Uma Promessa de Salvação – Pr. Luiz Henrique

Uma Promessa de Salvação – Pr. Luiz Henrique

Lição 1, Uma Promessa de Salvação

4º Trimestre de 2017 – Título: A Obra da Salvação – JESUS CRISTO é o Caminho, e a Verdade e a Vida

Comentarista: Pr. Claiton Ivan Pommerening, Assembleia de DEUS de Joinvile, SC

Complementos, Ilustrações e Vídeos: Pr. Luiz Henrique de Almeida Silva – 99-99152-0454

Ajuda – http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/salvacao1.htm http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/salvacao.htm http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/porque_a.htm  (Por Que A Cruz?) http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao2-mgr-2tr16-a-necessidade-universal-da-salvacao-em-cristo.htm http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao13-ist-3tr15-a-manifestacao-da-graca-salvadora.htm http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao8-1cj-anossaeternasalvacao.htm http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao9-1cj-ocrenteeasbencaosdasalvacao.htm http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao9-vc-salvacao-oplanodedeusparaaredencaohumana.htm

FIGURAS DA LIÇÃO – https://ebdnatv.blogspot.com/2017/09/figuras-licao-1-uma-promessa-de.html https://ebdnatv.blogspot.com/2017/09/escrita1-licao-1-uma-promessa-de.html

TEXTO ÁUREO
“E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Gn 3.15).

VERDADE PRÁTICA
A promessa da salvação foi a resposta amorosa de DEUS para reconciliar consigo mesmo o ser humano.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Gn 3.1-3 A liberdade para escolher
Terça – Gn 6.5-7 A tragédia da raça humana
Quarta – Gn 12.3 O plano de salvação para a humanidade
Quinta – Is 51.4,5 A salvação e a justiça vêm do justo Senhor
Sexta – Lc 4.18,19 JESUS, o Salvador da humanidade
Sábado – Ef 2.8 A salvação é dom de DEUS

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE – OBJETIVO GERAL – Mostrar que a promessa da salvação foi a resposta amorosa de DEUS para reconciliar consigo o ser humano.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Apresentar o conceito bíblico de salvação;

Mostrar a importância da doutrina da salvação;

Saber que a salvação foi prometida ainda no Éden.

 

PONTO CENTRAL – A promessa da salvação é a resposta amorosa de DEUS para salvar a humanidade pecadora.
Resumo da Lição 1, Uma Promessa de Salvação

I – O CONCEITO BÍBLICO DE SALVAÇÃO

1. O conceito.

2. Salvação no Antigo Testamento.

3. Salvação em o Novo Testamento.

II – A IMPORTÂNCIA DA DOUTRINA DA SALVAÇÃO

1. A grandeza da salvação.

2. Para compreender o que JESUS fez. 3. Para se apropriar dos benefícios da salvação.

III – A SALVAÇÃO PROMETIDA NO ÉDEN 1. O pecado humano.

2. A transferência da culpa.

3. Satanás esmagado e o pecado vencido.

SÍNTESE DO TÓPICO I – O conceito bíblico de salvação diz respeito da redenção da humanidade.

SÍNTESE DO TÓPICO II – A doutrina da salvação abrange todas as dimensões da vida.

SÍNTESE DO TÓPICO III – A salvação nos foi prometida pelo Pai no Éden.

PARA REFLETIR – A respeito de uma promessa de salvação, responda:

Qual é o conceito bíblico para salvação?
O significado bíblico de salvação compreende cura, redenção, remédio, completude, inteireza, integralidade, saúde física, mental e emocional. No sentido espiritual, salvação quer dizer que CRISTO fez a expiação pelo pecador, ocupando o lugar dele na cruz (passado), regenerando e santificando sua vida (presente), a fim de um dia “glorificar” o corpo dele plenamente (futuro).
Como se concebia a salvação no Antigo Testamento?
No Antigo Testamento, a salvação está relacionada ao escape das mãos dos inimigos, à libertação da escravidão e ao estabelecimento de qualidades morais e espirituais para a vida de quem tem DEUS como seu Senhor (Is 33.22-24).
Qual é a abrangência da salvação?
A salvação abrange todas as dimensões da vida, por isso, embora tão simples de ser vivenciada, pois para isso basta aceitarmos a CRISTO (Rm 10.10), muitas vezes seu processo é lento e requer compreensões maiores.
Qual foi a promessa de salvação que DEUS fez no Éden?
DEUS prometeu que enviaria a Semente da mulher (JESUS) e que esta Semente feriria a cabeça da serpente (Satanás), mostrando que JESUS viria ao mundo e morreria na cruz por nossos pecados.
Qual deve ser nossa postura diante da tão grandiosa salvação de JESUS?
Crer no sacrifício de CRISTO e se render a Ele como Salvador e Senhor.
CONSULTE – Revista Ensinador Cristão – CPAD, nº 72, p. 36

Resumo rápido do Pr. Henrique   I – O CONCEITO BÍBLICO DE SALVAÇÃO

1. O conceito. Segundo a tradução do grego Coinê: O grego que interessa ao estudante do Novo Testamento e o assim chamado grego “coinê”, coinê e a forma feminina do adjetivo grego “coinós” que aqui é usado no sentido comum das palavras. É O GREGO COMUM, FALADO PELO POVO EM GERAL. SOZO – O significado desta palavra abrange vários aspectos em nossas vidas.
A palavra grega Sozo pode ter varias definições para a nossa língua.
Ela se refere ao lado espiritual do homem, como também o seu lado físico, ou seja ela tem o significado de curar o corpo e a alma, e salvar do pecado, ou a salvaçao espiritual do homem.
Em fim ela abrange tudo que se refere a salvação: pode ser de uma enfermidade, de um pecado, de um livramento, como guardar, ou salvar.
Essa fontes foram tiradas do livro : Novo Testamento Interlinear- grego -português. Salvação no original é SOZO, um terno grego de grande abrangência, não é somente “uma salvação”, mas é salvação em todas as áreas da vida: salvação da alma, corpo e espírito.Salvação inclui perdão dos pecados, passado, presente e preservação contra as invasões do pecado no futuro.
Para entendermos salvação precisamos entender a história da criação e do homem. DEUS criou o homem perfeito, à Sua imagem e Semelhança O criou; o homem não foi criado para suportar o pecado, ao homem foi dado domínio sobre todas as coisas, mas o homem pecou e o pecado o afastou de DEUS; e por um homem (Adão) ter pecado, todos pecaram, e já estão destituídos da glória de DEUS, então o destino do homem é inferno, Depois, Lago de fogo e enxofre. (Gn 1:26-28; Rm 3:23; Ap 20.15)
Mas DEUS, na Sua infinita graça, e misericórdia, arquitetou um plano para resgatar este homem, para regenerar o seu espírito à Sua imagem e semelhança para restaurar o homem – a salvação por intermédio de CRISTO JESUS.
SOZO é salvação neste tempo passado.
SOZO é salvação neste tempo presente – hoje – já. Pela Palavra vemos que CRISTO é o Autor e Consumador da nossa fé. Hb. 12:2
SOZO é salvação neste tempo futuro.
Através do derramamento de Seu sangue, na Cruz do Calvário, nos deu direito à salvação, aquele que O aceitar, O confessar com a boca e crer em seu coração será salvo. (Rm. 10:9.)

SALVAÇÃO – Dicionário Strong – σωτηρια soteria
1) livramento, preservação, segurança, salvação
1a) livramento da moléstia de inimigos
1b) num sentido ético, aquilo que confere às almas segurança ou salvação
1b1) da salvação messiânica
2) salvação como a posse atual de todos os cristãos verdadeiros
3) salvação futura, soma de benefícios e bênçãos que os cristãos, redimidos de todos os males desta vida, gozarão após a volta visível de CRISTO do céu no reino eterno e consumado de DEUS.
Salvação quádrupla: salvo da penalidade, poder, presença e, mais importante, do prazer de pecar. (A.W. Pink)

2. Salvação no Antigo Testamento. Tinha mais uma conotação de salvar de algo mal e não do pecado. Salvar da escravidão do Egito. Salvar de ser destruido pelo exército inimigo. Salvar de uma traição ou de uma calamidade ou de uma doença. Poucos, como, por exemplo, Abraão, Davi e Isaías, tiveram uma noção mais clara sobre salvação do pecado.

3. Salvação em o Novo Testamento. Somos justificados pela fé, Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com DEUS, por nosso Senhor JESUS CRISTO (Rm 5.1; e já não existe nenhuma condenação, PORTANTO, agora nenhuma condenação há para os que estão em CRISTO JESUS… (Rm 8.1); temos salvação e gozamos de vida eterna, E o testemunho é este: que DEUS nos deu a vida eterna e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o filho de DEUS não tem a vida. Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes no nome do Filho de deus, para que saibais que tendes a vida eterna…(1 Jo 5.11-13)
O homem pode ter existência física e não possuir vida eterna. Vida eterna é uma condição de vida de comunhão com DEUS que não sofre solução de continuidade quando ocorre a morte física. A vida eterna nos é concedida como resultado da aceitação de CRISTO como Salvador único e pessoal.

II – A IMPORTÂNCIA DA DOUTRINA DA SALVAÇÃO

1. A grandeza da salvação.   Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; Efésios 1:4

ANTES DA FUNDAÇÃO DO MUNDO QUER DIZER QUE PARA DEUS NÃO HÁ PASSADO, PRESENTE, OU FUTURO – ELE JÁ VIU E OUVIU TUDO ANTES, AGORA E NO FUTURO, O QUE VAI ACONTECER NO MUNDO. JÁ PROVIDENCIOU TUDO QUE ERA NECESSÁRIO PARA SALVAR O HOMEM, ANTES MESMO DO HOMEM EXISTIR.

O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós; 1 Pedro 1:20
Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; Efésios 1:4
Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo. João 17:24
E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo. Apocalipse 13:8
Para que desta geração seja requerido o sangue de todos os profetas que, desde a fundação do mundo, foi derramado;Lucas 11:50
Para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta, que disse: Abrirei em parábolas a minha boca; Publicarei coisas ocultas desde a fundação do mundo. Mateus 13:35
Porque nós, os que temos crido, entramos no repouso, tal como disse:Assim jurei na minha ira Que não entrarão no meu repouso; embora as suas obras estivessem acabadas desde a fundação do mundo. Hebreus 4:3
Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; Mateus 25:34
De outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. Hebreus 9:26
A besta que viste foi e já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição; e os que habitam na terra (cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo) se admirarão, vendo a besta que era e já não é, ainda que é.Apocalipse 17:8
Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta.Jeremias 1:5
Antes que estivesse de parto, deu à luz; antes que lhe viessem as dores, deu à luz um menino. Isaías 66:7

2. Para compreender o que JESUS fez. Salvação é uma milagrosa transformação espiritual, operada na alma e na vida — no caráter — de toda a pessoa que, pela fé, recebe JESUS CRISTO como seu único Salvador pessoal (Ef 2.8,92 Co 5.17Jo 1.123.5). Observe as afirmações bíblicas “é nova criatura” (conversão) e “tudo se fez novo” (nova vida, novo e íntegro caráter). Não se trata apenas de livramento da condenação do inferno; a salvação abarca todos os atos e processos redentores, bem como transformadores da parte de DEUS para com o ser humano e o mundo (isto é, a criação), através de JESUS CRISTO, nesta vida e na outra (Rm 13.11 I; Hb 7.252 Co 3.18Ef 3.19). Pessoalmente — isto é, em relação à pessoa —, a salvação que CRISTO realiza abrange: a regeneração espiritual do crente, aqui e agora (Tt 3.52 Co 3.18); a redenção do corpo do crente, no futuro (Rm 8.23I Co 15.44); e a glorificação integral do crente, também no futuro (Cl 3.4Ef 5.27).

3. Para se apropriar dos benefícios da salvação.

DESTINADOS PARA A SALVAÇÃO (Pr. Geziel Gomes)  I Ts 5.9
i-   DEUS quer que sejamos salvos
2-     ele sabe que somos pecadores
3-     sozinhos não podemos salvar-nos
4-     estamos perdidos, rm 3.23
1-     ele nos ofereceu seu filho
ii-  que tipo de salvador é CRISTO?
2-     salvador poderoso, hb 7.25
3-     salvador único, i tm 2.5
4-     salvador gracioso, ef 2.8
1-     salvador e senhor, lc 2.11
iii-  de que JESUS nos salva?
2-     dos perigos da vida – paulo, daniel
3-     de enfermidades – como o leproso
4-     da destruição – noé, jó
1-     do pecado – isaque, samaritano
iv-  elas estão espiritualmente
2-     na nossa justificação, rm 5.9
3-     na nossa purificação, i Jo 1.7
1-     na nossa reconciliação, ef 2.13; Cl 1.20
v-  elas estão poderosa efetivamente
2-     na celebração da ceia, i co 11.25
4-     nas vitórias da igreja
5-     no cântico dos anjos, ap 5.9

A ALEGRIA DA SALVAÇÃO, Sl 51.12 (Pr. Geziel Gomes)

1.    Uma alegria que provêm de DEUS, lc 15.22-24 A.  DEUS é a fonte de todo o gozo B.   DEUS se alegra com a salvação de um pecador, por ser mais um filho que nasce

2.    Uma alegria que está no coração de JESUS, lc 15.4-6 A.  A alegria do senhor é a nossa força ne 8 B.   “o trabalho da sua alma ele verá e ficará satisfeito”, is 53

3.    Uma alegria que alcança os anjos, lc 15.10 A. A alegria da salvacao contagia os anjos B. eles irradiam essa alegria por todo o universo

4.    Uma alegria que inunda o coração do novo crente A a  alegria de perder o peso do pecado B. A alegria de entrar na família de DEUS

5.    Uma alegria que deve contagiar a igreja A. Cada novo convertido é uma vida que escapa do inferno B.  Cada novo crente é uma ovelha no SANTO rebanho de CRISTO

III – A SALVAÇÃO PROMETIDA NO ÉDEN 1. O pecado humano.  

Gênesis 3.9-15 9 – E chamou o Senhor DEUS a Adão e disse-lhe: Onde estás? 10 – E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me. 11 – E DEUS disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses? 12 – Então, disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi. 13 – E disse o Senhor DEUS à mulher: Por que fizeste isso? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi. 14 – Então, o Senhor DEUS disse à serpente: Porquanto fizeste isso, maldita serás mais que toda besta e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás e pó comerás todos os dias da tua vida 15 – E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.  

A TENTAÇÃO E A QUEDA – Comentário Neves de Mesquita (Gênesis 3) Neste capítulo temos a história da desobediência do primeiro homem, sua queda e expulsão do jardim do Éden. Muito se tem escrito sobre a história deste capítulo e os escrúpulos de alguns teólogos em figurar DEUS colocando no jardim, entre as frutas boas, uma que em si tinha o gérmen da morte. Dizem que se trata de uma parábola e não de uma história verídica. As muitas referências ao jardim e à queda do primeiro homem, porém, não oferecem dúvida quanto à historicidade da narrativa. A árvore da ciência do bem e do mal não seria em nada diferente das outras árvores. O que a tornava especial era a recomendação do Criador para que não comessem de seu fruto. Esta árvore não tinha em si mesma o poder ou qualidade de dar conhecimento do bem e do mal. Este conhecimento veio após a transgressão. A árvore era um meio de provar a fidelidade e a obediência do primeiro homem. Obedecendo a DEUS, Adão continuaria inocente; desobedecendo, pecaria, e deste pecado viria a consciência do mal. Até ali só tinha consciência do bem, mas a sua transgressão lhe trouxe o conhecimento do mal. Caiu do seu estado original, cuja suprema diretriz era servir e honrar seu Criador. Agora que tinha tomado outro curso, ficou sujeito a servir, por sua própria deliberação, debaixo da influência do anjo tentador.

O Tentador A serpente era mais astuta que todos os outros animais. Não somente era astuta, mas, possivelmente, tinha mais beleza do que os outros animais. Satanás não usaria um instrumento reles para a perpetração de seu crime. A maldição divina reduziu a serpente ao que ela é hoje, um animal abjeto. Crêem alguns comentadores que ela andava ereta, e não de rastos como agora, e que tinha a faculdade da palavra articulada, mas talvez seja exagero. Na maldição que DEUS pronunciou sobre ela, foi condenada a “andar sobre o seu ventre”, o que parece favorecer a idéia de que antes andava ereta. O vocabulário bíblico é extenso e descritivo, dando a serpente como animal perigoso, tanto no veneno mortal, como também pela malignidade e astúcia. Em certos países orientais, a serpente é adorada, e no Egito era usada como símbolo de imortalidade e do deus benéfico “Kneph”. Os fenícios, gregos e romanos a tinham como emblema de poder beneficente. Moisés obrou o primeiro milagre no Egito convertendo sua vara em cobra, para por este meio castigar a idolatria da serpente no Egito. Na Bíblia ela é descrita de três formas: (1) como animal venenoso; (2) como símbolo de Satanás; (3) como símbolo da malícia. (Ver Gênesis 3:14,9-17; Proverbios 25:32; Ec.10:8Is. 59:5. Simbolicamente é empregada em II Cor. 11:3Ap. 12:9,14,1520:1-37-10Mat. 23:33.) O Zoroastrianismo consagra uma boa parte de seu ensino à serpente, crendo que o espírito maligno, Arimã, botou a perder a formosa região preparada no princípio pelo espírito do Bem, Ormuz, e que foi Arimã, espírito mau, que se encarnou numa serpente, para ensinar o homem a pecar. Como o Zoroastrianismo, todas as religiões orientais relacionam a queda do homem com a serpente. O que ela era não podemos saber perfeitamente, mas não resta dúvida de que o relato bíblico encontra eco em todos os povos primitivos, em relação à queda da humanidade. Não é possível que uma mera parábola, como querem alguns comentadores, tivesse ganho lugar tão saliente em todas as religiões étnicas e bíblicas.  

A Tentadora O homem não foi tentado, mas a mulher, sendo tentada, seduziu o homem. Satanás procurou a mulher, em lugar do homem, talvez porque soubesse que não seria bem sucedido com Adão. Se somente Eva tivesse comido do fruto, não teria a raça caído, mas esta comeu, gostou e ofereceu ao companheiro. Este, por sua vez, sendo tentado, não resistiu, e arrastou consigo a sua posteridade. O concerto tinha sido feito com Adão e sua posteridade, incluindo Eva mesma. Parece que Eva ignorava a gravidade do ato que havia praticado. Não sentiu que estava nua. Que ela sabia haver DEUS proibido comer o fruto, não há dúvida, mas a gravidade da transgressão, parece que não conhecia. O tentador tinha usado uma forte argumentação, e ela não se mostrou invulnerável; entretanto, demorou mais em ceder do que o próprio Adão. Primeiro o tentador mostrou-lhe que não era justo DEUS excluir uma árvore dentre muitas outras, para dela Adão não fazer uso. Foi uma forte insinuação. Vencida neste ponto, foi fácil mostrar que DEUS não tinha sido franco com o homem e a mulher. Satanás acusa DEUS de desonestidade, em negar ao homem um dos primeiros privilégios: ser igual a DEUS mesmo, conhecendo o bem e o mal. Por outro lado, Satanás acusou DEUS de ter faltado à verdade ao dizer que morreriam no dia que comessem do fruto, quando, disse o tentador, não morrereis, mas ficareis mais sábios. Estes argumentos venceram “Isha”, e ela, olhando para a árvore, viu que em nada diferia das demais e, com o desejo de provar, comeu, achou bom e levou o fruto ao companheiro. Se Adão estivesse junto da companheira, talvez ela não caísse. Onde estaria ele? Nada oferece melhor garantia à família e à sociedade como a contínua comunhão entre marido e mulher. Notemos, portanto, que a tentação de Eva foi externa e interna. Passou por uma operação mental, pela qual Adão não passou. Ela lhe ofereceu o fruto, e ele comeu. Não há dúvida de que Eva lhe relataria que um anjo de DEUS veio com uma mensagem muito interessante, sobre a verdadeira natureza da árvore, e que tinha aceitado os conselhos, tinha comido e nada de anormal tinha acontecido; portanto, ele também podia comer. É certo, pois, que a raça caiu em Adão. Mal ele comeu, notaram ambos que estavam nus. A consciência de falta foi materializada na nudez, e esta foi o reflexo da transformação de suas naturezas de seres inocentes em seres pecadores.  

2. A transferência da culpa.

A Punição – A TENTAÇÃO E A QUEDA – Comentário Neves de Mesquita Jeová costumava visitar o primeiro casal ao cair do dia, para conversar com ele. Até aqui a vinda de Jeová era esperada e desejada, e era motivo das mais íntimas alegrias, porém agora era motivo de horror. Adão e Eva esconderam-se de DEUS, mas, como diz o Salmista, onde poderiam eles esconder-se? O diálogo entre DEUS e Adão é interessante. Adão parece botar a culpa do pecado em Eva e em DEUS. Ele diz que ela lhe deu do fruto, e ele comeu. Há, certamente, um pouco de desculpa nesta expressão: “A mulher que me deste …” A mulher, por sua vez, botou a culpa na serpente. Mas desculpas não desculpam, e a sentença é terrível. (1) A serpente foi amaldiçoada por ter servido de instrumento a Satanás. Entre todos os animais do campo não há outro que provoque mais medo e repugnância. Os próprios animais desta família, que não são venenosos, são repugnantes e repelentes. (2) A mulher teria prolongadas as horas de sua maternidade, acompanhadas de cruciantes sofrimentos. Não somente isto, mas sua independência terminou aqui; doravante, ela seria sujeita a seu marido, a ponto de todo seu desejo convergir para ele. A degradação a que tem sido submetida a mulher por mais de 6.000 anos é um atestado da punição que recebeu. Somente o cristianismo a restaurou à sua original posição de ser livre, bem assim, o homem. Em todos os países onde não é conhecido o cristianismo a mulher é privada dos mais elementares direitos de liberdade. Na China, há hoje milhares de meninas de menos de 10 anos de idade que os pais já casaram com outros meninos da mesma idade. Não lhes é reconhecido o direito de escolher marido. A maior desgraça que pode visitar um lar é o nascimento de uma menina. É sinal de desagrado da divindade para com os pais. A mulher que tiver três meninas seguidas pode ser repudiada pelo marido, e se torna merecedora de todo escárnio social. Os próprios judeus, que se avantajavam grandemente a qualquer outro povo em assuntos sociais, tinham um padrão baixo para a mulher; e a própria Bíblia lhe consigna privilégios rudimentares, em competição com o homem. Só JESUS CRISTO, o segundo Adão, levantou a mulher ao seu original estado de verdadeira companheira e ajudadora do homem. (3) O homem foi punido com a pena de prover seu sustento com fadigas e aflições, colhendo da terra espinhos e cardos, em vez do bom fruto. Foi forçado a continuar esta luta, até que voltasse à mesma terra donde havia sido tomado. A morte foi o salário da sua falta. Adão foi criado para viver eternamente, mas sua transgressão ganhou a morte, a esta viria depois de um período de agonias, desapontamentos e tristezas. Quanta coisa uma pequena falta produziu! É que para DEUS não há faltas pequenas e grandes. Sua metragem é uma só, sua balança não tem mais que um peso, e seu dicionário só tem uma palavra que descreve nossa atitude de rebeldia para com Ele: PECADO. (4) A terra foi amaldiçoada por causa de Adão. A maldição converteu este planeta, do Éden, num vale de lágrimas. Tinha sido criado com todos os seus ornatos, para gáudio do rei da criação, mas num momento foi revogada a lei e convertido num palco, onde os mais tétricos dramas se haviam de realizar. Bom é que não pensemos nas multiformes tristezas que andam pela terra, visitando os pobres filhos de Adão, herdeiros de tão fatídico legado, e que só pensemos no bem que o Benigno Criador permite gozarem os que piedosamente se conformam com o seu governo, a fim de não agravarmos a situação a que fomos atirados por nosso primeiro pai.     3. Satanás esmagado e o pecado vencido. A Promessa

A TENTAÇÃO E A QUEDA – Comentário Neves de Mesquita   No meio de todas as aflições com que DEUS puniu a falta da mulher, encontramos uma promessa consoladora, o gérmen de todas as promessas futuras. A humanidade está arruinada e diante de um novo programa de dores e aflições. Mas o Criador divisou um remédio que cortaria os efeitos do veneno mortal que acabara de ser inoculado na novel raça. Se DEUS não tivesse um remédio tão eficaz, talvez, na sua infinita bondade, tivesse desviado o plano do tentador. O verso 15 dá-nos o primeiro som do evangelho, e tem por isso sido classificado como o “proto-evangelho”. Da semente da mulher sairia um que esmagaria a cabeça da serpente. A tradução da Vulgata (Bíblia usada na Igreja Católica) dá a mulher como sendo quem esmagaria (ver cap. Ap 12.) a cabeça da serpente, mas tanto a tradução de Figueiredo, como a Brasileira são fiéis ao original, onde se lê que não a mulher, mas a sua semente, esmagaria a cabeça da serpente. Alguns acham que esta profecia não se refere, tampouco, a CRISTO somente, mas a todos os crentes nele. Em certo sentido, é aplicável a toda nova criação, visto que, pelo poder de CRISTO, estamos continuamente destruindo os planos da serpente, o maligno, mas quem cumpriu esta promessa e profecia foi CRISTO. A linguagem deve entender-se de acordo com a terminologia bíblica. Prat pensa que a mulher aqui descrita é a Igreja, e em favor de sua teoria cita o capítulo 12 de Apocalipse, em que a mulher, que estava para dar à luz, foi perseguida pelo Dragão, a antiga serpente; seu filho foi arrebatado para o céu, e a mulher fugiu para o deserto. Se este ponto de vista é correto, ainda fica de pé que foi a semente da mulher que, direta e indiretamente, esmagou a cabeça da serpente. Todo o poder da Igreja de CRISTO dimana de CRISTO mesmo, e não de nós, porque foi Ele quem venceu Satanás. Com esta presunção é que o papado desloca CRISTO e coloca a Igreja como vencedora e mesmo salvadora, pois que, estar fora dela é estar perdido.      

1João 3.6-10. 6 Qualquer que permanece nele não peca; qualquer que peca não o viu nem o conheceu. 7 Filhinhos, ninguém vos engane. Quem pratica justiça é justo, assim como ele é justo. 8 Quem comete o pecado é do diabo, porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de DEUS se manifestou: para desfazer as obras do diabo. 9 Qualquer que é nascido de DEUS não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de DEUS. 10 Nisto são manifestos os filhos de DEUS e os filhos do diabo: qualquer que não pratica a justiça e não ama a seu irmão não é de DEUS.

EU CONSIDERO O RECEBIMENTO DO ESPÍRITO SANTO COMO A PRIMEIRA E MAIS IMPORTANTE BÊNÇÃO DA SALVAÇÃO EM CRISTO JESUS, PELA GRAÇA DE DEUS (ESSA BÊNÇÃO DO BATISMO VEM LOGO APÓS A CONVERSÃO).

Ajuda de Livros diversos com algumas modificações do Pr Henrique.   Gênesis 3.9-15 9 – E chamou o Senhor DEUS a Adão e disse-lhe: Onde estás? 10 – E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me. 11 – E DEUS disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses? 12 – Então, disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi. 13 – E disse o Senhor DEUS à mulher: Por que fizeste isso? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi. 14 – Então, o Senhor DEUS disse à serpente: Porquanto fizeste isso, maldita serás mais que toda besta e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás e pó comerás todos os dias da tua vida 15 – E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.

A TENTAÇÃO E A QUEDA – Comentário Neves de Mesquita (Gênesis 3) Primeiro Sacrifício Quando Adão e Eva se viram nus, fizeram para si aventais de folhas de figueira. DEUS, porém, os proveu de coisas mais duráveis: fez túnicas de peles de animais para os vestir. A sua nudez, símbolo do pecado, foi por DEUS mesmo coberta. Matou alguns animais, para com as peles cobrir a falta do primeiro par. Faz-se mister o derramamento de sangue, para cobrir uma falta grave. Para que a transgressão de Adão não continuasse visível, teve que haver morte de animais inocentes. A declaração é feita sem preâmbulos e em termos tão singelos que o teólogo apenas pode tirar ilações; mas não haverá quebra de doutrina ou preceito, se virmos neste caso o protótipo do cordeiro pascoal no Egito, cujo sangue inocente fez que o anjo exterminador passasse de longe; bem como, este cordeiro pascoal é o protótipo do “Cordeiro de DEUS, que tira o pecado do mundo”. A doutrina da substituição é clara em todo o Velho Testamento. As peles destes animais substituíram a inocência perdida por Adão e Eva. Há alguma dificuldade para saber o que foi feito da carne daqueles animais, visto como ainda não era conhecido o ritual de oferecê-la sobre o altar. Moisés não nos diz como DEUS fez, mas sim que Ele fez. Que a origem do sacrifício deve remontar a esta época, não resta dúvida,- visto que Abel, pouco tempo depois, ofereceu dos primogênitos do seu rebanho, um sacrifício a Jeová. Conforme a lei de Moisés, a pele dos animais pertencia ao sacerdote que oferecia o sacrifício (Lev. 7:8). Quando DEUS instituiu o primeiro sacrifício, reservou para si as peles, com que fez as túnicas de Adão e Eva. Este sacrifício à porta do jardim do Éden perdido é a primeira prefiguração do grande sacrifício do Calvário – a porta do Éden reconquistada.   A Expulsão do Éden Ainda que o pecado de Adão houvesse sido coberto, DEUS vindica sua autoridade, expulsando do Éden o primeiro par transgressor. No Jardim, DEUS havia colocado uma árvore, cujo fruto era o antídoto do fruto da ciência do bem e do mal. Árvore, talvez, igual às outras, mas com um desígnio especial no altíssimo plano de DEUS. Para que Adão não lançasse mão deste fruto, foi expelido do jardim. Tinha se tornado indigno da confiança divina de tal modo que sua penetração ali era impossível, por causa da espada flamejante que se volvia em todas as direções e querubins a guardá-la.. Qualquer que fosse a virtude da árvore da vida mencionada aqui e em Ap. 22:2, parece que era imprópria para um corpo irregenerado. O primeiro Adão fechou a porta do jardim do Éden, e o segundo abriu-a e restaurou o pecador ao privilégio primitivo de participar daquela árvore.   Os Efeitos Mentais do Pecado Convém notar o que o verso 22 diz: “Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal”, disse Jeová. Parece que DEUS conhece o mal no mesmo sentido de Adão. Há, porém, diferença. Adão conheceu o bem e o mal por experiência; DEUS não pode ter qualquer experiência do mal, reconhece apenas sua existência e atuação. Até aqui Adão era inocente, não tinha a menor experiência do pecado nem era onisciente, para conhecer o que estava além do seu conhecimento e experiência. Aqui novamente Jeová usa o pronome “nós”, “como um de nós”. A expulsão envolveu a sentença de morte e sofrimento. Um futuro cheio de aflições e dores acompanhou a saída dos dois transgressores do jardim. Crêem alguns exegefas que o corpo de Adão não era imortal; estava sujeito à decadência como tudo que é terreno. Para evitar essa decadência e conseqüente morte, DEUS tinha provido o jardim da árvore da vida , com cujas folhas o homem evitaria a decadência física e a morte. Depois do pecado, a vida contínua seria uma calamidade, em virtude dos sofrimentos a que ficou sujeita a raça. Por isso, DEUS expulsou o homem do jardim, para que não tocasse na árvore da vida e vivesse para sempre. A ser verdadeira esta interpretação, há nela mais uma prova da bondade do Criador, não permitindo que a raça humana ficasse perenemente sofrendo. A morte deixa de ser uma calamidade, para ser uma bênção, pois que liberta o mortal de uma situação de dores intermináveis. A “árvore da vida, cujas folhas servem para a saúde das nações” (Ap. 22: 2), a que se refere o último livro da Bíblia é mencionada em circunstâncias análogas às existentes antes da queda, o que parece robustecer esta interpretação. Ali não há mais morte, dores ou sofrimento de qualquer espécie. A harmonia volta a reinar no universo e CRISTO é o Supremo rei da cidade da vida. Há, inegavelmente, uma admirável harmonia nos dizeres do Gênesis e do Apocalipse. No primeiro, há uma situação irremediavelmente perdida, pela introdução do pecado no mundo; no segundo, uma situação inalteravelmente bendita, pela remoção do pecado do mundo e da vida. Além da espada flamejante, DEUS colocou ali querubins. É difícil determinar a natureza e ofício destes seres. Além deste caso, a palavra ocorre 73 vezes na Bíblia: 44 vezes em referências aos símbolos que foram colocados sobre a arca do concerto e 19 vezes no livro de Ezequiel. Em Isaías 6, estes seres aparecem de uma maneira especial. O mais que sabemos deles é que eram mensageiros de DEUS. É isto que significa o termo “anjo”. Querubim parece ser uma ordem superior à dos anjos, apesar de às vezes aparecerem indiscriminadamente. A terminologia bíblica favorece a idéia de ordem gradativa entre os seres angélicos. A nota predominante no terceiro capítulo de Gênesis é o pecado. Pela primeira vez vemos sua introdução e atuação na vida dos primeiros seres racionais. Como uma luz brilhante nas trevas, surge a promessa e a conseqüente redenção. Todo o resto da revelação divina é saturado com os efeitos do pecado em suas muitas formas, atos e manifestações. O Velho como o Novo Testamento oferece um vasto campo teológico ao estudante que deseja conhecer como o mundo está saturado de idéias e pensamentos pecaminosos. Farta linguagem descritiva de todos estes fenômenos encontra-se em ambos os Testamentos. O Dr. Carroll da 11 palavras que expressam atos pecaminosos de diferentes maneiras, mas há muitas outras ainda de valor secundário. O estudante não deve esquecer que o vocábulo “pecado” é religioso e tem significado religioso. Pecado e “crime” são sinônimos, se bem que em campos ou esferas diferentes. O primeiro se relaciona invariavelmente com os atos do homem em relação a DEUS; o segundo, em relação à lei civil. A palavra pecado, propriamente, significa “errar o alvo”, isto é, DEUS tem posto diante de cada indivíduo um ideal, um programa, um padrão para ser alcançado, para servir de modelo na vida, mas o homem falha, não atinge o ideal, e o pecado é a causa.. Daqui decorre toda sorte de desvios e sinuosidade em que se perde o homem. Isto é o pecado. Há outros significados que indicam ilegalidade, dessemelhança com DEUS, apostasia, iniqüidade etc. Pecado, pois, em qualquer de suas formas, é “crime” e merece ser punido. Não se pode conceber quebra de preceito legal sem pena. Por isso o código prescreve deveres ou leis e penalidades. O crime, porém, não afeta senão o ser físico, enquanto o pecado atinge o físico e o moral, envolve o coração. O crime é uma quebra de preceito humano e só pode ser passível de pena nos limites humanos, enquanto que o pecado, por seus motivos espirituais, atinge o espírito. Este não é uma quebra de preceitos humanos, mas divinos; não só atinge o físico, mas também o espiritual. Seus efeitos, pois, são carnais e espirituais. O juiz é a divindade ofendida, que vindica a lei e a justiça, pune tanto no físico como no espiritual. O pecado não pode ser punido somente no físico porque envolve a quebra de leis morais e escritas no coração (Romanos 1:28-32). O homem peca por determinação, consciência e inconsciência. Para remediar esta falta, que escapa aos próprios atos volitivos, o sistema levítico fez provisão para os pecados por ignorância (Lev. 4:14-2031Sal. 19:12Rm. 7:910). “O pecado”, diz o Dr. Stroing, “não é meramente uma caixa negativa ou ausência de amor a DEUS. É uma escolha positiva, fundamental, ou uma preferência egoísta em lugar de DEUS, como objeto de afeto e supremo fim. Em lugar de fazer de DEUS o centro da vida, entregando-se incondicionalmente a Ele e possuindo sua vontade subordinada a DEUS mesmo, o pecador faz de si mesmo o centro da vida, põe-se diretamente contra DEUS e constitui seus próprios motivos e sua própria vontade e regra suprema. Ao mesmo tempo que o pecado é um estado de não conformidade é o DEUS, em princípio, em realidade é oposição a Ele, como um ato de transgressão às suas leis; a essência desse ato, em toda parte, é a glorificação própria. Em outras palavras, o pecador põe-se a si mesmo onde se deve pôr DEUS”. Strong, Teologia Sistemática, Vol. II.

Soteriologia — Teologia Sistemática Pentecostal – A Doutrina da Salvação – Antonio Gilberto – CPAD   Em Tito 3.5, está escrito: “segundo a sua misericórdia nos salvou”. O verbo está no pretérito: “nos salvou”. Isso nos leva a refletir sobre a certeza dessa gloriosa salvação em CRISTO JESUS. Somos salvos mesmo? Temos visto casos de crentes antigos que descobrem, para a surpresa de muitos, que ainda não eram salvos segundo o evangelho! Por que as igrejas de Efeso e Corinto eram tão diferentes? Aos coríntios disse Paulo, inspirado pelo ESPÍRITO SANTO: “Vigiai justamente e não pequeis; porque alguns ainda não têm o conhecimento de DEUS; digo-o para vergonha vossa” (I Co 15.34). Apenas fazer parte de uma congregação formada por salvos não significa ser salvo! A salvação não é coletiva, e sim individual. Vemos que, no passado, entre o povo de DEUS viveu um povo denominado o “vulgo” (Nm 11.4Ex 12.38). Esse “vulgo” não era convertido e tornou-se em Israel uma perturbação, uma fonte de fraquezas, de desobediência, de rebeldia e de pecado. Em Lucas 15.8 JESUS contou uma parábola acerca de uma moeda perdida dentro de casa. E no livro de Ezequiel menciona-se uma ovelha “perdida” dentro do rebanho (34.4b). O leitor tem plena convicção da parte de DEUS de que está salvo mesmo? Por CRISTO, segundo “o evangelho da vossa salvação”? (Ef 1.3Rm 1.16,17Tt 3.5). Em Lucas 9.23, JESUS disse: “E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me”. Observe a parte final do versículo: “e siga-me”. O que significa isso? È perseverar em seguir ao Senhor JESUS; é persistir em seguir aos passos dEle. Enfim, implica ser um dos seus discípulos. Na aludida referência, JESUS não falou primeiramente de “vir a mim”, mas “vir após mim”. O que é ser um discípulo dEle segundo o evangelho? Consideremos o texto de Lucas 14.26,27,33: Se alguém vier a mim e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher; e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não levar a sua cruz e não vier após mim não pode ser meu discípulo. Assim, pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo. Como vemos no texto acima, o Senhor JESUS aplica um tríplice teste pelo qual se confirma um verdadeiro discípulo. Por três vezes, o Mestre disse: “não pode ser meu discípulo”. Somos — eu e o leitor — de fato discípulos de JESUS, ou apenas pensamos que o somos?

O QUE É SALVAÇÃO O que é a salvação em CRISTO? A palavra “salvação” é de profundo significado e de infinito alcance. Muitos têm uma concepção muito pobre da inefável salvação consumada por JESUS, o que às vezes reflete numa vida espiritual descuidada e negligente, em que falta aquele amor ardente e total por JESUS e a busca constante de sua comunhão. Salvação é uma milagrosa transformação espiritual, operada na alma e na vida — no caráter — de toda a pessoa que, pela fé, recebe JESUS CRISTO como seu único Salvador pessoal (Ef 2.8,92 Co 5.17Jo 1.123.5). Observe as afirmações bíblicas “é nova criatura” (conversão) e “tudo se fez novo” (nova vida, novo e íntegro caráter). Não se trata apenas de livramento da condenação do inferno; a salvação abarca todos os atos e processos redentores, bem como transformadores da parte de DEUS para com o ser humano e o mundo (isto é, a criação), através de JESUS CRISTO, nesta vida e na outra (Rm 13.11 I; Hb 7.252 Co 3.18Ef 3.19). Pessoalmente — isto é, em relação à pessoa —, a salvação que CRISTO realiza abrange: a regeneração espiritual do crente, aqui e agora (Tt 3.52 Co 3.18); a redenção do corpo do crente, no futuro (Rm 8.23I Co 15.44); e a glorificação integral do crente, também no futuro (Cl 3.4Ef 5.27).

Como receber a salvação? Há três passos necessários para um pecador receber a gloriosa salvação em CRISTO. Primeiro, reconhecer mediante o evangelho que é pecador (Rm 3.23). Segundo, confiar em JESUS como o seu Salvador (Ato 16.31). Terceiro, confessar que o Senhor JESUS é o seu Salvador pessoal, “Visto que… com a boca se faz confissão para a salvação” (Rm 10.10). A obediência honesta do pecador movido por DEUS a esses três passos resultará na sua salvação, operando o ESPÍRITO SANTO e a Palavra. Isso não falha; não se trata de uma mera teoria; é a verdade de DEUS sobre a salvação do pecador, revelada aos homens segundo a infalível Palavra de DEUS e o testemunho da infinitude de salvos em CRISTO por toda parte. Pleno conceito e convicção de salvação. Vemos em Hebreus 2.3 uma cristalina verdade sobre a salvação: “… uma tão grande salvação”. O que denota esta expressão? Ela diz respeito às riquezas imensuráveis da salvação; às bênçãos subseqüentes a ela; à eternidade infinita dela; ao seu alcance imensurável; e à sua sublimidade. Se todos os crentes tivessem uma plena visão da salvação; se pudessem ver plenamente ao longe a tão grande salvação que receberam, com certeza teriam atitudes diferentes no seu dia-a-dia. Teríamos tanto regozijo, tanta motivação, tanto entusiasmo, tanta convicção, tanto anseio e enlevo pelo céu, que não haveria na Terra um só salvo descontente, descuidado, negligente e embaraçado com as coisas desta vida e deste mundo! Ademais, teríamos uma tão profunda compreensão do que é o céu — e, por isso, teríamos tanto desejo de ir para lá—, que o Diabo não teria na igreja um só fã, um só admirador de suas coisas, um só aliado. Mas, há crentes que admiram e gostam das coisas do Maligno e se aliam a ele. Por mais que não admitam, pelo fato de não atentarem para a “tão grande salvação”, tornam-se vulneráveis às investidas do Tentador. Visão atrofiada da salvação. Inúmeros crentes, por terem uma visão atrofiada da salvação em CRISTO, levam uma vida comprometida com o mundo, descuidada, negligente, sem amor, sem dedicação, sem ideal, sem uma busca constante da face do Senhor.

Quais devem ser os passos normais de uma vida salva: 1- Regeneração espiritual; 2- Plenitude do ESPÍRITO SANTO; 3- Maturidade espiritual; 4- Dedicação ao Senhor no seu trabalho. Necessidade e importância do estudo da Soteriologia. A experiência da salvação deve ser seguida de um maior conhecimento da salvação (I Tm 2.4b). Isso constitui o alicerce da vida cristã. A Palavra de DEUS, em Hebreus 5.12-14, enfatiza a importância de buscarmos esse maior conhecimento da salvação: Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de DEUS; e vos baveis feito tais que necessitais de leite e não de sólido mantimento. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino. Mas o mantimento sólido épara ospeifeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal. Bênçãos gloriosas decorrem da salvação, e fazem parte dela. E primeiramente porque somos salvos que experimentamos o batismo com o ESPÍRITO SANTO, os dons espirituais, o amadurecimento na fé, a chamada para o ministério evangélico, etc. Muitos crentes — e até obreiros! —, em vez de sempre priorizaram o estudo da Escatologia (uma doutrina importante, é verdade, inclusive parte integrante deste tratado teológico), deveriam primeiro estudar Soteriologia, isto é, as doutrinas da nossa gloriosa salvação em CRISTO. Há várias passagens das Santas Escrituras que mostram o quanto é importante na vida cristã e na obra do Senhor em geral, inclusive na evangelização, o conhecimento genuinamente bíblico da salvação. Em Efésios 6.17 mencionam-se de início o capacete da salvação e a espada do ESPÍRITO. Quando o apóstolo discorreu sobre a armadura do cristão, e mencionou o capacete — o qual cobria totalmente a cabeça, protegendo-a — enfatizou a plenitude do conhecimento e da experiência da salvação. Assim como o capacete protegia (e protege) a cabeça, o conhecimento bíblico da salvação em nossa mente é qual capacete espiritual, como forma de proteção da nossa salvação, das investidas mentais de Satanás, dos seus emissários, dos falsos mestres, da mídia corrompida, da literatura nociva, etc. Em Lucas 1.77 está escrito: “para dar ao seu povo conhecimento da salvação, na remissão dos seus pecados”. Observe que, aqui, a ênfase recaí primeiramente no “conhecimento da salvação”, e não no “sentimento da salvação”. É, pois, uma necessidade conhecer e prosseguir em conhecer a salvação. A Epístola de João trata desse assunto — a sua mensagem aos salvos é: “sabemos”, “conhecemos”. Em Salmos 46.10 e 100.3, está escrito: “Sabei”, e não “Senti”. E Jó, em meio a muitas lutas, bradou: “Eu sei que o meu Redentor vive” (Jó 19.25). Quando compararmos Hebreus 8.10 com 10.16, vemos que essas passagens mostram que a lei divina deve estar primeiro na mente do crente e depois no seu coração: Porque este é o concerto que, depois daqueles dias, farei com a casa de Israel, diz o Senhor: porei as minhas leis no seu entendimento e em seu coração as escreverei; e eu lhes serei por DEUS, e eles me serão por povo. Este é o concerto que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seu coração e as escreverei em seus entendimentos… Em Apocalipse 12.3, o Diabo é simbolizado no dragão com sete cabeças — o que indica plenitude de astúcia, engano, cilada, maquinações. Isso denota que o príncipe das trevas sempre investirá contra a nossa mente, como mencionamos acima, procurando incutir nela dúvidas quanto à gloriosa salvação. Ao tentar JESUS no deserto, o Diabo procurou lançar dúvidas na sua mente: “Se tu és o Filho de DEUS” (Mt 4.3,6). Por que o Inimigo não logrou êxito? Porque o Filho de DEUS tinha as leis de DEUS na mente e no coração, o que ficou evidente em suas três citações das Escrituras, todas antecedidas da expressão “Está escrito” (vv.4,7,I0). O valor da sã doutrina. Neste estudo sobre a Soteriologia devemos ter em mente que estamos tomando como base a sã doutrina (Tt 2.1). È da palavra “sã” (gr. hygiaino) que vem o tão empregado termo “higiene”, o qual denota higidez, saúde. A doutrina (ou a soma das doutrinas) quanto à salvação deve ser, portanto, isenta de falsificação e contaminação. Nesses últimos dias, seitas e doutrinas falsas vêm contaminando as doutrinas bíblicas da salvação em CRISTO. Falsos mestres, falsificadores da Palavra de DEUS, têm ingressado nas igrejas, inclusive doutores(2Tm 4.33.1-52 Pe 2.1), torcendo as Escrituras. E, quanto à Soteriologia, isso ocorre principalmente quanto à eleição do povo de DEUS, a predestinação e o livre-arbítrio, como veremos mais adiante. Em que consiste a salvação. È importante, antes de avançarmos, respondermos a algumas perguntas. Em que consiste a salvação para o caro leitor? No seu passado na fé? Ou seja, apenas livramento da condenação do pecado? No seu presente na fé? Quer dizer, apenas livramento do poder do pecado? Ou no seu futuro na fé? Isto é, apenas livramento da presença do pecado? Na verdade, a salvação consiste na resposta afirmativa a todas as três perguntas mencionadas. A nossa “grande salvação” em CRISTO nos livra: da condenação, que outrora era uma realidade; do poder do pecado,pois hoje ele não tem domínio sobre nós, se é que não “andamos segundo a carne, mas segundo o espírito” (Rm 8.1b); e da presença do pecado, haja vista a nossa glorificação futura. O que não é salvação. É importante, ainda nessa introdução à Soteriologia, apresentar algumas definições do que não é a salvação em CRISTO: 1- Apenas ter uma religião com o nome de cristã. O que dizer dos seguidores do mormonismo, cujo nome da igreja é JESUS CRISTO dos Santos dos Últimos Dias. São eles salvos por seguirem a uma religião “cristã”? 2- Apenas freqüentar ou tornar-se membro de uma igreja local. Uma coisa é pertencer a uma igreja, e outra é pertencer à Igreja. 3- Apenas ter e ler a Bíblia. Isso os católicos romanos fazem! 4- Apenas professar um credo religioso. Ser salvo é muito mais que adotar, seguir, abraçar dogmas. 5- Apenas praticar a “regra áurea” de Mateus 7.12. Boas obras não salvam ninguém (Ef 2.8,9). 6- Apenas aspergir um infante com “água benta”. Afinal, dependendo da idade da criança, sequer tem a capacidade de crer para a salvação (Mc 16.16a; Rm 10.9). 7- Apenas batizar um adulto ou uma criança. Batismo não salva, mas destina- se a quem já é salvo (Mc 16.16b). 8- Apenas “confirmar” um adepto da sua confissão religiosa. 9- Apenas participar da Ceia do Senhor, ou da Eucaristia. 10- Apenas ter um irrepreensível código de conduta, bom testemunho, porte. 11- Apenas praticar sempre boas obras. O que é salvação. E tudo o que JESUS realizou e ensinou para levar uma raça pecadora à comunhão com um DEUS santo. Trata-se da redenção do ser humano do poder do pecado (I Pe 1.18,19). Ê, ainda, a libertação do cativeiro espiritual (Rm 8.2). E a saída do pecador dentre o poder das trevas do pecado (Cl 1.13). E, finalmente, é o retorno do exílio espiritual do pecador para DEUS (Ef 2.13). Isso é salvação em resumo. Como se vê, o homem não pode efetuar a sua salvação, nem ao menos ajudar nisso (Ef 2.8,9Tt 2.11Jn 2.9b). Daí ter dito o salmista: “A salvação vem do Senhor; sobre o teu povo seja a tua bênção” (SI 3.8). A salvação é pela graça de DEUS, e não por nosso esforço próprio, conquanto os salvos sejam chamados para a prática das boas obras (Ef 2.10). A salvação é chamada de novo nascimento (Jo 3.5) e de ressurreição (Cl 3.1), Não obstante o pecador venha a desejar a “tão grande salvação”, é JESUS CRISTO quem o ressuscita dentre os mortos no pecado e o faz nascer de novo. Afinal, um bebê nada pode fazer para nascer, assim como um morto nada pode fazer para ressuscitar — toda ajuda tem de vir de fora. Introdução à Soteriologia Soteriologia é em suma o conjunto de doutrinas da salvação. Há pelo menos umas vinte doutrinas relacionadas com a nossa gloriosa salvação em CRISTO. Discorremos de modo resumido sobre as doutrinas da salvação, a saber: 1.     A doutrina do pecado (Rm 3.235.12,20), pois o pecado é a causa da perdição da humanidade. 2.     A doutrina da graça de DEUS (Tt 2.113.4), haja vista ser a graça a salvação quanto ao seu alcance. 3.     A doutrina da expiação pelo sangue (Lv I7.I I), uma vez que a expiação implica a salvação quanto ao pecado. 4.     A doutrina da redenção (Ef 1.7), que trata da salvação quanto a libertação e resgate do pecador. 5.     A doutrina da propiciação (Ex 32.30), que enfatiza a salvação como um ato benevolente de DEUS. 6.     A doutrina da fé salvífica (Ef 2.8), que trata do meio requerido por DEUS, da parte do pecador para a sua salvação. 7.     A doutrina do arrependimento (Mc 1.14,15), que está intimamente ligada à doutrina da fé salvífica. 8.     A doutrina da confissão dos pecados (Rm 10.9,10). 9.     A doutrina do perdão dos pecados (Cl 3.13). 10.   A doutrina da regeneração espiritual (I Pe 1.3;Tt 3.5), que trata do que ocorre no íntimo do pecador ao receber de DEUS a salvação. 11.   A doutrina da imputação da justiça de DEUS ao crente (Gn 15.6Rm 4.2-115.132 Co 5.19; Fm v.I8;Tg 2.23). 12.   A doutrina da adoção de filhos (Gl 4.5,6). 13.   A doutrina da santificação do crente (I Co 6.112 Co 7.1), isto é, a santificação posicionai, “em CRISTO”, e também a progressiva, no tempo presente. 14.   A doutrina da presciência de DEUS (I Pe 1.2). 15.   A doutrina da eleição divina (I Pe 1.2). 16.   A doutrina da predestinação dos salvos (Rm 8.29). 17.   A doutrina da chamada para a salvação (Rm 8.30). 18.   A doutrina da justificação somente pela fé em CRISTO (Rm 8.30), haja vista ser a justificação a nossa salvação ante a presença de DEUS. 19.   A doutrina do julgamento do crente (2 Co 5.10Rm 14.10). E uma doutrina relacionanada à Escatologia. 20.   As doutrinas da glorificação dos salvos (Rm 8.30) e da salvação, nas eras divinas futuras (Ef 2.7I Tm 1.17Jo 1.29).

A SALVAÇÃO NO SENTIDO FACTUAL OBJETIVO A salvação é um fato em si, isto é, no sentido objetivo. Ela tem um lado objetivo (o lado divino), e um, subjetivo (o humano). O primeiro refere-se a DEUS como o Doador da salvação; e o segundo refere-se ao homem como o recebedor. No sentido objetivo, a salvação tem três aspectos, todos simultâneos: a justificação, que nos declara justos (esse aspecto tem a ver com a nossa posição diante de DEUS: “em CRISTO”); a regeneração, que nos declara filhos (tem a ver com a nossa condição espiritual, interior); a santificação, que nos declara santos, mediante a nossa fé no sangue derramado de JESUS. A salvação no seu sentido objetivo, diante de DEUS, não tem tempos, mas aspectos ou lados. Ao mesmo tempo em que uma pessoa é pela fé em CRISTO justificada, é também regenerada e santificada. Justificação. E a mudança de posição externa e legal do pecador diante de DEUS: de condenado para justificado. Pela justificação passamos a pertencer aos justos. Justificação é o tempo passado da nossa salvação, mas sempre presente em nossa vida espiritual (I Co 6.11Rm 8.30,33b; 5.13.24Gl 2.16). Regeneração. E a mudança de condição do pecador: de servo do pecado para filho de DEUS. A regeneração é tão séria diante de DEUS, que a Bíblia chama-a de “batismo em JESUS” (I Co 12.13Gl 3.27Rm 6.3). Trata-se de um ato interior, dentro do indivíduo, abrangendo também todo o seu ser. E um termo ligado a família, filhos: “gerar”; é o novo nascimento (Jo 3.5). Mediante a regeneração somos chamados “filhos de DEUS” (cf. Gn 2.7Jo 20.2215.5). Santificação. E a mudança de caráter (mudança subjetiva); e a mudança de serviço (mudança objetiva), “em CRISTO” (posicionai), como lemos em João 15.4 ;17.26.

A SALVAÇÃO NO SENTIDO EXPERIMENTAL SUBJETIVO Na experiência humana, a salvação é subjetiva. A salvação experimental tem três tempos (não aspectos): passado, presente e futuro. No passado. Justificação; é o que DEUS fez por nós. E a salvação da pena do pecado. Ela é referida na Bíblia como ocorrida no passado da vida cristã. … haveis sido justificados em nome do Senhor JESUS e pelo Espirito do nosso DEUS (I Co 6. Z l). E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou… Quem intentará acusação contra os escolhidos de DeusP E DEUS quem os justifica (Rm 8.30,33). Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com DEUS por nosso Senhor JESUS CRISTO (Rm 5.1). Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de DEUS, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em CRISTO JESUS (Rm 3.23,24). Sabendo que o homem não é justifcado pelas obras da lei, mas pela fé em JESUS CRISTO, temos também crido em JESUS CRISTO, para sermos justificados pela fé de CRISTO e não pelas obras da lei, porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justifcada (Gl 2.16). No presente. Santificação em conduta, diante do mundo. Ê a salvação do poder do pecado. E aquilo que DEUS faz em nós agora. Uma frutinha pode ser perfeita, e não ser madura. Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda imundíàa da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de DEUS (2 Co 7.1). E o mesmo DEUS de paz vos santifque em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor JESUS CRISTO (l Es 5.23). Aquele que diz que está nele também deve andar como ele andou (l Jo 2.6). .. . operai a vossa salvação com temor e tremor (Fp 2.12). No futuro. Glorificação; é o que DEUS fará conosco na glória celestial (I Pe 1.5). Será a salvação da presença do pecado. Trata-se da nossa inteira “conformação” com JESUS CRISTO. Amados, agora somos flhos de DEUS, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar; seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos (1 Jo 3.2). … nós mesmos, que temos as primícias do ESPÍRITO, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber; a redenção do nosso corpo (Rm 8.23). E isto digo, conhecendo o tempo, que é já hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto de nós do que quando aceitamos a fé (Rm 13.11). E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo, assim também CRISTO•, ofere:endo~se uma vez; para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez; sem pecado•, aos que o esperam para a salvação (Hb 9.27,28). Evidências da salvação experimental. São os testemunhos do ESPÍRITO em nosso interior (Rm 8.16); da Palavra de DEUS (Ato 16.31); da nossa consciência (I Jo 3.19); da transformação da nossa vida (2 Co 5.17); dos frutos produzidos (Mt 5.87.16-20); da aversão ao pecado (I Jo 3.9); do cumprimento da doutrina (2 Jo v.9); do amor (e comunhão) fraternal (Jo 13.35); e da vitória sobre o mundo (I Jo 4.5).

A DOUTRINA DO PECADO Embora haja nesta obra — no capítulo anterior — um estudo específico sobre a doutrina do pecado, realçaremos aqui alguns aspectos dessa doutrina, com o objetivo de estabelecer um elo entre Hamartiologia e Soteriologia, haja vista ser incoerente estudar esta sem aquela. O estudo do pecado deve preceder ao da graça salvadora de DEUS (cf. I Jo 1.9; 2.2). A Epístola aos Romanos enfatiza que uma das principais finalidades da Lei é expor a hediondez do pecado (7.8,13b), porque é depois de tomarmos conhecimento disso que passamos a valorizar a graça de DEUS em toda a sua extensão: “Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça” (5.20). Introdução à doutrina do pecado. O veredicto divino é claro: “Todos pecaram” (Rm 3.23). A Palavra de DEUS diz: “Não há um justo, nem um sequer” (Rm 3:10); “… não há homem que não peque” (I Rs 8.46). Todos os seres humanos foram nivelados à condição de pecadores, segundo a reta justiça do Senhor: “A Escritura encerrou tudo debaixo do pecado” (GI 3.22). E ainda: “DEUS encerrou a todos debaixo da desobediência” (Rm 11.32).  Mas, antes de atingir a todos os homens, mediante a desobediência de Adão, o pecado teve origem no mundo espiritual, na corte angelical (Is 14.12-17Ez 28.15). No ser humano, o pecado, sediado na alma, domina a sua vontade e tem como instrumento orgânico o corpo humano. O homem não é pecador primeiramente porque peca, mas peca porque é pecador. Ou seja, cada indivíduo é um pecador por natureza. Por isso, em Israel, quando uma mulher dava à luz, tmha de apresentar a DEUS uma oferta pelo pecado (Lv 12.6Lc 2.24). Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram (Rm 5.12). Definição do pecado. Pecado é a causa da perdição do homem. Uma das palavras que significa “pecado” (gr. hamartia) denota tudo aquilo que não se conforma com a lei divina; não se alinha com ela (Rm 5.20I Jo 3.4a; 5.17b). As Escrituras citam 372 formas de pecado, e há centenas de outras não mencionadas na Bíblia. Na relação das obras da carne, lemos, no fim dela: “e coisas semelhantes a estas, acerca das quais eu vos declaro (…) que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de DEUS” (Gl 5.21). Nas diversas admoestações bíblicas preventivas quanto ao pecado, existem várias outras modalidades implícitas de pecado, caso essas advertências forem descumpridas. Ê importante, aqui, termos em mente a definição de alguns dos termos originais para pecado, haja vista cada qual descrever um tenebroso aspecto da sua malignidade. A palavra “transgressão” (hb. pesha’ e gr. bamartema) denota quebra das leis divinas; significa transpor a fronteira da lei, do bem, da ordem, da decência: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará…” (Pv 28.13). Outro termo para pecado é “iniqüidade”, isto é, fora do prumo; fora de nível; do lado de fora; erro; afastar-se do certo; errar o alvo — hb. hatta’t (Ez 18.20). O termo iniqüidade refere-se principalmente ao pecado do crente. No Novo Testamento, a palavra correspondente é hamartano (Rm 3.23). Neste versículo, “pecaram” é literalmente “erraram o alvo”. E este erro pode ser moral (2 Pe 2.18) ou na doutrina (I Jo 4.6b). Doutrina e moral devem andar juntas! Já o vocábulo “pecado”, conforme se registra em Romanos 5.12 (“por um homem entrou o pecado [errar o alvo] no mundo”), diz respeito ao desvio do alvo por DEUS traçado, previsto, determinado, que é a glorificação dEle. O pecado, pois, é um alvo que o ser humano acerta ao desviar-se do propósito verdadeiro, que é a glória de DEUS (Rm 3.23). O homem foi criado por DEUS para viver na esfera divina, porém, ao pecar, sua natureza foi mudada, e a sua inclinação natural é somente para pecar, mesmo que não pareça assim. Pecar, por conseguinte, é o ser humano desviar-se de sua finalidade moral, que é exaltar a DEUS, e somente a Ele. Outros quatro termos, quanto aos principais significados de “pecado”, na Bíblia, são: “desobediência”, rebeldia, má vontade para com DEUS e a sua lei; “incredulidade”, falta de confiança em DEUS e de dependência dEle; “ilegalidade”, subversão, oposição à lei e à ordem divinas; e “erro”, afastamento das normas divinas estabelecidas. A lei divina da reprodução segundo a sua espécie. Em Gênesis, vemos essa lei em evidência nos vegetais (1.11,12), nos animais (1.24,25) e no ser humano, após o pecado (5.3). O homem fora criado segundo a imagem de DEUS (1.26), e não segundo a sua própria espécie! Portanto, já nascemos espiritualmente contaminados (Rm 5.12), como disse o salmista: “Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu a minha mãe” (Sm 51.5). O homem tem dentro de si uma natureza pecaminosa. Por isso, todos nós precisamos ser participantes da natureza divina, mediante a conversão (2 Pe 1.4). Porque aqueles [nossos pais segundo a carne], na verdade, por um pouco tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este [DEUS Pai], para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade (Hb 12.10). O “homem natural”e o pecado. A Palavra de DEUS usa a expressão “homem natural” (I Co 2.14), numa referência clara ao estado do homem ainda não alcançado pela graça de DEUS. Ele está sob o pecado, espiritualmente morto, sob condenação e perdido. Não há um justo. Como vimos, o veredicto de DEUS é claro: “Não há um justo; nem um sequer”. E importante que o estudioso do assunto leia todo o capítulo de Romanos 9, principalmente os versículos 9-26, que tratam especificamente dessa verdade, de que não há um justo sequer. Todos os homens já nascem pecadores. Para que o homem fosse justo — por conta própria — diante de DEUS, seria preciso que nunca praticasse o mal e jamais quebrasse a lei divina. Além disso, seria preciso que sempre fizesse o bem, como está escrito em Eclesiastes 7.20: “Que faça bem, e nunca peque”. Há pessoas que relativamente não pecam tanto, porém não estão sempre praticando o bem. A principal definição divina para o pecado. E a que está contida em passagens como João 3.4 e 5.17. O termo hamartema denota errar o alvo, desviar-se do caminho, perder-se (I Jo 3.4a; 5.17b). Já a palavra anomia, contida em 3.4b, implica transgressão, desordem, rebeldia, subversão. Outro termo que aparece nessas passagens é adikia (5.17a), cuja significação é injustiça. Em Salmos 41.4, o pecado é definido como uma doença espiritual que faz enfermar a alma: “… sara a minha alma, porque pequei contra ti”. Em I Pedro 2.24, na expressão “fostes sarados”, o sentido é o mesmo, à luz do contexto. Essa denotação também pode ser encontrada em outros textos: E morador nenhum dirá: Enfermo estou; porque o povo que habitar nela será absolvido da sua iniqüidade (Is 33.24). Porque serieis ainda castigados, se vos rebelaríeis? Eoda a cabeça está enferma, e todo o coração, fraco. Desde a planta do pé até à cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres, não espremidas, nem ligadas, nem nenhuma delas amolecida com óleo (Is 1.5,6). Porque males sem número me têm rodeado; as minhas iniqüidades me prenderam, de modo que não posso olhar para cima; são mais numerosos do que os cabelos da minha cabeça, pelo que desfalece o meu coração (Sl 40.12). E JESUS lhe disse: Vê; a tua fé te salvou (Lc 18.42). A tradução literal da passagem acima é: “Vê; a tua fé te curou”. O termo grego aqui é sozo, “curar”, “salvar”, “livrar” (cf. Lc 7.50Mt 9.22). A origem do pecado. A Palavra de DEUS apresenta, em Ezequiel28.I5,I6, a origem do pecado: “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti. Na multiplicação do teu comércio, se encheu o teu interior de violência, e pecaste; pelo que te lançarei, profanado, fora do monte de DEUS e te farei perecer, ó querubim protetor, entre pedras afogueadas”. Esta descrição, ainda que de modo conotativo, relaciona-se a Satanás e sua rebelião contra DEUS. O pecado é universal. Em Romanos 3.23, vemos outro aspecto do pecado, a sua universalidade: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de DEUS”. Aqui e em outras passagens correlatas fica evidente que toda a humanidade, sem exceção, foi atingida pelo pecado. A realidade do pecado. Ainda que muitos procurem ignorar a existência do pecado, temos de considerar os esmagadores testemunhos da realidade do pecado> na Bíblia (Hb 12.1Sl 51.5), na História, na consciência, no dia-a-dia. Perguntemos a Adão após a sua queda, a Davi, a JESUS. Todos confirmarão que o pecado é uma realidade. Evidências da realidade do pecado. Elas são tão contundentes que é um absurdo negá-lo; é idiotice; é insanidade. Algumas dessas evidências são: cada hospital; cada casa funerária; cada cemitério; cada fechadura de porta; cada caixa forte de banco; cada alarme contra ladrão; cada policial, guarda, soldado; cada tribunal; cada prisão; cada dor, doença, deficiência, morte, tristeza, pranto, guerra. O pecado e sua raiz. A Palavra de DEUS menciona a raiz da incredulidade como a geratriz do pecado (Jo 16.9Hb 3.12) e também a do egoísmo, isto é, do culto ao “eu”, da personalidade (Ez 28.7Is 14.13,14Rm 1.25). O egoísmo é uma forma de rebeldia à vontade e à lei de DEUS; existe também o egotismo, endeusamento do homem por ele mesmo. O pecado como ato. Olhemos, agora, à luz da Palavra de DEUS, para o interior do pecado, a fim de conhecermos detalhadamente os seus aspectos. E importante, aqui, distinguirmos entre ato e estado pecaminosos. A Bíblia apresenta o pecado como um ato nosso, perpetrado por natureza e escolha deliberada: Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte Çl 1.14,15). Segundo a Bíblia, o pecador não sabe escolher o bem; ele sempre opta pelo mal. O filho pródigo não soube escolher o bem; preferiu o pior (Lc 15.11-18). O pecado como um ato praticado é, pois, um efeito, e não uma causa; a causa é o pecado congênito em nossa natureza decaída. O crente carnal também não sabe escolher o bem. Ló, por si mesmo, optou pelo pior, para ele e sua família (Gn 13.11,12). Esaú, de igual modo, vendeu a sua primoge- nitura por um simples prato de lentilhas (Gn 25.29-34). E Marta não soube escolher o melhor, como sua irmã, que representa um crente consagrado (Lc 10.41,42). O pecado como estado. Em Romanos 6.6, está escrito: “… o nosso velho homem foi com ele [CRISTO] crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado” — a expressão “corpo do pecado” é uma referência ao corpo como instrumento do pecado; não é a Bíblia querendo dizer que o pecado possui corpo tangível. O pecado como um estado indica que todos os homens estão propensos a pecar. È caracterizado pelo princípio da rebelião contra DEUS; trata-se de um poder maléfico; é um princípio gerador do mal. Ou seja, é primeiramente uma causa, e conseqüentemente um efeito. Como causa, o pecado é parte integrante da nossa natureza herdada de Adão. Em resumo, o homem não é culpado apenas pelos pecados cometidos; ele tem dentro de si uma natureza pecaminosa que em si já é pecado. A natureza do pecado. Há o pecado praticado, isto é, cometido, que aparece na Bíblia no plural (I Jo 1.9). Para este tipo de pecado há perdão de DEUS, como vemos no “sacrifício pela culpa” (Lv 5.14-19). Mas há também o pecado congênito, mencionado no singular (I Jo 1.7; SI 51.5; Rm 7.18,23). No caso deste tipo de pecado, só há purificação no sangue de JESUS. Vemos isso tipificado no “sacrifício pelo pecado” (Lv 4.1-12). O pecado e sua prática. Quanto à prática, há o pecado de comissão, que é fazer ou praticar a coisa errada (Tg I.I5); e o de omissão, que significa deixar de fazer a coisa certa, justa. Assim, pecado não é somente praticar o mal; deixar de fazer o que é certo é também pecado. Aquele, pois, que sabe jazer o bem e não ojaz comete pecado Çlg 4.11). E, quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o SENHOR, deixando de orar por vós; antes, vos ensinarei o caminho bom e direito (l Sm 12.23). Mas, ainda quanto ao pecado por omissão, a Palavra de DEUS menciona vários exemplos, como o caso do servo inútil, condenado porque não fez nada, apesar de ter recebido bens de seu senhor para cuidar (Mt 25.24-30). Outro exemplo de omissão vemos na parábola das dez virgens. As loucas não se prepararam (Mt 25.3). Temos outro exemplo no julgamento das nações: as omissas para com Israel serão punidas (Mt 25.42-45). Em Números 32.23a, está escrito: “e, se não fizerdes assim, eis que pecas- tes contra o Senhor”. Deixar de cumprir a lei de DEUS é tanto pecado quanto transgredi-la (cf. Jz 5.23). A Palavra de DEUS diz que os ímpios serão lançados no inferno por omissão: “Os ímpios serão lançados no inferno e todas as nações que se esquecem de DEUS” (Sm 9.17). Outrossim, todo pecado, seja ele qual for, é praticado primeiramente contra DEUS. Davi, além de pecar contra Bate-Seba, Urias e si mesmo, pecou primeiramente contra DEUS, o Legislador: “Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que a teus olhos é mal…” (Sm 51.4). O pródigo pecou contra si mesmo e contra a sua família, mas primeiramente contra o seu pai, que na parábola aponta para DEUS (Lc 15.21). A origem do pecado dentro do homem. Na Palavra de DEUS mencionam-se o pecado da carne (2 Co 7.1) e o do espírito (2 Co 7.1Sm 66.18). Muitos acham que pecado mesmo é o do assassino, do bandido, do ladrão, do viciado, do imoral, do fornicário, do adúltero, da prostituta; pensam que é o engano, o calote, o furto, o mundanismo e outros pecados predominantemente da carne. Entretanto, os pecados do espírito são às vezes piores que os pecados da carne acima mencionados. Davi cometeu pecados da carne terríveis, a ponto de dizer, ao ser repreendido pelo Senhor: “Pequei contra o Senhor” (2 Sm 12.13Sm 51). Mas o pecado do espírito que ele cometeu foi pior, levando-o a confessar: “Gravemente pequei” (I Cr 21.8). “Toda iniqüidade é pecado” (I Jo 5.17). Os fariseus do tempo em que JESUS andou na Terra acusavam pessoas que cometiam pecados da carne, como a mulher adúltera que JESUS perdoou, dizendo-lhe: “vai-te e não peques mais” (Jo 8.I-I I). Contudo, os mesmos fariseus cometiam grandes pecados do espírito (Mt 23). Vejamos alguns exemplos de pecados do espírito: orgulho, soberba, vangloria, arrogância, inveja, ganância, cobiça, ira, amargura, mau humor, ciúme doentio, hipocrisia, leviandade, irreverência com o que é sagrado, mentira, egoísmo, roubar a DEUS, quebra do Dia do Senhor, mau testemunho, desonestidade, negligência na oração e quanto à Bíblia, relaxamento com a obra de DEUS, etc. As conseqüências do pecado. Na Bíblia são mencionados o pecado para morte e o que não é para morte: “Se alguém vir seu irmão cometer pecado que não é para morte, orará, e DEUS dará a vida àqueles que não pecarem para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que ore” (I Jo 5.16). O pecado para morte — dependendo de sua gradação — traz como conseqüências: sofrimentos, morte espiritual, morte física e até perdição eterna. São pecados que levam o seu praticante à morte física prematura: desobediência deliberada (I Rs 13.26); incesto (I Co 5.5); murmuração (I Co 10.5); profanação (I Co 11.29-32); desvio (Jr 16.5,6); tentar a DEUS (Nm 14.29,32,3518.2227.12-14); falsidade (Ato 5.10); rebeldia — não momentânea, mas como estado (Ef 6.3) —, etc. Entretanto, há pecado que não é para morte. Todo pecado é transgressão diante de DEUS, mas nem todo pecado é igual aos olhos de DEUS. O pecado tem gradação, como se vê nas seguintes expressões bíblicas: “grande pecado” (Êx 32.30,31I Sm 2.17Sl 25.11Am 5.12); “maior pecado” (Jo 19.11); “muito grande pecado” (I Sm 2.172 Sm 24.10 com I Cr 21.8,17); “muitos pecados” (Lc 7.47); “multidão de pecados” e “multiplicar pecados” (Ez 16.51Os 13.2Tg 5.20). Qualquer pecado, mesmo perdoado, não nos exime dos seus maus efeitos, das suas conseqüências; do seu castigo aqui (Sl 99.8Nm 14.19-23). O perdão de DEUS nos exime da condenação como filhos de DEUS, porém o castigo aqui tem a ver com o nosso aprendizado espiritual aqui] há crentes que só aprendem “apanhando”. E mais: o tempo não apaga, não desfaz o pecado: Então, falou o copeíro~mor a Faraó, dizendo: Dos meus pecados me lembro hoje (gn 41.9). … quando for outra vez, o meu DEUS me humilhe para eonvoseo, e eu chore por muitos daqueles que dantes pecaram e não se arrependeram da imundícia, e prostituição, e desonestidade que cometeram 2 Co 2.21. O pecado e seu perdão. Quanto ao perdão, a Bíblia menciona o pecado perdoável e o imperdoável em Mateus 12.31,32: Portanto, eu vos digo: todo pecado e blasfêmia se perdoará aos homens, mas a blasfêmia contra o ESPÍRITO não será perdoada aos homens. E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do Homem> ser-lbe~á perdoado, mas, se alguém falar contra o ESPÍRITO SANTO, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro. O pecado imperdoável não diz respeito a um ato isolado. Trata-se de um pecado contínuo, não cometido por ignorância (cf. I Tm 1. 13). A má interpretação disso tem causado aflição em muitas pessoas, que pensam ter cometido o tal pecado. No Capítulo 4 desta obra, há uma explicação sobre o pecado imperdoável do ponto de vista da Pneumatologia. Quanto à Soteriologia, tal pecado leva quem o pratica à condenação porque o tal peca contra a única Pessoa da Trindade cuja obra no que concerne á nossa salvação não está concluída. A obra do Pai foi consumada; a do Filho está concluída, mas a do ESPÍRITO continua (cf. Jo 16.8). A consumação do pecado. No que concerne à sua consumação, há o pecado voluntário, consciente, deliberado (Mt 25.25Lc 19.20-23Js 7.21); e o involuntário, inconsciente, não deliberado (SM 19.1290.8Jr 17.9Lv 4.I3-2I; 5.15,17; Nm 15.22-31). Este, ainda que cometido de modo involuntário, por imprudência ou inconsciência, terá a sua devida condenação. Aqui no mundo, se alguém, por ignorância, violar as leis da Física, sofrerá as conseqüências disso. Por exemplo, se alguém saltar de um prédio de dez andares, mesmo não tendo consciência de que a força da gravidade fará com que o seu corpo se estatele no chão, a sua ignorância não impedirá a sua morte. Quanto ao corpo humano, de acordo com I Coríntios 6.18 — que diz: “Fugi da prostituição. Todo pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo” —, há dois tipos de pecado: contra o corpo, que destrói primeiro o próprio pecador que o comete; e fora do corpo, que arruina primeiro os outros, além de quem o comete. O pecado relacionado ao crente. O pecado conhecido e tolerado na vida do crente gera conseqüências terríveis, como: perda das bênçãos de DEUS, disciplina divina e da igreja, interrupção da comunhão com DEUS, cessação de operação divina por meio do crente e perda de galardão no futuro. O julgamento do pecado. DEUS nem sempre julga logo o pecado. Se Ele julgasse de imediato, nem este escritor estaria mais aqui. A Palavra do Senhor diz: “Não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos retribuiu segundo as nossas miqüidades” (SI 103.10). DEUS dá tempo para que o pecador se corrija, se arrependa, mude. Em certas pessoas, o pecado é logo manifesto e julgado; noutras, isso ocorre depois: “Os pecados de alguns homens são manifestos, precedendo o juízo; e em alguns manifestam-se depois” (I Tm 5.24). Por quê? O justo Juiz sabe de tudo isso. E, como nos ensina a Palavra de DEUS, nada julguemos antes de tempo, até que o Senhor traga à luz as coisas ocultas e manifeste os desígnios dos corações, em sua gloriosa vinda (I Co 4.5). … nada há encoberto que não haja de revelar-se; nem oculto que não haja de saber- se (Mt 10.26). … eis que pecastes contra o SEKHOR; porém sentireis o vosso pecado, quando vos achar Nm 32.23). Como triunfar sobre o pecado. Os passos para vencer o pecado, triunfando sobre ele, são os seguintes: 1- Amar a Palavra de DEUS, a ponto de escondê-la no coração; isso faz com que o crente vença o pecado (Sm 119.11). 2- Crer no poder do sangue de JESUS, isto é, no sacrifício expiatório que Ele realizou, a fim de que o pecado não tenha domínio sobre nós (I Jo 1.9). 3- Confiar no poder do ESPÍRITO SANTO, o qual habita em nós e, se Ele exercer pleno predomínio em nosso viver, faz-nos triunfar sobre o pecado (Rm 8.2). 4- O ministério sacerdotal de CRISTO. Ele venceu todas as coisas, e, se estivermos nEle, também venceremos o pecado (Hb 4.15,16). 5- A nossa fé depositada em JESUS CRISTO também nos faz triunfar sobre o pecado (Fp 3.9). 6- Finalmente, a nossa total submissão e entrega a CRISTO (Rm 6.14). E submissão implica ser obediente à sua vontade e também agradar-lhe por amor. Conclusão. A nossa recomendação final, ao concluir este tópico sobre a doutrina do pecado é, como diz o escritor sacro: “Evita o pecado!” A Palavra de DEUS admoesta: “Meus filhinhos (…) não pequeis” (1 Jo 2.1). Lembre-se de que “Obedecer é melhor do que sacrificar” (I Sm 15.22). E “sacrificar”, aqui, também pode significar “remediar”. Evitemos, pois, os pecados vindos de dentro; e, de fora: “A ninguém imponhas precipitadamente as mãos, nem participes dos pecados alheios; conserva-te a ti mesmo puro” (I Tm 5.22).

A DOUTRINA DA GRAÇA DE DEUS Na matéria Soteriologia, a ênfase recai sobre a graça de DEUS para salvar o pecador. E, por essa razão, não discorrermos sobre a grafa comum, extensiva a todos os homens: “Abres a mão e satisfazes os desejos de todos os viventes”. Aqui não se trata de graça salvadora; diz respeito ao favor de DEUS dispensado bondosamente aos seres humanos, no sentido de prover os meios de subsistência a todos, sem distinção (Sl 104.10-30). Gra^a relacionada com a salvação. E a atitude (ou provisão) graciosa do Senhor para com o indigno transgressor da sua lei (cf. Rm 3.9-26). Ela resulta da parte de DEUS para com o pecador em: misericórdia (I Tm 1.22Tm 1.2Tt 1.42 Jo3; Jd v.2I); benevolência (Lc 2.14b); paz (resultado da misericórdia de DEUS no coração do homem); gozo (que é mais interior), bem como alegria, beleza e adorno espirituais — que são mais externos (cf. Rm 12.6). No original, graça é charis, donde vêm “charme”, “carismático” (no sentido exato), “caridade”, “agradável”, “atraente”, “agradecer”, “gratidão”. A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um (Cl 4.6). … segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado (Ef 1.5,6). O nosso assunto diz respeito à graça de DEUS para salvar. A provisão divina para com o indigno transgressor da lei existia desde o Antigo Testamento (Ex 33.13Jr 3.1231.2). A passagem de Atos 15.10,11 não deixa dúvidas quanto a isso: Agora, pois, por que tentais a DEUS, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós podemos suportar? Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor JESUS CRISTO, como eles também. No Novo Testamento, a graça de DEUS para salvar o pecador é mencionada de maneira mais direta (Ef 2.7,8I Tm 1.13,16Rm 5.20Jo 1.16,17). Porque a graça de DEUS se há manfestado, trazendo salvação a todos os homens (Tt 2.11). Mas, quando apareceu a benignidade e caridade de DEUS, nosso Salvador) para com os homens, não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do ESPÍRITO SANTO (Tt 3.4,5). De acordo com Efésios 2.5,6, o pecador está morto, e nessa condição não pode ajudar em nada. Como efetuaria ele a sua própria ressurreição? Assim como não pudemos ajudar em nada quando do nosso primeiro nascimento, muito menos em nosso segundo (novo) nascimento. Tudo é pela graça, para que o homem não tenha de que se gloriar. Tudo épelagraça de DEUS. Na vida do crente, ela gera crescimento na fé (2 Pe 3.18). E por meio dela que triunfamos contra o mal (Rm 6.14Hb 13.9Ato 4.332 Co 12.9) e trabalhamos para o Senhor (Hb 12.28I Co 3.1015.102 Co 6.1). Por ela, falamos (Sm 45.2Cl 4.6); cantamos (Cl 3.16); e tratamos (Rt 2.10). È pela graça também que somos capacitados a dar a DEUS e ao próximo (2 Co 8.1,6,7). Essa liberalidade pela graça, para dar a DEUS, leva-nos a fazer isso em quatro sentidos: 1- Dar-nos a nós mesmos inteiramente ao Senhor. 2- Dar-lhe o nosso tempo; a nossa vida. 3- Dar-lhe os nossos talentos. 4- Dar-lhe o nosso dinheiro. A Palavra de DEUS menciona, no Antigo Testamento, a liberalidade do crente para com o Senhor: “E ali trareis os vossos holocaustos, e vossos sacrifícios, e os vossos dízimos, e a oferta alçada da vossa mão, e os vossos votos, e as vossas ofertas voluntárias, e os primogênitos das vossas vacas e das vossas ovelhas” (Dt 12:6). Vemos aqui sete tipos de ofertas, todas implicando finanças. Nós devemos tanto a DEUS, que, no viver para com Ele, e no trabalho dEle, mesmo fazendo o nosso melhor e o máximo que pudermos, não vamos além do dever (Lc 17.1). Ou seja, nunca ingressaremos no mérito! Nesse caso, a graça de DEUS é mais abundante na vida daqueles que são humildes (Tg 4.6). A humildade é, pois, o fio condutor da graça (I Pe 5.5). A graça de DEUS em resumo. Diante do exposto, a graça de DEUS é o dom da salvação em CRISTO, como dádiva de DEUS ao pecador, indigno e merecedor do justo juízo de DEUS (Tt 2.11). Ela é o poder sustentador de DEUS, que nos mantém firmes e perseverantes na fé, depois de salvos (2 Co 12.9), como lemos em 2 Timóteo 2.1: “Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em CRISTO JESUS”. A graça do Senhor é a dádiva das bênçãos diárias que recebemos dEle, sem merecê-las (Jo 1. 16). E, ainda, a dádiva da capacitação divina no crente, para este realizar a obra de DEUS (I Co 15.10Hb 12.28). Atentemos, pois, para a recomendação da Palavra de DEUS, em I Coríntios 3.10: “Segundo a graça de DEUS que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele”.

A DOUTRINA DA EXPIAÇÃO PELO SANGUE Em Isaías 53.10, está escrito acerca da obra expiatória de CRISTO: Todavia; ao Senhor agradou o moê-lo; fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expíação do pecado} verá a sua posteridade; prolongará os dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão. A doutrina em apreço é chamada de kilasmologia. Expiação, para nós do Novo Testamento, é a morte de JESUS em nosso lugar para poder nos remir do pecado; salvar-nos do pecado — expiar é tirar o pecado: “Eis o Cordeiro de DEUS, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Expiação tem a ver com o pecado (Lv 41623). Quatro palavras para a salvação. Há quatro grandes palavras doutrinárias empregadas na Bíblia para nos revelar a extensão do valor da morte de JESUS, isto é, do seu sangue remidor, para tirar os nossos pecados. Tão vasto e infinito é o alcance da obra efetuada por JESUS que um só vocábulo das Escrituras não pode resumi-la. A palavra “expiação” aplica-se em relação ao pecado em se tratando da salvação quanto ao seu alcance, que é infinito (Sm 103.12Is 53.10). Já “redenção” diz respeito à salvação em relação ao pecador e seu pecado. Outro termo, “propiciação”, aplica-se à salvação quanto à transgressão; isto é, a salvação considerando o ser humano como o transgressor. E a quarta palavra é “imputação”, que se relaciona com a salvação quanto ao seu “creditamento”. Ou seja, a justiça de DEUS “lançada em nossa conta”, pela fé no próprio DEUS (cf. Fp 4.17Mt 6.12; Fm v.I8; Rm 4.3). Portanto, a salvação é tão grande e tão rica que uma só palavra não abarca o seu significado! Glória a DEUS! Tecnicamente, a palavra “expiar” — hb. kapar— significa “encobrir”, “cobrir”, “ocultar”, “tirar da vista”. A primeira menção dessa palavra nas Escrituras está em Gênesis 6.14 (hb. kapar, “betumarás”, ARC; “calafetarás”, ARA) e ilustra muito bem o seu emprego através da própria Bíblia, como a Palavra de DEUS. Biblicamente, expiar é pagar, quitar, tirar os pecados de alguém, perdoar, mediante um sacrifício reparador exigido, mas também propiciador. Expiar, pois, é tirar o pecado mediante a morte de alguém como substituto do culpado e condenado. No nosso caso, foi JESUS que morreu por nós, pecadores perdidos (Is 53.10Jo 1.29Ap 13.82 Co 5.21). Sem expiação pelo sangue não há perdão do pecado (Lv 4.35). A expiação aplaca o Legislador, por satisfazer a sua Lei, violada que foi, pela culpa do pecado como ato praticado (Lv 5), bem como manchada e ultrajada pelo pecado como estado, na natureza do pecador (Lv 4). Neste capítulo, vemos quatro categorias universais de pecadores e a expiação de seus pecados mediante o sangue expiador. Mas a expiação vai além. Ela também torna o Legislador benevolente para com o transgressor perdoado. Essa decorrência da expiação é chamada de propiciação. A necessidade da expiação. A expiação pelo sangue foi necessária para dar satisfação à Lei divina — caso contrário, essa Lei seria vã — e seu Legislador escarnecido. A pecammosidade da natureza e dos atos do homem também tornou necessária a expiação divina. JESUS, para expiar nossos pecados, bastava morrer por nós na cruz; mas, para nos justificar diante de DEUS e sua Lei violada, era preciso que Ele ressuscitasse (Rm 4.25; Desse modo, a nossa ressurreição espiritual (isto é, a nossa regeneração) dependia da ressurreição dEle (I Pe 1.3Cl 3.1). Glória a DEUS porque JESUS ressuscitou! Há diferença entre a expiação, a redenção e a propiciação, todas realizadas por JESUS CRISTO. A expiação é do pecado do pecador; a redenção é da pessoa do pecador; e a propiciação tem a ver com DEUS em relação ao pecador já perdoado (cf Lc 18.13I Jo 2.2). A salvação de criancinhas inocentes — apesar de pecadores por natureza — decorre da expiação efetuada por CRISTO, e não primeiramente da redenção. A ohra expiatória de CRISTO. No Antigo Testamento, a expiação dos pecados na nação “durava” um ano apenas! O que ocorria anualmente no solene Dia da Expiação, mencionado em Levítico 16, era que a sentença de morte que pairava sobre todos, por causa do condenável e criminoso pecado, praticado pelo povo diariamente, era prorrogado por mais doze meses. Ora, isso apenas aumentava a dívida espiritual desse povo para com DEUS, cada ano que passava (Hb 9.2510.1-3). CRISTO na cruz, pelo seu sangue expiou os nossos pecados uma vez para sempre — “… porque isso fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo” (Hb 7.27); “Doutra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas, agora, na consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo” (Hb 9.26) —, mas a salvação só se realiza na vida de cada pecador quando este aceita o Redentor, JESUS CRISTO.

A DOUTRINA DA REDENÇÃO Como já vimos, redenção tem a ver com a pessoa do pecador. Ela é realizada por JESUS CRISTO: “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” (Ef 1.7). Pois “… por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção” (Hb 9.12). Definição de redenção. Nos dias bíblicos, redenção é a libertação de um escravo, mediante um resgate — gr. lytron (este termo aparece em Mateus 20.28) —, além de retirar esse escravo do mercado de escravos, para não mais ficar exposto à venda. Redenção sempre requer o preço a ser pago para garantir a liberdade do escravo. Há sete principais palavras originais no Novo Testamento para redenção: 1- Agorazo, “compraste” (Ap 5.9). Comprar na praça. O pecador estava na praça do mercado de escravos, vendido ao pecado e servindo a Satanás: “Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de CRISTO, para que sejais doutro, daquele que ressuscitou de entre os mortos, a fim de que demos fruto para DEUS” (Rm 7.4). 2- Exagorazo, “resgatou” (Gl 3.13). Comprar o escravo na praça e retirá-lo de lá, para que não fosse mais exposto à venda: “Ele nos tirou da potestade das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor” Cl 1.13. 3- Lytroo, “resgatados” (I Pe 1.18,19). Pagar o preço exigido pelo resgate de um escravo e libertá-lo. 4- Lytrosis, “redenção” (Hb 9.12). Libertar mediante o pagamento de resgate. È um termo mais vigoroso do que lytroo, 5- Apolytrosis, “redenção” (Ef 1.7). È empregado em Lucas 21.28 para significar soltura, libertação, livramento, desprendimento do povo de DEUS, ao sair deste mundo opressor e escravisador, para ficar eternamente com o Senhor. Este termo é uma forma mais vigorosa que lytrosis. 6- Antilyron (I Tm 2.6). A troca de uma pessoa por outra; ou seja, a redenção de vida por vida, no caso de um cativo, escravo ou prisioneiro. 7- Lytron (Êx 21.30Mt 20.28Mac 10.45). O resgate pago pela redenção de um cativo, escravo ou prisioneiro de guerra.

A redenção do pecador. A nossa redenção espiritual foi planejada e decidida por DEUS antes da fundação do mundo (I Pe 1.18,19Ap 13.8). Essa redenção, em CRISTO, é formosa e claramente ilustrada em Levítico 25 — principalmente nos versículos 25, 48 e 49 — e Rute 2.203.9-134.1-9. Nessas passagens, o termo go’el significa “parente remidor”, o qual tinha de ser consangüíneo do escravo. Vemos claramente no papel desse parente remidor um tipo de nosso Redentor, o Senhor JESUS (Tt 2.14). O tríplice resultado da redenção. A nossa redenção efetuada por JESUS resulta na conversão da alma, pois esta foi perdida pelo homem, na sua Queda (Gn 2.17Ez 18.20). Outro resultado da redenção é a nossa ressurreição, isto é, a redenção do corpo. O homem perdeu o seu corpo ao perder o direito a comer da árvore da vida, no Èden, devido à Queda: “Então, disse o Senhor DEUS: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, pois, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente” (Gn 3.22). A redenção resulta também em domínio da terra. O ser humano perdeu a terra ao pecar (Gn 1.28). Em João 1.29, vemos que JESUS é o Cordeiro de DEUS que tira o pecado do mundo (cf. Ap 5.1-5,9). Na Segunda Vinda de CRISTO, começará a redenção da terra, que fora amaldiçoada depois da Queda: “maldita é a terra” (Gn 3.17).

A DOUTRINA DA PROPICIAÇÃO Em Êxodo 32.30, está escrito: “E aconteceu que, no dia seguinte, Moisés disse ao povo: Vós pecastes grande pecado; agora, porém, subirei ao Senhor; porventura, farei propiciação por vosso pecado”. Propiciar é aplacar; tornar benevolente o ofendido, mediante uma oferta judicial e expiatória, e que seja aceita. Definição. A propiciação resulta da expiação. A palavra portuguesa “propiciação” deriva do latimpropitío, “unir”, “reconciliar”, “pacificar”. O conceito pagão de propiciação é aplacar um deus irado, vingativo (cf. I Rs 18.26,29). Mas, à luz da Palavra de DEUS, implica satisfazer a Lei divina violada e, desse modo, remover aquilo que impedia DEUS de fazer extravasar e fluir o seu amor, sua benevolência e suas bênçãos sobre o pecador, salvando-o. Propiciar a DEUS não foi só satisfazê-lo, reparando a sua Lei e a sua vontade ultrajadas, mas torná-lo benevolente e abençoador do ofensor. Aqui na Terra quando o próximo é ofendido e reparado, ele não quer ser benevolente nem abençoador do ofensor. JESUS é a nossa propiciação (Rm 3.25I Jo 4.10). Como nosso Sumo Sacerdote, Ele é tanto a nossa propiciação, como o nosso propiciatório. “E ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” (I Jo 2.2). A reconciliação do homem com DEUS é resultado da propiciação pelo sangue de JESUS — gr. katallage, “reconciliação” (Rm 5.11). Assim como a expiação leva à propiciação, esta leva à reconciliação. CRISTO, ao consumar a expiação dos nossos pecados, consumou também a nossa reconciliação com DEUS e com o nosso próximo (Ef 2.16,17). Porque, se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com DEUS pela morte de seu Eilho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. E não somente isto, mas também nos gloriamos em DEUS por nosso Senhor JESUS CRISTO, pelo qual agora alcançamos a reconciliação (Rm 5.10,1 1). Em 2 Coríntios 5.18,19, está escrito: “E tudo isso provém de DEUS, que nos reconciliou consigo mesmo por JESUS CRISTO e nos deu o ministério da reconciliação, isto é, DEUS estava em CRISTO reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação”. Vemos, aqui, que Ele nos deu o ministério da reconciliação (v. 18) e pôs em nós a palavra da reconciliação (v. 19). A reconciliação que vem da expiação efetuada por CRISTO abrange tudo o que foi criado, na terra e nos céus (Cl 1.20Hb 9.12). CRISTO, pelo seu sangue, promoveu a paz, já que nós não podíamos. Em hebraico, um dos termos para salvação é shalom, “paz”, “saúde”, “integridade”, “completude”. Ilustração de propiciação. Em Lucas 18.13 (ARA) está escrito do humilde e indigno publicano, da parábola proferida por JESUS: “O DEUS, sê propício [gr. hílaskomaí] a mim, [o] pecador”. Literalmente, o publicano da parábola mencionada em Lucas 18.9-14 estava dizendo: “DEUS, olha para mim, o pior pecador, assim como tu olhas para o sangue propiciador aspergido sobre o propiciatório, na arca da aliança”. DEUS teve prazer em responder à sua oração! (v. 14).

A DOUTRINA DA FÉ SALVÍFICA Fé não é crer sem provas — ela é baseada na maior de todas as provas: a Palavra de DEUS. A fé é um fato, mas também um ato (Tg 2.17,26Mt 17.20); manifesta-se por ações, por obras — “como um grão de mostarda”. Há dois aspectos da fé: ativo e passivo. A fé ativa diz respeito a nosso viver, nosso agir, nosso trabalhar para DEUS. Já a passiva se relaciona com a fidelidade do crente ao Senhor e sua firme perseverança. Como a fé salvífca se manifesta. A fé salvífica tem a ver com o pecador em relação a DEUS (Ef 2.8,9Ato 16.31), pois “… sem fé é impossível agradar-lhe, porque é necessário que aquele que se aproxima de DEUS creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6). A pergunta que o jovem rico devia ter feito, em Mateus 19.16, seria: “Em quem devo crer para ser salvo?”, e não “Que devo fazer para me salvar?” Salvação não é o que eu devo fazer, mas em quem devo crer para me salvar (Ato 16.31). Em Romanos 10.9,10 está escrito: “Se, com a tua boca, confessares ao Senhor JESUS e, em teu coração, creres que DEUS o ressuscitou dos mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação”. De acordo com a passagem acima, o pecador confessa a CRISTO e crê nEle como Senhor e Salvador — rende-se a Ele (Jo 9.38Rm 4.3). A fé natural. E a fé “da cabeça”, natural, que não resulta em salvação. A Palavra de DEUS diz que até os demônios crêem que há um só DEUS e estremecem diante de tal fato (Tg 2.19). A fé que Tomé teve, inicialmente, foi meramente “da cabeça”. Daí JESUS lhe ter dito: “Porque me viste, Tomé, creste” (Jo 20.29a). Isso também aconteceu com Marta: Disse-lhe Marta: Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último Dia. Disse-lhe JESUS: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de DEUS? (Jo 11.24,40). Uma pessoa pode, por conseguinte, crer só com a mente, e não com o coração. A fé natural — também chamada de “pensamento positivo” — é de grande utilidade nas relações humanas, mas inoperante e sem valor para a salvação. A defesa da fé. Textos como 2 Timóteo 4.7 e Filipenses I.16 mostram que o crente deve defender a sua fé nesse mundo de tanta confusão e antagonismo quanto à fé. O apóstolo Paulo disse: “Combati o bom combate (…) guardei a fé”. Isso significa que devemos viver pela fé cada dia, sem esmorecer, defendendo o evangelho de nosso Senhor JESUS CRISTO. A fé deve ser conservada, pois é essencial à vida cristã (Rm 1.17Gl 2.202 Pe 1.5Hb 11.6). Outras expressões da fé. A significação do termo “fé” varia, no Novo Testamento. Em Gálatas 5.22, ela é uma das virtudes do fruto do ESPÍRITO, expressando fidelidade. Há ainda outras expressões da fé: um dom do ESPÍRITO (I Co 12.9), o evangelho completo (2Tm 4.7), a confiança absoluta em DEUS, como proteção ou “escudo” (Ef 6.17), além de uma fé que santifica (Fp 3.9).

A DOUTRINA DO ARREPENDIMENTO A fé se relaciona com DEUS; o arrependimento, com o pecado. O arrependimento, pois, é uma doutrina básica quanto à salvação (Mt 3.24.17Lc 13.3Mc 6.12). Foi por isso que JESUS ordenou que “em seu nome, se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém” (Lc 24.47). O verdadeiro arrependimento é o que produz convicção do pecado; contrição do pecado; confissão do pecado; abandono do pecado; e conversão do pecado. Se essas cinco reações por parte do homem não ocorrerem, não se trata de arrependimento verdadeiro, completo, mas apenas tristeza e remorso: “Porque a tristeza segundo DEUS opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte” (2 Co 7.10). Para que o homem não se glorie, o verdadeiro arrependimento é obra de DEUS (Ato 5.3111.182 Tm 2.25Rm 2.4). Até o abrir do coração do pecador para o evangelho vem de DEUS: “E certa mulher, chamada Lídia (…) nos ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia” (Ato 16.14). Isso ocorre pela exposição da Palavra de DEUS, que conduz a pessoa ao arrependimento, sendo ela crente ou não (Ato 2.37,38,41Jn 3). Uma das características sempre presente nos verdadeiros avivamentos, bem como entre um povo que se mantém avivado espiritualmente, é o arrependimento profundo. O arrependimento deve sempre acompanhar o crente durante toda a sua vida. Isso demonstra sua humildade e fá-lo zeloso de DEUS e de suas coisas. Davi, por exemplo, era um crente que sabia se arrepender e chorar diante de DEUS; e por isso venceu. O Filho Pródigo iniciou o caminho de subida, de volta ao pai, a partir do momento em que começou a se arrepender (Lc 15. 11-24).

A DOUTRINA DA CONFISSÃO No original, o verbo homologeo (gr.) e o substantivo homologia são os termos para confissão. Confessar é dizer de coração o que DEUS diz sobre nós na sua Palavra (Rm 10.9,10Lv 5.5Sm 38.18I Jo 1.9). No sentido bíblico, confissão não se refere primeiramente a confessar pecados. Significa concordar com o que DEUS diz sobre nós — e dEle — na sua Palavra, bem como reconhecer os nossos pecados e faltas como sendo nossos e admitir os nossos erros, falhas, pecados e declará-los (Ato 19.18). Vemos em Hebreus 3.1 que JESUS CRISTO é o Sacerdote da nossa confissão, isto é, a quem confessamos quanto à nossa salvação e tudo o mais pertinente à fé. Em I João 1.9, está escrito: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça”. Elementos da confissão. De acordo com o I João 1.9, a confissão deve ser contrita e definida: “nossos pecados”. Observe que são “pecados” (plural). Outro elemento é a renúncia ao pecado (Pv 28.13). E, quanto for o caso, a confissão deve ser com restituição. Confissão secreta. E a confissão feita somente a DEUS. Confissão de pecados cometidos pelo crente e conhecidos somente por ele e DEUS. Tais pecados devem ser confessados secretamente ao Senhor, dependendo isso da base bíblica desse crente e da confiança plena e firme no que DEUS declara na sua Palavra. Confissão pessoal. E a confissão feita a pessoas contra quem pecamos. Nesse caso, antes de irmos a DEUS contritamente, temos de tratar com o ofendido ou o cúmplice, pois a comunhão espiritual é tanto vertical (comunhão com DEUS) como horizontal— comunhão com o próximo (I Jo I.7a). Confissão pública. E a confissão feita à igreja, à congregação. São pecados conhecidos, cometidos contra a coletividade cristã.

A DOUTRINA DO PERDÃO DE PECADOS E importante distinguir perdão divino (I Jo 1.9) de perdão humano (Cl 3.13). Do lado divino, perdão é a cessação da ira moral e santa de DEUS contra o pecado, e o seu cancelamento ou anulação. Visto do lado humano, o perdão é o alívio ou remissão da culpa do pecado, que oprime a consciência culpada. Perdão é a remissão da punição do pecado, o qual leva à perdição eterna (Nm 23.21Rm 8.33,34). Para nós, seres humanos, que, pela Queda, herdamos uma natureza pecaminosa e pecadora, parece fácil o perdão, e parece fácil DEUS nos perdoar; isso por sermos todos uma raça de pecadores. Porém, com um DEUS santíssimo em quem não há pecado, o caso é diferente! Ora, até o homem acha difícil perdoar quando é injustiçado. Quanto mais DEUS! DEUS nos perdoa porque Ele é amor; mas saibamos que o seu perdão é baseado na mais perfeita justiça (I Jo 1.9). Perdão judicial. E para o descrente. A condição exigida por DEUS para esse perdão é a conversão do pecador: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tempos do refrigério pela presença do Senhor” (At 3.19). O meio exigido, portanto, é a fé em DEUS. Perdão doméstico. E para o filho de DEUS; da casa de DEUS. A condição exigida é a confissão dos pecados com arrependimento e o abandono desses pecados. Se confessarmos os nossos pecados} ele éfiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça 1 Jo l.9 O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia (Pv 28.13). O meio exigido é também a fé em DEUS, e segundo a Palavra. Se a condição exigida por DEUS para perdoar o crente faltoso fosse uma nova conversão, seria necessário nos convertermos constantemente… As conseqüências de o crente não querer perdoar. O crente se recusar a perdoar, não querer perdoar de forma alguma, é uma atitude que afeta comunhão com DEUS, individual e coletivamente. Afeta, ainda, a nossa comunhão com os irmãos — com a igreja —, bem como o nosso caráter cristão e a nossa saúde em geral (cf. Mt 18.34,35). JESUS, no seu ensino, no “Pai Nosso”, o único assunto que Ele repetiu três vezes foi o perdão; isto é, perdoarmos aos outros (Mt 6.12,14,15). O momento ideal para o crente perdoar o seu ofensor é durante a oração (Mt 11.25). Até nisso a oração é uma bênção! Crente que ora pouco, também perdoa pouco (ou nunca). Além do perdão entre os irmãos, deve haver reparação, quando for o caso (cf. Ef 5.28Ato 16.33; Lv 4—6). Falou mais o Senhor a Moisés; dizendo: Dize aos filhos de Israel: Quando homem ou mulher jizer algum de todos os pecados humanost transgredindo contra o Senhor; tal alma culpada ê. E confessaráo pecado que fez; então, restituirá pela sua culpa segundo a soma total, e lhe acrescentará o seu quinto•, e o dará àquele contra quem se fez culpado (Nm 5.5-1).

A DOUTRINA DA REGENERAÇÃO ESPIRITUAL O termo regeneração tem a ver com a nossa inclusão na família de DEUS (I Pe 1.3,23Tt 3.5). Em Gênesis 1.27, temos a criação natural do homem; em Efésios 2.10, temos a sua criação espiritual. Regeneração é o ato interior da conversão, efetuada na alma pelo ESPÍRITO SANTO. Conversão é mais o lado exterior e visível da regeneração. Uma pessoa verdadeiramente regenerada pelo ESPÍRITO SANTO é também convertida (cf. Lc 22.32). Sendo regenerado pelo ESPÍRITO SANTO, o crente é declarado filho de DEUS (Ef 1.13) O que ocasiona a regeneração espiritual não é primeiramente a justificação pela fé, mas a comunicação da vida de CRISTO — da “vida eterna” ao pecador arrependido. Justificação tem a ver com o pecado do pecador; regeneração tem a ver com a natureza do pecador. Justificação é imputada por DEUS; regeneração é comunicada por DEUS. Bem vês que a fé cooperou com as suas ohras e que, pelas obras, a fé foi aperfeiçoada, e cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em DEUS, e foi-lhe isso imputado como justiça, efoi chamado o amigo de DEUS (Tg 2.22,23).

A DOUTRINA DA IMPUTAÇÃO DA JUSTIÇA DE DEUS Imputação é o lançamento ou creditamento da justiça de CRISTO a nosso favor, mediante a nossa fé em CRISTO (Rm 4.3ss; Gl 2.16ss; 3.6-8; Gn 15.6;Tg 2.23). “O Senhor Justiça Nossa” (Jr 23.6). “Mas vós sois dele em JESUS CRISTO, o qual para nós foi feito por DEUS (…) justiça” (I Co 1.30). O princípio da doutrina da imputação da justiça de DEUS é visto em passagens como Gênesis 3.216.14 (hb.); e 15.6. Em Filemom v. 18 e Filipenses 4.17 vemos a imputação ilustrada na prática natural: E, se te fez algum dano ou te deve alguma coisa, põe isso na minha conta. Não que procure dádivas, mas procuro o fruto que aumente a vossa conta. Assim como a justiça divina é imputada ao que nEle crê, ao ímpio impenitente são imputados os seus pecados contra DEUS (Sm 32.2). E também, da mesma forma, à nossa conta podem ser imputados males que cometemos contra o próximo (2Tm 4.16Ato 7.60I Ts 4.6Mt 6.12 — “as nossas dívidas”). Somos feitos justos diante de DEUS, não primeiramente pela influência da moral cristã sobre nós, mas primacialmente pela imputação da justiça (retidão) de DEUS sobre nós, pela fé em JESUS CRISTO. Aleluia ao DEUS Trino! Respondida está, por DEUS, a pergunta de Jó, de antanho: “Como seria justo o homem perante DEUS, e como seria puro aquele que nasce da mulher?” (Jó 25.4).

A DOUTRINA DA ADOÇÃO DE FILHOS A adoção de filhos é mencionada em textos como Romanos 8.15Efésios 1.5; e João 1.12. Porque não recehestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor; mas recehestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. [DEUS PaíJ … nos predestinou para filhos de adoção por JESUS CRISTO, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade. Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de DEUS: aos que crêem no seu nome. A expressão “adoção de filhos” é uma única palavra no original: huiothesis — de huios, “filho”, e thesis, “posição”. A idéia da adoção de filhos também se encontra no Antigo Testamento (Êx 2.10 com Hb 11.24Êx 4.22 com Os 11.1 e Mt 2.15). Em Efésios 1.4,5 está escrito que fomos predestinados por DEUS para adoção de filhos, antes da fundação do mundo; portanto, antes da existência do homem. Isso exclui qualquer mérito humano e somente revela a graça infinita de DEUS. Na antiga Grécia. A adoção de filhos, na antiga Grécia, nada tinha a ver com a filiação da criança, e sim com a sua posição em relação à família (gr. huiothesis). Por meio do ato da adoção, o “filho”, ao atingir a idade necessária, passava à posição de herdeiro da família. Daí a expressão bíblica “adoção de filhos” (Gl 4.4,5). O ato da “adoção de filhos” passou dos gregos para os romanos, e assim chegou aos tempos do Novo Testamento e da igreja. Biblicamente, então, DEUS “adota” a quem já é seu filho. No presente. Há bênçãos desfrutadas já nesta vida, decorrentes da adoção, como: o nosso nome de família: “chamados filhos de DEUS” (I Jo 3.1Ef 3.14,15); o testemunho do ESPÍRITO SANTO em nosso interior, de que somos filhos de DEUS (Rm 8.16); o recebimento do ESPÍRITO SANTO (Rm 8.15Lc 11.11-13); a disciplina da parte de DEUS que nos é ministrada, como seus filhos: “Se estais sem disciplina (…) sois então bastardos, e não filhos” (Hb 12.8; cf. vv.6-11); a nossa herança celestial, declarada e garantida por DEUS (Rm 8.17); e a redenção do nosso corpo. Por meio da adoção, os nossos nomes foram registrados no livro da vida do Cordeiro (Lc 10.20Fp 4.3Ap 17.83.513.820.12,1521.27). No futuro. Em Romanos 8.23, vemos que os nossos privilégios quanto à adoção de filhos de DEUS têm ainda um lado futuro: “… gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo”. Isso se dará à vinda de JESUS para levar a sua Igreja. Vede quão grande caridade nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamadosfilhos de DEUS. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não conhece a ele. Amados, agora somos filhos de DEUS, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque como é o veremos. E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele épuro (l Jo 3.1-3).

A DOUTRINA DA SANTIFICAÇÃO DO CRENTE A justificação efetuada por DEUS para nos salvar põe-nos em correto relacionamento com Ele. Já a santificação comprova a realidade da justificação em nossa vida, manifestando seus frutos em nós; em nossa vida. SANTO é aquele crente que vive separado do pecado, do mal, do mundo (mundanismo), e dedicado a DEUS e ao seu serviço. Observe as palavras de Paulo em Atos 27.23: “Porque, esta mesma noite, o anjo de DEUS, de quem eu sou e a quem sirvo, esteve comigo”. O cristão tem duas naturezas: uma humana, herdada de Adão, pela geração natural; e outra, divina, através da geração espiritual (I Pe 1.23). Daí a santificação do crente ter dois aspectos: um diante de DEUS, e outro, diante de si mesmo e do mundo (I Jo 3.32 Co 7.1Hb 12.14Mt 5.16). Essas duas naturezas do crente são vistas em Gálatas 5.17 e Romanos 6—8. Em Levítico 20.8 — “Eu sou o Senhor que vos santifica” — vemos a santificação do crente diante de DEUS, mas, no versículo 7, menciona-se a santificação crente diante de si mesmo e do mundo: “Santificai-vos e sede santos” (cf. I Pe LI5). Santificação de objetos, eventos, datas, pessoas, animais. Esse aspecto da santificação é muito comum em relação aoTabernáculo e seus objetos, e seus oficiantes, os quais pertenciam somente a DEUS, como vemos nos livros de Exodo e Deuteronômio. Esse aspecto da santificação implica um só sentido, que é a posse de DEUS, e a dedicação e separação desses elementos para o serviço de DEUS. Alguns exemplos desses elementos santos: – Eventos e datas (Êx 20.8Dt 5.12Lv 25.1023.2). – O Templo (I Rs 9.3). – O altar dos holocaustos (Ex 29.37). – As vestes sacerdotais (Êx 28.229.2940.13). – Pessoas (Êx 13.1228.4129.1,44I Sm 16.5I Cr 15.142 Cr 29.5). – Animais (Nm 18.17Êx 13.2b). Nesse sentido, os templos atuais da igreja são santificados a DEUS, bem como os objetos dedicados ao serviço dEle. Santificação de pessoas. Há dois principais sentidos de santificação do crente em relação a DEUS. O primeiro diz respeito à separação do mal para pertencer a DEUS “Ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo” (Lv 20.26). E o sentido negativo da santificação, pois se ocupa do “não farás isso; não farás aquilo”, etc; é separar-se para DEUS. O segundo sentido de santificação do crente é o positivo. O crente, já separado do mal, dedica-se a DEUS para o seu serviço, ocupa-se em fazer algo para Ele: “De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor e preparado para toda boa obra” (2Tm 2.21). Paulo, ao falar de DEUS, disse: “de quem eu sou e a quem eu sirvo” (Ato 27.23). A santificação é dúplice. Ser santo não é somente evitar o pecado, mas também servir ao Senhor, com a vida; com os talentos; com os dons; com os bens; com a casa; com o tempo; com as finanças; com os serviços, inclusive mão de obra. Por isso, muitos crentes não conseguem viver uma vida santa; eles não vivem pecando continuadamente, mas não querem nada com as coisas do Senhor, nem com a sua obra, nem com a igreja para zelar por ela e promovê-la. Os tempos da santificação. A santificação de pessoas quanto à vida cristã abrange três tempos:

1- Santificação passada e instantânea (I Co 6.II;Hb 10.10,14Fp 1.1I Co 1.2Jo 15.4). E aspectual e posicionai, isto é, o crente estando “em CRISTO” (Cl 1.20; Fp I.I). O crente posicionalmente “em CRISTO” não pode ser mais santo do que o é no momento da sua conversão, pois a santidade de CRISTO é a sua santidade (c£ I Jo 4.17). Na Igreja Romana, alguns são “canonizados” (feitos santos) depois de mortos, mas no Remo de DEUS é diferente: os salvos são santos aqui, enquanto estão vivos!

2- Santificação presente e progressiva (2 Co 7.1). E temporal, vivencial. Ê a santificação experimental, ou seja, na experiência humana, no dia-a-dia do crente (I Ts 5.23Hb 13.12 — “para santificar o seu povo”). A santificação posicionai e a experimental (progressiva) são vistas juntas nestas passagens: Hebreus 12.10 com 12.14; Filipenses 3.15 com 3.12; João 15.4 com 15.5; Coríntios 1.2; Filipenses I.I; e Levítico 20.7 com 20.8.

3- Santificação futura e completa (Ef 5.27I Ts 3.13). È plena; trata-se da santificação final do crente (I Jo 3.2). Ela ocorrerá à Segunda Vinda de JESUS, para levar os seus (I Jo 3.2Ef 5.26,27). Seremos então mudados: “num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” (I Co 15.52). Os meios divinos de santificação: DEUS, o Pai (I Ts 5.23). DEUS, o Filho (Hb 10.1013.12Mt 1.21). DEUS, o ESPÍRITO SANTO (I Pe 1.2), cujo título principal — ESPÍRITO SANTO — já indica a sua missão principal: santificar. A correção divina. E um meio de santificação (Hb 12.10,11). A Palavra de DEUS. Lida, crida, estudada, ouvida, amada, meditada, pregada, ensinada, obedecida, vivida, memorizada (SI 119.II; Jo 15.317.17; SI 119.9; Ef 5.26). A paz de DEUS em nós. Seu cultivo, sua busca, sua promoção (Hb 12.14; 1Ts 5.23

a) Nestas duas passagens, a paz está ligada à santificação do crente. A fé em DEUS. Esta, baseada na sua Palavra, é um meio divino de santificação (Rm 4Hb 11.332Ts 2.13b; Ato 26.1815.9). Alerta divino. A Palavra de DEUS tem um alerta para a igreja quanto à santificação: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). E ainda: “Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça” (Ec 9.8). Tenhamos cuidado com a falsa santidade, enganosa, sectarista, fartsaica e exclusivista (2 Tm 3.5); sigamos a verdadeira santidade (Ef 4.24).

A DOUTRINA DA PRESCIÊNCIA DE DEUS A presciência de DEUS é o seu pré-conhecimento de todas as coisas (I Pe 1.2Rm 8.29). Ela é parte do seu atributo de onisciência. Ele pré-conhece todas as coisas sobre o homem, mas não as evita, por ser o homem livre e responsável por seus atos. No caso do pecado de Adão, o Senhor sabia disso na sua presciência; porém, não o evitou, por ter Adão livre-arbítno. No caso de Judas Iscariotes, vemos que ele, que foi escolhido por JESUS como um dos doze (Jo 6.70Lc 6.13), “tirava” — e não apenas “tirou” — da bolsa o que ali se lançava, o que indica um ato voluntário, preconcebido e continuado (Jo 12.6).

b) E mais: a Palavra de DEUS diz que Judas “se desviou”, o que denota ato voluntário, consciente e gradual (At 1.25). E importante enfatizar que ele não nasceu marcado para trair JESUS; apenas enquadrou-se nas condições da profecia sobre aquele que seria o traidor. O rei Saul — que fora enviado por DEUS (I Sm 9.15-17); ungido por Ele (I Sm 10.1); mudado (I Sm 10.9); possuído pelo ESPÍRITO (I Sm 10.10); que profetizara pelo ESPÍRITO (I Sm 10.10-13); edificara um altar ao Senhor (I Sm 14.35) — também desviou-se, ao edificar “uma coluna para si” (I Sm 15.12) e envolver-se, em seguida, em práticas espíritas. Por fim, morreu como suicida; distanciado de DEUS. Demas foi um obreiro que trabalhou com o apóstolo Paulo, porém se desviou, como lemos em 2 Timóteo 4.10: “Porque Demas me desamparou, amando o presente século…” Outros que também “naufragaram na fé”, desviando-se do caminho da verdade, foram Himeneu e Alexandre (I Tm 1.19,26). Basta ler a biografia desses obreiros para chegar à conclusão de que eles escolheram o seu próprio caminho, haja vista a presciência de DEUS não forçar a livre-vontade do homem. O Todo-Poderoso, como onisciente, conquanto conheça de antemão os que o rejeitarão, não interfere, por ter Ele criado o homem dotado de livre-arbítrio. DEUS não viola esse princípio. Sim, o Senhor não criou o homem como um autômato, um robô, mas como ser moral, responsável por seus atos, com a faculdade de decisão e livre-escolha — se bem que essas faculdades estão grandemente prejudicadas pelo efeito deletério do pecado, principalmente os de incredulidade e rebeldia. ANTES DA FUNDAÇÃO DO MUNDO QUER DIZER QUE PARA DEUS NÃO HÁ PASSADO, PRESENTA,  E FUTURO – ELE JÁ VIU E OUVIU TUDO ANTES, AGORA E NO FUTUROO QUE VAI ACONTECER NO MUNDO. JÁ PROVIDENCIOU TUDO QUE ERA NECESSÁRIO PARA SALVAR O HOMEM, ANTES MESMO DO HOMEM EXISTIR. O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós; 1 Pedro 1:20
Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; Efésios 1:4
Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo. João 17:24
E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo. Apocalipse 13:8
Para que desta geração seja requerido o sangue de todos os profetas que, desde a fundação do mundo, foi derramado;Lucas 11:50
Para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta, que disse: Abrirei em parábolas a minha boca; Publicarei coisas ocultas desde a fundação do mundo. Mateus 13:35
Porque nós, os que temos crido, entramos no repouso, tal como disse:Assim jurei na minha ira Que não entrarão no meu repouso; embora as suas obras estivessem acabadas desde a fundação do mundo. Hebreus 4:3
Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; Mateus 25:34
De outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. Hebreus 9:26
A besta que viste foi e já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição; e os que habitam na terra (cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo) se admirarão, vendo a besta que era e já não é, ainda que é.Apocalipse 17:8
Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta.Jeremias 1:5
Antes que estivesse de parto, deu à luz; antes que lhe viessem as dores, deu à luz um menino. Isaías 66:7

A DOUTRINA DA ELEIÇÃO DIVINA “Eleição” e “escolha” são apenas um termo, no original: eeloge. A eleição “olha” para o aspecto passado da nossa salvação (I Pe 1.2Ef 1.4). Eleição divina é, pois, a nossa escolha para a salvação, feita por DEUS. Nós, pecadores por natureza, não sabemos escolher, mas o Senhor nos escolhe (Jo 15.16). E claro que a eleição, em si, não implica salvação: Mas devemos sempre dar graças a DEUS, por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter DEUS elegido desde o principio para a salvação, em santificação do Espirito e fé da verdade (2 Ts 2.13). eleitos segundo a presciência de DEUS Pai, em santificação do Espirito, para a obediência e aspersão do sangue de JESUS CRISTO: graça e paz vos sejam multiplicadas (l Pe 1.2). Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; Efésios 1:4 – DO CONHECIMENTO DE DEUS ANTES MESMO DA FUNDAÇÃO DO MUNDO.
Na Bíblia mencionam-se a eleição divina coletiva, como a de Israel (Is 45.4; 9: e a da Igreja (Ef 1.4); e a individual, como a de Abraão (Ne 7.9) e a de cada crente (Rm 8.29). A vocação e a eleição do crente, do seu lado humano. Em 2 Pedro lemos: “Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis”. A escolha divina ocorre da maneira como é descrita em I Ts 1.4-10. Ela se dá pelo recebimento do evangelho, pela fé, e permanência em CRISTO, mediante a santificação daqueles que se convertem dos ídolos ao DEUS vivo e verdadeiro, a fim de servi-lo “e esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, JESUS, que nos livra da ira futura” (v. 10). DEUS não elege uns para a salvação, e outros, para a perdição. O homem é capaz de fazer a livre-escolha. E a graça de DEUS não é irresistível, como muitos ensinam, valendo-se do falacioso chavão “Uma vez salvo, salvo para sempre”.

A DOUTRINA DA PREDESTINAÇÃO A predestinação “olha” para o aspecto futuro de nossa salvação (Rm 9.29Ef 1.5,11). Segundo as Escrituras, ela é o nosso pré-destino. A salvação não é um decreto divino, pois isso seria um fatalismo cego e impróprio atribuído a DEUS. O decreto de DEUS. A expressão em apreço, conforme mencionada em Romanos 8.28 (gr. prothesis) aparece em outras passagens como “decreto”, “propósito” (Rm 9.11Ef 1.113.112 Tm 1.9). Trata-se do eterno propósito de DEUS, segundo o desígnio de sua própria vontade, pelo qual Ele preordenou, para a sua glória, tudo o que acontece. Esta definição é geral e não abrange especificamente a salvação da humanidade, como a que se segue. DEUS decretar é uma coisa; a execução por Ele desse decreto, outra, como lemos em 2 Timóteo 1.9: “[DEUS,] que nos salvou e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em CRISTO JESUS, antes dos tempos dos séculos”. Alguns fatores implícitos na execução do decreto de DEUS são: – O tempo determinado por DEUS, isto é, o “quando” do Senhor. – A condicionalidade ou a mcondicionalidade do seu decreto (2Tm 1.9). O decreto da criação do mundo, que teve lugar na eternidade passada, só foi executado por DEUS “no princípio” (Gn 1.1). Apesar de o decreto do advento de JESUS vir da eternidade (Ap 13.8I Pe 1.20), o seu cumprimento só ocorreu em Belém. O Remo, preparado desde a fundação do mundo, só será desfrutado no futuro (Mt 25.34). Da mesma forma, o decreto da nossa eleição para a salvação é eterno, mas só começou a se cumprir quando CRISTO veio (2Tm 1.9Rm 8.289.11,23,2416.25Ef 1.93.11). … [DEUS, o Pai] nos elegeu nele [CRISTO] antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade (Ef 1.4,1l). E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se eglorifuaram a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna (At 13.48).

Predestinação divina e livre-escolha humana. Na Bíblia temos tanto a predestinação divina como a livre-escolha humana, em relação à salvação; mas não uma predestinação em que uns são destinados à vida eterna, e outros, à perdição eterna. Mas a Palavra de DEUS não apresenta uma livre-escolha humana como se a salvação dependesse de obras, esforços e méritos humanos. Os extremos nesse assunto (e noutros) é que são maléficos, propalando ensinos que a Bíblia não contém. A ênfase inconseqüente à soberania de DEUS no tocante à salvação leva a pessoa a crer que a sua conduta e procedimento nada têm com a sua salvação. Por outro lado, a ênfase inconseqüente à livre-vontade (livre-arbítrio) do homem conduz ao engano de uma salvação dependente de obras, conduta e obediência humanas. Ora, somos salvos, não por aquilo que fazemos ou deixamos de fazer para DEUS, mas pelo que JESUS já fez por nós, uma vez para sempre. Há muitos por aí tendo a salvação dependente de suas obras, obediência, conduta, santidade, etc. Não é de admirar que os tais caiam e não se levantem, e que quando pequem duvidem da sua salvação. Na realidade, parece incoerente e irreconciliável que algo predestinado por DEUS admita livre-escolha ou livre-vontade. Mas, só porque não entendemos algo, ou entendemo-lo apenas em parte, deixa ele de existir? A conversão, por exemplo, tem muito de misterioso: Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do ESPÍRITO. Nicodemos respondeu e disse-lhe: Como pode ser isso? JESUS respondeu e disse-lhe: Tu és mestre de Israel e não sabes isso? Jo 3.1-10). Há muitas coisas com as quais convivemos em nosso dia-a-dia, e que não as entendemos bem, ou quase nada, e, contudo, não queremos passar sem elas: o sono (semi-hibernação), os sonhos (o mundo onírico), o metabolismo basal, a teoria eletrônica, a eletricidade, o vento, a água suspensa no espaço (infinitas toneladas!), etc. Há quem afirme que uma pessoa verdadeiramente salva não poderá jamais perder-se. Mas, quanto a isso, precisamos ver o que realmente a Bíblia diz, não esquecendo os são princípios da exegese bíblica, e o que essas pessoas deduzem do que a Bíblia diz.

Calvimsmo e Arminianismo. Muitos têm seguido cegamente a João Calvino – teólogo francês, radicado na Suíça, falecido em 1564 —, o qual pregava a predestinação como uma eleição arbitrária de indivíduos; como graça irresistível e impossibilidade de perda da salvação. Outros têm seguido as idéias de Jacobus Arminius, teólogo holandês falecido em 1609, o qual pregava doutrinas conflitantes quanto à salvação e a sua segurança. Um perigo fatal a que pode levar o arminianismo é o crente depender de suas obras, de sua conduta, de seu porte, de sua obediência pessoal, para a sua salvação (Hb 9.12). Nesse extremo campeia a falsa santidade, sendo o homem enganado pelo seu próprio coração (Jr 17.9). No caso da predestinação e da livre-escolha, no tocante à salvação, a tendência humana é rejeitar uma ou outra. Os arminianistas extremistas rejeitam a predestinação, e os calvimstas extremistas rejeitam o livre-arbítrio. Entretanto, um exame atento e livre de preconceito da Palavra de DEUS mostra que, através da obra redentora de JESUS, DEUS destinou de antemão (predestinou) todos os homens à salvação: “quem quiser, tome de graça da água da vida” (Ap 22.17Is 45.2255.1Mt 11.28,292 Co 6.2I Tm 2.4). De acordo com João 12.32, todos podem ser atraídos a CRISTO. Mas nem todos querem seguir a CRISTO. A predestinação segundo os predestinalistas. Estes dizem que o homem, decaído como está, no seu estado de depravação total, é incapaz de fazer livre-escolha concernente a sua salvação, pois está incapacitado espiritualmente para isso. Então DEUS elege o homem para a salvação. Segundo essa teoria, DEUS elege uns para a salvação, comunicando-lhes também a fé. Os demais, não-escolhidos, estão perdidos. Isso eqüivale a dizer que CRISTO morreu apenas pelos “escolhidos”. Do raciocínio acima decorre outro: que a graça de DEUS é irresistível, isto é, a graça de DEUS não pode ser recusada por aqueles a quem DEUS escolhe salvar. Segundo o predestinalismo, a salvação é um decreto divino, e a conversão é simplesmente o início da execução desse decreto. O termo “decreto” é extraído de textos como Romanos 8.28: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a DEUS, daqueles que são chamados por seu decreto”. Afirmam também os predestinalistas que a vida eterna em CRISTO é um dom de DEUS, e que uma vez recebida não pode ser jamais perdida em conseqüência de qualquer ato ou determinação da vontade humana. E que se, de fato, o crente nasceu de novo, está eternamente salvo. Caso venha a desviar-se, comprometerá, sim, o seu galardão, mas jamais perderá a sua salvação, nem cairá em apostasia. Ê como alguém que, estando a bordo de um navio, escorrega e cai, porém continua a bordo. Finalmente, dizem que o crente salvo “está escondido com CRISTO em DEUS” (Cl 3.3), e que o Inimigo jamais o achará, nem jamais o arrebatará dessa posição. Em abono dessa predestinação fatalista, os predestinalistas citam textos como João 6.3710.28,29Romanos 8.28-30Efésios 1.4,52 Ts 2.13Eclesiastes 3.14Filipenses 1.6I Pedro 1.2; e Apocalipse 17.8 — mas sem interpretá-los à luz de seus respectivos contextos imediato e remoto. Ora, proceder como acima exposto é adaptar a Bíblia ao raciocínio humano; ou seja, ao modo humano de pensar, como se a Palavra de DEUS dependesse de argumentos humanos. A Bíblia é contrária ao predestinalismo. A Palavra de DEUS não afirma que CRISTO morreu apenas pelos eleitos. CRISTO morreu por todos, e não somente pelos eleitos (I Tm 2.4,6I Jo 2.22 Pe 3.9Ato 2.2110.43;Tt 2.11Hb 2.9Jo 3.15,162 Co 5.14Ap 22.17). Ora, aqui não se trata somente de “eleitos”, mas de “todos” que quiserem ser salvos. O falso ensino de que CRISTO teria morrido apenas pelos eleitos pode conduzir a um desinteresse pela evangelização, haja vista DEUS já ter separados os perdidos que vão para o inferno. Qualquer pessoa que crê em JESUS torna-se um dos escolhidos de DEUS, pois somos eleitos em CRISTO (Ef 1.4). Em Mateus 22.1-14, vemos que todos os convidados foram “chamados”; porém “escolhidos” foram os que aceitaram o convite do rei. No versículo 14, a expressão “muitos são chamados, mas poucos escolhidos” revela, portanto, que das multidões que ouvem o evangelho apenas uma pequena parte crê em CRISTO e o segue. DEUS elegeu para si um povo chamado Igreja, e não indivíduos, isoladamente. Somos predestinados porque somos parte da Igreja de DEUS; não somos parte da Igreja porque fomos antes, individualmente, predestinados. Se, na Igreja, como Corpo de CRISTO, alguém individualmente se desvia, e não volta, a eleição da Igreja não se altera. De igual modo foi a eleição de Israel. O Senhor elegeu aquele povo para si; não indivíduos de per si. E tanto que milhares de israelitas se desviaram, porém a eleição de Israel, como povo, prosseguiu. A livre-escolha do homem é uma realidade inconteste. A Bíblia acentua a cada passo a responsabilidade do homem no tocante à sua salvação. DEUS oferece a salvação e, mediante o seu ESPÍRITO, convence o pecador do seu pecado, da justiça e do juízo O homem aceita a salvação ou rejeita-a (Is 1.19,20Js 24.15Dt 30.19Jo 1.11,123.15,16,19Ap 22.17Lc 13.34Ato 7.51I Rs 18.21I Tm 4.12 Cr 15.2Mac 16.16Hb 2.33.1212.25). Não existe graça irresistível. O homem através dos tempos tem resistido a DEUS, por sua incredulidade e rebeldia (At 7.51; I Ts 5.19Pv 1.23-30Mt 23.372 Pe 2.21Hb 6.6,7Tg 5.19). Ora, a ação do ESPÍRITO SANTO no pecador, para que se salve, é persuasiva, e não compulsória: “Assim que, sabendo o temor que se deve ao Senhor, persuadimos os homens à fé, mas somos manifestos a DEUS; e espero que, na vossa consciência, sejamos também manifestos” (2 Co 5.11). Um cristão salvo pode vir a se perder; pode, sim, desviar-se, cair em pecado e perecer, caso não se arrependa ante a insistência do ESPÍRITO SANTO (Ez 18.24,2633.18Hb 3.12-145.9I Tm 4.15.15; 12.25; 2 Pe 3.172.20-22Rm 11.21,22ITs 5.15Dt 30.19I Cr 28.92 Cr 15.2I Co 10.12Jo 15.6). Essa verdade fica amda mais evidente quando consideramos o “se” condicional quanto à salvação (Hb 2.33.6,14Cl 1.22,23), bem como a condição: “ao que vencer”, que aparece sete vezes em Apocalipse 2 e 3. As palavras de JESUS em João 6.37 — “Todo o que o Pai me dá, esse virá a mim, e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” — significam que DEUS destinou à salvação, não somente este ou aquele indivíduo, mas sim todo aquele que nEle crê (Jo 3.16). Ou seja, tal passagem refere-se ao fato de DEUS aceitar o pecador quando este vem a Ele. Outro texto empregado pelos predestinalistas é João 10.27,28: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará das minhas mãos”. Note que o versículo 27 mostra as condições da ovelha, para que ela nunca venha a perecer, nem sair das mãos de JESUS e do Pai (cf. Jo 6.67). Se não há perigo de queda definitiva para o crente, por que a Bíblia adverte com tanta ênfase para que ninguém caia (I Co 10.12Hb 3.12Jo 15.6I Tm 4.1 [“apostatarão”]; 2Ts 2.3 [“apostasia”]; Pv 16.1828.14Ap 2.4,5)? Porque; se viverdes segundo a carne, morrereis… (Rm 8.13).

Portanto, irmãos, procurai Jazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis (2 Pe 1.10). Antes, subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira afcar reprovado (l Co 9.27). … porquanto vos desvíastes do Se^OR, o Senhor não será convosco ÍNm 14.43). O verdadeiro signifcado da predestinação. Em I Timóteo 2.4, está escrito: “TDeus] quer que todos os homens se salvem”. Nisto está incluído o mundo inteiro que queira. De fato, todos os que verdadeiramente crêem, se salvam; somos testemunhas disso. O Senhor predestinou à salvação todo aquele que aceitar a JESUS. A própria aceitação já é um dom de DEUS, para que ninguém se glorie julgando que assim contribuiu para a sua salvação. A predestinação fatalista da alma, como ensinada pelos calvmistas, bem como a dependente de obras humanas, propalada pelos arminianistas, não têm apoio na Palavra de DEUS. O termo original de onde provém a nossa palavra “predestinação” (gr. proorizo) significa “destinar de antemão”, “predeterminar”, “preestabelecer”, “prefixar”, “preeleger”, etc. Esse vocábulo aparece seis vezes no Novo Testamento, variavelmente traduzido, dependendo da versão utilizada. Na versão Revista e Corrigida (ARC), a palavra aparece nas seguintes passagens: Atos 4.28 — “anteriormente determinado”. Romanos 8.29 — “predestinou”. Romanos 8.30 — “predestinou”. I Coríntios 2.7 — “ordenou antes”. Efésios 1.5—“predestinou”. Efésios 1.11 — “predestinados”. A predestinação que a Bíblia realmente ensina não é a de uns para a vida eterna e a de outros para a perdição eterna. A predestinação é para os que quiserem ser salvos, conforme lemos em 2 Tessalonicenses 2.13 e 2 Timóteo 2.10: “DEUS nos escolheu desde o princípio para a salvação”; “Escolhidos para que também alcancem a salvação”. Eleição é o ato divino pelo qual DEUS escolhe ou elege um povo para si, para salvá-lo (2Ts 2.13). Predestinação é o ato de DEUS determinar o futuro desse povo. No Novo Testamento, esse povo é a Igreja, o Corpo de CRISTO, o povo salvo (Ef 1.22,23). Na predestinação de DEUS para a Igreja está a sua conformação à imagem do Filho de DEUS (Rm 8.29), a sua chamada para a salvação (Rm 8.30), a sua justificação (Rm 8.30) e a sua glorificação (Rm 8.30). Essa conformação depende de chamada, justificação e glorificação do crente. E depende, ainda, da santidade de DEUS (Ef 1.4) e da adoção de filhos (Ef 1.5). Outrossim, a eleição divina não consiste somente na soberania de DEUS, mas também na sua graça (Rm 11.5). A real segurança da salvação. O crente está seguro quanto à sua salvação enquanto permanecer em CRISTO (Jo 15.1-6). Não há segurança fora de JESUS e do seu aprisco. Não há segurança espiritual para ninguém, estando em pecado (cf. Rm 8.13Hb 3.65.9). JESUS guarda o crente do pecado; e não no pecado. Somos mantidos em CRISTO pelo seu poder, mediante a nossa fé nEle (I Pe 1.5; Jd v.20; 2 Co I.24b). A salvação é eterna para os que obedecem ao Senhor (Hb 5.9I Co 15.1,2). Estamos em pé pela fé em CRISTO, e não pela predestinação: “tu estás em pé pela fé” (Rm 11.20); “se é que permaneceis firmes e fundados na fé” (Cl 1.22,23); “DEUS é salvador de todos, mas principalmente dos fiéis [lit. “dos que crêem”]” (I Tm 4.10). Há vários outros textos que também mostram a segurança do crente somente enquanto este está em CRISTO: Pois que tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei num alto retiro, porque conheceu o meu nome (Sl 91.14). Tenho posto o Senhor continuamente diante de mim; por isso que ele está à minha mão direita, nunca vacilarei (Sl 16.8). Porque nos tornamos participantes de CRISTO, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim (Hb 3.14). …eu sei em quem tenho crido e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele Dia (2 Tm 1.12). [Senhor JESUS CRISTO, e o qual vos confirmará também até ao fim, para serdes irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor JESUS CRISTO (l Co 1.8). O crente deve obedecer a DEUS; não para que a sua obediência o salve ou o mantenha salvo, mas como uma expressão da sua salvação, do seu amor e da sua gratidão para com aquEle que o salvou. Não nos tornamos salvos por aquilo que fazemos ou deixamos de fazer, mas pela fé em JESUS CRISTO (At 16.31). A conservação da salvação também vem pela fé em CRISTO, pois está escrito: “O justo viverá da fé” (Rm I.17).

Conclusão. A doutrina da predestinação como ensinada pelo calvinismo só leva em conta a soberania de DEUS, e não a sua graça (Rm 11.5Tt 2.11) e a sua justiça (SI 145.17; Rm 3.211.1710.3). Em Ezequiel 18.23 ;33.11 vemos que DEUS quer que o ímpio se converta, e não apenas os eleitos e predestinados. DEUS jamais predestinaria alguém ao inferno sem lhe dar oportunidade de salvação. Isso aviltaria a natureza dEle. Se todos já estão predestinados quanto ao seu destino eterno, então não há lugar para escolha, decisão ou livre-arbítrio por parte do homem. Entretanto, temos essa escolha mencionada e exposta em vários textos bíblicos, como vimos. Que DEUS nos conceda cada dia uma visão espiritual cada vez mais ampla e profunda, a fim de compreendermos a sublimidade da gloriosa salvação que JESUS CRISTO consumou; da qual, pela graça de DEUS, já somos participantes. Glória, pois, a Ele! A doutrina da predestinação situando o crente na presciência de DEUS não está na Bíblia para motivar choques de idéias, especulações ou coisas semelhantes; mas para, de modo carinhoso, DEUS encorajar o crente. Através dela, o Senhor está mostrando que antes que o mundo existisse, e o homem nascesse, Ele antecedeu- se e antecipou-se a tudo, prevendo problemas e dificuldades em nosso caminho e nos mostrando que é poderoso para nos levar a salvo para o seu Remo celestial (2Tm 4.18, ARA). Tendo por certo isto mesmo: que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao Dia de JESUS CRISTO (Fp 1.6). Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória (..) seja glória e majestade; domínio c poder, antes de todos os séculos, agora e para todoo sempre. Amém! Qd vv.24,25). NÓS SÓ ESTAMOS EM CRISTO SÓ APÓS OUVIRMOS O EVANGELHO E CRER NESTE EVANGELHO. Ef 1.13 Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o ESPÍRITO SANTO da promessa; DEUS QUER QUE TODOS SEJAM SALVOS – Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade. Porque há um só DEUS, e um só Mediador entre DEUS e os homens, JESUS CRISTO homem. 1 Timóteo 2:4,5

A DOUTRINA DA CHAMADA DIVINA PARA A SALVAÇÃO Essa chamada não se refere apenas à salvação, mas também ao plano de DEUS para a vida do crente, como lemos em Efésios 4.1-15, especialmente nos versículos11 a 15: E ele [CRISTO] mesmo deu uns apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de CRISTO, até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de DEUS, a varão perfeito, à medida da estatura completa de CRISTO, para que não sejamos mais meninos inconstantes… Antes, seguindo a verdade em caridade, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, CRISTO. Em Efésios 1.18 vemos também nessa chamada a esperança divina para a qual DEUS nos chamou: “tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos”. Na nossa chamada para a salvação temos o cumprimento da nossa eleição: “Assim, os derradeiros serão primeiros, e os primeiros, derradeiros, porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos” (Mt 20.16). Leia também Mateus 22.14.

A DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO Justificação é o ato judicial de DEUS, pelo qual Ele declara justo diante dEle o pecador que põe sua fé para a salvação em JESUS, ficando assim isento de culpa e condenação (Rm 8.30). A justificação é um ato e também um processo, como a santificação experimental na vida do crente; ela é primeiramente um ato de DEUS. O que é justificar? E DEUS declarar justo diante dEle o transgressor que crê em JESUS como o seu Salvador pessoal (Rm 4.3-58.33). Justificar, como DEUS justifica, é mais que perdoar. Em teologia sistemática, a justificação precede a santificação, mas na Bíblia a santificação precede a justificação (I Co 6.11), que também é um processo — “justificação de vida” (Rm 5.18). Diferenças entre justificar e perdoar. O perdão remove a condenação do pecado; a justificação nos declara justos diante de DEUS; isto é, como se nunca tivéssemos pecado! Quão maravilhosa é a graça de DEUS! Aleluia! Somente DEUS pode perdoar e também justificar a um só tempo. O homem jamais pode fazer isso; ele pode relativamente perdoar, mas não justificar — declarar justo um transgressor da lei. Como é possível um DEUS perfeitamente justo perdoar e também justificar o ímpio, transgressor, sobrecarregado de delitos e pecados? Mediante o seu amor, DEUS substituiu o culpado pelo inocente. O imaculado Cordeiro de DEUS, no Calvário, pelo amor divino, nos substituiu, levando sobre si os nossos pecados. Verdades fundamentais da justificação pela fé, As verdades fundamentais da justificação pela fé em DEUS são: (I) a sua origem, que é a graça de DEUS (Rm 3.24;Tt 3.7); a sua base, o sangue de JESUS (Rm 5.9); o seu meio, a fé (Rm 5.13.25); o seu testemunho perante os homens são as obras (Tg 2.24); e a sua causa instrumental é a ressurreição de JESUS CRISTO (Rm 4.25).

A DOUTRINA DO JULGAMENTO DO CRENTE A doutrina do julgamento do crente é geralmente estudada, em teologia sistemática, sob a escatologia. Trata-se do Tribunal de CRISTO, isto é, o julgamento da igreja após o seu arrebatamento (2 Co 5.10Rm 14.10I Jo 4.17). É o dia da prestação de conta da nossa vida; da nossa mordomia cristã, da nossa diaconia ante o citado Tribunal. Segundo a Palavra de DEUS, o julgamento do crente é tríplice. No passado, o crente foi julgado em CRISTO, no Calvário, como pecador (2 Co 5.21). No presente, ele é julgado como filho de DEUS, durante a sua vida (I Co 11.31). No futuro, será julgado como servo de DEUS, quanto à sua fidelidade no serviço prestado a DEUS (2 Co 5.10). Não será um julgamento de pecados do crente (Rm 8.1Jo 5.24), mas das obras do crente (Ap 22.1214.13). Todos os crentes serão julgados, e não apenas alguns. Este autor e o leitor — eu e tu — também: todos havemos de comparecer ante o tribunal de CRISTO” (Rm 14.10). “… para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal” (2 Co 5.10). Os critérios do julgamento. Os critérios de julgamento do crente no Tribunal de CRISTO envolvem: a “lei da liberdade cristã” (Tg 2.12), haja vista sermos livres para fazermos ou não a vontade de DEUS (vamos responder por essa liberdade diante do Senhor naquele dia); a qualidade do trabalho que fazemos para DEUS (Mt 20.1-16); vemos neste ensino de JESUS que muitos crentes trabalharão a vida toda (“o dia todo”, v. 12), mas receberão a recompensa de quem trabalhou apenas “uma hora”. Não será primeiramente a quantidade de trabalho que será julgada, e sim primeiramente a qualidade desse trabalho. Outros critérios de julgamento serão: o “material” empregado no trabalho feito para DEUS (I Co 3.8,12-15); a conduta do crente por meio do seu corpo (2 Co 5.10 10; o modo como tratamos nossos irmãos na fé (Rm 14.10Tg 5.9Ef 6.8Cl 3.25); e os motivos secretos do nosso coração que nos levaram aos respectivos atos (I Co 4.5Rm 2.16). Um aviso a todos os que ensinam na casa de DEUS: o seu julgamento será maior, mais rigoroso e mais exigente: Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres; sabendo que receberemos mais duro juízo lg 3.1). Qualquer; pois, que violar um destes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos céus (Mt 5.19).

A DOUTRINA DA GLORIFICAÇÃO FUTURA DOS SALVOS Em Romanos 8.30 DEUS tem tanta certeza da realização da nossa glorificação, que declara o fato no tempo passado! Isso também ocorre com outros grandes milagres da salvação, como a cura divina, também declarados pelos profetas no tempo passado do verbo: “Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados” (Is 53.5). Uma forma de glória divina era, possivelmente, o vestuário original de Adão e Eva antes de pecarem (Gn 2.25Rm 3.23Sm 104.1,2I Pe 1.7). Maior ainda será a glória da Igreja (Mt 13.43Cl 3.4Rm 8.18I Co 15.43Fp 3.21). A salvação começa com a redenção da alma; prossegue com a redenção do corpo; e culmina com a glorificação do crente integral. Daí o autor de Hebreus ter chamado essa gloriosa obra de DEUS de “uma tão grande salvação” (Hb 2.3). Ainda quanto à nossa glorificação integral, a Palavra de DEUS menciona a salvação nas eras divinas e futuras. João Batista, inspirado pelo ESPÍRITO, disse que JESUS é o Cordeiro que tira o pecado do mundo — kosmos. Isso só acontecerá plenamente no futuro. Em Efésios 2.7, vemos isso, onde a palavra para “eras” é aiõnios, termo que se traduz por “séculos” em I Timóteo 1.17: [DEUS nos vivificou juntamente com CRISTO e nos fez assentar nos lugares celestiais] para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas de sua graça, pela sua benignidade para conosco em CRISTO JESUS. Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único DEUS seja honra eglória para todo o sempre. Amém!

SOTERIOLOGIA – AS GRANDES DOUTRINAS DA BÍBLIA – Pr. Raimundo de Oliveira – CPAD

INTRODUÇÃO No contexto das Escrituras, “Salvação” é um termo inclusivo e de grande abrangência. O termo inclui tanto o perdão do pecado passado, assim como a libertação do poder do pecado presente, e a preservação contra as invasões do pecado futuro (Jo 11.24,25). Há a salvação do espírito na regeneração, da alma na santificação e do corpo na glorificação. Neste sentido a salvação é tanto uma perspectiva futura como um usufruto presente (Tt 2.11,12).

I. A PROVISÃO DA SALVAÇÃO A Bíblia diz que CRISTO é tanto o “autor” como o “consumador” da nossa fé (Hb 12.2). A designação de “autor” refere-se à provisão da salvação mediante JESUS CRISTO; e “consumador” refere-se à aplicação dessa mesma salvação também mediante CRISTO. Através da sua vida imaculada e da sua morte expiatória, CRISTO providenciou a salvação, e na medida em que ela é aplicada individualmente a cada pessoa que aceita, é CRISTO quem está completando a sua obra, prosseguindo até o momento da glorificação final dos salvos.

1. O Pecado do Homem A nossa compreensão a respeito da salvação deve começar pela compreensão de quem é que necessita da salvação e por que necessita dela. De acordo com as Escrituras o homem é um ser totalmente depravado, alienado da glória de DEUS e destinado ao castigo divino (Ef 2.1-3). Deste modo por si só, o homem não pode se salvar (Rm 7.18). Sob a perspectiva divina, o homem é considerado espiritualmente paralitico, aguardando o estender do “braço salvador” do Senhor, o único capaz de levantar o pecador do seu estado de miséria espiritual (Is 59.16). A raiz do problema espiritual do homem é inerente à sua própria natureza caída. Do nascimento à morte o homem estar em inimizade e conflito com DEUS (Sl 57.7Jr 17.9; Rm 7.48). Não há homem que consiga a salvação por seus próprios méritos, uma vez que todos são achados culpados diante de DEUS (Ec 7.20). O apóstolo Paulo pontifica “não há justo, nem sequer um” (Rm 3.10). Muitos se imaginam mais justos que os outros, e deste modo ficam satisfeitos com o conceito de justiça que fazem de si mesmos. Devemos compreender, porém, que DEUS não estabelece a justiça comparando homem com homem. DEUS busca comparação entre o nosso viver e a sua lei, e nos acha em falta. Neste particular, o veredito das Escrituras é que “todas as nossas justiças são trapo de imundícia” (Is 64.6), e que “todos pecaram e carecem da glória de DEUS” (Rm 3.23).

2. A Graça de DEUS No contexto da doutrina da salvação, graça divina deve ser abordada sob duplo aspecto: Como favor imerecido da parte de DEUS para com todos os pecadores, indistintamente; Como poder restringidor do pecado, operante na reconciliação do homem com DEUS, e na santificação do crente. Não se deve confundir a graça de DEUS como “obrigação moral” divina a constrangê-lo a fazer alguma coisa contrária à sua natureza santa. Nada, poderá ser estabelecido e aceito como lei, constrangendo-o a soerguer o pecador do estado no qual se encontra. “e todos nós recebemos também da sua plenitude, com graça sobre graça” (Jo 1.16). Enquanto o homem continuar a responder afirmativamente à graça de DEUS, esta será o grande agente pelo qual ele receberá a justificação, a regeneração, a santificação e a segurança em DEUS (Tt 3.7Jo 3.3;Act 26.181 Pd 1.5). A proporção da graça que o homem recebe depende exclusivamente da sua decisão, independentemente da vontade, já manifesta. Por esta razão, nos adverte o apóstolo Pedro: “antes, crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador JESUS CRISTO” (2 Pd 3.18).

3. A Provisão de CRISTO Apesar de estar empenhado na nossa salvação e segurança, não é querer de DEUS declarar-nos inocentes simplesmente. Devemos ter em mente o fato de que DEUS é um DEUS não só de amor, é um DEUS também de justiça. Portanto, para DEUS declarar-nos inocentes independentemente da nossa conversão, seria uma ofensa à sua justiça. Seria um procedimento que entraria em choque com a sua santidade que declara que “a alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18.4). Então, como poderia DEUS manter a perfeição da sua justiça e ainda assim salvar pecadores? A resposta está no fato de que DEUS não desculpa o nosso pecado, pelo contrário, Ele o remove completamente. Para nos ajudar a compreender isto, DEUS nos dá o exemplo de um cordeiro substituto e expiador. Esse cordeiro típico do Antigo Testamento apontava para JESUS, “o Cordeiro de DEUS, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Assim como o cordeiro para o uso nos sacrifícios da antiga aliança devia ser um animal sem nenhum defeito ou mancha, de igual modo DEUS requeria um Cordeiro substituto perfeito, capaz de oferecer um único sacrifício, suficiente para salvar a tantos quantos aceitassem o seu sacrifício. De acordo com a Epístola aos Hebreus, JESUS CRISTO satisfez plenamente essa exigência de DEUS “quanto mais o sangue de CRISTO, que, pelo ESPÍRITO eterno, se ofereceu a si mesmo imaculado a DEUS, purificará a vossa consciência das obras mortas, para servirdes ao DEUS vivo?” (Hb 9.14). Na morte de CRISTO a justiça de DEUS a nosso respeito foi plenamente satisfeita.

4. O Alcance da Salvação Com muita freqüência se ouve a pergunta: “Por quem CRISTO morreu?” se alguém responde: – “Pelo mundo inteiro”, alguma outra pessoa poderá objetar: – “Então porque nem todas as pessoas são salvas?” agora, se alguém afirmar que CRISTO morreu apenas pelos “eleitos”, facilmente outra pessoa considerará injusta a ação de DEUS, visto que somente uns poucos “escolhidos” serão salvos. A Bíblia responde a esta questão, dizendo que:

a) A Salvação é Para o Mundo Inteiro Através do sacrifício perfeito de CRISTO, todos os habitantes da terra foram representados, e os seus pecados foram potencialmente perdoados. CRISTO “é a propiciação pelos os nossos pecados, e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro” (1 Jo 2.22 Co 5.14Hb 2.9).

b) A Salvação é Para os que Crêem Apesar de CRISTO haver morrido pelos pecados do mundo inteiro, há um sentido em que a expiação é uma provisão divina feita especialmente por aqueles que crêem. Paulo apresenta JESUS CRISTO como o “Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis” (1 Tm 4.10). Deste modo, apesar de a salvação estar à disposição de toda a humanidade, de forma experimental ela se aplica exclusivamente àqueles que crêem. A salvação foi preparada para todas as pessoas, o problema é que nem todas as pessoas estão preparadas para a salvação.

c) Alguns Abandonarão a Salvação A Bíblia dá a entender que muitos daqueles pelos quais CRISTO morreu, aceitarão a sua provisão salvadora, mas depois a abandonarão, perdendo com isto o direito à vida eterna. Sobre esses, escreverão Paulo e Pedro: “Perece o irmão fraco, pelo qual CRISTO morreu” (1 Co 8.14). “Negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição” (2 Pd 2.1).

II. O LADO DIVINO DA SALVAÇÃO Muitos antes de o homem pensar em DEUS, ele já estar no pensamento de DEUS. Antes mesmo de o convertido clamar a DEUS, DEUS já o tem atraído pelo o ESPÍRITO SANTO. Paulo escreve este esforço de DEUS, nas seguintes e sublimes palavras: “e sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a DEUS, daqueles que são chamados por seu decreto. Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.28-30).

1. A Presciência de DEUS “presciência” é o aspecto da onisciência relacionado com o fato de DEUS conhecer todos os eventos e possibilidades futuros. No que diz respeito à salvação, a presciência de DEUS não afeta as decisões do homem, nem o seu livre arbítrio. As ações de um homem não são permitidas ou impedidas simplesmente porque são previstas ou conhecidas de antemão, por DEUS. No Novo Testamento, o termo “presciência” aparece, inclusive com conceitos paralelos, nos seguintes textos: Romanos 3.25Atos 26.5Romanos 8.2911.21 Pd 1.202 Pd 3.17Atos 2.23 e 1 Pd 1.2. Estas passagens destacam três importantes fatos relacionados com o conceito de “presciência”. Primeiramente significa de fato “saber alguma coisa de antemão”. Alguns estudiosos da Bíblia negam que esta palavra envolva conhecimento, e então alegam que significa “amor de antemão”, porque conhecer pode ser usado como uma expressão correspondente, para amar. Entretanto quando a mesma palavra grega é usada em casos não-teológicos, esses mesmos estudiosos nunca interpretam o termo por “amor de antemão. Por exemplo, em Atos 26.5, o termo se refere a homens que conheciam a reputação de Paulo muito antes da sua chegada a Roma; e em 2 Pedro 3.17 a palavra é usada para designar um conhecimento prévio acerca dos falsos mestres.

2. A Eleição Divina A palavra “eleição” no contexto da doutrina da salvação, não significa que DEUS escolheu alguns para serem salvos e outros para a perdição, sem qualquer participação da pessoa nessa escolha. No que diz respeito à salvação, eleição é a escolha de DEUS de algumas pessoas para a salvação e privilégios, baseada na escolha inicial feita Por essas mesmas pessoas. Atentemos para o que diz o apóstolo Paulo: “como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade” (Ef 1.4). Deste modo o “mérito” de sermos escolhidos não se baseia em nós mesmos, mas no “mérito” de estarmos em CRISTO. Assim como estamos “em” CRISTO, assim também fomos feitos dignos de sermos escolhidos (eleitos) por DEUS. A maior dificuldade em entender a eleição está no fator tempo. Daí a freqüência com que surge a seguinte pergunta: “se a pessoa é ‘eleita’ antes de lançados os fundamentos da terra, como, pois, a eleição pode ser baseada na fé em CRISTO?” Pedro responde a esta pergunta, dizendo o seguinte: “eleitos segundo a presciência de DEUS Pai, em santificação do ESPÍRITO, para a obediência e aspersão do sangue de JESUS CRISTO” (1 Pd 1.2). Baseado no seu conhecimento quanto à decisão que o crente tomaria, DEUS o elegeu, antes mesmo de lançados os fundamentos da terra.

3. A Predestinação A doutrina da predestinação é uma das mais consoladoras doutrinas da Bíblia. Sua essência repousa no fato de que DEUS tem um plano geral e original para o mundo, e que seus propósitos jamais serão frustrados. Negativamente analisada, certamente que a predestinação não é uma manipulação da parte de DEUS das escolhas do homem. Isto o rebaixaria à posição de um fantoche, sem poder de escolha nem vontade. A predestinação nunca predetermina as escolhas dos homens, mas, sim, preordena as escolhas de DEUS no que concerne ao seu relacionamento com as inclinações, necessidades e escolhas dos homens. Sabendo de todas as possibilidades futuras, bem como os corações dos homens, DEUS fez um plano dos seus atos: atos estes que resultarão em maior glória para DEUS, na salvação do maior número de pecadores, e que contribuirão com o desenvolvimento da mais perfeita obediência de seus servos (Rm 8.28,29). A fim de entender a predestinação, é necessário distinguir entre predestinação e fatalismo. Fatalismo é uma crença herética que atribui as ações e escolhas do homem ao “determinismo” de DEUS. Ou melhor, DEUS decide o que o homem será e fará. Mediante o planejamento predeterminado por DEUS (a predestinação), a salvação é oferecida a todas as pessoas (Act 4.27,28) e é possível a todos quantos buscam a DEUS (Act 17.26,27). Por causa desta provisão, nenhuma pessoa poderá, em qualquer tempo, acusar DEUS de não lhe ter dado oportunidade para crer e se salvar (Rm 1.20). DEUS não apenas planeja uma maneira de todos os povos conhecerem a salvação, como também tem um plano para ajudar os crentes a progredirem na sua vida espiritual. “Também os predestinou para serem conforme a imagem de seu Filho” (Rm 8.29). Este plano, no entanto, depende da disposição do crente de corresponder em obediência a DEUS (Jr 15.19). DEUS “nos predestinou para ele, para adoção de filhos, por meio de JESUS CRISTO” (Ef 1.5). Fomos “predestinados… a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em CRISTO” (Ef 1.11,12).

4. O Chamamento DEUS jamais força alguém a aceitá-Lo, mas certamente convida todos os homens a receberem a salvação. Para isto DEUS dispõe da sua graça e do poder do ESPÍRITO SANTO. Os atos de graça, mediante os quais DEUS concede a salvação e ajuda o homem a alcançá-la, são conhecidos como “chamamento de DEUS” (Rm 8.28). É importante compreender que o chamamento de DEUS para a salvação, é tanto universal quanto irresistível. Há três argumentos nas Escrituras quanto ao chamamento universal de DEUS aos homens para a salvação. São eles: DEUS deseja que todos os homens sejam salvos (2 Pd 3.9) mas não obriga o homem a aceitar a salvação, quer o homem queira, ou não. Os crentes são conclamados a “proclamar” o evangelho ao mundo inteiro e a “persuadir” os homens a aceitá-lo (Mt 28.192 Co 5.11). A natureza universal do chamamento de DEUS é revelado no “convite da Escritura”. Lendo passagens como João 3.16Isaias 55.1 e Mateus 11.28, notamos que o convite para a salvação não é seletivo, mas sim, coletivo, para todos quantos o atenderem. Não obstante o chamamento de DEUS seja dirigido a todos os homens, ele pode ser rejeitado (Jo 5.40Act 7.51Rm 10.21Hb 10.29). O fato do chamamento de DEUS ser universal não faz a salvação um fato incondicionalmente universal. Assim como a redação através de CRISTO é suficiente para todas as pessoas, mas eficazmente para o que crê, assim também a chamada de DEUS é válida para o mundo inteiro, mas aplicável unicamente àqueles que a atendem.

5. Cooperação Com DEUS na Salvação Quanto à doutrina da salvação, existem hoje duas correntes de interpretação: uma comprometida com o “determinismo”, e a outra com o “livre arbítrio”.

a) O Determinismo O cristão determinista crê que DEUS predeterminou de antemão os salvos e os perdidos, independentemente da escolha humana. A salvação, portanto, é uma conseqüência inteiramente da graça de DEUS. Neste caso, a fé é expressa, não como uma decisão da parte do crente, mas, sim, como uma resposta à irresistível atuação de DEUS sobre o espírito do homem. Quanto aos predestinados á perdição eterna, segundo o determinismo, embora querendo ser salvos, lhes é negado este direito. Vieram ao mundo, podem ouvir a pregação do evangelho, porém jamais se salvarão, uma vez que DEUS decretou de antemão a perdição deles.

b) O Livre Arbítrio Segundo esta corrente de interpretação, todos os tratos de DEUS com o homem, inclusive a eleição e a predestinação, estão baseados nas decisões que o homem toma, uma vez que é um agente livre para aceitar ou rejeitar o dom de DEUS. Mais que isto, todos os homens têm igual oportunidade de buscar a DEUS, ouvir o evangelho, se arrependerem de seus pecados e serem salvos.

c) Cooperando Com a Salvação Os defensores do determinismo estão equivocados quando salientam demasiadamente a verdade da majestade, da graça e do poder de DEUS, em detrimento da insuficiência do homem para fazer qualquer coisa sem o auxilio divino. Ignoram a capacidade de decisão do homem quanto à determinação do seu futuro eterno. De igual modo os defensores do livre arbítrio correm o risco de enfatizar a livre agência do homem, reduzindo a fé a um ritual sem vida, levando o cristão a uma obediência apenas à letra do evangelho, esquecendo-se do poder de DEUS operante na sua vida. A salvação, como experiência prática, só é possível com a cooperação do crente. Quanto a isto diz o apóstolo Paulo: “de sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora, na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor; porque DEUS é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.12,13).

III. O LADO HUMANO DA SALVAÇÃO A salvação é obra de DEUS em favor do homem, e não do homem em favor de DEUS. Como já vimos, o homem é completamente incapaz de agradar a DEUS por si só, pois leva sobre si a sentença de “morte espiritual”. Por este motivo DEUS mesmo tomou a iniciativa de prover a salvação independentemente dos méritos e possibilidades do homem. Há, porém, uma coisa que DEUS não faz no que diz respeito à salvação do homem: DEUS não o obriga a aceitá-la. Antes de experimentar a conversão, o homem precisa desejá-la, dando lugar à operação divina.

1. O Que é Conversão O termo “conversão”, literalmente, significa “virar-se para a direção oposta”. De acordo com a Bíblia, é o ato pelo qual o pecador se volta do pecado para JESUS CRISTO, tanto para obter perdão dos pecados como para liberta-se deles. Isso inclui livramento da pena do pecado. Embora nitidamente ligada ao arrependimento, a conversão difere dele, uma vez que o arrependimento enfatiza o aspecto negativo do abandono ou saída do pecado, enquanto que a conversão enfatiza o aspecto positivo da volta para CRISTO (1 Ts 1.9). O arrependimento nos retira de todos os amores ou inclinações pecaminosas, enquanto que a conversão nos faz voltar para o Esposo. O arrependimento produz tristeza pelo pecado, já a conversão produz alegria por causa do perdão e livramento da pena do pecado. O arrependimento nos leva à cruz; a conversão nos leva ao túmulo vazio do Salvador ressuscitado. A conversão fala do abandono da vida de pecador para abraçar a vida real e verdadeira oferecida por DEUS através de JESUS CRISTO (Act 14.1526.18Ez 18.30). A verdadeira conversão envolve dois atos da parte do pecador: Dar as costas ao “eu” e ao pecado e crer em DEUS, voltando-se para Ele e abraçando a vida eterna (Act 26.30Mt 7.141 Ts 1.8,9). Se a pessoa não se chega a DEUS, buscando-o, a conversão é incompleta. O simples fato de rejeitar o pecado, resultado somente numa reforma humana provisória e não em transformação divina e plena.

2. O Que é Arrependimento O arrependimento envolve uma completa mudança de pensamento sobre o pecado e a percepção da necessidade de um Salvador. O arrependimento faz o homem ficar tão contristado por causa do pecado, que ele aceita com alegria tudo o que DEUS requer para uma vida de retidão. A fé é o correlativo conseqüente do arrependimento. Os dois juntos – arrependimento e fé – constituem a conversão. A isso pode adicionar-se a obra divina do perdão. “Arrependimento para com DEUS e a fé em nosso Senhor JESUS CRISTO” (Act 20.21) necessariamente caminham juntos. O arrependimento para salvação é encorajado pelo conhecimento de que DEUS é propício ao pecador, não em fazer vista grossa ao seu pecado mas em mandar o seu Filho para morrer em lugar do pecador. A fé em CRISTO é encorajada pela compreensão do propósito e significado da sua morte. É então a pregação da cruz que induz o pecador ao arrependimento e a fé. O arrependimento não é a mesma coisa que remorso. O remorso é um beco sem saída; o arrependimento é estrada transitável. O remorso olha só para os nossos pecados; o arrependimento olha para além dos nossos pecados – para o calvário. O remorso nos devolve para nós mesmos; o arrependimento nos faz voltar para DEUS. O remorso nos faz odiar a nós mesmos, muito embora possamos ao mesmo tempo amar nossos pecados; o arrependimento nos leva a odiar nossos pecados e amar nosso Senhor num único ato. O remorso é a tristeza do mundo que “produz morte”; o arrependimento é “a tristeza segundo DEUS” e conduz à salvação (2 Co 7.10). Os passos que levam o homem ao arrependimento, uma vez DEUS operando, são: reconhecimento do pecado, tristeza pelo pecado e abandono do pecado.

3. O Que é Fé Arrependimento é dizer “Não”, ao pecado, enquanto que a fé na salvação, é dizer “Sim”, a DEUS. Este é o lado afirmativo da conversão. Enquanto o arrependimento dá ênfase aos nossos pecados, a fé fixa os nossos olhos em CRISTO. A fé é um relacionamento vivo com CRISTO, baseado no amor, confiança e consagração da vida e da vontade a Ele. A fé não é um mero assentimento intelectual, mas um relacionamento pessoal com DEUS (Gl 2.19,20). A fé não é uma emoção que passa de uma pessoa para outra, mas uma convicção interior da pessoa (2 Tm 1.12). A fé não se dirige a um credo ou crença doutrinária, mas a uma pessoa (Cl 2.5). Fé não é um ato isolado na vida, mas uma maneira de se viver (Rm 1.17). A fé não é uma simples confissão, mas uma dedicação ou entrega, evidenciada pelas “obras da fé”, na vida da pessoa (Tg 2.18). A palavra “fé” aparece cerca de 240 vezes no Novo Testamento, nem sempre se referindo à fé para a salvação. A fé salvadora é mais do que um assentimento mental ou reação; é um relacionamento vivo entre duas pessoas: DEUS e o homem. Pela impossibilidade do pecador autogerar a fé salvadora em beneficio próprio, a Bíblia a apresenta como um dom de DEUS (Fp 1.29Hb 12.2Rm 12.3).

IV. A JUSTIFICAÇÃO O Antigo Testamento utiliza duas formas diferentes do mesmo termo hebraico (hidsdik e tsiddek) para expressar o conceito de justificação. Esses termos, exceto em algumas passagens, não indicam uma mudança moral operada por DEUS no homem, mas regularmente designam uma declaração divina a respeito do homem. Transmitem a idéia de que DEUS, em sua qualidade de juiz, declara o homem justo (Dt 25.1Pv 17.15;Is 5.23Sl 143.2). O termo do Novo Testamento (dikaio-o) tem o mesmo significado, isto é, declarar justo (Rm 3.20-284.5-7Gl 2.163.115.4Rm 8.33,34Jo 3.185.242 Co 5.19). Entende-se, pois que o termo “justificar” não significa fazer, mas declarar justo.

1. A Natureza e as Características da Justificação Por “justificação”, entende-se o ato pelo qual DEUS declara posicionalmente justa a pessoa que a Ele se chega através da pessoa de JESUS CRISTO. Esta justificação envolve dois atos: o cancelamento da dívida do pecado na “conta” do pecador, e o lançamento da justiça de CRISTO em seu lugar. Tornado-se mais claro: justificação não é aquilo que o homem é ou tem em si mesmo, mas aquilo que o próprio CRISTO é e faz na vida do crente. “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em CRISTO JESUS, a quem propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter DEUS, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça, no tempo presente, para ele mesmo ser justo e justificador daquele que tem fé em JESUS (Rm 3.24-26). “Não se deve confundir justificação com regeneração. A justificação tem lugar fora de nós, junto ao trono de DEUS, onde Ele nos declara justos. É, pois, coisa objetiva. A regeneração é obra divina operando em nosso interior. É por isso, subjetiva. A justificação é o veredito de DEUS, e a regeneração é uma experiência humana. A justificação é o que DEUS faz por nós; a regeneração é o que DEUS faz em nós. A justificação muda a nossa posição, ou situação; a regeneração tem a ver com o nosso estado. A justificação muda a nossa relação para com DEUS; já a regeneração muda a nossa “natureza” (Os Oitos Pilares da Salvação – Editora Betânia – Pág. 74).

2. Elementos da Justificação Existem especialmente dois elementos na justificação, um negativo e outro positivo.

a) O Elemento Negativo O elemento negativo da justificação é o perdão dos pecados com base na justiça imputada por CRISTO. O efeito produzido pelo ato da justificação se aplica a todos os pecados passados, presentes e futuros por isso incluem a libertação de toda a culpa e castigo. Isto acontece devido ao fato de que a justificação não se pode repetir (Rm 5.218.1,32-34Hb 10.14Sl 103.12Is 44.22).

b) O Elemento Positivo O elemento positivo da justificação se distingue em duas partes: primeiro a adoção de filhos e segundo o direito a vida eterna. Pelo processo da justificação DEUS adota o crente como seu filho, conferindo-lhe todas as regalias decorrentes dessa filiação. Esta filiação por adoção deve ser distinguida da filiação moral dos crentes que resulta da regeneração e santificação. Deste modo os crentes são filhos de DEUS, não apenas em decorrência da adoção, e portanto num sentido jurídico, mas também em virtude do novo nascimento, conseqüentemente num sentido espiritual (Manual de Doutrina Cristã – Editora Luz Para o Caminho e Ceibel – Págs. 232,233). Já o direito à vida eterna está virtualmente incluído no elemento precedente. Quando os pecadores são adotados como filhos de DEUS, tomam posse de todos os direitos legais de filhos, e se tornam herdeiros de DEUS e co-herdeiros com CRISTO (Rm 8.17). Constituem-se herdeiros de todas as bênçãos da salvação na vida presente, e além dessas recebem o direito a “herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada no céu” para eles (1 Pd 1.4).

3. Obtenção e Conservação da Justificação Os efeitos da justificação pela fé abrangem a totalidade da vida do crente. No passado, a fé justificou-o, libertando-o inicialmente da condenação do pecado. No presente, a fé continua a justificá-lo, libertando-o da prática do pecado. Na medida em que ele continua na fé, a justificação do crente culminará na glorificação, libertando-o para sempre da presença do pecado. “Desde o momento da conversão até o fim da vida terrena, a justificação é sempre a mesma. O crente poderá necessitar de perdão como filho do Pai, mas nunca mais será considerado criminoso perante o Juiz. A justificação é o ato de juiz; o perdão é o ato de pai. A justificação abrange o passado, presente e o futuro. A questão do pecado, entre a alma e DEUS, foi resolvida para sempre. É possível o crente ser um filho desobediente, e assim necessitar da vara de castigo do Pai, mas nunca mais pode ser considerado pecador perdido e sujeito à condenação do Juiz” (A Doutrina da Salvação – EETAD – Pág. 70).

4. Os Benefícios da Justificação A justificação não é uma experiência, é uma declaração legal de justiça, só possível mediante um relacionamento com CRISTO. Esta declaração traz inúmeros benefícios à vida do crente justificado, entre os quais se destacam os seguintes:

a) Um Novo Relacionamento com a Lei A justificação concede ao crente uma nova posição em relação à Lei de DEUS. Uma vez que a lei divina exigia obediência como condição de o homem obter a vida eterna (Rm 8.3,4), e como o homem jamais foi capaz de cumprir inteiramente com as exigências divinas neste sentido, em vez de abolir a lei, DEUS enviou JESUS CRISTO para cumprir-la por nós (Mt 5.17). Deste modo, por meio de JESUS CRISTO, “todo o que crê é justificado de todas as coisas das quais vós não pudestes ser justificados pela lei de Moisés” (Act 13.39).

b) Um Novo Relacionamento com DEUS Mediante a justificação, a separação existente entre DEUS e o homem por causa do pecado, é abolida através de JESUS CRISTO, e transformada em “paz com DEUS”. A ira de DEUS é traduzida em benignidade, legal e completamente. “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com DEUS, por meio de nosso Senhor JESUS CRISTO… Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm 5.1,9).

c) Uma Nova Concepção da Culpa Pessoal Mediante a justificação, o crente é uma pessoa livre do peso da culpa pessoal (Rm 5.1). No que pesem as lembranças dos pecados de outrora, e as acusações por parte do Diabo, o crente se mantém confiante na provisão justificadora de DEUS em seu favor na pessoa de CRISTO. Deste modo “quem intentará acusação contra os eleitos de DEUS? É DEUS quem os justifica. Quem os condenará? É CRISTO JESUS quem morreu” (Rm 8.33). Independentemente do pecado outrora cometido, todo ele foi absolvido pela obra meritória de JESUS no calvário. “Quanto está longe o oriente do ocidente, assim afasta [o Senhor] de nós as nossas transgressões” (Sl 103.12).

d) Uma Nova Concepção do Futuro A justificação tem o duplo mérito de nos liberta tanto da culpa do passado quanto dos temores do futuro. Uma vez justificado por DEUS, o crente pode saber, nesse exato momento, que é salvo. Ele não precisa esperar até à consumação dos séculos, para ver se foi “suficientemente bom” para merecer a salvação. O crente encara com confiança o futuro, sabendo que, a qualquer momento, poderá entrar na presença de DEUS, purificado de todos os seus pecados e vestido com as vestes da justiça do CRISTO. “A fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna” (Tt 3.7). “Porque me cobriu de vestes de salvação, e me envolveu com o manto da justiça” (Is 61.10).

V. A REGENERAÇÃO A regeneração é a obra sobrenatural por graça e instantânea de DEUS que outorga nova vida ao pecador que aceita a CRISTO como seu salvador pessoal. Através desse milagre, o pecador é ressuscitador da morte (do pecado) para a vida (na justiça de CRISTO). Esta nova vida é a natureza divina que passa a habitar no crente, mediante o poder do ESPÍRITO SANTO (Tt 3.5Jo 1.12,13). Sem esta miraculosa transformação espiritual, o pecador arrependido permaneceria morto na sua natureza pecaminosa (Ef 2.1) e incapaz de conhecer a DEUS num relacionamento pessoal (Rm 8.7).

1. A Necessidade da Regeneração Através de JESUS CRISTO DEUS propicia a todos os homens o privilégio duma nova vida. Neste sentido a necessidade da regeneração espiritual do pecador é necessária, pelo menos por três razões: Primeira é necessária para entrar no reino de DEUS: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de DEUS” (Jo 3.3). Segunda é necessária para resistir ao pecado: “Todo aquele que é nascido de DEUS não vive na prática do pecado” (1 Jo 3.9). Terceira é necessária para uma vida de retidão: “Reconhecereis também que aquele que prática a justiça é nascido dele” (1 Jo 2.29).

2. Os Meios para a Regeneração A Bíblia diz que assim como o etíope não pode mudar a cor de sua pele, nem o leopardo mudar as suas manchas, tampouco pode o homem mudar para melhor a sua natureza pecaminosa (Jr 13.23). Qualquer esforço humano neste sentido redundaria em fracasso. O fato de o homem, por seus próprios esforços, poder refrear a prática de determinados pecados mais grosseiros e de se dar à prática de boas obras, não o dignifica como nova criatura diante de DEUS. Comparada com a mudança que o ESPÍRITO SANTO quer fazer na vida do pecador, qualquer mudança resultante de esforços próprios será vã aos santos olhos de DEUS. Só DEUS pode operar o milagre do novo nascimento, transformando o homem a partir do seu interior. Para alcançar experimentalmente este milagre da parte de DEUS, o pecador precisa fazer apenas duas coisas:

a) Ouvir a Palavra de DEUS A primeira coisa que o pecador deve fazer, habilitando-se para o novo nascimento, é ouvir a Palavra de DEUS. O Evangelho não é uma mensagem morta, mas, sim, uma semente viva. Quanto a isto testificam Pedro e Tiago: “Pois fostes regenerados, não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de DEUS, a qual vive e é permanente” (1 Pd 1.23) “Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas” (Tg 1.18).

b) Crer na Palavra de DEUS A mensagem do amor de DEUS pode produzir um grande anseio no coração; mas somente quando o homem responde positivamente a esta mensagem, pela fé, é que terá lugar a transformação divina do coração. “E o testemunho é este, que DEUS nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de DEUS não tem a vida. Estas coisas vos escrevi, a fim de que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de DEUS” (1 Jo 5.11-13Jo 1.12,13).

3. Regeneração é Mudança A regeneração não trata duma mudança evolucionária e sim revolucionária. Também não é uma reforma. A reforma tem a ver com os projetos humanos, enquanto que a regeneração é um ato divino. A reforma é algo ligado ao exterior, ao passo que a regeneração é mudança no interior, que Vem de dentro. A reforma afeta a conduta sem modificar o caráter, e a regeneração afeta a conduta modificando o caráter. A reforma é uma aquisição, e a regeneração é transformação. A reforma é um esforço,e a regeneração é nova vida. A reforma é uma dotação que muitas pessoas pensam Ievá-la ao reino de DEUS; a regeneração é uma exigência para se entrar nesse reino (Jo 3.3.). “A educação e a instrução jamais levam o homem pura além do topo do seu crânio. Além disso, precisa ele duma obra divina vinda duma esfera superior, se quiser entrar nessa esfera. Precisa ser regenerado, ou nascer de novo” (Os Oitos Pilares da Salvação – Editora Betânia – Pág. 61).

4. O Simbolismo do Batismo em Águas A verdade central da regeneração é que o crente é uma nova criatura, que foi separada do seu passado de pecado e destinada a viver em novidade de vida. “E assim, se alguém está em CRISTO, é nova criatura: as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Co 5.17). O ato do batismo por imersão, em águas, é um símbolo visual de o crente ter morrido completamente para a vida velha de outrora, e da sua disposição de viver vida nova: “Fomos, pois sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como CRISTO foi ressuscitado dentre os mortos peIa glória do Pai, assim andemos em novidade de vida” (Rm 6.4). Alguém pode perguntar: “Se o batismo em águas é apenas um simbolismo, por que eu preciso ser batizado?” A resposta é que DEUS ordenou este meio de demonstração diante do mundo, do nosso rompimento com a vida de outra, marcando assim um novo começo. Deste modo, batizar-se em águas não é uma opção para o crente, é um mandamento de CRISTO (Mt 28.19Act 2.3810.48).

VI. A ADOÇÃO Humanamente falando, adoção é o processo pelo qual uma criança é trazida e aceita numa família, quando por natureza não tinha direito algum de pertencer àquela família. Esta transação legal traz como resultado, a criança tornar-se um filho; um novo membro da família, com plenos direitos sobre o patrimônio da família que a adotou. A adoção espiritual é baseada neste mesmo princípio, se bem que a adoção divina é infinitamente mais abrangente no seu alcance e finalidade. Depois que o homem, que por natureza é filho da ira, (Ef 2.3) crê em CRISTO, é feito filho de DEUS, e passa a ter os direitos e privilégios inerentes àquela posição: o privilégio da filiação, de ser membro da família de DEUS, e o direito de ser herdeiro de DEUS e co-herdeiro com CRISTO (Rm 8.15-17).

1. O Crente Como Filho de DEUS O relacionamento filial do crente com DEUS independe do tempo. Não é uma esperança futura, mas um usufruto presente. Quanto a isto escreve o apóstolo João: “Amados, agora somos filhos de DEUS, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque havemos de vê-lo como ele é” (1 Jo 3.2). Um dos privilégios que goza o filho de DEUS diz respeito à estreita comunhão que ele goza com o seu Pai celestial. Contrastando o relacionamento amoroso e filial que o crente goza com DEUS, com a atitude de um escravo que treme de medo diante do seu senhor, escreve o apóstolo Paulo: “Porque não recebestes o espírito da escravidão para viverdes outra vez atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai” (Rm 8.15). A Bíblia ensina o crente a temer a DEUS, mas numa atitude de respeito e reverência, e não de angústia e de medo. O ESPÍRITO de CRISTO libertou o crente do medo servil de ser castigado ou rejeitado por causa do menor erro que pudesse desagradar a seu Senhor. O crente deve saber que é filho e não mero empregado de DEUS. Como filho de DEUS o crente deverá obedecer-lhe; (Mt 5.16Fp 2.152 Co 6.17.18), sujeitar-se à orientação e disciplina do seu Pai; (Rm 8.14,16Hb 12.5,6,12,13) ir à presença do Pai livre e desimpedidamente, tantas vezes deseje (Ef 2.18Mt 6.31,32Fp 4.19).

2. O Crente Como Irmão de JESUS CRISTO Ao adotar o crente como filho, DEUS criou uma posição de honra e dignidade anteriormente inexistente. Este fato modificou toda a hierarquia do Universo. Deste modo, apesar de os anjos terem sido criados superiores ao homem, mediante a provisão divina para a salvação e adoção do crente, este foi exaltado para dominar sobre os anjos (Hb 2.7,51.14). Hebreus 2.11, diz que CRISTO não se envergonha de chamar os crentes de “irmãos”. Ser chamado “filho de DEUS” é em si um privilégio difícil de entender, mas ser chamado “irmão de JESUS CRISTO” é quase além da imaginação. É um fato extremamente maravilhoso! Em CRISTO, todos os crentes foram feitos irmãos uns do outros. JESUS disse: “Porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos” (Mt 23.8). Aqueles que fazem parte da família de DEUS participam de um amor e solicitudes especiais uns para com os outros. É exatamente este amor que comprova a realidade da nossa adoção como filhos de DEUS. “Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte” (1 Jo 3.14). “Nisto conhecerão todos que sois meus “discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.35).

3. O Crente Como Herdeiro do Céu Mediante a adoção divina, o crente não somente é elevado à oposição de participante da aristocracia do Céu, como também torna-se herdeiro do maior patrimônio do Universo: “… somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de DEUS e co-herdeiros com CRISTO” (Rm 8.17). Em contraste com as heranças terrestres que são entregues ao herdeiro só quando o pai morre, o crente recebe a sua herança em abundante vida. Além da herança recebida aqui como usufruto e antegozo, dentre outras coisas, DEUS nos assegura: “um reino de glória… uma pátria melhor, uma cidade… uma coroa de glória. uma coroa de vida, uma coroa de justiça… eterno peso de glória… verão a sua face… reinarão para sempre e sempre… para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros, que sois guardados pelo poder de DEUS, mediante a fé, para salvação preparada para revelar-se no último tempo” (1 Pd 1.4,5). São as imensuráveis riquezas de CRISTO, o nosso “irmão mais velho”, que nos fazem abundantemente ricos também. “Pois conheceis a graça de nosso Senhor JESUS CRISTO, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que pela sua pobreza vos tornásseis ricos” (2 Co 8.9).

4. Bênçãos Decorrentes da Adoção Dentre as incontáveis bênçãos decorrentes da adoção divina, através da qual somos feitos legítimos filhos de DEUS, se destacam as seguintes:

a) Libertação da Escravidão da Lei Ismael e Isaque não podiam viver sob o mesmo teto. Ismael era o filho da escrava, enquanto Isaque era filho da esposa legítima (Gl 4.21-30) “E assim, irmãos, somos filhos não da escrava e sim da livre” (Gl 4.31). “DEUS enviou seu Filho… para resgatar os que estavam sob a lei para que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl 4.4,3). Esse lugar de adoção tira de nosso pescoço o jugo do qual diz o apóstolo – “nem nossos pais puderam suportar, nem nós” (Act 15.10). A adoção traz-nos à liberdade não de pecar, mas da filiação.

b) Libertação do Medo Os filhos de DEUS com freqüência sofrem temores – o temor de falhar o medo passado, do presente, do futuro; e o medo de Satanás, ou do homem, ou de si mesmo. Esses temores e medos não provêm de DEUS, uma vez que “DEUS não nos tem dado o espírito de covardia” (2 Tm 1.7). A apropriação dos nossos direitos de adoção nos livrará do temor. “Porque não recebestes o espírito de escravidão para viverdes outra vez atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção” (Rm 8.15). Há grande conforto e alívio ao nos lembrarmos que podemos confiar no cuidado do Pai celeste uma vez que somos seus filhos pela fé em JESUS CRISTO. Deste modo o medo é anulado para dar lugar à confiança filial.

c) Segurança e Certeza “O próprio ESPÍRITO dá testemunho com o nosso espírito, de que somos filhos de DEUS” (Rm 8.16). Uma vez que o testemunho do ESPÍRITO SANTO é um testemunho verdadeiro, então há grande segurança e certeza no seu testemunho. A exclamação Aba, Pai é coisa real, nascida do próprio ESPÍRITO de DEUS. Isso nos liberta da incerteza no que diz respeito ao porvir, e também de arrependimentos do passado, ao mesmo tempo em que nos leva à presente comunhão com o Pai, a quem pertencemos.

VII. A SANTIFICAÇÃO Santificação é a obra da graça pela qual o crente é separado do ego e da pecaminosidade interior, e, pela concessão do ESPÍRITO SANTO, separado para a santidade de DEUS. Marca uma crise subseqüente à conversão quando o pecador é levado a ver sua necessidade e se apropria da provisão que DEUS fez por ele (Os Oitos Pilares da Salvação – Editora Betânia – Pág. 89).

1. A Natureza da Santificação “Santificação”, na Bíblia é um termo de grande abrangência e de rico significado para a vida do crente. Relacionada com a experiência da vida cristã, a santificação tem a ver com o tempo passado, presente, e futuro da sua vida. Para melhor compreender isto, atentemos para os três tempos da santificação:

a) Santificação do Passado “Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de JESUS CRISTO, feita uma vez … Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados” (Hb 10.10,14).Em CRISTO o crente é posicionalmente santificado no momento da sua conversão. Este nível de santificação se dá como concessão divina através de JESUS CRISTO, independentemente do que o crente possa ou não fazer. Aqui a santificação é uma experiência instantânea. Isto é: posicionalmente, em CRISTO, o crente não poderá ser mais santo amanhã do que é hoje.

b) Santificação no Presente “E o mesmo DEUS de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor JESUS CRISTO” (1 Ts 5.23). Aqui temos a santificação ao nível da experiência cristã no cotidiano. Fala da assimilação da vontade de DEUS pelo cristão no seu dia-a-dia. Falando da santificação como uma realidade presente, escreveu o apóstolo Paulo: “Não que já na tenha alcançado ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também 4preso por CRISTO JESUS. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de DEUS em CRISTO JESUS” (Fp 3.12-14). A santificação como experiência presente fala do nosso crescimento em CRISTO, da maturidade da vida cristã e do progresso espiritual capaz de conduzir o crente a alcançar a estatura de varão perfeito.

c) A Santificação no Futuro. “Mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do DEUS vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos,à universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a DEUS, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados; e a JESUS, o Mediador de uma nova aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel” (Hb 12.22-24). Só quando os crentes adentrarem o grande portal de cristal das mansões de DEUS cumprir-se-á na sua inteireza o ideal joanino: “Amados, agora somos filhos de DEUS, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos” (1 Jo 3.2).

2. O Propósito da Santificação A santificação tem como finalidade primordial acudir a necessidade mais profunda da criatura humana, identificando com CRISTO. Essa necessidade está retratada com matizes mui vivos no capítulo 7 da carta de Paulo aos Romanos, de acordo com este escrito de Paulo, existe um inimigo interior chamado “a lei do pecado”; e que há necessidade da obra regeneradora do ESPÍRITO no sentido de que o pecador “tenha prazer na lei de DEUS”. Também é preciso que o ESPÍRITO revele ao pecador que “em mim… não habita bem algum”. A santificação é a provisão feita por DEUS. Mas, como podemos experimentar a apropriação disso? Pela identificação com CRISTO em sua morte. Devemos consentir em morrer com CRISTO em sua morte. Precisamos subir à cruz com Ele, e de toda a nossa vontade renunciar ao ego que há causado todos os nossos distúrbios. A crucificação é o único meio de libertação. “Estou crucificado com CRISTO” (Gl 2.19). Que tem tudo isso a ver com a santificação? Simplesmente isto: O ESPÍRITO SANTO não santificará a vida egoísta, ou a natureza pecaminosa. Essa precisa identificar-se com CRISTO na cruz antes que o ESPÍRITO SANTO possa realizar sua obra de santificação e enchê-Ia. Pode acontecer que nossa compreensão de tudo isso seja um tanto vaga no tempo em que nos entregamos ao enchimento do ESPÍRITO, mas Ele nos conduzirá fielmente para frente, e, seja qual for a luz que Ele nos fornecer no futuro, é contrabalançada pelo fato de que toda controvérsia foi resolvida quando nos entregamos a Ele” (Os Oitos Pilares da Salvação – Editora Betânia – Pág.94).

3. Meios da Santificação Na obra da santificação há o lado humano e o lado divino. Do lado divino a obra é completa e resultante duma série de fatores, dignos da consideração do crente.

a) Somos Santificados Pela Palavra JESUS orou ao Pai acerca dos seus discípulos, dizendo: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade” (Jo 17.17-19). A Palavra de DEUS tem o mérito de purificar e lavar as manchas do pecado que maculam a alma e prejudicam as relações entre DEUS e o homem. Para tanto, torna-se, imprescindível que o crente ame-a, leia-a e permita que ela faça parte da sua vida cotidiana.

b) Somos Santificados Pelo Sangue de JESUS Sobre o sangue carmesim do nosso Salvador repousa toda a nossa pureza e vitória. “Por isso foi que também JESUS, para santificar o povo, pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta” (Hb 13.12).Sempre que o ESPÍRITO SANTO lida conosco, seja por causa dos nossos atos pecaminosos ou por causa da nossa natureza tendente ao pecado, Ele nos faz voltar ao calvário e nos conscientiza de que o sangue derramado na cruz não foi em vão, mas é eficaz para romper com o círculo do pecado em nossa vida.

c) Somos Santificados Pela Trindade A Bíblia atribui a santificação cristã tanto ao Pai, como ao Filho e ao ESPÍRITO SANTO: “E o mesmo DEUS da paz vos santifique em tudo” (1 Ts 5.23). “Pois, tanto o que santifica [o contexto refere-se a JESUS], como os que são santificados, todos vêm de um só” (Hb 2.11). “DEUS vos escolheu desde o princípio, para a salvação pela santificação do Espíritofé na verdade” (2 Ts 2.13). “Eleitos… em santificação do ESPÍRITO” (1 Pd 1.2). Uma vez que o DEUS Trino e Uno opera em favor da nossa santificação, devemos cooperar com Ele.

4. O Lado Humano da Santificação O lado humano da santificação envolve dois atos da parte do crente, são eles: separação e dedicação.

a) Separação do Pecado “Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra” (2 Tm 2.21). A presença do pecado na nossa vida é incompatível com o interesse de DEUS em nos usar no cumprimento da sua vontade.

b) Dedicação ao Serviço de DEUS Só após serem purificados de- pecados é que os crentes poderão assimilar em suas vidas o ideal do ESPÍRITO SANTO como diz o apóstolo Paulo: “Rogo-vos pois, irmãos pela compaixão de DEUS, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a DEUS, que é o vosso culto racional” (Rm 12.1). DEUS não arrasta ninguém pelo caminho do discipulado, da dedicação e serviços verdadeiros. É um ato espontâneo e completo da parte do cristão.

VIII. É POSSÍVEL PERDER A SALVAÇÃO? No V Século da nossa era, Agostinho pontificou que o crente, em circunstância alguma, poderá perder a salvação. Segundo ele, o crente uma vez salvo, permaneceria salvo por toda a eternidade, independentemente das suas ações ou atitudes. Esta declaração deu início a um debate doutrinário e teológico que permanece até os nossos dias.

1. O Argumento das Escrituras Um dos maiores argumentos bíblicos, segundo o qual o crente pode perder a salvação, é a freqüente menção do condicional “se”, com respeito à salvação. As porções bíblicas dadas a seguir demonstram que a salvação como uma experiência humana, depende da situação do crente, e é manifesta em expressões bíblicas tais como: “Permanecer em CRISTO”, “Continuar na fé”, “andar na luz”, “não retroceder”, etc. Segue-se uma lista de trechos das Escrituras onde estas frases aparecem. “Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora” (Jo 15.6). “Se é que permaneceis na fé” (Cl 1.23). – “Se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei” (1 Co 15.2). “Se negligenciardes tão grande salvação” (Hb 2.3). “Se de fato guardarmos firmes até ao fim a confiança” (Hb 3.14). “Se retroceder” (Hb 10.38). “Se, porém, andarmos na luz” (1 Jo 1.7).

2. Advertências Diretas A Bíblia contém muitas advertências acerca do perigo de cair da graça divina. Paulo advertiu os santos que achavam que fazendo o que quisessem mesmo assim estariam salvos: “Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia” (1 Co 10.12). O escritor da epístola aos Hebreus advertiu que é possível deixar o coração encher-se de descrença, ao ponto de perder a salvação: “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do DEUS vivo” (Hb 3.12). A epístola de Judas leva-nos a meditar nos santos do Antigo Testamento, nos dias de Moisés, quando diz: “Quero, pois, lembrar-vos que o Senhor, tendo libertado um povo tirando-o da terra do Egito, destruiu, depois, os que não creram” (Jd v.5). Há uma exortação severa de João, que não deixa dúvida alguma quanto à possibilidade de alguém perder a sua salvação: “O vencedor, de nenhum modo sofrerá o dano da segunda morte” (Ap 2.11). “Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (Ap 3.11).

3. Exemplos a Considerar A Bíblia não apenas ensina sobre a possibilidade de se perder a salvação, como também registra casos de várias pessoas que viraram as costas para DEUS, perdendo por completo a comunhão com Ele. No Antigo Testamento, lemos acerca de Saul que “DEUS lhe mudou o coração” e que “o ESPÍRITO de DEUS se apossou de Saul” (1 Sm 10.9,10). Mais tarde, porém, tomou-se possuído dum espírito maligno, e acabou a sua vida cometendo suicídio. Está dito de Salomão, que na sua juventude “amava ao Senhor, andando nos preceitos de Davi, seu pai” (1 Rs 3.3). Mais tarde, porém, ele rejeitou a DEUS e começou a adorar os falsos deuses (1 Rs 11.1-8). Felizmente, em tempo, retornou a DEUS, não porque fosse predestinado à salvação, mas porque deu lugar ao arrependimento no seu coração. No Novo Testamento, o exemplo mais destacado dum desviado e apóstata, éo de Judas Iscariotes. Judas no princípio era um verdadeiro crente, pois jamais CRISTO confiaria a um pecador o ministério de evangelizar curar enfermos e expulsar demônios (Mt 10.7,8). Porém, já por ocasião da última Ceia Judas havia abandonado a fé. CRISTO sabia que Judas ja não fazia parte do grupo dos salvos. O próprio Judas confirmou isto, quando traiu a CRISTO e cometeu suicídio. Himeneu e Alexandre, dois dos cooperadores de Paulo pós manterem a fé e boa consciência, naufragaram na fé, pelo que Paulo os entregou a Satanás (1 Tm 1.19,20). Demas, outro associado ministerial de Paulo é declarado um ajudante fiel. Estava presente quando Paulo escrevia suas epístolas aos Colossenses e a Filemom (Cl 4.14; Fl v.24). Paulo mesmo o chamou de “cooperador” seu. É, pois, difícil compreender que Demas não fosse um crente verdadeiramente salvo. Apesar disto, mais tarde abandonou a fé, literalmente perdeu a salvação, por causa do seu “amor’ ao presente século” (2 Tm 4.10). Apesar de tudo, o crente não tem porque ter medo. Pois aquele que não dormita e nem dorme, “aquele que te guarda” (Sl 121.3), diz: “Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2.10).

TERMOS BÍBLICOS PARA SALVAÇÃO – BEP – SALVAÇÃO Rm 1.16 “Porque não me envergonho do evangelho de CRISTO, pois é o poder de DEUS para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego. ” DEUS nos oferece livremente a vida eterna em JESUS CRISTO, mas, às vezes, nos é difícil compreender o processo exato usado para torná-la disponível a nós. Por isso, DEUS apresenta na Bíblia vários aspectos da salvação, cada um com sua ênfase exclusiva. Este estudo examina três desses aspectos: a salvação, a redenção e a justificação. SALVAÇÃO. Salvação (gr. soteria) significa “livramento”, “chegar à meta final com segurança”, “proteger de dano”. Já no AT, DEUS revelou-se como o Salvador do seu povo (Êx 15.2Sl 27.188.1; ver Dt 26.8Sl 61.2Is 25.653.5). A salvação é descrita na Bíblia como “o caminho”, ou a estrada através da vida, para a comunhão eterna com DEUS no céu (Mt 7.14Mc 12.14Jo 14.6At 16.17; 2Pe 2.21; cf. At 9.2; 22.4Hb 10.20). Esta estrada deve ser percorrida até o fim. A salvação pode ser descrita como um caminho com dois lados e três etapas: O único caminho da salvação. CRISTO é o único caminho ao Pai (Jo 14.6At 4.12). A salvação nos é concedida mediante a graça de DEUS, manifesta em CRISTO JESUS (3.24). A salvação é baseada na morte de CRISTO (3.255.8), sua ressurreição (5.10) e sua contínua intercessão pelos salvos (Hb 7.25). Os dois lados da salvação.

A salvação é recebida de graça, mediante a fé em CRISTO   Isto é, ela resulta da graça de DEUS (Jo 1.16) e da resposta humana da fé (At 16.31; Rm 1.17Ef 1.15) As três etapas da salvação. (a) A etapa passada da salvação inclui a experiência pessoal mediante a qual nós, como crentes, recebemos o perdão dos pecados (At 10.43; Rm 4.6-8) e passamos da morte espiritual para a vida espiritual (1 Jo 3.14); do poder do pecado para o poder do Senhor (6.17-23), do domínio de Satanás para o domínio de DEUS. .

A salvação nos leva a um novo relacionamento pessoal com DEUS (Jo 1.12) e nos livra da condenação do pecado (1.166.231Co 1.18). A etapa presente da salvação nos livra do hábito e do domínio do pecado, e nos enche do ESPÍRITO SANTO. Ela abrange: (i) o privilégio de um relacionamento pessoal com DEUS como nosso Pai e com JESUS como nosso Senhor e Salvador (Mt 6.9Jo 14.18-23; ver Gl 4.6); (ii) a conclamação para nos considerarmos mortos para o pecado (6.1-14) e para nos submetermos à direção do ESPÍRITO SANTO (8.1-16) e à Palavra de DEUS (Jo 8.3114.212Tm 3.15,16); (iii) o convite para sermos cheios do ESPÍRITO SANTO e a ordem de continuarmos cheios (ver At 2.33-39Ef 5.18); (iv) a exigência para nos separarmos do pecado (6.1-14) e da presente geração perversa (At 2.40; 2Co 6.17); e (v) a chamada para travar uma batalha constante em prol do reino de DEUS contra Satanás e suas hostes demoníacas (2Co 10.4,5Ef 6.11,16;1Pe 5.8).

A etapa futura da salvação (13.11,12; 1Ts 5.8,91Pe 1.5) abrange: (i) nosso livramento da ira vindoura de DEUS (5.91Co 3.155.51Ts 1.105.9); (ii) nossa participação da glória divina (Rm 8.292Ts 2.13,14) e nosso recebimento de um corpo ressurreto, transformado (1Co 15.49-52); e (iii) os galardões que receberemos como vencedores fiéis (ver Ap 2.7). Essa etapa futura da salvação é o alvo que todos os cristãos se esforçam para alcançar (1Co 9.24-27Fp 3.8-14). Toda advertência, disciplina e castigo do tempo presente da vida do crente têm como propósito preveni-lo a não perder essa salvação futura (1Co 5.1-139.24-27Fp 2.12,162Pe 1.5-11; ver Hb 12.1).

REDENÇÃO. O significado original de “redenção” (gr. apolutrosis) é resgatar mediante o pagamento de um preço. A expressão denota o meio pelo qual a salvação é obtida, a saber: pagamento de um resgate. A doutrina da redenção pode ser resumida da seguinte forma: O estado do pecado, do qual precisamos ser redimidos. O NT mostra que o ser humano está alienado de DEUS (3.10-18), sob o domínio de Satanás (At 10.38; 26.18), escravizado pelo pecado (6.67.14) e necessitando de livramento da culpa, da condenação e do poder do pecado (At 26.18Rm 1.186.1-1823Ef 5.8Cl 1.131Pe 2.9). O preço pago para nos libertar dessa escravidão: CRISTO pagou esse resgate ao derramar o seu sangue e dar sua vida (Mt 20.28Mc 10.45; 1Co 6.20Ef 1.7Tt 2.14Hb 9.121Pe 1.18,19). O estado presente dos redimidos: Os crentes redimidos por CRISTO estão agora livres do domínio de Satanás e da culpa e do poder do pecado (At 26.18; Rm 6.7,12,14,18Cl 1.13). Essa libertação do pecado, no entanto, não nos deixa livres para fazer o que queremos, pois somos propriedade de DEUS. A nossa libertação do pecado por DEUS nos torna em servos voluntários seus (At 26.18; Rm 6.18-221Co 6.19,20;7.22,23). A doutrina de redenção no NT já estava prefigurada nos casos de redenção registrados no AT. O grande evento redentor do AT foi o êxodo de Israel (ver Êx 6.712.26). Também, no sistema sacrificial levítico, o sangue de animais era o preço pago para expiar o pecado (ver Lv 9.8).

JUSTIFICAÇÃO. A palavra “justificar” (gr. dikaioo) significa ser “justo (ou reto) diante de DEUS” (2.13), tornado justo (5.18,19), “estabelecer como certo” ou “endireitar”. Denota estar num relacionamento certo com DEUS, mais do que receber uma mera declaração judicial ou legal. DEUS perdoa o pecador arrependido, a quem Ele tinha declarado culpado segundo a sua lei e condenado à morte eterna, restaura-o ao favor divino e o coloca em relacionamento correto (comunhão) com Ele mesmo e com a sua vontade. Ao apóstolo Paulo foram reveladas várias verdades a respeito da justificação e como ela é efetuada: A justificação diante de DEUS é uma dádiva (3.24Ef 2.8). Ninguém pode justificar-se diante de DEUS guardando toda a lei ou fazendo boas obras (4.2-6Ef 2.8,9), “porque todos pecaram e destituídos estão da glória de DEUS” (3.23). A justificação diante de DEUS se alcança mediante a “redenção que há em CRISTO JESUS” (3.24). Ninguém é justificado sem que antes seja redimido por CRISTO, do pecado e do seu poder. A justificação diante de DEUS provém da “sua graça”, sendo obtida mediante a fé em JESUS CRISTO como Senhor e Salvador (3.22,24; cf. 4.3,5). A justificação diante de DEUS está relacionada ao perdão dos nossos pecados (Rm 4.7). Os pecadores são declarados culpados diante de DEUS (3.9-18,23), mas por causa da morte expiatória de CRISTO e da sua ressurreição são perdoados (ver 3.254.255.6-10). Uma vez justificados diante de DEUS, mediante a fé em CRISTO, estamos crucificados com Ele, o qual passa a habitar em nós (Gl 2.16-21). Através dessa experiência, nos tornamos de fato justos e começamos a viver para DEUS (2.19-21). Essa obra transformadora de CRISTO em nós, mediante o ESPÍRITO (cf. 2Ts 2.131Pe 1.2), não se pode separar da sua obra redentora a nosso favor. A obra de CRISTO e a do ESPÍRITO são de mútua dependência.  

Teologia Sistemática – Conhecendo as Doutrinas da Bíblia – A Salvação – Myer Pearman – Editora Vida O Senhor JESUS CRISTO, pela sua morte expiatória, comprou a salvação para os homens. Como DEUS a aplica e como é ela recebida pelos homens para que se torne uma realidade experimental? As verdades relacionadas com a aplicação da salvação agrupam-se sob três títulos: Justificação, Regeneração e Santificação. As verdades relacionadas com a aceitação da salvação, por parte dos homens, agrupam-se sob os seguintes títulos: Arrependimento, Fé e Obediência. I. A natureza da salvação O assunto desta secção será: Que é que constitui a salvação, ou “estado de graça”?

1. Três aspectos da salvação. Há três aspectos da salvação, e cada qual se caracteriza por uma palavra que define ou ilustra cada aspecto: (a) Justificação é um termo forense que nos faz lembrar um tribunal. O homem, culpado e condenado, perante DEUS, é absolvido e declarado justo — isto é, justificado. (b) Regeneração (a experiência subjetiva) e Adoção (o privilégio objetivo) sugerem uma cena familiar. A alma, morta em transgressões e ofensas, precisa duma nova vida, sendo esta concedida por um ato divino de regeneração. A pessoa, por conseguinte, torna-se herdeira de DEUS e membro de sua família. (c) A palavra santificação sugere uma cena do templo, pois essa palavra relaciona-se com o culto a DEUS. Harmonizadas suas relações com a lei de DEUS e tendo recebido uma nova vida, a pessoa, dessa hora em diante, dedica-se ao serviço de DEUS. Comprado por elevado preço, já não é dono de si; não mais se afasta do templo (figurativamente falando), mas serve a DEUS de dia e de noite. (Luc. 2:37.) Tal pessoa é santificada e por sua própria vontade entrega-se a DEUS. O homem salvo, portanto, é aquele cuja vida foi harmonizada com DEUS, foi adotado na família divina, e agora dedica-se a servi-lo. Em outras palavras, sua experiência da salvação, ou seu estado de graça, consiste em justificação, regeneração (e adoção), e santificação. Sendo justificado, ele pertence aos justos; sendo regenerado, ele é filho de DEUS; sendo santificado, ele é “santo” (literalmente uma pessoa santa). São essas bênçãos simultâneas ou consecutivas? Existe, de fato, uma ordem lógica: o pecador harmoniza-se, primeiramente, perante a lei de DEUS; sua vida é desordenada; precisa ser transformada. Ele vivia para o pecado e para o mundo e, portanto, precisa separar-se para uma nova vida, para servir a DEUS. Ao mesmo tempo as três experiências são simultâneas no sentido de que, na prática, não se separam. Nós as separamos para poder estudá-las. As três constituem a plena salvação. À mudança exterior, ou legal, chamada justificação, segue-se a mudança subjetiva chamada regeneração, e esta , por sua vez, é seguida por dedicação ao serviço de DEUS. Não concordamos em que a pessoa verdadeiramente justificada não seja regenerada; nem admitimos que a pessoa verdadeiramente regenerada não seja santificada (embora seja possível, na prática, uma pessoa salva, às vezes, violar a sua consagração). Não pode haver plena salvação \ sem essas três experiências, como não pode haver um triângulo sem três lados. Representam elas o tríplice fundamento sobre o qual se baseia subseqüente vida cristã. Começando com esses três princípios, progride a vida cristã em direção à perfeição. Essa tríplice distinção regula a linguagem do Novo Testamento em seus mínimos detalhes. Ilustremos assim: (a) Em relação à justificação: DEUS é o Juiz, e CRISTO é o Advogado; o pecado é a transgressão da lei; a expiação é a satisfação dessa lei; o arrependimento é convicção; aceitação traz perdão ou remissão dos pecados; o ESPÍRITO testifica do perdão; a vida cristã é obediência e sua perfeição é o cumprimento da lei da justiça. (b) A salvação é também uma nova vida em CRISTO. Em relação a essa nova vida, DEUS é o Pai (Aquele que gera), CRISTO é o Irmão mais velho e a vida; o pecado é obstinação, é a escolha da nossa própria vontade em lugar da vontade do Chefe da família; expiação é reconciliação; aceitação é adoção; renovação de vida é regeneração, é ser nascido de novo; a vida cristã significa a crucificação e mortificação da velha natureza, a qual se opõe ao aparecimento da nova natureza, e a perfeição dessa nova vida é o reflexo perfeito da imagem de CRISTO, o unigênito Filho de DEUS. (c) A vida cristã é a vida dedicada ao culto e ao serviço de DEUS, isto é, a vida santificada. Em relação a essa Vida santificada, DEUS é o SANTO; CRISTO é o sumo sacerdote; o pecado é a impureza; o arrependimento é a consciência dessa impureza; a expiação é o sacrifício expiatório ou substitutivo; a vida cristã é a dedicação sobre o altar (Rom. 12:1); e a perfeição desse aspecto é a inteira separação do pecado; separação para DEUS. E essas três bênçãos da graça foram providas pela morte expiatória de CRISTO, e as virtudes dessa morte são concedidas ao homem pelo ESPÍRITO SANTO. Quanto à satisfação das reivindicações da lei, a expiação proveu o perdão e a justiça para o homem. Abolindo a barreira existente entre DEUS e o homem, ela possibilitou a nossa vida regenerada. Como sacrifício pela purificação do pecado, seus benefícios são santificação e pureza. Notemos que essas três bênçãos fluem da nossa união com CRISTO. O crente é um com CRISTO, em virtude de sua morte expiatória e em virtude do seu ESPÍRITO vivificante. Tornamo-nos justiça de DEUS nele, (2 Cor. 5:21); por ele temos perdão dos pecados (Efés. 1:7); nele somos novas criaturas, nascidos de novo, com nova vida (2 Cor. 5:17); nele somos santificados (1Cor. 1:2), e ele é feito para nós santificação (1Cor. 1:30). Ele é “autor da salvação eterna”.

2. Salvação – externa e interna. A Salvação é tanto objetiva (externa) como subjetiva (interna). (a) A justiça, em primeiro lugar, é mudança de posição, mas é acompanhada por mudança de condições. A justiça tanto é imputada com também conferida. (b) A adoção refere-se a conferir o privilégio da divina filiação; a regeneração trata da vida interna que corresponde à nossa chamada e que nos faz “participantes da natureza divina”. (c) A santificação é tanto externa como interna. De modo externo é separação do pecado e dedicação a DEUS; de modo interno é purificação do pecado. O aspecto externo da graça é provido pela obra expiatória de CRISTO; o aspecto interno é a operação do ESPÍRITO SANTO.

3. Condições da salvação. Que significa a expressão condições da salvação? Significa o que DEUS exige do homem a quem ele aceita por causa de CRISTO e a quem dispensa as bênçãos do Evangelho da graça. As Escrituras apresentam o arrependimento e a fé como condições da salvação; o batismo nas águas é mencionado como símbolo exterior da fé interior do convertido. (Mar. 16:16Atos 22: 1616:312:383:19.) Abandonar o pecado e buscar a DEUS são as condições e os preparativos para a salvação. Estritamente falando, não há mérito nem no arrependimento nem na fé; pois tudo quanto é necessário para a salvação já foi providenciado a favor do penitente. Pelo arrependimento o penitente remove os obstáculos à recepção do dom; pela fé ele aceita o dom. Mas, embora sejam obrigatórios o arrependimento e a fé, sendo mandamentos, é implícita a influência ajudadora do ESPÍRITO SANTO. (Notem a expressão: “Deu DEUS o arrependimento” Atos 11:18.) A blasfêmia contra o ESPÍRITO SANTO afasta o único que pode comover o coração e levá-lo à contrição. Por conseguinte, para tal pecado não há perdão. Qual é a diferença entre o arrependimento e a fé? A fé é o instrumento pelo qual recebemos a salvação, fato que não se dá com o arrependimento. O arrependimento ocupa-se com o pecado e o remorso, enquanto a fé ocupa-se com a misericórdia de DEUS. Pode haver fé sem arrependimento? Não. Só o penitente sente a necessidade do Salvador e deseja a salvação de sua alma. Pode haver arrependimento verdadeiro sem fé? Ninguém poderá arrepender-se no sentido bíblico sem fé na Palavra de DEUS, sem acreditar em suas ameaças do juízo e em suas promessas de salvação. São a fé e o arrependimento apenas medidas preparatórias à salvação? Ambos acompanham o crente durante sua vida cristã; o arrependimento torna-se em zelo pela purificação da alma; e a fé opera pelo amor e continua a receber as coisas de DEUS. (a) Arrependimento. Alguém definiu o arrependimento das seguintes maneiras: “A verdadeira tristeza sobre o pecado, incluindo um esforço sincero para abandoná-lo”; “tristeza piedosa pelo pecado”; “convicção da culpa produzida pelo ESPÍRITO SANTO ao aplicar a lei divina ao coração”; ou, nas palavras de menino: “Sentir tristeza a ponto de deixar o pecado.” Ha três elementos que constituem o arrependimento segundo as Escrituras: intelectual, emocional e prático. Podemos ilustrá-los da seguinte maneira: (1) O viajante que descobre estar viajando em trem errado. Esse conhecimento corresponde ao elemento intelectual pelo qual a pessoa compreende, mediante a pregação da Palavra, que não está em harmonia com DEUS. (2) O viajante fica perturbado com a descoberta. Talvez alimente certos receios. Isso ilustra o lado emocional do arrependimento, que é uma auto-acusação e tristeza sincera por ter ofendido a DEUS. (2 Cor. 7:10) (3) Na primeira oportunidade o viajante deixa esse trem e embarca no trem certo. Isso ilustra o lado prático do arrependimento, que significa em “meia-volta.. . volver!” e marchar em direção a DEUS. Há uma palavra grega traduzida “arrependimento”, que significa literalmente “mudar de idéia ou de propósito”. O pecador arrependido se propõe mudar de vida e voltar-se para DEUS; o resultado prático é que ele produz frutos dignos do arrependimento. (Mat. 3:8.) O arrependimento honra a lei como a fé honra o evangelho. Como, pois, o arrependimento honra a lei? Contristado, o homem lamenta ter-se afastado do santo mandamento, como também lamenta sua impureza pessoal que, à luz dessa lei, ele compreende. Confessando — ele admite a justiça da sentença divina. Na correção de sua vida ele abandona o pecado e faz a reparação possível e necessária, de acordo com as circunstâncias. De que maneira o ESPÍRITO SANTO ajuda a pessoa a arrepender-se? Ele a ajuda aplicando a Palavra de DEUS à consciência, comovendo o coração e fortalecendo o desejo de abandonar o pecado. (b) Fé. Fé, no sentido bíblico, significa crer e confiar. É o assentimento do intelecto com o consentimento da vontade. Quanto ao intelecto, consiste na crença de certas verdades reveladas concernentes a DEUS e a CRISTO; quanto à vontade, consiste na aceitação dessas verdades como princípios diretrizes da vida. A fé intelectual não é o suficiente (Tia. 2:19Atos 8:1321) para adquirir a salvação. É possível dar seu assentimento intelectual ao Evangelho sem, contudo, entregar-se a CRISTO. A fé oriunda do coração é o essencial (Rom. 10:9). Fé intelectual significa reconhecer como verídicos os fatos do evangelho; fé provinda do coração significa a pronta dedicação da própria vida as obrigações implícitas nesses fatos. Fé, no sentido de confiança, implica também o elemento emocional. Por conseguinte, a fé que salva representa um ato da inteira personalidade, que envolve o intelecto, as emoções e a vontade. O significado da fé determina-se pela maneira como se emprega a palavra no original grego. Fé, às vezes, significa não somente crer em um corpo de doutrinas, mas, sim, crer em tudo quanto é verdade, como, por exemplo nas seguintes expressões: “Anuncia agora a fé que antes destruía (Gál. 1:23); apostatarão alguns da fé” (1 Tim. 4:1); “a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos (Jud. 3). Essa fé é denominada, às vezes, “fé objetiva” ou externa. O ato de crer nessas verdades é conhecido como fé subjetiva. Seguida por certas preposições gregas a palavra “crer” exprime a idéia de repousar ou apoiar-se sobre um firme fundamento; é o sentido da palavra crer que se lê no Evangelho de João 3:16. Seguida por outra preposição, a palavra significa a confiança que faz unir a pessoa ao objeto de sua fé. Portanto, te e o elo de conexão entre a alma e CRISTO. A fé é atividade humana ou divina? O fato de que ao homem e ordenado crer implica capacidade e obrigação de crer. Todos os homens tem a capacidade de depositar sua confiança em alguém e em alguma coisa. Por exemplo: um deposita sua fé em riquezas, outro no homem, outro em amigos, etc. Quando a crença e depositada na palavra de DEUS, e a confiança está em DEUS e em CRISTO, isso constitui fé que salva. Contudo, reconhecemos a graça do ESPÍRITO SANTO, que ajuda, em cooperação com a Palavra, na produção dessa fé (Vide João 6:44Rom. 10:17Gál. 5:22Heb. 12:2.) Que é então, a fé que salva? Eis algumas definições: “Fé em CRISTO e graça salvadora pela qual o recebemos e nele confiamos inteiramente para receber a salvação conforme nos é oferecida no evangelho.” E o “ato exclusivamente do penitente, ajudado, de modo especial, pelo ESPÍRITO, e como descansando em CRISTO.” “É ato ou hábito mental da parte do penitente, pelo qual, sob a influencia da graça divina, a pessoa põe sua confiança em CRISTO como seu único e todo suficiente Salvador.” “É uma firme confiança em que CRISTO morreu pelos meus pecados, que ele me amou e deu-se a si mesmo por mim.” “E crer e confiar nos méritos de CRISTO, e por cuja cousa DEUS está disposto a mostrar-nos misericórdia.” “É a fuga do pecador penitente para a misericórdia de DEUS em cristo.

4. Conversão. Conversão, segundo a definição mais simples, é abandonar o pecado e aproximar-se de DEUS. (Atos 3:19.) O termo é usado para exprimir tanto o período crítico em que o pecador volta aos caminhos da justiça como também para expressar o arrependimento de alguma transgressão por parte de quem ja se encontra nos caminhos da justiça. (Mat. 18:3Luc. 22:32Tia. 5:20.) A conversão está muito relacionada com o arrependimento e a te, e, ocasionalmente, representa tanto um como outro ou ambos, no sentido de englobar todas as atividades pelas quais o homem abandona o pecado e se aproxima de DEUS. (Atos 3:1911:211 Ped. 2:25.) O Catecismo de Westminster, em resposta à sua própria pergunta, oferece a seguinte e adequada definição de conversão:   Que é arrependimento para a vida? Arrependimento para a vida é graça salvadora, pela qual o pecador, sentindo verdadeiramente o seu pecado , e lançando mão da misericórdia de DEUS em CRISTO, e sentindo tristeza por causa do seu pecado e ódio contra ele, abandona-o e aproxima-se de DEUS, fazendo o firme propósito de, daí em diante, ser obediente a DEUS. Note-se que, segundo essa definição, a conversão envolve a personalidade toda — intelecto, emoções e vontade. Como se distingue conversão de salvação? A conversão descreve o lado humano da salvação. Por exemplo: observa-se que um pecador, bêbado notório, não bebe mais, nem joga, nem freqüenta lugares suspeitos; ele odeia as coisas que antes amava e ama as coisas que outrora odiava. Seus amigos dizem: “Ele está convertido; mudou de vida.” Essas pessoas estão descrevendo o que aparece, isto é, o lado humano do fato. Mas, do lado divino, diríamos que DEUS perdoou o pecado do pecador e lhe deu um novo coração. Mas isso significa que a conversão seja inteiramente uma questão de esforço humano? Como a fé e o arrependimento estão inclusos na conversão, a conversão é uma atividade humana; mas ao mesmo tempo é um efeito sobrenatural sendo ela a reação por parte do homem ante o poder atrativo da graça de DEUS e da sua Palavra. Portanto, a conversão é o resultado da cooperação das atividades divinas e humanas. “Assim também operai a vossa salvação com temor e tremor; porque DEUS é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar segundo a sua boa vontade” (Fip 2:12,13). As seguintes passagens referem-se ao lado divino da conversão: Jer. 31:18Atos 3:26. E estas outras referem-se ao lado humano: Atos 3:1911:18Ezeq. 33:11. Qual se opera primeiro, a regeneração ou a conversão? As operações que envolvem a conversão são profundas e de caráter misterioso; por conseguinte, não as analisaremos com precisão matemática. O teólogo Dr. Strong conta o caso de um candidato à ordenação a quem fizeram a pergunta acima. Ele respondeu: “Regeneração e conversão são como a bala do canhão e o furo do cano do canhão — ambos atravessam o cano juntos.”

II. A Justificação

1. Natureza da justificação: absolvição divina. A palavra “justificar” é termo judicial que significa absolver, declarar justo, ou pronunciar sentença de aceitação. A ilustração procede das relações legais. O réu está perante DEUS, o justo Juiz; mas, ao invés de receber sentença condenatória, ele recebe a sentença de absolvição. O substantivo “justificação” ou “justiça”, significa o estado de aceitação para o qual se entra pela fé. Essa aceitação é dom gratuito da parte de DEUS, posto à nossa disposição pela fé em CRISTO. (Rom. 1:173:21,22.) É o estado de aceitação no qual o crente permanece (Rom. 5:2). Apesar de seu passado pecaminoso e de imperfeições no presente, o crente goza de completa e segura posição para com DEUS. “Justificado” é o veredito divino e ninguém o poderá contradizer. (Rom. 8:34.) Essa doutrina assim se define: “Justificação é um ato da livre graça de DEUS pelo qual ele perdoa todos os nossos pecados e nos aceita como justos aos seus olhos somente por nos ser imputada a justiça de CRISTO, que se recebe pela fé.” Justificação é primeiramente uma mudança de posição da parte do pecador, o qual antes era um condenado; agora, porém, goza de absolvição. Antes estava sob a condenação, mas agora participa da divina aprovação. Justificação inclui mais do que perdão dos pecados e remoção da condenação, pois no ato da justificação DEUS coloca o ofensor na posição de justo. O presidente da República pode perdoar o criminoso, mas não pode reintegrá-lo na posição daquele que nunca desrespeitou as leis. Mas a DEUS é possível efetuar ambas as coisas! Ele apaga o passado, os pecados e ofensas, e, em seguida, trata o ofensor como se nunca tivesse cometido um pecado sequer! O criminoso perdoado não é considerado ou descrito como bom ou justo; mas DEUS, ao perdoar o pecador, o declara justificado, isto é, justo aos olhos divinos. Juiz algum poderia justificar o criminoso, isto é, declará-lo homem justo e bom. Se DEUS estivesse sujeito às mesmas limitações e justificasse somente gente boa, então não haveria evangelho nenhum a ser anunciado aos pecadores. Paulo nos assegura que DEUS justifica o ímpio. “O milagre do Evangelho é que DEUS se aproxima dos ímpios, com uma misericórdia absolutamente justa e os capacita pela fé, a despeito do que são, a entrarem em nova relação com ele, relação pela qual é possível que se tomem bons. O segredo do Cristianismo do Novo Testamento, e de todos os avivamentos e reformas da igreja, é justamente este maravilhoso paradoxo: “DEUS justifica o ímpio!” Assim vemos que justificação é primeiramente subtração — o cancelamento dos pecados; segundo, adição — imputação de justiça.

2. Necessidade da Justificação: a condenação do homem. “Como se justificará o homem para com DEUS?” perguntou Jó 9:2. “Que é necessário que eu faça para me salvar?” interrogou o carcereiro de Filipos. Ambos expressaram a maior de todas as perguntas: Como pode o homem acertar sua vida perante DEUS e ter certeza da aprovação divina? A resposta a essa interrogação encontra-se no Novo Testamento, especialmente na epístola aos Romanos, na qual se apresenta, em forma sistemática e detalhada, o plano da salvação. O tema do livro encontra-se no capítulo 1:16,17, o qual se pode parafrasear da seguinte maneira: O evangelho é o poder de DEUS para a salvação dos homens, pois o evangelho revela aos homens como se pode mudar de posição e de condição, de maneira que eles sejam justos perante DEUS. Uma das frases proeminentes da mesma epístola é: “A justiça de DEUS.” O inspirado apóstolo descreve a qualidade de justiça que DEUS aceita, de forma que o homem que a possui tenha aceitação como justo perante ele. Essa justiça resulta da fé em CRISTO. Paulo demonstra que todos os homens necessitam dessa justiça de DEUS, porque toda a raça pecou. Os gentios estão sob condenação. Os passos de sua degradação foram claros: outrora conheceram a DEUS (1:19,20); falhando em o servirem e adorarem, seu coração insensato se obscureceu Rm 1:21,22; a cegueira espiritual os conduziu à idolatria (Rm 1: 23) e a idolatria os conduziu à corrupção moral (vers. 24-31). São indesculpáveis porque tinham a revelação de DEUS na natureza, e a consciência que aprova ou desaprova seus atos. (Rom. 1:19,202:14,15.) O judeu também está sob condenação. É verdade que ele pertence à nação escolhida, e conhece a lei de Moisés de há muitos séculos, mas transgrediu essa lei em pensamentos, atos e palavras (cap. 2). Paulo, assim, estrondosamente, encerra toda a raça humana sob a condenação: “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de DEUS. Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rom. 3:19,20). Qual será essa “justiça” de que tanto necessita o homem? A própria palavra significa “retidão”, ou estado de reto, ou justo. A palavra às vezes descreve o caráter de DEUS, como sendo isento de toda imperfeição ou injustiça. Quando aplicada ao homem, significa o estado de retidão diante de DEUS. Retidão significa “reto”, aquilo que se conforma a um padrão ou norma. Por conseguinte, é o homem que se conforma à lei divina. Mas que acontecerá se esse homem descobrir que, em vez de ser “reto”, ele é perverso (literalmente “torto”) sem poder se endireitar? É então que ele precisa da justificação — que é obra exclusiva de DEUS. Paulo declarou que pelas obras da lei ninguém será justificado. Essa declaração não é uma crítica contra a lei, a qual é santa e perfeita. Significa simplesmente que a lei não foi dada com esse propósito de fazer justo o povo, e, sim, de suprir a necessidade duma norma de justiça. A lei pode ser comparada a uma fita métrica que pode medir o comprimento do pano, sem, contudo, aumentar o comprimento. Podemos compará-la à balança que determina o nosso peso, sem, contudo, aumentar esse peso. “Pela lei vem o conhecimento do pecado.” “Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de DEUS” (Rom. 3:21). Notem a palavra “agora”. Alguém disse que Paulo dividiu todo o tempo em “agora” e “depois”. Em outras palavras, a vinda de CRISTO operou uma grande mudança nas transações de DEUS com os homens. Introduziu uma nova dispensação. Durante séculos os homens pecavam e aprendiam a impossibilidade de aniquilarem ou vencerem seus pecados. Mas agora DEUS, clara e abertamente, revelou-lhes um novo caminho. Muitos israelitas julgavam que devia haver um meio de serem justificados sem ser pela guarda da lei; por duas razões: 1) perceberam um grande abismo entre as exigências de DEUS para com Israel e seu verdadeiro estado espiritual. Israel era injusto, e a salvação não podia proceder dos próprios méritos ou esforços. A salvação teria que proceder de DEUS, por sua intervenção. 2) Muitos israelitas reconheceram por experiência própria sua incapacidade para guardar perfeitamente a lei. Chegaram à conclusão de que devia haver uma justiça alcançável independentemente de suas próprias obras e esforços. Em outras palavras,-anelavam por redenção e graça. E DEUS lhes assegurou que tal justiça lhes seria revelada. Paulo (Rom. 3:21) fala da justiça de DEUS sem a lei, “tendo o testemunho da lei (Gên. 3:1512:3Gál. 3:6-8) e dos profetas (Jer. 23:631:31-34)”. Essa justiça incluía tanto o perdão dos pecados como a justiça íntima do coração. Na verdade, Paulo afirma que a justificação pela fé foi o plano original de DEUS para a salvação dos homens; a lei foi acrescentada para disciplinar os israelitas e fazê-los sentir a necessidade de redenção. (Gál. 3:19-26.) Mas a lei em si não possuía poder para salvar, como o termômetro não tem poder para baixar a febre que ele registra. Seria o próprio Senhor, o Salvador do seu povo; e sua graça seria a sua única esperança. Infelizmente, os judeus exaltaram a lei, imaginando que ela fosse um agente justificador, e elaboraram um plano de salvação baseado no mérito pela guarda dos seus preceitos e das tradições que lhes foram acrescentadas. “Porquanto, não conhecendo a justiça de DEUS, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de DEUS” (Rom. 10:3). Não conheceram o propósito da lei. Confiaram nela como meio de salvação espiritual, ignorando a pecabilidade dos seus próprios corações, e imaginavam que seriam salvos pela guarda da letra da lei. Por essa razão, quando CRISTO veio, oferecendo-lhes a salvação dos seus pecados, pensavam que não precisavam dum Messias como ele. (vide João 8:32-34.) O pensamento dos judeus era o de estabelecer rígidos requisitos pelos quais conseguiriam a vida eterna. “Que faremos para executarmos as obras de DEUS?” perguntaram. E não se prontificaram a obedecer à indicação de JESUS: “A obra de DEUS é esta: Que creiais naquele que ele enviou” (João 6:28,29). Tão ocupados estavam em estabelecer seu próprio sistema de justiça, que perderam, por completo, a oportunidade de serem participantes da justificação divinamente provida para os homens pecadores. Na viagem, um trem representa o meio de conseguir um determinado alvo. Ninguém pensa em fazer do trem sua morada; antes, preocupa-se tão somente em chegar ao destino. Ao chegar a esse destino, deixa-se o trem. A lei foi dada a Israel com o propósito de conduzi-lo a um destino, e esse destino é a fé na graça salvadora de DEUS. Mas, ao aparecer o Redentor, os judeus satisfeitos consigo mesmos, fizeram o papel do viajante que, chegando ao destino, se recusa a deixar o trem, embora o condutor lhe diga: “Estamos no fim da viagem”! Os judeus se recusaram a deixar as poltronas do “trem do Antigo Pacto”, muito embora o Novo Testamento lhes assegurasse: “O fim da lei é CRISTO”, e que se cumpriu o Antigo Testamento. (Rom. 10:4.)

3. A fonte da justificação: a graça. Graça significa, primeiramente, favor, ou a disposição bondosa da parte de DEUS. Alguém a definiu como a “bondade genuína e favor não recompensados”, ou “favor não merecido”. Dessa forma a graça nunca incorre em dívida. O que DEUS concede, concede-o como favor; nunca podemos recompensá-lo ou pagar-lhe. A salvação é sempre apresentada como dom, um favor não merecido, impossível de ser recompensado; é um benefício legítimo de DEUS. (Rom. 6:23) O serviço cristão portanto, não é pagamento pela graça de DEUS; serviço cristão é um meio que o crente aproveita para expressar sua devoção e amor a DEUS. “Nós o amamos porque ele primeiramente nos amou.” A graça é transação de DEUS com o homem, absolutamente independente da questão de merecer ou não merecer. “Graça não é tratar a pessoa como merece, nem tratá-la melhor do que merece”, escreveu L. S. Chafer. “E tratá-la graciosamente sem a mínima referência aos seus méritos. Graça é amor infinito expressando-se em bondade infinita.” Devemos evitar certo mal-entendido. Graça não significa que DEUS é de coração tão magnânimo que abranda a penalidade ou desiste dum justo juízo. Sendo DEUS o Soberano perfeito do universo, ele não pode tratar indulgentemente o assunto do pecado pois isso depreciaria sua perfeita santidade e justiça. A graça de DEUS aos pecadores revela-se no fato de que ele mesmo pela expiação de CRISTO, pagou toda a pena do pecado. Por conseguinte, ele pode justamente perdoar o pecado sem levar em conta os merecimentos ou não merecimentos. Os pecadores são perdoados, não porque DEUS seja benigno para desculpar os pecados deles, mas porque existe redenção mediante o sangue de CRISTO. (Rom. 3:24Efés. 1:6.) Os pregadores modernistas erram nesse ponto; pensam que DEUS por sua benignidade perdoa os pecados; entretanto, seu perdão baseia-se na mais rigorosa justiça. Ao perdoar o pecado, “Ele é fiel e justo” (1 João 1:9). A graça de DEUS revela-se no fato de haver ele provido uma expiação pela qual pode ser justo e justificador e, ao mesmo tempo, manter sua santa e imutável lei. A graça manifesta-se independente das obras ou atividades dos homens. Quando a pessoa está sob a lei, não pode estar sob a graça; e quando está sob a graça, não pode estar sob a lei. Está “sob a lei” quando tenta assegurar a sua salvação ou santificação como recompensa, por fazer boas obras ou observar certas cerimônias. Essa pessoa está “sob a graça” quando assegura para si a salvação por confiar na obra que DEUS fez por ela, e não na obra que ela faz para DEUS. As duas esferas são mutuamente exclusivas. (Gál. 5:4.) A lei diz: “paga tudo”; mas a graça diz: “Tudo está pago.” A lei representa uma obra a fazer; a graça é uma obra consumada. A lei restringe as ações; a graça transforma a natureza. A lei condena; a graça justifica. Sob a lei a pessoa é servo assalariado; sob a graça é filho em gozo de herança ilimitada. Enraizada no coração humano está a idéia de que o homem deve algo para tornar-se merecedor da salvação. Na igreja primitiva certos instrutores judaico-cristãos insistiam em que os convertidos fossem salvos pela fé e a observância da Lei de Moisés. Entre os pagãos, e em alguns setores da igreja cristã, esse erro tem tomado a forma de auto-castigo, observância de ritos, peregrinações, e esmolas. A idéia substancial de todos esses esforços é a seguinte: DEUS não é bondoso; o homem não é justo; por conseguinte, o homem precisa fazer-se justo a fim de tornar DEUS benigno. Esse foi o erro de Lutero, quando, mediante automortificações, envidava esforços para efetuar a sua própria salvação. “Oh quando será que você se tornará piedoso a ponto de ter um DEUS benigno?” exclamou certa vez, referindo-se a si próprio. Finalmente Lutero descobriu a grande verdade básica do evangelho: DEUS é bondoso; portanto deseja fazer justo o homem. A graça do amoroso Pai, revelada na morte expiatória de CRISTO é um dos elementos que distinguem o Cristianismo das demais religiões. Salvação é a justiça de DEUS imputada ao pecador; não é a justiça imperfeita do homem. Salvação é divina reconciliação; não é regulamento humano. Salvação é o cancelamento de todos os pecados; não é eliminar alguns pecados. Salvação é ser libertado da lei e estar morto para a lei; não é ter prazer na lei ou obedecer á lei. Salvação é regeneração divina; não é reforma humana. Salvação é ser aceitável a DEUS; não é tornar-se excepcionalmente bom. Salvação é perfeição em CRISTO; não é competência de caráter. A salvação, sempre e somente, procede de DEUS; nunca procede do homem. — Lewis Sperry Chofer. Usa-se, às vezes, a palavra “graça”, no sentido íntimo, para indicar a operação da influência divina (Efés. 4:7) e seus efeitos (Atos 4:3311:23Tia. 4:62 Cor. 12:9). As operações desse aspecto da graça têm sido classificadas da seguinte maneira: Graça proveniente (literalmente, “que vem antes”) é a influência divina que precede a conversão da pessoa, influências que produzem o desejo de voltar para DEUS. É o efeito do favor divino em atrair os homens (João 6:44) e convencer os desobedientes. (Atos 7:51.) Essa graça, às vezes, é denominada eficiente, tornando-se eficaz em produzir a conversão, quando não encontra resistência. (João 5:40Atos 7:5113:46.) A graça efetiva capacita os homens a viverem justamente, a resistirem à tentação, e a cumprirem o seu dever. Por isso pedimos graça ao Senhor para cumprir uma determinada tarefa. A graça habitual é o efeito da morada do ESPÍRITO SANTO que resulta em uma vida plena do fruto do ESPÍRITO (Gál. 5:22,23).

4. Fundamento da justificação: a justiça de CRISTO. Como pode DEUS tratar o pecador como pessoa justa? Resposta: DEUS lhe provê a justiça. Mas será que isso é apenas conceder o título de “bom” e “justo” a quem não o merece? Resposta: O Senhor JESUS CRISTO ganhou o título a favor do pecador, o qual é declarado justo “mediante a redenção que há em CRISTO JESUS”. Redenção significa completa libertação por preço pago. CRISTO ganhou essa justiça por nós, por sua morte expiatória, como está escrito: “Ao qual DEUS propôs para propiciação pela fé no seu sangue.” Propiciação é aquilo que assegura o favor de DEUS para com os que não o merecem. CRISTO morreu por nós para nos salvar da justa ira de DEUS e nos assegurar o seu favor. A morte e a ressurreição de CRISTO representam a provisão externa para a salvação do homem, referindo-se o termo justificação à maneira pela qual os benefícios salvadores da morte de CRISTO são postos à disposição do pecador. Fé é o meio pelo qual o pecador lança mão desses benefícios. Consideremos a necessidade de justiça. Como o corpo necessita de roupa, assim a alma necessita de caráter. Assim como é necessário apresentar-se em público decentemente vestido, assim é necessário que o homem se vista da roupa dum caráter perfeitamente justo para apresentar-se diante de DEUS. (Vide Apo. 19:83:47:13,14.) As vestes do pecado estão sujas e rasgadas (Zac. 3:1-4); se o pecador se vestisse de sua própria bondade e seus próprios méritos, alegando serem boas as suas obras, elas seriam consideradas como “trapos de imundícia”. (Isa. 64:6.) A única esperança do homem é adquirir a justiça que DEUS aceita — a “justiça de DEUS”. Visto que o homem por natureza está destituído dessa justiça, terá que ser provida para ele essa justiça; terá que ser uma justiça que lhe seja imputada, não merecida. Essa justiça foi comprada pela morte expiatória de CRISTO. (Isa. 53:5,112 Cor. 5:21Rom. 4:65:18,19.) Sua morte foi um ato perfeito de justiça, porque satisfez a lei de DEUS. Foi também um ato perfeito de obediência. Tudo isso foi feito por nós e posto a nosso crédito. “DEUS nos aceita como justos aos seus olhos somente por nos ter sido imputada a justiça de CRISTO”, afirma determinada declaração doutrinária. O ato pelo qual DEUS credita essa justiça à nossa conta chama-se imputação. Imputação é levar à conta de alguém as conseqüências do ato de outrem. As conseqüências do pecado do homem foram levadas à conta de CRISTO, e as conseqüências da obediência de CRISTO foram levadas à conta do crente. Ele vestiu-se das vestes do pecado para que nós pudéssemos nos vestir do seu “manto de justiça”. “CRISTO… para nós foi feito por DEUS… justiça” (1Cor. 1:30). Ele torna-se “O Senhor Justiça Nossa” (Jer. 23:6). CRISTO expiou nossa culpa, satisfez a lei, tanto por obediência como por sofrimento, e tornou-se nosso substituto, de maneira que, estando unidos com ele pela fé, sua morte toma-se nossa morte, e sua obediência toma-se nossa obediência. DEUS então nos aceita, não por qualquer bondade própria que nós tenhamos, nem pelas coisas imperfeitas que são as nossas “obras” (Rom. 3:28Gál. 2:16), nem por nossos méritos, mas porque nos foi creditada a perfeita e toda-suficiente justiça de CRISTO. Por causa de CRISTO, DEUS trata o homem culpado, quando este se arrepende e crê, como se fosse justo. Os méritos de CRISTO são creditados a ele. Também surgem as seguintes perguntas na mente da pessoa que investiga: sim, a justificação que salva é algo externo e concernente à posição legal do pecador; mas não haverá mudança alguma na condição moral? Afeta a sua situação, mas não afetará sua conduta? A justiça é imputada somente e não concedida de modo prático? Na justificação CRISTO somente será por nós, ou agirá também em nós? Em outras palavras, parece que a imputação da justiça desonraria a lei se não incluísse a certeza de justiça futura. A resposta é que a fé que justifica é o ato inicial da vida cristã e esse ato inicial, quando a fé for viva, é seguido por uma transformação interna conhecida como regeneração. A fé une o crente com o CRISTO vivo; essa união com o Autor da vida resulta em transformação do coração. “Se alguém está em CRISTO, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Cor. 5:17). A justiça é imputada no ato da justificação e é comunicada na regeneração. O CRISTO que é por nós torna-se o CRISTO em nós. A fé pela qual a pessoa é realmente justificada, necessariamente tem que ser uma fé viva. Uma fé viva produzirá uma vida reta; será uma fé que “opera pelo amor” (Gál. 5:6). Outrossim, vestindo a justiça de CRISTO, o crente é exortado a viver uma vida em conformidade com o caráter de CRISTO. “Porque o linho fino são as justiças dos santos” (literalmente os atos de justiça) (Apoc. 19:8). A verdadeira salvação requer uma vida de santidade prática. Que julgamento faríamos da pessoa que sempre se vestisse de roupa imaculada mas nunca lavasse o corpo? Incoerente, diríamos! Mas não menos incoerente é a pessoa que alega estar vestida da justiça de CRISTO, e, ao mesmo tempo, vive de modo indigno do evangelho. Aqueles que se vestem da justiça de CRISTO terão cuidado de purificar-se do mesmo modo como ele é puro. (1 João 3:3.)

5. Os meios da justificação: a fé. Visto que a lei não pode justificá-lo, a única esperança do homem é receber “justiça sem lei” (isto, entretanto, não significa injustiça ilegal, nem tampouco religião que permita o pecado; significa sim, uma mudança de posição e condição). Essa é a “justiça de DEUS”, isto é, a justiça que DEUS concede, sendo também um dom, pois o homem é incapaz de operar a justiça. (Efés. 2:8-10.) Mas um dom tem que ser aceito. Como, então, será aceito o dom da justiça? Ou, usando a linguagem teológica: qual é o instrumento que se apropria da justiça de CRISTO? A resposta é: “pela fé em JESUS CRISTO.” A fé é a mão, por assim dizer, que recebe o que DEUS oferece. Que essa fé é a causa instrumental da justificação prova-se pelas seguintes referências: Rom. 3:224: 119:30Heb. 11:7Fil. 3:9. Os méritos de CRISTO são comunicados e seu interesse salvador é assegurado por certos meios. Esses meios necessariamente são estabelecidos por DEUS e somente ele os distribui. Esses meios são a fé — o princípio único que a graça de DEUS usa para restaurar-nos à sua imagem e ao seu favor. Nascida, como é, no pecado, herdeira da miséria, a alma carece duma transformação radical, tanto por dentro como por fora; tanto diante de DEUS como diante de si própria. A transformação diante de DEUS denomina-se justificação; a transformação interna espiritual que se segue, chama-se regeneração pelo ESPÍRITO SANTO. Esta fé é despertada no homem pela influência do ESPÍRITO SANTO, geralmente em conexão com a Palavra. A fé lança mão da promessa divina e apropria-se da salvação. Ela conduz a alma ao descanso em CRISTO como Salvador e Sacrifício pelos pecados; concede paz à consciência e dá esperança consoladora do céu. Sendo essa fé viva e de natureza espiritual, e cheia de gratidão para com CRISTO, ela é rica em boas obras de toda espécie. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de DEUS. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efés. 2:8,9). O homem nenhuma coisa possuía com que comprar sua justificação. DEUS não podia condescender em aceitar o que o homem oferecia; o homem também não tinha capacidade para cumprir a exigência divina. Então DEUS graciosamente salvou o homem, sem pagar este coisa alguma —”gratuitamente pela sua graça” (Rom. 3:24). Essa graça gratuita é recebida pela fé. Não existe mérito nessa fé, como não cabem elogios ao mendigo que estende a mão para receber uma esmola. Esse método fere a dignidade do homem, mas perante DEUS, o homem decaído não tem mais dignidade; o homem não tem possibilidades de acumular bondade suficiente para adquirir a sua salvação. “Nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei” (Rom. 3:20). A doutrina da justificação pela graça de DEUS, mediante a fé do homem, remove dois perigos: primeiro, o orgulho de autojustiça e de auto-esforço; segundo, o medo de que a pessoa seja fraca demais para conseguir a salvação. Se a fé em si não é meritória, representando apenas a mão que se estende para receber a livre graça de DEUS, que é então que lhe dá poder, e que garantia oferece ela à pessoa que recebeu esse dom gratuito, de que viverá uma vida de justiça? Importante e poderosa é a fé porque ela une a alma a CRISTO, e é justamente nessa união que se descobre o motivo e o poder para a vida de justiça. “Porque todos quantos fostes batizados em CRISTO já vos revestistes de CRISTO”(Gál. 3:27). “E os que são de CRISTO crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências” (Gál. 5:24). A fé não só recebe passivamente mas também usa de modo ativo aquilo que DEUS concede. É assunto próprio do coração (Rom. 10:9,10; vide Mat. 15:19Prov. 4:23), e quem crê com o coração, crê também com suas emoções, afeições e seus desejos, ao aceitar a oferta divina da salvação. Pela fé, CRISTO mora no coração (Efés. 3:17). A fé opera pelo amor (a “obra da fé”… 1Tess. 1:3), isto é, representa um princípio enérgico, bem como uma atitude receptiva. A fé, por conseguinte, é poderoso motivo para a obediência e para todas as boas obras. A fé envolve a vontade e está ligada a todas as boas escolhas e ações, pois “tudo que não é de fé é pecado” (Rom. 14:23).Ela inclui a escolha e a busca da verdade (2 Tess. 2:12) e implica sujeição à justiça de DEUS (Rom. 10:3). O que se segue representa o ensino bíblico concernente à relação entre fé e obras. A fé se opõe às obras quando por obras entendemos boas obras que a pessoa faz com o intuito de merecer a salvação. (Gál. 3:11.) Entretanto, uma fé viva produzirá obras (Tia. 2:26), tal qual uma árvore viva produzirá frutos. A fé é justificada e aprovada pelas obras (Tia. 2:18), assim como o estado de saúde das raízes duma boa árvore é indicado pelos frutos. A fé se aperfeiçoa pelas obras (Tia. 2:22), assim como a flor se completa ao desabrochar. Em breves palavras, as obras são o resultado da fé, a prova da fé, e a consumação da fé. Imagina-se que haja contradição entre os ensinos de Paulo e de Tiago. O primeiro, aparentemente, teria ensinado que a pessoa é justificada pela fé, o último que ela é justificada pelas obras. (Vide Rom. 3:20 e Tia. 2:14-16.) Contudo, uma compreensão do sentido em que eles empregaram os termos, rapidamente fará desvanecer a suposta dificuldade. Paulo está recomendando uma fé viva que confia somente no Senhor; Tiago está denunciado uma fé morta e formal que representa, apenas, um consentimento mental. Paulo está rejeitando as obras mortas da lei, ou obras sem fé; Tiago está louvando as obras vivas que demonstram a vitalidade da fé. A justificação mencionada por Paulo refere-se ao início da vida cristã; Tiago usa a palavra com o significado de vida de obediência e santidade como evidência exterior da salvação. Paulo está combatendo o legalismo, ou a confiança nas obras como meio de salvação; Tiago está combatendo antinomianismo, ou seja, o ensino de que não importa qual seja a conduta da pessoa, uma vez que creia. Paulo e Tiago não são soldados lutando entre si; são soldados da mesma linha de combate, cada qual enfrentando inimigos que os atacam de direções opostas.

III. A Regeneração

1. Natureza da regeneração. A regeneração é o ato divino que concede ao penitente que crê uma vida nova e mais elevada mediante união pessoal com CRISTO. O Novo Testamento assim descreve a regeneração: (a) Nascimento. DEUS o pai é quem “gerou”, e o crente é “nascido” de DEUS (1 João 5:1), “nascido do ESPÍRITO” (João 3:8), “nascido do alto” (tradução literal de João 3:3,7). Esses termos referem-se ao ato da graça criadora que faz do crente um filho de DEUS. (b) Purificação. DEUS nos salvou pela “lavagem” (literalmente, lavatório ou banho) da regeneração”. (Tito 3:5.) A alma foi lavada completamente das imundícias da vida de outrora, recebendo novidade de vida, experiência simbolicamente expressa no ato de batismo. (Atos (c) Vivificação. Somos salvos não somente pela “lavagem da regeneração”, nas também pela “renovação do ESPÍRITO SANTO” (Tito 3:5. Vide também Col. 3:10Rom. 12:2Efés. 4:23Sal. 51:10). A essência da regeneração é uma nova vida concedida por DEUS Pai, mediante JESUS CRISTO e pela operação do ESPÍRITO SANTO. (d) Criação. Aquele que criou o homem no princípio e soprou em suas narinas o fôlego de vida, o recria pela operação do seu ESPÍRITO SANTO. (2 Cor. 5:17;Efés. 2:10Gál. 6:15Efés. 4:24; vide Gên. 2:7.) O resultado prático é uma transformação radical da pessoa em sua natureza, seu caráter, desejos e propósitos. (e) Ressurreição. (Rom. 6:4,5Col. 2:133:1Efés. 2:56.) Como DEUS vivificou o barro inanimado e o fez vivo para com o mundo físico, assim ele vivifica a alma em seus pecados e a faz viva para as realidades do mundo espiritual. Esse ato de ressurreição espiritual é simbolizado pelo batismo nas águas. A regeneração é “a grande mudança que DEUS opera na alma quando a vivifica; quando ele a levanta da morte do pecado para a vida de justiça” (João Wesley). Notar-se-á que os termos acima citados são apenas variantes de um grande pensamento básico da regeneração, isto é, uma divina comunicação duma nova vida à alma do homem. Três fatos científicos relativos à vida natural também se aplicam à vida espiritual; isto é, ela surge repentinamente; aparece misteriosamente, e desenvolve-se gradativamente. Regeneração é o aspecto singular da religião do Novo Testamento. Nas religiões pagãs, reconhece-se universalmente a permanência do caráter. Embora essas religiões recomendem penitências e ritos, pelos quais a pessoa espera expiar os seus pecados, não há promessa de vida e de graça para transformar a sua natureza. A religião de JESUS CRISTO é “a única religião no mundo que declara tomar a natureza decaída do homem e regenerá-la, colocando-a em contacto com a vida de DEUS”. Assim declara fazer, porque o Fundador do Cristianismo é Pessoa Viva e Divina, que vive para salvar perfeitamente os que por ele se chegam a DEUS. (Heb. 7:25.) Não existe nenhuma analogia entre a religião cristã, e, digamos, o Budismo ou a religião maometana. De maneira nenhuma se pode dizer: “quem tem Buda tem a vida”. (Vide 1João 5:12.) Buda pode ter algo em relação à moralidade. Pode estimular, causar impressão, ensinar, e guiar, mas nenhum elemento novo foi acrescido às almas que professam o Budismo. Tais religiões podem ser produtos do homem natural e moral. Mas o Cristianismo declara-se ser muito mais. Além das coisas de ordem natural e moral, o homem desfruta algo mais na Pessoa de Alguém mais, JESUS CRISTO.

2. Necessidade da regeneração. A entrevista de nosso Senhor com Nicodemos (João 3) proporciona um excelente fundo histórico para o estudo deste tópico. As primeiras palavras de Nicodemos revelam uma série de emoções provenientes do seu coração. A declaração abrupta de JESUS no verso 3, que parece ser uma repentina mudança do assunto, explica-se pelo fato de JESUS estar respondendo ao coração de Nicodemos e não às palavras de sua interrogação. As primeiras palavras de Nicodemos revelam. 1) Fome espiritual. Se esse chefe judaico tivesse expressado o desejo de sua alma, talvez teria dito: “Estou cansado do ritualismo morto da sinagoga vou lá mas volto para casa com a mesma fome com que saí. Infelizmente, a glória divina afastou-se de Israel; não há visão e o povo perece. Mestre, a minh’alma suspira pela realidade! Pouco conheço de tua pessoa, mas tuas palavras tocaram-me o coração. Teus milagres convenceram-me de que és Mestre vindo de DEUS. Gostaria de te acompanhar. 2) Faltou a Nicodemos profunda convicção. Sentiu a sua necessidade, mas necessidade dum instrutor e não dum Salvador. Tal qual a mulher samaritana, ele queria a água da vida (João 4:15), mas, como aquela, Nicodemos teve de compreender que era pecador, que precisava de purificação e transformação. (João 4:16-18.) 3) Nota-se nas suas palavras um rasto de autocomplacência, coisa muito natural num homem de sua idade e posição. Ele diria a JESUS: “Creio que foste enviado a restaurar o reino de Israel, e vim dar-te alguns conselhos quanto aos planos para conseguir esse objetivo.” Provavelmente ele supôs que sendo israelita e filho de Abraão, essas qualificações seriam suficientes para o tornarem membro do reino de DEUS. “JESUS respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de DEUS.” Parafraseando essa passagem, JESUS diria: “Nicodemos, tu não podes unir-te à minha companhia como se te unisses a uma organização. O pertencer à minha companhia não depende da qualidade de tua vida; minha causa não é outra senão aquela do reino de DEUS, e tu não podes entrar nesse reino sem experimentar uma transformação espiritual. O reino de DEUS é muito diferente do que estás pensando, e o modo de estabelecê-lo e de juntar seus súditos é muito diferente do meio de que estás cogitando.” JESUS apontou a necessidade mais profunda e universal de todos os homens — uma mudança radical e completa da natureza e caráter do homem em sua totalidade. Toda a natureza do homem ficou deformada pelo pecado, a herança da queda; essa deformação moral reflete-se em sua conduta e em todas as suas relações. Antes que o homem possa ter uma vida que agrade a DEUS, seja no presente ou na eternidade, sua natureza precisa passar por uma transformação tão radical, que seja realmente um segundo nascimento. O homem não pode transformar-se a si mesmo; essa transformação terá que vir de cima. JESUS não tentou explicar o como do novo nascimento, mas explicou opor quê do assunto. “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido de ESPÍRITO é espírito.” Carne e espírito pertencem a reinos diferentes, e um não pode produzir o outro. A natureza humana pode gerar a natureza humana, mas somente o ESPÍRITO SANTO pode gerar a natureza espiritual. A natureza humana somente pode produzir a natureza humana; e nenhuma criatura poderá elevar-se acima de sua própria natureza. A vida espiritual não passa do pai ao filho pela geração natural; ela procede de DEUS para o homem por meio da geração espiritual. A natureza humana não pode elevar-se acima de si própria. Escreveu Marcus Dods:   Todas as criaturas possuem certa natureza segundo a sua espécie, determinada pela sua ascendência. Essa natureza que o animal recebe dos seus pais determina, desde o princípio, a sua capacidade e a esfera desse animal. A toupeira não pode subir aos ares como o faz a águia; nem tampouco pode o filhote da águia cavar um buraco como afaz toupeira. Nenhum treino jamais fará a tartaruga correr como o antílope, nem fará o antílope tão forte como o leão… Além de sua natureza, nenhum animal poderá agir. O mesmo princípio podemos aplicar ao homem. O destino mais elevado do homem é viver com DEUS para sempre; mas a natureza humana, em seu estado presente, não possui a capacidade para viver no reino celestial. Portanto, será necessário que a vida celestial desça de cima para transformar a natureza humana, preparando-a para ser membro desse reino.

3. Os meios de regeneração. (a) Agência divina. O ESPÍRITO SANTO é o agente especial na obra de regeneração. Ele opera a transformação na pessoa. (João 3:6Tito 3:5.) Contudo, todas as Pessoas da Trindade operam nessa obra. Realmente as três Pessoas operam em todas as divinas operações, embora cada Pessoa exerça certos ofícios que lhe são peculiares. Dessa forma o Pai é preeminentemente o Criador; contudo, tanto o Filho como o ESPÍRITO SANTO são mencionados como agentes na criação. O Pai gera (Tia. 1:18) e no Evangelho de João, o Filho é apresentado como o Doador da vida. (Vide caps. 5 e 6.) Notem especialmente a relação de CRISTO com a regeneração do homem. É ele o Doador da vida. De que maneira ele vivifica os homens? Vivifica-os por morrer por eles, de forma que, ao comerem sua carne e beberem seu sangue (que significa crer em sua morte expiatória), eles recebem a vida eterna. Qual é o processo de conceder a vida aos homens? Uma parte da recompensa de CRISTO era a prerrogativa de conceder o ESPÍRITO SANTO (Vide João 3:3,13Gál.3:13,14), e ele ascendeu para que pudesse tomar-se a Fonte da vida e energia espiritual (João 6:62Atos 2:33). O Pai tem vida em si (João 5:26); portanto, ele concede ao Filho ter vida em si; o Pai é a Fonte do ESPÍRITO SANTO, mas ele concede ao Filho o poder de conceder o ESPÍRITO; desta forma o Filho é um “ESPÍRITO vivificante” (1 Cor. 15:45), tendo poder, não somente para ressuscitar os mortos, fisicamente, (João 5:25,26) mas também vivificar as almas mortas dos homens. (Vide Gên 2:7João 20:221 Cor. 15:45.) (b) A preparação humana. Estritamente falando, o homem não pode cooperar no ato de regeneração, que é um ato soberano de DEUS; mas o homem pode tomar parte na preparação para o novo nascimento. Qual é essa preparação? Resposta: Arrependimento e fé.

4. Efeitos da regeneração. Podemos agrupá-los sob três tópicos: posicionais (adoção); espirituais (união com DEUS); práticos (a vida de justiça). (a) Posicionais. Quando a pessoa passa pela transformação espiritual conhecida como regeneração, torna-se filho de DEUS e beneficiário de todos os privilégios dessa filiação. Assim escreve o Dr. William Evans: “Pela adoção, o crente, que já é filho de DEUS, recebe o lugar de filho adulto; dessa forma o menino torna-se filho, o filho menor torna-se adulto.” (Gál. 4:1-7.) A palavra “adoção” significa literalmente: “dar a posição de filhos” e refere-se, no uso comum, ao homem que toma para seu lar crianças que não são as suas pelo nascimento. Quanto à doutrina, devemos distinguir entre adoção e regeneração: o primeiro é um termo legal que indica conceder o privilégio de filiação a um que não é membro da família; o segundo significa a transformação espiritual que toma a pessoa filho de DEUS e participante da natureza divina. Contudo, na própria experiência, é difícil separar os dois, visto que a regeneração e a adoção representam a dupla experiência da filiação. No Novo Testamento a filiação comum é, às vezes, definida pelo termo “filhos” (“uioi”— no grego), termo que originou a palavra “adoção”; outras vezes é definida pela palavra “tekna”, no grego, também traduzida por “filhos”, que significa literalmente “os gerados”, significando a regeneração. As duas idéias são distintas e ao mesmo tempo combinadas nas seguintes passagens: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder (implicando adoção) de serem feitos filhos de DEUS… os quais… nasceram… de DEUS” (João 1:12,13). “Vede quão grande caridade nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados (implicando adoção) filhos de DEUS (a palavra que significa “gerados” de DEUS)” (1 João 3:1). Em Rom. 8: 15,16 as duas idéias se entrelaçam: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos Abba, Pai. O mesmo ESPÍRITO testifica com o nosso espírito que somos filhos de DEUS.” (b) Espirituais. Devido à sua natureza, a regeneração envolve união espiritual com DEUS e com CRISTO mediante o ESPÍRITO SANTO; e essa união espiritual envolve habitação divina (2 Cor. 6:16-18Gál. 2:20;4:5,61 João 3:244:13.) Essa união resulta em um novo tipo de vida e de caráter, descrito de várias maneiras; novidade de vida (Rom. 6:4); um novo coração (Ezeq. 36:26); um novo espírito (Ezeq. 11:19); um novo homem (Efés. 4:24); participantes da natureza divina (2 Ped. 1:4). O dever do crente é manter seu contacto com DEUS mediante os vários meios de graça e dessa forma preservar e nutrir a sua vida espiritual. (c) Práticos. A pessoa nascida de DEUS demonstrará esse fato pelo ódio que tem ao pecado (1 João 3:95:18), por obras de justiça (1 João 2:29), pelo amor fraternal (1 João 4:7) e pela vitória que alcança sobre o mundo (1 João 5:4). Devemos evitar estes dois extremos: primeiro, estabelecer um padrão tão baixo que a regeneração se torne questão de reforma natural; segundo, estabelecer um padrão elevado demais que não leve em conta as fraquezas dos crentes. Crentes novos que estão aprendendo a andar com JESUS estão sujeitos a tropeçar, como o bebê que aprende a andar. Mesmo os crentes mais velhos podem ser surpreendidos em alguma falta. João declara que é absolutamente inconsistente que a pessoa nascida de DEUS, portadora da natureza divina, continue a viver habitualmente no pecado (1 João 3.9), mas ao mesmo tempo ele tem cuidado em escrever: “Se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, JESUS CRISTO, o justo” (1 João 2:1).

IV. A Santificação

1. Natureza da santificação Em estudo anterior afirmamos que a chave do significado da doutrina da expiação, encontrada no Novo Testamento, acha-se no rito sacrificial do Antigo Testamento. Da mesma forma chegaremos ao sentido da doutrina do Novo Testamento sobre a santificação, pelo estudo do uso no Antigo Testamento da palavra “santo”. Primeiramente, observa-se que “santificação”, “santidade”, e “consagração” são sinônimos, como o são: “santificados” e “santos”. Santificar é a mesma coisa que fazer santo ou consagrar. A palavra “santo” tem os seguintes sentidos: (a) Separação. “SANTO” é uma palavra descritiva da natureza divina. Seu significado primordial é “separação “; portanto, a santidade representa aquilo que está em DEUS que o toma separado de tudo quanto seja terreno e humano — isto é, sua perfeição moral absoluta e sua divina majestade. Quando o SANTO deseja usar uma pessoa ou um objeto para seu serviço, ele separa essa pessoa ou aquele objeto do seu uso comum, e, em virtude dessa separação, a pessoa ou o objeto toma-se “santo”. (b) Dedicação. Santificação inclui tanto a separação de, como dedicação a alguma coisa; essa é “a condição dos crentes ao serem separados do pecado e do mundo e feitos participantes da natureza divina, e consagrados à comunhão e ao serviço de DEUS por meio do Mediador”. A palavra “santo” é mais usada em conexão com o culto. Quando referente aos homens ou objetos, ela expressa o pensamento de que esses são usados no serviço divino e dedicados a DEUS, no sentido especial de serem sua propriedade. Israel é uma nação santa, por ser dedicada ao serviço de Jeová; os levitas são santos por serem especialmente dedicados aos serviços do tabernáculo; o sábado e os dias de festa são santos porque representam a dedicação ou consagração do tempo a DEUS. (c) Purificação. Embora o sentimento primordial de “santo” seja separação para serviço, inclui também a idéia de purificação. O caráter de Jeová age sobre tudo que lhe é consagrado. Portanto, os homens consagrados a ele participam de sua natureza. As coisas que lhe são dedicadas devem ser limpas. Limpeza é uma condição de santidade, mas não a própria santidade, que é, primeiramente, separação e dedicação. Quando Jeová escolhe e separa uma pessoa ou um objeto para o seu serviço, ele opera ou faz com que aquele objeto ou essa pessoa se torne santo. Objetos inanimados foram consagrados pela unção do azeite (Êxo. 40:9-11). A nação israelita foi santificada pelo sangue do sacrifício da aliança. (Êxo. 24:8. Vide Heb. 10:29). Os sacerdotes foram consagrados pelo representante de Jeová, Moisés, que os lavou com água, ungiu-os com azeite e aspergiu-os com o sangue de consagração. (Vide Lev., cap. 8.) Como os sacrifícios do Velho Testamento eram tipos do sacrifício único de CRISTO, assim as várias abluções e unções do sistema mosaico são tipos da verdadeira santificação que alcançamos pela obra de CRISTO. Assim como Israel foi santificado pelo sangue da aliança, assim “também JESUS, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta” (Heb. 13:12). Jeová santificou os filhos de Arão para o sacerdócio pela mediação de Moisés e o emprego de água, azeite e sangue. DEUS o Pai (1 Tess. 5:23) santifica os crentes para um sacerdócio espiritual (1 Ped. 2:5) pela mediação do Filho (I Cor. 1:2,30Efés 5:26Heb 2:11), por meio da Palavra (João 17:1715:3), do sangue (Heb. 10:2913:12) e do ESPÍRITO (Rom. 15:161 Cor. 6:111 Ped. 1:2). (d) Consagração, no sentido de viver uma vida santa e justa. Qual a diferença entre justiça e santidade? A justiça representa a vida regenerada em conformidade com a lei divina; os filhos de DEUS andam retamente ( 1 João 3:6-10). Santidade é a vida regenerada em conformidade com a natureza divina e dedicada ao serviço divino; isto pede a remoção de qualquer impureza que estorve esse serviço. “Mas como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (1 Ped. 1:15). Assim a santificação inclui a remoção de qualquer mancha ou sujeira que seja contrária à santidade da natureza divina. Em seguida à consagração de Israel surge, naturalmente, a pergunta: “Como deve viver um povo santo?” A fim de responder a essa pergunta, DEUS deu-lhes o código de leis de santidade que se acham no livro de Levítico. Portanto, em conseqüência da sua consagração, seguiu-se a obrigação de viver uma vida santa. O mesmo se dá com o cristão. Aqueles que são declarados santos (Heb. 10:10) são exortados a seguir a santidade (Heb. 12:14); aqueles que foram purificados (1 Cor. 6:11) são exortados a purificar-se a si mesmos (2 Cor. 7:1). (e) Serviço. A aliança é um estado de relação entre DEUS e os homens no qual ele é o DEUS deles e eles o seu povo, o que significa um povo adorador. A palavra “santo” expressa essa relação contratual. Servir a DEUS, nessa relação, significa ser sacerdote; por conseguinte, Israel é descrito como nação santa e reino de sacerdotes (Êxo. 19:6). Qualquer impureza que venha a desfigurar essa relação precisa ser lavada com água ou com o sangue da purificação. Da mesma maneira os crentes do Novo Testamento são “santos”, isto é, um povo santo consagrado. Pelo sangue da aliança tornaram-se “sacerdócio real, a nação santa… sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a DEUS por JESUS CRISTO” (1 Ped. 2:9,5); oferecem o sacrifício de louvor (Heb. 13:15) e dedicam-se como sacrifícios vivos sobre o altar de DEUS (Rom. 12:1). Assim vemos que o serviço é elemento essencial da santificação ou santidade, pois é esse o único sentido em que os homens podem pertencer a DEUS, isto é, como seus adoradores que lhe prestam serviço. Paulo expressou perfeitamente esse aspecto da santidade quando disse acerca de DEUS: “De quem eu sou, e a quem sirvo” (Atos 27:23). Santificação envolve ser possuído por DEUS e servir a ele.

2. O tempo da santificação. A santificação reúne: 1) idéia de posição perante DEUS e instantaneidade; 2) prática e progressiva. (a) Posicional e instantânea. A seguinte declaração representa o ensino dos que aderem à teoria de santificação da “segunda obra definida”, feita por alguém que ensinou essa doutrina durante muitos anos:   Supõe-se que a justificação é obra da graça pela qual os pecadores, ao se entregarem a CRISTO, são feitos justos e libertados dos hábitos pecaminosos. Mas no homem meramente justificado permanece um princípio de corrupção, uma árvore má, “uma raiz de amargura”, que continuamente o provoca a pecar. Se o crente obedece a esse impulso e deliberadamente peca, ele perde sua justificação; segue-se portanto, a vantagem de ser removido esse impulso mau, para que diminua a possibilidade de se desviar. A extirpação dessa raiz pecaminosa é santificação. Portanto, é a purificação da natureza de todo pecado congênito pelo sangue de CRISTO (aplicado pela fé ao realizar-se a plena consagração), e o fogo purificador do ESPÍRITO SANTO, o qual queima toda a escória, quando tudo é depositado sobre o altar do sacrifício. Isso, e somente isso, é verdadeira santificação — a segunda obra definida da graça, subseqüente à justificação, e sem a qual essa justificação provavelmente se perderá. A definição supra citada ensina que a pessoa pode ser salva ou justificada sem ser santificada. Essa teoria, porém, é contrária ao ensino do Novo Testamento. O apóstolo Paulo escreve a todos os crentes como a “santos” (literalmente, “os santificados”) e como já santificados (1 Cor. 1:26:11). Mas essa carta foi escrita para corrigir esses cristãos por causa de sua carnalidade e pecados grosseiros. (1 Cor. 3:15:1,2,7,8.) Eram “santos” e “santificados em CRISTO”, mas alguns desses estavam muito longe de ser exemplos de cristãos na conduta. Foram chamados a ser santos, mas não se portavam dignos dessa vocação santa. Segundo o Novo Testamento existe, pois, um sentido em que a santificação é simultânea com a justificação. (b) Prática e progressiva. Mas será que essa santificação consiste somente em ser conferida a posição de santos? Não, essa separação inicial é apenas o começo duma vida progressiva de santificação. Todos os cristãos são separados para DEUS em JESUS CRISTO; e dessa separação surge a nossa responsabilidade de viver para ele. Essa separação deve continuar diariamente: o crente deve esforçar-se sempre para estar conforme à imagem de CRISTO. “A santificação é a obra da livre graça de DEUS, pela qual o homem todo é renovado segundo a imagem de DEUS, capacitando-nos a morrer para o pecado e viver para a justiça.” Isso não quer dizer que vamos progredir até alcançar a santificação e, sim, que progredimos na santificação da qual já participamos. A santificação é posicionai e prática — posicional em que é primeiramente uma mudança de posição pela qual o imundo pecador se transforma em santo adorador; prática porque exige uma maneira santa de viver. A santificação adquirida em virtude de nova posição, indica-se pelo fato de que todos os coríntios foram chamados “santificados em CRISTO JESUS, chamados santos” (1 Cor. 1:2). A santificação progressiva está implícita no fato de alguns serem descritos como “carnais” (1 Cor. 3:3), o que significa que sua presente condição não estava à altura de sua posição concedida por DEUS. Em razão disso, foram exortados a purificar-se e assim melhorar sua consagração até alcançarem a perfeição. Esses dois aspectos da santificação estão implícitos no fato de que aqueles que foram tratados como santificados e santos (1 Ped. 1:22:5), são exortados a serem santos (1 Ped. 1:15). Aqueles que estavam mortos para o pecado (Col 3:3) são exortados a mortificar (fazer morto) seus membros pecaminosos (Col 3:5). Aqueles que se despiram do homem velho (Col. 3:9) são exortados a vestirem-se ou revestirem-se do homem novo. (Efés 4:22Col. 3:8.)

3. Meios divinos de santificação. São meios divinamente estabelecidos de santificação: o sangue de CRISTO, o ESPÍRITO SANTO e a Palavra de DEUS. O primeiro proporciona, primeiramente’, a santificação absoluta, quanto à posição perante DEUS. É uma obra consumada que concede ao pecador penitente uma posição perfeita em relação a DEUS. O segundo meio é interno, efetuando a transformação da natureza do crente. O terceiro meio é externo e prático, e diz respeito ao comportamento do crente. Dessa forma, DEUS fez provisão tanto para a santificação interna como externa. (a) O sangue de CRISTO, (Eterno, absoluto e posicionai.) (Heb. 13:1210:10,141João 1:7.) Em que sentido seria a pessoa santificada pelo sangue de CRISTO? Em resultado da obra consumada de CRISTO, o pecador penitente é transformado de pecador impuro em adorador santo. A santificação é o resultado dessa “maravilhosa obra redentora do Filho de DEUS, ao oferecer-se no Calvário para aniquilar o pecado pelo seu sacrifício. Em virtude desse sacrifício, o crente é eternamente separado para DEUS; sua consciência é purificada, e ele próprio é transformado de pecador impuro, em santo adorador, unido em comunhão com o Senhor JESUS CRISTO; pois, “assim o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos” (Heb. 2:11). Que haja um aspecto contínuo na santificação pelo sangue, infere-se de 1 João 1:7: “O sangue de JESUS CRISTO, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” Se houver comunhão entre o santo DEUS e o homem, necessariamente terá que haver uma provisão para remover a barreira de pecado, que impede essa comunhão, uma vez que os melhores homens ainda assim são imperfeitos. Ao receber Isaías a visão da santidade de DEUS, ele ficou abatido ao perceber a sua falta de santidade; e não estava em condições de ouvir a mensagem divina enquanto a brasa do altar não purificasse seus lábios. A consciência do pecado ofusca a comunhão com DEUS; confissão e fé no eterno sacrifício de CRISTO removem essa barreira. (1 João 1:9.) (b) O ESPÍRITO SANTO. (Santificação Interna.) (1 Cor. 6:112 Tess. 2:121 Ped. 1:1,2Rom. 15:16.) Nessas passagens a santificação pelo ESPÍRITO SANTO é apresentada como o início da obra de DEUS nos corações dos homens, conduzindo-os ao inteiro conhecimento da justificação pela fé no sangue aspergido de CRISTO. Tal qual o ESPÍRITO pairava por cima do caos original (Gên. 1:2), seguindo-se o estabelecimento da ordem pelo Verbo de DEUS, assim o ESPÍRITO paira sobre a alma humana, fazendo-a abrir-se para receber a luz e a vida de DEUS. (2 Cor. 4:6.) O capítulo 10 de Atos proporciona uma ilustração concreta da santificação pelo ESPÍRITO SANTO. Durante os primeiros anos da igreja, a evangelização dos gentios retardou-se visto que muitos cristãos-judeus consideravam os gentios como “imundos”, e não-santificados por causa de sua não conformidade com as leis alimentares e outros regulamentos mosaicos. Exigia-se uma visão para convencer a Pedro que aquilo que o Senhor purificara ele não devia tratar de comum ou impuro. Isso importava em dizer que DEUS fizera provisão para a santificação dos gentios para serem o seu povo. E quando o ESPÍRITO de DEUS desceu sobre os gentios, reunidos na casa de Cornélio, já não havia mais dúvida a respeito. Eram santificados pelo ESPÍRITO SANTO, não importando se obedeciam ou não às ordenanças mosaicas (Rom. 15:16), e Pedro reptou os judeus que estavam com ele a negarem o símbolo exterior (batismo nas águas) de sua purificação espiritual. (Atos 10:4715:8.) (c) A Palavra de DEUS. (Santificação externa e prática.) (João 17:17Efés 5:26João 15:3Sal. 119:9Tia. 1:23-25.) Os cristãos são descritos como sendo “gerados pela Palavra de DEUS”(l Ped. 1:23). A Palavra de DEUS desperta os homens a compreenderem a insensatez e impiedade de suas vidas. Quando dão importância à Palavra arrependendo-se e crendo em CRISTO, são purificados pela Palavra que lhes fora falada. Esse é o início da purificação que deve continuar através da vida do crente. No ato de sua consagração ao ministério, o sacerdote israelita recebia um banho sacerdotal completo, banho que nunca se repetia; era uma obra feita uma vez para sempre. Todos os dias porém, era obrigado a lavar as mãos e os pés. Da mesma maneira, o regenerado foi lavado (Tito 3:5); mas precisa uma separação diária das impurezas e imperfeições conforme lhe forem reveladas pela Palavra de DEUS, que serve como espelho para a alma. (Tia. 1:22-25.) Deve lavar as mãos, isto é, seus atos devem ser retos; deve lavar os pés, isto é, “guardar-se da imundície que tão facilmente se apega aos pés do peregrino, que anda pelas estradas deste mundo”.

4. Idéias errôneas sobre a santificação. Muitos cristãos descobrem o fato de que seu maior impedimento em chegar à santidade é a “carne”, a qual frustra sua marcha para a perfeição. Como se conseguirá libertação da carne? Três opiniões erradas têm sido expostas: (a) “Erradicação” do pecado inato é uma dessas idéias. Assim escreve Lewis Sperry Chafer: “se a erradicação da natureza pecaminosa se consumasse, não haveria a morte física, pois esta é o resultado dessa natureza. (Rom. 5:12-21.) Pais que houvessem experimentado essa “extirpação”, necessariamente gerariam filhos sem a natureza pecaminosa. Mas, mesmo que fosse realidade essa “extirpação”, ainda haveria o conflito com o mundo, a carne (à parte da natureza pecaminosa) e o diabo; pois a “extirpação” desses males é obviamente antibíblica e não está incluída na própria teoria. A erradicação é também contrária à experiência. (b) Legalismo, ou a observância de regras e regulamentos. Paulo ensina que a lei não pode santificar (Rom. cap. 6), assim como também não pode justificar (Rom. 3). Essa verdade é exposta e desenvolvida na carta aos Gálatas. Paulo não está de nenhuma maneira depreciando a lei. Ele a está defendendo contra conceitos errôneos quanto a seu propósito. Se um homem for salvo do pecado, terá que ser por um poder à parte de si mesmo. Vamos empregar a ilustração dum termômetro. O tubo e o mercúrio representam o indivíduo. O registro dos graus representará a lei. Imaginem o termômetro dizendo: “Hoje não estou funcionando exatamente; devo chegar no máximo a 30 graus.” Será que o termômetro poderia elevar-se à temperatura exigida? Não, deveria depender duma condição/ora dele mesmo. Da mesma maneira o homem que percebe não estar à altura do ideal divino não pode elevar-se em um esforço por alcançá-lo. Sobre ele deve operar uma força à parte dele mesmo; essa força é o poder do ESPÍRITO SANTO. (c) Ascetismo. É a tentativa de subjugar a carne e alcançar a santidade por meio de privações e sofrimentos — o método que seguem os católicos romanos e os hindus ascéticos. Esse método parece estar baseado na antiga crença pagã de que toda matéria, incluindo o corpo, é má. O corpo, por conseguinte, é uma trava ao espírito, e quanto mais for castigado e subjugado, mais depressa se libertará o espírito. Isso é contrário às Escrituras, que ensinam que DEUS criou tudo muito bom. É a alma e não o corpo que peca; portanto, são os impulsos pecaminosos que devem ser subjugados, e não a carne material. Ascetismo é uma tentativa de matar o “eu”, mas o “eu” não pode vencer o “eu”. Essa é a obra do ESPÍRITO.

5. O verdadeiro método da santificação. O método bíblico de tratar com a carne, deve basear-se obviamente, na provisão objetiva para a salvação, o sangue de CRISTO; e na provisão subjetiva, o ESPÍRITO SANTO. A libertação do poder da carne, portanto, deve vir por meio da fé na expiação e por entregar-se à ação do ESPÍRITO. O primeiro é tratado no sexto capítulo de Romanos, e o segundo na primeira parte do capítulo oitavo. (a) Fé na expiação. Imaginemos que houvesse judeus presentes (o que sucedia com freqüência) enquanto Paulo expunha a doutrina da purificação pela fé. Nós os imaginamos dizendo em protesto: “Isso é uma heresia do tipo mais perigoso!” Dizer ao povo que precisam crer unicamente em JESUS, e que nada podem fazer quanto à sua salvação porque ela é pela graça de DEUS, tudo isso resultará em que descuidarão de sua maneira de viver. Eles julgarão que pouco importa o que façam, uma vez que creiam. Sua doutrina de fé fomenta o pecado. Se a justificação é pela graça e nada mais, sem obras, por que então romper com o pecado? Por que não continuar no pecado para que abunde ainda mais a graça? Os inimigos de Paulo efetivamente o acusaram de pregar tal doutrina. (Rom. 3:86:1.) Com indignação Paulo repudiou tal perversão. “De modo nenhum . Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?” (Rom. 6:2). A continuação no pecado é impossível a um homem verdadeiramente justificado, em razão de sua união com CRISTO na morte e na vida. (Vide Mat. 6:24.) Em virtude de sua fé em CRISTO, o homem salvo passou por uma experiência que inclui um rompimento tão completo com o pecado, que se descreve como morte para o pecado, e uma transformação tão radical que se descreve como ressurreição. Essa experiência é figurada no batismo nas águas. A imersão do convertido testifica do fato que em razão de sua união com o CRISTO crucificado ele morreu para o pecado; ser levantado da água testifica que seu contacto com o CRISTO ressuscitado significa que “como CRISTO ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Rom. 6:4). CRISTO morreu pelo pecado a fim de que nós morrêssemos para o pecado. “Aquele que está morto está justificado do pecado” (Rom. 6:7). A morte cancela todas as obrigações e rompe todos os laços. Por meio da união com CRISTO, o cristão morreu para a vida antiga, e os grilhões do pecado foram quebrados. Como a morte dava fim à servidão do escravo, assim a morte do crente, que morreu para o mundo, o libertou da servidão ao pecado. Continuando a ilustração: A lei nenhuma jurisdição tem sobre um homem morto. Não importa qual seja o crime que haja cometido, uma vez morto, já está fora do poder da justiça humana. Da mesma maneira, a lei de Moisés, muitas vezes violada pelo convertido, não o pode “prender”, pois, em virtude de sua experiência com CRISTO, ele está “morto”. (Rom. 7:1-42 Cor. 5:14.) “Sabendo que, havendo CRISTO ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não mais terá domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado, mas, quanto a viver, vive para DEUS. Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para DEUS em CRISTO JESUS nosso Senhor” (Rom. 6:9-11). A morte de CRISTO pôs fim a esse estado terrenal no qual ele teve contacto como o pecado; sua vida agora é uma constante comunhão com DEUS. Os cristãos, ainda que estejam no mundo, podem participar de sua experiência, porque estão unidos a ele. Como podem participar? “Considerai-vos como mortos para o pecado, nas vivos para DEUS em CRISTO JESUS nosso Senhor.” Que significa isso? DEUS já disse que por meio da nossa fé em CRISTO, estamos mortos para o pecado e vivos para a justiça. Resta uma coisa a fazer; crer em DEUS e considerar ou concluir que estamos mortos para o pecado. DEUS declarou que quando CRISTO morreu, nós morremos para o pecado; quando ele ressuscitou, nós ressuscitamos para viver uma nova vida. Devemos continuar considerando esses fatos como absolutamente certos; e, ao considerá-los assim, tornar-se-ão poderosos em nossa vida, pois, seremos o que reconhecemos que somos. Uma distinção importante tem sido assinalada, a saber, a distinção entre as promessas e os fatos da Bíblia. JESUS disse: “Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito” (João 15:7). Essa é uma promessa, porque está no futuro; é algo para ser feito. Mas quando Paulo disse que “CRISTO morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras”, ele está declarando um fato, algo que foi feito. Vide a expressão de Pedro: “Pelas suas feridas fostes sarados” (1 Ped. 2:24). E quando Paulo declara “que o nosso homem velho foi com ele crucificado”, ele está declarando um fato, algo que aconteceu. A questão agora é: estamos dispostos ou não a crer no que DEUS declara que são fatos acerca de nós? Porque a fé é a mão que aceita o que DEUS gratuitamente oferece. Será que o ato de descobrir a relação com CRISTO não constitui a experiência que alguns têm descrito como “a segunda obra da graça”?   (b) Cooperação com o ESPÍRITO. Os capítulos 7 e 8 de Romanos continuam o assunto da santificação; tratam da libertação do crente do poder do pecado, e do crescimento em santidade. No cap. 6 vimos que a vitória sobre o poder do pecado foi obtida pela/é. O capítulo 8 apresenta outro aliado na batalha contra o pecado — o ESPÍRITO SANTO. Como fundo para o capítulo 8 estuda-se a linha de pensamento no cap. 7, o qual descreve um homem voltando-se para a lei a fim de alcançar santificação. Paulo demonstra aqui a impotência da lei para salvar e santificar, não porque a lei não seja boa, mas por causa da inclinação pecaminosa da natureza humana, conhecida como a “carne”. Ele indica que a lei revela o fato (v. 7), a ocasião (v.8), o poder (v.9), a falsidade (v. 11), o efeito (vs. 10,11), e a vileza do pecado (vs. 12,13). Paulo, que parece estar descrevendo sua própria experiência passada, diz-nos que a própria lei, que ele tão ardentemente desejava observar, suscitava impulsos pecaminosos dentro dele. O resultado foi “guerra civil” na sua alma. Ele é impedido de fazer o bem que deseja fazer, e impelido a fazer o que odeia. “Acho então esta lei em mim; que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de DEUS; mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros” (vs. 21-23). A última parte do capítulo 7, evidentemente, apresenta o quadro do homem debaixo da lei, que descobriu a perscrutadora espiritualidade da lei, mas em cada intento de observá-la se vê impedido pelo pecado que habita nele. Por que descreve Paulo esse conflito? Para demonstrar que a lei é tão impotente para santificar como o é para justificar. “Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?” (v. 24 Vide 6:6). E Paulo, que descrevia a experiência debaixo da lei, assim testifica alegremente de sua experiência debaixo da graça: “Dou graças a DEUS (que a vitória vem) por JESUS CRISTO nosso Senhor” (v. 25). Com essa exclamação de triunfo entramos no maravilhoso capítulo oitavo, que tem por tema dominante a libertação da natureza pecaminosa pelo poder do ESPÍRITO SANTO. Há três mortes das quais o crente deve participar: 1) A morte no pecado, isto é, nossa condenação. (Efés. 2:1Col. 2:13.) O pecado havia conduzido a alma a essa condição, cujo castigo é a morte espiritual ou separação de DEUS. 2) A morte pelo pecado, isto é, nossa justificação. CRISTO sofreu sobre a cruz a sentença duma lei infligida, e nós, por conseguinte, somos considerados como a havendo sofrido nele. O que ele fez por nós é considerado como se fosse feito por nós mesmos. (2 Cor. 5:14Gál. 2:20.) Somos considerados legal ou judicialmente livres da pena duma lei violada, uma vez que pela fé pessoal consentimos na transação. 3) A morte para o pecado, isto é, nossa santificação. (Rom. 6:11.) O que é certo para nós deve ser feito real em nós; o que é judicial deve se tornar prático; a morte para a pena do pecado deve ser seguida pela morte para o poder do pecado. E essa é a obra do ESPÍRITO SANTO. (Rom. 8:13.) Assim como a seiva que ascende na árvore elimina as folhas mortas que ficaram presas aos ramos, apesar da neve e das tempestades, assim o ESPÍRITO SANTO, que habita em nós, elimina as imperfeições e os hábitos da vida antiga.

6. Santificação completa. Muitas vezes esta verdade é discutida sob o tema: “Perfeição cristã.” (a) Significado de perfeição. Há dois tipos de perfeição: absoluta e relativa. É absolutamente perfeito aquilo que não pode ser melhorado; isso pertence unicamente a DEUS. E relativamente perfeito aquilo que cumpre o fim para o qual foi designado; essa perfeição é possível ao homem. A palavra “perfeição”, no Antigo Testamento, significa ser “sincero e reto” (Gên 6:9Jó 1:1). Ao evitar os pecados das nações circunvizinhas, Israel podia ser uma nação “perfeita” (Deut. 18:13). No Antigo Testamento a essência da perfeição é o desejo e a determinação de fazer a vontade de DEUS. Apesar dos pecados que mancharam sua carreira, Davi pode ser chamado um homem perfeito e “um homem segundo o coração de DEUS”, porque o motivo supremo de sua vida era fazer a vontade de DEUS. No Novo Testamento a palavra “perfeito” e seus derivados têm uma variedade de aplicações, e, portanto, deve ser interpretada segundo o sentido em que os termos são usados. Várias palavras gregas são usadas para expressar a idéia de perfeição: 1) Uma dessas palavras significa ser completo no sentido de ser apto ou capaz para certa tarefa ou fim. (2 Tim. 3:17.) 2) Outra denota certo fim alcançado por meio do crescimento mental e moral. (Mat. 5:4819:21Col. 1:284:12 ; Heb. 11:40.) 3) A palavra usada em 2 Cor. 13:9Efés 4:12; e Heb. 13:21 significa um equipamento cabal. 4) A palavra usada em 2 Cor. 7:1 significa terminar, ou trazer a uma terminação. A palavra usada em Apoc. 3:2 significa fazer repleto, cumprir, encher (como uma rede), nivelar (um buraco). A palavra “perfeito” descreve os seguintes aspectos da vida cristã: 1) Perfeição de posição em CRISTO (Heb. 10:14) — o resultado da obra de CRISTO por nós. 2) Madureza e entendimento espiritual, em contraste com a infância espiritual. (1 Cor. 2:614:20;2Cor. 13:11Fil. 3:15;2Tim. 3:17) 3) Perfeição progressiva. (Gál. 3:3.) 4) Perfeição em certos particulares: a vontade de DEUS, o amor ao homem, e serviço. (Col. 4:12Mat. 5:48Heb. 13:21.) 5) A perfeição final do indivíduo no céu. (Col. 1:28,22Fil. 3:12; 1Ped. 5:10.) 6) A perfeição final da igreja, ou o corpo de CRISTO, isto é, o conjunto de crentes. (Efés. 4:13João 17:23.) (b) Possibilidades de perfeição. O Novo Testamento apresenta dois aspectos gerais da perfeição: 1) A perfeição como um dom da graça, o qual é a perfeita posição ou estado concedido ao arrependido em resposta à suafé em CRISTO. Ele é considerado perfeito porque tem um Salvador perfeito e uma justiça perfeita. 2) A perfeição como realmente efetuada no caráter do crente. É possível acentuar em demasia o primeiro aspecto e descuidar do Cristianismo prático. Tal aconteceu a certo indivíduo que, depois de ouvir uma palestra sobre a Vida Vitoriosa, disse ao pregador: “Tudo isso tenho em CRISTO.” “Mas o senhor tem isso consigo, agora, aqui em Glasgow?” foi a serena interrogação. Por outra parte, acentuando demais o segundo aspecto, alguns praticamente têm negado qualquer perfeição à parte do que eles encontram em sua própria experiência. João Wesley (o fundador do Metodismo) parece haver tomado uma posição intermediária entre os dois extremos. Ele reconhecia que a pessoa era santificada na conversão, mas afirmava a necessidade da inteira santificação como outra obra da graça. O que fazia essa experiência parecer necessária era o poder do pecado, que era a causa de o cristão ser derrotado. Essa bênção vem a quem buscar com fidelidade; o amor puro enche o coração e governa toda a obra e ação, resultando na destruição do poder do pecado. Essa perfeição no amor não é considerada como perfeição absoluta, nem tampouco isenta o crente de vigilância e cuidados constantes. Wesley escreveu: “Creio que a pessoa cheia do amor de DEUS ainda está propensa a transgressões involuntárias. Tais transgressões vocês poderão chamá-las de pecados, se quiserem; mais eu não.” Quanto ao tempo da inteira santificação, Wesley escreveu:   “É esta morte para o pecado e renovação no amor, gradual ou instantânea? Um homem poderá estar à morte por algum tempo; no entanto, propriamente falando, não morre enquanto não chegar o instante em que a alma se separa do corpo; e nesse momento ele vive a vida da eternidade. Da mesma maneira a pessoa poderá estar morrendo para o pecado por algum tempo; entretanto, não está morto para o pecado enquanto o pecado não for separado de sua alma; é nesse momento que vive a plena vida de amor. E da mesma maneira que a mudança sofrida quando o corpo morre é duma qualidade diferente e infinitamente maior que qualquer outra que tenhamos conhecido antes, tão diferente que até então era impossível conceber, assim a mudança efetuada quando a alma morre para o pecado é duma classe diferente e infinitamente maior que qualquer outra experimentada antes, e que ninguém pode conceber até que a experimente. No entanto, essa pessoa continuará a crescer na graça, no conhecimento de CRISTO, no amor e na imagem de DEUS; e assim continuará, não somente até a morte, mas por toda a eternidade. Como esperaremos essa mudança? Não em um descuidado indiferentismo, ou indolente inatividade; mas em obediência vigorosa e universal, no cumprimento fiel dos mandamentos, em vigilância e trabalho, em negarmo-nos a nós mesmos, tomando diariamente a nossa cruz; como também em oração fervorosa e jejum, e atendendo bem às ordenanças de DEUS. E se alguém pensa em obtê-la de alguma outra maneira (e conservá-la quando a haja obtido, mesmo quando a haja recebido na maior medida) esse alguém engana sua própria alma.” João Calvino, que acentuara a perfeição do crente pela consumada obra de CRISTO, e que não era menos zeloso da santidade de que Wesley, dá o seguinte relato da perfeição cristã: “Quando DEUS nos reconcilia consigo mesmo, por meio da justiça de CRISTO, e nos considera como justos por meio da livre remissão de nossos pecados, ele também habita em nós, pelo seu ESPÍRITO, e santifica-nos pelo seu poder, mortificando as concupiscências da nossa carne e formando o nosso coração em obediência à sua Palavra. Desse modo, nosso desejo principal vem a ser obedecer à sua vontade e promover a sua glória. Porém, ainda depois disso, permanece em nós bastante imperfeição para repelir o orgulho e constranger-nos à humildade.” ( Ecl. 7:201Reis 8:46.) Ambas as opiniões, a perfeição como dom em CRISTO e a perfeição como obra real efetuada em nós, são ensinadas nas Escrituras; o que CRISTO fez por nós deve ser efetuado em nós. O Novo Testamento sustenta um ideal elevado de santidade e afirma a possibilidade de libertação do poder do pecado. Portanto, é dever do cristão esforçar-se para conseguir essa perfeição. (Fil. 3:12; Heb.6:l.) Em relação a isto devemos reconhecer que o progresso na santificação muitas vezes implica uma crise na experiência, quase tão definida como a da conversão. Por um meio ou outro, o crente recebe uma revelação da santidade de DEUS e da possibilidade de andar mais perto dele, e essa experiência é seguida por um conhecimento interior de ter ainda alguma contaminação. (Vide Isa. 6.) Ele chegou a uma encruzilhada na sua experiência cristã, na qual deverá decidir se há de retroceder ou seguir avante, com DEUS. Confessando seus fracassos passados, ele faz uma reconsagração, e, como resultado, recebe um novo aumento de paz, gozo e vitória, e também o testemunho de que DEUS aceitou sua consagração. Alguns têm chamado a essa experiência uma segunda obra da graça. Ainda haverá tentação de fora e de dentro, e daí a necessidade de vigilância (Gál. 6:1ICor. 10:12); a carne é fraca e o cristão está livre para ceder, pois está em estado de prova (Gál. 5:17Rom. 7:18Fil. 3:8); seu conhecimento é parcial e falho; portanto, pode estar sujeito a pecados de ignorância. Porém ele pode seguir avante, certo de que pode resistir e vencer toda a tentação que reconheça (Tia. 4:71 Cor. 10:13Rom. 6:14Efés. 6:13,14); pode estar sempre glorificando a DEUS cheio dos frutos de justiça (1 Cor. 10:31Col. 1:10); pode possuir a graça e o poder do ESPÍRITO e andar em plena comunhão com DEUS (Gál. 5:2223;Efés. 5:18Col. 1:10,111 João 1:7); pode ter a purificação constante do sangue de CRISTO e assim estar sem culpa perante DEUS. (1 João 1:7Fil. 2:15; 1Tess. 5:23).

V. A Segurança da Salvação Temos estudado as preparações para a salvação e considerado a natureza desta. Nesta seção consideramos: É a Salvação final dos cristãos incondicional, ou poderá perder-se por causa do pecado? A experiência prova a possibilidade duma queda temporária da graça, conhecida por “desviar-se”. O termo não se encontra no Novo Testamento, senão no Antigo Testamento. Uma palavra hebraica significa “voltar atrás” ou “virar-se”; outra palavra significa “volver-se” ou ser “rebelde”. Israel é comparado a um bezerro teimoso que volta para trás e se recusa a ser conduzido, e torna-se insubmisso ao jugo. Israel afastou-se de Jeová e obstinadamente se recusou a tomar sobre si o jugo de seus mandamentos. O Novo Testamento nos admoesta contra tal atitude, porém usa outros termos. O desviado é a pessoa que outrora tinha o zelo de DEUS, mas agora se tomou fria (Mat. 24:12); outrora obedecia à Palavra, mas o mundanismo e o pecado impediram seu crescimento e frutificação (Mat. 13:22); outrora pôs a mão ao arado, mas olhou para trás (Luc. 9:62); como a esposa de Ló, que havia sido resgatada da cidade da destruição, mas seu coração voltou para ali (Luc. 17:32); outrora estava em contacto vital com CRISTO, mas agora está fora de contacto, e está seco, estéril e inútil espiritualmente (João 15:6); outrora obedecia à voz da consciência, mas agora jogou para longe de si essa bússola que o guiava, e, como resultado, sua embarcação de fé destroçou-se nas rochas do pecado e do mundanismo (1 Tim. 1:19); outrora alegrava-se em chamar-se cristão, mas agora se envergonha de confessar a seu Senhor (2 Tim. 1:8 ;2:12); outrora estava liberto da contaminação do mundo, mas agora voltou como a “porca lavada ao espoja-douro de lama” (2 Ped. 2:22; vide Luc. 11:21-26). É possível decair da graça; mas a questão é saber se a pessoa que era salva e teve esse lapso, pode finalmente perder-se. Aqueles que seguem o sistema de doutrina calvinista respondem negativamente; aqueles que seguem o sistema arminiano (chamado assim em razão de Armínio, teólogo holandês, que trouxe a questão a debate) respondem afirmativamente.

1. Calvinismo. A doutrina de João Calvino não foi criada por ele; foi ensinada por santo Agostinho, o grande teólogo do quarto século. Nem tampouco foi criada por Agostinho, que afirmava estar interpretando a doutrina de Paulo sobre a livre graça. A doutrina de Calvino é como segue: A salvação é inteiramente de DEUS; o homem absolutamente nada tem a ver com sua salvação. Se ele, o homem, se arrepender, crer e for a CRISTO, é inteiramente por causa do poder atrativo do ESPÍRITO de DEUS. Isso se deve ao fato de que a vontade do homem se corrompeu tanto desde a queda, que, sem a ajuda de DEUS, não pode nem se arrepender, nem crer, nem escolher corretamente. Esse foi o ponto de partida de Calvino — a completa servidão da vontade do homem ao mal. A salvação, por conseguinte, não pode ser outra coisa senão a execução dum decreto divino que fixa sua extensão e suas condições. Naturalmente surge esta pergunta: Se a salvação é inteiramente obra de DEUS, e o homem não tem nada a ver com ela, e está desamparado, amenos que o ESPÍRITO de DEUS opere nele, então, por que DEUS não salva a todos os homens, posto que todos estão perdidos e desamparados? A resposta de Calvino era: DEUS predestinou alguns para serem salvos e outros para serem perdidos. “A predestinação é o eterno decreto de DEUS, pelo qual ele decidiu o que será de cada um e de todos os indivíduos. Pois nem todos são criados na mesma condição; mas a vida eterna está preordenada para alguns, e a condenação eterna para outros.” Ao agir dessa maneira DEUS não é injusto, pois ele não é obrigado a salvar a ninguém; a responsabilidade do homem permanece, pois a queda de Adão foi sua própria falta, e o homem sempre é responsável por seus pecados. Posto que DEUS predestinou certos indivíduos para a salvação, CRISTO morreu unicamente pelos “eleitos”; a expiação fracassaria se alguns pelos quais CRISTO morreu se perdessem. Dessa doutrina da predestinação segue-se o ensino de “uma vez salvo sempre salvo”; porque se DEUS predestinou um homem para a salvação, e unicamente pode ser salvo e guardado pela graça de DEUS, que é irresistível, então, nunca pode perder-se. Os defensores da doutrina da “segurança eterna” apresentam as seguintes referências para sustentar sua posição: João 10:28,29Rom. 11:29Fil. 1:61 Ped. 1:5Rom. 8:35João 17:6.

2. Arminianismo. O ensino arminiano é como segue: A vontade de DEUS é que todos os homens sejam salvos, porque CRISTO morreu por todos. (1 Tim. 2:4-6Heb. 2:92 Cor. 5:14Tito 2:11,12.) Com essa finalidade ele oferece sua graça a todos. Embora a salvação seja obra de DEUS, absolutamente livre e independente de nossas boas obras ou méritos, o homem tem certas condições a cumprir. Ele pode escolher aceitar a graça de DEUS, ou pode resistir-lhe e rejeitá-la. Seu direito de livre arbítrio sempre permanece. As Escrituras certamente ensinam uma predestinação, mas não que DEUS predestina alguns para a vida eterna e outros para o sofrimento eterno. Ele predestina ” a todos os que querem” a serem salvos — e esse plano é bastante amplo para incluir a todos que realmente desejam ser salvos. Essa verdade tem sido explicada da seguinte maneira: na parte de fora da porta da salvação lemos as palavras: “quem quiser pode vir”; quando entramos por essa porta e somos salvos, lemos as palavras no outro lado da porta: “eleitos segundo a presciência de DEUS”. DEUS, em razão de seu conhecimento, previu que essas pessoas aceitariam o evangelho e permaneceriam salvos, e predestinou para essas pessoas uma herança celestial. Ele previu o destino delas, mas não o fixou. A doutrina da predestinação é mencionada, não com propósito especulativo, e, sim, com propósito prático. Quando DEUS chamou Jeremias ao ministério, ele sabia que o profeta teria uma tarefa muito difícil e poderia ser tentado a deixá-la. Para encorajá-lo, o Senhor assegurou ao profeta que o havia conhecido e o havia chamado antes de nascer (Jer. 1:5). Com efeito, o Senhor disse: “Já sei o que está adiante de ti, mas também sei que posso te dar graça suficiente para enfrentares todas as provas futuras e conduzir-te à vitória.” Quando o Novo Testamento descreve os cristãos como objetos da presciência de DEUS, seu propósito é dar-nos certeza do fato de que DEUS previu todas as dificuldades que surgirão à nossa frente, e que ele pode nos guardar e nos guardará de cair.

3. Uma comparação. A salvação é condicional ou incondicional? Uma vez salva, a pessoa é salva eternamente? A resposta dependerá da maneira em que podemos responder às seguintes perguntas-chave: De quem depende a salvação? É irresistível a graça? 1) De quem depende, em última análise, a salvação: de DEUS ou do homem? Certamente deve depender de DEUS, porque, quem poderia ser salvo se a salvação dependesse da força da própria pessoa? Podemos estar seguros disto: DEUS nos conduzirá à vitória, não importa quão débeis ou desatinados sejamos, uma vez que sinceramente desejamos fazer a sua vontade. Sua graça está sempre presente para nos admoestar, reprimir, animar e sustentar. Contudo, não haverá um sentido em que a salvação dependa do homem? As Escrituras ensinam constantemente que o homem tem o poder de escolher livremente entre a vida e a morte, e DEUS nunca violará esse poder. 2) Pode-se resistir à graça de DEUS? Um dos princípios fundamentais do Calvinismo é que a graça de DEUS e irresistível. Quando DEUS decreta a salvação de uma pessoa, seu ESPÍRITO atrai, e essa atração não pode ser resistida. Portanto, um verdadeiro filho de DEUS certamente perseverará até ao fim e será salvo; ainda que caia em pecado, DEUS o castigará e pelejará com ele. Ilustrando a teoria calvinista diríamos: é como se alguém estivesse a bordo dum navio, e levasse um tombo; contudo está a bordo ainda; não caiu ao mar. Mas o Novo Testamento ensina, sim, que é possível resistir à graça divina e resistir para a perdição eterna (João 6:40; Heb. 6:46; 10:26-302 Ped. 2:21Heb. 2:32 Ped. 1:10), e que a perseverança é condicional dependendo de manter-se em contacto com DEUS. Note-se especialmente Heb. 6:4-6 e 10:26-29. Essas palavras foram dirigidas a cristãos; as epístolas de Paulo não foram dirigidas aos não-regenerados. Aqueles aos quais foram dirigidas são descritos como havendo sido uma vez iluminados, havendo provado o dom celestial, participantes do ESPÍRITO SANTO, havendo provado a boa Palavra de DEUS e as virtudes do século futuro. Essas palavras certamente descrevem pessoas regeneradas. Aqueles aos quais foram dirigidas essas palavras eram critãos hebreus, que, desanimados e perseguidos (10:32-39), estavam tentados a voltar ao Judaísmo. Antes de serem novamente recebidos na sinagoga, requeria-se deles que, publicamente, fizessem as seguintes declarações (10:29): que JESUS não era o Filho de DEUS; que seu sangue havia sido derramado justamente como o dum malfeitor comum; e que seus milagres foram operados pelo poder do maligno. Tudo isso está implícito em Heb. 10:29. (Que tal repúdio da fé podia haver sido exigido, é ilustrado pelo caso dum cristão hebreu na Alemanha, que desejava voltar à sinagoga, mas foi recusado porque desejava conservar algumas verdades do Novo Testamento.) Antes de sua conversão havia pertencido à nação que crucificou a CRISTO; voltar à sinagoga seria de novo crucificar o Filho de DEUS e expô-lo ao vitupério; seria o terrível pecado da apostasia (Heb. 6:6); seria como o pecado imperdoável para o qual não há remissão, porque a pessoa que está endurecida a ponto de cometê-lo não pode ser “renovada para arrependimento”; seria digna dum castigo mais terrível do que a morte (10:28); e significaria incorrer na vingança do DEUS vivo (10:30, 31). Não se declara que alguém houvesse ido até esse ponto; de fato , o autor está persuadido de “coisas melhores” (6:9). Contudo, se o terrível pecado da apostasia da parte de pessoas salvas não fosse ao menos remotamente possível, todas essas admoestações careceriam de qualquer fundamento. Leia-se 1 Cor. 10:1-12. Os coríntios se haviam jactado de sua liberdade cristã e da possessão dos dons espirituais. Entretanto, muitos estavam vivendo num nível muito pobre de espiritualidade. Evidentemente eles estavam confiando em sua “posição” e privilégios no Evangelho. Mas Paulo os adverte de que os privilégios podem perder-se pelo pecado, e cita os exemplos dos israelitas. Estes foram libertados duma maneira sobrenatural da terra do Egito, por intermédio de Moisés, e, como resultado, o aceitaram como seu chefe durante a jornada para a Terra da Promissão. A passagem pelo Mar Vermelho foi um sinal de sua dedicação à direção de Moisés. Cobrindo-os estava a nuvem, o símbolo sobrenatural da presença de DEUS que os guiava. Depois de salvá-los do Egito, DEUS os sustentou, dando-lhes, de maneira sobrenatural, o que comer e beber. Tudo isso significava que os israelitas estavam em graça, isto é: no favor e na comunhão com DEUS. Mas “uma vez em graça sempre em graça” não foi verdade no caso dos israelitas, pois a rota de sua jornada ficou assinalada com as sepulturas dos que foram destruídos em conseqüência de suas murmurações, rebelião e idolatria. O pecado interrompeu sua comunhão com DEUS, e, como resultado, caíram da graça. Paulo declara que esses eventos foram registrados na Bíblia para advertir os cristãos quanto à possibilidade de perder os mais sublimes privilégios por meio do pecado deliberado.

4. Equilíbrio escriturístico. As respectivas posições fundamentais, tanto do Calvinismo como do Arminianismo, são ensinadas nas Escrituras. O Calvinismo exalta a graça de DEUS como a única fonte de salvação — e assim o faz a Bíblia; o Arminianismo acentua a livre vontade e responsabilidade do homem — e assim o faz a Bíblia. A solução prática consiste em evitar os extremos antibíblicos de um e de outro ponto de vista, e em evitar colocar uma idéia em aberto antagonismo com a outra. Quando duas doutrinas bíblicas são colocadas em posição antagônica, uma contra a outra, o resultado é uma reação que conduz ao erro. Por exemplo: a ênfase demasiada à soberania e à graça de DEUS na salvação pode conduzir a uma vida descuidada, porque se a pessoa é ensinada a crer que conduta e atitude nada têm a ver com sua salvação, pode tornar-se negligente. Por outro lado, ênfase demasiada sobre a livre vontade e responsabilidade do homem, como reação contra o Calvinismo, pode trazer as pessoas sob o jugo do legalismo e despojá-las de toda a confiança de sua salvação. Os dois extremos que devem ser evitados são: a ilegalidade e o legalismo. Quando Carlos Finney ministrava em uma comunidade onde a graça de DEUS havia recebido excessiva ênfase, ele acentuava muito a responsabilidade do homem. Quando dirigia trabalhos em localidades onde a responsabilidade humana e as obras haviam sido fortemente defendidas, ele acentuava a graça de DEUS. Quando deixamos os mistérios da predestinação e nos damos à obra prática de salvar as almas, não temos dificuldades com o assunto. João Wesley era arminiano e George Whitefield calvinista. Entretanto, ambos conduziram milhares de almas a CRISTO. Pregadores piedosos calvinistas, do tipo de Carlos Spurgeon e Carlos Finney, têm pregado a perseverança dos santos de tal modo a evitar a negligência. Eles tiveram muito cuidado de ensinar que o verdadeiro filho de DEUS certamente perseveraria até ao fim, mas acentuaram que se não perseverassem, poriam em dúvida o fato do seu novo nascimento. Se a pessoa não procurasse andar na santidade, dizia Calvino, bem faria em duvidar de sua eleição. É inevitável defrontarmo-nos com mistérios quando nos propomos tratar as poderosas verdades da presciência de DEUS e a livre vontade do homem; mas se guardamos as exortações práticas das Escrituras, e nos dedicamos a cumprir os deveres específicos que se nos ordenam, não erraremos. “As coisas encobertas são para o Senhor DEUS, porém as reveladas são para nós” (Deut. 29:29). Para concluir, podemos sugerir que não é prudente insistir falando indevidamente dos perigos da vida cristã. Maior ênfase deve ser dada aos meios de segurança — o poder de CRISTO como Salvador; a fidelidade do ESPÍRITO SANTO que habita em nós, a certeza das divinas promessas, e a eficácia infalível da oração. O Novo Testamento ensina uma verdadeira “segurança eterna”, assegurando-nos que, a despeito da debilidade, das imperfeições, obstáculos ou dificuldades exteriores, o cristão pode estar seguro e ser vencedor em CRISTO. Ele pode dizer com o apóstolo Paulo: “Quem nos separará do amor de CRISTO? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; fomos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de DEUS, que está em CRISTO JESUS nosso Senhor” (Rom. 8:35-39).  

AJUDA BIBLIOGRÁFICA

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Publicado no site do Pr.Luiz Henrique

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