A Lei, a Carne e o Espírito – Pr. Adilson Guilhermel

A Lei, a Carne e o Espírito – Pr. Adilson Guilhermel

A Lei, a Carne e o Espírito

Texto Áureo: “Dou graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. Assim que eu mesmo, com o entendimento, sirvo à Lei de Deus, mas, com a carne, à lei do pecado.” (Rm 7.25).

Leitura Bíblica em Classe: Romanos 7.1-15

Introdução: Enquanto vivermos nessa terra, antes da nossa transladação para a glória, estamos presos aos nossos corpos e em razão disso, temos que lidar diariamente com a nossa natureza pecaminosa e as suas tentativas de controlar os nossos pensamentos e ações. É uma realidade que muitos não se apercebem é que existe um clima de tensão entre a antiga natureza e a nova. A bíblia diz que a carne milita contra o espírito e o espírito contra a carne e isso é uma luta constante e sem tréguas, daí, a necessidade de vigilância por parte do crente em sua caminhada diária. É preciso compreender que após a justificação, a qual foi um ato divino permitindo a nossa reconciliação com Ele, entramos num processo de salvação, onde podemos dizer que fomos salvos, estamos sendo salvos e seremos salvos até chegarmos ao último estágio que é a glorificação, isto se guardamos o que temos para que ninguém tome a nossa coroa.

I. A LEI ILUSTRADA NA SEMELHANÇA EM RELAÇÃO AO CASAMENTO

1. A comparação do casamento enquanto dura e a lei enquanto durou – Não sabeis vós, irmãos (pois que falo aos que sabem a lei), que a lei tem domínio sobre o homem por todo o tempo que vive? Romanos 7:1

Com a libertação do pecado segue-se a libertação do poder da lei e quando falamos da lei, não se refere às leis morais, ou seja, os dez mandamentos. Os dez mandamentos continuam na sua íntegra, com exceção do sábado, o qual não foi cancelado e sim ampliando, pois em nossa passagem para o reino espiritual, todos os dias são do Senhor. A questão da lei envolve as leis cerimoniais, as quais os judeus convertidos a Cristo continuavam a cumpri-las e também instruíam os cristãos gentios a que viessem cumpri-las. Os judeus que eram conhecedores das leis morais, cerimoniais e cíveis, não abriam mão do seu cumprimento na sua íntegra e isso não era mais cabível nessa nova aliança imposta por Cristo. Essa postura errônea dos judeus cristãos foi veementemente combatida pelo Apóstolo Paulo nessa carta escrita aos Romanos.

2. A metáfora da mulher viúva ilustra a transição da lei para a graça

Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido; mas, morto o marido, livre está da lei, e assim não será adúltera, se for de outro marido. Romanos 7:2,3

Fazendo uma comparação usando a figura de um casal, Paulo ilustra a desvinculação do judeu em relação à lei mosaica. O que o apóstolo ensina usando essa comparação é que a lei morreu e, portanto o judeu agora é livre para se casar com a graça. O que não é possível é o judeu estar casado com a graça e a lei ao mesmo tempo, pois nessa condição estaria em adultério. Fazendo uma analogia em relação ao matrimônio, entendemos que a morte do marido liberta a mulher a partir do matrimônio que os unia. Assim a lei representando o antigo marido deixa o judeu livre para ser unido a outro marido, ou seja, a graça. A salvação em Cristo traz uma completa mudança de relacionamento espiritual, assim como o novo casamento após a morte de um cônjuge traz uma completa mudança de relação conjugal. Os crentes não estão mais casados com a lei, mas agora estão casados com Jesus Cristo.

3. A partir da Cruz o homem foi morto para a lei e revivido para a graça

Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus. Romanos 7:4

Os crentes judeus não podiam viver sob o domínio de Cristo e sob o domínio da lei. O nosso compromisso com Cristo é exclusivo e, sendo assim, não pode existir com o compromisso da lei, pois seria adultério espiritual. Determinado ministério além das suas inúmeras heresias, também vai mais longe ainda, isso porque, construíram um templo modelo do templo de Salomão, que é uma afronta a Deus. E mais ainda, os seus bispos e pastores usam nesse templo as indumentárias de sacerdote em similaridade as ordenanças da antiga aliança. Isso tipifica adultério espiritual e desse modo é possível que estejam caminhando para a perdição eterna e levando milhares de almas com eles. Cada crente pertence inteiramente a Cristo, pelo fato de estarmos unidos a Ele na Sua morte e ressurreição. (Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim. Gálatas 2:19,20). É somente nessa condição que o nosso trabalho não será em vão no Senhor, pois servindo ao Senhor sem imposições legalistas é que produziremos frutos para Deus.

II – ADÃO ILUSTRADO NA COMPARAÇÃO ENTRE A BÊNÇÃO E MALDIÇÃO

1. Foi no paraíso com a queda do homem que o pecado se disseminou

No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir. Romanos 5:14

Caso Deus não promulgasse o único mandamento para ser cumprido por Adão, o fruto da árvore proibida ao ser comido, não implicaria em nada. Assim o problema não seria o fruto e sim a desobediência ao mandamento divino. Como foi promulgada uma lei a esse respeito, o descumprimento da lei resultaria em morte espiritual. Adão e Eva não conseguiram enxergar o perigo de uma serpente possuída por Satanás. Na sua ingenuidade e pureza, mas com um mandamento de Deus a ser obedecido em relação a comer do fruto proibido, se deixaram levar pela persuasão da serpente desobedecendo ao mandamento divino. Assim pela desobediência, pois eram cientes do mandamento divino acabaram pecando e com isso, propiciou-se a entrada do pecado no mundo.

2. Lembranças do Sinai mostram quando o homem passou a viver sob a lei

O pecado foi atribuído a Adão e não a Eva, pois Eva foi enganada pela serpente e Adão sem ter sido ludibriado pela serpente pecou deliberadamente. Com esse pecado foi infligido essa marca em todos os seus descendentes, alterando todo o mundo original. Adão transgrediu um mandamento explícito de Deus, assim todos os que viveram em épocas anteriores a Moisés não podia transgredir qualquer lei específica por não existirem. Porém isso não os isentava do pecado, pois todos os descendentes de Adão pecaram com Adão. Quando Moisés promulgou a lei no Sinai por ordem divina, o povo tomou conhecimento dela e deveria andar de acordo com as suas cláusulas, sendo que a desobediência quanto a ela implicaria em morte espiritual.

3. A lei dada a Adão sendo desobedecida rompeu a comunhão com Deus

Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás. Gênesis 2:17

Adão que tinha uma perfeita comunhão com Deus, ao ponto de se comunicarem pessoalmente no jardim, ao pecar, essa comunhão foi quebrada, pois o Deus santo não pode manter um relacionamento comunicativo com o homem nesse estado. Assim o homem ficou num estado irreconciliável com Deus por causa do pecado e somente através de Cristo é que foi proporcionada essa reconciliação. O pecado ocasionava uma profunda ruptura entre o homem e Deus e para o homem tomar consciência disso, foi estabelecida a lei, pois ela mostra nossos pecados, mas não oferece nenhum remédio para curá-lo. O antídoto só foi possibilitado através do sacrifício de Cristo, o Cordeiro que tira o pecado do mundo.

III – O CRISTÃO ILUSTRADO NA COMPARAÇÃO ENTRE CARNE E ESPÍRITO

1. Não podemos ignorar todas as condicionais da santidade da lei

E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom. Romanos 7:12

A lei é santa porque foi promulgada por Deus que é Santo e os mandamentos santo porque procuram levar o homem distanciado do pecado, pois o mandamento mostra o que é certo e o que é errado diante de Deus. Isto porque a lei e os mandamentos refletem a natureza e a vontade do próprio Deus, que é santo. Assim o propósito da lei por ser justa é nos dar toda uma leitura do que é certo e errado, e mostra como é o pecado, como também a bondade de Deus em conscientizar o homem ao arrependimento e, por conseguinte alcançar a salvação. Portanto a lei nos ajuda a viver para Deus, mas ela não pode nos dar a salvação. Romanos 7.18]

2. Não podemos deixar de combater sempre a malignidade da carne

Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Romanos 7:22,23

O salmista escreveu com a inspiração divina com as seguintes palavras: (Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Salmos 1:2). Este deve ser o nosso prazer e devemos sempre ter o anseio de conhecer cada vez mais a palavra de Deus e praticá-la, pois essa é uma condição para agradarmos a Deus. Agora temos que estar atentos, pois existe outra lei que batalha em nosso interior e essa lei é a lei do pecado. O pecado está sempre em guerra conosco, porque não vai desistir do controle que tinha quando éramos a velha criatura, antes de aceitarmos a Cristo. A palavra diz que a carne milita contra o espírito e o espírito milita contra a carne. Dai precisamos estar sempre nos fortalecendo em Cristo e na força do seu poder para termos condições de resistir à nossa natureza pecaminosa. Essa natureza pecaminosa não pode ser vencida por nossas próprias forças, se tentarmos, seremos derrotados. Se não nos exercitarmos espiritualmente forneceremos ao pecado mais poder sobre nós, pois ele fica forte mediante a nossa fraqueza espiritual. Os que se deixam vencer é porque negligenciam com a sua vida espiritual, pois que assim não o faz sabe que o Espírito que habita em nós é maior que o que está no mundo.

3. Não podemos deixar que a velha natureza volte a nos dominar

Porque, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, que são pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a morte. Romanos 7:5

O fato de não estarmos mais dominados pelo pecado, quando da nossa conversão a Cristo, isso não nos assegura que o pecado não venha exercer alguma influência sobre nós. Se não vivermos uma vida em conexão com o Espírito Santo, a concupiscência da carne não será refreada; ao contrário, crescerá cada vez mais. Na antiga vida de pecado, os frutos que produzíamos eram para a morte, mas na nova vida pela graça, frutificamos para Deus. Quando se diz estar morto para a lei, não significa levar uma vida sem lei. A lei escrita em tábuas de pedra, agora está escrita nas tábuas do nosso coração e assim sabemos discernir o que é certo e o que é errado, como o apóstolo Paulo disse: (Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam. 1 Coríntios 10:23).

Elaborado pelo Pastor Adilson Guilhermel

Publicado no site Esboços da EBD

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