Rute, Deus Trabalha pela Família – Luciano de Paula Lourenço

Rute, Deus Trabalha pela Família – Luciano de Paula Lourenço

Texto Base: Rute 1:1-14

“[…] Bendito seja o SENHOR, que não deixou, hoje, de te dar remidor, e seja o seu nome afamado em Israel” (Rt. 4:14).

INTRODUÇÃO

Nesta Aula vamos estudar sobre o cuidado de Deus para com a família. Teremos como base a família de Noemi. Seu esposo chamava-se Elimeleque, e seus dois filhos chamavam-se Malom e Quiliom. Naquela época aconteceu uma grave crise econômico-financeira. Era resultado da desobediência dos israelitas aos preceitos do Senhor. Isso aconteceu no período dos juízes. Era um tempo difícil, onde cada um fazia aquilo que parecia ser bom aos seus próprios olhos. A falta de temor e observância da lei trouxe sérios prejuízos espirituais e financeiros para Israel, que pagou caro por ter se desviado do Senhor. Israel afastou-se da comunhão com Deus, adorando ídolos pagãos. Nem todos agiam de modo pecaminoso, mas a disciplina era para todos.

Por causa da fome que incidia sobre a nação de Israel, a família de Noemi mudou-se para Moabe na esperança de ter dias melhores. Mas esta decisão sem a orientação de Deus trouxe crises ainda piores para essa família, pois o marido de Noemi e seus dois filhos faleceram em Moabe, precocemente. Elimeleque liderou sua família a fugir da Casa do Pão, para uma terra idólatra, enquanto deveria ter liderado sua família a buscar a Deus no tempo de crise. Ele não viveu de acordo com seu nome (“meu Deus é rei”). Na escuridão das circunstâncias adversas, essa família belemita saiu da sua terra em busca de refúgio e encontrou a morte; saiu da casa do Pão em busca de sobrevivência e encontrou a sepultura. Eles fugiram da fome, mas não conseguiram escapar da morte.

Somente um membro da família ficou com vida, Noemi. Ela estava viva, mas enfrentou o drama da solidão em Moabe. Ela ficou sozinha em terra estranha. Não tinha parente nem dinheiro. Estava absolutamente só, sem lar, sem marido, sem filhos, sem amigos, sem esperança, sem herança. Deus, porém, lhe concedeu um escape: uma nora que a amou e a acolheu em tempos de amargura. Noemi e Rute voltaram para Belém, trabalharam, mantiveram a fé em Deus e foram grandemente abençoadas. Todos nós enfrentamos momentos de dor e aflição, mas a nossa fé nos faz avançar, trabalhar e ver o impossível ser realizado, sob o auspício de Deus.

I. A CRISE ECONÔMICA

  1. Fome na “casa do pão”. A família de Noemi morava em Belém de Judá. Belém em hebraico significa Casa do Pão, mas, nos dias de Noemi, na Casa do Pão faltou o pão. A Casa do Pão estava com as prateleiras vazias, com os fornos frios e sem nenhuma provisão. A cidade deixou de ser um celeiro para ser um lugar de desespero e fome. Mas aquela crise não era uma casualidade, nem mesmo resultado de uma tragédia natural. Aquela crise era um juízo de Deus à desobediência (Lv.26:19,20; Dt.28:23,24). A obediência produz vida, mas a rebeldia gera morte. A fome era a vara da disciplina de Deus.

Quando a escassez chega na Casa do Pão, a tendência é querer fugir. A fome deixa as pessoas desassossegadas. Ela move e remove as pessoas do seu lugar. Os irmãos de José desceram ao Egito para comprar pão; os quatro leprosos de Israel arriscaram suas vidas para procurar pão no acampamento do inimigo (2Rs.7:1-6). Quando a fome chegou a Belém, Elimeleque, Noemi, Malom e Quiliom abandonaram a cidade do pão e se digiram às terras de Moabe. Eles colocaram o pé na estrada da fuga, em vez de escolher o caminho do enfrentamento. Eles saíram movidos pela visão humana, e não guiados pela fé. Como Ló, buscaram segurança, e não a vontade de Deus. Buscaram novos horizontes, e não a direção do Céu. Elimeleque, em vez de buscar a Deus para resolver o problema, fugiu das circunstâncias adversas. Em vez de clamar aos céus por restauração, ele e sua família fugiram da Casa do Pão para as terras de Moabe. O dilema é que Moabe não era um lugar seguro para aquela família; ao contrário, era um lugar de sofrimento, doença, pobreza e morte. As alternativas do mundo podem nos jogar na cova da morte.

Muitas pessoas deixam a igreja quando falta Pão na Casa do Pão. Muitas pessoas vão procurar alimento em seitas heréticas, onde só tem veneno mortífero. Outras rebuscam os farelos do próprio mundo como fez Demas, que amou o presente século e abandonou a fé (2Tm.4:10). Quando a crise chega, quando há falta de Pão na Casa do Pão, a solução não é abandonar a igreja, buscar novos rumos, novas teologias, novas experiências e novos modismos. Nessas horas, o que a igreja precisa fazer é se humilhar diante de Deus. O que ela precisa é buscar o Pão Vivo do Céu, Jesus.

  1. A crise alcança uma família (Rute 1:1,2). Quando a crise chega, ela atinge a todos: pobres e ricos, homens e mulheres. A fome chegou a Belém e atingiu a todos. Possivelmente, segundo alguns estudiosos, esse fato aconteceu no período de Gideão, quando os midianitas dominaram Israel e saquearam a sua terra. A opressão dos midianitas foi a vara da disciplina de Deus ao Seu povo inconstante e rebelde. Ninguém escapou dessa amarga situação. Até mesmo as famílias mais abastadas de Belém sofreram as dolorosas consequências desse saque impiedoso dos midianitas.

A família de Noemi era abastada, tinha terras e bens. Contudo, a crise a atingiu, a fome também chegou a sua casa. A família de Noemi não buscou a Deus para enfrentar aquela crise, preferiu fugir a Moabe. Eles fugiram da crise, em vez de enfrentá-la. Eles buscaram abrigo em terra estrangeira, em vez de enfrentar a crise em sua própria terra. Nem sempre é prudente fugir. Fugir em tempo de crise é uma precipitação perigosa. Buscar abrigo sob as asas de outra nação pode não ser uma decisão segura. A migração pode trazer mais dor que alivio, mais lágrima que consolo, mais perda que ganhos, mais morte que vida. A maioria dos migrantes, ainda hoje, sofre muitas perdas no âmbito familiar.

A crise é uma encruzilhada, onde precisamos inevitavelmente tomar uma decisão. Uns colocam os pés na estrada na vitória, outros avançam pelos atalhos da fuga e do fracasso. Em um tempo de fome, Abraão fugiu para o Egito e ali quase acabou com o seu casamento. Na mesma situação, Isaque foi tentado a descer ao Egito, mas Deus lhe ordenou: “Não desças ao Egito”.

Elimeleque, Noemi, Malom e Quiliom escolheram fugir, em vez de enfrentar a crise. Eles apostaram que a crise era irremediável e que o caminho da fuga era a única rota de escape. Contudo, fugir nem sempre é a alternativa mais segura e sensata. Na hora da crise, devemos olhar para Deus, em vez de mirarmos apenas as circunstâncias; precisamos acreditar que Deus está acima e no controle delas; precisamos nos abrigar nas asas do Onipotente, em vez de buscar falsos refúgios.

A fuga de Belém para Moabe foi marcada por muitos desastres na família de Elimeleque. Eles foram para Moabe em busca de sobrevivência e encontraram a morte. Eles foram buscar pão e encontraram a doença. Eles foram buscar vida e encontraram uma sepultura. A terra estrangeira não lhes deu segurança, mas um enterro. Buscar refúgio fora da vontade de Deus é um consumado engano.

A segurança de Moabe é falsa. A fartura de Moabe é enganosa. Moabe significou para Noemi doença, pobreza e viuvez. Moabe significou para Noemi a perda dos seus dois filhos. Moabe é um símbolo do mundo e de sua aparente segurança. Moabe levará os seus filhos e os enterrará antes do tempo. Moabe separará você do seu cônjuge. Moabe tirará a sua alegria e encherá o seu coração de amargura. O preço cobrado em Moabe é muito alto, lá as pessoas pagam com seus casamentos, seus filhos e suas próprias vidas.

  1. Três viúvas. A morte de uma pessoa jovem tem um tom de tragédia. Na perspectiva humana, a morte chegou cedo demais na vida de Elimeleque, Malom e Quiliom. Eles furaram a fila e deixaram três viúvas: Noemi, Rute e Orfa (Rute 1:3,4). Observe as atitudes diferentes destas três viúvas: Noemi estava profundamente entristecida, pois, em consequência do juízo divino, havia sido despojada de toda a alegria terrena de ter marido e família. Orfa, depois de ponderar sobre as palavras da sogra, mostrou-se acomodada e escolheu o caminho mais fácil e conveniente.Rute, por sua vez, foi abnegada e se apegou a Noemi, não obstante as tentativas da sogra de dissuadi-la. Quando escolheu começar uma nova vida com Noemi, Rute estava ciente de que não seria fácil. Uma vez que não tinham um homem para sustentá-las, o que as esperava era trabalho árduo e pobreza. Além disso, deixou sua terra natal e seus entes queridos.

Essas mulheres, desprotegidas, sofreram enormes dificuldades para sobreviver. O pior drama era de Noemi. Ela sofreu as mais profundas e sucessivas perdas. Ela saiu de Belém por causa de bens materiais, objetos. Contudo, em Moabe ela perdeu não apenas coisas, mas pessoas; ela não perdeu apenas pessoas, mas perdeu as pessoas mais importantes da sua vida; perdeu não apenas dinheiro, mas relacionamentos; perdeu não apenas o supérfluo, mas o essencial. Além de perder precocemente os três homens da sua família – Elimeleque, Malom e Quiliom -, Noemi ficou sem qualquer herdeiro que pudesse dar continuidade à herança deles. Seus homens morreram, e com eles os seus nomes. Ela está velha, viúva, pobre, sem filhos, sem dinheiro em terra estrangeira; não tinha mais ninguém a quem recorrer. Ela não tem filhos nem descendentes. Ela não tinha mais idade para casar-se novamente. Sua semente vai ser cortada da terra. Sua memória vai se apagar, e ela, então, passa a alimentar-se de absinto. Ela introjeta uma amargura existencial assoladora na alma. Chega mesmo a mudar de nome: não quer mais ser chamada de Noemi (“agradável, feliz”), mas de Mara (“amargura”) – Rute 1:20. Noemi estava absolutamente só, sem lar, sem marido, sem filhos, sem amigos, sem herança, sem esperança. Mas, Deus não abandona seus filhos nem os desampara. O Senhor já tinha um plano de redenção e bênção preparado para Noemi. Em momentos de crises, muitas vezes achamos que Deus está silencioso e distante. Parece não haver saída, mas Ele está trabalhando em nosso favor. Por isso, não tenha medo, tenha fé. Deus não vai desamparar você.

II. SUPERANDO AS CRISES

  1. Noemi enfrenta a crise. O livro de Rute, apesar de descrever com cores fortes os desastres sucessivos que desabaram sobre Noemi, revela, também, que Deus jamais desperdiça sofrimento na vida do Seu povo. O sofrimento de Noemi parece insuportável, as circunstâncias parecem injustas e as perguntas sem respostas. Parecia não existir solução para a crise que estava vivendo. Noemi foi dominada pela amargura e dor. Seus sentimentos tornaram-se amargos. Ela não esperava mais nada da vida, senão a morte. Nessas horas, precisamos aprender a descansar na providência amorosa do Eterno, deixar as dificuldades nas mãos de Deus, mesmo sem receber uma resposta, sabendo que “por trás de toda providência carrancuda, esconde-se uma face sorridente”. Se você está enfrentando uma situação que não parece ter solução, não se desespere. Tenha fé no Deus de toda a provisão.
  1. O retorno para sua terra. Quando soube que na Casa do Pão havia pão em abundância, Noemi tomou a decisão de retornar a Belém, a sua terra natal. Mas, os pródigos não voltam sozinhos à Casa do Pão. Noemi voltou com Rute, sua nora. Rute não quis abandonar a sogra. Talvez, Noemi estivesse pensando que Deus a estava castigando com todos aqueles sofrimentos. Ela não podia imaginar o plano de Deus em todas aquelas adversidades. Aprendemos com a Palavra de Deus que “todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm.8:28).

Quando tem pão na Casa do Pão, os pródigos voltam à igreja. Noemi voltou para Belém. A igreja ficará cheia quando as pessoas souberem que lá encontrarão o Pão da Vida. Quando Deus visita o Seu povo com Pão na Casa do Pão, os cultos tornam-se cheios de vida. Há sincera e abundante adoração. As músicas tornam-se cheias de alegria, as orações cheias de fervor, e os crentes cheios do Espírito Santo. Que a fome de Deus seja o sinal distintivo da nossa vida. Que a nossa fome de Deus seja maior do que a nossa fome pelas bênçãos de Deus.

Um pastor na Etiópia estava pregando quando homens do governo comunista o interromperam, dizendo: Estamos aqui para acabar com esta igreja. Depois de severas ameaças, agarraram a filha do pastor de três anos de idade e a arremessaram pela janela do templo à vista de todos os fiéis. Os comunistas pensaram que essa violência acabaria com a igreja, mas a esposa do pastor desceu, colocou sua filhinha morta nos braços e retornou ao seu lugar na primeira fila, e a adoração continuou. Como consequência da fidelidade desse humilde pastor, quatrocentos mil crentes fiéis, destemidamente, compareceram a suas conferências bíblicas na Etiópia.

Um pastor americano, encontrando-se com esse pastor, disse-lhe: “Irmão, nós temos orado por vocês, por causa da sua pobreza”. Esse humilde homem voltou-se para o pastor americano e disse: “Não, você não compreende. Nós é que temos orado por vocês, por causa de sua prosperidade”. Que a nossa fome de Deus seja maior do que a nossa fome por prosperidade e conforto.

  1. Rute e o Deus de Israel. Rute acompanhou Noemi a Belém (Rute 1:16-19,22). Noemi ainda tentou dissuadi-la, mas Rute estava resoluta. Ela se recusou a deixar Noemi. Em uma das declarações mais nobres feitas por uma gentia no Antigo Testamento, Rute deixa claro seu compromisso total com a sogra. Escolheu o mesmo destino, habitação, povo, lugar de sepultamento e até o mesmo Deus. Declarou ela: “Não me instes para que te deixe e me afaste de ti; porque, aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (Rute 1:16). Rute, antes de chegar a Israel, creu no Deus de Israel; antes de entrar nos campos de Belém, a Casa do Pão, já havia saciado sua fome naquele que é o Pão da Vida. Todo aquele que busca abrigo sob as asas do Onipotente encontra refúgio seguro. Deus jamais desampara aqueles que nEle esperam.

Rute se apegou à sua sogra, e este gesto de amor e generosidade nos mostra que é possível o bom relacionamento entre noras e sogras. Rute saiu de Moabe, lugar de morte, e encontrou a vida e um futuro glorioso em Belém. Ela tornou-se avó de Davi, um símbolo do Rei messiânico. Davi nasceu em Belém, a Casa do Pão. Jesus também nasceu em Belém, Ele é o Pão da Vida (João 6:35,48). O Pão da Vida nasceu na Casa do Pão. Agora temos o Pão do Céu na Casa do Pão. A todos os que têm fome, Ele diz: “Eu sou o Pão vivo que desceu do Céu; se alguém dele comer, viverá eternamente” (João 6:50,51).

A sogra de Rute, Noemi, embora atravessando um momento difícil, deu um excelente testemunho. A convivência com Noemi levou Rute a ter uma experiência pessoal com Deus. Da mesma maneira que Rute, uma gentia, acompanhou Noemi à Casa do Pão, também as multidões famintas nos acompanharão à Casa de Deus quando souberem que Deus nos visitou com abundância de Pão. As pessoas virão à igreja quando provarem o Pão da presença de Deus.

III. FÉ E TRABALHO

  1. Noemi e Rute chegam à terra do pão. “Assim, pois, foram-se ambas, até que chegaram a Belém; e sucedeu que, entrando elas em Belém, toda a cidade se comoveu por causa delas, e diziam: Não é esta Noemi?” (Rute 1:19). A chegada a Belém, depois de dez anos, significou um tempo de recomeço. Às vezes recomeçar não é fácil, é constrangedor, é humilhante, porém, é a única maneira de darmos novamente uma chance à vida.

A chegada de Noemi, porém, produziu profundos sentimentos no povo da cidade e no próprio coração dela. Destacamos três fatos:

a) uma comoção geral (Rute 1:19). A chegada de Noemi e Rute a Belém chamou a atenção de toda a cidade. Elas ganharam notoriedade não pelo sucesso alcançado em Moabe, mas pelas tragédias colhidas naquela região. Toda a cidade se comoveu ao ver aquela que saíra ditosa e voltara infeliz. Saíra casada e voltara viúva. Saíra com dois filhos e voltara apenas com o atestado de óbito de ambos. O que provoca espanto e comoção em Belém é o retorno de Noemi depois de tantas perdas, de tantas tragédias, de tantos desastres. O mesmo poderá se aplicar a qualquer crente que se desviar dos caminhos do Senhor: o Senhor poderá trazê-lo de volta vazio, normalmente por meio de severa disciplina.

b) uma lamentação pessoal (Rute 1:20,21). O primeiro ato de Noemi em Belém foi mudar o seu nome. Ela não quis mais ser chamada de Noemi (“agradável, feliz”), mas de Mara (“amargura”). Ela estava tomada por um profundo senso de auto-piedade. Ela queria que todos soubessem quanta dor, quanta amargura e quanta tristeza latejavam em seu peito. Ela não queria mais ostentar um nome que era a negação de toda a sua dolorosa experiência vivida em Moabe. Ela olhava para o passado e não tinha mais nenhum motivo para alegrar-se.

A lamentação de Noemi é endereçada contra Deus. As tragédias que desabaram sobre sua vida tinham uma causa, ou melhor, um causador. Ela atribuiu todo o seu infortúnio a Deus. Ela disse que Deus lhe dera não felicidade, mas amargura (Rute 1:20). Deus lhe dera não prosperidade, mas pobreza (Rute 1:21). Deus estava não com ela, mas contra ela (Rute 1:21). Deus estava não consolando, mas afligindo a sua vida (Rute 1:21). Para Noemi, o Deus Todo-Poderoso usara Seu poder não para socorrê-la, mas para torná-la amarga e infeliz. Ela se sentia prisioneira de Deus, e sua porção era o cálice do sofrimento.

c) uma providência especial (Rute 1:22). A despeito das circunstâncias adversas e dos sentimentos turbulentos de Noemi, ela chegou com sua nora Rute a Belém exatamente no princípio da sega da cevada (Rute 1:22), a época das primícias (que tipifica a ressurreição de Cristo). Aqui um novo capítulo se abre na vida dessas duas viúvas. A providência carrancuda da crise vai mostrar a face sorridente da graça. A extrema pobreza dessas duas mulheres vai abrir as cortinas para um tempo novo de riqueza e felicidade para ambas. A própria mão da providência as trouxera de Moabe para protagonizarem uma das mais lindas histórias de toda a Bíblia. A nora estrangeira seria sua provedora. A nora moabita seria para ela melhor do que sete filhos. Rute seria sua filha, mãe de seu neto, avó do grande rei Davi, e ancestral do Messias (Mt.1:5). A Bíblia diz que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus (Rm.8:28). Isto não é uma hipótese ou mera possibilidade, mas um fato real.

As coisas não se acertam por simples coincidência, elas não se alinham por uma influência dos astros, elas não se encaixam por um determinismo cego. Deus é quem tece as circunstâncias da nossa vida, até mesmo aquelas mais amargas para o nosso bem.

“Assim, Noemi voltou, e com ela, Rute, a moabita, sua nora…” (Rute 1:22). Semelhantemente, quando a igreja é restaurada, quando ela é reavivada, não somente os que saíram dela voltam, mas trazem outras pessoas. Se Deus realmente se manifestar com poder na igreja, o rumor dos famintos se espalhará no campo e na cidade. Antes de podermos abrir as portas, os famintos já estarão na fila esperando o Pão. E, quando os pródigos voltarem, não voltarão sozinhos, os gentios que habitam em “Moabe” voltarão com eles.

  1. Rute ajuda Noemi. Rute se dispôs a trabalhar por Noemi, e não apenas a viver com ela. Elas chegaram a Belém no “principio da sega das cevadas” (Rute 1:22), ou seja, quando a colheita estava começando. Rute vai para um campo de cevada que pertencia a um parente de Elimeleque, ele se chamava Boaz. Ali no campo, ela ajunta as espigas que os segadores deixavam para trás.

Não havia muitas maneiras de uma viúva ganhar a vida, contudo, uma delas era o costume de respigar. Havia provisão, na lei, para que na época da colheita o fazendeiro não colhesse as bordas da propriedade, nem apanhasse aquilo que caísse no solo, à passagem dos ceifeiros (Lv.19:9; 23:22). De fato, se ele esquecesse um molho no campo, estava proibido de voltar para apanhá-lo (Dt.24:19). Essas provisões eram feitas com vistas aos pobres. A Bíblia diz que os ricos devem ser generosos no repartir. Os bens não são dados para serem acumulados, mas para serem repartidos. A semente que se multiplica não é a que comemos, mas a que semeamos. Quando abrimos a mão para repartir com generosidade, Deus multiplica a nossa sementeira, pois a alma generosa prosperará.

Rute demonstrou disposição de trabalhar e buscar o seu sustento e o sustento da sua sogra. Ela não ficou esperando, de braços cruzados, um milagre acontecer. Ela se moveu, se mexeu na direção do trabalho. Ela assumiu sem traumas que era carente e necessitada. Rute teve iniciativa para cuidar de sua sogra. Ela assumiu a posição de provedora da sua sogra Noemi.

Rute é uma mulher determinada e disposta a enfrentar riscos e desafios. Ela disse: “Deixa-me ir ao campo, e apanharei espigas atrás daquele em cujos olhos eu achar graça” (Rute 2:2). Contudo, no tempo dos juízes, nem todos eram bem-vindos para colher ou respigar. Rute, porém, não ficou cogitando a possibilidade de ser rejeitada. Ela não aceitou a decretação da derrota antecipadamente. Ela não capitulou ao desânimo de antemão. Mesmo sendo pobre e estrangeira, ela saiu à luta, correu riscos e não teve medo de fracassar. Napoleão Bonaparte dizia que a vitória sem luta não tem glória.

O exemplo de Rute nos ensina que o enfrentamento das crises, e não a fuga delas, é o caminho da vitória. Os tímidos, os medrosos e os preguiçosos sempre darão desculpas para os seus fracassos. Entretanto, os vencedores jamais retrocedem diante das adversidades. Eles estão sempre prontos a correr grandes riscos para alcançar as maiores vitórias.

Deus honrou a decisão, a atitude e o trabalho de Rute. Ela descobriu que Boaz era parente de Elimeleque e, por lei ele poderia se casar com ela e redimi-la. Ele é um tipo de Cristo, o nosso Redentor, que sendo rico se fez pobre para nos fazer herdeiros das suas riquezas (2Co.8:9). Depois de algum tempo Boaz casa com Rute e ela dá à luz a um filho, o qual recebeu o nome de Obede. Mais tarde, Obede se tornou o avô de Davi. O bem que você faz aos outros volta para você mesmo. O que você semeia você colhe. O casamento de Rute com Boaz em Belém foi pavimentado pelo que Rute fez com Noemi em Moabe.

Concordo com o Rev. Hernandes Dias Lopes, quando diz que a lei da semeadura e da colheita é uma lei universal que se aplica a todos, em todos os tempos e em todos os lugares. Quem planta mentira, colhe traição; quem planta verdade, colhe lealdade; quem planta ciúmes, colhe suspeita; quem planta confiança, colhe descanso; quem planta inveja, colhe mediocridade; quem planta admiração, colhe grandeza; quem planta amizade, colhe compromisso; quem planta contenda, colhe solidão; quem planta ódio, colhe amargura; quem planta amor, colhe ternura.

A Bíblia diz que quem semeia com lagrimas, com júbilo voltará trazendo os seus feixes (Sl.126:5,6). Quem semeia com fartura, com abundância ceifará (2Co.9:6). Precisamos aprender a semear na vida dos outros. Precisamos ser generosos em nossas ações, pródigos em nossos elogios e transcendentes em nossas reações. Precisamos abençoar, em vez de maldizer; perdoar, em vez de agasalhar no peito a mágoa; exercer misericórdia, em vez de esmagar aqueles que já estão feridos como cana quebrada.

Rute deu da sua pobreza à sua sogra. Ela semeou do pouco que tinha na vida da sua sogra, e Deus multiplicou a sua sementeira. Você nunca é tão pobre que não possa semear na vida das outras pessoas. A alma generosa prosperará. Quanto mais você dá, mais você tem para dar. Quando você retém mais do que é justo, isso é pura perda. Quando você acumula mais do que pode usar, seus tesouros são entregues à traça e à ferrugem. Pense nisso!

CONCLUSÃO

Rute nos ensina que só Deus satisfaz. Apenas Ele oferece refúgio verdadeiro. Rute nos ensina que o refúgio do homem é insuficiente, é fraco e incapaz de nos dar segurança. O dinheiro não satisfaz. O casamento não satisfaz. As vitórias terrenas não são suficientes. Essas coisas, por mais excelentes, não podem ser um substituto de Deus em nossa vida. Precisamos buscar abrigo em Deus e nas coisas de Deus. Tomar decisões sem consultar a Deus e sem seguir Sua orientação é fazer escolhas para o desastre. Escolher os caminhos mais fáceis na hora da crise nem sempre é a decisão mais segura. Nossa confiança precisa estar no provedor mais do que na provisão. Quando as coisas nos faltarem, precisamos nos alegrar em Deus como fez o profeta Habacuque (Hc.3:15-17).

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento) – William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 68. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Quatro homens, um destino.

Pr. Elienai Cabral. O Deus da Provisão, Esperança e sabedoria divina para a Igreja em meio ás crises. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Rute, uma perfeita história de amor.

Publicado no Blog do Luciano de Paula Lourenço

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