O Propósito do Fruto do Espírito – Luciano de Paula Lourenço

O Propósito do Fruto do Espírito – Luciano de Paula Lourenço

Texto Base: Mateus 7:13-20

“Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mt.3.8)

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos o propósito do Fruto do Espírito, que é provar a verdadeira espiritualidade da pessoa convertida. O Fruto do Espírito representa o que o homem é, fala do seu tempo andando com Deus. A sua formação requer uma vida de entrega nas mãos do Senhor, vida no Altar, vida de renúncia, de consagração, vida de dedicação à Obra de Deus, vida cheia do conhecimento de Sua Palavra.

Quando o ser humano recebe Jesus Cristo como Senhor e Salvador de sua vida, e mantém uma comunhão intensa com Ele, o Espírito Santo gera nessa pessoa virtudes que refletem o caráter de Deus, que o apóstolo Paulo chama de Fruto do Espírito. O Fruto é gerado na medida em que o Espírito Santo vai transmitindo, ou gravando, no caráter do homem virtudes existentes em Deus, das quais Paulo relacionou nove em Gálatas 5:22, a saber: “amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio”. Na verdade essas virtudes constituem o propósito e o alvo de Deus para os crentes quando nos permitimos ao controle irrestrito do Espírito Santo. É o próprio Espírito Santo quem produz em nós essas virtudes. Elas são a maravilhosa descrição do Caráter de Cristo que devemos adquirir dia a dia pelo estudo da Palavra de Deus e comunhão devocional com o Senhor. Somente quando tais virtudes tornam-se perceptíveis em nossas vidas podemos entender o que é ser um cristão cheio do Espírito Santo.

Se dermos lugar ao Espírito Santo e santificarmos nossas vidas, as pessoas verão que Deus está em nossas vidas, pois pelos frutos somos conhecidos. Aliás, um dos propósitos do Fruto do Espirito é nos identificar. Assim como uma árvore é conhecida pelos seus frutos, o crente verdadeiro é reconhecido por suas ações. O Fruto também revela a nossa comunhão e o quanto temos aprendido do Senhor.

I. A VIDA CONTROLADA PELO ESPÍRITO SANTO

  1. É uma vida frutífera. Quando o crente não se submete em tudo ao controle do Espírito Santo, ele não consegue resistir e neutralizar os desejos da natureza pecaminosa. Mas quando o Espírito tem esse controle, o crente torna-se igual um solo fértil para o Espírito produzir o seu bendito Fruto descrito em Gálatas 5:22. Somente pelo poder do Espírito o crente consegue sempre vencer os desejos, a cobiça e as inclinações da carne e viver uma vida frutífera.

Um aspecto importante que observamos na botânica é que o fruto é o fim, o término de todo um processo fisiológico, é o resultado de todo um ciclo vital. Desde o momento que a semente germina e passa a formar um novo ser (morrendo, como nos fala Jesus), há somente um objetivo, uma finalidade: a formação do fruto. Portanto, como se vê, o Fruto é o fim, o propósito, o objetivo de todo o processo. Espiritualmente falando, também vemos que o fim último da vida cristã é a produção do Fruto do Espírito Santo. Todo o processo de concessão da vida espiritual tem como finalidade a formação deste Fruto. Jesus foi claro ao afirmar que nos escolheu para que vamos, demos fruto e o nosso fruto permaneça (João 15:16).

Somos de Cristo para que demos frutos para Deus (Rm.7:4). Quem não dá Fruto do Espírito Santo não pode ser mantido no meio do povo de Deus e, por isso, é extirpado dele (João 15:2). Jesus deixou isto bem claro tanto na parábola da vinha (Lc.13:6-9), quanto no episódio da figueira infrutífera, que secou mediante a maldição do Senhor (Mt.21:18-22; Mc.11:12-14). Aliás, é esta a única oportunidade do ministério de Jesus Cristo em que O vemos lançando uma maldição, a demonstrar o quanto desagrada ao Senhor a existência de vidas infrutíferas no meio do seu povo.

Certa feita, Jesus estava com fome e se dirigiu até uma figueira para colher dela frutos. Mateus nos informa que a figueira estava situada à beira do caminho (Mt.21:19). Uma posição estratégica para os que gostam de ser vistos, admirados e elogiados pelos que passam pelas estradas da vida. Aquela figueira era uma árvore frondosa – uma figueira com muitas folhas. Folhas agradam os olhos, mas não servem de alimento. Jesus estava com fome. Jesus era israelita, nasceu e cresceu em Israel, logo Ele sabia que não acharia fruto naquela figueira (cf. Mc.11:13). Mesmo assim “foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando-se a ela não achou senão folhas”. Não achou frutos porque não era tempo de figo. Porém, não gostou de não ter achado e amaldiçoou a figueira – “E Jesus, falando, disse à figueira; nunca mais coma alguém fruto de ti” (Mc.11:14). E eles passando pela manhã, viram que a figueira se tinha secado desde as raízes. E Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, eis que a figueira, que tu amaldiçoastes, se secou”(Mc.11:20,21).

Pode parecer estranho o fato de Jesus ter amaldiçoado a figueira por não achar nela fruto – ele sabia “que não era tempo de figos”. O que nos parece é que o Senhor Jesus quis usar aquelafigueira para ministrar Lições ao Seu povo.

Lição 1: O Senhor procura frutos, e não folhas (Mt.21:19). O Senhor não se impressiona com nossa “bela folhagem”, com nossa aparência pessoal. Não basta ter aparência; não basta estar à beira do caminho para ser visto, admirado, elogiado. Sem frutos a figueira secará.

Lição 2: Na vida espiritual todo tempo é tempo de dar frutos. Não existe uma Estação própria, um tempo apropriado. O Senhor Jesus se julga no direito de procurar frutos em nós, em todo o tempo.

– Crente tem que dar frutos na Primavera. A Primavera, na vida espiritual, é aquele período quando tudo são flores, quando a temperatura é amena, quando o céu é azul, quando os dias são claros e belos. É quando o crente está em “Elim”, onde existe sombra e água fresca – “… e havia ali doze fontes de água e setenta palmeiras…”( Êx.15:27). Se você, meu irmão, está em “Elim”, e se é primavera na sua vida espiritual, aproveite este tempo para dar muitos frutos para o Senhor.

– Crente tem que dar frutos no Verão. O Verão, na vida espiritual, é aquele período de intenso calor, quando a “areia do deserto” queima nossos pés e o sol abrasa nossas cabeças, quando a água fica racionada, e, às vezes, a própria energia. É aquele período em que de repente o tempo muda e desabam violentos temporais, provocando inundações, vendavais, estragos, prejuízos.

Foi nesta estação em que, de um momento para outro, José foi lançado na prisão, os três hebreus jogados na fornalha de fogo, João exilado em Pátmos. Era verão espiritual em suas vidas, mas, José deu frutos na prisão, os três hebreus deram frutos na fornalha, João deu frutos em Pátmos. Nós, também, podemos dar frutos em nosso verão espiritual.

– Crente tem que dar fruto no Outono. O Outono, na vida espiritual, é aquele período em que a beleza da vida fica ofuscada, as folhas caem, as árvores parecem secas, sem vida. O ânimo fica abatido. Mesmo nesse período de abatimento, frustrações, desânimo, o crente precisa produzir frutos para o Senhor.

– Crente tem que dar fruto no Inverno. O Inverno, na vida espiritual, é aquele período de frieza, quando os dias tornam-se ofuscados, cinzentos. Ser crente no inverno espiritual não é fácil, mas é possível desde que estreitemos nossa comunhão com Deus e deixemos que o calor do Espírito Santo aqueça nossa alma. Mesmo no Inverno o crente precisa produzir frutos para o Senhor.

Aquele mesmo Senhor que procurou figo naquela figueira, sabendo que não era tempo de figo, também procura fruto em nossa vida porque, para Deus, todo tempo é tempo de produzir frutos. Pense nisso!

  1. É uma vida que externa santidade. Nós não fomos salvos para somente frequentarmos a congregação, mas para revelar Cristo ao mundo por intermédio de um viver santo, justo, em meio a uma sociedade comprometida pelo pecado (Fp.2:15).

Ser Santo é uma exigência de Deus – “Falou mais o Senhor a Moisés, dizendo: Fala a toda a Congregação dos filhos de Israel e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo”(Lv.19:1,2). Não é uma exigência do Antigo Testamento e nem é somente para Israel. A mesma exigência foi reafirmada no Novo Testamento e em relação à Igreja: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo”(1Pd.1:15-16).

O crente verdadeiro, sincero, genuíno é alguém que se preocupa, a todo instante, em agradar a Deus e, por isso, distancia-se do pecado, do mal e se aproxima de Deus. Tudo faz em suas tarefas diárias para agradar a Deus.

  1. É uma vida produtiva. O Senhor Jesus Cristo afirmou: “Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” (João 15:8). Dar fruto… dar “muito fruto” é uma condição imposta por Jesus para aquele que quiser ser seu discípulo. Deus não pede o que não temos para dar e que Deus não exige o que não podemos fazer. Assim, se o Senhor Jesus exigiu como condição o dar muito fruto para poder ser seu discípulo é porque ele sabia que o homem podia cumprir esta condição. É claro que o homem natural não pode ser seu discípulo, porque não pode, por si só, cumprir suas condições. Para ser discípulo de Jesus, o homem natural precisa, primeiro, aceitá-lo como seu Senhor e Salvador, precisa nascer de novo, precisa torna-se um homem espiritual.

Todavia, mesmo o homem nascido de novo, não poderia, por si só, fazer a vontade de Deus e cumprir a Sua Palavra. Sabendo disto, Deus Pai, por intermédio de Jesus, enviou para estar com o homem, o Espírito Santo, sobre o qual o Senhor Jesus declarou: “Mas, quando vier aquele Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade…” (João 16:13). Paulo complementou, dizendo: “E da mesma maneira também o Espírito Santo ajuda as nossas fraquezas…” (Rm.8:26).

Cristo é a Videira e Deus Pai é o Lavrador que cuida dos Ramos para torná-los frutíferos. Os Ramos são todos aqueles que se decidiram seguidores de Cristo. Os Ramos frutíferos são os verdadeiros crentes que, por meio da união de sua vida com a de Cristo, propiciam a Deus uma colheita abundante. Mas aqueles que se tornam improdutivos, que se negam a seguir a Cristo depois de estabelecerem um compromisso superficial com Ele, serão separados da Videira. Os seguidores improdutivos são como mortos; serão cortados e lançados fora. Estamos frutificando? Somos verdadeiramente salvos?

Podemos afirmar, com absoluta convicção, que, se não nos deixarmos guiar e se não formos ajudados pelo Espírito Santo, não daremos fruto, nem muito e nem pouco! Quem não dá fruto não pode dizer que é discípulo de Jesus. Quem não frutifica, diz o Senhor, é cortado e lançado fora. Não é possível ser crente, ser salvo sem que se tenha uma vida produtiva, sem produzir o Fruto do Espírito.

II. OS PROPÓSITOS DA FRUTIFICAÇÃO ESPIRITUAL

  1. Expressar o caráter de Cristo. A partir do Novo Nascimento, o homem passa a ter um novo ambiente, que é o ambiente da comunhão com o Senhor, pois o próprio Senhor vem habitar no crente (Rm.8:9; João 14:23) e isto fará com que seja modificado o seu caráter. Adquirimos um novo caráter, o caráter cristão, que é o que Paulo denomina de “o Fruto do Espírito”, que é idêntico a todos os crentes, resultado da atuação do mesmo Espírito que habita em cada um deles.

O segredo de apresentarmos um caráter cristão e de controlarmos o nosso temperamento para que este caráter se forme e, portanto, que produzamos o Fruto do Espírito, é o de nascermos de novo. O Novo Nascimento é uma necessidade, como o Senhor Jesus deixou claro a Nicodemos, um cidadão de bem, culto, educado e religioso; porém, um homem natural, movido pela sua velha natureza carnal.

A natureza humana, por melhor que possa parecer, não contém os fertilizantes necessários à formação do Fruto do Espírito. Por esta razão o Senhor Jesus foi taxativo, ao declarar que “…na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus… O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (João 3:3,6). A expressão “o que é nascido da carne é carne” significa que o que é nascido da carne, ou seja, o homem natural, não importando sua posição social, política, econômica, no seu corpo serão produzidos as obras da carne. Daí a necessidade de uma transformação, de um Novo Nascimento, ou de uma Regeneração. Neste processo, a velha natureza, ou “o velho homem” tem que morrer para que surja um “novo homem”, formado por uma nova natureza – “… o que é nascido do Espírito é espírito”. Isto ocorre no exato momento em que o homem aceita o Senhor Jesus Cristo como seu único e suficiente Salvador, ou seja, no momento de sua Conversão. Nesse instante ocorre uma transformação semelhante àquela que ocorreu em Caná, da Galiléia, quando o Senhor Jesus transformou água em vinho (João 2:1-11).

Ninguém viu e ninguém poderia explicar o que aconteceu ali. A água estava dentro das talhas, e as talhas eram de pedra. Também não houve demora, foi um ato repentino. A água, que num momento atrás era um liquido incolor, insípido e inodoro, sofreu uma transformação, tornando-se um líquido com cor, com gosto e com cheiro. Nada podia fazer lembrar que aquele vinho, momentos antes, tivesse sido água.

O Novo Nascimento significa, portanto, uma mudança completa, total, absoluta – “…se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2Co.5:17).

No exato momento da Conversão o “velho homem” é transformado num “novo homem”. O homem carnal, ou natural, é transformado num homem espiritual, e de forma simultânea, recebe a Regeneração, ou seja, é gerado de novo; a Justificação, pela qual é declarado como se nunca tivesse pecado; é galardoado com a Adoção, tornando-se filho de Deus, recebendo, ainda, a Santificação. Este processo denomina-se Salvação.

  1. Abençoar outras pessoas. Na medida em que praticamos boas obras, na medida em que passamos a demonstrar o caráter cristão, estaremos, também, trazendo o bem às pessoas que nos cercam. O crente é sal da terra e luz do mundo e, portanto, iluminará os ambientes que frequenta, como também conservará a pureza ou curará os males do lugar onde está. A Bíblia diz que o crente é a nascente de um rio de água viva (João 7:38) e, como nos ensina a geografia, o rio é um elemento primordial para que se constitua um núcleo humano de habitação, para que se construa uma sociedade, uma comunidade. O crente, portanto, é um elemento que traz a vida para as pessoas, que permite com que as pessoas possam ser despertadas para a realidade da necessidade da comunhão com Deus e com o próximo, mas isto tudo somente pode ocorrer se houver a produção do Fruto do Espírito, sem o que este rio não nascerá, sem o que este rio não será água corrente, mas apenas uma cisterna rota, de água parada, mal cheirosa e produtora de doenças (Jr.2:13).
  1. Glorificar a Deus (João 15:8). Por fim, como diz o próprio Jesus, vemos que a presença de crentes frutíferos leva os ímpios a glorificarem a Deus (Mt.5:16). A Igreja, aqui, em perfeita consonância com o Espírito Santo, faz com que os homens glorifiquem ao Pai que está nos céus. O trabalho do Espírito Santo é o de glorificar a Jesus (João 16:14), assim como o trabalho de Cristo na Terra foi o de glorificar o Pai (João 17:4). Nós, como corpo de Cristo, temos de prosseguir neste trabalho de glorificação do Pai e isto só será possível através das nossas boas obras.

III. O FRUTO DO ESPÍRITO EVIDENCIA O CARÁTER DE CRISTO EM NÓS

  1. O que é Caráter. O Caráter é o traço distintivo de uma pessoa, é a sua marca. Por mais que seja melhorada pelos processos educacionais e éticos, ele será a marca distintiva da natureza do homem. Nicodemos, do ponto de vista humano, era um homem de bom caráter, um homem de bem. Contudo, do ponto de vista de Jesus, como homem natural, ele não estava habilitado a produzir bons frutos. Ele continuava sendo um “espinheiro”. Para produzir “uvas”, precisava de uma mudança em sua natureza. Esta mudança só é possível através do Novo Nascimento. Depois disto, então, o homem poderá produzir “frutos bons”.

O crente que evidencia o caráter de Cristo tem um comportamento, uma conduta diferente dos demais homens, porque tem uma natureza diferente, é de uma espécie diferente. Enquanto o crente é filho de Deus, o ímpio é filho do diabo (João 8:44); enquanto o crente é luz, o ímpio é treva; enquanto o crente tem vida, o ímpio está morto. Portanto, não pode haver comunhão entre o crente e o descrente. Assim, não podemos admitir o discurso de que o crente deve assumir a forma do descrente, até para “ter maior facilidade na evangelização”. Não temos, em absoluto, que tomar a forma do mundo (cf. Rm.12:2), mas buscar transformá-lo.

Devemos analisar as pessoas pelos frutos que produzem, ou seja, devemos verificar quais são as suas atitudes, qual é o seu caráter, não simplesmente o que está aparecendo em torno delas. Não nos preocupemos com os sinais, prodígios e maravilhas que alguém venha a fazer, mas, sim, com a presença do caráter cristão na sua vida. Não nos preocupemos com a vestimenta que alguém está usando, mas com a presença do caráter cristão na sua vida. É pelos frutos que reconheceremos quem é crente e quem não o é.

O caráter cristão permite-nos vislumbrar quem tem, ou não, comunhão com o Senhor e isto é que é importante, pois a comunhão com Deus representa a libertação do pecado e a consequente aceitação por Deus.

Aos religiosos que procuravam João Batista para serem batizados, ele advertia-os, dizendo-lhes: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento… E também, agora, está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada não fogo” (Mt.3:8,10). Por estas palavras de João Batista entendemos que não basta ao homem mudar de Religião, mas, que é necessário uma mudança de vida. Aquele homem “mau caráter” precisa ser transformado num homem de “bom caráter”. Não se trata, pois, de melhorar a qualidade do fruto, mas mudar a sua natureza. Um limão por melhor que seja, será sempre limão, e para ser bom precisa ser azedo. É preciso, portanto, mudar a natureza do fruto, e, não apenas melhorar a sua qualidade – “… toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus-frutos, nem a árvore má dar frutos bons” (Mt.7:17,18). Segundo Jesus, é pela qualidade dos frutos produzidos que se conhece a árvore – “Por seus frutos os conhecereis…” (Mt.7:16).

Pelos frutos é possível saber se o homem mudou de vida, se é, agora, um novo homem, ou se apenas mudou de Religião, e continua sendo o velho homem, envolto com as obras da carne. “Porque cada árvore se conhece pelo seu fruto…”, segundo afirmou Jesus.

  1. O Fruto do Espírito evidencia o caráter de Cristo em nós. O Fruto do Espírito é a expressão da natureza e do caráter de Cristo através do crente, ou seja, é a reprodução da vida de Cristo no crente.

O pecado afetou consideravelmente a imagem de Deus em nós levando-nos a produzir as obras da carne. Entretanto através do novo nascimento, Cristo é novamente formado em nós e assim somos transformados constantemente de glória em glória, crescendo na graça e no conhecimento de Jesus Cristo (2Co.3:17,18).

Observe que em Gálatas 5:22 o vocábulo Fruto está no singular, apesar de apresentar nove virtudes. Isto quer dizer que o Espírito Santo produz uma só qualidade de fruto, a saber: AMOR.

“AMOR” é a suprema virtude do Fruto do Espírito. É divino, não se trata de vários tipos, mas vem de Deus, o qual foi derramado em nossos corações (Rm.5:5). Apresenta-se em três dimensões:(a) Dimensão Vertical (Relação com Deus): Amor, Alegria, Paz; (b) Dimensão Horizontal (Relação com o próximo): Paciência, Benignidade, Bondade; (c) Dimensão Interior (Relação com si mesmo): Fidelidade, Mansidão, Temperança.

– Amor (gr. ágape). É o amor divino para com a humanidade perdida (João 3:16). É um amor imutável, sacrificial, espontâneo e que nos leva a amar até os próprios inimigos (Mt.5:46,48).

– Alegria (gozo). É o amor em estado de contentamento. É uma alegria constante na vida do crente, decorrente de seu bem-estar com Deus. Este amor se manifesta inclusive nas tribulações (2Co.7:4; At.13:52).

– Paz. É o amor em estado de quietude. É uma tranquilidade íntima e perfeita, independente das circunstâncias. Manifesta-se em três sentidos: Paz com Deus (Rm.5:1; Cl.3:15); Paz com o próximo (Rm.12:18; Hb.12:14) e; a Paz interior, a Paz que guarda nossos corações e os nossos sentimentos em Cristo Jesus (Fp.4:7). Os ímpios não têm paz! (Is.48:22).

– Longanimidade (paciência). É o amor que suporta a falta de cortesia e amabilidade por parte dos outros (Ef.4:2; 2Co.6:4). É a paciência de forma contínua.

– Benignidade. É o amor compassivo e misericordioso. É o amor agradando. É a virtude que nos dá condições de sermos gentis para com os outros, expressando ternura, compaixão e brandura.

– Bondade. É o amor ajudando. É o amor em ação. É o amor generoso e caridoso. Se antes fazíamos o mal agora Cristo nos capacita para sermos bons para com todos.

– Fé. É o amor em sua fidelidade a Deus (1Pd.1:6,7). Não é apenas crer e confiar. É também ser fiel e honesto, pois Deus é fiel (1Co.1:9). Aqui, o crente se mantém fiel ao Senhor em quaisquer circunstâncias. Descobrimos se temos esta qualidade quando somos desafiados à infidelidade.

– Mansidão. É o amor pacificando. Virtude que nos torna pacíficos, com serenidade e brandura diante de situações irritantes, perturbadoras e desagradáveis. Devemos aprender a mansidão com Jesus (Mt.11:29). Ele se conservou manso diante de seu traidor (1Pd.2:21-23), e curou a orelha do servo do sumo sacerdote que fazia parte dos que tinham ido prendê-lo (Lc.22:51).

– Temperança (domínio próprio). É o amor equilibrando. Deus respeita o nosso livre arbítrio e por isso não nos domina, mas nos guia na verdade. Além da orientação do Espírito Santo contamos com o domínio próprio que atua como um freio contra as paixões da carne as quais vão contra os propósitos de Deus para nossa vida.

Por si só, o homem não tem condições de produzir o Fruto do Espírito. Sua inclinação natural será sempre de produzir os frutos da carne. Como, pois, esse Fruto pode ser produzido? Pelos esforços humanos? De modo algum. É produzido quando os cristãos vivem em comunhão com o Senhor. O Espírito Santo opera um milagre maravilhoso enquanto fixamos os olhos no Salvador em amorosa adoração e quando lhe obedecemos na vida diária. Ele nos transforma para sermos semelhantes a Cristo (2Co.3:18). Como um ramo recebe da videira vida e nutrição, assim também o crente em Cristo recebe toda a sua força da verdadeira vide, e assim ele é capaz de viver uma vida frutífera para Deus.

CONCLUSÃO

Assim como uma árvore é conhecida pelos seus frutos, assim o verdadeiro crente é conhecido por suas ações. Portanto, o propósito do fruto do Espírito é nos identificar, é revelar a nossa verdadeira comunhão com o Senhor. Quando somos cheios do Espírito Santo e permitirmos que Ele trabalhe em nosso caráter, passamos a produzir o Fruto do Espírito, conforme Gálatas 5:22. Busquemos um relacionamento pessoal com Cristo, sejamos cheios do Espírito Santo e produzamos muitos frutos para a glória de Deus.

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) – William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 69. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Gálatas, a carta da liberdade cristã.

Ev. Caramuru Afonso Francisco. O Fruto do Espírito Santo e o caráter cristão. PortalEBD_2005.

Publicado no Blog do Luciano de Paula Lourenço

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