Justificação, Somente Pela Fé em Jesus Cristo – Ev. José Roberto A. Barbosa

Justificação, Somente Pela Fé em Jesus Cristo – Ev. José Roberto A. Barbosa

Justificação, Somente Pela Fé em Jesus Cristo

Texto Áureo: Rm. 4.20  Leitura Bíblica: Rm. 4.17-22

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa

www.subsidioebd.blogspot.com

Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO

Na lição de hoje, estudaremos os princípios da justiça de Deus face às atitudes moralistas humanas na tentativa de buscar se justificar diante de Deus. No início da trataremos a respeito da questão do moralismo religioso, nos tempos de Jesus, de Paulo e nos dias atuais. Em seguida, abordaremos a justificação divina por meio da fé em Jesus Cristo. Ao final, mostraremos como a justificação, por meio da fé, é ilustrada através de Abraão.

I – OS MORALISTAS

Moralistas são pessoas, geralmente religiosas, que se utilizam de determinados princípios e regras como forma de determinar o que seja certo e/ou errado. No cristianismo, não são os preceitos morais que garantem à aceitação do homem perante Deus, mas o fato de sermos justificados por Cristo. Ao longo da história da humanidade, vemos que os seres humanos sempre quiseram ser aceitos pelos deuses através dos seus méritos próprios, na medida em que, também, impunham, sobre os outros, normas. Em Cl. 2.21-23, Paulo denomina tais atitudes como preceitos e doutrinas de homens que não passam de carnalidade.

Nos dias de Jesus – nos tempos de Jesus os maiores representantes do moralismo eram os fariseus. Os fariseus eram um grupo de leigos dedicados e empenhados na mais rigorosa interpretação e manutenção da lei mosaica e da tradição oral. Jesus os repreende por sua hipocrisia, pois eles, como disse o Mestre: “Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los” (Mt. 23.4). O Senhor se opôs aos fariseus porque eles vangloriavam-se em sua própria santidade, devoção a Deus e estudo da lei. Em Lc. 18.10, Jesus nos dá uma lição sobre à questão da justificação, dando, como exemplo, um fariseu e um publicano. Na conclusão, o Senhor acentua: “Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado” (v. 14).

Nos dias de Paulo – nos dias de Paulo a igreja teve de enfrentar o problema do moralismo, ou melhor dizendo, do legalismo. No capítulo 15 de Atos, Lucas narra o concílio eclesiástico com o objetivo de responder à seguinte pergunta: “Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?” (At. 15.10). Os judaizantes tentavam, a todo custo, ir de encontro à doutrina da justiça de Deus, defendendo que os cristãos deveriam seguir uma séries de princípios a fim de realmente ser salvos. Em sua carta aos Romanos e aos Gálatas Paulo se opõem veementemente à esse moralismo mostrando que “que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei” (Rm. 3.28), sabendo que “o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada” (Gl. 2.16).

Nos dias atuais – Nos dias atuais há um movimento moralista, porque não dizer legalista, nas igrejas locais tentando resgatar os princípios farisaicos judaizantes. Essas pessoas defendem que para sermos salvos precisamos guardar uma série de preceitos e de regras as quais nos farão ser aceitos diante de Deus. Essas regras nada têm de respaldo bíblico, ao contrário, invalidam, pela tradição dos homens, a doutrina de Deus (Mt. 15.6). Os defensores dessas tradições humanas são, na verdade, “inimigos da cruz de Cristo” (Fp. 3.18), haja visto que se arvoram na sua própria conduta, por considerarem ter atingindo um estágio de santidade superior aos outros. Deus, porém, se nega a dar crédito à esse moralismo legalista, pois, no Seu evangelho cristalino está escrito que “pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef. 2.8,9).

II – PRINCÍPIOS DA JUSTIÇA DE DEUS

Inicialmente destacamos que o juízo de Deus é inevitável – Em Rm. 2.1-4, Paulo mostra a fraqueza humana de tentar criticar todo mundo, à exceção de nós mesmos. Trata-se de uma atitude de autojustificação que visa ocultar nosso pecado e nossa autoestima. O problema é que, como ressalta a Palavra de Deus: “porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo” . É, nesse sentido, inútil tentar escapar do juízo inevitável, através de discursos moralistas, o melhor, como bem adverte o apóstolo, é nos fiar nas “riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade”. Por que é a bondade de Deus que nos leva ao arrependimento. Em seguida, que o juízo de Deus é justo – nós, porém, não podemos contar com a bondade e a paciência de Deus para dar vazão à permissividade e não ao arrependimento. Afinal, caso não nos voltemos para Deus, em contrição: “segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus”. A partir do versículo 7 vemos que o juízo de Deus será baseado naquilo que nós fizemos, ressaltando a existência de dois paralelos: 1) por um lado existem aqueles que buscam glória (a manifestação do próprio Deus), honra (a aprovação de Deus) e imortalidade (a infinita alegria de sua presença) e, além disso, buscam tais bênçãos, cujo foco central é o próprio Deus, persistindo em fazer o bem; 2) por outro lado, existem aqueles que têm orgulho de si mesmos, os egoístas, que rejeitam a verdade e seguem a injustiça e “suprimem a verdade pela injustiça”. Posteriormente, que o  juízo de Deus é imparcial – Judeus e gentios parecem diferir um do outro no fato de que os judeus ouvem a lei, possuindo-a e ouvindo a sua leitura na sinagoga, quanto que os gentios não têm lei. Contudo, vemos, no versículo 12, que tanto um quanto o outro são postos na mesma categoria de pecado e morte. O argumento do apóstolo é que todos os que pecaram perecerão ou serão julgados, isto é, quer tenham a lei mosaica quer não. Todos os que pecarão sem lei (os gentios), sem lei perecerão. Perecerão em virtude do seu pecado, não por ignorarem a lei. Do mesmo modo, todo aquele que pecar sob a lei (os judeus), pela lei será julgado. Deus será absolutamente justo em seu julgamento: se pecou conhecendo a lei, ou se pecou ignorando a lei, o julgamento será de acordo com o pecado de cada um. E por fim, que o juízo de Deus e a lei de Deus – a lei natural não salva pecadores, pois, por mais que tenhamos conhecimento de Deus através da criação ou de sua bondade através da consciência, nós o suprimimos a fim de seguirmos o caminho que nós mesmos escolhemos. Por isso, Deus revelou, nas Escrituras, que existe uma realidade antagônica entre a lei encontrada nas Escrituras e a lei da natureza humana. Paulo vai dizer mais adiante que “a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom” (Rm. 7.12). O problema é que, há, no homem, uma lei carnal que se opõe à lei: “Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo”.

III – A JUSTIÇA DE DEUS

Em Rm. 3.21, Paulo fala de uma justiça que provem de Deus que se dá a conhecer pelo evangelho (1.17) ou independente da lei (3.21). Uma verdade fundamental demonstrada pelo apóstolo é que a justiça de Deus vem mediante a fé em Jesus Cristo para todos haja visto que todos têm necessidade dela, pois todos pecaram. Essa justificação que provem de Deus é uma combinação de três elementos: o caráter justo de Deus, a sua iniciativa salvadora e a sua dádiva que consiste em conferir ao pecador a condição de justo perante ele. A fonte da justificação é Deus e sua graça, a base é Cristo e sua cruz e o meio da justificação é a fé. Paulo responde a alguns questionamentos, por meio do recurso da diatribe:  “Onde está então o motivo de vanglória”? (27-28) – a vanglória não é uma prerrogativa dos judeus, pois os gentios também eram “insolentes, arrogantes e presunçosos (v. 30). Para aqueles que foram justificados, a vanglória – que é presunção do egocentrismo caído – é completamente excluída e isso não se baseia no princípio da obediência à lei, mas no princípio da fé: “Onde está logo a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé”. “Deus é Deus apenas dos judeus? Ele não é também Deus dos gentios?”(29-30) – Deus não é apenas Deus dos judeus, Ele é também Deus dos gentios, visto que existe somente um Deus, que tem um só caminho de salvação (ver Jo. 14.6). Ele, pela fé, justificará, tanto os circuncisos quanto os incircuncisos. Como disse certo pensador, aos pés da cruz de Cristo, e pela fé nele, todos nós estamos no mesmo nível: somos irmãos e irmãs em Cristo.

“Anulamos então a lei pela fé”? (31) – Paulo nega essa questão, pois todo o Antigo Testamento já ensinava a verdade da justificação pela fé (ver Gn. 3.21; 15.6; Ex. 12.1-23). A lei, nesse sentido, confirma e não anula a lei. A fé confirma a lei ao conferir-lhe o devido lugar no propósito de Deus – no seu plano de salvação, a função da lei é expor e condenar o pecado, mantendo o pecador trancafiado em sua culpa até que Cristo venha liberta-lo através da fé. Por conseguinte, os crentes justiçados que vivem de acordo com o Espírito satisfazem as justas exigências da lei (ver Rm. 8.4; 13.8,10). Em seguida, ilustra por meio de Abraão, a justificação por meio da fé. Isso porque esse patriarca, de todos os justos do Antigo Testamento, é aquele que Deus o chama de amigo (Is. 41.8). O testemunho de Deus a respeito de Abraão se encontra em Gn. 26.5: “Porquanto Abraão obedeceu à minha voz, e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos, e as minhas leis”. De fato, Abraão obedeceu a Deus e guardou seus preceitos, mas a sua justificação se deu através da fé, conforme lemos em Gn. 15.6: “E creu ele no Senhor, e imputou-lhe isto por justiça”. Outro princípio da justificação pela fé no Antigo Testamento é o de Davi. Paulo cita as palavras iniciais do Salmo 32: “Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa maldade, e em cujo espírito não há engano”. Mas Abraão é o pai de todos os que creem em Deus e levam a sério Sua palavra. É o pai dos crentes incircuncisos, pois ele era incircunciso quando sua fé lhe foi imputada para justiça. É também o pai dos crentes circuncisos, não tanto com base na circuncisão deles, mas em sua fé. A justificação de Abraão e as bênçãos dela decorrente fundamentavam-se em sua fé em Deus. Não foram adquiridas por mérito ou esforço da parte dele, mas, sim, dadas pela graça de Deus. Esse continua sendo o princípio sobre o qual Deus trata os descendentes de Abraão. Nisso se cumpre a palavra de Deus: “porque por pai de muitas nações te tenho posto” (Gn. 17.5). A fé de Abraão teve uma qualidade especial, pois ele não fechou os olhos as circunstâncias desfavoráveis. Antes pôs sua visão no Deus capaz de cumprir Sua promessa. Esse princípio se aplica a todos os crentes, tendo em vista que o Deus que ressuscitou a Jesus dos mortos, o fez para proporcionar a justificação daqueles que nEle crêem.

CONCLUSÃO

O juízo de Deus é justo, inevitável e imparcial. A lei de Deus, revelada aos judeus, ou os gentios, que se fizeram lei para si, estão todos debaixo da condenação do pecado. Os moralistas tentam se justificar diante de Deus através dos seus próprios méritos achando que serão salvos por guardarem uma série de princípios religiosos. A saída dada por Deus é que: “Deus propôs para propiciação pela fé no seu [e Jesus] sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus (Rm.3.25,26).

BIBLIOGRAFIA

CABRAL, E. Comentário Bíblico Romanos. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.

STOTT, J. Romanos. São Paulo: ABU, 2001.

Publicado no blog Subsídio EBD

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