A Salvação pela Graça – Pr. Luiz Henrique

A Salvação pela Graça – Pr. Luiz Henrique

Lição 7, A Salvação pela Graça. 4º Trimestre de 2017 – Título: A Obra da Salvação – JESUS CRISTO é o Caminho, e a Verdade e a Vida. Comentarista: Pr. Claiton Ivan Pommerening, Assembleia de DEUS de Joinvile, SC. Complementos, Ilustrações e Vídeos: Pr. Luiz Henrique de Almeida Silva – 99-99152-0454.

AJUDA http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao2-ist-3tr15-o-evangelho-da-graca.htm http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao13-ist-3tr15-a-manifestacao-da-graca-salvadora.htm http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao5-mgr-2tr16-a-maravilhosa-graca.htm https://www.youtube.com/playlist?list=PL9TsOz8buX19D34qUZWVbAhC7L-Pj3P20  (VÍDEO) https://youtu.be/WZtrCrI2JS4 (VÍDEO) https://www.youtube.com/playlist?list=PL9TsOz8buX1-Qs1p7RlqE0A8zQVPuvee5

TEXTO ÁUREO
 “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.” (Rm 5.18).

VERDADE PRÁTICA
A nossa salvação é fruto único e exclusivo da graça de DEUS.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Ef 2.8,9 Salvos pela graça mediante a fé
Terça – Rm 4.25 A Ressurreição de CRISTO: o triunfo da graça sobre a morte e o pecado
Quarta – 1 Tm 1. 14 A graça de DEUS transborda em nós
Quinta – At 15.10,11 Somente pela graça somos salvos
Sexta – Gl 2.16 Nenhuma obra meritória garante a salvação
Sábado – Rm 5.20,21 Onde havia o pecado a graça de DEUS o suplantou

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE – Romanos 5.6-10, 15,17,18,20; 11.6

5.6 – Porque CRISTO, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.7 – Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer. 8 – Mas DEUS prova o seu amor para conosco em que CRISTO morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. 9 – Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. 10 – Porque, se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com DEUS pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. 15 – Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se, pela ofensa de um, morreram muitos, muito mais a graça de DEUS e o dom pela graça, que é de um só homem, JESUS CRISTO, abundou sobre muitos. 17 – Porque, se, pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça e do dom da justiça reinarão em vida por um só, JESUS CRISTO. 18 – Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. 20 – Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; 11.6 – Mas, se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça.

OBJETIVO GERAL – Saber que a nossa salvação é fruto único e exclusivo da graça de DEUS.  

OBSERVAÇÃO DO Pr. HENRIQUE

QUER APRENDER SOBRE O QUE É GRAÇA NO NOVO TESTAMENTO? Substitua a Palavra GRAÇA da Lição 7, A Salvação pela Graça por “JESUS morrendo na cruz, levando sobre Ele meus pecados, minha condenação, minhas doenças e enfermidades e minhas maldições, ressuscitando ao terceiro dia, agora assentado à direita de DEUS PAI”.  

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Explicar o propósito da Lei e da graça; Discutir a respeito do favor imerecido de DEUS; Salientar para o escândalo da graça.

PONTO CENTRAL – A salvação é resultado da graça divina.

Resumo da Lição 7, A Salvação pela Graça

I – LEI E GRAÇA
1. O propósito da Lei.

2. A Lei nos conduziu a CRISTO.

3. A graça revela que a Lei é imperfeita.

II – O FAVOR IMERECIDO DE DEUS

1. Superabundante graça.

2. Fé e graça.

3. A graça não é salvo conduto para pecar.

III – O ESCÂNDALO DA GRAÇA

1. Seria a graça injusta?

2. A divina graça incompreendida.

3. Se deixar presentear pela graça.

SÍNTESE DO TÓPICO I – Lei e graça: a justiça e a misericórdia de DEUS.

SÍNTESE DO TÓPICO II – Graça, o favor imerecido de DEUS.

SÍNTESE DO TÓPICO III – Não somos merecedores da graça divina.

PARA REFLETIR – A respeito da necessidade do novo nascimento, responda:
Qual é o propósito da Lei?
A Lei tem o propósito espiritual de mostrar quão terrível é o pecado – “pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm 3.20) – bem como o propósito concreto de preservar o povo de Israel do pecado.
Por que a graça de DEUS é superior à Lei?
Porque ela revela que a Lei é imperfeita. O escritor aos Hebreus revela que a Lei é imperfeita (Hb 8.6,7,13) e o apóstolo João afirma que foi CRISTO quem trouxe a graça e a verdade (Jo 1.17).
Qual é a relação entre Fé e Graça?
A graça opera mediante a fé no sacrifício vicário de CRISTO JESUS. Ambas, fé e graça, atuam juntamente na obra de salvação: a graça, o presente imerecido de DEUS; a fé, a contrapartida humana à obra de CRISTO. Nesse sentido, não é a fé que opera a salvação, mas a graça de DEUS que atua mediante a fé do crente no Filho de DEUS.
É possível afirmar que a graça é injusta?
Se comparada com a humana, a justiça divina é imensamente perdoadora. Logo, sob a ótica humana, a graça se torna injusta.
Qual deve ser nossa atitude diante da graça de DEUS?
Os que compreendem o favor inefável de DEUS, mediante sua graça, devem deixar-se presentear por ela.
CONSULTE – Revista Ensinador Cristão – CPAD, nº 72, p39.
 
Resumo rápido do Pr. Henrique da Lição 7, A Salvação pela Graça
INTRODUÇÃO
QUER APRENDER SOBRE O QUE É GRAÇA SALVADORA NO NOVO TESTAMENTO?
Substitua a Palavra GRAÇA da Lição 7, A Salvação pela Graça por “JESUS morrendo na cruz, levando sobre Ele meus pecados, minha condenação, minhas doenças e enfermidades e minhas maldições, ressuscitando ao terceiro dia, agora assentado à direita de DEUS PAI”. ISSO É A GRAÇA DE DEUS.
 
O propósito da Lei é revelar o pecado para que o pecador busque pela graça que perdoa e salva. A graça é um favor imerecido de DEUS para conosco, pois nada fizemos para sermos salvos, apenas cremos no que já estava feito por JESUS. Muitas vezes a graça é escândalo para alguns devido ao seu oferecimento de perdão a todos igualmente, independente de tipos de pecados.
 
I – LEI E GRAÇA
1. O propósito da Lei.
A Lei não só revela o pecado, mas também condena o pecador à morte de cruz, ao desligamento de DEUS e ao lago de fogo e enxofre. (Mortes – corpo, alma e espírito).
 
“pela lei vem o conhecimento do pecado.” (Rm 3.20) – era impossível cumprir plenamente a Lei de DEUS no Antigo Testamento (Rm 7.19; Tg 2.10).  Há princípios da Lei que continuam vigorando até os dias atuais. Os Dez Mandamentos representam nossas obrigações éticas para com DEUS e com o próximo (Êx 20.1-17). A Lei está presente no processo de santificação efetivado pelo ESPÍRITO SANTO (Jo 14.15; Jo 16.8-10). A lei é santa, justa e boa (Rm 7.12).
 
A Lei no Antigo Testamento foi dada como norma de uma aliança entre DEUS e seu povo. Esta lei regulamentava a aliança, se obedecida, traria bênçãos, se desobedecida, traria, maldição (Dt 28:1-68)
E será que, se ouvires a voz do SENHOR teu DEUS, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu hoje te ordeno, o SENHOR teu DEUS te exaltará sobre todas as nações da terra. E todas estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, quando ouvires a voz do Senhor teu DEUS: Deuteronômio 28:1,2
Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do Senhor teu DEUS, para não cuidares em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que hoje te ordeno, então virão sobre ti todas estas maldições, e te alcançarão: Deuteronômio 28:15
 
A lei deveria dar ao povo de DEUS um convívio próspero, pacífico e harmonioso na terra de Canaã. A lei daria a este povo o necessário – moral, ética e vida religiosa saudável e proveitosa.
O povo quebrou a aliança ao quebrar suas normas, então a maldição estava imposta sobre eles.
Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos. Tiago 2:10
 
A lei exigia sacrifícios de animais para purificação do povo. Ao invés de se arrependerem, os hebreus se auto-justificavam ao oferecer animais para morrer em seu lugar, assim continuavam no pecado e pagando para se livrarem dele. A lei se tornou sua condenação. Era necessário um sacrifício perfeito e único, apresentado a DEUS no céu, de modo tal que apagasse de vez os pecados do povo e lhes proporcionasse ajuda para vencerem o pecado. JESUS é o cordeiro de DEUS que tira o pecado do mundo (Jo 1.29) e o sumo sacerdote perfeito (Hb 9.11) e faz o sacrifício perfeito e único e suficiente para salvar a todos.
Mas, vindo CRISTO, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação, Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção. Porque, se o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha esparzida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne,
Quanto mais o sangue de CRISTO, que pelo ESPÍRITO eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a DEUS, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao DEUS vivo? Hebreus 9:11-14
Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados. Hebreus 10:4
Como acima diz: Sacrifício e oferta, e holocaustos e oblações pelo pecado não quiseste, nem te agradaram (os quais se oferecem segundo a lei).Hebreus 10:8
Mas este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de DEUS Hebreus 10:12
 
2. A Lei nos conduziu a CRISTO.
A Lei foi uma espécie de ponte para nos conduzir a CRISTO (Gl 3.24). Foi uma espécie de tutor que nos guardou até a maioridade da graça.
A lei não pode ser cumprida integralmente – isso nos revela que a salvação não pode ser alcançada sem CRISTO.
 
Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; Efésios 2:8,9
Porque pela graça sois salvos – Somos salvos pelo sacrifício de JESUS, isso é a graça.
por meio da fé – Precisamos crer nisso para sermos salvos. (Mt 10.32; Rm 10.9).
e isto não vem de vós – Nós nada fizemos para que fossemos salvos.
é dom de Deus – A graça ou o sacrifício de JESUS foi dado por DEUS gratuitamente, sem custo para nós, mas com altíssimo custo para ELE – Sangue de JESUS.
Não vem das obras, para que ninguém se glorie – Não fizemos alguma coisa para merecer a salvação. Se tivéssemos feito alguma coisa diríamos – Fui salvo porque eu fiz isso ou aquilo. Mas, não. Nada fizemos – JESUS fez tudo.
 
Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor. Romanos 6:23
Porque o salário do pecado é a morte – Salário é por merecimento – quem trabalha merece salário – pagamento. Quem peca merece morte.
mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna – Dom é presente sem merecimento – é dado por amor. Vida eterna é salvação. Eternidade com DEUS.
por Cristo Jesus nosso Senhor – É só através de JESUS CRISTO que somos salvos.
 
3. A graça revela que a Lei é imperfeita.
O trabalho da lei era apontar o pecado – A graça opera mediante a fé no sacrifício vicário de CRISTO JESUS que levou nossos pecados sobre ELE.
 
A lei revela o pecado – A graça retira o pecado.
Na lei o homem tenta se justificar diante de DEUS – Na graça o homem recebe justificação por causa de CRISTO.
Na lei o homem merece um pagamento pelo pecado – a morte. Na graça o homem recebe perdão por seus pecados porque JESUS levou sobre Ele nossos pecados. Todos foram encerrados debaixo do pecado para que DEUS usasse de misericórdia para com todos. Todos são iguais, pecando muito ou pouco – estão condenados. Todos são iguais sendo salvos pela graça.
 
A lei de condenação não tem domínio mais sobre nós, pois JESUS levou nossa condenação sobre ELE. Agora somos guiados pelo ESPÍRITO SANTO e não mais pela lei escrita.
Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei. Gálatas 5:18.
Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. Romanos 8:1-4
 
O domínio da lei condenando a todos acabou para nós que somos salvos, pois JESUS levou sobre ELE nossa condenação.
Dizendo Nova aliança, envelheceu a primeira. Ora, o que foi tornado velho, e se envelhece, perto está de acabar. Hebreus 8:13.
 
II – O FAVOR IMERECIDO DE DEUS
1. Superabundante graça.
Romanos 5:20-21 diz que o pecado aumentou (abundou) mas a graça de Deus transbordou (superabundou).
“Onde abundou o pecado…”
Quando Adão pecou, o pecado e a morte entraram no mundo e toda a raça humana ficou corrompida. Desde Adão, todos pecamos e nos tornamos merecedores de castigo (Romanos 5:12). O pecado é como câncer, tem tendência a se multiplicar. Por causa do pecado, ficamos separados de Deus e debaixo de condenação. O pecado nos escraviza.
“A Lei foi introduzida para que a transgressão fosse ressaltada”
Por causa do pecado, Deus deu Sua Lei a Moisés, para mostrar como devemos viver. Essa Lei mostrava claramente que todos pecamos e ninguém segue perfeitamente a vontade de Deus. A Lei de Deus realça nossos pecados e nos condena (Romanos 3:19-20). A Lei revela que precisamos ser salvos.
“Superabundou a graça!”
Nós pecamos mas Deus ainda nos ama. Ele não quer nos condenar; Ele quer nos salvar! Por isso, Ele enviou Jesus, que levou o castigo de nossos pecados na cruz. Esse ato de Jesus foi muito maior que o ato de Adão. Agora, por causa de Jesus, podemos ter uma vida nova, limpa e livre da condenação do pecado.
Por causa de Adão, todos foram condenados, mas, por causa de Jesus, todos podemos ser salvos! A graça de Deus venceu o poder do pecado (Romanos 5:15-16).
Paulo – De perseguidor a pregador (cf. At 9.1-9). Paulo foi perdoado e usado por DEUS
“Porque a graça salvadora de DEUS se há manifestado a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente” (Tt 2.11,12).
E a graça de nosso Senhor superabundou com a fé e amor que há em JESUS CRISTO.” (1 Timóteo 1.14).
 
2. Fé e graça.
Rm 5.21 “Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por JESUS CRISTO, nosso Senhor.”
A salvação é um dom da graça de DEUS, mas somente podemos recebê-la em resposta à fé, do lado humano. Para entender corretamente o processo da salvação, precisamos entender essas duas palavras: Fé e Graça
FÉ SALVÍFICA. A fé em JESUS CRISTO é a única condição prévia que DEUS requer do homem para a salvação. A fé não é somente uma confissão a respeito de CRISTO, mas também uma ação dinâmica, que brota do coração do crente que quer seguir a CRISTO como Senhor e Salvador (cf. Mt 4.19);
16.24; Lc 9.23-25; Jo 10.4, 27; 12.26; Ap 14.4).
O conceito de fé no NT abrange quatro elementos principais: (a) Fé significa crer e confiar firmemente no CRISTO crucificado e ressurreto como nosso Senhor e Salvador pessoal (ver Rm 1.17). Importa em crer de todo coração (At 8.37; Rm 6.17; Ef 6.6; Hb 10.22), ou seja: entregar a nossa vontade e a totalidade do nosso ser a JESUS CRISTO tal como Ele é revelado no NT.
Fé inclui arrependimento, i.e., desviar-se do pecado com verdadeira tristeza (At 17.30; 2Co 7.10) e voltar-se para DEUS através de CRISTO. Fé salvífica é sempre fé mais arrependimento (At 2.37,38; ver Mt 3.2, sobre o arrependimento).
A fé inclui obediência a JESUS CRISTO e à sua Palavra, como maneira de viver inspirada por nossa fé, por nossa gratidão a DEUS e pela obra regeneradora do ESPÍRITO SANTO em nós (Jo 3.3-6; 14.15, 21-24; Hb 5.8,9). É a “obediência que provém da fé” (Rm 1.5). Logo, fé e obediência são inseparáveis (cf. Rm 16.26). A fé salvífica sem uma busca dedicada da santificação é ilegítima e impossível.
A fé inclui sincera dedicação pessoal e fidelidade a JESUS CRISTO, que se expressam na confiança, amor, gratidão e lealdade para com Ele. A fé, no seu sentido mais elevado, não se diferencia muito do amor. É uma atividade pessoal de sacrifício e de abnegação para com CRISTO (cf. Mt 22.37; Jo 21.15-17; At 8.37; Rm 6.17; Gl 2.20; Ef 6.6; 1Pe 1.8).
A fé em JESUS como nosso Senhor e Salvador é tanto um ato de um único momento, como uma atitude contínua para a vida inteira, que precisa crescer e se fortalecer (ver Jo 1.12). Porque temos fé numa Pessoa real e única que morreu por nós (Rm 4.258.321Ts 5.9,10), nossa fé deve crescer (Rm 4.20; 2Ts 1.31Pe 1.3-9). A confiança e a obediência transformam-se em fidelidade e devoção (Rm 14.8; 2Co 5.15); nossa fidelidade e devoção transformam-se numa intensa dedicação pessoal e amorosa ao Senhor JESUS CRISTO (Fp 1.21; 3.8-10; ver Jo 15.4; Gl 2.20). GRAÇA. No AT DEUS revelou-se como o DEUS da graça e misericórdia, demonstrando amor para com o seu povo, não porque este merecesse, mas por causa da fidelidade de DEUS à sua promessa
feita a Abraão, Isaque e Jacó (ver Êx 6.9). Os escritores bíblicos dão prosseguimento ao tema da graça como sendo a presença e o amor de DEUS em CRISTO JESUS, transmitidos aos crentes pelo ESPÍRITO SANTO, e que lhes outorga misericórdia, perdão, querer e poder para fazer a vontade de DEUS (Jo 3.161Co 15.10Fp 2.13;
1Tm 1.15,16). Toda atividade da vida cristã, desde o seu início até o fim, depende desta graça divina.
DEUS concede uma medida da sua graça como dádiva aos incrédulos (1Co 1.415.10), a fim de poderem crer no Senhor JESUS CRISTO (Ef 2.8,9; Tt 2.11; 3.4).
DEUS concede graça ao crente para que seja “liberto do pecado” (Rm 6.20, 22), para que nele opere “tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.13; cf. Tt 2.11,12; ver Mt 7.21,dom da graça de DEUS), para orar (Zc 12.10), para crescer em CRISTO (2Pe 3.18) e para testemunhar de CRISTO (At 4.33; 11.23).
Devemos diligentemente desejar e buscar a graça de DEUS (Hb 4.16). Alguns dos meios pelos quais o crente recebe a graça de DEUS são: estudar as Escrituras Sagradas e obedecer aos seus preceitos (Jo 15.1-1120.312Tm 3.15), ouvir a proclamação do evangelho (Lc 24.47; At 1.8; Rm
16; 1Co 1.17,18), orar (Hb 4.16; Jd v. 20), jejuar (cf. Mt 4.2; 6.16), adorar a CRISTO (Cl 3.16); estar continuamente cheio do ESPÍRITO SANTO (cf. Ef 5.18) e participar da Ceia do Senhor (cf. At 2.42; ver Ef 2.9).
A graça de DEUS pode ser resistida (Hb 12.15), recebida em vão (2Co 6.1), apagada (1Ts 5.19), anulada (Gl 2.21) e abandonada pelo crente (Gl 5.4).  – BEP – CPAD
 
3. A graça não é salvo conduto para pecar.
Após ter discorrido consistentemente sobre a obra que Jesus realizou em nosso favor para sermos justificados somente pela graça e mediante a fé nEle, nos capítulos 3 a 5 de Romanos, o apóstolo vai nos revelar adiante, se por uma lado esta justificação nos trouxe paz, reconciliação com Deus, por outro, ela abriu uma verdadeira e contínua guerra contra o pecado que habita em nossa própria natureza terrena, que apesar de já não reinar como um senhor absoluto sobre a nossa vontade, pois quem reina agora é a graça por meio de Cristo Jesus, todavia, não resta qualquer alternativa para quem foi justificado senão a de ser imitador de Deus como seu filho amado. Foi para este propósito de nos purificar do pecado que Jesus morreu no nosso lugar, carregando sobre Si mesmo os nossos pecados e culpa, no madeiro. É aqui, pela negligência desta verdade, que podemos entender a atual apostasia da Igreja, justamente por fazer concessões a tantas formas de pecado, pela incompreensão do fato de que por se estar debaixo da graça de Cristo, e não mais condenado pela Lei, não somos autorizados por Deus a continuar na prática do pecado. O vencedor ao qual Jesus se refere nos capítulos 2 e 3 do livro de Apocalipse, é sobretudo aquele que venceu as suas paixões carnais por trazê-las constantemente crucificadas, por meio da vigilância e oração contínuas e perseverantes, num procedimento inteiramente santo, ou então que esteja aplicado na busca sincera deste objetivo. Alguém indagará: “mas como viver uma vida de pureza num mundo tão poluído como este chamado mundo pós-moderno no qual temos vivido? Como viver uma vida de fé em verdades absolutas num mundo em que tudo é considerado como verdades ocasionais e relativas?” Mas é justamente nisto que consiste a profecia bíblica de que este tempo do fim, seria de dias difíceis para se viver a vida cristã conforme ela convém ser vivida, porque são múltiplas e variadas as formas de tentação que guerreiam contra a alma do crente. Contudo, ele não será aprovado por Deus se não lutar e prevalecer contra toda forma de pecado, quer em pensamentos, atos ou palavras, porque Deus não muda, e a Sua vontade e Palavra também são imutáveis. (Gl 5.13); 2 Co 5.141 Ts 4.1Rm 13.8;Jo 13.35Rm 6.11,13).
 
Romanos 6
 “1 Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? 2 De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele? 3 Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? 4 De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. 5 Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição; 6 Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado. 7 Porque aquele que está morto está justificado do pecado. 8 Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos; 9 Sabendo que, tendo sido Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte não mais tem domínio sobre ele. 10 Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus. 11 Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor. 12 Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências; 13 Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça. 14 Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça. 15 Pois que? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum. 16 Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça? 17 Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues. 18 E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça. 19 Falo como homem, pela fraqueza da vossa carne; pois que, assim como apresentastes os vossos membros para servirem à imundícia, e à maldade para maldade, assim apresentai agora os vossos membros para servirem à justiça para santificação. 20 Porque, quando éreis servos do pecado, estáveis livres da justiça. 21 E que fruto tínheis então das coisas de que agora vos envergonhais? Porque o fim delas é a morte. 22 Mas agora, libertados do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna. 23 Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor.”. (Rom 6.1-23)
 
III – O ESCÂNDALO DA GRAÇA
1. Seria a graça injusta?
Quando comparamos o amor de DEUS com o amor humano vemos quão diferentes são – O ser humano é vingativo (por isso os sucesso dos filmes – vingança).
DEUS é perdoador, misericordioso, compassivo. Está sempre disposto a perdoar e a esquecer do passado de pecado daquele que se arrepende.
O amor de DEUS demonstrado no envio de JESUS para morrer em nosso lugar (graça) é incompreendido e até criticado, considerado mesmo um escândalo por alguns (Cl 2.14; Ef 2.8,9).
 
ESCÂNDALO DA GRAÇA – Parábola do filho pródigo é um excelente exemplo – Mas ele se indignou, e não queria entrar. E saindo o pai, instava com ele. Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos; Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado. E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas; Mas era justo alegrarmo-nos e folgarmos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se. Lucas 15:28-32
 
Ilustração da graça sendo escândalo:
Um desviado que era batizado no ESPÍRITO SANTO e tinha Dons do ESPÍRITO SANTO. Ao se ajoelhar em frente ao púlpito para se reconciliar, começa a falar em línguas e a profetizar. Alguns crentes ficam indignados. Como pode esse delinquente, marginal estar falando em línguas e eu não? Como pode estar profetizando se eu busco dons a vida toda e não recebi? Escandalizado o crente “maduro” se revolta contra o DEUS de amor e misericórdia.
 
Pela lei ninguém é salvo, pelo contrário, é condenado, pois o pecado é revelado pela lei.
Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado. Romanos 3:20
 
Pela graça todos que desejarem são salvos, pois assim como a lei condenou a todos, a graça (JESUS morrendo em nosso lugar) trouxe salvação a todos.
Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Romanos 5:18
 
2. A divina graça incompreendida.
A graça de DEUS não era compreendida claramente nos primórdios do cristianismo devido à ideia errônea dos judeus de salvação só para eles. A partir de Pedro e sua visita a Cornélio é que a graça foi se aclarando.
E, havendo grande contenda, levantou-se Pedro e disse-lhes: Homens irmãos, bem sabeis que já há muito tempo DEUS me elegeu dentre nós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do evangelho, e cressem. E DEUS, que conhece os corações, lhes deu testemunho, dando-lhes o ESPÍRITO SANTO, assim como também a nós; E não fez diferença alguma entre eles e nós, purificando os seus corações pela fé. Agora, pois, por que tentais a DEUS, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar? Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor JESUS CRISTO, como eles também – Atos 15:7-11.
 
Paulo foi muito incompreendido por ensinar a graça – E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição. 2 Pedro 3:15,16.
 
Haviam dois ensinos heréticos em vigor no início da igreja
(A) Liberdade total para pecar (Rm 6.1,2); Prática de libertinagem. Proibido proibir. Mau entendimento sobre “Tudo posso”.
Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução (libertinagem) a graça de DEUS, e negam a DEUS, único dominador e Senhor nosso, JESUS CRISTO. Judas 1:4
Refutação – “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má dar frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. “Portanto, é pelos frutos que eles serão conhecidos.” Mateus 7:15-19.
 
(B) A impossibilidade de receber tão valioso presente (Gl 5.4,5). Legalismo. Doutrina do merecimento. Compra da salvação por obras.
Definir legalismo de uma forma bíblica seria dizer “alguém que toma a Lei e a usa de uma forma que mereça a salvação”. Legalismo é uma tentativa de salvação por esforços próprios.
Legalistas estão errados. Você não pode usar a Lei para ser salvo. Você não pode guardar os mandamentos como forma de justificação porque ninguém faz só o que é certo e nunca peca (Ec 7:20). Aqueles que tropeçam em um ponto são culpados da Lei inteira (Tiago 2:10). A Lei apresenta o nosso pecado, mas não pode nos salvar. Ela somente nos faz conscientes de nossa necessidade (Rm 7:7).
 
Antes da salvação qualquer obra feita com a intenção de ser salvo é obra morta. É até pecado. Porém, depois de salvo o crente deve produzir obras e com abundância. É dever do crente, é obrigação do crente. É o motivo da vida do crente salvo. São obras, agora, do salvo.
* Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Tiago 2:17,18 * Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de CRISTO, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal. 2 Coríntios 5:10 ***A obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um.
1 Coríntios 3:13 ***Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor. 1 Coríntios 15:58
Por isso, deixando os rudimentos da doutrina de CRISTO, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em DEUS, Hebreus 6:1
 
3. Se deixar presentear pela graça.
 Definitivamente não há lugar para o mérito humano no Reino de DEUS. Portanto, todos os que são alvos da graça de DEUS acabam desenvolvendo uma capacidade curiosa, a saber: são capazes de se deixar presentear. Somente estes são justificados por DEUS porque aceitam ser aceitos, se permitem embalar nos braços do amor e do perdão. Para os filhos de DEUS, cônscios da graça do Pai, tudo é presente, é dádiva. Não há reivindicação, nem ostentação de méritos, mas somente gratidão e ação de graças.”
“ Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de DEUS; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9).
DEUS é premiador, se agrada em abençoar. JESUS passava metade de seu tempo curando e libertando as pessoas.
Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de DEUS creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam. Hebreus 11:6
 
CONCLUSÃO
A Lei não salva, mas conduz à Graça. O Propósito Da Lei é Revelar o Pecado e Assim a Lei Nos Conduziu a CRISTO. A Graça Revela Que a Lei Se Tornou Imperfeita Quanto à Salvação.  A graça é Favor Imerecido De DEUS para conosco. A Superabundante Graça é Derramada sobre o pecador mais miserável tanto quanto ao menor pecador. A Fé Deve Ser Unida à Graça. A Graça Não é Salvo Conduto Para Pecar. O Escândalo Da Graça pergunta: Seria A Graça Injusta? De Modo Nenhum. A Divina Graça é Incompreendida. Devemos Nos Deixar Presentear Pela Graça. DEUS nos ama.
 
COMENTÁRIOS DE VÁRIOS LIVROS
GRAÇA – (Strong Português) –  χαρις charis
1) graça
1a) aquilo que dá alegria, deleite, prazer, doçura, charme, amabilidade: graça de discurso
2) boa vontade, amável bondade, favor
2a) da bondade misericordiosa pela qual DEUS, exercendo sua santa influência sobre as almas, volta-as para CRISTO, guardando, fortalecendo, fazendo com que cresçam na fé cristã, conhecimento, afeição, e desperta-as ao exercício das virtudes cristãs
3) o que é devido à graça
3a) a condição espiritual de alguém governado pelo poder da graça divina
3b) sinal ou prova da graça, benefício
3b1) presente da graça
3b2) privilégio, generosidade
4) gratidão, (por privilégios, serviços, favores), recompensa, prêmio
SOTERIOLOGIA – Grandes Doutrinas – Raimundo de Oliveira – CPAD
INTRODUÇÃO
No contexto das Escrituras, “Salvação” é um termo inclusivo e de grande abrangência. O termo inclui tanto o perdão do pecado passado, assim como a libertação do poder do pecado presente, e a preservação contra as invasões do pecado futuro (Jo 11.24,25). Há a salvação do espírito na regeneração, da alma na santificação e do corpo na glorificação. Neste sentido a salvação é tanto uma perspectiva futura como um usufruto presente (Tt 2.11,12).
I. A PROVISÃO DA SALVAÇÃO
A Bíblia diz que CRISTO é tanto o “autor” como o “consumador” da nossa fé (Hb 12.2). A designação de “autor” refere-se à provisão da salvação mediante JESUS CRISTO; e “consumador” refere-se à aplicação dessa mesma salvação também mediante CRISTO. Através da sua vida imaculada e da sua morte expiatória, CRISTO providenciou a salvação, e na medida em que ela é aplicada individualmente a cada pessoa que aceita, é CRISTO quem está completando a sua obra, prosseguindo até o momento da glorificação final dos salvos.
1. O Pecado do Homem
A nossa compreensão a respeito da salvação deve começar pela compreensão de quem é que necessita da salvação e por que necessita dela. De acordo com as Escrituras o homem é um ser totalmente depravado, alienado da glória de DEUS e destinado ao castigo divino (Ef 2.1-3). Deste modo por si só, o homem não pode se salvar (Rm 7.18). Sob a perspectiva divina, o homem é considerado espiritualmente paralitico, aguardando o estender do “braço salvador” do Senhor, o único capaz de levantar o pecador do seu estado de miséria espiritual (Is 59.16). A raiz do problema espiritual do homem é inerente à sua própria natureza caída. Do nascimento à morte o homem estar em inimizade e conflito com DEUS (Sl 57.7Jr 17.9; Rm 7.48). Não há homem que consiga a salvação por seus próprios méritos, uma vez que todos são achados culpados diante de DEUS (Ec 7.20). O apóstolo Paulo pontifica “não há justo, nem sequer um” (Rm 3.10). Muitos se imaginam mais justos que os outros, e deste modo ficam satisfeitos com o conceito de justiça que fazem de si mesmos. Devemos compreender, porém, que DEUS não estabelece a justiça comparando homem com homem. DEUS busca comparação entre o nosso viver e a sua lei, e nos acha em falta. Neste particular, o veredito das Escrituras é que “todas as nossas justiças são trapo de imundícia” (Is 64.6), e que “todos pecaram e carecem da glória de DEUS” (Rm 3.23).
2. A Graça de DEUS
No contexto da doutrina da salvação, graça divina deve ser abordada sob duplo aspecto: Como favor imerecido da parte de DEUS para com todos os pecadores, indistintamente; Como poder restringidor do pecado, operante na reconciliação do homem com DEUS, e na santificação do crente. Não se deve confundir a graça de DEUS como “obrigação moral” divina a constrangê-lo a fazer alguma coisa contrária à sua natureza santa. Nada, poderá ser estabelecido e aceito como lei, constrangendo-o a soerguer o pecador do estado no qual se encontra. “e todos nós recebemos também da sua plenitude, com graça sobre graça” (Jo 1.16). Enquanto o homem continuar a responder afirmativamente à graça de DEUS, esta será o grande agente pelo qual ele receberá a justificação, a regeneração, a santificação e a segurança em DEUS (Tt 3.7Jo 3.3At 26.181 Pd 1.5). A proporção da graça que o homem recebe depende exclusivamente da sua decisão, independentemente da vontade, já manifesta. Por esta razão, nos adverte o apóstolo Pedro: “antes, crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador JESUS CRISTO” (2 Pd 3.18).
3. A Provisão de CRISTO
Apesar de estar empenhado na nossa salvação e segurança, não é querer de DEUS declarar-nos inocentes simplesmente. Devemos ter em mente o fato de que DEUS é um DEUS não só de amor, é um DEUS também de justiça. Portanto, para DEUS declarar-nos inocentes independentemente da nossa conversão, seria uma ofensa à sua justiça. Seria um procedimento que entraria em choque com a sua santidade que declara que “a alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18.4). Então, como poderia DEUS manter a perfeição da sua justiça e ainda assim salvar pecadores? A resposta está no fato de que DEUS não desculpa o nosso pecado, pelo contrário, Ele o remove completamente. Para nos ajudar a compreender isto, DEUS nos dá o exemplo de um cordeiro substituto e expiador. Esse cordeiro típico do Antigo Testamento apontava para JESUS, “o Cordeiro de DEUS, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Assim como o cordeiro para o uso nos sacrifícios da antiga aliança devia ser um animal sem nenhum defeito ou mancha, de igual modo DEUS requeria um Cordeiro substituto perfeito, capaz de oferecer um único sacrifício, suficiente para salvar a tantos quantos aceitassem o seu sacrifício. De acordo com a Epístola aos Hebreus, JESUS CRISTO satisfez plenamente essa exigência de DEUS “quanto mais o sangue de CRISTO, que, pelo ESPÍRITO eterno, se ofereceu a si mesmo imaculado a DEUS, purificará a vossa consciência das obras mortas, para servirdes ao DEUS vivo?” (Hb 9.14). Na morte de CRISTO a justiça de DEUS a nosso respeito foi plenamente satisfeita.
4. O Alcance da Salvação
Com muita freqüência se ouve a pergunta: “Por quem CRISTO morreu?” se alguém responde: – “Pelo mundo inteiro”, alguma outra pessoa poderá objetar: – “Então porque nem todas as pessoas são salvas?” agora, se alguém afirmar que CRISTO morreu apenas pelos “eleitos”, facilmente outra pessoa considerará injusta a ação de DEUS, visto que somente uns poucos “escolhidos” serão salvos. A Bíblia responde a esta questão, dizendo que:
a) A Salvação é Para o Mundo Inteiro
Através do sacrifício perfeito de CRISTO, todos os habitantes da terra foram representados, e os seus pecados foram potencialmente perdoados. CRISTO “é a propiciação pelos os nossos pecados, e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro” (1 Jo 2.22 Co 5.14Hb 2.9).
b) A Salvação é Para os que Crêem
Apesar de CRISTO haver morrido pelos pecados do mundo inteiro, há um sentido em que a expiação é uma provisão divina feita especialmente por aqueles que crêem. Paulo apresenta JESUS CRISTO como o “Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis” (1 Tm 4.10). Deste modo, apesar de a salvação estar à disposição de toda a humanidade, de forma experimental ela se aplica exclusivamente àqueles que crêem. A salvação foi preparada para todas as pessoas, o problema é que nem todas as pessoas estão preparadas para a salvação.
c) Alguns Abandonarão a Salvação
A Bíblia dá a entender que muitos daqueles pelos quais CRISTO morreu, aceitarão a sua provisão salvadora, mas depois a abandonarão, perdendo com isto o direito à vida eterna. Sobre esses, escreverão Paulo e Pedro: “Perece o irmão fraco, pelo qual CRISTO morreu” (1 Co 8.14). “Negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição” (2 Pd 2.1).
II. O LADO DIVINO DA SALVAÇÃO
Muitos antes de o homem pensar em DEUS, ele já estar no pensamento de DEUS. Antes mesmo de o convertido clamar a DEUS, DEUS já o tem atraído pelo o ESPÍRITO SANTO. Paulo escreve este esforço de DEUS, nas seguintes e sublimes palavras: “e sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a DEUS, daqueles que são chamados por seu decreto. Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.28-30).
1. A Presciência de DEUS
“presciência” é o aspecto da onisciência relacionado com o fato de DEUS conhecer todos os eventos e possibilidades futuros. No que diz respeito à salvação, a presciência de DEUS não afeta as decisões do homem, nem o seu livre arbítrio. As ações de um homem não são permitidas ou impedidas simplesmente porque são previstas ou conhecidas de antemão, por DEUS. No Novo Testamento, o termo “presciência” aparece, inclusive com conceitos paralelos, nos seguintes textos: Romanos 3.25Atos 26.5Romanos 8.2911.21 Pd 1.202 Pd 3.17Atos 2.23 e 1 Pd 1.2. Estas passagens destacam três importantes fatos relacionados com o conceito de “presciência”. Primeiramente significa de fato “saber alguma coisa de antemão”. Alguns estudiosos da Bíblia negam que esta palavra envolva conhecimento, e então alegam que significa “amor de antemão”, porque conhecer pode ser usado como uma expressão correspondente, para amar. Entretanto quando a mesma palavra grega é usada em casos não teológicos, esses mesmos estudiosos nunca interpretam o termo por “amor de antemão”. Por exemplo, em Atos 26.5, o termo se refere a homens que conheciam a reputação de Paulo muito antes da sua chegada a Roma; e em 2 Pedro 3.17 a palavra é usada para designar um conhecimento prévio acerca dos falsos mestres.
2. A Eleição Divina
A palavra “eleição” no contexto da doutrina da salvação, não significa que DEUS escolheu alguns para serem salvos e outros para a perdição, sem qualquer participação da pessoa nessa escolha. No que diz respeito à salvação, eleição é a escolha de DEUS de algumas pessoas para a salvação e privilégios, baseada na escolha inicial feita Por essas mesmas pessoas. Atentemos para o que diz o apóstolo Paulo: “como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade” (Ef 1.4). Deste modo o “mérito” de sermos escolhidos não se baseia em nós mesmos, mas no “mérito” de estarmos em CRISTO. Assim como estamos “em” CRISTO, assim também fomos feitos dignos de sermos escolhidos (eleitos) por DEUS. A maior dificuldade em entender a eleição está no fator tempo. Daí a freqüência com que surge a seguinte pergunta: “se a pessoa é ‘eleita’ antes de lançados os fundamentos da terra, como, pois, a eleição pode ser baseada na fé em CRISTO?” Pedro responde a esta pergunta, dizendo o seguinte: “eleitos segundo a presciência de DEUS Pai, em santificação do ESPÍRITO, para a obediência e aspersão do sangue de JESUS CRISTO” (1 Pd 1.2). Baseado no seu conhecimento quanto à decisão que o crente tomaria DEUS o elegeu, antes mesmo de lançados os fundamentos da terra.
3. A Predestinação
A doutrina da predestinação é uma das mais consoladoras doutrinas da Bíblia. Sua essência repousa no fato de que DEUS tem um plano geral e original para o mundo, e que seus propósitos jamais serão frustrados. Negativamente analisada, certamente que a predestinação não é uma manipulação da parte de DEUS das escolhas do homem. Isto o rebaixaria à posição de um fantoche, sem poder de escolha nem vontade. A predestinação nunca predetermina as escolhas dos homens, mas, sim, preordena as escolhas de DEUS no que concerne ao seu relacionamento com as inclinações, necessidades e escolhas dos homens. Sabendo de todas as possibilidades futuras, bem como os corações dos homens, DEUS fez um plano dos seus atos: atos estes que resultarão em maior glória para DEUS, na salvação do maior número de pecadores, e que contribuirão com o desenvolvimento da mais perfeita obediência de seus servos (Rm 8.2829). A fim de entender a predestinação, é necessário distinguir entre predestinação e fatalismo. Fatalismo é uma crença herética que atribui as ações e escolhas do homem ao “determinismo” de DEUS. Ou melhor, DEUS decide o que o homem será e fará. Mediante o planejamento predeterminado por DEUS (a predestinação), a salvação é oferecida a todas as pessoas (At 4.2728) e é possível a todos quantos buscam a DEUS (At 17.2627). Por causa desta provisão, nenhuma pessoa poderá, em qualquer tempo, acusar DEUS de não lhe ter dado oportunidade para crer e se salvar (Rm 1.20). DEUS não apenas planeja uma maneira de todos os povos conhecerem a salvação, como também tem um plano para ajudar os crentes a progredirem na sua vida espiritual. “Também os predestinou para serem conforme a imagem de seu Filho” (Rm 8.29). Este plano, no entanto, depende da disposição do crente de corresponder em obediência a DEUS (Jr 15.19). DEUS “nos predestinou para ele, para adoção de filhos, por meio de JESUS CRISTO” (Ef 1.5). Fomos “predestinados… a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em CRISTO” (Ef 1.1112).
4. O Chamamento
DEUS jamais força alguém a aceitá-Lo, mas certamente convida todos os homens a receberem a salvação. Para isto DEUS dispõe da sua graça e do poder do ESPÍRITO SANTO. Os atos de graça, mediante os quais DEUS concede a salvação e ajuda o homem a alcançá-la, são conhecidos como “chamamento de DEUS” (Rm 8.28). É importante compreender que o chamamento de DEUS para a salvação, é tanto universal quanto irresistível. Há três argumentos nas Escrituras quanto ao chamamento universal de DEUS aos homens para a salvação. São eles: DEUS deseja que todos os homens sejam salvos (2 Pd 3.9), mas não obriga o homem a aceitar a salvação, quer o homem queira, ou não. Os crentes são conclamados a “proclamar” o evangelho ao mundo inteiro e a “persuadir” os homens a aceitá-lo (Mt 28.192 Co 5.11). A natureza universal do chamamento de DEUS é revelado no “convite da Escritura”. Lendo passagens como João 3.16Isaias 55.1 e Mateus 11.28, notamos que o convite para a salvação não é seletivo, mas sim, coletivo, para todos quantos o atenderem. Não obstante o chamamento de DEUS seja dirigido a todos os homens, ele pode ser rejeitado (Jo 5.40At 7.51Rm 10.21Hb 10.29). O fato do chamamento de DEUS ser universal não faz a salvação um fato incondicionalmente universal. Assim como a redação através de CRISTO é suficiente para todas as pessoas, mas eficazmente para o que crê, assim também a chamada de DEUS é válida para o mundo inteiro, mas aplicável unicamente àqueles que a atendem.
5. Cooperação Com DEUS na Salvação
Quanto à doutrina da salvação, existem hoje duas correntes de interpretação: uma comprometida com o “determinismo”, e a outra com o “livre arbítrio”.
a) O Determinismo
O cristão determinista crê que DEUS predeterminou de antemão os salvos e os perdidos, independentemente da escolha humana. A salvação, portanto, é uma conseqüência inteiramente da graça de DEUS. Neste caso, a fé é expressa, não como uma decisão da parte do crente, mas, sim, como uma resposta à irresistível atuação de DEUS sobre o espírito do homem. Quanto aos predestinados á perdição eterna, segundo o determinismo, embora querendo ser salvos, lhes é negado este direito. Vieram ao mundo, podem ouvir a pregação do evangelho, porém jamais se salvarão, uma vez que DEUS decretou de antemão a perdição deles.
b) O Livre Arbítrio
Segundo esta corrente de interpretação, todos os tratos de DEUS com o homem, inclusive a eleição e a predestinação, estão baseados nas decisões que o homem toma, uma vez que é um agente livre para aceitar ou rejeitar o dom de DEUS. Mais que isto, todos os homens têm igual oportunidade de buscar a DEUS, ouvir o evangelho, se arrependerem de seus pecados e serem salvos.
c) Cooperando Com a Salvação.
Os defensores do determinismo estão equivocados quando salientam demasiadamente a verdade da majestade, da graça e do poder de DEUS, em detrimento da insuficiência do homem para fazer qualquer coisa sem o auxilio divino. Ignoram a capacidade de decisão do homem quanto à determinação do seu futuro eterno. De igual modo os defensores do livre arbítrio correm o risco de enfatizar a livre agência do homem, reduzindo a fé a um ritual sem vida, levando o cristão a uma obediência apenas à letra do evangelho, esquecendo-se do poder de DEUS operante na sua vida. A salvação, como experiência prática, só é possível com a cooperação do crente. Quanto a isto diz o apóstolo Paulo: “de sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora, na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor; porque DEUS é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.12,13).
III. O LADO HUMANO DA SALVAÇÃO
A salvação é obra de DEUS em favor do homem, e não do homem em favor de DEUS. Como já vimos, o homem é completamente incapaz de agradar a DEUS por si só, pois leva sobre si a sentença de “morte espiritual”. Por este motivo DEUS mesmo tomou a iniciativa de prover a salvação independentemente dos méritos e possibilidades do homem. Há, porém, uma coisa que DEUS não faz no que diz respeito à salvação do homem: DEUS não o obriga a aceitá-la. Antes de experimentar a conversão, o homem precisa desejá-la, dando lugar à operação divina.
1. O Que é Conversão
O termo “conversão”, literalmente, significa “virar-se para a direção oposta”. De acordo com a Bíblia, é o ato pelo qual o pecador se volta do pecado para JESUS CRISTO, tanto para obter perdão dos pecados como para liberta-se deles. Isso inclui livramento da pena do pecado. Embora nitidamente ligada ao arrependimento, a conversão difere dele, uma vez que o arrependimento enfatiza o aspecto negativo do abandono ou saída do pecado, enquanto que a conversão enfatiza o aspecto positivo da volta para CRISTO (1 Ts 1.9). O arrependimento nos retira de todos os amores ou inclinações pecaminosas, enquanto que a conversão nos faz voltar para o Esposo. O arrependimento produz tristeza pelo pecado, já a conversão produz alegria por causa do perdão e livramento da pena do pecado. O arrependimento nos leva à cruz; a conversão nos leva ao túmulo vazio do Salvador ressuscitado. A conversão fala do abandono da vida de pecador para abraçar a vida real e verdadeira oferecida por DEUS através de JESUS CRISTO (At 14.1526.18Ez 18.30). A verdadeira conversão envolve dois atos da parte do pecador: Dar as costas ao “eu” e ao pecado e crer em DEUS, voltando-se para Ele e abraçando a vida eterna (At 26.30Mt 7.141 Ts 1.89). Se a pessoa não se chega a DEUS, buscando-o, a conversão é incompleta. O simples fato de rejeitar o pecado, resultado somente numa reforma humana provisória e não em transformação divina e plena.
2. O Que é Arrependimento
O arrependimento envolve uma completa mudança de pensamento sobre o pecado e a percepção da necessidade de um Salvador. O arrependimento faz o homem ficar tão contristado por causa do pecado, que ele aceita com alegria tudo o que DEUS requer para uma vida de retidão. A fé é o correlativo conseqüente do arrependimento. Os dois juntos – arrependimento e fé – constituem a conversão. A isso pode adicionar-se a obra divina do perdão. “Arrependimento para com DEUS e a fé em nosso Senhor JESUS CRISTO” (At 20.21) necessariamente caminham juntos. O arrependimento para salvação é encorajado pelo conhecimento de que DEUS é propício ao pecador, não em fazer vista grossa ao seu pecado, mas em mandar o seu Filho para morrer em lugar do pecador. A fé em CRISTO é encorajada pela compreensão do propósito e significado da sua morte. É então a pregação da cruz que induz o pecador ao arrependimento e a fé. O arrependimento não é a mesma coisa que remorso. O remorso é um beco sem saída; o arrependimento é estrada transitável. O remorso olha só para os nossos pecados; o arrependimento olha para além dos nossos pecados – para o calvário. O remorso nos devolve para nós mesmos; o arrependimento nos faz voltar para DEUS. O remorso nos faz odiar a nós mesmos, muito embora possamos ao mesmo tempo amar nossos pecados; o arrependimento nos leva a odiar nossos pecados e amar nosso Senhor num único ato. O remorso é a tristeza do mundo que “produz morte”; o arrependimento é “a tristeza segundo DEUS” e conduz à salvação (2 Co 7.10). Os passos que levam o homem ao arrependimento, uma vez DEUS operando, são: reconhecimento do pecado, tristeza pelo pecado e abandono do pecado.
3. O Que é Fé
Arrependimento é dizer “Não”, ao pecado, enquanto que a fé na salvação é dizer “Sim”, a DEUS. Este é o lado afirmativo da conversão. Enquanto o arrependimento dá ênfase aos nossos pecados, a fé fixa os nossos olhos em CRISTO. A fé é um relacionamento vivo com CRISTO, baseado no amor, confiança e consagração da vida e da vontade a Ele. A fé não é um mero assentimento intelectual, mas um relacionamento pessoal com DEUS (Gl 2.1920). A fé não é uma emoção que passa de uma pessoa para outra, mas uma convicção interior da pessoa (2 Tm 1.12). A fé não se dirige a um credo ou crença doutrinária, mas a uma pessoa (Cl 2.5). Fé não é um ato isolado na vida, mas uma maneira de se viver (Rm 1.17). A fé não é uma simples confissão, mas uma dedicação ou entrega, evidenciada pelas “obras da fé”, na vida da pessoa (Tg 2.18). A palavra “fé” aparece cerca de 240 vezes no Novo Testamento, nem sempre se referindo à fé para a salvação. A fé salvadora é mais do que um assentimento mental ou reação; é um relacionamento vivo entre duas pessoas: DEUS e o homem. Pela impossibilidade do pecador autogerar a fé salvadora em beneficio próprio, a Bíblia a apresenta como um dom de DEUS (Fp 1.29Hb 12.2Rm 12.3).
IV. A JUSTIFICAÇÃO
O Antigo Testamento utiliza duas formas diferentes do mesmo termo hebraico (hidsdik e tsiddek) para expressar o conceito de justificação. Esses termos, exceto em algumas passagens, não indicam uma mudança moral operada por DEUS no homem, mas regularmente designam uma declaração divina a respeito do homem. Transmitem a idéia de que DEUS, em sua qualidade de juiz, declara o homem justo (Dt 25.1Pv 17.15Is 5.23Sl 143.2). O termo do Novo Testamento (dikaio-o) tem o mesmo significado, isto é, declarar justo (Rm 3.20-284.5-7Gl 2.163.115.4Rm 8.3334Jo 3.185.242 Co 5.19). Entende-se, pois que o termo “justificar” não significa fazer, mas declarar justo.
1. A Natureza e as Características da Justificação
Por “justificação”, entende-se o ato pelo qual DEUS declara posicionalmente justa a pessoa que a Ele se chega através da pessoa de JESUS CRISTO. Esta justificação envolve dois atos: o cancelamento da dívida do pecado na “conta” do pecador, e o lançamento da justiça de CRISTO em seu lugar. Tornado-se mais claro: justificação não é aquilo que o homem é ou tem em si mesmo, mas aquilo que o próprio CRISTO é e faz na vida do crente. “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em CRISTO JESUS, a quem propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter DEUS, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça, no tempo presente, para ele mesmo ser justo e justificador daquele que tem fé em JESUS (Rm 3.24-26). “Não se deve confundir justificação com regeneração”. A justificação tem lugar fora de nós, junto ao trono de DEUS, onde Ele nos declara justos. É, pois, coisa objetiva. A regeneração é obra divina operando em nosso interior. É por isso, subjetiva. A justificação é o veredito de DEUS, e a regeneração é uma experiência humana. A justificação é o que DEUS faz por nós; a regeneração é o que DEUS faz em nós. A justificação muda a nossa posição, ou situação; a regeneração tem a ver com o nosso estado. A justificação muda a nossa relação para com DEUS; já a regeneração muda a nossa “natureza” (Os Oitos Pilares da Salvação – Editora Betânia – Pág. 74).
2. Elementos da Justificação
Existem especialmente dois elementos na justificação, um negativo e outro positivo.
a) O Elemento Negativo
O elemento negativo da justificação é o perdão dos pecados com base na justiça imputada por CRISTO. O efeito produzido pelo ato da justificação se aplica a todos os pecados passados, presentes e futuros por isso incluem a libertação de toda a culpa e castigo. Isto acontece devido ao fato de que a justificação não se pode repetir (Rm 5.218.132-34Hb 10.14Sl 103.12Is 44.22).
b) O Elemento Positivo
O elemento positivo da justificação se distingue em duas partes: primeiro a adoção de filhos e segundo o direito a vida eterna. Pelo processo da justificação DEUS adota o crente como seu filho, conferindo-lhe todas as regalias decorrentes dessa filiação. Esta filiação por adoção deve ser distinguida da filiação moral dos crentes que resulta da regeneração e santificação. Deste modo os crentes são filhos de DEUS, não apenas em decorrência da adoção, e, portanto num sentido jurídico, mas também em virtude do novo nascimento, conseqüentemente num sentido espiritual (Manual de Doutrina Cristã – Editora Luz Para o Caminho e Ceibel – Págs. 232,233). Já o direito à vida eterna está virtualmente incluído no elemento precedente. Quando os pecadores são adotados como filhos de DEUS, tomam posse de todos os direitos legais de filhos, e se tornam herdeiros de DEUS e co-herdeiros com CRISTO (Rm 8.17). Constituem-se herdeiros de todas as bênçãos da salvação na vida presente, e além dessas recebem o direito a “herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada no céu” para eles (1 Pd 1.4).
3. Obtenção e Conservação da Justificação
Os efeitos da justificação pela fé abrangem a totalidade da vida do crente. No passado, a fé justificou-o, libertando-o inicialmente da condenação do pecado. No presente, a fé continua a justificá-lo, libertando-o da prática do pecado. Na medida em que ele continua na fé, a justificação do crente culminará na glorificação, libertando-o para sempre da presença do pecado. “Desde o momento da conversão até o fim da vida terrena, a justificação é sempre a mesma. O crente poderá necessitar de perdão como filho do Pai, mas nunca mais será considerado criminoso perante o Juiz. A justificação é o ato de juiz; o perdão é o ato de pai. A justificação abrange o passado, presente e o futuro. A questão do pecado, entre a alma e DEUS, foi resolvida para sempre. É possível o crente ser um filho desobediente, e assim necessitar da vara de castigo do Pai, mas nunca mais pode ser considerado pecador perdido e sujeito à condenação do Juiz” (A Doutrina da Salvação – EETAD – Pág. 70).
4. Os Benefícios da Justificação
A justificação não é uma experiência, é uma declaração legal de justiça, só possível mediante um relacionamento com CRISTO. Esta declaração traz inúmeros benefícios à vida do crente justificado, entre os quais se destacam os seguintes:
a) Um Novo Relacionamento com a Lei
A justificação concede ao crente uma nova posição em relação à Lei de DEUS. Uma vez que a lei divina exigia obediência como condição de o homem obter a vida eterna (Rm 8.34), e como o homem jamais foi capaz de cumprir inteiramente com as exigências divinas neste sentido, em vez de abolir a lei, DEUS enviou JESUS CRISTO para cumpri-la por nós (Mt 5.17). Deste modo, por meio de JESUS CRISTO, “todo o que crê é justificado de todas as coisas das quais vós não pudestes ser justificados pela lei de Moisés” (At 13.39).
b) Um Novo Relacionamento com DEUS
Mediante a justificação, a separação existente entre DEUS e o homem por causa do pecado, é abolida através de JESUS CRISTO, e transformada em “paz com DEUS”. A ira de DEUS é traduzida em benignidade, legal e completamente. “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com DEUS, por meio de nosso Senhor JESUS CRISTO… Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm 5.19).
c) Uma Nova Concepção da Culpa Pessoal
Mediante a justificação, o crente é uma pessoa livre do peso da culpa pessoal (Rm 5.1). No que pesem as lembranças dos pecados de outrora, e as acusações por parte do Diabo, o crente se mantém confiante na provisão justificadora de DEUS em seu favor na pessoa de CRISTO. Deste modo “quem intentará acusação contra os eleitos de DEUS? É DEUS quem os justifica. Quem os condenará? É CRISTO JESUS quem morreu” (Rm 8.33). Independentemente do pecado outrora cometido, todo ele foi absolvido pela obra meritória de JESUS no calvário. “Quanto está longe o oriente do ocidente, assim afasta [o Senhor] de nós as nossas transgressões” (Sl 103.12).
d) Uma Nova Concepção do Futuro
A justificação tem o duplo mérito de nos liberta tanto da culpa do passado quanto dos temores do futuro. Uma vez justificado por DEUS, o crente pode saber, nesse exato momento, que é salvo. Ele não precisa esperar até à consumação dos séculos, para ver se foi “suficientemente bom” para merecer a salvação. O crente encara com confiança o futuro, sabendo que, a qualquer momento, poderá entrar na presença de DEUS, purificado de todos os seus pecados e vestido com as vestes da justiça do CRISTO. “A fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna” (Tt 3.7). “Porque me cobriu de vestes de salvação, e me envolveu com o manto da justiça” (Is 61.10).
V. A REGENERAÇÃO
A regeneração é a obra sobrenatural por graça e instantânea de DEUS que outorga nova vida ao pecador que aceita a CRISTO como seu salvador pessoal. Através desse milagre, o pecador é ressuscitador da morte (do pecado) para a vida (na justiça de CRISTO). Esta nova vida é a natureza divina que passa a habitar no crente, mediante o poder do ESPÍRITO SANTO (Tt 3.5Jo 1.1213). Sem esta miraculosa transformação espiritual, o pecador arrependido permaneceria morto na sua natureza pecaminosa (Ef 2.1) e incapaz de conhecer a DEUS num relacionamento pessoal (Rm 8.7).
1. A Necessidade da Regeneração
Através de JESUS CRISTO DEUS propicia a todos os homens o privilégio duma nova vida. Neste sentido a necessidade da regeneração espiritual do pecador é necessária, pelo menos por três razões:
Primeira é necessária para entrar no reino de DEUS: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de DEUS” (Jo 3.3).
Segunda é necessária para resistir ao pecado: “Todo aquele que é nascido de DEUS não vive na prática do pecado” (1 Jo 3.9).
Terceira é necessária para uma vida de retidão: “Reconhecereis também que aquele que prática a justiça é nascido dele” (1 Jo 2.29).
2. Os Meios para a Regeneração
A Bíblia diz que assim como o etíope não pode mudar a cor de sua pele, nem o leopardo mudar as suas manchas, tampouco pode o homem mudar para melhor a sua natureza pecaminosa (Jr 13.23). Qualquer esforço humano neste sentido redundaria em fracasso. O fato de o homem, por seus próprios esforços, poder refrear a prática de determinados pecados mais grosseiros e de se dar à prática de boas obras, não o dignifica como nova criatura diante de DEUS. Comparada com a mudança que o ESPÍRITO SANTO quer fazer na vida do pecador, qualquer mudança resultante de esforços próprios será vã aos santos olhos de DEUS. Só DEUS pode operar o milagre do novo nascimento, transformando o homem a partir do seu interior. Para alcançar experimentalmente este milagre da parte de DEUS, o pecador precisa fazer apenas duas coisas:
A) Ouvir a Palavra de DEUS
A primeira coisa que o pecador deve fazer, habilitando-se para o novo nascimento, é ouvir a Palavra de DEUS. O Evangelho não é uma mensagem morta, mas, sim, uma semente viva. Quanto a isto testificam Pedro e Tiago: “Pois fostes regenerados, não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de DEUS, a qual vive e é permanente” (1 Pd 1.23) “Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas” (Tg 1.18).
b) Crer na Palavra de DEUS
A mensagem do amor de DEUS pode produzir um grande anseio no coração; mas somente quando o homem responde positivamente a esta mensagem, pela fé, é que terá lugar a transformação divina do coração. “E o testemunho é este, que DEUS nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de DEUS não tem a vida. Estas coisas vos escrevi, a fim de que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de DEUS” (1 Jo 5.11-13Jo 1.1213).
3. Regeneração é Mudança
A regeneração não trata duma mudança evolucionária e sim revolucionária. Também não é uma reforma. A reforma tem a ver com os projetos humanos, enquanto que a regeneração é um ato divino. A reforma é algo ligado ao exterior, ao passo que a regeneração é mudança no interior, que Vem de dentro. A reforma afeta a conduta sem modificar o caráter, e a regeneração afeta a conduta modificando o caráter. A reforma é uma aquisição, e a regeneração é transformação. A reforma é um esforço, e a regeneração é nova vida. A reforma é uma dotação que muitas pessoas pensam Ievá-la ao reino de DEUS; a regeneração é uma exigência para se entrar nesse reino (Jo 3.3.). “A educação e a instrução jamais levam o homem pura além do topo do seu crânio. Além disso, precisa ele duma obra divina vinda duma esfera superior, se quiser entrar nessa esfera. Precisa ser regenerado, ou nascer de novo” (Os Oitos Pilares da Salvação – Editora Betânia – Pág. 61).
4. O Simbolismo do Batismo em Águas
A verdade central da regeneração é que o crente é uma nova criatura, que foi separada do seu passado de pecado e destinada a viver em novidade de vida. “E assim, se alguém está em CRISTO, é nova criatura: as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Co 5.17). O ato do batismo por imersão, em águas, é um símbolo visual de o crente ter morrido completamente para a vida velha de outrora, e da sua disposição de viver vida nova: “Fomos, pois sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como CRISTO foi ressuscitado dentre os mortos peIa glória do Pai, assim andemos em novidade de vida” (Rm 6.4). Alguém pode perguntar: “Se o batismo em águas é apenas um simbolismo, por que eu preciso ser batizado?” A resposta é que DEUS ordenou este meio de demonstração diante do mundo, do nosso rompimento com a vida de outra, marcando assim um novo começo. Deste modo, batizar-se em águas não é uma opção para o crente, é um mandamento de CRISTO (Mt 28.19At 2.3810.48).
VI. A ADOÇÃO
Humanamente falando, adoção é o processo pelo qual uma criança é trazida e aceita numa família, quando por natureza não tinha direito algum de pertencer àquela família. Esta transação legal traz como resultado, a criança tornar-se um filho; um novo membro da família, com plenos direitos sobre o patrimônio da família que a adotou. A adoção espiritual é baseada neste mesmo princípio, se bem que a adoção divina é infinitamente mais abrangente no seu alcance e finalidade. Depois que o homem, que por natureza é filho da ira, (Ef 2.3) crê em CRISTO, é feito filho de DEUS, e passa a ter os direitos e privilégios inerentes àquela posição: o privilégio da filiação, de ser membro da família de DEUS, e o direito de ser herdeiro de DEUS e co-herdeiro com CRISTO (Rm 8.15-17).
1. O Crente Como Filho de DEUS
O relacionamento filial do crente com DEUS independe do tempo. Não é uma esperança futura, mas um usufruto presente. Quanto a isto escreve o apóstolo João: “Amados, agora somos filhos de DEUS, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque havemos de vê-lo como ele é” (1 Jo 3.2). Um dos privilégios que goza o filho de DEUS diz respeito à estreita comunhão que ele goza com o seu Pai celestial. Contrastando o relacionamento amoroso e filial que o crente goza com DEUS, com a atitude de um escravo que treme de medo diante do seu senhor, escreve o apóstolo Paulo: “Porque não recebestes o espírito da escravidão para viverdes outra vez atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai” (Rm 8.15). A Bíblia ensina o crente a temer a DEUS, mas numa atitude de respeito e reverência, e não de angústia e de medo. O ESPÍRITO de CRISTO libertou o crente do medo servil de ser castigado ou rejeitado por causa do menor erro que pudesse desagradar a seu Senhor. O crente deve saber que é filho e não mero empregado de DEUS. Como filho de DEUS o crente deverá obedecer-lhe; (Mt 5.16Fp 2.152 Co 6.17. 18), sujeitar-se à orientação e disciplina do seu Pai; (Rm 8.14,16Hb 12.561213) ir à presença do Pai livre e desimpedidamente, tantas vezes deseje (Ef 2.18Mt 6.3132Fp 4.19).
2. O Crente Como Irmão de JESUS CRISTO
Ao adotar o crente como filho, DEUS criou uma posição de honra e dignidade anteriormente inexistente. Este fato modificou toda a hierarquia do Universo. Deste modo, apesar de os anjos terem sido criados superiores ao homem, mediante a provisão divina para a salvação e adoção do crente, este foi exaltado para dominar sobre os anjos (Hb 2.751.14). Hebreus 2.11, diz que CRISTO não se envergonha de chamar os crentes de “irmãos”. Ser chamado “filho de DEUS” é em si um privilégio difícil de entender, mas ser chamado “irmão de JESUS CRISTO” é quase além da imaginação. É um fato extremamente maravilhoso! Em CRISTO, todos os crentes foram feitos irmãos uns do outros. JESUS disse: “Porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos” (Mt 23.8). Aqueles que fazem parte da família de DEUS participam de um amor e solicitudes especiais uns para com os outros. É exatamente este amor que comprova a realidade da nossa adoção como filhos de DEUS. “Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte” (1 Jo 3.14). “Nisto conhecerão todos que sois meus “discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.35).
3. O Crente Como Herdeiro do Céu
Mediante a adoção divina, o crente não somente é elevado à oposição de participante da aristocracia do Céu, como também se torna herdeiro do maior patrimônio do Universo: “… somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de DEUS e co-herdeiros com CRISTO” (Rm 8.17). Em contraste com as heranças terrestres que são entregues ao herdeiro só quando o pai morre, o crente recebe a sua herança em abundante vida. Além da herança recebida aqui como usufruto e antegozo, dentre outras coisas, DEUS nos assegura: “um reino de glória… uma pátria melhor, uma cidade… uma coroa de glória. uma coroa de vida, uma coroa de justiça… eterno peso de glória… verão a sua face… reinarão para sempre e sempre… para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros, que sois guardados pelo poder de DEUS, mediante a fé, para salvação preparada para revelar-se no último tempo” (1 Pd 1.45). São as imensuráveis riquezas de CRISTO, o nosso “irmão mais velho”, que nos fazem abundantemente ricos também. “Pois conheceis a graça de nosso Senhor JESUS CRISTO, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que pela sua pobreza vos tornásseis ricos” (2 Co 8.9).
4. Bênçãos Decorrentes da Adoção
Dentre as incontáveis bênçãos decorrentes da adoção divina, através da qual somos feitos legítimos filhos de DEUS, se destacam as seguintes:
a) Libertação da Escravidão da Lei
Ismael e Isaque não podiam viver sob o mesmo teto. Ismael era o filho da escrava, enquanto Isaque era filho da esposa legítima (Gl 4.21-30) “E assim, irmãos, somos filhos não da escrava e sim da livre” (Gl 4.31). “DEUS enviou seu Filho… para resgatar os que estavam sob a lei para que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl 4.43). Esse lugar de adoção tira de nosso pescoço o jugo do qual diz o apóstolo – “nem nossos pais puderam suportar, nem nós” (At 15.10). A adoção traz-nos à liberdade não de pecar, mas da filiação.
b) Libertação do Medo
Os filhos de DEUS com freqüência sofrem temores – o temor de falhar o medo passado, do presente, do futuro; e o medo de Satanás, ou do homem, ou de si mesmo. Esses temores e medos não provêm de DEUS, uma vez que “DEUS não nos tem dado o espírito de covardia” (2 Tm 1.7). A apropriação dos nossos direitos de adoção nos livrará do temor. “Porque não recebestes o espírito de escravidão para viverdes outra vez atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção” (Rm 8.15). Há grande conforto e alívio ao nos lembrarmos de que podemos confiar no cuidado do Pai celeste uma vez que somos seus filhos pela fé em JESUS CRISTO. Deste modo o medo é anulado para dar lugar à confiança filial.
c) Segurança e Certeza
“O próprio ESPÍRITO dá testemunho com o nosso espírito, de que somos filhos de DEUS” (Rm 8.16). Uma vez que o testemunho do ESPÍRITO SANTO é um testemunho verdadeiro, então há grande segurança e certeza no seu testemunho. A exclamação Aba, Pai é coisa real, nascida do próprio ESPÍRITO de DEUS. Isso nos liberta da incerteza no que diz respeito ao porvir, e também de arrependimentos do passado, ao mesmo tempo em que nos leva à presente comunhão com o Pai, a quem pertencemos.
VII. A SANTIFICAÇÃO
Santificação é a obra da graça pela qual o crente é separado do ego e da pecaminosidade interior, e, pela concessão do ESPÍRITO SANTO, separado para a santidade de DEUS. Marca uma crise subseqüente à conversão quando o pecador é levado a ver sua necessidade e se apropria da provisão que DEUS fez por ele (Os Oitos Pilares da Salvação – Editora Betânia – Pág. 89).
1. A Natureza da Santificação
“Santificação”, na Bíblia é um termo de grande abrangência e de rico significado para a vida do crente. Relacionada com a experiência da vida cristã, a santificação tem a ver com o tempo passado, presente, e futuro da sua vida. Para melhor compreender isto, atentemos para os três tempos da santificação:
a) Santificação do Passado
“Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de JESUS CRISTO, feita uma vez… Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados” (Hb 10.1014). Em CRISTO o crente é posicionalmente santificado no momento da sua conversão. Este nível de santificação se dá como concessão divina através de JESUS CRISTO, independentemente do que o crente possa ou não fazer. Aqui a santificação é uma experiência instantânea. Isto é: posicionalmente, em CRISTO, o crente não poderá ser mais santo amanhã do que é hoje.
b) Santificação no Presente
“E o mesmo DEUS de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor JESUS CRISTO” (1 Ts 5.23). Aqui temos a santificação ao nível da experiência cristã no cotidiano. Fala da assimilação da vontade de DEUS pelo cristão no seu dia-a-dia. Falando da santificação como uma realidade presente, escreveu o apóstolo Paulo: “Não que já na tenha alcançado ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também 4preso por CRISTO JESUS. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de DEUS em CRISTO JESUS” (Fp 3.12-14). A santificação como experiência presente fala do nosso crescimento em CRISTO, da maturidade da vida cristã e do progresso espiritual capaz de conduzir o crente a alcançar a estatura de varão perfeito.
c) A Santificação no Futuro.
“Mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do DEUS vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos, à universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a DEUS, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados; e a JESUS, o Mediador de uma nova aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel” (Hb 12.22-24). Só quando os crentes adentrarem o grande portal de cristal das mansões de DEUS cumprir-se-á na sua inteireza o ideal joanino: “Amados, agora somos filhos de DEUS, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos” (1 Jo 3.2).
2. O Propósito da Santificação
A santificação tem como finalidade primordial acudir a necessidade mais profunda da criatura humana, identificando com CRISTO. Essa necessidade está retratada com matizes mui vivos no capítulo 7 da carta de Paulo aos Romanos, de acordo com este escrito de Paulo, existe um inimigo interior chamado “a lei do pecado”; e que há necessidade da obra regeneradora do ESPÍRITO no sentido de que o pecador “tenha prazer na lei de DEUS”. Também é preciso que o ESPÍRITO revele ao pecador que “em mim… não habita bem algum”. A santificação é a provisão feita por DEUS. Mas, como podemos experimentar a apropriação disso? Pela identificação com CRISTO em sua morte. Devemos consentir em morrer com CRISTO em sua morte. Precisamos subir à cruz com Ele, e de toda a nossa vontade renunciar ao ego que há causado todos os nossos distúrbios. A crucificação é o único meio de libertação. “Estou crucificado com CRISTO” (Gl 2.19). Que tem tudo isso a ver com a santificação? Simplesmente isto: O ESPÍRITO SANTO não santificará a vida egoísta, ou a natureza pecaminosa. Essa precisa identificar-se com CRISTO na cruz antes que o ESPÍRITO SANTO possa realizar sua obra de santificação e enchê-Ia. Pode acontecer que nossa compreensão de tudo isso seja um tanto vaga no tempo em que nos entregamos ao enchimento do ESPÍRITO, mas Ele nos conduzirá fielmente para frente, e, seja qual for a luz que Ele nos fornecer no futuro, é contrabalançada pelo fato de que toda controvérsia foi resolvida quando nos entregamos a Ele” (Os Oitos Pilares da Salvação – Editora Betânia – Pág.94).
3. Meios da Santificação
Na obra da santificação há o lado humano e o lado divino. Do lado divino a obra é completa e resultante duma série de fatores, dignos da consideração do crente.
a) Somos Santificados Pela Palavra
JESUS orou ao Pai acerca dos seus discípulos, dizendo: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade” (Jo 17.17-19). A Palavra de DEUS tem o mérito de purificar e lavar as manchas do pecado que maculam a alma e prejudicam as relações entre DEUS e o homem. Para tanto, torna-se, imprescindível que o crente ame-a, leia-a e permita que ela faça parte da sua vida cotidiana.
b) Somos Santificados Pelo Sangue de JESUS
Sobre o sangue carmesim do nosso Salvador repousa toda a nossa pureza e vitória. “Por isso foi que também JESUS, para santificar o povo, pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta” (Hb 13.12). Sempre que o ESPÍRITO SANTO lida conosco, seja por causa dos nossos atos pecaminosos ou por causa da nossa natureza tendente ao pecado, Ele nos faz voltar ao calvário e nos conscientiza de que o sangue derramado na cruz não foi em vão, mas é eficaz para romper com o círculo do pecado em nossa vida.
c) Somos Santificados Pela Trindade
A Bíblia atribui a santificação cristã tanto ao Pai, como ao Filho e ao ESPÍRITO SANTO:
“E o mesmo DEUS da paz vos santifique em tudo” (1 Ts 5.23).
“Pois, tanto o que santifica [o contexto refere-se a JESUS], como os que são santificados, todos vêm de um só” (Hb 2.11).
“DEUS vos escolheu desde o princípio, para a salvação pela santificação do Espírito e fé na verdade” (2 Ts 2.13).
“Eleitos… em santificação do ESPÍRITO” (1 Pd 1.2).
Uma vez que o DEUS Trino e Uno opera em favor da nossa santificação, devemos cooperar com Ele.
4. O Lado Humano da Santificação
O lado humano da santificação envolve dois atos da parte do crente, são eles: separação e dedicação.
a) Separação do Pecado
“Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra” (2 Tm 2.21).
A presença do pecado na nossa vida é incompatível com o interesse de DEUS em nos usar no cumprimento da sua vontade.
b) Dedicação ao Serviço de DEUS
Só após serem purificados de- pecados é que os crentes poderão assimilar em suas vidas o ideal do ESPÍRITO SANTO como diz o apóstolo Paulo: “Rogo-vos, pois, irmãos pela compaixão de DEUS, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a DEUS, que é o vosso culto racional” (Rm 12.1). DEUS não arrasta ninguém pelo caminho do discipulado, da dedicação e serviços verdadeiros. É um ato espontâneo e completo da parte do cristão.
VIII. É POSSÍVEL PERDER A SALVAÇÃO?
No V Século da nossa era, Agostinho pontificou que o crente, em circunstância alguma, poderá perder a salvação. Segundo ele, o crente uma vez salvo, permaneceria salvo por toda a eternidade, independentemente das suas ações ou atitudes. Esta declaração deu início a um debate doutrinário e teológico que permanece até os nossos dias.
1. O Argumento das Escrituras
Um dos maiores argumentos bíblicos, segundo o qual o crente pode perder a salvação, é a freqüente menção do condicional “se”, com respeito à salvação. As porções bíblicas dadas a seguir demonstram que a salvação como uma experiência humana, depende da situação do crente, e é manifesta em expressões bíblicas tais como: “Permanecer em CRISTO”, “Continuar na fé”, “andar na luz”, “não retroceder”, etc. Segue-se uma lista de trechos das Escrituras onde estas frases aparecem.
“Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora” (Jo 15.6).
“Se é que permaneceis na fé” (Cl 1.23).
– “Se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei” (1 Co 15.2).
“Se negligenciardes tão grande salvação” (Hb 2.3).
“Se de fato guardarmos firmes até ao fim a confiança” (Hb 3.14).
“Se retroceder” (Hb 10.38).
“Se, porém, andarmos na luz” (1 Jo 1.7).
2. Advertências Diretas
A Bíblia contém muitas advertências acerca do perigo de cair da graça divina. Paulo advertiu os santos que achavam que fazendo o que quisessem mesmo assim estariam salvos: “Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia” (1 Co 10.12). O escritor da epístola aos Hebreus advertiu que é possível deixar o coração encher-se de descrença, ao ponto de perder a salvação: “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do DEUS vivo” (Hb 3.12). A epístola de Judas leva-nos a meditar nos santos do Antigo Testamento, nos dias de Moisés, quando diz: “Quero, pois, lembrar-vos que o Senhor, tendo libertado um povo tirando-o da terra do Egito, destruiu, depois, os que não creram” (Jd v.5). Há uma exortação severa de João, que não deixa dúvida alguma quanto à possibilidade de alguém perder a sua salvação: “O vencedor, de nenhum modo sofrerá o dano da segunda morte” (Ap 2.11). “Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (Ap 3.11).
3. Exemplos a Considerar
A Bíblia não apenas ensina sobre a possibilidade de se perder a salvação, como também registra casos de várias pessoas que viraram as costas para DEUS, perdendo por completo a comunhão com Ele. No Antigo Testamento, lemos acerca de Saul que “DEUS lhe mudou o coração” e que “o ESPÍRITO de DEUS se apossou de Saul” (1 Sm 10.9, 10). Mais tarde, porém, tomou-se possuído dum espírito maligno, e acabou a sua vida cometendo suicídio. Está dito de Salomão, que na sua juventude “amava ao Senhor, andando nos preceitos de Davi, seu pai” (1 Rs 3.3). Mais tarde, porém, ele rejeitou a DEUS e começou a adorar os falsos deuses (1 Rs 11.1-8). Felizmente, em tempo, retornou a DEUS, não porque fosse predestinado à salvação, mas porque deu lugar ao arrependimento no seu coração. No Novo Testamento, o exemplo mais destacado dum desviado e apóstata, é o de Judas Iscariotes. Judas no princípio era um verdadeiro crente, pois jamais CRISTO confiaria a um pecador o ministério de evangelizar curar enfermos e expulsar demônios (Mt 10.7, 8). Porém, já por ocasião da última Ceia Judas havia abandonado a fé. CRISTO sabia que Judas já não fazia parte do grupo dos salvos. O próprio Judas confirmou isto, quando traiu a CRISTO e cometeu suicídio. Himeneu e Alexandre, dois dos cooperadores de Paulo pós manterem a fé e boa consciência, naufragaram na fé, pelo que Paulo os entregou a Satanás (1 Tm 1.19, 20). Demas, outro associado ministerial de Paulo é declarado um ajudante fiel. Estava presente quando Paulo escrevia suas epístolas aos Colossenses e a Filemom (Cl 4.14; Fl v.24). Paulo mesmo o chamou de “cooperador” seu. É, pois, difícil compreender que Demas não fosse um crente verdadeiramente salvo. Apesar disto, mais tarde abandonou a fé, literalmente perdeu a salvação, por causa do seu “amor’ ao presente século” (2 Tm 4.10). Apesar de tudo, o crente não tem porque ter medo. Pois aquele que não dormita e nem dorme, “aquele que te guarda” (Sl 121.3), diz: “Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2.10).
GRAÇA – Contra o Calvinismo – Roger Olson – Editora Reflexão
AINDA QUE EU TENHA LHE PROVADO que minha teologia, arminianismo clássico, não diz que as pessoas salvam a si mesmas através de suas boas obras ou que contribuam com qualquer coisa meritória para sua salvação, meu interlocutor calvinista não estava convencido. “Sua teologia”, ele acusou, “ainda é semipelagiana, se não plenamente pelagiana”.
Ligeiramente ofendido pelo fato de considerar o pelagianismo e o semipelagianismo como heresias, eu lhe pedi para que explicasse mais plenamente. Pensei que ele tivesse a consciência que os arminianos não acreditam em obras de retidão e que realmente acreditam que a salvação é inteiramente da graça e que não possui nenhuma relação com obras meritórias. Mas sua resposta foi a seguinte: “Pelo fato de vocês colocarem o fator decisivo na salvação em sua própria decisão de livre-arbítrio”.
Na época, anos atrás, eu jamais havia ouvido essa acusação, mas eu tinha certeza de que nenhum arminiano diz isso. Quando pressionado, meu amigo calvinista disse: “Sabe, se a salvação não for uma obra inteiramente de DEUS e não tiver relação alguma com o que fizermos, ela não é inteiramente da graça e não é um dom”. Ao tornar a salvação dependente da livre aceitação da pessoa da graça de DEUS, você transforma a salvação em uma boa obra e, portanto, não mais um dom; e tal entendimento contradiz Efésios 2.8-9. Desde então, tenho me deparado muitas vezes com essa acusação contra o arminianismo (e todas as te-ologias não calvinistas). De alguma maneira esta noção de que os não calvinistas tornam sua decisão livre (de livre-arbítrio) o “fator decisivo na salvação” tem se tornado um mantra para muitos calvinistas.
Enquanto eu realmente penso que esta acusação específica tenha uma resposta apropriada (que eu explicarei adiante), a questão subjacente nesta conversa era na verdade acerca da graça como sendo resistível ou irresistível. Um exame mais cuidadoso sugere que é este exatamente o problema subjacente, de que o arminianismo é o equivalente a “obras de retidão”. Como que a graça salvífica de DEUS traz o benefício da morte expiatória de CRISTO, perdão, reconciliação com DEUS e justificação na vida de uma pessoa? É um dom imposto ou um dom recebido livremente.
A visão calvinista é chamada de monergismo – de duas palavras gregas que significam “um” e “energia” ou “ação”. O monergismo é a crença de que a salvação é uma ação inteiramente de DEUS do início ao fim sem qualquer cooperação da pessoa sendo salva além daquilo que DEUS incute naquela pessoa. A alternativa é o “sinergismo” – a crença de que a salvação é inteiramente da graça, mas que exige livre cooperação para que ela seja ativada na vida de uma pessoa.
Athanasius, On the Incarnation of theWord 2.9, em Select Writings and Letters of Athanasius, Bishop of Alexandria, trans. Archibald Robertson, Nicene and Post-Nicene Fathers, second series, vol. 4 (Grand Rapids: Eerdmans, 1980), 40 – 41.
 For these historical fAts see Allen, “The Atonement: Limited or Universal?” 67 – 77.
A DOUTRINA CALVINISTA DA GRAÇA IRRESISTÍVEL OU EFICAZ / MONERGISMO
Há um motivo pelo qual o “I” segue o T, o U e o L na TULIP, e não é apenas pelo fato de é assim que escrevemos o nome dessa flor. Para os calvinistas, a graça irresistível, que muitos preferem chamar de “fraca eficaz”, é bíblica e logicamente necessária em razão da depravação total, eleição incondicional e expiação limitada. Para dar embasamento bíblico eles geralmente fazem uso de João 6.44: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou não o atrair; e eu o ressuscitarei no último dia”. Eles interpretam “atrair” como “compelir”, mas sem a conotação de força externa contra a vontade da pessoa. Em outras palavras, DEUS verga a vontade da pessoa eleita de maneira que ela quer vir a JESUS com arrependimento e fé. Quanto à lógica, o argumento é que pelo fato de as pessoas serem totalmente depravadas e mortas em pecados e delitos, a menos que DEUS elege a pessoa, essa pessoa jamais responderá à chamada interna do ESPÍRITO SANTO. Assim, o ESPÍRITO SANTO precisa mudar a pessoa internamente de uma maneira eficaz, que é a regeneração. Então a pessoa nascida de novo deseja vir a CRISTO, e, neste caso, a pessoa recebe arrependimento e fé (conversão) e justificação (perdão e imputação da justiça de CRISTO). Este processo é chamado de “graça monergista” ou simplesmente “monergismo”.
O teólogo reformado Henry Meeter, no livro nism, define o monergismo desta maneira:
Alguém pode dizer, DEUS planejou a salvação e ele a obteve em CRISTO. Agora, a escolha de aceitação ou rejeição é somente minha. Em certo sentido, isso é verdade. Mas quem é a causa que faz com que o Cristão aceite a CRISTO? “Não há ninguém que entenda ninguém que busque a DEUS”. Então CRISTO envia o ESPÍRITO SANTO aos nossos corações obstinados, nos regenera, coloca a fé e o amor de DEUS, assim como novas ambições e desejos, isto ele faz com poder irresistível – não, como os arminianos dizem, se nós o deixarmos; nós jamais permitiríamos que isso acontecesse de maneira espontânea. Nós somente operamos nossa própria salvação porque é DEUS quem opera em nós… Deste modo, toda a obra de redenção, em sua essência, é obra de DEUS. DEUS, o Pai, a planejou. DEUS, o Filho, a obteve. E DEUS, o ESPÍRITO SANTO, a aplicou, regenerando o coração e a vida. Se Meeter apresentou o arminianismo de maneira correta é debatível, e eu tenho desafiado descrições semelhantes a esta em meu livro Teologia Arminiana: Mitos e Realidades. Contudo, a descrição acima é uma expressão clara e concisa do monergismo universalmente mantido e defendido entre os calvinistas.
A questão é que, para o calvinista, qualquer contribuição que a pessoa humana fizer à sua salvação é, na verdade, embora imperceptível, uma obra de DEUS nele ou nela. Meeter parcialmente cita Filipenses 2.12, que diz: “De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora em minha ausência – assim também operai a vossa salvação com temor e tremor”. O versículo 13, que Meeter omite (possivelmente por engano), diz: “Por que DEUS é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” Para ele e todos os calvinistas que encontrei, o que Paulo quer dizer é isto: “Se você estiver operando a sua salvação com temor e tremor, lembre-se de que é DEUS quem está fazendo tudo isso em e através de você” Somente desta forma é que se pode atribuir toda a glória para DEUS na salvação.
Será que Calvino acreditava na graça monergista? Que ele acreditava está revelado em suas Institutas da Religião Cristã onde ele faz referência ao “chamado interior”, ele declarou:
“A própria administração da vocação eficaz… evidencia ser ela obra da graça divina” Ele continua: “Além disso, também a própria natureza e administração da vocação demonstram isto claramente, as quais não subsistem só pela pregação da Palavra, mas também da iluminação do ESPÍRITO… Quando DEUS se mostra com a luz de sua Palavra aos que não o mereciam, nisso exibe evidência mui luminosa de sua graciosa bondade. Aqui, pois, já se manifesta a imensa bondade de DEUS, mas não a todos para salvação, porque aos réprobos espera juízo mais grave, porquanto rejeitam o testemunho do amor de DEUS [Claro, Calvino já havia anteriormente deixado claro que isto se dá em razão deles serem predestinados para tal]. E também DEUS, a fim de realçar sua glória, subtrai deles a eficiência de seu ESPÍRITO. Portanto, esta vocação interior é o penhor da salvação, o qual não pode enganar. O que é pertinente essa afirmação de João: “Daí sabemos que somos seus filhos: que nos deu de seu ESPÍRITO” 1 Jo 3.24; também 4.13]. E para que a carne não se glorie de que ao menos lhe respondeu ao chamado e se ofereceu espontaneamente, afirma que não havia nenhum ouvido para ouvir, nem olhos para ver, senão aqueles que ele próprio fez. Ele os fez, porém, não segundo a gratidão de cada um, mas em função de sua eleição.
Na citação anterior Calvino claramente expressa o monergismo ou a graça irresistível. DEUS “faz” com que os ouvidos do pecador eleito ouça e que os olhos vejam o evangelho e ele “retira” aquela “atuação eficaz” (graça irresistível) dos não eleitos, os réprobos.
Como explicarei posteriormente, a maioria dos calvinistas alegam que os sinergistas querem ser capazes de se vangloriar, mesmo que apenas por um pouquinho, dizendo que contribuíram com algo para sua salvação e/ou estão tão enamorados com o livre-arbítrio que não podem convencer a si mesmos em aceitar o fato de que DEUS faz tudo na salvação e que eles não contribuem com nada. Tal descrição, entretanto, não reflete as verdadeiras declarações feitas pelos sinergistas. A questão é que a maioria dos sinergistas rejeita o monergismo em razão da implicação necessária afirmada abertamente por Calvino de que ela exige que DEUS retenha ou retire a graça monergística de muitos das inúmeras pessoas que ele criou à sua imagem e semelhança para a condenação e sofrimento eterno “para sua glória”.
Este Calvino afirma claramente acerca dos réprobos: “são suscitados para este fim, ou seja, para que através deles a glória de DEUS resplandeça”’. A fim de que ninguém entenda mal a fonte de sua reprovação: “Quando, pois, se diz ou que DEUS endurece, ou cumula de misericórdia a quem quis, com isso são os homens admoestados a não buscar nenhuma outra causa que esteja fora de sua vontade”. A única razão pela qual os cristãos evangélicos não calvinistas se opõem ao monergismo é porque o monergismo faz de DEUS a causa última, ainda que de forma indireta, da descrença e condenação dos réprobos. O monergismo fere seriamente a reputação de DEUS.
Lorraine Boettner segue Calvino bem de perto ao atribuir tudo na salvação a DEUS à exclusão de qualquer cooperação humana livre com a graça. Ele embasa esta visão nas doutrinas da depravação total e eleição incondicional. “Se o homem está morto em pecado, então nada menos que… poder doador de vida do ESPÍRITO SANTO irá fazer com que faça aquilo que é espiritualmente bom”. Desta forma, a regeneração deve preceder a conversão: “A regeneração é um dom soberano de DEUS graciosamente concedido àqueles a quem Ele escolheu”. Ela envolve uma mudança essencial de caráter de sorte que a pessoa regenerada quer se arrepender, acreditar e servir a DEUS. Boettner assegura que esta doutrina da graça irresistível é a única teologia evangélica porque somente ela atribui toda a obra da salvação à DEUS. portanto, dando a glória apenas a DEUS 7. O autor alega que o arminianismo não é evangélico porque ele faz com que o homem, no final das contas, tenha “o fator de decisão” e não DEUS. É por isso que ele e outros calvinistas atacam a teologia arminiana como “centrada no homem” em vez de “centrada em DEUS”.
Entretanto, precisamos imaginar quem é o DEUS no centro desta teologia. Boettner admite que DEUS poderia salvar a todos, pois a eleição para a salvação é incondicional e a regeneração e a fé são dons unicamente de DEUS dados apenas para os eleitos: “Mas por razões que foram reveladas apenas parcialmente. Ele deixa muitos impenitentes”. Enquanto os não calvinistas estão dispostos a admitir que o calvinismo rígido é centrado em DEUS, eles tem bons motivos para se indagar como exatamente fazer distinção entre o DEUS que ele se centra e entre Satanás – exceto no fato de que Satanás quer que todas as pessoas vão para o inferno e DEUS quer que apenas certo número de pessoas seja condenado ao inferno. Isso pode parecer severo, mas é esta a razão pela qual a maioria dos cristãos não é calvinista. E isso não é menos severo do que a frequente acusação feita pelos calvinistas de que os arminianos (e outros não calvinistas) colocam o homem, e não DEUS, no centro de sua teologia, pois estes querem se gloriar e roubar a merecida glória de DEUS.
De maneira irônica e confusa, Boettner prossegue para alegar que o monergismo não exige nenhuma violação da livre agência do pecador. “Esta mudança [isto é, regeneração] não é realizada por meio de qualquer compulsão externa, mas através de um novo princípio de vida que foi criado dentro da alma e que busca pelo único alimento que pode satisfazê-la [isto é, a Palavra de DEUS]”10. Então ele aumenta a confusão ainda mais ao dizer que “os eleitos são influenciados de tal maneira pela força divina que sua chegada é um ato da escolha voluntária”. Alguém pode se indagar qual o significado de “escolha voluntária” neste contexto; eu presumo que Boettner esteja se referindo à liberdade compatibilista de Edwards e de outros calvinistas – liberdade compatível com o determinismo.
Steele e Thomas opinam sobre esta doutrina que eles chamam de “a chamada eficaz do ESPÍRITO”. Explicada de maneira simples, esta doutrina declara que o ESPÍRITO SANTO jamais falha em trazer à salvação os pecadores a quem Ele pessoalmente chama para CRISTO. Ele inevitavelmente aplica a salvação a todo pecador a quem Ele intenciona salvar e é Sua intenção salvar todos os eleitos”. Assim como Calvino, Boettner e a maioria dos calvinistas, eles fazem uma distinção entre uma “chamada geral e externa” do evangelho, que é um convite universal para a salvação a todas as pessoas e uma “chamada especial e interna” que é enviada apenas aos eleitos e que afeta a regeneração dos eleitos antes que estes respondam com arrependimento e fé. Esta chamada especial é irresistível: “A graça que o ESPÍRITO SANTO estende aos eleitos não pode ser frustrada ou recusada, ela jamais falha em trazer os eleitos à verdadeira fé em CRISTO”.
Como embasamento bíblico Sttele e Thomas fazem uso de Romanos 8.30: “E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou” A omissão de 8.29 é conveniente ao propósito deles de mostrar DEUS completa e unicamente responsável pela regeneração. O versículo diz: “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” Aqui a eleição está embasada na presciência de DEUS – algo que os calvinistas rejeitam como erro. Isso sem contar que o versículo 30 nada diz acerca da graça como sendo irresistível. Além do mais, Paulo pula a regeneração e vai para a justificação. Este verso, em seu contexto e não tratado eisegeticamente (inserindo significados no texto que não estão lá), não corroboram a graça irresistível. O calvinista Palmer concorda totalmente com Calvino, Boettner, Steele e Thomas acerca da graça irresistível, e pelos mesmos motivos; mas ele enfatiza mais a resposta ativa à graça que é necessária da parte da pessoa eleita caso ela deva ser salva. Como já temos visto, assim como alguns calvinistas, Palmer se deleita no paradoxo. Eis aqui outro caso:
Embora seja verdadeiro que ninguém poderia ser salvo se não fosse pela graça irresistível de DEUS, ninguém pode jamais cair na armadilha racionalista de dizer que a pessoa não tem nenhum papel a fazer. Não é possível raciocinar assim uma vez que tudo depende do ESPÍRITO SANTO, que a pessoa não precise crer ou que deva simplesmente esperar pelo ESPÍRITO SANTO para movê-lo e não há nada que a pessoa possa fazer para ser salva.
Esta advertência parece calvinista e arminiana ao mesmo tempo; Palmer aparentemente quer ficar com o bolo intacto e ao mesmo tempo quer comer uma fatia dele. Observem especificamente as palavras finais de sua afirmação onde ele adverte contra acreditar que não haja nada que uma pessoa possa fazer para ser salva. Após isso ele escreve: Se você assim o fizer [acreditar] agradeça a DEUS por fazer com que aja assim “15. Então, por um lado DEUS “faz” com que o eleito creia, e somos proibidos de sugerir que tal ação seja de qualquer forma um ato do livre-arbítrio . Por outro lado, somos impedidos de sugerir que a pessoa não precisa, de fato, fazer nada. Estas idéias são difíceis, se não impossíveis, de serem reconciliadas.
R. C. Sproul também defende a graça irresistível: “DEUS, unilateralmente e monergisticamente, faz para nós o que nós não podemos fazer para nós mesmos”. Ele prefere chamar tal ação de “graça eficaz” a fim de que ninguém seja levado a entender errado o conceito ao pensar que DEUS força alguém a ser salvo contra sua vontade. Antes, DEUS graciosamente comunica o dom da fé de maneira que a pessoa quer acreditar: “A fé pelo qual somos salvos [eleitos] é um dom. Quando o apóstolo diz [em Ef. 2.8-9] que não é por nós mesmos, ele não quer dizer que não seja nossa fé. Novamente, DEUS não crê por nós. É nossa fé, mas não se origina de nós. É dada a nós. O dom não é merecido. É um dom de pura graça”. Além do mais, “toda a questão da graça irresistível é que o renascimento vivifica a pessoa para a vida espiritual de tal maneira que JESUS agora é visto em sua irresistível doçura”.
Para Sproul, então, DEUS “monergistica e unilateralmente” salva a pessoa eleita ao dar-lhe o dom da fé, que então é a própria fé da pessoa e DEUS regenera a pessoa de maneira que ela, pela primeira vez, vê JESUS “em sua doçura irresistível”. Tudo isso sem violar a vontade da pessoa.
Assim como Boettner, Sproul considera a graça irresistível ou graça eficaz como uma questão ainda mais essencial e básica da teologia protestante (e, portanto, evangélica) do que a justificação só pela fé. Afinal de contas, ele argumenta, se uma pessoa contribui com qualquer coisa para a salvação, incluindo uma mera permissão para consentir que DEUS trabalhe então a justificação não é só pela graça. A questão da graciosidade da salvação é mais importante, pois ela é mais elementar do que a questão da salvação só pela fé. “Aqui chegamos ao ponto final entre semipelagianismo e agostinianismo, entre arminianismo e calvinismo, entre Roma e a Reforma”.
Observem como Sproul está colocando o arminianismo, no qual ele quer dizer qualquer visão protestante que não seja o calvinismo rígido está do lado de “Roma” – e com isso quer dizer o catolicismo romano – em contraste com a Reforma. O que ele está dizendo é que o arminianismo (ou seja, qualquer visão além da sua) não é realmente protestante e, portanto, também não é evangélica. Eu moro no Texas e aqui nós podemos dizer: “Isso vai dar briga!” Sério, precisamos imaginar qual é o motivo que leva Sproul a ser tão descaradamente ofensivo com seus companheiros cristãos protestantes, incluindo todos dentro da tradição wesleyana, todos os pentecostais, muitos, se não todos os batistas e muitos outros cristãos evangélicos que, por boas razões, não aceitam seu ponto de vista.
Sproul continua:
“Na visão da Reforma, a obra de regeneração é realizada por DEUS e por ele sozinho. O pecador é completamente passivo em receber esta ação. A regeneração é um exemplo da graça operativa. Qualquer cooperação que demonstrarmos para com DEUS ocorre apenas depois que a obra de regeneração tem sido completada”.
O único suporte que Sproul apresenta para esta alegação de que esta seja a “visão reformada” é a dura resposta de Lutero dada a Desidério Erasmo (1466-1536) intitulada “A Escravidão da Vontade”. Neste documento Lutero reconhecidamente expressou essa visão. O fato de ele ter expressado essa visão faz com que ela seja a “visão reformada”? Dificilmente, o braço direito de Lutero, Philip Melanchthon (1497 – 1560), era mais um sinergista, concordando com Erasmo que a salvação envolve alguma cooperação com a graça de DEUS pela pessoa humana ainda que ele tenha insistido energicamente que não existe mérito nesta cooperação. Os anabatistas da reforma, tais como Balthasar Hubmaier (1480 – 1528) e Menno Simons (1496 – 1561) enfatizaram o livre-arbítrio em detrimento da graça monergística. A apresentação de Sproul da visão de salvação monergista em oposição a todas as outras como sendo visões católicas romanas é, no melhor dos casos, enganoso e, no pior, hipócrita.
John Piper pode ser contado entre os que concordam com Calvino, Boettner, Steele e Thomas, Palmer e Sproul. Mergulhando no paradoxo juntamente com eles, ele escreve: “DEUS fará com que os eleitos ouçam o convite e que respondam de maneira apropriada… Mas ele não faz isso de maneira que diminua nossa responsabilidade de ouvir e crer”. Ele também argumenta que a graça irresistível, aliada à eleição incondicional, formam o único motivo razoável para a oração intercessória e a batalha espiritual. Isso se dá, ele defende, pois não faz sentido orar pela salvação dos perdidos ou pela derrota de Satanás, a quem ele admite que é o “o deus deste mundo”, a menos que DEUS intervenha poderosamente para que tais coisas aconteçam. Se as pessoas possuem o livre–arbítrio, Piper argumenta, não há motivos para orarmos pela salvação destas pessoas ou que elas não suportam Satanás em sua “devastação” do mundo. “Ou desistimos de orar para que DEUS converta pecadores ou desistimos da autodeterminação humana suprema” 24.
Claro, qualquer um pode enxergar a profunda ironia em tais alegações. Em outro lugar desta obra Piper afirmou inequivocamente que DEUS ordena, governa e até causa tudo o que acontece 25. Seja lá qual for o caso, foi quem DEUS ordenou. Se ele responder a uma oração-por exemplo, para a salvação de um ente querido perdido – é porque ele a preordenou. A oração, na verdade, não muda coisa alguma; ela é apenas um meio preordenado para um fim preordenado. Piper é um determinista divino, quer ele goste do rótulo ou não. Então, qual papel a oração ou a batalha espiritual têm em sua teologia? Certamente a oração e a batalha espiritual não podem realmente fazer com que algo aconteça diferente do que DEUS, de uma forma ou de outra, já tenha planejado agir e que necessariamente irá agir.
MAIS DANO A REPUTAÇÃO DE DEUS
Na próxima seção deste capítulo, “Alternativas à Graça Irresistível/ Monergismo”, eu mostrarei que muitas das acusações feitas pelos calvinistas, tal como a do Sproul contra todas as visões não calvinistas e, em especial, a visão arminiana, todas estas acusações erram o alvo por completo. Nesta seção quero mais uma vez expor as falácias dos argumentos calvinistas para o monergismo e demonstrar que o monergismo.
na verdade, traz danos a reputação de DEUS ao necessariamente solapar a bondade e o amor de DEUS.
Inicio com refutações às interpretações de passagens bíblicas comumente feitas por calvinistas que supostamente exigem o monergismo. Tais versículos mais importantes se encontram em João 6.44-45onde JESUS diz que ninguém pode vir a Ele a menos que o Pai o “traga” para Ele. Sproul e outros calvinistas argumentam que o verbo grego aqui traduzido por “atrair” sempre e unicamente significa “compelir”. Em uma dissertação brilhante, mas não publicada, cujo título é The ‘Drawings’ of God,” (“As ‘Atrações’ de DEUS”), o pastor e teólogo Steve Witzki prova conclusivamente que Sproul está errado. Ele faz citações de vários léxicos gregos dizendo que a palavra grega nem sempre significa “compelir”, mas que frequentemente significa “trazer, atrair”.
Sproul cita uma obra de referência que muitos consideram autoridade em assuntos de interpretação do grego neotestamentário — KittePs Theological Dictionary ofthe New Testament (Dicionário Teológico do Novo Testamento deKittel) — para corroborar sua definição do termo por todo o Novo Testamento, incluindo João 6.44 e passagens cognatas. Todavia, Witzki cita Kittel como permitindo uma possibilidade mais ampla de possíveis significados. Em referência a João 6.44 e 12.33, o autor do artigo de Kittel (Albrecht Oepke) escreve:
Aqui não há o pensamento de força ou mágica. O termo figurativamente expressa o poder sobrenatural do amor de DEUS ou CRISTO que é estendido a todos… mas sem o qual ninguém pode vir… A aparente contradição mostra que tanto a eleição quanto a universalidade da graça devem ser levadas a sério; a compulsão não é automática.
O argumento mais devastador contra o exemplo de Sproul como o termo sempre significando “compelir” é João 12.32. Na passagem em questão JESUS diz: “quando for levantado da terra, atrairei todos a mim”. O verbo grego aqui é o mesmo de João 6.44 e 65. Se Sproul estiver correto e o verbo deva sempre significar “compelir”, então este verso ensina o universalismo. Na verdade, a palavra pode significar simplesmente trazer ou atrair em vez de compelir ou arrastar. A interpretação arminiana destes versículos em João 6 e 12 é sensata: que ninguém pode vir a JESUS CRISTO a menos que a pessoa seja atraída pela graça preveniente de DEUS que chama e capacita, mas que não compele.
Existem versículos que contradizem a graça irresistível? Steve Lemke compilou muitas passagens que a desaprovam. Por exemplo, Mateus 23 e Lucas 13 descrevem o lamento de JESUS sobre Jerusalém:
“Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram. Eis que a casa de vocês ficará deserta. Pois eu lhes digo que vocês não me verão desde agora, até que digam: ‘Bendito é o que vem em nome do Senhor”'(Mateus 23.37-39).
Lemke corretamente observa que se o calvinismo estiver correto, “o lamento de JESUS deveria teria sido sobre a dureza do coração de DEUS”. Existem muitas passagens como esta na Bíblia onde DEUS, JESUS ou um profeta denuncia pesarosamente a dureza de coração do povo como se o povo pudesse agir de maneira contrária. Se a graça irresistível fosse verdadeira, claro, JESUS poderia simplesmente ter atraído eficazmente o povo de Jerusalém para Si. Por que ele assim não o fez se estava tão pesaroso acerca de sua rejeição? E por que ele estaria triste acerca da rejeição se ela, assim como tudo, foi preordenado por DEUS?
A resposta comum dos calvinistas para estas passagens é que DEUS está triste em relação à dureza de coração do povo e a rejeição dEle. Que DEUS não faz nada a esse respeito só pode ser porque ele escolhe não fazer e que ele escolhe não fazer só pode ser em razão de que seu motivo mais forte (definição de livre-arbítrio de Edwards) não quer. Em suma, ele não quer, mas deseja que poderia. A única pista que os calvinistas nos dão para explicar o motivo pelo qual DEUS não faz o que ele deseja é que isto é para “sua glória”. Que tipo de DEUS é glorificado por pessoas que o rejeitam quando ele escolhe não vencer essa rejeição quando ele poderia vencer tal rejeição?
Além disso, por que DEUS ficaria triste ou pesaroso acerca daquilo que lhe glorifica? Que analogia possível poderia existir para tal em se tratando de experiência humana? Imagine que um pai possui uma poção do amor que faria com que todos os seus filhos o amassem e que jamais se rebelassem contra ele. Ele dá a poção à alguns de seus filhos, mas não a dá a outros e então chora pelo fato de que alguns de seus filhos o rejeitam e não o amam. Quem levaria esse pai a sério? Ou, se o levássemos a sério, quem não pensaria que ele é insincero ou um tanto quanto louco? Lemke conclui a partir da história do lamento de JESUS sobre Jerusalém:
Se JESUS acreditasse na graça irresistível, tanto na chamada externas quanto na interna, seu lamento aparente sobre Jerusalém teria sido apenas um ato insincero, um show de dissimulação pelo fato dele saber que DEUS não iria e que não daria a tais pessoas perdidas as condições necessárias para a salvação das mesmas”.
Outra passagem bíblica interessante mencionada por Lemke é Mateus 19.24, onde JESUS diz aos discípulos: “E lhes digo ainda: é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de DEUS”. Qual é o sentido deste versículo à luz da graça irresistível? JESUS está dizendo que é mais difícil para DEUS salvar um rico do que um pobre? Como pode isso? Se todos, sem exceção, apenas entram no reino de DEUS pela obra de DEUS apenas sem nenhuma cooperação exigida da parte da pessoa, então a fala de JESUS não faz sentido algum. Novamente, o comentário de Lemke é preciso:
Claro, se JESUS fosse calvinista Ele jamais teria sugerido que é mais difícil para os ricos serem salvos pela graça irresistível de DEUS do que os pobres. Suas vontades teriam sido mudadas imediata e invencivelmente no momento da chamada eficaz de DEUS. Não seria mais difícil para um rico ser salvo pela chamada monergista e irresistível de DEUS do que seria para qualquer outro pecador. Mas o JESUS real estava sugerindo que a salvação das pessoas estava, em certa medida, atrelada a sua resposta e compromisso com Sua chamada.
Lemke também aponta para as inúmeras chamadas totalmente inclusivistas na Bíblia que pedem para que as pessoas venham a DEUS e a CRISTO, principalmente as passagens já discutidas sobre o “todo” que expressam o desejo de DEUS para que todos sejam salvos e que ninguém pereça (Mateus 18.141 Timóteo 242 Pedro 3.9 e 1 João 2.2). Como já demonstrei estas passagens não podem ser interpretadas como se referindo apenas a algumas pessoas.
Mais devastador de tudo, Lemke corretamente enfatiza que “os calvinistas essencialmente culpam a DEUS por aqueles que não vêm [à salvação]”. Afinal de contas, enquanto dizem que os que rejeitam o evangelho simplesmente recebem o abandono merecido quando são condenados, “há muito mais nesta questão do que meramente isso. Os calvinistas dizem que DEUS elegeu alguns para a glória por motivos pessoais próprios desde que o mundo começou, e que Ele concedeu graça irresistível através de Seu ESPÍRITO de maneira que estes inevitavelmente serão salvos”. Essa é a questão principal contra esta doutrina do calvinismo (assim como é o ponto principal contra todas as doutrinas calvinistas!). Tal entendimento retrata DEUS como uma pessoa que faz acepção de pessoas porque ele escolhe salvar alguns irresistivelmente e escolhe que outros não recebam este dom crucial, que como resultado disso, fará com que sejam condenados para sempre. O fato de merecerem a condenação não é a questão. A questão é que todos merecem a condenação, mas DEUS é seletivo de forma a salvar alguns de maneira irresistível e abandona outros para que sofram no inferno uma separação eterna de DEUS. Os calvinistas não apresentam nenhum motivo para isso além do “para o Seu beneplácito” e/ou “para a glória DEUS”
Todavia, todos os calvinistas alegam que DEUS é bom e amável. Que bondade e que amor é esses? Na verdade, para dizer sem rodeios, o calvinismo necessariamente implica, quer qualquer calvinista diga ou não, que DEUS exige uma melhor qualidade de amor de nossa parte do que o amor que ele mesmo exerce! Em Lucas 6.35 e em passagens paralelas, JESUS pede para que amemos nossos inimigos; não há uma única sugestão de qualquer exceção. Mas, de acordo com o calvinismo, DEUS não faz isso. Claro, alguns calvinistas insistem que DEUS realmente ama até mesmo seus inimigos réprobos. Mas não há nenhuma analogia para este tipo de amor na experiência humana. Seria um amor na qual a pessoa poderia resgatar alguns de mortes terríveis, mas que escolhe não salvá-las a fim de mostrar quão grande ele é. Há alguma analogia para esta “bondade” e “amor” na experiência humana? Se não, então eu sugiro, com Paul Hem, que este amor e esta bondade são insignificantes.
Walls e Dongell oferecem uma analogia para testar se qualquer ser humano poderia ser considerado amável ou bom caso ele agisse conforme o calvinismo diz que DEUS age ao conceder a graça irresistível apenas a algumas de suas criaturas humanas caídas. (Lembre-se, ele criou tudo a sua imagem e semelhança). Na ilustração desses autores, um médico descobre uma cura para uma doença mortal que está dizimando um grupo de crianças de um acampamento e dá a cura ao diretor do acampamento. O diretor aplica a cura em algumas das crianças de maneira que elas são curadas e nega a cura para as outras crianças de sorte que elas morrem de maneira terrível. Ele não está com o remédio em falta; não há nada que impeça o diretor de curar todas as crianças. Ainda que algumas crianças tenham resistido à cura, o diretor tinha a habilidade de persuadir a todas elas para que tomassem o remédio; ele só persuadiu algumas das crianças. Quando os pais confrontarem o diretor, ele defende apaixonadamente que ele amava a todas as crianças – até mesmo as que morreram. Ele cuidou delas quando elas estavam doentes e as deixou da maneira mais confortável possível. Walls e Dongell corretamente concluem:
A alegação do diretor de amar todas as crianças é, no seu melhor, vazia e, no seu pior, enganadora. Se o amor não emprega todos os meios disponíveis para resgatar alguém da sua perda definitiva, é difícil ouvir que tal seja amor de alguma forma. Em nosso julgamento, torna-se sem sentido alegar que DEUS quer salvar a todos ao passo que insistimos que DEUS se abstém de tornar a salvar possível a todos. O que devemos fazer com um DEUS que pede para que façamos aquilo que ele mesmo não faz?
A questão pura e simples é que a doutrina da graça irresistível, a salvação universal que a maioria dos calvinistas rejeita, leva à “consequência lógica e necessária” de que DEUS não é bom e que não é amável. Agora, claro, nenhum calvinista admitiria isso! Mas o ensinamento deles deveria levar uma pessoa pensante a esta conclusão. E o que eles dizem é inconsistente e, portanto, altamente problemático, se não completamente incoerente. Quando escuto ou leio um calvinista rígido dizendo que DEUS ama a todos e que é um DEUS bom, eu não tenho a mínima ideia do que isso significa.
Outro problema com a graça irresistível é que os relacionamentos pessoais exigem mutualidade. O filósofo-teólogo holandês Vincent Brümmer demonstrou isso conclusivamente em seu ensaio Speaking of a Personal God (Falando de um DEUS Pessoal), onde ele apresenta um argumento passo-a-passo que a mutualidade, no sentido de resposta livre que é resistível, é parte de qualquer relacionamento pessoal. Sem liberdade da vontade, que inclui a habilidade de resistir, os atos de uma pessoa não são realmente “atos” de jeito algum, mas “eventos” 3Ó. Por definição, a realização de um relacionamento pessoal exige atos livres de ambas as partes em relação de uma para com a outra:
Para a realização de um relacionamento pessoal a iniciativa de ambas as partes no relacionamento é necessária. Dado que ambas as partes em tal relacionamento são pessoas, ambas possuem, por definição, a liberdade da vontade, na qual deve ser fAtualmente possível para ambas as partes dizer “não” para a outra e assim impedir o relacionamento de entrar em existência. Apenas pelos meios do “sim” de uma parte que a outra recebe a liberdade de habilidade para realizar o relacionamento. Neste aspecto, os relacionamentos pessoais são simétricos e diferem dos relacionamentos puramente causais, que são assimétricos, pois apenas uma parte (a causa) possa ser o iniciador. A outra parte em um relacionamento puramente causai é um objeto de manipulação causai e, portanto, carece de liberdade da vontade para ser capaz de dizer “não” no que diz respeito ao que lhe acontece”.
Brümmer argumenta adiante que em nosso relacionamento com DEUS, DEUS pode ser o iniciador e deve ser em virtude de nossa carência de “liberdade de habilidade” devido a nossa pecaminosidade. Todavia, “um relacionamento pessoal com DEUS supõe que a parte humana também permanece uma pessoa no relacionamento e que sua livre escolha é igualmente uma condição necessária para que o relacionamento aconteça”. Por fim, Brümmer nega a ideia de graça irresistível ao dizer que mesmo DEUS não pode realizar nossa escolha sem fazer com que ela deixe de ser nossa. Por definição, um relacionamento pessoal com DEUS não pode ser fAtualmente [realistamente] inevitável para parte humana. Por esta razão a doutrina da irresistibilidade Atual [real] exclui um relacionamento pessoal entre DEUS e as pessoas humanas.
Não é preciso ser filósofo para estabelecer estes fatos; eles são do senso comum. Mas ajuda ter um filósofo que sustente tais fatos. E em nada ajudará o fato de os calvinistas reclamarem com os críticos pelo fato de apelarem à filosofia; eles são bons em usar a filosofia quando ela corrobora seus argumentos. O senso comum apenas dita que um relacionamento verdadeiramente pessoal sempre envolve o livre-arbítrio; na medida em que uma parte controla a outra de tal forma que a outra não tem uma escolha real de estar ou não no relacionamento, não é um relacionamento real. Não faz diferença se ambas as partes queiram estar no relacionamento. Imagine uma amizade onde uma pessoa manipula a outra para que a outra seja sua amiga. Talvez a pessoa tenha dado dinheiro ou até mesmo tenha drogado a outra pessoa para torná-la amigável. Qualquer observador imparcial de tal “amizade” diria que ela não é uma amizade legítima – pelo menos não é uma amizade saudável. O consentimento mútuo e informado é um pré-requisito para qualquer bom relacionamento.
Mas Brümmer não abandona a questão neste ponto. Ele concentra sua crítica bem na própria noção de salvação do calvinismo rígido. Referindo-se ao calvinismo rígido com a metonímia de “Dordt” (fazendo referência ao Sínodo de Dort), ele diz:
Surpreende-me que as dificuldades aqui tenham sua fonte no fato de que os teólogos de Dort não viram a salvação humana em termos de um relacionamento pessoal com DEUS, mas em termos de uma condição renascida em nós. A única questão então diz respeito à causa desta condição: é DEUS ou nós, graça ou livre-arbítrio.
Mas quando a salvação é considerada não como uma condição meramente causai, mas também e ainda mais uma relação pessoal, como a maioria dos evangélicos de fato a consideram, a ideia que a salvação pode ser fundada tanto na graça quanto na vontade humana (com a graça tendo superioridade) é convincente.
lrei encorpar esta descrição e crítica da doutrina calvinista da graça irresistível, monergismo, com uma citação apropriada de Vernon Groun-ds, um teólogo evangélico que concorda completamente com Brümmer:
“DEUS lida pessoalmente com seres pessoais… a graça que não deixa opção alguma não é graça, é outra coisa. Devemos dizer: ‘Pela força fomos salvos e não de nós mesmos’”.
 
ALTERNATIVAS À GRAÇA IRRESISTÍVEL/MONERGISMO
Agora abordarei algumas das objeções ao “sinergismo evangélico” feita por calvinistas. Por “sinergismo evangélico” eu me refiro, em termos próximos, à teologia arminiana, embora muitos que mantém esta visão de salvação não desejam ser chamados de arminianos. Respeito essa opção ao passo que respeitosamente peço para que estes considerem que o rótulo pode ser mais apropriado do que pensam.
Há séculos que os teólogos calvinistas, pela mera repetição e deturpação, criaram uma situação onde o termo “arminiano” é amplamente visto como a designação de uma heresia. Demonstrei conclusivamente em meu livro Teologia Arminiana – Mitos e Realidades que o arminianismo não é o que eles dizem. Por exemplo, contrário ao que Sproul e outros críticos calvinistas mal informados ou insinceros, o arminianismo não é semipelagiano. Semipelagianismo é a heresia que diz que a iniciativa na salvação é nossa, da parte pessoa humana, e não de DEUS. O arminianismo sempre insistiu que a iniciativa na salvação é de DEUS, ela se chama “graça preveniente” e é capacitadora, mas resistível. Seria um choque para muitos calvinistas saber o quanto da salvação e o quanto da vida cristã tanto Armínio quanto Wesley atribuíram à graça – exatamente tudo.
Mas a teologia arminiana supõe pelo fato de a Bíblia em sua totalidade supor, que DEUS, em razão do amor, se limita de maneira que sua graça iniciadora e capacitadora seja resistível. Ela é poderosa e persuasiva, mas não é compulsiva no sentido determinista. Ela deixa o pecador como uma pessoa e não um objeto. O teólogo batista Robert E. Picirilli diz:
O que Armínio quis dizer com “graça preveniente” é que é aquela graça que precede a real regeneração e que, exceto quando resistida em último estágio, inevitavelmente conduz à regeneração. Ele foi rápido em observar que esta “assistência do ESPÍRITO SANTO” é de tal suficiência a ponto de se manter o mais distante possível do Pelagianismo”.
Outro teólogo batista, Stanley J. Grenz foi um arminiano sem rotular-se a si mesmo como tal. Em sua teologia sistemática, Theologyfor the Community o/Cod (Teologia para a Comunidade de DEUS), ele descreve a graça preveniente de três formas: iluminadora, convencedora e como convidativa e capacitadora. Ele deixa claro que ela é sempre resistível porque ela é voltada para pessoas e não máquinas, por meio do ouvir a Palavra de DEUS. A questão aqui é simplesmente esta: a teologia arminiana (e muitas outras teologias não calvinistas que não são rotuladas assim) colocam a iniciativa na salvação e toda a obra de salvação imediatamente do lado divino da equação. A graça de DEUS é a causa eficaz da salvação, mas a fé da pessoa humana em resposta à graça preveniente é a causa instrumental da salvação. O que é esta fé? É simplesmente a confiança em DEUS; não é uma “boa obra” ou qualquer coisa meritória da qual o pecador pode se gabar.
Mas e quanto aos ataques dos calvinistas contra a teologia arminiana como uma forma de autossalvação e obras de retidão análogas a (eles diriam) teologia católica romana? Calvinistas eruditos não dizem que os arminianos acreditam que eles precisam trabalhar para sua salvação; eles dizem que o arminianismo e outros não calvinistas tornam a decisão humana da fé no “fator decisivo” na salvação e, portanto, trazem de volta, ainda que sem intenção, a salvação por boas obras.
Para os arminianos, entretanto, esta acusação é ridícula. Imagine um aluno que esteja passando fome e prestes a ser despejado de seu dormitório por falta de dinheiro. Um professor bondoso dá a esse aluno um cheque de R$ 1.000,00 – o suficiente para que ele pague seu aluguel e coloque uma boa quantidade de comida em sua dispensa. Imagine, pensando mais além, que o aluno que foi resgatado leve o cheque até o banco, assine e deposite o cheque em sua conta (o que faz com que seu extrato fique com R$ 1.000,00 positivos). Imagine também que o aluno então começa a andar pelo campus se gabando de que ele mereceu receber a quantia de R$ 1.000,00. Qual seria a resposta das pessoas caso soubessem a verdade acerca da situação? Eles acusariam o aluno de ser miserável e ingrato. Mas suponha que o aluno diga: “Mas o fato de eu endossar o cheque e o depositar em minha conta é o fator decisivo para que eu conseguisse o dinheiro, então eu fiz uma boa obra que mereceu, ao menos, parte do dinheiro, não mereci?” Ele seria ridicularizado e possivelmente ainda seria ignorado pelos demais por ser uma pessoa insensata.
Em qual situação na experiência humana que o simples ato de aceitar um presente é o “fator decisivo” para recebê-lo? Isso é um fator, sim-mas dificilmente é o fator decisivo. A mera aceitação de um presente não dá o direito ao presenteado de se gabar. Ah, mas o calvinista dirá que ao aluno da ilustração acima poderia se gabar caso o professor tivesse oferecido um presente de dinheiro semelhante ao dele a outros alunos que estejam passando fome e estes alunos tenham rejeitado o presente. Ele poderia se orgulhar que, de alguma forma, ele é melhor que os outros alunos. Duvido. Ele pode tentar, mas quem acreditará nele? As pessoas lhe dirão: “Pare de querer ganhar crédito por ter sido resgatado! O fato de os outros não terem aceitado o dinheiro e terem sido despejados e estarem mendigando por comida nas ruas não diz nada em relação à você. Dê todo o crédito a quem ele pertence – ao professor bondoso”. Quem pode argumentar com isso?
Por que os arminianos e outros não calvinistas rejeitam a graça irresistível? Porque eles amam o livre-arbítrio e não querem dar toda a glória a DEUS, como sugerem alguns calvinistas? De jeito nenhum. Essa é uma calúnia indigna de qualquer um que tenha se dado o trabalho de estudar o assunto. Todo arminiano, de Armínio até hoje, sempre deixou claro o verdadeiro motivo por trás da rejeição à doutrina da graça irresistível: a preservação do caráter bondoso e amoroso de DEUS. Claro, se uma pessoa pudesse ser universalista, não haveria obstáculo necessário para a graça irresistível exceto possivelmente a questão levantada acima acerca da natureza dos relacionamentos pessoais. Todavia, se a única forma possível na qual as pessoas possam ser salvas é que DEUS as vença e as arraste para aceitar sua misericórdia, eu não teria nenhuma objeção essencial em acreditar nela conquanto que DEUS agisse assim para com todo mundo. Felizmente, existe outra forma: a graça preveniente. E uma vez que não posso acreditar na salvação universal, essa é a única alternativa ao monergismo que preserva o caráter de amor perfeito de DEUS, revelado em JESUS CRISTO.
Outra objeção calvinista comum ao sinergismo evangélico / arminianismo é que ele não leva a depravação total a sério o bastante. Afinal de contas, os calvinistas afirmam, humanos caídos são literalmente mortos em delitos e pecados. A única esperança desses caídos é que DEUS os ressuscite. Isso é verdade, mas esse ato de DEUS, a ressurreição dos caídos, não os deixa sem opção de aceitá-lo ou não. Na verdade, os arminianos e outros sinergistas realmente acreditam que a graça preveniente restaura vida à pessoa morta em delitos e pecados. Todavia, ela não os força a aceitarem a misericórdia de DEUS para a salvação, que exige arrependimento e fé (conversão).
Assim, na teologia arminiana, uma regeneração parcial realmente precede a conversão, mas ela não é uma regeneração completa. É um despertamento e uma capacitação, mas não uma força irresistível. É assim que sinergistas evangélicos interpretam as “atrações” do evangelho de João, incluindo as palavras de JESUS acerca de atrair todas as pessoas para si quando fosse levantado da terra. Na verdade, apenas estas interpretações destas atrações mantêm-nas juntas significando a mesma coisa – o poderoso poder de atração e persuasão de DEUS que na realidade partilha livre-arbítrio para ser salvo ou não. Ser salvo não é uma questão de fazer uma obra; é apenas uma questão de não resistência. Quando uma pessoa decide permitir que a graça de DEUS a salve, ela se arrepende e confia apenas e completamente em CRISTO. Esse é um ato passivo; poderia ser comparado a uma pessoa se afogando que decide relaxar e permitir que o salva-vidas a salve do afogamento.
É assim que os arminianos/sinergistas evangélicos entendem Filipenses 2.12-13 citado anteriormente. O apóstolo Paulo, sob a inspiração do ESPÍRITO SANTO, diz a seus leitores cristãos para que se lembrem de “operar” sua salvação “com temor e tremor”. Os críticos pensam que os arminianos e os sinergistas evangélicos geralmente param aqui e que ignoram o verso seguinte. Mas eles não fazem isso. Eles percebem e ensinam que se as pessoas estiverem operando sua salvação, do início ao fim, é apenas porque “DEUS está trabalhando” nelas. Esta é a graça preveniente e auxiliadora: preveniente que leva à conversão e auxiliadora por toda a vida cristã. Mas não faria sentido algum para Paulo exortar seus leitores para que operassem sua salvação com temor e tremor se DEUS estivesse fazendo tudo e eles sequer tivessem de cooperar permitindo que a graça de DEUS trabalhasse neles.
Peço a tolerância do leitor no momento em que chego á conclusão deste capítulo para apresentar duas ilustrações bem despretensiosas do sinergismo evangélico que eu acredito que façam mais justiça ao texto bíblico e a experiência cristã e ao caráter de DEUS do que as imagens e analogias calvinistas. Primeiro, imagine um poço fundo com lados íngremes e escorregadios. Várias pessoas estão deitadas débeis e feridas, completamente impotentes, no fundo do poço.
• Semipelagianismo diz que DEUS se aproxima e que joga uma corda
para o fundo do poço e espera que a pessoa comece a puxar a corda. Quando a pessoa assim o faz, DEUS responde gritando: “Segure bem firme na corda e a amarre em seu corpo. Juntos, nós te tiraremos daí”. O problema é que a pessoa está demasiada machucada para fazer isso, a corda é fraca demais e DEUS é bom demais para esperar que a pessoa inicie o processo.
• Monergismo diz que DEUS se aproxima, lança a corda para dentro.
do poço e que desce até o fundo do poço, enrola a corda em algumas das pessoas e então sai do poço e puxa aquelas pessoas para a segurança sem qualquer cooperação. O problema aqui é que o DEUS de JESUS CRISTO é bom e amável demais para resgatar apenas algumas das pessoas impotentes.
• Sinergismo Evangélico diz que DEUS se aproxima, lança uma corda e grita: “Segurem na corda e puxem e juntos nós iremos tirar vocês daí” Ninguém se mexe. Eles estão severamente feridos. Na verdade, para todos os propósitos práticos, eles estão “mortos”, pois estão completamente incapazes. Então DEUS derrama água no poço e grita: “Relaxem e deixem que a água os faça boiar até que saiam do poço!” Em outras palavras: “Boiem!”. Tudo que a pessoa no poço precisa fazer para ser resgatada é deixar que a água o faça subir e sair do poço. A ação exige uma decisão, mas não um esforço. A água, claro, é a graça preveniente.
Segundo, aqui temos uma ilustração da graça e “operação da vossa salvação” por toda a vida cristã. Durante os verões quentes eu preciso regar minhas plantas com frequência. Então vou até a torneira externa onde a mangueira está acoplada, abro toda a torneira e então vou até a outra extremidade da mangueira e arrasto a mangueira pela lateral da casa para regar um arbusto. Invariavelmente, quando chego ao arbusto e pressiono o cabo da mangueira que está acoplado à ponta da mangueira, não sai nada. Volto até a torneira e descubro que não há nada de errado lá. A pressão da água é forte; a água está fluindo na mangueira com toda a força. Ah, eu me dou conta, há um nó na mangueira. Então eu encontro o nó que está impedindo a água que está dentro da mangueira de fluir e de funcionar.
Nesta ilustração a água representa a graça auxiliadora de DEUS; ela sempre é “força total” na vida cristã. Não há “doses de reforço de graça”. A graça é plena e livre a partir da conversão e regeneração para a vida de santificação. Mas se eu não estou experimentando o fluxo da graça de DEUS em confiança e poder para o serviço, isso não se dá pela ausência da graça; mas devido a nós na mangueira da minha vida. O que são nós? Atitudes, pecados que nos assediam, ausência de oração. Tudo o que preciso fazer é decidir remover estes nós e a graça que já está lá terá seu fluxo restabelecido.
Esta é uma ilustração imperfeita de Filipenses 2.12-15 a partir de uma perspectiva sinergista evangélica. A única alteração necessária para fazer com que a ilustração realmente “funcione” é que mesmo minha habilidade de remover estes “nós” é um dom de DEUS. Mas eu preciso fazer algo – não uma obra boa e meritória da qual eu possa me gabar, mas simplesmente admitir minha incapacidade e total dependência da graça de DEUS e pedir a DEUS para que me dê a habilidade e o desejo de remover os nós.
A melhor exposição desta soteriologia sinergista evangélica/ arminiana em língua moderna é o livro Transforming Power of Grace (O poder transformador da graça) de Thomas Oden. De acordo com a opinião geral, o ortodoxo e biblicamente sério teólogo Oden, de maneira encantadora e bíblica articula a teologia brevemente esboçada acima, que eu chamo de sinergismo evangélico. Da graça Oden diz: “DEUS prepara a vontade e coopera com a vontade preparada. Na medida em que a graça precede e prepara o livre-arbítrio, ela se chama preveniente. Na medida em que a graça acompanha e capacita a vontade humana para operar com a vontade divina, ela se chama graça cooperante”4Q. “Apenas quando os pecadores são auxiliados pela graça preveniente é que eles podem começar a ceder seus corações para a cooperação com as formas subsequentes de graça”. “A necessidade de a graça ser preveniente é grande, pois é precisamente quando ‘estando vós mortos em ofensas e pecados’ (Ef. 2.1) que ‘pela graça sois salvos’ (Ef. 2.8)”  Contra o Calvinismo – Roger Olson – Editora Reflexão.
 
 
GRAÇA – Dicionário Bíblico Wycliffe – CPAD
O conceito de graça é multiforme e sujeito a desdobramentos nas Escrituras, No AT, hen, “favor”, é o favor imerecido de um superior a um subalterno. No caso de DEUS e do homem, hen é demonstrado por meio de bênçãos temporais, embora também o seja por meio de bênçãos espirituais e livramentos, tanto no sentido físico quanto no espiritual (Jr 31.2Êx 33.19). Hesed, “benevolência”, é a firme benevolência expressada entre as pessoas que estão relacionadas, e particularmente em alianças nas quais DEUS entrou com seu povo e nas quais sua hesed foi firmemente garantida (2 Sm 7.15Êx 20.6).
Na literatura grega a palavra charis tinha os seguintes significados: (1) Era usada para aquilo que causava atração, tal como a graça na aparência ou na fala. (2) Era usada quanto à consideração favorável sentida em relação a uma pessoa. Era usada quanto a um favor. (4) Era usada para significar gratidão. (5) Era usada adverbialmente em frases como: “Por amor a alguma coisa”, charin tinos.
Mas foi somente com a vinda de CRISTO que a graça assumiu seu significado pleno. O seu auto-sacrifício é a graça propriamente dita (2 Co 8.9). Esta graça é absolutamente gratuita (Rm 6.145.15-18Ef 1.72.89). Quando recebida pelo crente, ela governa sua vida espiritual compondo favor sobre favor. Ela capacita, fortalece e controla todas as fases da vida (2 Co 8.67Cl 4.62 Ts 2.162 Tm 2.1). Conseqüentemente, o cristão dá graças {charis) a DEUS pelas riquezas da graça em seu dom inefável (2 Co 9.15).
O apóstolo Paulo foi o principal instrumento humano para transmitir o pleno significado da graça em CRISTO. O NT oferece a graça a todos, ao contrário do AT, que geralmente restringia a oferta da graça ao povo eleito de DEUS, Israel. A graça em sua mais completa definição é o favor imerecido de DEUS ao nos dar seu Filho, que oferece a salvação a todos, e dá àqueles que o recebem como Salvador pessoal uma graça acrescentada para esta vida e uma esperança para o futuro.
A graça soberana não é uma exibição arbitrária da graça de DEUS. A fim de recebê-la, o homem deve crer. A fim de desfrutá-la, o crente deve ser obediente. A graça provê a justificação (Rm 3.24), a capacitação (Cl 1.29), uma nova posição (1 Pe 2.59), e uma herança (Ef 1.314). Pelo menos três motivos são indicados no NT quanto à razão pela qual DEUS age com graça, especialmente na salvação. Ele o faz para expressar seu amor (Ef 2.4Jo 3.16), para ser capaz de mostrar sua graça nos séculos vindouros (Ef 2.7), e para que o homem redimido produza bons frutos (Ef 2.10). A graça soberana é sempre intencional, pois a vida sob a graça é uma vida de boas obras. Bibliografia. Leo G. Cox, “Prevenient Grace – a Wesleyan View”, JETS, XII (1969), 143150־. Charles C. Ryrie, The Grace of God, Chicago: Moody Press, 1970.
C. C. R.
 
AJUDA BIBLIOGRÁFICA
CPAD – http://www.cpad.com.br/ – Bíblias, CD’S, DVD’S, Livros e Revistas. BEP – Bíblia de Estudos Pentecostal.
VÍDEOS da EBD na TV, DE LIÇÃO INCLUSIVE – http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
BÍBLIA ILUMINA EM CD – BÍBLIA de Estudo NVI EM CD – BÍBLIA Thompson EM CD.
Peq.Enc.Bíb. – Orlando Boyer – CPAD
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.
Revista Ensinador Cristão – nº 53 – CPAD.
Comentário Bíblico Beacon, v.5 – CPAD.
GARNER, Paul. Quem é quem na Bíblia Sagrada. VIDA
CHAMPLIN, R.N. O Novo e o Antigo Testamento Interpretado versículo por Versículo. 
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
AS GRANDES DEFESAS DO CRISTIANISMO – CPAD – Jéfferson Magno Costa
O NOVO DICIONÁRIO DA BÍBLIA – Edições Vida Nova – J. D. Douglas
Comentário Bíblico Expositivo – Novo Testamento – Volume I – Warren W. Wiersbe
http://www.gospelbook.net
www.ebdweb.com.br
http://www.escoladominical.net
http://www.portalebd.org.br/
SOTERIOLOGIA – AS GRANDES DOUTRINAS DA BÍBLIA – Pr. Raimundo de Oliveira – CPAD
Comentário Bíblico TT W. W. Wiersbe
Teologia Sistemática Pentecostal – A Doutrina da Salvação – Antonio Gilberto – CPAD
A TENTAÇÃO E A QUEDA – Comentário Neves de Mesquita
Bíblia The Word.
TERMOS BÍBLICOS PARA SALVAÇÃO – BEP – SALVAÇÃO
Teologia Sistemática – Conhecendo as Doutrinas da Bíblia – A Salvação – Myer Pearman – Editora Vida
CRISTOLOGIA – A doutrina de JESUS CRISTO – Esequias Soares – CPAD
Conhecendo as Doutrinas da Bíblia – Myer Pearman – Editora Vida
Dicionário Bíblico Wycliffe – CPAD
Contra o Calvinismo – Roger Olson – Editora Reflexão
Publicado no site do Pr. Luiz Henrique

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