A Igreja de Cristo – Ev. Luiz Henrique

A Igreja de Cristo – Ev. Luiz Henrique

Lição 8, A Igreja de CRISTO

3º Trimestre de 2017 – Título: A Razão da Nossa Fé: Assim Cremos, assim Vivemos

Comentarista: Pr. Pres. Esequias Soares, Assembleia de DEUS, Jundiaí, SP

Complementos, ilustrações e vídeos: Pr. Luiz Henrique de Almeida Silva – 99-99152-0454

 

TEXTO ÁUREO
“Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” (Mt 18.20)

VERDADE PRÁTICA
Cremos na Igreja, que é o corpo de CRISTO, una, santa e universal assembleia dos fiéis remidos de todas as eras e todos os lugares.

 

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Mt 16.18 JESUS CRISTO é o fundador da Igreja
Terça – Hb 12.23 A Igreja é a comunidade dos remidos
Quarta – Ef 1.22,23 O Senhor JESUS CRISTO é a cabeça do Corpo da Igreja
Quinta – 1 Tm 3.15 A Igreja é a Casa de DEUS
Sexta – Ef 5.25-28 O relacionamento do casal é comparado ao de CRISTO com a sua Igreja
Sábado – Ap 22.17 A Igreja no convite do pecador para CRISTO

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE – 1 Coríntios 12.12-20,25-27
12 – Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é CRISTO também. 13 – Pois todos nós fomos batizados em um ESPÍRITO, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um ESPÍRITO. 14 – Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. 15 – Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo? 16 – E, se a orelha disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; não será por isso do corpo? 17 – Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato? 18 – Mas, agora, DEUS colocou os membros no corpo, cada um deles como quis. 19 – E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? 20 – Agora, pois, há muitos membros, mas um corpo.

25 – para que não haja divisão no corpo, mas, antes, tenham os membros igual cuidado uns dos outros. 26 – De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele. 27 – Ora, vós sois o corpo de CRISTO e seus membros em particular.

 

12.13 TODOS NÓS FOMOS BATIZADOS EM UM ESPÍRITO. O batismo “em um Espírito” não se refere, nem ao batismo em água, nem ao batismo no Espírito Santo que Cristo outorga ao crente como no dia de Pentecoste (ver Mc 1.8At 2.4). Refere-se, pelo contrário, ao ato do Espírito Santo batizar o crente no corpo de Cristo – a igreja, unindo-o a esse corpo; fazendo com que ele seja um só com os demais crentes. É a transformação espiritual (i.e., a regeneração) que ocorre na conversão e que coloca o crente “em Cristo” biblicamente.

12.25 TENHAM OS MEMBROS IGUAL CUIDADO UNS DOS OUTROS.

Os dons espirituais e ministeriais não devem ser base para se destacar uma pessoa, ou para considerar um crente mais importante do que o outro (vv. 22-24). Antes, cada pessoa é colocada no corpo de Cristo de conformidade com a vontade de Deus (v. 18), e todos os membros são importantes para o bem-estar espiritual e funcionamento apropriado desse corpo. Os dons espirituais e ministeriais devem ser usados, não com orgulho, nem visando a exaltação pessoal, mas com o desejo sincero de ajudar o próximo, e com um coração que realmente se preocupa com os outros (1Co 13). Todos podem e devem ter dons do ESPÍRITO SANTO (1 Coríntios 14:31).

12.28 A UNS PÔS DEUS NA IGREJA. Paulo apresenta aqui uma lista parcial dos dons de ministério (ver Rm 12.6-8 e Ef 4.11-13,). Para a definição dos termos apóstolo, profeta, evangelista, pastor e mestre; ver também Jo 6.2, 1Co 12.10, para uma definição de “milagres”. Ver também Rm 12.7,8, 1Co 12.10 para deifinição de “socorros” (“exercer misericórdia”), e “governos” (“presidir”).

 

OBJETIVO GERAL
Mostrar a Igreja como corpo de CRISTO e os elementos que a identificam.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Apresentar o significado da palavra “igreja” e os seus desdobramentos;

Explicar os elementos que identificam a Igreja;

Conscientizar os crentes de que eles são membros do corpo de CRISTO.

 

INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Caro professor, é de suma importância para o aluno ter uma compreensão bíblica e teológica a respeito da natureza da Igreja de CRISTO. Hoje, há algumas ideias equivocadas quanto algumas instituições que se chamam “igrejas”. Muitos confundem a Igreja de CRISTO com tais instituições. Um dos objetivos da lição desta semana é exatamente esclarecer essa questão. O que é a Igreja de CRISTO? Qual a diferença entre a sua natureza visível e a sua natureza invisível? Qual o papel do membro dentro do Corpo de CRISTO?
São algumas questões que devem nortear a aula desta semana. O nosso desejo é que a sua classe compreenda melhor o maravilhoso privilégio de pertencer ao Corpo de CRISTO, a Igreja do Senhor.

 

 PONTO CENTRAL – A Igreja é o Corpo de CRISTO.

 

Resumo da Lição 8, A Igreja de CRISTO

I – A COMUNIDADE DOS FIÉIS

  1. Etimologia.
  2. A assembleia dos cidadãos.
  3. O significado da expressão “Santa Igreja Católica”.

II – ELEMENTOS QUE IDENTIFICAM UMA IGREJA

  1. Afinal, o que é Igreja?
  2. As ordenanças.
  3. A adoração.
  4. A família de DEUS.

III – O CORPO DE CRISTO

  1. O corpo e seus membros.
  2. A morada de DEUS.
  3. Os membros do corpo.

 

SÍNTESE DO TÓPICO I – A palavra “igreja” remonta à comunidade dos fiéis reunida em nome do Senhor JESUS.

SÍNTESE DO TÓPICO II – As ordenanças (batismo e ceia), a adoração e a reunião de pessoas são elementos que identificam a Igreja.

SÍNTESE DO TÓPICO III – A Igreja é o corpo de CRISTO na terra, a morada do DEUS Altíssimo.

 

SUBSÍDIO DIDÁTICO I 
O primeiro tópico é um pouco técnico. Mas é importante conhecer o sentido etimológico do termo “igreja”. O comentarista mostra que ekklesia é uma palavra grega que significa um grupo de pessoas “chamado para fora” e a interliga com o termo hebraico qahal, “assembleia, multidão humana reunida”, no contexto do Antigo Testamento.

 

CONHEÇA MAIS

*Igreja – “Origem da Palavra

“No Novo Testamento, a palavra ‘igreja’ é uma tradução da palavra grega ekklesia, que nunca se refere a um lugar de adoração, mas tem em vista uma reunião de pessoas. Na maioria esmagadora dos casos, ekklesia indica uma associação local de crentes”. Para conhecer mais, leia Dicionário Bíblico Wycliffe, CPAD, p.949.

 

SUBSÍDIO TEOLÓGICO II 
“Precisamos nos identificar primeiro com o Senhor JESUS CRISTO, parecer com Ele no amor, no trato com as pessoas, nas estratégias de trabalho, no aproveitamento das oportunidades, no uso de autoridade para libertar os oprimidos e na compaixão pelas pessoas. Enfim, identificar-se com CRISTO é ser parecido com Ele no projeto de transformar o mundo […]. Precisamos também de identificação entre nós mesmos, ou seja, precisamos entender e praticar o que é ser Igreja. Não me refiro a uma comunidade com estatuto e CGC, endereço e liderança, que faz o que quer, como quer e quando quer. Uma comunidade burocrática e fria, cheia de deveres e direitos, sem vida nem poder. Igreja não é um lugar onde uma multidão ali chega triste e sai vazia, nem tampouco um meio através do qual se possa ganhar dinheiro, explorando-se a boa fé alheia. Igreja não é uma facção dividida por um grupo de radicais e outro de liberais, onde só há confronto e não há vida. Igreja não é lugar de promessas mirabolantes, mas um lugar de vida onde JESUS se manifesta, onde há sinceridade, onde acontecem maravilhas, onde o amor tem liberdade de atuar, onde há comunhão e onde há poder” (FERREIRA, Israel Alves. Igreja Lugar de Soluções: Como recuperar os enfermos espirituais. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, pp.12-13).

SUBSÍDIO TEOLÓGICO III
“A fim de enfatizar e visualizar a relação viva dos crentes com o CRISTO, a Bíblia o apresenta como o ‘cabeça’ da Igreja, e a Igreja como seu ‘corpo’ (1 Co 12.27; Ef 1.22,23; Cl 1.18). Há várias razões para esta analogia. A igreja é a manifestação física – visível – de CRISTO no mundo, a fazer seu trabalho, tal como chamar os pecadores ao arrependimento, proclamando a verdade de DEUS às nações e preparando-se para as eras vindouras. A Igreja também é um corpo, composta de um arranjo complexo de diversas partes, cada qual discreta, cada qual recebendo do Cabeça, cada qual com seus próprios dons e ministérios, contudo, todos necessários à obra de DEUS por vir (Rm 12.4-8; 1 Co 6.15; 10.16,17; 12.12-27; Ef 4.15,16). (MENZIES, William W.; HORTON, Stanley M. Doutrinas Bíblicas: Os Fundamentos da Nossa Fé. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, pp.134-35).

 

PARA REFLETIR – A respeito da Igreja de CRISTO, responda:
O que significa literalmente a palavra grega ekklesía, “igreja”?
O termo grego para “igreja” é ekklesía, literalmente, “chamado para fora”, do verbo grego ekkaleo “chamar, convocar”.
Qual o tom da “universal assembleia e igreja dos primogênitos”?
Essas palavras expressam um tom de uma celebração jubilosa, de uma reunião festiva com todos os remidos como cidadãos da comunidade celestial (Ap 5.11-13).
Quais as ordenanças da Igreja?
As ordenanças da Igreja são duas, a primeira é o batismo em águas e a segunda é a Ceia do Senhor.
O que significa “casa de DEUS” em relação à Igreja?
Há passagens no Novo Testamento em que o termo “casa” parece se referir à igreja. O termo “casa” também é utilizado na Bíblia metaforicamente para designar “família” (Js 24.15; At 16.31). A Igreja é citada como a família de DEUS (Ef 2.19) e o templo espiritual de DEUS (1 Co 3.16; Ef 2.22). É por isso que chamamos de irmãos aqueles que se convertem ao Senhor JESUS.
O que significa “batizado pelo ESPÍRITO” (1 Co 12.13)?
Ser batizado “por um só ESPÍRITO” quer dizer que é o ESPÍRITO quem batiza; isso indica a iniciação dos crentes no corpo de CRISTO e não se refere ao batismo do dia de Pentecostes.

CONSULTE – Revista Ensinador Cristão – CPAD, nº 71, p40.

 

Comentários do Pr. Henrique da Lição 8, A Igreja de Cristo

 

 

Comentários de Bíblias, Comentários, Dicionários e Livros

 

ECLESIOLOGIA – As Grandes Doutrinas da Bíblia – Pr. Raimundo de Oliveira – CPAD

ÍNDICE

  1. DEFINIÇÃO DO TERMO “IGREJA”
  2. O Uso Clássico –  2. Seu Uso na Septuaginta – 3. O Uso Cristão
  3. A ORIGEM DA IGREJA
  4. Considerada Profeticamente –  2. Considerada Historicamente

III. O FUNDAMENTO DA IGREJA

  1. Cristo – a Pedra –  2. Pedro – Uma Pedra –  3. Petra e Petros
  2. A IGREJA EM RELAÇÃO AO REINO DE DEUS
  3. O Reino e a Igreja –  2. A Igreja não é o Reino –  3. O Reino Cria a Igreja  –  4. A Igreja dá Testemunho do Reino  –  5. A Igreja é a Agência do Reino – 6. A Igreja: a Guardadora do Reino
  4. OS MEMBROS DA IGREJA
  5. A Igreja é Composta Somente por Aqueles que Demonstram Fé em Cristo – 2. Uma Igreja se Compõe Somente Daqueles que Foram Batizados Depois Duma Profissão de Fé.
  6. A ORGANIZAÇÃO DA IGREJA
  7. O Sistema Episcopal –  2. O Sistema Presbiteriano  –  3. O Sistema Congregacional

VII. O MINISTÉRIO DA IGREJA

  1. Ser Aqui um Lugar de Habitação de Deus –  2. Testemunhar da Verdade –  3. Tornar Conhecida a Multiforme Sabedoria de Deus
  2. Dar Eterna Glória a Deus –  5. Edificar a Seus Membros –  6. Disciplinar Seus Membros  –  7. Evangelizar o Mundo – 8. Sustentar Uma Norma Digna de Conduta  –  9. Cultivar a Comunhão Entre Seus Membros

VIII. A ADMINISTRAÇÃO DA IGREJA

  1. Os Doze Apóstolos –  2. Após a Ascensão de Cristo –  3. Princípios Gerais
  2. AS ORDENANÇAS DA IGREJA
  3. O Batismo em Água –  2. A Ceia do Senhor.
  4. A ADORAÇÃO NA IGREJA
  5. A Natureza da Adoração na Igreja –  2. Oração e Louvor –  3. Hinos e Cânticos Espirituais  –  4. Reafirmação da Fé Cristã – 5. Ministração da Palavra de Deus  –  6. A Mordomia Cristã

 

ECLESIOLOGIA –

INTRODUÇÃO

Nas Escrituras a doutrina da Igreja (ou eclesiologia) se reveste de tanta importância quanto as demais nela tratadas. O estudo e conseqüente compreensão desta doutrina levará o cristão à conclusão de que, em valor, a Igreja se sobrepõe aos grandes organismos e organizações existentes no mundo hoje . A vocação e missão da Igreja têm alcance imensurável. Suas origens se ocultam na eternidade passada, enquanto que a sua missão no presente tem a capacidade de alterar a rotina tanto do Céu quanto do próprio Inferno. Há, pois, grande recompensa no estudo e compreensão desta doutrina.

  1. DEFINIÇÃO DO TERMO “IGREJA”

Os dicionários mais comuns dão dois significados ao termo ekklesia: 1° “Ajuntamento popular”, e 2° “Igreja”. O primeiro significado é chamado profano, e o segundo “bíblico”, “eclesiástico”. Os dicionários do Novo Testamento seguem a mesma divisão subdividindo mais uma vez o significado do termo no Novo Testamento: 1° Igreja, como comunidade universal. 2° Congregação, como comunidade local ou particular, bem como comunidade doméstica (A Igreja do Novo Testamento – Aste – Pág.15). Noutras palavras, “ekklesia”, traduzida por “igreja” se deriva de ekkaleo, verbo que significa “chamar à parte”; por isto denota uma assembléia citada ou chamada à parte, um corpo escolhido e separado duma grande massa de gente. O uso do termo pode ser investigado levando-se o seguinte em consideração:

  1. O Uso Clássico

O uso clássico do termo “ekklesia” designa uma assembléia de cidadãos, convocados por um arauto; uma espécie de assembléia legislativa. Cremer diz que é o termo comum para designar uma reunião dos eklectoi, reunidos para discutir os assuntos pertinentes à política de um estado livre e soberano. Portanto, ekklesia era a assembléia legal, em uma cidade grega, formada de todos os que possuíam o direito de cidadania para tratar dos assuntos públicos. Eram pessoas literalmente chamadas para fora da grande massa de povo que compunha o grosso da sociedade, – uma porção escolhida do povo, não o populacho, tampouco os estrangeiros, não aqueles que haviam perdido os direitos civis. Tanto a palavra “chamar” como a palavra “aparte” possuem significado que não deve ser desprezado quando ambas tiverem de ser estudadas no contexto da Igreja Cristã. Neste caso o termo ekklesia não denota, exceto em uso excepcional e figurado, uma assembléia mista e não-oficial.

  1. Seu Uso na Septuaginta

Na versão grega do Antigo Testamento chamada Septuaginta, o termo ekklesia é a tradução usual do termo hebraico kahal, que denota a multidão inteira de qualquer povo, unido pelos vínculos de uma sociedade, e constituindo uma república ou estado. Em sua significação ordinária, o termo pode ser definido como uma assembléia ou convocação do povo de Israel. Assim disse Moisés: “Nenhum amonita ou moabita entrará na congregação [‘ekklesia’] do Senhor” (Dt 23.3Ne 13.1). Assim também disse Davi: “O meu louvor virá de ti na grande congregação [‘ekklesia’]; pagarei os meus votos perante os que o temem” (Sl 22.25). Neste caso a ekklesia de Israel se compunha exclusivamente pelos israelitas feitos idôneos para cumprirem com os deveres de povo do Senhor, e para participarem do culto em seu santuário. Excluía-se, portanto os incircuncisos, os imundos e os demais povos. A mesma restrição é evidente no uso do termo ekklesia no Novo Testamento quando se refere ao antigo Israel como a “igreja do Senhor” (Act 7.38Hb 2.12).

  1. O Uso Cristão

O termo “ekklesia” aparece no Novo Testamento cerca de cento e quinze vezes. Destas, três se referem à congregação hebraica do Senhor (Act 7.38Hb 2.12); três outras vezes se referem à assembléia grega (Act 19.32,39,41); e cento e dez à Igreja cristã.Como aparece no Novo Testamento, o, termo tem dupla designação: 1° Designa uma assembléia específica e local de crentes, organizados para manutenção do culto, doutrinas ordenanças e disciplina do evangelho, e unidos sob um concerto especial com Cristo e entre si; como “a igreja em Jerusalém”, “as igrejas da Galácia”. A palavra se encontra usada neste sentido local em noventa e dois casos. 2° Denota a totalidade do corpo dos escolhidos nos céus e na terra – todos quantos foram alcançados pelo concerto da graçade Deus que os faz membros do reino eterno de Cristo.A doutrina evangélica ensina que a Igreja pode existir independentemente de ter ou não uma forma vista pelos homens, pois ela é tanto visível (militante), como invisível (triunfante). A Igreja Invisível se compõe de todos os que estão unidos a Cristo. Não é uma organização externa, mas um organismo eterno. Os seus membros são conhecidos por Deus, ainda que não seja possível serem conhecidos, totalmente pela vista humana. Muitos deles estão no Céu, ou ainda estão por nascer. A Igreja Visível compõe-se de todos os que professam estarem unidos a Cristo; aqueles que têm os seus nomes arrolados nos livros de registro das suas respectivas congregações. Não é sem certo constrangimento que afirmamos que muitas vezes pode ocorrer da pessoa ter seu nome arrolado entre os membros da Igreja visível sem, contudo tê-lo escrito no Livro da Vida do Cordeiro.

  1. A ORIGEM DA IGREJA

Para compreendermos a origem da Igreja, mister se faz estudá-Ia levando-se em consideração fatores proféticos e históricos.

  1. Considerada Profeticamente

Israel é descrito na Bíblia como uma igreja no sentido de ser uma nação chamada dentre outras nações para ser um povo formado de servos de Deus. Israel, pois, era a congregação ou a igreja de Jeová no Antigo Testamento. Depois da igreja judaica o ter rejeitado, Cristo predisse a fundação duma nova congregação ou igreja, uma instituição divina que continuaria sua obra na terra (Mt 16.18). Essa é a Igreja de Cristo, que começou a existir visivelmente a partir do dia de Pentecoste, conforme o capítulo 2 do livro de Atos dos Apóstolos. Paulo fala da manifestação mística da Igreja, usando os seguintes termos: “A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo, e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou: para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos léus, segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor” (Ef 3.8-11).Portanto, no plano de Deus, a Igreja já existia muito antes que qualquer outra coisa viesse à existência, isso com base no sangue do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo (Ap 13.8). Deus, segundo o seu soberano propósito, permitiu que as eras se fossem escoando até que achou por bem tornar a Igreja manifesta e conhecida.

  1. Considerada Historicamente

A Igreja de Cristo veio à existência, como tal, no dia de Pentecoste, quando do derramamento do Espírito Santo. Assim como o Tabernáculo foi construído e depois consagrado pela descida da glória divina (Ex 40.34), de igual modo os primeiros membros da Igreja f?ram consagrados no Cenáculo e consagrados como Igreja pela descida do Espírito Santo sobre eles e dentro deles. É muito provável que os cristãos primitivos vissem nesse evento o retorno da glória manifesta no Tabernáculo e no Templo, glória essa que há muito tempo havia se afastado, e cuja ausência era lamentada pelos rabinos judaicos mais piedosos (Conhecendo as Doutrinas da Bíblia – Editora Vida – Pág. 217). Davi juntou os materiais para a construção do Templo, mas a construção foi feita por seu sucessor, Salomão. Da mesma maneira, Jesus, durante o seu ministério terreno, havia juntado os materiais com os quais haveria de dar forma à sua Igreja, por assim dizer, mas o edifício foi erigido pelo seu sucessor, o Espírito Santo. Realmente: essa obra foi feita pelo Espírito Santo, operando através dos apóstolos, que lançaram os fundamentos e edificaram a Igreja por sua pregação, ensino e organização. Por isso a Igreja é descrita como sendo adificada sobre o fundamento dos apóstolos (Ef 2.20).

III. O FUNDAMENTO DA IGREJA

A origem divina da Igreja é patenteada pela sua origem histórica, bem como pela sua expansão e confirmação. Não é possível se pensar na Igreja separadamente de Cristo, nem se pensar em Cristo separadamente da Igreja. Apesar disto a teologia vaticano – romanista atribuição apóstolo Pedro, méritos de pedra fundamental sobre a qual a Igreja de Cristo está edificada. Buscando achar fundamentos escriturísticos para tão absurdo ensino, os teólogos católicos – romanos, apelam para as seguintes palavras do Salvador: “E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai que esta nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; e eu te darei as chaves do remo dos céus; e tudo o que ligares. na terra será ligado no céu, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16.16-19). Dessa passagem, a Igreja Romana deriva o seguinte raciocínio de interpretação:

– Pedro é a rocha sobre a qual a Igreja estar edificada.

 A Pedro foi dado o poder das chaves, portanto, só ele e seus sucessores (os papas) poderão abrir a porta do reino dos céus.

 Pedro tornou-se o primeiro bispo de Roma.

 toda autoridade eclesiástica foi conferida a Pedro, até nossos dias, através da linhagem de bispos e de papas, todos vigários de Cristo.

  1. Cristo – a Pedro

A “pedra” constante de Mateus 16.18 nada mais é do que a confissão de Pedro: em Cristo está a verdade fundamental da Igreja! “porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Co 3.11). Em vários textos da Bíblia encontramos alusões a Cristo, como sendo Ele a “Pedra”. Parar Daniel, no Antigo Testamento, Cristo é a pedra que do alto será lançada, e que destruirá a estatua do misterioso sonho de Nabucodonosor (Dn 2.34,35). A pedra aqui fala de Cristo na sua segunda vinda, destruindo o poder gentílico mundial. Para Pedro, Cristo era a pedra que os lideres espirituais de Israel rejeitaram e mataram (Act 4.11). Que Cristo é a pedra, já era prefigurado no Antigo Testamento (1 Co 10.4). Dos oitenta e quatro chamados Pais da Igreja primitiva, só dezesseis criam que o Senhor se referiu a Pedro, quando disse “essa pedra”. Os demais, uns diziam que a expressão se referia a Cristo mesmo, outros à confissão que Pedro acabara de fazer, ou, ainda, a todos os apóstolos. Só a partir do IV Século começou-se a falar a respeito da possibilidade de Pedro ser a pedra fundamental da Igreja, e esta discussão estava intimamente relacionada com a pretensão exclusivista do bispo de Roma.

  1. Pedro – Uma Pedra

A interpretação da Igreja Romana segundo a qual Cristo estabeleceu a sua Igreja sobre a pessoa do apóstolo Pedro é insustentável e não suporta a prova da teologia bíblica. Não consta em parte alguma das Escrituras, nem mesmo na história do cristianismo, que Pedro tenha assumido essa posição de destaque que o romanismo lhe atribui. Evidentemente, Pedro teve algumas oportunidades de ações relevantes junto aos demais apóstolos. Foi, porém, uma posição temporária ou transitória. Com excessão do que lemos em Gálatas 1.18, não encontramos nenhuma outra referência a Pedro no restante do Novo Testamento, nem sobre um possível episcopado sobre os demais apóstolos e comunidades cristãs da sua época. É bom lembrar que Pedro foi enviado como missionário aos samaritanos e gentios vizinhos a Jerusalém, sob a orientação de Tiago, quando esse e não Pedro, era o pastor e líder da Igreja em Jerusalém.Pedro foi uma pedra, mas não a pedra firme e inabalável sobre a qual foi fundada “a universal assembléia e igreja dos primogênitos que estão escritos nos céus (Hb 12.23), e sim uma pedra como são os demais salvos e remidos pelo sangue de Jesus (1 Pd 2.4).

  1. Petra e Petros

O substantivo grego PETRA designa, no grego, “uma rocha grande e firme”. Já o substantivo masculino PETROS é aplicado geralmente para designar blocos de pedra, móveis e isolados, bem como a pedras pequenas, tais como a pederneira, ou pedra de arremesso.

Pedro é PETROS – parte da rocha, não PETRA – rocha grande e firme.

Cristo é PETRA – rocha grande e firme.

Pedro foi uma pedra forte e firme, mas em união com Cristo e nunca desligado dele. Por exemplo: lemos no Evangelho que Pedro andou sobre o mar encapelado, mas só enquanto tinha os olhos fixos em Jesus, pois quando começou a olhar para as ondas do mar, começou a afundar. Era uma pedra que ia se afundando. Como uma Igreja sobre a qual as portas do Inferno não poderiam prevalecer, iria ser edificada sobre o homem Pedro?

  1. A IGREJA EM RELAÇÃO AO REINO DE DEUS

Parece unânime a opinião dos estudiosos das Escrituras quanto à dificuldade de conciliar o estudo da doutrina da Igreja com o estudo relacionado com o Reino de Deus. O problema geralmente começa com as questões: Deve o Reino de Deus, em algum sentido da palavra, ser identificado com a Igreja? Se não, qual a relação entre ambos? A busca de resposta a esta questão, passará, sem dúvida à análise das seguintes questões:

  1. O Reino e a Igreja

Achar-se o tipo de relação porventura existente entre Reino de Deus e a Igreja dependerá do conceito que o cristão tiver do Reino. Conclui-se, pois, que, se o conceito que o cristão fizer do Reino estiver correto, ele nunca deverá ser identificado com a Igreja.”O Reino é primeiramente o reinado dinâmico ou o domínio soberano de Deus e, derivadamente, a esfera na qual tal soberania é experimentada. De acordo com a fraseologia bíblica, o Reino não deve ser identificado com as pessoas que pertencem a Ele. Elas são o povo do domínio de Deus que entra no Reino, vive sob a autoridade do Reino, e é governado e orientado pelo Reino. A Igreja é a comunidade do Reino, mas nunca o próprio Reino. Os discípulos de Jesus pertencem ao Reino como o Reino lhes pertence; mas eles não são o Reino. O Reino é o domínio de seus; a Igreja é uma sociedade composta por seres humanos” (Teologia do Novo Testamento – JUERP – Pág. 106).

  1. A Igreja Não é o Reino

O Novo Testamento nunca confunde Igreja com o Reino. Os primitivos pregadores do Evangelho pregaram o Reino de Deus e não a Igreja (Act 8.1219.820.2528.23,31). Portanto é impossível confundir “reino” por “igreja” na fraseologia neotestamentária. As únicas referências ao povo de Deus como Basiléia encontram-se em Apocalipse 1.6 e 5.10; mas as pessoas que recebem tal designação recebem-na, não em virtude de serem as pessoas que estão sob o domínio de Deus, mas porque são participantes do reino de Cristo. “… e eles reinarão sobre a terra” (Ap 5.10). Nestas declarações, “reino” é sinônimo de “reis”, e não de pessoas sob o governo de Deus. Deste modo é confuso afirmar como fez Sommerlarth, que “a Igreja é a forma assumida pelo Reino de Deus no intervalo existente entre a ascensão e a parousia de Cristo”; ou como disse Gilmour: “A Igreja, (não como instituição, mas como comunidade amada) tem sido o Reino de Deus dentro do processo histórico”.

  1. O Reino Cria a Igreja

O domínio dinâmico de Deus, presente na missão terrena de Jesus, desafiou o homem no “Sentido de manifestar uma resposta positiva à sua mensagem, introduzindo-o em um novo grupo de comunhão. Deste modo, a manifestação do Reino de Deus assinalava o cumprimento da esperança messiânica do Antigo Testamento, prometida a Israel. Mas quando Israel como um todo rejeitou a oferta do Reino, aqueles que a aceitaram foram constituídos o novo povo de Deus, os filhos do Reino, o verdadeiro Israel, a igreja incipiente. Assim “a Igreja não é senão o resultado da vinda do Reino de Deus ao mundo por intermédio da missão de Jesus Cristo” (Teologia do Novo Testamento – JUERP – Pág.106). A Igreja visível e histórica, tem um duplo caráter. Ela se constitui no povo do Reino, contudo, ela não forma o povo em seu caráter ideal, uma vez que tem no seu seio pessoas que não podem ser indicadas realmente como filhos do Reino. Por isso se conclui que a entrada no Reino de Deus significa participação na Igreja; mas a entrada na Igreja não é uma expressão equivalente da entrada no Reino de Deus.

  1. A Igreja dá Testemunho do Reino

A Igreja é ineficaz para edificar o Reino é fazê-lo prosperar; no entanto, tem ela o dever e a autoridade de testemunhar do Reino e para o Reino. Este testemunho diz respeito aos atos redentores de Deus por meio de Jesus Cristo, cobrindo todo o período compreendido pela Dispensação da Graça. Os doze enviados, de Mateus 10 e os setenta, de Lucas 10, tinham o mandamento expresso de testemunhar do Reino. A comissão desses primeiros discípulos de Jesus parece se revestir de grande simbolismo para a Igreja hodierna. Portanto, é tarefa da Igreja viver e demonstrar a vida e a comunhão do Reino de Deus e da Era Vindoura numa era escravizada pela perversidade e egoísmo, orgulho e animosidade. Esta demonstração da vida característica do Reino é um elemento essencial do Testemunho da Igreja em favor do Reino de Deus. A Igreja pode e tem o dever de orar: “Venha o teu reino…”

  1. A Igreja é a Agência do Reino

Os primeiros discípulos de Jesus, além de proclamarem as boas-novas afetas à presença do Reino, consideravam a si mesmos agentes instrumentais do Reino. Pesava sobre seus ombros a grande comissão dada por Jesus antes de voltar para o seio do Pai. Deste modo, a partir daí, eles consideravam que o que eles faziam era como se Jesus Cristo mesmo, em pessoa, tivesse realizado. Assim tal como fez Jesus quando, visivelmente entre eles, quando eles curaram enfermos, expulsaram demônios e ressuscitaram mortos (Mt 27.10.8; Lc 10.17). Os discípulos tinham ciência de que o poder de que dispunham para realizar a obra de Deus, fora outorgado por delegação, mas não tinham a menor dúvida de que esse poder neles e através deles operante, tinha a mesma eficácia que o poder operante no ministério terreno de Jesus. Uma vez que o poder que dispunham para realizar a obra de Deus não lhes pertenciam como condição inata, não tinham porque se vangloriar. Ao manifestar a decisão de fundar a sua Igreja triunfante Mt 16.18), Jesus estava garantindo que as forças das trevas e do inferno haveriam de recuar ante a manifestação aterradora do Reino através da ação notória da Igreja vitoriosa.

  1. A Igreja: a Guardadora do Reino

Os rabinos judaicos antigos tinham Israel na conta de guardador do Reino de Deus, segundo eles, inaugurado na terra nos dias de Abraão, finalmente entregue a Israel quando da outorga da Lei no Sinai. Uma vez que Israel foi feito guardião exclusivo da Lei divina, o Reino de Jesus se tornava posse exclusiva de Israel. Quando um gentio queria fazer parte desse Reino, tinha de se deixar proselitizar, ou se judaizar. Só após essa “conversão” o judaísmo é que o gentio podia se considerar súdito do Reino. Era indispensável a mediação de Israel, uma vez que só o israelita era considerado “filho do Reino”.Na pessoa de Jesus Cristo, o domínio de Deus manifestou-se em um novo evento redentor, demonstrando, de um modo totalmente inesperado, os pobres do reino escatológico dentro do cenário da história humana. Como a nação de Israel rejeitou por completo esta nova forma de manifestação do Reino de Deus, a porta da graça divina se abriu para o mundo gentílico. A barreira de separação existente entre judeus e gentios fora derribada. Já não haveria “filhos exclusivos” do Reino. Súditos do Reino seriam todos aqueles que absorvessem a revelação divina trazida por Jesus Cristo. Os discípulos de Jesus, a sua ekklesia, agora se tornaram os guardadores do Reino, em lugar da nação de Israel. O Reino é tirado de Israel e dado a outro povo – a ekklesia de Jesus. Deste modo, os discípulos de Jesus não somente dão testemunho a respeito do Reino; eles não apenas se constituem em instrumento do Reino, à medida que este manifesta o seu poder nesta Era presente, eles são também os guardadores do Reino (Teologia do Novo Testamento – JUERP – Pág. 110).

  1. OS MEMBROS DA IGREJA

Uma igreja é uma congregação de crentes em Jesus Cristo batizados depois duma profissão de fé, e voluntariamente ligados sob a aliança especial para a manutenção do culto, verdades, ordenanças, e disciplina do evangelho Portanto, face à questão quanto, a saber, quem são e quais as características dos membros da Igreja de Cristo, diría-mos:

  1. A Igreja é Composta Somente por Aqueles que Demonstram fé em Cristo.

As unidades da Igreja são almas regeneradas e que vivem em união com Cristo. Deste modo a Igreja é uma assembléia de tais almas, atraídas umas às outras por afinidades espirituais da nova vida que cada uma recebeu e pelo vínculo comum que as une a Deus. Disse Jesus que “aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3). É assim que o novo nascimento espiritual se constitui condição indispensável e fundamental para a união do homem com a Igreja cristã. Por mais difícil que pareça ser o estabelecimento duma igreja formada só de pessoas inteiramente regeneradas, a verdade é que a igreja local que mais trabalha no sentido de levar os seus membros a demonstrarem uma genuína conversão, mais tem se aproximado do ideal duma vida de fé e de pureza.

  1. Uma Igreja se Compõe Somente Daqueles que Foram Batizados Depois duma Profissão de Fé

As considerações seguintes fazem do batismo em água, não uma opção mas uma ordenança para ser cumprida pelo crente:

A comissão apostólica dada por Jesus nos manda não apenas fazer discípulos, mas também batizar (Mt 28.19). A ordem de fazer discípulos e depois batizar, se preserve definitivamente como decreto da autoridade divina.

Nas Escrituras, o batismo é o primeiro ato público do crente. Esse ato tem duplo significado: a) fala do rompimento do crente com a vida de outrora; e b) fala do seu membramento no corpo de Cristo, que é a Igreja. O batismo em água, desde o princípio, tem sido considerado como prática uniforme de admissão do neoconvertido à igreja.

– As Epístolas do Novo Testamento se dirigem às igrejas, como corpos compostos exclusivamente de pessoas batizadas em águas (Rm 6.1-141 Pd 3.21).

  1. A ORGANIZAÇÃO DA IGREJA

Existem três formas distintas de igrejas, que se diferenciam entre si pelos princípios fundamentais de sua organização, são elas: Episcopal, Presbiteriana e Congregacional.

  1. O Sistema Episcopal

O sistema episcopal de organização da igreja consiste numa rija hierarquia, concentrando o poder eclesiástico no sacerdócio formado de três ordens de bispos, sacerdotes e diáconos. Essas três ordens formam uma espécie de governo sacerdotal. Esta forma é adotada pela Igreja Católica Romana, a Igreja da Inglaterra, a Igreja Protestante Episcopal dos Estados Unidos, e a Igreja Metodista Episcopal. Nesta última os bispos se diferenciam dos presbíteros não como uma ordem distinta, mas somente por razões de funções. Em todas estas igrejas o poder principal está nas mãos do clero, que se constitui um corpo que se perpetua a si mesmo, distinto da congregação local, e virtualmente independente dela.

  1. O Sistema Presbiteriano

Nas igrejas que adotam este sistema de organização, a recepção e disciplina de membros são confiadas a um conselho, composto de pastores, e anciãos eleitos pela congregação; mas todos. Os atos eclesiásticos estão sujeitos a revisão por um conselho superior, composto de pastores e anciãos de muitas outras congregações. A igreja, segundo a concepção presbiteriana, é formada de muitas e distintas congregações, reunidas por seus representantes – pastores e anciãos – em um corpo, no qual reside todo o poder eclesiástico. Por isto há uma cadeia de comando na seguinte ordem: o conselho, cujos membros são eleitos pela congregação individual; o presbitério, composto de delegados dos distintos conselhos; o sínodo, corpo local composto de delegados de vários presbitérios; e a assembléia geral, composta de delegados de todos os presbitérios, e que constitui a última corte de apelação. Todos os oficiais eleitos pela congregação local e todos os atos executados por ela podem ser anulados por esta mais alta autoridade eclesiástica.

  1. O Sistema Congregacional

No sistema Congregacional de igreja, todo o poder eclesiástico é exercido por cada igreja local, reunida em uma congregação, e as decisões tomadas pela igreja local individual não estão sujeitas a revogação por nenhum outro corpo eclesiástico. A esta classe pertence, com ligeiras diferenças e pormenores de organização, os Independentes da Inglaterra, as igrejas congregacionais da América e as igrejas batistas de todo o mundo (Su Forma de Gobierno y Sus Ordenanzas – Editora Mundo Hispano – Pág.110). Quando comparadas estes três sistemas de igreja, não há dúvida que o sistema Congregacional é o que melhor se identifica com o modelo de organização da Igreja primitiva. De acordo com o Novo Testamento, era a igreja como congregação local (e não o seu ministério ordinário), que tinha autoridade de receber, disciplinar e excluir a seus membros (1 Co 5.1-52 Co 2.4,5Rm 16.172 Ts 3.6). Ela detinha com exclusividade o direito de eleger os seus próprios oficiais (Act 1.15-266.1-614.231 Co 16.3). De acordo com a História da Igreja, foram as congregações locais que escolheram espontaneamente, proeminentes bispos, como Atanásio (328 d.C.), Ambrósio (374 d.C.) e Crisóstomo (398 d.C.). A igreja local, ainda, detém o poder de decidir assuntos não decididos pelas Escrituras.

VII. O MINISTÉRIO DA IGREJA

O Lions Club existe em função dos “leões”, o Rotary Club, em função dos rotarianos, a Maçonaria, em função dos maçons. A Igreja é o único organismo existente no mundo, cuja preocupação essencial não é o bem-estar de seus próprios membros. A razão de ser, existir e agir da Igreja na terra é ministrar em nome de Cristo ao mundo. Em síntese, se constitui missão prioritária da Igreja no mundo:

  1. Ser Aqui um Lugar de Habitação de Deus

“Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra de esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo do Senhor, no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito” (Ef 2.20-22). “Não sabeis vós que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós” (1 Co 3.16).

  1. Testemunhar da Verdade

Para que se eu tardar, fiques cientes de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade (1 Tm 3.15).

  1. Tornar Conhecida a Multiforme Sabedoria de Deus

“Para que pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida agora dos principados e potestades nos lugares celestiais” (Ef 3.10).

  1. Dar Eterna Glória a Deus

“Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos, ou pensamos, conforme o seu poder que em nós opera, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações para todo o sempre. Amém” (Ef 3.20,21).

  1. Edificar a Seus Membros

“E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com vista ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e ao pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4.11-13).

  1. Disciplinar Seus Membros

“Se teu irmão pecar, vai argüi-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas toda palavra se estabeleça. E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano’’ (Mt 18.15-17).

  1. Evangelizar o Mundo

“Jesus, aproximando-se, falou-Ihes, dizendo: Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt 28.18-20).

  1. Sustentar Uma Norma Digna de Conduta

“Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que há de salgar? para nada mais presta senão para se Iançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.13-16).

  1. Cultivar a Comunhão Entre Seus Membros

“Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”. “Mas, se andardes na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo seu Filho nos purifica de todo o pecado” (Jo 13.34,351 Jo 1.7).

VIII. A ADMINISTRAÇÃO DA IGREJA

O Novo Testamento não provê um código detalhado de regulamentos e preceitos para o governo da Igreja, e a própria ldéia de tal código pode parecer repugnante para a liberdade da Dispensação do Evangelho. No entanto Cristo deixou atrás de si um corpo de líderes (os apóstolos), por ele mesmo escolhido, ao qual ofereceu alguns princípios gerais para o exercício de sua função reguladora.

  1. Os Doze Apóstolos

Os doze apóstolos foram escolhidos, a fim de que estivessem com Jesus Cristo (Marc 3.14), e essa associação pessoal qualificou-os para agirem como suas testemunhas (Act 1.8). Por isso, desde o princípio foram capacitados a expelirem demônios e a curarem enfermos (Mt 10.1), poder esse que foi renovado e aumentado, atingindo a sua plenitude com o derramamento do Espírito Santo sobre suas vidas (Lc 24.49Act 1.8). Na sua primeira missão foram enviados a pregar (Marc 3.14), e na Grande Comissão foram instruídos a ensinar todas as nações. Assim receberam de Cristo a autoridade para evangelizar o mundo. Porém, foi-lhes igualmente prometida uma função mais específica como juízes e governantes do povo de Deus (Mt 19.28Lc 22.29,30), com o poder de ligarem e desligarem (Mt 18.18), e de perdoarem e reterem pecados (Jo 20.23). Tal linguagem deu origem à concepção das chaves tradicionalmente definidas, como: chave da doutrina, para ensinar qual conduta é proibida e qual é permitida (esse é o sentido técnico de ligar e desligar na fraseologia legal judaica), e chave da disciplina, para excomungar os indignos e reconciliar os contritos, declarando o perdão de Deus mediante a remissão de pecados exclusivamente em Cristo. Pedro recebeu esses poderes em primeiro lugar (Mt 16.18,19), como também recebeu a comissão pastoral de alimentar o rebanho de Cristo (Jo 21.15), mas fê-Io de modo representativo, e não como uma capacidade pessoal; pois quando tal comissão é repetida por Jesus em Mateus 18.18, a autoridade de exercer o ministério da reconciliação é investida sobre todo o corpo de discípulos, como um todo, como também é a congregação fiel, e não qualquer indivíduo particular, que age em nome de Cristo para abrir o Reino aos crentes e fechá-lo aos incrédulos. Semelhantemente, essa função autoritativa é exerci da primariamente pelos pregadores da Palavra, e o processo seletivo, de conversão, é visto em operação desde a primeira pregação de Pedro, e daí em diante (Act 2.37-47). Quando Pedro confessou a Cristo, sua fé se tornou típica do alicerce rochoso sobre o qual a Igreja está edificada; mas, em realidade, o alicerce da Jerusalém Celeste contém os nomes de todos os apóstolos (Ap 21.14) e não o de Pedro, apenas, pois estes agiam conjuntamente nos primeiros dias da Igreja, e a idéia de que Pedro tenha exercido qualquer primado entre eles é refutada, parcialmente pela posição de liderança ocupada por Tiago no Concílio de Jerusalém (Act 15.13,19) e parcialmente pelo fato de que Paulo resistiu a Pedro face a face (Gl 2.11). Era uma capacidade conjunta que os apóstolos proviam liderança para a Igreja primitiva; e essa liderança era eficaz tanto na misericórdia (Act 2.42) como no juízo (Act 5.1-11). Exerciam autoridade geral sobre cada congregação, enviando dois dentre os seus, a fim de supervisionarem novos desenvolvimentos em Samaria (Act 8.14), e resolvendo com os anciãos qual a orientação comum para a administração dos gentios (Act 15), enquanto que “a preocupação com todas as igrejas” (2 Co 11.28), sentida por Paulo, é ilustrada tanto pelo número de suas viagens missionárias, como pelo grande volume de sua correspondência.

  1. Após a Ascensão de Cristo

O primeiro passo dado pelos apóstolos logo após a ascensão de Jesus Cristo foi preencher a vaga deixada por Judas, e isso fizeram mediante um apelo direto a Deus (Act 1.24-26). Outros foram posteriormente contados entre os apóstolos (Rm 16.71 Co 9.5,6Gl 1.19),mas as qualificações de ser testemunha ocular da ressurreição (Act 1.22), e de ter sido de algum modo comissionado por Cristo, não eram de natureza a poderem ser perpetuadas indefinidamente. Quando a pressão do trabalho aumentou, fizeram escolher sete assistentes, ou diáconos (Act 6.1-6), eleitos pela congregação e ordenados pelos apóstolos, a fim de que administrassem a caridade entre os membros carentes da Igreja. Os oficiais eclesiásticos com denominação distintiva são pela primeira vez encontrados nos anciãos de Jerusalém, os quais receberam dons (Act 11.30) e participaram do Concílio aí realizado (Act 15.6). Esse ofício foi provavelmente copiado do presbítero das sinagogas judaicas; pois a própria Igreja é chamada de “sinagoga” em Tiago 2.2, e os anciãos judaicos, aparentemente ordenados por imposição de mãos, eram os responsáveis pela manutenção da disciplina, com o poder de ligar e desligar os que desobedecessem à Lei. O presbítero cristão, todavia, sendo um ministro evangélico, âdquiriu deveres adicionais para pastorear (Tg 5.141 Pd 5.1-3) e para pregar (1 Tm 5.17). Foram ordenados anciãos para todas as igrejas da Ásia Menor por Paulo e Barnabé (Act 14.23), enquanto que Tito foi exortado a fazer o mesmo em relação à igreja em Creta (Tt 1.5); e embora os distúrbios em Corinto possam sugerir que uma democracia mais completa prevalecia naquela congregação (1 Co 14.26), o padrão geral de governo eclesiástico na época apostólica parece ter sido uma junta de anciãos ou pastores, possivelmente aumentada por profetas e mestres, que governavam cada uma das congregações locais, tendo os diáconos como ajudantes da administração, e contando com a superintendência geral da Igreja inteira provida pelos apóstolos e evangelistas. Nada existe neste sistema neotestamentário que corresponda exatamente ao moderno episcopado diocesano. Os bispos, quando são mencionados (Fp 1.1), formavam uma junta de oficiais da congregação local, a posição ocupada por Timóteo e Tito era a de ajudantes pessoais de Paulo em sua obra missionárias. O que é mais provável é que quando um ancião adquiria presidência permanente da junta, passava então a ser especialmente designado pelo título de bispo; porém, mesmo quando o bispo monárquico aparece nas cartas de Inácio, continuava sendo apenas o pastor de uma única congregação. Na terminologia semelhante a uma hierarquia, encontramos descrições vagas como “o que preside”, “os que vos presidem no Senhor” (Rm 18.8; 1 Ts 5.12), ou então “vossos guias” (Hb 13.7,17,24). OS anjos das igrejas citadas em Apocalipse 2 e 3, têm sido algumas vezes considerados como bispos verdadeiros; porem, mais provavelmente são personificações de suas respectivas comunidades. Aqueles que ocupam posições de responsabilidade têm o direito de serem honrados (1 Ts 5.12,13), de serem sustentados (1 Co 9.15), e de estarem a salvo de acusações frívolas (1 Tm 5.19) .

  1. Princípios Gerais

Cinco princípios gerais podem ser deduzidos do ensinamento neotestamentário como um todo: Toda a autoridade se deriva de Cristo (Mt 20.26-28); A humildade de Cristo provê o padrão para o serviço cristão; O governo d.a Igreja deve ser exercido conjuntamente e não hierarquicamente: Ensinar e dirigir são funções intimamente associadas. Ajudantes administrativos são necessários para cooperarem com os pregadores da Palavra (Act 6.2,3; – O Novo Dicionário da Bíblia – Edições Vida Nova – Págs. 679-681). Quanto à administração e governo da Igreja; convém, pois, saber:

– Cristo é a Cabeça da Igreja. Sabemos que Deus “pôs todas as coisas embaixo dos seus pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo; como também Cristo é a cabeça da igreja; sendo ele próprio o salvador do corpo” (Ef 1.225.23). Da mesma forma que a cabeça prove, sustenta e dirige o corpo, assim também Cristo faz a cada um dos membros de seu corpo espiritual a Igreja. O Senhor é capaz de dirigir os menores detalhes da nossa vida, e quem desconhece ou se nega a reconhecer a direção do Senhor em sua vida diária jamais conhecerá as doçuras da vida verdadeiramente cristã.

– Quando o Cristo subiu ao Céu, concedeu certos dons à sua Igreja. São dons em forma de homens por Ele chamados. Esses diferentes dons estão relacionados em Efésios 4.11. Esses mesmos dons operaram em Cristo, pois através do Novo Testamento vemo-Io como apóstolo (Hb 3.1), profeta (Act 3.22,23), evangelista (Lc 4.18), pastor (Jo 1.10) e mestre (Jo 13.13,14).Agora, exaltado à destra do Pai, Jesus concede à Igreja esses dons. Ministeriais que nele operaram, para que a Igreja seja edificada. Nada há mais indefeso que um rebanho de ovelhas sem pastor, e a Igreja é comparada a um rebanho de ovelhas.

– As palavras “pastor”, “bispo” e “presbítero” têm o mesmo significado quanto ao cargo. A palavra “pastor” é a tradução de um vocábulo grego que significa “supervisor”. Pastor, no original, e alguém que conduz e alimenta as ovelhas (1 Pd 1.25). Ao ministro da casa de Deus não basta ser intelectual capacitado para o exercício do ministério cristão. É imprescindível que ele seja revestido do poder do Espírito Santo: Nem mesmo o Senhor Jesus Cristo iniciou o seu ministério terreno senão após receber a plenitude do Espírito Santo sobre a sua vida. Portanto, se o ministro deseja que o seu ministério seja uma continuação do ministério do Salvador, deve se deixar possuir do mesmo poder que Ele (Jo 14.12,13).

É imperioso que todos os ministros sejam revestidos do poder do alto (Jo 14.16,17).

– Há uma pesada responsabilidade sobre os ombros do ministério evangélico.O ministro de Deus é tal qual um atalaia sobre as muralhas de Sião. Ele vê o perigo e avisa os pecadores do iminente juízo divino. Caso ele não aja assim, será responsabilizado pela perda das almas sob seus cuidados. A mais terrível declaração com respeito aos pastores sem fé, vitimadas pelo pecado da desobediência, avareza, embriaguez e glutonaria, foi proferida pelo Senhor através do profeta Isaías (Is 56.9-12). O que foi dito aos pastores de Israel, deverá servir de solene aviso aos ministros da casa de Deus hoje em dia.

  1. AS ORDENANÇAS DA IGREJA

Apesar de possuir ordenanças, a Igreja não faz do ritualismo a sua alma e a sua vida. A essência do cristianismo é um novo relacionamento entre o homem e Deus, através do novo nascimento operado pelo Espírito Santo e pela Palavra de Deus.São duas as principais ordenanças dadas pelo Senhor Jesus Cristo à sua Igreja: o batismo em água, e a celebração da Santa Ceia do Senhor.

  1. O Batismo em Água

O termo “batizar” comum ente significa mergulhar ou imergir. Apesar de indefinida a origem da prática batismal e da razão porque foi adotada pela Igreja cristã, a sua prática se faz algo imperioso quando analisadas as seguintes palavras de Jesus: “Portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28.19).

  1. a) A Fórmula do Batismo

Os inimigos da doutrina trinitária, com freqüência, se insurgem contra a fórmula batismal dada por Jesus em Mateus 28.19. Por exemplo, citam o apóstolo Pedro dizendo: “… cada um de vós seja batizado em nome de Jesus” (Act 2.38), para erroneamente afirmarem que a forma batismal bíblica é “em nome de Jesus”, e não “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”. Um escritor cristão do II Século põe fim à questão quanto à forma batismal cristã, quando escreve: “Agora, concernente ao batismo, batizai assim: havendo ensinado todas as coisas, batiza em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo, em água viva (corrente). E se não tiveres água viva, batiza em outra água; e se não podes em água fria, então em água morna. Mas se não tiveres nem uma nem outra, derrama água três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (Conhecendo as Doutrinas da Bíblia – Editora Vida – Pág.22).

  1. b) O propósito do Batismo

Uma vez que só o salvo pode ser batizado, o batismo não tem como finalidade a salvação do batizando. O ato do batismo se constitui num testemunho público de que aquele que a ele se submete foi regenerado pela fé em Jesus Cristo. Assim, pelo batismo, o novo crente dá prova de haver morrido para o mundo, estando pronto para ser sepultado e ressuscitado para uma nova vida em Cristo. No entanto, devemos compreender que se o crente, por uma circunstância inesperada, vier a morrer antes de ser batizado em água, a sua posição de salvo continua inalterada (Lc 23.42,43). Em circunstâncias normais, uma vez que o batismo não se constitui uma opção, mas uma ordenação divina, todos os que crêem devem ser batizados.

  1. A Ceia do Senhor

O Senhor Jesus Cristo começou o seu ministério terreno pelo batismo no Jordão, e o encerrou com a celebração da Ceia no Cenáculo. Ambos os fatos destacam o valor da Ceia do Senhor para a vida dos crentes hoje em dia.

  1. a) O Propósito da Ceia

A Santa Ceia do Senhor tem por finalidade anunciar a nova Aliança (Mt 26.26-28), e se constitui um memorial, conforme ordem expressa do próprio Jesus (Lc 23.19). É uma lição objetiva que expõe os dois fundamentos do Evangelho: Primeiro: A encarnação: Ao partir do pão, ouvimos o apóstolo João a dizer: “E o verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14). Segundo: A expiação: As bênçãos incluídas na encarnação nos são concedidas mediante a morte de Cristo. O simbolismo do pão partido é que o Pão deve ser quebrantado na morte, a fim de ser distribuído entre os espiritualmente famintos. O vinho derramado nos diz que o sangue de Cristo, o qual é a sua vida, deve ser derramado na morte, a fim de que seu poder purificador e vivificante possa ser outorgado às almas necessitadas. Os elementos usados na Ceia (o pão e o vinho) nos lembram que pela fé podemos ser participantes da natureza de Cristo, isto é, ter “comunhão com ele”. Ao participarmos do pão e do vinho, na Ceia do Senhor, o ato nos recordae nos assegura que, pela fé, podemos verdadeiramente receber o Espírito de Cristo e ser o reflexo do seu caráter.

  1. b) Como Celebrar a Ceia

No ato da celebração da Ceia, Cristo deixou-nos o exemplo de como devemos ministrar. Todos os discípulos participaram do pão e do vinho, e esta fórmula foi repetida no ensino do apóstolo Paulo (1 Co 11.24-26). Por ser a Ceia do Senhor a maior festa espiritual da Igreja, interrrompê-la com outros assuntos se constitui profanação. Este tipo de atitude representa, na verdade, falta de zelo para com as coisas de Deus. Se por um lado a reverência cristã condena o mero formalismo, ao mesmo tempo não pode aceitar que a Ceia do Senhor seja celebrada sem nenhuma solenidade, de modo relaxado e desprezível. Isto é profanar aquilo que é sagrado. Somos, igualmente, admoestados sobre o modo como devemos participar da Ceia do Senhor: “Examine-se pois o homem a si mesmo…” (1 Co 11.28). Portanto, erram clamorosamente aqueles que, ao invés de examinarem a si mesmos, ficam a investigar as outras pessoas.

  1. c) A Atitude Correta Face à Celebração da Ceia

Em 1 Coríntios 11.24,26,28, o apóstolo Paulo chama a atenção do comungante da Santa Ceia do Senhor, para três direções que essa cerimônia o leva a olhar:

Primeiro: O olhar retrospectivo: Como memorial, todas as vezes em que celebrarmos a Ceia do Senhor, devemos fazê-lo com um olhar retrospectivo, – em direção ao Calvário, onde o Senhor, com o seu próprio sangue, pagou o preço exigido pelo resgate de nossas almas. O Calvário deve ser permanentemente o tema de nossas vidas!

Segundo: O olhar introspectivo: Este é o olhar interior, pessoal uma espécie de sondagem para saber como está a nossa vida diante do Senhor a quem celebramos quando participamos do pão e vinho. Que valor temos dado ao seu sacrifício. Em que posição nos encontramos concernente à nossa comunhão com o Salvador? Este é um dos propósitos Ceia do Senhor. Ela nos estimula a uma reflexão interior sobre os nossos passos na vida cristã.

Terceiro: O olhar expectativo: Finalmente, a Ceia do Senhor também um fator de esperança. Todas as vezes que dela participamos, nossa mente se volta para aquele glorioso dia quando nos assentaremos com o Senhor nas Bordas do Cordeiro (Maturidade Cristã N° 4 – 4° Trimestre – CPAD). O próprio Jesus Cristo assim se expressou: “E digo-vos que, desde agora que, desde agora, não beberei deste fruto da vide ate aquele dia em que o beba de novo convosco no reino de meu Pai” (Mt 26.29). Paulo, em outras palavras reiterou a mesma mensagem: “… anunciais a morte do Senhor até que venha” (1 Co 11.26).

  1. A ADORAÇÃO NA IGREJA

A Igreja é conhecida basicamente como uma comunidade adoradora. Como “povo de Deus”, a Igreja leva consigo associações da sua redenção e do seu destino. Ela foi chamada por Deus para ser propriedade e herança exclusivamente dele. O apóstolo Paulo diz que “assim como [Deus] nos escolheu nele [no Senhor Jesus Cristo] antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade… predestinados… a fim de sermos para louvor da sua glória… em quem também vós… tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” (Ef 1.4,511-13).

  1. A Natureza da Adoração na Igreja

Desse William Temple: “Adoração é o submetimento de todo o nosso ser a Deus. E tomar consciência de sua santidade; é o sustento da mente com Sua verdade; é a purificação da imaginação por sua beleza; é o apego do coração ao seu amor; é a rendição da vontade aos seus propósitos. E tudo isto se traduz em louvor, a mais íntima emoção, o melhor remédio para o egoísmo que é o pecado original”. Dentre tantas vantagens da adoração, como partes do culto da igreja a Deus destacam-se as seguintes:

A adoração cria uma atmosfera de redenção.

A adoração destaca o valor do indivíduo e sua responsabilidade.

A adoração dá perspectiva à vida.

A adoração dá ocasião ao companheirismo fraternal.

A adoração educa.

– A adoração enriquece a personalidade e fortalece o caráter.

A adoração dá energia para o serviço cristão.

A adoração sustém a esperança de paz no mundo (Que Mi Pueblo Adore – Casa Bauistas de Publicaciones – Págs. 9-11).

  1. Oração e Louvor

Dois tipos de oração são conhecidos no ensino e no exemplo da Igreja do Novo Testamento. Há a oração particular no lugar secreto da comunhão pessoal entre o crente e o Senhor, bem como a oração congregacional, feita conjuntamente por todos os crentes reunidos no lugar de culto. Deste modo a Bíblia fala de pessoas que oraram de forma individual, como de pessoas que oraram coletiva ou congregacionalmente. Jesus parecia estar ensinando a importância da oração congregacional, quando disse: “Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que porventura pedirem ser lhes-á concedida por meu Pai que está nos céus. Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18.19,20). Através da oração, o louvor a Deus encontra a sua mais elevada expressão. Se oração é petição, rogo e intercessão, o louvor se constitui na mais refinada forma de adoração a Deus – veículo através do qual o crente expressa o seu reconhecimento pelos grandes benefícios recebidos de Deus, inclusive fazendo menção daqueles atributos divinos que, pronunciados, inundam de gozo a alma do crente.

  1. Hinos e Cânticos Espirituais

Escreveu o apóstolo Paulo: “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais; cantando ao Senhor com graça em vosso coração” (Cl 3.16). A Igreja Cristã nasceu em cânticos. Espera-se, pois, que o Evangelho cristão traga consigo para acena da história uma explosão de hinódia e dê louvor a Deus. Além disto, podemos argumentar que todos os antecedentes do aparecimento no mundo do Século I, nos levariam a esperar que a Igreja primitiva fosse uma comunidade de cântico de hinos. Podemos investigar os livros do Novo Testamento, tendo em mira descobrir ali a presença de semelhantes cânticos de adoração. As grandes religiões do mundo, com excessão o Cristianismo, não possuem hinos. Possuem apenas murmúrios de dor e lamentos. Como expressão de adoração, os hinos são uma exclusividade do Cristianismo. Na verdade a Igreja tem à sua disposição nada menos que quinhentos mil hinos. A Bíblia manda: “Está alguém alegre? Cante louvores” (1 Co 14.15). “Cânticos espirituais” se referem a fragmentos de louvor espontâneo que o Espírito Santo coloca nos lábios do adorador enlevado. Noutras palavras, é o que diz o apóstolo Paulo: “Que farei pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento” (Tg 5.13).Há ainda hoje grande fonte de inspiração à disposição do crente no cântico, seja de hinos congregacionais, seja em cânticos espirituais.

  1. Reafirmações da Fé Cristã

Quando a Igreja se congrega para cultuar a Deus, dentre outras coisas, ela reafirma os valores espirituais por ela esposados. Deste modo a Igreja é reconhecida como comunidade de fé, pregação e confissão. A Igreja primitiva esposava um corpo de doutrinas distintivas, conservado como depósito sagrado da parte de Deus. As referências a esta base de verdade Salvífica estão dispostas com uma plenitude de descrição e variedade de pormenores, embora não se deva forçar a evidencia para sugerir que houvesse qualquer coisa que se aproximasse dos credos posteriormente adotados. Os seguintes termos demonstram como os cristãos primitivos designavam o conjunto doutrinário que criam e esposavam:

“A doutrina dos apóstolos” (Act 2.42).

“A palavra da vida” (Fp 2.16).

“A forma de doutrina” (Rm 6.17).

“As palavras da fé e da boa doutrina” (1 Tm 4.6).

“O padrão das sãs palavras” (2 Tm 1.13).

“A sã doutrina” (2 Tm 4.3Tt 1.9).

Anos após os eventos redentores da Cruz e do Túmulo Vazio, os seguidores de Jesus Cristo ainda estavam confessando: “Cristo morreu pelos nossos pecados segundo as Escrituras. Foi sepultado; ressuscitou ao terceiro dia segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas, e, depois, aos Doze. Quando reafirmamos os pontos salientes de nossa fé, as nossas convicções vão se cimentando cada vez mais, até se transformarem em inabalável certeza.

  1. Ministração da Palavra de Deus

O principal elemento da adoração praticada na sinagoga judaica era a leitura e a exposição da Lei: A Lei era lida primeiramente no hebraico original, e depois em paráfrases aramaicas, chamadas Targuns, seguindo-se, por sua vez, uma homilia ou pregação. Este era o centro de gravidade no culto da sinagoga, havendo bênçãos e orações dispostas em derredor. A leitura e exposição da Palavra de Deus alcançou o seu apogeu no ministério terreno de Jesus, bem como no ministério de seus apóstolos, especialmente do apostolo o que escrevendo a Timóteo, disse: “Devota tua atenção à leitura [e exposição] publica as escrituras’’ (1 Tm 4.23 – uma tradução livre).Dos ministros escolhidos por Deus para servirem à Igreja de Cristo, é exigida a máxima diligência no estudo e fidelidade na exposição das Escrituras. A igreja em cujo culto nota-se a ausência da atitude de amor e de respeito pela Palavra de Deus, toda e qualquer outra coisa, porventura, aí existente, por grande que seja a dedicação com que é feita, é abominável ao Espírito Santo ultrajante à honra do Senhor Jesus Cristo. Culto sem compromisso com a fiel exposição das Escrituras, não é culto na verdadeira acepção da palavra, pelo contrário, é confusão. Portanto, que os ministros de Cristo, pastores e mestres, deixem que o povo de Deus seja abençoado com a interpretação e exposição fiel das Escrituras.

  1. A Mordomia Cristã

Da adoração cristã deve fazer parte não só aquilo que somos, mas também o que Deus nos tem dado. Particularmente, quanto ao dinheiro, o Novo Testamento o reconhece como meio de troca e de ganhar a vida; e dá toda a ênfase possível à necessidade de diligência e da consciência no trabalho diário do cristão. Dentre tantas outras, há uma razão mais profunda para que o cristão se aplique ao trabalho de forma mais honesta e com o melhor de seus esforços: Adoramos a Deus no decurso das nossas tarefas diárias, e a oferenda a Ele de toda a perícia profissional e capacidade dedicada, com a melhor produtividade da nossa mente e mãos, faz parte do nosso culto cristão tanto quanto o cântico dos hinos e as devoções nos cultos na igreja. Daí a justificativa do acréscimo tipicamente paulino àquilo que parece ser uma exortação pré-cristã: “Trabalhai de todo o coração… como para o Senhor” (Cl 3.23).

O dinheiro que damos como parte do nosso culto a Deus, junta estes dois aspectos: a dádiva é “santificada”, e a adoração é “concretizada”, à medida em que o fruto do nosso trabalho diário é trazido e oferecido ao Senhor para uso no seu trabalho.

 

Comentário Biblico Moody

14-20. A ilustração do corpo está desenvolvida nestes versículos, com ênfase sobre a diversidade dos membros, por causa dos aparentemente inferiores, que achavam que seus dons não erva importantes. O pensamento chave é: O corpo não é um só membro, mas muitos (v. 14), e os membros foram colocados no corpo, cada um deles como lhe aprouve (v. 18). Assim, os aparentemente inferiores não deviam invejar os aparentemente superiores.

21-24. O relacionamento de dependência dos membros é conspícuo. Membros aparentemente superiores (tendo os dons mais espetaculares) não deviam desdenhar os aparentemente inferiores. Na verdade, Paulo diz, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos merecem mais atenção (pelo uso da roupa), e de acordo com esta analogia, os aparentemente inferiores podem esperar de Deus essa mesma igualação de dignidade dentro do corpo, a Igreja. Na verdade, é justamente o que Deus tem feito, pois Ele coordenou o corpo. Coordenou refere-se à mistura de dois elementos para transformá-los em um só composto, tal como o vinho e a água (A-S, pág. 245). O corpo é uma unidade.

  1. Para que. O propósito da unidade é (negativamente) para que não haja divisão (cons. 1:10; 11:18), no corpo; e (positivamente) para que cooperem os membros com igual cuidado, em favor uns dos outros.
  2. Os resultados naturais da união perfeita dos membros são sofrimento e o regozijo mútuo.
  3. O corpo de Cristo (lit. corpo de Cristo, sem artigo definido) não se refere à igreja local de Corinto, pois não existem muitos corpos, um pensamento contrário ao contexto. Antes, ele aponta para a qualidade do todo, o qual cada um deles individualmente ajuda a constituir (ICC, pág. 277).

 

A Igreja do Novo Testamento – TEOLOGIA SISTEMÁTICA STANLEY M. HORTON – Michael L. Dusing

Uma área da teologia cristã frequentemente desprezada ou tomada por certa é a doutrina da Igreja. Tal descuido deve-se, em parte, à suposição comum de que algumas áreas do estudo teológico são mais essenciais para a salvação e a vida cristã, como por exemplo as doutrinas de Cristo e da salvação, ao passo que outras são realmente mais emocionantes, como as manifestações do Espírito Santo ou a doutrina das últimas coisas. A Igreja, por outro lado, é assunto que muitos cristãos consideram conhecido. Afinal de contas, tem sido parte regular de sua vida. Que proveito haveria no estudo extensivo de algo tão comum e rotineiro na experiência da maioria dos crentes? A resposta, logicamente, é: bastante.

As Escrituras, juntamente com a história do desenvolvimento e expansão do Cristianismo, oferecem uma riqueza de introspecções à natureza e propósito da Igreja. Adquirir melhor conhecimento teológico sobre a Igreja não é somente um exercício acadêmico digno de nossa atenção. Torna-se essencial para obtermos uma perspectiva correta da teologia que deve ser aplicada à vida diária

A Igreja foi projetada e criada por Deus. É a sua maneira de prover alimento espiritual para o crente e oferecer uma comunidade de fé através da qual o Evangelho é proclamado e a sua vontade progride a cada geração. Logo, a doutrina da Igreja trata de questões de importância fundamental para o nosso comportamento cristão individual e a correta compreensão da dimensão corpórea da vida e ministério cristãos.

 

Origem e Desenvolvimento da Igreja

Definição de Igreja

Jesus assevera, em Mateus 16.18: “Edificarei a minha igreja”. Esta é a primeira entre mais de cem referências no Novo Testamento que empregam a palavra grega primária para “igreja”: ekklêsia, composta com a preposição ek (“fora de”) e o verbo kaleõ (“chamar”). Logo, ekklêsia denotava originalmente um grupo de cidadãos chamados e reunidos, visando um propósito específico. O termo é conhecido desde o século V a.C, nos escritos de Heródoto, Xenofontesy-Platão e Eurípedes. Este conceito de ekklêsia prevalecia especialmente na capital, Atenas, onde os líderes políticos eram convocados como assembleia constituinte até quarenta vezes por ano.1 O uso secular do termo também aparece no Novo Testamento. Em Atos 19.32,41, por exemplo, ekklêsia refere-se à turba enfurecida de cidadãos que se reuniu em Éfeso para protestar contra os efeitos do ministério de Paulo.2 Na maioria das vezes, porém, o termo tem uma aplicação mais sagrada e refere-se àqueles que Deus tem chamado para fora do pecado e para dentro da comunhão do seu Filho, Jesus Cristo, e que se tornaram “concidadãos do santos e da família de Deus” (Ef 2.19). Ekklêsia é sempre empregada às pessoas e também identifica as reuniões destas para adorar e servir ao Senhor.

A Septuaginta, tradução grega do Antigo Testamento, também emprega ekklêsia quase cem vezes, usualmente como tradução do termo hebraico qahal (“assembleia”, “convocação”, “congregação”). No AntigoTestamento, assim como no Novo, o termo às vezes se refere a uma assembleia religiosa (por exemplo, Nm 16.3Dt 9.10) e em outras ocasiões a uma reunião visando propósitos seculares, até mesmo malignos (Gn 49.6Jz 20.21 Rs 12.3 etc). Uma palavra hebraica com significado semelhante a qahal é ‘edah (“congregação”, “assembleia”, “agrupamento”, “reunião)’). E de relevância notar que ekklêsia é frequentemente usada na Septuaginta para traduzir qahal, mas nunca ‘edah. Pelo contrário, esta última palavra é mais frequentemente traduzida por sunagõgê (“sinagoga”). Por exemplo: a frase “comunidade de Israel” (Ex 12.3) podia ser traduzida por “sinagoga de Israel” se seguíssemos a versão da Septuaginta (ver também Êx ló.lss; Nm 14-lss.; 20.1ss).3

A palavra grega sunagõgê, assim como seu equivalente hebraico, ‘edah, tem o significado essencial de pessoas reunidas.4 Hoje, quando escutamos a palavra “sinagoga”, usualmente temos o retrato mental de uma assembleia de judeus reunidos para orar e escutar a leitura e exposição do Antigo Testamento. Significado semelhante também se acha no Novo Testamento (Lc 12.11; At 13.42 etc). E, embora os cristãos primitivos costumassem evitar a palavra para descrever a eles mesmos,5 Tiago não a evita ao (Tg 2.2) referir-se aos crentes que se reuniam para adorar, talvez por serem os seus leitores convertidos judaicos, na sua maioria.

Como consequência, quer nos refiramos aos termos hebraicos comuns qahal e ‘edah, quer às palavras gregas sunagõgê e ekklêsia, o significado essencial continua sendo o mesmo: a “Igreja” consiste naqueles que foram chamados para fora do mundo, do pecado e da vida alienada de Deus, os quais, mediante a obra de Cristo na sua redenção/foram reunidos como uma comunidade de fé que compartilha das bênçãos e responsabilidades de servir ao Senhor.

A palavra grega kuriakos (“pertencente ao Senhor”), que aparece apenas duas vezes no Novo Testamento (1 Co 11.20Ap 1.10), deu origem à palavra Church – “igreja”, em inglês (também Kirche, em alemão, ekirk, na Escócia). No cristianismo primitivo, tinha o significado de lugar onde se reunia a ekklêsia, a Igreja. O local da assembleia, independente do seu uso ou ambiente, era considerado “santo” ou pertencente ao Senhor, porque o povo de Deus se reunia ali para adorá-lo e servi-lo.

Hoje, “igreja” comporta vários significados. Refere-se frequentemente ao prédio onde os crentes se reúnem (por exemplo: “Estamos indo à igreja”). Pode indicar a nossa comunhão local ou denominação (“Minha igreja ensina o batismo por imersão”) ou um grupo religioso regional ou nacional (“a igreja da Inglaterra”). A palavra é empregada frequentemente com referência a todos os crentes nascidos de novo, independentemente de suas diferenças geográficas e culturais (“a Igreja do Senhor Jesus Cristo”). Mas seja como for, o significado bíblico de “igreja” refere-se primariamente não às instituições e culturas, mas sim às pessoas reconciliadas com Deus mediante a obra salvífica de Cristo e que agora pertencem a Ele.

 

Possíveis Origens

Nos círculos teológicos, a questão da origem exata da Igreja do Novo Testamento tem sido alvo de muitos debates. Alguns têm adotado uma abordagem bastante ampla, e sugerem que a Igreja existe desde o início da raça humana, incluindo todas as pessoas que já exerceram fé nas promessas de Deus, a partir de Adão e Eva (Gn 3.15). Outros apoiam um início veterotestamentário para a Igreja, especificamente nos relacionamentos pactuais entre Deus e o seu povo, a partir dos patriarcas e continuando durante o período mosaico. Muitos estudiosos preferem uma origem neotestamentá-ria para a Igreja, mas neste contexto também ha diferenças de opinião. Alguns, por exemplo, acreditam que a Igreja foi fundada quando Cristo começou publicamente seu ministério e chamou os 12 discípulos. Sobejam os pontos de vista, inclusive o de alguns ultradispensionalistas, que acreditam não ter a Igreja começado realmente antes do ministério e viagens missionárias do apóstolo Paulo. 6

A maioria dos estudiosos, quer sejam seus antecedentes pentecostais, evangélicos ou modernistas, acreditam que as evidências bíblicas são favoráveis ao dia de Pentecostes, em Atos 2, para a inauguração da Igreja. 7

Alguns, no entanto, reconhecem que a morte de Cristo efetivou a nova aliança (Hb 9.15,16). Por isso, entendem ser João 20.21-23 a inauguração da Igreja, como incorporação à nova aliança (cf. João 20.29, que demonstra já serem crentes os discípulos – já estavam dentro da Igreja antes de serem revestidos de poder pelo batismo no Espírito Santo).

Várias são as razões para crermos que a Igreja teve sua origem ou pelo menos foi publicamente reconhecida pela primeira vez no dia de Pentecostes. Embora na era pré-cristã Deus certamente se associasse a uma comunidade pactuai de fiéis, não há evidências claras de que o conceito de Igreja existisse no período do Antigo Testamento. Ao citar expressamente ekklêsia pela primeira vez (Mt 16.18), Jesus falava de algo que iniciaria no futuro (“edificarei” [gr. oikodomêsõ] é um verbo no futuro simples, não uma expressão de disposição ou determinação).

Na condição de corpo de Cristo, é natural que a Igreja dependa integralmente da obra concluída por Ele na Terra (sua morte, ressurreição e ascensão) e da vinda do Espírito Santo (Jo 16.7; At 20.28; 1 Co 12.13). Millard J. Erickson observa que Lucas não emprega ekklêsia no seu evangelho, mas a palavra aparece 24 vezes em Atos dos Apóstolos. Este fato sugere que Lucas não tinha nenhum conceito da presença da Igreja antes do período abrangido em Atos.8 Imediatamente após àquele grande dia em que o Espírito Santo foi derramado sobre os crentes reunidos, a Igreja começou a propagar poderosamente o Evangelho, conforme fora predito pelo Senhor ressurreto em Atos 1.8. A partir daquele dia, a Igreja continuou a propagar-se e a aumentar no mundo inteiro, mediante o poder e orientação daquele mesmo Espírito Santo.

 

Um Breve Histórico

À medida que a Igreja crescia, no decurso dos séculos que sucederam a era do Novo Testamento, seu caráter sofreu várias alterações, algumas das quais se afastavam muito dos ensinos e padrões da Igreja do primeiro século. Há obras excelentes a respeito da história do Cristianismo, que dariam ao leitor uma perspectiva mais ampla e nítida sobre a trajetória da Igreja. Visando os propósitos específicos deste capítulo, porém, são cabíveis algumas breves observações.

Durante a era patrística (o período antigo dos pais da Igreja e dos apologistas da fé), a Igreja experimentou dificuldades externas e internas. Externamente, sofria perseguições severas pelo Império Romano, especialmente durante os trezentos anos iniciais. Ao mesmo tempo, dentro da Igreja desenvolviam-se numerosas heresias, que a longo prazo revelaram-se mais desastrosas que as perseguições.

A Igreja, pela graça soberana de Deus, sobreviveu a esses tempos árduos e continuou crescendo, mas não sem algumas mudanças de consequências negativas. No esforço para manter a união, a fim de melhor resistir às devassas causadas pelas perseguições e heresias, a Igreja cada vez mais cerrava fileiras com os seus líderes, elevando a autoridade destes. Especialmente depois de conseguirem a paz e harmonia política com o governo romano do século IV, a hierarquia religiosa foi subindo de categoria. A medida que era aumentada a autoridade e o controle dos clérigos (especialmente dos bispos), diminuía a importância e a participação dos leigos. Dessa maneira, a Igreja se tornava cada vez mais institucionalizada e menos dependente do poder e orientação do Espírito Santo. O poder do bispo de Roma e da igreja sob seu controle foi crescendo, de modo que, próximo do fim da Era Antiga, a posição de papa e a autoridade da organização, que começava a ser chamada Igreja Católica Romana, se solidificaram na Europa Ocidental. A Igreja ocidental, no entanto, separou-se e permaneceu sob a direção de bispos chamados “patriarcas”.

Na Idade Média, a Igreja continuava seguindo em direção à formalidade e ao institucionalismo. O papado procurava exercer sua autoridade, não somente em questões espirituais mas também nos assuntos temporais. Muitos papas e bispos tentaram “espiritualizar” esse período da história, no qual imaginavam o Reino de Deus (ou a Igreja Católica Romana) espalhando sua influência e regulamentos por toda a Terra. Tal atitude resultou numa tensão constante entre os governantes seculares e os papas pela manutenção do controle. Não obstante, com poucas exceções, o papado mantinha a supremacia em quase todas as áreas da vida.

É certo que nem todos aceitaram a crescente seculariza-ção da Igreja e sua aspiração de cristianizar o mundo. Houve algumas tentativas notáveis de reformar a Igreja, na Idade Média, e de recolocá-la no caminho da verdadeira espiritualidade. Vários movimentos monásticos (por exemplo, os cluníacos do século X e os franciscanos do século XIII) e até mesmo leigos (os albigenses e os valdenses, ambos do século XII) fizeram esforços nesse sentido. Figuras de destaque, como os místicos Bernardo de Clarival (século XII) e Catarina de Siena (século XIV) e clérigos católicos, como John Wycliffe (século XIV) e João Hus (final do século XIV, início do século XV) procuravam livrar a Igreja Católica de seus vícios e corrupção e devolvê-la aos padrões e princípios da Igreja do Novo Testamento. A Igreja de Roma, no entanto, rejeitava de modo geral essas tentativas de reforma. Ao contrário, tornava-se cada mais endurecida na doutrina e institucionalizada na tradição. Semelhante atitude tornou quase inevitável a Reforma Protestante.

No século XVI, surgiram grandes reformadores que tomaram a dianteira na revolução da Igreja: Martinho Lutero, Ulrich Zuínglio, João Calvino e João Knox, entre outros. Juntamente com seus seguidores, compartilhavam de muitas das mesmas idéias dos reformadores que os antecederam. Entendiam que Cristo, e não o papa, era o verdadeiro cabeça da Igreja; as Escrituras, e não a tradição da Igreja, eram a verdadeira base da autoridade espiritual; e a fé somente, e não as obras, era essencial para a salvação. A Renascença ajudara a preparar o caminho para a introdução e aceitação dessas idéias, que haviam sido plenamente aceitas na Igreja do século I mas que agora pareciam radicais, na Igreja do século XVI. Os reformadores tinham opiniões diferentes entre si no tocante a muitas das doutrinas e práticas específicas do Cristianismo, como as ordenanças e o governo da Igreja, conforme estudaremos em seções posteriores deste capítulo. Mas todos eles tinham em comum uma paixão pela volta à fé e prática bíblicas.

Nos séculos depois da Reforma (ou era da pós-Reforma), os indivíduos e as organizações têm seguido direções as mais variadas na tentativa de aplicar sua interpretação do cristianismo neotestamentário. Infelizmente, alguns têm repetido erros do passado, enfatizando os rituais e o formalismo da Igreja institucional, às custas da ênfase que a Bíblia dá à salvação pela graça mediante a fé e à vida no Espírito.

O racionalismo do século XVIII ajudou a montar o palco para muitos do ensinos modernistas e às vezes anti-sobrenaturais dos séculos XIX e XX. Louis Berkhof declara muito acertadamente que semelhantes movimentos têm levado “ao conceito liberal moderno de Igreja como um mero centro social, uma instituição humana, ao invés de plantio de Deus”.De uma perspectiva mais positiva, no entanto, a era pós-Reforma também tem presenciado reações contra essas tendências sufocantes e liberalizantes. As reações surgiram de movimentos que têm ansiado por uma experiência genuína com Deus, e a têm recebido. O movimento pietista (século XVII), os movimentos morávio e metodista (século XVIII) e os grandes despertamentos, o movimento da Santidade e o movimento Pentecostal (séculos XVIII-XX), todos são indícios de que a Igreja fundada por Jesus Cristo (cf. Mt 16.18) ainda está com vida e saúde, e que continuará a progredir até sua segunda vinda.

 

A Natureza da Igreja

Termos Bíblicos Aplicados à Igreja

Já temos uma definição de Igreja com base nos termos bíblicos primários, como ekklêsia (um grupo de cidadãos reunidos visando um propósito específico) e kuriakos (um grupo que pertence ao Senhor). A natureza da Igreja, no entanto, é por demais extensiva para ser englobada em poucas e simples definições. A Bíblia emprega numerosas descrições metafóricas da Igreja, sendo que cada uma delas retrata um aspecto diferente do que ela é e do que é chamada a fazer. Paul Minear observa que cerca de oitenta termos neotestamentários delineiam o significado e o propósito da Igreja.10 Explorar cada um deles seria um estudo fascinante. Mas, no presente capítulo, bastará examinar as designações mais relevantes.

Povo de Deus. O apóstolo Paulo aproveita a descrição de Israel no Antigo Testamento, aplicando-a à Igreja do Novo Testamento quando declara: “Como Deus disse: Neles habitarei e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (2 Co 6.16; cf. Lv 26.12). Por toda a Bíblia a Igreja é retratada como o povo de Deus. Assim como no Antigo Testamento Deus criou Israel a fim de ser um povo para si mesmo, também a Igreja no Novo Testamento é criação de Deus, “o povo adquirido” por Ele (1 Pe 2.9,10; cf. Dt 10.15Os 1.10). Desde o começo da Igreja e no decurso de sua história, fica evidente que o destino da Igreja está alicerçado na iniciativa e vocação divinas. Conforme Robert L. Saucy, a Igreja é “um povo chamado para fora por Deus, incorporado em Cristo e habitado pelo Espírito”.11

A Igreja, como povo de Deus, é descrita em termos muito significativos. A Igreja é um corpo “eleito”. Isto não significa que Deus tem arbitrariamente escolhido uns para a salvação e outros para a condenação eterna. O povo de Deus é chamado “eleito” no Novo Testamento porque Deus tem “escolhido” a Igreja para fazer a sua obra nesta era, por meio do Espírito Santo, que está ativamente operante a santificar os crentes e conformá-los à imagem de Cristo (Rm 8.28,29).

Mais de cem vezes o povo de Deus é chamado os “santos” (gr. hagioi) de Deus, no Novo Testamento. Não se entenda as pessoas assim designadas como ue condição espiritual superior, nem seu comportamento perfeito ou “santo”. (As muitas referências à Igreja em Corinto como “santos de Deus” devem servir de indício suficiente desse fato.) Pelo contrário, ressalta-se novamente que a Igreja é a criação de Deus e que, pela iniciativa divina, os crentes são “chamados para serem santos” (1 Co 1.2). O povo de Deus é freqüentemente designado como os que estão “em Cristo”, o que dá a entender sejam beneficiários da obra expiadora de Cristo e participem coletivamente dos privilégios e responsabilidades de serem chamados cristãos (gr. cristianous) .n

Alude-se também ao povo de Deus de outras maneiras. Três delas merecem ser mencionadas resumidamente aqui: “crentes”, “irmãos” e “discípulos”. “Crentes” provém do termo grego pistoi (“os fiéis”). Esse termo dá a entender que o povo de Deus não somente creu, ou seja: em algum momento do passado deu assentimento mental à obra salvífica de Cristo, mas também vive continuamente em atitude de fé, confiança obediente e da dedicação ao seu Salvador. (Esse fato é ressaltado ainda por pistoi normalmente ser encontrado no tempo presente no Novo Testamento, o que denota ação contínua). “Irmãos” (gr. adelphoi) é um termo genérico, que se refere tanto a homens quanto a mulheres, freqüentemente usado pelos escritores do Novo Testamento para expressar o fato de que os cristãos são chamados para amar, não somente ao Senhor, como também uns aos outros (1 Jo 3.16). O amor mútuo e a comunhão são inerentes entre o povo de Deus e servem para lembrar que, independentemente de vocação ou cargo individual no ministério, todos os irmãos desfrutam de uma posição de igualdade na presença do Senhor (Mt 23.8).

A palavra “discípulos” (gr. mathêtai) significa “aprendizes”, “alunos” ou “estudantes”. Ser aluno nos tempos bíblicos significava muito mais que escutar e assimilar mentalmente as informações dadas pelo professor. Esperava-sé também que o aluno imitasse o caráter e a conduta do professor. O povo de Deus é realmente conclamado a ser discípulo semelhante ao seu Mestre, Jesus Cristo. Conforme declara Jesus: “Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente, sereis meus discípulos” (Jo 8.31). Jesus não oferece nenhuma falsa impressão da vida de discípulo, como se fosse fácil e popularmente atraente (ver Lc 14.26-33), mas a tem por essencial àqueles que desejarem segui-lo. O teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, acertadamente, observa que o verdadeiro discipulado cristão requer a disposição de deixar morrer o ego e de entregar tudo a Cristo. O discipulado autêntico é possível somente através do que Bonhoeffer chama “graça dispendiosa”, acrescentando: “Essa graça é dispendiosa porque nos chama a seguir, e é graça porque nos chama a seguir Jesus Cristo. E dispendiosa porque custa ao homem sua própria vida, e é graça porque dá ao homem a única vida verdadeira”. 13

Corpo de Cristo. Figura bíblica da máxima relevância para representar a Igreja é o “corpo de Cristo”. Era a expressão predileta do apóstolo Paulo, que frequentemente comparava os inter-relacionamentos e funções dos membros da Igreja com partes do corpo humano. Os escritos de Paulo enfatizam a verdadeira união, que é essencial na Igreja. Por exemplo: “O corpo é um e tem muitos membros… assim é Cristo também” (1 Co 12.12). Da mesma forma que o corpo de Cristo tem o propósito de funcionar eficazmente como uma só unidade, também os dons do Espírito Santo são dados para equipar o corpo “pelo Espírito Santo… o mesmo Senhor… o mesmo Deus que opera tudo em todos… para o que for útil” (1 Co 12.4-7). Por esta razão, os membros do corpo de Cristo devem agir com grande cautela “para que não haja divisão [gr. schisma]no corpo, mas, antes, tenham os membros igual cuidado uns dos outros” (1 Co 12.25; cf. Rm 12.5). Os cristãos podem ter essa união e mútua solicitude porque foram todos “batizados em um Espírito, formando um corpo” (1 Co 12.13). A presença do Espírito Santo, habitando em cada membro do corpo de Cristo, permite a manifestação legítima dessa união. Gordon D. Fee declara, , com razão: “Nossa necessidade urgente é uma obra soberana do Espírito para fazer entre nós o que nossa ‘união programada não consegue fazer”. 14

Embora deva existir união no corpo de Cristo, não se constitui antítese enfatizar que é necessária a diversidade para o bom funcionamento do corpo de Cristo. No mesmo contexto em que Paulo enfatiza a união, também declara: “Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos” (1 Co 12.14). Referindo-se à mesma analogia, em outra Epístola, Paulo declara: “Assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação…” (Rm 12.4). Fee observa que a união “não importa na uniformidade… nem pode existir verdadeira união se não há diversidade”.15

A preciosa relevância dessa diversidade é ressaltada em todas as partes de 1 Coríntios 12, especialmente em conexão com os dons espirituais, tão essenciais ao ministério da Igreja (ver 1 Co 12.7-11,27-33; cf. Rm 12.4-8). Deus usa métodos diferentes para moldar os membros da Igreja. Ele não chama todos ao mesmo ministério nem os equipa com o mesmo dom. Pelo contrário, à semelhança do corpo humano, Deus formou a Igreja de tal maneira que ela funciona melhor quando cada parte (ou membro) cumpre com eficiência o papel (ou vocação) a que foi destinado.

Dessa maneira, há uma “unidade na diversidade” dentro do corpo de Cristo. Inerente a essa metáfora, portanto, existe a ideia da mutualidade: cada crente cooperando com os demais membros e esforçando-se em prol da edificação de todos. Esse modo de viver pode, por exemplo, envolver o sofrer com os que estão sofrendo dores ou o regozijo com os que estão sendo honrados (1 Co 12.26). Implica também em levar o fardo de um irmão ou irmã no Senhor (Gl 6.2) ou ajudar na restauração de quem caiu no pecado (Gl 6.1). Há, nas Escrituras, uma infinidade de práticas citadas como exemplos dessa mutualidade. A lição principal é que nenhum membro individual do corpo de Cristo pode ter um relacionamento exclusivo e individualista com o Senhor. Cada “indivíduo” é, na realidade, um componente necessário à estrutura corpórea da Igreja. Assevera Claude Welch: “Não há cristianismo puramente particular, porque estar na igreja é estar em Cristo, e qualquer tentativa no sentido de fazer uma separação entre o relacionamento com Cristo pela fé e a afiliação na igreja, é uma perversão do modo neotestamentário de entender o assunto”. 16

Um último aspecto na figura do corpo de Cristo é o relacionamento entre o Corpo e sua Cabeça, Jesus Cristo (Ef 1.22,235.23).17 Como Cabeça do Corpo, Cristo é tanto a fonte quanto õ sustento da vida da Igreja. A medida que seus membros se curvarem à liderança de Cristo e funcionarem conforme Ele deseja, o corpo de Cristo será alimentado e sustentado e “vai crescendo em aumento de Deus” (Cl 2.19). A unidade, a diversidade e a mutualidade, indispensáveis ao corpo de Cristo, podem ser conseguidas à medida que “cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, do qual todo o corpo… segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor” (Ef 4.15,16).

Templo do Espírito. Outra figura muito significativa da Igreja, no Novo Testamento, é “o templo do Espírito Santo”. Os escritores bíblicos empregam vários símbolos para representar os componentes da construção desse templo, que têm seu paralelo nos materiais necessários à construção de uma estrutura terrestre. Por exemplo: toda edificação precisa de um alicerce sólido. Paulo indica com clareza que o alicerce primário da Igreja é a pessoa e obra históricas de Cristo: “Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Co 3.11). Em outra Epístola, no entanto, Paulo afirma que, em outro sentido, a Igreja é edificada “sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas” (Ef 2.20). Talvez isto signifique que esses primeiros líderes tivessem sido usados de modo muito especial pelo Senhor, a fim de estabelecer e fortalecer o templo do Espírito com os ensinos e práticas que haviam aprendido de Cristo e que continuam a ser comunicados aos crentes hodiernos através das Escrituras.

Outro componente dessa edificação espiritual, que existe em estreita relação com o alicerce, é a “principal pedra da esquina”. Nas edificações modernas, a pedra da esquina é usualmente mais simbólica que parte integrante dos alicerces, onde é gravada a data em que foi lançada e os nomes dos principais benfeitores envolvidos. Na era bíblica, no entanto, a pedra da esquina era da máxima relevância. Normalmente maior que as demais pedras, orientava o desenvolvimento do projeto para o restante da edificação e dava simetria à obra inteira.18 Cristo é descrito como “a principal pedra da esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo no Senhor” (Ef 2.20,21; cf. 1 Pe 2.6,7).

As pedras normais, necessárias para completar a estrutura, estavam ligadas à pedra da esquina. O apóstolo Pedro retrata os crentes desempenhando aquele papel, e os descreve “como pedras vivas, [que] sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo” (1 Pe 2.5). O termo aqui empregado por Pedro é lithos (“pedra”), uma palavra grega muito comum. No entanto, em contraste aos sinônimos mais familiares, petros (uma pedra solta ou pedregulho) e petra (uma rocha sólida de tamanho suficiente para ser um alicerce), as “pedras vivas” (gr. lithoi zõntes), neste contexto, sugerem “pedras lavradas”, ou seja, que foram cortadas e adaptadas pelo mestre da obra (Cristo) para encaixaram corretamente. 19 Tanto em Efésios 2 quanto em 1 Pedro 2, os verbos que descrevem a construção desse templo usualmente estão no tempo presente, o que transmite a ideia de ação contínua. Talvez seja possível inferir daí que os cristãos “ainda estão em obras”. O propósito é, naturalmente, enfatizar que a obra santificadora do Espírito é um empreendimento progressivo e contínuo a fim de realizar os propósitos de Deus na vida dos crentes. Estão sendo bem ajustados para ser um templo santo no Senhor, edificados para tornar-se morada de Deus no Espírito” (Ef 2.21,22).

A metáfora do templo do Espírito Santo confirma ainda mais que a terceira Pessoa da Trindade habita na Igreja, quer individual, quer coletivamente. Por exemplo: Paulo pergunta aos crentes de Corinto: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?… O templo de Deus, que sois vós, é santo” (1 Co 3.16,17). Nesse trecho específico, Paulo está se dirigindo à Igreja coletivamente (“vós”). Em 1 Coríntios 6.19, Paulo faz referência ao crente individual: “Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus?” Nos capítulos 3 e 6 de 1 Coríntios, bem como num texto semelhante, em 2 Coríntios 6.16ss, a palavra empregada por Paulo com o sentido de “templo” é naos. Diferentemente do termo mais geral, hieron, que se refere ao templo inteiro, inclusive seus átrios, naos significa o santuário interior, o Santo dos Santos onde o Senhor manifesta a sua presença de uma maneira especial. Paulo está dizendo, com efeito, que os crentes, como templo do Espírito Santo, são nada menos que a habitação de Deus.

O Espírito de Deus não somente transmite à Igreja poder para o serviço (At 1.8), como também a sua vida, ao habitar dentro dela. 20 Consequentemente, há um entendimento real de que as qualidades que exemplificam sua natureza (por exemplo, o “fruto do Espírito”, Gl 5.22,23) acham-se na Igreja, evidenciando, assim, que ela está andando no Espírito (G15.25).

Outras figuras. Além do conjunto um tanto trinitariano das figuras da Igreja, mencionadas supra (povo de Deus, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo), muitas outras metáforas bíblicas nos ajudam a ampliar a perspectiva da natureza da Igreja. Retratos da Igreja como o sacerdócio dos crentes (1 Pe 2.5,9), a Noiva de Cristo (Ef 5.23-32), o rebanho do Bom Pastor (Jo 10.1-18) e os sarmentos da Videira verdadeira (Jo 15.1-8) são algumas amostras das diversas maneiras como as Escrituras representam a composição e as características distintivas da Igreja verdadeira, que consiste nos redimidos. De maneiras diferentes, essas figuras de linguagem ilustram a identidade e propósito da Igreja, que Jesus expressa de modo tão belo na sua oração sacerdotal: [Rogo] para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu, em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste… para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim e que tens amado a eles como me tens amado a mim (Jo 17.21,23).

 

Caráter da Graça

Além das metáforas que descrevem a natureza da Igreja, as Escrituras sugerem outros conceitos pelos quais os teólogos lhe descrevem o caráter. Uma forma comum é retratar a Igreja sob duas perspectivas: local e universal. Há muitas referências, no Novo Testamento, à Igreja universal, como a proclamação de Jesus, em Mateus 16.18: “Edificarei a minha igreja”; ou a declaração de Paulo, em Efésios 5.25: “Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela”. A Igreja universal abrange todos os crentes verdadeiros, independente das diferenças geográficas, culturais ou denominacionais. São os que corresponderam a Cristo com fé e obediência e são agora “membros de Cristo” e, consequentemente, “membros uns dos outros” (ver Rm 12.5).

A expressão “Igreja universal” é empregada em alguns círculos com algumas variantes: “igreja ecumênica” e “igreja católica”. Embora os termos “ecumênico” e “católico” signifiquem simplesmente “universal”, o emprego histórico ocasionou diferenças substanciais. Se falamos hoje em igreja “ecumênica”, por exemplo, normalmente nos referimos a uma organização composta de várias denominações que se reúnem em torno das crenças ou práticas (ou ambas) qúe sustentam em comum. O termo “católico” se tem essencialmente tornado sinônimo da Igreja Católica Romana. Embora certamente haja crentes genuínos dentro das fileiras dessas organizações, seria engano confundir associações terrestres com o corpo universal dos crentes.

Idealmente, a igreja local deve ser uma pequena réplica da Igreja universal. Isto é, deve ser composta de pessoas pertencentes a todas as situações históricas, culturas raciais ou étnicas e níveis sócio-econômicos, que nasceram de novo e compartilham a dedicação de suas vidas ao senhorio de Jesus Cristo. Infelizmente, semelhantes ideais espirituais são raramente alcançados entre seres humanos, que são um pouco menos que glorificados. Assim como nos tempos do Novo Testamento, é possível haver nas assembleias cristãs locais ovelhas insinceras ou até mesmo falsas entre o rebanho. E assim, a despeito das melhores intenções, a igreja local muitas vezes fica aquém do caráter e natureza da Igreja universal verdadeira.

Semelhantemente, a Igreja é também chamada “visível” e “invisível”. Esta distinção aparecia já na literatura cristã, nos tempos de Agostinho, e achava-se frequentemente nos escritos dos reformadores, como Lutero e Calvino.21 Alguns oponentes de Lutero acusaram-no de estar sugerindo, na prática, haver duas igrejas diferentes. Isto, em parte, porque Lutero falava de uma ekklêsiola dentro da ekklêsia visível. A intenção de Lutero, no entanto, não era distinguir duas igrejas, mas apontar dois aspectos da Igreja única de Jesus Cristo. A expressão luterana simplesmente indica que a Igreja é invisível por ser de natureza essencialmente espiritual: os crentes estão invisivelmente unidos com Cristo pelo Espírito Santo, as bênçãos da salvação não se podem discernir pelo olho natural, etc. A Igreja invisível, no entanto, assume forma visível na organização externa, terrestre. A Igreja é apresentada de várias maneiras através do testemunho e conduta prática cristã e do ministério tangível dos crentes, coletiva e individualmente. A Igreja visível, assim como a igreja local, deve ser uma versão menor da Igreja invisível (ou universal); porém, conforme já observado, nem sempre acontece assim. A pessoa pode professar fé em Cristo sem realmente conhecê-lo como Salvador e, embora se associe com a Igreja como instituição externa, pode não pertencer realmente à Igreja invisível. 22

A tendência, no decurso da história da Igreja, tem sido oscilar entre um extremo e outro. Por exemplo: algumas tradições, como a Católica Romana, a Ortodoxa Oriental e a Anglicana, enfatizam a prioridade da Igreja institucional ou visível. Outras, como a dos quacres e dos Irmãos de Plymouth, ressaltando uma fé mais interna e subjetiva, têm desprezado e até mesmo criticado qualquer tipo de organização e estrutura formal, e buscam a verdadeira Igreja invisível. Conforme observa Millard Erickson, as Escrituras certamente consideram prioridade a condição espiritual do indivíduo e sua posição na Igreja invisível, mas não a ponto de desconsiderar ou menosprezar a importância da organização da Igreja visível. Sugere que, embora haja distinções entre a Igreja visível e a invisível, é importante adotarmos uma abordagem abrangente, de maneira que procuremos deixar as duas serem tão idênticas quanto possível. “Assim como nenhum crente verdadeiro deve estar fora da comunhão, devemos também diligenciar a fim de garantirmos que somente crentes verdadeiros estejam dentro da comunhão”. 23

“Seria impossível entender a natureza e o caráter verdadeiros da Igreja (local ou universal, visível ou invisível) sem reconhecer que ela, desde o seu início, tem recebido poder e orientação do Espírito Santo. Pode-se perceber esse fato pelo que Lucas deixou registrado em Atos dos Apóstolos: o início e desenvolvimento da Igreja, as três primeiras décadas da sua existência. As epístolas posteriores do Novo Testamento e a continuação da história da Igreja dão ainda mais ênfase ao papel vital do Espírito Santo na sua trajetória. Imediatamente antes da ascensão, Jesus declarou aos seus discípulos: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8). Com referência ao ministério do Espírito, que viria dentro em breve a revesti-los de poder, Jesus antecipara aos seus seguidores que estes fariam coisas ainda maiores que as que o viam fazer (Jo 14.12). A promessa foi confirmada a partir do derramamento incomparável do Espírito Santo, no dia de Pentecostes.

O leitor de Atos dos Apóstolos fica maravilhado, não somente diante da grande aceitação inicial dos primeiros dons, profecia e exortação, exteriorizados pelo apóstolo Pedro – cheio do Espírito Santo – quando cerca de três mil pessoas foram salvas, mas também diante da continuada aceitação por aqueles que foram alcançados pelo ministério de uma Igreja revestida do poder do Espírito Santo e por Ele equipada (ver At 2.47; 4.4,29-33; 5.12-16 etc). No tocante à mensagem de Pedro no dia de Pentecostes, certo estudioso evangélico (não-pentecostal) declara: “Realmente não podemos explicar os resultados do sermão de Pedro simplesmente pela perícia com que foi preparado e pregado. A razão do seu sucesso acha-se no poder do Espírito Santo”. Semelhantemente, o mesmo estudioso declara que a continuada eficácia dos crentes primitivos descrita em Atos dos Apóstolos não pode ser explicada em termos de capacidade e esforço próprios: “Não eram pessoas incomuns. Os resultados eram uma consequência do ministério do Espírito Santo”. 24

O Espírito Santo continuava a fortalecer e orientar a Igreja após a era neotestamentária. Contrariamente à opinião popular em alguns arraiais não-pentecostais, os dons e manifestações do Espírito Santo nãc/cessaram no fim da era apostólica, mas continuaram nos séculos que se seguiam ao período do Novo Testamento.25 Conforme observado numa seção anterior, há poucas dúvidas de que, à medida que a Igreja se expandia, alcançava existência jurídica e aceitação e se tornava cada vez mais formal e institucionalizada, seu senso de dependência imediata da orientação e capacitação do Espírito começou a desvanecer. Vários movimentos reavivalistas, no entanto, proporcionam evidências históricas de que a posição de destaque do Espírito não foi totalmente esquecida ou desconsiderada.

A Igreja moderna, especialmente os membros alistados entre as centenas de milhões de crentes pentecostais existentes no mundo inteiro, jamais devem perder de vista a importância bíblica e teológica de continuar prestando atenção e obediência à soberana atuação do Espírito de Deus. Suas ações são manifestas, não somente em demonstrações incomuns de poder miraculoso como também de maneira normativa, cuja orientação e assistência é às vezes quase imperceptível (cf. 1 Rs 19.11,12). A Igreja hodierna precisa manter-se receptiva e submissa à direção e suave orientação do Espírito Santo. Somente assim o cristianismo contemporâneo poderá proclamar afinidade com a Igreja do Novo Testamento.

Outra maneira de entender o caráter da Igreja do Novo Testamento é examinando o seu relacionamento com o Reino de Deus (gr. basileia tou theou). O Reino era um dos principais ensinos de Jesus durante seu ministério terrestre. E, na realidade, embora os evangelhos registrem apenas três menções específicas à igreja (ekklêsia, todas declarações de Jesus, registradas em Mt 16 e 18), estão repletos de ênfases ao Reino.

O termo basileia (“reino”) é usualmente definido como o governo de Deus, a esfera universal do seu domínio. Seguindo esse modo de entender, alguns fazem distinção entre Reino e Igreja. Consideram que o Reino inclui todas as criaturas celestiais não caídas (os anjos) e os redimidos entre a raça humana (antes e depois dos tempos de Cristo).26 Por contraste, a Igreja consiste mais especificamente de seres humanos regenerados mediante a obra expiadora de Cristo.

Os que defendem tal distinção acreditam também que o Reino de Deus transcende o tempo e tem a mesma duração que o Universo, ao passo que a Igreja tem um ponto inicial específico e também terá um ponto culminante específico, na segunda vinda de Cristo. Partindo-se dessa perspectiva, portanto, o Reino consiste nos redimidos de todos os tempos (os santos do Antigo e do Novo Testamento), enquanto a Igreja consiste naqueles que foram redimidos a partir da obra completa de Cristo (sua crucificação e ressurreição). De conformidade com esse raciocínio, a pessoa pode ser membro do Reino de Deus sem pertencer à Igreja (por exemplo, os patriarcas Moisés e Davi), mas quem é membro da Igreja pertence simultaneamente ao Reino. A medida que mais indivíduos se convertem a Cristo e se tornam membros da Igreja, somam-se também ao Reino, que assim cresce.

Outros interpretam de modo diferente a distinção entre Reino e Igreja. George E. Ladd entendia que o Reino era o reinado de Deus, e a Igreja, por contraste, a esfera do domínio divino – as pessoas sujeitas ao governo de Deus. De modo semelhante ao que distinguem entre Reino e Igreja, Ladd achava que não se deveria equiparar os dois. Pelo contrário, o Reino cria a Igreja, e a Igreja dá testemunho do Reino. Além disso, a Igreja é instrumento e depositária do Reino, como também a forma que o Reino ou reinado de Deus assume na Terra: uma manifestação concreta do governo soberano de Deus entre a raça humana. 27

Outros distinguem Reino de Deus e Igreja por acreditarem ser aquele primariamente um conceito escatológico, ao passo que esta possui uma identidade mais temporal e presente. Louis Berkhof considera que a ideia bíblica primária do Reino é o governo de Deus “reconhecido nos corações dos pecadores mediante a poderosa influência regeneradora do Espírito Santo”. Esse governo já é exercido na Terra, em princípio (“a realização presente dele é espiritual e invisível”), mas não o será de modo completo antes da segunda vinda visível de Cristo. Em outras palavras, Berkhof defende um aspecto de “já/ainda não” operando no relacionamento entre o Reino e a Igreja. Por exemplo: Jesus enfatizava a realidade presente e o caráter universal do Reino, concretizados de modo inédito mediante seu próprio ministério. Além disso, Ele oferecia uma esperança futura: o Reino que viria em glória. Nesse aspecto, Berkhof não fica longe das posições teológicas declaradas supra, que descrevem o Reino em termos mais amplos que a Igreja. O Reino (palavras dele) “visa nada menos que o total controle de todas as manifestações da vida. Representa o domínio de Deus em todas as esferas da atividade humana”. 28

O Propósito da Igreja

O capítulo 17 deste livro trata da missão da Igreja. Antes de concluirmos esta seção, que fala da natureza da Igreja, vale a pena fazer algumas observações a respeito do propósito para o qual a Igreja foi chamada à existência. O propósito do Senhor não era que a Igreja apenas existisse como finalidade em si mesma, para se tornar, por exemplo, simplesmente mais uma unidade social formada por membros de mentalidade semelhante. Pelo contrário, a Igreja é uma comunidade formada por Cristo em benefício do mundo. Cristo entregou-se em favor da Igreja, e então a revestiu com o poder do dom do Espírito Santo a fim de que ela pudesse cumprir o plano e propósito de Deus. Muitos itens podem ser incluídos num estudo sobre a missão da Igreja. Este breve estudo só incluirá, porém, quatro deles: a evangelização, a adoração, a edificação e a responsabilidade social.

A parte central das últimas instruções de Jesus aos seus discípulos, antes da sua ascensão, foi a ordem (não uma sugestão) de evangelizar o mundo e fazer novos discípulos (Mt 28.19; At 1.8). Cristo não abandonou aqueles evangelistas à sua própria capacidade ou técnica. Ele os comissionou a ir com a sua autoridade (Mt 28.18) e no poder do Espírito Santo (At 1.8). O Espírito levaria a efeito a convicção do pecado (Jo 16.8-11); os discípulos deveriam proclamar o Evangelho. A tarefa da evangelização ainda faz parte imperativa da missão da Igreja. A Igreja é chamada a ser uma comunidade evangelizadora. Este mandamento não tem restrições nem fronteiras geográficas, raciais ou sociais. Erickson declara: “O evangelismo local, a extensão ou a implantação de igrejas, bem como as missões mundiais, são uma única e a mesma coisa. A única diferença acha-se na distância do raio de alcance”.29 Os crentes atuais não devem esquecer que, embora sejam eles os instrumentos da proclamação do Evangelho, não deixa de ser o Senhor da colheita quem produz o incremento. Os crentes não têm de prestar contas do seu “sucesso” (segundo os padrões do mundo), mas da sua dedicação e fidelidade no serviço.

A Igreja também é chamada a ser uma comunidade que adora. A palavra “adoração’, no inglês antigo, denota a pessoa que recebe honra proporcional à sua dignidade.30 A adoração genuína é caracterizada quando a Igreja centraliza a sua atenção no Senhor, e não em si mesma.31 Quando Deus é adorado exclusivamente, os crentes que assim o adoram são invariavelmente abençoados e espiritualmente fortalecidos. A adoração não precisa ser limitada somente aos cultos regulares do cronograma da igreja. Na realidade, todos os aspectos da nossa vida cristã devem caracterizar-se pelo desejo de exaltar e glorificar ao Senhor. Parece ser esta a razão de Paulo dizer: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Co 10.31).

Um terceiro propósito da Igreja é ser uma comunidade edificante. Na evangelização, a Igreja focaliza o mundo; na adoração, volta-se para Deus; e, na edificação, atenta (corretamente) para si mesma. Repetidas vezes, nas Escrituras, os crentes são admoestados a edificar uns aos outros para assim formarem uma comunidade idônea (cf. Ef 4.12-16). A edificação pode ser levada a efeito por muitos meios práticos. Por exemplo: ensinar e instruir os outros nos caminhos de Deus certamente enriquece a família da fé (Mt 28.20Ef 4.11,12). Administrar a correção espiritual numa atitude de amor é essencial na ajuda ao irmão desviado, a fim de que permaneça no caminho da fé (Ef 4.15Gl 6.1). Compartilhar com os necessitados (2 Co 9), levar os fardos uns dos outros (Gl 6.2) e fornecer oportunidades para convívio e interação social cristãos sadios são meios relevantes de edificar o corpo de Cristo.

A Igreja é também chamada a ser uma comunidade com solicitude e responsabilidade sociais. Infelizmente, esta vocação tem sido minimizada ou negligenciada entre muitos evangélicos e pentecostais. E possível que muitos crentes sinceros tenham receio de se tornar modernistas ou rumar na direção do assim chamado “evangelho social”, caso se envolvam em disso, Ele oferecia uma esperança futura: o Reino que viria em glória. Nesse aspecto, Berkhof não fica longe das posições teológicas declaradas supra, que descrevem o Reino em termos mais amplos que a Igreja. O Reino (palavras dele) “visa nada menos que o total controle de todas as manifestações da vida. Representa o domínio de Deus em todas as esferas da atividade humana”. 28

O Propósito da Igreja

O capítulo 17 deste livro trata da missão da Igreja. Antes de concluirmos esta seção, que fala da natureza da Igreja, vale a pena fazer algumas observações a respeito do propósito para o qual a Igreja foi chamada à existência. O propósito do Senhor não era que a Igreja apenas existisse como finalidade em si mesma, para se tornar, por exemplo, simplesmente mais uma unidade social formada por membros de mentalidade semelhante. Pelo contrário, a Igreja é uma comunidade formada por Cristo em benefício do mundo. Cristo entregou-se em favor da Igreja, e então a revestiu com o poder do dom do Espírito Santo a fim de que ela pudesse cumprir o plano e propósito de Deus. Muitos itens podem ser incluídos num estudo sobre a missão da Igreja. Este breve estudo só incluirá, porém, quatro deles: a evangelização, a adoração, a edificação e a responsabilidade social.

A parte central das últimas instruções de Jesus aos seus discípulos, antes da sua ascensão, foi a ordem (não uma sugestão) de evangelizar o mundo e fazer novos discípulos (Mt 28.19; At 1.8). Cristo não abandonou aqueles evangelistas à sua própria capacidade ou técnica. Ele os comissionou a ir com a sua autoridade (Mt 28.18) e no poder do Espírito Santo (At 1.8). O Espírito levaria a efeito a convicção do pecado (Jo 16.8-11); os discípulos deveriam proclamar o Evangelho. A tarefa da evangelização ainda faz parte imperativa da missão da Igreja. A Igreja é chamada a ser uma comunidade evangelizadora. Este mandamento não tem restrições nem fronteiras geográficas, raciais ou sociais. Erickson declara: “O evangelismo local, a extensão ou a implantação de igrejas, bem como as missões mundiais, são uma única e a mesma coisa. A única diferença acha-se na distância do raio de alcance”.29 Os crentes atuais não devem esquecer que, embora sejam eles os instrumentos da proclamação do Evangelho, não deixa de ser o Senhor da colheita quem produz o incremento. Os crentes não têm de prestar cordas do seu “sucesso” (segundo os padrões do mundo), mas da sua dedicação e fidelidade no serviço.

A Igreja também é chamada a ser uma comunidade que adora. A palavra “adoração’, no inglês antigo, denota a pessoa que recebe honra proporcional à sua dignidade.30 A adoração genuína é caracterizada quando a Igreja centraliza a sua atenção no Senhor, e não em si mesma.31 Quando Deus é adorado exclusivamente, os crentes que assim o adoram são invariavelmente abençoados e espiritualmente fortalecidos. A adoração não precisa ser limitada somente aos cultos regulares do cronograma da igreja. Na realidade, todos os aspectos da nossa vida cristã devem caracterizar-se pelo desejo de exaltar e glorificar ao Senhor. Parece ser esta a razão de Paulo dizer: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Co 10.31).

Um terceiro propósito da Igreja é ser uma comunidade edificante. Na evangelização, a Igreja focaliza o mundo; na adoração, volta-se para Deus; e, na edificação, atenta (corretamente) para si mesma. Repetidas vezes, nas Escrituras, os crentes são admoestados a edificar uns aos outros para assim formarem uma comunidade idônea (cf. Ef 4.12-16). A edificação pode ser levada a efeito por muitos meios práticos. Por exemplo: ensinar e instruir os outros nos caminhos de Deus certamente enriquece a família da fé (Mt 28.20Ef 4.11,12). Administrar a correção espiritual numa atitude de amor é essencial na ajuda ao irmão desviado, a fim de que permaneça no caminho da fé (Ef 4.15Gl 6.1). Compartilhar com os necessitados (2 Co 9), levar os fardos uns dos outros (Gl 6.2) e fornecer oportunidades para convívio e interação social cristãos sadios são meios relevantes de edificar o corpo de Cristo.

A Igreja é também chamada a ser uma comunidade com solicitude e responsabilidade sociais. Infelizmente, esta vocação tem sido minimizada ou negligenciada entre muitos evangélicos e pentecostais. E possível que muitos crentes sinceros tenham receio de se tornar modernistas ou rumar na direção do assim chamado “evangelho social”, caso se envolvam em disso, Ele oferecia uma esperança futura: o Reino que viria em glória. Nesse aspecto, Berkhof não fica longe das posições teológicas declaradas supra, que descrevem o Reino em termos mais amplos que a Igreja. O Reino (palavras dele) “visa nada menos que o total controle de todas as manifestações da vida. Representa o domínio de Deus em todas as esferas da atividade humana”. 28

O Propósito da Igreja

O capítulo 17 deste livro trata da missão da Igreja. Antes de concluirmos esta seção, que fala da natureza da Igreja, vale a pena fazer algumas observações a respeito do propósito para o qual a Igreja foi chamada à existência. O propósito do Senhor não era que a Igreja apenas existisse como finalidade em si mesma, para se tornar, por exemplo, simplesmente mais uma unidade social formada por membros de mentalidade semelhante. Pelo contrário, a Igreja é uma comunidade formada por Cristo em benefício do mundo. Cristo entregou-se em favor da Igreja, e então a revestiu com o poder do dom do Espírito Santo a fim de que ela pudesse cumprir o plano e propósito de Deus. Muitos itens podem ser incluídos num estudo sobre a missão da Igreja. Este breve estudo só incluirá, porém, quatro deles: a evangelização, a adoração, a edificação e a responsabilidade social.

A parte central das últimas instruções de Jesus aos seus discípulos, antes da sua ascensão, foi a ordem (não uma sugestão) de evangelizar o mundo e fazer novos discípulos (Mt 28.19; At 1.8). Cristo não abandonou aqueles evangelistas à sua própria capacidade ou técnica. Ele os comissionou a ir com a sua autoridade (Mt 28.18) e no poder do Espírito Santo (At 1.8). O Espírito levaria a efeito a convicção do pecado (Jo 16.8-11); os discípulos deveriam proclamar o Evangelho. A tarefa da evangelização ainda faz parte imperativa da missão da Igreja. A Igreja é chamada a ser uma comunidade evangelizadora. Este mandamento não tem restrições nem fronteiras geográficas, raciais ou sociais. Erickson declara: “O evangelismo local, a extensão ou a implantação de igrejas, bem como as missões mundiais, são uma única e a mesma coisa. A única diferença acha-se na distância do raio de alcance”.29 Os crentes atuais não devem esquecer que, embora sejam eles os instrumentos da proclamação do Evangelho, não deixa de ser o Senhor da colheita quem produz o incremento. Os crentes não têm de prestar contas do seu “sucesso” (segundo os padrões do mundo), mas da sua dedicação e fidelidade no serviço.

A Igreja também é chamada a ser uma comunidade que adora. A palavra “adoração’, no inglês antigo, denota a pessoa que recebe honra proporcional à sua dignidade.30 A adoração genuína é caracterizada quando a Igreja centraliza a sua atenção no Senhor, e não em si mesma.31 Quando Deus é adorado exclusivamente, os crentes que assim o adoram são invariavelmente abençoados e espiritualmente fortalecidos. A adoração não precisa ser limitada somente aos cultos regulares do cronograma da igreja. Na realidade, todos os aspectos da nossa vida cristã devem caracterizar-se pelo desejo de exaltar e glorificar ao Senhor. Parece ser esta a razão de Paulo dizer: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Co 10.31).

Um terceiro propósito da Igreja é ser uma comunidade edificante. Na evangelização, a Igreja focaliza o mundo; na adoração, volta-se para Deus; e, na edificação, atenta (corretamente) para si mesma. Repetidas vezes, nas Escrituras, os crentes são admoestados a edificar uns aos outros para assim formarem uma comunidade idônea (cf. Ef 4.12-16). A edificação pode ser levada a efeito por muitos meios práticos. Por exemplo: ensinar e instruir os outros nos caminhos de Deus certamente enriquece a família da fé (Mt 28.20Ef 4.11,12). Administrar a correção espiritual numa atitude de amor é essencial na ajuda ao irmão desviado, a fim de que permaneça no caminho da fé (Ef 4.15Gl 6.1). Compartilhar com os necessitados (2 Co 9), levar os fardos uns dos outros (Gl 6.2) e fornecer oportunidades para convívio e interação social cristãos sadios são meios relevantes de edificar o corpo de Cristo.

A Igreja é também chamada a ser uma comunidade com solicitude e responsabilidade sociais. Infelizmente, esta vocação tem sido minimizada ou negligenciada entre muitos evangélicos e pentecostais. E possível que muitos crentes sinceros tenham receio de se tornar modernistas ou rumar na direção do assim chamado “evangelho social”, caso se envolvam em ministérios que visem o atendimento social. Haveria fundamento para tal receio se esse tipo de obra fosse levado a extremos malsãos e deixasse de lado verdades eternas ao oferecer alívio temporário. Por outro lado, o descuido com as necessidades sociais representa o abandono de um vasto número de admoestações bíblicas dirigidas ao povo de Deus, no sentido de serem cumpridas essas obrigações. O ministério de Jesus caracterizava-se pela compaixão amorosa a todos os sofredores e indigentes deste mundo (Mt 25.31-46Lc 10.25-37). Idêntica solicitude é demonstrada tanto nos escritos proféticos do Antigo Testamento (Is 1.15-17Mq 6.8) quanto nas epístolas neotestamentárias (Tg 1.271 Jo 3.17,18). Expressar o amor de Cristo de modo tangível pode ser um meio vital de a Igreja cumprir a missão que lhe foi confiada por Deus. Assim como em todos os aspectos da missão (ou propósito) da Igreja, é essencial que nossos motivos e métodos visem fazer tudo para a glória de Deus.

 

A Organização da Igreja

Organismo ou Organização?

A Igreja deve ser considerada um organismo, algo que possui e gera vida, ou uma organização, caracterizada pela estrutura e pela forma? Esta pergunta tem sido postulada de várias maneiras e por vários motivos durante toda a história do Cristianismo. Cada geração de crentes (inclusive alguns pentecostais do início do século XX) tem contado com pessoas que consideram a Igreja apenas como organismo. Enfatizam a natureza espiritual da Igreja e tendem a pensar que qualquer tentativa de organizar o corpo de crentes resultará na erosão da Igreja e, finalmente, na morte da espontaneidade e vida que caracterizam a verdadeira espiritualidade.32 Outros crêem firmemente na necessidade da estrutura organizacional para a igreja. Chegam ao extremo de ensinar que a Bíblia oferece pormenores específicos para a ordem e regulamento da igreja (infelizmente, subvertem seus próprios argumentos ao discordarem entre si sobre quais pormenores são obrigatórios!).

Talvez a melhor abordagem à questão, por vezes controvertida, não seja colocar o problema como pergunta (“Qual dos dois?”), mas como solução: ambos. O exame da Igreja do Novo Testamento revelará certamente aspectos que favorecem o conceito de “organismo”. A Igreja era dinâmica e desfrutava da liberdade e do entusiasmo de ser dirigida pelo Espírito. Por outro lado, o mesmo exame revelará que a Igreja, desde o seu início, operava com certo grau de estrutura operacional. Os dois pontos de vista (organismo e organização) não precisam colocar-se em estado de tensão, pois é possível perceber que se completam mutuamente. Cada uma das descrições bíblicas da Igreja analisadas supra – povo de Deus, corpo de Cristo, templo do Espírito Santo – sugerem uma unidade orgânica. Afinal de contas, a vida espiritual do cristão deriva de seu relacionamento com Cristo, e sua vida, como consequência, flui através dele à medida que se torna canal para alimentar e fortalecer a comunidade (Ef 4-15,16). Para o organismo sobreviver, no entanto, precisará de uma estrutura. A Igreja, para poder levar o Evangelho a todo o mundo e fazer discípulos de todas as nações, necessitará de algum tipo de sistema organizacional para o emprego mais eficiente de seus recursos.

O desejo de se viver uma igreja neotestamentária é uma aspiração digna e nobre. Os crentes devem continuar a modelar sua teologia de conformidade com os ensinos apostólicos e permanecer na busca da orientação do Espírito Santo em sua vida. No entanto, o Novo Testamento indica vários meios de organização para suprir essa necessidade. Por exemplo: a igreja não escolheu diáconos, a não ser quando surgiu a necessidade deles. Posteriormente, foram acrescentadas diaconisas. Existe no Novo Testamento elasticidade para acomodar necessidades geradas por situações geográficas e culturais as mais diversas. Lembremo-nos de que a mensagem do Novo Testamento é eterna e não pode ser submetida a meios-termos. Entretanto, para que a mensagem se torne eficaz, torna-se necessário aplicá-la ao meio contemporâneo.

Formas Principais de Governo Eclesiástico

Tem-se sugerido que a questão da organização eclesiástica, ou seja, o governo ou constituição da igreja, é, em última análise, questão de autoridade – onde reside a autoridade da igreja e quem tem o direito de exercê-la.33 Embora a maioria , dos crentes não hesite em responder que Deus é a derradeira autoridade da Igreja, ainda precisam determinar como e através de quem Ele deseja administrar essa autoridade. No decurso da história da cristandade, surgiram várias formas de constituição eclesiástica. Algumas atribuem maior grau de autoridade aos clérigos. Outras ressaltam que os leigos devem exercer maior controle na igreja. Outros ainda buscam uma posição de equilíbrio entre os dois extremos. Com raras exceções, a maioria dessas estruturas podem ser classificadas em uma das seguintes formas: episcopal, presbiteriana ou congregacional.

A forma episcopal de governo eclesiástico é normalmente considerada a mais antiga. O próprio título é derivado da palavra grega episkopos, que significa “supervisor”. A tradução mais frequente desse termo é “bispo” ou “superintendente”. Os que apoiam esta forma de constituição eclesiástica acreditam que Cristo, como Cabeça da Igreja, tenha confiado o controle de sua Igreja na Terra a uma ordem de oficiais chamados bispos, que seriam sucessores dos apóstolos. Acreditam ainda que Cristo constituiu os bispos para serem “uma ordem separada, independente e autoperpetuante”34 (significa que exercem o controle definitivo nas questões de governo eclesiático e que selecionam seus próprios sucessores).

A história da Igreja apresenta evidências da exaltação paulatina da posição de bispo acima das outras posições de liderança eclesiástica. No século II, Inácio de Antioquia (sendo ele mesmo um bispo) ofereceu base racional para a sucessão apostólica ao escrever: “Porque Jesus Cristo – aquela vida da qual não poderemos ser separados à força – é a mente do Pai, assim como também os bispos, nomeados em todas as partes do mundo, refletem a mente de Jesus Cristo”.35 Em outra carta, Inácio atribui crédito a outros oficiais eclesiásticos, inclusive presbíteros e diáconos, e observa que, “sem eles, não se pode ter uma igreja”. Enfatizava, no entanto, que somente o bispo “desempenha o papel do Pai”.36

Cipriano, um dos pais da Igreja no século III, elevou ainda mais a importância do bispo e a forma de governo episcopal, declarando: “O bispo está na igreja e a igreja está no bispo, e onde não houver bispo não há igreja”.37 A versão extrema do sistema episcopal encontra-se na organização da Igreja Católica Romana, que remonta pelo menos ao século V. Na tradição católica, o papa (“pai exaltado”) aparece como o único sucessor reconhecido do apóstolo Pedro, este considerado pela Igreja Católica como aquele sobre quem Cristo estabeleceu a Igreja (Mt 16.17-19) e que veio a ser o primeiro bispo de Roma.38

No catolicismo há muitos bispos, mas todos são considerados sujeitos à autoridade do papa, que, no seu papel de “vigário de Cristo”, governa como bispo supremo, ou monárquico, da Igreja Romana. Outras igrejas que seguem o sistema episcopal de governo adotam uma abordagem menos exclusivista e possuem vários (às vezes numerosos) líderes que exercem, como bispos, igual autoridade e supervisão na igreja. Tais grupos incluem a Igreja Anglicana (ou Episcopal, fora da Inglaterra), a Igreja Metodista Unida e vários grupos pentecostais, inclusive a Igreja de Deus (Cleveland, Tennessee) e a Igreja da Santidade Pentecostal. Os pormenores específicos do governo eclesiástico muitas vezes diferem grandemente entre os vários grupos, mas têm em comum a forma que identifica o sistema episcopal.

A forma presbiteriana de constituição eclesiástica deriva seu nome do cargo e função bíblicos do presbuteros (“presbítero” ou “ancião”). Este sistema de governo tem um controle menos centralizado que o modelo episcopal: confia na liderança de representação. Cristo é reconhecido como o Cabeça da Igreja (em última análise) e os escolhidos (usualmente por eleição) para ser seus representantes diante da igreja lideram nas atividades normais da vida cristã (adoração, doutrina, administração etc).

Assim como na forma episcopal, a aplicação do sistema presbiteriano varia de denominação para denominação. Todavia o modelo normalmente consiste em pelo menos quatro níveis. O primeiro (de baixo para cima) é a igreja local, governada pelo “concílio”, que consiste em “anciãos governantes” (ou diáconos) e “anciãos ensinantes” (ou ministros). O segundo nível (para cima) de autoridade é o presbitério, que consiste em anciãos governantes e ensinantes de determinado distrito geográfico. Num plano ainda mais alto, temos o sínodo e, finalmente, na posição suprema de autoridade chegamos à Assembleia Geral (ou Supremo Concílio). , Da mesma forma, os níveis são dirigidos por líderes (clérigos e leigos) que agem como representantes dos membros, por estes eleitos, e são responsáveis pela orientação espiritual e pragmática. Embora não haja nenhuma forte autoridade centralizada, como no sistema episcopal, as igrejas que compõem o sistema presbiteriano têm um forte vínculo de comunhão e uma tradição de doutrina e prática comuns. Entre as igrejas que adotam esta forma de constituição eclesiástica estão as presbiterianas e as reformadas e alguns grupos pentecostais, inclusive, em grande medida, as Assembleias de Deus (a respeito das quais ainda forneceremos mais dados).

A terceira forma de governo eclesiástico é o sistema congregacional. Conforme sugere o nome, seu enfoque de autoridade recai sobre o corpo local de crentes. Entre os três tipos principais de constituição eclesiástica, é o sistema congregacional que mais controle coloca nas mãos dos leigos e mais se aproxima da pura democracia. A congregação local é considerada autônoma nas suas tomadas de decisões, sendo que nenhuma pessoa ou organização tem autoridade sobre ela, a não ser Cristo, o verdadeiro Cabeça da Igreja. Não sugerimos com isso que as igrejas congregacionais ajam em total isolamento ou sejam indiferentes às crenças e costumes das igrejas irmãs. As igrejas congregacionais da mesma convicção teológica desfrutam normalmente de fortes laços de comunhão, e não raro esforçam-se para cooperar entre si nos programas de maior escala, como as missões ou a educação (conforme se vê, por exemplo, dentro da Convenção Batista do Sul dos EUA). Ao mesmo tempo, apesar do forte senso de união e coesão quanto ao propósito e ministério globais, a associação dessas igrejas é voluntária, e não obrigatória. E sua estrutura tem mais elasticidade que a presbiteriana ou, especialmente, mais que a episcopal. Entre as igrejas que operam segundo o modelo congregacional estão a maioria das associações batistas, a Igreja Congregacional e muitas igrejas contidas no amplo espectro dos movimentos eclesiásticos independentes.

Os seguidores de qualquer um dos três principais sistemas de governo acreditam no apoio do Novo Testamento à sua forma de constituição eclesiástica. Por exemplo, uma

 

leitura informal das epístolas do Novo Testamento revela que os dois títulos: episkopos (“bispo”, “supervisor”, “superintendente”) e presbuteros (“presbítero”, “ancião”) são frequentemente usados com referência aos líderes da Igreja Primitiva. Paulo, em 1 Timóteo 3.1-7, instrui a respeito do cargo de bispo (episkopos) e repete algumas dessas instruções em Tito 1.5-9. Aqui, no entanto, parece que Paulo emprega os termosepiskopos (v. 7) e presbuteros (v. 5) de modo intercambiável. Em outros trechos bíblicos, os dois cargos parecem estar separados (cf. At 15.4,22; Fp 1.1). Como consequência, dependendo da ênfase que se dê a um desses textos, seria possível interpretar a estrutura da Igreja Primitiva igualmente em termos episcopais ou presbiterianos.

Um texto das Escrituras é frequentemente usado pelos dois grupos para ilustrar seu sistema: Atos 15, que relata o Concílio da Igreja em Jerusalém. Parece que Tiago, irmão de Jesus, preside o concílio.39 Este fato, juntamente com outras referências a Tiago como “apóstolo” e “coluna da igreja” (Gl 1.192.9), tem convencido alguns de que Tiago exercia autoridade de bispo. Por outro lado, os defensores do sistema presbiteriano acham que Tiago parece mais estar agindo como moderador (presidente do concílio) que como uma figura de autoridade e que os demais parecem estar no papel de líderes escolhidos para representar suas respectivas igrejas. Há, ainda, referências neotestamentárias que favorecem o sistema congregacional sugerindo que a Igreja Primitiva elegia seus próprios líderes e delegados (por exemplo, At 6.2-4; 11.22; 14-23)40 e que a congregação local tinha a responsabilidade de manter a sã doutrina; cabia-lhe também disciplinar (por exemplo, Mt 18.15-171 Co 5.4,51 Ts 5.21,22; 1 Jo 4-1).

Portanto, obviamente, nenhum modelo completo de governo eclesiástico é oferecido pelo Novo Testamento. Os múltiplos modelos vinham a satisfazer as necessidades, e assim foram estabelecidos princípios para o exercício da autoridade e oferecidos exemplos que possivelmente dão apoio a qualquer um dos três tipos históricos de governo eclesiástico. Hoje, a maioria das igrejas segue o modelo essencial de um desses três tipos, mas não sem modificações, que visam a adaptação ao modo específico de cada grupo definir e exercer o ministério. E, embora nenhum desses sistemas seja inerentemente certo ou errado, pode-se ver que cada um apresenta tanto aspectos positivos quanto negativos.

Seja qual for o tipo de governo eclesiástico que escolhermos, merecem destaque vários princípios bíblicos, que devem servir de alicerce a qualquer estrutura desse tipo. Cristo deve ser sempre reconhecido e honrado como Cabeça suprema da Igreja. Se os cristãos perderem de vista essa verdade absoluta, nenhuma forma de governo será bem-sucedida. W. D. Davies declara, com muita razão: “O critério neotestamentário ulterior de qualquer ordem eclesiástica… é que não usurpe a coroa real do Salvador dentro da sua Igreja”.41 Outro princípio fundamental deve ser o reconhecimento da união básica da Igreja. Sem dúvida, há muita diversidade entre as crenças e práticas das várias denominações (e até mesmo dentro de uma única denominação). Os valores culturais e tradicionais variam grandemente entre si. Mesmo assim, e levando-se em conta todas as diferenças, o corpo de Cristo não deixa de ser uma “unidade na multiplicidade”,42 e é necessário muito cuidado para manter a harmonia e união de propósitos entre o povo de Deus.

Antes de finalizarmos esta seção, é oportuno dizer algo a respeito da estrutura organizacional das Assembleias de Deus. Muitos dos pioneiros desta comunhão reagiram, desde o início, contra uma forte autoridade central a governá-la. Isto porque as denominações às quais antes pertenciam haviam excluído os crentes que receberam o Espírito Santo como ameaças ao situacionismo (entre outras coisas). Alguns dos primeiros pentecostais não estavam mais dispostos a servir uma religião “organizada” – conforme eles a identificavam. No decurso do tempo, entretanto, muitos dos primeiros líderes pentecostais perceberam a necessidade de algum tipo de estrutura através da qual a mensagem moderna do Pentecostes pudesse ser promovida. Consequentemente, as Assembleias de Deus foram organizadas como uma “comunhão” ou “movimento” (muitos ainda repudiavam o termo “denominação”), que enfatizava a liberdade dos membros dirigidos pelo Espírito. À medida que as Assembleias de Deus têm crescido e amadurecido, no decurso do século XX, é reconhecida também a necessidade de uma organização ainda melhor para manter-se à altura das exigências cada vez maiores impostas ao ministério.

Há diferenças de opinião no tocante a qual dos três tipos de governo eclesiástico é aceito pelas Assembleias de Deus. Talvez se possa sugerir que, de alguma forma, foram adotados os três. A estrutura organizacional global das Assembleias de Deus assemelha-se mais estreitamente à constituição eclesiástica presbiteriana (conforme já foi aludido). Desde a igreja local até os níveis de distrito e Concílio Geral, a ênfase maior recai na liderança representativa eleita. Os clérigos são comumente representados por “presbíteros”, ao passo que os leigos são representados por delegados devidamente escolhidos. Por outro lado, o sistema congregacional de governo pode ser facilmente observado na igreja local. Embora muitas igrejas das Assembleias de Deus sejam consideradas “dependentes” por buscarem na liderança distrital a orientação e o apoio, muitas têm progredido até a condição “soberana”. Possuem bastante autonomia na tomada das decisões (escolhem seus próprios pastores, compram e vendem propriedades, etc), mas conservam os laços de união, no tocante à doutrina e prática, com as demais igrejas da área ou distrito ou com o Concílio Geral. A forma episcopal, segundo alguns, também está presente até certo ponto nas Assembleias de Deus. Por exemplo, algumas das agências nacionais ou do Concílio Geral (a Divisão de Missões Estrangeiras, a Divisão de Missões Nacionais, o Departamento da Capelania) têm motivos válidos para nomear indivíduos para áreas fundamentais, com base na sua vocação e aptidão para semelhantes ministérios.

 

O Ministério da Igreja

O Sacerdócio dos Crentes

Uma das doutrinas mais importantes, ressaltada durante a Reforma Protestante, foi o sacerdócio de todos os crentes: cada um dos fiéis tem acesso direto a Deus mediante o sumo sacerdócio do próprio Jesus Cristo. Esta ideia, após ter passado o ministério muitos séculos sob o controle da Igreja Romana, emocionou as pessoas. A partir daí, reconheceram que Cristo outorgou ministérios a todos os crentes, visando o bem da totalidade do Corpo.

O conceito do sacerdócio de todos os crentes certamente está fundamentado nas Escrituras. Referindo-se aos crentes, Pedro os descreve como “sacerdócio santo” (1 Pe 2.5) e tira do Antigo Testamento outra analogia para a Igreja: “sacerdócio real” (1 Pe 2.9). João diz que os crentes foram feitos “reis e sacerdotes para Deus” (Ap 1.6; ver também 5.10). Independente de nossa situação ou vocação na vida, podemos desfrutar dos privilégios e responsabilidades de servir ao Senhor como membros de sua Igreja. Paul Minear refere-se ao conceito neotestamentário de cristãos como “acionistas (gr. koinõnoi) no Espírito e… acionistas na múltipla vocação que o Espírito atribui aos fiéis”.43 Este ponto de vista enfatiza que o ministério é uma vocação não somente divina mas também universal. Saucy sugere: “Na realidade, o ministério da igreja é o ministério do Espírito dividido entre os vários membros, sendo que cada um contribui com seu dom à obra total da igreja”.44 Os crentes dependem do Espírito para trabalhar, mas sua obra está à disposição de cada crente individualmente.

A Igreja, no decurso dos séculos, sempre tendeu a dividir-se em duas categorias gerais: o clero (gr. klêros – “sorte, porção”, isto é, a porção que Deus separou para si) e o laicato (gr. laos – “povo”). O Novo Testamento, no entanto, não faz uma distinção tão marcante. Pelo contrário, a “porção” ou klêros de Deus, sua própria possessão, refere-se a todos os crentes nascidos de novo, e não somente a um grupo seleto (cf. 1 Pe 2.9). Alan Cole declara com perspicácia que “todos os clérigos são leigos, e todos os leigos também são clérigos, no sentido bíblico da palavra”. 45

 

Cargos e Funções do Ministério

Embora o Novo Testamento enfatize a natureza universal do ministério dentro do corpo de Cristo, indica também que alguns crentes são separados de modo especial a funções específicas do ministério. Frequentes alusões são feitas a Efésios 4-11: “Ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores” – uma lista dos “cargos [ou melhor, “ministérios”] carismáticos” da Igreja Primitiva, conforme ocasionalmente são chamados. Diferenciados destes há os “cargos administrativos” (bispo, presbítero, diácono), descritos especialmente nas epístolas posteriores do Novo Testamento. Muitas outras maneiras têm sido sugeridas para descrever os vários cargos, ou categorias, do ministério neotestamentário. Por exemplo: H. Orton Wiley refere-se ao “ministério extraordinário e transicional” e ao “ministério regular e permanente”; Louis Berkhof prefere “oficiais extraordinários” e “oficiais comuns”; e Saucy, com razão, emprega designações mais simples: “ministérios gerais” e “oficiais locais”.46 O papel relevante/aos apóstolos, profetas e evangelistas no ministério da Igreja Primitiva é bem atestado no Novo Testamento. Para os propósitos do presente estudo, serão examinados os cargos considerados mais comuns à vida da igreja.

O atual cargo de “pastor” parece coincidir com a posição bíblica de bispo (gr. episkopos) ou presbítero (gr. presbuteros) qu de ambos. Parece que os dois termos eram usados de modo intercambiável no contexto global do Novo Testamento. Berkhof sugere que a palavra “presbítero” ou “ancião” surgiu dos anciãos que governavam a sinagoga judaica, e que o termo foi aproveitado pela Igreja.47 Conforme sugere o próprio nome, “ancião” com frequência referia-se literalmente aos mais velhos, respeitados pela sua dignidade e sabedoria. No decurso do tempo, o termo “bispo” passou a ser mais usado para o cargo, pois ressaltava a função de “supervisor” do ancião.

O termo “pastor” é usado hoje mais amplamente para quem tem a responsabilidade e supervisão espirituais da igreja local. E interessante que o termo grego poimên (“pastor”) é usado uma única vez no Novo Testamento com referência direta ao ministério do pastor (Ef 4.11). O conceito ou função de pastor, no entanto, é encontrado por toda a Escritura. Conforme sugere o nome, pastor é aquele que cuida das ovelhas, (cf. o retrato que Jesus faz de si mesmo: o “Bom Pastor” – ho poimên ho kalos, em Jo 10.ll ss.) A conexão entre os três termos: “bispo”, “presbítero” e “pastor” é clara em Atos 20. No verso 17, Paulo convoca os presbíteros (gr. presbuterous) da igreja em Éfeso. Posteriormente, naquele contexto, Paulo admoesta os presbíteros: “Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos [gr.episkopous]” (v. 28). Na declaração imediata, Paulo exorta os que acabam de ser chamados bispos ou supervisores a serem pastores [gr. poimainein] da Igreja de Deus (v. 28).

As responsabilidades e funções dos pastores de hoje, assim como as dos pastores neotestamentarios, são muitas e variadas. Três áreas principais a que os pastores devem se dedicar são: administração (cf. 1 Pe 5.1-4), cuidados pastorais (cf. 1 Tm 3.5Hb 13.17) e instrução (cf. 1 Tm 3.25.17Tt 1.9). Quanto a essa última área de responsabilidade, é frequentemente notado que os papéis de pastor e mestre parecem ter muito em comum no Novo Testamento. Realmente, quando Paulo menciona os dois dons à Igreja, em Efésios 4.11, a expressão grega “pastores e mestres” (poimenas kai didaskalous) pode significar alguém que cumpre as duas funções: um “pastor-mestre”. Embora “mestre” seja mencionado em outros textos separadamente de “pastor” (Tg 3.1,’ por exemplo), o que indica que talvez nem sempre sejam considerados papéis sinônimos, qualquer pastor autêntico levará a sério a obrigação de ensinar o rebanho de Deus. Muita coisa pode ser dita a respeito de cada uma dessas três áreas de responsabilidade, mas basta dizer que os pastores do rebanho de Deus devem conduzi-lo por meio do seu próprio exemplo, nunca esquecendo que estão servindo como pasto-res-assistentes daquEle que é o verdadeiro Pastor e Bispo de suas almas (1 Pe 2.25). Foi Ele quem deu o exemplo de liderança servil (Mc 9.42-44; Lc 22.27).

Outro cargo ou função do ministério associado à igreja local é o de diácono (gr. diakonos). Este termo relaciona-se com diakonia, a palavra mais usada no Novo Testamento para descrever o serviço cristão normal. Tendo amplo uso nas Escrituras, descreve o ministério do povo de Deus em geral (Ef 4.12), bem como o ministério dos apóstolos (At 1.17,25). Até mesmo o próprio Jesus o utiliza, para descrever seu propósito primários “O Filho do Homem também não veio para ser servido [diakonêthênai], mas para servir [diakonêsai] e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc 10.45). Em termos simples: os diáconos são servos, ou “ministros”, no sentido mais fiel da palavra. Esse fato é acentuado por Paulo ao listar as qualificações para o diaconato, em 1 Timóteo 3.8-13. Muitas das especificações nesse texto são as mesmas do cargo de bispo (ou pastor), mencionadas nos versículos anteriores (1 Tm 3.1-7).

No texto referente aos diáconos, em 1 Timóteo 3, a declaração de Paulo, no verso 11, que diz respeito às mulheres (literalmente: “Da mesma sorte as mulheres sejam honestas” – gunaikas hõsautõs semnas), tem despertado diferentes interpretações. Algumas versões (como a NVI e a KJV) preferem traduzir a expressão como uma referência à esposa do diácono» o que pode ser uma tradução aceitável. Outras (como a NASB e a RSV), porém, preferem traduzir gunaikas simplesmente como “mulheres”, deixando em aberto a possibilidade de as mulheres serem diaconisas. Como sempre, a tradução de um termo depende do seu uso contextual. Neste caso, infelizmente, o contexto não é suficientemente claro para permitir uma solução dogmática. Muitos associam o texto de 1 Timóteo à referência de Paulo a Febe “a qual serve [gr.diakonon]’18 na igreja” (Rm 16.1). Também neste caso o contexto de Romanos 16 não oferece evidências suficientes para determinar se Febe era diaconisa, ou se Paulo simplesmente estava dizendo que ela detinha um ministério valioso na igreja, qualitativamente semelhante aos serviços desempenhados por outros cristãos.

Quanto aos versículos de Romanos 16 e 1 Timóteo 3, os estudiosos ficam um pouco divididos entre si a respeito da tradução correta. Seja como for, a história da Igreja fornece evidências no sentido de mulheres servirem na função de diaconisas já a partir do século II. Conforme observa certo estudioso: “O evangelho de Cristo deu às mulheres dos tempos antigos uma nova dignidade, e não somente lhes concedeu igualdade pessoal diante de Deus como também lhes ofereceu uma participação no ministério”. 49

 

As Ordenanças da Igreja

A seção final deste capítulo estuda uma área que tem sido foco de consideráveis controvérsias na história da doutrina cristã. A maioria dos grupos protestantes concordam entre si que Cristo deixou à Igreja duas observâncias – ou ritos – a serem incorporadas no culto cristão: o batismo nas águas e a Ceia do Senhor.50 (O protestantismo, seguindo os reformadores, tem rejeitado a natureza sacramental de todos os ritos menos os dois originais.) Desde os tempos de Agostinho, muitos têm seguido a opinião de que tanto o batismo quanto a Ceia do Senhor servem como “sinal exterior e visível de uma graça interior e espiritual”. O problema não está na prática dos ritos, mas na interpretação do seu significado (por exemplo, o que subentende uma “graça interior e espiritual”?). Estes ritos históricos da fé cristã são normalmente chamados sacramentos ou ordenanças. Alguns empregam os termos de modo intercambiável, ao passo que outros defendem que o entendimento correto das diferenças entre os conceitos é importante para a correta aplicação teológica.

O termo “sacramento” (que provém de sacramentum, em latim) é mais antigo e aparentemente de uso mais generalizado que o termo “ordenança”. No mundo antigo, um sacramentum referia-se originalmente a uma soma em dinheiro depositada num lugar sagrado por duas partes envolvidas num litígio civil. Pronunciada a sentença do tribunal, devolvia-se o dinheiro da parte vencedora, enquanto a perdedora tinha de entregar o seu para “sacramento” obrigatório, considerado sagrado porque passava a ser oferecido aos deuses pagãos. No decurso do tempo, o termo “sacramento” passou a ser aplicado também ao juramento de lealdade prestado pelos novos recrutas do exército romano. Já no século II, os cristãos tinham adotado o termo, e começaram a associá-lo ao seu voto de obediência e consagração ao Senhor. A Vulgata Latina (c. de 400 d.C.) emprega o termo sacramentum como tradução da palavra grega mustêrion (“mistério”), o que veio a acrescentar uma conotação um tanto reticente, misteriosa, às coisas consideradas “sagradas”.51Realmente, no decurso dos anos, os sacramentalistas tenderam, uns mais do que os outros, a ver os sacramentos como rituais que transmitem graça espiritual (frequentemente “graça salvífica”) a quem deles participa.

O termo “ordenança” também se deriva do latim (ordo -“uma fileira”, “uma ordem”). Relacionada ao batismo nas águas e à Santa Ceia, a palavra “ordenança” sugere que essas cerimônias sagradas foram instituídas por mandamento, ou “ordem”, de Cristo. Ele ordenou que fossem observadas na Igreja, não porque transmitem algum poder místico ou graça salvífica, mas porque simbolizam o que já aconteceu na vida de quem aceitou a obra salvífica de Cristo. 52

Devido, em grande parte, à conotação um tanto mística que acompanha a palavra “sacramento”, a maioria dos pentecostais e evangélicos prefere o termo “ordenança” para expressar o seu modo de entender o batismo e a Ceia do Senhor. Já na era da Reforma, alguns levantavam objeções à palavra “sacramentos”. Preferiam falar em “sinais” ou “selos” da graça. Tanto Lutero quanto Calvino empregavam o termo “sacramento”, mas chamavam a atenção para o fato de que o usavam num sentido teológico diferente da implicação original da palavra em latim. O colega de Lutero, Philipp Melanchthon, preferia empregar o termosignis (“sinal”).53 Hoje, alguns que não se consideram “sacramentalistas”, ou seja , que não acham que a graça salvífica seja transmitida através dos sacramentos, continuam usando os termos “sacramento” e “ordenança” de modo sinônimo. Devemos interpretar cuidadosamente o sentido do termo de acordo com a relevância e implicações atribuídas à cerimônia pelos participantes. As ordenanças, determinadas por Cristo e celebradas por causa do seu mandamento e exemplo, não são vistas pela maioria dos pentecostais e evangélicos como capazes de produzir por si mesmas uma mudança espiritual, mas como símbolos ou formas de proclamação daquilo que Cristo já levou a efeito espiritualmente nas suas vidas.

O Batismo nas Águas

A ordenança do batismo nas águas tem feito parte da prática cristã desde o início da Igreja. Era tão íntima da vida da Igreja Primitiva, que F. F. Bruce comenta: “A ideia de um cristão não batizado realmente sequer é contemplada no Novo Testamento”.54 Existiam, na realidade, alguns ritos batismais similares já antes do Cristianismo, inclusive entre algumas religiões pagãs e a comunidade judaica (para os “prosélitos” – gentios convertidos ao Judaísmo). Antes do ministério público de Jesus, João Batista enfatizava um “batismo de arrependimento” àqueles que desejassem entrar no prometido Reino de Deus. A despeito de algumas semelhanças com esses vários batismos, o significado e propósito do batismo cristão vai além de todos eles.

Cristo estabeleceu o modelo para o batismo cristão quando Ele mesmo foi batizado por João, no início de seu ministério público (Mt 3.13-17). Posteriormente, ordenou que seus seguidores saíssem pelo mundo, fazendo discípulos, “batizando-os em [gr. eis – ‘para dentro de’] nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19). Cristo, portanto, instituiu a ordenança do batismo, tanto pelo seu exemplo quanto pelo seu mandamento.

Um propósito importante do batismo nas águas, para os crentes, é que ele simboliza a identificação com Cristo. Os crentes neotestamentários eram batizados “para dentro” (gr. eis) do nome do Senhor Jesus (At 8.16), o que indica que estavam sob o senhorio e autoridade soberanos de Cristo. No batismo, o recém-convertido “testifica que estava em Cristo quando Cristo foi condenado pelo pecado, que foi sepultado com Ele e que ressuscitou para a nova vida nEle”. O batismo indica que o crente morreu para o velho modo de viver e entrou na “novidade da vida” mediante a redenção em Cristo. O ato do batismo nas águas não leva a efeito essa identificação com Cristo, “mas a pressupõe e a simboliza”. O batismo, portanto, simboliza a ocasião em que aquele antes inimigo de Cristo faz “sua rendição final”. 55

O batismo nas águas também significa que os crentes se identificaram com o corpo de Cristo, a Igreja. Os crentes batizados são admitidos na comunidade da fé e, com sua atitude, testificam publicamente diante do mundo sua lealdade a Cristo, juntamente com o povo de Deus. Essa parece ser uma das razões principais por que os crentes neotestamentários eram batizados quase imediatamente após a conversão. Num mundo hostil à fé cristã, era importante que os recém-convertidos tomassem posição lado a lado com os discípulos de Cristo e se envolvessem imediatamente na vida total da comunidade cristã. Talvez um dos motivos por que o batismo com água não ocupa mais lugar de destaque em muitas igrejas seja por estar tão frequentemente separado do ato da conversão. O batismo é mais que ser obediente ao mandamento de Cristo. Relaciona-se com o ato de se tornar seu discípulo. 56

Historicamente, são três as formas principais de batismo: a imersão, a afusão (derramamento) e a aspersão. A maioria dos estudiosos do Novo Testamento concorda que o significado essencial do verbo baptizo é”imergir”, ou “submergir”. Um dos documentos cristãos mais antigos, fora do Novo Testamento, o Didaquê, registra as primeiras instruções conhecidas que permitem o batismo por outro método que não seja a imersão. Depois de oferecer instruções pormenorizadas para o batismo – deveria ser realizado em “água corrente” ou, caso não houvesse, deveria ser utilizada água fria (e, como derradeira alternativa, água morna); deveria empregar a fórmula trinitariana, etc. – o Didaquê aconselha que, não havendo água suficiente para a imersão, deve-se “derramar água na cabeça três vezes, ‘em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo'”.57A aspersão começou a ser usada já no século III, mormente nos casos de batismos clínicos (para aqueles já próximos da morte e que desejavam o batismo cristão). Embora a imersão seja o modo geralmente aceito entre os evangélicos (inclusive os pentecostais), talvez ocasiões incomuns aconselhem o uso de outro método, como ao se batizar uma pessoa de idade avançada ou fisicamente incapaz. O método jamais deverá tornar-se mais importante que a identificação espiritual com Cristo na sua morte e ressurreição, que é simbolizada pelo batismo.

Uma questão que tem levado a muitas controvérsias, na história do Cristianismo, diz respeito aos candidatos ao batismo. Deve a Igreja batizar os bebês e filhos pequenos dos seus membros, ou somente os que creem, ou seja: os que de modo consciente e racional podem fazer a decisão de aceitar Cristo? Ê uma questão complexa, e boa parte do problema tem sua origem na dúvida entre ser o batismo um sacramento ou uma ordenança. O próprio ato em si mesmo transmite graça (sacramento) ou simboliza a graça já transmitida (ordenança)? Desde os primeiros pais da Igreja, argumentos têm sido levantados a favor e contra o batismo infantil. No século III, por exemplo, Orígenes asseverou que “a Igreja recebeu uma tradição que ordena batizar até mesmo as criancinhas”. Ao mesmo tempo, porém, Tertuliano argumentou contra o batismo de crianças: “Por que a idade da inocência se apressa para obter a remissão dos pecados?” Tertuliano declarou, ainda: “Deixe, portanto, que venham depois de mais crescidos, e então poderão aprender e ser ensinados quando devem vir; deixe-os tornar-se cristãos quando tiverem a capacidade de conhecer a Cristo”.58 A maioria das declarações feitas pelos primeiros pais da igreja sobre a questão não são suficientemente explícitas para determinar com certeza as atitudes da Igreja antiga. Muitos dos argumentos usados pelas duas partes envolvidas são baseados no silêncio e na conjectura.

Desde os tempos medievais, cristãos têm praticado o batismo de crianças. A prática tem sido usualmente justificada por três argumentos principais. O primeiro é a sugestão de ser o batismo de crianças o equivalente neotestamentário da circuncisão do Antigo Testamento. Nesta condição, é considerado um rito de admissão na comunidade pactuai dos crentes e concede aos batizados todos os direitos e bênçãos das promessas da aliança.59 Embora o paralelo pareça razoável, falta-lhe apoio bíblico sólido. É certo que a Bíblia não está substituindo o batismo pela circuncisão, em Gálatas 6.12-18.

O segundo argumento em apoio ao batismo infantil é o apelo aos batismos de “famílias” na Bíblia, a que Joachim Jeremias chama fórmula oikos. Por exemplo: textos como Atos 16.15 (a casa de Lídia) e 16.33 (a casa do carcereiro filipense) e 1 Coríntios 1.16 (a casa de Estéfanas) significam, segundo se infere, que pelo menos algumas dessas famílias incluíam crianças pequenas entre os batizados.60 De novo, trata-se em grande medida de um argumento do silêncio, baseado mais em conjecturas do que no que é declarado. Poderíamos inferir, com igual probabilidade, que os leitores bíblicos teriam entendido que os batismos de famílias inteiras incluíam somente os que pessoalmente haviam aceitado Cristo como Salvador, pois todos “creram” e todos “se alegraram” (At 16.34).

Um terceiro argumento frequentemente empregado é o do pecado original. A criança nasce com a culpa e precisa do perdão, que vem por meio do batismo. Essa ideia, entretanto, baseia-se em grande parte na teoria de que os seres humanos herdam biologicamente o pecado (por contraste ao pecado a eles imputado de modo representativo) e que o batismo tem o poder de realizar uma espécie de regeneração sacramental. No tocante à remissão do pecado original pelo batismo, Oliver Quick observa, com certa sagacidade: “Pelo menos dentro daquilo que a experiência consegue demonstrar, as tendências pecaminosas ou defeitos espirituais de uma criança batizada e de uma não batizada são bem semelhantes entre si”. 61

Conforme já foi sugerido, a maioria dos que sustentam ser o batismo uma ordenança, e não um sacramento, acredita que o batismo deve ser ministrado apenas aos crentes nascidos de novo. E note-se que até mesmo alguns dos teólogos não-evangélicos de maior destaque no tempos modernos, que geralmente sustentam uma teologia sacramen-talista, também têm rejeitado a prática do batismo infantil.62 O batismo significa uma grande realidade espiritual (a salvação) que tem revolucionado a vida do crente. Mesmo assim, o símbolo em si mesmo não deve ser elevado ao nível daquela realidade superior.

 

A Ceia do Senhor

A segunda ordenança da Igreja é a Santa Ceia ou Santa Comunhão. Assim como o batismo, esta ordenança tem feito parte do culto cristão desde o ministério terrestre de Cristo, quando Ele próprio instituiu o rito na refeição da Páscoa, na noite em que foi traído. A Ceia do Senhor tem alguns paralelos em outras tradições religiosas (tais como a Páscoa judaica; outras religiões antigas também se valiam de refeições sacramentais para se identificar com suas deidades), mas ela vai muito além quanto ao seu significado e importância.

Seguindo as instruções dadas por Jesus, os cristãos participam da Comunhão em “memória” dEle (Lc 22.19,201 Co 11.24,25). O termo traduzido por “lembrança” (gr. anamnêsis) talvez não signifique exatamente o que o leitor está imaginando. Hoje, lembrar-se de alguma coisa é pensar numa ocasião passada. O modo neotestamentário de entender anamnêsis é exatamente o inverso: significava “transportar uma ação enterrada no passado, de tal maneira que não se percam a sua potência e a vitalidade originais, mas sejam trazidas para o momento presente”.63 Semelhante conceito é refletido até mesmo no Antigo Testamento (cf. Dt 16.31 Rs 17.18).

Na Ceia do Senhor, talvez possamos sugerir um tríplice sentido de lembrança: passado, presente e futuro. A Igreja se reúne como um só corpo à mesa do Senhor, relembrando a sua morte. Os próprios elementos usados de modo simbólico na Comunhão representam o derradeiro sacrifício de Cristo, no qual Ele entregou seu corpo e sangue para redimir os pecados do mundo. Existe ainda um sentido bem presente, o convívio espiritual com Cristo à sua mesa. A Igreja vem proclamar não um herói morto, mas um Salvador ressuscitado e vencedor. A expressão: “mesa do Senhor” sugere estar Ele presente como o verdadeiro anfitrião, aquele que transmite o sentido de terem os crentes, nEle, segurança e paz (ver SI 23.5). Finalmente, há um sentido futuro neste relembrar, sendo que a comunhão da qual o crente agora participa com o Senhor não é o ponto final. Neste sentido, a Ceia do Senhor tem uma dimensão escatológica. Ao participarmos dela, antecipamos a alegria pela sua segunda vinda e pela reunião da Igreja com Ele para toda a eternidade (cf. Mc 14.25; 1 Co 11.26).

A comunhão com Cristo também denota comunhão com o sçu corpo, a Igreja. O relacionamento vertical entre os crentes e o Senhor é complementado pela comunhão horizontal de uns com os outros. Amar a Deus está vitalmente associado com o amar ao nosso próximo (ver Mt 22.37-39). Uma comunhão tão perfeita com os nossos irmãos e irmãs em Cristo exige o rompimento de todas as barreiras (sociais, econômicas, culturais, etc.) e o ajustamento de qualquer detalhe que tenda a destruir a verdadeira união. Somente assim a Igreja poderá genuinamente participar (ou ter koinõnia) do corpo e sangue do Senhor e ser verdadeiramente um só corpo (1 Co 10.16,17). Esta verdade é vividamente ressaltada por Paulo, em 1 Coríntios 11.17-34. Uma ênfase importante do apóstolo nessa passagem é o exame que os crentes devem fazer da sua conduta e motivos espirituais antes de participar da Ceia do Senhor – levando em conta sua atitude para com o próprio Senhor e também para com os demais membros do corpo de Cristo. 64

Por ser a Ceia do Senhor uma verdadeira comunhão de crentes, a maioria das igrejas, nas tradições pentecostais e evangélicas, praticam a comunhão aberta. Significa que todos os crentes nascidos de novo, independente das suas diferenças menos relevantes, estão convidados a se reunir com os santos em comunhão com o Senhor à sua mesa.

Embora a maioria dos crentes concorde que o Senhor está presente à sua mesa, sua presença é interpretada de diferentes maneiras. A maioria dos cristãos harmoniza seus pontos de vista sobre este assunto com uma entre estas quatro tradições: católica romana, luterana, zuingliana e calvinista (reformada). Cada uma destas será considerada resumidamente.

A doutrina católica romana, oficialmente adotada no Quarto Concílio Laterano (1215) e reafirmada no Concílio de Trento (1551), é chamada transubstanciação. Este posicionamento teológico ensina que, quando o sacerdote abençoa e consagra os elementos – o pão e o vinho – ocorre uma mudança metafísica, de modo que o pão é transformado no corpo de Cristo, e o vinho, no seu sangue. O termo “metafísica” é usado porque a Igreja Católica ensina que características como a aparência e o sabor dos elementos (ou os “acidentes”) permanecem os mesmos, mas que a essência interior, a substância metafísica, foi transformada. Fazem uma interpretação muito literal das palavras de Jesus: “Isto é o meu corpo… Isto é o meu sangue” (Mc 14.22-24), os católicos acreditam que a totalidade de Cristo está plenamente presente dentro da substância dos elementos. Como consequência, aquele que participa da hóstia consagrada está recebendo expiação dos pecados venais, ou seja: dos pecados perdoáveis (por contraste aos pecados mortais).

Uma segunda posição teológica provém dos ensinos de Martinho Lutero. Celebrando sua primeira missa como jovem sacerdote católico, Lutero chegou às palavras que proclamavam que um novo sacrifício de Cristo estava sendo apresentado: “Oferecemos a Ti, o Deus vivo, verdadeiro e eterno”. Lutero, segundo suas próprias palavras, ficou totalmente estupefato e aterrorizado… Quem sou eu, para levantar meus olhos à Majestade divina, ou erguer minhas mãos contra Ele?… será que eu, um mísero pigmeu, vou dizer: “Quero isso, peço aquilo? Pois eu sou pó e cinzas, e cheio de pecado, e estou falando ao Deus vivo, verdadeiro e eterno.65

 

Reconhecendo que nenhum ser humano tem o poder sacerdotal para levar a efeito á mudança do pão e do vinho para o corpo e o sangue de Cristo, Lutero estava a caminho de um rompimento final com a Igreja Católica Romana, juntamente com sua doutrina da transubstanciação. Embora Ijutero rejeitasse outras facetas da doutrina católica a respeito da Ceia do Senhor, não rejeitou totalmente a ideia de que o corpo e sangue de Cristo estivessem presentes. Lutero ensinava que o corpo e o sangue de Cristo estão “com, dentro de e abaixo de” os elementos do pão e do vinho, doutrina esta que posteriormente veio a ser chamada consubstanciação. Talvez possamos dizer que esta teoria, assim como a doutrina católica da transubstanciação, continua sendo altamente sacramental e ainda entende por demais literalmente as palavras figuradas de Cristo a respeito do seu corpo e sangue.

Um contemporâneo de Lutero que divergia dele na questão da presença de Cristo na Comunhão era Ulrich Zuínglio. A posição zuingliana é mais conhecida hoje como teoria memorial. Enfatiza que a Comunhão é um rito que comemora a morte do Senhor e a sua eficácia para o crente. Neste sentido é um sinal que aponta de volta para o Calvário. Zuínglio rejeitava qualquer noção da presença física de Cristo à sua mesa (quer transformada nos elementos, quer junto com os elementos). Ensinava, pelo contrário, que Cristo estava espiritualmente presente para os da fé. Muitos dos seguidores de Zuínglio eram tão fervorosos na sua rejeição à ideia da presença física de Cristo que, com efeito, repudiavam até mesmo a ideia de Cristo estar espiritualmente presente no culto da Comunhão. Por essa razão, muitos seguidores desse conceito tendem a ressaltar que a Ceia do Senhor é uma cerimônia comemorativa na qual o crente relembra a obra de Cristo na expiação.

A quarta opinião teológica principal a respeito da Ceia do Senhor é a calvinista, ou reformada. Assim como Zuínglio, João Calvino rejeitava totalmente a ideia de Cristo estar fisicamente presente nos elementos ou com eles. Mais que Zuínglio, porém, Calvino enfatizava grandemente a presença espiritual de Cristo à sua mesa. Entendia que se tratava de uma presença dinâmica (semelhante ao significado do termo gregoanamnêsis) mediante o poder do Espírito Santo. A opinião teológica reformada ressalta que a eficácia da morte sacrificial de Cristo é aplicada e tornada relevante ao crente que participa da Comunhão com uma atitude de fé e confiança em Cristo.

Além dessas quatro opiniões concernentes à Ceia do Senhor, muitas modificações e combinações entre elas são sustentadas pelos cristãos contemporâneos. Esse fato fica especialmente evidente dentro dos movimentos pentecostais e carismáticos. O entendimento teológico de muitos dos seus membros tem sido grandemente influenciado pela antiga associação com organizações eclesiásticas mais tradicionais ou litúrgicas. E provável que a maioria dos pentecostais se sinta teologicamente mais à vontade com as posições expressas por zuinglianos ou reformados. Seja como for, todos os cristãos hoje devem levar a sério a ênfase e a instrução bíblicas sobre as duas ordenanças – o batismo nas águas e a Ceia do Senhor – e regozijar-se porque o seu significado continua sendo tão relevante e aplicável como o era para a Igreja do Novo Testamento.

 

Primeiro Trimestre de 2007 – TEMA –A Igreja e a sua missão – COMENTARISTA : Elienai Cabral
Tema do trimestre: A doutrina da Igreja sob um aspecto prático 

  

LIÇÃO 01 – A IGREJA DE CRISTO

Texto Áureo:

E também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. (Mt 16.18)

  

Verdade Prática:

Nenhuma barreira material, moral ou espiritual será capaz de impedir a igreja de cumprir a sua missão na Terra.

  

Leitura Bíblica Em Classe:
Mateus 16.16-18:

Simão Pedro respondeu: Tu és o CRISTO, o Filho do DEUS vivo.
Respondeu-lhe JESUS: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, pois não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai que está nos céus.
E também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

Atos 4.11,12:

Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina.

Em nenhum outro há salvação, pois também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.

 

INTRODUÇÃO AO PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2007.

JO 10.9 EU SOU A PORTA. QUEM ENTRAR POR MIM SERÁ SALVO; PODERÁ ENTRAR E SAIR E ACHARÁ COMIDA.

ENTRAR no curral das ovelhas, no aprisco, significa entrar no reino espiritual, no reino da luz, no reino de DEUS (somente possível através de JESUS, nosso salvador) e

SAIR, significa sair do mundo espiritualmente governado por Satanás, reino das trevas.

ASSIM, temos um encontro com DEUS e sua Palavra revelada (comida do céu).

ANTES, quando JESUS estava aqui na Terra, num corpo físico, DEUS olhava de cima e só via um filho de DEUS; assim, quando precisava de alguém para pregar o evangelho em Samaria, por exemplo, enviava para lá seu único (unigênito) filho, porém as outras regiões ficavam sem ouvir o evangelho, pois só havia um filho de DEUS na Terra para pregar o evangelho e este só podia estar em um local de cada vez, pois estava sujeito a um corpo físico.

AGORA, após o sacrifício de JESUS na cruz por nós, a revelação do ESPÍRITO SANTO disso e nossa conversão, quando DEUS olha de cima, vê milhões de filhos de DEUS na Terra, gerados pela semente viva, a Palavra de DEUS,  fazendo sua obra por toda a parte e de todas as maneiras possíveis e em todo o mundo habitado. Glória a DEUS, o plano de redenção deu certo!!!!!!!!!!!!!!!

 

Unidade Na Construção Do Edifício De DEUS:

1- O Fundamento Dos Apóstolos E Dos Profetas(V.20)

Os Profetas Do Antigo Testamento Profetizaram A Respeito De CRISTO E Os Apóstolos, No Novo Testamento, Confirmaram Essas Profecias. Nessa Tipologia De Um Edifício CRISTO É A Pedra Principal (De Esquina) E Os Profetas E Apóstolos São Colunas De Sustentação E Declarados Também Como Fundamento, Pois São Testemunhas Das Promessas De DEUS E Seus Ensinos, Juntamente Aos De JESUS São A Base Da Igreja.

2- O Lugar De Cada Crente No Edifício De DEUS(Vv.21,22)

Somos O Templo De DEUS Na Terra, Unidos Pelo ESPÍRITO SANTO. Se Somos Como Pedras Vivas O ESPÍRITO SANTO É Como A Massa De Cimento Unindo Essas Pedras; Fazendo Assim Um Templo Que Cresce Cada Dia Mais, Indo De Encontro Ao Artífice E Construtor Que É DEUS, Mas Sempre Olhando Para CRISTO, O Autor E Consumador De Nossa Fé.

 

Unidade No Corpo De CRISTO:

1 Antes, Estávamos Longe; Agora Chegamos Perto(V.13)

Pelo Sangue De CRISTO, Chegamos Perto. Somos Um Mesmo ESPÍRITO Com Ele. Antes Separados, Na Carne; Agora Unidos Pelo ESPÍRITO SANTO.

2 Antes, Sem Reconciliação; Agora Temos Paz Com DEUS(Vv.14,16)

CRISTO Nos Reconciliou Com O Pai ( A Ofensa Foi Paga Na Cruz ), Através Do Seu 

Sangue A Parede De Separação Foi Removida(O Pecado).

3 Antes, Éramos Dois Povos; Agora, Somos Um Só(V.15)

Não Há Mais Diferença, Formamos Um Só Corpo; O Corpo De CRISTO. (DEUS Olha De Cima E Vê Milhões De Filhos)

4 Antes, Não Tínhamos Acesso Ao Pai; Agora, Em CRISTO, Isto É Possível(Vv.18,19)

Os Gentios Não Podiam Nem Entrar No Templo Construído Pelos Judeus, Agora Nós Podemos Entrar Na Presença Do Pai Pelo Novo E Vivo Caminho Que JESUS Nos Consagrou = O Véu Foi Rasgado, Isto É, Sua Carne.

 

Freqüente uma Igreja Regularmente
Quando você recebeu a JESUS CRISTO como seu Senhor e Salvador pessoal, você iniciou um relacionamento não só com JESUS CRISTO, mas também com outros, que tomaram este passo de fé, crentes. Não importa qual era a sua opinião antes, mas ir a igreja hoje é uma experiência rica e recompensadora.

  • Através do ensino e da pregação da Palavra de DEUS a sua compreensão d’Ela será cada vez maior.
  • Você terá oportunidade de fazer perguntas e discutir sobre as Escrituras com outras pessoas.
  • Você aprenderá a adorar a DEUS, isto é, louvá-lo por tudo que Ele é, e agradecer por tudo que Ele tem feito por você.
  • Adorando, aprendendo e servindo com outros cristãos, você descobrirá outras pessoas com quem pode ter uma amizade duradoura, uma amizade, que será para toda a eternidade!
  • Freqüente a Escola Bíblica Dominical para que possa aprender melhor a Palavra de DEUS.

 

ESTA É A IGREJA dos chamados para fora e esta é sua função primordial – A salvação das almas e sua condução a DEUS.

 

EDIFÍCIO ESPIRITUAL – PEDRAS VIVAS – IGREJA CRISTOCÊNTRICA
INTRODUÇÃO 
A linguagem figurativa da Bíblia retrata a Igreja como uma obra em edificação. Este rico simbolismo aponta para a necessidade de um fundamento, sem o qual nenhuma construção é capaz de ser erguida em condições de manter-se de pé ou suportar a ação do tempo em suas estruturas. Ver Mt 7.24-27.
I. UMA PERGUNTA QUESTIONADORA 
1. O propósito da pergunta. Como núcleo da Igreja incipiente, os discípulos foram preparados por CRISTO para serem as colunas de sustentação apostólica do Cristianismo bíblico. Eles teriam a responsabilidade ímpar de iniciar a construção deste grande edifício – a Igreja. Chegara, portanto, o momento supremo em que se descortinaria para a história este projeto concebido na mente de DEUS. Com este propósito, o Mestre inicia uma reflexão e Ihes faz a pergunta questionadora: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” (v.13).
À primeira vista, numa leitura menos teológica, tem-se a impressão de que o Senhor está em processo de auto-afirmação, buscando, por isso. o reconhecimento da opinião pública. No entanto, à medida em que se aprofunda o diálogo, verifica-se que foi apenas o ponto de partida para chegar ao cerne da questão: o fundamento da Igreja nascente.

  1. A reação da opinião pública. A pergunta enseja aos discípulos a oportunidade de mostrar o que pensava a opinião pública. Aqui há
    uma descoberta interessante,que serve de lição para o dia-a-dia: As percepções sobre a vida variam de pessoa para pessoa e podem ser classificadas em níveis distintos. São fatores diversos, internos e externos, que determinam essa variação. A avaliação apresentada pelos
    discípulos reflete essa realidade. Não obstante a clareza da mensagem pregada pelo Senhor, o máximo que as respostas indicam é uma
    percepção equivocada que situa CRISTO ao nível dos profetas do Antigo Testamento (v.14).
  2. UMA RESPOSTA REVELADORA 
    1. A percepção dos discípulos acerca de CRISTO.É provável que os discípulos ainda nutrissem dúvidas sobre o caráter messiânico do

advento de CRISTO. Talvez tivessem uma percepção parecida com a da opinião pública. Neste ponto crucial, o Senhor restringe o campo de sua pesquisa e lhes faz a pergunta decisiva: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (v.15). Da resposta dependeriam os passos seguintes.
Contudo, o que se percebe do texto, num aparente hiato entre os vv.15 e 16,é a retração do grupo. A percepção externa já cristalizada não
favorece uma posição clara. Esta ênfase é proposital porque, atualmente, em diversos casos a percepção quanto à posição da Igreja em
CRISTO é conduzida pelos que os outros pensam e dizem a respeito, e não pelo que a Bíblia revela.

  1. A percepção de Pedro acerca de CRISTO.Todavia, no exato momento em que os discípulos se encontram aparentemente perplexos
    diante da pergunta inquiridora, entra em cena a revelação sobrenatural. Pedro, inspirado pelo ESPÍRITO SANTO, toma-se o porta-voz do grupo, e declara: “Tu és o CRISTO, o Filho do DEUS vivo” (v.16). Aqui está o reconhecimento implícito da messianidade de JESUS, pedra de toque do arcabouço teológico que dá vida à Igreja.
    O CRISTO da história, que viveu na dimensão humana, como enviado do Pai, incorporava em si mesmo toda a plenitude da divindade, (Cl
    2.9). Este é o sentido da revelação dada por DEUS a Pedro. Tirar esta doutrina da centralidade da pregação é deixar a Igreja anômala e sem consistência bíblica.


III. UMA DECLARAÇÃO CONCLUSIVA 
1. A base da declaração. Chegasse, agora, ao ponto de tensão sobre quem é o fundamento da Igreja. Inicialmente, o Senhor esclarece a
origem da revelação: Não foi fruto da percepção humana equivocada (carne e sangue), mas resultado da ação direta de DEUS, mediante o ESPÍRITO SANTO, no coração de Pedro, (v.17). Em segundo lugar, através de um recurso estilístico, no grego, estabelece de forma precisa que o fundamento da Igreja está na confissão do apóstolo, (v.18). CRISTO cita duas palavras da mesma raiz, mas com significados diferentes,
que expressam a dimensão exata da revelação. A primeira, petros (o nome do discípulo), significa um fragmento de pedra. A segunda,
petra, traduz-se como rocha inamovível. Está claro que o Senhor, ao mesmo tempo em que reconheceu a sensibilidade espiritual de
Pedro, como um fragmento de pedra, deixou também estabelecido que a Igreja seria edificada sobre aquela pedra inamovível – CRISTO, o Filho do DEUS vivo – que se constituiu na confissão pública do apóstolo.
2. O alcance da revelação. O Senhor foi mais além, ao declarar a completa vitória da Igreja sobre as portas do inferno. Tal afirmativa

revela a plena autoridade de CRISTO para cumprir cabalmente o plano divino concernente ao mundo segundo a Palavra de DEUS. Por outro lado, fosse Pedro o fundamento ou qualquer outro dos discípulos, a Igreja não teria resistido aos fortes vendavais que sopraram sobre ela ao longo da história, e nem suportaria os ventos que hoje tentam desviá-la da rota, (comp. Ap 3.10).

  1. UM FUNDAMENTO INAMOVÍVEL 
    1. Refutando o dogma romanista. Uma regra áurea de interpretação bíblica determina que não se pode interpretar o texto isoladamente,
    sem levar em consideração o contexto. Portanto, considera-se como doutrina aquela que desfruta de respaldo em toda a Bíblia. Não é o caso do dogma romanista. que situa Pedro como fundamento da Igreja. Senão, vejamos:
    a) O livro de Atos, que narra os primeiros passos da Igreja Apostólica, em nenhum momento deixa transparecer esta idéia. Nos primeiros
    13 capítulos Pedro aparece tomando várias iniciativas, mas a partir daí, com exceção do cap.15, que trata do Concílio em Jerusalém (onde
    ele desponta no mesmo nível dos demais apóstolos), ele sai de cena.
  2. b) Desde o momento em que Jerusalém começa a entrar em declínio político, antes da diáspora do ano 70 d.C.,DEUS se move através das circunstâncias para transferir o núcleo da Igreja das fronteiras judaicas para outro local estratégico. É assim que nasce a obra em Antioquia. A Bíblia identifica os personagens principais como crentes anônimos, dispersos pela perseguição, e cita Barnabé e Paulo em fase posterior. A liderança de Pedro sequer é mencionada, (At 11.~9-26).
    c) Nenhuma das epístolas faz alusão a Pedrocomo alguém que estivesse ocupando posição de proeminência. Nem mesmo a que foi escrita
    aos romanos o destaca. E pelo menos em uma ocasião sofre críticas de Paulo, em razão de sua atitude dissimulada no relacionamento
    com os gentios (GI 2.11-15).
    Como se vê, houvesse Pedro sido nomeado pelo Senhor como o fundamento da Igreja, o Novo Testamento cuidaria de registrar, com detalhes, os fatos que apontassem nessa direção.
    A doutrina bíblica do fundamento da Igreja. Vejamos, finalmente, como se posiciona o Novo Testamento em relação a CRISTO como o fundamento da Igreja. Paulo, em sua primeira carta aos Coríntios, é enfático: “Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do
    que já está posto, o qual é JESUS CRISTO”, 3.11. O apóstolo segue a mesma linha da declaração revelatória no ato da confissão de Pedro.
    Mas é possível que algum crítico possa pôr em dúvida a afirmação do apóstolo, alegando tratar-se de rivalidade entre ele e Pedro. Fosse desta forma, teria-se deste outro posicionamento. Todavia, a teologia petrina reitera a mesma posição. Em At 4.11 e 1Pe 2.6,7, Pedro sem qualquer pretensão apresenta CRISTO como a pedra principal de esquina. Esta expressão denota a idéia de centralidade no alicerce de uma construção e está em sintonia com a teologia paulina. É tanto que Paulo faz uso da mesma linguagem em Ef 2.20,21. Assim sendo, o Novo Testamento apregoa a doutrina que sustenta a posição de CRISTO como o fundamento eterno e inabalável da Igreja.

CONCLUSÃO 
Ter a CRISTO como fundamento é a razão pela qual a Igreja subsiste a todos os ataques do inimigo, desde o período apostólico até os dias atuais.  É também a garantia de que ela continuará triunfando contra todas as forças diabólicas que ajustam suas estratégias malignas às circunstâncias de hoje para tentar desviá-la do propósito de DEUS. Nada poderá jamais detê-la.

SÍMBOLOS DA IGREJA

Mediante uma ampla pesquisa, fale sobre o casamento nos tempos bíblicos e, principalmente, como era entre os povos antigos, na Palestina, na Grécia e em Roma. Destaque os costumes e os pontos de igualdade entre os povos.
Fale sobre o tabernáculo e os templos na vida religiosa de Israel. Se possível, mostre um desenho do tabernáculo, do templo de Salomão
e Herodes, não esquecendo de citar um resumo das fases históricas dos templos.
Por último, discorra sobre as funções dos órgãos humanos, mostrando que nenhum deles é sem importância para a nossa vida, bem como
que eles obedecem a um padrão orgânico criado por DEUS, que é a base de nossa sustentação física. Use o Manual Bíblico do Estudante, da
CPAD, para preparar seu trabalho em classe.


COMENTÁRIO – INTRODUÇÃO 
A Bíblia utiliza diversos símbolos para ilustrar a natureza da Igreja, de seus membros em particular e de seu relacionamento com CRISTO.
No comentário de hoje, a abordagem restringir-se-á apenas a três que melhor contextualizam a visão atual do papel da Igreja diante de todos: noiva, templo e corpo.


  1. A IGREJA COMO NOIVA DE CRISTO 
    1. A importância da noiva. Esta é a primeira alusão do comentário pela importância que as Escrituras dão ao matrimônio, como instituição divina, quando compara-o ao relacionamento entre CRISTO e a Igreja. É primordial na Igreja fortalecer o casamento, isto porque há uma ação maligna em curso contra ele por ser, em primeiro lugar, a estratégia que melhor serve ao inimigo no seu famigerado propósito de tentar destruir o plano de DEUS para o homem.
    Em segundo lugar, porque desmoraliza uma instituição que melhor representa o tipo de comunhão que CRISTO mantém com a sua noiva, no
    presente, e a perspectiva da vida que ambos desfrutarão na era vindoura (Ap 19.7,8).
    2. A sujeição da noiva. Outra lição que o texto de Paulo oferece é a da sujeição da Igreja a CRISTO (Ef 5.24). O apóstolo a usa para exemplificar a mesma atitude da mulher para com o marido. No entanto, a idéia não é a de uma sujeição imposta pela força ou por uma decisão unilateral e legalista da esposa. É fruto, isto sim, do amor intenso dedicado pelo esposo, que produz nela profundo sentimento de afeto resultando no reconhecimento espontâneo de sua sujeição posicional. É assim a relação de CRISTO com a sua noiva. O amor que Ele lhe devota é tal, como demonstrado no ate da redenção, que ela se sente espontaneamente constrangida a ser-lhe eternamente fiel e a viver em função de sua liderança (2 Co 5.14,15J.
  2. A pureza da noiva. Outro detalhe expresso no símbolo é que a pureza da Igreja como noiva resulta da entrega do Senhor por ela (Ef 5.26,27). É Ele quem a santifica, purifica e a torna imaculada e irrepreensíveI. Não é um ato intrínseco da Igreja, que, por si mesma, possa desenvolver essas qualidades da vida cristã. Ela depende de estar abrigada sob o amor do noivo e ter a noção exata da grande compaixão
    implícita nesta entrega. Só assim poderá viver essas características e apresentar-se, no dia das bodas, como “Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante…” Tal é o comportamento que DEUS espera dos cônjuges. O amor do marido pela esposa deve evidenciar-
    se de tal maneira, não só por palavras, mas acima de tudo por atos, que a mulher se sinta prazerosamente motivada a manter a sua pureza interior, bem como as suas qualidades morais e físicas para que ambos tenham, por toda a vida, plena satisfação na união conjugal. Assim, estarão dando um testemunho sem palavras, na dimensão humana, do que representa, no nível mais sublime, a comunhão entre CRISTO e a Igreja (Ef 5.32).

 

  1. A IGREJA COMO TEMPLO DE DEUS:
  2. Lugar da habitação de DEUS.

A Igreja, como templo de DEUS, traz a idéia subjacente da construção de um edifício habitacional que se ergue sob rigorosas normas de engenharia (“bem ajustado”) (Ef 2.21).
Aqui se evidenciam duas coisas:
A) Quem normatiza e aplica os detalhes técnicos da obra é o engenheiro responsável, princípio este que denota a mesma responsabilidade no trato de CRISTO com a Igreja. As normas partem dele e já estão reveladas na Bíblia, não podendo ser substituídas por suposições humanas sob pena de fazer ruir todo o edifício, cf. Cl 2.20-23.

  1. B) A Igreja foi projetadacomo lugar da habitação do DEUS trino, que, mediante o ESPÍRITO SANTO, envolve-se em toda a sua peregrinação
    histórica.O projeto, portanto, pertence ao Pai, a execução ao Filho e o acompanhamento ao ESPÍRITO SANTO (cf. Ef 3.9; Mt 16.18; Jo 14.16,17,26).

Outro desdobramento cabível aqui é a doutrina da transcendência e da imanência de DEUS. Em sua transcendentalidade. DEUS é chamado de altíssimo porque habita “em um alto e santo lugar”. Todavia, ao mesmo tempo em que o céu dos céus é a sua eterna morada, identifica-se também como o DEUS imanente, que habita “com o contrito e abatido de espírito”, Is 57.15.

  1. Templo de adoração a DEUS.Outro conceito implícito no símbolo do templo, é que faz parte dá natureza essencial da Igreja adorar a DEUS. Este é o sentido do termo cultuar. Infelizmente, porém, igrejas há amarradas a uma liturgia cultual engessada, onde o ESPÍRITO SANTO não encontra liberdade para atuar. As reuniões acabam-se tornando uma rotina repetitiva e enfadonha com pouco proveito espiritual para os participantes. Em muitos casos a adoração passa para o plano secundário ou mesmo terciário – se não for totalmente esquecida – e os que se destacam na coordenação do culto ocupam o centro das atenções. Os crentes, de modo geral, deixam de ser adoradores para transformar-se em assistentes. Muitos escudam-se atrás da recomendação bíblica sobre decência e ordem para defender essa situação. Todavia, levar este princípio ao extremo e isolá-lo do contexto conduz ao formalismo. Em todas as reuniões da Igreja, como templo de DEUS, sem menosprezo da organização, há espaço garantido para os elementos que compõem o culto ao Senhor e aí o ESPÍRITO SANTO tem liberdade para agir (1 Co 14.26-33).


III. A IGREJA COMO CORPO DE CRISTO 
1. O padrão orgânico do corpo. 
Por último, neste comentário a Igreja é analisada sob a perspectiva do corpo humano. De início traduz a idéia de que são diversos órgãos e muitos membros, mas todos trabalham de forma orgânica e harmônica, interligados, em função do corpo. Este recebe os benefícios (1 Co 12.12). Vale a pena reiterar: eles não trabalham em função de si mesmos. Qualquer ação de um órgão ou membro em corpo saudável está comprometida com a estrutura orgânica que sustenta a vida.  E acima está a cabeça – o cérebro – no comando.
Assim é a Igreja de CRISTO. Ela conta com milhões de membros espalhados pelo mundo. Quando todos cumprem a sua parte, a Igreja se beneficia, mas se algum deles está enfermo espiritualmente e não é logo restaurado, afeta todo o corpo. Haja vista inúmeros exemplos
que promovem escândalos e trazem má fama ao povo de DEUS. É responsabilidade de todos os crentes trabalharem de forma orgânica e harmônica, interligados, em favor do crescimento, saúde e fortalecimento da Igreja, tendo CRISTO, como cabeça, na liderança (Ef 1.22,23). Sem nenhum exagero, a Igreja atual precisa ser mais corpo e menos indivíduos.

  1. A utilidade de cada membro do corpo.Todavia, a idéia de corpo não anula a utilidade de cada membro em particular. Todos cumprem
    uma atividade regular e indispensável no processo da vida. Se algum deles por qualquer motivo pára de trabalhar, o corpo ressentir-se-á de sua inatividade.
    Esta é a mesma visão que norteia a presença da Igreja na Terra ( I Co 12.14,27).Muitos crentes, no entanto, por não entenderem corretamente este princípio, sentem-se inúteis e não se envolvem no serviço cristão. Mas se todos se impregnarem do senso de utilidade, a vida de oração será aprofundada, não faltarão recursos para a expansão do Reino, a evangelização será mais rápida, a obra missionária não andará a passos lentos, a unidade não constituir-se-á em utopia e a Igreja terá relevância no mundo (1 Co 15.58).
    CONCLUSÃO  
    Como noiva de CRISTO, esteja a Igreja consciente de que Ele é a fonte de sua pureza espiritual. Como templo de DEUS, tenha ela a visão de que é o lugar santo de Sua habitação na Terra e do compromisso de permanentemente adorá-Lo. Como corpo de CRISTO, mostre-se ao mundo como um corpo bem ajustado, onde cada membro cumpra com alegria a sua responsabilidade em favor do corpo.

Características da Igreja Verdadeira

Onde pode ser encontrada hoje a igreja verdadeira e quais os seus aspectos essenciais? Em primeiro lugar devemos distinguir os vários significados da palavra igreja:

  1. Todo o povo de DEUS em todos os séculos, o conjunto total dos eleitos. Os Reformadores falaram disto como sendo a igreja invisível.
  2. A comunidade local dos cristãos, reunidos visivelmente para adoração e ministério; este significado abrange a vasta maioria das referências à igreja (ekklesia) do Novo Testamento.
  3. Todo o povo de DEUS no mundo, em determinada época, talvez melhor definida como a igreja universal. Esse sentido ocorre apenas ocasionalmente no Novo Testamento (1 Co 10.32; Gl 1.13).
  4. “A igreja dentro da igreja”. Notamos antes a distinção feita entre a edah (toda a congregação visível) e os gahal (aqueles dentro dela que respondem ao chamado de DEUS). JESUS ensinou que o reino corresponde a este padrão: o joio está misturado com o trigo (Mt 13.24-30; 36-43). Dentro do grupo identificado com CRISTO acha-se o povo de DEUS, a verdadeira igreja. Não existe, então, uma igreja pura; em meio a cada igreja pode haver pessoas que não professaram a sua fé e outras cuja profissão será desmascarada no último dia (Mt 7.21-23).

Admitindo-se assim que uma igreja pura ou perfeita não é possível deste lado da glória, onde podemos descobrir o verdadeiro povo de DEUS visivelmente reunido? Tradicionalmente, são reconhecidos quatro sinais da igreja autêntica.

UNA

A unidade da igreja procede de seu fundamento do único DEUS (Ef 4.1-6). Todos os que pertencem verdadeiramente à igreja são um só povo e, portanto, a igreja verdadeira será distinguida por sua unidade.

Esta unidade, porém, não implica necessariamente uniformidade total. Na igreja do Novo Testamento havia uma variedade de ministérios (1 Co 12.4-6) e de opiniões sobre assuntos de importância secundária (Rm 14:1-15:13). Embora houvesse uniformidade nas convicções teológicas básicas (1 Co 15.11, BLH; Jd 3), a fé comum recebia ênfases diversas, segundo as diferentes necessidades percebidas pelos apóstolos (Rm 3.20; cf. Tg 2.24; Fp 2.5-7; cf. Cl 2.9s).

Havia também uma variedade de formas de adoração. O tipo de culto em Corinto (1 Co 14.26ss) não era comum nas igrejas palestinas, onde a adoração se baseava no modelo da sinagoga judaica e tinha um padrão mais formal, centrado na exposição da palavra escrita. Este modelo tirado da sinagoga justifica o fato de as igrejas do primeiro século serem consideradas um ramo do judaísmo. Tiago 2.2 usa até mesmo a palavra sinagoga para a reunião dos cristãos. Existem também elementos discerníveis de mais de uma forma de governo da igreja.

A verdadeira unidade no ESPÍRITO SANTO de todo o povo regenerado é um fato independente da desunião denominacional exterior. O chamado para a unidade no Novo Testamento é, portanto, uma ordem para manter a unicidade fundamental da vida que o ESPÍRITO concedeu através da regeneração (Ef 4.3). Os Reformadores salientaram este ponto, distinguindo entre a igreja invisível (todos os eleitos que são verdadeiramente um em CRISTO) e a igreja visível (um grupo misto de regenerados e não-regenerados). A unidade da igreja invisível é um fato consumado, concedido com a salvação.

Roma tem usado este sinal de maneira polêmica, a fim de proclamar sua unidade, comparando-a à fragmentação do protestantismo, como uma evidência de ser a verdadeira igreja. Isto, no entanto, ignora três pontos: (i) A própria Roma separou-se da igreja ortodoxa em 1054, e jamais tinha sido considerada universalmente como a única igreja verdadeira em séculos anteriores; por exemplo, a igreja celta floresceu na Inglaterra, e Patrício fundou a igreja inglesa muito antes de os missionários romanos terem chegado à Inglaterra. (ii) Os sinais devem manter-se juntos. A sucessão histórica e a unidade exterior não têm validade quando não associadas à lealdade e ao evangelho apostólico. (iii) Embora o protestantismo tenha-se mostrado às vezes necessariamente desagregador, pode ser argumentado que, através de seu desvio da doutrina bíblica, é a própria Roma que tem sido a maior causa de cismas no correr dos séculos.

As Escrituras encorajam a mais plena expressão de unidade possível entre o povo de DEUS, mas elas também tornam claro que a divisão acha-se perfeitamente de acordo com a vontade divina quando a essência do Cristianismo Apostólico estiver em risco. Esta foi a razão da discórdia entre Paulo e os judaizantes (Gl 1.6-12), e entre JESUS e os fariseus (Mc 7.1-13). É significativo notar que quando Judas pretendeu escrever sobre a salvação que temos em comum, ele achou necessário insistir com os leitores para “batalhar diligentemente pela fé que uma vez foi entregue aos santos” (Judas 3). Para o Novo Testamento, a unidade está baseada em um compromisso consciente com as verdades reveladas do Cristianismo Apostólico.

O Novo Testamento dirigiu seus ensinos sobre a unidade a grupos específicos, com implicações imediatas para seus relacionamentos visíveis (Ef 2.15; 4.4; Cl 3.15). JESUS orou pela unidade, que ajudaria o mundo a crer (João 17.21); embora o paralelo entre esta unidade e a dEle com o Pai (17.11,22) confirme o caráter essencialmente espiritual da unidade bíblica, esta certamente inclui identificação visível de vida e propósito, pois JESUS em toda a sua missão expressou uma união visível e demonstrável com o Pai. Em outras palavras, é preciso buscar uma unidade visível mais plena do que aquela que está sendo experimentada pelos que são fiéis ao evangelho apostólico.

Este fato tem especial importância quando dois ou mais grupos que têm uma fé bíblica estiverem operando na mesma área, como, por exemplo, em um campus universitário. O desafio mais profundo deste ensinamento, porém, situa-se ao nível dos relacionamentos na igreja local. Nesse ambiente, a unidade da vida em CRISTO deve expressar-se através do cuidado e compromisso genuínos e tangíveis de uns para com os outros. Na ausência disto, a reivindicação de ser uma verdadeira igreja cristã é posta em dúvida (1 Co 3.3s).

SANTA

O povo de DEUS forma a nação santa (1 Pe 2.9). No sentido mais profundo a igreja é santa, da mesma forma que todo indivíduo cristão é santo em virtude de estar unido a CRISTO, separado para ele e revestido com sua justiça perfeita. Na sua posição diante de DEUS em CRISTO, a igreja é irrepreensível e isenta de qualquer mancha moral. A distinção entre a igreja visível e a invisível aplica-se aqui, desde que esta santidade imputada não pertence aos membros da igreja não confiam pessoalmente em CRISTO como Salvador.

A união com CRISTO envolve também uma santidade de vida que seja visível. Desse modo, a relação da igreja com CRISTO, o seu cabeça, será expressa no caráter moral e nas características especiais de sua vida e de seus relacionamentos comunitários. A igreja alheia à santidade é alheia a CRISTO. Quando CRISTO dirigiu-se à sua igreja, ele esperava dela essa mesma diferença moral e foi severo em seu julgamento quando observou que ela lhes faltava (Ap 2.-3).

A fim de não desanimarmos ao aplicar este teste, vale a pena lembrar que grande parte da vida da igreja do Novo Testamento foi eivada de erros, divisões, falhas morais e instabilidade. Não obstante, a presença de um sinal visível de santidade é uma característica invariável da igreja de DEUS.

CATÓLICA

O termo católico significa literalmente abrangendo ao todo. E em seu uso primitivo, significava ser a igreja universal, distinguindo-a da local; mais tarde, veio significar a igreja que professava a fé ortodoxa, em contraste com os hereges. Com o passar do tempo, Roma adotou o termo para referir-se a si mesma como instituição eclesiástica, centrada no papado, historicamente desenvolvida e geograficamente difundida. Os reformadores do século dezesseis procuraram restaurar o significado anterior da catolicidade, em termos do reconhecimento da fé ortodoxa; nesse sentido, argumentavam eles, a igreja católica era de fato eles e não Roma.

O principal aspecto da catolicidade da igreja primitiva estava na sua abertura para todos. Distinta do judaísmo, com seu exclusivismo racial, e do gnosticismo, com seu exclusivismo cultural e intelectual, a igreja abriu seus braços a todos que quisessem ouvir a mensagem e aceitar seu salvador, sem levar em conta cor, raça, posição social, capacidade intelectual e antecedentes morais. Ela surgiu no mundo como uma fé para todos (Mt 28.19; Ap 7.9). A única exigência para admissão era a fé pessoal em JESUS CRISTO como Salvador e Senhor, com o batismo como o rito autorizado de entrada, porque manifestava o evangelho da graça (Mt 28.19; At 2.38,41).

É neste nível fundamental que esta característica (a de ser católica) deve ser entendida. As igrejas que exigem outros testes devem ser consideradas como suspeitas. Não existe lugar numa verdadeira igreja para a discriminação de qualquer tipo, seja racial, de cor, social, intelectual ou moral, neste último caso desde que haja evidência de verdadeiro arrependimento. A discriminação denominacional também precisa ser examinada com cuidado nos casos em que as doutrinas fundamentais bíblicas sejam claramente reconhecidas.

APOSTÓLICA

O apóstolo é uma testemunha do ministério e da ressurreição de JESUS; é um arauto autorizado do evangelho (Lc 6.12s; At 1.21s; 1 Co 15.8-10). Os arautos tomam posição entre JESUS e todas as gerações subseqüentes da fé cristã; nós só nos achegamos a ele por meio dos apóstolos e de seu testemunho sobre ele, incorporado no Novo Testamento. Neste sentido fundamental, toda a igreja é “edificada sobre o fundamento dos apóstolos” (Ef 2.20; cf. Mt 16.18; Ap 21.14). A apostolicidade da igreja encontra-se, portanto, no fato de ela conformar-se à fé apostólica “que uma vez por todas foi entregue ao santos” (Jd 3; cf. At 2.42). Os apóstolos ainda governam e organizam a igreja na medida em que esta permite que sua vida, seu entendimento e sua pregação sejam constantemente reformados pelos ensinos das Sagradas Escrituras.

Desde que o apóstolo significa literalmente enviado, não é de surpreender que o Novo Testamento refira-se ocasionalmente a outros apóstolos (Rm 16.7). Neste sentido geral, todos os que são hoje enviados pelo Senhor como evangelistas, pregadores, iniciadores de igrejas, etc. são no grego do Novo Testamento, apostoloi, enviados. Isto não subentende de forma alguma que eles tenham uma posição de autoridade especial, competindo com a do grupo original cujo governo continua através das escrituras apostólicas. Reivindicar o cargo apostólico em nossos dias é compreender erradamente o ensino bíblico e oferece na prática um desafio grave com respeito à autoridade e finalidade da revelação divina do Novo Testamento.

É igualmente errado entender a apostolicidade como uma continuidade histórica do ministério, retrocedendo até CRISTO e seus apóstolos através de uma sucessão de bispos. Esta interpretação não tem nenhum apoio bíblico. Toda noção da graça de DEUS comunicada mediante uma sucessão histórica de dignatários da igreja contraria o caráter da própria graça, conforme os escritos bíblicos. Além disso, como garantia da verdade da mensagem apostólica, a sucessão episcopal evidentemente falhou. Foi uma igreja perfeitamente enquadrada nesta sucessão histórica que precisou da Reforma do século dezesseis, para não mencionar outras reformas menores, como o despertamento do século dezoito com Whitefield e os Wesleys.

O catolicismo romano estende esta interpretação de “apostólico” para incluir a reivindicação de que o Bispo de Roma é o sucessor histórico de Pedro e o guardião especial da graça de DEUS na igreja. A alegação é insustentável. A primazia de Pedro entre os apóstolos não passou de uma clara liderança no período da primeira missão cristã. Ele claramente recuou para um segundo plano à medida que a igreja avançou fora de Jerusalém, sendo Paulo nomeado para liderar a missão fora da Palestina e quando João lutava para corrigir as igrejas prejudicadas pelos falsos mestres. É bem significante que Pedro não apareceu no papel principal no Concílio de Jerusalém (At 15), e que ficou claramente à sombra de Paulo no incidente registrado em Gálatas 2.

Roma alega ainda que esta suposta supremacia de Pedro deveria continuar para a salvação eterna e bem contínuo da igreja. Nenhum dos versículos citados como apoio escriturístico (Mt 16.18s; Jo 21.15-17 e Lc 22.32) faz qualquer referência a um sucessor de Pedro. Essas duas reivindicações romanas contrariam a evidência manifesta no Novo Testamento, e a terceira, de que a primazia de Pedro se estende ao bispo de Roma, é ainda menos digna de crédito. O fato de Pedro ter terminado sua vida como mártir em Roma é uma tradição primitiva que encontra apoio razoável; as dificuldades históricas, porém, para mostrar que houve uma sucessão estabelecida de bispos monárquicos de Roma, a partir do primeiro século, são intransponíveis.

A sucessão apostólica é na verdade a sucessão do evangelho apostólico, quando o depósito original de verdade apostólica é passado de uma para outra geração: “homens fiéis … para instruir a outros” (2 Tm 2.2). A igreja é apostólica à medida que reconhece na prática a autoridade suprema das escrituras apostólicas.

OS SINAIS DOS REFORMADORES

Embora os Reformadores não pusessem de lado esses quatro sinais tradicionais, as controvérsias em que se viram envolvidos prenderam sua atenção em outras coisas. Eles identificaram duas características da igreja verdadeira e visível. “Onde quer que vejamos a Palavra de DEUS pregada e ouvida em toda a sua pureza e os sacramentos ministrados segundo a instituição de CRISTO, não há dúvida de que existe uma igreja de DEUS” (João Calvino).

“A Palavra pregada em toda a sua pureza” trouxe à tona a supremacia do evangelho bíblico e forma precisamente nesse ponto que surgira a verdadeira ruptura com Roma. Atrás desta ênfase havia uma convicção quanto ao elo indissolúvel entre a Palavra escrita e o ESPÍRITO; pertencer à comunidade do ESPÍRITO iria necessariamente refletir a submissão à Palavra que o ESPÍRITO havia inspirado. Os Reformadores desconheciam qualquer ESPÍRITO que não levasse à Palavra; desconheciam qualquer amor por DEUS que não estivesse ligado à fé e à verdade. O outro ponto em que discerniram a verdadeira igreja, os sacramentos, era também polêmico, já que foi no aspecto do ensino e da prática com relação aos sacramentos que os Reformadores viram a mais clara violação da religião bíblica por parte de Roma.

A existência de grupos cristãos (p. ex. o Exército da Salvação e a Sociedade dos Amigos) que não possuem sacramentos faz-nos hesitar quanto à afirmação de que os sacramentos são essenciais para que a igreja seja verdadeira. Não obstante, nosso Senhor claramente considerou o batismo como intimamente ligado à mensagem da igreja e à resposta humana a ela (Mt 28.19s), e a participação na Ceia como fundamental para a vida da igreja (Lc 22.19; 1 Co 11.24s).

Podemos generalizar esses sinais afirmando que o sinal supremo para os Reformadores era o próprio CRISTO. Ele é o centro da Palavra e o cerne dos sacramentos.

A MISSÃO – UM SINAL AUSENTE?

Nas instruções de JESUS sobre a vida da igreja (Jo 13-16; Lc 10.1-20; At 1.1-8), encontramos um elemento não abordado nas características da igreja identificadas até agora, que é a missão: a responsabilidade de levar as boas novas de JESUS aos confins da Terra.

Existe certamente grande significado no fato de a história da igreja do Novo Testamento, o livro de Atos, Ter como seu tema principal a expansão sucessiva na pregação do evangelho: Jerusalém, Judéia, Samaria, e, em seguida, o mundo gentio (1.8; cf. 6.8s; 7; 8; 10.34-38; 11.19-26; 13.1ss). A igreja é missão talvez seja uma frase exagerada, mas em seu serviço total ao propósito e à glória de DEUS, a missão é um ingrediente bíblico fundamental.

Assim sendo, uma igreja que não prega o evangelho não sente a responsabilidade pelo bem-estar moral e espiritual dos que a rodeiam, nem expressa interesse pelos pobres e necessitados onde quer que eles sejam encontrados, perdeu seu direito à autenticidade, constituindo-se numa negativa viva de seu Senhor.

Para resumir: a verdadeira igreja será reconhecida pela sua unidade nos relacionamentos, pela sua santidade de vida, pela sua abertura a todos, pela sua submissão à autoridade das escrituras, pela sua pregação de CRISTO em palavras e sacramentos, e pelo seu compromisso com a missão.

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Fonte: Texto retirado do livro Conheça a Verdade Estudando as Doutrinas da Bíblia, de Bruce Milne, ABU Editora.

 

A IGREJA (Bíblia De Estudos Pentecostal – CPAD)
Mt 16.18 “Pois também eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja,
e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.

A palavra grega ekklesia (igreja), literalmente, refere-se à reunião de um povo, por convocação (gr. ekkaleo). No NT, o termo designa principalmente o conjunto do povo de DEUS em CRISTO, que se reúne como cidadãos do reino de DEUS (Ef 2.19), com o propósito de adorar a DEUS. A palavra “igreja” pode referir-se a uma igreja local (Mt 18.17; At 15.4) ou à igreja no sentido universal (16.18; At 20.28; Ef 2.21, 22).
(1) A igreja é apresentada como o povo de DEUS (1Co 1.2; 10.32; 1Pe 2.4-10), o agrupamento dos crentes redimidos como fruto da morte de CRISTO (1Pe 1.18,19). É um povo peregrino que já não pertence a esta terra (Hb 13.12-14), cujo primeiro dever é viver e cultivar uma comunhão real e pessoal com DEUS (1Pe 2.5; ver Hb 11.6).
(2) A igreja foi chamada para deixar o mundo e ingressar no reino de DEUS. A separação do mundo é parte inerente da natureza da igreja e a recompensa disso é ter o Senhor por DEUS e Pai (2Co 6.16-18).
(3) A igreja é o templo de DEUS e do ESPÍRITO SANTO (ver 1Co 3.16; 2Co 6.14—7.1; Ef 2.11-22; 1Pe 2.4-10). Este fato, no tocante à igreja, requer dela separação da iniqüidade e da imoralidade.
(4) A igreja é o corpo de CRISTO (1Co 6.15,16; 10.16,17; 12.12-27). Isto indica que não pode existir igreja verdadeira sem união vital dos seus membros com CRISTO. A cabeça do corpo é CRISTO (Cl 1.18; Ef 1.22; 4.15; 5.23).
(5) A igreja é a noiva de CRISTO (2Co 11.2; Ef 5.23-27; Ap 19.7-9). Este conceito nupcial enfatiza tanto a lealdade, devoção e fidelidade da igreja a CRISTO, quanto o amor de CRISTO à sua igreja e sua comunhão com ela.
(6) A igreja é uma comunhão (gr. koinonia) espiritual (2Co 13.14; Fp 2.1)
. Isto inclui a habitação nela do ESPÍRITO SANTO (Lc 11.13; Jo 7.37-39; 20.22), a unidade do ESPÍRITO (Ef 4.4) e o batismo com o ESPÍRITO (At 1.5; 2.4; 8.14-17; 10.44; 19.1-7). Esta comunhão deve ser uma demonstração visível do mútuo amor e cuidado entre os irmãos (Jo 13.34,35).

(7) A igreja é um ministério (gr. diakonia) espiritual. Ela ministra por meio de dons (gr. charismata) outorgados pelo ESPÍRITO SANTO (Rm 12.6; 1Co 1.7; 12.4-11, 20-31; Ef 4.11).
(8) A igreja é um exército engajado num conflito espiritual, batalhando com a espada e o poder do ESPÍRITO (Ef 6.17). Seu combate é espiritual, contra Satanás e o pecado. O ESPÍRITO que está na igreja e a enche, é qual guerreiro manejando a Palavra viva de DEUS, libertando as pessoas do domínio de Satanás e anulando todos os poderes das trevas (At 26.18; Hb 4.12; Ap 1.16; 2.16; 19.15, 21).
(9) A igreja é a coluna e o fundamento da verdade (1Tm 3.15), funcionando, assim, como o alicerce que sustenta uma construção. A igreja deve sustentar a verdade e conservá-la íntegra, defendendo-a contra os deturpadores e os falsos mestres (ver Fp 1.17; Jd 3).
(10) A igreja é um povo possuidor de uma esperança futura. Esta esperança tem por centro a volta de CRISTO para buscar o seu povo (ver Jo 14.3; 1Tm 6.14; 2Tm 4.8; Tt 2.13; Hb 9.28).
(11) A igreja é tanto invisível como visível. (a) A igreja invisível é o conjunto dos crentes verdadeiros, unidos por sua fé viva em CRISTO. (b) A igreja visível consiste de congregações locais, compostas de crentes vencedores e fiéis (Ap 2.11, 17, 26; ver 2.7), bem como de crentes professos, porém falsos (Ap 2.2); “caídos” (Ap 2.5); espiritualmente “mortos” (Ap 3.1); e “mornos” (Ap 3.16; ver Mt 13.24; At 12.5).

 

 

LIÇÃO 05 –  IGREJA POVO ESCOLHIDO DE ADORAÇÃO

TEXTO ÁUREO:

“DEUS é ESPÍRITO, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (Jô 4.24)

 

VERDADE PRÁTICA:

A igreja existe para adorar a DEUS e levar o seu maravilhoso conhecimento às nações.

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE – 1 Pedro 2.5-10; Romanos 12.1.

1 Pedro 2

5 – Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a DEUS, por JESUS CRISTO. 6 – Pelo que também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; e quem nela crer não será confundido.

7 – E assim para vós, os que credes, é preciosa, mas, para os rebeldes, a pedra que os edificadores reprovaram, essa foi a principal da esquina;

8 – e uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, para aqueles que tropeçam na palavra, sendo desobedientes; para o que também foram destinados.

9 – Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;

10 – vós que em outro tempo, não éreis povo, mas, agora, sois povo de DEUS; que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia.

 

Romanos 12

  1. Portanto, rogo-vos, irmãos, pela compaixão de DEUS, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a DEUS, que é o vosso culto racional.

 

ADORAÇÃO

Há duas palavras no A.T. significando adoração: uma delas, em certos lugares, tem o sentido de fazer ‘reverência’, ‘inclinar-se’ (Dn 2.46; 3.5); a outra usa-se a respeito do culto prestado ao SENHOR e a outros deuses ou objetos de reverência (Gn 24.26, 48, etc.; Êx 34.14; Dt 4.19,etc.); e também a respeito do ‘príncipe do exército do Senhor’ (Js 6.14). No N.T. a palavra mais freqüentemente empregada significava, na sua origem, beijar a mão de alguém, como sinal de consideração, fazendo-se uma inclinação respeitosa. É usada com as seguintes significações: adoração a DEUS (Mt 4.10); reverência para com JESUS CRISTO (Mc 5.6); e culto idólatra (At 7.43; cf. Ap 9.20; 14.9; 22.8). (http://www.portalgospel.com/dicionario/) 

 

A Adoração   (EVANGELHO DE JOÃO 4.23)

            Jo 4.23- “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores 

adorarão o Pai em ESPÍRITO e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem”.   

 

             Os Samaritanos devido a terem sido dominados por povos não Judeus durante muito tempo (2 Rs 17.6) e também por serem em sua maioria idólatras desde o tempo de Acabe com Jezabel (1 Rs 16.32), também fizeram alianças com idólatras (1 Rs 20.34; 2 Rs 1.3) , também esta região foi habitada por várias nações gentias que o rei da Assíria trouxe de Babel, e de Cuta, e de Ava, e de Hamate, e de Sefarvaim e a fez habitar nas cidades de Samaria (2 Rs 17.24) ficaram com uma maioria de “judeus mestiços”, o que causou uma inimizade entre os outros judeus que não aceitavam que judeus se misturassem através do casamento com os gentios. Isso chegou ao ponto de os judeus de Judá não passarem pelo território de Samaria para chegarem até a Galiléia, preferiam passar por Decápolis e atravessar o Mar da Galiléia. 

 

A inimizade dentre esses irmãos de mesma descendência perdurou por muito tempo e JESUS quebrou esta regra (Mt 5.44) passando por Samaria quando estava indo para a Galiléia, evangelizando assim tanto a samaritana como toda a cidade dela; mais tarde vamos ver Filipe, o diácono e posterior Evangelista (At 6.5; 21.8)), evangelizando esta mesma Samaria e obtendo excelentes resultados nesse território.(At 8.6)

 

            Cabe-nos esclarecer que os verdadeiros adoradores são aqueles que trabalham na obra do Senhor, dando suas vidas pela causa do mestre; embora muitos pensam que são os exclusivamente cantores. A adoração a DEUS é um estado constante em nosso espírito “recriado” (ligado a DEUS pelo novo nascimento, através do ESPÍRITO SANTO), não sendo determinada por momentos de louvor, mas uma vida de comunhão com o ESPÍRITO SANTO; neste capítulo 4, a palavra adoração aparece 10 vezes indicando-nos, a necessidade de atentarmos mais para esse fato tão importante. A verdadeira adoração exige serviço na obra de DEUS e dedicação em obedecer à vontade de DEUS e ganhar almas

(esta é a prioridade da Igreja, a evangelização).   

 

            Devemos lembrar-nos de que DEUS é ESPÍRITO e aqueles que desejam adorá-lo devem fazê-lo em espírito e em verdade, ou seja, dispensando os estímulos externos; com um coração sincero e temente a DEUS (A adoração é a expressão máxima da oração).

Jamais devemos confundir a adoração com o louvor, pois:  

  1. Louva-se a DEUS pelo que ELE fez ou faz, mas adora-se a ELE pelo que ELE é;
  2. O louvor é um agradecimento a DEUS, a adoração é um engrandecimento de DEUS;
  3. –  No louvor precisa-se da participação de outras pessoas e às vezes de instrumentos musicais, a adoração é individual e nasce dentro de nós, em nosso espírito;
  4. O louvor chega aos átrios, a adoração chega ao santo dos santos (presença de DEUS);
  5. –   No louvor são usados o corpo e a alma; na adoração são usados o corpo (mortificado), a alma (lavada no sangue de JESUS) e o espírito (“recriado”);
  6. Para louvar a DEUS não é preciso comunhão com o ESPÍRITO SANTO, pois até os animais o louvam (Sl 148, 149, 150); para se adorar a DEUS é preciso uma estreita comunhão com o ESPÍRITO SANTO, pois é ELE que nos transporta ao trono.
  7. O louvor é como um aceno e cumprimento, a adoração é um abraço e um beijo cheio de amor.
  8. Tomemos como exemplo um marido que dá um fogão de presente à sua esposa e manda entregar em sua casa. A esposa louva ao marido pelo seu ato de amor, mas quando o mesmo chega em casa ela o abraça e beija agradecida e cheia de amor (isso é adoração).
  9. Para louvar não é preciso nascer de novo, para adorar só com espírito “recriado” (ligado a DEUS pelo novo nascimento, através do ESPÍRITO SANTO).
  10. Observação: Por isso se vê tão poucos adoradores e tantos que louvam.
  11. Aos homens se aplaude (manifestação externa), a DEUS se adora (manifestação interna).
  • Note que JESUS está dizendo para a mulher que os judeus adoravam a DEUS com a palavra de DEUS (em verdade, pois possuíam todos os escritos do Pentateuco até os profetas) mas suas bocas diziam uma coisa e o coração outra.
  • Não adoravam em ESPÍRITO, só com a verdade.
  • Os samaritanos adoravam em ESPÍRITO, pois não tinham nem o templo legítimo e nem a palavra (só adotavam o Pentateuco), faltava-lhes portanto a verdade.  
  • JESUS está dizendo que chegou o tempo de adorar em ESPÍRITO e em Verdade, pois ele envia o ESPÍRITO SANTO àqueles que lhe aceitarem como senhor e salvador e estes aprenderão o real sentido da adoração.
  • Veja que é DEUS que procura aos verdadeiros adoradores que o adoram em ESPÍRITO e em verdade.(Porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Parte b do v. 23)
  • Não é nem no Monte Gerizim em Samaria (templo já destruído) e nem no Monte Moriá em Jerusalém (onde estava erigido um suntuoso templo construído por Herodes e foi destruído no ano 70 d.C.) – mas a verdadeira adoração a DEUS é feita onde você estiver, bastando para isso erguer o pensamento a DEUS e adorá-lo, entregando-se totalmente ao ESPÍRITO SANTO.Não há lugar específico para se adorar.

 

***Caim ofereceu sacrifício inferior ao de seu irmão Abel, pois Abel ofereceu sua própria vida a DEUS (verdadeira adoração), tipificada no cordeiro que foi imolado e derramado o seu sangue; Antítipo de CRISTO.(Gn 4.2-5;Hb 11.4); por isso seu sacrifício foi aceito – uma vida para DEUS.***Abraão por já ser velho não poderia oferecer sua vida, pois pouco lhe restava para viver aqui na terra, por isso DEUS lhe pediu uma vida mais preciosa, a de seu filho amado que já estava começando a ocupar o lugar que só era de DEUS, no coração do velho patriarca.***Moisés ofereceu sua vida quando deixou os seus 40 anos de orgulho de ser filho da filha de um faraó e passar a ser pastor de ovelhas por mais 40 anos e depois passar mais 40 anos dirigindo o povo de DEUS pelo deserto, inclusive passando pelo Mar Vermelho, símbolo de batismo nas águas, ou seja, morte. Se tivéssemos espaço e tempo falaríamos de tantos outros que entregaram a DEUS o melhor da adoração, suas próprias vidas, como os milhares que morreram nas arenas de Roma, no Coliseu. (Hb 11.4 – Pela fé Abel ofereceu a DEUS mais excelente sacrifício que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando DEUS testemunho das suas oferendas, e por meio dela depois de morto, ainda fala.5 Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte; e não foi achado, porque DEUS o trasladara; pois antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a DEUS.===17 Pela fé Abraão, sendo provado, ofereceu Isaque; sim, ia oferecendo o seu unigênito aquele que recebera as promessas,===24 Pela fé Moisés, sendo já homem, recusou ser chamado filho da filha de Faraó,===35 As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição;36 e outros experimentaram escárnios e açoites, e ainda cadeias e prisões.37 Foram apedrejados e tentados; foram serrados ao meio; morreram ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, aflitos e maltratados 38 (dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos e montes, e pelas covas e cavernas da terra.

 

 

Lição 13 – A mordomia da adoração – 07/04/2005 – http://www.ebdweb.com.br/licoes/licao13_0403.htm

Texto Áureo:

Dai ao Senhor a glória de seu nome; trazei presentes, e vinde perante Ele; adorai ao Senhor na beleza da sua santidade”

(1 Cr 16.29).
ADORAI AO SENHOR NA BELEZA DA SUA SANTIDADE. A adoração genuína deve ser prestada em “santidade” (cf. 2 Cr 20.21). DEUS aceita a adoração espiritual e jubilosa (15.28) somente quando acompanhada de uma disposição reverente e pura de um anelo sincero de estar perto dEle e de um firme propósito de resistir a tudo quanto ofenda a sua santa natureza (ver v. 7).
apazdosenhor.org.br/estudos_biblicos

Verdade Prática:

O ato de adorar a DEUS implica reconhecer a sua soberania e dar-lhe a glória que lhe é devida, com espontânea reverência e serviço amoroso. Segundo o novo concerto, todos os crentes são sacerdotes de DEUS (1 Pe 2.5,9) e, como tais, devem desempenhar o ministério espiritual de louvores e ações de graças a DEUS. “Portanto, ofereçamos sempre, por ele, [CRISTO] a DEUS sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Hb 13.15). O louvor e a adoração do crente devem ser com palavras e também com atos (ver v. 29) e são aceitáveis diante de DEUS, somente à medida que o crente for dedicado à sua Palavra, e não conformado com o mundo (Rm 12.1,2).

 

Leitura Bíblica em Classe:
EFÉSIOS 1.4-6

 4 como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade,5  e nos predestinou para filhos de adoção por JESUS CRISTO, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, 6 para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado.
EM CRISTO JESUS. Todo crente “fiel” tem vida somente estando “em CRISTO JESUS”. (1) Os termos “em CRISTO JESUS”, “no Senhor”, “nEle”, ocorrem 160 vezes nos escritos de Paulo (36 vezes só em Efésios). “Em CRISTO”, significa que o crente vive e age agora na esfera de CRISTO JESUS. O novo ambiente do redimido é o da união com CRISTO. “Em CRISTO” o crente tem comunhão consciente com seu Senhor, e, nesse relacionamento, sua própria vida é considerada a vida de  CRISTO manifesta através dele (ver Gl 2.20 nota). Essa comunhão pessoal com CRISTO é a coisa mais importante na experiência cristã. A união com CRISTO é uma dádiva de DEUS mediante a fé. (2) A Bíblia contrasta nossa nova vida “em CRISTO” com a velha vida não regenerada, “em Adão”. Enquanto a velha vida é caracterizada pela rebeldia, pecado, condenação e morte, nossa nova vida “em CRISTO” é caracterizada pela salvação, vida no ESPÍRITO, graça abundante, retidão e vida eterna (ver Rm 5.12-21; 6; 8; 14.17-19; 1 Co 15.21,22, 45-49; Fp 2.1-5; 4.6-9)

   

Efésios 1.11,12;

11 nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade, 12 com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que primeiro esperamos em CRISTO;
2Ts 2. 13 Mas devemos sempre dar graças a DEUS, por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter DEUS elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do ESPÍRITO e fé da verdade,
1 PEDRO 2.5,9

1 PEDRO 2.5 vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a DEUS, por JESUS CRISTO.
SACERDÓCIO SANTO. No AT, o sacerdócio era restrito a uma minoria qualificada. Sua atividade distintiva era oferecer sacrifícios a DEUS, em prol do seu povo e comunicar-se diretamente com DEUS (Êx 19.6; 28.1; 2 Cr 29.11). Agora, por meio de JESUS CRISTO, todo crente é constituído sacerdote para o serviço de DEUS (Ap 1.6; 5.10; 20.6). Esse sacerdócio de todos os crentes abrange o seguinte.

(1) Todos os crentes têm acesso direto a DEUS, através de CRISTO (3.18; Jo 14.6; At 4.12; Ef 2.18).

(2) Todos os crentes têm a obrigação de viver uma vida santa (vv. 5,9; 1.14-17).

(3) Todos os crentes devem oferecer “sacrifícios espirituais” a DEUS, inclusive:

(a) viver em obediência a DEUS, sem conformar-se com o mundo (Rm 12.1,2);

(b) orar a DEUS e louvá-lo (Sl 50.14; Hb 13.15);

(c) servir com coração íntegro e mente disposta (1 Cr 28.9; Fp 2.17; Ef 5.1,2);

(d) praticar boas ações (Hb 13.16);

(e) contribuir com nossas posses materiais (Rm 12.13; Fp 4.18) e

(f) apresentar nossos corpos a DEUS como instrumentos da justiça (Rm 6.13,19).

(4) Todos os crentes devem interceder e orar uns pelos outros e por todos (Cl 4.12; 1 Tm 2.1; Ap 8.3).

(5) Todos os crentes devem proclamar a Palavra e orar pelo sucesso dela (v. 9; 3.15; At 4.31; 1 Co 14.26; 2 Ts3.1; Hb 13.15)

 

1 PEDRO 2.9 Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;
A NAÇÃO SANTA. Os crentes são separados do mundo a fim de pertencerem totalmente a DEUS (Cf. At 20.28; Tt 2.14) e de proclamarem o evangelho da salvação para a glória e louvor de DEUS (cf. Êx 19.6; Is 43.20,21).

   

Comentários:

INTRODUÇÃO
A mordomia da adoração se constitui numa doutrina essencial na vida da Igreja. Nesta lição, trataremos do culto a DEUS através da adoração, como a Bíblia nos ensina. Trataremos também da sua prática na vida cotidiana da igreja.

  1. MORDOMIA DA ADORAÇÃO A DEUS
    A primeira verdade da mordomia da adoração é que ela é um privilégio concedido ao povo salvo para, deste modo, servir a DEUS.

ADORAÇÃO NO CRISTIANISMO

Devemos nos lembrar de que somente adoram a DEUS em espírito e em verdade aqueles que são nascidos de novo, ou seja, os que têem o ESPÍRITO SANTO residente em si mesmos, pois o espírito do homem precisa ser religado a DEUS para que haja legítima adoração, antes de aceitar a CRISTO o homem está espiritualmente desligado, separado de DEUS por causa de suas ofensas ou pecados; depois de o fazer o ESPÍRITO SANTO (O Selo) faz sua parte que é ligar o espírito do homem a DEUS que é ESPÍRITO e procura pelos adoradores legítimos, seus filhos amados, nascidos da Palavra de DEUS e do ESPÍRITO de DEUS. 

Não há lugar próprio para a nossa adoração (ex.Montes), podemos adorar a DEUS em todos os lugares e em todo o tempo.; basta para isso elevarmos nosso pensamento a DEUS e entregarmos a ELE nossa vida, reconhecendo que ELE é Senhor.

A adoração na igreja primitiva era prestada tanto no templo de Jerusalém quanto em casas particulares (At 2.46,47). Fora de Jerusalém, os cristãos prestavam culto a DEUS nas sinagogas, enquanto isso lhes foi permitido. Quando lhes foi proibido utilizá-las, passaram a cultuar a DEUS noutros lugares, geralmente em casas particulares (cf. At 18.7; Rm 16.5; Cl 4.15; Fm v. 2), mas, às vezes, em salões públicos (At 19.9,10).
MANIFESTAÇÕES DA ADORAÇÃO CRISTÃ.
(1) Dois princípios-chaves norteiam a adoração cristã. (a) A verdadeira adoração é a que é prestada em espírito e verdade (ver Jo 4.23 nota), i.e., a adoração deve ser oferecida à altura da revelação que DEUS fez de si mesmo no Filho (ver Jo 14.6). Por sua vez, ela envolve o espírito humano, e não apenas a mente, e também como as manifestações do ESPÍRITO SANTO (1Co 12.7-12). (b) A prática da adoração cristã deve corresponder ao padrão do NT para a igreja (ver At 7.44 nota). Os crentes atuais devem desejar, buscar e esperar, como norma para a igreja, todos os elementos constantes da prática da adoração vista no NT (cf. o princípio hermenêutico estudado na introdução a Atos). 

(2) O fato marcante da adoração no AT era o sistema sacrificial (ver Nm 28, 29). Uma vez que o sacrifício de CRISTO na cruz cumpriu esse sistema, já não há mais qualquer necessidade de derramamento de sangue como parte do culto cristão (ver Hb 9.1—10.18). Através da ordenança da Ceia do Senhor, a igreja do NT comemorava continuamente o sacrifício de CRISTO, efetuado de uma vez por todas (1Co 11.23-26). Além disso, a exortação que tem a igreja é oferecer “sempre, por ele, a DEUS sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Hb 13.15), e a oferecer nossos corpos como “sacrifício vivo, santo e agradável a DEUS” (Rm 12.1 nota). 

(3) Louvar a DEUS é essencial à adoração cristã. O louvor era um elemento-chave na adoração de Israel a DEUS (e.g., Sl 100.4; 106.1; 111.1; 113.1; 117), bem como na adoração cristã primitiva (At 2.46,47; 16.25; Rm 15.10,11; Hb 2.12).

(4) Uma maneira autêntica de louvar a DEUS é cantar salmos, hinos e cânticos espirituais. O AT está repleto de exortações sobre como cantar ao Senhor (e.g., 1Cr 16.23; Sl 95.1; 96.1,2; 98.1,5,6; 100.1,2). Na ocasião do nascimento de JESUS, a totalidade das hostes celestiais irrompeu num cântico de louvor (Lc 2.13,14), e a igreja do NT era um povo que cantava (1Co 14.15; Ef 5.19; Cl 3.16; Tg 5.13). Os cânticos dos cristãos eram cantados, ou com a mente (i.e. num idioma humano conhecido) ou com o espírito (i.e., em línguas; ver 1Co 14.15 nota). Em nenhuma circunstância os cânticos eram executados como passatempo. 

(5) Outro elemento importante na adoração é buscar a face de DEUS em oração. Os santos do AT comunicavam-se constantemente com DEUS através da oração (e.g. Gn 20.17; Nm 11.2; 1Sm 8.6; 2 Sm 7.27; Dn 9.3-19; cf. Tg 5.17,18). Os apóstolos oravam constantemente depois de JESUS subir ao céu (At 1.14), e a oração tornou-se parte regular da adoração cristã coletiva (At 2.42; 20.36; 1Ts 5.17). Essas orações eram, às vezes, por eles mesmos (At 4.24-30); outras vezes eram orações intercessórias por outras pessoas (e.g. At 12.5; Rm 15.30-32; Ef 6.18). Em todo tempo a oração do crente deve ser acompanhada de ações de graças a DEUS (Ef 5.20; Fp 4.6; Cl 3.15,17; 1Ts 5.17,18). Como o cântico, o orar podia ser feito em idioma humano conhecido, ou em línguas (1Co 14.13-15). 

(6) A confissão de pecados era sabidamente parte importante da adoração no AT. DEUS estabelecera o Dia da Expiação para os israelitas como uma ocasião para a confissão nacional de pecados (Lv 16). Salomão, na sua oração de dedicação do templo, reconheceu a importância da confissão (1Rs 8.30-36). Quando Esdras e Neemias verificaram até que ponto o povo de DEUS se afastara da sua lei, dirigiram toda a nação de Judá numa contrita oração pública de confissão (cap. 9). Assim, também, na oração do Pai nosso, JESUS ensina os crentes a pedirem perdão dos pecados (Mt 6.12). Tiago ensina os crentes a confessar seus pecados uns aos outros (Tg 5.16); através da confissão sincera, recebemos a certeza do gracioso perdão divino (1Jo 1.9).

(7) A adoração deve também incluir a leitura em conjunto das Escrituras e a sua fiel exposição. Nos tempos do AT, DEUS ordenou que, cada sétimo ano, na festa dos Tabernáculos, todos os israelitas se reunissem para a leitura pública da lei de Moisés (Dt 31.9-13). O exemplo mais patente desse elemento do culto no AT, surgiu no tempo de Esdras e Neemias (8.1-12). A leitura das Escrituras passou a ser uma parte regular do culto da sinagoga no sábado (ver Lc 4.16-19; At 13.15). Semelhantemente, quando os crentes do NT reuniam-se para o culto, também ouviam a leitura da Palavra de DEUS (1Tm 4.13; cf. Cl 4.16; 1Ts 5.27) juntamente com ensinamento, pregação e exortação baseados nela (1Tm 4.13; 2Tm 4.2; cf. At 19.8-10; 20.7).

(8) Sempre quando o povo de DEUS se reunia na Casa do Senhor, todos deviam trazer seus dízimos e ofertas (Sl 96.8; Ml 3.10). Semelhantemente, Paulo escreveu aos cristãos de Corinto, no tocante à coleta em favor da igreja de Jerusalém: “No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade” (1Co 16.2). A verdadeira adoração a DEUS deve, portanto ensejar uma oportunidade para apresentarmos ao Senhor os nossos dízimos e ofertas.

(9) Algo singular no culto da igreja do NT era a atuação do ESPÍRITO SANTO e das suas manifestações. Entre essas manifestações do ESPÍRITO na congregação do Senhor havia a palavra da sabedoria, a palavra do conhecimento, manifestações especiais de fé, dons de curas, poderes miraculosos, profecia, discernimento de espíritos, falar em línguas e a interpretação de línguas (1Co 12.7-10). O caráter carismático do culto cristão primitivo vem, também, descrito nas cartas de Paulo: “Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação” (1Co 14.26). Na primeira epístola aos coríntios, Paulo expõe princípios normativos da adoração deles (ver 1Co 14.1-33 notas). O princípio dominante para o exercício de qualquer dom do ESPÍRITO SANTO durante o culto é o fortalecimento e a edificação da congregação inteira (1Co 12.7; 14.26).

(10) O outro elemento excepcional na adoração segundo o NT era a prática das ordenanças — o batismo e a Ceia do Senhor. A Ceia do Senhor (ou o “partir do pão”, ver At 2.42) parece que era observada diariamente entre os crentes logo depois do Pentecostes (At 2.46,47), e, posteriormente, pelo menos uma vez por semana (At 20.7,11). O batismo conforme a ordem de CRISTO (Mt 28.19,20) ocorria sempre que havia conversões e novas pessoas ingressavam na igreja (At 2.41; 8.12; 9.18; 10.48; 16.30-33; 19.1-5).

 

  1. RAZÕES PARA A ADORAÇÃO
    O homem foi criado para adorar ao Criador de modo livre e espontâneo. Com a queda de Adão e Eva, esse senso de adoração foi completamente desvirtuado. Mas DEUS providenciou a restauração da humanidade mediante a revelação de Seu Filho JESUS CRISTO. Foi o próprio JESUS quem proveu essa recuperação humana abrindo o caminho para a adoração ao Pai, revelando-O de modo especial.

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III. ASPECTOS DA ADORAÇÃO CRISTÃ
1. Administrando o culto a DEUS.
a) Leitura da Palavra.  (Ne 8.5,6).

INCLINARAM-SE E ADORARAM O SENHOR. Este capítulo da Bíblia descreve um dos maiores cultos de adoração ao Senhor, de todos os tempos. DEUS deseja a adoração do seu povo e o conclama a adorá-lo continuamente

  1. b) Pregação e ensino da Palavra de DEUS. (2 Cr 34.30-33).
  2. c) O cântico na adoração.  (Sl 136; Sl 126.3). (Ex 15.1-21).
    d) A oração na adoração.  org.br/estudos_biblicos/
    e) Contribuição e adoração. apazdosenhor.org.br/

CONCLUSÃO
O homem foi criado para a glória de DEUS, que deseja e espera receber o devido louvor de sua criação (Is 43.7). A adoração do crente deve ser direcionada única e exclusivamente a DEUS (Mt 4.10), pois, nas Escrituras, encontramos as principais razões para assim  procedermos, “porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (At 17.28).
Sacerdote

Ministro divinamente designado, cuja principal função era representar o homem diante de DEUS.

Comunhão com DEUS
Relacionamento estreito que o crente passa a manter com DEUS mediante o sacrifício de CRISTO no Calvário.

 

A ADORAÇÃO A DEUS (BEP CPAD)
Ne 8.5,6 “E Esdras abriu o livro perante os olhos de todo o povo; porque  estava acima de todo o povo; e, abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé. E Esdras louvou o SENHOR, o grande DEUS; e todo o povo respondeu: Amém!  Amém!, levantando as mãos; e inclinaram-se e adoraram o SENHOR, com o rosto em terra.”
A adoração consiste nos atos e atitudes que reverenciam e honram à majestade do grande DEUS do céu e da terra. Sendo assim, a adoração concentra-se em DEUS, e não no ser humano. No culto cristão, nós nos acercamos de DEUS em gratidão por aquilo que Ele tem feito por nós em CRISTO e através do ESPÍRITO SANTO. A adoração requer o exercício da fé e o reconhecimento de que Ele é nosso DEUS e Senhor.
BREVE HISTÓRIA DA ADORAÇÃO AO VERDADEIRO DEUS. O ser humano adora a DEUS desde o inicio da história. Adão e Eva tinham comunhão regular com DEUS no jardim do Éden (cf. Gn 3.8). Caim e Abel trouxeram a DEUS oferendas (hb. minhah, termo também traduzido por “tributo” ou dádiva”) de vegetais e de animais (Gn 4.3,4).  Os descendentes de Sete invocavam “o nome do SENHOR” (Gn 4.26). Noé construiu um altar ao Senhor para oferecer holocaustos depois do dilúvio (Gn 8.20). Abraão assinalou a paisagem da terra prometida com altares para oferecer holocaustos ao Senhor (Gn 12.7,8; 13.4, 18; 22.9) e falou intimamente com Ele (Gn 18.23-33; 22.11-18).  Somente depois do êxodo, quando o Tabernáculo foi construído, é que a adoração pública tornou-se formal. A partir de então, sacrifícios regulares passaram a ser oferecidos diariamente, e especialmente no sábado, e DEUS estabeleceu várias festas sagradas anuais como ocasiões de culto público dos israelitas (Êx 23.14-17; Lv 1—7; Dt 12; 16). O culto a DEUS foi posteriormente centralizado no templo de Jerusalém (cf. os planos de Davi, segundo relata 1Cr 22—26). Quando o templo foi destruído, em 586 a.C., os judeus construíram sinagogas como locais de ensino da lei e adoração a DEUS enquanto no exílio, e aonde quer que viessem a morar. As sinagogas continuaram em uso para o culto, mesmo depois de construído o segundo templo por Zorobabel (Ed 3—6). Nos tempos do NT havia sinagogas na Palestina e em todas as partes do mundo romano (e.g. Lc 4.16; Jo 6.59; At 6.9; 13.14; 14.1; 17.1, 10; 18.4; 19.8; 22.19). A adoração na igreja primitiva era prestada tanto no templo de Jerusalém quanto em casas particulares (At 2.46,47). Fora de Jerusalém, os cristãos prestavam culto a DEUS nas sinagogas, enquanto isso lhes foi permitido. Quando lhes foi proibido utilizá-las, passaram a cultuar a DEUS noutros lugares, geralmente em casas particulares (cf. At 18.7; Rm 16.5; Cl 4.15; Fm v. 2), mas, às vezes, em salões públicos (At 19.9,10).

   

AS BÊNÇÃOS DE DEUS PARA OS VERDADEIROS ADORADORES. Quando os crentes verdadeiramente adoram a DEUS, muitas bênçãos lhes estão reservadas por Ele. Por exemplo, Ele promete (1) que estará com eles (Mt 18.20), e que entrará e ceará com eles (Ap 3.20); (2) que envolverá o seu povo com a sua glória (cf. Êx 40.35; 2Cr 7.1; 1Pe 4.14); (3) que abençoará o seu povo com chuvas de bênçãos (Ez 34.26), especialmente com a paz (Sl 29.11); (4) que concederá fartura de alegria (Sl 122.1,2; Lc 15.7,10; Jo 15.11); (5) que responderá às orações dos que oram com fé sincera (Mc 11.24; Tg 5.15); (6) que encherá de novo o seu povo com o ESPÍRITO SANTO e com ousadia (At 4.31); (7) que enviará manifestações do  ESPÍRITO SANTO entre o seu povo (1Co 12.7-13); (8) que guiará o seu povo em toda a verdade através do ESPÍRITO  SANTO (Jo 15.26; 16.13); (9) que santificará o seu povo pela sua Palavra e pelo seu ESPÍRITO (Jo 17.17-19); (10) que consolará, animará e fortalecerá seu povo (Is 40.1; 1Co 14.26;2Co 1.3,4; 1Ts 5.11); (11) que convencerá o povo do pecado, da justiça e do juízo por meio do ESPÍRITO SANTO (ver Jo 16.8 nota); e (12) que salvará os pecadores presentes no culto de adoração, sob a convicção do ESPÍRITO SANTO (1Co 14.22-25).
O mundo sempre adorou deuses de toda espécie, de estátuas, objetos, animais e até mesmo prédios.

O culto imperial em Roma iniciou-se com Octaviano César Augusto, que era filho adotivo de Júlio César. O imperador era assim visto como um DEUS (Augustus) e por isso muitos imperadores acrescentaram ao seu nome o título de Augustus.O culto imperial foi um dos fatores da centralização e de unificação do Império Romano, encontrando resistências no Cristianismo, que por isso não foi aceito na sua fase inicial. Muitos cristãos foram perseguidos nos séculos II e III. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Culto_imperial )

 

 

EMPECILHOS À VERDADEIRA ADORAÇÃO. O simples fato de pessoas se dizendo crentes realizarem um culto, não é nenhuma garantia de que haja aí verdadeira adoração, nem que DEUS aceite seu louvor e ouça suas orações.

(1) Se a adoração a DEUS é mera formalidade, somente externa, e se o coração do povo de DEUS está longe dEle, tal adoração não será aceita por Ele. CRISTO repreendeu severamente os fariseus por sua hipocrisia; eles observavam a lei de DEUS por legalismo, enquanto seus corações estavam longe dEle (Mt 15.7-9; 23.23-28; Mc 7.5-7). Note a censura semelhante que Ele dirigiu à igreja de Éfeso, que adorava o Senhor mas já não o amava plenamente (Ap 2.1-5).

(2) Outro impedimento à verdadeira adoração é um modo de vida comprometido com o mundanismo, pecado e  imoralidade. DEUS recusou os sacrifícios do rei Saul porque este desobedeceu ao seu mandamento (1Sm 15.1-23). Isaías repreendeu severamente o povo de DEUS como “nação pecadora… povo carregado da iniqüidade da semente de malignos” (Is 1.4); ao mesmo tempo, porém esse mesmo povo oferecia sacrifícios a DEUS e comemorava seus dias  santos. Por isso, o Senhor declarou através de Isaías: “As vossas festas da lua nova, e as vossas solenidades, as aborrece a minha alma; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer. Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue” (Is 1.14,15). Semelhantemente, na igreja do NT, JESUS conclamou os adoradores em Sardes a se despertarem, porque “não achei as tuas obras perfeitas diante de DEUS” (Ap 3.2). Da mesma maneira, Tiago indica que DEUS não atenderá as orações egoístas daqueles que não se separam do mundo (Tg 4.1-5). O povo de DEUS só pode ter certeza que DEUS estará presente à sua adoração e a aceitará, quando esse povo tiver mãos limpas e coração puro (Sl 24.3,4; Tg 4.8).

 

AUXILIO bibliográfico – Subsídio Homilético

“Concentre-se na Eternidade Paulo nos diz em Colossenses 3.1 ,2 para pensarmos “nas coisas que são de cima”, não naquelas que são terrenas. Afinal, como ele diz, a nossa vida ‘está escondida com CRISTO em DEUS’. Nosso espírito habita com Ele nos lugares celestiais; por que deveríamos ficar confortáveis na sarjeta? [..Seguem algumas idéias para você começar sua vida de louvor. Recomendo a seleção e a prática imediata de algumas.

  1. Louve a DEUS através da música.Existe bastante boa música de louvor, mas minha sugestão é para que você escolha alguns bons hinos e de fato passe algum tempo ouvindo, meditando profundamente nas palavras e louvando a DEUS através deles.
  2. Louve a DEUS através de versículos das Escrituras memorizados. Não posso recomendar a você nenhuma tarefa mais merecedora de seu tempo que aprender os grandes versículos da Bíblia memorizando-os. Uma vez que aqueles versículos estão incutidos em seu coração, tornam-se uma parte permanente de seu ser. Você recebeu do ESPÍRITO santo uma ferramenta para encorajamento em sua vida. Ele o fará recordar daqueles versículos quando você mais precisar deles.
  3. Louve a DEUS nos intervalos diários.Escolha pequenos intervalos em que você possa parar suas atividades e cantar baixinho, louvores a DEUS ou entoá-Ios em voz alta. Leve consigo um

Novo Testamento de bolso ou mesmo alguns dos seus versículos favoritos anotados em um cartão. Depois de algum tempo, isto não acontecerá apenas em intervalos determinados. Você estará adorando constantemente durante suas atividades diárias.”

UEREMIAH, David. O desejo do meu coração: vivendo cada momento na maravilha da adoração. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.224-6.)

 

 

Referências Bibliográficas (outras estão acima)

Bíblia Amplificada – Bíblia Católica Edições Ave-Maria – Bíblia da Liderança cristã – John C Maxwell – Bíblia de Estudo Aplicação pessoal – CPAD – Bíblia de Estudo Almeida. Revista e Atualizada. Barueri, SP:Sociedade Bíblica do Brasil, 2006 – Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. Texto bíblico Almeida Revista e Corrigida. Bíblia de Estudo Pentecostal. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida, com referências e algumas variantes. Revista e Corrigida, Edição de 1995, Flórida- EUA:CPAD, 1999. Bíblia Ilúmina em CD – Bíblia de Estudo NVI em CD – Bíblia Thompson EM CD. – Bíblia NVI – Bíblia Reina Valera – Bíblia SWord – Bíblia Thompson – Bíblia VIVA – Bíblia Vivir – Bíblias e comentários e dicionários diversas da Bíblia The Word – Comentário Bíblico Moody – Comentário Bíblico Wesleyano – Champlin, Comentário Bíblico. Hagnos, 2001 – Coleção Comentários Expositivos Hagnos – Hernandes Dias Lopes – Comentário Bíblico – John Macarthur – Concordância Exaustiva do Conhecimento Bíblico “The Treasury of Scripture Knowledge” – CPAD – http://www.cpad.com.br/ – Bíblias, CD’S, DVD’S, Livros e Revistas. BEP – Bíblia de Estudos Pentecostal. – Dicionário de Referências Bíblicas, CPAD – Dicionário Strong Hebraico e Grego – Dicionário Teológico, Claudionor de Andrade, CPAD – Dicionário Vine antigo e novo testamentos – CPAD – Enciclopédia Ilúmina – Série Cultura Bíblica – Vários autores – Vida Nova  – Sociedade Religiosa Edições Vida Nova ,Caixa Postal 21486, São Paulo – SP, 04602-970 –  – HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996 – Dicionário Bíblico Wycliffe -Wiesber, Comentário Bíblico. Editora Geográfica, 2008 – W. W. Wiersbe Expositivo – Pequena Enciclopédia Bíblica – Orlando Boyer – CPAD – Comentário do Novo Testamento de Adam Clarke – CPAD – GRUDEM, W. Manual de Teología Sistemática. Editora Vida, I a . Edição, 2001, p.258 – WWAD, S. A Terra Santa em Cores (revista), Jerusalém. Ralphot Ltda. 1986, pp.44-48 SILVA, Severino Pedro da. A Vida de CRISTO. CPAD, 2 a . Edição, 2000, pp.49-57 – JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. Livro III. CPAD, 8 a . Edição, 2004 [Art. 120], pp.I76-I77 – Enciclopédia Judaica.No 1. V Editora e Livraria Sêfer Ltda, 1989, p.73 – MEDRANO, R. Pitágoras e seus versos dourados.1993, p.I3 – Charles F. Pfeiffer, Howard F. Vos, John Rea – CPAD – Manual Bíblico Entendendo a Bíblia, CPAD – Peq.Enc.Bíb. – Orlando Boyer – CPAD –

BANCROFT, E. H. Teologia Elementar. Editora Batista Regular. – VÍDEOS da EBD na TV, da LIÇÃO ATUAL INCLUSIVE – http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm — www.ebdweb.com.br – www.escoladominical.net – www.gospelbook.net – www.portalebd.org.br/ –  

 

Publicado no site do Ev. Luiz Henrique

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