A Manifestação da Graça da Salvação – Ev. Isaías de Jesus

A Manifestação da Graça da Salvação – Ev. Isaías de Jesus

Texto Áureo = “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens.” (Tt 2.11)

Verdade Prática = A graça de Deus emanou do seu coração amoroso para salvar o homem perdido, por meio do sacrifícios vicário de Cristo Jesus.

LEITURA BIBLICA = TITO 2: 11-14 = 3:4-6

INTRODUÇÃO

Temos aqui as bases ou as considerações sobre as quais todas as orientações precedentes estão ratifica das, extraídas da natureza e do plano do evangelho e da finalidade da morte de Cristo.

Da natureza e plano do evangelho. Jovens e velhos, homens e mulheres, senhores e servos, o próprio Tito, todas as diferentes classes de pessoas, devem realizar seus respectivos deveres, porque esse é o alvo e a tarefa do cristianismo: instruir, ajudar e formar pessoas, sob todo tipo de distinções e relacionamentos, para uma forma e conduta corretas.

  1. Eles são colocados sob a dispensação da graça de Deus — assim se chama o evangelho (Ef 3.2). E graça em relação ao surgimento dela — o livre favor e boa vontade de Deus, não o merecimento na criatura; é a manifestação e a declaração dessa boa vontade de maneira eminente e marcante; e como é o meio de transmitir e trabalhar a graça nos corações dos crentes. A graça compele à bondade: “Não reine o pecado, mas apresentai-vos a Deus, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rm 6.1244). “Porque o amor de Cristo nos constrange” a não vivermos para nós mesmos, mas para Ele (2 Co 5.14,15). Sem esse efeito, a graça é recebida em vão.
  1. Essa graça do evangelho traz salvação (revela-a e a oferece aos pecadores e a assegura aos crentes) — salvação do pecado e da ira, da morte e do inferno. Por isso ela é chamada de Palavra da vida. Ela leva à fé, e assim para a vida, a vida de santidade agora e da felicidade no futuro.

A lei é a ministração da morte, mas o evangelho é a ministração de vida e paz. Isso, portanto, deve ser recebido como salvação (suas regras e mandamentos obedecidos), para que se obtenha seu objetivo final, ou seja, a salvação da alma. Aqueles que negligenciam essa graça de Deus que traz salvação agora serão mais indesculpáveis, uma vez que:

  1. “… se há manifestado”, ou brilhado mais clara e distintamente do que em qualquer outra época. A antiga dispensação era comparativamente escura e sombria. Essa é uma luz clara e brilhante; e ela é mais brilhante agora, mais dispersa e ampla. Porque:
  1. Ela apareceu “… o todos os homens”; não somente aos judeus, da maneira que a glória de Deus aparecia no monte Sinai a esse povo exclusivo, mas invisível pára todos os outros. Mas a graça do evangelho está aberta a todos, e todos são convidados para vir e participar do benefício dela, gentios e judeus. A proclamação dela é livre e geral: Fazei discípulos de todas as nações: Pregai o evangelho a toda criatura, O muro de separação foi derribado.

Esse muro já não existe. “. .. a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto, mas que se manifestou agora e se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações para obediência da fé” (Rm 16.25,26). A doutrina da graça e salvação pelo evangelho é para todas as classes de pessoas (escravos e servos, bem como senhores), por essa razão todos devem empenhar-se e ser encorajados a recebê-la e crer nela, e a andar de acordo com ela, ornando-a em tudo.

  1. A revelação desse evangelho é para ensinar, não somente por meio de informação e instrução, como um professor faz com seus alunos, mas por meio de preceito e comando, como um soberano que dá as leis aos seus subalternos. Ela orienta sobre do que se deve abster e o que seguir, o que evitar e o que fazer, O evangelho não é para mera especulação, mas para a prática e a disposição correta da vida; porque nos ensina:

(1) A abandonar o pecado: “.. renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas”; renegá-las e não ter nada que ver com elas, como vimos: “…vos despojeis do velho homem, que se corrompe”; isto é, todo o conjunto de pecados, aqui repartido em impiedade e concupiscências mundanas. “Abandonem a incredulidade, toda descrença, negligência ou desprezo do Ser divino, deixando de amá-lo, de temê-lo, de confiar nele, nem obedecer-lhe como deveríamos, negligenciando suas ordenanças, fazendo pouco caso da sua adoração, profanando seu nome ou seu dia.

Portanto, renunciem à impiedade (detestem e se desfaçam); e às concupiscências mundanas, todos os desejos e paixões corrompidos e viciosos que prevalecem em homens mundanos, as concupiscências da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, toda sensualidade e impureza, desejos e ambições cobiçosos, buscando e valorizando mais o louvor dos homens do que ode Deus. Abandonem tudo isso”.

Uma conduta sensual e terrena não se ajusta ao chamado celestial. “Os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências” (veja Gl 5.24). Eles o fizeram por meio de um pacto e uma promessa, e o fizeram inicial e predominantemente em ação; eles continuam o trabalho, purificando-se cada vez mais da impureza da carne e do espírito. Assim, o evangelho primeiro faz desaprender aquilo que é mal, para que se possa abandonar o pecado; e então:

(2) A tomar consciência daquilo que é bom: “…vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente”. A fé cristã não é formada somente de aspectos negativos. Deve-se fazer o bem e abster-se do mal; quando isso acontece, a sinceridade é provada, e o evangelho, ornado. Deveríamos viver sobriamente em relação a nós mesmos, como devido domínio dos nossos apetites e paixões, guardando os limites da moderação e temperança, evitando todo excesso desordenado.

Também devemos viver de maneira justa em relação a todos, tratando cada um de modo digno, não prejudicando ninguém, mas fazendo o bem aos outros, de acordo com nossa habilidade e a necessidade deles: isso faz parte da justiça e retidão, porque não nascemos somente para nós mesmos, e, portanto, não devemos viver somente para nós mesmos. “Somos membros uns dos outros” e devemos “… buscar o que é de outrem” (1 Co 10.24; 12.25). Aquilo que é público, especialmente aquilo que inclui os interesses de todos, deve ter a consideração de todos. O egoísmo é um tipo de injustiça.

Ele rouba dos outros a parte em nós que pertence a eles. Quão agradável então é a conduta justa e reta! Esse tipo de conduta assegura e promove todos os interesses, não somente o interesse particular, mas o interesse geral e público, e dessa forma contribui para a paz e felicidade do mundo. Portanto, vivamos de maneira justa, sóbria e pia em relação a Deus, nos deveres da sua adoração e serviço. Devemos fazer tudo pensando nele. “Quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Co 10.31).

Deveres pessoais e domésticos devem ser cumpridos em obediência aos seus mandamentos, com o alvo de agradar e honrar a Ele, por causa dos princípios do amor santo e do temor a Ele. Mas também há um dever expresso e direto que devemos a Deus, a saber, nossa convicção e reconhecimento do seu Ser e sua perfeição, rendendo-lhe adoração e homenagem interna e externa; amando, temendo e confiando nele; dependendo dele e devotando-nos a Ele; cumprindo todas as obrigações e ordenanças cristãs que Ele designou; orando, louvando e meditando na sua Palavra e obras. Essa é a piedade, olhar para Deus e ir ao encontro dele, de acordo com o nosso estado agora, não sem mediação, mas como Ele se manifestou por meio de Cristo. E assim que o evangelho orienta e requer. Buscar a Deus de qualquer outra maneira, a saber, por meio de santos ou anjos, é impróprio e contrário à regra e ordem do evangelho.

Toda comunicação de Deus conosco por meio do seu Filho e nossa comunicação com Ele devem ser por intermédio de Jesus. Devemos olhar para Deus, por meio de Cristo, como o objeto da nossa adoração e esperança. Assim devemos exercitar-nos na piedade. Sem essa piedade não pode haver um ornamento desse evangelho, que ensina e requer esse tipo de conduta. A conduta de acordo com o evangelho deve ser uma conduta piedosa, em que expressamos nosso amor, temor e reverência a Deus, nossa esperança e confiança nele, como está manifestado em seu Filho. “Porque a circuncisão somos nós (que temos na realidade aquilo que era representado por esse sacramento), que servimos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Jesus Crista, e não confiamos na carne” (veja Fp 3.3).

Nossa obrigação pode ser reduzida a algumas poucas palavras: renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbrio, justa e piamente”. O evangelho nos ensina não somente a crer e esperar de maneira saudável, mas também a viver de maneira saudável, de acordo com a fé e esperança neste presente século, e como expectantes de um outro mundo melhor. Existe o mundo atual e o que há de vir. O mundo presente é o tempo e o lugar da nossa provação, e o evangelho nos ensina a viver de maneira saudável aqui, não como nosso estado final, mas com um olho no futuro.

(3) Devemos buscar as glórias de um outro mundo, para o qual precisamos nos preparar e viver de maneira sóbria, justa e piamente: “.. aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo”. Esperança, como uma metonímia, é colocada aqui no lugar da coisa esperada, a sabei o céu e as suas bênçãos ali, chamados enfaticamente de a esperança, porque é a grande coisa que esperamos, anelamos e aguardamos; e é uma bem-aventurada esperança, porque, quando obtida, estaremos completamente felizes para sempre.

E o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo. Isso denota tanto o tempo do cumprimento da nossa esperança como a certeza e grandeza dela: isso será na segunda aparição de Cristo, quando Ele.. . vier na sua glória e na do Pai e dos santos anjos  (Lc 9.26). Sua própria glória que tinha antes da existência do mundo; e a do Pai, sendo a expressa imagem da sua pessoa, e como Deus-homem, seu Príncipe e Juiz; e a dos santos anjos, como seus ministros gloriosos.  Sua primeira vinda ocorreu em pobreza e humilhação, para satisfazer a justiça e comprar a felicidade.

Sua segunda vinda será em majestade, para resgatar seu povo dali. “Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para a salvação” (Hb 9.28).

O grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo; porque eles não são duas essências, mas somente uma, de acordo com o artigo singular: tou megakm Theou kai Soteros, e não kai tou Soteros, e assim kai é traduzido em 1 Coríntios 15.24: “quando tiver entregado o Reino a Deus, ao Pai”, to Theo kai Patri.

Cristo então é o grande Deus, não figuradamente, como um magistrado (e outros) às vezes é chamado de deus, ou que aparece e age como se fosse em nome de Deus, mas própria e absolutamente “.. .0 verdadeiro Deus” (1 Jo 5.20), o “…Deus Forte” (Is 9.6), “… que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus” (Fp 2.6). Em sua segunda vinda, Ele recompensará seus servos e os trará para a glória com Ele. Observe: Existe uma esperança comum e abençoada para todos os verdadeiros cristãos no outro mundo. Se tivessem esperança em Cristo apenas neste mundo, seriam os homens mais miseráveis de todos (1 Co 15.19).

A palavra esperança aqui significa a coisa esperada, a saber o próprio Cristo, que é chamado de esperança nossa (1 Tm 1.1), e bem-aventurança nele e através dele, e riquezas da glória (Ef 1.18), apropriadamente chamada aqui de a bem-aventurada esperança. O intento do evangelho é encorajar todos a uma vida boa por meio dessa bem-aventurada esperança. “Cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo” (1 Pe 1.13).

Em relação ao mesmo propósito lemos aqui: “… renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbrio, justa e piamente, aguardando a bem-aventurada esperança”; não como mercenários, mas como cristãos obedientes e gratos. “Que pessoas vos convém ser em santo trato e piedade, aguardando e apressando-vos para a vinda do Dia de Deus?” (2 Pe 3.11,12).

Aguardando e apressando-se, isto é, esperando e diligentemente preparando-se para ela. No aparecimento da glória de Cristo será obtida a bem-aventurada esperança. “A felicidade deles será a seguinte: “. ..para que estejam com ele, para que vejam a sua glória” (Jo 17.24).

A glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo irromperá então como o sol. Ainda que no exercício do seu poder judiciário, Ele aparecerá como o Filho do Homem e será poderosamente declarado ser o Filho de Deus. A divindade, que estava em grande parte velada na terra, brilhará então como o sol em sua força. Assim, a obra e o desígnio do evangelho são elevar o coração para essa segunda aparição de Cristo. “Somos gerados de novo para uma viva esperança” (1 Pe 1.3), convertidos “. para servir ao Deus vivo e verdadeiro e esperar dos céus a seu Filho” (1 Ts 1.9,10).

Os cristãos são marcados por isso, aguardando a vinda do seu Senhor (Lc 12.36), amando a sua vinda (2 Im 4.8). Vamos, pois, olhar para essa esperança; que os nossos lombos estejam cingidos, e as nossas lâmpadas, brilhando, aguardando a vinda do Senhor. Não sabemos o dia e hora, mas “.. .o que há de vir virá e não tardará” (Hb 10.37).

O consolo dos cristãos é que o seu Salvador é o grande Deus e se manifestará em glória na sua segunda vinda. Poder e amor, majestade e misericórdia surgirão então juntos no maior brilho, para o terror e confusão dos ímpios, mas para o triunfo eterno e o regozijo dos piedosos. Se Ele não fosse o grande Deus e ao mesmo tempo uma criatura humana, Ele não poderia ser o Salvador deles, nem sua esperança. Essas são as considerações sobre as quais se devem guardar essas orientações e as devidas obrigações da natureza e desígnio do evangelho. E, com isso, está conectado mais um fundamento, a saber:

A finalidade da morte de Cristo: “…o qual se deu a si mesmo por nós, para nos remir de toda iniqüidade e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” (v. 14). A finalidade da morte de Cristo e o escopo da sua doutrina eram levar-nos à santidade e à felicidade.

  1. O comprador da salvação — Jesus Cristo, o grande Deus e nosso Senhor (“Salvador”, versão RA), que não salva simplesmente como Deus, muito menos somente como homem; mas como Deus-homem, duas naturezas em uma pessoa: homem, para que possa obedecer, sofrer e morrer, pelo homem, estando apto a lidar com ele e por ele; e Deus, para que possa sustentar a humanidade e dar valor e eficácia às suas tarefas, e ter a devida atenção com os direitos e honra da divindade, bem como o bem da sua criatura, e realizar a posterior para a glória da anterior.
  1. O preço da nossa redenção: Ele se deu a si mesmo. O Pai deu seu Filho, mas Ele também se deu a si mesmo; e, na liberdade e voluntariedade, bem como na grandeza da oferta, estão a aceitabilidade e o mérito dela. “Por isso, o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou” (Jo 10.17,18). “Por eles me santifico a mim mesmo (veja Jo 17.19), ou separo e dedico a mim mesmo para essa obra, para ser sacerdote e um sacrifício a Deus pelos pecados do homem”.

A natureza humana foi a oferta, e a natureza divina, o altar santificando o dom e o ato completo da pessoa. “Ele se deu a si mesmo em preço de redenção por todos” (1 Tm 2.6). “Na consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo”. Ele foi o sacerdote e o sacrificio. Fomos resgatados não com prata e ouro, “…mas como precioso sangue de Cristo” (1 Pe 1.18,19), chamado de o sangue de Deus (At 20.28), isto é, daquele que é Deus.

  1. As pessoas beneficiadas: “…por nós”, pobres e de- caídos pecadores, afastados de Deus e em rebelião contra Ele. Ele se deu a si mesmo por nós, não somente para o nosso bem, mas em nosso lugar. O Messias foi morto, não por Ele mesmo, mas por nós. “Ele padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus” (1 Pe 3.18). “Ele foi feito pecado por nós (uma oferta e sacrifício pelo pecado); para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Co 5.21). Maravilhosa condescendência e graça! Ele nos “. .. amou e se entregou a si mesmo por nós” (veja Ef 5.2). O que podemos fazer se não amá-lo e nos entregarmos a Ele?
  1. Os motivos para entregar-se a si mesmo por nós: (1)”…para nos remir de toda iniqüidade”. Isso é adequado para a primeira repreensão: renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas. Cristo deu-se a si mesmo para nos remir dessas coisas, ou seja, para aniquilá-las. Quem ama e vive em pecado está pisando no sangue remidor desprezando e rejeitando um dos maiores benefícios dele e agindo contra seu desígnio. Mas, de que maneira os sofrimentos de Cristo poderiam nos remir de toda iniqüidade? Resposta: Por meio da dignidade infinita de sua pessoa. Aquele que era Deus sofreu, mas não como Deus.

Os atos e propriedades de cada natureza são atribuídos à pessoa.Deus comprou sua igreja com seu próprio sangue (At 20.28). O pagamento foi feito de uma vez por todas, sem a necessidade de sofrer para sempre. Uma mera criatura não poderia fazer isso, por causa da limitação da sua natureza; mas o Deus-homem podia. O grande Deus e Salvador se entregou a si mesmo por nós: isso explica tudo. “Com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados” (Hb 9.25,26; 10.14).

Ele não precisou oferecer-se muitas vezes, nem pôde ficar preso na morte, uma vez que passou por ela. Que final feliz para a morte de Cristo! Por meio dela, obtemos a redenção de toda iniqüidade. “. . para purificar para si um povo seu especial”. Isso reforça a segunda repreensão: para vivermos neste presente século sóbria, justa e piamente. Cristo morreu para purificar e para perdoar — para obter graça, para curar a natureza e para libertar da culpa e da condenação. Ele se entregou a si mesmo para sua igreja, para purificá-la.

Assim obteve para si um povo seu especial, ao purificá-lo. Dessa forma, eles são distinguidos do mundo que jaz na iniqüidade. Eles são nascidos de Deus, assimilados por Ele, carregam a sua imagem, são santos como é santo o seu Pai celestial. Observe: A redenção do pecado e a santificação da natureza andam juntas, e ambas formam um povo especial de Deus: libertação do pecado e da condenação, libertação do poder das concupiscências e a purificação da alma pelo Espírito. Eles são “… a geração eleita, o sacerdócio rea4 a nação santa”, e assim, seu povo especial.  “… zeloso de boas obras”.

 

Esse povo especial, sendo purificado pela graça, precisa ser visto fazendo o bem e zelando por isso. Observe: O evangelho não é uma doutrina de licenciosidade, mas de santidade e vida saudável. Somos remidos da nossa conduta vã, para servir a Deus “… em santidade e justiça perante ele, todos os dias da nossa rida” (veja Lc 1.75). Vamos então nos esforçar para fazer boas obras e ser zelosos nelas. Precisamos cal- dar para que esse zelo seja guiado pelo conhecimento, estimulado pelo amor, conduzido para a glória de Deus, e esteja sempre ocupado em fazer alguma coisa boa; e assim sermos dirigidos do motivo para as obrigações, a partir do propósito da morte de Cristo.

AS BOAS OBRAS E O TRATO COMOS HEREGES

Em 3.8-11 vem mais uma exortação do pastor experiente ao pastor jovem. A palavra de Paulo é uma “palavra fiel”  (esta expressão designa uma verdade solene) e Tito deve proclamá-la com  firmeza, para que os crentes se apliquem às boas obras (v. 8). Este é o versículo chave da epístola. O povo de Deus deve mostrar que é povo de Deus pela sua conduta. Jesus disse que “pelos seus frutos os conhecereis”, e não “pelo seu louvor os conhecereis”.

A ênfase do Novo Testamento é no caráter que devemos ter. Hoje se enfatiza muito o louvor, a atividade, as reuniões, e nem sempre o caráter cristão, marca distintiva da conversão e o melhor testemunho que podemos dar, como vemos nas palavras de Jesus, em Mateus 5.13-16.

QUALIFICAÇÕES PARA BOAS OBRAS

Quem pode realizar uma obra à vista de Deus? As Escrituras tornam bem claro que ninguém, a não ser os salvos, podem fazer isto. “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras”, Efésios 2:10. “Portanto os que estão na carne não podem agradar a Deus”, Romanos 8:8.

As boas obras são o fruto do Espírito, e ninguém, a não ser os salvos, tem o Espírito. As boas obras são o resultado e não a causa da salvação. A ordem divina é salvação, depois o serviço. Somos salvos para servir a Deus e aos outros. Em cada campo, exceto na mecânica, é preciso que haja vida antes da atividade. Cada homem, por natureza, está morto em pecados e alienado de Deus. A crença que o pecador pode trabalhar para ganhar a salvação é uma das piores heresias. “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo”, Tito 3:5. Tudo o que o perdido faz para merecer o favor de Deus é uma obra morta. É preciso haver o arrependimento. Não há meios de se ganhar o favor de Deus, a não ser por intermédio de Seu Filho. “Mas agora em Cristo Jesus, vós que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto”, Efésios 2:13.

A IMPORTÂNCIA DAS BOAS OBRAS

As boas obras. são importantes como evidências necessárias da salvação. Elas não buscam a salvação, mas a manifestam. Não são a causa, mas o efeito do novo nascimento, “criados para as boas obras”.

As boas obras do crente estarão diante dele no juízo, a fim de serem rejeitadas ou recompensadas. Elas foram colocadas sobre Cristo e Ele as levou em Seu próprio corpo no madeiro. Com relação a salvação, os pecados do crente foram colocados sobre Cristo e julgados nEle. Com relação à correção será tratada nesta vida. Leia Hebreus 12:5-11. O crente será galardoado por suas obras quando Cristo vier. “Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não somente trará a plena luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestarão os desígnios dos corações; e então cada um receberá o seu louvor da parte de Deus”, 1 Coríntios 4:5.

O Modo de Tratar com os Hereges.

Na última passagem, encontramos o quinto e último tópico da epístola: o que Tito deve evitar no ensino e como deve lidar com um herege; há ainda algumas outras orientações. Observe: Para que o propósito do apóstolo possa ser mais claro e completo, e especialmente adequado à situação da igreja em Creta, e para os muitos judaizantes nomeio dela, ele mostra a Tito o que, em seu ensinamento, deveria evitar (v. 9).

Existem questões necessárias a ser discutidas e esclarecidas, especialmente as que são úteis para o aperfeiçoamento e conhecimento; mas questões inúteis e loucas, que não visam à glória de Deus nem à edificação devem ser deixadas de lado. Alguns podem aparentar sabedoria, mas são vaidosos, como muitos doutores judaicos, bem como estudiosos posteriores que afluíam com perguntas sem importância para a fé ou a prática cristã.

Tito devia evitar esses homens. “.. genealogias” (dos deuses, alguns entendem, acerca dos quais os poetas pagãos faziam tanto barulho; ou que deixavam os judeus tão curiosos): algumas indagações úteis e legais podem ser feitas acerca dessas coisas, para ver o cumprimento das Escrituras em alguns casos e especialmente em relação à descendência de Jesus Cristo, o Messias; mas tudo aquilo que servia apenas para a ostentação e para alimentar a vaidade em relação a árvores genealógicas longas deveria ser abolido. Esses mestres judaicos estavam dispostos a ocupar seu tempo e aborrecer seus ouvintes com essa distinção de famílias e tribos, que, desde a vinda de Cristo tinha ficado sem efeito. Eles insistiam em querer impô-la novamente aos crentes.

Tito deveria opor-se a essas coisas e considerá-las inúteis e vãs contendas e nos debates acerca da lei. Havia aqueles que defendiam a continuidade dos ritos e cerimônias mosaicas na igreja, embora tivessem sido substituídos e abolidos por Cristo. Tito não devia tolerar essas coisas, mas evitar e opor-se a elas, “. . porque são coisas inúteis e vãs”. Isto se refere a todas as questões loucas e às genealogias, bem como àqueles que debatiam acerca da lei. Eles estão tão longe de instruir e edificar na piedade que são obstáculos a ela.

A fé cristã e as boas obras, que devem ser colocadas em prática, serão enfraquecidas e prejudicadas por essas coisas, a paz da igreja, perturbada, e o avanço do evangelho, retardado. Observe: Os ministros devem não somente ensinar coisas boas e úteis, mas evitar e opor-se às coisas más e vãs, que corrompem a fé e impedem a piedade e as boas obras. O povo também não deveria ter coceira nos ouvidos, mas amar e adotar a sã doutrina, que melhor edifica a igreja.

Mas, visto que, apesar de tudo, haverá heresias e homens hereges na igreja, o apóstolo orienta a Tito o que fazer num caso desses e como lidar com esse tipo de pessoas (v. 10). Aquele que renuncia à verdade em Cristo Jesus, que defende publicamente falsas doutrinas e as propaga para a corrupção da fé acerca de pontos importantes e graves, quebrando a paz da igreja, depois de fazer o possível para corrigi-lo, mas sem sucesso, deve ser evitado, “Admoeste-o repetidas vezes, para que, se possível, ele possa ser reintegrado e você acabe ganhando o seu irmão; mas, se não o convencer, lance-o fora da comunhão, para que os outros não sejam prejudicados e advirta os cristãos para evitá-lo”. “Sabendo que esse tal está pervertido (afastado da base ou fundamento) e peca gravemente, estando já em si mesmo condenado”.

Esses que não se deixam corrigir pelas admoestações, mas continuam obstinados em seus pecados e erros, estão pervertidos e em si mesmo condenados. Eles infligem a si mesmos o castigo que os dirigentes da igreja deveriam infligir a eles. Eles mesmos se lançam fora da igreja, afastando-se da comunhão com ela, e, dessa forma, condenam-se a si mesmos.

Observe: Uma heresia realmente nociva pode causar grande estrago, por isso, ninguém deveria ser acusado levianamente, embora todos tenham de ter o máximo de cuidado com ela. Um herege é pervertido — uma metáfora de uma construção tão destruída que é difícil, senão impossível, consertá-la e edificá-la novamente. Hereges de verdade dificilmente são restaurados à verdadeira fé.

O problema não está na forma errada de julgar, mas na perversão da vontade, envolvendo o orgulho, ou ambição, ou teimosia, ou cobiça, ou alguma corrupção semelhante.

Precisa-se ter muito cuidado com essas pessoas: “Seja humilde, ame a verdade e pratique-a, e você escapará da heresia condenada”. Esforços e paciência precisam ser usados com aqueles que transgridem de maneira mais grave. Não se deve desistir deles facilmente e rejeitá-los, mas deve-se dar tempo suficiente para buscar a restauração deles.

Os meios até mesmo com os hereges são persuasivos e racionais. Eles devem ser admoestados, instruídos e advertidos; é o que significa nouthesia. Após uma obstinação e uma atitude irrevogável e contínua, a igreja tem o poder, e a obrigação, de preservar sua própria pureza, ao separar um membro tão corrupto, para que a disciplina possa, pela bênção de Deus, se tornar eficaz na restauração do ofensor. Caso contrário, isso o deixará ainda menos indesculpável em sua condenação.

O apóstolo acrescenta mais algumas orientações (vv. 12,13).

Vemos duas coisas pessoais acrescentadas aqui:

  1. Tito deveria estar pronto para se encontrar com Paulo em Nicópolis (uma cidade da Trácia, como se supõe, nas fronteiras da Macedônia), tão logo Artemas ou Tíquico fossem enviados a Creta, para substituí-lo no cuidado das igrejas ali, quando ele partisse.

O apóstolo não queria que no seu estado jovem e inexperiente eles estivessem sem uma ou outra supervisão importante, para guiá-los e ajudá-los. Tito, pelo que parece, não era o bispo ou pastor comum e fixo, mas um evangelista, caso contrário, Paulo não o teria chamado tantas vezes para deixar o seu posto. Sabemos muito pouco de Artemas, mas Tíquico é mencionado em diversas ocasiões. Paulo o chama de “Tíquico, irmão amado e fiel ministro do Senhor e “.. fiel ministro, e conservo no Senhor”: alguém apto, portanto, ao serviço proposto.

Paulo então diz a Tito: “. ..procura vir ter comigo a Nicópolis; porque deliberei invernar ali”. Fica evidente então que a epístola não foi escrita de Nicópolis, como o pós-escrito traz, porque então ele teria escrito: Determinei invernar aqui, não ali.

  1. A outra ordem pessoal a Tito é que trouxesse dois dos seus amigos na sua jornada e cuidasse para que suas necessidades fossem supridas, para que nada lhes ficasse faltando. Isso deveria ser feito, não apenas como um ato de cortesia, mas de piedade cristã, por respeito tanto a eles quanto ao trabalho que foram convocados a fazer, que provavelmente seria pregar o evangelho ou ser útil de alguma forma às igrejas. Zenas é chamado de doutor da lei. Não sabemos se é com referência à lei romana ou à mosaica. Apoio era um ministro eminente e fiel.

Acompanhar essas pessoas em parte do seu caminho e provê-las em seu trabalho e jornada era um serviço devoto e necessário. E para promover essas coisas e rever o que havia exortado anteriormente a Tito que ensinasse (v. 8), ele repete aqui: “… os nossos aprendam também a aplicar-se às boas obras, nas coisas necessárias, paro que não sejam infrutuosos” (v. 14).

Permita que os cristãos, esses que creram em Deus, aprendam a aplicar-se às boas obras, especialmente apoiando ministros em seu trabalho da pregação e propagação do evangelho, com isso se tornando cooperadores da verdade (3 Jo 5-8).

Para que não sejam infrutuosos. O cristianismo não é uma profissão infrutífera. Os seus adeptos devem estar “.. cheios de frutos de justiça, que são por Jesus Cri si o, para glória e louvor de Deus”. Não basta ser inofensivo, mas eles devem ser úteis, fazendo o bem, e fugindo do mal. Alguns interpretam esse texto da seguinte maneira: “Que os nossos iniciem e se apliquem a alguns trabalhos e serviços, providenciem para si mesmos e suas famílias, para que não sejam pesas inúteis na terra”. Eles não devem pensar que o cristianismo lhes dá um direito ao bem-estar. De forma alguma. O cristianismo coloca uma obrigação sobre eles para buscar um trabalho honesto e ficar diante de Deus (veja 1 Co 7.24).

Esse é um bom testemunho, dará crédito à fé cristã e será bom para a humanidade. Eles não serão membros inúteis do corpo, não serão onerosos e pesados para os outros, mas habilitados para ser úteis àqueles que estão passando necessidades. “…a aplicar-se às boas obras, nas coisas necessárias”; não viver como parasitas do trabalho dos outros, mas sendo frutíferos para o bem comum.

O apóstolo conclui com saudações e bênçãos (v. 15). Embora, talvez, não conhecido pessoal- mente (pelo menos de alguns deles), no entanto, todos os que estão com Paulo testificam do seu amor e os melhores votos a Tito, reconhecendo o seu trabalho e estimulando-o a seguir em frente. Como é confortador e encorajador contar com as orações de outros cristãos por nós e sentir o seu amor. “Saúdam-te todos os que estão comigo.

Saúda tu os que nos amam na fé” ou pela fé, que são nossos amados companheiros cristãos. A santidade, ou a imagem de Deus em uma pessoa, é uma coisa preciosa que dá força a todos os outros elos, e é em si o melhor. “A graça seja com vós todos. Amém!” Esta é a bênção de encerramento, não somente a Tito, mas a todos os fiéis com ele, que mostra que embora a epístola seja dirigida a Tito no seu prefácio, ela era para o uso das igrejas de lá, e eles estavam na mente e no coração do apóstolo quando escreveu a mesma. “graça seja com vós todos, ou seja, o amor e o favor de Deus, com os frutos e a repercussão disso, de acordo com as necessidades, principalmente as espirituais, e o sentimento crescente delas na vossa alma”.

Essa é a oração e o anelo do apóstolo, mostrando a sua grande afeição por eles, desejando o bem-estar deles e que obtenham o que pediram. Observe: A graça é a coisa principal a ser desejada e pedida, com respeito a nós mesmos e aos outros; isto é, em resumo, todo bem. A oração é encerrada com amém, expressando desejo e esperança, que assim seja e assim será.

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

 

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

 

BIBLIOGRAFIA

www.isaltino.com.br

www.palavraprudente.com.br

Comentário Bíblico Mathew Henry

Comentário Bíblico Volume 09 –  Beacon As Epistolas Pastorais

 

 

 

A MANIFESTAÇÃO DA GRAÇA DA SALVAÇÃO

Texto Áureo = “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens.” (Tt 2.11)

Verdade Prática = A graça de Deus emanou do seu coração amoroso para salvar o homemperdido, por meio do sacrifícios vicário de Cristo Jesus.

LEITURA BIBLICA = TITO 2: 11-14 = 3:4-6

INTRODUÇÃO

A salvação, concedida ao homem perdido, é fruto da graça de Deus, por intermédio de Cristo Jesus, que veio ao mundo, como Deus que se fez homem, para redimir o homem. A graça de Deus é a mais extraordinária manifestação do seu amor para com o pecador. Mas ele só pode usufruir os benefícios desse recurso divino se reconhecer o seu estado miserável, em termos espirituais, e converter-se mediante a aceitação de Cristo como seu Salvador., Embora haja vários significados para a palavra graça, a mais comum e ser considerada favor imerecido de Deus visando à salvação do homem.

Essa graça de que fala o texto em apreço, que estende o favor divino ao pecador, é a “graça salvadora”, segundo a qual, Deus, o Soberano do universo, concede ao homem a oportunidade de reconciliar-se com Ele, mediante o sacrifício de Cristo, no Calvário. Essa graça salvífica é a origem desse favor divino, motivada pelo grande amor de Deus. Diz Paulo: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8).

Em João 5. 24 Jesus disse: “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida”. Para ser salvo, o homem precisa dar ouvidos à Palavra de Deus. Não é apenas escutar, ou “ouvir dizer”; é necessário abrir o coração para a mensagem do evangelho.

E indispensável que creia em Deus, “naquele que me enviou”, conforme ressaltou Jesus. Só assim pode ter a vida eterna. Esse é o evangelho de Jesus, segundo escreveu João. Somente satisfazendo essas condições de ouvir e crer, e, mais ainda, obedecer, é que a pessoa pode ser beneficiada pela graça de Deus, pela graça salvadora, que só há em Cristo Jesus.

Na carta a Tito, Paulo declara, de modo enfático e solene: “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt 2.11), Isso não quer dizer que a salvação a todos os homens é automática e incondicional.

De forma alguma. Mas que a salvação foi trazida, por intermédio de Cristo, como manifestação da graça de Deus, à disposição de todos os homens.

Mas ela só pode ser efetiva e eficaz para aqueles homens que derem ouvidos à Palavra de Deus, arrependerem-se de seus pecados e ser converterem a Deus, Jesus iniciou seu ministério dizendo: “O tempo está cumprido, e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.1 5). Sem arrependimento e fé, a graça de Deus não pode agir no coração do homem.

 

I- A MANIFESTAÇÃO DA GRAÇA DE DEUS

  1. A Graça Comum

A Palavra de Deus nos mostra que há diversas manifestações da graça divina. É importante saber o sentido da palavra “graça”. Vem da palavra hebraica hessed, e do termo grego charis, cujo sentido mais comum é o de favor imerecido que Deus concede ao homem, por seu amor, bondade e misericórdia; a partir dessa conceituação, podemos ver a graça comum , pela qual Deus da a todos a vida, a respiração e todas as coisas” (At 17.25h). Mas a graça comum não opera a salvação do homem. E expressão da bondade divina sobre toda a criação de Deus.

  1. A Graça Salvadora

“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt 2.11). Ela ultrapassa o conceito e o sentido da “graça comum”, que é disponível para “todos os homens”, independentemente de crerem em Deus ou não. A “graça comum” é manifestada pela “revelação natural”, pela natureza (Sll9.lss). A graça salvadora também está à disposição de “todos os homens”, mas só é alcançada ou eficaz por aqueles que creem em Deus, e aceitam a Cristo Jesus como seu único e suficiente Salvador pessoal. E também chamada de “graça especial”, conhecida por meio da “revelação especial” de Deus, que é a sua santa Palavra.

Na carta a Tito, Paulo ressalta o valor da “graça de Deus”, no seu mais elevado e nobre aspecto, entendido como “graça salvadora”. Ela é de tamanha significação, que se pode desdobrar, para efeito de compreensão, em outros aspectos relativos à obra salvífica de Cristo Jesus, na redenção do homem.

1) Graça fustificadora

A graça salvadora opera a justificação do pecador, diante da justiça de Deus. Para Myer Pearlman, “Justificação é um termo judicial, que nos faz lembrar um tribunal.

O homem, culpado e condenado, perante Deus, é absolvido e declarado justo — isto é, justificado. […] Deus é o juiz, e Cristo é o Advogado; o pecado é a transgressão da lei; a expiação é a satisfação dessa lei; o arrependimento é convicção; a aceitação traz perdão ou remissão dos pecados; o Espírito Santo testifica o perdão; a vida cristã é obediência e sua perfeição é o cumprimento da lei da justiça.

2) Graça regeneradora

Myer Pearlman2 considera a regeneração como uma “experiência subjetiva”, da qual resulta a adoção, que é um “privilégio objetivo”.

Segundo esse teólogo, “a alma, morta em transgressões e ofensas, precisa duma nova vida, sendo a mesma concedida por um ato divino de regeneração”. Uma vez nascida de novo, a pessoa passa a fazer parte da família de Deus: “Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos Santos e da família de Deus” (Ef 2,19).

Passa a ser “nova criatura”: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17).

Pela regeneração, o homem é feito “nova criatura” (2 Co 5.17), e sua história passa a ser contada diante de Deus a partir de sua decisão de se tornar “filho de Deus”. Bergstén afirma que a regeneração, ou o novo nascimento, “significa o ato sobrenatural em que o homem é gerado por Deus, 1Jo 5.18, para ser filho de Deus, Jo 1.12, e participanteda natureza divina, 2 Pe l.4”. Horton4 diz que “A regeneração é a ação decisiva e instantânea do Espírito Santo, mediante a qual Ele cria de novo a natureza interior . .. O Novo Testamento apresenta a figura do ser criado de novo (2 Co 5.17) e da renovação (Tt 3.5), porém a mais comum é a de ‘nascer’ (gr. Gennaõ), ‘gerar’ ou ‘dar à luz’ (cf. Jo 3.3; 1 Pe 1.3)”. Essa gloriosa bênção é fruto da graça de Deus.

3) Graça santificadora

A santificação é indispensável à salvação (Kh 12.14). A graça de Deus só pode ser eficaz, na vida do convertido, se ele se dispuser a negar-se a si mesmo, para ter urna vida de santidade, A santificação é um processo espiritual, que tem início na conversão, e deve prosseguir por toda a vida do crente, até a morte, ou o seu encontro com Cristo, em sua vinda. E o estado vivencial daquele que é santo, que vive em santidade, A falta de santificação anula os efeitos da regeneração e da justificação. Diz a Bíblia: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

  1. Condições para Ser Salvo

“[…] ensinando-nos que, renunciando à impiedade e âs concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tt2,12,13).

Essa palavra de Paulo está em perfeita harmonia com o ensino precioso de Cristo Jesus, em seus sermões: “E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lc 9.23). É necessário o crente demonstrar arrependimento sincero, o que significa mudança radical em sua natureza, pensamentos, atitudes e práticas.

Para ser salvo, o crente precisa ter duas atitudes, opostas urna à outra. A primeira, é no sentido da negação ou da renúncia do próprio eu: “renunciando á impiedade e às concupiscências mundanas” (Tt 2.12b; Lc 9.23); a segunda, é no sentido positivo, segundo o qual o salvodeve viver “neste presente século sóbria, justa e piamente” (Tt 2.12c). Viver sobriamente é viver com a “simplicidade que há em Cristo” (2 Co 11.3).

A vida de luxo e ostentação não combina com essa condição exemplificada por Jesus. A sobriedade deve fazer parte do cotidiano da vida do crente (1Pe 1.13; 4.7; 5.8). Viver justamente é ter urna vida pautada pela prática da justiça fundamentada em Cristo Jesus. Não é a justiça do homem, que é falha e discriminatória.

A uns, a justiça humana é aplicada de urna forma; a outros, de outra forma, mesmo que as circunstâncias das transgressões sejam idênticas. Mas a justiça de Cristo, no crente, faz com que ele viva de maneira justa, em consonância com a Lei de Deus (SI 23.3; Pv 12.28). Viver piamente significa viver de acordo com a piedade (gr. euseheia) cristã, é viver em santidade e respeito à Palavra de Deus, em santificação. Todo esse cuidado com o comportamento cristão não é sem finalidade, mas tem um propósito muito elevado, face à vinda de Cristo: “aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo”.

Paulo doutrinou aos coríntios, acerca da salvação, demonstrando de forma consistente que, para ser salvo, é necessário permanecer no “caminho estreito” (Mt 7.14), em obediência à vontade de Deus. “Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado, o qual também recebestes e no qual também permaneceis; pelo qual também sois salvos, se o retiverdes tal corno vo-lo tenho anunciado, se não é que crestes em vão” (1 Co 15.1,2).

De propósito, destacamos o “se”, que indica condição indispensável para a salvação. Sem essa permanência e retenção dos ensinos de Cristo, a fé do crente é vã e morta (Tg 2.17). Somente valorizando a “graça salvadora” é que o crente pode fazer parte do povo de Deus. Paulo diz a Tito que Jesus “se deu a si mesmo por nós, para nos remir de toda iniquidade e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” (Tt 2,14; 1Pe 2.9).

E ordena que esse ensino, de caráter devocional e prático, deve ser repassado com muito cuidado e zelo à igreja local: “Fala disto, e exorta, e repreende com toda a autoridade. Ninguém te despreze” (Tt 2.15). Nos dias presentes, há muita pregação, muita prédica ou preleção, mas há pouca exortação com doutrina (2Tm 4.2).

II- A CONDUTA DO SALVO EM JESUS

  1. Sujeição às Autoridades Legítimas

“Admoesta-os a que se sujeitem aos principados e potestades, que lhes obedeçam e estejam preparados para toda boa obra” (Tt 3,1). Paulo tinha urna consciência muito viva quanto aos deveres cívicos e sociais a que os cristãos deveriam (e devem) submeter-se, desde que tal submissão não implique desobedecer à Lei de Deus. Nesta parte da carta a Tito, ele exorta a que ensine aos crentes que se sujeitem “aos principados e potestades”.

E uma linguagem muito antiga ou arcaica, que pode ser mais bem expressada em termos mais recentes, na linguística da tradução bíblica, O cristão sincero deve obedecer aos governantes e autoridades que cuidam da vida administrativa, social e política das nações.

Ressalvando que essa obediência cívica não deve suplantar a obediência à cidadania cristã, ou à cidadania dos céus. Jesus mandou dar “a César o que é de César” e “a Deus o que é de Deus” (Mt 22.17- 21). O texto em apreço termina com a observação: “que lhes obedeçam e estejam preparados para toda boa obra” (Tt 3.1 b). Ou seja: que devemos obedecer às autoridades, no que concerne à prática de “toda boa obra”, e não de qualquer obra.

  1. O Relacionamento Cristão

Após doutrinar sobre deveres sociais e cívicos, perante as autoridades, Paulo diz a Tito que ensine aos crentes a saberem comportar-se no relacionamento humano: “[…] que a ninguém infamem, nem sejam contenciosos, mas modestos, mostrando toda mansidão para com todos os homens” (3.2), Vejamos abaixo alguns comportamentos exigidos dos cristãos,

1) Não infamem a ninguém

Infâmia é “crime contra a honra”, capitulado no Código Penal do Brasil e de países civilizados. E sinônimo de calúnia. No original grego, equivale a “blasfêmia”. E pecado muito grave infamar alguém, na igreja ou fora dela. E passível de sanção judicial ou condenação na justiça humana. Muito mais, na Lei de Deus.

Normalmente, a infâmia é ditada com intenção maligna de prejudicar alguém. O cristão devecultivar o fruto do Espírito da “benignidade”, que é a qualidade de quem só faz o bem (015.22).

2) Não sejam contenciosos

Escrevendo a Timóteo, Paulo diz: “E ao servo do Senhor não convém contender, mas, sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor” (2 Tm 2,24). Contendas, nas igrejas, geralmente têm resultados muito prejudiciais. Isso não agrada a Deus,

4) Mostrem “mansidão para com todos os homens”

Em um mundo em que os prepotentes, autoritários e violentos são os que dominam, é difícil ser manso, sem sofrer consequências morais ou emocionais. Mas deve ser característica marcante do servo de Deus ser “manso e humilde de coração”, corno Jesus ensinou (Mt 11,29). Além de não ser interessante a contenda, no meio cristão, o crente precisa ser “manso para com todos, apto para ensinar, sofre- dor” (2 Tm 2.24h).

  1. A Lavagem e a Renovação do Espírito Santo

“Porque também nós éramos, noutro tempo, insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias concupiscências e deleites, vivendo em malícia e inveja, odiosos, odiando-nos uns aos outros” (Tt 3.3).

Neste parágrafo da carta, Paulo traz à lembrança o que “nós éramos”, não apenas ele, Tito e os demais cristãos. E enumera várias qualidades ou adjetivos, e situações que eram próprias da velha vida de pecado, longe de Deus; ou do “velho homem”, que foi crucificado com Cristo (Rm 6.6); que era corrompido “pelas concupiscências do engano” (Ef 4.22; CI 3.9); esse “velho homem”, ou velha criatura, possuía qualificações dissonantes com o “novo homem, que, segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade” (Ef 4.24). São seis características discriminadas por Paulo que caracterizam o homem no pecado:

1) Insensatez

Refere-se à velha vida, plena de loucura, imprudência, leviandade e incoerência, que leva muitos à perdição eterna. Trata-se de condiçãode quem não é prudente para buscar a Deus, esperando a vinda de Jesus. Ele também falou sobre o homem “insensato”, que edifica sua casa sobre a areia (Mt 7,26). E desastre espiritual inevitável.

2) Desobediência

Refere-se à desobediência a Deus e à sua Palavra. O velho homem, dominado pelo pecado, vive em aberta rebelião ou insubordinação contra Deus. E a desobediência é o pecado mais comum, a “mãe” de todos os pecados, cometidos pelo homem, em todos os tempos (Rm 11,30), que são “filhos da desobediência” (Ef 2.2; 5.6; Cl 3.6ss).

3) Extravio

Sem Deus, sem a salvação em Cristo, o homem é um extraviado, corno ovelha sem pastor (Mt 9.36). E uma situação difícil e por vezes desesperadora. Mas é feliz quem faz corno o “filho pródigo”, que tornou a decisão sábia de retornar humilhado à casa do pai, onde foi recebido com amor e misericórdia (Lc 15.18-24).

4) Servindo a “várias concupiscências e deleites”

Outra tradução fala de “paixões e prazeres”, que dominam a vida do homem sem Deus, Os deleites da carne impedem que o homem se converta a Deus de verdade, sufocado pelos “espinhos” da vida (Lc 8.14). As concupiscências da vida, ou os desejos exacerbados da carne, são impedimento para uma vida de santidade e fidelidade a Jesus (1Pe 4.3; Jd 16). De modo geral, esse tipo de prática está relacionado aos pecados sexuais,

5) “Vivendo em malícia e inveja”

Malícia é sinônimo de maldade, perversidade, malignidade. Um cristão, nascido de novo, não pode andar com esse tipo de sentimento ou de prática em sua vinda íntima nem no relacionamento com os outros. A malícia não deve fazer parte da vida cristã (Ef 4.31; Cl 3.8). A inveja é outro sentimento indigno para um cristão sincero; é sentimento carnal, ou de influência diabólica, que faz com que uma pessoa sinta-se mal com o sucesso do outro. É sentimento destruidor não só da paz interior, mas que é devastador para a saúde física, E “a podridão dos ossos” (Pv 14.30).

6) Odiosos, odiando “uns aos outros”

Completando o quadro memorativo do que era o “velho homem”, Paulo lembra a Tito que, no trato passado, “nós” éramos “odiosos” e odiávamos “uns aos outros”.

Ódio é sinônimo de rancor, de raiva, interiorizado no coração ou na mente da pessoa. Quem odeia faz muito mais mal a si mesmo do que à pessoa ou ao objeto odiado. O ódio ou o rancor, internalizado e guardado no coração é devastador também da saúde mental e física. Além disso, perante Deus, aquele que odeia ou aborrece seu irmão não entra no céu, e é considerado criminoso (1Jo 3.15).

Toda essa lista negra de qualidades ruins foi mudada, na vida do salvo, quando teve o encontro com Cristo e experimentou a “lavagem da regeneração do Espírito Santo” (Tt 3.4-7).

III – AS BOAS OBRAS E O TRATO COM OS HEREGES

  1. A Prática das Boas Obras

“Fiel é a palavra, e isto quero que deveras afirmes, para que OS que creei-n em Deus procurem aplicar-se às boas obras; estas coisas são boas e proveitosas aos homens” (Tt 3.8). Mais uma vez, Paulo ressalta o valor das boas obras na vida do crente em Jesus. O cristão deve cultivar e demonstrar o fruto do Espírito em sua vida.

As boas obras são sinal evidente de uma vida frutífera e produtiva na presença de Deus. “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vos conceda” (Jo 15.16).

Esse “fruto” é concretizado por meio do testemunho eloquente de uma nova vida em Cristo. Materializa-se na prática de boas obras, na demonstração de atitudes e práticas que concorrem para a glória de Deus: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Co 10,31).

  1. Como Tratar com os Hereges

Os hereges ou os falsos mestres tinham oportunidade, tanto em Efeso como em Creta e em outros lugares onde o cristianismo chegava com sua mensagem salvadora. Satanás logo procurava induzir pessoasque se convertiam ao erro, por intermédio de homens de má índole, que procuravam perturbar a estabilidade das igrejas que iam sendo abertas em todos os lugares. Assim, da mesma forma que advertira quanto aos falsos ensinos na igreja de Éfeso (2Tm 2.2 3),

Paulo chamou a atenção de Tito para o mesmo tipo de discussão estéril e prejudicial à fé genuína dos cretenses: “Mas não entres em questões loucas, genealogias e contendas e nos debates acerca da lei; porque são coisas inúteis e vãs” (Tt 3.9).

Em uma exortação de apenas duas linhas de sua carta a Tito, Pauloresumiu a maneira como se deve tratar o herege, ou seja, aquele que,rejeitando a verdadeira fé, julga-se mais sábio e conhecedor do que os demais cristãos. Esses São arrogantes, presunçosos, e se acham “donos da verdade”. O apóstolo demonstra que é perda de tempo ficar discutindo ou argumentando com quem apostata da fé e se afasta da sã doutrina de Cristo.

Ele é incisivo e direto quanto ao trato com o herege: “Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o,sabendo que esse tal está pervertido e peca, estando já em si mesmo condenado” (Tt 3.10,11). Basta admoestar urna ou duas vezes, e, depois, apenas orar para quese apiede de sua arrogância doutrinária,

CONCLUSÃO

A graça de Deus, manifestada por meio de Cristo, é a mais alta expressão do seu amor, misericórdia e bondade para com o homem pecador. Depois da Queda, rompeu-se a ligação direta entre o homem e Deus. Mas, por intermédio de Cristo, foi reconstituída essa ligação, tornando-se Ele o mediador entre o ser criado e o seu Criador. Essa graça que é salvadora, santificadora e redentora está ã disposição de te- dos os homens, pois “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam” (SI 24.1). Todos os seres humanos pertencem a Deus por direito de criação. Mas para serem salvos, precisam filhos de Deus, crendo nEle como seu Salvador (Jo 1.12).

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

BIBLIOGRAFIA

Livro As Ordenanças de Cristo nas Cartas Pastorais – Elinaldo Renovato de Lima

Publicado no Blog do Ev. Isaías de Jesus

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