A Necessidade de Termos uma Vida Santa – Ev. Luiz Henrique

A Necessidade de Termos uma Vida Santa – Ev. Luiz Henrique

Lição 9, A Necessidade de Termos uma Vida Santa

3º Trimestre de 2017 – Título: A Razão da Nossa Fé: Assim Cremos, assim Vivemos

Comentarista: Pr. Pres. Esequias Soares, Assembleia de DEUS, Jundiaí, SP

Complementos, ilustrações e vídeos: Pr. Luiz Henrique de Almeida Silva – 99-99152-0454

FIGURAS DA LIÇÃO 9 – https://ebdnatv.blogspot.com.br/2017/08/figuras-licao-9-necessidade-de-termos.html

TEXTO ÁUREO

“Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também SANTOS em toda a vossa maneira de viver.” (1 Pe 1.15).

VERDADE PRÁTICA

Cremos na necessidade e na possibilidade de termos uma vida santa e irrepreensível por obra do ESPÍRITO SANTO, que nos capacita a viver como fiéis testemunhas de JESUS CRISTO.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Lv 10.10 O profano é aquele que lida com as coisas sagradas como se fossem banais

Terça – Êx 26.33 SANTO é a separação daquilo que é de uso comum

Quarta – Lv 19.2 DEUS é santo

Quinta – Hb 9.14 O sangue de CRISTO nos santifica

Sexta – 1 Pe 1.16 DEUS nos chamou para a SANTIFICAÇÃO

Sábado – Hb 12.14 Sem a SANTIFICAÇÃO ninguém verá o Senhor

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE – 1 Pedro 1.13-22

13 – Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de JESUS CRISTO, 14 – como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância; 15 – mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também SANTOS em toda a vossa maneira de viver, 16 – porquanto escrito está: Sede SANTOS, porque eu sou santo. 17 – E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação, 18 – sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos pais, 19 – mas com o precioso sangue de CRISTO, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, 20 – o qual, na verdade, em outro tempo, foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado, nestes últimos tempos, por amor de vós; 21 – e por ele credes em DEUS, que o ressuscitou dos mortos e lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em DEUS. 22 – Purificando a vossa alma na obediência à verdade, para amor fraternal, não fingido, amai-vos ardentemente uns aos outros, com um coração puro.

1 Pedro 1.13-22 – BÍBLIA VIVA – 13 Portanto, agora vocês podem aguardar com calma e inteligência uma porção maior da bondade de DEUS para com vocês quando JESUS CRISTO voltar. 14 Obedeçam a DEUS porque vocês são filhos dele; não voltem atrás aos seus velhos caminhos – a prática do mal porque não conheciam nada melhor. 15 Mas agora, sejam SANTOS em tudo quanto fizerem, tal como é santo o Senhor, que os convidou para serem seus filhos. 16 O próprio Senhor disse: “Vocês têm de ser SANTOS, pois Eu sou santo”. 17 E lembrem-se que seu Pai Celestial, a quem vocês oram, não tem preferidos quando julga. Ele julgará vocês com perfeita justiça por tudo quanto fizerem; portanto, procedam com um respeitoso temor a Ele, desde agora até chegarem ao céu. 18 DEUS pagou um resgate para livrar vocês do insuportável caminho que seus pais tentaram seguir para chegar ao céu, e o resgate que Ele pagou não foi simplesmente ouro ou prata, como vocês sabem muito bem, 19 mas Ele pagou por vocês o precioso sangue de CRISTO, o Cordeiro de DEUS sem pecado e sem mancha. 20 DEUS O escolheu para este propósito muito antes do princípio do mundo, mas só recentemente foi que Ele manifestou isto publicamente, nestes últimos dias, como uma bênção para vocês. 21 Por causa disto, vocês podem pôr sua confiança em DEUS, que levantou a CRISTO dentre os mortos e Lhe deu grande glória. Agora, a fé e a esperança de vocês podem descansar somente nele.  22 Agora vocês podem ter amor verdadeiro por todos, porque as almas de vocês foram purificadas do egoísmo e do ódio quando confiaram em CRISTO, como seu Salvador; portanto, procurem amar na verdade uns aos outros ardentemente, de todo o coração.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Conceituar SANTIDADE;

Mostrar a necessidade de termos uma vida santa;

Apontar para a possibilidade de termos uma vida santa.

Resumo da Lição 9, A Necessidade de Termos uma Vida Santa

I – DEFININDO OS TERMOS

1. A SANTIDADE de DEUS.

2. Significado.

3. Exclusividade.

II – A NECESSIDADE DE TERMOS UMA VIDA SANTA

1. Israel.

2. A Igreja.

3. Uma exigência natural.

III – A POSSIBILIDADE DE TERMOS UMA VIDA SANTA

1. A SANTIFICAÇÃO posicional.

2. A SANTIFICAÇÃO real.

3. A SANTIFICAÇÃO futura.

4. É possível ser santo?

SÍNTESE DO TÓPICO I – O nosso chamado para ser santo, isto é, afastar-se de tudo aquilo que é pecaminoso, está baseado na SANTIDADE de DEUS.

SÍNTESE DO TÓPICO II – Da mesma forma que DEUS separou Israel para ser santo, Ele separou a Igreja para ser santa.

SÍNTESE DO TÓPICO III – A SANTIFICAÇÃO tem uma perspectiva passada, presente e futura, destacando a suficiência do sacrifício de CRISTO.

 

PARA REFLETIR – A respeito da necessidade e da possibilidade de ter uma vida santa, responda:
Qual o significado de qadash e qual o sentido de SANTIFICAÇÃO? O verbo hebraico qadash,”ser santo”, e seus derivados “santo, santificar, dedicar, consagrar”, no Antigo Testamento, significam “separar”.

O que é SANTIFICAÇÃO posicional? É o primeiro aspecto da SANTIFICAÇÃO, também chamado de SANTIFICAÇÃO passada ou instantânea.

O que é SANTIFICAÇÃO real? É conhecida como a SANTIFICAÇÃO presente.

O que é SANTIFICAÇÃO futura? É o terceiro aspecto da SANTIFICAÇÃO, conhecido também como “glorificação” (Fp 3.11).

Quais os três meios que DEUS disponibilizou para a SANTIFICAÇÃO? DEUS disponibilizou três meios para a SANTIFICAÇÃO: o sangue de JESUS; o ESPÍRITO SANTO (2 Ts 2.13) e a própria Palavra de DEUS (Jo 17.17; Ef 5.26).

 

CONSULTE – Revista Ensinador Cristão – CPAD, nº 71, p40.

 

Disponibilizamos novamente o cremos para que seja lido nas Escolas Bíblicas Dominicais.

Cremos (Confissão de Fé)

1. Na inspiração divina verbal e plenária da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé e prática para a vida e o caráter cristão (2 Tm 3.14-17);

2. Em um só DEUS, eternamente subsistente em três pessoas distintas que, embora distintas, são iguais em poder, glória e majestade: o Pai, o Filho e o ESPÍRITO SANTO; Criador do Universo, de todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, e, de maneira especial, os seres humanos, por um ato sobrenatural e imediato, e não por um processo evolutivo (Dt 6.4; Mt 28.19; Mc 12.29; Gn 1.1; 2.7; Hb 11.3 e Ap 4.11);

3. No Senhor JESUS CRISTO, o Filho Unigênito de DEUS, plenamente DEUS, plenamente Homem, na concepção e no seu nascimento virginal, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal dentre os mortos e em sua ascensão vitoriosa aos céus como Salvador do mundo (Jo 3.16-18; Rm 1.3,4; Is 7.14; Mt 1.23; Hb 10.12; Rm 8.34 e At 1.9);

4. No ESPÍRITO SANTO, a terceira pessoa da Santíssima Trindade, consubstancial com o Pai e o Filho, Senhor e Vivificador; que convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo; que regenera o pecador; que falou por meio dos profetas e continua guiando o seu povo (2 Co 13.13; 2 Co 3.6,17; Rm 8.2; Jo 16.11; Tt 3.5; 2 Pe 1.21 e Jo 16.13);

5. Na pecaminosidade do homem, que o destituiu da glória de DEUS e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de JESUS CRISTO podem restaurá-lo a DEUS (Rm 3.23; At 3.19);

6. Na necessidade absoluta do novo nascimento pela graça de DEUS mediante a fé em JESUS CRISTO e pelo poder atuante do ESPÍRITO SANTO e da Palavra de DEUS para tornar o homem aceito no Reino dos Céus (Jo 3.3-8, Ef 2.8,9);

7. No perdão dos pecados, na salvação plena e na justificação pela fé no sacrifício efetuado por JESUS CRISTO em nosso favor (At 10.43; Rm 10.13; 3.24-26; Hb 7.25; 5.9);

8. Na Igreja, que é o corpo de CRISTO, coluna e firmeza da verdade, una, santa e universal assembleia dos fiéis remidos de todas as eras e todos os lugares, chamados do mundo pelo ESPÍRITO SANTO para seguir a CRISTO e adorar a DEUS (1 Co 12.27; Jo 4.23; 1 Tm 3.15; Hb 12.23; Ap 22.17);

9. No batismo bíblico efetuado por imersão em águas, uma só vez, em nome do Pai, e do Filho, e do ESPÍRITO SANTO, conforme determinou o Senhor JESUS CRISTO (Mt 28.19; Rm 6.1-6; Cl 2.12);

10. Na necessidade e na possibilidade de termos vida santa e irrepreensível por obra do ESPÍRITO SANTO, que nos capacita a viver como fiéis testemunhas de JESUS CRISTO (Hb 9.14; 1 Pe 1.15);

11. No batismo no ESPÍRITO SANTO, conforme as Escrituras, que nos é dado por JESUS CRISTO, demonstrado pela evidência física do falar em outras línguas, conforme a sua vontade (At 1.5; 2.4; 10.44-46; 19.1-7);

12. Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo ESPÍRITO SANTO à Igreja para sua edificação, conforme sua soberana vontade para o que for útil (1 Co 12.1-12);

13. Na segunda vinda de CRISTO, em duas fases distintas: a primeira — invisível ao mundo, para arrebatar a sua Igreja antes da Grande Tribulação; a segunda — visível e corporal, com a sua Igreja glorificada, para reinar sobre o mundo durante mil anos (1 Ts 4.16, 17; 1 Co 15.51-54; Ap 20.4; Zc 14.5; Jd 1.14);

14. No comparecimento ante o Tribunal de CRISTO de todos os cristãos arrebatados, para receberem a recompensa pelos seus feitos em favor da causa de CRISTO na Terra (2 Co 5.10);

15. No Juízo Final, onde comparecerão todos os ímpios: desde a Criação até o fim do Milênio; os que morrerem durante o período milenial e os que, ao final desta época, estiverem vivos. E na eternidade de tristeza e tormento para os infiéis e vida eterna de gozo e felicidade para os fiéis de todos os tempos (Mt 25.46; Is 65.20; Ap 20.11-15; 21.1-4).

16. Cremos, também, que o casamento foi instituído por DEUS e ratificado por nosso Senhor JESUS CRISTO como união entre um homem e uma mulher, nascidos macho e fêmea, respectivamente, em conformidade com o definido pelo sexo de criação geneticamente determinado (Gn 2.18; Jo 2.1,2; Gn 2.24; 1.27).

 

Resumo Rápido do Pr. Henrique – Lição 9, A Necessidade de Termos uma Vida Santa

INTRODUÇÃO

Quando aceitamos a JESUS como Salvador e Senhor, somos justificados, regenerados, santificados e adotados como filhos na família de DEUS. A SANTIFICAÇÃO nos é concedida pelo ESPÍRITO SANTO no ato de nossa conversão. No decorrer de nossa vida cristã esta santificação passa a ser progressiva, quanto mais lugar dermos ao ESPÍRITO SANTO, mais nos tornamos SANTOS,ou seja, separados para uso exclusivo de DEUS. Portanto, podemos e devemos manter uma vida santa e irrepreensível na presençpa de DEUS, até a vinda do Senhor para nos buscar.

I – DEFININDO OS TERMOS

1. A SANTIDADE de DEUS.

Essa santidade é absoluta, pois DEUS é santo em seu caráter e essência, conforme disse o profeta Amós, em duas ocasiões: “Jurou o Senhor Jeová, pela sua santidade” e “Jurou o Senhor Jeová pela sua alma” (Am 4.2; 6.8). A santidade é característica fundamental de DEUS (Is 6.3; Ap 4.8). Ele é singular por causa de sua majestade infinita e também em virtude de se tratar de um Ser totalmente distinto e separado, em pureza, de suas criaturas (Sl 99.1-5). Essa santidade é a plenitude gloriosa da excelência moral de DEUS, que existe nEle e que nEle se originou, não tendo sido derivada de ninguém: “Não há santo como é o SENHOR […]” (1 Sm 2.2).

Divindade.

Como DEUS é transcendente e independente do universo que criou (1 Rs 8.27), Ele está separado dos seus habitantes e é temido por eles (por exemplo, Êx 19.10-25; 20.18-21). Desta forma, a SANTIDADE torna-se equivalente à verdadeira Divindade, separando-o da impotência dos deuses dos egípcios derrotados (Êx 15.11). “Ó Senhor, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu, glorificado em SANTIDADE…?” O termo “SANTO”, em muitos trechos, é sinônimo de “divino”. “Não há santo [exclusivamente divino] como é o Senhor; porque não há outro fora de ti” (1 Sm 2.2; cf. SI 99.3,5,9; Is 40.25; He 3.3). Pelo fato do Senhor ser SANTO, o verdadeiro DEUS e, portanto, infinito, não é possível esquadrinhar seu entendimento (Is 40.28; SI 145.3). A SANTIDADE, portanto, é o que caracteriza DEUS, e ela inclui todos os seus outros atributos.

2. Significado. As palavras hebraicas qadosh, “santo”; qodesh, “SANTIDADE; e a palavra grega hagios e hagiosyne significam basicamente a separação do que é comum ou impuro, e a consagração a DEUS (Lv 20.24-26; At 6.13; 21.28). Da ideia básica da separação do profano (Lv 10.10; Ez 22.26) derivam três aspectos de SANTIDADE encontrados nas Escrituras:

a- Divindade – b- SANTIDADE cerimonial – c- SANTIFICAÇÃO (Batismal – Posicional – Experimental).

SANTO – Strong Português) – αγιος – hagios – de hagos (uma coisa grande, sublime)

1) algo muito santo; um santo   SANTIFICAÇÃO – Strong Português – αγιασμος hagiasmos

1) consagração, purificação

2) o efeito da consagração

2a) santificação de coração e vida

SANTIFICAÇÃO – ἁγιασμός, οῦ ὁ. (Léxico do NT Gingrich) ἁγιασμός (hagiasmos), οῦ (ou) ὁ (ho). G38 gen. ους santidade, santificação, consagração Rm 6.191 Tm 2.15. Outorgada por DEUS em (através de) CRISTO 1 Co 1.30. Santidade, consagração, santificação, dedicação: מַרְגּוֹע, Je. 6:16Ro. 6:19Ro. 6:221 Co. 1:301 Ts. 4:31 Ts. 4:41 Ts. 4:72 Ts. 2:131 Ti. 2:15He. 12:141 Pe 1:2.

SANTIFICAÇÃO (Dicionário Almeida) Ato, estado e processo de se tornar SANTO (Rm 6.19-22; 1Ts 4.1-7). É realizada na vida do salvo pela ação do ESPÍRITO SANTO (2Ts 2.13; 1Pe 1.2).

SANTIFICAÇÃO – Dicionário Teológico – Claudionor Correia de Andrade – [Do lat. sanctificatio] Separação do mal e do pecado, e dedicação ao serviço do Reino de DEUS. É a forma pela qual o filho de DEUS aperfeiçoa-se à semelhança do Pai Celeste (Lv 11.44). A SANTIFICAÇÃO só é possível através da Palavra de DEUS e mediante o sangue de CRISTO (Jo 17.17I Jo 1.7).

3. Exclusividade. DEUS não aceita dividir o amor e a sua paternidade com outrem. Só nosso DEUS nos amou a ponto de enviar seu próprio filho para morrer por nós. Devemos manter exclusividade de nossa vida para DEUS. Vivamos em total submissão ao nosso PAI Eterno. O que é sagrado não pode ter uso comum; o azeite da unção e o incenso do santuário não podiam ter outro uso (Êx 30.33,38). O crente é instrumento de DEUS na Terra, É templo do ESPÍRITO SANTO e onde quer que esteja é representante de JESUS.

II – A NECESSIDADE DE TERMOS UMA VIDA SANTA SANTIFICAÇÃO

Palavra derivada do lat. sanctus; do verbo heb. qadash, “ser separado, consagrado”; do substantivo grego hagiasmos, “consagração”, “purificação”, “SANTIFICAÇÃO”; do verbo hagiazo, “santificar”, “separar das coisas profanas ou consagrar”, “purificar ou santificar”. O breve catequismo de Westminster define a SANTIFICAÇÃO como “a obra da livre graça de DEUS, pela qual somos renovados na totalidade de nosso ser, conforme a imagem de DEUS, e nos tornamos cada vez mais capacitados a morrer para o pecado e viver para a justiça”. Esta definição, no entanto, apesar de útil ao chamar a atenção à graça soberana de DEUS, assim como à responsabilidade de cada cristão, tende a confundir a regeneração com a SANTIFICAÇÃO. As principais ideias relacionadas à SANTIFICAÇÃO são a separação daquilo que é pecaminoso, por um lado, e, por outro, a consagração àquilo que é justo e que está de acordo com a vontade de DEUS. A SANTIFICAÇÃO precisa ser distinguida da justificação. Na justificação, DEUS atribui ao crente, no momento em que recebe a CRISTO, a própria justiça de CRISTO, e a partir de então vê esta pessoa como se ela tivesse morrido, sido sepultada e ressuscitada em novidade de vida em CRISTO (Rm 6.4-10). É uma mudança que ocorre “de uma vez por todas” na condição legal ou judicial da pessoa diante de DEUS. A SANTIFICAÇÃO, em contraste, é um processo progressivo que ocorre na vida do pecador regenerado, momento a momento. Na SANTIFICAÇÃO ocorre uma cura substancial da separação que havia ocorrido entre DEUS e o homem, entre o homem e os seus companheiros, entre o homem e si mesmo, e entre o homem e a natureza.

1. Israel.

Embora seja verdade que DEUS, como “o Alto e o Sublime” habita “em um alto e santo lugar”, Ele também está com “o contrito e humilde de espírito” (Is 57.15). Isto significa que DEUS compartilha sua SANTIDADE com aqueles que fazem parte do relacionamento da aliança com Ele. Eles também estão separados do mundo ao seu redor, porque foram trazidos para junto de DEUS (Ex 19.4-6; 33.16; Lv 11.44,45; 1 Rs 8.53). Desta forma, a SANTIDADE divina não é exclusiva, mas DEUS estende sua mão para alcançar outras pessoas e trazê-las ao seu estado, e à separação do mundo material que Ele criou. Israel, portanto, é uma nação santa (Êx 19.6) e no Novo Testamento os crentes são chamados de SANTOS (do grego hagioi, literalmente “SANTOS”, Romanos 1.7), e de “nação santa” (1 Pe 2.9). Os objetos cerimoniais também são classificados como SANTOS ou sagrados, dedicados inteiramente ao uso de DEUS. Assim, o Tabernáculo foi santificado pela glória shekinah de DEUS (Êx 29.43-45; 40.34,35; SI 93.5), especialmente o SANTO dos SANTOS (q.v.). Os sacerdotes tinham vestes santas (Êx 28.2). O lugar onde DEUS apareceu a Moisés na sarça ardente era um solo sagrado (ou uma “terra santa”; Êx 3.5). Tal SANTIDADE não possuía uma qualidade essencialmente moral. Como um exemplo extremo do significado da raiz da palavra hebraica, a prostituta do Templo de Canaã era chamada uma q’desha (Dt 23.17) porque ela era separada para este cerimonial religioso. As guerras eram “santificadas” (Jl 3.9), declaradas santas ou separadas para punir os inimigos de DEUS. A SANTIDADE cerimonial poderia ser temível, pois a morte poderia seguir ao contato com DEUS (Êx 33.20; Jz 6.22ss.; 13.22ss.; Is 6.5). Os homens de Bete-Semes, golpeados por profanarem a arca por terem olhado para o seu interior, gritaram. “Quem poderia estar em pé perante o Senhor, este DEUS santo?” (1 Sm 6.20). Quando Davi estava trazendo a arca a Jerusalém, Uzá foi morto instantaneamente, simplesmente por ter tocado a arca para equilibrá-la (2 Sm 6.6,7). Como parte do santo relacionamento da aliança com DEUS, Moisés prescreveu rituais de purificação preparatórios para as cerimônias sagradas (Êx 19.14; 29.4; Lv 12-15). Algumas das cerimônias e leis incluíam: (1) consagração do primogênito (Êx 13.2,12ss.; 22.29ss.), e oferta de todos os primeiros animais e dos primeiros frutos (Dt 26.1-11); (2) distinção entre os alimentos puros e impuros (Lv 11; Dt 14); (3) regras com respeito à SANTIDADE dos sacerdotes (Lv 21.1-22.16), dos levitas (Nm 8.5-26), e do lugar sagrado de adoração (Dt 12); e (4) regras relativas às festividades e convocações sagradas (Lv 23). Os nazireus (q.v.), pelo seu voto de total separação ao Senhor, resumiam uma vida de SANTIDADE cerimonial (Nm 6). Os estudiosos que comparam as religiões atribuem muitas passagens qodesh das Escrituras ao conceito primitivo de um tabu: assuntos divinamente potentes que deveriam ser deixados à parte. Superstições como estas não são dignas do Antigo Testamento, mas algo parece ser verdade, os objetos sagrados permanentemente separados para DEUS, eram chamados de herem, ou coisas “dedicadas”. DEUS ordenou a Israel que tomassem aquilo que os de Canaã consideravam qodesh ou tabu para torná-los herem, “dedicados” seja à destruição ou, se valioso ao serviço do Senhor, para uso sagrado (Js 6.17-19);

Pureza moral.

Uma vez que essa associação cerimonial e essa comunhão trazida pela aliança estão relacionadas ao DEUS que também é justo e completamente isento de pecado, a SANTIDADE adquire o significado de separação do pecado (Is 52.11; 2 Cr 6.17) e conformidade com os padrões morais de DEUS (Lv 20.7,8; Mt 5.48; 1 Pe 1.15,16). Desde o início, a vontade de DEUS se opôs ao pecado e procurou a justiça na raça humana (Gn 6.5,6). E a integridade moral ou a pureza de DEUS que o leva a se separar totalmente do mal (He 1.13). Portanto, a SANTIDADE de DEUS é, por um lado, a total libertação do mal moral, e, por outro, é a absoluta perfeição moral. Sua maior revelação é sobre o caráter completamente isento de pecado, e a obra de JESUS CRISTO {veja os artigos a respeito de CRISTO). Pela SANTIDADE de DEUS não fica claro que Ele esteja sujeito a alguma lei ou a algum padrão de excelência moral e perfeição exterior a Si mesmo, mas que toda lei e perfeição moral têm sua base eterna e imutável na sua própria natureza. Neste sentido, os SANTOS cantarão sem restrições: “Porque só tu és santo” (Ap 15.3,4). O castigo para as infrações morais do homem, em última análise, deriva do fato da SANTIDADE de DEUS (Ez 38.16,23; Am 4.2). A maior perda com tal castigo é sua separação do favor e da presença divina. No chamado de Isaías, a reação natural do profeta à SANTIDADE de DEUS (Is 6.3) foi a de experimentar a convicção sobre seu próprio pecado e a consciência de ser imperfeito (v. 5), de estar perdido, excluído ou arruinado (em hebraico, nidmeti). No entanto, sua submissão resultou no seu perdão e na imputação de uma SANTIDADE moral sobre sua pessoa através da expiação (“a tua iniquidade foi tirada, e purificado o teu pecado [heb. tfkuppar]”, v. 7).

2. A Igreja.

O Novo Testamento ensina que o crente é santificado de uma forma posicionai perante DEUS, com a SANTIDADE de CRISTO imputada a si, na ocasião da sua conversão, pela virtude do seu ser apresentado “em CRISTO” (1 Co 1.2,30). Ele está sendo santificado experimentalmente ao continuar contando com sua posição em CRISTO, recusando-se a permitir que os seus membros pequem, e apresentando-se a DEUS (Rm 6.11-13). Ele deve deliberadamente seguir “a paz com todos e a SANTIFICAÇÃO, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). Em última instância, ele será santificado no sentido de uma completa conformidade com CRISTO na glorificação (Rm 8.30,31). Veja SANTIFICAÇÃO. Como consequência, a SANTIDADE é a marca característica de um crente, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Aquele que está no lugar santo para adorar a DEUS deve ter as mãos limpas e um coração puro, e não deve ter jurado enganosamente (SI 24.3,4). Para habitar no monte santo de DEUS – em Sua presença – o crente deve caminhar com integridade (praticar a justiça) e não fazer mal ao seu próximo (SI 15). DEUS “nos elegeu nele [em CRISTO] antes da fundação do mundo, para que fôssemos SANTOS e irrepreensíveis diante dele” (Ef 1.4). A nossa SANTIFICAÇÃO é a vontade direta e perfeita de DEUS para nós (1 Ts 4.3). Dessa forma, qualquer atividade da vida torna-se santa para os cristãos e também para Israel. Pois, quando o objetivo de um homem é o de estar em conformidade com a vontade de DEUS, que executa a justiça moral sem parcialidade, a vida não pode ser dividida entre o que é secular e o que é sagrado. Semelhantemente, CRISTO tratou os mandamentos como sendo um único. “Amarás ao Senhor, teu DEUS, de todo o teu coração… e ao teu próximo como a ti mesmo… faze isso…” (Lc 10.27,28), e ilustrou seu ensino com a parábola do Bom Samaritano. A motivação que determina a nossa conduta ética e religiosa deve ser aquela que nos leva a responder à graça de DEUS, uma motivação que não é voltada a uma recompensa, mas que visa a gratidão.

3. Uma exigência natural.

É uma exigência natural de DEUS a santificação de seus escolhidos. Os filhos devem se parecer com seu pai. A possibilidade de termos uma vida santa é clara, pois temos o ESPÍRITO SANTO morando em nós. Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pe 1.15,16) Devemos manter distância das práticas pecaminosas dos povos a nossa volta. Idolatria e prostituição não devem ser nem mencionados em nosso arraial, se referindo a crentes.

III – A POSSIBILIDADE DE TERMOS UMA VIDA SANTA

Santificação é um ato divino que também ocorre dentro do homem, refletindo logo em seu exterior. Daí a diferença entre santidade – um estado – e justiça – santidade prática, de vida (Lc 1.75). Na operação divina da conversão, a santidade de CRISTO passa a ser a nossa santidade (Cl 2.10; 1Co 2.30; Hb 10.10,14 e Rm 8.2). Seus méritos são creditados à nossa conta. Estamos tratando da santificação posicional em CRISTO, não da santificação progressiva, no viver diário do crente, como mostrada em 2 Coríntios 7.1 e Apocalipse 22.1.

O resultado da santificação, operada na conversão, é a mudança de vida.
A salvação considerada sob estes três aspectos simultâneos é perfeita. É a salvação no sentido objetivo. Estamos em CRISTO (2Co 5.17 e Jo 15.4). Nunca seremos mais salvos do que somos agora. CRISTO não fará mais nada para salvar-nos além do que já fez. Ele já fez tudo o que era preciso e possível. Aí está o perigo do pecador rejeitar a CRISTO, pois não haverá outro plano divino de Salvação. O atual é eterno (2Tm 1.9 e Ef 3.11). Nem mais outro sacrifício expiatório terá lugar, pois o de JESUS foi perfeito e completo (Hb 9.26; 10.10,12).
Pela santificação em CRISTO, o crente é declarado santo. Por ela, o crente entra em boas relações com DEUS quanto à sua na¬tureza, pois Ele é santo (1Pe 1.16 e 2Tm 2.21).
Estas três bênçãos – justificação, regeneração e santificação – são simultâneas, no sentido objetivo. As três constituem a plena Salvação em CRISTO (2Co 5.17).

A Salvação na experiência humana

Quando falamos de salvação na experiência humana, estamos falando de salvação no sentido subjetivo. O homem como recipiendário e DEUS como o doador. É salvação vista na experiência humana. Considerada a salvação sob este aspecto, ela tem três tempos: no passado, justificação; no presente, santificação; no futuro, glorificação.
a) No passado – justificação: É a salvação da condenação do pecado. O crente foi salvo da condenação do pecado. A Bíblia descreve este fato como ato passado (Rm 5.1 e 1Co 6.11). Justificação é o que DEUS fez por nós. O crente foi justificado uma só vez. Daí em diante o que ocorrerá é a purificação (1Jo 1.9 e Jo 13.10). b) No presente – santificação: É a salvacão do domínio e influência do pecado. Santificação bíblica significa basicamente separação para uso e posse de DEUS. Uma boa definição é a de Paulo em Atos 27.23: “…do Senhor, de quem sou e a quem sirvo”. Santificação não é apenas a pessoa pertencer a DEUS, mas também servi-lo. Se o leitor é um santo de DEUS, certamente está servindo a DEUS. Há muita santificação por aí que pode ser tudo, menos bíblica. A santificação posicional, deve tornar-se experimental no viver diário do crente. A santificação é primeiramente interna, isto é, pureza interior, purificação do pecado, refletindo isso em nosso exterior, traduzido em separação do pecado e dedicação a DEUS. É um termo ligado ao culto a DEUS e consagração ao seu serviço, conforme se vê no livro de Levítico, através de pessoas e coisas, sacerdotes, templo, objetos etc. Quem pensa ser santo deve ser separado do mal e dedicado a DEUS para seu uso (2Tm 2.21). A santificação, como acabamos de ver, tem um lado posicional e outro prático: um santo viver. A justiça é comparada a um vestido (Jó 29.14 e Is 59.17). Mas o corpo, que recebe esse vestido, como deve estar? É razoável um vestido limpo em corpo sujo? A santificação é o que DEUS faz em nós. Nesse sentido, a salvação é progressiva. Uma criança nova é perfeita, mas não é adulta. Uma frutinha é também perfeita ao formar-se, mas não é madura (Ef 4.13). Tendo sido justificado, o crente progride e prossegue para a perfeição, de que em seguida nos ocuparemos. Portanto, ao estudarmos a santificação precisamos vê-la quanto à posição do crente em JESUS CRISTO, e quanto ao estado do crente em si mesmo. c) No futuro – glorificação: Será a salvação da presença do pecado em nossa vida. A glorificação é a inteira conformação com JESUS CRISTO (Rm 8.23 e 1Jo 3.2). É a perfeição do crente. Na glorificação, a salvação envolverá o corpo físico, então glorificado. Estaremos ressuscitados. Estaremos no Céu (Rm 13.11; 2Co 5.2,4; Fp 2.12 e Hb 9.2). Será redenção do corpo (Rm 8.23). A glorificação será o que DEUS fará conosco. Pr. Antônio Gilberto – CPAD.

1. A SANTIFICAÇÃO posicional. Todos aqueles que são regenerados ou salvos são posicionalmente vistos como totalmente santificados em CRISTO. Por esta razão, embora o apóstolo Paulo tenha censurado o cristianismo dos coríntios, classificando-o como carnal (1 Co 5.1; 6.1-8), ele ainda diz que eles são santificados em JESUS CRISTO e chamados de SANTOS (1 Co 1.2; 6.11; cf. At 20.32; Hb 10.10; 1 Pe 1.2; Jd 1). O livro aos Hebreus funciona como uma ponte entre este aspecto e a SANTIFICAÇÃO experimental que vem a seguir (Hb 2.17; 9.13ss.; 12.14). Uma vez que o conhecimento da SANTIFICAÇÃO posicional depende de uma compreensão mental da verdade bíblica, ele possui uma natureza instantânea, “de uma vez por todas”, como ocorre na percepção de todos os outros conhecimentos, os quais alguns confundem com a própria perfeição.

2. A SANTIFICAÇÃO real. Santificação Real ou Experimental. No desenvolvimento de uma vida santificada, os cristãos consideram sua posição em CRISTO da maneira como ela é expressa em algumas passagens como Romanos 6.2-10 e Colossenses 2.9-13 (cf. 2 Ts 2.13; 1 Pe 1.2). O próprio Senhor JESUS CRISTO expressa os ensinos básicos da SANTIFICAÇÃO em Mateus 5.17-48, e Paulo o faz em Romanos 6-8. O crente deve ser santo (Êx 19.6; Lv 11.44; 1 Pe 1.15), mas seu crescimento na SANTIFICAÇÃO repousa na dependência de sua posição, e em sua entrega, momento a momento, à vontade de DEUS e à disposição de andar no caminho do Senhor. Uma vez que DEUS escolheu deixar que o crente ainda tivesse em si mesmo a natureza caída (Rm 7; Gl 5.17ss.), nenhum de nós poderá alcançar a perfeição até que esta natureza seja finalmente removida; na melhor hipótese, o que cada cristão pode fazer é progredir em direção à perfeição. Só podemos crescer em santificação ao nos aproximar de DEUS. ELE é santo e nossa comunhão com ELE nos tornará cada dia mais santo.

3. A SANTIFICAÇÃO futura. Futura ou Final. No momento em que o Senhor vier arrebatar sua Igreja, a natureza caída será completamente removida e cada crente receberá o corpo da ressurreição, será glorificado, e se tornará semelhante ao Salvador (Rm 8.29,30; 1 Jo 3.1-3; Jd 24).

4. É possível ser santo? Evidente que sim. Somos novas criaturas,. Somos nascidos de novo, devemos nos parecer com nosso salvador e pedirmos ajuda ao ESPÍRITO SANTO que em nós habita. Já estou crucificado com CRISTO; e vivo, não mais eu, mas CRISTO vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de DEUS, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim. Gálatas 2:20

Meios de SANTIFICAÇÃO

O meio externo é a Palavra de DEUS. O Senhor JESUS CRISTO orou: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17). Uma vez que Ele concedeu as Escrituras através de sua inspiração, Ele nunca trabalha contra, mas sim através delas. O meio interno é a presença e a direção do ESPÍRITO SANTO em nossos corações. É Ele quem mantém a lei de DEUS, assim como foi revelada por Ele mesmo, em nós e através de nós. “Porquanto, o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, DEUS, enviando seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne, para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o ESPÍRITO” (Rm 8.3,4). Esta é a chave para o ESPÍRITO e a própria vida cheia do ESPÍRITO. Como conclusão, a suprema obra de DEUS pelo seu ESPÍRITO e pela ação responsiva do homem, devem ser combinados em uma visão adequada da SANTIFICAÇÃO (Fp 2.12,13).

CONCLUSÃO

A santidade de DEUS é completa e indiscutível. No NT a palavra hebraica é qadosh, “santo”; qodesh, “Santidade; e no NT a palavra grega é hagios e hagiosyne.  DEUS tem todo o direito de nos cobrar a santificação e a exclusividade de nossa vida para ELE, pois ELE é santo. Temos a necessidade de termos uma vida santa. Israel foi chamado e separado para DEUS que tinha em vista JESUS nascendo desta família. A igreja foi escolhida e capacitada para pregar o evangelho da salvação em JESUS. É uma exigência natural de DEUS a santificação de seus escolhidos.  A possibilidade de termos uma vida santa é clara, pois temos em nós o ESPÍRITO SANTO morando. A santificação posicional é instantânea e acontece no momento de nossa conversão. A santificação real é progressiva e exige de nós a separação de tudo o que não visa com a santidade de DEUS. A santificação futura ocorrerá no momento do arrebatamento, quando seremos transformados e estaremos daí para frente eternamente com DEUS. É possível ser santo? Evidente que sim. Somos novas criaturas,. Somos nascidos de novo, devemos nos parecer com nosso salvador e pedirmos ajuda ao ESPÍRITO SANTO que em nós habita.

 

COMENTÁRIOS DE DIVERSOS AUTORES, BÍBLIAS, COMENTÁRIOS DICIONÁRIOS BÍBLICOS

SANTO – Strong Português) – αγιος – hagios – de hagos (uma coisa grande, sublime)
1) algo muito santo; um santo
  SANTIFICAÇÃO – Strong Português – αγιασμος hagiasmos
1) consagração, purificação
2) o efeito da consagração
2a) santificação de coração e vida

SANTIFICAÇÃO – ἁγιασμός, οῦ ὁ. (Léxico do NT Gingrich) ἁγιασμός (hagiasmos), οῦ (ou) ὁ (ho). G38 gen. ους santidade, santificação, consagração Rm 6.191 Tm 2.15. Outorgada por DEUS em (através de) CRISTO 1 Co 1.30. Santidade, consagração, santificação, dedicação: מַרְגּוֹע, Je. 6:16Ro. 6:19Ro. 6:221 Co. 1:301 Ts. 4:31 Ts. 4:41 Ts. 4:72 Ts. 2:131 Ti. 2:15He. 12:141 Pe 1:2.

SANTIFICAÇÃO (Dicionário Almeida) Ato, estado e processo de se tornar SANTO (Rm 6.19-22; 1Ts 4.1-7). É realizada na vida do salvo pela ação do ESPÍRITO SANTO (2Ts 2.13; 1Pe 1.2).

SANTIFICAÇÃO – Dicionário Teológico – Claudionor Correia de Andrade – [Do lat. sanctificatio] Separação do mal e do pecado, e dedicação ao serviço do Reino de DEUS. É a forma pela qual o filho de DEUS aperfeiçoa-se à semelhança do Pai Celeste (Lv 11.44). A SANTIFICAÇÃO só é possível através da Palavra de DEUS e mediante o sangue de CRISTO (Jo 17.17I Jo 1.7).

SANTIFICAÇÃO E A ALIANÇA MOSAICA – DICIONÁRIO WYCLIFFE Esta baseava-se no amor e na graça e não simplesmente em poder. Além disso, ela tinha como objetivo a salvação dos eleitos de DEUS, e não a mera submissão e obediência. Voltando ao significado e à importância espiritual dessa aliança, podemos concluir que o elemento condicional é prioritário em relação ao elemento incondicional. Será que está sendo ensinada a expressão “faze isso e viverás” (cf. Lc 10.28) no sentido de que a vida eterna para o crente do AT dependia de se guardar a lei de DEUS? Se fosse, as obras seriam de valor meritório até que viesse a cruz! Ou será que DEUS queria dizer que deveriam viver à luz da lei? O Senhor JESUS CRISTO, no Sermão do Monte, ensinou esta segunda visão quando expôs vários mandamentos e disse: “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5.48). Ele aplicou a lei com o propósito da contínua SANTIFICAÇÃO do crente e não para a sua justificação. Em Levítico 18.5 é feita a mesma aplicação da lei: “Os meus estatutos e os meus juízos guardareis; os quais, fazendo-os o homem, viverá por eles” (ou seja, naquele âmbito). Quando vemos que esta aliança começa com a graça: “Eu sou o Senhor, teu DEUS, que te tirei da terra do Egi-to, da casa da servidão” (Êx.20.2), e acrescentamos a isto uma consideração dos fatos descritos acima, somos levados a vê-la como uma aliança cheia de graça. A aliança Mosaica, então, torna-se tanto um aio que tem a função de nos trazer a CRISTO, onde todos os tipos de aliança apontam para ele, como um padrão para guiar o comportamento dos crentes do AT e dos cristãos. 4. Aliança Palestina (Dt 29-30). Embora seja uma parte da renovação da aliança Mosaica, esta aliança é considerada por alguns separadamente. As partes são DEUS e Israel, as condições são que DEUS abençoará Israel se a nação permanecer fiel a Ele, e Ele a amaldiçoará se ela se virar contra Ele, como expresso nas bênçãos e maldições promulgadas do Monte Gerizim e do Monte Ebal (Dt 27.9ss.). Os resultados, depois de todas as bênçãos e maldições terem sido vivenciadas por Israel no decorrer da sua história, são aqueles ocorridos se e quando a nação se arrepender. DEUS a reunirá das partes mais distantes da terra, reestabelecerá a aliança e a abençoará. A garantia da aliança encontra-se nas ordenanças ao céu e à terra (Dt 30.19). Esta aliança tem um aspecto unilateral -promessas e recompensas pela manutenção da aliança, e maldições como consequência de sua quebra. A garantia era dada para se ter a certeza de que aconteceria o arrependimento da nação de Israel (Dt 30.1-10). Ainda há um aspecto bilateral – Israel tem de se arrepender. Este arrependimento ocorrerá por causa da graça soberana de DEUS na vida dos judeus quando JESUS voltar (Zc 12.10-14; 13.6; cf. Is 66.19,20). As ordenanças de DEUS levam em consideração tanto o que o homem fará em sua liberdade quanto o que DEUS planeja fazer em sua soberana graça; estes dois elementos aparecem na aliança Palestina. DICIONÁRIO WYCLIFFE

SANTIDADE – SANTIFICAÇÃO – SANTIFICAR, SANTIFICADO – DICIONÁRIO WYCLIFFE SANTIDADE, SAGRADO As palavras hebraicas qadosh, “santo”; qodesh, “SANTIDADE; e a palavra grega hagios e hagiosyne significam basicamente a separação do que é comum ou impuro, e a consagração a DEUS (Lv 20.24-26; At 6.13; 21.28). Da ideia básica da separação do profano (Lv 10.10; Ez 22.26) derivam três aspectos de SANTIDADE encontrados nas Escrituras:

1. Divindade. Como DEUS é transcendente e independente do universo que criou (1 Rs 8.27), Ele está separado dos seus habitantes e é temido por eles (por exemplo, Êx 19.10-25; 20.18-21). Desta forma, a SANTIDADE torna-se equivalente à verdadeira Divindade, separando-o da impotência dos deuses dos egípcios derrotados (Êx 15.11). “Ó Senhor, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu, glorificado em SANTIDADE…?” O termo “SANTO”, em muitos trechos, é sinônimo de “divino”. “Não há santo [exclusivamente divino] como é o Senhor; porque não há outro fora de ti” (1 Sm 2.2; cf. SI 99.3,5,9; Is 40.25; He 3.3). Pelo fato do Senhor ser SANTO, o verdadeiro DEUS e, portanto, infinito, não é possível esquadrinhar seu entendimento (Is 40.28; SI 145.3). A SANTIDADE, portanto, é o que caracteriza DEUS, e ela inclui todos os seus outros atributos.

2. Divindade. Embora seja verdade que DEUS, como “o Alto e o Sublime” habita “em um alto e santo lugar”, Ele também está com “o contrito e humilde de espírito” (Is 57.15). Isto significa que DEUS compartilha sua SANTIDADE com aqueles que fazem parte do relacionamento da aliança com Ele. Eles também estão separados do mundo ao seu redor, porque foram trazidos para junto de DEUS (Ex 19.4-6; 33.16; Lv 11.44,45; 1 Rs 8.53). Desta forma, a SANTIDADE divina não é exclusiva, mas DEUS estende sua mão para alcançar outras pessoas e trazê-las ao seu estado, e à separação do mundo material que Ele criou. Israel, portanto, é uma nação santa (Êx 19.6) e no Novo Testamento os crentes são chamados de SANTOS (do grego hagioi, literalmente “SANTOS”, Romanos 1.7), e de “nação santa” (1 Pe 2.9). Os objetos cerimoniais também são classificados como SANTOS ou sagrados, dedicados inteiramente ao uso de DEUS. Assim, o Tabernáculo foi santificado pela glória shekinah de DEUS (Êx 29.43-45; 40.34,35; SI 93.5), especialmente o SANTO dos SANTOS (q.v.). Os sacerdotes tinham vestes santas (Êx 28.2). O lugar onde DEUS apareceu a Moisés na sarça ardente era um solo sagrado (ou uma “terra santa”; Êx 3.5). Tal SANTIDADE não possuía uma qualidade essencialmente moral. Como um exemplo extremo do significado da raiz da palavra hebraica, a prostituta do Templo de Canaã era chamada uma q’desha (Dt 23.17) porque ela era separada para este cerimonial religioso. As guerras eram “santificadas” (Jl 3.9), declaradas santas ou separadas para punir os inimigos de DEUS. A SANTIDADE cerimonial poderia ser temível, pois a morte poderia seguir ao contato com DEUS (Êx 33.20; Jz 6.22ss.; 13.22ss.; Is 6.5). Os homens de Bete-Semes, golpeados por profanarem a arca por terem olhado para o seu interior, gritaram. “Quem poderia estar em pé perante o Senhor, este DEUS santo?” (1 Sm 6.20). Quando Davi estava trazendo a arca a Jerusalém, Uzá foi morto instantaneamente, simplesmente por ter tocado a arca para equilibrá-la (2 Sm 6.6,7). Como parte do santo relacionamento da aliança com DEUS, Moisés prescreveu rituais de purificação preparatórios para as cerimônias sagradas (Êx 19.14; 29.4; Lv 12-15). Algumas das cerimônias e leis incluíam: (1) consagração do primogênito (Êx 13.2,12ss.; 22.29ss.), e oferta de todos os primeiros animais e dos primeiros frutos (Dt 26.1-11); (2) distinção entre os alimentos puros e impuros (Lv 11; Dt 14); (3) regras com respeito à SANTIDADE dos sacerdotes (Lv 21.1-22.16), dos levitas (Nm 8.5-26), e do lugar sagrado de adoração (Dt 12); e (4) regras relativas às festividades e convocações sagradas (Lv 23; veja Festividades). Os nazireus (q.v.), pelo seu voto de total separação ao Senhor, resumiam uma vida de SANTIDADE cerimonial (Nm 6). Os estudiosos que comparam as religiões atribuem muitas passagens qodesh das Escrituras ao conceito primitivo de um tabu: assuntos divinamente potentes que deveriam ser deixados à parte. Superstições como estas não são dignas do Antigo Testamento, mas algo parece ser verdade, os objetos sagrados permanentemente separados para DEUS, eram chamados de herem, ou coisas “dedicadas”. DEUS ordenou a Israel que tomassem aquilo que os de Canaã consideravam qodesh ou tabu para torná-los herem, “dedicados” seja à destruição ou, se valioso ao serviço do Senhor, para uso sagrado (Js 6.17-19). Veja Amaldiçoado; Devoto. 3. Pureza moral. Uma vez que essa associação cerimonial e essa comunhão trazida pela aliança estão relacionadas ao DEUS que também é justo e completamente isento de pecado, a SANTIDADE adquire o significado de separação do pecado (Is 52.11; 2 Cr 6.17) e conformidade com os padrões morais de DEUS (Lv 20.7,8; Mt 5.48; 1 Pe 1.15,16). Desde o início, a vontade de DEUS se opôs ao pecado e procurou a justiça na raça humana (Gn 6.5,6). E a integridade moral ou a pureza de DEUS que o leva a se separar totalmente do mal (He 1.13). Portanto, a SANTIDADE de DEUS é, por um lado, a total libertação do mal moral, e, por outro, é a absoluta perfeição moral. Sua maior revelação é sobre o caráter completamente isento de pecado, e a obra de JESUS CRISTO {veja os artigos a respeito de CRISTO). Pela SANTIDADE de DEUS não fica claro que Ele esteja sujeito a alguma lei ou a algum padrão de excelência moral e perfeição exterior a Si mesmo, mas que toda lei e perfeição moral têm sua base eterna e imutável na sua própria natureza. Neste sentido, os SANTOS cantarão sem restrições: “Porque só tu és santo” (Ap 15.3,4). O castigo para as infrações morais do homem, em última análise, deriva do fato da SANTIDADE de DEUS (Ez 38.16,23; Am 4.2). A maior perda com tal castigo é sua separação do favor e da presença divina. No chamado de Isaías, a reação natural do profeta à SANTIDADE de DEUS (Is 6.3) foi a de experimentar a convicção sobre seu próprio pecado e a consciência de ser imperfeito (v. 5), de estar perdido, excluído ou arruinado (em hebraico, nidmeti). No entanto, sua submissão resultou no seu perdão e na imputação de uma SANTIDADE moral sobre sua pessoa através da expiação (“a tua iniquidade foi tirada, e purificado o teu pecado [heb. tfkuppar]”, v. 7). O Novo Testamento ensina que o crente é santificado de uma forma posicionai perante DEUS, com a SANTIDADE de CRISTO imputada a si, na ocasião da sua conversão, pela virtude do seu ser apresentado “em CRISTO” (1 Co 1.2,30). Ele está sendo santificado experimentalmente ao continuar contando com sua posição em CRISTO, recusando-se a permitir que os seus membros pequem, e apre-sentando-se a DEUS (Rm 6.11-13). Ele deve deliberadamente seguir “a paz com todos e a SANTIFICAÇÃO, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). Em última instância, ele será santificado no sentido de uma completa conformidade com CRISTO na glorificação (Rm 8.30,31). Veja SANTIFICAÇÃO. Como consequência, a SANTIDADE é a marca característica de um crente, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Aquele que está no lugar santo para adorar a DEUS deve ter as mãos limpas e um coração puro, e não deve ter jurado enganosamente (SI 24.3,4). Para habitar no monte santo de DEUS – em Sua presença – o crente deve caminhar com integridade (praticar a justiça) e não fazer mal ao seu próximo (SI 15). DEUS “nos elegeu nele [em CRISTO] antes da fundação do mundo, para que fôssemos SANTOS e irrepreensíveis diante dele” (Ef 1.4). A nossa SANTIFICAÇÃO é a vontade direta e perfeita de DEUS para nós (1 Ts 4.3). Dessa forma, qualquer atividade da vida tor-na-se santa para os cristãos e também para Israel. Pois, quando o objetivo de um homem é o de estar em conformidade com a vontade de DEUS, que executa a justiça moral sem parcialidade, a vida não pode ser dividida entre o que é secular e o que é sagrado. Semelhantemente, CRISTO tratou os mandamentos como sendo um único. “Amarás ao Senhor, teu DEUS, de todo o teu coração… e ao teu próximo como a ti mesmo… faze isso…” (Lc 10.27,28), e ilustrou seu ensino com a parábola do Bom Samaritano. A motivação que determina a nossa conduta ética e religiosa deve ser aquela que nos leva a responder à graça de DEUS, uma motivação que não é voltada a uma recompensa, mas que visa a gratidão.

SANTIFICAÇÃO Palavra derivada do lat. sanctus; do verbo heb. qadash, “ser separado, consagrado”; do substantivo grego hagiasmos, “consagração”, “purificação”, “SANTIFICAÇÃO”; do verbo hagiazo, “santificar”, “separar das coisas profanas ou consagrar”, “purificar ou santificar”. O breve catequismo de Westminster define a SANTIFICAÇÃO como “a obra da livre graça de DEUS, pela qual somos renovados na totalidade de nosso ser, conforme a imagem de DEUS, e nos tornamos cada vez mais capacitados a morrer para o pecado e viver para a justiça”. Esta definição, no entanto, apesar de útil ao chamar a atenção à graça soberana de DEUS, assim como à responsabilidade de cada cristão, tende a confundir a regeneração com a SANTIFICAÇÃO. As principais ideias relacionadas à SANTIFICAÇÃO são a separação daquilo que é pecaminoso, por um lado, e, por outro, a consagração àquilo que é justo e que está de acordo com a vontade de DEUS. A SANTIFICAÇÃO precisa ser distinguida da justificação. Na justificação, DEUS atribui ao crente, no momento em que recebe a CRISTO, a própria justiça de CRISTO, e a partir de então vê esta pessoa como se ela tivesse morrido, sido sepultada e ressuscitada em novidade de vida em CRISTO (Rm 6.4-10). É uma mudança que ocorre “de uma vez por todas” na condição legal ou judicial da pessoa diante de DEUS. A SANTIFICAÇÃO, em contraste, é um processo progressivo que ocorre na vida do pecador regenerado, momento a momento. Na SANTIFICAÇÃO ocorre uma cura substancial da separação que havia ocorrido entre DEUS e o homem, entre o homem e os seus companheiros, entre o homem e si mesmo, e entre o homem e a natureza.

Visões Variadas

Três principais visões precisam ser mencionadas:

1. SANTIFICAÇÃO

Batismal. Esta é a visão católica romana, que defende que no batismo é removida não somente a culpa, mas também a depravação do pecado. Esta afirmação é certamente negada pelo próprio ensino católico romano de que os pecados seguintes devem ser constantemente confessados no confessionário, perdoados pelo sacerdote e removidos por meio de penitências.

2. Perfeccionismo. Aqueles que defendem esta visão ensinam que o cristão pode tornar-se perfeitamente santificado, ou chegar à perfeição nesta vida. Para que esta convicção seja sustentada, é necessário minimizar, de alguma forma, as exigências tenazes da lei, como, por exemplo, exigir a obediência somente até o limite de nossa habilidade humana (Finney); a obediência ao novo mandamento ou lei de CRISTO; o mero exercício do amor em tudo o que fizermos (Paul Tillich). Tais interpretações das exigências de DEUS falham em satisfazer a própria aplicação do sexto e do sétimo mandamento que o Senhor JESUS CRISTO fez em Mateus 5.17-48, onde, em sua exegese, o próprio Senhor determina que estas duas leis são a base de uma perfeição na qual somos exortados a nos tornarmos perfeitos como o nosso Pai Celestial (v. 48). Os metodistas, e outras igrejas cristãs da tradição Arminiana ou Wesleiana em geral, ensinam, de alguma forma, o perfeccionismo. 3. SANTIFICAÇÃO Progressiva. Esta é uma visão de Calvino e de todos os cristãos que defendem uma teologia Reformada. Esta só pode ser corretamente entendida quando se percebe que ela destaca que a SANTIFICAÇÃO, conforme ensinada na Bíblia Sagrada, aparece em três aspectos.

a. Posicional. Todos aqueles que são regenerados ou salvos são posicionalmente vistos como totalmente santificados em CRISTO. Por esta razão, embora o apóstolo Paulo tenha censurado o cristianismo dos coríntios, classificando-o como carnal (1 Co 5.1; 6.1-8), ele ainda diz que eles são santificados em JESUS CRISTO e chamados de SANTOS (1 Co 1.2; 6.11; cf. At 20.32; Hb 10.10; 1 Pe 1.2; Jd 1). O livro aos Hebreus funciona como uma ponte entre este aspecto e a SANTIFICAÇÃO experimental que vem a seguir (Hb 2.17; 9.13ss.; 12.14). Uma vez que o conhecimento da SANTIFICAÇÃO posicionai depende de uma compreensão mental da verdade bíblica, ele possui uma natureza instantânea, “de uma vez por todas”, como ocorre na percepção de todos os outros conhecimentos, os quais alguns confundem com a própria perfeição.

b. Experimental. No desenvolvimento de uma vida santificada, os cristãos consideram sua posição em CRISTO da maneira como ela é expressa em algumas passagens como Romanos 6.2-10 e Colossenses 2.9-13 (cf. 2 Ts 2.13; 1 Pe 1.2). O próprio Senhor JESUS CRISTO expressa os ensinos básicos da SANTIFICAÇÃO em Mateus 5.17-48, e Paulo o faz em Romanos 6-8. O crente deve ser santo (Êx 19.6; Lv 11.44; 1 Pe 1.15), mas seu crescimento na SANTIFICAÇÃO repousa na dependência de sua posição, e em sua entrega, momento a momento, à vontade de DEUS e à disposição de andar no caminho do Senhor. Uma vez que DEUS escolheu deixar que o crente ainda tivesse em si mesmo a natureza caída (Rm 7; Gl 5.17ss.), nenhum de nós poderá alcançar a perfeição até que esta natureza seja finalmente removida; na melhor hipótese, o que cada cristão pode fazer é progredir em direção à perfeição.

c. Final. Quando o crente partir para estar com CRISTO, ou no momento em que o Senhor vier arrebatar sua Igreja – o que ocorrer primeiro – a natureza caída será completamente removida e cada crente receberá o corpo da ressurreição, será glorificado, e se tornará semelhante ao Salvador (Rm 8.29,30; 1 Jo 3.1-3; Jd 24).

Meios de SANTIFICAÇÃO O meio externo é a Palavra de DEUS. O Senhor JESUS CRISTO orou: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17). Uma vez que Ele concedeu as Escrituras através de sua inspiração, Ele nunca trabalha contra, mas sim através delas. O meio interno é a presença e a direção do ESPÍRITO SANTO em nossos corações. E Ele quem mantém a lei de DEUS, assim como foi revelada por Ele mesmo, em nós e através de nós. “Porquanto, o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, DEUS, enviando seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne, para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o ESPÍRITO” (Rm 8.3,4). Esta é a chave para o ESPÍRITO e a própria vida cheia do ESPÍRITO. Como conclusão, a suprema obra de DEUS pelo seu ESPÍRITO e pela ação responsiva do homem, devem ser combinados em uma visão adequada da SANTIFICAÇÃO (Fp 2.12,13).

SANTIFICAR, SANTIFICADO Essas duas palavras (e também o termo “santo”) significam basicamente “estar purificado”, no aspecto moral e cerimonial e, portanto, “santificado”. Essas palavras são usadas para pessoas ou coisas escolhidas e separadas para DEUS. O Sábado era santificado (Ex 20.11), assim como os sacerdotes (Êx 29.1), o Tabernáculo e seus utensílios (Êx 40.9) e o Templo de Salomão (1 Rs 9.3). DEUS é completamente e perfeitamente SANTO, e Ele santifica seu povo (Lv 22.32) incluindo os primogênitos (Nm 3.13).

SANTO O termo “santo” na Bíblia Sagrada é a tradução de duas palavras hebraicas {hasid e kadosh) e uma grega (hagios) nos textos em Salmo 30.4; 106.16; Romanos 1.7. Há versões que diferenciam as palavras hebraicas traduzindo hasid como “SANTOS” (por exemplo, Salmo 132.9), e “fiéis” (por exemplo, Salmos 50.5; 149.1,5,9), enquanto kasosh é algumas vezes traduzido como “santo” (por exemplo, Salmos 16.3) e outras vezes como “dedicado” (Êx SI 106.16). Por definição, hasid significa “pio”; daí vem a designação dos piedosos adoradores do Senhor (1 Sm 2.9; 2 Cr 6.41; SI 30.4; 31.23; 37.28; 50.5; 52.9; 79.2; 85.8; 97.10; 116.15; 132.9,16; 145.10; 148.14; 149.1,5,9). Por definição kasosh significa “santo”, “puro” ou “limpo”; por isso, é especialmente apropriado para descrever os indivíduos consagrados ao serviço do Senhor: sacerdotes (SI 106.16; Êx 28.41-29.1; Lv 21.6; 1 Sm 7.1), anjos (Dt 33.2,3) e os primogénitos (Êx 13.2). Alguns acreditam que hasid em certos Salmos (79.2; 97.10; 149.5,9) representa o conceito de “fiéis” durante as intensas lutas do período macabeu, quando os hasidim eram os leais, os nacionalistas, aqueles que eram estritamente separados para a adoração ao Senhor. Alguns professaram ter encontrado uma importância escatológica em Daniel (7.21,22), onde o termo kadosh descreve os SANTOS que receberam o reino no grande dia do justo julgamento do Senhor. O termo kadosh também é aplicado a lugares sagrados (Êx 29.31; Lv 6.16), a dias SANTOS (Ne 8.10,11), e ao próprio Senhor como aquele que é “Santíssimo” (Os 11.9; Js 24.19; Pv 9.10). Na Septuaginta (LXX), o termo hasid é traduzido principalmente como hosios, que por definição significa “incontaminado pelo pecado”, “livre de impiedade”, ou “aquele que observa religiosamente cada obrigação moral”. Por esta razão, o termo veio representar aqueles que são santificados ou piedosos. Na LXX kadosh é principalmente traduzido como hagios, que se refere à reverência ou ao temor religioso, portanto àqueles que adoram ao Senhor. No NT, os Evangelhos fazem pouco uso do termo “santo”, que é usado como uma referência ao corpo dos SANTOS ressuscitados (Mt 27.52), e esta pode ser uma referência conforme o uso do AT, àqueles que foram fiéis antes da era do NT. O próprio Senhor JESUS CRISTO é, no entanto, chamado de “o SANTO de DEUS” (Mc 1.24; Lc 1.35). Os cristãos, de um modo geral, são “SANTOS” no uso do NT, e o termo é comum como uma referência aos membros de uma Igreja local (Rm 1.7; 1 Co 1.2; 2 Co 1.1; Ef 1.1; Fp 1.1; Cl 1.2). Outras referências no NT igualam os cristãos, em geral, aos “SANTOS” (2 Co 13.13; Rm 16.15; At 9.13; Hb 13.24; Ap 5.8). Todos os cristãos são identificados como SANTOS, porque estão em JESUS CRISTO. Mantendo o uso tanto do AT como do NT, deve ser observado que aqueles que são chamados SANTOS devem manter-se no mais alto padrão ético na vida (Ef 5.3). Esta atitude é revelada através do amor pelos outros, expresso através de serviços práticos e úteis (vejaRm 12.13; 15.25,26; 16.2; Ef 1.15; Cl 1.4; 1 Tm 5.10; Hb 6.10; 2 Co 8.4; 9.1). Veja Consagração. No NT, os SANTOS de CRISTO devem ser associados com Ele na totalidade de seu triunfo e vitória final, dando um significado escatológico ao termo (1 Ts 3.13; 2 Ts 1.10; 1 Co 6.2,3; Cl 3.4) H. L. D.

SANTUÁRIO  Na Bíblia, é um local à parte, geralmente o local da presença do Senhor entre seu povo. Exemplos são o Tabernáculo de Moisés (Êx 25.8; Lv 16.33) e o Templo de Salomão com seus recintos (1 Cr 22.19; Is 63.18; SI 74.7). O termo heb. qodesh e miqdash (137 vezes) e o gr. hagion (quatro vezes) transmitem a ideia de separação, mais tarde reduzido à “separação do pecado”. Veja SANTIDADE, Santificar. Estes termos são também utilizados para locais pagãos elevados e santuários (Is 16.12; Ez 28.18; Am 7.9). Através de escavações, foi descoberta uma grande variedade de santuários cananeus como em: Megido, Ai, Hazor, Laquis, Siquém, e Bete-Seã, e um santuário israelita dentro de uma fortaleza real em Arade. (Para detalhes veja os artigos sobre estas cidades). Há outros lugares na terra que foram santificados pela presença de DEUS, como: Jerusalém, Sião e Silo, e que são chamados de santuários do Senhor. Mas o céu é especialmente sua santa morada (Dt 26.15; SI 68.4,5); O seu santo Templo (Mq 1.2; He 2.20; Jn 2.4,7); O alto do seu santuário (SI 102.19); e seu santo céu (SI 20.6) onde está o trono da sua SANTIDADE (SI 47.8). De fato, o Salmo 150.1 chama o céu de santuário de DEUS. DEUS ensinou os israelitas como deveriam construir o Tabernáculo (Êx 25-27), instru-indo-os a reverenciá-lo (Lv 19.30) e a não profaná-lo (Lv 21.12,23). As cerimônias da lei Mosaica eram, em parte, uma grande lição objetiva; seu propósito era ensinar à nação algo sobre a SANTIDADE de DEUS e sua completa separação do pecado. Quando Israel caiu em apostasia e seus sacerdotes profanaram o Templo (Sf 3.4), DEUS anunciou através de seus profetas que os adversários de Israel profanariam o santuário (Is 63.18; Jr 51.51; Dn 8.11-14), por Ele o ter rejeitado como lugar de sua presença especial. Veja Lugar SANTO; Tabernáculo; Templo. Aos judeus em cativeiro, DEUS gentilmente declarou: “Lhes servirei de santuário, por um pouco de tempo, nas terras para onde foram” (Ez 11.16; cf. Is 8.14). Ele também prometeu a Israel, “farei com eles um concerto de paz” e “quando estiver o meu santuário no meio deles, para sempre” (Ez 37.26,28). Ezequiel descreve este Templo renovado e ideal nos capítulos 40^18. Ele termina com a visão de um rio de águas que curam, o qual flui do santuário (47.12) onde o Príncipe Messiânico habita (48.21). O NT ensina que o corpo do cristão é, em um sentido real, o santuário de DEUS (por exemplo, 2 Coríntios 6.16). Todavia, o santuário também continua a ser o céu, onde o Senhor JESUS, nosso grande Sumo Sacerdote, “está assentado à destra do trono da Majestade, ministro do santuário e do verdadeiro Tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem” (Hb 8.1,2). E. B. S.

SANTIDADE – Teologia Sistemática – Strong – vol. 1 SANTIDADE é a pureza auto-afirmada. Em virtude deste atributo da sua natureza, DEUS eternamente quer e mantém sua excelência moral. Esta definição contém três elementos: primeiro, pureza; segundo, vontade de pureza; terceiro, vontade de pureza em si mesma. Ex. 15.11 – “glorificado em SANTIDADE”; 19 .10-16 – o povo de Israel deve purificar-se antes de vir a presença de DEUS; Is. 6.3 – “SANTO, santo, santo é o Senhor dos Exércitos” – note o contraste com os lábios impuros, que devem ser purificados com uma brasa tirada do altar (v. 5-7); 2 Co. 7.1 – “purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espirito, aperfeiçoando a SANTIFICAÇÃO no temor de DEUS”; 1 Ts. 3.13 – irrepreensíveis em SANTIDADE”; 4.7 – “DEUS não nos chamou para a imundícia, mas para a SANTIFICAÇÃO”; Hb. 12.29 – “o nosso DEUS e um fogo consumidor” – de toda a iniquidade. Estas passagens mostram que a SANTIDADE se opõe a impureza e que SANTIDADE é pureza. O desenvolvimento do conceito de SANTIDADE na historia hebraica era, sem duvida, gradual. No começo pode ter incluído pouco mais do que a ideia de separação de tudo o que é comum, pequeno e fraco. A limpeza física e a aversão pelo mal moral foram elementos adicionais que, com o tempo tornaram-se dominantes. Contudo devemos lembrar que o sentido próprio de um termo deve ser determinado não pelo uso  primitivo mas pelo recente. A natureza humana e ética desde o começo e procura expressar o pensamento de uma regra ou padrão de obrigação e de um Ser justo que impõe essa regra ou padrão. Aos primeiros conceitos de majestade e separação que se ligam a apreensão da divindade na infância da raca mistura-se ao menos um certo sentido do contraste entre a pureza de DEUS e o pecado do homem. O homem menos desenvolvido tem uma consciência que condena algumas formas de cometer erro, e causa um sentimento de separação entre o poder e os poderes superiores. A contaminação física torna-se um símbolo natural do mal moral. Investem-se lugares e vasos e ritos de dignidade associada com a divindade ou consagrada a ela. O fato de que só aos poucos esse conceito de SANTIDADE purifica-se dos elementos estranhos e não essenciais e recebe expressão plena só na revelação do Novo Testamento e especialmente na vida e obra de CRISTO não nos deve cegar sobre o fato de que os germes da idéia estão bem atrás, no começo da existência do homem na terra. Mesmo aí o sentido de erro interior teve como seu correlato uma justiça exterior obscuramente reconhecida. Tão logo o homem conhece a si mesmo como um pecador, passa a conhecer algo da SANTIDADE do DEUS que ele ofendeu. Por isso devemos abrir exceção à nota de Schurman, Belief in God, 231 – “Provavelmente os primeiros deuses não eram seres morais” , pois o próprio Schurman já havia dito: “Um DEUS sem caráter moral na realidade não é DEUS” . Dillmann, O. T. Theology, com muita propriedade, faz do pensamento fundamental da religião do A.T. não a unidade ou a majestade de DEUS, mas a sua SANTIDADE. Só isto forma a base ética da revelação e da lei. E. G. Robinson, Christian The o lo gy-“O único objetivo do cristianismo é a SANTIDADE pessoal. Mas este será o objetivo que absorve e atinge o homem só quando este reconhece ser o atributo proeminente em DEUS. Daí tudo o que é divino é santo – o templo, as Escrituras, o ESPÍRITO” . O desenvolvimento da ideia de SANTIDADE assim como da ideia de amor foi preparado antes do advento do homem. A. H. Strong, Education and Optimism: “Houve tempo quando a historia passada da vida sobre o planeta parecia a de carnificina sem coração e cruel. A sobrevivência do mais adequado teve como o outro lado da moeda a destruição de miríades. A natureza tinha o dente vermelho e garras de ravina’. Porem o pensamento mais tarde mostrou que este ponto de vista sombrio resulta de uma indução parcial dos fatos. A vida paleontológica foi marcada não só por uma luta pela vida, mas por uma luta pela vida dos outros. O começo do altruísmo deve ser visto no instinto de reprodução e no cuidado dos filhos. Em cada cova de leões e toca dos tigres, na provisão de alimentos da águia para com os filhotes, ha um sacrifício que palidamente mostra a subordinação dos interesses do homem aos interesses dos outros. Mas, nas primeiras eras do homem, pode ser  encontrada a justiça numa forma incipiente como também o amor numa forma incipiente. A luta pela vida própria tem seu lado moral do mesmo modo que a luta pela vida dos outros. O instinto de autopreservação e o principio do direito da retidão, da justiça e da lei terrena. Cada criatura tem o dever diante de DEUS de preservar o seu próprio ser. Deste modo podemos achar um esboço da moralidade ate mesmo na luta predatória e exterminadora das eras geológicas. O DEUS imanente estava preparando o caminho para o direito, a dignidade, a liberdade do ser humano’. E, podemos acrescentar, estava  reparando o caminho para o entendimento do seu próprio atributo fundamental da SANTIDADE pelos homens. Para maior explicação assinalamos que:

A) Negativamente, a SANTIDADE não é:

a) Justiça ou pureza exigindo a pureza das criaturas. Justiça, atributo relativo ou transitivo, na verdade é a manifestação e expressão do  tributo imanente da SANTIDADE, mas não deve ser confundido com ele. Quen stedt, Theol., 8.1.34, define SANTIDADE como “summa omnisque labis expers in Deo puritas, puritatem debitam exigens a creaturis” –  Definição de SANTIDADE transitiva, ou justiça, em vez do atributo imanente. Is. 5.16 – “O Senhor dos exércitos será exaltado em juízo, e DEUS, o santo, será santificado em justiça” = a justiça e somente a SANTIDADE de DEUS em sua atividade judicial. Apesar de que a SANTIDADE normalmente e um termo de separação e expressa a oposição inerente de DEUS a todo o que e pecador, também e empregada como um termo de união, como em Lv. 11.44 – “serei SANTOS porque eu sou santo”. Quando JESUS voltou do encontro com o moco rico (Mc. 10.23) ele ilustrou a primeira; Jo. 8.29 ilustra a segunda: “aquele que me enviou esta comigo”. Lowrie, Doctrine of St. John, 51-57 – “ ‘DEUS e luz’ (1 Jo. 1.5) indica o caráter de DEUS, pureza moral revelada,  produzindo gozo e vida, em contraste com as mas obras, andando nas trevas, num estado de perdição”. A consciência humana universal e em si mesma uma revelação da SANTIDADE de DEUS e a reunião do sofrimento em todo o lugar com o pecado e a revelação da justiça de DEUS. A cólera, a ira, o ciúme de DEUS mostram que esta reação da natureza de DEUS e necessária. A própria  natureza de DEUS e santa, justa e boa. A SANTIDADE não e substituída pelo amor, como sustenta Ritchl, visto que não ha nenhuma doação própria sem auto-afirmação. A SANTIDADE não demanda apenas lei, mas concede o Espirito SANTO. Santayana, Sense of Beauty, 69 – “Se a perfeição e a justificação ultima do ser, podemos entender a base da dignidade moral do belo. O belo e um penhor da possível conformidade entre a alma e a natureza e, consequentemente a base da Fé na supremacia do bem”. Contudo, consideramos a natureza apenas como o símbolo e expressão de DEUS e, deste modo, consideramos o belo como a base da Fe na sua soberania. Ha mais verdade a respeito do que Santayana diz sobre o belo com relação a SANTIDADE. Em qualquer lugar que o vemos, reconhecemos nele um penhor da possível conformidade entre a alma e DEUS e, consequentemente, a base da Fe na supremacia de DEUS.

b) SANTIDADE não é um termo complexo designativo do conjunto das perfeições divinas. Por outro lado, a noção de SANTIDADE é, tanto na Escritura comona experiência cristã, perfeitamente simples e perfeitamente distinta dos outros atributos. Dick, Theol., 1.275 – SANTIDADE = veneração, i.e., “nenhum atributo particular, mas o caráter geral de DEUS que resulta dos atributos morais”. Wardlaw chama a SANTIDADE de união de todos atributos, como a pura luz branca e a união de todos os raios coloridos do espectro (Theology, 1.618-634). H. W. Beecher: “SANTIDADE = totalidade”. A abordagem desta concepção é a definição de W.N. C larke, Christian Theology, 83 – “SANTIDADE e a gloriosa plenitude da bondade de DEUS, consistentemente sustentada como o principio da sua própria ação e o padrão para as suas criaturas”. Isto implica, segundo o Dr. Clarke: 1. O caráter interior da sua bondade; 2. O caráter como principio consistente da sua própria ação; 3. A bondade que e o principio da sua própria ação e o padrão da deles”. A saber; SANTIDADE e 1. caráter; 2. autoconsistência; 3. requisito. A esta definição objetamos que ela deixa de definir. Não se diz que e essencial ao caráter; a definição inclui em SANTIDADE aquilo que apropriadamente pertence ao amor; omite toda a menção dos mais importantes elementos na SANTIDADE, a saber, a pureza e a justiça. Semelhante falta de definição clara aparece na afirmação de Mark Hopkins, Law of Love, 105 – “E este duplo aspecto do amor revelando a natureza moral toda e voltando a cada caminho como a espada flamejante que guarda o caminho da arvore da vida que se chama SANTIDADE”. Como já mostramos acima, na Escritura, a SANTIDADE não se contrasta com a simples finitude ou pequenez, ou o infortúnio, ou mesmo a irrealidade, mas só com a impureza e com a pecaminosidade. E. G. Robinson, Chrst. Theology, 80 – “A SANTIDADE no homem e a imagem de DEUS. Mas e claro que a SANTIDADE no homem não e proporcional as outras perfeições do seu ser – a sua forca, ao seu conhecimento, a sua sabedoria apesar de ser proporcional a retidão da sua vontade – e, por isso, não pode ser a resultante de todas as perfeições…. Identificar a SANTIDADE com a soma de todas as perfeições e fazer dela apenas a plenitude do caráter”.

c) SANTIDADE não é o amor próprio de DEUS, no sentido da suprema consideração no seu próprio interesse e felicidade. Não há nenhum elemento utilitário na SANTIDADE. Buddeus, Theol. Dogmat., 2.1.36, define SANTIDADE como o amor próprio de DEUS. Mas DEUS ama e se afirma, não como o eu, mas como o mais santo. Não existe em DEUS uma busca de si mesmo. Nem dos interesses de DEUS, mas o amor a DEUS como santo, e o principio e fonte da SANTIDADE no homem. Chamar a SANTIDADE de DEUS de amor próprio e dizer que DEUS e santo em razão do que ele pode fazer através disso, i.e., negar que a SANTIDADE tem existência independente. Não devemos negar, mas, ao contrario, sustentar que ha um adequado amor próprio que não e egoísmo. Contudo, este amor próprio não e, afinal de contas, amor. Ao invés disso, e o respeito próprio, a preservação própria, a vindicação própria e constitui uma importante característica da SANTIDADE. Porem, definir SANTIDADE como amor de DEUS por si mesmo e deixar de lado a definição da razão para este amor na pureza e retidão da natureza divina. O respeito próprio de DEUS implica que DEUS respeita a si mesmo por algo em seu próprio ser. E o que e este algo? A SANTIDADE e “excelência moral” de DEUS (H opkins), ou a sua “bondade perfeita” (C larke)? Mas o que e esta excelência moral, ou bondade perfeita? Temos aqui descritos o método e o fim, mas não o motivo e a base. DEUS não ama a si mesmo por causa do seu amor, mas ele ama a si mesmo por causa da sua SANTIDADE. Os que sustentam que o amor e a auto-afirmação assim como autocomunicação e, por isso, a SANTIDADE e o amor de DEUS por si mesmo, devem ainda admitir que este autoafirmante que e a SANTIDADE condiciona e fornece o padrão ao amor  utocomunicante que e a benevolência. G. B. Stevens, Johannine Theology, 364, diz-nos que “a justiça de DEUS e o respeito próprio do perfeito amor”. Miller, Evotution of Love, 53 – “O amor próprio e o tipo de ação que no ser perfeito realiza, no finito procura realizar o eu perfeito ou ideal”. A saber, o amor e a auto-afirmação. Porem, objetamos que o amor próprio não e, afinal de contas, amor porque nele não ha nenhuma comunicação própria. Se em qualquer sentido a SANTIDADE e uma forma ou manifestação do amor – questão que ainda temos de considerar – sem duvida, não se trata de um amor próprio unitário e utilitário, que seria idêntico ao egoísmo, mas, ao invés disso, um sentimento que implica centralização trinitária no outro ser e o apoio do eu como um objeto ideal. Este parece ser o sentido de Jonathan Edwards, Essay on the Trínity (ed. Fischer), p. 79 – “Todo amor se refere a outro ser, que e amado. Para o apostolo, a palavra amor certamente significa algo mais que aquilo que normalmente se chama amor próprio: isto e impropriamente chamado de amor e faz parte de uma natureza bem diversa do sentimento ou virtude de que o apostolo esta falando”. Veremos ainda que, conquanto Jonathan Edwards nega que a SANTIDADE seja um amor próprio unitário e utilitário, ele considera a essência deste como  sendo o amor trinitário de DEUS para consigo mesmo, de excelência moral perfeita. A falta de convicção trinitária de Ritschl faz ser-lhe impossível fornecer qualquer base própria para o amor ou para a SANTIDADE na natureza de DEUS. Ritschl sustenta que, como pessoa, CRISTO e um fim em si mesmo; ele realizou o seu próprio ideal; desenvolveu a sua própria  personalidade; atingiu a sua perfeição na sua obra em favor do homem; ele não e somente um homem destinado a salvação dos homens. Mas, ao chegar a sua doutrina de DEUS, estranhamente Ritschl e inconsistente com tudo isso, porque deixa de representar DEUS como tendo um fim em si mesmo, e trata-o somente como um meio para o reino de DEUS assim como um fim. Garvie, Ritschilian Theology, 256,278,279, com propriedade assinala que pessoalidade significa a posse de si mesmo assim como a autocomunicação, distinção de outros seres assim como união com eles. Ritschl não considera que o amor de DEUS em primeiro lugar se dirige ao seu Filho e só depois a comunidade crista. Deste modo ele ignora a Trindade imanente. Antes da autocomunicação deve haver uma auto-sustentação. Caso contrario, DEUS deixa a sua independência e torna necessária a existência criada. d) SANTIDADE não é idêntica ao amor, ou sua manifestação. Porque a automanutenção deve preceder a autoconcessão e porque a benevolência tem seu objetivo, motivo, padrão e limite na retidão, na SANTIDADE, o atributo autoafirmante não pode de modo algum ser resolvido no amor autocomunicante. A doutrina de Jonathan Edwards e que a SANTIDADE e uma forma de amor; Essay on the Trinity{ed. Fisher), 97 – “E no infinito amor de DEUS a si mesmo que consiste a SANTIDADE. Como toda criatura, a SANTIDADE deve ser resolvida no amor, como nos ensina a Escritura, assim a SANTIDADE do próprio DEUS consiste no amor infinito a si mesmo. A SANTIDADE de DEUS e a beleza infinita e a excelência da sua natureza, e a excelência de DEUS consiste no amor a si mesmo”. Em seu tratado sobre The Nature of Virtue, Jonathan Edwards define a virtude com relação ao ser em geral. Ele considera que o amor de DEUS, antes de tudo, destina-se a si mesmo tendo a maior quantidade do ser e, só depois, as suas criaturas cuja quantidade de seres e infinitesimal comparada com ele. Por isso DEUS acha o seu principal fim em si mesmo e o amor próprio de DEUS e a sua SANTIDADE. Este principio tem permeado e dominado a subsequente teologia da Nova Inglaterra, desde Samuel Hopkins, Works, 2.9-66, que defende que esta SANTIDADE = amor do ser em geral. Horace Bushnell, Vicarious Sacrifice, declara: “A justiça, mudada em uma palavra de sentimento, e o amor; o amor, traduzido em uma palavra da consciência, e a justiça; a lei eterna do direito e apenas uma outra concepção da lei do amor; os dois princípios, justiça e amor, aparecem exatamente um na medida do outro”. Dorner, Christian Ethics, 73,93,184, ensina doutrina semelhante-“O amor une a existência do eu com a existência dos outros, auto-afirmação e entrega de si mesmo. … Amor próprio em DEUS não e egoísmo, porque ele e a sede original e necessária do bem em geral e do bem universal. DEUS conserva a sua honra ate dando de si mesmo aos outros. … O amor e a forca e o desejo de ser do eu enquanto no outro ser e, enquanto o eu de qualquer pessoa estiver em outro ser recebido no coração ate o fim. … Devo amar o meu próximo só como a mim mesmo. … Contudo, a virtude requer não só a boa vontade, mas a vontade daquilo que e justo”. Do mesmo modo, Newman Smith, Christian Ethics, 226, 239, sustenta que

1. O amor e uma auto-afirmação. Dai ele defende que SANTIDADE ou respeito próprio envolve amor. A justiça não e uma excelência independente em contraste com a benevolência, ou em oposição a ela; e parte essencial do amor.

2. O amor e a doação de si mesmo. O único limite e ético. Eis aqui uma imanência sempre profunda, apesar de que sempre de DEUS, porque DEUS não pode negar-se a si mesmo. 3. O amor encontra-se a si mesmo em outro ser. O elemento vicário pertence ao amor. Retrucamos a Dorner e a Smith que o seu reconhecimento de que o amor tem sua condição, seu limite, seu motivo, objeto e padrão mostra que ha um principio mais elevado que o amor e que o regula. Reconhece-se este principio como sendo ético. E idêntico ao direito. DEUS não pode negar-se a si mesmo porque ele e fundamentalmente justo. Esta auto-afirmação e a SANTIDADE e a SANTIDADE não pode ser uma parte do amor, ou uma forma dele porque ela condiciona e domina o amor. Chama-la benevolência e ignorar sua distinção majestosa e por em perigo sua legitima supremacia. DEUS deve em primeiro lugar sustentar o seu próprio ser antes de poder dar a outro e esta auto-sustentação deve ter sua razão e motivo no merecimento daquilo que e sustentado. SANTIDADE não pode ser amor porque o amor e irracional e caprichoso a não ser quando tem um padrão pelo qual ele e regulado e este não pode ser o próprio amor, mas a SANTIDADE. Concordamos com C larke, Christian Theology 92, em que “o amor e o desejo de conceder SANTIDADE”. O amor e um meio de SANTIDADE e, por isso, a SANTIDADE e o supremo bem, algo mais elevado que só o amor. Então, ao invés de dizer, com Clarke, que “a SANTIDADE e o centro em DEUS, mas o amor e essencial a SANTIDADE”, e preferível dizer: “O amor e o centro em DEUS, mas a SANTIDADE e o centro do amor”, apesar de que, neste caso, devemos empregar o termo amor incluindo o amor próprio. Melhor ainda e não empregar a palavra amor referindo-se ao cuidado de DEUS para consigo mesmo. No uso comum, amar significa considerar os outros e ter comunhão com eles. Abranger nele a autoafirmação de DEUS e interpretar mal a SANTIDADE e considera-la um meio de alcançar um fim, ao invés de fazer o que realmente e, o objeto superior e o principio regulador, do amor. Aquele que lança a norma ou padrão do amor deve ser superior ao referido amor. Quando esquecemos que “justiça e juízo sao a base do seu trono” (SI. 97.2), destruímos um dos principais marcos da doutrina crista e envolvemo-nos numa nevoa de erro. Ap. 4.3 – “ao redor do trono ha um arco-íris” = no meio do arco-íris do perdão e da paz ha um trono de SANTIDADE e juízo. Em Mt. 6.9,10, “Venha o teu reino” não e a primeira petição, mas ao invés disso, “Santificado seja o teu nome”. E uma falsa ideia da simplicidade divina reduzir os atributos a um. A auto-afirmação não e uma forma de doação de si mesmo. A não sensibilidade, estado de sensibilidade, apesar de ser a mais pura benevolência, e fundamental, porem, mais do que isso, e a atividade daquela vontade e a sua justa direção. Hodge, Essays, 133-136, 262-273,  bem mostra que  o amor santo e controlado pela SANTIDADE. A SANTIDADE não é um simples meio para a felicidade. Ser feliz não e a razão ultima de ser santo. Certo e errado não sao matéria de lucro e perda. Dizer que DEUS e apenas benevolência e que ele pune apenas quando a felicidade do  universo o requer destrói toda a nossa lealdade para com DEUS e violenta a constituição da nossa natureza. A doutrina de que DEUS e apenas amor tem sido chamada de “o papado de DEUS”. DEUS e um “mar de verão de bondade, nunca agitado por tempestades” (D ale, Ephesians, 59). JESUS, porem nos da a melhor ideia a respeito de DEUS e nele achamos não só a piedade, mas as vezes a indignação moral. Jo. 17.11 – “Pai santo” = mais do que amor. O amor pode ser exercido por DEUS só quando e o amor correto. A SANTIDADE e o trilho no qual a locomotiva do amor deve correr. O amor não pode ser a locomotiva. Se um inclui o outro, então a SANTIDADE e que inclui o amor, visto que a SANTIDADE e a manutenção da perfeição de DEUS e a perfeição envolve amor. Aquele que e santo afirma a si mesmo como também o perfeito amor. Se o amor fosse fundamental, nada haveria para dar e, deste modo, o amor seria vão, e inútil. Não se pode dar o eu, sem que haja antes a auto-afirmação. DEUS não e santo porque ele ama, mas ama porque e santo. O amor não pode dirigir-se a si próprio; ele esta limitado a SANTIDADE. A justiça não depende do amor para ser reta. Stephen G. Barnes: “O simples bem não e o único conteúdo da lei; ele não basta nos tempos de prova de fogo; e inadequado como base para a retribuição. O amor necessita da justiça e a justiça do amor; ambos sao comandados pela lei de DEUS e sao revelados perfeitamente no caráter de DEUS”. Pode haver um atrito entre ambas as mãos do homem e pode haver um conflito entre a consciência e a vontade do homem, entre o seu intelecto e o seu sentimento. A forca e a energia de DEUS sob a resistência; a forca e a energia pertencem-lhe. Deste modo, quando o homem peca, a SANTIDADE e o amor em DEUS tornam-se polos ou forcas opostas. O primeiro e mais serio efeito do pecado não e o que ocorre sobre o homem, mas sobre DEUS. A SANTIDADE necessariamente requer sofrimento e o amor o suporta. Este sofrimento eterno de DEUS por conta do pecado e a expiação; o CRISTO encarnado apenas mostra o que foi no coração de DEUS desde o principio. Fazer a SANTIDADE uma forma de amor e, na verdade, negar a sua existência e, consequentemente, negar a necessidade de qualquer expiação para a salvação do homem. Se SANTIDADE e a mesma coisa que amor, como e que o mundo clássico, que conhecia a SANTIDADE de DEUS, não conhecia também o seu amor? Aqui a ética lembra o caldo de carne de Abraão Lincoln feito da sombra de um pombo que morreu de fome. SANTIDADE que e só boa vontade não e SANTIDADE, porque lhe faltam os elementos essenciais da pureza e retidão. Nas bases da agulha (desvio de estrada de ferro) para o leste de Rochester, existe um homem cuja responsabilidade e movimentar para a esquerda ou para a direita uma barra de ferro de duas ou três polegadas. Deste modo ele determina se o trem vai para Nova Iorque ou para Washington, para Nova Orleans ou para Sao Francisco. Neste ponto da teologia a nossa conclusão igualmente determina qual será o nosso sistema futuro. O principio de que a SANTIDADE e uma manifestação de amor, ou uma forma de benevolência, leva a conclusão de que a felicidade e o único bem e o único fim; que a lei e um mero expediente para a garantia da felicidade; que a pena e simplesmente dissuasiva, ou tem um fim reformatório; que não ha necessidade de nenhuma expiação a ser oferecida a DEUS pelo pecado humano; que não se pode vindicar a retribuição eterna porque não ha esperança de recuperação. Este ponto de vista ignora o testemunho da consciência e da Escritura de que o pecado é Intrinsecamente mau e, por isso, deve ser punido não porque a punição vai operar o bem do universo; na verdade, não poderia operar o bem ao universo a não ser que este fosse justo e reto. Ignora o fato de que a misericórdia e uma opção de DEUS, enquanto a SANTIDADE e invariável; que a punição muitas vezes esta ligada a SANTIDADE de DEUS, mas nunca ao amor; que DEUS não e somente amor, mas luz – luz moral – e, por isso, “um fogo consumidor” (Hb. 12.29) para toda a iniquidade. O amor castiga (Hb. 12.6), mas a SANTIDADE pune (Jr. 10.24 – “Castiga-me, o Senhor, mas com medida; não na tua ira”; Ez. 28.22 – “quando executar juízos e nela me santificar”; 36.21,22 – em juízo “Não e por vosso respeito que faço isto, o casa de Israel, mas pelo meu santo nome”; 1 Jo. 1.5 – “DEUS e luz e não ha nele treva nenhuma” – treva moral; Ap. 15.1,4 – “a ira de DEUS … só tu és santo … os teus juízos sao manifestos”; 16.5 – “justo és tu … porque julgaste estas coisas”; 19.2 – “verdadeiros e justos sao os seus juízos, pois julgou a grande prostituta”). B) Positivamente, SANTIDADE é:

d) Pureza de substância – Na natureza moral de DEUS, agindo necessariamente, há, na verdade, os dois elementos da vontade e do ser. Mas o passivo precede logicamente o ativo; o ser vem antes da vontade; DEUS é puro antes de desejar a pureza. Porque a pureza, contudo, ordinariamente é um termo negativo e significa apenas liberdade da mácula e do erro, devemos incluir nele também a idéia positiva de retidão moral. DEUS é santo no sentido de que ele é a fonte e o padrão do direito. E. G. Robinson, Christian Theology, 80 – “SANTIDADE e pureza moral, não só no sentido de ausência de toda mancha moral, mas de complacência em todo bem moral”. Shedd, Dogm. Theology, 1.362 – “SANTIDADE em DEUS e conformidade com a sua própria natureza perfeita. A única regra para a vontade divina e a razão divina; e esta prescreve tudo o que e benéfico que um Ser faca. DEUS não esta sob lei, nem acima dela. Ele é a lei. Ele e reto por natureza e por necessidade. … DEUS e a fonte e o autor da lei para todos os seres morais”. Podemos melhorar a definição de Shedd dizendo que SANTIDADE e o atributo em virtude do qual o ser divino e a vontade divina conformam-se eternamente um com o outro. Deste modo, sustentando que o ser santo logicamente precede o querer santo, diferimos do ponto de vista de Lotze, Philos. of Religion, 139 – “Tal vontade de DEUS não segue a partir da natureza como secundaria a ela, ou precede-a como primordial a ela mais do que, no movimento, a direção pode ser antecedente ou subsequente a velocidade”. Bowne, Philos. of Theism, 16 – “A natureza de DEUS = uma lei fixa da atividade ou modo de manifestação. … Mas as leis do pensamento não sao limitação alguma porque sao apenas modos do pensamento com atividade. Elas não regem o intelecto, mas apenas expressam o que o intelecto e”. Apesar destas afirmações de Lotze e de Bowne, devemos sustentar que, a verdade do ser logicamente precede a verdade do conhecer e uma natureza amorosa precede as emoções amorosas, do mesmo modo a pureza da substancia precede a pureza da vontade. A doutrina oposta conduz a afirmações tais como a de Whedon (On the VJiii, 316): “DEUS e santo naquilo que livremente ele escolhe para fazer a sua própria felicidade no direito eterno. Que ele não pudesse fazer-se igualmente feliz no erro e mais do que podemos dizer. … A sabedoria infinita e a SANTIDADE infinita consistem eternamente nas volicoes de DEUS e delas resultam”. Whedon, contudo, não crê na imutabilidade de DEUS, mas sim em sua Constancia. Ele não pode dizer se motivos quaisquer não podem em algum tempo provar-se mais fortes que conduziriam a apostasia. A SANTIDADE essencial de DEUS não proporciona base para uma certificação. Como dizíamos a respeito da verdade, do mesmo  modo aqui dizemos a respeito da SANTIDADE que, fazer da SANTIDADE assunto de mera vontade, em vez de considera-la característica do ser de DEUS, e negar que qualquer coisa e santa em si mesma. Se DEUS pode transformar a impureza em pureza, então DEUS em si mesmo e indiferente a pureza ou impureza e, portanto deixa de ser DEUS. Robert Browning, A Soul’s Tragedy, 223 – “Confio em DEUS – o Justo será o Justo e outra coisa que não seja o Erro enquanto ele existir”. RS. Moxom: “Revelação e descoberta da retidão divina. Não adicionamos o pensamento quando dizemos que e também a descoberta do amor divino, porque o amor e uma manifestação ou realização daquela retidão que e a integridade. H.B. Smith, System, 223-231 – Virtude = amor tanto na felicidade como na SANTIDADE, apesar de que a SANTIDADE e como o ultimo elemento; o amor a mais elevada Pessoa e aos seus fins e objetivos”.

b) Energia da vontade – A pureza não é simplesmente uma qualidade passiva e morta; é penetrada e permeada pela vontade. SANTIDADE é o movimento moral  livre de DEUS.  Como existe uma Mente mais elevada que a nossa e um coração maior que o nosso, do mesmo modo também existe uma   Vontade maior do que a nossa. A SANTIDADE contem este elemento de vontade, embora seja uma vontade que expressa a natureza, ao invés de causa-la. Não e uma pureza calma e imóvel, da neve recentemente caída, ou do azul sem mancha do céu estivai. E a mais tremenda das energias num movimento insone. E um “mar de vidro” (Ap. 15.2), mas um “mar de vidro misturado com fogo”. A. J. Gordon: “SANTIDADE não e uma pureza de brancura mortal, perfeição da estatua de mármore perfeito. A vida, assim como a pureza entra na ideia de SANTIDADE. Os que sao ‘perfeitos diante do trono’ sao os que ‘seguem o Cordeiro aonde quer que ele vá; atividade santa que atende e expressa o seu estado santo”. Martensen, Christian Ethics, 62,63 – “DEUS é a unidade perfeita do eticamente necessário e do eticamente livre”; “DEUS não pode agir de outra forma que não seja a sua natureza essencial”. (274) O centro da personalidade e a vontade. O conhecimento tem seu fim no sentimento e o sentimento tem seu fim na vontade. Por isso devo subordinar o sentimento a vontade e a felicidade a justiça. Devo querer com DEUS e empregar toda a minha influencia sobre os outros para torna-los como DEUS na SANTIDADE. William James, Will to Believe, 123 – “A mente deve  primeiramente obter sua impressão sobre o objeto; depois definir o que e esse objeto e que medidas ativas a sua presença demanda; e, finalmente, reagir. … Toda Fe e toda filosofia, modo e sistema, sao subservientes e passam a um terceiro estagio, o da ação”. O que e verdade a respeito do homem também o e a respeito de DEUS. Toda vontade do homem, combinada, na verdade, toda energia ativa da humanidade em todo lugar e em todas as eras nada e comparada com a extensão e vontade de DEUS. O momento todo do ser divino esta escudado na lei moral. Tal lei e a expressão dele mesmo. Seu braço benéfico ao mesmo tempo que terrível esta sempre defendendo e executando. DEUS deve manter a sua SANTIDADE porque ela e a divindade. Se ele não a mantivesse, o amor não teria nada a apresentar, ou não tornaria os outros participantes dele. Será que DEUS quer o bem porque este e bom, ou o bem e bom porque DEUS o quer? No primeiro caso, parece que o bem esta acima de DEUS; no segundo, o bem e algo arbitrário e mutável. Kaftan, Dogmatik, 186,187, diz que nenhuma destas opções e verdadeira; ele sustenta que não ha nenhum bem a priori antes da vontade dele e sustenta que a vontade sem a direção não e vontade; o bem e bem por causa de DEUS não antes, mas em sua autodeterminação. Dorner, System Doctrine, 1.432, contrariamente, sustenta que ambos sao verdadeiros porque DEUS não e simplesmente uma forma de ser, quer necessária, quer livre, mas ao invés disso, um ser multiplamente diverso, embora absolutamente correlato e reciprocamente condicionante; isto e, um ser trinitário, tanto necessário como livre. Aqui concordamos com Dorner e defendemos a crença de que o ser de DEUS e necessário a uma ética correta e a uma teologia também correta. Celsus justificava o poiiteismo sustentando que seja o que for DEUS se revela DEUS, serve DEUS e, consequentemente, pode racionalmente ser adorado. Ele livra o cristianismo desta ampla tolerância, porque este adora um DEUS zeloso, que não se satisfaz em ser um entre muitos. Mas este zelo realmente significa que DEUS e um Ser para quem as distinções morais sao reais. O DEUS de Celsus, o do  panteísmo, e zeloso, não porque e SANTO, mas somente porque e Absoluto. A categoria da ética surge da categoria do ser. O grande defeito da teologia moderna e precisamente o ético; a SANTIDADE surge da benevolência; não ha o reconhecimento próprio da justiça de DEUS. Jo. 17.25 – “Pai justo, o mundo não te conheceu” – e um texto tão verdadeiro atual como o foi nos tempos de JESUS. Isole, Begriff der Heiligkeit in N. 7T, 41,84, define a SANTIDADE em DEUS como “perfeição ética de DEUS na exaltação dela acima de tudo o que e pecaminoso” e a SANTIDADE no homem como a “condição correspondente a de DEUS em que o homem se conserva puro relativamente ao pecado”. c) Auto-afirmação – SANTIDADE é a vontade própria de DEUS. Sua própria pureza é o supremo objetivo de sua própria consideração e sustento. DEUS é santo no sentido de que sua excelência moral infinita afirma e se declara como o mais elevado motivo e fim possíveis. Como a verdade e o amor este atributo só pode ser entendido à luz da doutrina da Trindade.

SANTIDADE é a pureza que deseja a si mesma. Temos analogia no dever de autopreservação, respeito próprio e auto-afirmação do homem. A virtude se obriga a sustentar-se e defender-se como no caso de Jo. Nos seus melhores momentos, o cristão sente que a pureza não e apenas a negação do pecado, mas a afirmação de um principio de justiça interior e divino. Thomasius, Christi Person und Werk, 1.137 – SANTIDADE e a concordância perfeita da vontade divina com o ser divino; pois, como a criatura pessoal e santa quando quer e determina a si mesma quanto a vontade de DEUS, assim DEUS e o santo porque ele deseja ser o que ele e. Em virtude deste atributo, DEUS esta isento de tudo o que contradiz a sua natureza, e se afirma em seu ser absolutamente bom: ser semelhante a si mesmo”. Tholuck, on Romans, 5- ed., 151 – “O termo SANTIDADE deve ser empregado para indicar uma relação de DEUS consigo mesmo. E santo aquele que, não se perturba com o que vem de fora; e totalmente semelhante a si mesmo”. Dorner, System of Doctrine, 1.456“Faz parte da sua bondade proteger a bondade”. Quando considerarmos a Trindade, veremos que esta doutrina tem estreitas relações com a dos atributos imanentes. E no Filho que DEUS tem o objeto perfeito da sua vontade bem como do conhecimento e do amor. O objeto da vontade de DEUS na eternidade passada não e nada fora de si mesmo. Ela deve ser a mais elevada de todas as coisas. Vemos o que ela deve ser só quando nos lembramos de que a justiça e o imperativo incondicional da nossa natureza moral. Visto que nos fomos feitos a imagem de DEUS, devemos concluir que ele quer eternamente a justiça. Nem todos atos de DEUS sao de amor, mas todos sao de SANTIDADE. O respeito próprio, a preservação de si mesmo, a auto-afirmação, a vindicação de si mesmo, que chamamos SANTIDADE de DEUS, apenas palidamente se refletem em afirmações tais como em Jo 27.5,6 – “Ate que eu expire, nunca apartarei de mim a minha sinceridade. A minha justiça me apegarei e não a largarei”; 31.37 – “O numero dos meus passos lhe mostraria; como príncipe me chegaria a ele”. 0 fato de que o Espirito de DEUS e denominado Espirito SANTO deve ensinar-nos qual e a natureza essencial de DEUS e a exigência de que nos sejamos SANTOS como ele o e ensinam-nos qual e o verdadeiro padrão do dever humano e o objetivo da ambição humana. Contudo, porque a SANTIDADE de DEUS e auto-afirmação, fornece a garantia de que o amor de DEUS não deixa de garantir o seu fim e que todas as coisas atendem ao seu propósito. Rm. 11.36 — “Porque dele, e por ele, e para ele sao todas as coisas; gloria, pois, a ele eternamente. Amem”.

SANTIFICAÇÃO – DICIONÁRIO  Champlin – Russell Norman Champlin Esboço: I.    Idéias Gerais II.    Elementos da SANTIFICAÇÃO III.    Inteira SANTIFICAÇÃO IV.    O Alvo da SANTIFICAÇÃO

I. Idéias Gerais O termo grego aqui empregado é agiasmos, que significa «consagração», «separação», «SANTIFICAÇÃO». Refere-se ao processo que leva o crente a tornar-se uma pessoa dedicada, santa, baseada em um início implantado quando da conversão, judicialmente reconhecido diante de DEUS, mas também concretizado nele, através de sua transformação moral. O alvo final é a perfeita concretização dessa SANTIDADE no indivíduo, de modo que a própria SANTIDADE de DEUS Pai seja plenamente absorvida (ver Mat. 5:48 e Rom. 3:21). Somente essa forma de SANTIDADE é aceitável por DEUS; todos os seres que habitam nos lugares celestiais e, portanto, estão próximos de DEUS, devem ser SANTOS como DEUS é santo. A conversão e a justificação são as sementes da SANTIFICAÇÃO. No artigo sobre Justificação, pode-se perceber que a justificação, conforme os termos paulinos, realmente inclui aquele processo que se chama SANTIFICAÇÃO, ainda que os reformadores protestantes, sobretudo Lutero, tenham feito clara distinção entre uma e outra doutrina, provavelmente no zelo em procurar preservar a justificação, isenta de qualquer pensamento de esforço humano. Todavia, essa distinção não é paulina, pois a justificação é para a vida, onde há comunicação de vida santa, e não apenas um «decreto forense» de DEUS, que declara que o crente está «posicionalmente» perfeito em CRISTO. É verdade que essa declaração forense está envolvida mas está envolvida ainda mais do que isso. Consiste em realmente aperfeiçoar o crente, mediante a influência do ESPÍRITO SANTO; e isso pode ser chamado de SANTIFICAÇÃO «progressiva» ou «presente». A linha divisória entre a justificação e a SANTIFICAÇÃO é muito tênue, se é que realmente existe. A justificação, em seu sentido pleno, torna-se real e vital na SANTIFICAÇÃO, que é a operação do ESPÍRITO SANTO que torna o indivíduo dedicado e santo, e que assim, finalmente, vem a tornar-se tão santo quanto o próprio DEUS. (Ver o artigo sobre a Justificação.) A «SANTIFICAÇÃO» tem um aspecto passado, obtido quando da conversão; há também a SANTIDADE presente (ver Gál. 5:22,23), que vai sendo paulatinamente implantada oela ação e poder do ESPÍRITO; e há também um aspecto futuro da SANTIFICAÇÃO, quando todo o resquício de pecado será tirado, quando o indivíduo tornar-se finalmente participante das qualidades morais positivas de DEUS, e não meramente livre da presença do pecado E isso significa que o homem tornar-se-á tão santo como DEUS, pedeito na bondade, na Justiça e no amor, e esse é o alvo na direção do qual estamos sendo levados pela SANTIFICAÇÃO. Ora, é a transformação de nossa natureza moral que coduz uma transformação correspondente da natureza metafísica, a quai nos tornará participantes da própria natureza e divindade de CRISTO (ver Rom. 8:29II Cor. 3:18 e II Ped. 1:4), ou seja, da «total olenituae de DEUS» (ver Efé. 3:19). Esse é o alvo culminante da SANTIFICAÇÃO.

II. Elementos da SANTIFICAÇÃO 1.    Separação do crente para DEUS e para o seu serviço (ver Sal. 4:3; Cor. 6:17). 2.    Ela é uma realização divina (ver Eze. 37:28; I Tes. 2:23 e Jud. 1), por meio de CRISTO (ver Heb. 2:11 e 13:12), e através do ESPÍRITO SANTO (ver Rom. 15:16I Cor. 6.11 e I Tes. 4:8). 3.    Consiste na «comunhão mística com CRISTO» (ver I Cor. 1:2). 4.    Depende do valor da expiação pelo sangue de CRISTO (ver Heb. 10:10 e 13;12). 5.    Realiza-se mediante a energia da palavra de DEUS (ver João 17:17,19 e Efé. 5:26). 6.    CRISTO é o nosso mais elevado exemplo de SANTIDADE, porquanto ele é a nossa SANTIFICAÇÃO (ver I Cor. 1:30). 7.    A eleição leva a efeito esse alto objetivo, por meio da SANTIFICAÇÃO, não podendo esse alvo deixar de ser concretizado na vida do crente regenerado, visto que é um dos elos da cadeia de ouro que nos leva à glorificação (ver II Tes. 2:13 e I Ped. 1:2). 8.    A igreja se tornará gloriosa por meio da SANTIFICAÇÃO (ver Efé. 5:26,27). 9.    Conduz o crente à presente mortificação da natureza pecaminosa (ver I Tes. 4:3,4). 10.    Conduz o crente àquela SANTIDADE no íntimo, sem o que ninguém verá DEUS (ver Rom. 6:22Efé. 5:7-9 e Heb. 12:14). 11.    Torna aceitável para DEUS a «oferta» dos SANTOS (ver Rom. 15:16). 12.    A vontade de DEUS é que os crentes sejam SANTOS (ver I Tes. 4:3). 13.    Também é mediante a SANTIFICAÇÃO que os ministros de DEUS são separados para o serviço divino (ver Jer. 1:5). 14.    Deveriamos orar insistentemente para que os crentes participem plenamente da SANTIFICAÇÃO (ver I Tes. 5:23). 15.    Sem a SANTIFICAÇÃO ninguém poderá herdar o reino de DEUS (ver I Cor. 6:9-11).

III. Inteira SANTIFICAÇÃO 1. Biblicamente falando, isto é declarado impossível para a vida atual. Ver I João 1:8. 2. A experiência mostra que declarações de inteira SANTIFICAÇÃO são falsas. 3. As pessoas que declaram que têm alcançado a «perfeição» sempre reduzem a definição do pecado para ter a capacidade de viver (em algum grau) suas declarações. 4. A SANTIFICAÇÃO inclui a participação positiva nas virtudes morais de DEUS. (Gál. 5:22,23). Deste ponto de vista, a SANTIFICAÇÃO deve ser um processo infinito eterno. Ver Efé. 3:19, sobre a nossa participação na plenitude de DEUS. A perfeição, atualmente, é o alvo. A perfeição de DEUS sempre será o alvo de nosso viver. Em termos gerais, tudo isso está envolvido no processo de sermos separados ou dedicados para ser santo, para seu uso, para seu serviço, tanto nesta terra como nos céus, tanto no tempo como na eternidade. DEUS santifica, CRISTO santifica, e o ESPÍRITO SANTO santifica (conforme declaramos acima), mas o próprio crente também se santifica, cedendo à influência divina e aplicando os meios normais de adoração e purificação, como a oração, o estudo da Palavra e a meditação, além da inquirição pelo ESPÍRITO SANTO. Esses são «meios» que compete ao crente aplicar a si mesmo, a fim de que o ESPÍRITO SANTO, por sua vez, opere sua obra santificadora. (Ver os trechos de Lev. 11:44Jos. 7:13 e II Cor. 6:14-18, onde a responsabilidade da SANTIFICAÇÃO é imposta ao homem). A SANTIFICAÇÃO consiste na transformação moral do crente, segundo a imagem de CRISTO. por isso mesmo torna-se necessária a comunhão com ele, para que haja essa realização (ver I Cor. 1:4 e II Cor. 3:18). As experiências espirituais específicas podem intensificar a busca e fornecer vitórias especiais no terreno da SANTIFICAÇÃO; mas nenhuma experiência poderá entregar tudo para nós. De fato, na qualidade de seres mortais, não somos ainda o tipo de seres que possa ter a SANTIDADE em seu sentido mais completo, conforme é explanado acima. É mister que o indivíduo receba a natureza divina e esteja habitando nos lugares celestiais, antes de poder dar os passos gigantescos na direção da perfeição moral, que podemos intitular de «inteira SANTIFICAÇÃO». Trata-se de uma inquirição eterna, e não meramente da terra ou dos céus, como se, por ocasião da partida do crente deste mundo e de sua entrada nos lugares celestiais, tudo pudesse ser atingido automática e repentinamente. Pelo contrário, esse exaltado alvo está sendo atingido; e nisso consiste a própria existência do crente, nisso consiste a própria natureza da vida terrena: tornarmo-nos cada vez mais semelhantes a DEUS. A SANTIFICAÇÃO tem sido reduzida a um «sacramento», porquanto muitos estudiosos supõem que, na Igreja Católica Romana, a SANTIFICAÇÃO é conferida através da graça supostamente inerente nos sacramentos. Pelo contrário, a SANTIFICAÇÃO é e sempre será «mística», ou seja, vem através da comunhão mística com o ESPÍRITO de DEUS, mediante sua presença habitadora contínua. Certamente que isso não envolve um processo legalista. Não pode a SANTIFICAÇÃO ser atingida mediante a observância consciente de algum código legal.

IV. O Alvo da SANTIFICAÇÃO

1. A SANTIFICAÇÃO tem seus primórdios originários na eleição; e uma vez que se desenvolve em realidade, ela se toma um meio da eleição. 2. O ESPÍRITO SANTO é o agente da SANTIFICAÇÃO, pois, afinal de contas, trata-se de uma realização divina. Requer a cooperação humana e isso se concretiza mediante o uso dos meios de desenvolvimento espiritual, como o amor, bem como o emprego dos dons espirituais, no cumprimento de nossas respectivas missões e na SANTIFICAÇÃO. 3.    O alvo é elevadíssimo: antes de mais nada, a própria natureza santa de DEUS está sendo implantada em nós (ver Dan. 3:21). 4.    A perfeição de DEUS é o alvo da santiticação (ver Mat. 5:48). Chegaremos a participar da natureza do Pai, porquanto somos filhos de DEUS e estamos sendo conduzidos à glória (ver Heb. 2:10). 5.    A participação na natureza metafísica de DEUS é o resultado da inquirição após a perfeição (ver II Ped. 1:4). Isso nos conferirá a plenitude divina (a natureza e os atributos de DEUS), conforme se aprende emEfé. 3:19. Essa transformação é levada a efeito em conformidade com a imagem do Filho, o qual é o arquétipo da nossa salvação (ver Col. 2:10 e Rom. 8:29).   SANTO – Dicionario Davis A palavra hebraica, geralmente usada, é Kadosh, que significa separado. Em o Novo Testamento, é representada pela palavra grega Agios. Emprega-se para designar as pessoas ou coisas destinadas ao uso sagrado, bem como os dias reservados a serviço religioso, Ex 20: 830: 31Lv 21: 7Nm 5: 17Ne 8: 9Zc 14: 21, tudo que a lei cerimonial manda separar, Ex 22: 31Lv 20: 26, a purificação da carne e do espírito, 2 Co 7: 11 Ts 4: 7, inclusive a separação dos falsos deuses e de práticas pagãs, Lv 20: 6721: 6. em um sentido mais lato, DEUS é santo porque é separado de todos os outros entes pelas suas infinitas perfeições, como sejam, sabedoria, poder, SANTIDADE, justiça, bondade e verdade, cuja glória enche a terra, Is 6: 3. Os mesmos SANTOS anjos rendem preito à sua SANTIDADE, Ap 4: 816: 5.

SANTIFICAÇÃO – Conhecendo as Doutrinas da BíbliaTeologia Sistemática – Myer Pearman – EDITORA VIDA

1. Natureza da SANTIFICAÇÃO Em estudo anterior afirmamos que a chave do significado da doutrina da expiação, encontrada no Novo Testamento, acha-se no rito sacrificial do Antigo Testamento. Da mesma forma chegaremos ao sentido da doutrina do Novo Testamento sobre a SANTIFICAÇÃO, pelo estudo do uso no Antigo Testamento da palavra “santo”. Primeiramente, observa-se que “SANTIFICAÇÃO”, “SANTIDADE”, e “consagração” são sinônimos, como o são: “santificados” e “SANTOS”. Santificar é a mesma coisa que fazer santo ou consagrar. A palavra “santo” tem os seguintes sentidos:   (a) Separação. “SANTO” é uma palavra descritiva da natureza divina. Seu significado primordial é “separação “; portanto, a SANTIDADE representa aquilo que está em DEUS que o toma separado de tudo quanto seja terreno e humano — isto é, sua perfeição moral absoluta e sua divina majestade. Quando o SANTO deseja usar uma pessoa ou um objeto para seu serviço, ele separa essa pessoa ou aquele objeto do seu uso comum, e, em virtude dessa separação, a pessoa ou o objeto toma-se “santo”.

(b) Dedicação. SANTIFICAÇÃO inclui tanto a separação de, como dedicação a alguma coisa; essa é “a condição dos crentes ao serem separados do pecado e do mundo e feitos participantes da natureza divina, e consagrados à comunhão e ao serviço de DEUS por meio do Mediador”. A palavra “santo” é mais usada em conexão com o culto. Quando referente aos homens ou objetos, ela expressa o pensamento de que esses são usados no serviço divino e dedicados a DEUS, no sentido especial de serem sua propriedade. Israel é uma nação santa, por ser dedicada ao serviço de Jeová; os levitas são SANTOS por serem especialmente dedicados aos serviços do tabernáculo; o sábado e os dias de festa são SANTOS porque representam a dedicação ou consagração do tempo a DEUS.

(c) Purificação. Embora o sentimento primordial de “santo” seja separação para serviço, inclui também a idéia de purificação. O caráter de Jeová age sobre tudo que lhe é consagrado. Portanto, os homens consagrados a ele participam de sua natureza. As coisas que lhe são dedicadas devem ser limpas. Limpeza é uma condição de SANTIDADE, mas não a própria SANTIDADE, que é, primeiramente, separação e dedicação. Quando Jeová escolhe e separa uma pessoa ou um objeto para o seu serviço, ele opera ou faz com que aquele objeto ou essa pessoa se torne santo. Objetos inanimados foram consagrados pela unção do azeite (Êxo. 40:9-11). A nação israelita foi santificada pelo sangue do sacrifício da aliança. (Êxo. 24:8. Vide Heb. 10:29). Os sacerdotes foram consagrados pelo representante de Jeová, Moisés, que os lavou com água, ungiu-os com azeite e aspergiu-os com o sangue de consagração. (Vide Lev., cap. 8.) Como os sacrifícios do Velho Testamento eram tipos do sacrifício único de CRISTO, assim as várias abluções e unções do sistema mosaico são tipos da verdadeira SANTIFICAÇÃO que alcançamos pela obra de CRISTO. Assim como Israel foi santificado pelo sangue da aliança, assim “também JESUS, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta” (Heb. 13:12). Jeová santificou os filhos de Arão para o sacerdócio pela mediação de Moisés e o emprego de água, azeite e sangue. DEUS o Pai (1 Tess. 5:23) santifica os crentes para um sacerdócio espiritual (1 Ped. 2:5) pela mediação do Filho (I Cor. 1:2,30Efés 5:26Heb 2:11), por meio da Palavra (João 17:1715:3), do sangue (Heb. 10:2913:12) e do ESPÍRITO (Rom. 15:161 Cor. 6:111 Ped. 1:2).

(d) Consagração, no sentido de viver uma vida santa e justa. Qual a diferença entre justiça e SANTIDADE? A justiça representa a vida regenerada em conformidade com a lei divina; os filhos de DEUS andam retamente ( 1 João 3:6-10). SANTIDADE é a vida regenerada em conformidade com a natureza divina e dedicada ao serviço divino; isto pede a remoção de qualquer impureza que estorve esse serviço. “Mas como é santo aquele que vos chamou, sede vós também SANTOS em toda a vossa maneira de viver” (1 Ped. 1:15). Assim a SANTIFICAÇÃO inclui a remoção de qualquer mancha ou sujeira que seja contrária à SANTIDADE da natureza divina. Em seguida à consagração de Israel surge, naturalmente, a pergunta: “Como deve viver um povo santo?” A fim de responder a essa pergunta, DEUS deu-lhes o código de leis de SANTIDADE que se acham no livro de Levítico. Portanto, em conseqüência da sua consagração, seguiu-se a obrigação de viver uma vida santa. O mesmo se dá com o cristão. Aqueles que são declarados SANTOS (Heb. 10:10) são exortados a seguir a SANTIDADE (Heb. 12:14); aqueles que foram purificados (1 Cor. 6:11) são exortados a purificar-se a si mesmos (2 Cor. 7:1).

(e) Serviço. A aliança é um estado de relação entre DEUS e os homens no qual ele é o DEUS deles e eles o seu povo, o que significa um povo adorador. A palavra “santo” expressa essa relação contratual. Servir a DEUS, nessa relação, significa ser sacerdote; por conseguinte, Israel é descrito como nação santa e reino de sacerdotes (Êxo. 19:6). Qualquer impureza que venha a desfigurar essa relação precisa ser lavada com água ou com o sangue da purificação. Da mesma maneira os crentes do Novo Testamento são “SANTOS”, isto é, um povo santo consagrado. Pelo sangue da aliança tornaram-se “sacerdócio real, a nação santa… sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a DEUS por JESUS CRISTO” (1 Ped. 2:9,5); oferecem o sacrifício de louvor (Heb. 13:15) e dedicam-se como sacrifícios vivos sobre o altar de DEUS (Rom. 12:1). Assim vemos que o serviço é elemento essencial da SANTIFICAÇÃO ou SANTIDADE, pois é esse o único sentido em que os homens podem pertencer a DEUS, isto é, como seus adoradores que lhe prestam serviço. Paulo expressou perfeitamente esse aspecto da SANTIDADE quando disse acerca de DEUS: “De quem eu sou, e a quem sirvo” (Atos 27:23). SANTIFICAÇÃO envolve ser possuído por DEUS e servir a ele.

2. O tempo da SANTIFICAÇÃO. A SANTIFICAÇÃO reúne: 1) idéia de posição perante DEUS e instantaneidade; 2) prática e progressiva.

(a) Posicional instantânea. A seguinte declaração representa o ensino dos que aderem à teoria de SANTIFICAÇÃO da “segunda obra definida”, feita por alguém que ensinou essa doutrina durante muitos anos:   Supõe-se que a justificação é obra da graça pela qual os pecadores, ao se entregarem a CRISTO, são feitos justos e libertados dos hábitos pecaminosos. Mas no homem meramente justificado permanece um princípio de corrupção, uma árvore má, “uma raiz de amargura”, que continuamente o provoca a pecar. Se o crente obedece a esse impulso e deliberadamente peca, ele perde sua justificação; segue-se portanto, a vantagem de ser removido esse impulso mau, para que diminua a possibilidade de se desviar. A extirpação dessa raiz pecaminosa é SANTIFICAÇÃO. Portanto, é a purificação da natureza de todo pecado congênito pelo sangue de CRISTO (aplicado pela fé ao realizar-se a plena consagração), e o fogo purificador do ESPÍRITO SANTO, o qual queima toda a escória, quando tudo é depositado sobre o altar do sacrifício. Isso, e somente isso, é verdadeira SANTIFICAÇÃO — a segunda obra definida da graça, subseqüente à justificação, e sem a qual essa justificação provavelmente se perderá.   A definição supra citada ensina que a pessoa pode ser salva ou justificada sem ser santificada. Essa teoria, porém, é contrária ao ensino do Novo Testamento. O apóstolo Paulo escreve a todos os crentes como a “SANTOS” (literalmente, “os santificados”) e como já santificados (1 Cor. 1:26:11). Mas essa carta foi escrita para corrigir esses cristãos por causa de sua carnalidade e pecados grosseiros. (1 Cor. 3:15:1,2,7,8.) Eram “SANTOS” e “santificados em CRISTO”, mas alguns desses estavam muito longe de ser exemplos de cristãos na conduta. Foram chamados a ser SANTOS, mas não se portavam dignos dessa vocação santa. Segundo o Novo Testamento existe, pois, um sentido em que a SANTIFICAÇÃO é simultânea com a justificação.

(b) Prática progressiva. Mas será que essa SANTIFICAÇÃO consiste somente em ser conferida a posição de SANTOS? Não, essa separação inicial é apenas o começo duma vida progressiva de SANTIFICAÇÃO. Todos os cristãos são separados para DEUS em JESUS CRISTO; e dessa separação surge a nossa responsabilidade de viver para ele. Essa separação deve continuar diariamente: o crente deve esforçar-se sempre para estar conforme à imagem de CRISTO. “A SANTIFICAÇÃO é a obra da livre graça de DEUS, pela qual o homem todo é renovado segundo a imagem de DEUS, capacitando-nos a morrer para o pecado e viver para a justiça.” Isso não quer dizer que vamos progredir até alcançar a SANTIFICAÇÃO e, sim, que progredimos na SANTIFICAÇÃO da qual já participamos. A SANTIFICAÇÃO é posicionai e prática — posicional em que é primeiramente uma mudança de posição pela qual o imundo pecador se transforma em santo adorador; prática porque exige uma maneira santa de viver. A SANTIFICAÇÃO adquirida em virtude de nova posição, indica-se pelo fato de que todos os coríntios foram chamados “santificados em CRISTO JESUS, chamados SANTOS” (1 Cor. 1:2). A SANTIFICAÇÃO progressiva está implícita no fato de alguns serem descritos como “carnais” (1 Cor. 3:3), o que significa que sua presente condição não estava à altura de sua posição concedida por DEUS. Em razão disso, foram exortados a purificar-se e assim melhorar sua consagração até alcançarem a perfeição. Esses dois aspectos da SANTIFICAÇÃO estão implícitos no fato de que aqueles que foram tratados como santificados e SANTOS (1 Ped. 1:22:5), são exortados a serem SANTOS (1 Ped. 1:15). Aqueles que estavam mortos para o pecado (Col 3:3) são exortados a mortificar (fazer morto) seus membros pecaminosos (Col 3:5). Aqueles que se despiram do homem velho (Col. 3:9) são exortados a vestirem-se ou revestirem-se do homem novo. (Efés 4:22Col. 3:8.)

3. Meios divinos de SANTIFICAÇÃO. São meios divinamente estabelecidos de SANTIFICAÇÃO: o sangue de CRISTO, o ESPÍRITO SANTO e a Palavra de DEUS. O primeiro proporciona, primeiramente’, a SANTIFICAÇÃO absoluta, quanto à posição perante DEUS. É uma obra consumada que concede ao pecador penitente uma posição perfeita em relação a DEUS. O segundo meio é interno, efetuando a transformação da natureza do crente. O terceiro meio é externo e prático, e diz respeito ao comportamento do crente. Dessa forma, DEUS fez provisão tanto para a SANTIFICAÇÃO interna como externa.

(a) O sangue de CRISTO, (Eterno, absoluto e posicionai.) (Heb. 13:1210:10,141João 1:7.) Em que sentido seria a pessoa santificada pelo sangue de CRISTO? Em resultado da obra consumada de CRISTO, o pecador penitente é transformado de pecador impuro em adorador santo. A SANTIFICAÇÃO é o resultado dessa “maravilhosa obra redentora do Filho de DEUS, ao oferecer-se no Calvário para aniquilar o pecado pelo seu sacrifício. Em virtude desse sacrifício, o crente é eternamente separado para DEUS; sua consciência é purificada, e ele próprio é transformado de pecador impuro, em santo adorador, unido em comunhão com o Senhor JESUS CRISTO; pois, “assim o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos” (Heb. 2:11). Que haja um aspecto contínuo na SANTIFICAÇÃO pelo sangue, infere-se de 1 João 1:7: “O sangue de JESUS CRISTO, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” Se houver comunhão entre o santo DEUS e o homem, necessariamente terá que haver uma provisão para remover a barreira de pecado, que impede essa comunhão, uma vez que os melhores homens ainda assim são imperfeitos. Ao receber Isaías a visão da SANTIDADE de DEUS, ele ficou abatido ao perceber a sua falta de SANTIDADE; e não estava em condições de ouvir a mensagem divina enquanto a brasa do altar não purificasse seus lábios. A consciência do pecado ofusca a comunhão com DEUS; confissão e fé no eterno sacrifício de CRISTO removem essa barreira. (1 João 1:9.)

(b) O ESPÍRITO SANTO. (SANTIFICAÇÃO Interna.) (1 Cor. 6:112 Tess. 2:121 Ped. 1:1,2Rom. 15:16.) Nessas passagens a SANTIFICAÇÃO pelo ESPÍRITO SANTO é apresentada como o início da obra de DEUS nos corações dos homens, conduzindo-os ao inteiro conhecimento da justificação pela fé no sangue aspergido de CRISTO. Tal qual o ESPÍRITO pairava por cima do caos original (Gên. 1:2), seguindo-se o estabelecimento da ordem pelo Verbo de DEUS, assim o ESPÍRITO paira sobre a alma humana, fazendo-a abrir-se para receber a luz e a vida de DEUS. (2 Cor. 4:6.) O capítulo 10 de Atos proporciona uma ilustração concreta da SANTIFICAÇÃO pelo ESPÍRITO SANTO. Durante os primeiros anos da igreja, a evangelização dos gentios retardou-se visto que muitos cristãos-judeus consideravam os gentios como “imundos”, e não-santificados por causa de sua não conformidade com as leis alimentares e outros regulamentos mosaicos. Exigia-se uma visão para convencer a Pedro que aquilo que o Senhor purificara ele não devia tratar de comum ou impuro. Isso importava em dizer que DEUS fizera provisão para a SANTIFICAÇÃO dos gentios para serem o seu povo. E quando o ESPÍRITO de DEUS desceu sobre os gentios, reunidos na casa de Cornélio, já não havia mais dúvida a respeito. Eram santificados pelo ESPÍRITO SANTO, não importando se obedeciam ou não às ordenanças mosaicas (Rom. 15:16), e Pedro reptou os judeus que estavam com ele a negarem o símbolo exterior (batismo nas águas) de sua purificação espiritual. (Atos 10:4715:8.)

(c) A Palavra de DEUS. (SANTIFICAÇÃO externa e prática.) (João 17:17Efés 5:26João 15:3Sal. 119:9Tia. 1:23-25.) Os cristãos são descritos como sendo “gerados pela Palavra de DEUS”(l Ped. 1:23). A Palavra de DEUS desperta os homens a compreenderem a insensatez e impiedade de suas vidas. Quando dão importância à Palavra arrependendo-se e crendo em CRISTO, são purificados pela Palavra que lhes fora falada. Esse é o início da purificação que deve continuar através da vida do crente. No ato de sua consagração ao ministério, o sacerdote israelita recebia um banho sacerdotal completo, banho que nunca se repetia; era uma obra feita uma vez para sempre. Todos os dias porém, era obrigado a lavar as mãos e os pés. Da mesma maneira, o regenerado foi lavado (Tito 3:5); mas precisa uma separação diária das impurezas e imperfeições conforme lhe forem reveladas pela Palavra de DEUS, que serve como espelho para a alma. (Tia. 1:22-25.) Deve lavar as mãos, isto é, seus atos devem ser retos; deve lavar os pés, isto é, “guardar-se da imundície que tão facilmente se apega aos pés do peregrino, que anda pelas estradas deste mundo”.

4. Idéias errôneas sobre a SANTIFICAÇÃO. Muitos cristãos descobrem o fato de que seu maior impedimento em chegar à SANTIDADE é a “carne”, a qual frustra sua marcha para a perfeição. Como se conseguirá libertação da carne? Três opiniões erradas têm sido expostas:

(a) “Erradicação” do pecado inato é uma dessas idéias. Assim escreve Lewis Sperry Chafer: “se a erradicação da natureza pecaminosa se consumasse, não haveria a morte física, pois esta é o resultado dessa natureza. (Rom. 5:12-21.) Pais que houvessem experimentado essa “extirpação”, necessariamente gerariam filhos sem a natureza pecaminosa. Mas, mesmo que fosse realidade essa “extirpação”, ainda haveria o conflito com o mundo, a carne (à parte da natureza pecaminosa) e o diabo; pois a “extirpação” desses males é obviamente antibíblica e não está incluída na própria teoria. A erradicação é também contrária à experiência.

(b) Legalismo, ou a observância de regras e regulamentos. Paulo ensina que a lei não pode santificar (Rom. cap. 6), assim como também não pode justificar (Rom. 3). Essa verdade é exposta e desenvolvida na carta aos Gálatas. Paulo não está de nenhuma maneira depreciando a lei. Ele a está defendendo contra conceitos errôneos quanto a seu propósito. Se um homem for salvo do pecado, terá que ser por um poder à parte de si mesmo. Vamos empregar a ilustração dum termômetro. O tubo e o mercúrio representam o indivíduo. O registro dos graus representará a lei. Imaginem o termômetro dizendo: “Hoje não estou funcionando exatamente; devo chegar no máximo a 30 graus.” Será que o termômetro poderia elevar-se à temperatura exigida? Não, deveria depender duma condição/ora dele mesmo. Da mesma maneira o homem que percebe não estar à altura do ideal divino não pode elevar-se em um esforço por alcançá-lo. Sobre ele deve operar uma força à parte dele mesmo; essa força é o poder do ESPÍRITO SANTO.

(c) Ascetismo. É a tentativa de subjugar a carne e alcançar a SANTIDADE por meio de privações e sofrimentos — o método que seguem os católicos romanos e os hindus ascéticos. Esse método parece estar baseado na antiga crença pagã de que toda matéria, incluindo o corpo, é má. O corpo, por conseguinte, é uma trava ao espírito, e quanto mais for castigado e subjugado, mais depressa se libertará o espírito. Isso é contrário às Escrituras, que ensinam que DEUS criou tudo muito bom. É a alma e não o corpo que peca; portanto, são os impulsos pecaminosos que devem ser subjugados, e não a carne material. Ascetismo é uma tentativa de matar o “eu”, mas o “eu” não pode vencer o “eu”. Essa é a obra do ESPÍRITO.

5. O verdadeiro método da SANTIFICAÇÃO. O método bíblico de tratar com a carne, deve basear-se obviamente, na provisão objetiva para a salvação, o sangue de CRISTO; e na provisão subjetiva, o ESPÍRITO SANTO. A libertação do poder da carne, portanto, deve vir por meio da fé na expiação e por entregar-se à ação do ESPÍRITO. O primeiro é tratado no sexto capítulo de Romanos, e o segundo na primeira parte do capítulo oitavo.

(a) Fé na expiação. Imaginemos que houvesse judeus presentes (o que sucedia com freqüência) enquanto Paulo expunha a doutrina da purificação pela fé. Nós os imaginamos dizendo em protesto: “Isso é uma heresia do tipo mais perigoso!” Dizer ao povo que precisam crer unicamente em JESUS, e que nada podem fazer quanto à sua salvação porque ela é pela graça de DEUS, tudo isso resultará em que descuidarão de sua maneira de viver. Eles julgarão que pouco importa o que façam, uma vez que creiam. Sua doutrina de fé fomenta o pecado. Se a justificação é pela graça e nada mais, sem obras, por que então romper com o pecado? Por que não continuar no pecado para que abunde ainda mais a graça? Os inimigos de Paulo efetivamente o acusaram de pregar tal doutrina. (Rom. 3:86:1.) Com indignação Paulo repudiou tal perversão. “De modo nenhum . Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?” (Rom. 6:2). A continuação no pecado é impossível a um homem verdadeiramente justificado, em razão de sua união com CRISTO na morte e na vida. (Vide Mat. 6:24.) Em virtude de sua fé em CRISTO, o homem salvo passou por uma experiência que inclui um rompimento tão completo com o pecado, que se descreve como morte para o pecado, e uma transformação tão radical que se descreve como ressurreição. Essa experiência é figurada no batismo nas águas. A imersão do convertido testifica do fato que em razão de sua união com o CRISTO crucificado ele morreu para o pecado; ser levantado da água testifica que seu contacto com o CRISTO ressuscitado significa que “como CRISTO ressuscitou dos mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Rom. 6:4). CRISTO morreu pelo pecado a fim de que nós morrêssemos para o pecado. “Aquele que está morto está justificado do pecado” (Rom. 6:7). A morte cancela todas as obrigações e rompe todos os laços. Por meio da união com CRISTO, o cristão morreu para a vida antiga, e os grilhões do pecado foram quebrados. Como a morte dava fim à servidão do escravo, assim a morte do crente, que morreu para o mundo, o libertou da servidão ao pecado. Continuando a ilustração: A lei nenhuma jurisdição tem sobre um homem morto. Não importa qual seja o crime que haja cometido, uma vez morto, já está fora do poder da justiça humana. Da mesma maneira, a lei de Moisés, muitas vezes violada pelo convertido, não o pode “prender”, pois, em virtude de sua experiência com CRISTO, ele está “morto”. (Rom. 7:1-42 Cor. 5:14.) “Sabendo que, havendo CRISTO ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não mais terá domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado, mas, quanto a viver, vive para DEUS. Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para DEUS em CRISTO JESUS nosso Senhor” (Rom. 6:9-11). A morte de CRISTO pôs fim a esse estado terrenal no qual ele teve contacto como o pecado; sua vida agora é uma constante comunhão com DEUS. Os cristãos, ainda que estejam no mundo, podem participar de sua experiência, porque estão unidos a ele. Como podem participar? “Considerai-vos como mortos para o pecado, nas vivos para DEUS em CRISTO JESUS nosso Senhor.” Que significa isso? DEUS já disse que por meio da nossa fé em CRISTO, estamos mortos para o pecado e vivos para a justiça. Resta uma coisa a fazer; crer em DEUS e considerar ou concluir que estamos mortos para o pecado. DEUS declarou que quando CRISTO morreu, nós morremos para o pecado; quando ele ressuscitou, nós ressuscitamos para viver uma nova vida. Devemos continuar considerando esses fatos como absolutamente certos; e, ao considerá-los assim, tornar-se-ão poderosos em nossa vida, pois, seremos o que reconhecemos que somos. Uma distinção importante tem sido assinalada, a saber, a distinção entre as promessas e os fatos da Bíblia. JESUS disse: “Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito” (João 15:7). Essa é uma promessa, porque está no futuro; é algo para ser feito. Mas quando Paulo disse que “CRISTO morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras”, ele está declarando um fato, algo que foi feito. Vide a expressão de Pedro: “Pelas suas feridas fostes sarados” (1 Ped. 2:24). E quando Paulo declara “que o nosso homem velho foi com ele crucificado”, ele está declarando um fato, algo que aconteceu. A questão agora é: estamos dispostos ou não a crer no que DEUS declara que são fatos acerca de nós? Porque a fé é a mão que aceita o que DEUS gratuitamente oferece. Será que o ato de descobrir a relação com CRISTO não constitui a experiência que alguns têm descrito como “a segunda obra da graça”?

(b) Cooperação com o ESPÍRITO. Os capítulos 7 e 8 de Romanos continuam o assunto da SANTIFICAÇÃO; tratam da libertação do crente do poder do pecado, e do crescimento em SANTIDADE. No cap. 6 vimos que a vitória sobre o poder do pecado foi obtida pela/é. O capítulo 8 apresenta outro aliado na batalha contra o pecado — o ESPÍRITO SANTO. Como fundo para o capítulo 8 estuda-se a linha de pensamento no cap. 7, o qual descreve um homem voltando-se para a lei a fim de alcançar SANTIFICAÇÃO. Paulo demonstra aqui a impotência da lei para salvar e santificar, não porque a lei não seja boa, mas por causa da inclinação pecaminosa da natureza humana, conhecida como a “carne”. Ele indica que a lei revela o fato (v. 7), a ocasião (v.8), o poder (v.9), a falsidade (v. 11), o efeito (vs. 10,11), e a vileza do pecado (vs. 12,13). Paulo, que parece estar descrevendo sua própria experiência passada, diz-nos que a própria lei, que ele tão ardentemente desejava observar, suscitava impulsos pecaminosos dentro dele. O resultado foi “guerra civil” na sua alma. Ele é impedido de fazer o bem que deseja fazer, e impelido a fazer o que odeia. “Acho então esta lei em mim; que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de DEUS; mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros” (vs. 21-23). A última parte do capítulo 7, evidentemente, apresenta o quadro do homem debaixo da lei, que descobriu a perscrutadora espiritualidade da lei, mas em cada intento de observá-la se vê impedido pelo pecado que habita nele. Por que descreve Paulo esse conflito? Para demonstrar que a lei é tão impotente para santificar como o é para justificar. “Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?” (v. 24 Vide 6:6). E Paulo, que descrevia a experiência debaixo da lei, assim testifica alegremente de sua experiência debaixo da graça: “Dou graças a DEUS (que a vitória vem) por JESUS CRISTO nosso Senhor” (v. 25). Com essa exclamação de triunfo entramos no maravilhoso capítulo oitavo, que tem por tema dominante a libertação da natureza pecaminosa pelo poder do ESPÍRITO SANTO. Há três mortes das quais o crente deve participar: 1) A morte no pecado, isto é, nossa condenação. (Efés. 2:1Col. 2:13.) O pecado havia conduzido a alma a essa condição, cujo castigo é a morte espiritual ou separação de DEUS. 2) A morte pelo pecado, isto é, nossa justificação. CRISTO sofreu sobre a cruz a sentença duma lei infligida, e nós, por conseguinte, somos considerados como a havendo sofrido nele. O que ele fez por nós é considerado como se fosse feito por nós mesmos. (2 Cor. 5:14Gál. 2:20.) Somos considerados legal ou judicialmente livres da pena duma lei violada, uma vez que pela fé pessoal consentimos na transação. 3) A morte para o pecado, isto é, nossa SANTIFICAÇÃO. (Rom. 6:11.) O que é certo para nós deve ser feito real em nós; o que é judicial deve se tornar prático; a morte para a pena do pecado deve ser seguida pela morte para o poder do pecado. E essa é a obra do ESPÍRITO SANTO. (Rom. 8:13.) Assim como a seiva que ascende na árvore elimina as folhas mortas que ficaram presas aos ramos, apesar da neve e das tempestades, assim o ESPÍRITO SANTO, que habita em nós, elimina as imperfeições e os hábitos da vida antiga.

6. SANTIFICAÇÃO completa. Muitas vezes esta verdade é discutida sob o tema: “Perfeição cristã.”   (a) Significado de perfeição. Há dois tipos de perfeição: absoluta e relativa. É absolutamente perfeito aquilo que não pode ser melhorado; isso pertence unicamente a DEUS. E relativamente perfeito aquilo que cumpre o fim para o qual foi designado; essa perfeição é possível ao homem. A palavra “perfeição”, no Antigo Testamento, significa ser “sincero e reto” (Gên 6:9Jó 1:1). Ao evitar os pecados das nações circunvizinhas, Israel podia ser uma nação “perfeita” (Deut. 18:13). No Antigo Testamento a essência da perfeição é o desejo e a determinação de fazer a vontade de DEUS. Apesar dos pecados que mancharam sua carreira, Davi pode ser chamado um homem perfeito e “um homem segundo o coração de DEUS”, porque o motivo supremo de sua vida era fazer a vontade de DEUS. No Novo Testamento a palavra “perfeito” e seus derivados têm uma variedade de aplicações, e, portanto, deve ser interpretada segundo o sentido em que os termos são usados. Várias palavras gregas são usadas para expressar a idéia de perfeição: 1) Uma dessas palavras significa ser completo no sentido de ser apto ou capaz para certa tarefa ou fim. (2 Tim. 3:17.) 2) Outra denota certo fim alcançado por meio do crescimento mental e moral. (Mat. 5:4819:21Col. 1:284:12 ; Heb. 11:40.) 3) A palavra usada em 2 Cor. 13:9Efés 4:12; e Heb. 13:21 significa um equipamento cabal. 4) A palavra usada em 2 Cor. 7:1 significa terminar, ou trazer a uma terminação. A palavra usada em Apoc. 3:2 significa fazer repleto, cumprir, encher (como uma rede), nivelar (um buraco). A palavra “perfeito” descreve os seguintes aspectos da vida cristã: 1) Perfeição de posição em CRISTO (Heb. 10:14) — o resultado da obra de CRISTO por nós. 2) Madureza e entendimento espiritual, em contraste com a infância espiritual. (1 Cor. 2:614:20;2Cor. 13:11Fil. 3:15;2Tim. 3:17) 3) Perfeição progressiva. (Gál. 3:3.) 4) Perfeição em certos particulares: a vontade de DEUS, o amor ao homem, e serviço. (Col. 4:12Mat. 5:48Heb. 13:21.) 5) A perfeição final do indivíduo no céu. (Col. 1:28,22Fil. 3:12; 1Ped. 5:10.) 6) A perfeição final da igreja, ou o corpo de CRISTO, isto é, o conjunto de crentes. (Efés. 4:13João 17:23.)   (b) Possibilidades de perfeição. O Novo Testamento apresenta dois aspectos gerais da perfeição: 1) A perfeição como um dom da graça, o qual é a perfeita posição ou estado concedido ao arrependido em resposta à sua fé em CRISTO. Ele é considerado perfeito porque tem um Salvador perfeito e uma justiça perfeita. 2) A perfeição como realmente efetuada no caráter do crente. É possível acentuar em demasia o primeiro aspecto e descuidar do Cristianismo prático. Tal aconteceu a certo indivíduo que, depois de ouvir uma palestra sobre a Vida Vitoriosa, disse ao pregador: “Tudo isso tenho em CRISTO.” “Mas o senhor tem isso consigo, agora, aqui em Glasgow?” foi a serena interrogação. Por outra parte, acentuando demais o segundo aspecto, alguns praticamente têm negado qualquer perfeição à parte do que eles encontram em sua própria experiência. João Wesley (o fundador do Metodismo) parece haver tomado uma posição intermediária entre os dois extremos. Ele reconhecia que a pessoa era santificada na conversão, mas afirmava a necessidade da inteira SANTIFICAÇÃO como outra obra da graça. O que fazia essa experiência parecer necessária era o poder do pecado, que era a causa de o cristão ser derrotado. Essa bênção vem a quem buscar com fidelidade; o amor puro enche o coração e governa toda a obra e ação, resultando na destruição do poder do pecado. Essa perfeição no amor não é considerada como perfeição absoluta, nem tampouco isenta o crente de vigilância e cuidados constantes. Wesley escreveu: “Creio que a pessoa cheia do amor de DEUS ainda está propensa a transgressões involuntárias. Tais transgressões vocês poderão chamá-las de pecados, se quiserem; mais eu não.” Quanto ao tempo da inteira SANTIFICAÇÃO, Wesley escreveu:   “É esta morte para o pecado e renovação no amor, gradual ou instantânea? Um homem poderá estar à morte por algum tempo; no entanto, propriamente falando, não morre enquanto não chegar o instante em que a alma se separa do corpo; e nesse momento ele vive a vida da eternidade. Da mesma maneira a pessoa poderá estar morrendo para o pecado por algum tempo; entretanto, não está morto para o pecado enquanto o pecado não for separado de sua alma; é nesse momento que vive a plena vida de amor. E da mesma maneira que a mudança sofrida quando o corpo morre é duma qualidade diferente e infinitamente maior que qualquer outra que tenhamos conhecido antes, tão diferente que até então era impossível conceber, assim a mudança efetuada quando a alma morre para o pecado é duma classe diferente e infinitamente maior que qualquer outra experimentada antes, e que ninguém pode conceber até que a experimente. No entanto, essa pessoa continuará a crescer na graça, no conhecimento de CRISTO, no amor e na imagem de DEUS; e assim continuará, não somente até a morte, mas por toda a eternidade. Como esperaremos essa mudança? Não em um descuidado indiferentismo, ou indolente inatividade; mas em obediência vigorosa e universal, no cumprimento fiel dos mandamentos, em vigilância e trabalho, em negarmo-nos a nós mesmos, tomando diariamente a nossa cruz; como também em oração fervorosa e jejum, e atendendo bem às ordenanças de DEUS. E se alguém pensa em obtê-la de alguma outra maneira (e conservá-la quando a haja obtido, mesmo quando a haja recebido na maior medida) esse alguém engana sua própria alma.”   João Calvino, que acentuara a perfeição do crente pela consumada obra de CRISTO, e que não era menos zeloso da SANTIDADE de que Wesley, dá o seguinte relato da perfeição cristã:   “Quando DEUS nos reconcilia consigo mesmo, por meio da justiça de CRISTO, e nos considera como justos por meio da livre remissão de nossos pecados, ele também habita em nós, pelo seu ESPÍRITO, e santifica-nos pelo seu poder, mortificando as concupiscências da nossa carne e formando o nosso coração em obediência à sua Palavra. Desse modo, nosso desejo principal vem a ser obedecer à sua vontade e promover a sua glória. Porém, ainda depois disso, permanece em nós bastante imperfeição para repelir o orgulho e constranger-nos à humildade.” ( Ecl. 7:201Reis 8:46.)   Ambas as opiniões, a perfeição como dom em CRISTO e a perfeição como obra real efetuada em nós, são ensinadas nas Escrituras; o que CRISTO fez por nós deve ser efetuado em nós. O Novo Testamento sustenta um ideal elevado de SANTIDADE e afirma a possibilidade de libertação do poder do pecado. Portanto, é dever do cristão esforçar-se para conseguir essa perfeição. (Fil. 3:12; Heb.6:l.) Em relação a isto devemos reconhecer que o progresso na SANTIFICAÇÃO muitas vezes implica uma crise na experiência, quase tão definida como a da conversão. Por um meio ou outro, o crente recebe uma revelação da SANTIDADE de DEUS e da possibilidade de andar mais perto dele, e essa experiência é seguida por um conhecimento interior de ter ainda alguma contaminação. (Vide Isa. 6.) Ele chegou a uma encruzilhada na sua experiência cristã, na qual deverá decidir se há de retroceder ou seguir avante, com DEUS. Confessando seus fracassos passados, ele faz uma reconsagração, e, como resultado, recebe um novo aumento de paz, gozo e vitória, e também o testemunho de que DEUS aceitou sua consagração. Alguns têm chamado a essa experiência uma segunda obra da graça. Ainda haverá tentação de fora e de dentro, e daí a necessidade de vigilância (Gál. 6:1ICor. 10:12); a carne é fraca e o cristão está livre para ceder, pois está em estado de prova (Gál. 5:17Rom. 7:18Fil. 3:8); seu conhecimento é parcial e falho; portanto, pode estar sujeito a pecados de ignorância. Porém ele pode seguir avante, certo de que pode resistir e vencer toda a tentação que reconheça (Tia. 4:71 Cor. 10:13Rom. 6:14Efés. 6:13,14); pode estar sempre glorificando a DEUS cheio dos frutos de justiça (1 Cor. 10:31Col. 1:10); pode possuir a graça e o poder do ESPÍRITO e andar em plena comunhão com DEUS (Gál. 5:2223;Efés. 5:18Col. 1:10,111 João 1:7); pode ter a purificação constante do sangue de CRISTO e assim estar sem culpa perante DEUS. (1 João 1:7Fil. 2:15; 1Tess. 5:23).

SANTIFICAÇÃO – Teologia Sistemática Pentecostal – A DOUTRINA DA SANTIFICAÇÃO DO CRENTE A justificação efetuada por DEUS para nos salvar põe-nos em correto relacionamento com Ele. Já a SANTIFICAÇÃO comprova a realidade da justificação em nossa vida, manifestando seus frutos em nós; em nossa vida. SANTO é aquele crente que vive separado do pecado, do mal, do mundo (mundanismo), e dedicado a DEUS e ao seu serviço. Observe as palavras de Paulo em Atos 27.23: “Porque, esta mesma noite, o anjo de DEUS, de quem eu sou e a quem sirvo, esteve comigo”. O cristão tem duas naturezas: uma humana, herdada de Adão, pela geração natural; e outra, divina, através da geração espiritual (I Pe 1.23). Daí a SANTIFICAÇÃO do crente ter dois aspectos: um diante de DEUS, e outro, diante de si mesmo e do mundo (I Jo 3.32 Co 7.1Hb 12.14Mt 5.16). Essas duas naturezas do crente são vistas em Gálatas 5.17 e Romanos 6—8. Em Levítico 20.8 — “Eu sou o Senhor que vos santifica” — vemos a SANTIFICAÇÃO do crente diante de DEUS, mas, no versículo 7, menciona-se a SANTIFICAÇÃO crente diante de si mesmo e do mundo: “Santificai-vos e sede SANTOS” (cf. I Pe LI5). SANTIFICAÇÃO de objetos, eventos, datas, pessoas, animais. Esse aspecto da SANTIFICAÇÃO é muito comum em relação aoTabernáculo e seus objetos, e seus oficiantes, os quais pertenciam somente a DEUS, como vemos nos livros de Exodo e Deuteronômio. Esse aspecto da SANTIFICAÇÃO implica um só sentido, que é a posse de DEUS, e a dedicação e separação desses elementos para o serviço de DEUS. Alguns exemplos desses elementos SANTOS: Eventos e datas (Êx 20.8Dt 5.12Lv 25.1023.2). O Templo (I Rs 9.3). O altar dos holocaustos (Ex 29.37). As vestes sacerdotais (Êx 28.229.2940.13). Pessoas (Êx 13.1228.4129.1,44I Sm 16.5I Cr 15.142 Cr 29.5). Animais (Nm 18.17Êx 13.2b). Nesse sentido, os templos atuais da igreja são santificados a DEUS, bem como os objetos dedicados ao serviço dEle. SANTIFICAÇÃO de pessoas. Há dois principais sentidos de SANTIFICAÇÃO do crente em relação a DEUS. O primeiro diz respeito à separação do mal para pertencer a DEUS “Ser-me-eis SANTOS, porque eu, o Senhor, sou santo” (Lv 20.26). E o sentido negativo da SANTIFICAÇÃO, pois se ocupa do “não farás isso; não farás aquilo”, etc; é separar-se para DEUS. O segundo sentido de SANTIFICAÇÃO do crente é o positivo. O crente, já separado do mal, dedica-se a DEUS para o seu serviço, ocupa-se em fazer algo para Ele: “De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor e preparado para toda boa obra” (2Tm 2.21). Paulo, ao falar de DEUS, disse: “de quem eu sou e a quem eu sirvo” (Ato 27.23). A SANTIFICAÇÃO é dúplice. Ser santo não é somente evitar o pecado, mas também servir ao Senhor, com a vida; com os talentos; com os dons; com os bens; com a casa; com o tempo; com as finanças; com os serviços, inclusive mão de obra. Por isso, muitos crentes não conseguem viver uma vida santa; eles não vivem pecando continuadamente, mas não querem nada com as coisas do Senhor, nem com a sua obra, nem com a igreja para zelar por ela e promovê-la. Os tempos da SANTIFICAÇÃO. A SANTIFICAÇÃO de pessoas quanto à vida cristã abrange três tempos: SANTIFICAÇÃO passada e instantânea (I Co 6.II;Hb 10.10,14Fp 1.1I Co 1.2Jo 15.4). E aspectual e posicionai, isto é, o crente estando “em CRISTO” (Cl 1.20; Fp I.I). O crente posicionalmente “em CRISTO” não pode ser mais santo do que o é no momento da sua conversão, pois a SANTIDADE de CRISTO é a sua SANTIDADE (c£ I Jo 4.17). Na Igreja Romana, alguns são “canonizados” (feitos SANTOS) depois de mortos, mas no Remo de DEUS é diferente: os salvos são SANTOS aqui, enquanto estão vivos! SANTIFICAÇÃO presente e progressiva (2 Co 7.1). E temporal, vivencial. Ê a SANTIFICAÇÃO experimental, ou seja, na experiência humana, no dia-a-dia do crente (I Ts 5.23Hb 13.12 — “para santificar o seu povo”). A SANTIFICAÇÃO posicionai e a experimental (progressiva) são vistas juntas nestas passagens: Hebreus 12.10 com 12.14; Filipenses 3.15 com 3.12; João 15.4 com 15.5; Coríntios 1.2; Filipenses I.I; e Levítico 20.7 com 20.8. SANTIFICAÇÃO futura e completa (Ef 5.27I Ts 3.13). È plena; trata-se da SANTIFICAÇÃO final do crente (I Jo 3.2). Ela ocorrerá à Segunda Vinda de JESUS, para levar os seus (I Jo 3.2Ef 5.26,27). Seremos então mudados: “num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” (I Co 15.52). Os meios divinos de SANTIFICAÇÃO: DEUS, o Pai (I Ts 5.23). DEUS, o Filho (Hb 10.1013.12Mt 1.21). DEUS, ESPÍRITO SANTO (I Pe 1.2), cujo título principal — ESPÍRITO SANTO — já indica a sua missão principal: santificar. A correção divina. E um meio de SANTIFICAÇÃO (Hb 12.10,11). A Palavra de DEUS. Lida, crida, estudada, ouvida, amada, meditada, pregada, ensinada, obedecida, vivida, memorizada (SI 119.II; Jo 15.317.17; SI 119.9; Ef 5.26). A paz de DEUS em nós. Seu cultivo, sua busca, sua promoção (Hb 12.141Ts 5.23a). Nestas duas passagens, a paz está ligada à SANTIFICAÇÃO do crente. A fé em DEUS. Esta, baseada na sua Palavra, é um meio divino de SANTIFICAÇÃO (Rm 4Hb 11.332Ts 2.13b; Ato 26.1815.9). Alerta divino. A Palavra de DEUS tem um alerta para a igreja quanto à SANTIFICAÇÃO: “Segui a paz com todos e a SANTIFICAÇÃO, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). E ainda: “Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça” (Ec 9.8). Tenhamos cuidado com a falsa SANTIDADE, enganosa, sectarista, fartsaica e exclusivista (2 Tm 3.5); sigamos a verdadeira SANTIDADE (Ef 4.24).

SANTIDADE – Comentário – NVI (FFBruce) – A SANTIDADE apropriada a essa posição cristã (1.13-21) Com base nesse fundamento doutrinal que estabeleceu, o apóstolo prossegue de forma tipicamente neotestamentária para erigir uma superestrutura ética. O cristão não pode permitir que a pressão de fora determine o seu comportamento. Ele precisa agir de acordo com a luz que há nele. Particularmente, ele deve ser santo em todas as coisas (v. 13-21) e, dentro da fraternidade da fé, deve ser amável (1.22—2.3). O novo Israel, assim como o antigo, precisa ser santo. Para os membros desse novo Israel, a SANTIDADE é encorajada pela esperança (v. 13), compelida pelo caráter de DEUS (v. 14-17) e reforçada pelo sacrifício de CRISTO (v. 18-21). A esperança é mais do que uma aspiração vaga e amorfa. Exige que “os lombos do vosso entendimento” sejam cingidos (ARC; NVI: estejam com a mente preparada, prontos para agir), isto é, que as barras das roupas soltas sejam firmadas por um cinto para o trabalho pesado ou a atividade enérgica. Essas foram as condições em que a primeira Páscoa teve de ser comida (Ex 12.11). Ao usar essa metáfora, talvez Pedro tenha lembrado das palavras que o seu Senhor lhe dirigiu registradas em Jo 21.18. Assim, abstendo-se dos prazeres debilitadores do paganismo a que antigamente se haviam entregado, eles precisam direcionar todo o seu ser para questões eternas. Eles já não são mais ignorantes. Conhecem o caráter de DEUS. Ele não é meramente santo; é na verdade “O SANTO” (cf. Is 12.6;41.16). Esse caráter, que eles têm em comum com seus predecessores da antiga aliança, precisam refletir (Lv 11.4419.220.7). Por isso, eles não devem pressupor que, porque chamam DEUS de “Nosso Pai”, o seu relacionamento como filhos vai fazer que ele os favoreça no julgamento. Eles precisam saber que o seu julgamento é fundamentado imparcialmente nas obras realizadas. Como aqueles que a certa altura vão ter de prestar contas a ele (cf. Rm 14.122Co 5.10), precisam conduzir uma vida de reverência, isto é, o temor do respeito, e não do pavor. v. 17. jornada terrena: A palavra assim traduzida aqui é semelhante à que é traduzida por “estrangeiros” em 2.11. Mais um incentivo ao comportamento correto é apresentado nos v. 18-21 — o sacrifício precioso de CRISTO. Sua antiga forma de viver que seus pais lhes tinham passado é descrita como vazia (ARA: “fútil”; ARC: “vã”). Com freqüência no AT, “vaidade” está associada a ídolos — cf. Jr 8.1910.14,15 — de forma que evidentemente os leitores de Pedro tinham herdado formas pagãs de viver dos seus ancestrais, uma inferência confirmada com a expressão “idolatria repugnante” em 4.3. Dessas formas pagãs, eles tinham sido redimidos por meio de um sangue tão precioso que fez o ouro e a prata parecerem coisas perecíveis, sejam eles símbolos de riqueza humana ou da religião humana (cf.Mt 2.11Ex 30.1 lss; Ez 7.19). Logicamente, a palavra “redimir” suscita a questão a quem o preço foi pago, mas na época do NT esse aspecto da palavra se perde de vista, e em nenhum lugar das Escrituras essa pergunta é respondida em relação à redenção provida por CRISTO. A descrição do Salvador como um cordeiro sem mancha e sem defeito direciona a mente para as prescrições da lei levítica — cf. Lv 22.19ss —, mas não fica claro que tipo de sacrifício estava em vista aqui. O cordeiro da Páscoa (Ex 12), como o sacrifício pelo qual Israel foi liberto da escravidão e separado para o Senhor, é ricamente significativo no contexto. Assim também é o cordeiro em Is 53, o trecho citado tão extensivamente em 2.22-25. Contudo, a glória do próprio Salvador toma conta dos pensamentos do apóstolo. Aqui há Um que foi conhecido (“escolhido” em algumas versões) eternamente, o centro do grande propósito da eleição de DEUS mencionado em 1.1. Essa expressão sugere o eterno estado de Filho que CRISTO tinha; v. Jo 1.1-18Fp 2.1-11Hb 1.1-14, inter alia. Esse Um foi revelado em Belém no tempo designado (cf. G1 4.4) para o nosso benefício. Ele não somente pagou o preço do resgate com o seu sangue, mas também foi ressuscitado dos mortos e glorificado (v. 21) — uma referência à sua ascensão (cf. At 1.6-11). A última parte do v. 21 deveria ser formulada como na ARC: “para que a vossa fé e esperança estivessem em DEUS”, mostrando o propósito por trás dessa poderosa demonstração da graça de DEUS. Assim, Pedro combina a esperança eterna do cristão, a SANTIDADE do próprio DEUS e a pessoa e obra de CRISTO para reforçar a intensa exortação à conduta correta. Seis das 13 ocorrências no NT dessa palavra traduzida por “o que fizerem” (v. 15) estão nessa breve carta, mostrando como ele considerava isso importante. Cf. tb. as exortações em 2.9,11, 12; 3.16; 4.3,15. 4) O amor como expressão da posição cristã (1.22—2.3) Em concordância com a natureza objetiva do ensino em toda a carta, o amor aqui prescrito deve ser considerado uma virtude prática, o cerrar fileiras debaixo do fogo da perseguição. Não se deve abandonar o irmão que foi punido, mas, visto que todos são membros da família de DEUS (cf. v. 17 anteriormente citado), eles devem amar uns aos outros sinceramente e de coração, vocês purificaram a sua vida\ O verbo está no perfeito, apontando para um ato de obediência no passado que tem resultados duradouros. A palavra sinceramente lembra as orações da igreja por Pedro em At 12.5, em que a mesma palavra grega é usada, e a oração do Senhor no Getsêmani, em que Lc 22.44 usa uma palavra semelhante. regenerados: Como em 1.3, refere-se principalmente à palavra de DEUS ao fazer da igreja toda um novo homem sem de forma alguma excluir a experiência individual de cada membro. Mais uma vez, a ênfase concreta é evidente, visto que a Palavra de DEUS é descrita como a causa formal da sua nova vida. Aqui há algo que é imperecível (lit. “incorruptível”), vivendo e perseverando, não importa o que o perseguidor tenta fazer.

SANTIFICAÇÃO – SOTERIOLOGIA (ESTUDO DA SALVAÇÃO) – As Grandes Doutrinas da Bíblia – Raimundo de Oliveira SANTIFICAÇÃO é a obra da graça pela qual o crente é separado do ego e da pecaminosidade interior, e, pela concessão do ESPÍRITO SANTO, separado para a SANTIDADE de DEUS. Marca uma crise subseqüente à conversão quando o pecador é levado a ver sua necessidade e se apropria da provisão que DEUS fez por ele (Os Oitos Pilares da Salvação – Editora Betânia – Pág. 89).   1. A Natureza da SANTIFICAÇÃO “SANTIFICAÇÃO”, na Bíblia é um termo de grande abrangência e de rico significado para a vida do crente. Relacionada com a experiência da vida cristã, a SANTIFICAÇÃO tem a ver com o tempo passado, presente, e futuro da sua vida. Para melhor compreender isto, atentemos para os três tempos da SANTIFICAÇÃO: a) SANTIFICAÇÃO do Passado “Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de JESUS CRISTO, feita uma vez … Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados” (Hb 10.10,14).Em CRISTO o crente é posicionalmente santificado no momento da sua conversão. Este nível de SANTIFICAÇÃO se dá como concessão divina através de JESUS CRISTO, independentemente do que o crente possa ou não fazer. Aqui a SANTIFICAÇÃO é uma experiência instantânea. Isto é: posicionalmente, em CRISTO, o crente não poderá ser mais santo amanhã do que é hoje. b) SANTIFICAÇÃO no Presente “E o mesmo DEUS de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor JESUS CRISTO” (1 Ts 5.23). Aqui temos a SANTIFICAÇÃO ao nível da experiência cristã no cotidiano. Fala da assimilação da vontade de DEUS pelo cristão no seu dia-a-dia. Falando da SANTIFICAÇÃO como uma realidade presente, escreveu o apóstolo Paulo: “Não que já na tenha alcançado ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também 4preso por CRISTO JESUS. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de DEUS em CRISTO JESUS” (Fp 3.12-14). A SANTIFICAÇÃO como experiência presente fala do nosso crescimento em CRISTO, da maturidade da vida cristã e do progresso espiritual capaz de conduzir o crente a alcançar a estatura de varão perfeito. c) A SANTIFICAÇÃO no Futuro. “Mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do DEUS vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos,à universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a DEUS, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados; e a JESUS, o Mediador de uma nova aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel” (Hb 12.22-24). Só quando os crentes adentrarem o grande portal de cristal das mansões de DEUS cumprir-se-á na sua inteireza o ideal joanino: “Amados, agora somos filhos de DEUS, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos” (1 Jo 3.2). 2. O Propósito da SANTIFICAÇÃO A SANTIFICAÇÃO tem como finalidade primordial acudir a necessidade mais profunda da criatura humana, identificando com CRISTO. Essa necessidade está retratada com matizes mui vivos no capítulo 7 da carta de Paulo aos Romanos, de acordo com este escrito de Paulo, existe um inimigo interior chamado “a lei do pecado”; e que há necessidade da obra regeneradora do ESPÍRITO no sentido de que o pecador “tenha prazer na lei de DEUS”. Também é preciso que o ESPÍRITO revele ao pecador que “em mim… não habita bem algum”. A SANTIFICAÇÃO é a provisão feita por DEUS. Mas, como podemos experimentar a apropriação disso? Pela identificação com CRISTO em sua morte. Devemos consentir em morrer com CRISTO em sua morte. Precisamos subir à cruz com Ele, e de toda a nossa vontade renunciar ao ego que há causado todos os nossos distúrbios. A crucificação é o único meio de libertação. “Estou crucificado com CRISTO” (Gl 2.19). Que tem tudo isso a ver com a SANTIFICAÇÃO? Simplesmente isto: O ESPÍRITO SANTO não santificará a vida egoísta, ou a natureza pecaminosa. Essa precisa identificar-se com CRISTO na cruz antes que o ESPÍRITO SANTO possa realizar sua obra de SANTIFICAÇÃO e enchê-Ia. Pode acontecer que nossa compreensão de tudo isso seja um tanto vaga no tempo em que nos entregamos ao enchimento do ESPÍRITO, mas Ele nos conduzirá fielmente para frente, e, seja qual for a luz que Ele nos fornecer no futuro, é contrabalançada pelo fato de que toda controvérsia foi resolvida quando nos entregamos a Ele” (Os Oitos Pilares da Salvação – Editora Betânia – Pág.94). 3. Meios da SANTIFICAÇÃO Na obra da SANTIFICAÇÃO há o lado humano e o lado divino. Do lado divino a obra é completa e resultante duma série de fatores, dignos da consideração do crente. a) Somos Santificados Pela Palavra JESUS orou ao Pai acerca dos seus discípulos, dizendo: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade” (Jo 17.17-19). A Palavra de DEUS tem o mérito de purificar e lavar as manchas do pecado que maculam a alma e prejudicam as relações entre DEUS e o homem. Para tanto, torna-se, imprescindível que o crente ame-a, leia-a e permita que ela faça parte da sua vida cotidiana. b) Somos Santificados Pelo Sangue de JESUS Sobre o sangue carmesim do nosso Salvador repousa toda a nossa pureza e vitória. “Por isso foi que também JESUS, para santificar o povo, pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta” (Hb 13.12).Sempre que o ESPÍRITO SANTO lida conosco, seja por causa dos nossos atos pecaminosos ou por causa da nossa natureza tendente ao pecado, Ele nos faz voltar ao calvário e nos conscientiza de que o sangue derramado na cruz não foi em vão, mas é eficaz para romper com o círculo do pecado em nossa vida. c) Somos Santificados Pela Trindade A Bíblia atribui a SANTIFICAÇÃO cristã tanto ao Pai, como ao Filho e ao ESPÍRITO SANTO: -“E o mesmo DEUS da paz vos santifique em tudo” (1 Ts 5.23). -“Pois, tanto o que santifica [o contexto refere-se a JESUS], como os que são santificados, todos vêm de um só” (Hb 2.11). -“DEUS vos escolheu desde o princípio, para a salvação pela SANTIFICAÇÃO do Espíritofé na verdade” (2 Ts 2.13). -“Eleitos… em SANTIFICAÇÃO do ESPÍRITO” (1 Pd 1.2).  Uma vez que o DEUS Trino e Uno opera em favor da nossa SANTIFICAÇÃO, devemos cooperar com Ele. 4. O Lado Humano da SANTIFICAÇÃO O lado humano da SANTIFICAÇÃO envolve dois atos da parte do crente, são eles: separação e dedicação.         a) Separação do Pecado       “Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra” (2 Tm 2.21). A presença do pecado na nossa vida é incompatível com o interesse de DEUS em nos usar no cumprimento da sua vontade.          b) Dedicação ao Serviço de DEUS Só após serem purificados de- pecados é que os crentes poderão assimilar em suas vidas o ideal do ESPÍRITO SANTO como diz o apóstolo Paulo: “Rogo-vos pois, irmãos pela compaixão de DEUS, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a DEUS, que é o vosso  culto racional” (Rm 12.1). DEUS não arrasta ninguém pelo caminho do discipulado, da dedicação e serviços verdadeiros. É um ato espontâneo e completo da parte do cristão.

SANTIFICAÇÃO – Comentário Bíblico W. W. Wiersbe Expositivo – Pureza em Meio à Contaminação – 1 Pedro 1:13-21 Na primeira seção deste capítulo, Pedro enfatiza a importância de caminhar em esperança; aqui, sua ênfase é sobre caminhar em SANTIDADE. As duas coisas andam juntas, pois “a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro” (1 Jo 3:3). O significado da raiz do termo traduzido por “santo” é “diferente”. Uma pessoa santa não é esquisita, mas sim diferente. Sua vida possui uma qualidade distinta. Seu “estilo de vida” no presente não é apenas diferente da forma como ela vivia no passado, como também é diferente do “estilo de vida” dos incrédulos a seu redor. A vida de SANTIDADE de um cristão parece estranha para os perdidos (1 Pe 4:4), mas não é estranha para outros cristãos. No entanto, não é fácil viver neste mundo e continuar andando em SANTIDADE. O ambiente contrário a DEUS que nos cerca, aquilo que a Bíblia chama de “mundo”, está sempre pressionando e tentando forçar o cristão a adaptar-se a seus padrões. Neste parágrafo, Pedro apresenta aos leitores cinco incentivos espirituais, a fim de os encorajar (e a nós também) a manter um estilo de vida diferente e a andar em SANTIDADE em um mundo contaminado.

1. A glória de DEUS (1 Pe 1:13) A “revelação de JESUS CRISTO” é uma expressão equivalente à “viva esperança”. O cristão vive no tempo futuro; suas ações e decisões no presente são governadas por essa esperança futura. Assim como um casal de noivos faz planos para a cerimônia de casamento, também os cristãos de hoje vivem na expectativa de ver JESUS CRISTO. “Cingir o entendimento” significa concatenar as idéias, ter a mente disciplinada. A imagem é a de um homem que prende as pontas do manto a seu cinto, ficando livre, assim, para correr. Ao pensar na volta de CRISTO e viver de acordo com essa realidade, escapa-se de muitas coisas do mundo que serviríam de empecilho à mente e que atrasariam o progresso espiritual. É possível que Pedro tenha tomado essa idéia emprestada da ceia de Páscoa, pois, mais adiante nesta seção, ele identifica CRISTO como o Cordeiro (1 Pe 1:19). Os hebreus tiveram de comer a primeira refeição pascal às pressas, prontos para partir (Êx 12:11). A perspectiva determina o resultado; a atitude determina a ação. O cristão com os olhos voltados para a glória de DEUS tem mais motivação para obedecer no presente do que um cristão que ignora a volta do Senhor. O contraste é ilustrado na vida de Abraão e Ló (Gn 1213Hb 11:8-16). Uma vez que Abraão tinha os olhos da fé voltados para a cidade celestial, não estava interessado em propriedades aqui na Terra. Ló, por outro lado, havia provado os prazeres do mundo no Egito e, aos poucos, se moveu em direção a Sodoma. Abraão trouxe bênçãos para seu lar, mas Ló trouxe julgamento. A perspectiva determinou o resultado. A mente não deve ser apenas disciplinada, mas também sóbria. Ser sóbrio significa “ser calmo, estável, controlado; ponderar as coisas”. Infelizmente, algumas pessoas “empolgam-se” com os estudos proféticos e perdem o equilíbrio espiritual. O fato de CRISTO estar voltando deve ser um incentivo a ter calma e tranqüilidade (1 Pe 4:7). Outro motivo para ser sóbrio é que Satanás está rodeando {1 Pe 5:8). A pessoa cuja mente torna-se indisciplinada e cuja vida se desintegra por causa de estudos proféticos dá provas de que, na verdade, não entendeu as profecias bíblicas. Também se deve ter mente otimista. “Esperai inteiramente” significa “depositai todas as vossas esperanças”. Deve-se ter uma perspectiva esperançosa! Certa vez, um amigo meu me escreveu um bilhete que dizia: “Quando as coisas ao redor parecem sombrias, tente olhar para o altol” Sem dúvida, um excelente conselho! As estrelas só aparecem quando está escuro. Em decorrência dessa mentalidade, o cristão experimenta a graça de DEUS em sua vida. Claro que se experimentará a graça na vinda de JESUS CRISTO, mas também podemos experimentá-la hoje, ao pensar na volta de CRISTO. Fomos salvos pela graça e dependemos da graça de DEUS a cada momento (1 Pe 1:10). Olhar para a volta de CRISTO fortalece a fé e a esperança em tempos difíceis e concede mais da graça de DEUS. Outra passagem que mostra a relação entre a graça e a vinda de JESUS CRISTO é Tito 2:10-13.

2. A SANTIDADE DE DEUS – (1 Pe 1:1415) Vemos aqui um argumento lógico e simples. Os filhos herdam a natureza dos pais. DEUS é santo; portanto, como seus filhos, devemos ter uma vida de SANTIDADE. Somos “co-participantes da natureza divina” (2 Pe 1:4) e devemos revelar essa natureza em uma vida piedosa. Pedro lembra seus leitores do que eram antes de crer em CRISTO. Eram filhos da desobediência (Ef 2:1-3), mas agora são filhos obedientes. A verdadeira salvação sempre resulta em obediência (Rm 1:51 Pe 1:2). Também eram imitadores do mundo, “amoldando-se” aos padrões e prazeres do mundo. Romanos 12:2 traduz a mesma expressão por “conformar-se com este mundo”. Os não salvos dizem que desejam ser “livres e diferentes” e, no entanto, vivem imitando uns aos outros! A causa de tudo isso é a “ignorância” que conduz à “tolerância”. Os incrédulos são desprovidos de inteligência espiritual e, portanto, se entregam a todo tipo de prazer carnal e mundano (ver At 17:30Ef 4:17ss). Nascer com uma natureza decaída torna natural viver de modo pecaminoso. A natureza determina os desejos e as ações. Um cão e um gato comportam-se de maneiras distintas porque possuem naturezas diferentes. Se não fosse pela graça de DEUS, ainda estaríamos nessa triste situação. Ele nos chamou! Um dia, JESUS chamou Pedro e seus amigos e disse: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” (Mc 1:17). Eles responderam pela fé a esse chamado e, com isso, a vida de cada um foi completamente transformada. Talvez isso explique por que Pedro usa o termo “chamar” com tanta frequência nesta carta. Somos chamados para ser SANTOS (1 Pe 1:15). Somos chamados “das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2:9). Somos chamados para sofrer e seguir o exemplo de mansidão de CRISTO (1 Pe 2:21). Em meio à perseguição, somos chamados “a fim de [recebermos] bênção por herança” (1 Pe 3:9). O melhor de tudo é que somos chamados para a “eterna glória” de DEUS (1 Pe 5:10). DEUS nos chamou antes de o invocarmos para receber a salvação. Foi tudo obra da graça. Mas a eleição dos pecadores para se tornarem SANTOS pela graça de DEUS envolve não apenas privilégio, mas também responsabilidade. Ele nos escolheu em CRISTO “para sermos SANTOS e irrepreensíveis perante ele” (Ef 1:4). DEUS nos chamou para si e, uma vez que ele é santo, nós devemos ser SANTOS. Pedro cita a Lei do Antigo Testamento para apoiar essa admoestação (Lv 11:444519:2;20:726). A SANTIDADE de DEUS é parte de sua natureza. “DEUS é luz, e não há nele treva nenhuma” (1 Jo 1:5). Toda SANTIDADE que o ser humano tenha em caráter e em conduta deriva-se de DEUS. Ser santificado significa, basicamente, ser “separado para o uso e o prazer exclusivo de DEUS”. Envolve a separação do que é impuro e a completa consagração a DEUS (2 Co 6:14 – 7:1). Devemos ser SANTOS “em todo o [nosso] procedimento”, de modo que tudo o que fizermos reflita a SANTIDADE de DEUS. Para um cristão dedicado, a divisão entre “secular” e “sagrado” não existe. Ao viver para a glória de DEUS, a vida toda é santa. Até mesmo atividades comuns, como comer e beber, podem ser realizadas para a glória de DEUS (1 Co 10:31). Se algo não pode ser feito para a glória de DEUS, então não está de acordo com a vontade de DEUS.

3. A Palavra de DEUS (1 Pe 1:16) “Porque escrito está!” é uma declaração de grande autoridade para o cristão, JESUS usou a Palavra de DEUS para derrotar Satanás e podemos fazer o mesmo (Mt 4:1-11; ver Ef 6:17). Mas a Palavra de DEUS não é apenas uma espada para a batalha; também é uma luz para nos guiar neste mundo escuro (Sl 119:1052 Pe 1:19), alimento para nos fortalecer (Mt 4:41 Pe 2:2), e água para nos purificar (Ef 5:25-27). A Palavra de DEUS exerce um ministério de SANTIFICAÇÃO na vida dos cristãos consagrados (Jo 17:17). Os que se deleitam na Palavra de DEUS, meditam sobre ela e procuram lhe obedecer experimentam a bênção de DEUS em sua vida (SI 1:1-3). A Palavra revela a mente de DEUS, de modo que devemos aprendê-la; revela o coração de DEUS, de modo que devemos amá-la; e revela a vontade de DEUS, de modo que devemos lhe obedecer. O ser como um todo – a mente, o coração e a volição – deve ser controlado pela Palavra de DEUS. Pedro cita o Livro de Levítico: “Sereis SANTOS, porque eu sou santo” (Lv 11:44). Isso significa que a Lei do Antigo Testamento continua a ter autoridade sobre os cristãos do Novo Testamento? É preciso lembrar sempre que os primeiros cristãos não tinham o Novo Testamento. A única Palavra de DEUS que possuíam era o Antigo Testamento, e DEUS usava essa Palavra para orientá-los e alimentá-los. Os cristãos de hoje não estão sujeitos às leis cerimoniais dadas a Israel; no entanto, mesmo nessas leis cerimoniais, encontramos a revelação de princípios morais e espirituais. Nove dos Dez Mandamentos são repetidos no Novo Testamento (o mandamento do sábado foi dado especificamente a Israel e não se aplica a nós hoje; ver Rm 14:1-9). Ao ler e estudar o Antigo Testamento, aprende-se sobre o caráter e a operação de DEUS e vêem-se verdades retratadas em tipos e símbolos. O primeiro passo para manter-se puro em um mundo contaminado é perguntar: “O que a Bíblia diz?” Há nas Escrituras preceitos, princípios, promessas e exemplos pessoais para orientar as decisões de hoje. Se a disposição de obedecer a DEUS for sincera, ele revelará sua verdade (Jo 7:1 7). DEUS pode mudar seus métodos de operação de uma era para outra, mas seu caráter é o mesmo, e seus princípios espirituais não variam. Não se estuda a Bíblia apenas para conhecê-la, mas também para conhecer melhor a DEUS. Ao estudar as Escrituras, muitos cristãos sinceros contentam-se com esboços e explicações e não crescem no conhecimento de DEUS. É bom conhecer a Palavra de DEUS, mas isso deve levar a conhecer melhor o DEUS da Palavra.

4. O JULGAMENTO DE DEUS (1 Pe 1:17) Como filhos de DEUS, precisamos levar a sério a questão do pecado e da vida de SANTIDADE. O Pai celestial é santo (Jo 17:11) e justo (Jo 17:25) e não faz concessões ao pecado. DEUS é misericordioso e clemente, mas também é um disciplinador amoroso que não pode permitir a seus filhos se agradarem do pecado. Afinal, foi por causa do pecado que seu Filho morreu na cruz. Se chamamos DEUS de “Pai”, devemos refletir sua natureza. O que é esse julgamento sobre o qual Pedro escreve? É o julgamento das obras do cristão. Sua única relação com a salvação é o fato de que esta deve produzir boas obras (Tt 1:162:712). Quando cremos em CRISTO, DEUS perdoou os pecados e nos declarou justos em seu Filho (Rm 5:1-108:1-4Cl 2:13). Nossos pecados já foram julgados na cruz (1 Pe 2:24) e, portanto, não podemos ser acusados deles novamente (Hb 10:10-18). Mas quando CRISTO voltar, haverá um tem–po de julgamento chamado de “tribunal de DEUS” (Rm 14:10-12; ou “tribunal de CRISTO”, 2 Co 5:910). Cada um prestará contas de suas obras e receberá a recompensa apropriada. Trata-se de um “julgamento em família” envolvendo o Pai e seus filhos amados. O termo grego traduzido por “julgar” tem o sentido de “julgar a fim de encontrar algo de bom”. DEUS perscrutará as motivações do ministério de cada um e examinará o coração do cristão. Mas ele garante que seu propósito é glorificar a si mesmo em nossa vida e ministério; “e, então, cada um receberá o seu louvor da parte de DEUS” (1 Co 4:5). Que incentivo! DEUS concede inúmeras dádivas e privilégios ao longo da vida cristã, mas ele nunca permite a desobediência e o pecado. Ele não mima seus filhos, deixando que façam tudo o que querem. DEUS “não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno” (Dt 10:17). “Porque para com DEUS não há acepção de pessoas” (Rm 2:11). Anos de obediência não compram uma hora de desobediência. Se um de seus filhos peca, DEUS o disciplina (Hb 12:1-13). Mas quando o filho obedece e serve com amor ao Pai, o Senhor registra e prepara a recompensa devida. Pedro lembra seus leitores de que são apenas “peregrinos” aqui na Terra. A vida é curta demais para ser desperdiçada em desobediência e pecado (ver 1 Pe 4:1-6). Quando Ló deixou de ser um peregrino e se tornou um habitante de Sodoma, perdeu a consagração e o testemunho. Tudo a que ele dedicou sua vida transformou-se em fumaça! É preciso ter sempre em mente que somos “peregrinos e forasteiros” neste mundo (1 Pe 1:12:11). Uma vez que DEUS disciplina os filhos com amor hoje e que julgará as obras de cada um no futuro, deve-se cultivar uma atitude de temor piedoso. Não se trata de medo servil de um escravo diante de seu senhor, mas sim de reverência amorosa de um filho para com o pai. Não é um medo de ser julgado por ele (1 Jo 4:18), mas um medo de desapontá-lo e de pecar contra seu amor. É um “temor de DEUS” (2 Co 7:1), uma reverência solene para com o Pai. Por vezes, tenho a impressão de que, hoje em dia, há cada vez mais descuido e até mesmo leviandade na maneira de falar a respeito de DEUS ou com DEUS. Quase um século atrás, o bispo B. F. Westcott disse: “Cada ano me faz estremecer diante da ousadia com que as pessoas falam acerca das coisas espirituais”. Imagine qual seria sua reação se ouvisse o que se diz hoje em dia! Uma atriz mundana chama DEUS de “o Cara lá de cima”. Um jogador de futebol o chama de “Cartola do céu”. No Antigo Testamento, os israelitas temiam a DEUS de tal modo que nem sequer pronunciavam seu nome santo. No entanto, hoje em dia, falamos de DEUS com desleixo ou com irreverência. Por vezes, ao orarmos em público, são empregados termos tão familiares que alguém se perguntaria se a intenção é expressar petições ou impressionar os ouvintes mostrando como somos “chegados” a DEUS!

5. O amor de DEUS (1 Pe 1:18-21) Esta é a motivação suprema para uma vida de SANTIDADE. Neste parágrafo, Pedro lembra seus leitores de sua experiência de salvação, algo de que todos nós precisamos nos recordar com freqüêneia. Um dos motivos pelos quais JESUS instituiu a Ceia do Senhor foi para que seu povo se lembrasse de que JESUS morreu por ele. Vejamos o que Pedro diz para ajudar a recordar isso. Ele lembra o que eram. Em primeiro lugar, eram escravos que precisavam ser libertos. Para nós, a palavra resgatar é um termo teológico, mas para o povo do império romano do primeiro século tinha um significado específico. Ê provável que cerca de 40% da população fosse de escravos no império! Muitos se converteram e participavam de congregações locais. Tendo os recursos necessários, um escravo poderia comprar sua liberdade; ou seu senhor poderia vendê-lo a alguém que pagasse o preço de mercado para que, em seguida, o libertasse. Naquele tempo, esse resgate ou redenção era precioso. Não se deve esquecer de que a escravidão é pecado (Tt 3:3). Moisés instou os israelitas a se lembrarem de que haviam sido escravos no Egito (Dt 5:1516:1224:1822). A geração que morreu no deserto se esqueceu da servidão do Egito e quis voltar! Não apenas eram escravos como levavam uma vida vazia. Pedro chama esse modo de vida de “vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram” (1 Pe 1:18) e o descreve em mais detalhes em 1 Pedro 4:1-4: Na época, pensaram que sua vida era “plena” e “feliz”, quando na verdade era vazia e miserável. Os incrédulos de hoje estão vivendo cegamente à custa de substitutos. Enquanto ministrava no Canadá, conhecí uma senhora que me disse que havia se convertido quando ainda era bastante jovem, mas que havia adotado um estilo de vida “social” que a empolgava e satisfazia seu ego. Um dia, estava indo a um jogo de cartas quando sintonizou, por acaso, no rádio do carro uma emissora cristã. Naquele exato momento, o locutor dizia: “Algumas de vocês que estão me ouvindo sabem mais sobre baralhos do que sobre a Bíblia!” Sob o impacto dessas palavras e sentindo DEUS tocar em seu coração, a mulher voltou para casa e entregou-se inteiramente ao Senhor. Percebeu a futilidade, a vaidade de uma vida fora da vontade de DEUS. Pedro não apenas os lembra do que eram como também lhes traz à memória o que CRISTO fez. Ele derramou seu sangue precioso para nos comprar da escravidão do pecado e para nos libertar para sempre. Resgatar significa “libertar mediante o pagamento de um preço”. Um escravo poderia ser liberto pelo pagamento de um preço em dinheiro, mas nem todo o dinheiro do mundo é capaz de libertar do pecado um pecador perdido. Somente o sangue de JESUS CRISTO pode nos resgatar. Pedro testemunhou os sofrimentos de CRISTO (1 Pe 5:1) e, ao longo desta carta, menciona a morte sacrifical do Salvador (1 Pe 2:213:184:1135:1). Ao comparar CRISTO a um “cordeiro”, Pedro lembra seus leitores de um preceito do Antigo Testamento importante para a Igreja primitiva e que também deve ser importante para nós hoje. É a doutrina da substituição: uma vítima inocente que dá a vida pelo culpado. A doutrina do sacrifício começa em Gênesis 3, quando DEUS matou animais a fim de confeccionar vestimentas para Adão e Eva. Um carneiro morreu no lugar de Isaque (Gn 22:1 3), e, na primeira Páscoa, DEUS ordenou que um cordeiro fosse morto para cada família de hebreus (Êx 12). Em Isaías 53, o Messias é apresentado como um Cordeiro inocente. Isaque perguntou: “Mas onde está o cordeiro?” (Gn 22:7) e João Batista respondeu ao apontar para JESUS e dizer: “Eis o Cordeiro de DEUS, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1:29). No céu, os remidos e os anjos cantarão: “Digno é o Cordeiro” (Ap 5:11-14). Pedro deixa claro que a morte de CRISTO foi o cumprimento de um plano, não um acidente, pois foi determinada por DEUS antes da fundação do mundo (At 2:23). Do ponto de vista humano, CRISTO foi cruelmente assassinado; mas do ponto de vista divino, entregou a vida pelos pecadores (Jo 10:1718). Mas foi ressurreto dentre os mortos! Agora, todos os que nele crêem recebem a salvação eterna! Quando meditamos sobre o sacrifício que CRISTO realizou por nós, sem dúvida, devemos sentir o desejo de obedecer a DEUS e de viver em SANTIDADE para sua glória. Quando ainda era moça, Francês Ridley Havergal viu uma pintura do CRISTO crucificado com a seguinte inscrição: “Fiz isto por ti. Que fizeste por mim?” Mais que depressa, ela escreveu alguns versos, mas, insatisfeita com sua criação, jogou-a na lareira acesa. O papel permaneceu intacto! Posteriormente, o pai de Francês sugeriu que ela publicasse o poema, que hoje cantamos como hino: Morri na cruz por ti, Morri p’ra te livrar; Meu sangue, sim, verti, E posso te salvar. Morri, morri na cruz por ti; Que fazes tu por mim? Sem dúvida, uma ótima pergunta! Espero que possamos dar uma boa resposta para o Senhor.

6- Unidade Cristã – 1 Pedro 1:22 – 2:10 Um dos fatos dolorosos da vida é que o povo de DEUS nem sempre se entende. Seria de se imaginar que os que caminham em esperança e em SANTIDADE também pudessem caminhar em harmonia, mas nem sempre é o caso. Do ponto de vista de DEUS, existe um só corpo (ver Ef 4:4-6); mas o que vemos com nossos olhos humanos é uma igreja dividida e, por vezes, em pé de guerra. Precisamos encarecidamente de unidade espiritual. Nesta seção de sua carta, Pedro enfatiza a unidade espiritual apresentando quatro retratos vividos da Igreja. Somos filhos, membros da mesma família (1 Pe 1:22 – 2:3) Ao considerar as implicações desse fato, seremos estimulados a construir e a manter a unidade no meio do povo de DEUS.   SANTIDADE – Coleção Comentários Expositivos Hagnos – Hernandes Dias Lopes – O estilo de vida dos salvos (1 Pe 1.13-25) DEUS nos salvou para a SANTIDADE. Salvou-nos do pecado, e não no pecado. Salvou-nos das paixões e da futilidade da vida, e não para vivermos outra vez nessas práticas. Aqueles que têm um encontro com DEUS receberam uma nova vida e devem viver em novidade de vida. O apóstolo Pedro relaciona salvação e SANTIDADE. Após o louvor a DEUS pelas bênçãos da salvação, Pedro volta sua atenção para as implicações da salvação. Em virtude do que DEUS fez por nós, devemos viver de modo digno da nossa vocação. Concordo com Holmer quando ele diz: “Somente é possível desafiar pessoas para uma conduta consagrada se elas já renasceram antes”. O texto em estudo nos apresenta três aspectos desse estilo de vida dos salvos: viver em SANTIDADE, viver com reverência e viver em amor.

Os salvos devem viver em SANTIDADE (1.13-16) O apóstolo Pedro conecta a salvação com a SANTIDADE no versículo 13, quando inicia o parágrafo: Por isso… Em virtude do que DEUS fez por nós, devemos viver de modo digno dessa salvação. A dádiva graciosa da salvação em CRISTO deve levar-nos a uma conduta ajustada e compatível. A doutrina desemboca na ética. A teologia produz vida. No propósito de perseguirmos a SANTIDADE, três verdades devem ser observadas. Em primeiro lugar, a preparação para a SANTIDADE (1.13). A SANTIFICAÇÃO é um processo que começa na conversão e termina na glorificação. Nessa jornada, três atitudes preci­sam ser tomadas: Prepare sua mente. Por isso, cingindo o vosso entendimento… (1.13a). Holmer diz que essa expressão é quase incompreensível para a percepção moderna da língua. Corresponde ao pensamento oriental-metafórico. Na antiguidade, era necessário amarrar as vestes esvoaçantes. Do contrário, elas atrapalhariam o trabalho e estorvariam a batalha. Por isso, o ser humano antigo cingia as ancas, enfiando as pontas das vestes sob o cinto. Também nós somos facilmente prejudicados no trabalho e na vida por “ideias esvoaçantes”.86 O que Pedro está dizendo é: Não permita que qualquer coisa atrapalhe seu entendimento,87 Enio Mueller diz que a palavra grega dianoias, “enten­dimento”, é um pouco diferente de nous, normalmente usada para expressar o que entendemos hoje por “mente”. A primeira denota mais a mentalidade, aquilo que a mente produz. “Cingir o entendimento” significa, entao, “pensar em algo e tirar as conclusões apropriadas”. Em outras pala­vras, “tendo em mente o que foi dito, tirem as implicações para a vida”.88 Quem busca a SANTIFICAÇÃO não pode disper­sar-se com muitas preocupações e devaneios. Sua mente precisa ser firme na Palavra de DEUS, para compreender os preceitos divinos. Concordo com William Barclay no sentido de que não podemos contentar-nos com uma fé medíocre e negligente, sem profundidade e sem reflexão.89 Mantenha-se sóbrio. … sede sóbrios… (1.13b). Essa exortação foi repetida três vezes nesta epístola (1.13; 4.7; 5.8). A palavra grega nefontes significa domínio próprio, especialmente com relação à bebida alcoólica. E uma exortação dirigida contra qualquer embriaguez por álcool ou de modo geral contra qualquer tipo de êxtase dos sentidos.90 Ser sóbrio é estar no pleno domínio de sua capacidade racional. Aqueles que se entregam à embriaguez não têm a mente disposta para DEUS. Também significa ser calmo, estável, controlado; ponderar as coisas.91 Simon Kistemaker realça que a mente deve estar livre de precipitação ou confusão; deve rejeitar a tentação de ser influenciada por bebidas e drogas intoxicantes. Deve permanecer alerta.92 Espere na graça. … e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de JESUS CRISTO (1.13c). Diante das perseguições e dos sofrimentos pelos quais os cristãos estavam passando, Pedro os encoraja a olharem para frente, para a recompensa futura, para a segunda vinda de CRISTO, para a glória que os aguardava, a plenitude sua salvação. A palavra grega elpisate é uma forma verbal de elpis, “esperança”. O objeto da esperança é a graça que nos está sendo trazida.93 O salvo olha para o passado e contempla a cruz, onde seus pecados foram cancelados. Olha para o futuro e contempla a graça que está sendo preparada para a segunda vinda de CRISTO. Na cruz fomos justificados; na segunda vinda seremos glorificados. Entre a cruz e a coroa, entre o sofrimento do Calvário e a glória da parousia, devemos esticar o pescoço e ficar na ponta dos pés esperando inteiramente na graça que nos está sendo trazida na segunda vinda de CRISTO. Warren Wiersbe diz que o cristão vive no tempo futuro; suas ações e decisões no presente são governadas por essa esperança futura.94 Quando as circunstâncias ao nosso redor estiverem sombrias e tenebrosas, devemos olhar para o alto, pois as estrelas só aparecem quando está escuro. É precisamente porque o cristão vive na esperança que consegue suportar as provas e os sofrimentos desta vida, pois sabe que caminha para a glória. Nos três versículos seguintes, Pedro adverte os cristãos a evitarem a conformidade com o mundo, insta-os a lutarem pela SANTIDADE e confirma suas palavras com uma citação do Antigo Testamento. Temos aqui, portanto, uma adver­tência, uma exortação e uma confirmação.95 Em segundo lugar, o perigo à SANTIDADE. Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anterior­mente na vossa ignorância (1.14). Aqui temos uma adver­tência. “Filhos da obediência” é um linguajar semita. Sig­nifica algo como “pessoas que são cunhadas integralmente pela obediência”.96 Fomos salvos para a obediência, por isso os salvos são filhos obedientes. Como os filhos herdam a natureza dos pais, precisamos viver em SANTIDADE, pois nos­so Pai é santo. Como filhos obedientes, não podemos retroceder nem cair nas mesmas práticas indecentes que marcavam nossa conduta quando vivíamos prisioneiros do pecado. Naquele tempo, os desejos e as paixões constituíam o esquema determinante da nossa vida e a nossa norma de conduta. É incoerente, incompatível e inconcebível um salvo amoldar- se-às paixões de sua velha vida. O salvo é nova criatura. Tem uma nova mente, um novo coração, uma nova vida. A vida no pecado é marcada pela ignorância. Mesmo aqueles que vivem untados pelo refinado conhecimento filosófico ainda estão imersos num caudal de ignorância (At 17.30). Ênio Mueller diz que a expressão grega Me syschemati- zomenoi, “não vos amoldeis” significa uma exortação a não entrar no esquema. Originalmente, a palavra significava assumir a forma de alguma coisa, a partir de um molde de encaixe (Rm 12.2). Os cristãos são chamados a “mudar de esquema”, a assumir o esquema de DEUS. A nova vida em CRISTO, transformando a pessoa por dentro, deve traduzir­-se em novas expressões concretas de vida.97 Em terceiro lugar, o imperativo da SANTIDADE. Pelo contrá­rio, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos SANTOS também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque es­crito está: Sede SANTOS, porque eu sou santo (1.15,16). Aqui temos uma exortação e uma confirmação. Três verdades são aqui destacadas: A SANTIDADE é imperativa porque o DEUS que nos chama é santo. O termo grego hagios referente a DEUS traz a ideia de “separado”. Fala sobre a singularidade divina em relação a todo o resto, a sua distinção como Aquele que é totalmente outro. Também expressa sua perfeição moral.98 DEUS nos chama para sermos seus filhos e refletirmos seu caráter. Não fomos destinados apenas para a glória, mas para sermos semelhantes ao Rei da glória. Fomos chamados para sermos coparticipantes da natureza divina. A SANTIDADE é imperativa porque precisa abranger todas as áreas da nossa vida. Nenhum aspecto da nossa vida está excluído desse imperativo divino. Todo o nosso procedi­mento deve resplandecer o caráter de DEUS, a SANTIDADE da­quele que nos chamou do pecado para a salvação. Tornar-se santo inclui ambas as noções sobre SANTIDADE: o elemento de separação, em distinção ao profano, e o elemento ético ou moral.” A SANTIDADE é imperativa porque é uma clara exigência das Escrituras. Pedro citou Levítico 11.44 para sustentar seu argumento: “Sereis SANTOS, porque eu sou santo”. Mueller diz que o apelo à palavra de DEUS serve para ratificar com autoridade o que foi dito.100 Pedro não baseia sua exortação em seus próprios pensamentos, mas na palavra de DEUS. Concordo com Warren Wiersbe quando diz que a Palavra revela a mente de DEUS, de modo que devemos aprendê-la; revela o coração de DEUS, de modo que devemos amá-la; e revela a vontade de DEUS, de modo que devemos obedecê­-la. O ser como um todo – a mente, o coração e a volição — precisa ser controlado pela Palavra de DEUS.101  

Os salvos devem viver com reverência (1.17-21) O apóstolo Pedro passa da SANTIDADE dos salvos para a reverência que eles devem prestar a DEUS, a segunda marca dos que receberam a salvação. DEUS é Pai, mas também Juiz. Somos filhos da obediência, porém isso não nos dá imunidade para vivermos desatentamente. DEUS não é con­descendente nem mesmo com os pecados de seus filhos. Holmer diz corretamente que DEUS tem filhos, mas não favoritos.102 Vamos comparecer perante o tribunal de DEUS para prestarmos conta da nossa vida. Seremos julgados segundo as nossas obras. Intimidade não anula responsabilidade. O mesmo DEUS que firmou conosco relação tão íntima é também o Juiz, o DEUS julgador da história. A reverência a DEUS deve ser observada por três razões. Em primeiro lugar, o julgamento de DEUS. Ora, se invocais como Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um, portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação (1.17). Notemos algumas verdades im­portantes aqui: O Juiz. O DEUS que julga é o mesmo a quem invoca­mos como Pai. Não há incompatibilidade entre a paterni­dade divina e a justiça divina. O fato de chamarmos DEUS de Pai não nos dá direito de nos amoldarmos às paixões mundanas. O Pai e o Juiz são a mesma pessoa. DEUS não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno (Dt 10.17). Porque para com DEUS não há acepção de pessoas (Rm 2.11). Como declara Wiersbe, “anos de obediência não compram uma hora de desobediência”.103 O caráter do Juiz. DEUS não faz acepção de pessoas. Seu julgamento é imparcial. Ele julga homens e mulheres, grandes e pequenos, doutores e analfabetos, com o mesmo critério de justiça. DEUS não mostra favor por ninguém, seja rico ou pobre (Tg 2.1-9), judeu ou gentio (Rm 2.11), escravo ou senhor (Ef 6.9). O critério do julgamento. DEUS julga a cada um segundo as suas obras. Não há imunidade. Não há preferência. DEUS não inocenta o culpado. As implicações do julgamento. Tendo em vista que se­remos julgados, precisamos portar-nos com temor duran­te nossa peregrinação no mundo. “Temor” aqui é aquela reverência e respeito devidos a DEUS, e não uma sensa­ção doentia de medo do castigo (ljo 4.18). Mueller diz acertadamente: “Temor é a necessária antítese dialética à esperança crista”.104 O termo grego paroikia, “peregrina­ção”, revela que “estamos fora de casa”. Somos apenas re­sidentes estrangeiros, destituídos de muitos privilégios de um cidadão com plenos direitos. Aqui não temos cidada­nia permanente. Somos peregrinos. Estamos a caminho da nossa pátria. Precisamos ter cuidado para não plantarmos raízes neste mundo. Em segundo lugar, a redenção de CRISTO (1.18-20). O apóstolo Pedro escreve: Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fiitil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de CRISTO, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós (lPe 1.18-20). O sangue de JESUS é o tema central da Bíblia. De Gênesis a Apocalipse, esse fio escarlata, o sangue de JESUS, é o tema principal. No Antigo Testamento, o sangue de JESUS é prefigurado no derramamento do sangue dos animais sacrificados nos holocaustos. No Novo Testamento, o sangue de JESUS é derramado para a nossa redenção. Você não é reconciliado com DEUS por suas obras, méritos ou religiosidade, mas por meio do sangue de JESUS. Edwin Blum diz que a palavra grega para “redenção” nos remete à instituição da escravatura no antigo império romano. Todas as igrejas cristãs do primeiro século tinham três tipos de membros: escravos, homens livres e homens libertados. Pessoas tornavam-se escravas de várias formas: por causa da guerra, de falência financeira, vendiam-se a si mesmas, eram vendidas por seus pais ou já nasciam escravas. Um escravo podia obter libertação após um tempo de serviço ou principalmente mediante o pagamento de um preço de resgate. Esse preço deveria ser pago por outra pessoa. Portanto, uma pessoa libertada era alguém que já tinha sido escrava, mas agora estava livre.105 Algumas verdades devem ser aqui destacadas: O preço do resgate (1.18a). Pedro fala sobre do preço da redenção primeiro de forma negativa e depois de forma positiva. Negativamente, não fomos resgatados mediante coisas corruptíveis como prata e ouro, os mais importantes meios de pagamento na época. Embora esses metais sejam nobres e duráveis, desgastam-se com o tempo e corrom­pem-se. Podem ser úteis no comércio, mas são inúteis para o resgate espiritual. São insignificantes para nos libertarem da antiga vida e possibilitar a nova. Nem todo o ouro da terra seria suficiente para nos resgatar do pecado e da mor­te. Estávamos na casa do valente, no império das trevas, na potestade de Satanás. Fomos arrancados da prisão do peca­do, da escravidão do diabo e do terror da morte. O sangue de JESUS é o fundamento da minha e da sua salvação. A sua salvação depende do sangue de JESUS. Se você não estiver debaixo do sangue de JESUS, não há esperança. Sem derramamento de sangue, não há remissão de pecado. Suas obras não são suficientes para levar você ao céu. Sua igreja não pode levar você ao céu. Fora do sangue do Cordeiro de DEUS, ninguém pode entrar no céu. O grande avivalista João Wesley sonhou que foi ao inferno e perguntou: Há metodistas aqui? Sim, muitos! Há presbiterianos? Sim, muitos! Há católicos? Sim, muitos! Sonhou também que foi ao céu. E perguntou: Há metodistas aqui? Não! Há presbiterianos? Não! Há católicos? Não! Aqui só há aqueles que foram lavados no sangue do Cordeiro! A condição dos resgatados (1.18b). Fomos resgatados do fútil procedimento que nossos pais nos legaram. Éra­mos não apenas escravos, mas levávamos uma vida vazia, improdutiva e sem propósito, num estilo de vida que pas­sava de geração a geração. Esse fútil procedimento inclui a vaidade e ilusão sem sentido, aquilo que constrói um mun­do de aparências, em oposição à realidade, por isso significa o falso, sem sentido e despropositado que se perpetua de geração em geração.106 A pessoa sem CRISTO, mesmo cumu­lada de bens, é vazia. Não tem uma razão pela qual viver e morrer. Refletindo sobre essa condição humana antes da redenção, Mueller escreve: O homem, afastando-se de DEUS, chegou a se tornar escravizado pelo pecado e pelas forças do mal, não tendo capacidade em si próprio para resistir a essa dominação interna e externa. Isso é o que, basicamente, desencadeia todo o processo de injustiça, de dominação e opressão que caracteriza a sociedade.107 O sacrifício do resgatador (1.19). Pedro não apenas lembra a seus leitores quem eles eram como também lhes traz à memória o que CRISTO fez. JESUS derramou seu sangue precioso para nos comprar da escravidão da lei, do pecado, do diabo e da morte e para nos libertar para sempre. “Resgatar” significa “libertar mediante o pagamento de um preço”. Um escravo no império romano podia ser resgatado pelo pagamento de uma quantia em dinheiro, mas nós só podemos ser resgatados do pecado mediante o sangue de CRISTO. Pedro evoca a libertação de Israel do cativeiro no Egito. Naquela fatídica noite, um cordeiro pascal foi morto no lugar da cada família, seu sangue foi aspergido nos batentes das portas e sua carne foi comida com ervas amargas. William Barclay observa que a figura do cordeiro pascal contém dois pensamentos gêmeos: ser emancipados da escravidão e ser libertados da morte.108 O profeta Isaías, no capítulo 53 de seu livro, descreve esse Cordeiro mudo que foi imolado pelos nossos pecados, e João Batista aponta para JESUS como o Cordeiro de DEUS que tira o pecado do mundo. Isaque perguntou: Onde está o cordeiro? (Gn 22.7) e João Batista respondeu, apontando para JESUS: Eis o Cordeiro de DEUS, que tira o pecado do mundo! (Jo 1.29).         ^ Holmer acertadamente registra:        “No      crucificado contemplamos o Cordeiro de DEUS, no qual não apenas se realizou a profecia messiânica de Isaías 53, mas também se cumpriu o significado profético do cordeiro pascal, bem como de todos os sacrifícios que foram oferecidos no templo de Jerusalém”.109 JESUS é o ofertante e a oferta, o sacerdote e o sacrifício. E o precioso sangue de CRISTO que tem poder para libertar e transformar pessoas de tal maneira que toda a sua vida seja renovada. O Cordeiro de DEUS não podia ter nem uma mancha sequer, nenhum pecado, ao pretender colocar-se no lugar das pessoas, sacrificar-se por elas e redimi-las. Unicamente JESUS atende a essa condição. Somente ele podia redimir a humanidade, o único puro e sem pecados. Ele entregou por nós seu precioso sangue. Fez tudo para nos resgatar para a nova vida.110 Simon Kistemaker conclui esse pensamento: Os autores do Novo Testamento ensinam que CRISTO é aquele cordeiro pascal. João Batista aponta para JESUS e diz: Eis o Cordeiro de DEUS, que tira o pecado do mundo! (Jo 1.29). Paulo comenta que nossa redenção foi efetuada por meio de JESUS CRISTO, a quem DEUS propôs, no seu sangue, como propiciação mediante a fé (Rm 3.25). O autor aos Hebreus declara que CRISTO não entrou nos SANTO dos SANTOS por sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no SANTO dos SANTOS uma vez por todas (Hb 9.12). E, em Apocalipse, João registrou a nova canção que os SANTOS no céu entoavam a CRISTO: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para DEUS os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação (Ap 5.9).111 O plano eterno da redenção (1.20a). JESUS CRISTO é o eterno propósito de DEUS. Antes da fundação do mundo, ele já foi predestinado para a obra da redenção. Pedro deixa claro que a morte de CRISTO não foi um acidente, mas o cumprimento de um plano, pois DEUS a determinou antes da fundação do mundo. Às vezes tendemos a pensar em DEUS primeiro como Criador e depois como Redentor. Pensamos que DEUS criou o mundo e depois, quando as coisas se complicaram com a queda, buscou alguma maneira de resgatar o mundo mediante JESUS CRISTO. Mas aqui temos a majestosa visão de DEUS como Redentor antes de ser Criador.112 O plano da redenção precedeu à criação do universo. Nosso resgate não foi uma decisão de última hora. DEUS planejou nossa salvação nos refolhos da eternidade. O Cordeiro de DEUS foi morto desde a fundação do mundo (Ap 13.8). A manifestação do resgatador (1.20b). O Filho de DEUS manifestou-se no fim dos tempos. Ele inaugurou esse tempo do fim em sua encarnação e consumará esse tempo em sua segunda vinda. O motivo da redenção (1.20c). CRISTO veio ao mundo como Cordeiro substituto por amor de nós. DEUS nos amou e não poupou o próprio Filho, antes por todos nós o entregou. DEUS prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter CRISTO morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. DEUS nos amou não por causa dos nossos méritos, mas apesar dos nossos deméritos. Éramos fracos, ímpios, pecadores e inimigos. Em terceiro lugar, a fé em DEUS. Que, por meio dele, tendes fé em DEUS, o qual o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de sorte que a vossa fé e esperança estejam em DEUS (1.21). DEUS não é uma entidade, um ser abstrato e indefinido, mas aquele que atua com poder na história, aquele que ressuscitou a CRISTO dentre os mortos (1.3) e lhe deu glória (1.11).113 Temos, por isso, motivos sobejos para depositarmos nossa confiança em DEUS. A fé em DEUS vem por meio de CRISTO. DEUS o ressuscitou e lhe deu glória, confirmando e aprovando sua obra redentora. A obra vitoriosa de CRISTO nos dá confiança para colocarmos nossa fé em DEUS com total e segura confiança. William Barclay afirmar que, por sua morte, JESUS nos emancipou do pecado e da morte; porém, por ressurreição, nos deu uma vida que é tão gloriosa e indestrutível como a sua própria vida. Por sua triunfante ressurreição, temos fé e esperança em DEUS (1.21).114  

Os salvos devem viver em amor {1.22-25) A terceira marca do salvos é o amor. Pedro nos dá duas razões eloqüentes para a prática do amor. Por que devemos amar nossos irmãos ardentemente com amor fraternal? Em primeiro lugar, porque fomos purificados. Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos de coração, uns aos outros ardentemente (1.22). Os salvos foram não apenas redimidos da escravidão, mas também purificados pela obediência à verdade. A verdade nos banha, nos limpa e nos purifica. O propósito real da nova vida em CRISTO é o amor fraternal. A palavra grega filadelphia representa o amor entre irmãos; os outros membros da igreja são assim incluídos “dentro da família”, tornando-se irmãos no sentido próprio do termo.115 O amor é a marca distintiva do cristão, o apanágio do crente, a prova insofismável do discipulado, a apologética final (Jo 13.34,35). Em segundo lugar, porque fomos regenerados. Poisfostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptí­vel, mediante a palavra de DEUS, a qual vive e épermanente (1.23). Se temos uma nova vida, temos uma nova natu­reza. Se somos coparticipantes da natureza divina e DEUS é amor, então expressamos essa filiação quando imitamos nosso Pai. O amor é a marca do cristão, pois é a evidên­cia mais eloqüente da nossa salvação. Fomos gerados pela palavra. Antes de uma semente brotar, ela morre, mas a palavra de DEUS não tem em si a inclinação da morte. Ela é viva e vive. E permanente e conserva-se para sempre. Em terceiro lugar, porque nossa vida é passageira. Pois toda carne é como a erva, e toda a sua glória, como a flor da erva; seca-se a erva, e cai a sua flor (1.24). Toda a raça humana está carimbada pela transitoriedade da vida. A humanidade está destinada à morte. Nossa vida aqui é passageira. Nossas glórias aqui são desvanecentes. O melhor da nossa beleza ou do nosso poder é tão vulnerável quanto a flor e tão perecível quanto a relva. O homem besuntado de orgulho imagina-se grande e poderoso, por sua força, beleza, cultura e ciência. No entanto, apesar de tudo isso, não passa de carne. Sua beleza é efêmera como a flor, e seu poder, fugaz como a relva que se seca. Em quarto lugar, porque a palavra de DEUS épermanente. A palavra do Senhor, porém, permanece eternamente (1.25a). A profecia de Isaías citada por Pedro gira em torno da natureza perecível de toda a carne, em contraste com a natureza imperecível da Palavra de DEUS. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada (1.25b). E a palavra que não pode falhar, a palavra eterna, que nos orienta amar os irmãos ardentemente, de todo o coração. Essa palavra é sempre viva, atual e oportuna. Cabe-nos obedecer a ela sem detença e sem tardança.

SANTIDADE – Comentário Bíblico Moody – Conforto na SANTIDADE de Vida Divinamente Adquirida. 1:13-25. 13. Por isso, cingindo o vosso entendimento. Ele os exorta a se sentirem encorajados na tomada de consciência do amor de DEUS (cons. Hb. 12:12, 13). Sede sóbrios. Uma injunção para considerar os fatos sensatamente, sem excesso de emoção e pânico (repetido em 4:7; 5:8). Esperai inteiramente (perfeitamente, com maturidade). A paciência cristã tem uma qualidade espiritual. É a “paciência da esperança em nosso Senhor JESUS CRISTO, diante de nosso DEUS e Pai” (I Ts. 1:3). Na graça que vos está sendo trazida (gr., que está sendo efetuada). Sem dúvida não podemos compreender isto inteiramente. Certamente inclui a redenção do corpo (Fp. 3:21; Rm. 8:23). Compare com a declaração do versículo 5 acima. Pode ser uma referência à graça. ministrada divinamente aos mártires na hora da morte. 14. Como filhos obedientes (E.R.C.). Literalmente, filhos da obediência (E.R.A.). Não vos amoldeis (cons. Rm. 12: 2) “com os fortes desejos que tínheis na antiga ignorância” (cons. Ef. 2:3). Os desejos da vida cristã foram mudados; mas se o cristão não vigiar, ele pode ainda ser “atraído e engodado pela sua própria concupiscência” (Tg. 1:14). 15, 16. Segundo é santo aquele que vos chamou. A iminente volta de CRISTO, a preciosa esperança do crente, também é um forte incentivo à SANTIDADE (I Jo. 3:3). Pois CRISTO é santo. Lembre-se da embaraçosa conscientização de Pedro de seu próprio pecado e atraso quando subitamente foi confrontado com o CRISTO ressurreto quando estava pescando no Mar da Galiléia uma certa manhã (Jo. 21:7). Isto faz pensar em uma situação semelhante quando pela vez primeira foi chamado pelo Senhor (Lc. 5:8). Procedimento, comportamento. Sede SANTOS. Este era um mandamento muito bem conhecido de todos quantos conheciam o Pentateuco (Lv. 11: 44; 19:2; 20:7; cons. 5:48). 17. Se invocais como Pai. Pedro está falando com pessoas que oram e clamam a DEUS por livramento da injusta perseguição, mas que deveriam perceber que o próprio DEUS é um juiz. Com temor. Esta percepção produzirá um cuidado santo. O sábio se conhece pelo que é e a quem ele teme (Mt. 10:28). 18,19. Não foi mediante coisas corruptíveis . . . que fostes resgatados. Aquelas eram pessoas simples e pobres. Pela segunda vez (cons. v. 7) Pedro se refere desdenhosamente à riqueza temporal quando comparada com a herança da salvação que não tem preço. Do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram. Pelo precioso sangue . . . de CRISTO. A palavra precioso (gr., timios) é peculiaridade de Pedro. A ausência de pecado no Cordeiro, ou Seu sofrimento vicário, forneceram a base para uma nova e celestial escala de valores. 20,21. Conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo . . . manifestado. O sofrimento de CRISTO não foi uma emergência. Foi o melhor dos planos de DEUS à vista do pecado do homem. Isto seria um pensamento confortador para os SANTOS que estavam, agora eles mesmos, sob grande pressão. De vós. Melhor, através de vós. CRISTO realmente foi manifesto através deles quando confiaram e esperaram no mesmo DEUS que O ressuscitou dos mortos. 22. Tendo purificado as vossas almas. Pedro apela para a autenticidade da conversão deles, uma realidade bem percebida pelos seus leitores. Eles já tinham sido purificados. Essa mudança de coração produzira “o amor fraternal, não fingido” (gr., philadelphia). Ele os exorta a seguir e praticar o mesmo princípio: amai-vos de coração uns aos outros ardentemente.

SANTIDADE – Sobriedade e SANTIDADE. Exortação ao Amor Fraternal – 1 Pedro 1:13-23 – Comentário Bíblico Exaustivo – Novo Testamento – Matthew Henry

Aqui o apóstolo começa as suas exortações àqueles cujo estado glorioso ele descreveu anteriormente, e com isso nos instrui que o cristianismo é uma doutrina conforme à piedade, designada a tornar-nos não somente mais sábios, mas melhores.

I –  Ele exorta os seus leitores à sobriedade e à SANTIDADE. 1. “Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento…” (v. 13). Como se ele estivesse dizendo: “Portanto, visto que vocês são tão honrados e distinguidos, como foi dito acima, cinjam os lombos do seu entendimento. Vocês têm uma jornada pela frente, uma corrida a correr, uma guerra a travar, e uma grande obra para fazer; assim como o viajante, o corredor, o guerreiro e o trabalhador recolhem e cingem suas vestes longas e soltas, para que estejam mais bem preparados, dispostos e ágeis no que fazem, assim façam vocês com sua mente, seu homem interior e as emoções situadas ali: cinjam eles, recolham eles, não os deixem soltos e negligenciados por aí; restrinjam suas extravagâncias, e deixem que seus lombos ou a força e o vigor de sua mente sejam exercidos no seu dever. Desembaracem-se de tudo que os possa atrapalhar, e prossigam resolutamente na sua obediência. Sejam sóbrios, sejam vigilantes contra todos os perigos e inimigos espirituais, e sejam moderados e modestos no comer, beber, vestir, na recreação, nos negócios e em todo o seu comportamento. Sejam sóbrios também na opinião, assim como na prática, e humildes no seu julgamento de si mesmos”. “…e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de JESUS CRISTO”. Alguns relacionam isso ao julgamento final, como se o apóstolo estivesse dirigindo a sua esperança para a revelação final de JESUS CRISTO; mas é mais natural colocar isso da seguinte forma: “Esperem perfeitamente, ou completamente, pela graça que é oferecida a vocês na ou pela revelação de JESUS CRISTO; isto é, pelo evangelho, trouxe à luz a vida e a incorrupção (2 Tm 1.10). Esperem perfeitamente, confiem sem duvidar naquela graça que agora é oferecida a vocês pelo evangelho”. Disso aprenda: (1) A principal obra de um cristão está na administração correta do seu coração e mente; a primeira orientação do apóstolo é cingir os lombos da mente. (2) Os melhores cristãos têm necessidade de ser exortados à seriedade. Esses excelentes cristãos são lembrados disso; é algo que se requer do bispo (1 Tm 3.2), ou de homens idosos (Tt 2.2), as mulheres mais jovens devem ser ensinadas nisso e os jovens são orientados a ser sóbrios (Tt 2.4,6). (3) A obra de um cristão não cessou quando ele entrou no estado de graça; ele precisa ainda esperar e anelar por mais graça. Depois de entrar pela porta estreita, ele ainda precisa andar no caminho estreito, e cingir os lombos da sua mente para esse propósito. (4) A confiança intensa e perfeita na graça de DEUS é coerente com os nossos melhores esforços no nosso dever; temos de esperar perfeitamente, e mesmo assim cingir os nossos lombos, e nos empenhar com muito vigor na obra que temos por fazer, encorajando-nos com a graça de JESUS CRISTO. 2. “…como filhos obedientes…” (v. 14). Essas palavras podem ser interpretadas como uma regra para a vida piedosa, que é positiva – “Vós deveis viver como filhos obedientes, como aqueles que DEUS adotou na sua família e regenerou pela graça”; e negativa – “Vós já não deveis vos conformar com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância”. Ou as palavras podem ser entendidas como um argumento para incentivá-los à SANTIDADE com base na consideração do que são agora, filhos da obediência, e do que eram quando viviam na lascívia e na ignorância. Aprenda: (1) Os filhos de DEUS devem mostrar que o são pela sua obediência a DEUS, por sua obediência presente, constante e completa. (2) Os melhores entre os filhos de DEUS tiveram o seu tempo de lascívia e ignorância; houve o tempo em que todos os planos da sua vida, seu caminho e seu padrão, eram feitos para suprir e satisfazer seus desejos ilícitos e seus apetites depravados, sendo grosseiramente ignorantes de DEUS e de si mesmos, de CRISTO e do evangelho. (3) As pessoas, quando se convertem, tornam-se muito diferentes do que eram anteriormente. São pessoas de outro padrão e modos do que eram antes; sua disposição interior, seu comportamento, sua fala e conversas são diferentes do que eram em tempos passados. (4) As lascívias e extravagâncias dos pecadores são fruto e sinal da sua ignorância. 3. “…mas, como é santo aquele que vos chamou…” (vv. 15,16). Temos aqui uma regra muito nobre sendo inculcada com fortes argumentos: “…sede vós também SANTOS em toda a vossa maneira de viver”. Quem é suficiente para isso? E isso é requerido por meio de termos fortes, e fundamentado em três razões, extraídas da graça de DEUS quando nos chamou: da sua ordem – “…porquanto escrito está” – e do seu exemplo. “Sede SANTOS, porque eu sou santo”. Disso aprenda: (1) A graça de DEUS ao chamar o pecador é uma forte incumbência para a SANTIDADE. É um grande favor ser efetivamente chamado pela graça divina para fora de um estado de pecado e miséria e para a posse de todas as bênçãos da nova aliança. E grandes favores são fortes obrigações. Eles nos capacitam e também nos obrigam a sermos SANTOS. (2) A completa SANTIDADE é o desejo e o dever de todo cristão. Aqui há uma regra dupla de SANTIDADE. [1] Em sua extensão, precisa ser universal. Precisamos ser SANTOS, e ser isso em toda a nossa maneira de viver; em todas as questões civis e religiosas, em todas as condições, favoráveis ou adversas; para com todas as pessoas, amigos e inimigos; em todos os intercâmbios e negócios precisamos ser SANTOS. [2] Por causa do seu padrão. Precisamos ser SANTOS como DEUS é santo. Precisamos imitá-lo, embora nunca possamos nos igualar a Ele. Ele é perfeitamente, imutavelmente e eternamente santo; e nós devemos aspirar tal estado. (3) A palavra de DEUS escrita é a regra mais segura para a vida do cristão, e por essa regra somos ordenados a ser SANTOS de todas as formas. (4) Os mandamentos do Antigo Testamento devem ser estudados e obedecidos nos tempos do Novo Testamento; o apóstolo, com base em um mandamento pronunciado diversas vezes por Moisés, requer a SANTIDADE de todos os cristãos. 4. “…se invocais por Pai…” (v. 17). O apóstolo aqui não expressa dúvida alguma de que esses cristãos vão invocar o Pai celestial, mas supõe que certamente o farão, e com base nisso argumenta para que andem em temor “…durante o tempo da vossa peregrinação”: “Se vocês reconhecem o grande DEUS como Pai e Juiz, vocês devem viver o tempo da sua peregrinação aqui no temor a Ele”. Aprenda aqui: (1) Todos os bons cristãos se consideram peregrinos e estrangeiros neste mundo, como estrangeiros num país distante, passando a outro ao qual de fato pertencem (Sl 39.12Hb 11.13). (2) Todo o nosso tempo de peregrinação aqui deve ser vivido em temor a DEUS. (3) A consideração de DEUS como Juiz não é imprópria por aqueles que podem verdadeiramente chamá-lo de Pai. A santa confiança em DEUS como um Pai, e o temor tremendo dele como Juiz são bastante coerentes. Considerar a DEUS como Juiz é um meio singular de torná-lo mais benquisto como Pai. (4) O julgamento de DEUS vai ser sem acepção de pessoas: “…segundo a obra de cada um”. Nenhuma relação exterior com Ele vai proteger pessoa alguma; o judeu pode chamar a DEUS de Pai e Abraão de pai, mas DEUS não faz acepção de pessoas, nem favorece a sua causa, com base em considerações pessoais, mas vai julgá-los de acordo com a obra de cada um. As obras dos homens vão revelar, no grande dia, o caráter de cada pessoa. DEUS vai tornar conhecidos a todo o mundo os que são seus, por meio de suas obras. Somos compelidos à fé, à SANTIDADE e à obediência, e nossas obras vão evidenciar se cumprimos ou não a nossa obrigação. 5. Tendo estimulado os leitores a andar “…em temor, durante o tempo da vossa peregrinação”, com base na consideração de que chamaram a DEUS de Pai, o apóstolo acrescenta (v. 18) um segundo argumento: “…sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados …”. Com isso, ele traz à mente deles: (1) Que eles foram redimidos, ou comprados novamente, por um resgate pago pelo Pai. (2) Qual foi o preço pago pelo resgate: “…não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de CRISTO”. (3) Do que eles foram redimidos: “…da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos pais. (4) Eles sabiam disso: Sabendo que, e não podem fingir ignorância dessa grande questão. Aprenda com isso: [1] A consideração da nossa redenção precisa ser uma instigação constante e poderosa à SANTIDADE e ao temor a DEUS. [2] DEUS espera que o cristão viva a vida de forma correspondente ao que ele sabe, e por isso temos grande necessidade de levar a sério o que já sabemos (Sl 39.4). [3] Nem ouro nem prata, nem qualquer coisa corruptível deste mundo podem redimir nem mesmo uma alma. Eles são às vezes armadilhas, tentações e empecilhos para a salvação do homem, mas não podem de forma alguma comprá-la ou causá-la. Eles são corruptíveis, e por isso não podem salvar uma alma incorruptível e imortal. [4] O sangue de JESUS CRISTO é o único resgate para a redenção do homem. A redenção do homem é real, não metafórica. Somos comprados por preço, e o preço é igual ao valor da compra, pois é o sangue precioso de CRISTO; é o sangue de uma pessoa inocente, um cordeiro sem defeito nem mancha, que era representada pelo cordeiro pascoal, e de uma pessoa infinita, sendo o Filho de DEUS, e, portanto, é chamado de sangue de DEUS (At 20.28). [5] O desígnio de CRISTO ao derramar o seu sangue tão precioso foi redimir-nos, não somente da miséria eterna do porvir, mas da vida vã neste mundo. É vã a vida que é vazia, frívola, leviana e inútil para a honra de DEUS, para o crédito da religião, a convicção dos incrédulos e para o conforto e satisfação da própria consciência do homem. Não somente a maldade declarada, mas a futilidade e a inutilidade da nossa vida são tremendamente perigosas. [6] A vida do homem pode ter uma aparência de devoção, e pode alegar antiguidade e tradição na sua defesa, e mesmo assim depois de tudo isso ser a vida mais vã. Os judeus tinham muito que dizer disso, por causa de todas as suas formalidades. E mesmo assim a sua vida era tão inútil que somente o sangue de CRISTO poderia redimi-los dela. A antigüidade não é garantia de veracidade, nem é uma resolução sábia dizer: “Vou viver e morrer dessa forma, porque os meus antepassados fizeram assim”. 6. Tendo mencionado o preço da redenção, o apóstolo prossegue e fala de algumas coisas relacionadas tanto ao Redentor quanto aos redimidos (vv. 20,21). (1) O Redentor é descrito em mais detalhes, não somente como um Cordeiro sem defeito, mas como um: [1] Que foi “…conhecido, ainda antes da fundação do mundo”. Quando a presciência é atribuída a DEUS, implica mais do que mera perspectiva ou especulação. Significa um ato da vontade, uma resolução de que a coisa assim será (At 2.23). DEUS não somente conhecia antes, mas determinou e decretou que o seu Filho morresse pelos homens, e esse decreto foi feito antes da fundação do mundo. O tempo e o mundo começaram juntos; antes do começo do tempo não havia nada senão a eternidade. [2] Que foi “…manifestado, nestes últimos tempos, por amor de vós”. Ele foi manifestado como sendo aquele Redentor a quem DEUS tinha conhecido anteriormente. Ele foi manifestado pelo seu nascimento, pelo testemunho do seu Pai e por suas próprias palavras, especialmente pela sua ressurreição dos mortos (Rm 1.4). “Isso foi feito nestes últimos tempos do Novo Testamento e do evangelho por vocês, judeus, pecadores, aflitos; vocês têm o conforto da manifestação e da vinda de CRISTO, se crerem nele”. [3] Que foi ressuscitado dos mortos pelo Pai, que lhe deu glória. A ressurreição de CRISTO, considerada como um ato de poder, é comum às três pessoas, mas como um ato de juízo é peculiar ao Pai, que como Juiz soltou CRISTO, ressuscitou-o do túmulo e lhe deu glória, proclamou-o a todo o mundo como sendo o seu Filho por meio da ressurreição dos mortos, elevou-o aos céus, coroou-o de glória e honra, revestiu-o com todo o poder no céu e na terra e o glorificou com aquela glória que Ele tinha com DEUS antes de o mundo existir. (2) Os redimidos são descritos aqui também pela sua fé e esperança, a causa das quais é JESUS CRISTO: “Por ele credes em DEUS – por meio dele como autor, encorajador, apoio e consumador da vossa fé; vossa fé e esperança agora podem estar em DEUS, que está reconciliado convosco por meio de CRISTO, o Mediador”. (3) De tudo isso aprendemos: [1] O decreto de DEUS de enviar CRISTO para ser o Mediador já existia desde a eternidade, e foi um decreto justo e misericordioso, que mesmo assim não desculpa o pecado do homem ao crucificá-lo (At 2.23). DEUS tinha propósitos de favor especial para com o seu povo muito antes de ter feito qualquer manifestação de tal graça a eles. [2] Grande é a felicidade dos últimos tempos em comparação com o que as épocas anteriores do mundo desfrutaram. A claridade da luz, os apoios à fé, a eficácia das ordenanças e a proporção dos confortos – todos esses aspectos são muito mais completos desde a manifestação de CRISTO do que eram antes. Nossa gratidão e serviços deveriam ser correspondentes a esses favores. [3] A redenção de CRISTO pertence a ninguém mais do que aos verdadeiros crentes. A universalidade da redenção é afirmada por alguns e negada por outros, mas ninguém vai ao ponto de afirmar a aplicação geral da morte de CRISTO à salvação de todos. Hipócritas e incrédulos serão arruinados para sempre, não obstante a morte de CRISTO. [4] DEUS em CRISTO é o objeto insuperável da fé do cristão, que é solidamente sustentada pela ressurreição de CRISTO, e a glória que a seguiu.

II –  O apóstolo os exorta ao amor fraternal 1. Ele supõe que o evangelho já tivera tal efeito sobre eles para purificar-lhes a alma enquanto lhe obedeciam por meio do ESPÍRITO, e que já tinha produzido no mínimo a “…caridade fraternal, não fingida”; e por isso argumenta com eles para que avancem a um grau mais elevado de afeição, estimulando-os a que se amem “…ardentemente uns aos outros, com um coração puro” (v. 22). Disso aprenda: (1) Não se deve duvidar de que todo cristão sincero purifica a sua alma. O apóstolo toma isso por certo: “Purificando a vossa alma…”. A purificação pressupõe grandes impurezas e manchas que a poluíram, e que essa profanação foi removida. Nem as purificações levíticas sob a lei, nem as purificações hipócritas podem realizar isso. (2) A palavra de DEUS é o grande instrumento da purificação do pecador: “Purificando a vossa alma na obediência à verdade”. O evangelho é chamado de verdade, em contraste com tipos e sombras, com erros e falsidade. Essa verdade é eficaz para purificar a alma, se for obedecida (Jo 17.17). Muitos ouvem a verdade, mas nunca são purificados por ela, porque não se submetem a ela nem lhe obedecem. (3) O ESPÍRITO de DEUS é o grande agente da purificação da alma do homem. O ESPÍRITO convence a alma das suas impurezas, fornece aquelas virtudes e graças que adornam e purificam, como a fé (At 15.9), a esperança (1 Jo 3.3), o temor de DEUS (Sl 34.9) e o amor de JESUS CRISTO. O ESPÍRITO estimula nossos esforços e os torna bem-sucedidos. O auxílio do ESPÍRITO não substitui a nossa diligência; essas pessoas purificaram a sua própria alma, mas foi por meio do ESPÍRITO. (4) A alma dos cristãos precisa ser purificada antes que possam amar uns aos outros sem fingimento. Há tais desejos e parcialidades na natureza do homem que, sem a graça divina, não podemos nem amar a DEUS nem uns aos outros como devemos; não há caridade que não venha de um coração puro. (5) É o dever de todos os cristãos amarem sincera e ardentemente uns aos outros. Nossa afeição uns pelos outros deve ser sincera e real, e deve ser ardente, constante e ampla. 2. Ele continua a estimular os cristãos ao dever de se amarem ardentemente uns aos outros com um coração puro, baseando-se na consideração da sua relação espiritual; pois são todos “…de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível…”. Disso podemos aprender: (1) Que todos os cristãos são nascidos de novo. O apóstolo fala disso como algo que é comum a todos os cristãos sérios, e por meio disso eles são levados a um novo e próximo relacionamento uns com os outros, eles se tornam irmãos pelo novo nascimento. (2) A palavra de DEUS é o grande meio de regeneração (Tg 1.18). A graça da regeneração é transmitida pelo evangelho. (3) Esse novo e segundo nascimento é muito mais desejável e excelente do que o primeiro. O apóstolo ensina isso ao dizer que prefere a semente incorruptível à corruptível. Por meio de uma nos tornamos filhos dos homens, pela outra, filhos e filhas do Altíssimo. A comparação da palavra de DEUS com uma semente nos ensina que embora ela seja pequena em aparência, ainda assim é maravilhosa na operação, embora esteja escondida por um tempo, ainda assim cresce e produz fruto excelente no final. (4) Os que são regenerados devem amar ardentemente uns aos outros com o coração puro. Irmãos por natureza não podem deixar de amar uns aos outros; mas a obrigação é dupla quando há uma relação espiritual. Eles estão debaixo do mesmo governo, participam dos mesmos privilégios, e abraçaram os mesmos interesses. (5) A palavra de DEUS vive e permanece para sempre. Essa palavra é uma palavra viva, ou uma palavra que vive (Hb 4.12). É um meio de vida espiritual, serve para iniciá-la e preservá-la, animando e estimulando-nos no nosso dever, até que nos conduza à vida eterna. E é permanente; permanece eternamente verdadeira, e habita nos corações dos regenerados para sempre.   13 Portanto, preparem sua mente para agir; tenham autocontrole; coloquem todas as suas esperanças na graça que será dada quando JESUS CRISTO se revelar. 14 Como filhos obedientes, não se amoldem aos desejos perversos que vocês tinham quando viviam na ignorância. 15 Mas assim como aquele que chamou vocês é santo, sejam vocês também SANTOS em tudo o que fizerem; 16 pois está escrito: “Sejam SANTOS, porque eu sou santo”. III. SANTIDADE 1.13- 2.3 A. Sejam SANTOS 1.13- 16 Assim como os profetas do Antigo Testamento perscrutaram a revelação de DEUS a fim de compreenderem seu significado, assim também os leitores da carta de Pedro devem considerar a Palavra de DEUS com a mesma sobriedade. DEUS deu aos cristãos sua Palavra e, por meio dela, a segurança de sua salvação. 13 Portanto, preparem sua mente para agir; tenham autocontrole; coloquem todas as suas esperanças na graça que será dada quando JESUS CRISTO se relevar. Tendo recebido o dom da salvação (ver v. 9), os crentes não podem desprezar esse tesouro. São filhos de DEUS e, assim, é esperado que façam a vontade de seu Pai celestial (v. 14). Pedro lhes diz o que fazer por meio de uma série de imperativos. a.    “Preparem sua mente para agir”. A tradução literal do grego é “cingindo os quadris do vosso entendimento” (NKJV). A metáfora dupla de quadris e entendimento é um tanto confusa, mas ela se esclarece quando pensamos em como uma pessoa do século ls prendia as dobras de suas longas e esvoaçantes vestes no cinto para que estas não atrapalhassem seu caminhar ou seu trabalho (comparar com Lc 12.35; lRs 18.46; Pv 31.17). Pedro, portanto, aplica essa imagem à mente. O que ele está dizendo: “Não permita que qualquer coisa atrapalhe seu entendimento”. Qual o significado do termo entendimento? Refere-se à consciência espiritual do crente, isto é, seu relacionamento consciente com DEUS. O termo também significa que sua mente está pronta e é capaz de pensar ativamente no sentido de promover o nome de DEUS, sua vontade e seu reino (comparar com Mt 6.9,10). O entendimento deve estar livre de qualquer coisa que lhe sirva de empecilho (como, por exemplo, medo ou preocupação) para servir o Senhor. b.    “Tenham autocontrole”. Em sua epístola, Pedro exorta os leitores à sobriedade em três ocasiões (1.13; 4.17; 5.8). Ele quer que nossa mente esteja lúcida e o julgamento apurado para que possamos estar prontos para a volta de JESUS CRISTO4 A mente deve estar livre de precipitação ou confusão; deve rejeitar a tentação de ser influenciada por bebidas e drogas intoxicantes. Deve permanecer alerta. Os tradutores da New English Bible adotaram o texto perfeitamente sóbrios. Tomaram o advérbio perfeitamente (ou plenamente), que pode referir-se tanto ao adjetivo sóbrio como à expressão coloquem todas as suas esperanças (na oração seguinte), e o colocaram junto com o adjetivo. Essa é uma decisão difícil de ser tomada, porém os estudiosos geralmente colocam o advérbio com o verbo colocar. Um argumento para essa escolha é de que o imperativo “tenham autocontrole” não precisa de nada que o modifique, enquanto a injunção “coloquem” exige um advérbio. c. “Coloquem todas as suas esperanças na graça que será dada”. No grego, essa oração não contém o verbo principal. As exortações anteriores, na verdade, são dependentes dessa primeira ordem: coloquem. O conceito de esperança é proeminente em 1 Pedro. No original, ele usa essé substantivo em 1.3,21 e 3.15, e o verbo esperar em 1.13 e 3.5. Pedro envia palavras de encorajamento aos seus leitores. Sabe que, ao passarem pela perseguição e pelas dificuldades, sua esperança está cada vez mais fraca. Ele encoraja o crente a olhar adiante ansiosamente, para a plenitude de sua salvação, pois deseja que ele tenha uma esperança viva quanto à sua herança (v. 3). A preposição na oração “coloquem todas as suas esperanças na graça que será dada” (itálico nosso) é significativa. Aqui, a esperança não está numa pessoa, mas em um objeto. Este é a “graça que será dada”. Mais uma vez, a palavra graça (ver v. 10) é equivalente aos dois termos: salvação (vs. 9-10) e herança (v. 4). Os crentes, portanto, devem concentrar sua atenção na salvação. Observe que Pedro indica a graça que está sendo trazida. Essa tradução é bastante fiel ao grego, pois indica que está a caminho. DEUS é o agente ativo que está trazendo a graça para os crentes que, por sua vez, são recebedores passivos. Sabem que a graça lhes é trazida pela obra de JESUS CRISTO e que se cumprirá quando ele vier. d. “Quando JESUS CRISTO se revelar”. Temos aqui uma repetição da última parte do versículo 7. As palavras são idênticas e, portanto, o sentido não deve variar, ou seja, a referência à revelação de JESUS não pode ser sobre sua primeira vinda, mas sobre quando ele voltará (comparar com ICo 1.7). Quando JESUS chegar, na ocasião apropriada, ele trará para seus crentes o cumprimento de sua salvação. Quando se revelar, sua obra redentora se completará em todos os crentes. Ele lhes conceder a plena salvação por meio do livramento do pecado, da glorificação do corpo e da alma e do conhecimento de que estará no meio deles para sempre. Nos próximos três versículos, Pedro adverte os crentes para que evitem a conformidade com o mundo, insta-os a lutar pela SANTIDADE e confirma suas palavras com uma citação do Antigo Testamento. Observamos, portanto, três pontos: uma advertência, uma exortação e uma confirmação. O primeiro ponto é a advertência. Uma Advertência 14 Como filhos obedientes, não se amoldem aos desejos perversos que vocês tinham quando viviam na ignorância. “Como filhos obedientes”. Normalmente, são os filhos de uma pessoa que faleceu e deixou um testamento que recebem a herança. Somos chamados de filhos, não por nascimento, mas por adoção. Entre os gregos e romanos do século Ia, a prática da adoção era um tanto comum. Um filho adotivo gozava dos mesmos privilégios que o filho natural, até mesmo a ponto de dividir a herança. Os pais ensinam seus filhos a serem obedientes, de modo que a obediência toma-se natural para a criança. Espera-se que os filhos obedeçam, mas o mesmo não é esperado de estranhos. Pedro literalmente chama os leitores de sua carta de “filhos da obediência”. Trata-se de uma expressão semítica que pode ser traduzida como “filhos obedientes”. Pedro, porém, usa a seqüência de palavras filhos da obediência para apresentar o conceito de SANTIDADE. A obediência e a SANTIDADE são dois lados da mesma moeda (ver vs. 2,22). “Não se amoldem aos desejos perversos que vocês tinham quando viviam na ignorância”. Nesse versículo, é inconfundível a semelhança entre os escritos de Pedro e Paulo. Este último diz aos seus leitores: “Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Rm 12.2). Não temos razão alguma para argumentar que um autor baseou-se no outro. Apresentam, sim, uma mesma verdade usando palavras semelhantes. O mundo tem seu próprio estilo de vida, pelo qual os crentes sentem-se muitas vezes atraídos, mas Pedro os adverte para não se amoldarem aos desejos perversos, que são proeminentes no mundo. Os autores do Novo Testamento, em suas epístolas, advertem repetidamente os cristãos a rejeitarem os costumes do mundo e a viverem em obediência à Palavra de DEUS. Pedro se refere à vida pregressa de alguns dos primeiros leitores de sua carta. Eles eram pagãos que viviam na ignorância e que estavam separados de DEUS (comparar com Ef 4.18). Não tinham conhecimento da lei moral de DEUS e, portanto, sua conduta era governada pelas paixões. Os judeus, por outro lado, haviam recebido “os oráculos de DEUS” (Rm 3.2) e sabiam que seu maior dever era obedecer à lei de DEUS (Lv 18.4,5Dt 6.4-9). Pedro, portanto, dirige-se não apenas aos cristãos judeus, mas àqueles que haviam sido pagãos (ver 2.10). O imperativo negativo não se amoldem (v. 14) é uma proibição, enquanto o preceito afirmativo sejam SANTOS (v. 15) é uma exortação. Pedro sabe que a tentação de voltar à sua antiga conduta é algo real para os leitores e que alguns deles podem ter fraquejado. Assim, ele ordena que parem de ceder aos seus desejos pecaminosos e que, ao invés disso, entreguem sua vida a DEUS em obediência e SANTIDADE. O apóstolo escreve uma exortação. 15 Mas assim como aquele que chamou vocês é santo, sejam vocês também SANTOS em tudo o que fizerem. A conjunção adversativa mas introduz o aspecto positivo dessa passagem. Pedro informa seus leitores de que DEUS os chamou “da escuridão para a sua maravilhosa luz” (2.9). Eles agora são aqueles que foram chamados do mundo; são os eleitos (1.1,2; 2.9). Nesse amor eletivo, DEUS chama seu povo para formar uma nação santa (2.9). Em resumo, chamado e SANTIDADE são causa e efeito. DEUS chama seu povo para ser santo, porque ele é santo. Dentre as características de DEUS, conforme ele se revelou, nenhuma é tão importante quanto sua SANTIDADE. Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento falam da sua SANTIDADE mais do que de qualquer outro atributo. O adjetivo descritivo santo revela a pureza absoluta de DEUS. Esse adjetivo descreve o estado ou ação do ser de DEUS. DEUS é sem pecado, não pode ser influenciado por ele e sua SANTIDADE destrói o pecado. Pedro toma o conceito de santo e aplica-o aos seus leitores: “Como aquele que chamou vocês é santo, sejam vocês também SANTOS”. DEUS chama o seu povo do mundo de pecado para uma vida de SANTIDADE; ele espera que tudo o que fizermos, dissermos ou pensarmos seja santo. A confissão diária do cristão deve ser: De modo que nenhuma parte do dia ou da noite Seja desprovida de SANTIDADE. Horatius Bonar Quando Pedro diz: “Assim como aquele que chamou vocês é santo, sejam vocês também SANTOS em tudo o que fizerem”, ele espera que os leitores sejam imitadores de DEUS no que diz respeito à SANTIDADE. Em seu Sermão do Monte, JESUS apresentou uma injunção parecida: “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (Mt 5.48). E quando prega em um outro lugar, diz: “Sede misericordiosos, como também é misericordioso o vosso Pai” (Lc 6.36). Em que Pedro se baseia para exortar os crentes a evitarem o pecado e lutarem pela SANTIDADE? O apóstolo abre as Escrituras e apela para a autoridade mais alta. Ele oferece confirmação do seu ensinamento com palavras proferidas pelo próprio DEUS. Uma confirmação 16 Pois está escrito: “Sejam SANTOS, porque eu sou santo”. Quando JESUS foi tentado por Satanás, ele desarmou o diabo ao usar a frase está escrito e citações apropriadas das Escrituras (ver Mt 4.4,7,10). Satanás reconheceu a autoridade da Palavra de DEUS a ponto de usá-la (mal) para seus propósitos. Essa autoridade fez com que Satanás não fosse capaz de tentar JESUS. A palavra escrita, portanto, exige respeito e obediência. Pedro toma a palavra escrita de Levítico 11.44,45. Ele apela para Levítico, porque o livro trata do tema da SANTIDADE. Levítico ensina que o povo de DEUS deve ser santo, pois DEUS é santo. O adjetivo santo, de fato, aparece com mais freqüência em Levítico do que em qualquer outro livro da Bíblia. “Sejam SANTOS, porque eu sou santo”. Para o crente, a SANTIDADE não termina com o perdão e a purificação dos pecados, mas começa com uma vida de oposição ativa ao pecado. O crente deve lutar para viver em obediência diante de DEUS e, assim, demonstrar o significado da palavra santo. Considerações doutrinárias em 1.14-16 No mundo, a palavra santo é ouvida mais como uma imprecação do que um termo que inspira reverência e temor. Nos meios cristãos, porém, chamamos Jerusalém de cidade santa, as Escrituras de Bíblia Sagrada e os sacramentos de santo batismo e santa ceia. Quando descrevemos algo ou alguém com o adjetivo santo, reconhecemos que há uma relação direta com DEUS nessa pessoa ou coisa. Dedicamos a DEUS aquilo que consideramos santo, pois julgamos que é puro e, em alguns casos, perfeito, mas hesitamos em chamar um homem de santo, pois o pecado destruiu sua perfeição e ser humano jamais chegará a ser perfeito durante sua vida aqui na terra. Ainda assim, a Bíblia nos chama de SANTOS, ou seja, fomos feitos SANTOS por meio de JESUS CRISTO (ver, por exemplo, At 20.3226.18ICo 6.11Hb 10.10). Como SANTOS, recebemos o chamado de DEUS a um viver de SANTIDADE (Ef 4.22-24Cl 3.9-10; lTs 5.23,24; Uo 3.3). Assim, como filhos santificados de DEUS, oramos pedindo: “Pai nosso que estás no céu, santificado seja o teu nome” (Mt 6.9). Palavras, frases e construções do grego em 1.13-16 Versículo 13 ápaÇcoaá|lEVOl – o particípio médio aoristo é composto da preposição àvá. (para cima) e ÇcóvVDfll (eu cinjo). O aoristo significa que essa ação deve ser uma única ocorrência. O fato de ser médio deixa implícito que a pessoa realiza essa tarefa para seu próprio benefício. Por causa de sua proximidade com o verbo principal, èXltíaocTE (esperai! [imperativo aoristo]), esse particípio também é traduzido como um imperativo. No Novo Testamento, o verbo composto nessa forma aparece apenas uma vez. l/ljq/ovxEÇ – observe que esse é um particípio presente na forma ativa, enquanto o particípio anterior está no tempo aoristo. Esse particípio, traduzido como um imperativo, vem do verbo vi)v|/C0 (estou sóbrio; tenho autocontrole). teXeícoç èA.7tíaaxE – o advérbio “XeXeícoç (plenamente) modifica o verbo esperar. O aoristo é constativo, ou seja, é abrangente. \]/Epo[lévT|V – o particípio presente passivo do verbo \|/époo (eu trago, carrego) assume uma posição de adjetivo na oração: fica entre o artigo definido e o substantivo %ópiv (graça). O tempo presente denota que o processo está ligado à vinda de JESUS CRISTO. Versículo 14 a’uaxr||ia’i;iÇó|j,evoi – esse é um termo composto como parti-cípio no presente passivo derivado de (TÓV (com) e <J)(fi|J,a (formato, molde, aparência externa). Como particípio, ele é influenciado pelo verbo principal no versículo 15 (YEVl)0T|TE, sede! [imperativo aoris-to]) e, portanto, é traduzido como um imperativo. TTj òcyvoía – observe o uso do artigo definido que denota a ignorância dos recipientes antes de sua conversão. Versículo 15 octrcoí – o pronome pessoal referindo-se à segunda pessoa no plural vós e usado para dar ênfase. óci/acrcpo\j/r| – do verbo ôci/aaxpétj/co (eu me comporto, me conduzo), este substantivo se refere a um modo de vida. Esse substantivo aparece 13 vezes no Novo Testamento; 6 delas são em 1 Pedro (1.15,18; 2.12; 3.1,2,16) e duas em 2 Pedro (2.7; 3.11). Y£Vfj0T|T£ – o imperativo aoristo de Ytvofiat (eu me tomo) substitui o verbô EÍ|XÍ (eu sou), que não tem o tempo aoristo. A tradução deve ser “sede SANTOS” e não “tornai-vos SANTOS”. O aoristo é abrangente. Versículo 16 ôlóxi – essa é uma conjunção causal que espera com antecipação aquilo que está por vir. O tempo perfeito indica efeito duradouro. YéYpotltTOU – o particípio perfeito de YP&|/g> (eu escrevo) é um perfeito de estado resultante. O tempo perfeito indica efeito duradouro. éaeoGe – o tempo futuro do verbo ei(lí (eu sou) é equivalente ao presente imperativo. 17 Tendo em vista que vocês recorrem a um Pai que julga as obras de cada homem imparcialmente, vivam sua vida como estrangeiros aqui em temor reverente, 18 pois vocês sabem que não foi com coisas perecíveis como ouro ou prata que vocês foram redimidos do modo de vida vazio transmitido a vocês por seus antepassados, 19 mas com o precioso sangue de CRISTO, um cordeiro sem mácula nem defeito. 20 Ele foi escolhido antes da criação do mundo, mas foi revelado nestes tempos por amor a vocês. 21 Por meio dele vocês crêem em DEUS, que o ressuscitou dos mortos e o glorificou e, assim, sua fé e esperança estão em DEUS. B. Vivam em Temor Reverente 1.17-21 Pedro ensina, exorta e aconselha seus leitores sobre como devem viver. Ele menciona mais uma vez o relacionamento que têm como filhos de DEUS, com DEUS o Pai, que é santo e justo. 17 Tendo em vista que vocês recorrem a um Pai que julga as obras de cada homem imparcialmente, vivam suas vidas como estrangeiros aqui em temor reverente. Cada palavra desse texto é importante e cheia de significado. Observe que esse versículo é uma introdução para os quatro versículos seguintes (vs. 18-21). a. “Recorrem a um Pai”. A tradução literal do grego é “e se invocais como Pai”. Porém, a frase condicional expressa a realidade de uma prática duradoura, de modo que as palavras e se podem ser substituídas apenas por “se”. No grego, a palavra Pai localiza-se antes do verbo recorrer para receber ênfase especial. Apesar de o substantivo Pai não ter artigo definido, em sua forma absoluta ele se refere a DEUS o Pai. Já no tempo do Antigo Testamento, as pessoas chamavam DEUS de Pai (SI 89.26; Jr 3.19Ml 1.6), mas o Novo Testamento mostra que JESUS nos ensina a orar a DEUS de forma íntima, com as palavras do Pai Nosso (Mt 6.9Lc 11.2). Paulo escreve que clamamos “Aba, Pai” (Rm 8.15; G14.6). Quando chamamos DEUS de Pai, porque somos seus filhos, devemos esperar que ele seja também o nosso juiz. Pedro acrescenta que o Pai “julga as obras de cada homem imparcialmente”. DEUS não mostra favor por ninguém, quer seja rico ou pobre (Tg 2.1-9), judeu ou gentio (Rm 2.11), escravo ou senhor (Ef 6.9; ver também Cl 3.25).55 O texto diz que DEUS julga sem fazer acepção de pessoas (comparar com ISm 16.7) e que DEUS o Pai já está julgando as obras de cada um. Ninguém será excluído do julgamento, pois DEUS julgará com imparcialidade cada ato do ser humano. Portanto, quando invocamos o nome do Pai, estamos diante de um juiz imparcial. Qual é o propósito de sabermos que DEUS é nosso Pai e nosso juiz? Pedro continua: “Vivam suas vidas como estrangeiros aqui em temor reverente”. O cristão deve, conscientemente, viver na presença de DEUS. Ele sabe que os olhos de DEUS estão sempre sobre ele. Além disso, ele tem conhecimento de que o não-cristão está observando atentamente suas palavras e atos. Assim, ele deve ser um verdadeiro filho de DEUS, de modo que, no filho, reflitam-se as virtudes do Pai. A New International Version traduziu corretamente a palavra temor ao qualificá-la com o adjetivo reverente. Essa relação entre DEUS e seu filho não é de medo, mas de respeito. DEUS quer que seu filho viva como um peregrino na terra, ou seja, o filho de DEUS tem sua cidadania no céu (Fp 3.20Hb 11.9). Ele é um forasteiro nesse mundo (v. 1; 2.11) durante o tempo que DEUS lhe concedeu (comparar com 2Co 5.1,6). Ele é um peregrino que procura agradar a DEUS em sua conduta diária, que tem profunda reverência por DEUS e sua Palavra e que sabe que foi comprado pelo preço do sangue de JESUS (vs. 18 e 19). Em seguida, lemos um parágrafo de quatro versículos, nos quais Pedro apresenta um breve resumo da fé cristã. Esses versículos ensinam as doutrinas da redenção, revelação e ressurreição de CRISTO. 18 Pois vocês sabem que não foi com coisas perecíveis como ouro ou prata que vocês foram redimidos do modo de vida vazio transmitido a vocês por seus antepassados, 19 mas com o precioso sangue de CRISTO, um cordeiro sem mácula nem defeito. Observe, então, o primeiro ponto doutrinário. a. Redenção. Essa passagem tem um aspecto negativo e um positivo. Colocando em outros termos, as coisas que são perecíveis (prata e ouro) são comparadas com CRISTO, cujo sangue tem significado eterno. 1. “Vocês sabem que não foi com coisas perecíveis como ouro ou prata que vocês foram redimidos”. Eis uma sutil lembrança daquilo que os leitores sabem sobre a salvação: seu conhecimento da salvação os deixou repletos de “alegria indizível” (v. 8). Sabem que DEUS, por meio de CRISTO, os redimiu por um altíssimo preço. Pedro coloca o custo da redenção primeiro em termos de coisas criadas. Estas, é claro, estão sujeitas à mudança e à deterioração. Ele cita dois metais preciosos (prata e ouro) que, comparados com os outros, são os menos perecíveis. Primeiro ele especifica a prata. Mas esta, quando exposta a qualquer tipo de componente sulfuroso do ar, escurece, é corroída e perde seu valor. Em seguida, Pedro cita o ouro, que é mais durável do que a prata. Até mesmo esse, que é o mais precioso dos metais, está sujeito à deterioração. Em resumo, os bens aqui da terra não servem de pagamento para a redenção do crente (ver Is 52.3). Quando usamos o termo redimido {resgatado) nos dias de hoje, pensamos em termos de “eu me redimi”. Queremos dizer que voltamos à nossa posição anterior. Usamos a palavra resgatar quando trocamos títulos de uma aplicação por espécie no mercado financeiro. Por fim, podemos resgatar alguma coisa comprando-a de volta ou cumprindo certos compromissos financeiros (como no caso do pagamento de um empréstimo). O que as Escrituras dizem? No Antigo Testamento, DEUS resgatou seu povo do jugo da escravidão no Egito (Ex 6.6). Ele o fez ao enviar dez pragas sobre os opressores de Israel. No mundo antigo, os escravos conseguiam a liberdade quando uma soma em dinheiro era paga por eles mesmos ou por outra pessoa. No Novo Testamento, o enfoque volta-se para CRISTO. Lemos que “CRISTO nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar” (G1 3.13). Paulo diz que JESUS CRISTO “a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade, e purificar para si mesmo um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras” (Tt 2.14; comparar também com SI 130.8). Pedro também usa a palavra resgatar para referir-se à morte de CRISTO e nosso livramento do pecado (1.18,19). 2. “Do modo de vida vazia transmitido a vocês por seus antepassados”. A oração vida vazia descreve um estilo de vida que não tem propósito, é improdutivo e inútil. O texto não informa se Pedro estava se referindo aos antepassados judeus que viviam pela tradição e não pela Palavra de DEUS (JESUS admoestou os judeus por observarem a tradição dos anciãos e deixarem de lado os mandamentos de DEUS [Mc 7.5-13]). Outra possibilidade é que Pedro tenha em mente os antepassados pagãos dos leitores gentios. Em suas epístolas, Paulo comenta sobre a vida fútil dos gentios (Rm 1.21Ef 4.17). Uma terceira opção é que Pedro queira falar dos antepassados tanto dos judeus quanto dos gentios. 3. “Mas com o precioso sangue de CRISTO, um cordeiro sem mácula nem defeito”. Eis o aspecto positivo de nossa redenção. Pedro fala como um judeu plenamente instruído sobre a história e o ritual da Páscoa. O povo judeu foi libertado da escravidão quando cada família tomou um cordeiro sem defeito, abateu-o e, no crepúsculo do décimo quarto dia do mês de Nisan, colocou o sangue nos beirais das portas de suas casas (Ex 12.1-11) e comeu a refeição pascal. Os autores do Novo Testamento ensinam que CRISTO é aquele cordeiro pascal. João Batista aponta para JESUS e diz: “Eis o Cordeiro de DEUS, que tira.o pecado do mundo!” (Jo 1.29). Paulo comenta que nossa redenção foi efetuada por meio de JESUS CRISTO, “a quem DEUS propôs, no seu sangue, como propiciação mediante a fé” (Rm 3.25). O autor aos Hebreus declara que CRISTO não entrou no SANTO dos SANTOS por sangue de bodes e de bezerros, mas “pelo seu próprio sangue, entrou no SANTO dos SANTOS uma vez por todas” (9.12). E, em Apocalipse, João registrou a nova canção que os SANTOS no céu entoam a CRISTO: “Digno és tu de tomar o livro e abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para DEUS os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação” (5.9). O Novo Testamento desenvolve o ensinamento de que JESUS CRISTO é nosso Redentor. Em nosso vocabulário cristão, infelizmente, a palavra redentor não é tão comum quanto a palavra salvador. Reconhecemos prontamente que JESUS nos salvou do poder destrutivo do pecado. Mais importante, porém, é a verdade de que ele nos comprou derramando seu precioso sangue na cruz do Calvário. Dos dois termos, portanto, a expressão redentor merece mais proeminência do que a palavra salvador. Com as palavras de Philip P. Bliss, cada crente pode entoar com gratidão e alegria: Cantarei do meu Redentor; Que por mim tem maravilhoso amor; Sofreu em sua cruz de aflição, Para me libertar da maldição. 20 Ele foi escolhido antes da criação do mundo, mas foi revelado nestes tempos por amor a vocês. Nesse versículo, Pedro formula o seu segundo tema doutrinário: b. Revelação. Observe que esse texto consiste de duas orações equilibradas. As frases antes da criação do mundo e no fim dos tempos são perfeitamente simétricas. Notamos, em primeiro lugar, que JESUS CRISTO foi escolhido. 1.    Na eternidade. A New International Version traz “ele foi escolhido”. Muitos tradutores optam por uma versão literal do grego: “ele foi conhecido de antemão” O significado da palavra grega é muito mais abrangente do que saber de alguma coisa com antecipação. A palavra no contexto revela o propósito divino do Pai na eleição – compare com as palavras do versículo 2, em que os ensinamentos da eleição e da presciência são combinados (ver Ef 1.4). Por isso, outros tradutores preferem o termo conhecido de antemão (v. 20), um significado que inclui os conceitos de destinado e escolhido. A seu ver, DEUS atribui a CRISTO um papel predestinado na eternidade. Pedro faz referência ao tempo em termos compreensíveis para nós. Escreve: “[CRISTO] escolhido antes da criação do mundo”. A criação está relacionada ao começo da história, mas CRISTO foi escolhido antes desse tempo. DEUS não criou o mundo e então decidiu escolher CRISTO para assumir o papel de redentor. DEUS o apontou na eternidade, “antes da criação do mundo”. 2.    Nestes tempos. Fica claro o contraste entre eternidade e tempo. CRISTO foi escolhido na eternidade, mas revelado no tempo. O verbo revelado é passivo e deixa implícito que DEUS é seu agente. Para ser mais exato, o termo aponta para o nascimento de JESUS (ver Jo 1.14; lTm 3.16). Através da concepção e do nascimento, JESUS veio ao mundo pecaminoso. Veio com o propósito de salvar os eleitos durante um período que Pedro chama de “nestes tempos”. Pedro não quer dizer apenas os dias da vida de JESUS na terra; pelo contrário, “nestes tempos” inclui todo o período desde o nascimento de JESUS até sua segunda vinda (consultar At 2.17; lTm4.1; 2Tm 3.1Hb 1.2; Uo2.18). O plural tempos indica a totalidade do tempo. Pedro, porém, enfatiza a parte correspondente ao fim desse período, quando a história do mundo chegará à sua conclusão. Nesse período, o Senhor JESUS CRISTO é revelado (consultar especialmente Rm 16.25,262Tm 1.9,10). A escolha de CRISTO na eternidade e sua revelação no tempo tem um único propósito: redimir os crentes. Pedro escreve aos seus leitores que isso aconteceu por causa deles. Os crentes, quer judeus ou gentios, são pessoas extremamente privilegiadas, pois DEUS os ama tanto a ponto de dar seu único Filho para resgatá-los, “para que todo o que nele crê qão pereça, mas tenha vida eterna” (Jo 3.16). Ressurreição 21 Por meio dele vocês crêem em DEUS, que o ressuscitou dos mortos e o glorificou e, assim, sua fé e esperança estão em DEUS. Eis a última parte dessa seção doutrinária. Esses quatro versículos (vs. 18-21) parecem pertencer a um hino cristão primitivo ou a uma declaração doutrinária. Nessa última parte, a doutrina da ressurreição é proeminente. c. Ressurreição. Os leitores nunca viram JESUS, ainda assim acreditam nele (v. 8). Pedro, na verdade, lhes diz que JESUS lhes deu fé a fim de que cressem em DEUS. Por meio de JESUS CRISTO, o crente vem a conhecer DEUS o Pai (comparar com Jo 1.1814.6). Observe que os crentes têm fé em DEUS, mesmo que a cristandade enfatize a abordagem cristo-cêntrica de DEUS. Porém, a fé em CRISTO está sempre no contexto da Trindade, de modo que os cristãos acreditam no DEUS Triúno. Por que cremos em DEUS? Porque ele ressuscitou JESUS dos mortos! A partir dos ensinamentos do Novo Testamento, aprendemos que a doutrina norteadora da fé cristã é a crença na ressurreição de JESUS CRISTO (At 2.24Rm 4.2410.9). Além do mais, DEUS ergueu JESUS dos mortos e o glorificou, ou seja, DEUS o aperfeiçou (Hb 2.9) e o exaltou ao dar-lhe um nome sobre todas as coisas que DEUS criou (Fp 2.9). DEUS, que predestinou CRISTO na eternidade para ser nosso Redentor, não podia entregá-lo à morte. CRISTO não foi detido pelo poder da morte, pois DEUS o ressuscitou no terceiro dia. “Assim, sua fé e esperança estão em DEUS”. A implicação é que, na ressurreição de JESUS, o crente tem a garantia de que ele também será erguido dentre os mortos. A base de nossa fé é a ressurreição de JESUS. Paulo diz: “E se não há ressurreição de mortos, então CRISTO não ressuscitou. E, se CRISTO não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã a vossa fé” (ICo 15.1314). Fé e esperança estão intimamente ligadas (vs. 3,5,7,9,13). Uma virtude fortalece a outra. A glória que JESUS tem agora será nossa glória no momento de nossa ressurreição. Esta é a esperança que sustenta a nossa fé no DEUS Triúno. livramento de seu povo. Seu povo foi liberto da maldição da lei (G1 3.13), do pecado (Ef 1.7) e da morte (Rm 8.2). A quem CRISTO pagou o resgate? As Escrituras não nos dão uma resposta a essa questão e, portanto, fazemos bem em não levantá-la. CRISTO não pagou a Satanás, pois CRISTO o venceu. Se DEUS estivesse exigindo um resgate, estaria fazendo seu próprio povo de refém. As Escrituras nos dizem que DEUS apresentou CRISTO como sacrifício para demonstrar a justiça de DEUS (Rm 3.25). Obviamente, portanto, a pergunta quem recebeu o resgate? não deve ser feita. JESUS CRISTO preencheu as exigências da lei, removeu a maldição que estava sobre nós e, por meio de sua morte, deu-nos a absolvição. Fomos redimidos por seu sangue precioso. Versículos 20 e 21 As Escrituras ensinam que CRISTO foi escolhido para resgatar os pecadores na eternidade, e que Adão e Eva caíram em pecado em algum momento depois que foram criados. A seqüência desses dois acontecimentos‘parece um tanto estranha para nossa lógica, pois não segue a ordem costumeira de causa e efeito. Normalmente, o remédio vem depois que a doença foi diagnosticada, ou seja, primeiro Adão e Eva caem em pecado e depois DEUS escolhe CRISTO para resgatá-los. João Calvino, reformador do século 16, comenta que devemos ver a presciência de DEUS, sua sabedoria e bondade na eleição de CRISTO e na redenção do homem. “Pois é então que brilha mais plenamente a indizível bondade de DEUS, em que ele antecipou nosso mal ao remediá-lo com sua graça e ofereceu a restauração à vida antes que o primeiro homem tivesse caído na morte”. Palavras, frases e construções do grego em 1.17-21 Versículo 17 ÔOTpoaco7toA,t)(IJUXCOÇ – esse é um advérbio composto, derivado do privativo óc (não), do substantivo ítpÒGCOíUOV (face) e do verbo À,Ct|ipávco (eu recebo). Nessa forma, no Novo Testamento ele aparece somente aqui. Sem o privativo, aparece uma vez como verbo (Tg 2.9) e cinco vezes como substantivo (At 10.34Rm 2.11Ef 6.9Cl 3.25Tg 2.1). xòv ô(rcpoaoo7toA,f||iJtxcoç Kpívovxoc – o particípio presente ativo de Kpívco (eu julgo) com o artigo definido modifica o substantivo Jtocxépa (pai). O tempo presente denota ação contínua. xòv ypÓVOV – observe que esta palavra significa período de tempo, não um ponto específico no tempo como KOCipóç. Versículo 18 XT|Ç Iiccxcxíaç àfaaxpoij/riç – o artigo definido nesse contexto significa “o tão conhecido modo de vida vazio”. Observe a falta de artigo definido nessa seção (vs. 18-21). TtaxpOítapaôÓXOD – a forma composta aparece apenas uma vez no Novo Testamento. É um adjetivo verbal que é passivo e expressa capacidade. Versículo 19 àtkXd- um forte adversativo que enfatiza o aspecto positivo em contraste com a declaração negativa do versículo anterior. ccl|iaxi – o substantivo está relacionado a XpiGXOl) e não a Òqivou (cordeiro). Observe que cinco palavras começam com a vogal ÒL A falta de artigo definido e o uso de assonância fortalecem a suposição de que essas linhas são parte de um hino cristão primitivo. Versículo 20 Jtpoeyvcoa|lévm) – o particípio perfeito passivo do verbo JtpoyivcòaKCO (eu sei de antemão) está no caso genitivo por causa de Xpioxou O prefixo Ttpó revela a preexistência de CRISTO. \|/avepctídévxoç – o particípio passivo aoristo do verbo \|iaV£póco (eu revelo) contrasta com o tempo do particípio perfeito passivo anterior. O contraste é realçado pelo uso de (lév e Sé. Versículo 21 ftioxofiç – evidências dos manuscritos favorecem o texto TUGXetiovxocç (particípio presente ativo). Os escribas, porém, costumavam mudar com mais freqüência o adjetivo Ttiaxoóç para o particípio do que vice-versa. O texto mais difícil, portanto, é o adjetivo TUOTofiç. cõcrce – essa conjunção introduz a oração que expressa o resultado (“de modo que”). Um artigo definido rege os dois substantivos TCÍGTiv e è)aú8a. 22 Agora que vocês se purificaram ao obedecer à verdade para que tenham amor sincero por seus irmãos, amem-se profundamente, de coração. 23 Pois vocês foram nascidos de novo, não de semente perecível, mas imperecível, por intermédio da palavra viva e duradoura de DEUS. 24 Pois “Todos os homens são como erva, e em toda sua glória, como flores do campo; a erva murcha e as flores caem, 25    mas a palavra do Senhor permanece para sempre”. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada. epístola de Pedro não estivessem familiarizados com a purificação cerimonial.113 Os leitores compreendiam o termo purificado em termos de pureza moral. Eles próprios tinham estado e continuavam envolvidos pessoalmente na purificação de si mesmos (ver Tg 4.8; lJo 3.3). b.    Meio. De que maneira os crentes obtêm a pureza? Pedro explica: “ao obedecer à verdade”. Ele quer dizer que os crentes são obedientes à Palavra de DEUS; quando vivem em obediência dentro desse âmbito, eles são puros. O âmbito da obediência é a revelação de DEUS em JESUS CRISTO (v. 12). Pedro deixa implícito que os leitores aceitaram os ensinamentos do evangelho pela fé. Num contexto anterior diferente, quando dirigiu-se ao concílio de Jerusalém, Pedro falou em defesa dos cristãos gentios e disse: “E não estabeleceu [DEUS] distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes pela fé os corações” (At 15.9). c.    Resultado. “Para que tenham amor sincero por seus irmãos”. Quando obedecemos à Palavra de DEUS, expressamos nosso amor não somente a DEUS, mas também ao próximo (Mt 22.37-39). No Novo Testamento, as palavras próximo e irmão têm igual valor no que diz respeito ao mandamento de amar ao próximo. De qualquer modo, no contexto das epístolas do Novo Testamento, a palavra irmão tem significado espiritual: refere-se aos irmãos e irmãs em CRISTO.114 Esse amor fraternal deve ser sincero (2Co 6.6). d.    Mandamento. A ênfase está sobre o verbo principal, colocado intencionalmente na última parte do versículo: “Amem-se profundamente, de coração”. Pedro está pensando na possibilidade de que membros da comunidade cristã possam apenas simpatizar uns com os outros sem ter um amor profundo e ardente. Pedro repete o mandamento dado primeiramente por JESUS na noite em que foi traído (Jo 13.34) e posteriormente ensinado pelos apóstolos Paulo (lTs 3.124.92Ts 1.3), Pedro (IPe 1.222.173.84.8) e João (lJo 3.23). Pedro qualifica o mandamento de amar com duas expressões adverbiais: “de coração” e “profundamente”. Essas expressões transmitem a extensão e seriedade do amor. Quando tal amor está presente, ele dissipa a tensão, põe fim à inimizade e lança fora o ódio.

Referências Bibliográficas (outras estão acima)

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Publicado no site do Ev. Luiz Henrique

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