Isaque, o Sorriso de Uma Promessa – Ev. Isaías de Jesus

Isaque, o Sorriso de Uma Promessa – Ev. Isaías de Jesus

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Texto Áureo – “E disse Sara: Deus me tem feito riso; e todo aquele que o ouvir se rirá comigo” (Gn 21.6).

Verdade Prática = A promessa divina, ainda que pareça tardia, sempre nos sorri no momento certo e na estação apropriada.

Leitura Bíblica = Gênesis 21: 1-8

Introdução

Este capítulo não somente relata o cumprimento da promessa de Deus, mas também é usado por Paulo como uma alegoria para ensinar a teologia da graça.

I. Deus Mantém a Sua Palavra – versículos 1-2.

Somos lembrados por três vezes, nestes dois versículos, que Deus fez exatamente aquilo que Ele disse que faria. Os anos podem se passar e a fé pode falhar, mas a Palavra de Deus nunca cai por terra.

II. O Novo Filho de Abraão – versículos 3-5.

Quem, exceto Deus, poderia dar um filho a um casal idoso. Devemos deixar claro, para crédito de Abraão, que ele creu na promessa de Deus antes do nascimento de Isaque [Romanos 4:17-22]. Note que a fé produz obediência. Abraão obedeceu a Deus ao colocar o nome e ao circuncidar a criança [Gênesis 17:21 e 10-13].

III. A Alegria de Sara – versículos 6-7.

Da mesma maneira Sara creu na promessa de Deus antes da concepção de Isaque [Hebreus 11:11]. O nascimento de seu primeiro e único filho trouxe grande alegria. Nós devemos destacar que o nome Isaque significa “risada”. Entretanto, isto não parece ser uma referência àquela antiga risada de descrença [Gênesis 17:17 e 18:12], antes uma risada de alegria. Deus é misericordioso em perdoar as nossas falhas e observar o nosso crescimento e fé. Tanto Sara quanto Abraão são elogiados no Novo Testamento, e suas falhas não são mencionadas.

IV. Ismael Zomba de Isaque – versículos 8-9.

Como era comum na época, uma festa foi feita quando Isaque foi desmamado. Nesta ocasião Sara viu Ismael, que era quatorze anos mais velho do que Isaque, zombando dele.

Não é surpresa para aqueles que conhecem a natureza humana ver Ismael ressentido com Isaque, que havia sido colocado no lugar dele como herdeiro de Abraão. Sara ficou muito nervosa e talvez preocupada com a segurança de Isaque.

V. Um Castigo Chocante – versículos 10-13.

Para espanto e terror de Abraão, Sara demandou que Agar e Ismael fossem expulsados. Isto foi demasiadamente doloroso para Abraão, pois ele era contra deserdar ou abandonar Ismael. Indubitavelmente, ele sentiu que isto era uma injustiça contra Agar. Somente depois que Deus confirmou as palavras de Sara é que ele foi capaz de tomar esta atitude. Deus revelou duas coisas para Abraão e ambas o confortaram e explicaram a necessidade desta separação:

A. Apenas Isaque foi escolhido por Deus como instrumento para que a nação judia e finalmente o Salvador viessem ao mundo. Outras crianças não deveriam se misturar com os seus descendentes [Gênesis 25:1-6].

B. Deus iria abençoar e cuidar de Ismael por causa de Abraão. Isto sem dúvida o confortou.

VI. Uma Alegoria.

A história de Isaque e Ismael é usada pelo Apóstolo Paulo como uma alegoria, a fim de ilustrar a diferença entre a lei e a graça [Gálatas 4:19-5:1]. Uma alegoria usa pessoas e acontecimentos para simbolizar certas verdades. Vejamos as doutrinas que Paulo ilustra:

A. Duas Alianças – Agar, a escrava, representa a Aliança feita no Monte Sinai, que poderia apenas gerar escravidão. Sara, a mulher livre, representa a nova Aliança da graça.

B. Os Dois Nascimentos – Ismael nasceu pelo poder e sabedoria da carne. Sendo assim, ele representa o homem natural cuja religião não vai além de planos e requintes da carne [João 3:6-7]. Isaque nasceu pelo milagre da promessa. Ele era filho da fé e representa todos os que pelo divino poder são nascidos lá do alto [Tito 3:5].

C. Ismael nasceu sob escravidão e representa a falta de esperança daqueles que, sendo nascidos da carne, estão tentando ser salvos pela lei. Isaque nasceu sendo livre e representa aqueles em Cristo que estão livres da condenação da lei [Gálatas 5:1].

D. Ismael tinha uma natureza carnal e mundana. A sua esperança e amor estavam colocadas nas coisas deste mundo. Isaque, como Abraão, era um homem de fé que adorava a Deus.

E. Ismael zombou e perseguiu Isaque. Os que são nascidos da carne sempre perseguem aqueles que são nascidos do Espírito. Isaque, como todos os justos, era o alvo da perseguição. Os grandes “Ismaéis” deste mundo, sempre perseguirão os pequenos “Isaques” cuja fé e vida eles não entendem.

F. Ismael foi expulso. Todos que estão sob o regime da lei serão expulsos [Romanos 3:19-20]. Isaque era o herdeiro. Aqueles que são nascidos do Espírito herdarão o reino de Deus.

VII. A Expulsão da Escrava – versículos 14-21.

Agar e Ismael foram despedidos conforme a ordem de Deus. Logo lhes faltou água e a morte parecia iminente. Agar deixou Ismael sob um arbusto e saiu para não muito longe a fim de chorar. Ela não queria ver a morte do menino. Deus, entretanto, ouviu a voz do menino. Abraão amava Ismael e havia orado por ele, por este motivo Deus cuidou da mãe e do menino. Foi mostrado a Agar um poço e então eles foram poupados. Ismael se tornou um flecheiro e se casou com uma mulher egípcia. Assim se deu a origem dos Árabes.

VIII. Deus Cuida de Abraão – versículos 22-32.

Este pequeno relato mostra como Deus cuidava de Abraão. Até mesmo o infiel podia ver que Deus estava abençoando Abraão. O Senhor pode fazer com que seu povo encontre o favor dos ímpios, se isto for para o bem deles. O incidente a respeito do poço de Berseba revela a natureza pacífica de Abraão. Em vez de lutar ou ultrajar, ele fez uma aliança pacífica e generosa com Abimeleque a respeito do poço. Devemos sempre que possível buscar a paz.

IX. A Adoração Pública – versículos 33-34.

Que quadro maravilhoso. Abraão plantou um bosque onde podia publicamente adorar a Deus. Nós só podemos crer que ele também ensinava a outros a respeito do Deus verdadeiro. (Mais tarde na história de Israel, a adoração em bosques foi proibida, pois eles acabaram se associando com a idolatria).

 X. Abraão é Provado – Gn 22, versículos 1-2.

Que choque Abraão recebeu quando Deus falou com ele aqui. Ele deveria oferecer Isaque, o filho da promessa, como uma oferta de holocausto. Isto deveria ter parecido totalmente contrário ao caráter de Deus. Não eram os pagãos que faziam tais coisas? Deus não estaria destruindo os seus próprios planos de formar a nação de Israel e por meio dela trazer o Salvador? Que prova isto deve ter sido para a fé de Abraão. Nada parecia fazer sentido.

Vamos considerar várias coisas a respeito das provações que Deus permite ao Seu povo:

A. Deus não tenta ninguém a pecar [Tiago 1:13].

B. Deus prova o Seu povo para testar a realidade da fé deles [Mateus 13:18-23].

C. Satanás provoca estas provas muitas vezes [Jó 1:6-12; Lucas 22:31].

D. As provações são usadas para amadurecer os santos [Tiago 1:3-4].

E. Deus prova os santos para dar a eles a oportunidade de glorificá-lO por suas ações durante este período.

F. Deus dá forças aos verdadeiros santos para vencerem as provações [Lucas 22:31-32; I Coríntios 10:13].

G. Estas provações são de grande valor para o povo de Deus [I Pedro 1:7].

XI. Obedecendo Sem Questionar – Gn 22,  versículos 3-5.

A fé verdadeira agi na Palavra de Deus mesmo quando nada parece ser racional. No dia seguinte Abraão partiu para cumprir a vontade de Deus. Em nenhum momento Abraão questionou as ordens de Deus. Como Abraão reconciliou a ordem de Deus com a Sua antiga promessa? Em Hebreus 11:17-19, aprendemos que Abraão acreditou que Deus iria ressuscitar Isaque da morte. Isto também é visto no versículo 5, onde Abraão diz a seus servos que ele e Isaque iriam retornar. A obediência de Abraão foi estritamente um ato de fé.

XII. Na salvação, Deus é o Provedor –  Gn 22,  versículos 6-8 e 13-14.

Que revelação da graça nós temos aqui. A salvação não é comprada ou merecida, mas concedida por Deus. Na providência de Deus um carneiro foi fornecido para morrer no lugar de Isaque. Deus provou Abraão, mas Ele mesmo providenciou o sacrifício. O lugar foi então chamado de Jeová-Jire, que significa “Jeová proverá”. Deus deu Seu Filho para morrer em nosso lugar. Um outro título de “Jeová” é Jeová Tsidkenu, que significa “Jeová é a Nossa Justiça” [Jeremias 23:6]. Deus o Pai, como Jeová, deu o Seu Filho para morrer pelos nossos pecados e se tornar a nossa justiça [II Coríntios 5:21]. Como Jesus é também Jeová, podemos ver que Jeová provê e ao mesmo tempo é a nossa justiça.

XIII. O CASAMENTO DE ISAQUE= Gn 24-1-7

Esta história amorosa não somente toca profundamente as emoções humanas, como também é de grande valor espiritual.

Note os vários aspectos de sua riqueza espiritual:

A. Temos aqui uma importante ligação entre a história da salvação e a linhagem de nosso Salvador.

B. Este relato nos dá um exemplo maravilhoso de uma conduta reta. Não somente a fé e a oração são exemplificadas, como também podemos ver um lindo quadro do verdadeiro amor.

C. Gênesis 24 nos dá um belo exemplo da especial providência de Deus na vida do Seu povo. Os Cristãos podem estar confiantes de que Deus os guiará nos caminhos da justiça [Salmo 23:3, Provérbios 3:6].

Na história nós temos alguns tipos evidentes do plano da redenção.

I. A História – versículos 1-6-7.

A. Os planos de Abraão – versículos 1-6.

Abraão sabia que através de Isaque viriam a nação de Israel e o Messias. A sua preocupação era que Isaque tivesse uma esposa consagrada e que adorasse ao Senhor. Ele nem imaginava um casamento com os idólatras Cananeus.

Note como Abraão não queria que Isaque deixasse a terra da promessa. Os planos e promessas de Deus eram as únicas coisas que interessavam a Abraão. Vamos ter os mesmos desejos e objetivos espirituais para os nossos filhos.

B. Fé – versículos 7-9.

Abraão sabia que Deus encaminha os passos daqueles que O temem. Que os jovens que buscam companheiros e carreiras possam se lembrar disso. Nós não precisamos fazer o errado para cumprir a vontade de Deus.

XIV. A Concepção de Rebeca – Gn 25, versículo 19-23.

O fato de Rebeca ser estéril foi uma prova tanto para Abraão quanto para Isaque. Isaque estava com sessenta anos antes que crianças nasceram. Talvez Abraão foi tentado a pensar que havia escolhido a moça errada para Isaque. Finalmente Isaque orou e Deus respondeu.

Provavelmente Deus queria deixar claro que a Sua especial providência tomava conta do nascimento destes homens, pois através deles, Cristo viria ao mundo. Deus muitas vezes realiza a sua obra de maneira que a fé do Seu povo seja provada.

Durante a gravidez Rebeca sentiu mais movimento do que o normal em seu ventre. Ela perguntou ao Senhor a razão disso; e ficou sabendo que esperava por gêmeos. Estes gêmeos seriam pais de duas nações (Edom e Israel). Os seus descendentes seriam uns tipos de pessoas bem diferentes.

No plano de Deus o mais jovem deveria ser o mais importante dos dois. Apesar disso parecer contrário aos costumes humanos, é desta maneira que Deus age muitas vezes no plano da eleição da graça [Romanos 9:10-15]. Deus não segue os caminhos da sabedoria humana.

XV. ISAQUE O BENDITO DO SENHOR

Isaque foi um homem de verdadeira fé, mas as suas falhas e fraquezas são plenamente registrados. Os filhos de Deus são nascidos do Espírito e têm uma fé imortal, mas ainda não estão livres da carne nesta vida [Romanos 8:10]. A Bíblia nunca ensina esta verdade ou recorda estas falhas a fim de justificar nossos pecados [I João 2:1], antes para dar entendimento do conflito que nos acompanha durante esta vida. O desejo pela redenção dos nossos corpos pecaminosos é uma das coisas que nos levam a ansiar ardentemente pelo retorno de Cristo [Filipenses 3:20-21]. Como nós ficaríamos confusos se a Bíblia ocultasse estas falhas no caráter dos santos.

XVI. O Mundo Reconhece a Presença de Deus na Vida de Isaque – versículos 26-33.

As bênçãos de Deus na vida de Isaque eram tão perceptíveis que os Filisteus começaram a temer isto. Eles propuseram uma aliança de paz com ele, pois temiam pela própria segurança. Hoje nós também podemos viver de maneira tal para que o mundo reconheça que Deus está conosco.

XVII. A Soberania de Deus – versículos 30-38.

No versículo 29, vemos Isaque pensando que havia invertido o decreto de Deus. Aqui ele descobri que os propósitos de Deus são firmes [Provérbios 19:21]. As palavras finais do versículo 33 refletem a conscientização de Isaque de que não pode haver mudanças no plano de Deus. Ele parece estar dizendo: “ele será abençoado, a despeito do que você ou eu gostaríamos, porque esta é a vontade de Deus”.

Alguém pode sentir pena de Esaú, mas devemos lembrar que ele foi um homem ímpio que não somente foi indigno do direito de primogenitura e da benção, como também tinha conhecimento de que, pela vontade de Deus, estas coisas não pertenciam a ele. Hebreus 12:17 não é uma indicação de que Esaú estava arrependido de seu pecado, mas o desejo de que Isaque mudasse ou aniquilasse as bênçãos dadas a Jacó. Ele estava tentando aniquilar o plano de Deus. É triste o fato de que Esaú pudesse acusar Jacó de trapaça [vers. 36]. Como Jacó prejudicou o seu testemunho com tudo isso.

XVIII. A Profecia – versículos 39-40.

Esta profecia se cumpriu nos Edomitas que foram descendentes de Esaú como uma tribo. Eles nunca foram totalmente subjugados por Israel.

CONCLUSÃO

No Antigo Testamento são poucos os que vieram ao mundo com tantas expectativas como Isaque. Nisto foi um tipo de Cristo, essa Semente que o santo Deus prometera muito tempo antes e que os homens santos esperaram por tanto tempo. Nasceu conforme com a promessa, no momento designado do qual Deus tinha falado. As misericórdias prometidas por Deus certamente chegarão no momento em que Ele determina, e esse é o melhor momento. Isaque significa “riso”, tendo boa razão para o nome (capítulo 17.17; 18.13). Quando o Sol do consolo se levanta na alma, é bom lembrar quão bem recebido foi o alvorecer do dia.

Quando Sara recebeu a promessa, riu-se com desconfiança e dúvida. Quando Deus nos dá as misericórdias das que começamos a desesperar, deveríamos lembrar com pena e vergonha nossa pecadora desconfiança em seu poder e promessa, quando estávamos em busca delas.

Esta misericórdia encheu a Sara de gozo e assombro. Os favores de Deus para seu povo da aliança são tais que superam seus próprios pensamentos e expectativas, como também os alheios: quem poderia imaginar que Ele fizesse tanto por aqueles que merecem tão pouco, mais ainda, por aqueles que merecem receber o mal? Quem teria dito que Deus enviaria seu Filho a morrer por nós, seu Espírito para fazer-nos santos, seus anjos para servir-nos? Quem teria pensado que pecados tão grandes seriam perdoados, que serviços tão mesquinhos seriam aceitos e que vermes tão indignos seriam integrados na aliança?

Faze-se um breve relato da infância de Isaque. Deve reconhecer-se a bênção de Deus sobre a criadagem das crianças e sua preservação através dos perigos da idade infantil, como exemplo os sinais do cuidado e ternura da providência divina. Veja o Salmo 22.9-10; Os 11.1-2.

Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

 

Bibliografia

www.palavraprudente.com.br

Comentário Bíblico Volume 01 –  Genesis a Deuteronômio

 

ISAQUE O SORRISO DE UMA PROMESSA

 

Texto Áureo – “E disse Sara: Deus me tem feito riso; e todo aquele que o ouvir se rirá comigo” (Gn 21.6).

Verdade Prática = A promessa divina, ainda que pareça tardia, sempre nos sorri no momento certo e na estação apropriada.

Leitura Bíblica = Gênesis 21: 1-8

INTRODUÇÃO

À primeira vista, Isaque parece retraído e tímido. Ao contrário do pai, Abraão, e do filho, Jacó, sua vida não é marcada por grandes eventos. Não teve de peregrinar ao Neguebe, nem refugiar-se além do Nilo. Limitando-se a andejar por Canaã, ali armou suas tendas, criou Esaú e Jacó, multiplicou os haveres da família e também, ali, ergueu altares ao Senhor, Ele, porém, viria a destacar-se por uma fé singular e perfeita no Deus das alianças e pactos eternos.

Embora patriarca, Isaque entrou para a História Sagrada como o filho da promessa, pois chegara à tenda de Abraão, quando este já tinha 100 anos, e Sara, 90. Seu nascimento levou os pais a rirem daquela espera que, ignorando os limites da biologia, evidenciou a intervenção do Autor da vida. Ele nasceu do ventre amortecido de Sara e do corpo envelhecido de Abraão. Sim, havia motivos para sorrir do aparecimento serôdio de Isaque.

Neste capítulo, acompanhemos alguns episódios que marcaram a vida do segundo patriarca dos hebreus. Veremos que aquele homem de pouquíssimas e reservadas palavras deixou-nos um eloquente testemunho de fé e temor a Deus.

No campo da fé, nem sempre as palavras dizem muito; as ações, porém, revelam a intervenção divina em cada passo de nossa jornada a caminho de Sião.

I. O HERDEIRO QUE NÃO VINHA

Já se haviam passado 24 anos, desde que Abraão saíra de Ur dos Caldeus. E, apesar da promessa que o Senhor lhe fizera quanto à posse das terras de Canaã, o patriarca continuava sem herdeiro, Ele já estava com 99 anos, e Sara beirando à casa dos 90. Numa idade tão avançada, teriam eles ainda o prazer de embalar o próprio filho? Em breve haveriam de constatar que, para Deus, não há impossível,

  1. A promessa de um herdeiro. Num momento de conjecturas, o Senhor aparece a Abraão, nos carvalhais de Manre, e promete-lhe que, passado um ano, Sara dar-lhe-á um filho (Gn 18,10). Ao ouvir a promessa, ri-se a mulher que, ainda formosa, já entrara na menopausa e cujo útero jazia emurchecido. Ela já não possuía a vitalidade, nem o frescor requeridos por uma mulher que almeja ser mãe.

Repreendida pelo Eterno, ouve uma pergunta que, claramente, vinha ao encontro de sua desesperança: “Acaso, para o Senhor há coisa demasiadamente difícil?” (On 18,14). Portanto, Sara já não teria de esperar para usufruir as alegrias da maternidade. Agora grávida, a promessa cumpre-se na gestação de seu unigênito.

  1. O nascimento do herdeiro. No tempo apontado pelo Senhor, eis que Sara dá à luz o herdeiro de Abraão. Na tenda do patriarca, ouve-se, agora, o choro do filho da promessa, através do qual viriam heróis, reis e o próprio Cristo (Mt 1.1,2). Ao embalar o filhinho, ela desvanece: Quem diria a Abraão que Sara daria de mamar a filhos, porque lhe dei um filho na sua velhice?” (Gn 21.7).

Sara não sorrira quando da anunciação do menino? Pois este chamar-se-á Isaque que, na língua hebraica, significa “riso”.

Quanto à velhice de Abraão e de Sara, não nos esqueçamos de que, naquele tempo, as pessoas ainda eram longevas. Lendo-se o capítulo 11 de Gênesis, verifica-se que, a partir de Sem, que viveu 500 anos, a longevidade humana vai gradativamente caindo (Gn 11.11). No final do texto, a idade dos avoengos de Abraão já não ia além dos 200 anos. Mesmo assim, o aspecto de um homem de 100 anos, e de uma mulher, com 90, naquela época, não era nem senil, nem decrépito.

Haja vista que Sara, embora haja saído de Ur, aos 65 anos, era de uma beleza estonteante e ainda não havia chegado à menopausa. A espécie humana, porém, já começava a sentir as condições ecológicas e climáticas devido ao Dilúvio.

Se a idade dos filhos de Adão era contada em séculos, a dos descendentes de Noé será computada em décadas (Gn 5.27; SI 90,10).

  1. A circuncisão do herdeiro. Abraão circuncidou Isaque, quando este completou oito dias de vida (Gn 21.4). Foi o primeiro bebê varão da linhagem hebreia a receber a circuncisão de acordo com o pacto que o Senhor estabelecera com o patriarca (Gn 1710 12) O ato reafirmou a continuidade da chamada patriarcal, que seria caracterizada mais fortemente em Jacó, pai dos 12 patriarcas.

Circuncidado, Isaque era inserido liturgicamente na família da promessa. A partir daquele momento, o problema sucessório de Abraão estava resolvido; seu filho dar-lhe-ia continuidade à comunidade da fé monoteística que, apregoando uma ética superior, mudaria a história do mundo.

  1. O desmame de Isaque. Se a circuncisão de Isaque foi motivo de alegria e riso, o que se poderia esperar de seu desmame? No Oriente Médio, a criança era desmamada aos três anos. O acontecimento foi marcado por um grande banquete (Gn 21.8). Afinal, o filho da promessa deixava de ser bebê; doravante, seria olhado por todos como o homenzinho da família.

A celebração, entretanto, teria o brilho esmaecido pelo mau comportamento de Ismael que, nessa época, já era um adolescente de 14 anos. E isso deixaria Sara muito aborrecida.

II. ISAQUE E ISMAEL

Se Isaque era o filho da promessa, Ismael estava ali na conta do filho da desesperança e do arranjo carnal. Por isso, o filho de Abraão com Agar, sentindo-se enciumado com a chegada do meio-irmão, põe-se a zombar dele. A situação faz-se tão insustentável que Sara, irritada e incontida, roga ao esposo: “Deita fora esta serva e o seu filho; porque o filho desta serva não herdará com meu filho, com Isaque” (Gn 21.10).

  1. A despedida de Sara e Agar. O desejo da esposa pareceu duro e desumano a Abraão. O Senhor, porém, acalmou-lhe o espírito: “Não te pareça isso mal por causa do moço e por causa da tua serva; atende a Sara em tudo o que ela te disser; porque por Isaque será chamada a tua descendência” (Gn 21,12). Em seguida, o bondoso Deus reafirma sua bênção sobre Ismael, pois este também era filho de Abraão: “Mas também do filho da serva farei uma grande nação, por ser ele teu descendente” (Gn 21.13),

Deus tinha tudo sob controle. Não permitiria que a sua serva, Agar, viesse a perecer com o filho. E, diferentemente do que haveria de acontecer entre Esaú e Jacó, tanto Isaque quanto Ismael seriam abençoados. A bênção messiânica, porém, caberia exclusivamente ao filho da promessa.

  1. A despedida de Ismael. Ao despedir Agar e Ismael, deu-lhes Abraão tão somente um pedaço de pão e um odre de água (On 21,14). O que era isso para uma jornada num deserto sem fronteiras e causticante? Acrescente-se, ainda, que mãe e filho não tinham para onde ir. Naquele instante, dependiam unicamente da providência divina.

Já bebida a água, Agar deita o filho agonizante e afasta-se para não lhe ver a morte (Gn 21.15, 16). Mas neste momento, brada-lhe o Senhor através de seu anjo: “Que tens, Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do rapaz desde o lugar onde está” (Gn 21,17). Deus jamais nos falta com a sua presença. Basta confiarmos em seus cuidados, e a sua proteção far-se-á presente.

Ao abrir os olhos, Agar vê uma fonte em pleno deserto (Gn 21.19). Portanto, não se desespere. Ainda que as suas lutas mostrem-se renhidas e cruéis, sempre haverá um manancial no deserto. Jesus é a água da vida.

  1. A bênção de Ismael. Em seguida, diz-lhe o anjo: “Ergue-te, levanta o moço e pega-o pela mão, porque dele farei uma grande nação” (Gn 21.18), O mensageiro celeste reafirma a Agar a promessa que o Senhor fizera a Abraão (Gn 17.20; 21.13).

O que parecia morte faz-se vida; o que era maldição torna-se grande bênção. Como está o seu filho? Não o deixe caído, Tome-o pela mão. Erga-o a uma vida de triunfos.

Mais adiante, o autor sagrado mostra os êxitos e façanhas de Ismael. Deus era com o menino. Ele cresceu, fez-se hábil arqueiro e passou a morar no deserto. Obediente à mãe, aceitou de bom grado a esposa que Agar fora buscar-lhe no Egito (Gn 21.20,21). Ismael gerou doze príncipes que, espalhando-se pela região da Arábia, fundaram remos e nações.

III. O APRENDIZADO EM MORIÁ

Que o Senhor queria provar Abraão, em Moriá, não há dúvida. Todavia, era sua intenção, também, levar o jovem Isaque a um encontro pessoal e experimental com o Deus de seu pai. Naquele monte ermo e distante da tenda materna, o menino defrontar-se-á com uma nova fronteira no campo do conhecimento divino,

  1. A provação das provações. Certa noite, o Senhor ordenou a Abraão: “Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi” (Gn 22.2). Na manhã seguinte, madrugada ainda, o patriarca conduz o filho amado ao sacrifício supremo.

O patriarca, todavia, tinha absoluta certeza de que retornaria do Moriá com o filho, pois aos servos, ordenara claramente: “Ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o moço iremos até ali; e, havendo adorado, tornaremos a vós” (Gn 22.5; Hb 11.17-19).

Como bom teólogo, sabia Abraão que, mesmo que viesse a sacrificar o filho, tê-lo-ia de volta, porque Deus lho havia prometido, Por isso, escreve o autor da Epístola aos Hebreus: “Pela fé, Abraão, quando posto à prova, ofereceu Isaque; estava mesmo para sacrificar o seu unigênito aquele que acolheu alegremente as promessas, a quem se tinha dito: Em Isaque será chamada a tua descendência; porque considerou que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos, de onde também, figuradamente, o recobrou” (Hb 11.18-20).

Abraão, pois, escalou o Moriá com serenidade e confiança. Sabia que, apesar do que viesse a ocorrer naquele monte, Deus lhe reaveria o filho, pois a promessa não podia ser revogada: em Isaque seria reconhecida a sua descendência. Mas, como estaria o coração do jovenzinho? Em que condições emocionais chegaria ao cume da provação?

  1. O aprendizado teológico de Isaque. A primeira lição de teologia que Abraão ensina ao filho é, embora básica, fundamental e colunar: Deus proverá todas as coisas (Gn 22.8).

Por essa razão, sem nenhum temor, deita-se e deixa-se amarrar, pelo pai, ao altar do holocausto (Gn 22.9). Ele sabe que, no momento certo, o Senhor haverá de intervir, como de fato, interveio. Isaque também ouve o bradar do céu, contempla o cordeiro vicário e, atento, escuta o Anjo do Senhor chancelar ao pai as bênçãos quanto aos dias futuros.

E, assim, na companhia de Abraão, desce um Isaque mais confiante nas providências divinas. Antes, conhecia a Deus somente por ouvir. Agora, já está preparado a enfrentar os desafios de longas e árduas peregrinações. O Deus de Abraão é também o Deus de Isaque. Se ao escalar o Moriá, o seu monoteísmo era apenas teórico, ao descer, sua crença no Deus Único e Verdadeiro é atuantes e prática.

IV. UMA NOIVA PARA ISAQUE

Isaque bem que poderia haver tomado uma das jovens daquela terra por esposa. Entretanto, ele não se enganava com as cananeias. Idólatras e lascivas, davam-se aos pecados mais grosseiros. Muitas delas, encerradas em templos pagãos, entregavam-se à prostituição ritual; em nada diferiam das rameiras que circulavam por Jericó. Como haveria ele, pois, de esposar uma idólatra? Isaque, porém, estava tranquilo, pois aprendera a confiar no Deus que tudo provê,

  1. Operação Rebeca. Sabendo que Isaque era um homem espiritual e seletivo, Abraão encarrega seu mais antigo servo de buscar-lhe uma esposa na Mesopotâmia (Gn 24.1-7). A jornada seria longa, estressante e cerceada de perigos.

Mas o patriarca sabia que, em sua parentela, ainda havia uma reserva espiritual e ética; não eram poucos os que serviam ao Senhor.

Na cidade de Naor, o mordomo ora ao Eterno: “Seja, pois, que a donzela a quem eu disser: abaixa agora o teu cântaro para que eu beba; e ela disser: Bebe, e também darei de beber aos teus camelos, esta seja a quem designaste ao teu servo Isaque” (Gn 24.14).

A moça que assim procedesse revelaria as seguintes virtudes: espiritualidade, gentileza, respeito, disposição e amor ao trabalho. Eis que aparece Rebeca, virgem bela e formosa, preenchendo todos os requisitos.

Embora a jovem tivesse criadas e servas, não fugia ao trabalho. Em pleno calor do dia, saiu a buscar água. E, quando solicitada, gentilmente deu de beber não somente ao servo de Abraão, mas a toda sua cáfila. Em seguida, conduz a comitiva casa, onde. Labão, seu irmão, oferece-lhes urna calorosa acolhida. Seu amor e serviço foram além da expectativa do mordomo do patriarca.

Com tantos atributos, Rebeca não leria dificuldades em assumir a tenda patriarcal, pois a mãe de seu futuro esposo ja era morta. A jovem mostrava-se, em tudo, uma autêntica serva do Deus de Abraão e Isaque.

  1. O casamento de Isaque e Rebeca. O encontro de Isaque com Rebeca não poderia ser mais espiritual e romântico. Ele saíra a orar, à tarde, quando avistou a jovem ornando-lhe a comitiva. Depois de ouvir com atenção o servo do pai, ele a conduz à tenda da mãe, e a toma por mulher (Gn 24,67),

Tão grande era o carinho entre os cônjuges, que não havia como negar que Isaque e Rebeca fossem casados. Certa vez, ao peregrinar em Gerar, disse aos homens daquele reino, imitando o pai, que a esposa, na verdade, era sua irmã. O rei, todavia, não demorou a surpreendê-lo acariciando a mulher (Gn 26,8,9). Tal intimidade, concluiu logo Abimeleque, não era coisa de irmãos, mas de gente casada.

V. OS FILHOS DE ISAQUE

Embora apaixonados e românticos, a felicidade de Isaque e Rebeca ainda não era completa. Ela, à semelhança de Sara, era estéril. Como, pois, se haveria o casal sem filhos?

  1. A oração por um filho. Ao invés de arranjar um herdeiro através de um ventre escravo, como haviam feito seus pais, Isaque foi buscar a ajuda de Deus. Ele “orou insistentemente ao Senhor por sua mulher” (Gn 25.21), E a sua oração foi de pronto respondida. Isaque confiou no Deus que lhe proviera a esposa e, agora, há de prover-lhe também o herdeiro da promessa. Através da fé, aprendera a agir no terreno do impossível.
  1. Esaú e Jacó. Já grávida de gêmeos, assustou-se Rebeca com o comportamento dos filhos. Em seu ventre, os bebês lutavam, numa antecipação profética do que seriam eles no futuro. Diz, então, o Senhor à mãe atribulada e inconsolável: “Duas nações há no teu ventre, dois povos, nascidos de ti, se dividirão: um povo será mais forte que o outro, e o mais velho servira ao mais moço (Gn 25,23).

Esaú, o primogênito, veio à luz coberto de pelos. Jacó, por seu turno, chegou liso e agarrado ao calcanhar do irmão. A história de ambos seria marcada por conflitos, inimizades e guerras. O primeiro fez-se perito caçador. O segundo, homem pacato e reflexivo, aconchegava-se à tenda da mãe.

Não demorou para que Esaú revelasse toda a sua profanidade e menosprezo às coisas de Deus. Certo dia, apertado pela fome, vendeu a Jacó a sua primogenitura por um prato de lentilhas. Enquanto isso, ia Jacó, influenciado pelos conselhos maternos, fundamentando-se na fé professada por Abraão e Isaque.

  1. Isaque abençoa os filhos. Vendo-se envelhecido e turvado de olhos, buscou Isaque resolver, de vez, o problema sucessório da família. Chamando Esaú, diz-lhe: “Agora, pois, toma as tuas armas, a tua aljava e o teu arco, sai ao campo, e apanha para mim alguma caça, e faze-me uma comida saborosa, como eu aprecio, e traze-ma, para que eu coma e te abençoe antes que eu morra” (Gn 27.3,4).

Ao ouvir o diálogo do esposo com o primogênito, Rebeca trata de instruir o caçula a roubar a bênção do irmão.

Relutante a princípio, aproxima-se Jacó, fingindo ser Esaú. O pai, que já não enxergava com distinção, enganado, abençoa profeticamente o enganador: “Deus te dê do orvalho do céu, e da exuberância da terra, e fartura de trigo e de mosto. Sirvam-te povos, e nações te reverenciem; sê senhor de teus irmãos, e os filhos de tua mãe se encurvem a ti; maldito seja o que te amaldiçoar, e abençoado o que te abençoar” (Gn 27.28,29).

Já abençoado, Jacó deixa a tenda paterna. Em seguida, entra Esaú. O que pode fazer o velho Isaque? Profeta e bom teólogo, sabe que as palavras que proferira ao filho mais novo eram, na verdade, palavras de Deus. Jacó, pois, seria abençoado. Quanto a Esaú, restava o choro amargo de quem sempre desprezara o conhecimento divino, conforme escreve o autor da Epístola aos Hebreus: “Nem haja algum impuro ou profano, como foi Esaú, o qual, por um repasto, vendeu o seu direito de primogenitura. Pois sabeis também que, posteriormente, querendo herdar a bênção, foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado” (Hb 12.16,17),

CONCLUSÃO

Deus abençoou de tal forma a Isaque, que ele veio a tornar-se mais poderoso que os reis cananeus. Era temido, inclusive, por Abimeleque, soberano de Gerar. Aos olhos dos gentios, ali estava um homem que sabia como desfrutar dos favores divinos. Isaque era um príncipe de Deus. Tudo o que fazia vinha a prosperar. Seu gado multiplicava-se e sua lavoura vingava até mesmo em terras inférteis. Enfim, Isaque era o bendito do Senhor.

O epílogo de sua vida é descrito não com palavras de condolência, mas com vocábulos que descrevem o recolhimento dos justos e íntegros: “Foram os dias de Isaque cento e oitenta anos. Velho e farto de dias, expirou Isaque e morreu, sendo recolhido ao seu povo; e Esaú e Jacó, seus filhos, o sepultaram” (Gn 35.28.29).

A vida de Isaque inspira-nos a ter uma fé mais ativa nas providências divinas. Quando, pois, formos assaltados por dificuldades e provações, não caiamos no desespero, nem questionemos as intervenções do amoroso Deus. Humildes e humilhados, caiamos aos seus pés, pois ele nos provê o necessário para termos uma vida abundante e bem-aventurada em seus caminhos. Que o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó seja eternamente louvado.

 

Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

 

Bibliografia

Livro o Começo de Todas as Coisas = CPAD = Claudionor de Andrade

Publicado no Blog do Ev. Isaías de Jesus

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