Os Benefícios da Justificação – Daniel Conegero

Os Benefícios da Justificação – Daniel Conegero

Os Benefícios da Justificação é o tema da lição 4 das Lições Bíblicas CPAD do 2º trimestre de 2016 para a Escola Bíblica Dominical. Nesta lição abordaremos os benefícios decorrentes da justificação citados por Paulo no capítulo 5 da Epístola aos Romanos.

Lição 4: Os Benefícios da Justificação

Texto Áureo:

Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.
(Romanos 5:8).

Leitura Bíblica em Classe:

Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo;
Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.
E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência,
E a paciência a experiência, e a experiência a esperança.
E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.
Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer.
Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.
Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.
Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.
E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação.
Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.
(Romanos 5:1-12)

Introdução – Lição 4: Os Benefícios da Justificação

No capítulo 5 da Epístola aos Romanos, o Apóstolo Paulo faz uma exposição os benefícios em nossas vidas decorrentes da justificação em Cristo Jesus. Se nos capítulos anteriores, ele faz uma extensa exposição sobre a justificação pela fé, agora, no capítulo 5, Paulo mostra como a justificação é eficaz, quais resultados ela gera.

Entre os versículos 1 e 11 do capítulo 5, Paulo ensina que a eficácia da justificação pela fé produz frutos da paz, resultando em liberdade de acesso, exultação, esperança, certeza da salvação completa. Entre os versículos 12 e 21 do mesmo capítulo, a Apóstolo faz um paralelo entre Adão e Cristo, confirmando a certeza e profusão da salvação.

I- A Benção da Graça Justificadora – Lição 4: Os Benefícios da Justificação

Nos versículos 1 a 5, Paulo expôs vários benefícios que vêm para aqueles que estão justificados pela fé. Considerando os capítulos anteriores, podemos notar que o capítulo 5 estabelece um aposto. Analisando os cinco primeiros versículos, podemos destacar:

  • Em vez de separação (Rm 3:10-17), há paz (Rm 5:1);
  • Em vez de carência de glória de Deus devido ao pecado (Rm 3:23), há a esperança da glória (Rm 5:2);
  • Em vez de sofrer sob o juízo (Rm 2:5,6), há motivo para se gloriar na tribulação pelo que Deus produz por meio dela (Rm 5:3-5).

Note que o primeiro versículo já declara que, devido à justificação mediante a fé, agora “temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”. Isto está em total harmonia com o versículo 11 que diz claramente que somos reconciliados por intermédio de Cristo, ou seja, com a paz estabelecida, agora temos livre acesso à presença de Deus. A reconciliação foi por meio da morte do Filho de Deus, implicando na remoção da ira divina sob o pecador justificado e a restauração deste ao favor divino.

O versículo 2 nos mostra o conceito unânime do Novo Testamente acerca da esperança. O que Paulo quer dizer é que essa esperança não é qualquer esperança. Esperança aqui, e em todo Novo Testamento, é a segurança que vem do conhecimento da certeza da nossa salvação futura. Isso é muito diferente de um simples desejo ou qualquer aspiração. Essa esperança é concreta, real e não será confundida, pois o conhecimento do amor de Deus que o Espírito Santo derrama nos corações dos crentes é quem garante essa certeza (Rm 5:4,5).

Nos versículos 3 a 5, Paulo nos diz que os que a justificação faz com que nos gloriemos nas próprias tribulações. Isso soa como uma aparente contradição. Como alguém pode se gloriar no sofrimento? A expressão “em nossos sofrimentos” significa “no meio de e por causa de”, ou seja, são as tribulações que experimentamos na realização da obra do Senhor. Ao contrário do que muita gente prega e do que a Teologia da Prosperidade ensina, sofremos tribulações em decorrência de Cristo e de seu Evangelho, mas o Apóstolo enxerga tais tribulações como bênçãos. Ainda nos versículos 3 a 5, Paulo nos mostra que a tribulação produz perseverança, e a perseverança, experiência, e a experiência, esperança. Esse é um processo que transmite a qualidade de “ser testado e aprovado”, de forma que, essa experiência que produz a esperança, confirma a nossa confiança de que a glória que aguardamos será finalmente nossa um dia (Rm 8:17-15).

II- As Bênçãos do Amor Trinitário – Lição 4: Os Benefícios da Justificação

Continuando o padrão de apostos que ressaltamos no tópico anterior, entre os versículos 6 e 11 podemos notar outro paralelo. Ao invés do medo e da incerteza que fatalmente atinge o homem morto em delitos e pecados descrito nos capítulos anteriores, agora, os justificados, possuem a segurança do amor de Deus e motivos para se gloriar nele (Rm 5:6-11).

O Apóstolo explica no versículo 5 que o amor de Deus é derramado pelo Espírito Santo em nosso coração. Em seguida, no versículo 6, a expressão “porque” que inicia o versículo nos explica a natureza do derramamento desse amor, de modo que só podemos compreendê-lo diante da cruz de Cristo.

William Hendriksen, em seu comentário sobre Romanos, estabelece um contraste muito interessante entre o juiz terreno e Deus como juiz:

O juiz terreno: considerando que o acusado não é culpado, o inocenta; ou, considerando que é culpado, o sentencia, e, ambos os casos despede-o do tribunal e nada mais tem a tratar com ele.

Deus como juiz: considerando que o acusado é culpado (como é sempre o caso), apaga sua culpa, com base na obra realizada pelo Filho de Deus, o Condutor da Culpa, e agora, por meio de seu Espírito Santo, derrama seu amor em seu coração e o adota como seu próprio filho.

Quanto a essa adoção divina, em nada tem haver com a adoção humana. Na adoção humana os pais gostariam de transmitir algo de seu próprio caráter ao filho adotivo. Às vezes eles conseguem outras não. Mas quando Deus adota, Ele também implanta seu próprio Espírito no coração do filho adotivo, transformando-o na própria imagem de Deus (Rm 8:15).

III- As Bênçãos da Nova Criação – Lição 4: Os Benefícios da Justificação

Entre os versículos 12 e 21, Paulo faz um paralelo entre Adão e Cristo, mostrando Cristo como o novo Adão. Para entendermos esses versículos, precisamos perceber que há uma estreita conexão entre os versículos anteriores com essa nova seção. Os versículos 1 ao 11 mostram claramente que a salvação, no tempo e na eternidade, é por meio de Cristo. Agora os versículos 12 ao 21, nos explica que a graça é muito mais do uma simples compensação pelo pecado, pois ela não só nulifica os efeitos do pecado, mas também outorga a vida eterna.

Paulo comparou o significado radical da desobediência de Adão com o da obediência de Cristo. Só é possível entender essa comparação sob a base dos vários benefícios que vem para aqueles que são justificados pela fé em Cristo.

Embora a queda de Adão tenha afetado toda a humanidade, de modo que não há um justo se quer, todos são merecedores da ira de Deus, no versículo 12 mais uma vez o Apóstolo enfatiza essa condição dizendo que “todos pecaram”, certamente o pensamento de Paulo está particularmente sob os efeitos do pecado de Adão naqueles que estão de modo definitivo redimidos em Cristo, tanto na época do Antigo quanto na do Novo Testamento. A boa notícia é que, as obras de Adão sejam parecidas de maneira opostas as obras de Cristo, a graça da obra de Cristo é muito maior que o pecado, o juízo e a condenação de Adão. É claro que toda a humanidade caiu em Adão, e Paulo deixa isso explicito nesse capítulo, porém a prova de que ênfase do Apóstolo está naqueles que são redimidos em Jesus é a expressão “foram abundantes sobre muitos” no versículo 15.

Conclusão – Lição 4: Os Benefícios da Justificação

Creio que a declaração grandiosa de Paulo na finalização do paralelo estabelecido nessa última seção do capítulo 5, é melhor do que conclusão que poderíamos escrever.

Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos.
Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça;
Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor.
(Romanos 5:19-21)

Publicado no Blog do Projeto Estilo Adoração

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