Uma Salvação Grandiosa – Luciano de Paula Lourenço

Uma Salvação Grandiosa – Luciano de Paula Lourenço

Aula 02 – UMA SALVAÇÃO GRANDIOSA

1º Trimestre/2018

Texto Base: Hebreus 2:1-18

“Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos, depois, confirmada pelos que a ouviram” (Hb.2:3).

 INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos da Salvação Grandiosa tão fortemente recomendada em Hebreus 2:1-18. Exorta o escritor aos Hebreus: “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos, depois, confirmada pelos que a ouviram” (Hb.2:3). O autor da Epístola observa que havia entre os destinatários uma certa letargia e negligência diante de uma verdade de suma importância como é a Salvação. Nota-se uma firme advertência aos destinatários, de retorno às verdades anteriormente ouvidas e que haviam sido esquecidas. Se os que violavam a lei mosaica eram punidos, qual seria o destino dos que negligenciam o evangelho? Pela lei, vem o conhecimento do pecado; pelo evangelho, o conhecimento da Salvação. Negligenciar tão grande Salvação é mais sério do que transgredir a lei mosaica. A lei foi dada por Deus a Moisés por meio dos anjos, e depois ao povo. Mas o evangelho foi dado diretamente pelo próprio Senhor Jesus e, além disso, foi confirmado aos primeiros cristãos pelos apóstolos e por outros que ouviram o Salvador. Na redenção da humanidade, o Pai planejou a Salvação, no Céu (João 3:16; Gl.4:4,5); o Filho consumou-a, na Terra (João 17:4,5; 19:30) e; o Espírito Santo realiza e aplica essa tão grande Salvação à pessoa humana (João 16:8-11; Tt.3:5).

  1. UMA SALVAÇÃO GRANDIOSA

Por que a Salvação é grandiosa? João 3:16 explica claramente o porquê de ela ser tão grandiosa: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Explicando melhor:

  1. A Salvação é grandiosa por causa da sua Procedência– “Por que Deus amou…”. A Salvação procede do coração de Deus, do seu íntimo. O Criador do universo – o Senhor dos céus e da terra – o Deus eterno – colocou o seu coração em nós – e nos amou desde a fundação do mundo. Deus nos amou não por causa dos nossos méritos, mas Deus nos amou apesar dos nossos deméritos.
  1. A Salvação é grandiosa por causa do seu Alcance. Diz o texto sagrado: “por que Deus amou o mundo…”. Deus ama a todos indistintamente. Deus não faz acepção de pessoas. Deus ama o pobre, o rico, o analfabeto, o doutor, o homem do campo e da cidade, o religioso e o não religioso. O amor de Deus não tem a sua causa em nós, tem a sua causa em seu próprio coração amoroso.
  1. A Salvação é grandiosa por causa de sua Intensidade. Diz o texto sagado: “porque Deus amou o mundo de tal…”. Deus não amou o mundo de uma maneira pequena, limitada. Deus amou o mundo ao ponto de se dar por nós, de se sacrificar por nós. Observe o que a Bíblia diz: “mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm.5:8); “nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados”(1João 4:10). O apóstolo Paulo diz que Deus não poupou o seu próprio Filho, antes por todos nós o entregou (Rm.8:32). Essa é a grandeza, esta é a intensidade do amor de Deus por você e por mim.
  1. A Salvação é grandiosa por causa do seu Sacrifício. Também, a Salvação é grandiosa por causa do sacrifício de Cristo. O texto sagrado prossegue dizendo: “por que Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito…”. Deus não amou você a ponto de dar ouro e prata. Deus não amou você a ponto de dar as riquezas das entranhas da terra. Deus não amou a você a ponto de dar um anjo. Deus amou a você de tal maneira que deu o seu Filho, o seu Filho unigênito. E deu para vir ao mundo e se esvaziar de sua glória. E deu para entrar neste mundo e vestir pele humano, e aqui ser humilhado, ser esbofeteado, ser pregado na cruz. Deus jamais retrocedeu neste amor imenso, eterno, imutável, sacrifical, incondicional a nós, nesta dádiva do seu próprio Filho.
  1. A Salvação é grandiosa por causa da sua Oportunidade. O texto sagrado prossegue e diz: “porque Deus amou……para que todo aquele que nele crer…”. Deus providenciou a Salvação, e oferece esta Salvação: não àqueles que são religiosos; não àqueles que são sinceros; não àqueles que praticam boas obras; não àqueles que fazem penitências e sacrifícios. Diz o texto sagrado que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho para todo aquele que nele crer”. A condição única para nós sermos salvos, para nós obtermos a vida eterna, para nós irmos para o Céu, para que o nosso nome seja escrito no livro da vida é que creiamos em Jesus Cristo. Não há outro caminho; não há outra alternativa; não há outra porta; não há outra possibilidade para nós sermos salvo.
  1. A Salvação é grandiosa por causa do seu Livramento. Prossegue o texto sagrado: “porque deus amou o mundo de tal maneira…não pereça”. Jesus estar nos alertando acerca de um perigo enorme: perecer eternamente. O que é perecer neste texto? Não é apenas morrer fisicamente; não é apenas, como muitos imaginam, serem extintos, não. Jesus fala de uma condenação eterna, de trevas exteriores, de banimento para sempre da presença de Deus. Jesus fala de uma condenação eterna. Jesus fala de um fogo que não se paga, de um bicho que não para de roer. Jesus fala de choro e ranger de dentes. Jesus fala de inferno, de condenação para sempre. Aquele que não crer vai perecer. Cristo não morreu na cruz para que os incrédulos sejam salvos, para aqueles que se rebelam contra a graça de Deus sejam salvos, mas Cristo morreu na cruz para que todo aquele que nele crê não pereça.
  1. A Salvação é grandiosa por causa da Oferta que Deus oferece: “a vida eterna”.O texto sagrado termina dizendo: “porque Deus amou o mundo…tenha a vida eterna”. O que é a vida eterna? Não é apenas uma vida que nunca vai acabar, porque aqueles que vão para o inferno também nunca vão cessar de existir, com tormento. Vida eterna é muito mais que uma vida que nunca vai acabar: é uma qualidade superlativa excelente de vida, de santidade, de contentamento, de alegria, de pureza, que nunca vai terminar; é quando Deus vai enxugar de nossos olhos toda lágrima; é quando não haverá mais dor; é quando não haverá mais luta; é quando não haverá mais tristeza; é quando não haverá mais despedida; é quando não haverá mais velhice; é quando não haverá mais tropeço; é quando não haverá mais cortejo fúnebre; é quando não haverá mais cansaço; é quando estaremos com Deus e para Deus eternamente. Sem dúvida, a Salvação em Cristo é de uma grandeza sem par! Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande Salvação?
  1. UMA SALVAÇÃO NECESSÁRIA

Deus previu tudo que aconteceria na queda do homem e planejou exatamente a Salvação necessária antes da fundação da terra. Antes do primeiro pecado cometido no universo; antes da terrível crise provocada pelo homem rebelde, que fora feito à imagem e semelhança da Divindade, o Senhor planejou e proveu um meio de fuga das armadilhas e condenação do pecado. Nosso Deus não foi pego de surpresa. Ele já sabia que a queda aconteceria e pré-ordenou o plano perfeito para resgate do homem.

O plano de salvação de Deus é tão simples que o menor entre os filhos dos homens tem total condição de entendê-lo o bastante para se tornar participante dele, experimentando assim seu poder transformador. Ao mesmo tempo é tão profundo que nenhuma imperfeição jamais foi descoberta nele. De fato, os que o conhecem melhor ficam continuamente espantados com a ideia de que um e apenas um plano de Salvação seja necessário para satisfazer inúmeras carências espirituais em meio às variações quase ilimitadas das necessidades dos homens em cada etnia, cultura e situação entre as nações do mundo.

  1. Por intermédio da humanização do Redentor. O ponto nevrálgico do plano de Salvação de Deus se concentra no cargo e função de um mediador, ou seja, alguém que pudesse colocar-se entre um Deus ofendido e uma criatura pecadora e sem esperança, o homem. Esta é a posição que Cristo veio preencher em seu sacrifício substitutivo – “Porquanto há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Tm.2:5). Esta é a razão para a encarnação da Segunda Pessoa da divindade. A fim de ser o mediador para Deus, Ele deve ser Deus; a fim de representar a humanidade, Ele deve ser homem. A penalidade pelos pecados humanos, que precisava ser cancelada para que o homem pudesse ter comunhão com Deus, era a morte. Tendo em vista que Ele é Deus, não poder morrer, então, Jesus precisava ter um corpo (o espírito não morre); por isso, “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14).

Jesus, embora sendo Deus, aceitou se esvaziar e tornar-se homem como todos nós. Mesmo nunca deixando de ser totalmente Deus, foi tentado, sofreu, aprendeu e morreu. Em sua missão, caminhou ao lado dos pobres, restabeleceu a dignidade dos excluídos, e para resgatar escravos, enfrentou os processos geradores da morte. É certo que Jesus não buscava reconciliar Deus com os homens, mas nos reconciliar com o Deus Pai.

A humanização de Jesus foi completa, pois, se assim não fosse, não haveria como desempenhar a Sua função salvadora, porque “…visto como os filhos participam da carne e do sangue, também Ele participou das mesmas coisas, para que, pela morte, aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo, e livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão. Porque, na verdade, Ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão, pelo que convinha que, em tudo, fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo. Porque naquilo que Ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados…” (Hb.2:14-18).

  1. Por meio do sofrimento do Redentor.Era muito difícil para os discípulos, como os judeus até o dia de hoje, aceitarem a ideia de um Messias sofredor, que viesse a morrer. Para eles, o Messias seria o libertador de Israel, um guerreiro vitorioso, que mataria os inimigos e não que seria morto por eles. A rejeição de um Messias sofredor é tanta que nos chamados “cânticos do Servo”, passagens do profeta Isaías a respeito do “Servo do Senhor”, os comentários feitos pelos escribas em aramaico (os chamados “Targuns”), continham expressões e ensinamentos em que os sofrimentos mencionados nas referidas passagens eram transferidos aos inimigos de Israel, numa clara distorção do texto sagrado. Não nos esqueçamos, ademais, que eram estes “targuns” que compunham as pregações e explanações ao povo nas sinagogas, visto que poucos conheciam o hebraico do texto bíblico.

Assim, o fato de os discípulos não entenderem o que Jesus lhes dizia estava vinculada a esta ideia arraigada que tinham de que o Messias seria guerreiro vencedor, o Rei de Israel, de modo que a não compreensão dos discípulos era fruto da sua incredulidade, de sua recusa em abandonar os ensinamentos tradicionais pelo que Jesus lhes dizia. Não será por outro motivo que Jesus, já ressurreto, disse aos discípulos no caminho de Emaús que eles eram néscios e tardos de coração para crer em tudo o que os profetas disseram (Lc.24:25). Os discípulos agiram conforme a multidão que ouvira as parábolas do reino (Mt.13:13-15). Eles somente haveriam de compreender o que aconteceu, após os fatos, quando explicado pelo próprio Jesus, que lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras (Lc.24:45). As coisas espirituais discernem-se espiritualmente, não há outro modo de se entender as Escrituras Sagradas (1Co.2:12-16).

A Bíblia, que é a verdade, mostra claramente que os discípulos não entenderam o que Jesus lhes disse, mas também faz questão de mostrar que Jesus sempre declarou aos Seus discípulos que haveria de morrer e de ressuscitar. Não é sem propósito que, na cruz, uma das palavras que a multidão mais repetia em seus desafios e impropérios era o dito de Jesus de que, em três dias, derribaria e reconstruiria o templo (Mc.15:29,30), palavras que, só depois, os discípulos souberam que se referia à Sua morte e ressurreição (João 2:20,21).

Assim, durante o Seu ministério público, Jesus, mais de uma vez, disse claramente que morreria e ressuscitaria, algo que não foi compreendido pelos discípulos, mas que era de conhecimento de todos, tanto que os sacerdotes, após a morte de Jesus, sabendo destes ditos do Senhor, quiseram tomar precaução com relação ao Seu corpo (Mt.27:62,63).

Não era fácil convencer um judeu do primeiro século da ideia de um Messias sofredor, mesmo para os discípulos de Jesus. Como, então, assegurar que Jesus era superior aos anjos se Ele morrera em uma cruz? O autor de Hebreus usa o Salmo 8 para explicar esse aparente paradoxo (cf. Hb.2:4-9). Embora não tenhamos visto cumprido o que o salmista escreveu no Salmo 8, nós vemos Jesus. As palavras do salmo 8, que foram anteriormente aplicadas apenas aos homens, em Hebreus 2:7-9 são aplicadas ao Messias. Jesus tornou-se homem, feito um pouco menor do que os anjos. Ele foi o único que viveu a vida humana como planejada: sem pecado e em perfeita comunhão com Deus. Antes de Cristo, as palavras do Salmo 8 não tinham sido totalmente cumpridas em Cristo. Jesus não foi feito um pouco menor do que os anjos em sua categoria ou posição, mas Ele é descrito desta forma porque se tornou parte do mundo físico, isto é, enquanto vivia os limites da condição humana e experimentou o sofrimento advindo desse estado de humilhação.

Jesus, porém, é superior aos anjos em sua missão redentora. Os anjos, por um lado, são servos, sua missão para o homem como “espíritos ministradores” é “servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação (Hb.1:14). O Filho, por outro lado, é o Salvador; sua missão para o homem como “o Príncipe da salvação deles” (Hb.2:10) é “salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus” (Hb.7:25). Entretanto, como Salvador, a missão redentora do Filho envolvia tanto a humilhação como a glória. Toda nossa salvação se tornou possível mediante a morte, sepultamento e ressurreição de Cristo Jesus. Vindo a plenitude dos tempos, Jesus veio ao mundo (Gl.4:4) e, durante o Seu ministério terreno, deixou bem claro aos discípulos que era necessário cumprir o que havia sido profetizado, ou seja, de que Ele deveria morrer no lugar dos pecadores.

  1. Por intermédio da glorificação do Redentor.Na mente do autor da Epístola, Cristo não sofreu para ser glorificado, mas Ele foi glorificado porque sofreu. Por causa da vida perfeita de Cristo e de seu sacrifício pelos pecadores, Ele está agora coroado de glória e de honra. Cristo é digno de receber estas recompensas porque Ele sofreu a paixão da morte por nós.

“Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos” (Hb.2:9).

Os crentes destinatários da Epístola estavam desanimados por causa das perseguições e sofrimentos, e estas palavras do autor serviram de ânimo e consolo, não somente para eles, mas para todos os cristãos depois deles.

Por meio de uma explicação adicional sobre esta morte, o escritor aos Hebreus elaborou a sua frase: “Para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos” (Hb.2:9). Jesus viveu e morreu fisicamente. Jesus morreu por todos em todo o mundo, mas nem todos serão salvos. A única maneira de as pessoas serem salvas e de receberem o galardão de Deus é crerem “no Senhor Jesus Cristo” (At.16:31).

III. UMA SALVAÇÃO EFICAZ

  1. Vitória sobre o Diabo.Segundo o autor da Epístola aos Hebreus, para que a salvação se efetivasse, o Salvador precisava sofrer e morrer pelo ser humano. Somente por meio da morte na cruz, o Diabo, arqui-inimigo do ser humano, seria derrotado (Hb.2:14) – “E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que, pela morte, aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo”.

O pecado e a morte estão interligados: o pecado resulta na morte. Somente aniquilando primeiro o poder do pecado é que Cristo poderia então aniquilar o poder da morte. Ele realizou ambos através de sua morte e ressurreição. Através destes atos, Cristo deu o golpe final tanto em Satanás, quanto na morte. Embora Satanás ainda possua grande poder sobre este mundo, ele está mortalmente ferido. Deus permite que Satanás trabalhe, mas o limita (veja Jó 1:12; 2:6; Ef.4:27; 6:11; 1Tm.3:7; Tg.4:7; 1Pd.5:8,9). Satanás ainda está operando, mas um dia ele será, finalmente, destruído – “E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre” (cf. Ap.20:10).

Você quer ter vitória sobre o diabo e seus anjos? Ela advém do uso da Palavra do Senhor, que é a única arma ofensiva da armadura de Deus descrita em Ef.6:10-18. Somente podemos atacar o diabo e suas hostes espirituais nos utilizando das Escrituras. Jesus assim fez e foi vitorioso. Mesmo no momento mais crucial de Sua vida terrena, quando Se sentiu abandonado pelo Pai, Jesus recorreu à Palavra de Deus, pois a expressão “Deus meu, Deus meu, por que Me desamparaste?”, cantada em hebraico (tanto que o povo não a compreendeu), nada mais era que a recitação do Salmo 22. Até neste instante, Jesus não deixou de persistir fazendo a vontade de Deus, recorrendo, na inédita solidão, à Bíblia Sagrada, um exemplo que não podemos deixar de seguir.

Além das Escrituras, deve o cristão, para vencer as hostes espirituais da maldade, revestir-se de toda a armadura de Deus – “para que possa revestir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes”(Ef.6:13b). Resumidamente, esta armadura envolve:

  1. a) o Cinto da verdade. Quando o cristão pratica a verdade, vive uma vida em verdade, naturalmente afugenta o diabo, que é o pai da mentira (João 8:44). Ademais, a verdade é a Palavra de Deus (João 17:17) e, portanto, quando adotamos a verdade como critério de nossas vidas, estaremos nos utilizando das Escrituras e, por conseguinte, afugentando o adversário.
  1. b) a Couraça da justiça.O cristão é justificado pela fé e passa a ter paz com Deus. O pecado é iniquidade (1João 3:4), e uma vida de justiça é uma vida de equidade (Fp.4:5), fruto de uma vida de comunhão com Deus. O Senhor conhece o caminho dos justos(Sl.1:6), e a prática da justiça, que é o contrário da prática da iniquidade, faz-nos livres do poder do mal e nos permitirá entrar no reino de Deus(Mt.5:20). A iniquidade, isto é, a injustiça é algo próprio e peculiar ao diabo (Ez.28:15,18).
  1. c) calçados da preparação do Evangelho da paz.O cristão anda de acordo com as Escrituras, de acordo com a proposta das boas novas trazidas ao mundo por Cristo Jesus. Ele está preparado para pôr em prática aquilo que foi anunciado pelo Senhor e está em perfeita paz com o seu Senhor, justificado que foi pela fé. O crente é receptor da paz de Cristo(João 14:27) e a transmite aos outros, pois é um pacificador(Mt.5:9). Anuncia a salvação em Jesus (Mc.16:15,20) e, assim fazendo, afugenta o diabo, porquanto é um divulgador da verdade do evangelho, que é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (Rm.1:16,17). Com estes calçados, o cristão entra pela porta estreita, que o conduz à vida eterna(Mt.7:13,14).
  1. d) o Escudo da fé.Se confiarmos em Deus, se a Ele entregarmos a nossa vida(Sl.37:3,5), certamente não daremos lugar ao diabo para operar em nossa vida. Quando temos fé em Deus, confiamos na Sua Palavra, a dúvida não encontrará espaço em nossas vidas e, portanto, saberemos afugentar os dardos inflamados do inimigo. É por isso que a Bíblia nos diz que a justiça de Deus se descobre de fé em fé e que o justo viverá da fé (Rm.1:17). A fé é o combustível do veículo do crente na estrada que nos conduz ao céu.
  1. e) o Capacete da salvação.A nossa mente deve estar envolvida com a ideia da salvação. Devemos tudo fazer levando em conta qual o benefício disto para que alcancemos a redenção, a glorificação do nosso corpo. Em nossa mente, nunca devemos perder de vista que temos um objetivo, um alvo(Fp.3:11-14), que é o de perseverar até o fim para que completemos o processo de salvação de nossas almas(Mt.24:13).
  1. f) a Espada do Espírito.A Palavra de Deus é a arma ofensiva nos embates contra o diabo e seus anjos. Foi com a Palavra que Jesus afugentou o adversário. Esta armadura de Deus, entretanto, para que possa funcionar deverá ser acompanhada de vigilância e oração(Ef.6:18). Assim como o soldado tem de estar em boa forma física para que possa, com sucesso, desempenhar suas funções, principalmente os armamentos que estão à sua disposição, o cristão, para vencer a tentação contra o diabo e seus anjos, há de estar em boa forma espiritual, e a boa forma espiritual vem pela oração contínua e sem cessar. Um crente que não ora é como um soldado que está mal fisicamente falando: corre sério risco de ser abatido na peleja.
  1. Vitória sobre a morte.A morte é a situação mais difícil que o ser humano pode enfrentar. Ela é o terrível legado que herdamos dos nossos primeiros pais, que desobedeceram ao Criador no Éden (Gn.2:15-17; 3:19; Rm.5:12). É o pagamento indesejado que recebemos por ter pecado (Rm.6:23). É o fim para o qual caminhamos a passos largos (Ec.12:1-7). Mais do que isso, é o inimigo implacável que vem em nosso encalço para, no inevitável dia do encontro, nos deixar prostrados (Lc.12:20). É o último inimigo a ser aniquilado (1Co.15:26). É a arma poderosa usada por Satanás para manter os homens debaixo do jugo do medo (Hb.2:15). Contudo, para o verdadeiro cristão, a morte é “lucro”. Sabe por quê? Porque Jesus venceu a morte. Para o apóstolo Paulo a morte não era uma tragédia. Ele chegou a dizer: ”Para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro”(Fp.1:21). Para ele, morrer é partir para estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor (Fp.1:23). Ele desejava, preferencialmente, estar com o Senhor – “Desejamos, antes, deixar este corpo, para habitar com o Senhor”(2Co.5:8). Somente aqueles que têm o Espírito Santo como penhor (2Co.5:5) podem ter essa confiança do além-túmulo. O penhor do Espírito é uma garantia de que caminhamos não para um fim tenebroso, mas para um alvorecer glorioso. Caminhamos não para a morte, mas para a vida eterna, para habitação de uma mansão permanente. Os homens continuam a morrer, mas os que o recebem como Salvador tem a vida eterna, pois a morte não tem mais domínio sobre eles.
  1. Vitória sobre a tentação.Jesus tornou-se semelhante a nós em tudo (Hb.2:17), exceto na natureza pecaminosa – Jesus nunca compartilhou esta parte da humanidade (Hb.4:15;7:26). Somente desta forma Ele poderia oferecer um sacrifício para expiar os pecados do povo (Hb.2:17). Este sacrifício foi a sua vida.

“Pelo que convinha que, em tudo, fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo” (Hb.2:17).

Por ter assumido a natureza humana, e se identificado com os homens nos seus limites, Ele sabe o que é ser tentado e por essa razão está pronto a ajudá-los.

Para vencermos a tentação oriunda do diabo, é preciso que nos valhamos da Palavra de Deus. Jesus nos mostrou que as Escrituras são a principal arma contra o diabo. É assim que devemos resistir-lhe e, certamente, quando resistimos ao diabo, ele foge de nós (Tg.4:7).

Um dos principais fatores da queda do primeiro casal foi a falta de convicção e de conhecimento da Palavra de Deus por parte de Eva que, inclusive, acrescentou à proibição divina de não comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, a de não tocar naquele fruto, algo que não se encontrava na determinação de Deus. Isto nos mostra, claramente, que, ao contrário do que parece, a presença de mandamentos e de preceitos humanos, além dos contidos nas Escrituras, é um fator que facilita a operação satânica. Vejamos o exemplo dos fariseus, relatado pelo próprio Senhor, que mostra que a existência de mandamentos humanos em nada ajuda a preservação da santidade e da força espiritual, mas, bem ao contrário, é um fator que propicia a tentação, pois, assim fazendo, a pessoa poderá achar que tem condições de, por si só, sem Deus, alcançar a salvação, o que é absolutamente impossível ao homem.

CONCLUSÃO

A Salvação é oferecida ao homem como uma bênção grandiosa, e de forma gratuita. Porém, para Deus ela teve um preço, um altíssimo preço. Ela custou a vida de Seu único Filho, Jesus. Cristo feriu a cabeça da “Serpente” provendo a solução definitiva para o estado caído do ser humano. A peçonha do pecado que Satanás tentou passar à humanidade foi aniquilada pela morte redentora de Cristo. O Criador deseja que todo ser humano seja salvo (1Tm.2:3,4), apesar da condição de rebelado, de pecador e de inimigo de Deus. Qualquer pecador pode ser salvo aqui e agora, basta apenas arrepender-se de seus pecados e crer na suficiência da graça manifestada em Cristo Jesus (Rm.10:8-10).

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) – William Macdonald.

Revista Ensinador Cristão – nº 73. CPAD.

Pr. Caramuru Afonso Francisco. A Promessa da Salvação. PortalEBD_2007.

Pr. Antônio Gilberto. Soteriologia – a Doutrina da Salvação. CPAD.

Pr. Caramuru Afonso Francisco. Vitória nas Tentações. PortalEBD.

Publicado no Blog do Luciano de Paula Lourenço

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