Mansidão: Torna o Crente Apto para Evitar Pelejas – Ev. Isaías de Jesus

Mansidão: Torna o Crente Apto para Evitar Pelejas – Ev. Isaías de Jesus

Mansidão: Torna o Crente Apto para Evitar Pelejas

Texto Áureo = “[…] que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade suportando-vos uns aos outros em amor.” (Ef 4.1,2)

Verdade Prática = A mansidão, como fruto do Espírito, torna o crente apto para evitar contendas, pelejas e dissensões.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE – 2 Timóteo 2: 22-26

OBJETIVOS DA LIÇÃO

Ensinar como a mansidão nos molda a ter o caráter de Jesus Cristo;

Mostrar que a mansidão nos ensina a sermos submisso a Deus;

Revelar que o fruto do Espírito Santo é cultivado no coração.

INTRODUÇÃO

Estudaremos nessa lição que a mansidão como fruto do Espírito, é uma característica que nasce no coração do cristão, e que nos ensina á ser submisso a Deus e a termos autocontrole próprio. Ser manso significa ser uma pessoa de temperamento fácil, sossegado, tranqüilo, calmo, meigo e delicado.

  1. A MANSIDÃO E A PACIÊNCIA

Jesus é o nosso modelo de mansidão, ele foi manso e humilde de coração. Ouviu palavras mais amargas do que o fel que provou na cruz, e as revidou com palavras dóceis de perdão e salvação. Ele pediu ao pai dizendo: “Perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”! (Lc 23.34). A ira apenas alimenta um desejo primitivo de vingança que é alimentado cada vez mais por uma emoção peculiar, mas previsível. Começa como uma gota d’água: Alguém pega sua vaga de estacionamento, fecha você na estrada, a garçonete é lenta e você está com pressa, uma irritação, uma frustração.

Nada de mais, apenas uma provocação. O que quero dizer é que não somos os justiceiros do mundo, quando procuramos entender as coisas e procuramos fazer algo com a mansidão para que tudo se resolva da melhor maneira possível. Quando começamos a agir não a partir de uma postura de ira, mas com mansidão e compreensão. Enquanto estivermos nesse mundo nunca viveremos fora da guerra, mas o homem manso tem sempre uma saída para não deixar ser tentado pelo inimigo.

1.1 – A mansidão ensina o indivíduo desviar-se da ira

A ira não procede do fruto do Espírito e sim das obras da carne, basta observar os gestos de uma pessoa logo reconhecemos seu estado de emoção que ela se encontra. Na vida 10% é o que acontece conosco e 90% é o como nós reagimos a esses acontecimentos. Uma pessoa irada não consegue medir a altura do som de sua voz e nem tão pouco refletir as palavras que saem de sua boca, daí vem às contendas e as guerras que se refere Tiago 4.1, mas Jesus nos deu um verdadeiro exemplo de mansidão, quando pregado em uma cruz sofrendo a dor na carne e na alma e todo tipo de afronta e humilhação. Ele pode olhar para aquela grande multidão e dizer: pai perdoa-os porque não sabem o que fazem. O melhor método que nos ensina a desviar da ira é entender que a causa que nos está causando desconforto é passageira e o melhor que temos a fazer é mantermos o controle e procurar sermos manso como Jesus nos ensinou (Lc 23.34).

1.2. Sendo humilde e manso

Além de Jesus, podemos mencionar na Bíblia algumas pessoas que tiveram suas vidas pautadas por uma mansidão tamanha, que achamos difíceis pensar que existam pessoas com tamanha qualidade. Dentre elas destacamos Davi, que não apenas possuía uma índole de mansidão externa, mas uma atitude interna e sábia. Ele não ficou inerte diante das situações adversas, nem se acovardou, nem se intimidou e nem se mostrou covarde, fraco, tímido ou indolente.

Ele teve coragem para se posicionar com firmeza diante dos vários desafios da vida, desde o início de sua vida, quando apascentava o rebanho de seu pai, e, depois no episódio com Golias e mais adiante com seu próprio sogro Saul. E, no entanto mostrou ser manso quando teve a oportunidade de tirar a vida de Saul e não o fez (ISm 26.7-12).

Ser manso é saber se posicionar e ter atitudes certas, que não venha se arrepender mais tarde (ISm 17.49-51), ser submisso a Deus, (ISm 20.21).

Uma palavra de mansidão desvia o furor (Pv 15.1), mas a palavra dura suscita a ira. O pregador falou que a língua serena é a árvore da vida (Pv 15.4). Não existe nada pior do que estar perto de alguém mal humorado, a ira nunca fez nenhum bem a ninguém e nunca melhorou qualquer situação, mas a compreensão solidária, sim.

1.3. Jesus, nosso melhor exemplo

Quem possui o fruto do Espírito não se deixa ser levado pelo descontrole emocional, pelo contrário, segue o exemplo de Cristo. Cristo não retaliava, não dava o troco, não dizia “vou pegar você!” Talvez eu e você até dissesse: vem aqui e fala isso na minha cara. Jesus tinha tudo em suas mãos, más não prometeu vingança e nem exigiu pedido de desculpa.

O profeta Isaías profetizou que ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca, como cordeiro foi levado ao matadouro; e como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca (Is 53.7). Há momentos em nossas vidas que às vezes o silêncio fala mais alto. Com Jesus não foi diferente, toda a natureza parou no momento de sua maior dor e humilhação. Mesmo diante daqueles que o vieram prender, não tomou atitude agressiva, pelo contrário, aproveitou o momento para provar uma atitude de mansidão curando a orelha do servo de Caifás que havia sido cortada por Pedro, um de seus discípulos (Jo 18.10).

O manso tem convicção, não fica em cima do muro, não é uma pessoa neutra sem opinião própria e indecisa. Ser manso é saber falar com mansidão, é controlar seu ego, procura manter a calma mesmo em meio a um grande conflito. O manso tem o espírito apaziguador, se chega onde há conflito, ele trás uma palavra de moderação e de conciliação, essa é a característica de uma pessoa mansa.

2 – A MANSIDÃO E A SUBMISSÃO A DEUS

Ser mansa é estar sempre submissa à vontade de Deus. Deus é o Senhor de nossas vidas, quando depositamos nele a nossa confiança devemos esperar que ele faça sempre o melhor, que esperamos ter. Foi ele quem nos criou e sabe do que mais precisamos. Conhece tudo o que estamos passando e o que vamos passar, tudo é por ele e pra ele. Ele tem seus propósitos e o controle de tudo em nossas vidas e o melhor que podemos fazer é seguir os conselhos do apóstolo Pedro, que nos diz: lançai sobre ele toa a vossa ansiedade porque ele tem cuidado de vós. A mansidão nos capacita a ter uma postura simples e gentil em nossos relacionamentos interpessoais e com Deus!

2.1. O cristão deve ser sempre moderado

Não há nada mais doloroso do que palavras cujo propósito seja ferir, como por exemplo, uma calúnia ou algo dito sem pensar. São como flecha certeira que vai à alma. A humanidade pensa que através da força, do poderio político e econômico e da agressividade se conquista. É um grande engano pensar que quanto mais agressivo mais forte. Esse é um pensamento do mundo. A moderação e o equilíbrio são algo que todo cristão deverá buscar.

Vivemos em um mundo onde as pessoas possuem opiniões diversas, até mesmo com respeito à religiosidade, por isso, devemos colocar nossas palavras com sabedoria e mansidão para que não venhamos correr sério risco de, em vez de ganhar as almas, dispersá-las para mais longe. A forma como colocarmos nossa opinião como certa e verdadeira jamais deverá ser imposta com dureza. Nunca devem ser ditas como se estivéssemos pregando um evangelho de confronto, mas sim um evangelho de amor e de transformação, para o pecador desesperado e sem Deus. Devemos mostrar com exemplo, humildade e mansidão.

Semear a semente e esperar que ela venha germinar nos corações e ao seu tempo vir dar frutos, através do nosso cuidado e do nosso modo moderado de agir, com sabedoria do Espírito Santo e com exemplos para que essas pessoas venham aceitar a palavra de Deus e ser libertas. (Jo 13.34).

2.2. Sejamos sóbrios e mansos

Estamos envolvidos em grandes conflitos de forças religiosas que vão além das pessoas. Satanás, hoje, mais do que nunca tem jogado suas ultimas cartas, usando até mesmos grandes blocos de pessoas que se dizem religiosos, e, em nome dessa religião, tem feito um estrago muito grande, ceifando vidas inocentes, como por exemplos, crianças. Mais do que nunca satanás tem trabalhado com suas forças infernais. É necessário que sejamos sóbrios, mansos, prudentes e cheios do Espírito Santo para lutarmos contra esses grandes conflitos que satanás tem armado, usando tais ideologias com propósito de pregar um reino vingativo e violento em nome de Deus. Tais resultados não foram dos melhores (Rm 12.19).

Existe algo sobre entender o mundo, que nos leva a querer salvá-lo, isto é, quando temos dentro de nós o amor pelas almas que estão perdidas, e temos a convicção da palavra verdadeira que possuímos e fomos libertos por ela, isso não se trata de religiosidade, mas de liberdade cristã e vida transformada em Cristo. A partir daí começamos a imaginar o que o próprio Jesus sentiu pregado naquela cruz em meio a dois covardes ladrões pecadores, estava ali porque mereciam, mas na ultima hora um deles ao reconhecer seu pecado recebeu o perdão do salvador, quando Jesus declarou: hoje mesmo estarás comigo no paraíso!

2.3. A mansidão não compactua com a violência

Será que somos mansos depois de fazer uma profunda pesquisa sobre o que é mansidão? Será que temos força sobre o controle da língua? Será que temos o domínio e o controle próprio sobre nossas emoções e nossos sentimentos? O manso não reivindica seus próprios interesses e direitos, Jesus sendo Deus não julgou ser igual a Deus, o manso não inflama facilmente.

O manso possui atitude natural de temperança, de controle. Se estas perguntas acima, tem tido como resposta, o não, devemos orar e pedir a Deus que nos mude e nos transforme para que possamos ter uma vida de mansidão. Se somos seguidores de Cristo e queremos conquistar o mundo para Cristo devemos amar como ele amou, ser Santo como ele foi Santo, ser manso como ele foi manso, a ponto de parecer que estava na contra mão do povo Judeu, que andava subjugado pelos Romanos, esperando um Messias militar, guerreiro e que implantasse seu reino pela força e que resolvesse os problemas materiais e político da nação. Mas Jesus veio com outra proposta (At.1.6) e o povo não aceitou, mas ele cumpriu sua tarefa preparando um reino que é sobre todos os reinos, um reino eterno para todos que o aceitar.

Muitos não querem aceitar esse reino, pelo contrário, o mundo se apresenta cada dia mais violento e agressivo. Vivemos em um mundo que satanás tem colocado na mente e no coração das pessoas um ódio cruel, as quais não conseguem viver em paz com próximo nem consigo mesmo. Qualquer coisa é motivo de discussões e desentendimento. Pai mata filho, filho mata pai, mãe mata filho, filho mata mãe, esse é o mundo que vivemos. Parece que o diabo percebe que seu tempo está findando. È necessário que os Cristãos levantem a cabeça descruze os braços e tome atitudes no intuito de restaurar essa humanidade perdida.

  1. LIÇÕES PRÁTICAS

Em meio a tantas opiniões diferentes, tantas ideologias, pensamentos diferentes e a falta de tolerância entre as pessoas, ficaram difíceis manter o Espírito de mansidão e o reconhecimento dos valores e princípios que fazem parte da ética e dos valores humanos que cada um deve carregar, principalmente, os cristãos, que procura manter uma vida guiada pelos ensinamentos bíblicos. Como filhos de Deus devemos mortificar nossos sentimentos maus e fortalecer o desenvolvimento das características do fruto do Espírito Santo, conhecida como mansidão (1Pd 3.4)

3.1. O fruto é cultivado no coração

A bíblia menciona as obras da carne e o fruto do Espírito. Diz que eles lutam um contra o outro. As obras da carne são os desejos carnais que o homem natural possui e se opõe contra a vontade de Deus. O fruto do Espírito nasce no coração e é cultivado no coração do homem e quem pratica e deixam que esses frutos amadureçam andam segundo a vontade de Deus e agradam a Deus. Para sermos identificados como filhos de Deus deverão mortificar nossos sentimentos maus “ódio” e desenvolver dentro de nós, sentimento de mansidão que é uma característica do fruto do Espírito Santo. (Gl 5.17).

3.2. Só o Fruto do Espírito pode tornar o homem manso

Quando alguém encontra a transformação pela palavra começa a germinar dentro dele uma semente que posteriormente se transforma em um fruto excelente chamado fruto do Espírito. Essa pessoa muda sua maneira de agir, de pensar e sua nova vida passa a definir suas altitudes. Como verdadeiro filho de Deus começa a dominar seu ego. O prazer do mundo passa a não ter sentido mais em sua vida. Ele que antes apresentava características de agressividade passa a ser uma pessoa mansa e humilde, isto não significa que os problemas e dificuldade passam a não existir, mas quando ele entra em dificuldade ele lança todas aos pés do Senhor! (1Pe 5.7)

3.3. O Fruto amadureceu por inteiro

As características do fruto do Espírito é uma interligação entre eles (Gl. 5. 22-26) um se ajusta ao outro, e todos devem estar desenvolvidos para que seja úteis. Por se trata de fruto do Espírito, esse desenvolvimento acontece todos os dias na presença do senhor com orações e jejuns. Devemos deixar que o próprio Espírito santo regue, e, nós devemos podar as folhas envelhecidas, para que possamos produzir frutos em todas estação do ano.

Muitos frutos naturais caem antes de amadurecer, pela sua fragilidade, pelo vento forte, por alguém que com uma vara o derruba antes do tempo, em fim, muitos não sobrevivem. Outra coisa que acontece aos frutos são aqueles que amadurecem demais. Tornam-se podres, não serve para o consumo. Como fruto de mansidão que somos, precisamos ser maduros o suficiente para sermos úteis para alimento Espiritual das pessoas e forte o suficiente para não sermos derrubado pelos vendavais da vida ou pelo o inimigo que tenta nos derrubar todos os dias.

Devemos ter uma palavra mansa uma atitude mansa, você pode não ser capaz de controlar uma situação, mas, você pode sempre controlar sua reação e com ela poderá diminuir um conflito uma guerra e colocar paz onde não existem. Só assim atrairemos vidas para assentar com Cristo onde ele está! Em Efésios 1.20-23, o apóstolo Paulo escreveu: O qual o exerceu em Cristo, ressuscitando dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referi, não só nesse século, mas também no vindouro. E pôs todas as coisas debaixo dos seus pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu a igreja.

CONCLUSÃO

Em Jesus conseguiremos obter o fruto de “mansidão”. Quando tornamos pessoas mansas, mudamos nossas atitudes. Mudando nossa atitude mudaremos o mundo em volta de nós. Quem deixa à ira tomar conta de si, sempre fala de mais, e quem fala de mais, perde o controle da situação, e perdendo o controle da situação, poderemos entrar em um estado de perda total, além disso, podemos sair feridos e machucados e acabamos também machucando muitos. Sejamos, pois, como muitos que venceram guerras cantando, adorando a Deus sem agressividade de palavras mal ditas e fora de hora. Se eles venceram com humildade e mansidão, nós também venceremos!

 

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

– Editores Atos 2005, Escritora; Pereira, Silvana.

– Editores; Mundo Cristão, 2014. Escritor; Lucado, Max.

– Cultura Cristã 1999. Escritor; Augusto Nicodemos Lopes. Revisão; Claudete água de Melo e Flávia Bartkevicius Cruz.

– Palavra da verdade- Hernandes dias Lopes.com.br

– Revista do professor: Jovem e Adulto Ano 26 – nº 99. Frutos do Espírito – Destacando os Aspectos do Caráter Cristão na Era da Pós-Modernidade.

Lição 12 – Uma nova postura de Uma Vida Modesta e Submissa.

 

– Revista do Professor: Jovens e Adultos Anos 25 – nº 97. Maturidade Espiritual – Capacitando o Cristão Para Cumprir os Desígnios de Deus Com Uma Fé e Atitudes. Lição 7 – Fomos Escolhidos Para Produzir Bons Frutos.

 

COMENTARISTA ADICIONAL

MANSIDÃO O FRUTO DA OBEDIÊNCIA

TEXTO ÁUREO: “Os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de Paz” (Sl 37.11).

VERDADE PRÁTICA: O fruto da mansidão proporciona ao crente fartura de descanso e paz de espírito.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: EFÉSIOS 4.1-7

4.3 GUARDAR A UNIDADE DO ESPÍRITO. “A unidade do Espírito” não pode ser criada por nenhum ser humano. Ela já existe para aqueles que creram na verdade e receberam a Cristo, conforme o apóstolo proclamou nos capítulos 1-3. Os efésios devem guardar e preservar essa unidade, não mediante os esforços ou organizações humanos, mas pelo andar “como é digno da vocação com que fostes chamados” (v. 1). A unidade espiritual é mantida pela lealdade à verdade e o andar segundo o Espírito (vv. 1-3,14,15; Gl 5.22-26). Não pode ser conseguida “pela carne” (Gl 3.3). 4.5 UM SÓ SENHOR. Uma parte essencial da fé e unidade cristãs é a confissão de que há “um só Senhor”.

(1) “Um só Senhor” significa que a obra da redenção que Jesus Cristo efetuou é perfeita e suficiente, e que não é necessário nenhum outro redentor ou mediador para dar ao crente salvação completa (1 Tm 2.5,6; Hb 9.15). O crente deve aproximar-se de Deus somente através de Cristo (Hb 7.25).

(2) “Um só Senhor” significa, também, que devotar lealdade igual ou maior a qualquer autoridade (secular ou religiosa) que não seja Deus revelado em Cristo e na sua Palavra inspirada, é a mesma coisa que recusar o senhorio de Cristo, e, portanto, da vida que somente nEle existe. Não pode haver nenhum senhorio de Cristo nem “unidade do Espírito” (v. 3) à parte da afirmação de que o Senhor Jesus é a suprema autoridade para o crente, e de que esta autoridade lhe é comunicada na Palavra de Deus.

OBJETIVOS: Após esta aula, seu aluno deverá estar apto a:

1- Explicar os três conceitos de mansidão.

2- Descrever as características de Jesus que exemplificam a sua mansidão.

3- Relacionar a mansidão a outras virtudes cristãs.

PONTO DE CONTATO: Professor, no atual contexto de nosso país, sabemos o quanto a mansidão é necessária. Os homens sem Cristo, a cada dia que passa, estão mais ásperos, iracundos e violentos. Algumas vezes, encontramos pessoas na Igreja que proclamam em alta voz: “Eu sou convertido, porém meu ‘braço’ ou meu ‘dedo’ não”. Outros chegam a declarar que são tentados à violência.

Muitos provocam contendas na Casa de Deus, são insubmissos a seus pastores, agressivos e rebeldes. Nesta lição, estudaremos mais uma das qualidades de Cristo relacionada ao revestimento do crente — a mansidão. Ore com o objetivo de o Espírito Santo infundir contrição, perdão e mansidão em sua classe. Repreenda, em nome de Jesus, toda contenda, peleja, e porfia entre os cristãos. OBS: Não se esqueça de ler na revista Ensinador Cristão, nº 21, págs. 33-35, ‘Seção Boas Idéias’, excelentes dicas para dinamizar a sua aula.

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA: Leve para a sala de aula uma figura de ovelha. Mostre

para os alunos e pergunte-lhes se já tiveram a oportunidade de ver alguma sendo tosquiada. Em seguida, fale sobre este processo pelo qual todas as ovelhas passam. É importante mencionar que este animal permanece completamente mudo enquanto toda a sua lã é cortada. Escreva as seguintes perguntas no quadro e reflita com seus alunos acerca delas: Você permitiria ser “tosquiado” facilmente? Como você tem enfrentado “as tosquias da vida”? Você tem se submetido à vontade de Deus mansamente como uma ovelha perante seus tosquiadores? (Adaptado do livro Dinâmicas Criativas Para o Ensino Bíblico, CPAD).

INTRODUÇÃO

Mansidão é a qualidade daquele que é manso. Uma pessoa mansa é serena, ponderada, prudente, equilibrada. É o contrário da pessoa agressiva, ou brava, ou, ainda “braba”, no dizer da linguagem popular.

Um crente em nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo tem o dever de ser manso, de manifestar a mansidão em sua vida, em seus gestos, em suas atitudes. E isso não é fácil, num mundo em que vivemos, onde os violentos é que têm mais oportunidade de aparecer e de prevalecer, em muitas ocasiões e situações.

Contudo, de acordo com a Palavra de Deus, precisamos aprender com o Mestre Jesus, que diz: “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra” (Mt 5.5). Foi um dos conselhos sábios que Jesus passou para seus discípulos e ouvintes, quando ministrava o seu famoso Sermão do Monte. Aprender a ser manso é um exercício difícil, mas necessário para uma vida tranqüila e santa, sob os ditames sagrados do livro de Deus. É necessário exercitar as emoções, os sentimentos, os conceitos e valores absorvidos ao longo da vida.
Dizem que o temperamento de cada um tem influência marcante nos seus gestos e atitudes. Se a pessoa é de temperamento colérico ou sanguíneo é difícil ser manso, segundo o que se pensa, pois o temperamento é extrovertido, expansivo, alegre, etc.; se a pessoa é dos temperamentos fleumático e melancólico, é mais fácil, pois são pessoas introvertidas, calmas, sem pressa, etc.

No entanto, quando aceitamos a Cristo, as “coisas velhas”, incluindo o comportamento antigo, as velhas atitudes e ações, tudo fica para trás (2 Co 5.17). Passamos a ser novas criaturas, nascidas em Cristo, e sofremos uma extraordinária transformação em nosso ser. Se somos nascidos de novo, devemos ser pessoas espirituais, que dão o “fruto do Espírito”, que inclui a mansidão (Gl 5.22). Não por causa do temperamento, mas, a despeito deste, passamos a ser mansos , como resultado da ação do Espírito Santo, que produz tal virtude em nosso ser. Deus é o que opera em nós “tanto o querer quanto o efetuar”, como diz Paulo. Não é atitude cristã dizer: “Eu sou assim mesmo…”; “quem quiser é assim…”. Isso é carnalidade pura, falta de conversão.

I. O FRUTO DA MANSIDÃO NA BÍBLIA

QUE É MANSIDÃO? (na Bíblia, “força sob controle” – era utilizada para falar, por exemplo, de um cavalo selvagem que foi domado. O cavalo selvagem, quando domado, continua tendo tanta força e energia como antes, mas agora pode ser controlado).

Ser manso não significa ser fraco, covarde. Jesus e Moisés são chamados na Bíblia másculos!

E Gl 5.23 diz que a 8ª característica do tipo de pessoa que Deus quer nos tornar é a mansidão – e em Fp 4.5 explica porquê, dizendo: “Seja a amabilidade de vocês conhecida por todos”.

Que significa você ser uma pessoa mansa? …de reações controladas diante das pessoas (em vez de simplesmente reagir diante delas, você escolhe a reação que vai ter).

  1. Definição.

“Prautes ou praotes denota ‘mansidão’. Em seu uso na Escritura, no qual tem um significado mais extenso que nos escritos gregos seculares, não consiste só no ‘comportamento exterior da pessoa; nem ainda em suas relações com o próximo; tampouco na sua mera disposição natural. Antes, é uma entretecida graça da alma; e cujos exercícios são primeira e primariamente para com Deus. É o temperamento de espírito no qual aceitamos seus procedimentos conosco como bons, e, portanto, sem disputar ou resistir […] Deve ser entendido claramente que a mansidão manifestada pelo Senhor e recomendada para o crente é fruto de poder. A suposição comum é que quando o homem é manso, é porque ele não pode se ajudar; mas o Senhor era ‘manso’porque Ele tinha os recursos infinitos de Deus à sua disposição” (VINE, E.W. (et al). Dicionário Vine: o significado exegético das palavras do Antigo e do Novo Testamento. CPAD, 2002).

Os três conceitos principais acerca do fruto espiritual da mansidão são os seguintes:

a) Ser sempre submisso à vontade de Deus.

A vontade de DEUS é perfeita, ELE conhece o futuro e devemos sempre saber a sua vontade antes de realizarmos qualquer ato.

1 Jo 5.14 –  Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos alguma coisa de acordo com a vontade de Deus, ele nos ouvirá.

2 Sm 7.21 – Por amor de tua palavra e de acordo com tua vontade, realizaste este feito grandioso e o revelaste ao teu servo. 22 “Quão grande és tu, ó Soberano SENHOR!

1Rs 8. – “SENHOR, Deus de Israel, não há Deus como tu em cima nos céus nem embaixo na terra! Tu que guardas a tua aliança de amor com os teus servos que, de todo o coração, andam segundo a tua vontade.

Sl 143.10 – Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; que o teu bondoso Espírito me conduza por terreno plano

Mt 6.10 – Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.

Mt 26.42 – E retirou-se outra vez para orar: “Meu Pai, se não for possível afastar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade”

Hb 10. 9 – Então acrescentou: “Aqui estou; vim para fazer a tua vontade”

Mc 3.35 – Quem faz a vontade de Deus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

Rm 9. 27 – E aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito, porque o

Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus.

Rm 12. 2 – Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

1Ts 4.3 – A vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se da imoralidade sexual. 4 Cada um saiba controlar o seu próprio corpo{1} de maneira santa e honrosa, 5 não dominado pela paixão de desejos desenfreados, como os pagãos que desconhecem a Deus.

b) Ser apto para aprender.

Mansidão e Aprendizagem

Alguns dos momentos mais duros na minha vida foram quando meus companheiros na obra procuravam seus próprios objetivos. Dor e feridas foram inevitáveis. Entretanto, estas coisas nos ensinam. O primeiro descanso oferecido em Mateus 11.28-30 é incondicional.

`Vinde a mim – e eu lhe darei descanso.´ Mas depois vem o descanso da vida inteira que recebemos quando aprendemos de Jesus – que é manso e humilde. Esta é a coisa principal que devemos fazer durante toda nossa vida. É triste ver quantos pastores limitam sua experiência cristã a ajuntar um grupo que possa satisfazer sua necessidade.
Coronel Arnolis Weerasooriya (1858 – 1888), um homem de Sri Lanka, cuja vida e obra foram altamente admirados pelo General William Booth (do Exército de Salvação), dizia: `Fico aos pés de qualquer pessoa que andou com Jesus mais do que eu, para aprender dele´.

Cada fracasso é uma experiência de aprendizagem para o pastor manso. Se ele congregar dez mil pessoas no seu rebanho, ainda sente humilhado quando se lembra dos milhões que ainda não foram alcançados.

Toda nossa vida é uma experiência de aprendizagem. O conhecimento do Salvador que nos chamou é inesgotável. A pessoa mansa espera uma nova revelação da vida celestial para iniciar seu dia. Tal vida é cheia com a plenitude de Deus.

A bênção para o manso é que o Senhor o sustenta sempre (Salmo 37.24). Ele caminha por passos dirigidos pelo Senhor (Salmo 37.23).

Muitos caminham apressadamente para o ministério ou sucesso nos negócios. Não conseguem passar pelos atrasos ordenados por Deus. O homem manso empresta com generosidade porque reconhece que tudo que possui foi recebido (Salmo 37.26).

Os mansos não resistem à vontade do Senhor. O Senhor tem facilidade de instruí-los. Seu ouvido está sempre aberto às suas instruções.

Tenho muito temor quando vejo cristãos que vivem suas vidas dia após dia totalmente insensíveis a qualquer ordem de Deus ou à voz do Senhor. Há muitos senhores no corpo do Senhor.

Muitos líderes, mas poucos que podemos seguir. Muitos mestres, mas poucos servos. Muitos pregadores, mas poucos que escutam. Muitos que viajam, mas poucos que ficam quietos

É estar sempre aberto à aprendizagem, ou seja, não ser orgulhoso quanto ao que se sabe e o que precisa aprender (Tg 1.21).

c) Ser atencioso.

Em primeiro lugar Seja compreensivo, não exigente, com as pessoas que lhe prestam um favor.

Lemos em Fp 2.4,5: “Que ninguém procure somente os seus próprios interesses, mas também os dos outros. Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar que Cristo Jesus tinha…” .

Vou lhe perguntar: Como você trata as pessoas que lhe prestam algum serviço? …o balconista, o caixa do banco, a secretária? É indiferente, como se fizessem apenas parte da mobília do lugar?

Estão ali para prestar serviço, mas são pessoas! Cumprimente-as, dê-lhes um aperto de mão, um sorriso…

Eu não gosto de atender ao telefone quando a pessoa do outro lado diz assim: “Alô! Fulano tá aí? …eu poderia falar com ele?” – porque eu não um secretário eletrônico… quero ser cumprimentado, quero responder a um “como vai?”!

Entre as mais de 30 dicas para se viver melhor que tenho colecionado, há uma que diz:

“Valorize as pessoas, elas não são descartáveis”. Seja manso!

Segundo, seja complacente, não crítico, com aqueles que erram.

Gl 6.1,2 diz: “Irmãos, se alguém for surpreendido em algum pecado, vocês, que são espirituais, deverão restaurá-lo com mansidão. Cuide-se, porém, cada um para que também não seja tentado…”.

A tentação aqui pode ser muito bem a de ser crítico, de ser “mais santo do que o outro” e essa é a reação errada para com um irmão que está lutando contra o pecado.

Às vezes olhamos para os erros dos outros com lente de aumento e ficamos à dizer a mesma coisa que diz o lápis para o papel, quando quebra a ponta: “você vive me desapontando!”

Rm 14.1: – “Aceitem o que é fraco na fé…”.

Vou fazer uma pergunta: Qual a sua reação diante de pessoas que têm a vida toda bagunçada? – você pensa: “Eu não disse?” ou “Eu já sabia!”, ou “Ele merece!” ou

“Como pode ser tão tolo?” …você tem um sentimento interior de superioridade?

Quero lhe falar um pouco sobre o dia em que uma mulher apanhada em adultério foi carregada para fora da casa onde estava e trazida até Jesus. Qual foi a reação de Jesus? …foi cheia de sensibilidade – Ele a defendeu diante dos outros, mas depois que a multidão se foi, então, em particular, falou-lhe sobre o seu pecado. Jesus foi manso, não crítico!

Por que devemos nos esforçar para não ser críticos? Foi assim que Cristo nos tratou!

Rm 15.7 – revela o seguinte: “…aceitem-se uns aos outros, da mesma forma que Cristo os aceitou, a fim de que vocês glorifiquem a Deus”.

Você sabe, Deus tolera muitas coisas que fazemos, e se Deus tolera nossas fraquezas, podemos aprender a tolerar as falhas dos outros.

Sempre que você se sentir tentado a julgar uma pessoa, faça uma pausa para lembrar o quanto Deus lhe perdoou – quanto mais reconhecemos o perdão que Deus nos deu, mais tolerante seremos com os outros.

Portanto, quando as pessoas o decepcionarem, aja com compreensão e sem julgamento, porque Deus é invariavelmente manso com você!

Terceiro, seja delicado com as pessoas que discordam de você, e não se sinta derrotado.

É um fato da vida que você nunca poderá agradar a todo o mundo (você vai sempre conhecer pessoas que gostam de instigar, discutir e brigar).

Num dia desses, enquanto procurava alface num mercado, ouvi uma conversa banal, mas reveladora. Uma mulher falou diante da banca de frutas: “Não suporto uvas”.

A sua colega respondeu apenas: “Adoro uvas”. Não sei como acabou a conversa, mas pode estar certo: muitos desentendimentos começam com assuntos de pouca importância.

Talvez você já teve a seguinte experiência: Convidou um casal de amigos para um jantar em sua casa. Aí, na mesa, o marido da outra começa a contar uma história, mas em seguida a mulher diz: “Querido, não foi assim. Lembre-se: foi a tia Maria, não a tia Suzana”. Você acha que os outros estão interessados em saber qual foi a tia?

Já discutiu por causa de uma data sem sentido? “Foi em 1982. Não, foi em 1983. Não. Não foi. Foi em 1982. Não foi…”

Imagine ainda essa cena: – “Eu? Levar desaforo para casa? É ruim, hein! Mas nem morto! Você não me conhece!” – “Espere aí, você não é crente?” – “Sou, sou crente mas não tenho sangue de barata! Até lá na igreja mesmo, quando fazem alguma coisa que me provoca, eu solto os bichos!!!” – “Mas, irmão… – “Que irmão o quê! Me larga, me larga!!”

Como você deve reagir diante dessas pessoas? …você tem três alternativas: pode se calar, reagir com ira, ou responder com mansidão.

Se você se calar diante de pessoas briguentas, é como se dissesse à elas: “Está bem, seja como você quiser”. É a paz a qualquer preço, mas isto não compensa.

Se você reagir com ira, irá em frente, atacará seja quem for que fique contra a sua opinião; mas a ira é geralmente um sinal de insegurança – a pessoa se sente insegura, imagina que vai perder, então, pra compensar, fica irada.

Mas a terceira alternativa é responder com mansidão; é o método que Deus quer que você escolha. Esse tipo de reação exige equilíbrio, mas é abençoado!

Pv 15.1 diz: “A resposta calma [branda] desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira”.

Você já experimentou isso? Eu já. Quando alguém faz uma pergunta, se você responde com arrogância, a pessoa vai, provavelmente, esquentar com você. Mas, se responder com mansidão, a pessoa vai se abrir para você.

Amado, atente também para o que diz a Bíblia em 2Tm 2.24, 25: “Ao servo do Senhor não convém brigar, mas sim, ser amável para com todos, apto para ensinar, paciente. Deve corrigir com mansidão os que se lhe opõem…”

Paulo está dizendo que a mansidão é a capacidade de discordar agradavelmente.

Seja delicado com as pessoas que discordam de você.

E ainda, seja capaz de aprender, não seja inacessível.

Quando alguém o corrigir, seja capaz de aprender.

Pv 13.18 diz: “…quem acolhe a repreensão recebe tratamento honroso”. Sabe, as pessoas mais sábias, são as que mais querem aprender com as outras.

Você consegue aprender com seus filhos, com seu marido, sua esposa?

Vou lhe dizer como acabar sozinho na vida: Nunca admita nenhum erro. Nunca aprenda nada com ninguém. Nunca permita que alguém lhe ensine alguma coisa. Isto o fará ficar sozinho!

MANSIDÃO, pois, é também a disposição de aprender e de admitir quando se está errado.

Há quando tempo você não chega à alguém e diz: “Sabe, eu estava errado”? …há pessoas que não dizem isso há anos – será que são infalíveis???

Observe outro texto da Bíblia, Tg 1.21 que diz: “…recebei com mansidão a palavra em vós implantada”.

Mansidão é também a atitude que devemos ter quando lemos ou ouvimos a Palavra de Deus – devemos nos aproximar dela com uma atitude mansa e humilde, dizendo: “Deus, quero ser ensinado”.

Você também deve agir, e não reagir.

Quando alguém o fere, aja, não reaja. Faça como Jesus Cristo fez. O apóstolo Pedro disse dEle: “Quando foi injuriado, não injuriava, e quando padecia não ameaçava. Antes, entregava-se àquele que julga justamente”.

Quando Pilatos interrogava a Jesus, Ele suportou o julgamento em silêncio. Podia ter revidado, gritado, falado para se defender… mas não REAGIU, AGIU: assumiu o controle da situação.

Quando você reage a um insulto, está admitindo que a pessoa está no controle de suas emoções.

A palavra de Deus diz, Rm 12.17,21: “A ninguém torneis mal por mal… não te deixes  vencer do mal, mas vence o mal com o bem”.

Um homem estava contando que acompanhou um amigo a uma banca de jornal e viu seu amigo cumprimentar o jornaleiro muito simpaticamente. Mas em troca recebeu uma atenção grosseira, mal-educada, e o jornal jogado na direção dele. Viu, mesmo assim, o amigo sorrir educadamente e desejar ao homem um bom fim-de-semana. “Ele sempre o trata assim? – Sim, infelizmente. Mas, então, porque você é tão gentil com ele?” – …porque eu não quero que ele decida como devo reagir”.

Isso é mansidão – força controlada. Escolher a maneira de reagir.

II. A MANSIDÃO DIVINA

Existe uma escola, “a escola da mansidão”, que é dirigida pelo Senhor Jesus Cristo. Ele fez um convite excelente aos que estão cansados e oprimidos, ante as vicissitudes da vida, ante a onda de pecado que avassala o mundo. Ele diz: “Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos , e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas” (Mt 11.28.30).

Quem estuda na Escola de Jesus sabe o valor da mansidão acha difícil na prática, mas, com ajuda do Espírito Santo, podemos fazer “o dever de casa” e por em prática os preciosos ensinos de Jesus. Primeiro, porque ele não é do tipo de professor que ensina o que não faz, e faz o que não ensina. Quando, após ser julgado de modo ilegal por Pilatos, Ele foi esbofeteado, cuspido, escarnecido, mas “como ovelha muda perante os seus tosquiadores, não abriu a sua boca” (Is 53.7). Com obediência e zelo pelas lições do Senhor, podemos passar nos exames das provas de mansidão.

  1. A Mansidão de Deus.

A mansidão deve ser uma das qualidades do crente, porquanto o Espírito de Deus habita em seu interior. Deus é perfeitamente manso, mas também justo e que ira-se todos os dias (Sl 7.11). Como compreender isso? A ira de Deus é contra o pecado e o mal; não afeta seu amor e compaixão por nós. Deus é nosso exemplo perfeito de mansidão associada à firmeza.

  1. A Mansidão de Jesus.

Aquele que nos primeiros dias do Seu ministério disse: “Bem-aventurados os mansos”, mais tarde também disse “Sou manso” (Mt.5v5; 11v29). Isso foi somente a prerrogativa dEle em poder dizer: “Sou manso”, e ainda permanecer assim.

Entre os homens, tal alegação à mansidão negaria aquela mansidão fingida. Os outros podem dizer que um homem é manso, mas quando aquele mesmo homem assim fala, deixa de ser a verdade. Com o amado Salvador era diferente. Ele podia dizer: “Sou manso” e ainda permanecer manso. Mansidão é o fruto do Espírito e desejamos ponderá-la na sua perfeição na vida do Senhor Jesus.

Os grandes homens do mundo sempre desprezaram mansidão. Eles a confundiram com moleza e fraqueza. Os Faraós do Egito, os Reis da Babilônia , os Imperadores de Roma, os Príncipes da Pérsia, não toleravam mansidão.

Mas mansidão não é fraqueza. De fato, mansidão é a verdadeira força e pode ser vista como tal no ministério do Salvador. Alguém o descreveu como “excesso de falta de raiva”. A definição pode parecer incômoda, mas é certa. Houve tempos e ocasiões quando o nosso Senhor poderia estar irado. Houve circunstâncias que O tornaram assim (Mc 3v5). Mas é dito de amor que não é facilmente provocado, e assim foi com o grande Amante das almas. Existe uma raiva em nós que pode vir de malícia e amargura. Isto é errado, embora que nós, às vezes, podemos também estar com a justa ira, sem pecar ( Ef. 4v26).

Aquele Homem amado, manso e humilde era excessivamente sem ira e sempre desconhecedor da malícia.

No Salmo 45, um salmo Messiânico predizendo os triunfos do Cristo, é profetizado do Messias, que Ele prosperaria na causa da verdade, mansidão, e retidão. Sem dúvida, há de ter um cumprimento milenial disso no futuro, mas era verdade durante a Sua estada entre nós. Ele pregava a verdade e vivia em retidão. Mansidão une os dois. Foi o Espírito no qual Ele pregava e vivia enquanto esteve aqui na terra.

Outra vez, o profeta havia dito: “Eis que o teu Rei aí te vem, manso e assentado sobre uma jumenta”. (Mt.21v5). Isto se cumpriu no dia em que o Salvador entrou em Jerusalém na jumenta, com roupas e ramos de árvores estendidos pelo caminho. “Hosana!” eles clamaram, “Hosana!” Mas o nosso Senhor sabia que a cruz estava perto, e Ele recebeu os seus louvores em mansidão. Ele, que um dia reinará e cavalgará em um cavalo branco em triunfo, assentou mansamente sobre uma jumenta, para ser crucificado dali a alguns dias (Veja Ap.19).

Quão mansamente o Salvador tolerou os escárnios injustos dos Seus inimigos. “Odiaram-me sem causa”, Ele podia dizer (Jo 15.25). Injustamente o acusavam, eram os Seus inimigos (Sl.69v4). Note quão mansa e gentilmente Ele respondia mesmo às injustiças. “Não dizemos nós bem que és samaritano, e que tens demônio?”, eles O acusaram (Jo.8v48-49). “Não tenho demônio”, Ele respondeu, mas sem referência aos samaritanos. Bem Ele podia ter dito “Não sou samaritano”, mas em mansidão característica Ele não ofenderia. Afinal, uma vez ele viajou para Sicar para trazer salvação a uma samaritana (Jo.4).

Mas será que realmente vemos a Sua mansidão quando O vemos no meio de inimigos cruéis acusando-O durante aquela última noite longa e solitária? Ele estava como um cordeiro levado ao matadouro. Ele estava como uma ovelha muda perante os seus tosquiadores. Como eles O despiram de tudo que era dEle, até as Suas próprias vestes, Ele era como a gentil corça da alvorada de Sl.22.

Os touros de Basã e os cães de Roma O rodearam. Os líderes orgulhosos e arrogantes da nação e os soldados insensíveis de César O cercaram. No meio de tudo, o objeto da sua crueldade, Ele permaneceu em silêncio e sem queixa. Um tempo antes no jardim, Ele tinha dito a Pedro “Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que Ele não Me daria mais de doze legiões de anjos?” (Mt.26v53). Mas,sabendo que tudo estava ao Seu comando, Ele suportou mansamente tudo que Lhe fizeram.

E quando eventualmente eles O levaram para fora para morrer, e estenderam as Suas Mãos para cravá-las na cruz, em mansidão Ele disse: “Pai, perdoa-lhes” (Lc.23:34).

Não foi isto verdadeira força? Foi bem cedo mesmo no Seu ministério que Ele tinha ensinado os Seus discípulos: “Amai os vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem” (Mt.5v44). Esta exortação foi parte daquele mesmo ministério no qual Ele tinha dito “Bem-aventurados os mansos”(Mt.5v5). Quão literalmente Ele cumpriu as instruções que Ele tinha dado aos Seus, enquanto Ele orou pelos que estavam fisicamente O pregando naquela cruz.

É gostoso notar que no mesmo Salmo do Seu sofrimento lemos “Os mansos…..se fartarão” (Sl.22v26). O Príncipe de Sofredores um dia será recompensado pela Sua mansidão, porque “Os mansos herdarão a terra” (Sl.37v11). Ele regerá e reinará quando os reis da terra já passaram e são esquecidos.

Que nós, que O amamos e que desejamos ser semelhantes a Ele, sejamos sempre achados em “humildade e mansidão”; “modestos, mostrando toda a mansidão para com todos os homens” (Ef.4v2; Tt.3v2). Bem-aventurados são os mansos.

III. REFERÊNCIAS BÍBLICAS À MANSIDÃO

Na Bíblia, a mansidão está freqüentemente associada a outros atributos ou em contraste com práticas erradas. Consideremos, portanto, alguns textos bíblicos e seus ensinos para nós.

  1. Mansidão e benignidade. Em 2 Coríntios 10.1, o apóstolo Paulo fez um apelo aos coríntios “pela mansidão e benignidade de Cristo”. Benignidade, nesta passagem, diz respeito a suportar ofensas com paciência e sem ressentimento, por amor a Cristo. Mansidão refere-se à brandura na conduta ou atitude, e opõe-se à rispidez, à severidade, à violência ou a grosserias carnais; de natureza adâmica.
  1. Mansidão e humildade. Estas duas virtudes estão intimamente ligadas: “Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor” (Ef 4.2). Humildade contrapõe-se ao orgulho. É uma atitude de submissão e respeito aos outros.
  1. Mansidão e sabedoria. “Quem dentre vós é sábio e inteligente? Mostre, pelo seu bom trato, as suas obras em mansidão de sabedoria” (Tg 3.13). Os sábios e inteligentes são mansos. Trata-se de um espírito de submissão e sempre inclinado à aprendizagem. Isto evidencia o fruto da mansidão.
  1. Mansidão e salvação. “Porque o Senhor se agrada do seu povo; ele adornará os mansos com a salvação” (Sl 149.4). Observamos neste texto sua harmonia com o Novo Testamento: “Pelo que, rejeitando toda imundícia e acúmulo de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar a vossa alma” (Tg 1.21). Neste texto, mansidão refere-se à inclinação para receber a Palavra de Deus com um coração submisso.

IV. EXEMPLOS DE MANSIDÃO NA BÍBLIA

O maior exemplo de mansidão nos foi dado por Jesus. Ele a ensinou e a viveu radicalmente. No Sermão da Montanha ele ensinou: ´Tendes ouvido o que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu porém, vos digo: não resistais ao homem mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra´ (Mt 6,38s).

Há muitos exemplos da prática do fruto da mansidão, ou de sua ausência, no Antigo e Novo Testamentos. Ao ler os acontecimentos bíblicos, reflita se os personagens envolvidos agiram mansamente. Se não, considere a possibilidade de que a história, em alguns casos, poderia ter sido diferente se esta virtude fosse manifestada. A seguir, examinaremos alguns exemplos.

  1. Abraão. É um exemplo notável desta virtude aplicada na resolução de disputas: “Ora, não haja contenda entre mim e ti e entre os meus pastores e os teus pastores, porque irmãos somos. Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te de mim; se escolheres a esquerda, irei para a direita; e, se a direita escolheres, eu irei para a esquerda” (Gn 13.8,9). À primeira vista, parece que Abraão está perdendo terreno por conceder a Ló o direito de escolher. Contudo, no fim da história o Senhor abençoou grandemente a Abraão. Isaque, filho de Abraão, seguiu o exemplo do pai e também foi abençoado pelo Senhor (veja Gn 26.20-26).
  1. Moisés. O texto de Números 12.3 diz que “era o varão Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra”. Na passagem de Êxodo 15.24,25, o povo murmurou contra Moisés, que imediatamente voltou-se ao Senhor. Fato semelhante ocorreu em Êxodo 17.3,4. Em outra ocasião, o povo criticou Moisés em público, no entanto, Deus o defendeu e falou diretamente com Arão e Miriã em benefício de seu servo. Nestes textos, aprendemos que o Senhor sustenta os submissos e mansos. Em Números 16, encontramos uma rebelião do povo contra a liderança de Moisés. Uma vez mais ele demonstrou mansidão, e Deus o protegeu.
  1. Paulo. Quando Paulo rogou aos coríntios, ele lhes apelou pela mansidão e benignidade de Cristo (2o Co.10v1). Tanto Paulo como os coríntios sabiam que em Jesus houve o grande exemplo de uma mansidão que seria o antídoto para cada problema. O apóstolo lhes rogou por aquela mansidão para ter pensamentos certos dele e do seu apostolado.

Paulo experimentou isso na sua vida. Ele segurava os mantos daqueles que apedrejavam Estevão, que, recebendo o martírio, como Jesus, orava pelos seus executores. ´Senhor, não lhes leves em conta este pecado …´ (At 7,60). E Saulo ´que havia aprovado a morte de Estevão´, converteu-se maravilhosamente em seguida, por esses ´carvões em brasa´ que foram amontoados sobre a sua cabeça pela atitude de Estevão.

V. RECOMPENSAS DA MANSIDÃO

Não há promessa boa na Bíblia para os violentos, os agressivos, os “ignorantes”, os “brabos”. Mas há promessas para os que são mansos de coração. No Sl 37.11, está escrito: “ Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz”. Isso contraria tudo o que se sabe em termos de propriedade da terra, de reforma agrária, ou coisa do gênero. Na terra, hoje, quem tem mais terra , são os ricaços, muitos vezes à custa de apropriação indevida, de expropriação ilegal, e até pelo uso da força. Mas, um dia, quando Cristo vier reinar neste mundo, os mansos é que serão donos das propriedades da terra, como herança concedida por Deus pela sua mansidão. Jesus repetiu essa promessa, no sermão do monte: “Bem-aventurados os mansos porque eles herdarão a terra” (Mt 5.5).

CONCLUSÃO

A mansidão é uma disposição do caráter que aceita, sem discutir, a verdade e a vontade de Deus. É uma postura dócil de completa submissão e aprendizado em Cristo (Mt 11.28). Essa virtude é fruto da atuação do Espírito Santo no crente. Não é a simples obediência, passividade ou indolência, mas a transformação moral segundo à obediência de Cristo (1 Pe 1.2). Assim, agiam as igrejas do Novo Testamento (Rm 16.19; 2 Co 7.15) e o próprio Cristo (Hb 5.8), que sendo perfeitamente homem, humilhou-se a si mesmo, e foi obediente até a morte (Fp 2.8). Segundo Paulo, aquele que não é capaz de ser manso e se submeter aos seus pastores não é digno da comunhão cristã (2 Ts 3.14).

As Escrituras também tratam da obediência aos pais e a conseqüência imediata de desobedecê-los (Dt 21.18; Pv 30.17). Os resultados da sujeição mansa aos mandamentos divinos são exemplificados em Cristo, os da desobediência, em Adão (Rm 5.19). No grego, o termo obediência é formado por hypo, que significa debaixo de e traz a idéia de estar debaixo da vontade e do mandamento divino, e akouo, traduzido por ouvir, que fala da disposição mansa para obedecer a verdade vinda de cima.

Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Setor I – Em Dourados – MS

 

Bibliografia

Lições Bíblicas CPAD de 2005 Jovens e Adultos 1º Trimestre, O Fruto do Espírito — A plenitude de Cristo na vida do crente Comentarista Pr. Antonio Gilberto

 

Mansidão Torna o Crente Apto para Evitar Pelejas

Texto Áureo = “[…] que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade suportando-vos uns aos outros em amor.” (Ef 4.1,2)

Verdade Prática = A mansidão, como fruto do Espírito, torna o crente apto para evitar contendas, pelejas e dissensões.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE – 2 Timóteo 2: 22-26

INTRODUÇÃO

Que é mansidão? É uma atitude de humildade para com Deus e gentileza para com as pessoas – quando reconhecemos que Deus está no controle e que podemos confiar nEle, mesmo quando as coisas não vão como gostaríamos, como é frequentemente o caso. A fim de sermos submissos, precisamos de confiança, não em nós mesmos, mas no Senhor.

Embora fraqueza e mansidão possam parecer semelhantes, não são a mesma coisa. A fraqueza se deve a circunstâncias negativas, como falta de força ou falta de coragem, palavras que não descrevem Jesus, que disse: “Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração” (Mt 11:29). Mansidão, ao contrário, é resultado da decisão consciente da pessoa para confiar em Deus e se apoiar nEle, em lugar de pressionar para que as coisas aconteçam a seu modo. Assim, a mansidão se origina da força, não da fraqueza.

I – MANSIDÃO, O OPOSTO DA ARROGÂNCIA

MANSIDÃO NÃO É COVARDIA.

Mansidão é a qualidade daquele que é manso. Uma pessoa mansa é serena, ponderada, prudente, equilibrada. É o contrário da pessoa agressiva, ou brava, ou, ainda “braba”, no dizer da linguagem popular. Um crente em nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo tem o dever de ser manso, de manifestar a mansidão em sua vida, em seus gestos, em suas atitudes. E isso não é fácil, num mundo em que vivemos, onde os violentos é que têm mais oportunidade de aparecer e de prevalecer, em muitas ocasiões e situações.

Contudo, de acordo com a Palavra de Deus, precisamos aprender com o Mestre Jesus, que diz: “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra” (Mt 5.5). Foi um dos conselhos sábios que Jesus passou para seus discípulos e ouvintes, quando ministrava o seu famoso Sermão do Monte. Aprender a ser manso é um exercício difícil, mas necessário para uma vida tranqüila e santa, sob os ditames sagrados do livro de Deus. É necessário exercitar as emoções, os sentimentos, os conceitos e valores absorvidos ao longo da vida.

Dizem que o temperamento de cada um tem influência marcante nos seus gestos e atitudes. Se a pessoa é de temperamento colérico ou sanguíneo é difícil ser manso, segundo o que se pensa, pois o temperamento é extrovertido, expansivo, alegre, etc.; se a pessoa é dos temperamentos fleumático e melancólico, é mais fácil, pois são pessoas introvertidas, calmas, sem pressa, etc.

No entanto, quando aceitamos a Cristo, as “coisas velhas”, incluindo o comportamento antigo, as velhas atitudes e ações, tudo fica para trás (2Co 5.17). Passamos a ser novas criaturas, nascidas em Cristo, e sofremos uma extraordinária transformação em nosso ser. Se somos nascidos de novo, devemos ser pessoas espirituais, que dão o “fruto do Espírito”, que inclui a mansidão (Gl 5.22). Não por causa do temperamento, mas, a despeito deste, passamos a ser mansos , como resultado da ação do Espírito Santo, que produz tal virtude em nosso ser. Deus é o que opera em nós “tanto o querer quanto o efetuar”, como diz Paulo. Não é atitude cristã dizer: “Eu sou assim mesmo…”; “quem quiser é assim…”. Isso é carnalidade pura, falta de conversão.

SER MANSO É SER CORAJOSO

“Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma” (Mt 11:29). O que Jesus está nos dizendo nesse verso? Como a mansidão e humildade de coração nos trazem descanso?

Mansidão é a renúncia absoluta à batalha pelas nossas opiniões e a crença de que Deus lutará em nosso favor pelo Seu programa. A mansidão é o oposto da agressividade e do egoísmo. Tem origem na confiança na bondade e controle de Deus sobre a situação. A pessoa mansa não está preocupada com o eu (veja Lc22:42) e esta é uma atitude chave para a promessa de encontrar descanso. Afinal, não são nosso tumulto e nossa agitação o resultado de buscarmos apenas os nossos interesses e nossa vontade? No mais verdadeiro sentido, então, uma pessoa mansa é alguém que aprendeu a morrer para o eu, e isso requer fé, coragem e perseverança, características que o mundo não necessariamente associaria à mansidão.

COMO PAULO DESCREVE A MANSIDÃO

Rm 12:3 -Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um.

Efésios 4:2 com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor).  Este é outro texto que nos ajuda a entender o que é mansidão. Note como está relacionado com Romanos 12:3, visto que ambos os textos enfatizam à sua própria maneira por que a arrogância e o egoísmo são o oposto da experiência do cristão.

Afinal, por que algum cristão seria arrogante? Não somos todos pecadores? Não seríamos todos condenados à destruição eterna, se não fosse por Jesus? Não somos todos totalmente dependentes de Deus para cada respiração, cada batida do coração? Todo dom e talento não nos veio de Deus? Então, o que temos, que nos torna orgulhosos? Nada! Realmente, considerando todo o custo de nossa salvação, os cristãos devem ser o povo mais manso e mais humilde na Terra.

A MANSIDÃO, FRUTO ESPIRITO.

A mansidão é o fruto do Espírito que parece perdido em nossa cultura agressiva, egocêntrica. As pessoas a associam à debilidade, e a maioria não admira os outros por serem submissos. Mas é isso que somos chamados a ser.

Quando a autoridade de Moisés foi questionada por seu irmão e sua irmã, Arão e Miriã, o que eles estavam realmente questionando era a autoridade de Deus para nomear Moisés como líder do povo. A autoridade de Moisés foi frequentemente questionada não só por sua família mais próxima mas por outros líderes do acampamento e pelo próprio povo. Porém, Moisés não respondeu com orgulho ferido, zangado por esses ataques ao seu direito de liderar o povo. “Suas acusações foram suportadas por Moisés em paciente silêncio. … Moisés era ‘mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a Terra’ (Nm 12:3), e foi por isto que se lhe conferiu sabedoria e guia divinas mais do que aos outros” (Patriarcas e Profetas, p. 384).

Dependendo de Deus para defendê-lo e intercedendo por Miriã e os seguidores rebeldes de Corá, Datã e Abirão, Moisés ilustrou a abnegação de alguém que descansa com firmeza no lugar em que Deus o pôs, que busca só executar os deveres que Deus lhe deu, com o amor de Deus no coração, sem necessidade da aprovação ou honra dos outros.

No entanto, Moisés não foi sempre manso. O jovem que, no início da carreira, perdeu o domínio próprio com o abuso no deserto também foi o homem que perdeu o domínio próprio em Meribá com um povo que havia liderado por quarenta anos através do deserto para a Terra Prometida. Essa foi uma questão tão séria que impediu Moisés de entrar em Canaã. O povo de Israel tentou o próprio Deus com suas reclamações e rebelião, mas seu comportamento difícil não desculpava Moisés e Arão de perder o controle.

MODELOS DE MANSIDÃO

Lembra-se da crise que Abraão enfrentou ao decidir com seu sobrinho, Ló, como repartir a terra? (Veja Gn 13:8, 9.) Visto que Deus havia prometido fazer de seus descendentes uma grande nação, qual poderia ter sido a justificativa de Abraão para tomar o melhor para si mesmo?

Em vez disso, Abraão permitiu que Ló escolhesse primeiro, dizendo que ele tomaria o que restasse. Essa é uma característica da mansidão!

A maioria conhece a história de José vendido como escravo ao Egito por seus irmãos. Leia novamente a história de quando eles o procuraram, agora como segundo no governo de todo o Egito, e pedindo para comprar comida (Gn 45). Como a mansidão de José determinou sua maneira de tratar os irmãos? Provavelmente, se ele não fosse manso, o que teria feito? Gênesis 50:20 é um exemplo da visão daqueles que são mansos.

Ainda jovem Davi foi ungido para ser o próximo rei de Israel. O rei Saul ficou loucamente ciumento e, por anos, procurou Davi e seus homens com a intenção de matá-lo. Em duas ocasiões, Davi teve a oportunidade de matar Saul (1Sm 24:3-7; 26:7-12). Se Davi não fosse manso, qual poderia ter sido seu raciocínio para matar Saul? Por que é tão fácil usar uma desculpa espiritual para fazer algo que está em nosso interesse?

Em Números 12:3, Moisés é descrito como o homem mais manso de seu tempo. Mas suas ações decisivas não parecem se ajustar ao conceito popular de mansidão. Sua exigência para que o faraó deixasse Israel ir era forte e foi seguida de ação. Quando Israel adorou o bezerro de ouro, sua ira se acendeu e, antes que tudo terminasse, ele tomou o bezerro que eles haviam feito, queimou-o a fogo, reduziu-o a pó, espalhou-o sobre a água e a deu para que os filhos de Israel bebessem (Êx 32:19, 20). Como devemos entender a mansidão de Moisés?

Evidentemente, Jesus é o maior modelo de mansidão (Mt 11:29). Quais são alguns dos exemplos de Sua mansidão? Por exemplo, como Sua mansidão se revelou em João 18:21-23? Ou que dizer de Mateus 26:39? Ao mesmo tempo, encontramos exemplos de Jesus fazendo coisas que não parecem ser mansas, como quando Ele expulsou os cambistas do templo ou todas as ocasiões em que Ele confrontou os fariseus e outros a respeito de sua hipocrisia. Como esses exemplos nos ajudam a entender que a mansidão pode se manifestar de maneira muito corajosa?

A IMPORTÂNCIA DA MANSIDÃO

“Buscai a justiça, buscai a mansidão; porventura, lograreis esconder-vos no dia da ira do Senhor” (Sf 2:3). Mansidão é o oposto do orgulho. Existe muita ênfase hoje na importância de ter autoestima. Quando a autoestima ultrapassa os limites e se torna orgulho?

A mansidão é necessária para receber a Palavra de Deus. “Acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar…” (Tg1:21). Quem não tem espírito humilde não pode receber a Palavra de Deus, porque existe um conflito de interesses. Por quê?

A mansidão é necessária para o testemunho eficaz. “Santifiquem Cristo como Senhor em seu coração. Estejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês. Contudo, façam isso com mansidão e respeito” (1Pe 3:15, 16).

“Nossa influência sobre outros não depende tanto do que dizemos, mas do que somos. Os homens podem combater ou desafiar nossa lógica, podem resistir a nossos apelos; mas a vida de amor desinteressado é um argumento que não pode ser contradito. A vida coerente, caracterizada pela mansidão de Cristo, é uma força no mundo” (O Desejado de Todas as Nações, p. 142).

Mansidão dá glória a Deus. 1 Pedro 3:4 diz: “Seja… o homem interior do coração, unido ao incorruptível trajo de um espírito manso e tranquilo, que é de grande valor diante de Deus.”

“É justo amar o belo e desejá-lo; mas Deus deseja que primeiro amemos e busquemos a beleza do alto, que é imperecível. Nenhum adorno externo se compara em valor ou amabilidade com ‘um espírito manso e quieto’, o ‘linho fino, branco e puro’ (Ap 19:14), que todos os santos da Terra usarão. Essa veste os fará belos e amados aqui, e será depois sua senha para admissão ao palácio do Rei. Sua promessa é: ‘Comigo andarão de branco; porquanto são dignos disso’” (Ap 3:4; Atos dos Apóstolos, p. 523, 524).

Como a ênfase na beleza exterior pode ser um conflito potencial com o desenvolvimento do fruto do Espírito, particularmente com o fruto da mansidão? Ao crescer o fruto da mansidão em você, como sua vida deve ser diferente do que era antes? Na área da mansidão, que mudanças você viu em sua vida desde que aceitou a Cristo? Que atitudes você está abrigando, tornando difícil a mansidão?

II – EVITANDO AS PELEJAS E CONTENDAS

PELEJAS E DISCÓRDIAS

Peleja é uma palavra de origem grega, oriunda da palavra “eritheiai”, diferente de “Eris/porfia”, porque a porfia dá o sentido de debate teimoso. Já a peleja, da maneira como aparece na lista das obras da carne, sugere discórdia ou uma disputa política, busca por primazia, formação de grupos de interesses. Geralmente acontece quando alguém não concorda com um pensamento, com uma tese, com um ponto de vista e quer que o seu ponto de vista prevaleça. Então ele inicia uma campanha para conseguir adeptos de suas idéias. Na igreja em Corinto haviam os adeptos de Paulo, os de Apolo, os de Pedro e os de Cristo. Esse comportamento causa o enfraquecimento da unidade da igreja e gera grandes divisões. Este pecado é mais comumente praticado por líderes, por pastores. Quem não tem o poder ou não o aspira, dificilmente vai se envolver em pelejas, facções.

Ou seja, pastores e líderes, em geral, podem praticar as obras da carne, geralmente, revestidos de um sentimento de estar lutando pelo crescimento da obra de Deus. Onde há peleja, não há corações puros. Um coração puro age como o de Abraão, que chamou seu sobrinho Ló e disse: “…Não haja contendas entre nós, porque irmão somos… Se fores para a direita irei para esquerda, se para a esquerda fores, eu irei para a direita… sem mágoas!”

Discórdias, dissensões e facções. Aqueles que praticam tais coisas não herdarão o reino do céu. A advertência de Paulo em Gálatas 5:19-21 é clara. Deus não aceita o espírito partidário divisor que domina tantas pessoas religiosas de hoje. Estes pecados correm diretamente contra a oração de Jesus e a verdadeira natureza de Deus (João 17:20-23). Jesus quer que seus seguidores sirvam juntos em harmonia nesta vida e na eternidade.

Para nos ajudar a evitar ou superar estes pecados em nossas vidas, olhemos para algumas coisas que a Bíblia ensina sobre problemas entre irmãos e sobre a paz com Deus e outros cristãos, e então veremos o que separa pessoas religiosas.

AÇÕES DO HOMEM CARNAL

“Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz” (Romanos 8:6).

Uma das maiores ameaças ao bem-estar de qualquer igreja local é a mentalidade carnal que seus membros podem ter.  A mente carnal é a “morte”; é “inimizade contra Deus”; “não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar”; “não pode agradar a Deus” (Romanos 8:6-8). Que contradição uma igreja alegar ser “de Cristo” quando as pessoas que a compõem têm a mente carnal que não pode agradar a Deus!

A mente carnal pode ser mais bem entendida se a compararmos à mente do Espírito.  Aquele que tem a mente espiritual tem consciência de Deus.  E sempre vivendo dessa forma, ele enxerga a Deus como um companheiro constante; alguém que observa cada palavra, ato e pensamento; o doador de toda boa dádiva; aquele que o protege de dia e de noite o guarda.  Ele “anda com Deus”; agradece a Deus; louva a Deus; confia em Deus; vê em Deus a fonte da força; ele “pensa” em Deus ­ e faz tudo isso diariamente.

Em contrapartida, a pessoa de mente carnal tem os pensamentos voltados sobretudo para as coisas deste mundo, fazendo delas o maior interesse de sua vida.  Ela pensa em carros, roupas, barcos, esportes, aparelhos de som, videocassetes, venda de ações, viagens e aposentadoria antes do tempo.  A pessoa de mente espiritual fixa sua mente nas coisas de cima, ao passo que a de mente carnal a põe nas coisas da terra (Colossenses 3:2).

A pessoa que tem a mente espiritual realmente ama a leitura das Escrituras e a adoração de Deus.  Diante da opção de participar de um estudo bíblico em que estaria cercado de pessoas que pertencem a Deus e da opção de ir a um lugar de divertimento, em que estaria rodeado de gente mundana, sua preferência seria o estudo.  A pessoa de mente carnal, por outro lado, vai ao culto, mas o faz ou por hábito ou simplesmente para atender às exigências.  Acha pouco prazer na lei do Senhor ou em adorá-lo.

A pessoa de mente espiritual olha em direção ao céu e anseia estar lá.  Alegra-se nesta vida, mas a antecipação de ver a Deus e o seu Senhor Jesus freqüentemente toma conta da sua mente e a estimula.  À medida que envelhece e o homem exterior mostra cada vez mais os sinais da degradação, seu homem interior encontra o renovo diário por meio da fé aumentada e do desejo em relação àquilo que não se vê. Para o homem de mente carnal, em contraposição, a velhice é uma ameaça; ele busca inutilmente agarrar-se a sua mocidade; raramente pensa no céu, mas praticamente entra em pânico ao ver que quanto mais ele tenta segurar com tenacidade esta vida, mais ela lhe escapa das mãos, passo a passo.

A mente carnal é Ananias e Safira, tramando para conseguir o louvor dos homens em cima de uma mentira.  A mente carnal é Diótrofes, amando a preeminência e governando com uma atitude de “ou você se submeta ou saia da minha frente”.  A mente carnal são os falsos mestres de Corinto, obtendo o controle por meio da arrogância, das falsas comparações, das representações enganosas e da escravidão de seus seguidores. A mente carnal são os próprios coríntios, gloriando-se na sabedoria humana e demonstrando inveja, contendas e divisões. A mente carnal são aqueles a quem Paulo escreveu:”Pois todos eles buscam o que é seu próprio, não o que é de Cristo Jesus” (Filipenses 2:21).  A mente carnal é qualquer pessoa que vive para este mundo e para a aprovação dos homens, em vez de viver para o céu e para a aprovação de Deus.

Portanto, não precisamos ser imorais, obviamente, para termos a mente carnal; tampouco precisamos deixar de ir aos cultos ou de contribuir como nosso dinheiro.  Podemos ir a todo culto da igreja, levar uma vida de boa moral, dar com liberalidade e ainda assim termos a mente carnal.  Podemos até ser nomeados presbíteros ­ presbíteros de mente carnal, nomeados para aquela função por uma congregação de mente carnal que fica cada vez mais carnal debaixo da influência de seus pregadores e de seus presbíteros de mente carnal. Você acha isso exagerado. Não há gente de mente mais carnal nas Escrituras que os fariseus religiosos, que estavam cegos, sem poder enxergar a sua mentalidade carnal, porque buscavam atender minuciosamente aos aspectos externos.  Conhecemos poucos na igreja do Senhor que não correm o risco sério de morte por causa desse mesmo erro.

O remédio do Espírito para a mente carnal é:”E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2).  Renovação da mente!  Transformação! Metamorfose!  Livrar a mente das disposições e dos interesses carnais, enchendo-a com as disposições e os interesses espirituais! Essa é outra forma de dizer: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo” (Colossenses 3:16).  Não é tarde demais.  Deixe que ele te molde.  A felicidade eterna está em jogo.

UM ESPIRITO AGUERRIDO

Você deve estar se perguntando: ” Deus exige mesmo santidade de mim ?. Vamos conferir na Bíblia:  Porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.  (I Pe 1 vs 16 ). Como disse anteriormente, Deus exige santidade no meio do seu povo, no meio da igreja no meio de todos os seus servos, porque Sem a Santificação, ninguém verá ao Senhor – Hb 12 vs 14.

Vivemos num mundo que tem sido manchado, por milhares de anos, pelo pecado. Estamos rodeados por violência, pornografia, desonestidade e falsa religião. Deus não pretende que nos isolemos deste mundo (João 17:14-21), mas que fujamos dos seus pecados (1 Timóteo 6:11) e brilhemos como luzes num mundo de trevas (Mateus 5:14-16). Nunca foi fácil viver como povo santificado num mundo de corrupção e injustiça, mas é possível. Jesus provou isso durante uma vida de pureza sem pecado. É nossa responsabilidade seguir seus passos:

“Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca” (1 Pedro 2:21-22).

III – BEM-AVENTURADOS OS MANSOS

O SERMÃO DA MONTANHA

A mensagem nos capítulos 5 a 7 de Mateus é chamada de Sermão da Montanha ou do Monte, porque Jesus pronunciou-a num monte nas proximidades de Cafarnaum. Este sermão provavelmente foi proferido em vários dias de pregação. Nele, Jesus revelou o seu pensamento em relação à lei. Demonstrou que posição social, autoridade e dinheiro não são importantes no Seu Reino, o que importa é a fiel obediência a Deus.

O Sermão do Monte desafiou os líderes religiosos daquela época, orgulhosos e legalistas. O sermão chamou-os de volta às mensagens dos profetas do Antigo Testamento, que, como Jesus, ensinaram que a obediência sincera a Deus é mais importante do que a aplicação leviana da lei.

Grandes multidões seguiam Jesus. Ele era o principal assunto da cidade; todos queriam vê-Lo. Os discípulos, companheiros mais íntimos deste Homem popular, certamente foram tentados a sentirem-se mais importantes, orgulhosos e possessivos. Estar com Jesus não apenas lhes garantia prestígio, mas também poderia constituir-se numa oportunidade para receber dinheiro e poder.

As multidões reuniam-se mais uma vez. Porém, antes de se dirigir a tão grande número de ouvintes, Jesus chamou seus discípulos à parte e advertiu-os sobre as tentações que enfrentariam como companheiros d’Ele. Disse-lhes que não esperassem fama e fortuna, mas pranto, fome e perseguição. No entanto, Jesus garantiu aos seus discípulos que seriam recompensados, mas talvez não nesta vida.

Pode haver ocasiões em que seguir a Jesus traga grande popularidade. Aqueles que não viverem de acordo com as palavras de Jesus neste sermão poderão, para sua própria desgraça, usar a mensagem de Deus somente para promover os seus interesses pessoais.

Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;

Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;

Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;” – Mateus 5:3-5

Jesus começou o Seu sermão com palavras que parecem contradizer-se. Mas o modo de vida de Deus normalmente contradiz o do mundo. Se você deseja viver para Deus, deve estar pronto para dizer e fazer o que parece estranho para o mundo. Deve estar disposto a dar quando os outros roubam, amar quando os outros odeiam, ajudar quando os outros abusam. Tem que estar disposto a abrir mão dos seus direitos e benefícios a fim de servir os outros; um dia receberá tudo o que Deus tem reservado para si.

ESTEVÃO UM HOMEM MANSO

Estevão é bastante conhecido simplesmente porque foi o primeiro mártir após a ascensão do Senhor Jesus Cristo. Estevão é, com quase certeza, um dos setenta escolhidos e enviados pelo Senhor em Lucas 10:1-10, e que O acompanhou sempre, a partir do batismo de João (Atos 1:21-22). Podemos concluir isso, devido ao fato de ele exercer dons atribuídos exclusivamente aos apóstolos e estes homens (At 6:8).

Por causa da atividade cristã de Estevão havia homens que se colocavam contra ele. Não conseguiam derrotá-lo em nenhum tipo de discussão, pois estava cheio do Espírito Santo e da sabedoria espiritual. Então, contrataram homens perversos e desonestos para dizer mentiras sobre ele, levaram-no perante o conselho e o acusaram de blasfêmia contra Deus e contra Moisés. Estevão poderia ter ficado muito preocupado em se defender e tentar provar sua inocência, mas tinha outra responsabilidade. Aqui, perante ele, havia centenas de seus compatriotas que haviam pecado contra Deus e precisavam da mensagem da Bíblia. Tal mensagem os enfureceria, mas, mais tarde, levaria muitos para o Senhor.
Estevão optou por não se livrar da culpa mas ser fiel a Deus, falou então sobre os pecados de Israel continuamente pela história. Ele os fez lembrar de como haviam se rebelado contra Moisés, Elias, Jeremias, Isaías. e como tinham matado os profetas de Deus e se voltado para os ídolos.

Eles o odiaram por dizer-lhes a verdade sobre eles. Não parece que as pessoas apreciariam isso? Elas dificilmente apreciariam, e os homens perversos, nunca. Arrastaram Estevão para fora da cidade e o apedrejaram até a morte e, enquanto estava morrendo, orou por seus assassinos. Testemunhou também que vira Jesus de pé à direita do Pai pronto para receber seu espírito.

Eis lá, um jovem consentindo o assassinato de Estevão. Recolheu as capas dos homens que apedrejaram Estevão. O nome desse jovem era Saulo. Mais tarde foi gloriosamente salvo e tornou-se o grande Apóstolo Paulo.

Era cheio Espírito Santo, 6: 3. Sua boa reputação perante a comunidade era resultado das qualidades que possuía. O Espírito Santo capacitou e encorajou Estêvão para enfrentar até mesmo a morte. Veja o que Deus pode fazer em nossas vidas, tomando como exemplo o apóstolo Pedro. Compare o homem tímido que negou a Jesus, Mt 26: 69-75, com o ousado e corajoso Pedro, cheio do Espírito, que enfrentou autoridades, At 4: 20;

Era cheio de sabedoria, 6: 3, 10. Estêvão era um homem sábio na exposição da Palavra. Não se trata de uma sabedoria humana, mas da sabedoria que vem de Deus para ensinar as verdades do Evangelho. Deus concede sabedoria, mas usa o conhecimento da Palavra que se adquire pelo estudo e pelo esforço pessoal. Na hora da pregação ou de precisar defender a fé, essa sabedoria é a arma de que o cristão dispõe;

Era cheio de graça e poder, 6: 8. Por ser um homem de fé, sinais e maravilhas aconteciam através de sua vida. Quando todos se levantaram contra ele com pedras e ameaças, manteve-se firme. Mas por quê? Porque a vitória que vence a perseguição é a fé, I Jo 5: 4 e Ap 2: 10.

A MANSIDÃO DE CRISTO

Vamos examinar este atributo tão essencial à vida cristã: mansidão. JESUS NOSSO EXEMPLO: Jesus e o melhor exemplo de mansidão. Ele não era fraco, mas forte. Lembre-se do que aconteceu com Ele. Foi preso, açoitado, espancado pelos soldados que zombaram dEle. O povo que Ele veio salvar estava gritando: “César e: nosso rei. Crucifique-O!” Foi pregado na cruz pelas mãos e pés, sofrendo dor cruel, e o povo ainda O desafiava fiava “Se és Filho de Deus, desce da cruz.” Esta era a cena. Agora pense no que Jesus podia ter feito.

Aquele que controlou as tempestades andou em cima das águas e multiplicou os pães, podia ter chamado 10.000 anjos para destruir o mundo e livrá-lo dos sofrimentos. Jesus com uma palavra podia ter acabado com todo aquele povo malvado, mas Ele era manso e humilde de coração, “o Qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou na Sua boca… Ele, quando ultrajado não revidava com ultraje, quando maltratado não fazia ameaças, mas entregava-Se Aquele que julga retamente” (1 Pedro 2:22,23). Em vez de gritar ameaças, em vez de usar Seus direitos e poderes para destruir os zombadores, Ele pediu “Pai, perdoai-os, porque eles não sabem o que estão fazendo.” Isto é mansidão: força sob controle, sossego no meio da provação, tranqüilidade da alma mesmo em circunstâncias difíceis.

A mansidão do Messias era assunto de profecias bíblicas no Velho Testamento. Leia Isaías 42:1-4 ou Mateus 12:15-21 e veja as características desta pessoa que Deus sustinha e em quem Sua alma se comprazia. Ele não clamava e nem gritava nas praças. Ele não agredia as pessoas nem gritava com rosto vermelho de ira para convencer o incrédulo dos seus erros. Jesus, conforme esta profecia, “não esmagou a cana quebrada nem apagou a torcida que fumegava.” Vamos explicar isso: naqueles dias a cana era usada como régua ou cajado.

Se quebrasse, ela não serviria mais para nada. Esta cana quebrada representa a pessoa fraca. Mas como foi que Jesus olhou as pessoas fracas e aquebrantadas? Ele não as desprezou. Jesus, entre os desprezados e os rejeitados da sociedade, mostrou paciência e simpatia. Jesus Se identificou com os fracos, levantando-os para a vida mais alta. Ele· não jogou fora o fraco e rejeitado da sociedade. Ele os tratava com delicadeza. Ele era manso.

De modo semelhante, Jesus não apagou a torcida que fumegava. Quando uma vela ou uma lâmpada de óleo se apagava a torcida começava a fumegar. Esta fumaça só, incomodava as pessoas, então era fácil apertar um pouco a torcida e acabar com a fumaça. A torcida fumegante representa uma pessoa irritante. Como Jesus fez com tais pessoas? Ele agüentava as pessoas irritantes e incomodas. Ele cuidava delas ao invés de acabar com elas num instante. De novo, Jesus não pisava nos fracos.

Jesus não promoveu fraqueza, mas tolerância, e assim ajudou os fracos a tornarem-se fortes. Ele não os sobrecarregou com fardos pesados demais. Ele sempre chamou as pessoas para serem de bom comportamento e caráter. mas ao mesmo tempo compreendia e suportava as tolices e imaturidade dos fracos. Jesus está a favor dos fracos. Ele nunca deixou de ser manso. Jesus não deixou de ser manso quando com força expulsou os cambistas e vendedores do templo. Ele não perdeu o controle mas sabia exatamente o que fazia. Jesus não deixou de ser manso quando disse: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, serpentes, raças de víboras!

Como escapareis da condenação do inferno?” E Jesus não deixará de ser manso quando do céu “Se manifestar com os anjos do Seu poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem o evangelho” (2 Tessalonicenses 1:7,8).

Ser manso não quer dizer que não se deve lutar contra a maldade, repreender o pecador ou procurar corrigir a injustiça. Ser manso é ser sempre controlado, sossegado. É força sob controle. As vezes é preciso usar nossa força. Temos que agir, falar, resistir, mas sempre de maneira correta: bem controlado.

APLICAÇÃO: A mansidão está na lista dos atributos que o Espírito produz na vida do cristão (Gálatas 5:23). Quer dizer que quando o Espírito de Deus esta controlando nossa vida, não vamos desejar retribuir mal por mal para aquela pessoa que nos provoca. Quando criticado, ou até acusado falsamente, não vamos explodir de ira.

Quando maltratado podemos até perdoar a quem nos ofendeu. isso é mansidão. Ser manso não significa que devemos ceder a todo desejo mal ou injusto dos outros. Doutrina falsa tem que ser corrigida. O pecado tem que ser rejeitado. Injustiça e a opressão têm que ser combatidas, mas sempre de maneira controlada. Nossa luta contra o mal tem que ser sem amargura, sem desequilíbrio. Devemos tratar as pessoas com respeito (Tito 3:1,2). Devemos corrigir os irmãos com muito cuidado e delicadeza. Sendo pessoas mansas, podemos olhar para pessoas como se fossem pacotes com placas de transporte escritas assim.

CONCLUSÃO

A mansidão é uma disposição do caráter que aceita, sem discutir, a verdade e a vontade de Deus. É uma postura dócil de completa submissão e aprendizado em Cristo (Mt 11.28). Essa virtude é fruto da atuação do Espírito Santo no crente. Não é a simples obediência, passividade ou indolência, mas a transformação moral segundo à obediência de Cristo (1 Pe 1.2). Assim, agiam as igrejas do Novo Testamento (Rm 16.19; 2Co 7.15) e o próprio Cristo (Hb 5.8), que sendo perfeitamente homem, humilhou-se a si mesmo, e foi obediente até a morte (Fp 2.8). Segundo Paulo, aquele que não é capaz de ser manso e se submeter aos seus pastores não é digno da comunhão cristã (2 Ts 3.14). As Escrituras também tratam da obediência aos pais e a conseqüência imediata de desobedecê-los (Dt 21.18; Pv 30.17). Os resultados da sujeição mansa aos mandamentos divinos são exemplificados em Cristo, os da desobediência, em Adão (Rm 5.19). No grego, o termo obediência é formado por hypo, que significa debaixo de e traz a idéia de estar debaixo da vontade e do mandamento divino, e akouo, traduzido por ouvir, que fala da disposição mansa para obedecer a verdade vinda de cima.

Você percebe como é importante a mansidão?

 

Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Setor I – Em Dourados – MS

 

Bibliografia

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Publicado no Blog do Ev. Isaías de Jesus

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