Jesus – Sumo Sacerdote de uma Ordem Superior – José Roberto A. Barbosa

Jesus – Sumo Sacerdote de uma Ordem Superior – José Roberto A. Barbosa

JESUS – SUMO SACERDOTE DE UMA ORDEM SUPERIOR

Texto Áureo: Hb. 7.26 – Texto Bíblico: Hb. 7.1-19

INTRODUÇÃO

O sacerdócio araônico tinha extrema relevância na religiosidade judaica, de modo que mesmo os cristãos hebreus destinatários da Epístola se sentiam atraídos por ele. O autor da Epístola, conforme estudaremos na lição de hoje, argumenta que existe um sacerdócio superior, não da ordem de Arão, mas de Melquisedeque, o qual tipifica o sacerdócio de Cristo. Ao final da aula mostraremos, com base no capítulo 7 da Epístola aos Hebreus, os fundamentos escriturísticos para a superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o de Arão.

  1. MELQUISEDEQUE, SACERDOTE-REI

Melquisedeque aparece no livro de Gêneses como um personagem bíblico, relacionado à história de Abrãao e seu sobrinho Ló, que habitou na cidade de Sodoma, e acabou se envolvendo na vida política daquela cidade. No contexto de uma batalha, os sodomitas e seus aliados foram capturados, entre eles Ló. Abraão, a fim de resgatar seu sobrinho, empreendeu uma batalha, juntamente com uma coalisão de forças. Após retornar vitorioso desse desafio, Abraão acampou em Salém, cidade que futuramente seria conhecida como Jerusalém. Naquele local, se encontrou com Melquisedeque, o sacerdote-rei da cidade, que abençoou Abraão (Gn. 14.19,20). Do texto apreendemos que ele era sacerdote de El Elyon, o Deus Altíssimo, e que assim foi reconhecido por Abraão, que lhe entregou seus dízimos. O autor da Epístola aos Hebreus faz alusão a esse personagem como um tipo do sacerdócio de Cristo, sendo Ele também Rei-Justo. Na verdade, Deus é justo, e justificador daqueles que creem em Jesus (Rm. 3.26). É importante destacar que Deus fez aquilo que o homem não poderia fazer para ser salvo (Rm. 4.6). O sacrifício de Jesus na cruz do calvário foi suficiente para salvar os pecadores (Jo. 3.16), trazendo a paz entre Deus e os homens (Lc. 2.14), justamente por ser Ele o Príncipe da paz (Is. 9.6). Ele é também o Reconciliador entre Deus e os homens, o que restaura o relacionamento rompido por causa do pecado (II Co. 5.20). Por isso Melquisedeque é tipo de Cristo, pois aponta para Aquele que se fez justiça por nós, de eternidade a eternidade (Jr. 23.6; Ap. 1.8).

  1. SUPERIORIDADE DE MELQUISEDEQUE SOBRE ARÃO

O argumento do autor é que o fato de Abraão ter entregue dízimo a Melquisedeque é um sinal da grandeza do seu sacerdócio-reinado em Salém (Hb. 7.4). O patriarca reconheceu que Melquisedeque tinha autoridade espiritual, pois apenas aqueles que eram instituídos como sacerdotes recebiam dízimos (Hb. 7.5). O fundamento do sacerdócio, por conseguinte, remete ao tempo de Abraão, indo além da instituição levítica. Levi, um dos doze filhos de Jacó, era descendente de Abraão (Hb. 7.5). Por isso, Melquisedeque, ainda que não fosse descendente de Levi, se antecipou ao sacerdócio desse, demonstrando ser ainda maior, tendo recebido dízimo do próprio Levi, através do patriarca Abraão (Hb. 7.6,7). Além disso, o sacerdócio levítico é composto por homens que morrem (Hb. 7.8), enquanto que o de Melquisedeque, não há registro da sua morte. O autor da Epístola aos Hebreus cita Sl. 110.4, para legitimar nas Escrituras o sacerdócio de Cristo, pondo na ordem de Melquisedeque. Isso mostra também a limitação do sacerdócio levítico, considerando que os sacerdotes dessa ordem eram imperfeitos, e que precisavam sacrificar não apenas pelos outros, também por eles mesmos. Jesus é o Grande Sumo Sacerdote, não da ordem de Levi, pois não era daquela tribo. Ele era da tribo de Judá (Hb. 7.14), e remete a um sacerdócio ainda mais antigo, estabelecido anterior a Lei, que estava além do “mandamento carnal” (Hb. 7.16). O sacerdócio da aliança carnal, para o autor da Epístola, através de Cristo se tornou “ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade” (Hb. 7.18).

  1. A SUPERIORIDADE DO SACERDÓCIO DE CRISTO

A referência ao Sl. 110 é bastante enfática no capítulo 7 da Epístola aos Hebreus, a fim de confirmar a superioridade do sacerdócio de Cristo. A começar pela necessidade de muitos sacerdotes, que vinham uns após os outros (Rm. 7.23). A sucessão era uma demonstração de fraqueza daquele tipo de sacerdócio. O sacerdócio de Cristo, por sua vez, não carece de sucessor, pois é eterno, estando Ele entronizado para sempre. Por esse motivo, Ele é capaz de interceder continuamente por aqueles que creem (Hb. 7.25). A demonstração da superioridade, e legitimidade eterna desse sacerdócio, é demonstrada na ressurreição de Cristo, que se encontra entronizado à direita do Pai. Esse Sumo Sacerdote se tornou um de nós (Hb. 7.26), cumprindo as necessidades do Seu povo. E mais, Ele é santo, imaculado, separado dos pecadores (Hb. 7.26). Ele é digno de confiança, de modo que podemos nos aproximar do Pai. Os sacerdotes levíticos precisam sacrificar por eles mesmos, antes de sacrificar pelo povo (Hb. 7.27). O mesmo não ocorre com Cristo, que é um sacerdócio definitivo. Por isso, apenas Jesus – maior que tudo que Deus havia concedido como revelação a povo de Israel e ao mundo – constituiu uma nova aliança, concretizada através do derramamento do seu sangue, dando-nos a garantia de que somos aceitos pelo Pai, não por causa de nós mesmos, mas porque Ele foi aceito por nós. Em Cristo podemos ser filhos de Deus, e a Ele nos dirigir como Aba, mediante o Espírito de adoção, concedido por Sua graça (Gl. 4.5).

CONCLUSÃO

Temos um Sacerdote Eterno, que se identifica com nossa condição, ainda que não tenha pecado (I Pe. 2.22). Por causa dEle, sabemos que fomos aceitos por Deus, porque o próprio Cristo, o Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, se fez pecado por nós (II Co. 5.21). Diante dessa realidade eterna, com a qual fomos agraciados, devemos nos aproximar do trono da graça, com toda confiança, para receber misericórdia e poder, sobretudo nos momentos de necessidades (Hb. 4. 16).

BIBLIOGRAFIA

PFEIFFER, C. The Epistle to the Hebrews. Chicago: Moody Press, 1962.

WEIRSBE, W. Be confident: Hebrews. Colorado Springs: David Cook, 2009.

Publicado no blog Subsídio EBD

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