A Evangelização Urbana e suas Estratégias – Eliseu Antonio Gomes

A Evangelização Urbana e suas Estratégias – Eliseu Antonio Gomes

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A evangelização urbana e suas estratégias

Por Eliseu Antonio Gomes

“Ora, tendo acabado Jesus de dar estas instruções a seus doze discípulos, partiu dali a ensinar e a pregar nas cidades deles” – Mateus 11.1.

A palavra “cidade” origina-se do vocábulo grego “polis”. E dessa provém o nome que emprestamos  ao ofício política – que deveria sempre promover o bem comum de toda a sociedade, mas nem sempre é assim. Embora “política” seja  a arte e a ciência de governar, muitas vezes, ela não parece nem humana, nem exata e muito menos bonita. E por este motivo, os cristãos precisam incluir no exercício da política gente que a exerça tendo em seu coração virtudes indispensáveis, que são: amor a Deus e ao próximo, moral irrefutável e comprovada vocação para administrar a coisa pública.

Na etimologia da palavra “cidade”, também encontramos os termos “urbs” e “civitatem”. O primeiro termo descreve a metrópole como racionalmente organizada e sustentável; e, o segundo termo  tem a ver com civilismo e civilidade. Civilismo: patriotismo, ufanismo. Civilidade: cortesia, educação, gentileza, polidez.

No século 21, há um desafio enorme para a Igreja de Cristo, evangelizar a sociedade urbana. Segundo dados da ONU, 54% da população mundial vive nas grandes cidades, portanto, a evangelização urbana é o desafio missionário prioritário da igreja e o estágio inicial para se alcançar os confins da terra.

O Evangelho atrai as cidades. “Muitos, porém, os viram partir e, reconhecendo-os, correram para lá, a pé, de todas as cidades, e chegaram antes deles” – Marcos 6.33.

Observando os relatos encontrados em Mateus 9.10-17; Lucas 9.10-17; João 6.1-14, observamos que Jesus havia recebido a notícia de que João Batista havia morrido degolado e estava sepultado pelas mãos de seus discípulos. Assim que soube, com certeza se entristeceu. E logo pediu aos apóstolos que fossem com Ele para um lugar tranquilo para repousarem por algum tempo e pudessem se alimentar sem interrupções das pessoas que vinham e iam naquele local em que se encontravam, porque viram os sinais que Ele fazia de curas de enfermos. Utilizando uma embarcação, atravessaram o mar da Galileia e chegaram em um retiro deserto, localizado em Betsaida, porém, uma grande multidão, pessoas de várias cidades, os viu partir, conheciam o destino de Jesus e dos apóstolos pela direção que o barco seguia, então correram e chegaram primeiro do que eles. Quando Jesus os viu ali, sentiu íntima compaixão por eles, acolheu-os considerando-os como ovelhas sem pastor e começou a ensinar-lhes a respeito do reino de Deus e sarava os que tinham necessidade de cura.

Ao entardecer daquele dia, exaustos, os apóstolos aproximaram-se de Jesus dizendo-lhe que o local era deserto, pediram a Jesus para dispensar aquela aglomerado, para que todos fossem comprar alimentação para si. Estava próximo da Páscoa, Jesus vendo que aquela gente escolheu estar com Ele ao invés de ocuparem-se com os preparativos da comemoração da libertação do Egito,  disse “dai-lhes de comer”. Eles disseram que havia no local apenas cinco pães e dois peixinhos, quantidade que não era suficiente para suprir a fome de cinco mil homens. Jesus pediu que trouxessem os pães e peixes para Ele, pediu que a multidão se assentasse sobre a erva, ergueu os olhos ao céu, os abençoou, e, realizou a primeira grande multiplicação daqueles elementos nutricionais quando partiu os pães, deu-os aos discípulos, e os discípulos à multidão.

Durante seu ministério terreno, Jesus mostrou, por meio de suas obras, como Deus é onipotente. Ao realizar a multiplicação de cinco pães e dois peixes, o Mestre não pediu que as pessoas comessem com moderação, para que não faltasse alimento – haja vista que havia ali cinco mil homens, além de mulheres e crianças – e, apesar de tanta gente faminta, todos puderam comer até se fartar e ao final ainda sobejaram doze cestos cheios de alimentos. Desta maneira, Cristo surpreendeu os apóstolos revelando o poder e amor de Deus.

Nas grandes cidades, embora os cidadãos paguem impostos, nem sempre as necessidades de seus moradores são atendidas. Falta habitação, transporte, energia, emprego, etc. Muitos não têm acesso aos serviços básicos como educação e saúde. Então, como Igreja de Cristo, não podemos fechar os olhos para a realidade enfrentada nos centros urbanos. Evangelizar os centros urbanos é um dos maiores estímulos do cristão autêntico. Ainda hoje, o Altíssimo espera que usemos a fé para que Ele possa realizar milagres durante os nossos períodos de evangelização.

A mensagem de Jesus deve ser apresentada a todos.
Num tempo em que o Evangelho é exposto de maneira degradada por falsos arautos do Rei dos reis, o cristão precisa esmerar-se para anunciar a Cristo com sabedoria, poder e eficácia, e na virtude do Espírito Santo (1 Coríntios 1.18; 1 Timóteo 4.17). O anúncio não deve ser confundida com o dos mercenários e falsos profetas (Romanos 6.17).Um dos requisitos necessários à evangelização é a capacidade de quem evangeliza compartilhar, publicar, espalhar e anunciar a mensagem de nosso Senhor, a boa nova para todos os seres humanos, declarando que os preceitos bíblicos são essenciais e verdadeiros.  Esta pregação foi anunciada ontem pelos apóstolos, é anunciada hoje pela igreja visível do Senhor e, até a vinda de Jesus Cristo deverá ser declarada aos pecadores.

O conteúdo da mensagem de quem evangeliza passa inevitavelmente pelo tema da salvação, que é o anúncio de que Deus está consertando a situação caótica da humanidade pecadora. É o aviso de que por intermédio da encarnação, crucificação, morte e ressurreição de Jesus Cristo, o ser humano tem o caminho livre para adentrar ao Trono da Graça.

O evangelho alvoroça a cidade. “E, entrando ele em Jerusalém, toda a cidade se alvoroçou, e perguntavam: Quem é este?” – Mateus 21.10.

O relato de Mateus, no capítulo 21 – e Marcos 11.1-11; Lucas 19.28-40; e João 12.12-15 – nos faz saber sobre a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.

Aquele episódio foi profetizado por Zacarias (9.9), o profeta descreve o momento que Jesus entrou em Jerusalém aclamado pela multidão, que o saudava gritando “Hosana, Filho de Davi!”, demonstrando reconhecê-lo como uma pessoa pertencente a linhagem davídica. O profeta Isaías (no capítulo 62 e versículo 11) ao predizer a vinda de Jesus, descreveu a chegada do Messias sendo proclamada ao povo de Sião, isto é, de Jerusalém, momento em que Jesus representaria a salvação e traria consigo os seus galardões.

O episódio da entrada triunfal em Jerusalém tratava-se de um ato simbólico, mostrando que o Rei dos reis era um homem simples, humilde, que não trazia consigo a ostentação dos monarcas poderosos que haviam dominado os israelitas, desde o exílio até o imperador romano daquela geração, e nem era igual aos reis judeus, que reinavam como fantoches nas mãos dos soberanos estrangeiros.

As profecias se cumpriram (Salmos 118.25-26); o Rei Salvador veio ao mundo e entrou em Sião, mostrando que não era o libertador político que os judeus esperavam, mas o Príncipe da Paz, o qual veio trazer libertação espiritual para todo aquele que nEle crê (Isaías 9.6; João 3.16).

Na Palavra de Deus, encontramos algumas estratégias urbanas de evangelismos. E nenhuma delas se consiste em considerar que os fins justificam os meios. São práticas inaceitáveis usar assistência social como “isca”; fazer pressões psicológicas numa “evangelização” centrada nos benefícios da fé; emitir promessas utópicas e falsas para o fim do sofrimento. É necessário contemplar as cidades de maneira racional e planejada, visando à proclamação da Palavra de de Deus em todas as estratificações da região metropolitana.

Cidade, onde o Evangelho é perseguido. “Por isso, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas. A uns matareis e crucificareis; a outros açoitareis nas vossas sinagogas e perseguireis de cidade em cidade” – Mateus 23.34.
Jesus, ao censurar os escribas e os fariseus, dirigiu-lhes oito advertências iniciadas com “ai de vós”, porque eles gloriavam-se de que jamais teriam perseguido e assassinado os profetas de Deus como fizeram seus antepassados. Jesus, porém, anunciou que Ele mesmo lhes enviaria profetas, sábios e escribas, e estes seriam mortos, crucificados e açoitados. De fato, apos Cristo ser assunto ao céu, os primeiros cristãos foram duramente perseguidos pelos judeus (Atos 8.1-3; 29.9-11).Se, quando nos dedicamos à evangelização urbana, encontrarmos incrédulos perseguidores, não devemos desistir, pois Jesus também o foi em sua própria cidade, porém, não desanimou, levou a sua missão até o fim (Lucas 4.28-30).

O Evangelho curador na cidade. “Aconteceu que, estando ele numa das cidades, veio à sua presença um homem coberto de lepra; ao ver a Jesus, prostrando-se com o rosto em terra, suplicou-lhe: Senhor, se quiseres, podes purificar-me” – Lucas 5.12.

No ministério público de Jesus ocorreram muitas curas. Ele nunca negou curar os enfermos, todos os doentes que o encontraram receberam cura. Em seu ministério terreno, às portas de Naim, encontrou o féretro do filho único de uma viúva; ao entrar em Jericó, Ele se deparou com um cego que lhe rogava por misericórdia e em todas as ocasiões o poder de Deus se manifestou  (Lucas 7.11-17; 18.35).

É digno de nota o episódio da cura de um leproso, cujo milagre foi relatado por Lucas e  também por Mateus (8.2) e Marcos (1.40-44). Repare bem, nos três relatórios desta restauração, a adoração daquele homem estava associada ao seu desejo de cura e sua consciência que Jesus tinha condições de curá-lo! Ele adorou a Cristo pondo-se de joelhos, prostrando-se sobre o rosto, rogando pela saúde e a cura aconteceu!

Apesar de não estar ciente ciente da vontade do Senhor, aquele loproso havia aprendido que Jesus tinha todas as condições de curá-lo se quisesse. Hoje, vivemos após o acontecimento do Calvário, sabemos que Jesus cumpriu a vontade de Deus quando tomou sobre Si as enfermidades e levou as dores da humanidade (Isaías 53.4-5).

Se nós cristãos, ao evangelizar, estamos cientes que Cristo convidou todos os cansados e sobrecarregados a irem ao seu encontro para receber descanso e alívio (Mateus 11.28-30), e  nos dias atuais as áreas urbanas acham-se tomadas de enfermos e doentes terminais, da mesma maneira que era no tempo de Jesus, é importante levar em conta o uso do poder sobrenatural do Senhor, conforme Ele mesmo determinou que usássemos: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado. Estes sinais hão de acompanhar aqueles que creem: em meu nome, expelirão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados” – Marcos 16.15-18.

 

O Evangelho traz alegria à cidade. “Filipe, descendo à cidade de Samaria, anunciava-lhes a Cristo. As multidões atendiam, unânimes, às coisas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele operava. Pois os espíritos imundos de muitos possessos saíam gritando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos foram curados. E houve grande alegria naquela cidade – Atos 8.5-8.

Quando a igreja foi dispersa, Filipe, um diácono e evangelista. atravessou fronteiras geográficas, sociais, étnicas e culturais e começou a evangelização em toda a Judeia e Samaria (Atos 6.5; 8.4-25; 21.8). A missão evangelística samaritana representou um novo desafio para as atitudes tradicionais judaicas e o cumprimento da ordem de Jesus em Atos 1.8. Samaria, a região entre a Judeia e a Galileia, era o território dos judeus mestiços – israelitas do Reino do Norte misturados com pagãos vindos do Império Assírio (2 Reis 17.24-28).

O anúncio da Palavra de Deus por Filipe trouxe resultados impressionantes. Filipe foi poderosamente usado por Deus para realizar sinais e pregar o Evangelho aos samaritanos. Por intermédio de seu ministério, os enfermos eram curados, os endemoninhados, libertos, e muitos criam em Cristo  e eram batizados.

O Evangelho de poder na cidade. “Afluía também muita gente das cidades vizinhas a Jerusalém, levando doentes e atormentados de espíritos imundos, e todos eram curados” –  Atos 5.16.

Muitas sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos. Na passagem de Atos 5.12-42 temos um sumário das ação poderosa e soberana do Espírito Santo na igreja:

• conversões (versículo 14);
• o livramento da prisão (versículos 19, 22);
• ousadia em pregar o Evangelho ( versículo 42).

Através do comprometimento com o Senhor as obras missionárias da comunidade cristã unida tinham a seguinte consequência: “e crescia mais e mais a multidão de crentes, tanto homens como mulheres, agregados ao Senhor, a ponto de levarem os enfermos até pelas ruas e os colocarem sobre leitos e macas, para que, ao passar Pedro, ao menos a sua sombra se projetasse nalguns deles” (versículo 14-15).

Conclusão

Desde a cidade de Enoque, muitas surgiram e desapareceram. Algumas, como a Babilônia, fizeram-se orgulhosas e imperiais. Outras. à semelhança de Nínive, tornaram-se sanguinárias e genocidas. Mas, uma a uma, vêm caindo diante do Senhor de toda a Terra. Até a capital do Império Romano experimentou a derrota, a vergonha e a humilhação. Na consumação da História e do Tempo, o Senhor revelará a Jerusalém Celestial, na cronologia divina, final. Porém, a Cidade Celeste já existia em seu espírito antes que o mundo fosse criado. Na ilha de Patmos, João teve o privilégio de contemplá-la como que descendo de Deus, para inaugurar o novo Céu e a nova Terra.

O cristianismo não se restringe a um povo ou grupo de pessoas. Cristo oferece a salvação a todas as pessoas, sem levar em conta a nacionalidade de cada uma delas. Na ocasião do Pentecostes, os visitantes de Jerusalém ficaram surpresos ao ouvir os apóstolos e outros cristãos falarem em idiomas diferentes dos seus, línguas pertinentes a outras nacionalidades. Deus realiza todos os tipos de milagres para que as Boas-Novas sejam divulgadas, usa inclusive idiomas para chamar todos os tipos de pessoas para se tornarem seguidores de Cristo.

E.A.G.

Compilações:

Bíblia Missionária de Estudo, páginas 921, 1076, 1087, edição 2014, Barueri / SP, (SBB).
Lições Bíblicas – O Desafio da Evangelização: obedecendo ao ide do Senhor Jesus de levar as Boas-Novas a toda criatura – Professor – Claudionor de Andrade, páginas 32, 34-35; 3º trimestre de 2016, Bangu, Rio de Janeiro – RJ (CPAD).
Ensinador Cristão, páginas 56-58, 65; ano 17, nº 67, julho-setembro de 2016, Bangu, Rio de Janeiro – RJ (CPAD).
O Desafio da Evangelização – Obedecendo ao ide do Senhor Jesus de levar as Boas-Novas a toda criatura; Claudionor Gonçalves; páginas 55-58, 65; 1ª edição 2016; Bangu, Rio de Janeiro – RJ (CPAD).

Publicado no blog Belverede

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