Paz de Deus: Antídoto contra as Inimizades – EBD Comentada

Paz de Deus: Antídoto contra as Inimizades – EBD Comentada

Paz de Deus: Antídoto contra as inimizades

Lições Bíblicas CPAD – 1º Trim. 2017
Comentário sobre a lição 05 – 29/01/17

Introdução

Deus tem falado conosco de maneira especial através das últimas lições; Ele tem falado em paz, pois é Sua vontade que vivamos em paz com Ele e com os outros. Uma rápida olhada nas lições abaixo (e na próxima) nos fará perceber que o assunto tem sido recorrente:

Lição 4 (Jovens): O Ministério da Igreja (último subtópico)
Lição 4 (Adultos): Alegria, fruto do Espírito; inveja, hábito da velha natureza
Lição 5 (Adultos): Paz de Deus: Antídoto contra as inimizades
Lição 6 (Adultos): Paciência: Evitando as Dissensões

Na lição passada, nosso comentrista destacou que a alegria do crente não depende das circunstâncias; na presente lição ele faz o mesmo ao falar da paz. O crente cheio do Espírito sentirá paz e alegria independentemente da situação. Entenderemos esse mistério nos tópicos e subtópicos. Avante!

I. A Paz que excede todo entendimento

1. Paz

Um dos sinônimos para paz é “calma interior” – este conceito está em plena harmonia com a paz enquanto fruto do espírito. O mundo busca a paz. Ele precisa de paz e parece estar clamando por ela. Muitas são os caminhos que prometem paz oferecidos pelo mundo, mas nenhum deles pode trazer total satisfação ao ser humano; a paz de Deus sim.

Os males que assolam o mundo são muitos e são tenebrosos. Muitas pessoas até adoecem com enfermidades causadas pelo stress, medo da violência, e muitas outras coisas. Por mais que o crente também sofra com esses males, é uma tendência para ele encarar as dificuldades com serenidade, pois a paz de Deus é uma realidade em sua vida. Ele faz parte de um reino que consiste em paz e alegria.

Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. (Rm 14.17)

2. Paz com Deus

É importante termos em mente o que aconteceu lá no Éden:

Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram. (Rm 5.12)

Sabemos que a palavra “morte”, na Bíblia, traz a ideia de “separação”, podendo se referir à separação entre o corpo e a alma ou à separação entre Deus e o homem, o que chamamos de “morte espiritual”. Quando pecou, o ser humano morreu espiritualmente, perdeu a comunhão que tinha com Deus. Foi o pecado que causou esta separação.

Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça. (Is 59.2)

Estávamos em rebelião contra Deus. Por causa de nossa rebelião, éramos declarados “inimigos de Deus” (Rm 5.10) e “filhos da ira” (Ef 2.3) Tendo sido justificados pela fé em Jesus Cristo, agora somos chamados de “filhos de Deus” (Jo 1.12; Gl 3.26) e seremos “salvos da ira” (Rm 5.9). Falando sobre esse contraste, o comentário de Warren Wiersbe traz a seguinte anotação:

A pessoa que não está salva está em inimizade com Deus (Rm 5.10; 8.7) porque não pode obedecer a Lei de Deus ou satisfazer a vontade de Deus. Dois versos de Isaías deixam a questão mais clara: Não há paz para os ímpios, diz o SENHOR (Is 48.22 AS21); E o efeito da justiça será paz, e a operação da justiça, repouso e segurança para sempre (Is 32.17).
Condenação quer dizer que Deus nos declara pecadores, o que é uma declaração de guerra. Justificação quer dizer que Deus nos declara justos, o que é uma declaração de paz, que se tornou possível pela morte de Cristo na Cruz. A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram(Salmos 85.10).

A missão salvífica de Jesus consiste em reestabelecer a comunhão que havia entre Deus e o homem, Ele veio para destruir as obras de Satanás (1 Jo 3.5,8).

Em 2 Coríntios Paulo esclarece ainda mais a questão, e conclui dizendo que o ministério da reconciliação é, agora, uma responsabilidade da Igreja:

E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação; Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação. (2 Co 5.18, 19)

3. Promotor da paz

O crente deve ser um pacificador. Esse deve ser o seu testemunho em todos os lugares; onde estiver, ele deve transmitir paz. O comentarista diz que “quem já experimentou a justificação e a reconciliação com Deus torna-se um pacificador”. De fato, podemos dizer que o crente é um pacificador porque o que emana dele é paz. Esta paz inunda o seu ser uma vez que ele entende que é salvo. O Espírito de Deus testifica com seu espírito que ele é Filho de Deus (Rm 8.16), e o resultado disso é uma pessoa cheia de amor pelo próximo.

O pastor Oziel também cita o exemplo de Isaque que, “mesmo sendo prejudicado por seus vizinhos que entulharam seus poços, não brigou, mas procurou a reconciliação” – um comentário oportuno já que estamos falando de paz, afinal, muitos perdem a paz quando são injustiçados e decidem fazer “justiça com as próprias mãos”. A Palavra nos exorta a fazer o contrário:

Não digas: Farei contra ele como fez a mim; pagarei a cada um de acordo com seus atos. (Pv 24.29 AS21)

Não murmures: “Eu te farei pagar pelo mal que me fizeste!” Entrega a tua vindicação ao SENHOR, e Ele te dará a vitória! (Pv 20.22 KJA)

Tenham cuidado para que ninguém retribua o mal com o mal, mas sejam sempre bondosos uns para com os outros e para com todos. (1 Ts 5:15 NVI)

Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: “Minha é a vingança; eu retribuirei”, diz o Senhor. (Rm 12.19 NVI)

Por fim, o comentarista nos chama a atenção para o fato de que os conflitos são resultado da natureza adâmica; falaremos sobre isso no próximo tópico.

II. Inimizades e contendas, ausência de paz

1. Três tipos de inimizades

Aqui, a lição fala de três tipos de inimizade:

Inimizade para com Deus (Rm 8.7)
Inimizade entre as pessoas (Lc 23.12)
Hostilidade entre grupos e pessoas (Ef 2.14–16)

Já falamos sobre o primeiro no tópico anterior. Falando sobre o segundo tipo de inimizade, podemos listar algumas atitudes a serem observadas no intuito de se evitar um princípio de contenda e consequente inimizade:

a) Observar a maneira como falamos com as pessoas

Escrevendo a Timóteo, Paulo disse que o jovem pastor deveria ser um exemplo “no trato e no amor” (1 Tm 4.12); já o sábio Salomão, disse que “a resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira” (Pv 15.1 NVI) – sem dúvida um conselho a ser lembrado numa discussão mais acalorada. Podemos dizer “o que quisermos” se soubermos como fazê-lo, isto é, sem magoar, sem despertar a ira, sem humilhar, etc. Não custa lembrar que palavrinhas mágicas como obrigado, por favor, desulpa, entre outras, nunca saem da moda! Por fim, é oportuno dizer ainda, que nossa entonação de voz pode causar problemas se não tomarmos cuidado – às vezes parecemos rudes sem perceber.

b) Atentar para os trejeitos (nosso corpo fala)

Pode ser um sorriso debochado, os pés batendo (como quem tem pressa), alguém que fala e não recebe atenção (o ouvinte olha para os lados mas não olha nos olhos do emissor), etc. Pequenas coisas fazem a diferença. Em tudo deve prevalecer a obediência ao mandamento de Jesus em Jo 15.12 (AS21):

O meu mandamento é este: Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei.

O terceiro tipo é aquele entre pessoas e grupos de pessoas. E foi desfeito por Jesus na cruz; o texto de Ef 2.14–16 cf. Gl3.28 mostra isso muito bem. Um episódio dramático que nos mostra que todos somos iguais é o de Pedro na casa de Cornélio (Atos 10).

E disse-lhes: Vós bem sabeis que não é lícito a um homem judeu ajuntar-se ou chegar-se a estrangeiros; mas Deus mostrou-me que a nenhum homem chame comum ou imundo. (Atos 10.28)

E, abrindo Pedro a boca, disse: Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas; (Atos 10.34)

2. Inimizade e soberba

Falando sobre o pecado do prgulho, a Bíblia de Estudo Plenitude nos oferece o seguinte comentário:

Não há jeito de estar neutro no reino. Ou se está do lado de Jesus ou contra ele.
O orgulhoso está, automaticamente, contra ele, porque a sua vida não está relacionada com Jesus e ao que ele almeja na sua vida. Enfim, o orguho leva a pessoa a um senso de auto-suficiência, fazendo-nos relutantes para aprender ou receber de Deus ou do ser humano. Jesus disse que precisamos nos converter e nos fazer como crianças (Mt 18.3-4).

Nosso comentarista faz um comentário profundo e de suma importância no final deste subtópico:

As inimizades e segregações são um “produto” da carne, de uma natureza pecaminosa. Deus proíbe a acepção de pessoas e toda sorte de inimizades. Logo, os que promovem tais ações não podem agradar a Deus (At 10.34; Tg 2.8,9).

Que versículos mais poderiam ser usados para sustentar o comentário do Pr. Oziel Gomes? Romanos 8.6-8:

As pessoas que têm a mente controlada pela natureza humana acabarão morrendo espiritualmente; mas as que têm a mente controlada pelo Espírito de Deus terão a vida eterna e a paz. Por isso as pessoas que têm a mente controlada pela natureza humana se tornam inimigas de Deus, pois não obedecem à lei de Deus e, de fato, não podem obedecer a ela. As pessoas que vivem de acordo com a sua natureza humana não podem agradar a Deus.
– Rm 8.6–8 NTLH

3. Inimizade e facção

Existe um que está totalmente interessado em parar ou atrapalhar a obra do Senhor: o inimigo das nossas almas. Quando damos brecha para o surgimento de divisões, estamos dando força para o adversário nos destruir. Como bem disse Jesus, um reino dividido não pode subsistir (Mc 3.24–25). Além disso, estamos contribuindo para um péssimo testemunho para os de fora; Jesus também disse que o amor é que nos fará conhecidos como seus verdadeiros discípulos (Jo 13.35).

III. Vivamos em paz

1. O favor divino
2. A cruz de Cristo

Já falamos sobre estes assuntos no tópico I. Repetirei aqui, um comentário que fiz na lição 4 da turma dos jovens a respeito do favor divino e da morte de Cristo em nosso favor:

Quando falamos em doutrina da salvação, precisamos ter em mente que a iniciativa é sempre de Deus. Chega de erros crassos e de chavões como “dê um passo para Deus e Ele dará outro para você!”. Isso não é Evangelho, é Pelagianismo. Por mais que a intenção do pregador seja muito boa, clichês como esse não explicam nada sobre a boa nova de salvação; a verdade bíblica é que Deus já deu o primeiro passo. Pode parecer um patrulhamento ou uma preocupação à toa, mas o fato é que erros como esse prestam um verdadeiro desserviço ao Evangelho, pois não falam do que ele é.

O blogueiro Francisco Barbosa oferece um ótimo comentário sobre o assunto:

(…) a seqüência lógica é: propiciação implica reconciliação da parte de Deus. Propiciação é a causa, reconciliação da parte de Deus é o efeito: a morte de Cristo propiciou a Deus e, conseqüentemente, pela sua parte Deus está reconciliado, faltando ao homem reconciliar-se: arrepender-se, crer, humilhar-se, render-se, receber (2 Co 5.18–20; Rm 5.10). Portanto, podemos ver a obra da reconciliação em dois instantes de tempo: a. (1) Desde a eternidade passada, em propósito; (2) no madeiro, em efetivação; e (3) para sempre: Deus reconciliou Ele mesmo com o mundo, através de Jesus Cristo; a iniciativa, a providência e a consecução são todas e somente de Deus! (2 Co 5.18–19). b.Agora: o homem necessita se reconciliar com Deus através de Jesus Cristo (2 Co 5.20).

Não custa lembrar que o ‘arrepender-se’ e ‘crer’ não tiram o mérito de Deus como responsável pela salvação do homem; de fato, o homem só consegue se arrepender e crer porque teve seus olhos espirituais abertos pela graça de Deus, que veio antes, tornando-o capaz de perceber sua total depravação e os benefícios da salvação em Cristo; outra vez a iniciativa foi de Deus.

Como podemos ver, diante de tão grande salvação, não sobra espaço para qualquer reivindicação de superioridade por parte de alguém. O sofrimento de Cristo deve nos inspirar a vivermos uma vida de paz com os outros. Ele nos amou primeiro!

3. A nossa missão

Jesus cumpriu sua missão. Hoje, a missão é da Igreja do Senhor – ela é a portadora da maravilhosa mensagem de reconciliação (2 Co 5.19,20). Nas palavras de Klaus (2015, p. 600), “A Igreja é o estandarte da reconciliação entre a humanidade e Deus.”

Siglas

AS21 – Almeida Século 21
KJA – King James Atualizada
NTLH – Nova Tradução na Linguagem de Hoje
NVI – Nova Versão Internacional

Bibliografia consultada

  • HAYFORD, Jack W. et al (Ed.). Bíblia de Estudo Plenitude. Barueri, SP: SBB, 2001.
  • KLAUS, Byron D. A Missão da Igreja In: HORTON, Stanley M. (Ed.).Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro, RJ: CPAD, 1996.
  • O Ministério da Igreja – Comentário sobre a lição 4 (Jovens); disponível em EBD Comentada.
  • WIERSBE, Warren. BE Study Series. Disponível em: BibleGateway.

Publicado no blog EBD Comentada

There is 1 comment for this article

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *