Jesus – Sumo Sacerdote de uma Ordem Superior – Ev. Isaías de Jesus

Jesus – Sumo Sacerdote de uma Ordem Superior – Ev. Isaías de Jesus

Jesus Sumo Sacerdote de uma Ordem Superior

TEXTO ÁUREO

“Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, efeito mais sublime do que os céus.” (Hb 7. 26)

VERDADE PRÁTICA

Como Sumo Sacerdote de outra ordem, a de Melquisedeque, Jesus possui um sacerdócio imutável, perfeito e eterno.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Sl 110.4: Jesus, um sacerdócio com realeza

Terça – Hb 7.11: Jesus, um sacerdócio perfeito

Quarta – Hb 7.12: Jesus, um sacerdócio imutável

Quinta – Hb 7.17: Jesus, um sacerdócio eterno

Sexta – Hb 7.26: Jesus, um sacerdócio santo

Sábado – Hb 7.26; 2Co 5.21: Jesus, um sacerdócio inculpável e imaculado

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE – Hebreus 7.1-19

 

Hebreus 7.1-19

1 PORQUE este Melquisedeque, que era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis, e o abençoou;

2 A quem também Abraão deu o dízimo de tudo, e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça, e depois também rei de Salém, que é rei de paz;

3 Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre.

4 Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos.

5 E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar o dízimo do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham saído dos lombos de Abraão.

6 Mas aquele, cuja genealogia não é contada entre eles, tomou dízimos de Abraão, e abençoou o que tinha as promessas.

7 Ora, sem contradição alguma, o menor é abençoado pelo maior.

8 E aqui certamente tomam dízimos homens que morrem; ali, porém, aquele de quem se testifica que vive.

9 E, por assim dizer, por meio de Abraão, até Levi, que recebe dízimos, pagou dízimos.

10 Porque ainda ele estava nos lombos de seu pai quando Melquisedeque lhe saiu ao encontro.

11 De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico ( porque sob ele o povo recebeu a lei ), que necessidade havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque, e não fosse chamado segundo a ordem de Arão?

12 Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei.

13 Porque aquele de quem estas coisas se dizem pertence a outra tribo, da qual ninguém serviu ao altar,

14 Visto ser manifesto que nosso Senhor procedeu de Judá, e concernente a essa tribo nunca Moisés falou de sacerdócio.

15 E muito mais manifesto é ainda, se à semelhança de Melquisedeque se levantar outro sacerdote,

16 Que não foi feito segundo a lei do mandamento carnal, mas segundo a virtude da vida incorruptível.

17 Porque dele assim se testifica: Tu és sacerdote eternamente, Segundo a ordem de Melquisedeque.

18 Porque o precedente mandamento é ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade

19 (Pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou ) e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual chegamos a Deus.

 

HINOS SUGERIDOS: 137, 236, 555 da Harpa Cristã

 

 OBJETIVO GERAL

Apresentar a tipologia do sacerdócio de Melquisedeque com relação a Jesus Cristo, expressando a verdade de que nosso Senhor possui um sacerdócio imutável, perfeito e eterno.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo l refere-se ao tópico l com os seus respectivos subtópicos.

  1. Explicar o aspecto tipológico de Melquisedeque;
  2. Destacar a natureza do sacerdócio de Cristo;

III. Expor os atributos do sacerdócio de Cristo.

 

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Caro (a) professor (a), a Lição desta semana trata de um assunto muito especial: o sacerdócio perfeito e eterno de Jesus. Isso significa que estudaremos como todo o sistema de sacrifício levítico, apresentado no Antigo Testamento, deu lugar ao sacrifício completo de Jesus no Calvário. Sim, veremos que Jesus Cristo, e só Ele, tinha todas as prerrogativas para mudar o sacerdócio e a Lei. E foi isso que o nosso Senhor fez! Por isso, dedique-se para compreender o melhor que puder o capítulo 7 de Hebreus. Boa aula!

 

INTRODUÇÃO

 

E sábio lembrar-nos, como reorientação, acerca do propósito ousado e revolucionário do autor. Ele está construindo uma posição lógica e exegética com a finalidade de despedaçar completamente qualquer dependência remanescente do judaísmo. Ele precisa convencer esses cristãos hebreus de três coisas.

 

Em primeiro lugar, que o sacerdócio de Cristo anula e substitui completamente toda estrutura monolítica do sacerdócio judaico e da adoração no Templo. Não pode mais haver uma contemporização do conceito da coexistência. Os odres velhos não podem conter o vinho novo, nem a veste velha ser remendada com pano novo. O antigo terminou, abandonado por Deus, e precisa ser abandonado pelos cristãos.

 

Em segundo lugar, Jesus Cristo, em seu sacerdócio, inaugurou uma nova aliança entre Deus e seu povo, tornando a antiga aliança obsoleta com suas formas ritualísticas e sacerdotais.

 

Esta nova aliança é o cumprimento do significado simbólico da antiga, e igualmente o cumprimento das grandes predições do AT acerca desta substituição. A nova aliança, portanto, não deveria ser nenhuma surpresa para eles e deveria ser adotada prontamente e com gratidão. Ela é qualitativamente superior à antiga em todos os sentidos, visto que inclui a substância em vez da sombra. Esta substância é essencialmente uma perfeição pessoal do adorador, descrita de diversas maneiras como repouso, acesso ao “Santo dos Santos” e santificação.

 

Em terceiro lugar, a pessoa e obra de Cristo são definitivas e cancelam todas as outras opções. Tendo conhecido a Cristo, não tem como voltar atrás. Não podem mais encontrar abrigo em Moisés da ira vindoura. A tentativa em fazê-lo resultará em julgamentos e conseqüências eternas excedendo em muito a desgraça que a raça havia experimentado previamente por causa da desobediência.

 

Ao estabelecer este tipo de argumentação, o raciocínio do autor é inteiramente judaico. Muitos elementos têm uma afinidade com o helenismo judaico-alexandrino, como é representado por Fílon, mas outros são compatíveis com a hermenêutica rabínica de Jerusalém. Um ponto de concordância entre essas duas posições era a sua alta consideração pelo AT como a Palavra de Deus divinamente inspirada. Nada era supérfluo ou sem significado.18

 

Mas Hebreus difere tanto de Fílon quanto dos judeus palestinos no princípio hermenêutico básico que sustenta toda a carta, a saber, que Cristo é a chave para a interpretação das Escrituras judaicas. “Para Hebreus”, diz Sowers, “o verdadeiro significado da Bíblia não é desvendado por um exegeta inspirado, como é o caso de Fílon, mas, sim, por Cristo, para o qual aponta todo o AT”.

 

Ele, portanto, reconhece textos que provam o que está querendo dizer que não seriam reconhecidos como tais por um exegeta que olhasse através de lentes hermenêuticas diferentes. Mas existem motivos de sobra para acreditar na base histórica e teológica de que ele foi fiel ao princípio introduzido pelo próprio Cristo no caminho de Emaús (Lc 24.27) e que estruturou o pensamento dos apóstolos e da Igreja Primitiva.

 

Nos capítulos seguintes, portanto, o autor interpreta vários textos cristológicos. O primeiro — e possivelmente o mais crucial — é Salmo 110.4: “Jurou o Senhor e não se arrependerá: Tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque”.

 

Deste versículo depende sua polêmica de que Cristo é legitimamente o sumo sacerdote, nomeado por Deus, mas de uma ordem diferente e superior à levítica, e, por esta razão, substituindo a ordem levítica para sempre. Ele já citou o texto (5.6) e referiu-se a ele duas vezes (5.10; 6.20). O autor agora está pronto para expandir o seu argumento.

 

  1. A Ordem de Melquisedeque (7.1-10)

 

O autor revê (l-2a) os fatos básicos apresentados a nós em Gênesis 14.18-20. Então começa uma interpretação da identidade desta figura misteriosa.

 

a) O padrão do seu sacerdócio (7.2b,3). O autor encontra significado em seu nome: é, por interpretação, rei de justiça (2). Mas também lhe é atribuída importância em virtude de ele ser rei de Salém, que é rei de paz. Aqui ocorre uma concordância tipológica com Cristo logo no princípio por meio do hábil lembrete de que a paz segue a justiça e que não pode existir sem ela.

 

As descrições sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida (3), devem ser entendidas em referência à ordem do sacerdócio de Melquisedeque, não à sua pessoa física. Na mente de um judeu, letrado nas idéias levíticas rígidas, era inconcebível que alguém servisse como sacerdote sem ser descendente de pais sacerdotes, sem genealogia.

 

Mas, foi o próprio Moisés que chamou Melquisedeque de “sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14.18); e ele foi reconhecido como tal mesmo sem credenciais formais. Ele não tinha uma linhagem oficial. Não havia registro da sua data de nascimento ou da sua morte. Neste sentido, ele foi feito semelhante ao Filho de Deus, que também não tinha uma linhagem sacerdotal normal.

 

O aspecto importante a ser ressaltado é que este Melquisedeque permanece sacerdote para sempre. Aqui está a proposta-chave. Tudo o mais é subordinado e descritivo. Primeiro, os fatos da história são reafirmados. Então, o padrão tipológico é desenhado, basicamente como um argumento do silêncio. E as idéias essenciais que o autor vai ressaltar são: 1) esta certamente não é uma ordem de sacerdócio levítica; 2) ela é uma ordem superior e 3) um sacerdócio que é caracterizado pela perpetuidade.

 

b) A grandeza do seu sacerdócio (7.4-10). Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos (4). Os próximos dois versículos são obscuros na KJV, mas uma nova tradução pode esclarecer o significado:

 

“E reconhecidamente aqueles que são filhos de Levi, tendo recebido o sacerdócio, têm uma ordem (ou autoridade) de recolher os dízimos das pessoas de acordo com a lei; estes são os seus irmãos, plenamente descendentes de Abraão. Mas aquele que é sem linhagem entre eles recebeu os dízimos de Abraão e abençoou aquele que tinha as promessas” (vv. 5-6).

 

O alvo aqui é mostrar a superioridade da ordem sacerdotal de Melquisedeque em relação à ordem levítica. Tendo inferido que a demonstração de seu pai Abraão pagando dízimos a ele provava esta grandeza, o autor rapidamente prevê nos versículos 5 e 6 a possível réplica de que Abraão também paga dízimos a Levi por meio dos seus descendentes; portanto, Levi é igualmente grande.

 

Mas esta é uma exigência da lei, não uma homenagem voluntária; e, além disso, Levi é igualmente um descendente de Abraão, que torna isso uma questão de família, e, deste modo, a “grandeza” por causa do “direito” é cancelada. Mas Melquisedeque era um estranho, não designado pela lei para recolher dízimos de Abraão como parte de um sistema utilitário doméstico; portanto, o recebimento de dízimos era uma evidência de um ato especial de reverência da parte de Abraão. Em outras palavras, Levi não pode reivindicar igual grandeza simplesmente pelo fato de recolher dízimos, visto que as circunstâncias que governam o ato de dizimar são tão diferentes.

 

Além disso, Melquisedeque abençoou o que tinha as promessas (6). Esta é uma prova conclusiva, porque sem contradição alguma, o menor é abençoado pelo maior (7). Isto seria auto-evidente, porque o pai abençoa seu filho, a pessoa idosa abençoa a mais jovem, o sacerdote abençoa o povo, o rei abençoa os seus súditos — nunca o contrário. Aposição de receptor é inferior à posição de doador, porque receber admite fraqueza e necessidade, enquanto dar sugere poder e influência. Ao dar o dízimo, Abraão estava homenageando — era um ato religioso — enquanto ao receber a bênção de Melquisedeque ele estava aceitando a posição de beneficiário. Por esta razão, nos dois casos ele foi considerado subordinado a Melquisedeque. No entanto, ele é aquele que havia recebido as promessas de Deus de grandeza racial e benefício mundial por meio da sua descendência.

 

Portanto, podia-se dizer que as próprias promessas estavam sujeitas à benção de Melquisedeque. Se, no entanto, vermos Jesus aqui como Melquisedeque, veremos a profunda implicação a que a epístola está aludindo do início ao fim.

 

O contraste entre Levi e Melquisedeque é levado mais adiante. Os sacerdotes levitas eram homens que morrem — eles são mortais — mas naquela situação antiga, um deles recebia os dízimos de quem se testifica que vive (8).

 

A “testemunha” parece ser deduzida de Salmos 110.4. A lógica é que se o sacerdócio de Cristo deve ser para sempre e, ao mesmo tempo, de acordo com a ordem de Melquisedeque, então esta ordem de sacerdócio deve ter sido estabelecida para sempre. Portanto, Abraão estava dando dízimos a alguém que representava, não uma sucessão de sacerdotes, mas um tipo de sacerdócio que está perpetuamente investido em uma Pessoa perpétua. Este tipo de sacerdócio obviamente é superior à ordem levítica.

 

O autor agora procura por meio de uma investida final ressaltar a presunção levítica ao recorrer a uma mudança exagerada. E, para assim dizer é a frase introdutória. A ARA a traduz da seguinte maneira: “E, por assim dizer”. De acordo com Chamberlain, esta frase “introduz uma declaração hesitante. Ela indica que o autor não gostaria de ser entendido literalmente”; portanto, não podemos interpretar esta declaração como sendo um princípio sério aplicável à transmissão do pecado original.

 

Mas encontramos aqui uma resposta final à própria resposta dos levitas, usando o tipo de argumento deles. Se pudesse ser dito que Abraão deu os dízimos a Levi por meio dos seus descendentes — por conseguinte Levi era tão grande quanto Melquisedeque — também podia igualmente ser dito que Levi pagou dízimos por meio de Abraão. Porque ainda ele estava nos lombos de seu pai, quando Melquisedeque lhe saiu ao encontro (9-10). Isto pode ser chamado de uma reductio ad absurdum (redução ao absurdo), mas certamente uma resposta desconcertante e convincente.

 

Fica evidente que o autor vincula uma grande importância à proposição de que a ordem sacerdotal de Melquisedeque é muito superior à ordem de Levi.

 

Estabelecer esta baliza polêmica significa garantir efetivamente toda sua posição, porque isto traz consigo implicações de longo alcance em relação a Cristo. O autor agora se propõe a mencionar algumas dessas implicações, e, ao fazê-lo, ele está proclamando o fim de todo o sistema levítico.

 

  1. A Antiga Ordem é Substituída pela Nova (7.11-22)

 

a) A impotência da ordem levítica (7.11). As diversas implicações terminam na questão básica da perfeição, que neste contexto é habilmente definida como uma “comunhão perfeita entre Deus e os adoradores” (NT Ampl.). Esta é uma descrição exata, visto a partir do conceptualismo do “Santo dos Santos”. Mas ela também inclui (de acordo com o conceptualismo da nova aliança) a santificação pessoal, que por si só pode prover uma base moral para esta comunhão. As duas fases são esclarecidas no devido tempo.

 

Mas agora assume-se que tal perfeição é necessária, pela sua própria natureza, tornando-se o alvo e o fim de toda religião. Qualquer sistema (incluindo o levítico) deixa de prover tal perfeição, sendo inadequado e temporário.

 

Os judeus acreditavam que o seu acesso a Deus por meio da sua adoração no Templo representava o auge das possibilidades. Mas se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico […] que necessidade havia logo de que outro sacerdote se levantasse? A lógica é irrefutável. A observação entre parênteses: porque sob ele o povo recebeu a lei, indica que Deus deu a lei aos israelitas por meio da mediação deste sacerdócio; portanto, seus sacerdotes tinham todas as oportunidades para demonstrar a eficácia salvadora do seu ministério. Era um sacerdócio divinamente ordenado, mediando e administrando uma lei divina. Será que esta combinação não seria adequada para alcançar a perfeição? Mas o anúncio de uma nova ordem prova que a antiga ordem não tinha condições de alcançar esta perfeição.

 

b) A invalidação da lei mosaica (7.12-19). Mas isto trazia consigo uma conseqüência igualmente avassaladora: mudando-se o sacerdócio (ou “se o sacerdócio é mudado”, um particípio circunstancial condicional), necessariamente se faz também mudança da lei (12). Um infere o outro. Porque aquele de quem essas coisas se dizem (i.e., Jesus) pertence a outra tribo, da qual ninguém serviu ao altar (13), nem era permitido que assim se fizesse, sob pena de morte. Que nosso Senhor procedeu de Judá é de conhecimento geral; mas concernente a essa tribo nunca Moisés falou de sacerdócio (14). Perceba aqui que o autor está falando, não acerca de Levi ou Arão, mas de Moisés. Por trás da ordem sacerdotal levítica estava a lei mosaica. Se uma ruísse, a outra ruiria junto. Se Deus tornou o sacerdócio araônico obsoleto por meio de uma nova ordem sacerdotal, também tornou obsoleto o sistema de leis do qual o sacerdócio araônico derivava sua autoridade.

 

Por mais perturbador que isso possa parecer, precisamos encará-lo, porque muito mais manifesto (incontestável) é ainda se, à semelhança de Melquisedeque, se levantar outro sacerdote, que não foi feito segundo a lei do mandamento carnal, mas segundo a virtude da vida incorruptível (15,16). Este texto (SI 110.4) mostra que o sistema mosaico não está sendo amoldado, mas destruído.

 

Duas frases nestes versículos merecem uma atenção especial: à semelhança de Melquisedeque (15) e segundo a virtude da vida incorruptível (16). A palavra semelhança (homoioteta) traz luz sobre taxin. Esta palavra tem sido constantemente traduzida por ordem na ARC, como ocorre no versículo 17: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque.

 

Mueller entende que esta palavra significa “grau” ou “posição”, e indubitavelmente o grau de Cristo suplanta o de Arão. Mas a idéia de grau não traz a idéia exata de Hebreus e ordem chega mais próximo do conceito original. Aqui o autor está evidentemente usando semelhança como sinônimo.

 

O que está sendo ensinado não é tanto uma diferença no grau, mas uma diferença radical no padrão ou tipo de sacerdócio. Por isso, ele ressalta a sua natureza não genealógica, mas, acima de tudo, a sua perpetuidade. Assim, o fato culminante, a virtude da vida incorruptível, é confrontado com a lei do mandamento carnal. Aqui está a nota central desta nova ordem, que é semelhante a do seu tipo, Melquisedeque. É por isso que a ênfase na interpretação deste capítulo não deveria ser no homem Melquisedeque, como uma personalidade histórica misteriosa, mas na ordem ou tipo de sacerdócio que ele representa.

 

Se tentarmos entender 7.3 e 7.8 literalmente como se referindo a um homem específico, acabaremos nos envolvendo em grande dificuldade. Mas, se entendermos estes versículos como que se referindo à ordem que este homem representa, as coisas se esclarecem. Devemos lembrar que o texto que tirou Melquisedeque da obscuridade e lhe deu significado doutrinário (SI 110.4) vinculava este significado somente ao seu papel como um tipo do sacerdócio de Cristo. A pessoa importante em Salmos 110.4 não é Melquisedeque mas “Tu” (Cristo). E a idéia claramente transmitida é que o Messias serviria como Sacerdote e Rei, um novo tipo de Sacerdote, substituindo e destituindo a ordem araônica, bem como um novo tipo de Rei.

 

O autor finalmente revela de maneira clara aquilo que estava implícito o tempo todo: Porque o precedente mandamento (o mandamento anterior) é ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade (18). Por meio da obra substitutiva de Cristo, a lei mosaica tornou-se inválida. O mandamento aqui corresponde à lei do mandamento carnal (16), que é carnal não no sentido de ser mau, ou de origem humana, mas no sentido que é concernente às legalidades físicas e externas, tais como as genealogias. Lei aqui seria “operação” (semelhante a ordem, 17), e, assim, a frase simplesmente significaria: “não de acordo com o padrão dessas exterioridades temporais”.

 

A ordem prescrevendo qualificações e atividades sacerdotais é anulada (substituída, revogada) por causa da sua fraqueza inerente. Ela era incapaz de fazer a obra principal no homem que precisava ser feita. Pois a lei (de Moisés, incluindo o mandamento que governava o sacerdócio) nenhuma coisa aperfeiçoou (19). Ela não trazia nenhum proveito, nem para os sacerdotes nem para o povo, nem para a adoração nem para os adoradores.

 

Temos motivos para um regozijo durável em virtude de se seguir uma das conjunções adversativas centrais na Bíblia — e desta sorte é introduzida uma melhor esperança. Neste caso, o sentido de melhor esperança é a base ou a causa melhor de esperança. Sob a antiga ordem havia a lei, que não estimulava a esperança espiritual, tanto em relação à santidade quanto ao céu. Mas por meio dessa base superior de esperança (que é Cristo) chegamos a Deus.

 

Vincent diz: “O cristianismo é a religião da boa esperança porque por meio dela as pessoas têm a oportunidade de entrar numa comunhão íntima com Deus. O antigo sacerdócio não podia realizar isto”. A esperança é um incentivo melhor para a oração do que o medo.

 

c) A inauguração de um testamento “melhor” (7.20-22). O autor continua descrevendo as implicações do seu texto (SI 110.4). Ainda existem dois pontos na sua exposição, ambos introduzidos por E (20, 23). A conclusão a ser observada nos versículos 20-22 é que Jesus foi fiador de um concerto tanto melhor. Mas o grau de superioridade está fundamentado em um simples fato, recapitulado no versículo 21, que é: aqueles foram feitos sacerdotes sem juramento (sacerdotes constituídos), enquanto Jesus não se tornou sacerdote sem prestar juramento (20).

 

O autor tem considerado a proposição principal do seu texto, mas agora explica o significado da primeira parte. Jurou o Senhor e não se arrependerá (21).

 

Esta ênfase é alcançada pelo uso de dois pronomes, hoson, visto como (20), e seu correlativo, tosouto, de tanto (22). Assim, visto como deveria ser lido junto com de tanto. Veremos que a diferença entre a ordenação sacerdotal sem juramento (horkomosias) e com juramento é fundamental. Conseqüentemente, vemos a superioridade do novo testamento sobre o antigo.

 

Na mente do autor esta diferença é grande, possivelmente devido a duas considerações: Primeiro, o elemento de caráter final na natureza de um juramento; e, segundo, a natureza daquele que fez o juramento. Não é Deus que ministra o juramento ao Filho, que nesse caso seria o Filho prometendo cumprir seus deveres; é o próprio Deus que jura, prometendo estabelecer o sacerdócio individual do Filho para sempre.

 

Tal obrigação nunca foi aceita no caso de Arão. E o concerto (testamento) mediado por um sacerdote que é assim superior deve igualmente ser superior. Por meio do juramento, Jesus tornou-se o fiador (garantia) de Deus deste concerto novo e melhor.

 

  1. A Salvação Perfeita em um Salvador Aperfeiçoado (7.23-28)

 

O último ponto que o autor ressalta do seu texto é culminante. Ele examinou as várias linhas de verdade da natureza “melquisedequeana” no sacerdócio de Cristo; agora chegou o momento de uni-las.

 

a) Um poder perfeito para salvar (7.23-25). O contraste entre o novo sacerdócio (de Cristo) e o antigo não se apóia apenas no juramento (ou na ausência dele), mas no fato inferido e confirmado pelos simples acontecimentos da história. E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque, pela morte, foram impedidos de permanecer (23), mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo (24).

 

Se Cristo vive para sempre, seu sacerdócio é para sempre — Ele “tem um sacerdócio permanente” (Mueller). Não haverá outro sacerdote que o sucederá, que continue a sua obra e talvez a leve mais adiante. Ele é o último. Por isso, seu sacerdócio é final e completo. Portanto (por isso), pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles (25).

 

O tempo presente do infinitivo sozein, salvar, corresponde ao particípio presente, vivendo sempre. Visto que sempre vive, Ele sempre pode salvar — cada pecador em cada geração e em cada situação de necessidade. Não há um exaurir dos seus recursos. O poder para salvar está nele, e porque Ele vive, o poder sempre está lá. O versículo 16 destacou a “virtude da vida incorruptível”. A natureza deste poder é agora destacada — é o poder para salvar as pessoas. A conexão entre seu poder para salvar e sua intercessão também é significativa. Ele vive com um propósito — “para advogar a sua causa” (Mueller).

 

Cristo assegura para nós não somente o livramento da sentença da morte, que nossos pecados merecem, mas da depravação da nossa natureza. A palavra perfeitamente (panteles) revela o grau deste livramento.26 Ela é completa, sem restrições. Não é uma “sentença suspensa” ou uma limpeza parcial, mas uma justificação plena (Rm 8.14).

 

Discussões subseqüentes mostrarão mais claramente que a salvação perfeita da condenação envolve a salvação de todo pecado. Além disso, este poder perfeito para salvar perfeitamente é a essência do testamento melhor — isto o autor também deixará claro.

 

Qualquer pecado no coração do crente é prova de uma salvação imperfeita, e o erro deve ser ou do Salvador ou do crente. Visto que não pode ser do Salvador, e certamente não é uma deficiência de suas promessas ou provisões, deve ser uma deficiência da apropriação.

 

Esta verdade é inferida da frase que marca a própria limitação do poder do nosso Senhor: os que por ele se chegam a Deus. Ignorar Jesus significa perder sua salvação. Sua capacidade salvadora está limitada àqueles que se achegam a Deus por meio do Calvário, mas ela não é limitada em poder naqueles que se aproximam dele dessa forma. Aqueles que continuam sendo derrotados pelo pecado ainda não chegaram da forma apropriada.

 

Esta passagem sugere: 1) Um Salvador vivo — vivendo sempre. 2) Um Salvador adequado — pode também salvar perfeitamente. 3) Um Salvador restringido — os que por ele se chegam a Deus.

 

b) Uma Pessoa aperfeiçoada que salva (7.26-28). O autor estabeleceu a posição radical e revolucionária de Salmos 110.4. Nada mais será dito a respeito de Melquisedeque, mas muito mais será dito acerca daquele a quem o Pai se dirigiu naquele pronunciamento marcante. Jesus é nosso sumo sacerdote e somente Ele é suficiente para nós porque somente Ele tem todas as qualificações exigidas. Porque nos convinha tal sumo sacerdote (26), i.e., foi exatamente apropriado para cada uma de nossas necessidades. Em que sentido?

 

Ele é santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus. Encontramos cinco marcas neste texto. As três primeiras marcas testificam das suas qualificações pessoais e caráter: santo de coração, inocente na conduta e imaculado de consciência. Mas as últimas duas falam eloqüentemente do cumprimento perfeito do seu ofício — “tendo sido separado” (particípio perfeito) dos pecadores e “tornando-se” (particípio presente, voz média) mais sublime do que os céus.

 

Esta separação provavelmente é uma referência à solidão de oito dias exigida do sumo sacerdote antes de fazer expiação uma vez ao ano no Santo dos Santos. Este aspecto é usado figuradamente aqui, porque a separação de Cristo dos pecadores era moral, não social; era vitalícia, não temporária. Contudo, a figura fala da sua aptidão plena para o ato supremo de entrar no “Santo dos Santos” a nosso favor.

 

Como conseqüência, Ele está firmado no lugar supremo de autoridade. Desta forma, estão resumidas tanto a sua humilhação quanto a sua exaltação (Is 52.13—53.12; Fp 2.9) e desta forma também está confirmada a sua divindade essencial, como cada judeu devoto perceberia (SI 108.5).

 

Por causa das suas qualificações pessoais de caráter, Ele não necessitava, como os outros sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente, por seus próprios pecados e, depois, pelos do povo (27).

 

Aqui há uma orientação segundo a qual o ritual diário de sacrifícios era um suplemento necessário para o grande Dia da Expiação por causa do pecado diário repetido, bem como a eficácia insuficiente da expiação anual. Mas a ênfase aqui é que, no tocante a Jesus, esta repetição diária era desnecessária.

 

Porque isso fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo. A palavra isso deveria ser construída com o segundo sacrifício do sumo sacerdote, i.e., para o povo, visto que o primeiro, i.e., por seus próprios pecados, não era necessário. E uma vez era suficiente, visto que o Sacrifício era ele próprio. (Cf. 9.24—10.18.)

 

Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos (28). Os hebreus já foram lembrados desse aspecto (5.1-3). A palavra fracos (“fraqueza”, ARA; astheneian) aqui, como em 4.15; 5.2 e 11.34, tem uma nuança moral e fala basicamente das fraquezas que exigiam que aqueles outros sumos sacerdotes oferecessem primeiro sacrifícios pelos seus próprios pecados. E a inclinação para o pecado, que podemos identificar como pecado original. Ter fraqueza, observa Yincent, é mais forte do que o termo fraqueza, que isolado “pode inferir somente mostras de fraqueza, enquanto ter fraqueza indica uma característica geral”.

 

Isto é o melhor que a lei pode fazer — deixar que pecadores ministrem de uma maneira confusa a pecadores — porque até a chegada de Jesus não havia outra escolha.

 

Mas a palavra do juramento, sobre a qual temos exposto, que veio depois da lei, superou-a e a tornou antiquada e constitui ao Filho, perfeito para sempre (28). O grego é elíptico aqui, mas a ARC está correta em deixar que o verbo constitui sirva para os dois casos. Literalmente, a tradução seria: “Filho, que foi aperfeiçoado”. Será que quer dizer “foi aperfeiçoado para sempre” (NT Ampl.), ou o Filho foi constituído Sacerdote para sempre porque foi aperfeiçoado? Mueller traduz este texto da seguinte forma: “… a lei (constituiu) um Filho, tendo sido aperfeiçoado para sempre”. Logicamente a perfeição de Cristo deveria ser vista como a antítese da “fraqueza”.

 

Encontramos comparações e contrastes aqui, como mostra a palavra mas. Sua superioridade como sumo sacerdote consistia, em parte, no fato de que Ele estava livre do tipo de fraqueza que desqualificava os sumos sacerdotes araônicos de um ministério sacerdotal perfeito (e, conseqüentemente, permanente). Mas não devemos fazer a antítese tão precisa a ponto de construir o tempo perfeito do particípio (tendo sido aperfeiçoado) como significando que em certa época em sua vida nosso Senhor foi liberto ou purificado da fraqueza pecaminosa.

 

Em vez disso, o conteúdo exato do seu aperfeiçoamento deve ser entendido à luz de 5.7-9. Pelo sofrimento e pela obediência Ele foi qualificado perfeitamente para ser o sumo sacerdote definitivo e eterno.

 

E evidente que o autor aos Hebreus está avançando passo a passo até o coração da obra e ministério de Cristo por nós. Suas unidades de pensamento parecem correntes entrelaçadas, salvo pelo fato de haver, com frequência, várias correntes sendo formadas simultaneamente. Observando isso de outro ponto de vista, seu desenvolvimento parece telescópico. Em cada nova seção o autor introduz uma nova verdade, que ele então destaca e elabora na seção seguinte. Foi mostrado que Cristo é superior aos anjos como Filho, superior a Moisés como Príncipe, superior a Arão como Sacerdote, superior mesmo a Abraão; e agora esta superioridade é mostrada na inauguração de uma aliança (concerto) superior.

 

 

 

Por: Evangelista Isaias Silva de Jesus (auxiliar)

 

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

 

Bibigrafia

 

COMENTARIO BIBLICO BECON HEBREUS A APOCALIPSE

 

A compaixão do Seu sacerdócio

 

Introdução

 

Os ministérios do nosso Senhor Jesus Cristo como Profeta, Sacerdote e Rei são a chave para o propósito da encarnação. Seu ministério profético se ocupava com a revelação da mensagem de Deus; o ministério sacerdotal está relacionado com a Sua obra intercessora; Seu ministério real Lhe dá o direito de reinar sobre Israel e toda a Terra. Toda a intenção Divina destes três ministérios históricos atingiram, perfeitamente, seu ponto culminante no Senhor Jesus Cristo.

 

Como Profeta

 

O profeta era a voz através da qual Deus falava à humanidade. Ao ser estabelecido o ministério profético em Deuteronômio 18:15-18, já se almejava seu cumprimento final no Senhor Jesus Cristo. Quando Ele veio, Ele plenamente revelou o Pai ao povo. “Esse O revelou” (Jo 1:18).

 

Como Rei

 

Em Gênesis 49:10 Jacó profetizou que o Messias viria da tribo de Judá e reinaria como rei. No Salmo 2:6 Deus anunciou que Seu Filho seria estabelecido como Rei em Jerusalém. O Salmo 110 indica que, como rei, Ele dominaria, subjugaria e reinaria sobre os Seus inimigos: “Disse o Senhor ao Meu Senhor: Assenta-Te à Minha direita, até que ponha os Teus inimigos por escabelo de Teus pés” (Sl 110:1).

 

Como Sacerdote

 

Enquanto o profeta revelava Deus ao homem, o sacerdote representava o homem diante de Deus. Antes dos tempos de Moisés, o chefe da família oferecia os sacrifícios. Nos dias de Abraão o sacerdote era o pai ou o membro mais velho da família. Historicamente, quando a família crescia e formava uma tribo, o cabeça, além de sacerdote, se tornava rei; assim ele era o sacerdote/rei da sua tribo. Quando as doze tribos cresceram e formaram a nação de Israel, que Deus libertou da escravidão, o sacerdócio foi criado através de Arão, da tribo de Levi, que veio a ser o sacerdócio levítico, administrando a ordem de ministério sacrificial como definido por Deus.

 

Mais tarde outra família, a linhagem de Davi, seria separada para ser a família real. Nenhum rei poderia ser sacerdote, embora pudesse ser profeta. Nenhum sacerdote poderia ser rei, embora pudesse também ser profeta. Entretanto, o Senhor Jesus ocupará as três posições eternamente.

 

Enquanto Ele as mantém eternamente, Ele desempenha os ministérios cronologicamente. Como profeta Ele é visto durante o Seu ministério público (Jo 1:18). Sua posição como profeta é mencionada em João 4:44: “Porque Jesus mesmo testificou que um profeta não tem honra na sua própria pátria”. No Seu primeiro advento, Ele foi apresentado como Rei: “Onde está aquele que é nascido Rei dos judeus?” (Mt 2:2). Entretanto Ele foi rejeitado como Rei: “Não temos rei, senão César” (Jo 19:15). No Seu segundo advento Ele será reconhecido como Rei, e oficiará como tal (Mt 25:35-45). No presente Ele mantém e atua como Sumo Sacerdote: “chamado por Deus Sumo Sacerdote”. (Hb 5:10)

 

Seu sacerdócio contrastado

 

O escritor aos Hebreus mostra com clareza que o sacerdócio de Cristo está em contraste absoluto com o sacerdócio de Arão. Estes contrastes são claramente traçados, e embora não haja oportunidade para ampliação nesta publicação, vale a pena destacá-los para um posterior estudo pessoal.

 

A partir de Hebreus 7:21 vemos que o sacerdote do Velho Testamento tornou-se sacerdote “sem juramento”, enquanto Cristo tornou–Se sacerdote por um juramento (Hb 7:20-21). O sacerdócio da antiga ordem consistia em “muitos sacerdotes” (Hb 7:23), mas a palavra do Senhor para Ele é: “Tu és sacerdote eternamente” (Hb 7:21), fazendo-O o único Sacerdote eterno, e removendo a necessidade de um sacerdócio operando perante Deus a favor do povo. A morte impedia o desempenho prolongado dos sacerdotes da ordem de Arão (Hb 7:23). Isto levou a um sacerdócio marcado por mudanças contínuas.

 

O contraste com Cristo é glorioso, porque Ele permanece para sempre. “Mas Este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo” (Hb 7:24).
As limitações que caracterizavam os sacerdotes do Velho Testamento acabaram; o sacerdócio de Cristo é ilimitado, e já que Ele vive para sempre, pode salvar eternamente (Hb 7:25). O pecado causava a contaminação constante do sacerdote do Velho Testamento, e consequentemente exigia contínua purificação pessoal: “primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo” (Hb 7:27). Cristo, no entanto, é “santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores” (Hb 7:26).

 

Seu sacrifício é singular e tem um efeito permanente: “porque isto fez Ele, uma vez, oferecendo-Se a Si mesmo” (Hb 7:27). O primeiro sacerdócio era composto de homens que eram sujeitos à enfermidade e, portanto, fracos, mas Ele é o Filho de Deus “que é perfeito para sempre” (Hb 7:28). O serviço do sacerdote do Velho Testamento era desempenhado como “exemplo e sombra das coisas celestiais” (8:5), e eles serviam num tabernáculo terrestre erguido por homens (8:5). Cristo, em contraste, entrou no verdadeiro tabernáculo que “o Senhor fundou” e realiza o Seu ministério à destra do trono da “majestade nos céus” (8:1-2). O sacerdócio do Velho Testamento, não importa quão correto e glorioso, não podia alcançar o propósito final de Deus para ele. Como resultado, um “outro sacerdote” precisa substitui-lo (7:17).

 

Agora que Cristo veio, foi providenciado um sacerdócio e sacrifício melhor, e um meio melhor para que o cristão possa se aproximar de Deus e chegar-se ao trono da graça através do sangue de Cristo. Neste novo e melhor concerto vemos a habilidade salvadora do novo Sacerdote: “E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque pela morte foram impedidos de permanecer, mas Este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo. Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7:23-25).

 

No sacerdócio de Arão, cada sacerdote tinha um final definitivo para o seu serviço, causado pela sua própria morte: “E Moisés despiu a Arão de suas vestes, e as vestiu em Eleazar, seu filho; e morreu Arão ali sobre o cume do monte” (Nm 20:28). Josué 24:33 diz: “Faleceu também Eleazar, filho de Arão” (Josefo menciona 83 sumo sacerdotes diferentes, começando com Arão e indo até a destruição do Templo em 70 a. D.). Assim não havia sacerdotes permanentes e duradouros. A glória do novo sacerdócio é que ele é eterno. A linhagem de Arão era mutável, transitória, temporal, interrupta e transferível. Em contraste, o sacerdócio de Nosso Senhor Jesus Cristo é imutável, inalterável, ininterrupto e intransferível. Portanto, Ele é capaz de realizar aquilo que o sacerdócio do Velho Testamento nunca pôde. Ele é capaz de remover o pecado pelo Seu Sacrifício perfeito, e a aplicação do sacrifício permanece para sempre devido à Sua vida infinita.

 

Em 7:15-17 o escritor declara que o sacerdócio de Cristo não se assemelha à ordem Levítica, mas à ordem de Melquisedeque. A razão disso é que o sacerdócio de Cristo não está baseado no mandamento carnal, e sim no poder da Sua vida ressurreta eterna.

 

Este é o fato sendo estabelecido pelo escritor, ao associar o sacerdócio de Cristo com o de Melquisedeque — que a pessoa que abençoou Abraão não teve princípio nem fim registrados e, no entanto, ele era um “sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14:18).

 

Assim o sacerdócio de Cristo não está confinado à ordem terrestre do concerto de Moisés. Não é temporal, nem é uma sombra, mas a própria realidade: “Os quais servem de exemplo e sombra das coisas celestiais, como Moisés foi divinamente avisado, estando já para acabar o tabernáculo; porque foi dito: Olha, faze tudo conforme o modelo que no monte se te mostrou. Mas agora alcançou Ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de uma melhor aliança que está confirmada em melhores promessas” (8:5-6).

 

Seu sacerdócio comparado

 

No final de Hebreus 6 e no cap. 7 o escritor retoma sua exposição sobre o assunto do sacerdócio, e reintroduz Melquisedeque e sua comparação com o Filho de Deus (7:1). A descrição definitiva deste homem vem no final do v. 3: “permanece sacerdote para sempre”, e se refere à descrição dele, tipicamente, em relação ao Senhor Jesus. Sabemos muito pouco deste homem além da narrativa de Gênesis 14. Abraão ou o reconheceu como alguém que adorava o Deus Altíssimo, ou ouviu falar dele através de outros, porque ele ofereceu livremente o dízimo dos seus despojos de guerra, e isso indica algum contato ou conhecimento prévio.

 

Abraão recebeu o alimento e a bênção deste sacerdote depois da sua vitória, e logo em seguida Melquisedeque desaparece da história. Ele é o primeiro a ser chamado de sacerdote nas Escrituras. Precisamos afirmar cuidadosamente que seria enganoso tomar como literal a descrição da genealogia de Melquisedeque, no v. 3. O significado da afirmação é que não há registro de pai e mãe. No importante registro das genealogias do sacerdócio não haveria menção deste nome. Obviamente ele tinha ascendência natural, e por isso não deve ser considerado uma pessoa miraculosa e misteriosa; mas sim que sua genealogia não é encontrada no registro do sacerdócio levítico. Talvez ajude destacar que, embora já sugerido, a aparição de Melquisedeque em Gênesis 14 não é uma Teofania. (“Teofania” é o nome dado a uma aparição do Senhor Jesus Cristo aqui na Terra antes da Sua encarnação). (N. do E.).

 

O escritor aos Hebreus declara: “Considerai, pois, quão grande era este” (Hb 7: 4). Um dos requisitos para ser sacerdote era a necessidade de ascendência humana.

 

Isto é um argumento forte contra esta aparição ser o Cristo pre-encarnado. Outra razão por não ser Cristo é que no Velho Testamento, Teofanias vinham e iam. Davam a mensagem e não ficavam na Terra permanentemente para oficiar como sacerdote ou rei. Este homem, quem quer que fosse, é mencionado como sendo o rei de Salém (Jerusalém). Quando as Escrituras comparam Cristo com o sacerdócio de Melquisedeque, lemos: “… feito semelhante ao Filho de Deus” (7:3).

 

O que é enfatizado nas Escrituras são algumas semelhanças paralelas no ministério, mas não na natureza do seu ser. Assim, desta maneira ele era um tipo de Cristo no seu papel mediador, mas não era o próprio Cristo. O autor contrasta os dois sacerdócios. O Senhor Jesus não serviu como sacerdote na Terra porque Ele não era da tribo de Levi, e sim de Judá: “Visto ser manifesto que nosso Senhor procedeu de Judá, e concernente a essa tribo Moisés nunca  falou de sacerdócio” (7:14).

 

De novo em 8:4: “Ora, se Ele estivesse na terra, nem tampouco sacerdote seria, havendo ainda sacerdotes que oferecem dons segundo a lei”. Como já vimos no Velho Testamento o sacerdote tinha que ser um descendente de Levi. Os sumo sacerdotes que oficiavam perante Deus tinham que ser descendentes de Arão, bisneto de Levi. Para ser um sacerdote da ordem de Arão era necessário traçar seus ancestrais até Arão, mas ser um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque era por nomeação Divina. Esse sacerdócio visto tipicamente e simbolicamente em Melquisedeque é cumprido essencialmente no Filho de Deus. Não faria mal algum usar esta verdade como confirmação da eterna Filiação de Cristo. Da Sua relação de Filho com o Pai não há princípio nem fim, nem há qualquer pensamento de sujeição ou inferioridade no Seu eterno relacionamento de Filho com o Pai.

 

O Senhor Jesus Se tornou um eterno sacerdote “segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 110:4; Hb 5:6; 6:20 ; 7:11, 17, 21). Ele é o eterno Filho que uma vez morreu, foi ressuscitado e continua para sempre no Seu sacerdócio, baseado na “virtude da Sua vida incorruptível” (7:16).

 

Portanto, Sua função de mediador na ordem do sacerdócio de Melquisedeque é superior. Este novo sacerdócio é baseado na promessa: “e visto como não é sem prestar juramento (porque certamente aqueles, sem juramento, foram feitos sacerdotes, mas Este com juramento por aquele que Lhe disse: Jurou o Senhor, e não Se arrependerá; Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque)” (7:20-21), e também baseado nEle como aquele que o pode garantir como o Mediador do Novo Concerto (7:22-28).

 

Este é um sacerdócio perfeito que permanece para sempre. Diferente do antigo que mudava, este é administrado pelo eterno Filho de Deus para todos aqueles que estão na casa de Deus (9:15-10:21). Enquanto os sacerdotes Levitas ministravam somente a uma nação, o sacerdócio de Melquisedeque ministra a todos. Melquisedeque também prefigurava o Senhor Jesus, em que seus títulos se referem a Cristo como Rei de justiça e de paz (7:2).

 

Seu sacerdócio contínuo

 

O Senhor Jesus, como Filho de Deus, e em conformidade com a glória na qual Ele entrou através dos Seus sofrimentos e morte, está elevado muito acima dos anjos. Era necessário que Ele passasse por sofrimentos e morte conforme o plano divino.

 

Pelos Seus sofrimentos e morte Ele glorificou o Pai; Ele aniquilou o pecado; Ele aboliu a morte; Ele destruiu o poder do diabo (Hb 2:14-15), e está coroado de glória e de honra: “Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos” (Hb 2:9).

 

O sacrifício para serviço

 

O Senhor Jesus ofereceu-Se a Si mesmo a Deus para ser, sobre a cruz, um sacrifício pelo pecado. O escritor aos Hebreus compara o sacrifício e ministério de Cristo com o dos sacrifícios e serviços levíticos.

 

Cristo como Sacrifício e Sumo Sacerdote enche o livro. Tipo e antítipo, sombra e realidade, se misturam para mostrar a natureza do sacrifício redentor de Cristo e Seu ministério sumo sacerdotal que segue. O Senhor Jesus veio à Terra para efetuar uma obra completa. Antes da cruz Ele declarou: “Eu glorifiquei-Te na terra, tendo consumado a obra que Me deste a fazer” (Jo 17:4).

 

Para enfatizar o caráter final do Seu sacrifício, o escritor aos Hebreus usa a frase: “pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez” (10:10). O sacrifício de Cristo cumpre e substitui todos os sacrifícios típicos. O sacrifício de Cristo de Si próprio é a dádiva da Sua vida pela humanidade. Este sacrifício é tão eterno quanto Ele mesmo.

 

Não pode ser repetido. Em contraste com os sacrifícios levíticos, este sumo sacerdote não necessitava “como os sumo sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez Ele, uma vez, oferecendo-Se a Si mesmo” (7:27). O sacerdote levítico se apresentava para oferecer continuamente, sua obra era inconclusa e incompleta. Desde o sacrifício matinal até o sacrifício da tarde havia contínuo derramamento de sangue e carcaças consumidas pelo fogo. Aqueles sacrifícios apontavam para o futuro, para o verdadeiro sacrifício pelo pecado, para a verdadeira expiação que seria feita de uma vez por todas por Cristo na cruz. Nele temos um sacrifício que muito transcende o sacrifício de animais, pois incluiu o próprio Filho de Deus. Na cruz Ele foi o verdadeiro cordeiro pascal.

 

Ele entrou no santuário celeste, na presença do Pai em virtude do Seu sangue, tendo obtido para nós uma eterna redenção. Cristo, uma vez, levou os pecados do homem, na cruz. Ele não os leva mais. “Levando Ele mesmo em Seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro” (I Pe 2:24).

 

O caráter final da obra redentora de Cristo não deixa espaço para dúvidas ou argumentos. Seu sacrifício é a solução para a questão do pecado. Ele não é uma de muitas soluções, Ele é a única solução. Ele não é um aspecto da verdade, nem um ramo das religiões do mundo. Ele é a Verdade. Sua obra sacrificial é uma verdade totalmente abrangente, inclusiva e incomparável: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4:12). O caráter final da obra redentora de Cristo para a redenção do homem é a grande verdade central das Escrituras. Todas as outras verdades são influenciadas por este tema.

 

A alma pecadora pode ser redimida unicamente através da obra que Cristo realizou sobre a cruz. A cruz estava sempre diante dEle, por isso lemos em Hebreus 10:5: “Entrando no mundo diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo Me preparaste”. A cruz era a Sua hora designada. Em diversas ocasiões anteriores ao jardim, os homens procuraram matá-lO, mas não puderam, porque “ainda não era chegada a Sua hora” (Jo 7:30). Mas quando a Sua hora designada chegou, nada podia impedir a imolação do sacrifício. A base da obra de Cristo como Sacerdote é o Seu sangue derramado. O Novo Testamento sempre retrata o sangue de Cristo como tendo qualidades redentoras positivas.

 

Enquanto o sangue de homens e de animais é corruptível, o sangue de Cristo, de modo algum, se corrompe. Ele é absolutamente fundamental na obra de salvação.

Por exemplo, ele purifica: “E o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (I Jo 1:7). Ele justifica: “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3:24)1. Ele reconcilia: “Havendo por Ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dEle reconciliasse consigo mesmo todas as coisas” (Cl 1:20). Ele redime: “Em quem temos a redenção pelo Seu sangue, a remissão das ofensas” (Ef 1:7). Ele Santifica: “Jesus, para santificar o povo pelo Seu próprio sangue, padeceu fora da porta” (Hb 13:12).

 

Assim entendemos que o sangue de Cristo é a moeda corrente do Céu.
O pecador não pode apelar para qualquer outra coisa, pois não há nada mais disponível. O homem pode apelar a Deus somente pelos méritos do sangue de Cristo e Seu sacrifício perfeito. O cristão nada tem em si mesmo para oferecer.

 

O alcance do serviço

 

A função primária de um sumo sacerdote é mediar entre o homem e Deus. A necessidade desta obra surgiu por causa da separação resultante do pecado. A tentação de Satanás no Jardim do Éden resultou na desobediência e na queda do homem. Na pessoa do Seu Filho Deus estendeu a Sua mão e procurou restaurar o homem a Si. Esta reconciliação somente pode ser realizada através da obra reconciliatória de Cristo, que fez a paz pelo sangue da Sua cruz: “E que, havendo por Ele feito a paz pelo sangue da Sua cruz, por meio dEle reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus” (Cl 1:20). A graça reconciliadora de Deus é operada somente através de Cristo. Como vimos, a obra sacrificial de Cristo é completa e forma a base da Sua contínua obra sacerdotal.

 

Qual é o alcance do presente serviço sumo sacerdotal de nosso Senhor Jesus Cristo? Visto que Ele é um Sacerdote para sempre, é importante entender a obra sacerdotal que Ele continua a realizar. Não pode ser sacrifício, pois esta obra foi completada de uma vez por todas.

 

Entretanto, o efeito daquela obra é contínuo; Cristo entrou no Seu ministério Sumo Sacerdotal no poder da Sua obra sacrificial, e em relação ao cristão, a aplicação da obra redentora é realizada no serviço contínuo de Cristo no Céu. Cristo não sacrifica mais, mas intercede: “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7:25).

 

O sentido literal da palavra interceder é “passar entre”. Indica a mediação entre dois grupos, tendo em vista reconciliar divergências. No Novo Testamento a palavra significa toda forma de ação em nome de outros, mas enfatiza a súplica pelo favor de Deus para com o homem.

 

Em João 17:9-20 temos uma visão desta obra, quando o Senhor Jesus orou antes de entrar no jardim: “Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que Me deste, porque são Teus. E todas as Minhas coisas são Tuas, e as Tuas coisas são Minhas; e nisso Sou glorificado. E Eu já não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e Eu vou para Ti. Pai santo guarda em Teu nome aqueles que Me deste, para que sejam um, assim como nós. Estando Eu com eles no mundo, guardava-os em Teu nome. Tenho guardado aqueles que Tu Me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse. Mas agora vou para Ti, e digo isto no mundo, para que tenham a Minha alegria completa em si mesmos. Dei-lhes a Tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como Eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como Eu do mundo não sou. Santifica-os na Tua verdade; a Tua Palavra é a verdade.

 

Assim como Tu Me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo.
E por eles Me santifico a Mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade. E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em Mim”. Estas palavras mostram algo do coração de Cristo em favor dos Seus, e são um lindo exemplo da Sua obra intercessora.

 

Vemos também o trabalho intercessor de Cristo enquanto Ele estava na Terra. No cenáculo, em relação a Simão: “Mas Eu roguei por ti” (Lc 22:32). Este exemplo na experiência de Pedro mostra Sua atuação em nosso favor em relação a Satanás. Se Satanás tivesse livre curso, ele destruiria e arruinaria completamente o filho de Deus na Terra. Se dependesse da nossa força, logo cairíamos. Mas Ele sabe, Seus olhos observam o inimigo assim como velam sobre nós. Ainda é assim conosco, Ele intercede por nós mesmo antes que o maligno possa se aproximar, e assim podemos sair vitoriosos do conflito. Seu pedido para que o Consolador fosse enviado (“E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador”, Jo 14: 16), demonstra o Seu interesse na nossa proteção espiritual.

 

Duas outras passagens em Hebreus revelam alguns dos benditos detalhes sobre a presente obra sacerdotal do Senhor Jesus em nosso favor. “Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel Sumo Sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo”.

 

Porque naquilo que Ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são [‘estão sendo’, JND] tentados” (Hb 2:17-18). “Visto que temos um grande Sumo Sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hb 4:14-16). A primeira passagem nos fala da propiciação que Ele fez pelos pecados do Seu povo.

 

Ele sofreu, sendo tentado, e esta é a base do Seu serviço de intercessão.
A passagem do cap. 4 nos diz como Ele foi equipado, enquanto esteve na Terra, para este grande ofício. Enquanto esteve aqui, Ele foi tentado em todos os pontos, assim como nós somos, mas sem pecado. Ele nunca poderia ser tentado pelo pecado interior, pois nEle não há pecado. Ele passou por toda dificuldade possível que um homem poderia enfrentar na Terra, com exceção do pecado. Agora Ele pode ser o fiel e misericordioso Sumo Sacerdote, e como tal compreender todas as nossas dores e provações. Ele se compadece conosco nos nossos conflitos e dificuldades.

 

Todavia, Ele não intercede pela carne, nem se compadece com o pecado. Pela Sua intercessão misericordiosa e ininterrupta no santuário Ele nos sustenta individualmente na senda da vida. Ele nos dá forças para suportar, pois se não fosse pela Sua intercessão, haveríamos de cair pelo caminho. Com a provação vem a força para suportá-la, porque o grande Sumo Sacerdote vive e intercede. Ele sabe tudo sobre as nossas circunstâncias, e na ternura do Seu amor e na força do Seu poder, Ele nos toma nos Seus braços amorosos sempre que as provações e tribulações nos sobrevêm. Ele é o nosso representante perante Deus, e estamos eternamente no Seu coração.

 

Devido ao ministério sumo sacerdotal de Cristo, todo cristão pode ter plena confiança e certeza ao se aproximar a Deus. Não há nada que possa impedir o cristão de entrar na presença de Deus. A compreensão de que Cristo tem se identificado plenamente com as fraquezas da nossa humanidade é um incentivo para virmos a Deus. Como em Hebreus 4:14-16:

 

“Visto que temos um grande Sumo Sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão.

 

Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno”. Adicionalmente, a apreciação de que Cristo abriu para sempre a entrada, pelo sacrifício de Si mesmo, é um incentivo para virmos a Deus: “Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus” (Hb 10:19).

 

A compaixão do serviço

 

Assim, vimos que o Senhor Jesus, nosso grande Sumo Sacerdote, foi selecionado de entre os homens. Ele era o único por meio de quem a obra de reconciliar o homem com Deus poderia ser realizada. Em segundo lugar, vimos a Sua obra sacrificial que foi plenamente aceitável a Deus. Terceiro, vemos Seu trabalho como advogado a nosso favor perante Deus. Não havia outro que pudesse assumir a nossa causa. Por natureza somos pecadores perdidos, merecendo unicamente a condenação, não assistência. Mas Ele se dispôs a nos representar diante de Deus.

 

Quarto, vemos Cristo na Sua obra de compaixão, exercendo um ministério de comiseração e incentivo. Embora possa não estar evidenciado no Velho Testamento, um sacerdote piedoso iria mostrar compaixão e compreensão para com aqueles que a ele viessem trazendo sacrifícios pelos seus pecados. O Senhor Jesus no presente intercede pelo Seu povo.

 

Num sentido, Sua obra é completa, mas Ele ainda tem um ministério sacerdotal contínuo de intercessão. Ele intercede por nós! Ele está à destra de Deus a nosso favor. “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7:25).

 

Também, temos um sacerdote que Se compadece conosco nas nossas provações. Quando tentamos compartilhar os sentimentos  de outros que estejam sofrendo, somos limitados, porque talvez não temos provado aquela provação específica pela qual eles estão passando. Entretanto, o Senhor Jesus entende cada provação pela qual o Seu povo passa, e pode condoer-se conosco:

 

“Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb 4:15). O escritor aos Hebreus usa um duplo negativo para enfatizar a verdade positiva da declaração feita neste versículo. Nós temos, sim, um Sumo Sacerdote que conhece, sim, os sentimentos do Seu povo e é tocado por eles. Ele compreende a nossa situação porque esteve aqui, foi testado e provado como nós somos, a não ser pelo pecado.

 

Ao lermos os relatos da Sua vida aqui na Terra nos Evangelhos, vemo-lo à sós, cansado da jornada, com fome e com sede. Ele foi odiado, rejeitado, zombado, caluniado e desprezado por muitos. Ele conheceu a pobreza, provou a dor e chorou junto a uma sepultura. Oh! Quão capacitado Ele é para ter compaixão de nós quando passamos pelas provações da vida. Aqui na Terra Ele conheceu toda dificuldade possível, com exceção do pecado. Ele conhece todos os nossos conflitos e problemas aqui no mundo.

 

Pela Sua intercessão misericordiosa e ininterrupta no santuário, Ele nos preserva, individualmente, no caminho da vida. Se não fosse por aquela intercessão, cairíamos pelo caminho. O povo de Deus, muitas vezes, teme as tribulações, dificuldades, perdas e desgraças que possam vir. E não raramente aquilo que tememos acontece, mas com a tribulação, com a perda, vem a força para suportar tudo. Isto é porque o Grande Sumo Sacerdote vive e intercede. Ele conhece tudo e em todos os momentos e circunstâncias, Ele é o nosso representante diante de Deus. Ele sabe que somos como os discípulos: pobres, fracos, pecadores e ignorantes, e nos trata como os tratou.

 

Ele os amava, velava sobre eles com paciência incansável; orava por eles para que a sua fé não desfalecesse e compreendia as fraquezas da sua carne. Como nosso Sumo Sacerdote, Ele é cheio de terna compaixão. Ele tem uma compreensão perfeita, tendo provado as variadas emoções e sentimentos que nós temos. Ele sabe o que é para uma alma estar entristecida e sobrecarregada. Portanto, podemos vir a Ele esperando plena, terna e profunda compaixão. Podemos ser fortalecidos e confortados, sarados e restaurados. Ele receberá o crente pobre, ferido e banhado em lágrimas, enxugará as suas lágrimas e dirá a nós como disse a Paulo: “A Minha graça te basta” (II Co 12:9).

 

Ele conhece, e de fato permite, nossos tempos de necessidade, para que possamos clamar e receber misericórdia e achar graça para sermos ajudados (Hb 4:16). Ele enviará socorro oportuno antes de sucumbirmos às enfermidades e tentações que vêm sobre nós.

 

O trono de Graça está acessível e Ele é quem não permitirá que sejamos tentados acima do que podemos suportar. Ele enviará o livramento da provação no momento certo, quando o propósito da provação tiver sido cumprido, tudo por causa da Sua obra de compaixão como Grande Sumo Sacerdote.

 

Ele é nosso Grande Sumo Sacerdote, continuamente perante o Pai. Todo o socorro que necessitamos está disponível, o trono de Deus está acessível. Que possamos ir a Ele com ousadia. É interessante que esta exortação é dada depois que o escritor nos fala do ministério sumo sacerdotal de Cristo. O fato que Ele intercede por nós nunca deveria fazer-nos negligenciar a oração. O fato bendito do interesse amoroso do Senhor por nós e por nossas vidas neste presente século mau, cercados de perigos e toda sorte de males, será um grande incentivo a nós na nossa vida de oração. Suas orações deveriam nos motivar a orar. Podemos ir ao Pai e contar-Lhe tudo que nos perturba. Ele Se interessa por nós e conhece os sentimentos dos nossos corações; portanto podemos ir a Ele em oração. Ele Se deleita em nos ouvir; Seu ouvido está sempre aberto.

 

Se ficarmos cansados e afadigados na obra do Senhor, podemos contar isto a Ele. Se nos sentimos solitários e incompreendidos, ou se os dardos inflamados do inimigo são lançados contra nós, podemos nos recorrer à Sua presença em oração. Que maravilhoso Grande Sumo Sacerdotenós temos. Em que ministério Ele está engajado por nós! Ele morreu  por nós, oferecendo o Seu sangue a Deus para expiar os nossos pecados, e agora, tendo nos trazido à fé, Ele exerce um ministério contínuo a nosso favor.

 

Há uma linda figura deste ministério sumo sacerdotal de Cristo nas vestes do sumo sacerdote do Velho Testamento. Nos seus ombros havia duas pedras de ônix, e em cada uma delas estavam gravados os nomes de seis das tribos. Ele os levava nos seus ombros, que é o lugar de força, até a presença do Senhor (Êx 28:9-12). Também fazia parte do seu traje oficial, um peitoral com doze pedras preciosas.

 

Cada uma destas tinha gravado nela o nome de uma tribo, e eram carregadas pelo sacerdote sobre o seu peito, próximo ao centro das suas afeições, quando ele comparecia perante o Senhor (Êx 28:15-29). Que figura maravilhosa das atividades do nosso Grande Sumo Sacerdote. Ele carrega os nossos fardos e nos leva junto ao Seu coração. O fato destes nomes serem gravados é precioso; se estivessem somente escritos poderiam ser apagados. Mas estavam gravados, e nunca poderiam ser apagados. Quão bendita é a verdade da nossa segurança.

 

O desafio do Seu sacerdócio

 

Quando o escritor aos Hebreus termina o seu argumento quanto à superioridade de Cristo, ele apresenta sua exortação final do livro. A seção a partir de 10:19 desafia o leitor quanto à sua responsabilidade ao Cristo que é superior. Há um Homem na glória; o cristão tem um Grande Sumo Sacerdote na presença de Deus. Com isso em mente, podemos assim exercer ousadia (confiança) ao entrarmos no santuário. O cristão tem liberdade para entrar no santuário, que é a presença de Deus, onde Cristo está assentado à destra do Pai.

 

Esse acesso tornou-se possível “pelo sangue de Jesus” (Hb 10:19), e somos instados a fazer uso dele. O dom é grande demais, e o preço pago alto demais, para deixarmos de aproveitar e entrar. Muitas vezes falhamos ao não aproveitarmos dos privilégios que temos em Cristo. Há o perigo de negligenciarmos os benefícios da morte de Cristo e vivermos no nível da cristandade  cultural. Um caminho vivo foi aberto, que é novo no sentido que acesso a Deus como este nunca foi conhecido antes da entronização de Cristo à destra de Deus. O acesso está disponível, o Sumo Sacerdote está a postos (10:21), e isto traz as seguintes responsabilidades.

 

Cheguemo-nos (10:22)

 

Somos convidados a usar o caminho de acesso que Cristo tornou disponível. Aqueles que se chegam são descritos como tendo um “coração sincero, em plena certeza de fé, tendo os corações purificados de uma consciência má, e lavados os corpos com água pura” (Hb 10:22, VB). Aqueles que foram purificados interiormente e que demonstram esta purificação externamente foram capacitados a se chegar.

 

Retenhamos (10:23)

 

Chegar a Deus possibilita ao cristão apegar-se ou reter. O incentivo é para que retenhamos a confissão da nossa esperança. Nossa vida e proceder, como cristãos, são destacados. Sabemos que temos entrada ao Santo dos Santos, mas esta exortação irá afetar o nosso andar no mundo.

 

De fato, já que Cristo ressuscitou dentre os mortos, podemos reter a nossa esperança sem vacilar, e a razão pela qual podemos fazer isso é que aquele que prometeu é fiel.

 

Consideremo-nos uns aos outros (10:24,25)

 

Consideração mútua leva a benefício mútuo. Esta consideração é para encorajar uns aos outros, para que as melhores qualidades sejam evidenciadas. O resultado benéfico desta exortação é que o cristão ficará feliz em estar presente onde e quando os outros cristãos se reúnem, e esta comunhão não será abandonada. Este incentivo mútuo não pode acontecer se os cristãos negligenciam as reuniões. Incentivo requer um contato pessoal; temos que estar presentes para encorajar. O perigo na igreja primitiva era que alguns estavam deixando o ajuntamento dos santos para retornar à sinagoga judaica. A igreja sabe, desde o pricípio, que estar juntos é uma parte vital da sua habilidade de funcionar, e ao nos aproximarmos do final da era da Igreja, tanto mais importante se torna estarmos juntos, encorajando uns aos outros.

 

O fato de termos um Grande Sumo Sacerdote não é uma verdade apenas para o Lugar Santíssimo; somos responsáveis por controlar nos sas vidas à luz deste grande fato.

 

Ofereçamos sempre … a Deus sacrifício de louvor (Hb 13:15)

 

“Portanto, ofereçamos sempre por Ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o Seu nome”. O Senhor Jesus na qualidade de nosso Grande Sumo Sacerdote apresenta a Deus nossos sacrifícios espirituais. Apresentamos a Deus, através do Senhor Jesus Cristo, nossa adoração, nossos louvores e nossas orações. Elas são um tanto incompletas e imperfeitas, mas ao serem apresentadas a Deus por Ele, elas são aceitáveis a Deus, e por esta razão são um prazer para Ele. Portanto, não sejamos mesquinhos com nossas ofertas.

 

Conclusão

 

“Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus” (Hb 4:14). Realmente não sabemos plenamente quanto devemos à bendita e preciosa obra presente do nosso Senhor na glória. Que revelação bendita será quando conheceremos como somos conhecidos, quando contemplaremos as nossas vidas passadas e perceberemos o que a intercessão do Senhor Jesus Cristo realizou por nós e por todos os santos de Deus.

 

http://www.palavrasdoevangelho.com

 

 

 

Jesus Perfeito Sumo Sacerdote

Jesus é descrito de vários modos nas Escrituras. Ele é o bom pastor, o Pastor Supremo (João 10:11; 1 Pedro 5:4), Rei (Apocalipse 19:16; Atos 2:29-36), profeta (Deuteronômio 18:17-19; Atos 3:22-23; Lucas 13:33), Mediador (Hebreus 8:6) e salvador (Efésios 5:23). Cada uma destas descrições salienta alguma função que Jesus desempenha no plano da salvação. Talvez a mais completa descrição de Jesus com respeito a sua obra redentora seja a de sumo sacerdote.

O Velho Testamento nos ajuda a entender a obra de um sumo sacerdote. O sumo sacerdote levita agia como representante dos homens, entrando na presença do Senhor para oferecer sangue em benefício dos homens pecadores. Em nenhum outro lugar esta função é ilustrada mais vividamente do que nos eventos do Dia da Expiação. Neste dia, o décimo dia do sétimo mês de cada ano, o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos do tabernáculo para fazer expiação pelos seus próprios pecados e pelos do povo.

Levítico 16 descreve o que era feito neste dia. O sumo sacerdote, depois de lavar seu corpo e vestir as vestes santas, punha um incensário cheio de incenso no Santo dos Santos para formar uma nuvem sobre o propiciatório. O Santo dos Santos era a menor das duas salas dentro do tabernáculo. A arca da aliança ficava localizada nesta sala e era ali que Deus se encontrava com o homem. A cobertura da arca da aliança era chamada de propiciatório. Dois bodes eram escolhidos como oferenda pelo pecado e sortes eram lançadas sobre eles. Um bode teria que ser morto e oferecido ao Senhor em benefício do povo; o outro seria um bode emissário. Um novilho era selecionado também como uma oferenda pelo sumo sacerdote e sua família.

O sumo sacerdote matava o novilho fora do santuário propriamente e levava um pouco de sangue do novilho para dentro do Santo dos Santos, onde aspergia-o sobre o propiciatório. Em frente do propiciatório ele aspergia sangue, com o dedo, sete vezes, para fazer expiação por seus próprios pecados e os de sua família. A nuvem de incenso na sala protegia-o de ver o Senhor e morrer como consequência. Ele, então, matava o bode selecionado por sorte para ser a oferenda e levava um pouco de sangue para dentro do Santo dos Santos, mais uma vez espalhando o sangue em cima e na frente do propiciatório, para fazer expiação pelos pecados do povo. Depois, o bode vivo era levado para o deserto e solto, levando embora consigo os pecados do povo. Os corpos do novilho, do bode e de um carneiro oferecido como holocausto eram totalmente queimados.

O livro de Hebreus declara que Jesus também é um sumo sacerdote (Hebreus 2:17; 3:1; 4:14). O profeta Zacarias predisse que Jesus seria um sacerdote em seu trono, isto é, Jesus seria tanto sacerdote quanto rei ao mesmo tempo (Zacarias 6:12-13).

Jesus nasceu judeu, descendente de Davi e, assim, da linhagem da tribo de Judá. Contudo, Deus escolheu os descendentes de Levi para serem sacerdotes. Assim Jesus, vivendo sob a Lei de Moisés, poderia ser rei porque era da tribo real (Judá) e ainda mais da de Davi (veja 2 Samuel 7:12-16; Atos 2:29-31). Mas Jesus não poderia ser um sacerdote segundo a Lei de Moisés porque não era da tribo certa. O escritor de Hebreus afirma que Jesus era sumo sacerdote segundo uma ordem diferente, não segundo a ordem de Arão (ou da tribo de Levi), mas segundo a ordem de Melquisedeque (5:6,10; 6:20). Ele explica:

“Se, portanto, a perfeição houvera sido mediante o sacerdócio levítico (pois nele baseado o povo recebeu a lei), que necessidade haveria ainda de que se levantasse outro sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque, e que não fosse contado segundo a ordem de Arão? …Porque aquele de quem são ditas estas cousas pertence a outra tribo, da qual ninguém prestou serviço ao altar; pois é evidente que nosso Senhor procedeu de Judá, tribo à qual Moisés nunca atribuiu sacerdotes” (Hebreus 7:11,13-14).

Mas porque Melquisedeque? Quem foi Melquisedeque? O escritor de Hebreus nota que ele foi tanto sacerdote como rei de Salém (outro nome de Jerusalém; veja Gênesis 14:18-20; Hebreus 7:1). Ele também observa que as escrituras do Velho Testamento dão a Melquisedeque a aparência de ser eterno, não sendo registrado seu nascimento, linhagem ou morte (7:1-3). Assim, existem algumas semelhanças entre Melquisedeque e Jesus. Melquisedeque parece continuar para sempre como sacerdote, porque as Escrituras nunca registram sua morte. Jesus, sendo divino, vive e serve para sempre como sacerdote (Hebreus 7:23-25). Melquisedeque era tanto rei quanto sacerdote ao mesmo tempo (que era impossível sob a Lei de Moisés). Jesus é tanto rei como sacerdote ao mesmo tempo, em cumprimento da profecia de Zacarias.

O autor de Hebreus também observa a consequência inevitável do sacerdócio de Jesus Cristo. Se o sacerdócio for mudado da ordem de Arão para a de Melquisedeque, necessariamente a lei associada com o sacerdócio levítico tem que ser mudada. “Pois, quando se muda o sacerdócio, necessariamente há também mudança de lei” (7:12). A Lei de Moisés, associada com o sacerdócio levítico, foi anulada quando o sacerdócio foi mudado (7:18-19).

A obra sacerdotal de Jesus é explicada pelo escritor de Hebreus em termos de atos do sumo sacerdote levita no Dia da Expiação. Exatamente como o sumo sacerdote levita entrava no Santo dos Santos do tabernáculo, isto é, na presença de Deus, com sangue para fazer a expiação pelos pecados, assim Jesus entrou no Santo dos Santos com sangue (9:11-12). Mais ainda, Jesus não ofereceu seu sangue num tabernáculo físico, feito por mãos humanas. Ele ofereceu seu sangue na presença de Deus, no céu.

No Dia da Expiação, o derramamento de sangue realmente acontecia fora do Santo dos Santos. Os animais eram mortos e o sangue deles recolhido no pátio do tabernáculo. O sumo sacerdote então oferecia o sangue a Deus quando o aspergia em frente do propiciatório. De modo semelhante, o sangue de Jesus foi derramado na cruz, fora do Santo dos Santos celestial. Ele foi sepultado e no terceiro dia ressurgiu. Depois de 40 dias ele ascendeu ao céu, em sentido figurado, e apresentou seu sangue diante de Deus. É fácil observar a importância da ressurreição a este respeito. Ainda que o sangue seja derramado em sua morte, Jesus realmente ofereceu seu sangue ao Pai quando ascendeu ao céu depois de sua ressurreição (João 20:17; Atos 1:9-10).

De conformidade com o propósito do escritor de Hebreus, Jesus é apresentado como um sumo sacerdote superior aos sacerdotes levitas. Os sumos sacerdotes do Velho Testamento, oferecendo sangue pelos pecados do povo, eram, eles mesmos, realmente pecadores (Hebreus 5:1-3; 7:26-27). Antes que o sumo sacerdote pudesse fazer intercessão pelo povo no Dia da Expiação, ele tinha que oferecer um novilho pelos seus próprios pecados. Jesus, contudo, ainda que tentado, era sem pecado (Hebreus 2:18;4:15;7:26).

Ainda mais, Jesus não fica impedido pela morte em seu serviço como sumo sacerdote. Os sacerdotes do Velho Testamento, sendo homens, morriam e o serviço de sumo sacerdote era passado ao próximo homem apontado pelo mandamento da Lei de Moisés. Jesus vive para sempre e é assim capaz de continuar com seu serviço sacerdotal tanto tempo quanto for necessário (Hebreus 7:23-25). Até mesmo o local do seu serviço é superior, sendo um tabernáculo celestial em vez de um físico. Jesus pode entrar na presença de Deus sem uma nuvem de incenso para protegê-lo porque ele não tem pecado.

Obviamente, o serviço sacerdotal de Jesus é superior em outro ponto importantíssimo. Jesus não ofereceu diante de Deus o sangue de um animal, um sacrifício inadequado para o perdão (Hebreus 10:4). Em vez disso, ele ofereceu seu próprio sangue, assim tornando-se tanto o sacerdote como o sacrifício (Hebreus 9:11-12, 28)! Pelo fato de seu sacrifício ter sido adequado para o perdão dos pecados, precisou ser feito somente uma vez, em contraste com os sacrifícios dos sacerdotes do Velho Testamento, que eram oferecidos ano após ano (Hebreus 9:12,24-28;10:10-14).

No tabernáculo e no templo do Velho Testamento, somente o sumo sacerdote podia entrar no Santo dos Santos, uma vez por ano, sempre com sangue como oferenda pelo pecado. Agora, contudo, o caminho para o Santo dos Santos celestial está aberto por causa da obra sacrifical de Jesus. Deus mostrou o significado da morte de Jesus rasgando o véu que separava o Santo dos Santos do Santo Lugar quando Jesus morreu (Mateus 27:51).

O privilégio de entrar e habitar na presença de Deus no céu está disponível a todos através do sangue de Jesus Cristo (Hebreus 10:19-22). Assim como Jesus em sua pureza entrou na presença de Deus, também podemos entrar na presença de Deus purificados pelo sangue de Jesus Cristo. Deus seja louvado por esta maravilhosa esperança!

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Publicado no Blog do Ev. Isaías de Jesus

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