucas. A missão seria árdua, desafiadora e crivada de provações. O Médico Amado fala do espírito voluntário da equipe paulina: “E, logo depois desta visão, procuramos partir para a Macedônia, concluíndo que o Senhor nos chamava para lhes anunciarmos o evangelho” (At 16.10).

Deixando Trôade, que alguns imaginam ser a Troia de Eneias, Paulo ruma em direção ao Ocidente. Atravessando a Samotrácia e Neápolis, a equipe apostólica chega a Filipos, a principal cidade da Macedônia. Ao contrário de Eneias que, segundo Virgílio, fundara a cidade que deu origem ao Império Romano, o apóstolo tem uma tarefa mais ousada e duradoura. Agora, fundaria as bases de uma obra evangelística que, tendo como base a Macedônia, chegaria a Roma, atravessaria o canal da Mancha, enfrentaria o Atlântico até alcançar a mim e a você, querido leitor.

As dificuldades, em Filipos, não foram pequenas. O apóstolo foi preso, sua equipe dispersou-se e a nova igreja não pôde ser devidamente doutrinada. Não obstante, aqueles aparentes fracassos redundariam, mais tarde, num avanço extraordinário do Reino de Deus por toda a Europa. Filipos entraria à História Sagrada como a igreja mantenedora, por excelência, do ministério paulino, conforme ressalta o apóstolo: “Porque os irmãos que vieram da Macedônia supriram a minha necessidade; e em tudo me guardei de vos ser pesado e ainda me guardarei” (2 Co 11.9).

Portanto, se Antioquia envia e Filipos sustenta, a cidade de Jerusalém dedica-se, agora, à intercessão. Em Atos, por conseguinte, há um plano divinamente estabelecido para se evangelizar o mundo a partir de cidades-chave.

  1. Roma, o escritório missionário de Paulo. Se o apóstolo Paulo foi chamado à obra missionária por meio de uma profecia, e se necessitou dc uma visão para evangelizar a Europa, agora, será levado a Roma s expensas imperiais. Ao apelar para César, o apóstolo garantia uma viagem gratuita e até certo ponto, segura, à capital do Império Romano levando-se em conta as dificuldades e provações que lhe marcariam trajetória de Cesareia, na Judeia, à presença de César, em Roma, o Senhor o assistiu em todas as coisas. Essa foi, sem dúvida, a sua última e mais importante viagem missionária registrada na Bíblia.

Nesse sentido, Cesareia pode ser apontada como uma das cidades mais estratégicas na evangelização do mundo subjugado pelo Império Romano.

Já em Roma, Paulo desenvolve um ministério diferente, mas de igual modo dinâmico e eficaz. Em vez de ir às pessoas, as pessoas iam até ele, para ouvir o evangelho de Cristo. Da casa que alugara, evangelizava, díscipulava, escrevia e testemunhava acerca da ressurreição de Cristo. Foi nessa cidade, sob a vigilância romana, que o apóstolo completou a sua obra teológica, solidificando as igrejas, quer ocidentais, quer orientais, na Palavra de Deus.

Sua detenção em Roma foi divina e providencial. Doutra forma, não acharia tempo para escrever as cartas que viriam a ser conhecidas como as epístolas da prisão. Quem trabalha sob a orientação do Espírito Santo, ainda que detido, livremente evangeliza. Na obra de Deus, nem sempre atividade representa produtividade. Às vezes, corremos de um lado para o outro sem qualquer objetivo. Por isso, estejamos atentos à voz do Mestre. Se a coluna de fogo se detiver, não continuemos; humilde e obedientemente, recolhamo-nos. Quando ela se puser em movimento, prossigamos. Até mesmo para uma pausa requer-se uma cidade estratégica.

Antioquia enviou o apóstolo às missões. Filipos manteve-o no campo missionário. Quanto a Roma, deu-lhe a tranquilidade necessária para que doutrinasse as igrejas de Deus e, ali, testemunhasse sem impedimento algum.

  1. Belém do Pará, as Boas-Novas vêm do Norte. Divinamente orientados, Daniel Berg e Gunnar Vingren escolheram a cidade de Belém, no Pará, como ponto de partida para a sua missão no Brasil. Logo em sua chegada, em 19 de novembro de 1910, constataram que a capital paraense era geograficamente estratégica para se alcançar o país em todas as direções.

No livro As Aventuras de Daniel Berg na Selva Amazônica, Marta Doreto destaca como o trabalho foi executado pelos missionários suecos na capital paraense, e como, de lá, saíram a evangelizar outras cidades e regiões:

A dupla de missionários achava-se em Belém havia cerca de dois anos, e cada rua já fora percorrida por Daniel Berg. Cada morador já tivera a oportunidade de comprar uma Bíblia e ouvir as boas novas da salvação. No coração daqueles que aproveitaram a oportunidade, a semente da Palavra estava germinando e crescendo. Eles já haviam batizado nas águas quarenta e um novos convertidos, e quinze deles já tinham recebido o batismo no Espírito Santo.

Percebendo que o seu trabalho de distribuir Bíblias em Belém chegara ao fim, o jovem Daniel sentiu que deveria semear, agora, noutros campos. Enquanto Gunnar Vingren ficaria pastoreando a igreja na cidade, ele seguiria a Estrada de Ferro Belém-Bragança, vendendo Bíblias nas cidadezinhas do interior. […] Levando nas mãos a mala de Bíblias, e no coração a chama pentecostal, o missionário encaminhou-se ao primeiro povoado à beira da ferrovia. […] de longe, Daniel Berg avistou o teto das primeiras casas de Bragança. Seus pés cansados retomaram o ritmo acelerado, e seus lábios rachados pelo sol votaram a murmurar a canção: ‘A semente é boa para semear. A semente boa, não pode falhar. A semente e boa, foi Deus quem mandou. Vamos irmãos, unidos, trabalhar para o Senhor!’.

A cidade de Bragança era a última etapa da longa jornada de semeadura da Palavra de Deus. Em toda cidadezinha ou vila por onde Daniel passara, havia pelo menos um novo convertido lendo a Bíblia e ajudando a espalhar a boa semente.

A partir de Belém do Pará, o evangelho não demorou a chegar a outras regiões e estados da federação brasileira. Por essa razão, escolhamos com muito cuidado a cidade a partir da qual planejamos evangelizar um país, ou mesmo um continente. Daniel Berg e Gunnar Vingren, orientados pelo Espírito Santo, souberam como chegar aos confins de nosso país. Foram do Norte ao Sul, sem impedimento algum, apesar dos desafios que encontravam pelo caminho.

III. Os Desafios da Evangelização Urbana

Na evangelização urbana, há desafios e imprevistos que podem ser convertidos em oportunidade.

  1. Incredulidade e perseguição. Num tempo em que o evangelho é desgastado por falsos pregoeiros, anunciemos a Cristo com sabedoria, poder e eficácia (2 Tm 4.17). Nossa mensagem não pode ser confundida com a dos mercenários e falsos profetas (Rm 6.17). Preguemos a mensagem da cruz na virtude do Espírito Santo (1 Co 1.18). Se formos perseguidos, não desistamos. Jesus também o foi em sua própria cidade, mas levou a sua missão até o fim (Lc 4.28-30).
  1. Enfermos. As áreas urbanas acham-se tomadas de enfermos e doentes terminais. No tempo de Jesus, não era diferente. Ao entrar em Jericó, Ele deparou-se com um cego que lhe rogava por misericórdia (Lc 18.35).

E, às portas de Naim, encontrou o féretro do filho único de uma viúva (Lc 7.11-17). Ungido pelo Espírito Santo, curou o primeiro e ressuscitou o segundo.

Só o evangelho genuinamente pentecostal para impactar as cidades (Mc 16.15-18). Desenvolva a capelania hospitalar; não deixe de visitar os enfermos e moribundos.

  1. Endemoninhados. Quem se dedica à evangelização urbana deve estar preparado, também, para casos dificeis de possessão demoníaca. Muitos são os gadarenos espalhados pela cidade (Mt 8.28-34). Então, ore, jejue e santifique-se (Mc 9.29).

Não faça da libertação dos oprimidos um espetáculo. Mas, no poder do Espírito Santo, cure, ressuscite os mortos e liberte os cativos de Satanás (Mt 10.8).

IV. Como Fazer Evangelismo Urbano

A evangelização urbana só será bem-sucedida se tomarmos as seguintes providências: treinamento da equipe, estabelecimento de postos-chave, acompanhamento do trabalho, e estabelecimento de círculos e núcleos evangelizadores.

  1. Treinamento da equipe. Antes de chegar à Macedônia, o apóstolo Paulo já podia contar com uma equipe altamente qualificada para implantar o evangelho na Europa. Primeiro, tomou consigo a Silas e, depois, o jovem Timóteo (At 15.40; 16.1,2). Acompanhava-os, também, Lucas, o médico amado (At 16.11). Com esse pequeno, mas operoso grupo, o apóstolo levou o evangelho a Filipos, a Tessalônica e a Bereia, até que a Palavra de Deus, por intermédio de outros obreiros, chegasse à capital do Império Romano (At 16.12; 17.1, 10).

Portanto, forme a sua equipe com oração e jejum (Lc 6.12,13). Se souber como treiná-la, o êxito da evangelização urbana não será impossível.

  1. Estabelecimento de postos-chave. Sempre que chegava a uma cidade gentia, Paulo buscava uma sinagoga, de onde iniciava a proclamação do evangelho (At 17.1-3). Embora o apóstolo, na maioria das vezes, fosse rejeitado pela comunidade judaica, a partir daí expandia sua ação evangelística urbana até alcançar os gentios.

Encontre os postos-chave para a evangelização urbana. Pode ser a casa de um crente, ou a de alguém que está se abrindo à Palavra de Deus (At 16.15; Fm 1.2). Na evangelização, as bases são muito importantes.

  1. Acompanhamento do trabalho. Finalmente, acompanhe o progresso da nova frente evangelística. Ao partir para uma nova área urbana, deixe alguém responsável pelas igrejas recém-implantadas, como fazia o apóstolo Paulo (At 17.14). E, periodicamente, visite-as até que amadureçam o suficiente para caminhar por si próprias (At 18.23).

Não descuide dos novos convertidos. Fortaleça-os na fé, na graça e no conhecimento da Palavra de Deus. Quem se põe a evangelizar as áreas urbanas deve estar sempre atento. Por isso mesmo, tenha uma equipe amorosa, competente e disponível.

  1. Estabelecimento de círculos e núcleos evangelizadores. A verticalização das metrópoles impede-nos que evangelizemos de porta em porta, como acontecia há 50 ou 60 anos. Por isso, crie um círculo dc relacionamentos. Não podemos entrar em um condomínio, mas um novo convertido que ali reside há de estabelecer um núcleo de evangelização, por meio do qual alcançaremos outras famílias.

O evangelho de Cristo não muda. Todavia, os métodos de evangelização devem ser periodicamente avaliados, para que o nosso trabalho não se torne improdutivo. Use as redes sociais. Seja criativo. Não desperdice oportunidade alguma.

Conclusão

A Igreja de Cristo nasceu na Cidade Santa. De lá, espalhou-se por todas as regiões do globo. Por esse motivo, sejamos prudentes e sábios na escolha das áreas metropolitanas que pretendemos evangelizar, pois, se estratégicas e bem localizadas, teremos condições de atingir não só um distrito, mas todo um país. Nenhuma cidade será esquecida de nossa ação evangelística, pois o Senhor Jesus nos ordena que alcancemos a todos, em todo o tempo e lugar, por todos os meios. Todavia, consideremos a estratégia em cada plano evangelístico e missionário que estabelecermos. Que Deus nos ajude. Ele quer abençoar-nos tanto na cidade como no campo em nossos empreendimentos evangelísticos.

Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

Bibliografia

Livro O Desafio da Evangelização = Claudionor de Andrade = 1º. Edição

Publicado no Blog do Ev. Isaías de Jesus

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