A Nova Vida em Cristo – Luciano de Paula Lourenço

A Nova Vida em Cristo – Luciano de Paula Lourenço

Texto Base: Romanos 12:1-12

“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”(Rm 12:1).

Objetivo desta Aula: “Mostrar que a nova vida em Cristo consiste viver em santidade” (LBP).

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos o capítulo 12 da Epístola aos Romanos. Até o capítulo 11, Paulo tratou da doutrina; agora, tratará da ética. Após ter glorificado a Deus com um maravilhoso hino (Rm 11:33-36), o apóstolo Paulo passa para parte prática da epístola aos romanos, à aplicação do ensino e da doutrina no dia-a-dia dos crentes, no comportamento, na conduta, nas ações de cada servo de Deus enquanto estiver sobre a face da Terra. Aliás, o capítulo 12 ao 16 responde à pergunta: “como deve ser a vida diária dos que foram justificados pela graça?”. A Bíblia nunca ensina uma doutrina para torná-la simplesmente conhecida; ela é ensinada para que seja transferida para a prática. No capítulo 12, Paulo trata de nossos deveres em relação a outros cristãos, à comunidade, aos nossos inimigos, ao governo e aos irmãos mais fracos. Paulo mostra que após experimentar da graça divina não é mais possível viver segundo as normas ou a maneira de pensar deste mundo pecaminoso (Rm 12:1,2). Uma vida transformada tem relacionamentos transformados. Não podemos amar a Deus e odiar nossos irmãos; não podemos ter um relacionamento vertical correto se os relacionamentos horizontais estão errados. O apóstolo também mostra que como novas criaturas, pertencemos ao um corpo, o “Corpo de Cristo”. Cada membro desse Corpo recebeu dons e talentos e estes precisam ser usados com humildade, amor, sabedoria, contribuindo para o bem-estar de todos.

I. EM RELAÇÃO A MORDOMIA DA ADORAÇÃO CRISTÃ (Rm 12:1,2)

Trataremos neste tópico acerca da consagração pessoal do crente.

  1. Uma exortação em forma de apelo. “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus...”(Rm 12:1). A parte prática da Epístola começa com uma convocação, um apelo, um chamado, uma convocação do apóstolo – “Rogo-vos” -, que, em outras versões, é “exorto-vos”; é a primeira palavra desta parte da Epístola aos romanos. No texto original grego é “parakaleo”, que tem o sentido de exortar, apelar, convocar, chamar, rogar, mas no sentido de chamado. A razão pela qual Paulo roga aos crentes judeus e gentios com esse tom de autoridade é porque Deus já lhes havia demonstrado sua copiosa misericórdia. Exortar é estimular, incentivar, dar estímulo por meio de algo. Paulo, após ter mostrado o maravilhoso plano de Deus para a salvação do homem e o Seu absoluto controle para o cumprimento de Suas promessas, lança um convite, um chamado aos crentes de Roma para que, diante do conhecimento deste propósito de Deus para os homens, passassem a viver de acordo com a vontade do Senhor.
  1. Uma palavra concernente ao corpo (Rm 12:1) – “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”. Paulo apresenta uma exposição doutrinária, e em seguida uma exortação ética, interligando ambas pela conjunção “pois” (Rm 12:1). Nunca é demais ressaltar que Paulo sempre baseia o dever na doutrina. Mostra que o caráter é determinado pelo credo.

– “…que apresenteis o vosso corpo…”. O termo “apresenteis”, neste versículo, significa “apresenteis de uma vez por todas”. Paulo ordena uma entrega definitiva do corpo ao Senhor, como os noivos se entregam um ao outro na cerimônia de casamento. Esse sacrifico é descrito como “vivo” em contraste com os sacrifícios antigos cuja vida era tirada antes de ser apresentada sobre o altar; como “santo”, isto é, consagrado, separado e reservado para o serviço de Deus; e “agradável” a Deus”, como o ascender em sua presença da oferta aromática de outrora oferecida no ritual judaico.

A sociedade contemporânea idolatra o corpo. As academias de ginástica estão lotadas. Muitas pessoas gastam rios de dinheiro em cosméticos. Cultivam a beleza e também a força. Entretanto, a Palavra de Deus nos ensina não a cultuar o corpo, mas cultuar a Deus por intermédio do corpo.

Concordo com o Rev. Hernandes Dias Lopes, quando diz que antes da nossa conversão oferecíamos os membros do posso corpo ao pecado (Rm 6:12-14). Agora, oferecemos nosso corpo como sacrifício vivo a Deus. Não oferecemos mais um cordeiro morto no altar, mas nosso corpo vivo. Nosso corpo não é uma tumba como pensavam os gregos, é o templo do Espírito Santo, a morada de Deus. Foi comprado por alto preço e devemos glorificar a Deus no nosso corpo. O próprio Deus não vacilou em tomar um corpo humano e nele viver. Nosso corpo será ressuscitado e glorificado um Dia. Consequentemente, o culto racional ou espiritual que prestamos a Deus pela consagração do nosso corpo não é prestado apenas no edifício da igreja, mas na vida do lar e no local de trabalho.

Concordo com John Stott quando diz que nenhum culto é agradável a Deus quando é unicamente abstrato e místico; nossa adoração deve expressar-se em atos concretos de serviço manifestados em nosso corpo.

Glorificamos a Deus em nosso corpo quando contemplamos o que é santo, quando nossos ouvidos se deleitam no que é puro, quando nossas mãos praticam o que é reto, quando nossos pés caminham por veredas de justiça.

Paulo diz que a oferta do nosso corpo a Deus como sacrifício vivo, santo e agradável é nosso culto racional. A palavra, no original grego, carrega a ideia de razoável, lógico e sensato. Trata-se, portanto, de um culto oferecido de mente e coração, culto espiritual em oposição a culto cerimonial.

– “…por sacrifício vivo…”. Como pode o corpo tornar-se um sacrifício? Deixe que o olho não veja nada mau, e ele se tomará um sacrifício; permita que a língua não diga nada vergonhoso, e ela se tornará uma oferta; deixe que a mão não faça nada ilegal, e ela se tornará uma oferta em holocausto. Todavia, isso não será suficiente; precisamos ter a prática ativa do bem: a mão precisa ajudar o necessitado; a boca precisa abençoar em lugar de amaldiçoar; o ouvido precisa dar atenção sem cessar aos ensinamentos divinos. Pois um sacrifício não tem nada impuro; um sacrifício é a primícia de outras coisas. Portanto, que nós possamos produzir frutos para Deus com as nossas mãos, com os nossos pés, com a nossa boca e com todos os nossos outros membros(Lopes, Hernandes Dias. Romanos – O evangelho segundo Paulo).

  1. Uma palavra concernente à mente (Rm 12:2) – “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

Há duas palavras que regem esse versículo: conformação e transformação. O crente é alguém que não se amolda ao esquema do mundo, mas se transforma pela renovação da mente. “Mundo”, aqui, não significa o universo, a Terra e nem mesmo seus habitantes e, sim, o sistema que impera em nossa sociedade e que é contrário a Deus. É nesse sentido que o Novo Testamento fala que antes de nos convertermos, nós andávamos “segundo o curso deste mundo”, que “o mundo jaz no maligno” e que o diabo é “o príncipe deste mundo”. Quem não segue a Jesus segue o mundo e seu príncipe e que tudo que ele pensa não está moldado por Deus e Sua Palavra (Rm 12:1,2, 1João 2:15-17, Ef 2:2).

Paulo nos ensina que quem se converteu está crucificado para o mundo e o mundo para ele. Em outras palavras, não dá para viver nos dois barcos. Não dá para ser cidadão de dois reinos. No reino de Deus não é permitida dupla cidadania. Nesta guerra não podemos ficar na neutralidade. É por isso também que ele afirma que não devemos nos conformar com este mundo, ou seja, tomar a forma do mundo ou nos amoldarmos a ele (Rm 12:1,2). Apontando na mesma direção, João nos afirma que não devemos amar o mundo nem o que nele há, porque não dá para amar a Deus e ao mundo ao mesmo tempo (1João 2:15-17).

Alguém disse, com propriedade, que “ou a igreja transforma o mundo ou o mundo deforma a igreja”. Aqui não dá para haver convivência pacífica. Tristemente, temos visto que a filosofia mundana vai invadindo a igreja em termos de linguagem, vestuário, gírias, ritmos, bebida, namoro, costume, modismo, etc., e nem mais temos critério para discernir tudo isso – já virou cultura. Quando o cristão se deixa enganar pelas propostas desse mundo espiritualmente tenebroso, torna-se escravo de um sistema maligno que rouba, mata e destrói (João 10:10). Sua única saída é retornar imediatamente ao seio do Pai, por Jesus Cristo, nosso libertador (João 8:36).

O Rev. Hernandes Dias Lopes diz que o mundo tem uma fôrma. Essa fôrma é elástica e flácida; é a fôrma do relativismo moral, da ética situacional e do desbarrancamento da virtude; é um esquema que muda todo dia. O crente em vez de entrar nessa fôrma para ser conformado a ela, deve ser transformado de dentro para fora, pela renovação da sua mente. Em vez de viver pelos padrões de um mundo em desacordo com Deus, o crente é exortado a deixar que a renovação de sua mente, pelo poder do Espírito Santo, transforme sua vida harmonizando-a com a vontade de Deus. O crente não deve conformar-se com o mundo porque a fôrma do mundo muda todo dia: o errado ontem é certo hoje; o repudiado ontem é aplaudido hoje; o vergonhoso ontem é praticado à luz do dia hoje. Nós, porém, seguimos um modelo absoluto, que jamais fica obsoleto. Esse modelo é Jesus!

Alguém disse que se o mundo controlar a nossa maneira de pensar, seremos conformados; mas, se Deus controla nossa maneira de pensar, somos transformados. A transformação interior é a única defesa efetiva contra a conformidade exterior, com o espírito do tempo presente. Temos, assim, uma metamorfose gerada pelo Espírito Santo. Quando o nosso corpo é consagrado e nossa mente é transformada, nosso culto torna-se racional e experimentamos a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. (Lopes, Hernandes Dias – Romanos – o evangelho segundo Paulo).

A nossa mente precisa estar constantemente ocupada com o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, de boa fama, virtuoso e que encerra louvor. Somente em Cristo temos real condição de sermos transformados para a adoração.

II. EM RELAÇÃO À MORDOMIA DO EXERCÍCIO DOS DONS (Rm 12:3-8)

Trataremos neste tópico acerca do nosso serviço a Cristo por meio dos dons espirituais.

  1. Exercitá-los com moderação e humildade. “Porque, pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não saiba mais do que convém saber, mas que saiba com temperança, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um”(Rm 12:3). Paulo adverte os crentes de que o orgulho exagerado não deve ter lugar em sua vida. Não devemos jamais ter um conceito exagerado de nossa importância nem ter inveja de outros. Precisamos entender que cada pessoa é singular e todos nós temos funções importantes a realizar para o Senhor. Devemos nos alegrar com o lugar que Deus deu a cada um na Igreja e procurar exercer nossos dons com todo o poder que Deus concede. Em outras palavras, tudo que temos, no sentido de capacidades naturais ou dons espirituais, deve ser usado com humildade para edificar o Corpo de Cristo. Se formos orgulhosos, não poderemos exercitar a nossa fé e os nossos dons em benefício dos outros.
  1. Exercitá-los respeitando sua diversidade. Exorta o apóstolo Paulo: “Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros. De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada…” (Rm 12:4-6).

Paulo apresenta o retrato da identidade do povo redimido de Deus. O novo povo de Deus é como um corpo humano: tem muitos membros, mas cada um tem um papel único. A saúde e o bem-estar do corpo dependem do funcionamento adequado de cada membro. No Corpo de Cristo: há unidade (um só corpo), diversidade (muitos) e interdependência (membros uns dos outros). Assim como nosso corpo não pode ser desmembrado, nós também somos membros uns dos outros. Os membros trabalham juntos para fazer todo o corpo funcionar e quando isso não acontece o corpo sofre.

A marca das obras de Deus é a diversidade, não a uniformidade. Na comunidade cristã, há muitos homens e mulheres das mais diversas origens, ambientes, temperamentos e capacidades. E não só isso, mas, desde que se converteram a Cristo, são também dotados por Deus de grande variedade de dons espirituais e ministeriais. Entretanto, graças a essa diversidade e por meio dela, cada um pode cooperar para o bem do todo. Assim como o corpo humano tem vários membros, Deus concedeu à Igreja vários dons. Somos diferentes uns dos outros para suprir as necessidades uns dos outros.

  1. Exercitá-los com esmero e regularidade. Exorta o apóstolo Paulo: “… se é profecia, seja ela segundo a medida da fé; se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria” (Rm 12:6-8).

Nestes textos de Romanos 12:6-8, Paulo dá instruções acerca do uso de certos dons. Essa lista não abrange todos os dons; a intenção é que seja indicativa, e não exaustiva. Os dons mencionados aqui são divididos em duas categorias: dons de fala (profecia, ensino e exortação) e dons de serviço (servir, contribuir, liderança e mostrar misericórdia). É bastante óbvio que Paulo não estar falando de cargos, mas dos dons. Nem todo dom implica um cargo diferente. Muitos dos dons que Deus dá ao seu povo não exigem nenhum cargo.

Nossos dons diferem “segundo a graça que nos foi dada” (Rm 12:6). Em outras palavras, a graça de Deus concede dons diferentes a pessoas diferentes. Deus também dá a força ou capacidade necessária para usarmos os dons. Assim, temos a responsabilidade de usar essas aptidões concedidas por Deus como bons despenseiros.

III. EM RELAÇÃO À MORDOMIA DA PRÁTICA DAS VIRTUDES CRISTÃS (Rm 12:9-21)

Neste tópico trataremos acerca de algumas características que todo cristão deve desenvolver ao se relacionar com outros cristãos e com não-cristãos.

  1. Exercitar o amor (Rm 12:9,10).O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros”.

O amor a Deus e ao próximo é a essência do cristianismo, por isso é uma exigência bíblica. No evangelho de Lucas 10:27 o amor a Deus e ao próximo é um mandamento divino: “­Amarás ao Senhor teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo”. Aquele ou aquela que conhece a Deus, ama de forma verdadeira e perfeita. Quem não conhece a Deus, quem não tem o seu caráter regenerado, não pode amar; e sem amor é impossível viver uma vida plena – “Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor”(1João 4:8); sem amor, Jesus não o reconhece como seu discípulo: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”(João 13:35).

Se somos participantes da Igreja de Cristo, se somos servos de Jesus neste mundo, devemos, acima de tudo, sermos instrumentos desse amor, pois se somos alvos do amor de Deus, devemos refletir esse mesmo amor através do nosso viver. O amor deve reger nossos relacionamentos. O amor é o sistema circulatório do corpo espiritual, permitindo que todos os membros funcionem de maneira saudável e harmoniosa.

John Stott diz que a receita do amor tem doze ingredientes:

a) Sinceridade – “O amor seja sem hipocrisia” (Rm 12:9a). O amor não é teatro; ele faz parte da vida real.

b) Discernimento – “Detestai o mal, apegando-vos ao bem” (Rm 12:9b). O cristão deve apegar-se ao bem e abominar o mal com todas as forças da sua alma. Precisa sentir aversão e repugnância pelo mal. Não pode ser uma pessoa amorfa, insípida, que fica sempre em cima do muro, sem se posicionar.

c) Afeição – “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal” (Rm 12:10a). Devemos amar nossos irmãos em Cristo como amamos os membros da nossa família de sangue.

d) Honra – “[…] preferindo-vos em honra uns aos outros” (Rm 12:10b). O amor na família cristã deve expressar-se em honra mútua, assim como em afeição mútua.

e) Entusiasmo – “No zelo, não sejais remissos; sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor” (Rm 12:11). A apatia não combina com a vida cristã. O crente precisa ser um indivíduo em chamas para Deus. Precisa arder de zelo pelas coisas de Deus. É alguém que serve a Deus com fervor. Aqueles que são mornos provocam náuseas em Jesus à semelhança da igreja de Laodicéia, que estão prestes a ser vomitados pelo Senhor.

f) Paciência – “Regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, na oração, perseverantes” (Rm 12:12). O crente cruza os vales da vida com os olhos cravados na esperança da gloriosa volta de Cristo. Ele se alimenta de uma viva esperança, enquanto pacientemente enfrenta as tribulações com uma vida de oração perseverante.

g) Generosidade – “Compartilhai as necessidades dos santos” (Rm 12:13a). Isto pode significar tanto participar das necessidades e dos sofrimentos dos outros, como repartir os nossos recursos com eles. Davi diz: “Bem-aventurado o que acode ao necessitado; o Senhor o livra no dia do mal. O Senhor o protege, preserva-lhe a vida e o faz feliz na terra; não o entrega à discrição dos seus inimigos. O Senhor o assiste no leito da enfermidade; na doença, tu lhe afofas a cama” (Sl 41:1-3). Devemos ter uma terna compaixão pelos necessitados. A Bíblia diz: “…se abrires a tua alma ao faminto e fartares a alma aflita, então, a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia” (Is 58:10).

h) Hospitalidade – “[…] praticai a hospitalidade” (Rm 12:13b). Se com os necessitados precisamos ser generosos, com os visitantes devemos ser hospitaleiros. O cristão não tem apenas seu coração e bolso abertos, mas também sua casa. Ele é hospitaleiro. O cristianismo é a religião do coração aberto, da mão aberta e da porta aberta.

i) Boa vontade – “Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis” (Rm 12:14). O cristão deve desejar o bem até mesmo para aqueles que lhe desejam o mal. O Rev. Hernandes Dias Lopes diz que a língua do cristão não deve ser rogo e veneno, mas árvore frutífera e fonte que jorra água límpida. Suas palavras são medicina. O cristão deve tornar a vida das pessoas mais suave com suas palavras. Ele é um encorajador. Suas palavras aliviam o fardo; são azeite na ferida. Suas palavras são verdadeiras, boas, oportunas e encontram graça.

j) Simpatia – “Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram” (Rm 12:15). O amor nunca se mantém longe das alegrias e das dores dos outros. O Rev. Hernandes Dias Lopes afirma que o cristão não é solitário, mas solidário. Ele chora com o que sofre e alegra-se com o que se alegra. Trafega da festa de casamento para o funeral e do cemitério para um aniversario e solidariza-se com seus irmãos tanto em suas tristezas como em suas alegrias. O amor nunca se afasta das alegrias e das dores dos outros.

k) Harmonia – “Tende o mesmo sentimento uns para com os outros” (Rm 12:16a). Os cristãos devem viver em concordância uns com os outros. Devem ser unânimes entre si, nutrir os mais nobres sentimentos e praticar as mais excelentes atitudes entre si.

l) Humildade – “[…] em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos” (Rm 12:16b). Entre os cristãos não há espaço para o esnobismo. O amor coloca o outro na frente do eu. O Rev. Hernandes Dias Lopes afirma que o cristão não pode aplaudir a si mesmo e colocar placas de honra ao mérito ao longo de seu caminho. Não é aprovado quem a si mesmo louva, diz a Palavra de Deus.

  1. Exercitar o serviço cristão. Disse Paulo:Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor” (Rm 12:11). A vida cristã é uma vida de serviço, de um serviço em todas as áreas da vida, de um cumprimento de tarefas determinadas pelo Senhor e da qual prestaremos contas quando chegarmos à eternidade.

A palavra servir tem uma tonalidade de submissão. Entre os militares essa expressão é muito comum, como, por exemplo: “Estou servindo no Aeroporto Pinto Martins”. Outros militares falam: “Estou servindo em Fortaleza, Belém etc.”.  Dá a ideia de submissão a uma autoridade superior. Da mesma maneira os cristãos servem ou devem servir ao Senhor.

Na parábola dos dois servos, Jesus nos mostra, claramente, que cada salvo é um servo e que todo servo é alguém que tem de servir, que tem de prestar um serviço, serviço que deve ser “assim”, ou seja, segundo um modelo, um padrão estabelecido pelo Senhor. Ele disse: “Bem-aventurado aquele servo que o Senhor, quando vier, achar servindo assim”(Mt.24:46).

Agora, pois, que é que o Senhor, teu Deus requer de ti, senão que temas ao Senhor teu Deus, que andes em todos os seus caminhos, e o ames e sirvas ao Senhor, teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma”(Dt 10:12). Estas palavras foram ditas ao povo de Israel e que se aplicam, literalmente, a todos nós que pertencemos à Igreja do Senhor.

  1. Exercitar a resistência ao mal. Adverte o apóstolo Paulo: “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12:21). O crente age transcendentalmente. Não é vencido pelo mal; ele vence o mal com o bem. O bem é o amor ao próximo e de modo geral a vontade de Deus. A primeira vitória sobre o mal é o amor. Abraão Lincoln dizia que a única maneira de vencer um inimigo é fazendo dele um amigo.

Estêvão, quando apedrejado, orou: “Senhor Jesus, não lhes imputes esse pecado” (At 7:60). A Bíblia diz que devemos abençoar os nossos inimigos e orar por eles. Se o nosso inimigo tiver fome, devemos dar-lhe de comer, se tiver sede, devemos dar-lhe de beber. O misericordioso perdoa as ofensas. Ele não registra mágoas. Ele não guarda rancor. Ele não armazena ira. Ele perdoa. Ele vence o mal com o bem. Quem não perdoa não pode ofertar, não pode adorar, não pode ser perdoado. Quem não perdoa adoece, é flagelado pelos verdugos da consciência e jamais receberá misericórdia. “O juízo é sem misericórdia para aquele que não exerce misericórdia” (Tg 2:13).

CONCLUSÃO

Somente os salvos tem uma nova vida em Cristo. A nova vida em Cristo consiste em viver separado do mundo de pecado, viver em santidade, não conformado com o mundo. Esta deve ser uma das características dos crentes salvos, porquanto esta é uma das exigências de Deus – “como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância; mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo”(1Pd 1:14-16). Na Igreja Primitiva os Cristãos eram ensinados a viver entre os pagãos, andando de forma diferente da deles; eram ensinados a viver no mundo, não deixando que o mundo vivesse neles. Hoje, por certo, não é diferente. Os que estão andando como salvos observam o ensino de Paulo: “Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo”(Fp 2:15). Para viver como salvo é necessário o viver em Santidade. Você está vivendo?

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) – William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards

Revista Ensinador Cristão – nº 66. CPAD.

Romanos – O Evangelho segundo Paulo. Rev. Hernandes Dias Lopes. Hagnos.

A Mensagem de Romanos. John Stott. ABU.

Maravilhosa Graça. José Gonçalves. CPAD.

 

Publicado no Blog do Luciano de Paula Lourenço

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