O Arrebatamento da Igreja – EBD Comentada

O Arrebatamento da Igreja – EBD Comentada

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Introdução

As referências mais diretas ao arrebatamento se encontram em 1 Ts 4.13–18 e em 1 Co 15.50–54. De acordo com o pastor Agnaldo Betti (AD Campinas/SP), o arrebatamento é um dos dois assuntos que devem estar sempre em evidência, permeando o conteúdo dos nossos sermões; o outro seria o arrependimento. De fato, são temas imprescindíveis para todo cristão. O arrebatamento é certo porque Jesus o garantiu quando falava aos discípulos. Ele infundiu uma fé viva e tranquilizadora em cada um deles:

Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.
Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.
– João 14.1–3

I – Todos os salvos serão arrebatados

Entendemos que a vinda do Senhor se subdivide em duas fases. Na primeira fase, o Senhor virá para arrebatar sua Igreja. A segunda fase consiste em seu retorno em glória para julgar as nações, assunto que será abordado em lições posteriores. Como bem observa Thiessen (2010, p. 342):

(…) em Lc 19.15, o homem nobre chamou primeiro os seus servos quando voltou, e só depois foi tratar dos Seus adversários, e somente depois disso estabeleceu Seu Reino.

1. A reunião dos salvos no encontro com Cristo

A palavra grega para arrebatamento é harpadzo, termo que dá a ideia de uma remoção repentina e com força. Algumas traduções possíveis seriam “capturar”, “raptar” ou “pegar à força.” O termo aparece em 1 Ts 4.17 para nos ensinar que os santos serão retirados da terra de modo súbito. O vocábuloharpadzo também aparece em At 8.39 e em 2 Co 12.2,4 – embora tais versículos tratem de outros assuntos, a ideia de retirada súbita também está presente neles.

É importante notar que o encontro dos salvos com Cristo se dará “nos ares” ou “nas nuvens”, ou seja, Jesus não tocará a terra (1 Ts 4.17), mas os salvos subirão ao seu encontro. Pode parecer de pouca importância para muitos, mas a ideia de sairmos ao seu encontro ainda é mencionada em outras passagens.

  • 2 Ts 2.1 fala de nos reunirmos a Ele, e não o contrário;
  • Mt 25.6 fala das virgens saindo ao seu encontro, e não o contrário;
  • Jo 14.3 fala de estarmos onde Ele estiver, e não o contrário;

Alguns ainda podem alegar um apego a detalhes ou até uma coincidência; o fato é que tais “coincidências” são um tanto intrigantes e demonstram relevância, dada a repetição em três passagens diferentes. Podemos concluir então que, no arrebatamento, Jesus estará nos ares e os salvos irão até Ele.

Colocando em ordem cada acontecimento, temos a seguinte sequência:

a) Descida de Cristo (1 Ts 4.16)
b) Ressureição dos que morreram em Cristo (1 Ts 4.16)
c) Transformação dos corpos dos crentes que estiverem vivos (1 Co 15.52)
d) Encontro de todos os salvos com Cristo nos ares (1 Ts 4.17)
e) Estaremos para sempre com Ele (1 Ts 4.17)

Já vimos que o Senhor virá primeiro buscar os seus, e aprendemos também como tudo acontecerá. O importante agora, é situarmos este evento dentro da história. Há pelo menos três razões pelas quais entendemos que o arrebatamento acontecerá antes da tribulação:

  1. A septuagésima semana de Daniel 9.27 corresponde à tribulação. É um período em que Deus lida especificamente com Israel. Embora a Bíblia não seja clara, não há razão para a Igreja estar aqui;
  2. Após a narrativa do arrebatamento em 1 Ts 4, chegamos a 1 Ts 5.9 que diz que Deus não nos destinou par a ira, mas para a aquisição de salvação;
  3. A interpretação de Ap 3.10 corrobora com o que diz 1 Ts 5.9.

2. Quem será arrebatado?

Os salvos. Quem são os salvos? Os que foram transformados pelo novo nascimento. Em nota sobre João 3.3–6 (conversa de Jesus com Nicodemos), aBíblia Shedd explica este detalhe dizendo:

Cristo declara que sem a implantação da vida do Espírito não há salvação. Jesus ensina que o homem natural não herdará a vida sobrenatural sem a conversão vinda pelo arrependimento e o Espírito (Jo 1.12.13).

Soma-se a isso, Romanos 8.9, que diz:

Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.

Uma vez que estamos em Cristo, devemos permanecer n’Ele. Muitas serão as tentações, os desafios que exigirão de nós fé e determinação. Muitos são os alertas contidos na Palavra de Deus no sentido de nos mostrar que podemos fracassar e sermos enganados pelo mundo. Como exemplo, citaremos apenas duas:

E os que estão sobre pedra, estes são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria, mas, como não têm raiz, apenas crêem por algum tempo, e no tempo da tentação se desviam.
– Lucas 8.13

Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro.
– 2 Pedro 2.20

II – O Arrebatamento e a ressureição dos mortos

1. A ignorância acerca dos mortos

A fim de acalmar aqueles que estavam cheios de dúvidas inquietantes acerca do que se sucederia após a morte, Paulo fala que todos os que morreram “em Cristo”, isto é, morreram como crentes, ressuscitarão (1 Ts 4.16). Quando isso acontecer, cumprir-se-á João 11.25. Embora esta passagem esteja relacionada a um contexto imediato, a saber, a morte de Lázaro, tal passagem também tem caráter profético.

Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. (João 11.25)

A ressurreição é assunto de importância vital para nossa fé; Cristo ressuscitou para nossa justificação.

O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação.
– Rm 4.25

Se Cristo não tivesse ressuscitado, nossa fé não faria sentido. Paulo nos ensina isso na primeira carta aos Coríntios. De fato, os inimigos do Evangelho estão sempre tentando achar um jeito de diminuir ou mudar a realidade da ressureição de Cristo.

14 E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. 15 E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam. 16 Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. 17 E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. 18 E também os que dormiram em Cristo estão perdidos. 19 Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens. (1 Co 15.14–19)

Nos versos seguintes, Paulo conclui o raciocínio, afirmando que todos os salvos ressuscitarão (1 Co 15.20–23); uma promessa tranquilizadora.

20 Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem. 21 Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. 22 Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. 23 Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda.
1 Co 15.20–23

É interessante notar que Marta já cria em uma ressureição futura:

Disse-lhe Marta: Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia.
– João 11:24

2. A primeira e a segunda ressurreição

Entendemos pela Palavra, que acontecerão duas ressurreições: a primeira é a dos salvos, aqueles que morreram em Cristo em todas as épocas. Eles agora dormem, aguardando a vinda de Jesus. Eles ressuscitarão para receberem corpos glorificados e se encontrarem com o Senhor. A segunda é a dos ímpios, que ressuscitarão para condenação.

A primeira ressureição já foi inaugurada por Jesus (1 Co 15.20), como bem observa Lima (2016 p. 59):

O primeiro, ou “as primícias” a dar início à primaira ressurreição foi Jesus. Ninguém reviveu, vencendo a morte física antes d’Ele. Depois que Ele ressuscitou, houve a ressurreição de muitos servos de Deus, que estavam nos sepulcros.
“E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados” (Mt 27.52).

Também farão parte as duas testemunhas de Ap 11.1–12 e os mártires, que aceitarão a Cristo na grande tribulação (Ap 6.9–11 cf. Ap 7.9–17).

3. A transformação dos crentes que estiverem vivos

Tal transformação é necessária e certa, como afirma Paulo em 1 Co 15.50–53. Jesus também ensinou sobre a realidade dos corpos glorificados:

Porquanto, quando ressuscitarem dentre os mortos, nem casarão, nem se darão em casamento, mas serão como os anjos que estão nos céus. (Mc 12.25)

O apóstolo João também falou sobre isso:

Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele;
1 João 3:2b

Em nota, Lima (2016 p. 55) faz um esclarecimento sobre aqueles que tiveram seus corpos mutilados por alguma razão:

Nem todos os salvos foram sepultados em túmulos (…). Outros morreram em incêndios ou queimados vivos pelos inimigos da fé. Mas, pelo poder de Deus, as moléculas de seus corpos serão reunidas, restaurando o corpo físico para ser ressuscitado, em corpo glorioso, semelhante ao de Jesus, quando ressuscitou
(Fp 3.21).

III – Antes do arrebatamento e depois dele

1. Antes, é preciso vigilância

Já estudamos sobre a vigilância nas duas lições anteriores, mas vale a pena repetir aqui a nota da Bíblia Shedd sobre Marcos 13.37:

E as coisas que vos digo, digo-as a todos: Vigiai.
Marcos 13.37

Vigiai. Nesta única palavra, incluem-se todas as obrigações que o discípulo de Cristo deve cumprir, até que chegue a sua volta.

2. Depois, viveremos felizes para sempre

A vinda do Senhor é a grande esperança da Igreja. A Bíblia a chama de “viva esperança”, e de “bendita esperança”, tudo isso para nos mostrar que a ocasião do encontro com o Senhor é um momento muito esperado. Após esse encontro viveremos felizes para sempre.

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.
– 1 Pe 1.3

Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo.
– Tito 2:13

Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus. E por isso também gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu;
– 2 Co 5.1,2

Assim também vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas outra vez vos verei, e o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará.
– Jo 16.22


Bibliografia Consultada

  • LIMA, Elinaldo Renovato de. O Final de Todas as Coisas: Esperança e glória para os salvos. Rio de Janeiro: Cpad, 2015
  • THIESSEN, Henry Clarence. Palestras Introdutórias à Teologia Sistemática. São Paulo, Sp: Editora Batista Regular, 2010
  • HAYFORD, Jack W. et al (Ed.). Bíblia de Estudo Plenitude. Barueri, SP: SBB, 2001
  • SHEDD, Russel P. (Ed.). Bíblia Shedd. 2. ed. São Paulo: Vida Nova, 1997
  • Pr. Agnaldo Betti (Canal EBD) – Lição 5 – O arrebatamento da Igreja

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