A Provisão de Deus no Monte do Sacrifício – Eliseu Antonio Gomes

A Provisão de Deus no Monte do Sacrifício – Eliseu Antonio Gomes

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A providência de Deus no Monte do Sacrifício

Por Eliseu Antonio Gomes

Os itens estruturais da história expostos em Gênesis 22.1-19, são: o cenário (versículo 1); a ordem divina (versículo 2); o ato de obediência (3-10); e a bênção resultante por obedecer (11-19).

Nós encontramos nesta passagem bíblica experiências extraordinárias. O relato alcança aos limites  mais extremos da certeza que o crente tem, de que Deus ao penhorar sua palavra é sempre fiel, mesmo quando dá ordens que parecem destruir a evidência de que suas promessas estão sendo cumpridas.

O monte Moriá. Moriá é um nome que possui poucas ocorrências no Antigo Testamento. As referências bíblicas, são as seguintes: Gênesis, capítulo 22: 2 Samuel 24.18-25; e, 2 Crônicas 3.1-2. Tais referências apresentam a prova fé de Abraão, situa o lugar em que estava localizada a eira de Ornã, o jebuseu, e aponta a localidade onde Deus apareceu a Davi, e esta mesma área especificada como o lugar em que houve a construção do Templo de Salomão.

A obediência de Abraão e a provisão no monte Moriá. “Depois dessas coisas, pôs Deus Abraão à prova e lhe disse: Abraão! Este lhe respondeu: Eis-me aqui! Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei. Levantou-se, pois, Abraão de madrugada e, tendo preparado o seu jumento, tomou consigo dois dos seus servos e a Isaque, seu filho; rachou lenha para o holocausto e foi para o lugar que Deus lhe havia indicado” – Gênesis 22.1-3 (ARA).

Para a maioria dos leitores do Antigo Testamento, o relato de que Deus ordenou a Abraão que levasse seu filho, Isaque, à região de Moriá e que ali o oferecesse como oferta queimada sobre uma das colinas, é uma situação difícil de se pensar.

A tradução “tentou” (versículo 1, na Almeida Revista e Corrigida) cria desorientação, pois tal expressão induz para um pensamento negativo, trazendo à tona as perguntas: Deus estava estimulando Abraão a praticar pecado? Deus desejava provocar mágoa e tristeza no coração do patriarca?

A palavra hebraica, traduzida ao idioma português como “tentou” é “nissah”, que significa “colocar em prova”. Neste episódio de Abraão e Isaque no monte Moriá, Deus testava a lealdade espiritual de Abraão, ao apontar para a vida física de Isaque, a quem o patriarca tanto amava.

Com certeza a caminhada rumo ao holocausto foi tensa para Abraão, ele percorreu três dias de viagem, quilômetros após quilômetros carregando um vaso que continha brasas para o fogo do holocausto e conduzindo o animal de carga que levava a lenha.

O apóstolo Paulo, escrevendo aos crentes da igreja em Corinto, declarou que Deus não permite que o cristãos sofra tentação maior do que a sua capacidade de suportá-la. Deus nos ama e por cauda deste amor, nos protege (1 Coríntios 10.13).

Um altar é erguido no monte do sacrifício. “Tomou Abraão a lenha do holocausto e a colocou sobre Isaque, seu filho; ele, porém, levava nas mãos o fogo e o cutelo. Assim, caminhavam ambos juntos” – Gênesis 22.6 (ARA).

Havia aspectos desta situação que eram racionalmente inexplicáveis. Uma comunidade pagã justificaria o sacrifício humano dizendo que a vida dos sacrificados servia para fortalecer os deuses da comunidade em tempos de adversidade severa. Mas não havia semelhante adversidade na vida de Abraão ou do seu clã.

A obediência de Isaque e a provisão no monte do sacrifício.”Chegaram ao lugar que Deus lhe havia designado; ali edificou Abraão um altar, sobre ele dispôs a lenha, amarrou Isaque, seu filho, e o deitou no altar, em cima da lenha; e, estendendo a mão, tomou o cutelo para imolar o filho” – Gênesis 22.9-10 (ARA).

Os leitores da Bíblia são pegos pela grande agonia de Abraão, que silenciosamente deixa o acampamento, sem revelar para a mãe de Isaque, gerado em sua extrema velhice, a ordem que recebeu da parte de Deus. Como um ato assim contribuiria para o bem-estar mental e emocional de Sara? Também, seria muito difícil dizer sobre isso aos seus servos. Com certeza, por estes motivos, Abraão seguiu ao monte Moriá sem contar a ninguém o motivo da viagem.Matar Isaque não seria de nenhum proveito óbvio para a vida de Abraão, do rapaz ou da vida coletiva do clã que o patriarca liderava. Inclusive, tal sacrifício contradizia as promessas de Deus. A base lógica do atentado não seria entendida facilmente pelos outros, pois tal ordem não refletia a natureza moral do Deus de Abraão.

O cordeiro substituto no monte do sacrifício. “Mas do céu lhe bradou o Anjo do SENHOR: Abraão! Abraão! Ele respondeu: Eis-me aqui! Então, lhe disse: Não estendas a mão sobre o rapaz e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho. Tendo Abraão erguido os olhos, viu atrás de si um carneiro preso pelos chifres entre os arbustos; tomou Abraão o carneiro e o ofereceu em holocausto, em lugar de seu filho” – Gênesis 22.13, 14 (ARA).

A dor e a fé de Abraão são indescritíveis. Sem explicar o que ocorria, ele foi capaz de dizer aos seus servos: “Ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o moço iremos até ali; e, havendo adorado, tornaremos a vós”. Em seguida, ao ouvir a pergunta de Isaque: “Onde está o cordeiro para o holocausto?”, manteve-se firme em sua fé e pôde responder: “Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto” (versículos 5, 7).

Quando os detalhes da construção do altar estavam meticulosamente realizados, os pulsos e tornozelos de Isaque amarrados, então Isaque foi posto sobre a pira. Quais eram os pensamentos amedrontados do rapaz, no iminente  ato final de seu pai, ao apanhar o cutelo, a faca do sacrifício, erguer o braço, pronto para desferir o golpe fatal? (Versículo 10).

“Quando é que Deus vai providenciar um cordeiro?” – talvez tenham perguntado para si mesmos. O sofrimento de entrega sincera de Abraão se desmanchou em alívio ao ouvir o brado do Senhor pedindo-lhe que não sacrificasse Isaque.

A bênção de Deus no monte do sacrifício. “Então, do céu bradou pela segunda vez o Anjo do SENHOR a Abraão e disse: Jurei, por mim mesmo, diz o SENHOR, porquanto fizeste isso e não me negaste o teu único filho, que deveras te abençoarei e certamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e como a areia na praia do mar; a tua descendência possuirá a cidade dos seus inimigos, nela serão benditas todas as nações da terra, porquanto obedeceste à minha voz” – Gênesis 22.15-18.

Para Abraão, após sua prova de fé e a providencial intervenção divina em seu favor e de seu filho, o monte Moriá passou a ser considerado um novo lugar. Honrando a manifestação da graça de Deus na hora da provação, o patriarca mudou o nome lugar, passando a chamá-lo de Jeová-Jiré, que significa “o Senhor vê e proverá” (versículo 14).

Com certeza, a volta de Abraão e Isaque para casa foi bem diferente da viagem rumo ao monte!

A fé do patriarca, as provisões de Deus no monte Moriá e na cruz do calvário. “Pela fé, Abraão, quando posto à prova, ofereceu Isaque; estava mesmo para sacrificar o seu unigênito aquele que acolheu alegremente as promessas, a quem se tinha dito: Em Isaque será chamada a tua descendência; porque considerou que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos, de onde também, figuradamente, o recobrou” – Hebreus 11.17-19.

Abraão enfrentou a ameaça devastadora da morte de Isaque e venceu seu poder pela confiança plena na integridade de Deus. O escritor da Carta aos Hebreus nos revela que o patriarca, impulsionado por uma fé gigantesca no Deus de toda provisão, dentro de seu coração alimentava a esperança da ressurreição de seu filho, caso seu filho fosse sacrificado.

Neste episódio de Abraão e Isaque no monte Moriá, Deus demonstrou claramente que o que Ele realmente desejava era observar a inteireza de coração do patriarca, e a rendição às suas ordens, e não o derramamento de sangue humano. E por causa desse desejo, Deus enviou Jesus Cristo, como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas receba a vida eterna; e desde então. toda pessoa que invocar o nome do Senhor tem condições de ser salva (João 1.29; 3-16; Romanos 10.12-13).

A vida em Cristo Jesus. O grande compromisso da vida cristã feliz encontra-se em submeter-se inteiramente a Deus. O crente está sob solene obrigação para com seu Deus, para com seu próximo e para consigo mesmo.

• Para com Deus por causa das obras divinas na criação e na redenção;
• Para com o seu próximo porque, sem Cristo, aquele vizinho perecerá eternamente, se não evangelizado;
• Para consigo mesmo porque um dia todos comparecerão diante do Tribunal de Cristo e a vida de todos serão passadas em revista.

Portanto, cabe ao crente atender sua tríplice responsabilidade da melhor maneira possível Se viver exclusivamente para si mesmo, ele será miserável nesta vida e sofrerá prejuízo na próxima. Mas se viver para o bem geral do seu vizinho, anunciando o Evangelho, terá realizado uma bondade real porque o que os homens realmente precisam é de Cristo e sem Ele perecerão eternamente.

Conclusão

Quando o crente entrega a sua vida inteiramente ao Senhor, age da melhor maneira possível que alguém possa agir, pois a sua pessoa, que ama a Deus acima de tudo, ajudará necessariamente a humanidade por meio da proclamação do Evangelho e estará, consequentemente, antes de servir ao próximo, serve aos seus próprios interesses. Isto é assim pelo fato de que ao servir com fidelidade a Deus, simultaneamente semeia sua felicidade no presente e conquista os seus galardões no futuro.

O grande segredo de uma vida cristã feliz encontra-se na disposição de obedecer a Deus, tal qual fez o patriarca Abraão.

E.A.G.

Compilações:
Comentário Bíblico Beacon, Gênesis a Deuteronômio, volume I, página 72-73, 4ª impressão 2012, Rio de Janeiro (CPAD).
Lições Bíblicas – O Deus de toda Provisão, Esperança e sabedoria divina para a Igreja em meio às crises, Elienai Cabral, 4º trimestre de 2016, páginas 33, Rio de Janeiro (CPAD).
O Novo Dicionário da Bíblia, volume página 1073, 4ª edição 1981, São Paulo (Edições Vida Nova).
Pensa no teu futuro, William MacDonald, página 41, 2ª edição brasileira 2005, Ourinhos / SP (Edições Cristãs).

Publicado no blog Belverede

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