Adotados por Deus – Eliseu Antonio Gomes

Adotados por Deus – Eliseu Antonio Gomes

Adotados por Deus

Por Eliseu Antonio Gomes  

INTRODUÇÃO

Além de justificar, regenerar e santificar, características de mudança da nossa posição diante de Deus, o Pai deseja estabelecer conosco um relacionamento mais próximo, mas íntimo. 1 João 3.1.

I – O CONCEITO BÍBLICO DE ADOÇÃO
 
1. Conceito bíblico e teológico.
Para se tornar filho de Deus, o ser humano precisa crer no sacrifício vicário de Cristo. Esta é a promessa dada pelo Pai celeste para ser recebido como filho por adoção. No passado éramos escravos do pecado e filhos da ira, mas pela graça hoje somos filhos e herdeiros conforme a promessa (João 1.12; Gálatas 4.5).
Uma das tarefas do Espírito Santo é criar no cristão autêntico a convicção de filiação e de amor filial que o leva a experienciar um relacionamento íntimo com Deus.  Sobretudo, o envio do Espírito Santo aos nossos corações define a nossa filiação com Deus e sua plenitude continuada nos leva a conhecê-lo como Pai amoroso (Atos 1.5; 2.4; Efésios 5.18; Gálatas 4.6).

A adoção é uma dádiva misericordiosa do Criador, que nos possibilitou sermos adotados como filhos de Deus. Dessa maneira, saímos da posição de meras criaturas. escravos do pecado, para desfrutar do privilégio de pessoas espiritualmente livres, almas que desfrutam dos inumeráveis efeitos resultantes do sacrifício perfeito de Jesus Cristo.

Cabe aos filhos de Deus mais do que apenas ter fé (pistis, no idioma grego); é necessário crer (pisteuo). No Evangelho de João (1.12) está revelado que Deus deu o poder de que sejamos seus filhos se crermos no nome – isto é, na autoridade que há no nome – de Cristo. Segundo o apóstolo, a fé salvífica se consiste em atividade, é uma vida de dedicação amorosa e abnegada que continuamente nos aproxima de Jesus como Senhor e Salvador (Hebreus 7.25).

Entre outros ensinamentos sobre a fé, aprendemos o seguinte na Bíblia:

• A fé surge através da boa disposição em ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10.17);
• No princípio, pode ser do tamanho de uma semente de mostarda (Lucas 17.6);
• Ela cresce (2 Tessalonicenses 1.3);
• Vence o mundo (1 João 5.4);
• Se devidamente cultivada é frutífera (Colossenses 1.6);
• Funciona pelo amor (Gálatas 5.6).

2. Benefícios da adoção.

Uma das prerrogativas da adoção é fazer parte da família de Deus. Por meio desta integração recebemos garantia, confiança e percepção de ser membro de um lar duradouro.

Na condição de filhos de Deus, não precisamos temer as forças invisíveis das trevas. Paulo escreveu afirmando que os verdadeiros crentes são transportados da escuridão para a luz, da condição de escravo para a libertação plena, da culpabilidade para o perdão e da força de Satanás para o poder insuperável de Deus. Colossenses 1.13.

Às vezes, o templo de uma religião é chamado de casa de Deus. Na verdade a casa de Deus não é a construção, erigida por mãos humanas, mas, sim, as pessoas que se converteram a Cristo. Deus vive em nós e através de nós Ele se apresenta aos olhos do mundo. Quem está próximo de alguém que serve ao Senhor tem a oportunidade de entender que Deus é amor e Cristo é o Senhor, se vivemos em harmonia com os demais e de acordo com o que as Escrituras Sagradas determinam (Efésios 2.19).
Nossa conduta deve refletir a submissão a Cristo; quando agimos assim, somos cidadãos do reino de Deus e membros de sua família.
3. Herdeiros da promessa.
Sabemos que Deus ama todas as criaturas e que o sacrifício de Cristo foi feito em favor de todos, mas somente aqueles que pela fé, recebem a Jesus como Salvador podem se tornar filhos. Todo aquele que aceita Cristo em seu coração como seu Senhor, renasce espiritualmente, e ganha uma nova vida de Deus. Através da fé no Unigênito do Pai Eterno, este novo nascimento acontece de dentro para fora; nossos comportamentos, nossos desejos e motivações são reorganizados (João 1.12).
Ao se tornar cristão, o crente reconhece a Cristo como Senhor e também que sua obra traz salvação. Quando Cristo nos salva, mudamos de uma vida cheia de pecados para uma vitalidade sob à orientação do Espírito Santo. Nos arrependemos, confessamos os pecados e todos os pecados são lavados. Ganhamos a vida eterna com todos os seus tesouros. Temos um novo vigor através da instrução que recebemos do Espírito Santo, e Ele constantemente renova os nossos corações. (Ver: Tito 3.7).
Paulo usou a figura da adoção  para exemplificar o novo envolvimento do cristão com Deus. Na cultura romana, o filho adotado perdia todos os direitos que possuía em relação à família anterior e recebia todos os direitos de filho legítimo em sua nova família. Ele se tornava beneficiário dos bens do seu novo pai. De igual modo, quando alguém se torna um cristão, recebe todos os privilégios e responsabilidades de filho na família de Deus. A maior distinção é ser conduzido pelo Espírito Santo (Gálatas 4.5-7).
Os judeus esperavam avidamente por uma herança na Terra Prometida (Números 32.19; Deuteronômio 2.12; 19.8). Hoje os cristãos aguardam, ardentemente, por uma herança familiar na cidade eterna de Deus. Esta posse que Deus nos reserva nunca desaparecerá, jamais será estragada pelo pecado (1 Pedro 1.4).
 
II – A ADOÇÃO NO TEMPO PRESENTE
1. Parecidos com o Pai.

Segundo a nota de rodapé da Bíblia de Estudo Defesa da Fé, para a referência de Isaías 64.6, o profeta compara as “justiças” do povo hebreu com “trapo de imundícia”, que era um pedaço de pano usado pelas mulheres coletarem o seu fluxo menstrual. Este momento do mês das mulheres é comparável com a situação de impureza ritual de crentes em práticas do pecado, pois impedia que a pessoa entrasse no lugar de adoração. Até o ser humano mais desprezível é capaz de realizar coisas boas em favor do indivíduo com o qual se preocupa, porém Deus não avalia tal ação com benevolência se a ação bondosa é corrompida pelo egocentrismo interesseiro.

Do lado extremo oposto dessa questão, à medida que vivemos em Cristo, começamos a nos concentrar em Deus, as coisas do espírito começam a tomar forma. Como filhos do Pai celeste, vivemos em obediência à Palavra de Cristo, que nos traz a revelação interior da Divindade. E interiormente provamos, sentimos, ouvimos a Deus, que é o nosso Tudo. Porque em Cristo somos filhos do mesmo Pai, temos a garantia de filiação eterna para sermos livres da condenação do pecado. E cada vez mais usufruir do fato de o Pai celeste estar presente, comprovadamente o nosso grande Tudo.

Portamos a imagem de Deus hoje, não exatamente igual, porque o Criador não possui corpo físico.  Alguns pensam que nossa razão, criatividade, discurso e autodeterminação são a semelhança que temos com o Criador. Nunca seremos totalmente como Deus. Em vez disso, somos reflexos da sua glória e, uma vez em Cristo essa imagem é potencializada pela manifestação do amor de Deus em nós. Temos a capacidade de refletir seu caráter através do amor, do perdão, da paciência, da bondade e fidelidade (Gênesis 1.26; 1 João 4.8).
Há uma esperança aos que são chamados filhos de Deus. Esperamos o dia em que haveremos de ser semelhantes a Cristo (1 João 3.2-3). A vida cristã é o processo no qual a cada dia nos tornamos cada vez mais semelhantes a Cristo (Romanos 8.29). Este processo não estará completo até que vejamos Cristo face a face (1 Coríntios 13.12, Filipenses 3.21). Saber que este é o nosso destino final deve servir à purificação pessoal, desejar e nos esforçarmos para estar moralmente adequados na presença de Deus. É sabido que Ele nos purifica, porém é necessário que façamos a nossa parte (1 Timóteo 5.22; Tiago 4.8; 1 Pedro 1.22).
 

2. Ser amado pelo Pai.

O processo de adoção, pelo qual passamos ao aceitar a obra da salvação  de Cristo, é a prova do grande amor de Deus por nós, os seus filhos.  Viver sem a graça de Cristo significa estar em estado de miserabilidade, em escravidão e derrotado. A liberdade da condenação, a vitória sobre o pecado e a comunhão com Deus nos vêm pela união com Cristo, mediante o Espírito Santo, que em nos habita (1 João 3.1; Romanos 8.1).

A culpa do pecado, as angústias do medo da perdição eterna e a escravidão do pecado não nos afrontam mais, pois em Cristo não há mais condenação. Temos a certeza da ressurreição de Cristo, e que chegará o momento em que receberemos um corpo glorificado e viveremos para sempre na casa celestial, preparada por Cristo (João 14.1-2).

1 João 4.16-21 mostra a declaração do amor de Deus por nós. Na leitura deste trecho bíblico compreendemos que é inevitável a quem ama o Pai celeste praticar o bem revelado em suas ações; o filho de Deus é crente amoroso, em consequência da sua proximidade do Pai. Por ser amável e afetuoso,  tem confiança de sua salvação, não tem medo do dia do juízo final.

3. Os direitos e os deveres na adoção.

Da mesma maneira que os filhos de Deus têm direitos, também possuem deveres a cumprir, exemplarmente:

• Distanciar-se do mundo e do que é impuro (2 Coríntios 6.17, 18; Apocalipse 21.7);
• Ser praticante da justiça ensinada nas Escrituras e amar o irmão (1 João 3.10);
• Empenhar-se para viver conforme a perfeição do Pai (Mateus 5.48);
• Amar os inimigos; falar bem dos maldizentes; agir de forma correta com quem nos odeiam; e orar pelos que nos maltratam e perseguem (Mateus 5.44);
• Glorificar a Deus por todos esses deveres espirituais (Mateus 5.16).

III – A ADOÇÃO PLENA NO FUTURO

1. Filhos eternos.

Enquanto estivermos neste mundo tenebroso, é necessário ter em mente a dupla realidade que atravessamos: a aceitação por parte de Deus é garantida e ao mesmo tempo devemos nos esforçar para crescer espiritualmente. Sentimos a presença de Cristo e também a pressão da tentação indutora a pecar. Desfrutamos da paz com Deus e também enfrentamos problemas cotidianos. Ao experimentar os dois lados da realidade dos filhos de Deus aqui neste mundo, não podemos desanimar (Romanos 8.23). A alegria total do crente se dará somente quando da manifestação plena e literal de Jesus Cristo, na ocasião da sua vinda. Quando esta gloriosa realidade celestial ocorrer, então, teremos acesso à “incorruptível coroa de glória” (1 Pedro 5.4).

Em 1 Coríntios 5.1-10, encontramos o contraste entre o nosso corpo terreno com o nosso corpo da ressurreição. Há a clara declaração que o nosso corpo presente nos faz gemer e que quando morrermos não seremos espíritos sem corpos. Teremos corpos transformados, perfeitos para a nossa vida eterna.

Como filhos do Altíssimo, nosso valor próprio é baseado no fato que Deus nos ama e nos considera filhos. Somos seus filhos agora, não esperamos a adoção num futuro distante e incerto. Sabendo isso, estejamos cheios de vontade de viver conforme Jesus viveu neste mundo (1 João 3.1)..

2. Esperando a adoção completa.

A “adoção” é um termo jurídico, é o ato da graça soberana mediante o qual Deus concede a todos os direitos, privilégios e obrigações da filiação àqueles que aceitam Jesus Cristo. É uma realidade presente, mas será plenamente realizada na ressurreição dentre os mortos

3. A casa do Pai.

Toda criação aflige-se. A natureza animada e inanimada tornou-se sujeita às catástrofes físicas e ao sofrimento por causa das ações dos seres humanos pecadores.

Em Romanos 8.22-27 está apresentado três gemidos de origens diferentes:

• Da criação (versículo 22);
• Dos crentes (versículo 23);
• Do Espírito Santo (versículo 26).

Ao nos tornamos filhos de Deus, não nos tornamos divinos. A condição daqueles que são filhos de Deus os faz peregrinos e forasteiros nesse mundo caótico. Torna-os cientes portadores da cidadania celestial, junto com Cristo habitantes do céu. Contudo, a lição apresentada sobre o comportamento cristão, em 1 Pedro 2.11-17, sobre a conduta aqui na terra é que o crente deve viver de maneira irrepreensível, com vista a dar bom testemunho aos descrentes.

A morada definitiva do filho de Deus está localizada na cidade celeste (Filipenses 3.20). No Livro do Apocalipse (3.20), encontramos a descrição do novo Paraíso, com o rio da vida e a árvore da vida, para a cura das nações. Ali, na nova Jerusalém celestial não haverá doenças, dores, sofrimento, tristeza, nenhum motivo para derramar lágrimas.

 

CONCLUSÃO

Uma vez que somos filhos de Deus, para sempre o seremos. Nossas almas anseiam pelo momento em que poderemos adentrar à casa do Pai; naquele dia em diante, habitaremos com Ele para todo o sempre.

E.A.G.

Compilação:
A Obra da Salvação. Jesus Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida; Claiton Ivan Pommerening; página 122 – 127; 2ª impressão 2017; Bangu/RJ (CPAD);
Bíblia com Anotações A. W. Tozer, página 1280. edição 2013, Bangu, Rio de Janeiro (CPAD)

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, páginas 6, 1413, 1565, 1648, 1674, 1723, 1763, 1785, EDIÇÃO 2004, Bangu/RJ (CPAD);
Bíblia de Estudo Pentecostal, 1569, 1711, 1713, 1799, 2ª impressão 2016, Bangu/RJ (CPAD);
Bíblia de Estudo Defesa da Fé, página 1144, edição 2010, Bangu/RJ (CPAD);

Bíblia Explicada, página 1346, novembro 2014, Bangu/RJ (CPAD);
Ensinador Cristão; ano 18; número 72; página 41; 4º trimestre de 2017; Bangu/RJ (CPAD);
Lições Bíblicas / Professor. A Obra da Salvação – Jesus Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida; Claiton Ivan Pommerening; 4º trimestre de 2017; páginas 78, 81; Bangu/RJ (CPAD).

Publicado no blog Belverede

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