Uma Vida de Frutificação – Eliseu Antonio Gomes

Uma Vida de Frutificação – Eliseu Antonio Gomes

Uma vida de frutificação

Por Eliseu Antonio Gomes

Por Introdução.Frutificar é frutescer, produzir resultados, ser útil, dar lucro. Nós cristãos, fomos chamados para dar bons frutos no Reino de Deus, a fim de que o nome de Deus seja glorificado. O propósito de uma vida frutífera é tão somente glorificar o Pai (João 15.8).

I – A videira e seus ramos.

1. A parábola da vinha.
Deus fez a terra com a capacidade de ser produtiva. Nela constam elementos que a fazem produzir.  “A terra por si mesma frutifica: primeiro a erva, depois, a espiga, e, por fim, o grão cheio na espiga”- Marcos 4.28 (ARA).

No texto de João 15.1-10, encontramos uma parábola a respeito da videira. A videira é o próprio Jesus Cristo e os crentes são os  ramos. Cristo disse enfaticamente: “eu sou a Videira Verdadeira”, apresentando-se como o único caminho para Deus. Os versículos 3 a 5 falam da união de Jesus e os crentes em termos figurativos dos ramos e do tronco. O resultado dessa união é o processo de crescimento, que resulta em dar frutos. Nesta alegoria agrícola, Deus é indicado como lavrador. A alegoria mostra como Deus é glorificado quando estamos em um relacionamento correto com Ele, pois quando estamos em comunhão começamos a “dar muito fruto” em nossas vidas.

2. Condição para ser produtivo.

A primeira coisa que vemos ao ler o capítulo 15 de João, é que não há como acontecer produtividade se não houver investimento. Porém, note que Deus investiu grandemente em Israel (que é comparado a videira em Isaías 5.1-2; Salmos 80.8-19), porém, os israelitas não corresponderam ao tratamento divino e nada aconteceu. Deus investe em Jesus, que no texto de João 15 aparece como a genuína videira. Ele faz isso porque sabe que é por intermédio do seu Filho que a vida verdadeira para o mundo é manifestada. É dEle que surge  a seiva para a salvação, a capacidade da frutificação.

O princípio da frutificação está revelado em Gênesis (1.1). Observe que a lei agrária estabelecida pelo Criador determina que cada planta e árvore produza fruto segundo a sua espécie. A frutificação espiritual segue o mesmo princípio. João Batista, o precursor do Messias, exigiu daqueles que o ouviam e por ele eram batizados que produzissem frutos dignos de arrependimento (Mateus 3.8).

Para a boa frutificação, os elementos indispensáveis são a boa saúde da semente, o meio ambiente ideal e a limpeza do terreno. Estas também são as condições no reino espiritual, para que exista em todos nós fruto abundante para Deus. Jesus destacou este princípio esclarecendo aos seus seguidores que há a necessidade de perseverar na Palavra para ter condição de apresentar fruto exuberante para Deus (João 15.1-16).

Precisamos frutificar. Na vida espiritual, para que de fato haja o efeito de frutificar, é fundamental que a terra do coração seja trabalhada pela Palavra de Deus. Quando a Palavra é recebida como regra de fé e conduta, os bons frutos aparecem. E é por meio dessa fertilidade que se prova a fidelidade do crente (Mateus 13.8).

Para o crente ser capaz de produzir o fruto do Espírito, é preciso que ele esteja ligado à Videira Verdadeira. Considerando que um ramo não pode dar frutos a menos que esteja ligado ao tronco, como discípulos de Cristo precisamos estar ligados à Cristo para termos vida frutífera. É Jesus em nós que nos torna capazes de produzir o fruto do Espírito. É impossível um cristão ser produtivo fora da obediência ao Senhor, aos seus ensinos. Sem Jesus nada podemos fazer (João 15.4).

3. A poda.

No contexto do capítulo 13 a 17 de João, o fruto é o amor, característica fundamental de Deus, o alicerce de todas as virtudes (1 Coríntios 13.13). Para conseguir viver amando como Deus manda amar, a pessoa tem que nascer de novo e seguir a Cristo. Este amor é desenvolvido pelo “processo da poda”. A poda ajuda a produzir novos ramos, fazendo com que a produção de frutos seja maior.No versículo 2 de João 15, a alegoria da vinha apresenta a palavra “limpar” (cortar, podar), que expressa a necessidade da santificação do crente. Há um cuidado especial do Pai com a videira, Cristo, Deus cuida de cada um de nós com zelo e amor para que possamos produzir frutos abundantemente. Também, o Pai cuida dos ramos produtivos, eliminando os galhos que não servem para nada, para que a produção seja ainda maior. Retira do meio dos crentes frutíferos tudo que os impedem de frutificar, lançando os galhos descartados no fogo.

Na vida espiritual, também somos podados e cuidados pelo Senhor.

II – O fundamento da frutificação espiritual.

1. Firmados no amor de Cristo.

João 15.1-16 deixa muito claro que ninguém pode frutificar no Reino de Deus se não estiver firmado em nosso Senhor. Mas há uma pergunta importantíssima que precisa ser feita: que fruto é este? Ao mencionar fruto, Jesus Cristo se referiu ao fruto do Espírito, que é descrito em Gálatas 5.22, 23 assim: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.

A graça divina, além de destruir os pecados, enxerta em nós a semente do amor. O amor nos ajuda a vencer os ímpetos da carne, os efeitos da arrogância, o egoísmo e a incredulidade (Romanos 3.24). O amor, como virtude do fruto do Espírito, leva o crente a ser obediente, para que Deus possa  se comprazer nele.

2. Por que o amor é a base da frutificação?

O amor, em seu conceito mais sublime, é personificado em Deus. A melhor e mais curta definição do amor é Deus, pois Deus é amor. Este foi manifesto à humanidade por Jesus Cristo (Romanos 5.8; João 13.1).

A quem Jesus tanto amou que voluntariamente deu sua própria vida? A indivíduos imperfeitos. Um dos discípulos negou-o; outro duvidou dEle, três dos que compunham o círculo interno grupo dos doze dormiram enquanto Ele agonizava no jardim do Getsêmani; dois desses almejaram elevadas posições em seu Reino; outro revelou-se o traidor. E quando Jesus ressuscitou, alguns não creram. Mas Jesus amou-os até o fim – até a plena extensão do seu amor. Ele foi abandonado, traído, desapontado e rejeitado, contudo, amou!

Não podemos nos esquecer que o amor deve ser revelado em atitudes. Não adianta dizer que tem amor e fé se não tiver as boas obras (Tiago 2. 14, 17, 26). O amor precisa ser visto na vida do cristão mediante suas atitudes de frutificação espiritual. A frutificação tem como propósito expressar a vida de Cristo no cristão, é evidência de discipulado, abençoa outras pessoas e traz glória a Deus.

3. Cheios do Espírito e do amor.

Muitas pessoas ficam impressionadas com o desempenho do grande ministério de Paulo, como ele conseguiu levar tão longe a mensagem do Evangelho e escrever cartas espiritualmente edificantes. O segredo é que ele permanecia em Cristo e recebia dEle a vida verdadeira (Gálatas 2.20).

Os dons espirituais são importantes para o crente, mas estes precisam ser acompanhados do fruto, pois está relacionado ao caráter de Cristo em nós.

III. Chamados para frutificar.
1. Revestidos de amor.
Fomos alcançados unicamente pela graça divina, e a única coisa que Ele exige de nós é que venhamos a frutificar em atitudes que revelem o amor. Para ser produtivo é imprescindível estar ligado a Cristo, a Videira Verdadeira.

Só é possível frutificar no Reino de Deus se estivermos em Cristo Jesus. Esta é a realidade que todo cristão precisa estar ciente ao servir ao Senhor. Em Colossenses 3.12, Paulo orienta os crentes para que se vistam de misericórdia, benignidade, mansidão e longanimidade. Mediante a fé no sacrifício de Cristo, a “roupa velha”, que representa a natureza pecaminosa, deve ser retirada e abandonada para sempre. Então, busquemos “as coisas que são de cima” (versículos 1 e 2).

2. Se a Palavra estiver em nós.

É interessante ressaltar que em João 1.1 diz-se que o verbo se fez carne. A palavra “verbo” já aparecia nas páginas do Antigo Testamento, só que com o conceito de sabedoria. “Logos” quer dizer “palavra”. A razão de João fazer uso dessa palavra é porque no seu tempo todos sabiam muito bem o sentido e a expressão que essa palavra tinha, o que ela enunciava; todavia, o propósito de João fazer uso dessa palavra é que ele usa esse “logos” para denotar a palavra de Deus em ação conforme também registra o escritor de Aos Hebreus (1.1-3). Esse “logos”, palavra, pode ser entendido como o “logos cósmico”, isto é, o agente de toda a criação.

João especifica que de Jesus vem mais do que a vida, pois Ele é a própria vida, é Ele quem dá a verdadeira luz, o conhecimento que o verbo dá de Deus, possibilita ao ser humano receber as verdades divinas, assim ele pode deixar as trevas, que é o comportamento comprometido com o pecado.

Em João 15.7, encontramos a seguinte revelação de Jesus: “…se as minhas palavras permanecerem em vós…” Neste caso, Jesus faz uso de “palavra” com o termo grego “hêma”, que significa “palavra falada” e não o conteúdo neotestamentário. E desta maneira, aprendemos que a fé que depositamos no ensinamento dito por Jesus Cristo leva a oração do crente a ser atendida por Deus.

O fruto do Espírito representa no crente a existência de um caráter que testemunha de Jesus e que o revela no viver diário do cristão. É a breve vida de Cristo manifesta em seus discípulos. Quem permanece no amor de Cristo recebe a seiva para não ser um ramo infrutífero. A produtividade é frutescente quando Cristo e sua Palavra habita no crente.

Quando a Palavra é praticada pelo cristão, o fruto do Espírito é perceptível em seus relacionamentos. É notado na casa em que mora. O marido passa a ter um relacionamento conjugal frutífero, ama sua esposa em todas as circunstâncias e a esposa ao seu marido. No lar, existe um relacionamento familiar frutífero, sendo que a esposa apoia seu marido e os filhos respeitam o pai e a mãe (Efésios 5.22, 25; 6.1).

3. Cumprindo a lei.
A grande prova do amor dos discípulos para com Jesus estava na obediência plena ao Pai. Se assim eles procedessem, estariam sempre tendo aprovação em tudo e usufruindo da companhia divina.Segundo Paulo, em Romanos 13.8, a única coisa que podemos dever, continuamente, é o amor:”A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei” (ARA). Por mais que amemos o nosso próximo,sempre poderemos fazê-lo um pouco mais.

O bom testemunho do cristão envolve manter a sua integridade no que tange a honrar seus compromissos e dívidas Não se trata de uma proibição ao empréstimo de dinheiro, o qual as Escrituras permitem e regulamentam (Êxodo 23.19-20; Levíticos 25.35-37; Deuteronômio 15.7-9; Salmos 15.5; Mateus 5.42; Lucas 6.34). Quer dizer que se existe condição de pagar não é correto continuar a dever a pessoa alguma – pois tal atitude é um ato de desamor ao próximo. Não é possível dizer que frutificamos no Espírito se não vivemos o amor de Deus, e isso acarreta amar as pessoas (1 João 4.20-21).

Se tratamos os outros com o mesmo cuidado que temos por nós mesmos, não violaremos  qualquer uma das leis de Deus no que diz respeito aos relacionamentos interpessoais (Mateus 7.12; Roamos 13.10; Tiago 13.10).

Conclusão.

Como é que o povo à nossa volta está vendo Cristo em nós? Em família, no emprego, nas viagens, na escola, na igreja, nos relacionamentos pessoais, nos tratos, no lazer, no porte em geral, na vida cristã?

O caráter bíblico e prático do fruto do Espírito como oposição às obras da carne destaca o embate que se dá na vida do cristão em relação ao “frutificar” no Reino de Deus e o de manifestar as obras da carne. Neste cenário, o amor é a razão inigualável para frutificarmos na presença do Senhor; a alegria bloqueia a inveja; a paz rivaliza com as inimizades; a paciência impede as ações de dissenções; a benignidade ocupa os espaços da porfias; a bondade combate homicídios; a fidelidade é oposta à idolatria e heresias; a temperança extermina os ímpetos à prostituição e glutonaria.

Uma videira que produz muito fruto glorifica a Deus. Assim sendo, Ele envia diariamente a luz do sol e a chuva para fazer crescer as colheitas, e nutre constantemente cada planta, preparando-a para florescer. Portanto, que todo cristão esteja conscientizado a buscar a ação de frutificar no Reino de Deus, na força do Espírito Santo, amando a Deus e ao próximo na perspectiva do fruto do Espírito.

E.A.G.

Compilações:
As Obras da Carne e o Fruto do Espírito. Como o crente pode vencer a verdadeira batalha espiritual travada diariamente. Osiel Gomes; edição novembro de 2016, páginas 148-151; Bangu, Rio de Janeiro/RJ (CPAD).
Ensinador Cristão, ano 18, nº 69, janeiro a março de 2017, páginas 42, Bangu, Rio de Janeiro/RJ (CPAD)

Lições Bíblicas – As Obras da Carne e o Fruto do Espírito – Como o crente pode vencer a verdadeira batalha espiritual travada diariamente. Comentarista: Osiel Gomes. 1º trimestre de 2017, páginas 90-96, Bangu, Rio de Janeiro/RJ (CPAD).
Lições Bíblicas – O Fruto do Espírito: A plenitude de Cristo na vida do crente. Comentarista: Antônio Gilberto. 1º trimestre de 2005, página 21. Bangu, Rio de Janeiro/RJ (CPAD).
 Publicado no blog Belverede

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