A Tolerância Cristã – Estilo Adoração

A Tolerância Cristã – Estilo Adoração

A Tolerância Cristã é o tema da lição 11 das Lições Bíblicas CPAD do 2º trimestre de 2016 para a Escola Bíblica Dominical. Nesta lição abordaremos os capítulos 14 e 15 da Epístola aos Romanos.

Lição 11: A Tolerância Cristã

Texto Áureo:

Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.
(Romanos 14:17)

Leitura Bíblica em Classe:

Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas.
Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes.
O que come não despreze o que não come; e o que não come, não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu.
Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar.
Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente.
Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus.
(Romanos 14:1-6)

Introdução – Lição 11: A Tolerância Cristã

No capítulo 14 da Epístola aos Romanos, Paulo já estava se aproximando do fim da referida carta, entretanto ele sabia que existia um problema importante na igreja de Roma sobre o qual ele ainda não havia falado. Tratava-se da relação entre o fraco e o forte, isto é, o relacionamento entre cristãos mais maduros e cristãos ainda imaturos. Esse relacionamento acabava gerando discussões que precisavam ser corrigidas.

 I- Uma Igreja Heterogênea (Rm 14:1-12) – Lição 11: A Tolerância Cristã

No capítulo 14, percebemos que existiam algumas questões na igreja de Roma que acabava gerando problemas e divisões entre os cristãos. Paulo faz a distinção dos membros em dois grupos: fracos e fortes. Basicamente os fortes eram aqueles que estavam aptos compreender o significado da morte de Cristo em seu viver diário, incluindo todas as áreas do cotidiano, enquanto os fracos não estavam aptos, permanecendo eles ainda presos em uma consciência que não havia sido completamente instruída pelo evangelho para desfrutar a liberdade cristã. Para entender essa discussão precisamos ir na origem do problema.

Sabemos que Deus havia estabelecido certas normas em relação a animais puros e impuros no Antigo Testamento, de modo que somente os puros podiam ser usados como alimento (Lv 11:1-45; Dt 14:3-21). No Novo Testamento, Jesus então ensina que tudo o que entra numa pessoa, vindo de fora, é puro, Jesus declarou então limpos todos os alimentos (Mc 7:15-19). Esse assunto não era fácil para os cristãos judeus daquela época. Até mesmo o Apóstolo Pedro encontrou dificuldade em assimilar as implicações desse pronunciamento de Jesus (At 10:9-16; 11:1-18; Gl 2:11,21).

Os estudiosos sugerem que esses conflitos na igreja de Roma passaram a ser significativos quando os judeus que haviam sido expulsos da capital por Cláudio regressaram. Daí, desenvolveu-se entre os dois grupos, os que comiam carne e os abstinentes, uma relação complicada. No versículo 7 do capítulo 15 parece ficar confirmado que “os fortes” consistiam da porção gentílica da congregação, enquanto “os fracos” eram formados pela porção judaica. Porém, isso não significa que todo gentio era forte e que todo judeu era fraco. O próprio Paulo, hebreu de hebreus, se incluiu entre os fortes (Rm 15:1).

Sobre os dois grupos, os fortes e os fracos, podemos ressaltar algumas características que ambos os grupos tinham em comum:

  • Eram formados por cristãos genuínos (Rm 14:1-4,6,10,13).
  • Um grupo criticava o outro (Rm 14:3,4,13).
  • Os membros de cada grupo teriam de prestar contas de si mesmo ao Senhor (Rm 14:11).

Os dois grupos se diferenciavam nos seguintes pontos:

  • Os fortes criam que lhes era permitido comer de tudo, enquanto os fracos eram vegetarianos (Rm 14:2).
  • Os fortes consideravam todos os dias como sendo bons, enquanto os fracos consideravam certos dias como melhores que outros (Rm 14:5).

Paulo então toma algumas atitudes em relação aos dois grupos, e faz algumas admoestações dirigidas a cada grupo bem como à congregação geral. No versículo 3, o Apóstolo inicia exortando cada grupo a não desprezar o outro. No versículo 5, a diferença citada entre “dia e dia”, provavelmente se trata de uma referência ao calendário judaico dos dias sagrados. É improvável que Paulo tivesse em mente aqui a observância do sábado, pois se fosse o caso, ele naturalmente seria dito: “Um considera o sábado mais sagrado do que os demais dias”.

Entre os versículos 6 e 12, Paulo enfatiza que somente Cristo é o Senhor e o Juiz do seu povo. O Apóstolo recorre ao grande preço que Cristo pagou para expor a incongruência de crentes que desprezam seus irmãos e irmãs. Paulo cita Isaías 45:23 para explicar que os crentes deveram prestar conta de suas vidas ao Senhor.

Por mim mesmo tenho jurado, já saiu da minha boca a palavra de justiça, e não tornará atrás; que diante de mim se dobrará todo o joelho, e por mim jurará toda a língua.
(Isaías 45:23)

II- Uma Igreja Tolerante (Rm 14:13-23) – Lição 11: A Tolerância Cristã

Entre os versículos 13 e 23 da Epístola aos Romanos, vemos que, embora a própria consciência de Paulo tivesse sido liberta pelo ensinamento de Cristo, ele mesmo admitia que nem todos os crentes desfrutavam dessa liberdade plena. Então Paulo mostra a importância da consideração que deve ser demonstrada para com esses cristãos para que fosse evitado um tipo de comportamento que poderia magoá-los. Nos versículos 15 e 16 podemos perceber claramente esse ensino de Paulo.

Ao mesmo tempo que Paulo não aprovava o incentivo aos fracos para que violassem a própria consciência, o Apóstolo também não permitia que os membros fracos impusessem uma espécie de tirania sobre a igreja. Entre os versículos 16 e 18, Paulo adverte os fortes a ponderarem a importância do exercício da liberdade deles, pois extremar essa liberdade pode trazer divisão na igreja, além de que, sempre é preciso ter em mente que o reino de Deus, logo nossa liberdade também, não é uma questão de comida e bebida, ou seja, os fracos não perdem a liberdade por conta de suas abstinências.

Nos versículos 19 ao 21, Paulo enfatiza que os crentes devem promover a paz e a edificação de uns para com os outros. Paulo com isso estava mostrando que se os cristãos da igreja de Roma tivessem esses propósitos em mente, a liberdade de comer e beber não seria mais um problema de divisão, ao contrário, seria deixada de lado em favor dos fracos, isto é, o bem estar do irmão fraco teria primazia sobre o prazer da comida e da bebida. Nos versículo 22 e 23, o Apóstolo advertiu os fortes para que desfrutassem de sua liberdade de consciência na presença de Deus.

III- Uma Igreja Acolhedora (Rm 15:1-13) – Lição 11: A Tolerância Cristã

No versículo 1 do capítulo 15, Paulo claramente se localiza entre os fortes ao dizer: “Ora, nos que somos fortes”. No capítulo 15 Paulo continua sua ênfase na responsabilidade dos fortes em relação aos fracos. Ele é claro ao afirmar que o papel dos fortes é suportar os fracos. Para isso Paulo recorre ao próprio exemplo de Cristo, citando o Salmo 69:9. Ele mostra que a disposição de Cristo em negar a si mesmo e sofrer em beneficio dos outros deve ser um exemplo para os cristãos de Roma. Em outras palavras, Paulo argumenta que se mesmo o próprio Messias não agradou a si mesmo em favor de quem nem ao menos merecia, a saber os homens, então os fortes que possuíam mais liberdade espiritual também poderiam agir de forma semelhante em relação aos fracos.

Paulo também recorre a uma convicção básica no Novo Testamento de que o Antigo Testamento foi escrito sob a providência divina para o benefício dos cristãos (1Co 10:11; 2Tm 3:15-17; 1Pe 1:10-12). O Apóstolo enfatiza que a unidade da Igreja é essencial para que Deus seja glorificado, e que a aceitação mutua dos cristãos está fundamentada no ministério de Jesus.

Entre os versículos 9 e 11, Paulo se refere a algumas passagens do Antigo Testamento (2Sm 22:50; Sl 18:49; Dt 32:43; Sl 117:1; Is 11:10) que tratam do reconhecimento dos gentios acerca do Deus de Israel, e servem como o desfecho perfeito sobre o tema discutido.

Conclusão – Lição 11: A Tolerância Cristã

No estudo dos capítulos 14 e 15 da Epístola aos Romanos fica claro os problemas de diversidade que haviam dentro da igreja de Roma. O Apóstolo Paulo, com toda sabedoria e prudência, faz uma série de exortações a fim de pacificar a tensão que havia ali, e ressaltar a importância que há na unidade da Igreja como corpo de Cristo.

Publicado no Portal Estilo Adoração

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