O Destino Final dos Mortos – Pr. Adilson Guilhermel

O Destino Final dos Mortos – Pr. Adilson Guilhermel

Texto Áureo: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” (1 Co 15.19).

Leitura Bíblica em Classe: Lucas 16.19-26

VIDA, MORTE E VIDA APÓS A MORTE


Introdução: Aceitar a ressurreição de Cristo como um evento único por causa da sua natureza divina e não aceitar ressurreição semelhante era algo considerado improvável para alguns cristãos do tempo contemporâneo ao apóstolo Paulo. A refutação de Paulo a esse pensamento descabido por parte desses cristãos foi enfática: Se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou. Porém a lógica totalmente confirmada pela Palavra de Deus é que Cristo ressuscitou e que todos os salvos são ressuscitados espiritualmente com Ele na conversão. Isso volta a acontecer no lado físico para os que já morreram no arrebatamento da igreja quando esses corpos ressuscitarão e passarão a ser corpos glorificados. Quanto aos que estiverem vivos na ocasião do arrebatamento serão transformados com os corpos glorificados. Assim alguns crentes de Coríntios pregavam que Cristo arrebataria só os vivos e que os já mortos não teriam participação no arrebatamento, pois não acreditavam que haveria ressurreição dos mortos no momento do arrebatamento. Essa é a razão pelo qual o apóstolo exorta os coríntios dizendo que se esperamos Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis dos homens. A ressurreição de Cristo é o fator essencial para todas as fases em que houver ressurreições, ou seja, no arrebatamento, quando os salvos da antiga aliança que estão mortos no sentido físico, os mortos da igreja no sentido físico e os mártires mortos no sentido físico da grande tribulação que serão ressuscitados e transformados. As duas últimas ressurreições no sentido físico acontecerão ao final do reino milenar, quando os salvos mortos no sentido físico nesse período ressuscitarão fisicamente para a nova terra e os mortos no sentido físico perdidos em todas as épocas ressuscitarão para o julgamento do trono branco. Quando se diz mortos no sentido físico é porque o que morre é o corpo físico e não o espírito que é imortal, isso tanto dos salvos, como dos perdidos. Tudo isso só será possível porque verdadeiramente Cristo ressuscitou ao terceiro dia. Se Cristo não ressuscitasse, nem salvos ou perdidos ressuscitariam.

1 – O RISCO QUE ENVOLVE UMA VIDA DESPREOCUPADA APÓS A MORTE – Lucas 16.19 Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente.
O maior risco que está para acontecer a qualquer momento e que envolverá toda a humanidade, não é guerras, pestes, catástrofes ou qualquer outra coisa horrenda que possa vir a acontecer. O maior risco que corre toda a humanidade é Jesus vir buscar a sua igreja subitamente. Isto porque, quando isso acontecer toda a humanidade começará a viver dias de grandes aflições que se iniciará sobre a terra nos sete anos da grande tribulação. O mais terrível ainda é que no final desses sete anos toda humanidade com cerca de sete bilhões de pessoas irá morrer. A exceção é só para os que professarem Cristo nesse período, onde está incluída a descendência de Abraão vinda das suas três mulheres, Sara; Agar e Quetura e mais as nações que professarem a sua fidelidade a Cristo. Quanto os demais serão levados para o lugar intermediário, ou Sheol, onde ficarão confinados para o juízo final. Embora estando na eminência disso acontecer a humanidade permanece como nos dias de Noé comendo, bebendo e dando-se em casamento, sendo que nos dias de hoje pior ainda. Até mesmo no meio evangélico esta despreocupação em se manter salvo é notória e muitos que estão nessa condição não serão arrebatados.
2 – NÃO IMPORTA A CONDIÇÃO DE VIDA E SIM ESTAR SALVO APÓS A MORTE – Lucas 16.20 Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele;
No caso do rico e o pobre da parábola, foi após a morte de ambos que a situação foi revertida. O rico deixou de desfrutar das suas riquezas ficando mais pobre que o pobre homem tinha sido, enquanto que o pobre homem se tornou mais rico do que o homem rico jamais poderia ter imaginado. Nesse caso o pobre homem chamado Lázaro, apesar da sua condição era temente a Deus e por essa razão após a sua morte foi para o seio de Abraão, e o rico que desfrutava dos frutos da sua riqueza, era descrente e por isso foi para o lugar de tormento. Assim o homem pobre que passava por grandes privações e necessidades, agora não precisava de mais nada, pois tinha tudo. Quanto ao rico que tinha tudo e não precisava de nada, agora não tinha nada e precisava de tudo. O salvo alcançou o direito de ir para a parte boa do Sheol ou Hades, que era um lugar de descanso e o perdido, para a parte má do Sheol ou Hades, que era um lugar de sofrimento. Nesse lugar ele sentiria todo tipo de necessidade, mas nenhuma delas será suprida. É preciso entender que a parte boa do Sheol ou Hades, após Cristo levar todos os salvos da Antiga Aliança para o céu se juntou a parte má tornando-se um só lugar conhecido também como lugar intermediário. É chamado assim, pois todos os mortos condenados de qualquer tempo são lançados ali onde ficarão até o dia do juízo final. Isto porque, nenhum salvo da antiga aliança poderia ser levado ao céu antes do sacrifício de Cristo, pois todos eles ainda tinham o pecado original e só o sangue de Cristo poderia apagar esse pecado. Daí a razão porque todos eles ficaram confinados nesse lugar até o sacrifício de Cristo ser consumado. Após o sacrifício de Cristo, todos que são lavados pelo seu sangue, são levados diretamente para o céu, pois o conhecido seio de Abraão não existe mais.
3 – NADA AQUI NESSA VIDA SERÁ PIOR QUE A VIDA PERDIDA APÓS A MORTE – Lucas 16.21 E desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas.
Lázaro estava doente, faminto e abandonado, de modo que jazia à porta do homem rico desejando alimentar-se das sobras que caíam da sua mesa. A situação desse homem era tão terrível que até os cães vinham lamber-lhe as chagas da sua perna. No mundo todos estamos sujeitos a passar por sofrimentos de toda sorte. Para alguns o grau de sofrimento pode ser muito elevado, como para outros nem tanto. A verdade é que não há nada neste mundo, por pior que seja, que possa se igualar com os sofrimentos que um não salvo será submetido na vida após a morte. Como disse o apóstolo Paulo (Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Romanos 8:35). A nossa diferença para o incrédulo nessa questão é que Cristo nos dá condição para superar qualquer tipo de sofrimento (Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; 2 Coríntios 4:17).
4 – A DIFERENÇA DAQUELE QUE SERVE A DEUS OU NÃO APÓS A MORTE – Lucas 16.22 E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado.
Embora Lázaro vivesse nessa terrível miséria, ele era temente a Deus e na ocasião da sua morte, a sua alma e espírito foram levados por um anjo ao lugar de descanso chamado seio de Abrãao. Assim o pobre homem que vivia doente, desamparado e faminto na ocasião da sua morte teve a honra de ser levado por um anjo do céu para o seio de Abraão, pois era temente a Deus. Já o homem rico que vivia regaladamente não tinha qualquer temor ou tremor de Deus, nunca se preocupando com a vida após a morte. O resultado de não servir a Deus foi o castigo de ser lançado no lado mau do Sheol, onde sofreria os horrores desse lugar; onde a sua riqueza de nada adiantaria. Lázaro, este homem miserável era uma pessoa boa, e gozava do apreço de Deus. Existem nos meio evangélicos irmãos cujo destino por alguma razão é serem grandemente afligidos neste mundo, enquanto muitos ímpios prosperam, e têm abundância. O que muitos não percebem é que após a morte os quadros de revertem.
5 – O EXTREMO CONTRASTE ENTRE O SALVO E O PERDIDO APÓS A MORTE -Lucas 16.23 E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio.
Um herdeiro do céu coberto pelo amor de Deus estava passando todo tipo de aflição, porém o estado espiritual dos homens não pode ser julgado pela sua condição exterior. Como diz a palavra (Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração. 1 Samuel 16:7). A diferença está na condição de humildade diante de Deus (Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito. Salmos 34:18). A morte não beneficia nem o rico por suas riquezas, nem o pobre por sua pobreza. Os crentes salvos quando morrem tem as suas dores terminadas, e assim entram em seu gozo. Já os pecadores quando morrem, irão prestar contas da sua vida pecaminosa.
6 – NÃO EXISTE ALÍVIO PARA OS LANÇADOS NO HADES APÓS A MORTE – Lucas 16.24 E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.
Na vida após a morte o perdido terá que encarar a verdadeira realidade, a qual ele nunca acreditou. É no Hades ou lugar intermediário que o homem vai enxergar o seu estado de miserabilidade afligido por tormentos terríveis. As almas perdidas são separadas de todos os prazeres da carne pela morte, entrando em estado de miséria e tormentos eternos e que serão aumentados na ressurreição para o juízo final. O rico agora no lugar de tormento era apenas mais uma alma entre muitas sentindo todo tipo de necessidade física porque a mente não esquece os prazeres da carne mesmo estando nesse lugar de tormento. Nesse lugar o Sheol ou Hades havia um abismo que separava os salvos dos perdidos, sendo possível visualizar tanto um lado como o outro. Apesar de o rico estar despojado do seu corpo físico, ele sentia a necessidade de água como se estivesse no seu corpo. Essa necessidade física que não pode ser suprida faz parte dos tormentos desse lugar terrível.
7 – A ADMISSÃO DE CULPA DE NADA ADIANTARÁ NA VIDA APÓS A MORTE – Lucas 16.25 Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado.
O rico no meio da dor e da infelicidade totalmente desesperado começa a gritar e suplicar por um gesto de compaixão da parte de Abraão. Quem vai para este lugar ficará numa condição deplorável com a sua alma atormentada continuamente. Ele pedia por misericórdia, algo que nunca precisou na sua vida de luxos, porém está chegando o dia em que aqueles que não dão importância à misericórdia divina suplicarão eternamente por ela, mas não serão atendidos. Para quem é lançado nesse lugar, o tempo da misericórdia acabou e as ofertas de misericórdia se extinguirão. (Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa do juízo. Tiago 2:13). Aquele que não usa de misericórdia sofrerá um juízo implacável, isto porque quem tem um histórico de vida caracterizada por parcialidade, dureza, egoísmo e insensível para como os outros, um dia irá se deparar com esse juízo na vida após a morte.
8 – NENHUM MEIO DE AJUDA HAVERÁ PARA O PERDIDO NO APÓS A MORTE -Lucas 16.26 E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá.
Esta parábola que Jesus usou para revelar a condição dos mortos perdidos ou salvos foi antes do Seu sacrifício na Cruz. Significa que estava na dispensação da lei e nesse período antes da Cruz ninguém poderia ir para o céu por causa do pecado de Adão. Como havia muita discussão entre as autoridades religiosas sobre a questão da vida após a morte foi necessário este esclarecimento com o uso dessa parábola. Sem o derramamento de sangue, não há remissão dos pecados, portanto sem o derramar do sangue de Cristo não haveria como os salvos confinados nesse lugar serem levados ao céu. Quando o rico fala com Abraão havia uma proximidade entre eles para dialogarem, a diferença é que havia um abismo intransponível, o qual não dava condições para qualquer contato ou ajuda. Após seu sacrifício seguido pela sua ressurreição no terceiro dia, Cristo desceu até esse lugar, que é mencionado como as profundezas da terra. Isso mostra que ambos os lugares tanto dos salvos como dos perdidos ficavam nas profundezas da terra. A diferença é que após ele transladar os salvos dali para os céus, esse lugar conhecido como lugar de descanso deixou de existir ficando só o lugar de tormento. Isto porque os salvos em Cristo quando morrem já foram remidos pelo sangue de Cristo e por essa razão, já seguem direto para o céu. (Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens. Efésios 4:8). Atualmente nesse lugar intermediário, estão os perdidos de todas as épocas, os quais ficarão ali até o final do reino milenar quando receberão os seus corpos físicos na ressurreição do juízo. Isso acontecerá para que compareçam em corpo, alma e espírito diante do grande juiz que é o Senhor Jesus, que os sentenciará para algo muito pior.

Elaborado pelo Pastor Adilson Guilhermel

Publicado no blog Esboços da EBD

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.