Uma Salvação Grandiosa – Ev. Isaías de Jesus

Uma Salvação Grandiosa – Ev. Isaías de Jesus

Uma Salvação Grandiosa

TEXTO ÁUREO = “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos, depois, confirmada pelos que a ouviram.” (Hb 2.3)

VERDADE PRÁTICA = A salvação não é algo dado ao crente compulsoriamente. O cristão é exortado a ser vigilante e não negligente em relação a essa dádiva recebida.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Jo 10.9: Jesus deu testemunho de uma tão grande salvação

Terça – Hb 2.3: A Igreja Primitiva deu testemunho da salvação

Quarta – Hb 2.7,9: A salvação do homem tornou necessária a humanização do Redentor

Quinta – Hb 2.14: A eficácia da salvação é demonstrada na vitória sobre o Diabo

Sexta – Hb 2.15: A eficácia da salvação é demonstrada no triunfo sobre a morte

Sábado – Hb 2.18: A eficácia da salvação é demonstrada na vitória sobre as tentações

LEITURA BIBLICA EM CLASSE = Hebreus 2. 1-18

1 PORTANTO, convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas.

2 Porque, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda a transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição,

3 Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram;

4 Testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade?

5 Porque não foi aos anjos que sujeitou o mundo futuro, de que falamos.

6 Mas em certo lugar testificou alguém, dizendo: Que é o homem, para que dele te lembres? Ou o filho do homem, para que o visites?

7 Tu o fizeste um pouco menor do que os anjos, De glória e de honra o coroaste, E o constituíste sobre as obras de tuas mãos;

8 Todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés. Ora, visto que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou que lhe não esteja sujeito. Mas agora ainda não vemos que todas as coisas lhe estejam sujeitas.

9 Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos.

10 Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles.

11 Porque, assim o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos,

12 Dizendo: Anunciarei o teu nome a meus irmãos, Cantar-te-ei louvores no meio da congregação.

13 E outra vez: Porei nele a minha confiança. E outra vez: Eis-me aqui a mim, e aos filhos que Deus me deu.

14 E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo;

15 E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão.

16 Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão.

17 Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo.

18 Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados.

HINOS SUGERIDOS: 35,156, 542 da Harpa Cristã

INTRODUÇÃO

Portanto, uma salvação superior (2.1-4). A verdadeira preocupação da epístola agora está clara: visto que o Salvador é mais do que um anjo — o Filho — é duplamente imperativo atentar, com mais diligência, para as coisas que já temos ouvido. Podemos até estar desatentos à conversa de um vizinho, mas certamente prestaríamos muita atenção se estivéssemos diante de um importante governante. Assim, se valorizamos a nossa alma, somos constrangidos a atentar cuidadosamente para o evangelho que enaltece a majestade e importância da Pessoa que apresenta.

O tempo presente do verbo atentar sugere a necessidade de cuidado continuado e vigilante. Caso contrário, estamos correndo o risco de passar despercebidos por essas verdades do evangelho. Para que, em tempo algum, nos desviemos delas. Afigura é de um barqueiro descuidado e preguiçoso correndo o risco de passar pelo porto seguro e ser levado pela correnteza. A frase em tempo algum é melhor traduzida por “jamais” (NVI) ou “de maneira alguma” (NT Amplificado). Há muitas maneiras de os cristãos correrem o risco de ser levados pela correnteza.

A exortação está baseada em uma lógica simples: se a palavra dos anjos era firme (2; com autoridade e unida) e colocava seus destinatários debaixo de uma punição justa (apropriada) pela desobediência, como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?  Desprezar a lei mediada pelos anjos era uma coisa grave, mas desprezar (por negligência) a salvação mediada pelo Filho, que foi entregue aos homens por meio de acontecimentos e evidências comprovados, era muito mais grave ainda.

Estas evidências eram tão válidas quanto aquelas que confirmavam a entrega da lei no monte Sinai (cf. 12.18-29). Esta salvação, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi depois, confirmada pelos apóstolos e outros discípulos; e seu testemunho foi apoiado pelo testemunho do próprio Deus, por sinais, e milagres, e várias maravilhas, e dons do Espírito Santo — “e com vários poderes e distribuições do Espírito Santo” (Mueller) — por sua vontade.

Os versículos 1-4 podem servir como texto-base para uma pregação. Este texto pode ser aplicado aos não-salvos, mas sua relevância primária é para os cristãos e sua aplicação é poderosa. Acompanhe o desenvolvimento abaixo.

“A Grandeza da Salvação”. Tão grande sugere a magnitude inexprimível (cf. 2 Co 1.10; Ap 1.18). Sua grandeza é vista:

1) No Senhor que a deu (v. 3b) — sua pessoa, seu poder e sua paixão.

2) Nos acontecimentos sobrenaturais que lhe serviram de berço (v. 4).

3). Na gravidade excessiva do perigo do qual ela nos liberta — do pecado com sua culpa, poder, contaminação e punição eterna (7.27).

No “Perigo da Negligência” vemos que: 1) Os cristãos estão em perigo de negligenciar esta tão grande salvação a) porque ela ainda é, em grande parte, invisível e espiritual,

a) por causa das influências perversas do mundo ao nosso redor, a) por causa da tendência incrédula da mente carnal dentro do homem. 2) Os cristãos estão correndo o risco de negligenciar a salvação ao a) ignorar os recursos da graça, b) falhar em compartilhar o evangelho, c) negligenciar em obter a completa salvação do pecado interior.

“A Impossibilidade do Escape” sugere: 1) O perigo de atrofia espiritual que a negligência traz. 2) A ira divina em consequência da negligência (veja contexto; também 6.4- 6; 10.23-31; 12.12-29).

  1. O Destino do Homem (2.5-8)

Começando com o versículo 5, observamos uma transição na exposição acerca da pessoa e propósito de Jesus, com uma ênfase agora não na sua filiação herdada, mas no significado e propósito da encarnação. Jesus não deve ser identificado com os anjos ou como um anjo. Ele deve ser identificado com os homens.

a) O mundo futuro (2.5).A cláusula de que falamos claramente liga a “grande salvação” (v. 3) e a presença de Jesus “à destra” do Pai com a futura “habitação terrena” (Mueller). Ela também sugere um escopo atemporal do tema e da abordagem de toda a epístola. O evangelho de Jesus Cristo não é apenas relevante para a era presente, mas é a chave para as eras vindouras, incluindo os novos céus e a nova terra. Este mundo-terra purificado e emancipado, que é o alvo de toda a história, Deus não sujeitou aos anjos.

b) O seu Governante apontado (2.6-8b).A citação de Salmos 8.4-6 revela o lugar do homem no plano de Deus. Fisicamente, em relação ao universo, ele é insignificante; então, por que Deus deveria se lembrar dele? (v. 6). Tanto em posição quanto em poder ele é inferior aos anjos, mas somente temporariamente (o gr. do versículo 7 indica “por um breve tempo” — Mueller).

Apesar de sua pequenez física e sua posição inferior, Deus o coroou de glória e de honra e todas as coisas lhe sujeitou debaixo dos pés (8a). A extensão do domínio predestinado do homem abrange tudo: nada deixou que lhe não esteja sujeito (8b).

A comissão do homem de sujeitar e governar esta terra como representante de Deus foi concomitante com a criação (Gn 1.26-29).

Sua tentativa de conquistar a ordem da natureza, consequentemente, não desagrada a Deus, porque faz parte da sua atribuição inicial. Mas essa atribuição era tanto espiritual quanto material, e, portanto, ir em busca do material em detrimento, ou mesmo rejeição, ao espiritual, é pecado. Além disso, de acordo com muitos teólogos, a atribuição do homem era conquistar o reino de Satanás. O homem foi criado para neutralizar o Diabo, diz Oswald Chambers.15 Fica claro em Hebreus que a comissão do homem era, e é, de magnitude cósmica e eterna.

c) Sua impotência atual (2.8c).Mas o domínio do homem fracassou até aqui, porque ainda não vemos que todas as coisas lhe estejam sujeitas. Algumas coisas o homem tem dominado muito bem, mas no reino espiritual ele tem falhado tristemente. Seu fracasso não foi em decorrência da imaturidade ou tempo insuficiente, mas devido a uma catástrofe interferente. Os que foram projetados para ser dominadores de Satanás se tornaram seus cativos.

  1. Cumprido em Jesus (2.8c-9)

Há uma nota tranquilizadora de esperança na frase ainda não. A tarefa não foi cancelada; ela ainda será cumprida. Mas não por meio dos recursos do primeiro Adão, porque estes estão falidos. Podemos não ver o homem como conquistador agora, mas vemos […] Jesus, o segundo Adão, por meio de quem uma raça redimida terá não somente uma segunda chance mas um sucesso completo. Esta declaração tão clara é o primeiro uso do nome Jesus.

Até este ponto a referência, embora inequívoca, tinha sido encoberta; agora toda alusão indireta é deixada de lado e o nome sacro anunciado. Pilatos colocou uma coroa de espinhos e um manto de púrpura em Jesus, e disse: “Eis aqui o homem” (Jo 19.5). Mas nem Pilatos nem a multidão realmente o viram. Eles olhavam com olhos que não podiam ver. Agora o autor de Hebreus dirige o olhar deles para Jesus de uma maneira similar e com um intenso desejo de que vejam com uma visão mais clara do que Pilatos ou os judeus em Jerusalém.

O que Pilatos proclamou sem compreender, esta epístola grifa com ênfase: Eis aqui o Homem! Aquele que era co-igual com o Pai antes da criação do mundo, fora feito um pouco menor (por um breve período) do que os anjos.

A honra que o homem perdeu cumpre-se abundantemente neste Homem, porque Ele é agora coroado de glória e de honra, à destra do Pai, diante dos anjos e nos corações dos seus discípulos. Mas a coroação foi por causa (dia com acusativo) da paixão da morte.

A morte vergonhosa de Jesus tornou-se um embaraço para os Hebreus; mas eles precisam entender que este ato foi, na verdade, a glória dele e a esperança deles. Sua morte não foi um erro trágico, mas originada na graça de Deus, em sua determinação compassiva de prover redenção. Seus benefícios são por todos (“para cada indivíduo” — NT Ampl.).

Isto certamente exclui uma expiação limitada ou qualquer sistema que busca separar o mérito da sua morte em graça comum e graça salvadora; por todos implica uma igualdade universal. Além disso, para que não se faça nenhuma tentativa de desvalorizar a experiência da morte do nosso Senhor ao interpretar erroneamente a palavra provasse, deve-se salientar que esta mesma palavra é usada em Mateus 16.18, Marcos 9.1, Lucas 9.27 e João 8.52, em que a força plena da morte humana, inteiramente experimentada, é inferida. Dods diz: “…de fato experimentando a amargura da morte”.

No entanto, embora a morte seja real, ela não é um substituto legal exato, em que se obtém a redenção absoluta de todos os homens; sua morte foi por (“em favor de”, hyper com ablativo), i.e., Ele morreu para tornar possível a salvação de todos, ou seja, um substitutivo em um sentido ético em vez de legal.

  1. O Propósito da Encarnação (2.10-18)

A nítida declaração do propósito de Deus é dada no versículo 9, mas agora o autor expande sua tese. A explanação é dupla e é encontrada na repetição de hina (“para que”) no texto grego, traduzido da seguinte forma: a) para que, pela morte, aniquilasse Satanás e libertasse seus subordinados e b) para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote. Mas o autor primeiro estabelece a argumentação a favor da encarnação como uma base necessária para o cumprimento destes dois objetivos.

a) O tipo de Salvador necessário (2.10-14a).Atarefa é trazer muitos filhos à glória, i.e., à plena semelhança de Cristo e à plena consumação da redenção deles no céu. Mas para que isto pudesse ocorrer, o Príncipe da salvação deles precisava ser aperfeiçoado, pelas aflições. Isto não se refere ao aperfeiçoamento da santidade pessoal do nosso Senhor, mas às suas qualificações como Príncipe e primeiro da fila (cf. 12.2, em que a mesma palavra é traduzida por “autor”). Ele é tanto Salvador quanto Exemplo.

Ele vai adiante de nós, não somente mostrando o caminho para a glória, mas limpando e construindo o caminho. Obviamente ao fazê-lo Ele precisa passar pela severidade e por privações. Em sua própria pessoa Ele precisa enfrentar o inimigo e conquistá-lo. Somente assim pode ser feito um caminho seguro para aqueles que seguem. Este não é um Príncipe que lidera da retaguarda e permite que seus homens lutem e morram.

Ele é Alguém que vai adiante e luta e morre ele mesmo, para que seus seguidores possam viver e estar assegurados da vitória. Esta imposição de sofrimento não é cruel ou irracional, indigno de um grande Deus; em vez disso, convinha que aquele, para quem são todas as coisas e mediante quem tudo existe, fizesse assim. O plano da salvação é para a glória do próprio Deus, cuja sabedoria e graça eterna o planejou.

O termo aflições (no plural) sugere que o Calvário não se refere apenas ao único ato da crucificação mas às muitas formas de sofrimento que pertencem ao homem como homem, e às inúmeras aflições que nosso Senhor conheceu desde a manjedoura até a cruz.

Sua realeza conosco é dupla:

a) Somos santificados por Ele e, desta forma, feitos à sua semelhança, e conduzidos a uma unidade e comunhão maravilhosa baseadas na semelhança moral,

b) Porque, assim o que santifica como os que são santificados, são todos de um; i.e., eles têm um Pai. Jesus, o Deus-homem, pela encarnação, agora compartilha com o homem a paternidade de Deus como Criador; ao santificar seus próprios discípulos, Ele compartilha com eles a santidade do Pai. Uma semelhança familiar é, por meio disso, estabelecida. Esta semelhança com Deus por intermédio da santificação é o significado mais profundo da filiação no NT.

Por causa desta semelhança familiar estabelecida a) pela sua própria participação na natureza humana e b) pelo seu partilhar da natureza santa, Ele não se envergonha de lhes chamar irmãos.

Para provar esta afirmação, o autor cita Salmos 22.22 e retira duas breves frases de Isaías 8.17-18.20 Então segue a conclusão: Visto que os “filhos” e os “irmãos” participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas.

A palavra participam (perfeito de koinoneo, “ter em comum”) é clara e forte, significando que os irmãos são participantes mútuos e companheiros no sofrimento de sua situação humana; seria, portanto, inconcebível para o seu Príncipe ser uma criatura sobre-humana e distante, desligada da estrutura humana e não envolvido na agonia da vida.

b) O propósito da sua morte (2.14b,15).O Logos tornou-se homem para que pudesse morrer; Ele morreu para que pudesse aniquilar o que tinha o império da morte, isto é, o diabo. Foi por meio da sua morte (dia com o genitivo) que Jesus foi habilitado a destruir o Diabo. Sua morte não foi casual, mas indispensável e dinâmica. As duas perguntas surgem ao mesmo tempo.

Em que sentido Satanás detinha o império da morte? Hebreus deixa claro que a morte de Jesus não tinha que ver somente com o homem e seu pecado mas com Satanás e seu poder.  Satanás não era para ser visto como um símbolo mitológico do mal, mas como uma pessoa com poder e autoridade, cujo reino das trevas competitivo estava profundamente envolvido no caos primitivo, na situação desagradável do homem, e, portanto, no propósito da encarnação e crucificação.

E difícil determinar até que ponto Satanás detinha poder sobre a morte. Isso deve ter incluído a morte do homem (v. 15) e está claro que este poder tem um final terrível e inescapável à parte da morte conquistadora de Cristo. A identificação cuidadosa desta pessoa como diabolos, o Acusador, pode sugerir que, como promotor, ele tinha o direito legal de exigir a morte como castigo pelo pecado do homem. Devemos lembrar que Deus e Satanás são governantes oponentes na luta pela vida e morte, e que o pecado do homem deu a Satanás uma vantagem real.

Esta vantagem pode ter sido uma exigência para que o castigo pelo pecado divinamente ameaçador fosse exigido por completo. Mas exigi-lo por completo seria um fracasso ignominioso com a raça humana; ao passo que falhar em exigir o castigo da morte por completo seria uma rendição da integridade santa de Deus em virtude de uma palavra quebrada (1 Co 15.56).

O pecado do homem colocava seu Criador numa situação embaraçosa e dava a Satanás uma base legal para pressionar o direito do fracasso, ou em relação ao homem ou em relação à integridade de Deus. Satanás não percebe uma terceira alternativa, mas exulta porque qualquer uma das duas situações embaraçosas vai trazer desonra para Deus diante dos anjos e demônios.

Outros vêem o poder da morte de Satanás não como o poder de um promotor que acredita que defende uma causa imbatível, mas como o poder legal de um executor; i.e., Satanás obteve de maneira legal o direito de matar. Eric Sauer vê a queda de Satanás como a origem da morte e a explicação da introdução da morte na ordem natural do mundo, muito antes da criação do homem. Neste ponto de vista, o pecado do homem trouxe a raça humana para debaixo do poder da morte de Satanás. Guerras, fome e pragas poderiam estar entre os artifícios de Satanás para destruir.

Em que sentido o Acusador foi “destruído” por meio da morte de Jesus? A palavra vem de katargeo, “anular, libertar”. Satanás não foi aniquilado, mas seu poder foi quebrado e cancelado legalmente, de uma maneira completa e final (aoristo do subjuntivo). Havia uma terceira alternativa para esta situação embaraçosa que Satanás não conseguiu prever. A encarnação seduziu Satanás a derrotar-se com a sua própria arma. Ao matar Jesus, ele perdeu seus direitos legais, porque matou Aquele que não havia pecado! E por meio da ressurreição, o poder da morte foi terminantemente quebrado. Se Adão deu a Satanás a vantagem na batalha cósmica, Cristo desfez esta vantagem, e a vantagem voltou de uma vez por todas para Deus. Se Adão vendeu a raça humana como escrava a Satanás, Cristo a comprou. Reconhecidamente, isto tem que ver com a teoria da redenção, descartada há muito tempo pela Igreja como fantasiosa e primitiva.

Mas algumas dessas idéias aparecem de maneira inequívoca nesta passagem das Escrituras — e em diversos textos em todo o NT.

Mas no versículo 15 encontramos a segunda metade da cláusula hina (com medo da morte). Cristo morreu não só para que o Diabo fosse destruído, mas para que livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão. Gramaticalmente, estes dois propósitos estão coordenados, mas na experiência humana o medo da morte do homem deve ser relacionado com o império da morte de Satanás; portanto, a destruição do poder de Satanás seria em si mesmo o motivo — ou pelo menos um motivo parcial — para a libertação das vítimas de Satanás. E uma libertação completa da servidão que era resultado do seu vitalício medo da morte. Este é um tipo de escravidão deplorável, um terrível medo de morrer, que algema toda a raça humana.

A servidão é quebrada pela libertação do medo. Os crentes em Jesus sabem que a morte foi conquistada pela própria morte e ressurreição de Cristo. Por isto, a) “o aguilhão da morte”, que é o “pecado” (1 Co 15.56), foi removido pela expiação; portanto, a base da acusação de Satanás foi cancelada (Ap 12.10-11), e o julgamento após a morte não precisa ser temido, b) A ressurreição de Cristo garante a ressurreição dos crentes em Cristo; conseqüentemente, uma esperança confiante e alegre desaloja o presságio tenebroso do domínio de Satanás. Portanto, eles não precisam mais viver com medo de Satanás, c) O poder da morte foi tirado de Satanás para que não pudesse matá-los antes da sua hora. Hoje, os crentes em Cristo vivem na certeza de que suas vidas estão nas mãos de Deus.

c) Um sacerdócio pleno (2. 16-18).A Encarnação foi necessária, não só para que Jesus fosse aperfeiçoado pelo sofrimento e morte como Salvador, mas para que também fosse aperfeiçoado como Sumo Sacerdote. Como Salvador, Ele liberta do poder de Satanás; como Sumo Sacerdote, ele liberta da justa condenação de Deus. Os mesmos passos na argumentação usada nos versículos 9-15 são agora retomados, mas de forma resumida. Primeiro, sua humanidade é reafirmada, desta vez especificamente como israelita. Ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão.

Se Ele tivesse sido um anjo não poderia ter realizado o tipo de ministério sacerdotal descrito em Hebreus. A humanidade universal sozinha também não teria sido suficiente; Ele precisava ser hebreu. Jesus era alguém da sua própria raça. Pelo que, i.e., por essa razão, era apropriado que fosse semelhante aos irmãos em todas as coisas. Teria sido incongruente para Ele ter descido do céu como o Leão da tribo de Judá, em pleno esplendor messiânico, como alguns judeus imaginavam. Este tipo de pessoa estaria afastado demais dos israelitas e seus pecados e necessidades para poder ajudá-los de forma sacerdotal. Somente alguém semelhante a eles, que compartilhasse plenamente dos seus sofrimentos, poderia tornar-se um misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus.

Há dois aspectos do ministério sacerdotal de Cristo: o divino e o humano, o propiciatório e o pastoral.

(1) O propiciatório (2.17c).

Uma das tarefas principais do sumo sacerdote é propiciar o santo Deus ao lidar honesta e adequadamente com o problema do pecado. Nenhuma adoração que ignora o pecado é aceitável. A mancha da alta traição deve ser removida antes que a comunhão e a fraternidade possam ser estabelecidas entre o Soberano e seus subordinados. Este é o ofício do Mediador — representar Deus diante do traidor que está voltando e o traidor diante de Deus, e executar as condições de perdão especificadas pelo Soberano. Este certamente era um conceito familiar para os Hebreus, embora continue sendo um conceito de difícil compreensão para as mentes ocidentais. Este Mediador entre Deus e o homem é Jesus. Seu primeiro ofício como um Sacerdote misericordioso e fiel é expiar os pecados do povo. A palavra expiar (“reconciliação” na KJV), hilaskesthai, neste caso significa satisfazer pessoalmente as exigências justas em favor de outra pessoa.

Deus é propiciado (satisfeito) por esta expiação; portanto uma reconciliação pode estar baseada nela. Não é uma expiação das pessoas mas dos pecados das pessoas. E, portanto, uma anulação ou perdão dos pecados, e os pecadores são conseqüentemente libertos da culpa e da condenação. Esta é uma referência clara à função justificadora do sacerdote e não ao ministério de santificação. O povo forma o grupo de adoradores, não os descrentes ou os impenitentes; pecados são todas as violações, conhecidas ou desconhecidas.

(2) O pastoral (2.18). A conjunção coordenativa Porque igar) volta ao aspecto da semelhança do nosso Senhor com os seus irmãos (v. 17). Pois Ele não é apenas apto como Sumo Sacerdote para expiar pecados, mas para socorrer aos que são tentados, pois Ele mesmo padeceu, sendo tentado. O autor continua vindicando o plano divino que requer um Messias sofredor. Jesus sofreu, como homem, todas as vicissitudes da vida. Ele não só sofreu a terrível experiência da morte, mas também a luta de um ser moral. Ele enfrentou a tentação e suas lutas ferozes bem como os contratempos da vida e a dor da morte. Ele lutou na arena moral da humanidade.

E suas batalhas não foram falsas. Ele não estava lutando com um pugilista contratado para treinar. Sendo tentado, padeceu. E isto fazia parte do seu aperfeiçoamento como Príncipe e Sacerdote — porque como poderia um Sacerdote realmente compartilhar dos sentimentos do seres humanos se não tivesse passado pelas mesmas coisas que eles passaram? Mas visto que entende por ter passado pela experiência, Ele pode socorrer — i.e., ajudar aqueles que clamam por socorro (cf. 13.6; também Mt 15.25; Mc 9.22, 24; At 16.9; 21.28; 2 Co 6.2; Ap 12.16).

 

Por: Evangelista Isaias Silva de Jesus (auxiliar)

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

 

Bibigrafia

Comentario Bíblico Beacon CPAD – Hebreus a Apocalipse

Publicado no Blog do Ev. Isaías de Jesus

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