José, o Pai Terreno de Jesus – Um Homem de Caráter – Pr. Josaphat Batista

José, o Pai Terreno de Jesus – Um Homem de Caráter – Pr. Josaphat Batista

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JOSÉ O PAI TERRENO DE JESUS UM HOMEM DE CARÁTER
José, assim como Maria, teve um papel importante no plano de redenção divina. José foi escolhido por Deus para ser o pai adotivo de Jesus.

 

I – TEXTO BÍBLICO

Mateus 1.18-25

V, 18 Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo.

V, 19 Então José, seu marido, como era justo, e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente.

V, 20 E, projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo;

V, 21 E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.

V, 22 Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta, que diz;

V, 23 Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, Que traduzido é: Deus conosco.

V, 24 E José, despertando do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher;

V, 25 E não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus.

 

II – A GENEALOGIA DE JESUS

“A genealogia de José é apresentada em Mateus 1. Ele era carpinteiro (Mt 13.55) que vivia em Nazaré (Lc 2.4). Mas, como descendente de Davi, sua casa ancestral estava em Belém. Estava noivo de Maria na época em que Jesus foi concebido pelo Espírito Santo. Ao saber que Maria estava grávida, quis evitar que ela fosse exposta à vergonha pública, embora cogitasse divorciar-se e despedi-la secretamente.

Mas em um sonho foi informado por Deus que a concepção de Maria era divina e foi encorajado a se casar com ela. Para se registrarem e pagarem o imposto real, ele e Maria foram a Belém, onde Jesus nasceu. José é mencionado juntamente com Maria e Jesus na visita dos pastores (Lc 2.16) e na apresentação de Jesus no Templo (Lc 2.27,33). Em um sonho. Deus instruiu José a fugir da ira de Herodes, ir para o Egito, e lá permanecer durante algum tempo.

A última participação de José é mencionada no evento dos Evangelhos relacionado com a visita feita à festa anual em Jerusalém, quando Jesus tinha 12 anos de idade (Lc 2.41-52). Ele não foi incluído com Maria e seus filhos em Mateus 12.46-50. Embora João 6.42 possa indicar que José ainda tivesse vivo durante parte do ministério de Jesus.

José não aparece na crucificação quando Jesus entregou sua mãe aos cuidados do apóstolo João (Jo 19.26,27), portanto podemos concluir que José havia morrido antes desse acontecimento. Os judeus da época de Jesus consideravam que Ele era filho de José (veja Lc 3.23; 4.22; Jo 1.45; 6.42)” (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1.ed, Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p. 1092).

 

III – JOSÉ

1 – Origem

O nome José é a versão lusófona do hebraico Yosef (יוסף), por meio do latim Iosephus. Descendente da casa real de David.

Na Bíblia não encontramos muitas informações a respeito dele. Acredita-se que quando Jesus foi crucificado e morto, ele ja havia falecido. Porém, analisando os textos bíblicos a respeito de José, podemos ver o quanto era obediente, humilde e amoroso. Ao saber da gravidez de Maria, até intentou deixá-la, mas secretamente, para que a jovem não viesse a sofrer. Diferente de Maria que viu e ouviu do anjo Gabriel que seria a mãe do Salvador, José não teve uma revelação direta da parte de Deus.

Só quando planejou deixar Maria, o Senhor falou com ele em sonhos e José demonstrou ter fé e comunhão com Deus, pois não teve dificuldades em discernir que não se tratava de um sonho comum, mas era a voz de Deus e a sua revelação divina a respeito daquele que seria o Salvador. O caráter de José está implícito no fato de que, certamente foi ele difamado pela sociedade da época, pois estando noivo de Maria recebe-a grávida sem a sua participação nenhuma no relacionamento sexual.

Haja vista que os Judeus encaravam o noivado como sério igualmente ao casamento, por isso que José ao ver Maria grávida intentou imediatamente deixa-la secretamente, porém foi logo avisado por um Anjo da parte de Deus que a gravidez de Maria não era fruto de nenhum relacionamento humano. José não foi desobediente a mensagem divina através do Anjo e não seguiu o seu desígnio, mas atentou para Maria recebendo-a como sua legítima esposa. José é um exemplo do que diz Salomão em Provérbios 16:9 quando adverte-nos a estarmos cientes de que é o Senhor que dirige os nossos passos.

O Plano de Deus

No entanto, o plano de Deus, que nada mais era, a não ser, a vinda do Salvador, estava se cumprindo cabalmente e de forma vívida, pois daquele casal surgiriam a Paz para o mundo. Na verdade, José foi usado por Deus para ocupar lugar de Pai de Jesus, segundo a carne, quando Jesus humanamente falando não teve Pai, mas teve Mãe, enquanto como Deus teve Pai e não tem Mãe. ALELUIAS!

Como José devemos ser obedientes a voz de Deus e não retroceder os seus planos, pois os mesmos são de bênçãos para as nossas vidas. José ao tentar rejeitar Maria, devido a não participação na sua suposta gravidez, demonstra o quanto ele era íntegro e fiel a Deus, pois o não sabia do ocorrido e quando soube não titubeou em aceita-la, pois sabia que era a plena vontade de Deus que devia prevalecer.

OBS.: Santo Agostinho no seu Sermão sobre a Genealogia de Cristo, são retomadas preciosas informações e opiniões anteriores. José é descrito como um homem autenticamente justo, tão justo que, quando supos que Maria tivesse adulterado, não quis denunciá-la nem expô-la ao público cruel. Decidiu deixá-la em discretamente, já que não apenas não queria puni-la, como tampouco acusá-la.

 

2 – Paternidade

Os Evangelhos e a Sagrada Tradição Apostólica afirmam que o verdadeiro genitor de Jesus é Deus Pai: Maria, já tendo sido prometida em casamento a José, concebeu miraculosamente, sem que houvesse tido relações maritais com ninguém, por intermédio do Espírito Santo. Para o casal, tratou-se de um momento dramático, uma vez que, quando tomou ciência de que a esposa estava grávida de um filho que não era seu, José sentiu-se decepcionado e resolveu romper com ela, mas sem expô-la publicamente. O evangelista Mateus assim relata o episódio:

“A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, comprometida em casamento com José, antes que coabitassem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. José, seu esposo, sendo justo e não querendo denunciá-la publicamente, resolveu repudiá-la em segredo.» (Mateus 1:18-19)”. No entanto, após uma experiência mística num sonho, no qual um Anjo lhe aparecera, voltou atrás e reconheceu legalmente o Menino Jesus como seu legítimo filho.

“Eis que o Anjo do Senhor manifestou-se a ele em um sonho, dizendo: ‘José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e tu o chamarás com o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo dos seus pecados’. (…) José, ao despertar do sono, agiu conforme o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu em sua casa sua mulher.» (Mateus 1:21-24)”. Tendo assumido a guarda do menino, José ficou conhecido como suposto pai de Jesus. O evangelista Lucas relata esse título: Ao iniciar seu ministério, Jesus tinha mais ou menos trinta anos e era, conforme se supunha, filho de José (Lucas 3:23).

 

3 – Profissão

A profissão de José é mencionada pelo evangelista Mateus quando afirma, no capítulo 13 e versículo 55 de seu Evangelho, que Jesus era filho de um tektōn (τέκτων): termo grego que costuma receber várias interpretações. Ainda que a tradição lhe atribua estritamente a profissão de carpinteiro, o fato é que o título grego é genérico, sendo usado para designar os trabalhadores envolvidos em atividades econômicas ligadas à construção civil. Outras vertentes costumam considerar José como sendo um canteiro, ou seja, um operário que talhava artisticamente blocos de rocha bruta.

Os evangelhos reivindicam que Jesus, antes de iniciar sua vida pública, desempenhou a profissão do pai. O primeiro evangelista que atribui-lhe o título é São Marcos, que refere-se a Jesus como “o Carpinteiro”, no capítulo VI, versículo 3 da sua narrativa sinótica que relata uma sua visita a Nazaré na qual seus compatriotas chamavam-no ironicamente pela profissão para desqualificá-lo como pregador. Mateus, por sua vez, retoma o mesmo episódio na sua versão do evangelho, mas com uma variante:

“Não é o filho do carpinteiro? Não se chama a mãe dele Maria e os seus irmãos Tiago, José, Judas e Simão? (Mateus 13:55.)

OBS.: Jesus e José – Jesus era conhecido no meio do povo como “filho de José” (João 1.45 e 6.42) e “filho do carpinteiro” (Mateus 13.55). De seu pai adotivo, Jesus herdou o título de “carpinteiro” (Marcos 6.33) por ter aprendido sua profissão. Certamente Deus escolheu um homem íntegro para fazer parte da vida de seu Filho. José sabia que Jesus não era seu filho fisicamente, mas o amou como um verdadeiro pai.

 

IV – ARGUMENTAÇÃO DIDÁTICA

“As famílias judias realizavam várias cerimónias, logo após o nascimento de um bebé:

(1) circuncisão. Todos os bebés do sexo masculino eram circuncidados e recebiam seu nome no oitavo dia após o nascimento (Lv 12.3; Lc 1.59-60). A circuncisão simbolizava a separação entre judeus e gentios, e seu relacionamento exclusivo com Deus.

(2) Redenção do primogénito. O primogénito era apresentado a Deus, um mês após o nascimento (Êx 13.2,11-16; Nm 18.15-16). A cerimónia incluía comprar de volta, ou seja, ‘redimir’, a criança, de Deus, por meio de uma oferta. Desta maneira, os pais reconheciam que o bebé pertencia a Deus, que é o único que tem poder de dar vida.

(3) Purificação da mãe. Durante 40 dias, após o nascimento de um filho, e 80 dias após o nascimento de uma filha, a mãe permanecia cerimonialmente impura, e não podia entrar no Templo. No fim do seu período de separação, os pais deveriam trazer um cordeiro para uma oferta de holocausto, e uma rola ou um pombo para uma oferta de pecado, O sacerdote sacrificaria esses animais e declararia que a mulher estava limpa. Se um cordeiro fosse caro demais para a família, os pais podiam trazer, em seu lugar, uma segunda rola ou pombo.

Foi isso que Maria e José fizeram. Jesus era o Filho de Deus, mas sua família realizou essas cerimônias de acordo com a lei de Deus. Jesus não nasceu acima da lei; ao contrário, Ele a cumpriu à perfeição” (Bíblica Cronológica Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2015, p-1282).

 

V – LIÇÕES DA VIDA DE JOSÉ

1 – Temente a Deus

Mateus 1.20 e 2.13,19

A primeira característica que marca a vida de José é o seu temor a Deus. Ser temente a Deus não é ter medo e sim um amor profundo. José tinha uma vida de oração e levava sua família ao templo todos os anos na páscoa (Lucas 2.41). Por tão temente, o Senhor o visitou em sonho três vezes para orientar o seu futuro. Primeiro sonhou com um anjo lhe dizendo para assumir Maria e a criança (Mateus 1.20). Depois o anjo lhe apareceu novamente em sonho ordenando que fosse para o Egito (Mateus 2.13).

Num terceiro sonho o anjo lhe disse que poderiam voltar (Mateus 2.19). Todo este roteiro de sonhos e viagens mostra que era alguém que tinha grande intimidade com Deus. Ser um pai temente a Deus é ter uma vida de oração, buscar sempre a vontade de Deus em tudo. Viver na presença de Deus é a melhor forma de um pai abençoar sua família como sacerdote do lar (Deuteronômio 6.6-10). Um pai de família precisa buscar “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Provérbios 9.10).

2 – Responsável

Lucas 1.27 e 2.4

Outra característica de José é sua responsabilidade que se destaca entre seus adjetivos. Primeiramente se percebe pelo fato de estar desposado com Maria (Lucas 1.27) assumindo seu compromisso de constituir uma família. José cumpriu sua obrigação civil e foi fazer o recenciamento na época e no lugar certo, mesmo diante da dificuldade de ter sua esposa grávida (Lucas 2.4).

Além disso, José assumiu a paternidade pública de Jesus recebendo Maria como esposa (Mateus 1.24). Ser conhecido como carpinteiro também denota que era um homem trabalhador e bom profissional (Mateus 13.55) e também ensinou a profissão para seu filho (Marcos 6.33). Deu educação a seus filhos provavelmente em casa (João 7.15-17), pois Jesus sabia ler (Lucas 4.16 e 17) e escrever (João 8.8).

O exemplo de um pai ensina muito mais que suas palavras. Todo filho aprende como seu pai “ensina a criança no caminho em que deve andar” (Provérbios 22.6) e lembra-se de suas atitudes (Lucas 15.17). Quando um pai dá exemplo de responsabilidade, seus filhos o seguem como referencial e mesmo que se desviem um dia se lembrarão.

3 – Obediente

Mateus 1.18-25

A terceira característica marcante em José é a sua obediência a Deus, por isso foi chamado de “justo” (Mateus 1.19). Obedeceu à lei levando Jesus para ser circuncidado ao oitavo dia (Lucas 2.22). Não havia coabitado com sua noiva antes do casamento (Mateus 1.18). Somente depois do nascimento de Jesus é que recebeu Maria como sua mulher (Mateus 1.25). Por um instante José foi tentado a deixar Maria (Mateus 1.19), com as melhores intenções de livrar sua noiva de um castigo infame.

Contudo, assim que recebeu mensagem do anjo, obedeceu imediatamente recebendo Maria como esposa e o filho como se fosse seu (Mateus 1.24). Até o nome da criança José obedeceu e colocou como mandou o anjo (Mateus 1.21 e 25). Desde os lugares onde morou com sua família até cada detalhe de sua vida foram em obediência à orientação de Deus (Mateus 2.13, 19,20).

Quando o pai é obediente a Deus, os filhos são obedientes ao pai. Se o pai não obedecer a sua liderança, os filhos não saberão obedecê-lo. Muitos pais sacrificam seus filhos por não ensinar obediência, pois “obedecer é melhor que sacrificar” (I Samuel 15.22). Por isso é importante buscar em tudo a “boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12.2). Um pai sabe o que é melhor para o filho (Mateus 7.9-12) e precisa ensinar a ser obediente em tudo.

 

CONCLUSÃO

Não sabemos como foi o fim da vida de José. Muitos historiadores acreditam que morreu antes de Jesus, por isso Cristo demonstrou ser o responsável por sua mãe quando estava na cruz (João 19.26). Mas o exemplo de sua vida tem muito a nos ensinar, pois viveu com um propósito de preparar seus filhos.

Nós também não sabemos como será o fim de nossa vida e devemos viver para Deus cada minuto do nosso viver estando prontos para deixar os filhos preparados para a vida. Talvez Deus tenha permitido que soubéssemos o fim da história de José para mostrar que a paternidade é uma ‘história sem fim’, mas que os filhos educados para Deus dão continuidade eternamente.

 

REFERÊNCIAS

Bíblia Palavra Chave (ARC)

Apontamentos Teológicos do Autor

Dicionário da Língua Portugues Online

Wikipédia, a enciclopédia livre.

http://www.esbocosermao.com/2014/08/jose-pai-adotivo-de-jesus.html

 

Comentário do Pastor Josaphat Batista – Pr. Presidente da Assembleia de Deus em Ibotirama-Bahia. Pós-Graduado em Docência do Ensino Superior. Bacharel em Teologia convalidado pelo MEC, Membro do CEECRE (Conselho Estadual de Educação e Cultura Religiosa da CEADEB), Diretor da ESTEADI (Escola Teológica da Assembleia de Deus em Ibotirama). Presidente do Conselho de Pastores e Líderes Evangélicos de Ibotirama (CONPLEI), Conferencista, Seminarista, Escritor e fundador dos Congressos EBD no Campo de Camaçari-Ba.

Publicado no Portal do CTEC Vida Cristã

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