A Necessidade do Novo Nascimento – Luciano de Paula Lourenço

A Necessidade do Novo Nascimento – Luciano de Paula Lourenço

Aula 07 – A NECESSIDADE DO NOVO NASCIMENTO

3º Trimestre/2017

Texto Base: João 3:1-12

“Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo” (João 3:7).

INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo da Declaração de Fé das Assembleias de Deus, estudaremos nesta Aula a respeito do Novo Nascimento. O Novo Nascimento é um ato divino através do qual a criatura humana experimenta uma mudança radical no seu interior. Esta mudança radical no seu interior é o que faz a diferença entre a Lei de Moisés e a Graça. É a única maneira pela qual o “homem velho”, morto em ofensas e pecados pode voltar a viver para Deus. O Senhor Jesus afirmou que “o que é nascido da carne é carne…”(João 3:6), e, conforme afirmou Paulo,“…a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus” (1Co.15:50). Sem o Novo Nascimento, ninguém pode entrar no reino de Deus. Jesus disse: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (João 3:3). Aquele que passou pelo processo do Novo Nascimento se torna “o templo de Deus” e o Espírito Santo passa a habitar nele (1Co.3:16); nesta condição, o homem pode até pecar, porém, jamais sentirá prazer no pecado; sua nova natureza rejeita a prática do pecado – “Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus” (1João 3:9).

I. UM LÍDER RELIGIOSO BEM-INTENCIONADO

Nicodemos

Segundo a Bíblia, ele era um fariseu, um príncipe do povo (cf. João 3:1) e membro do sinédrio (cf. João 7:50). O apóstolo Paulo declara que o grupo dos fariseus, ao qual Nicodemos pertencia antes de sua conversão, era a mais severa seita do judaísmo (cf. At.26:5; Gl.1:14; Fp.3:5). Os Evangelhos estão repletos de provas do comportamento negativo dos fariseus e de suas hipocrisias. Tanto que a palavra “fariseu” tornou-se sinônimo de hipócrita e fingido, até os dias de hoje. Nicodemos, porém, era diferente deles (João 7:50,51); ele era um líder religioso bem-intencionado.

– Nicodemos foi ter com Jesus (João 3:2). Certa feita, ele teve um diálogo, à noite, com o Mestre dos mestres, Jesus. Esse diálogo revela a necessidade do Novo Nascimento para entrar no Reino dos céus. A sua condição social e a sua formação intelectual farisaica lhe haviam aconselhado uma certa reserva em relação ao interlocutor, e por isso decidira ver Jesus de noite, longe dos olhares indiscretos, na penumbra iluminada por uma lamparina. Nicodemos se aproximou de Jesus à noite, mas a noite de Nicodemos era mais escura do que ele pensava. Nicodemos ficou impressionado com os milagres que Jesus fizera na Judeia e em Jerusalém. Por causa desses milagres muitos creram em Jesus. Diz assim o apostolo João: “estando ele em Jerusalém pela Páscoa, durante a festa, muitos, vendo os sinais que fazia, creram no seu nome” (João 2:23). Esses milagres, certamente, atraíram Nicodemos, e quando se dirigiu a Jesus disse que “ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele” (João 3:2).

– Nicodemos intervém em defesa de Jesus, no Sinédrio (João 7:51). Na noite que Jesus fora preso, o Sinédrio se divide a respeito da captura de Jesus, que dentro em breve seria pregado na cruz. Os sumos sacerdotes fariseus criticavam os guardas porque não tinham conseguido aprisionar o Nazareno: “Responderam-lhes, pois, os fariseus: Também vós fostes enganados? Creu nele, porventura, algum dos principais ou dos fariseus? Mas esta multidão, que não sabe a lei, é maldita” (João 7:47-49). Então Nicodemos, levanta-se e intervém com sua autoridade em defesa do acusado: “Nicodemos, que era um deles (o que de noite fora ter com Jesus), disse-lhes: Porventura, condena a nossa lei um homem sem primeiro o ouvir e ter conhecimento do que faz? Responderam eles e disseram-lhe: És tu também da Galileia? Examina e verás que da Galileia nenhum profeta surgiu. E cada um foi para sua casa” (João 7:50-53).

– Nicodemos demonstra publicamente afeição por Jesus (João 19:39). O último e breve aparecimento de Nicodemos, no texto evangélico joanino, se dá quando tudo parece terminado e as grandes esperanças que Jesus de Nazaré havia suscitado parecem falidas, com a sua morte na cruz. Certamente, o primeiro encontro que Nicodemos teve com Jesus foi tão impactante que agora não quer mais esconder a sua condição de discípulo oculto de Jesus, ele agora O reconhece publicamente. Diz assim o apóstolo João:

“Depois disso, José de Arimatéia (o que era discípulo de Jesus, mas oculto, por medo dos judeus) rogou a Pilatos que lhe permitisse tirar o corpo de Jesus. E Pilatos lho permitiu. Então, foi e tirou o corpo de Jesus. E foi também Nicodemos (aquele que, anteriormente, se dirigira de noite a Jesus), levando quase cem libras de um composto de mirra e aloés. Tomaram, pois, o corpo de Jesus e o envolveram em lençóis com as especiarias, como os judeus costumam fazer na preparação para o sepulcro” (João 19:38-40).

Nicodemos, portanto, demonstrara ter nascido de novo; ele demonstrara, na luz do dia, que era um discípulo de Jesus. Nicodemos, o conhecido fariseu, era um homem corajoso e de coração generoso. O texto diz que ele tomou “quase cem libras de um composto de mirra e aloés” para aromatizar o corpo de Jesus. Cem libras de perfume eram um grande gasto para aromatizar o corpo de um rejeitado, de alguém que fora crucificado como malfeitor, cercado por dois ladrões. A partir desse último gesto descrito pelo apóstolo João, se entende que o coração de Nicodemos havia sido tomado secretamente por Jesus, por aquele Nazareno que, depois de algumas horas, sairia do sepulcro, vitorioso para sempre. O certo é que, depois daquele encontro com Jesus, Nicodemos nunca mais foi o mesmo (cf. Joao 7:51; 19:39). Ainda hoje esse diálogo impressiona as pessoas, pois nele está o que consideramos ser o texto áureo da Bíblia (João 3:16).

Atualmente muitos, como Nicodemos, não conseguem compreender a necessidade e a importância do nascer novamente. O Senhor Jesus mostrou a Nicodemos, e a nós, que religião alguma tem condição de transformar o homem. Somente Ele pode nos conceder uma nova natureza mediante a fé.

Observe que Jesus não falou a respeito do Novo Nascimento para Zaqueu, um homem que enriquecera ilicitamente. Ele não falou a respeito nem para a mulher samaritana, que já havia passado por cinco divórcios e agora vivia com um homem que não era seu marido. E não falou a respeito nem mesmo para o ladrão na cruz, um homem que vivera à margem da lei. Mas falou a respeito do Novo Nascimento para um homem religioso, um rabi, um mestre da Bíblia, um líder, um dos principais dos judeus.

O Novo Nascimento é a mais importante e a mais urgente necessidade da vida de um ser humano. Sem o Novo Nascimento, a vida é vã, a esperança é vã e a religião é vã. Sem o Novo Nascimento, Deus estará contra a pessoa no dia do juízo. Sem o Novo Nascimento, a Palavra de Deus condenará a pessoa no Dia final. Sem o Novo Nascimento, o Céu estará de portas fechadas para aqueles que rejeitarem essa importante decisão. Jesus disse que, se alguém não nascer de novo, não poderá ver o reino de Deus (Joao 3:3). Se alguém não nascer da água e do Espirito, não poderá entrar no reino de Deus (João 3:5). Jesus é enfático: “Necessário vos é nascer de novo” (João 3:7).

Você pode ser uma pessoa rica, culta, respeitável e religiosa como Nicodemos, mas, se não nascer de novo, estará perdido. Você pode ser uma pessoa zelosa, conservadora e observadora dos preceitos religiosos como Nicodemos, mas, se não nascer de novo, não haverá esperança para sua alma. Você pode praticar muitas boas obras, dar esmolas, ter uma vida bonita e até fazer orações que são ouvidas no céu como Cornélio fazia, mas, se não nascer de novo, não poderá entrar no reio de Deus. Pense nisso!

II. O NOVO NASCIMENTO

  1. É necessário nascer de novo (João 3:7) –“…Necessário vos é nascer de novo”. Quando Jesus disse a Nicodemos que ele precisava de nascer de novo para participar do Reino de Deus, ele questionou Jesus se isso significava tornar a entrar no ventre materno (cf. João 3:4). Os espíritas usam esse texto para pregar a sua falaz doutrina da reencarnação. Podemos reformular a questão de Nicodemos, em termos espíritas, da seguinte forma: “Tenho que reencarnar?”. Mas esse texto nada tem a ver com o nascer fisicamente e, muito menos, com reencarnação. Jesus estava a referir-se a um nascimento espiritual. Jesus respondeu a Nicodemos dizendo que o novo nascimento não é carnal (físico, material), mas espiritual (João 3:6). É um nascimento operado pela “água” e pelo Espírito de Deus –“Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus” (João 3:5).

Jesus usa uma figura conhecida por Nicodemos. Jesus tinha falado a respeito da água para a purificação e do batismo de arrependimento pregado por João o Batista. Nascer da água, portanto, é arrepender-se do pecado e ser purificado. Ninguém pode ser salvo a menos que seja interiormente purificado, assim como a água nos lava externamente.

Água e Espírito eram os termos mais conhecidos do Antigo Testamento para falar sobre a transformação interior (cf. Is.32:15; 44:3; Ez.36:24-27; Jl.2:28,29). Sem a purificação da alma, operada pelo Espírito Santo (Tt.3:5), mediante a Palavra de Deus (Ef.5:26), ninguém pode entrar no Reino de Deus. A passagem mais esclarecedora para explicar João 3:5 é Ezequiel 36:25-27, em que água e Espirito aparecem ligados muito estreitamente, a água significando purificação da impureza, e o Espírito retratando a transformação do coração que capacitará as pessoas a seguir Deus integralmente.

Portanto, nascer do Espírito é nascer de cima, do alto, de Deus. É ser transformado pelo Espírito Santo (Ez.36:25-27; Is.44:3). É ser nova criatura. Então, o Novo Nascimento não é algo superficial. Não é uma mera reforma moral. É uma mudança completa do coração, do caráter e da vontade. É uma ressurreição, uma nova criação. É passar da morte para a vida. É uma mudança tão radical que você passa a ter uma nova natureza, novos hábitos, novos gostos, novos desejos, novos apetites, novos julgamentos, novas opiniões, nova esperança, novos temores.

O Espírito Santo, usando a Palavra de Deus, a Escritura divinamente inspirada (2Tm.3:16,17), convence o homem do pecado, da justiça e do juízo (João 16:7,8), e da necessidade de aceitar, pela fé, Jesus Cristo como único e suficiente Salvador (Atos 4:10-12). E o homem ao fazer isso será salvo e convertido numa nova criatura (2Co.5:17; 1Pd.1:3,23; 1João 5:18). Aquele que nasce do Espírito não vive mais segundo a carne, mas segundo Espírito, isto é, vive sob a ação e a orientação do Espírito Santo (João 3: 8; Rm.8:1-4).

  1. Regeneração. Regeneração é a transformação do pecador numa nova criatura pelo poder de Deus, como resultado do sacrifício de Jesus na cruz do Calvário. Trata-se de uma operação do Espírito Santo na salvação do pecador. Neste ato sobrenatural o ser humano é gerado por Deus para ser filho (João 1:12) e participante da natureza divina (2Pd.1:4). Essa Regeneração é essencial para que o homem entre no Reino de Deus. O homem regenerado recebe de Deus coração e espírito novos (Ez.36:26), podendo assim ter comunhão com Deus e a garantia de viver com Ele na eternidade.

A mente do homem pós-moderno considera a Regeneração como algo sem validade e dispensável, e acusa os cristãos de serem os inventores da ideia do pecado. Se não há pecado então é inócuo se falar em Novo Nascimento ou Regeneração. Se não há pecado então não há necessidade de acreditar que Jesus veio salvar a humanidade perdida. Para os pós-modernistas, Jesus não passa de um homem generoso, um herói, um homem admirável, um filósofo igual a Platão, um mestre religioso, mas nada de se prender a mensagens que exija de seus ouvintes uma transformação de caráter, uma transformação de vida e uma dependência plena de Deus.

Negar a realidade e a necessidade da Regeneração ou interpretá-la de outra forma, que não é bíblica, tem características não apenas humanísticas, mas sobretudo satânicas, pois o Diabo é o maior interessado em que o homem não veja a luz do Evangelho e não seja restaurado.

– Regeneração significa vida renovada (1João 3:13,14) – “Meus irmãos, não vos maravilheis, se o mundo vos odeia. Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece na morte”.

– Regeneração significa mente renovada (Rm.12:2) – “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”.

– Regeneração significa transformar o velho homem numa nova criatura (2Co.5:17) – “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”.

– Regeneração significa despir-se do velho homem (1Co.6:20) – “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus”.

É somente o Espírito Santo quem pode operar no homem o milagre da Regeneração. Foi o que afirmou Paulo: “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” (Tito 3:5).

III. UMA NECESSIDADE

  1. O estado humano.A Bíblia ensina, e a experiência humana confirma, que todos os seres humanos estão mortos em ofensas e pecados. Foi o que afirmou Paulo: ”E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados”(Ef.2:1). Morte significa separação. No sentido espiritual, o homem no pecado está separado de Deus (Rm.3:23). A única maneira desse homem voltar a ter comunhão com Deus é recebendo uma nova vida, através do nascer de novo. Quando Nicodemos se encontrou com Jesus, Ele não se sentiu lisonjeado com as belas palavras proferidas por Nicodemos, mas foi direto ao seu verdadeiro problema. Nicodemos embora fosse um homem rico, culto, de grande projeção social e, também, religioso, espiritualmente estava morto e seu maior problema era a necessidade de ser salvo – “Jesus respondeu e disse-lhe: na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode entrar no Reino de Deus”(João 3:3).

Nascer de Novo é a primeira condição para todo aquele que quiser receber a Salvação. Nicodemos não entendeu e pensou como ainda pensam os espíritas: pensou que o nascer de novo significava tornar a nascer do ventre da mão. Assim, para que não pairasse qualquer dúvida sobre a reencarnação como sendo o “nascer de novo”, o Senhor Jesus explicou que se fosse possível tornar a nascer, no sentido físico, quantas vezes a pessoa pudesse nascer, em nada iria mudar, ou seja, nasceria sempre com a velha natureza carnal. Assim, o Senhor Jesus lhe disse: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito”(João 3:6). É somente o Espírito Santo quem pode operar no homem o milagre do Novo Nascimento. Foi o que afirmou Paulo: “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo”(Tito 3:5).

Através deste nascer de novo o homem se torna participante da natureza de Deus, recebendo a adoção de filho (João 1:12). Sem o Novo Nascimento o homem será sempre criatura de Deus, não filho. Foi por isto que o apóstolo João escrevendo àqueles crentes que já haviam passado pela experiência do Novo Nascimento disse: ”Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos”(1João 2:2).

  1. A necessidade do Novo Nascimento.Por que o ser humano precisa nascer de novo? Segundo o Rev. Hernandes Dias Lopes:(1)

a) Porque a inclinação do seu coração é contra Deus. A inclinação da carne do ser humano é inimizade contra Deus. Sua natureza é pecaminosa e totalmente caída. Os maus desígnios vêm do seu coração, mas não o desejo de ser salvo. O ser humano não pode mudar a si mesmo. Ele está cego para as coisas de Deus, insensível como um morto à voz do Espírito Santo. Se a pessoa for deixada à própria sorte, perecerá. Da mesma forma que um ser humano jamais é o autor da sua existência, assim também nenhum ser humano pode dar vida à própria alma. Sem o Novo Nascimento, ninguém pode chegar ao Céu. Você pode entrar no Céu sem dinheiro, sem fama, sem cultura e até sem religião, mas jamais sem o Novo Nascimento.

b) Porque sem o Novo Nascimento ninguém pode ver o Reino de Deus nem pode entrar nesse Reino (Joao 3:3,5).Para entrar no Reino de Deus é necessário o toque regenerador do Espírito Santo. Não se entra no Reino de Deus apenas fazendo boas obras. Se Nicodemos, com seus conhecimentos, talentos, entendimento, posição e integridade, não podia entrar no Reino prometido em virtude de sua posição e obras, que esperança há para alguém que procura salvação por essas vias? Mesmo para um Nicodemos deve haver uma transformação radical, a geração de uma nova vida. Não se trata do conserto de uma parte, mas da renovação de toda a natureza.

c) Porque uma fé intelectual ou emocional é insuficiente para você entrar no Reino de Deus.Muitos foram atraídos a Jesus com uma fé apenas intelectual ou emocional ao observarem seus prodígios. Nicodemos também ficou impressionado com os sinais que Jesus fazia. Isso o levou a reconhecer que Jesus era vindo de Deus e que Deus estava com Ele. Mas essa fé não é suficiente para salvar sua alma. Crer em milagres não é o bastante para levar você para o Céu. Quando Nicodemos se aproximou de Jesus tecendo-lhe os mais altos elogios, Jesus desviou o assunto para a necessidade urgente de Nicodemos nascer de novo. Jesus não estava interessado em discutir seus milagres, que tinham como resultado apenas uma fé superficial. Pelo contrário, Ele foi direto ao ponto culminante, mostrando a Nicodemos a necessidade da transformação de seu coração por intermédio do Novo Nascimento.

d) Porque o Novo Nascimento é uma ordem expressa de Jesus (João 3:7).Jesus é categórico: “Necessário vos é nascer de novo”. Lá no Céu, você não entrará por ser membro da Assembleia de Deus, presbiteriano, batista ou católico. Lá no Céu, só entrarão aqueles que nasceram de novo, aqueles que foram remidos e lavados no sangue do Cordeiro.

Sem o Novo Nascimento, o Céu não apenas seria impossível para o ser humano, mas também não seria um lugar desejável para sua alma. Aqueles que nunca nasceram de novo amam mais as trevas do que a luz; por isso, o destino deles é de trevas eternas. Pelo nascimento natural, as pessoas tornam-se membros de uma família terrena; para que elas se tornem membros da família de Deus, para receberem a natureza espiritual, que é o único meio de ser admitido em seu reino, faz-se necessário um nascimento “do alto”, do Espírito Santo.

Sem o Novo Nascimento, o ser humano ama o mundo e as coisas que há no mundo. Sem o Novo Nascimento, o ser humano é amigo do mundo e inimigo de Deus. Sem o Novo Nascimento, o ser humano se conforma com o mundo e vive segundo o seu curso.

Quando o homem se convence do pecado, da morte e do juízo, aceitando a Jesus como seu único e suficiente Salvador, crendo em Cristo, na Sua obra no Calvário e se arrependendo dos seus pecados, renunciando à impiedade, isto é, ao pecado e às concupiscências do mundo e passa a viver, neste mundo, sóbria, justa e piamente, segundo a vontade do Senhor, que está presente na Sua Palavra (Tt.2:12), temos o Novo Nascimento, a geração de um novo homem, de uma nova criatura, pois os pecados são perdoados. O sangue de Jesus purifica o homem de todo o pecado e ele passa a ocupar uma nova posição diante de Deus, justificado pela fé (Rm.5:1), tendo paz com Deus, pois os pecados, que antes faziam divisão entre ele e Deus (Is.59:2), não mais existem, são removidos (João 1:29), lançados no mar do esquecimento (Mq.7:19), voltando o homem, então, a ter comunhão com Deus. O espírito do homem, assim, volta a ter vida, é vivificado (1Co.15:22), pois cessa a sua separação de Deus, que o tornava inerte.

CONCLUSÃO

O Novo Nascimento é um ato sobrenatural indispensável para que o ser humano ingresse no Reino de Deus. A soberania de Deus na vida de alguém somente se inicia quando este alguém nasce de novo, e, nascer de novo, exige a atuação conjugada da Palavra de Deus e do Espírito Santo, bem como a aceitação do homem para que esta atuação se faça. É o único caminho pelo qual a pessoa entra na Igreja Invisível, teologicamente, chamada de Igreja triunfante, ou como diz o Apóstolo Paulo: “…Igreja gloriosa, sem macula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível”(Ef.5:27). Você é membro desta Igreja? Se é, então “guarda o que tens, para ninguém tome a tua corroa” (Ap.3:11).

———-

Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) – William Macdonald.

Revista Ensinador Cristão – nº 71. CPAD.

Pr. Esequias Soares. A Razão de nossa Fé. CPAD.

Ev. Caramuru Afonso Francisco. Novo Nascimento e batismo com o Espírito Santo – experiências distintas. PortalEBD_2005.

Ev. Caramuru Afonso Francisco. A Corrupção da Doutrina da Regeneração. PortalEBD_2005.

Wayne Grudem. Teologia Sistemática Atual e exaustiva.

(1) Rev. Hernandes Dias Lopes. João, as glórias do Filho de Deus. Hagnos.

Publicado no Blog do Luciano de Paula Lourenço

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *