O Evangelho da Graça – Ev. Luciano de Paula Lourenço

O Evangelho da Graça – Ev. Luciano de Paula Lourenço

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Texto Base: 1Timoteo 1:3-10

 “Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (Atos 20:24).

INTRODUÇÃO

A graça de Deus traduz a bondade do Senhor e o seu desejo de favorecer o homem, de ser misericordioso com o ser humano, ainda que o homem não mereça esta benevolência divina, vez que pecou e se rebelou contra o seu Criador. Entretanto, apesar do pecado, Deus mostra seu amor em relação ao homem, por intermédio da sua graça. Assim, sem que o homem mereça coisa alguma, Deus providenciou um meio pelo qual o homem pudesse retornar a conviver com o Senhor. Quando ainda éramos pecadores, enviou seu Filho para que morresse em nosso lugar e satisfizesse a justiça divina. Em seguida, a todos quantos crerem na obra do Filho, Deus permite que venha a novamente ter comunhão com Ele, ainda que imerecidamente. Como diz o apóstolo aos efésios, “…pela graça sois alvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus”(Ef 1:8). É este favor imerecido que consiste na Graça de Deus.

 

  1. AS FALSAS DOUTRINAS CORROMPEM O EVANGELHO DA GRAÇA

 

  1. O evangelho da graça. É o evangelho libertador que Cristo trouxe ao mundo, por mercê de Deus, independentemente das obras humanas (Ef 2:8,9). Paulo se referiu a esse evangelho da graça de maneira muito eloquente em Atos 20:24 – “Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus”. Nenhum título poderia expressar de maneira mais apropriada o evangelho que Paulo pregava do que “o evangelho da graça de Deus”. Esta é a mensagem que toca profundamente e trata do favor de Deus concedido aos pecadores culpados e ímpios que não mereciam outra coisa senão a eternidade no inferno. Este evangelho da graça conta como o Filho do amor de Deus se despiu da glória suprema do Céu para sofrer, derramar seu sangue e morrer no Calvário a fim de oferecer o perdão dos pecados e a vida eterna a todos os que creem nele. A grande paixão de Paulo era testemunhar este evangelho da graça de Deus. A pregação enchia o peito de entusiasmo deste bandeirante da fé cristã. Ele sabia que o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo o que crê. Sabia que a mensagem do evangelho de Cristo é a única porta aberta por Deus para a salvação do pecador.

 

  1. As falsas doutrinas (1Tm 1:3,4). Uma falsa doutrina pode ser a negação de uma verdade da fé cristã ou mesmo uma adição a ela. A igreja de Éfeso estava ameaçada por falsas doutrinas e corria sérios riscos em virtude da infiltração de perigosas heresias. A sã doutrina é absoluta e não admite que outro evangelho seja pregado. Nada é mais nocivo para a saúde espiritual da igreja do que as falsas doutrinas. Ninguém é mais perigoso para a igreja do que os falsos mestres. Por isso, Paulo foi enfático: “Como te roguei, quando parti para a Macedônia, que ficasses em Éfeso, para advertires a alguns que não ensinem outra doutrina, nem se deem a fábulas ou a genealogias intermináveis, que mais produzem questões do que edificação de Deus, que consiste na fé; assim o faço agora”.

 

 “…para advertires a alguns que não ensinem outra doutrina”. Que doutrina seria essa que se infiltrava por intermédio de certas pessoas? O texto deixa claro que havia um pano de fundo judaico, pois Paulo menciona “fábulas e genealogias sem fim” (1:4) e acrescenta que esses falsos mestres pretendiam passar por “mestres da lei” (1Tm 1:7). Mas há fortes indícios de que Paulo também se referisse a uma heresia de cunho gnóstico, pois o texto menciona a “vãs contendas” (1Tm 1:6) e “o abandono da fé e da boa consciência” (1Tm 1:19).

 

O gnosticismo era na verdade uma mistura de elementos do judaísmo com a filosofia grega. O resultado dessa mistura produziu uma das mais avassaladoras heresias que atingiu a igreja no século II. Tal heresia, pelo menos de forma embrionária, foi combatida vigorosamente na Epístola de Paulo aos Colossenses. O problema do gnosticismo não era apenas intelectual, mas também ético. O movimento desembocou em duas posturas perigosas: (a) o ascetismo: se a matéria é má, o corpo também o é. Logo, o corpo deve ser subjugado, desprezado e oprimido. Os gnósticos criaram então leis austeras proibindo alimentos e até mesmo o casamento (1Tm 4:3); (b) a licenciosidade: se o corpo é mau, diziam os gnósticos, o que fazemos com ele não importa; o que importa é o espírito. Assim, é permitido que o homem sacie todos os seus impulsos e apetites. Desta forma, o gnosticismo desembocou na imoralidade (2Tm 3:6; Tt 1:16).

 

  1. O “fim do mandamento” – “Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida” (1Tm 1:5 – ARC).

 

Neste versículo, “mandamento” (ARC) não se refere à lei de Moisés nem aos Dez Mandamentos, mas à maneira de combater a falsa doutrina, referida nos versículos 3 e 4. Isso é claramente enfatizada na tradução Corrigida e Fiel: “Ora, o fim do mandamento é o amor…”. A tradução da Almeida Revista e Atualizada, também, nos dá uma visão bastante compreensível deste versículo: “Ora, o intuito da presente admoestação visa ao amor que procede de coração puro, e de consciência boa, e de fé sem hipocrisia” (1Tm 1:5 – ARA). Paulo diz que o alvo da missão que acaba de dar a Timóteo não é apenas produzir ortodoxia, mas “o amor que procede de um coração puro, e de uma boa consciência, e de fé não fingida” (Corrigida e Fiel –CF). Essas coisas sempre se evidenciam quando o evangelho da graça de Deus é pregado.

 

O amor, sem dúvida, inclui o amor para com Deus, para com os cristãos e para com o mundo em geral. Deve brotar de um coração puro. Se a vida interior é impura, dificilmente o verdadeiro amor cristão fluirá dela. Esse amor pode também ser o fruto da boa consciência, que é a consciência totalmente livre da ofensa a Deus e ao homem. Finalmente, esse amor deve ser resultado da fé sem hipocrisia (fé sincera), que é a fé sem máscaras.

 

Os falsos ensinamentos nunca poderiam produzir essas coisas que Paulo enumera e, certamente, nunca seriam resultado de fábulas e genealogias intermináveis! É o ensinamento da graça de Deus que produz um “coração puro, e de consciência boa, e de fé sem hipocrisia” e que, portanto, resulta no amor.

 

Observe a sequência de resultados neste texto: coração, consciência, fé e amor. Hendriksen diz “que, quando um pecador é levado a Cristo, o primeiro a ser regenerado é o coração. O resultado é que a consciência do homem começa a importuná-lo de tal modo que, dominado pela convicção, ele sente-se feliz em abraçar o Redentor por meio de uma fé viva e consciente. Daí ser plenamente natural a sequência: coração, consciência, fé. Além do mais, é claramente evidente por que o apóstolo declara que esses três – e nesta ordem – dão origem ao amor. Quando o Deus de amor implanta sua nova vida no coração do homem, este chega de forma natural a ter um coração amoroso. Uma consciência isenta de culpa e obediente aos mandamentos de Deus começará aprovar somente aqueles pensamentos, palavras e ações, que estejam em harmonia com o propósito único que resume a lei, a saber: o amor. Uma fé genuína, que abraça a Cristo e todos os seus benefícios, dará como resultado o amor genuíno para com o benfeitor e para com todos os que se acham incluídos em seu amor. Por isso, Paulo fala de “um amor (que procede) de um coração puro, uma sã consciência e uma fé sem hipocrisia”” (William Hendriksen.1 2 Timoteo e Tito. p.81).

 

  1. A finalidade da Lei.Sabendo isto: que a lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreligiosos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas, para os fornicadores, para os sodomitas, para os roubadores de homens, para os mentirosos, para os perjuros e para o que for contrário à sã doutrina” (1Tm 1:9,10).

 

Uma das maiores finalidades da lei é levar os pecadores ao ponto em que eles se sintam completamente quebrantados sob o peso esmagador de seus pecados. A finalidade da lei é revelar o pecador, e não tirá-lo. Segundo o rev. Hernandes Dias Lopes, “a lei é como uma lanterna: mostra o obstáculo no caminho, mas não tira o obstáculo. É como uma tomografia computadorizada: mostra o tumor interno, mas não o remove. É como o prumo de um construtor civil: mostra a sinuosidade da parede, mas não a corrige. É como um espelho que revela a sujeira do nosso rosto, mas não a elimina” (Rm 3:20; Gl 3:24).

 

O homem justo não precisa da lei. Essa é a verdade do cristão. Quando ele é salvo pela graça de Deus, não precisa ser colocado sob a lei para viver uma vida santa. Não é o temor da punição que faz o cristão viver de maneira santificada, mas o amor pelo Salvador que morreu no Calvário.

 

O apóstolo Paulo descreve o tipo de pessoa para quem a lei foi concedida. Muitos comentaristas bíblicos ressaltam que há íntima ligação entre essa descrição e os Dez Mandamentos. Paulo traz aqui um catálogo com quinze pecados terríveis semelhantes aos mencionados em Romanos 1:24-32, Gálatas 5:19-21 e 2Timóteo 3:1-9. Essa lista é um desdobramento das proibições divinas contidas nas tábuas da lei. Os Dez Mandamentos estão divididos em duas seções: os quatro primeiros se referem ao dever do homem em relação a Deus (santidade), enquanto os outros seis dizem respeito ao seu dever em relação ao próximo (justiça).

 

  1. A GRAÇA SUPERABUNDOU COM A FÉ E O AMOR

 

Paulo combate os falsos mestres que entravam sorrateiramente nas igrejas, ressaltando seu chamado para o apostolado. Os falsos mestres falavam de sua própria parte, mas Paulo ensinava da parte de Deus. Eles eram falsos obreiros; Paulo era o ministro autorizado de Deus. Destacamos aqui alguns pontos com relação ao chamado de Paulo:

 

  1. Gratidão a Deus – “Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério” (1Tm 1:12- ARA). Paulo dá graças não por aquilo que ele fez para Jesus, mas por aquilo que Jesus fez por ele. Paulo menciona aqui três bênçãos e por elas dá graças: (a) o Senhor o fortaleceu; (b) o Senhor o considerou fiel; (c) o Senhor o designou para o ministério. Paulo reconhece que “[…] a graça de nosso Senhor superabundou com a fé e o amor que há em Jesus Cristo” (1Tm 1:14).

 

  1. O testemunho da conversão – “a mim, que, noutro tempo, era blasfemo, e perseguidor, e insolente. Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade. Transbordou, porém, a graça de nosso Senhor com a fé e o amor que há em Cristo Jesus” (1Tm 1:13,14).

 

Paulo faz uma digressão para registrar seu passado inglório como implacável perseguidor da igreja. Aqui, Paulo usa três palavras para descrever a si mesmo nesse período de incredulidade. A primeira palavra é “blasfemo”. Ele falava mal dos cristãos e de seu Senhor, Jesus Cristo. A segunda palavra é “perseguidor”. Ele prendeu os cristãos, açoitou-os, forçou-os a blasfemar e deu voto para mata-los ao perceber que a religião do Caminho era uma ameaça ao judaísmo (cf. At 8:3; 9:1; 9:21; 22:4; 26:9,10,11,14). A terceira palavra é “insolente”. Para levar a cabo seu plano opressor, ele sentia um prazer mórbido em afligir de forma violenta os cristãos. Como blasfemo, afligiu os cristãos apenas com palavras insultuosas. Como perseguidor, infligiu sofrimento físico. Como insolente, atacou os cristãos com crueldade e abuso.

 

Para com esse homem bárbaro a graça de Deus superabundou (1Tm 1:14). Ele foi plenamente alcançado pela misericórdia. A graça transbordou sobre ele como um rio numa enchente: que não pode ser detido, que extravasa pelas margens e carrega tudo o que vê pela frente, que nada existe que lhe possa resistir. Mas o que o rio da graça trouxe consigo, entretanto, não foi uma devastação; foram bênçãos.

 

  1. Humildade – “Esta é uma palavra fiel e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (1Tm 1:15).

 

O Espírito Santo leva Paulo a uma posição em que ele admite ser o principal dos pecadores, ou como alguns traduzem: “o principal entre os pecadores”. Se ele não era o líder dos pecadores, certamente estava na primeira fila. Perceba que o título “principal entre os pecadores” não é dado a um homem imerso na idolatria ou na imoralidade, mas a um homem profundamente religioso, criado em um lar judeu ortodoxo. O pecado dele era doutrinal; não aceitou a palavra de Deus em relação à pessoa e à obra do Senhor Jesus Cristo. A rejeição do Filho de Deus é o maior dos pecados.

 

Deve-se notar também que ele diz: “dos quais eu sou o principal” – não “era”, mas sou. Os homens mais santificados são normalmente os mais conscientes dos próprios pecados. Em 1Corintios 15:9, Paulo se autodenomina “o menor dos apóstolos”. Em Efésios 3:8, ele se intitula “o mínimo de todos os santos”. Agora em 1Timóteo 1:15, ele se denomina “o principal” dos “pecadores”. Aqui temos uma síntese do progresso de Paulo na humildade cristã.

 

III. UM CONVITE A COMBATER O BOM COMBATE (1Tm 1:18-20)

 

Paulo tratou até aqui sobre os falsos mestres que pregavam um falso evangelho; falou sobre sua conversão e seu apostolado para proclamar o verdadeiro evangelho. Agora cabe a Timóteo realizar o ministério. Timóteo permaneceu em Éfeso para pastorear a igreja e combater os falsos mestres.

 

Este é o dever de que te encarrego, ó filho Timóteo, segundo as profecias de que antecipadamente foste objeto: combate, firmado nelas, o bom combate, mantendo fé e boa consciência, porquanto alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé. E dentre esses se contam Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para serem castigados, a fim de não mais blasfemarem”.

 

  1. O bom combate. “Este é o dever de que te encarrego, ó filho Timóteo, segundo as profecias de que antecipadamente foste objeto: combate, firmado nelas, o bom combate” (1:18). O devermencionado neste versículo é, sem dúvida, a missão que Paulo confiou a Timóteo nos versículos 3 e 4: repreender os falsos mestres.

 

A vida cristã é um combate, uma guerra sem trégua, uma luta sem pausa. Não podemos, porém, entrar nessa peleja trajando armas carnais. Precisamos usar armas poderosas em Deus para anular sofismas e destruir fortalezas. As armas de combate na luta contra a heresia são a fé e a boa consciência. Quem não sabe preservar o que lhe foi confiado também não é capaz de conquistar algo novo. Quem não preserva a boa consciência é como um capitão que solta o leme do navio, passando a vagar sem rumo pelas ondas até que o navio se despedace em rochedos.

 

  1. O combate às falsas doutrinas exige cautela – “mantendo fé e boa consciência,porquanto alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé” (1:19).

 

Neste combate, Timóteo deveria conservar a fé e a boa consciência. Não é suficiente ser diligente na doutrina da fé cristã. Pode-se ser muito ortodoxo e ainda não ter boa consciência.

 

A fé e a boa consciência são como uma armadura para os cristãos. Elas nos impedem de ceder às tentações e de cair em caminhos espiritualmente e moralmente enfraquecedores. Rejeitar a fé e recusar-se a ouvir a própria consciência resultará em um naufrágio na fé. Esta ação deliberada reflete heresia, e não apenas um retrocesso. Conforme diz Calvino, a má consciência é a mãe de todas as heresias. Alguns contemporâneos de Paulo abriram mão da boa consciência e naufragaram na fé. Geralmente são comparados ao todo navegador que joga a bússola fora.

 

Segundo o rev. Hernandes Dias Lopes, “a consciência é a intuição moral do homem, seu ser moral no ato de julgar seu próprio estado, suas emoções e pensamentos, e também suas palavras e ações, sejam estas passadas, presentes ou futuras. Ela é positiva ou negativa: aprova e condena (Rm 2:14,15). A boa consciência é a voz interior do homem no ato de repetir a voz de Deus, seu juízo pessoal que apoia o juízo de Deus, seu espírito que dá testemunho juntamente com o Espírito de Deus. O aspecto positivo de uma boa consciência é a fé, porque uma boa consciência não somente aborrece o mal, mas também adota o que é certo. Por isso, essa fé é verdadeira e genuína” (Hernandes Dias Lopes. 1Timoteo. p.40/41).

 

  1. A rejeição da fé e suas consequências – “E dentre esses se contam Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para serem castigados, a fim de não mais blasfemarem” (1Tm 1:20).

 

Quem rejeita a fé e a boa consciência cristã colhe os resultados de sua má escolha. O resultado é o “naufrágio na fé” (1Tm 1:19). Paulo toma como exemplo Himeneu e Alexandre. Aparentemente, estes dois homens tinham sido membros da igreja (porque Paulo os tinha expulsado da igreja). Não sabemos quem foi Alexandre – ele pode ter sido um colega de Himeneu, ou o latoeiro mencionado em 2Timóteo 4:14 que magoou Paulo. Mas ele não é o Alexandre mencionado na revolta em Éfeso (At 19:33). O erro de Himeneu está explicado em 2Timóteo 2:17,18. Ele enfraquecia a fé das pessoas, ensinando que a ressurreição dos mortos já tinha ocorrido. Estes dois apóstatas estavam à frente do movimento herético, surgido no seio da igreja de Éfeso, com o objetivo de promover dissensão e divisão naquela igreja.

 

A expressão “entreguei a Satanás” significa que Paulo removeu estes dois homens da comunhão da igreja e os devolveu ao mundo – o domínio de Satanás. Paulo fez isto para que eles pudessem ver o seu erro e se arrependessem. O objetivo final desta punição era a correção, para que estes homens “aprendessem a não blasfemar” contra Deus.

 

Uma das marcas da igreja verdadeira é o uso correto da disciplina. O juízo precisa começar pela Casa de Deus. Se a igreja não julgar a si mesma, será condenada com o mundo. Mas, quando julga a si mesma, é disciplinada pelo Senhor.

 

A igreja em nossos dias mostra-se frequentemente frouxa quando se trata de disciplinar os cristãos que pecam deliberadamente. A desobediência deliberada deve receber uma resposta rápida e firme, para evitar que toda a congregação seja afetada. Mas a disciplina deve ser ministrada de uma maneira que vise trazer o transgressor de volta a Cristo e ao abraço amoroso da igreja.

 

A definição de disciplina inclui as seguintes palavras: fortalecimento, purificação, treinamento, correção e aperfeiçoamento. Condenação, retenção de perdão ou exílio permanente não devem fazer parte da disciplina de uma igreja. A pessoa disciplinada deve ser salva da perdição definitiva e reconduzida à vida cristã saudável.

 

CONCLUSÃO

 

“O cristianismo não nasceu em “berço esplêndido” de condições favoráveis à sua expansão pelo mundo. Pelo contrário. Nasceu debaixo de perseguição e confronto com heresias e ensinos desvirtuados. Na consolidação de igrejas abertas em suas viagens missionárias, Paulo teve que oferecer resistência e ação decidida contra os “lobos vorazes” que haveriam de surgir, até mesmo no seio das igrejas, como no caso da igreja de Éfeso. Com a graça de Deus e o apoio de homens fiéis, como Timóteo e Tito, o apóstolo fez frente aos falsos mestres que se levantaram para prejudicar o trabalho iniciado e desenvolvido em muitas igrejas. Na primeira epístola a Timóteo, Paulo designou o jovem obreiro para pastorear a igreja em Éfeso, para conter a maré de heresias diversas, dentre as quais o gnosticismo e o judaísmo. Nos dias atuais, há muitas heresias infiltrando-se nas igrejas, ou surgindo no seio delas. Os líderes do povo de Deus precisam agir com sabedoria, graça e firmeza contra essas ameaças reais” (Elinaldo Renovato de Lima. As ordenanças de cristo nas cartas pastorais. CPAD).

 

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Luciano de Paula Lourenço – Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

 

Referências Bibliográficas:

 

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 63. CPAD.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) – William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards

Tito e Filemom – doutrina e vida, um binômio inseparável. Rev. Hernandes Dias Lopes. Hagnos.

1 Timóteo – o pastor, sua vida e sua obra. Rev. Hernandes Dias Lopes. Hagnos.

Comentário do Novo Testamento – 1 e 2 Timóteo e Tito. William Hendriksen.

As Ordenanças de Cristo nas Cartas Pastorais. Elinaldo Renovato de Lima. CPAD.

Publicado no Blog do Luciano de Paula Lourenço

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