A Evangelização das Pessoas com Deficiência – Luciano de Paula Lourenço

A Evangelização das Pessoas com Deficiência – Luciano de Paula Lourenço

Texto Base: João 5:1-9

“[…] Sai depressa pelas ruas e bairros da cidade e traze aqui os pobres, e os aleijados, e os mancos, e os cegos” (Lc 14:21).

INTRODUÇÃO

A Bíblia é clara: Deus não faz acepção de pessoas (Dt 10:17; Atos 10:34). Ele “quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1Tm 2:4), inclusive os deficientes físicos. Deficiência física, segundo a Organização Mundial da Saúde, é a “ausência ou a disfunção de uma estrutura psíquica, fisiológica ou anatômica. Essas pessoas acham-se privadas quer de seus sentidos, quer de seus movimentos, ou do pleno uso de suas faculdades mentais. Estão incluídos os cegos, mudos, surdos, paraplégicos e tetraplégicos, os autistas, os que têm a Síndrome de Down, etc”. O amor de Deus abrange todas essas pessoas. Ele não admite que ninguém fique de fora de seu plano salvífico (Atos 2:39; 1Tm 2:4).

Em Israel, até antes da primeira vinda de Jesus, exis­tia a crença errônea de que as pessoas com deficiência física era resultado de algum pecado (João 9:2). Por isso, essas pessoas eram excluídas; elas viviam à margem da sociedade. Mas Jesus veio para mudar essa situação; Ele quer que todas essas pessoas, também, façam parte do seu glorioso Reino. Desta feita, a Igreja, em seu plano evangelístico, deve engendrar todo esforço e estratégias para evangelizar as pessoas com deficiência. A evangelização que não inclui essas pessoas é incompleta e não expressa plenamente o amor de Deus.

Todavia, quando falamos em evangelização das pessoas com deficiência, precisamos levar em conta os desafios e as implicações do que isto quer dizer. O desafio começa com a adaptação das pessoas deficientes na congregação. Se houver cadeirante, é necessário que haja espaços adaptados para ele se locomover; se houver surdos, é necessário que haja na igreja pessoas capazes de se comunicar por intermédio da linguagem de sinais; se houver pessoas portadoras de cegueira, é necessário que haja pessoas capacitadas em leitura de braile ou outros meios que visem atender esse público. Não há como falar de evangelização desses grupos de pessoas sem levar em conta o enorme desafio de compreendermos as suas necessidades.

I. A SUFICIÊNCIA DE CRISTO PARA COM AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

A cura do paralítico do tanque de Betesda (cf. João 5:1-9) mostra com bastante clareza a suficiência de Cristo com as pessoas com deficiência. Certa feita, Jesus foi a uma festa em Jerusalém. Mas, enquanto o povo se alegrava, Ele se dirigiu ao tanque de Betesda, onde havia uma multidão de deficientes sofrendo (João 5:1,2). Como sua comida era fazer a vontade do Pai, e a vontade do Pai é a salvação dos perdidos e o socorro dos aflitos, Jesus caminha para esse local, onde havia gente deformada, destruída emocionalmente.

O tanque de Betesda era uma espécie de hospital público da cidade. Conhecido como “Casa de Misericórdia” abrigava uma multidão de pacientes sem perspectiva de cura. O texto é assaz chocante: “Nestes jazia grande multidão de enfermos: cegos, coxos e paralíticos, esperando o movimento das águas” (João 5:3). Essa multidão era alimentada pela crença de que um anjo desceria em algum momento para agitar a água do tanque, e o primeiro que se lançasse na água seria curado. Jesus caminha no meio dessa multidão e distingue um homem, um paralítico, entrevado em sua cama, abandonado, sem nenhuma perspectiva de cura. Aquele homem era a maquete da desesperança.

Destacamos neste episódio alguns pontos importantes.

  1. Jesus, a esperança do desesperançado (João 5:6) – “E Jesus, vendo este deitado e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são? O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me coloque no tanque; mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim”.

Nota-se, pelo texto, que aquele homem não demonstrava nenhuma esperança de ser curado; ele estava desprezado. Como eu disse, ele era a maquete da desesperança. Ele já não tinha mais sonhos para embalar. Sua causa estava totalmente perdida. Seu corpo estava surrado pela doença. Suas emoções estavam turvas pelas circunstâncias adversas. Sua alma estava doente pela autoestima aniquilada. Quando Jesus o viu, perguntou-lhe: “queres ficar são?”. Ele respondeu com uma evasiva. Ele não foi direto, não foi objetivo, não disse sim nem não. Em vez de responder à pergunta objetiva de Jesus, saiu pela tangente e acentuou sua dor emocional: “senhor, não tenho ninguém…”. Isso demonstra que o desprezo era a doença mais avassaladora na vida daquele paralítico, até mesmo maior do que a paralisia; que o abandono lhe doía mais do que a incapacidade de andar; que a falta de solidariedade naqueles longos anos era como farpas cravadas em seu peito que envenenavam sua alma; que a mágoa havia aberto feridas cheias de pus em seu coração. Só Jesus poderia lhe conceder a cura física e da alma. Jesus era a sua única esperança. Só em Jesus Cristo há salvação para o desesperado sem esperança.

Quantas pessoas não estão assim como este paralitico, sem esperança, sem ninguém para lhe estender a mão! A igreja é o braço estendido de Jesus para amparar estas pessoas e lhes mostrar o caminho certo que as levará à porta da provisão.

  1. A divina compaixão de Jesus (João 5:6). Jesus viu aquele homem com uma doença incurável. Era uma causa perdida. Por isso, Jesus foi ao encontro dele. Jesus o viu. Tomou a iniciativa. Abordou-o. Jesus abriu para ele a porta da esperança. Sentiu sua dor, seu drama.

Talvez você também, prezado irmão e amigo, já não tenha mais forças para clamar. Talvez você já tenha desistido de esperar uma cura. Talvez você só tenha encontrado incompreensões e lute sozinho para uma cura que não acontece. Mas Jesus se importa com você e se compadece de sua vida.

Talvez você pense que foi longe demais e agora já não tem mais saída. Talvez você já tenha batido em todas as portas e esteja cansado de esperar. Mas Jesus vê você. Ele sabe o que está acontecendo com você e se importa com tua vida. Jesus é tremendamente misericordioso. Ele nos vê quando estamos prostrados, sozinhos, abandonados, sem ajuda, sem saída, conformados com o caos. Ele nos distingue no meio da multidão e se importa conosco.

Jesus tem prazer na misericórdia. Ele é o caminho para pés perdidos; é a verdade para a mente inquieta; é a vida para os que estão mortos; é a luz para tua escuridão; é pão para tua fome e a água para tua sede; é a paz para o teu tormento. Quando os nossos recursos acabam, somos fortes candidatos a um milagre de Jesus (João 5:7,8) – “O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me coloque no tanque; mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim. Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma tua cama e anda”.

Aquele homem estava só. Não tinha ninguém por ele. Não tinha saúde. Não tinha paz. A solidão era a marca da sua vida. Ele havia chegado ao fim da linha, ao fundo poço. Mas, quando se viu desamparado, Jesus lhe estendeu a mão. Este é o nosso Jesus: cheio de compaixão, de misericórdia.

O que as pessoas viam naquele paralítico desprezível e excluído pela sociedade e até mesmo pelos seus familiares? Uma fonte de problemas, e problemas sem solução; alguém sem futuro, sem esperança e sem capacidade de produzir algo relevante para a sociedade; um fardo, não só para ele mesmo como para os demais à sua volta. Para muitos, sua ausência nem seria sentida, apesar das várias vezes que o viram ser colocado junto ao tanque, à espera do milagre. Era isso que as pessoas viam. Mas, Jesus viu naquele homem sem nome, sem história, sem currículo e sem futuro, algo de muito valor.

Jesus também está vendo a tua vida, caro irmão e amigo. Ele sabe todos os problemas que tu estás passando. Ele conhece a tua dor, a tua angústia, o teu vazio, a tua crise. Ele tem nas mãos o diagnóstico da tua vida. Jesus sabe há quanto tempo você está sofrendo; Ele conhece a dor de ser abandonado; conhece a dor da desesperança; conhece os sonhos frustrados; conhece a virulência do pecado que assola tua vida, o peso da culpa que esmaga tua consciência.

Prezado irmão e amigo, você talvez não saiba, mas o Senhor pode mudar seu cativeiro, e aquilo que hoje você carrega com vergonha vai se tornar, em breve, algo que você carregará com orgulho. Basta que você creia nele, e o aceite como único e suficiente Senhor e Salvador. Ele disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt 11:28).

  1. Jesus supre plenamente a necessidade do paralítico (João 5:8) – “Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma tua cama e anda”. Observe que Jesus não pregou, não corrigiu a teologia do paralitico, não fez uma palestra sobre salvação para ele. Pessoas que tem falta de esperança não precisam de mais conhecimento, precisam de compaixão. Jesus deu ao homem o que faltava e aquilo de que ele desesperadamente necessitava; deu a ele graça em forma de uma ordem: “Levanta-te, toma a tua cama e anda”.

O Rev. Hernandes Dias Lopes, citando Charles Erdman, diz que, em João 5:8, a palavra “levanta-te”, sugere a necessidade de resolução e ação imediatas; a frase “toma a tua cama”, lembra ao homem a ser curado que ele não deve pensar em recaída, nem fazer provisão para uma volta ao velho modelo de vida, nem temer o futuro, mas apenas confiar em Cristo; a palavra “anda”, declara a necessidade de passar logo a experimentar a nova vida que Cristo outorga.

Jesus dá a ordem e também o poder para cumpri-la. Uma ordem de Cristo sempre encerra uma promessa. Ele sempre nos capacita a executar suas ordens. Na verdade, Jesus dá o que ordena e ordena o que deseja. A Palavra de Jesus tem poder: a natureza lhe obedece, os ventos ouvem sua voz, o mar escuta suas ordens, os anjos obedecem ao seu comando, os demônios batem em retirada diante de sua autoridade. Ele tem toda a autoridade no Céu e na Terra.

  1. A causa da deficiência do paralitico de Betesda: o pecado (João 5:14) – “Depois, Jesus encontrou-o no templo e disse-lhe: Eis que já estás são; não peques mais, para que te não suceda alguma coisa pior”.

Jesus é Deus, Ele tudo vê. Jesus viu o passado, a condição e o futuro desse paralitico. Viu que ele estava colhendo o que havia plantado. Viu nele uma triste história de pecado. Aquele homem não estava apenas preso à sua cama, mas também preso ao seu passado, às suas memórias amargas, à sua culpa.

Jesus olhou para a mulher samaritana e viu que ela estava vivendo em adultério. Jesus olhou para Zaqueu na árvore e viu que havia sede de Deus no seu coração. Jesus viu o amor às riquezas no coração do jovem rico. Jesus viu a hipocrisia nas atitudes dos fariseus. Jesus viu falsidade no beijo de Judas Iscariotes. Jesus viu o arrependimento sincero no coração do ladrão na cruz. Nada fica oculto aos olhos de Jesus. Caim tentou fugir de Deus; Acã tentou encobrir o seu roubo; Davi tentou esconder o seu adultério. Mas o Senhor estava vendo tudo.

Jesus sabia que aquele homem estava enfermo havia 38 anos. Ele conhecia a causa do seu sofrimento: o pecado. O texto de João 5:14 mostra que o pecado é maligníssimo, porque esse homem está sofrendo por causa do seu pecado. Está colhendo os frutos malditos de sua semeadura insensata. Esse homem estava sem amigos, sem ajuda e sem esperança. Os anos passavam, e ele continuava entregue à sua desventura, sem nenhum socorro. Esse é o preço do pecado.

Muitos hoje ainda se apegam ao pecado que Deus abomina. Mas o pecado é uma fraude: promete prazer e paga com o desgosto; promete liberdade e escraviza; aponta um caminho de vida, mas seu fim é a morte. Por isso, o paralítico, agora já agraciado por Jesus, ao encontrar-se com Jesus no templo, é advertido de não voltar ao pecado para não lhe suceder coisa pior. Percebe-se que, nesse caso, existe uma relação entre pecado e doença.

Charles Erdman coloca essa advertência de Jesus nas seguintes palavras: “Trinta e oito anos de padecimentos, ocasionados pelo pecado, podiam parecer bastantes para fazer o homem acautelar-se de, outa vez, meter-se debaixo do seu jugo. A triste verdade, porém, é que por mais que o pecado faça sofrer, ninguém por isso o detesta; entretanto, não deixa de sentir as agonias das suas consequências. Nossa única segurança está na submissão de nossa vontade ao Salvador” (Erdman, Charles. O evangelho de João).

II. PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS SÃO CARENTES DE SALVAÇÃO (1)

A inclusão de pessoas com deficiência não deve ser vista apenas como política pública, mas alvo do grande amor de Deus. Porque o Pai Celeste, amando-nos como nos ama, enviou o seu Filho ao mundo, para que todos nós viéssemos experimentar a salvação em sua plenitude.

  1. O deficiente, sem Jesus Cristo, está condenado ao inferno (Sl 9:17). Enganosamente, muitos veem como não condenáveis os indivíduos com deficiências, como se a entrada no Céu lhes fosse franqueada em compensação das dificuldades enfrentadas na vida terrena. Mas a Palavra de Deus é clara: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3:23). Com ou sem deficiências, todos nascemos pecadores e estamos “debaixo do pecado, como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só” (Rm 3:10-12).

Tendo em vista que a Bíblia Sagrada não faz diferença entre o deficiente e o não deficiente, então é necessário que a igreja engendre todo o esforço possível para levar o Evangelho de Jesus Cristo às pessoas com deficiência. Não resta dúvida que é um grande desafio, pois a evangelização das pessoas com deficiência requer esforços concentrados e específicos. Mas, esta é a nossa missão: tornar o evangelho acessível a todos, inclusive aos que trazem alguma deficiência. Devemos, pois, falar de Cristo aos que não ouvem, mostrar as belezas da vida cristã aos que não veem, apontar o caminho da salvação aos que não conseguem andar e discorrer sobre a razão da nossa fé aos que não logram pensar com clareza. Ajamos, pois, como seus olhos, ouvidos, boca e pernas, pois assim agiu o Senhor Jesus em seu ministério terreno.

  1. Todas as pessoas são carentes de salvação e estão ao alcance da graça de Deus, inclusive o deficiente (João 3:16). Todas as pessoas, inclusive o deficiente, devem ser conscientizadas de sua situação perante Deus, por causa do pecado, e saber que podem ser “justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3:24).

Jesus não veio para a maioria, mas para “toda a criatura”, para “todo aquele que nele crê” e para “todo aquele que invocar o nome do Senhor” (Mc 16:15; João 3:16; Atos 2:21; Rm 10:13). Mas “como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?”(Rm 10:14). Ainda que em nossa comunidade haja apenas uma única pessoa que demande atenção especial, é bíblico que façamos o necessário para levá-la a Cristo e discipulá-la.

Nas parábolas do capítulo 15 do Evangelho de Jesus Cristo, segundo escreveu Lucas, ao mostrar a preocupação do pastor por uma única ovelha desgarrada, o desvelo da mulher por uma única moeda perdida e a solicitude do pai por um filho distante, o Senhor destacou a preciosidade de cada indivíduo ao coração de Deus. A Igreja deve ter essa mesma visão e não se contentar enquanto lá fora houver uma alma perdida. E se essa alma for alguém com uma deficiência que demande investimento humano e financeiro, a Igreja não deverá encolher-se no pensamento mesquinho de que só valeria a pena se fosse um grupo inteiro.

Alguém, ao discorrer sobre a graça divina, afirmou que, se todas as pessoas do mundo fossem justas, com exceção de apenas uma, Jesus Cristo ainda assim desceria do Céu, para morrer por essa única pessoa. Porque Deus não nos ama apenas coletivamente, Ele nos ama também individual e particularmente. Portanto, ninguém deverá ficar de fora de nossas ações evangelísticas, mormente os que não podem ver, ouvir, falar, locomover-se ou compreender com a razão.

III. EXEMPLOS BÍBLICOS DE INCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA (2)

Por toda a Bíblia, encontramos personagens com algum tipo de deficiência. No entanto, é maravilhoso observar a obra divina na vida de cada um deles, restaurando-lhes a dignidade, salvando-os e até restabelecendo-lhes plenamente a sanidade física e mental. Vejamos alguns deles. Ao conhecer melhor suas histórias, concluiremos que é possível, sim, incluir a todos no Reino de Deus, pois o Pai Celeste não deseja que ninguém fique de fora.

  1. A inclusão de Mefibosete. Neto de Saul, Mefibosete ficou coxo aos cinco anos quando sua ama, tentando salvar-lhe a vida, deixou-o cair (cf. 2Sm 4:4). No capítulo 9, a reação de Mefibosete ao chamado de Davi revela o que ele pensava de si mesmo, talvez por sua condição física: “Quem é teu servo, para tu teres olhado para um cão morto tal como eu?” (2Sm 9:8). Ao ser beneficente para com Mefibosete, Davi restaurou-lhe a autoestima. Mefibosete não viveria mais como um indivíduo qualquer e sem importância. Todos os dias ele comeria pão à mesa de Davi, como se fora um príncipe.

Conforme a Lei de Moisés, o jovem Mefibosete não poderia exercer o sacerdócio, por causa de sua deficiência física. Todavia, Deus o honrou de tal forma, que veio a estar à mesa de Davi. O Pai Celeste, no seu Reino, não discrimina a nenhum de seus filhos. Ao aceitarem Jesus como Salvador, as pessoas com deficiência passam a ser filhos de Deus, “logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo” (Rm 8:17).

  1. Acenos e uma tábua de escrever. O sacerdote Zacarias, ao receber de Gabriel a notícia de que sua esposa daria à luz um filho, não creu. Por isso, ficou mudo até o dia em que se cumpriram as coisas anunciadas pelo anjo. Observe, em Lucas 1:21-23, que a mudez de Zacarias não o impossibilitou de comunicar-se com as pessoas que estavam no Templo. Por acenos, o sacerdote conseguiu fazer-se entender. Alguns versículos à frente, vemos mais um recurso usado por Zacarias: “E, pedindo ele uma tabuinha de escrever, escreveu…” (Lc 1:63). O que se conclui dessa narrativa sagrada? Todos, apesar de suas limitações, podem receber a comunicação do evangelho e, assim, experimentar a vida eterna. Se naquele tempo já era possível aos mudos se comunicar, hoje, com os recursos didáticos e tecnológicos de que dispomos, podemos integrar mais facilmente as pessoas com deficiência.
  1. Uma figueira no lugar certo. Em Lucas 19, lemos sobre o encontro de Zaqueu e Jesus. “E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando. E eis que havia ali um homem, chamado Zaqueu… E procurava ver quem era Jesus e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura. E, correndo adiante, subiu a uma figueira brava para o ver, porque havia de passar por ali. E, quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque, hoje, me convém pousar em tua casa” (Lc 19:1-5).

Zaqueu estava em desvantagem, pois era de baixa estatura. Se a figueira não estivesse exatamente naquele lugar, ele não teria conseguido ver Jesus, por mais que se esticasse, ou ficasse na ponta dos pés. Assim como Zaqueu, muitas pessoas com deficiência querem ver a Jesus, e certamente frequentariam nossas igrejas se soubessem que os templos estavam devidamente preparados para recebê-las.

  1. Aqueles que se esforçam para levar alguém a Jesus. Lemos, em Marcos 2:1-12, que quatro homens levaram um paralítico a Jesus. Esse homem não poderia, por si mesmo, chegar onde Jesus estava. Ele estava impedido de se mover, pois era coxo e entrevado. Suas pernas não se moviam, seus músculos estavam atrofiados e sua coluna vertebral estava paralisada. A doença havia atingido as áreas motoras do seu cérebro. Ele jazia como um morto. Aquele homem tinha de ser carregado; então, os seus amigos o ajudaram a ir a Jesus. Que bom que ele tinha amigos! Que bom que eles dispuseram seus dons, seus talentos, seus recursos para ajudar o outro! Ainda hoje há muitas pessoas que não irão à Casa de Deus a não ser que sejam levadas e colocadas aos pés de Jesus. Aprendemos, aqui, duas lições importantes:

a) os quatro amigos do paralítico tiveram visão (Mc 2:3,4). Lucas nos informa que esses quatro homens queriam introduzir o paralitico dentro da casa e pô-lo diante de Jesus (Lc 5:18). Aquele coxo precisava de ajuda. Ele não poderia ir por si mesmo a Jesus. Ou era levado ou, então, estaria fadado ao desespero. Entretanto, esses quatro amigos tiveram a visão de levá-lo e pô-lo diante de Jesus. Eles compreenderam que se aquele paralitico fosse colocado diante de Jesus seria curado e liberto do seu mal. Esse quarteto não apenas era esforçado, mas tinha fé. Eles sabiam que Jesus era tudo o que o paralítico precisava (Mc 2:5). Por isso, descobriram o telhado onde estava e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico (Mc 2:4). Aquele quarteto se dispusera a fazer um grande sacrifício para levar o paralítico até onde Jesus estava. Eles disseram: “Já que não tem uma porta aberta, vamos fazer uma; e vamos fazer no teto, porque o único jeito de fazer porta fácil é no teto”. E naquele tempo nem telha existia, como as que existem hoje. Você é um amigo disposto a abrir portas onde elas não existem? Você é um amigo pronto a dar do que você sabe, e tem, para criar portas? Afinal, há tanta gente que só precisa de uma porta aberta!

A visão determina a ação. O homem sem Jesus está só, doente, perdido. Não há esperança para os aflitos a menos que os levemos a Jesus. Nós não podemos converter as pessoas, mas podemos levá-las a Jesus. Não podemos realizar milagres, mas podemos deixar as pessoas aos pés daquele que realiza milagres.

b) os quatro amigos do paralítico exercitaram uma fé verdadeira (Mc 2:5). Este texto diz que Jesus é poderoso para fazer algo extraordinário. Eles creram que Jesus ia fazer o milagre e isso os motivou. Apesar de nenhum desses homens ter falado coisa alguma, todos confiaram. E foi isto que realmente importou. A fé daqueles quatro homens tocou o coração de Jesus, levando o evangelista Marcos a registrar: “Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: filho, os teus pecados estão perdoados” (Mc 2:5). A fé do paralítico está aqui incluída, é uma fé operosa, que atua pelo amor. Eles não poderiam fazer o milagre nem salvar o homem, mas eles poderiam levá-lo a Jesus. Levar o paralitico a Jesus era tarefa deles, perdoar e curar o coxo era obra exclusiva de Jesus.

O milagre é Jesus quem faz, mas nós somos cooperadores de Deus. Levar as pessoas aos pés de Jesus é nossa missão. Precisamos ter fé que Jesus vai salvá-las, curá-las, libertá-las. É preciso ter fé e força de vontade o bastante para, literalmente, buscar as pessoas e levá-las ao local onde a salvação está.

CONCLUSÃO

O Evangelho de Cristo tem de ser anunciado a todos, em todo tempo e lugar, por todos os meios. Por essa ra­zão, não deixaremos de fora nenhuma pessoa com deficiência. Todos precisam ser alcançados pelas Boas-Novas: os que enxergam bem, os que veem pouco e os que nada veem; os que escutam e falam, os que não ouvem nem falam; os que aprendem rápido e os que precisam de mais tempo para aprender; os que caminham com as próprias pernas e os que usam cadeiras de rodas, próteses ou muletas; os autistas, aqueles com síndrome de Down, com dislexia, com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, com paralisia cerebral, epilepsia… Todos devem ser conscientizados de sua situação perante Deus, por causa do pecado, e saber que podem ser “justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3:24).

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) – William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards.

Revista Ensinador Cristão – nº 67. CPAD.

Ev. Dr. Caramuru Afonso Francisco. Evangelização – a Missão máxima da Igreja. PortalEBD_2007.

Rev. Hernandes Dias Lopes. João, as glórias do Filho de Deus.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Marcos, o evangelho dos milagres.

O desafio da Evangelização. Pr. Claudionor, de Andrade. CPAD.

Orlando Boyer. Esforça-te para ganhar almas. Ed. Vida.

(1) Adaptado do texto do Pr. Claudionor de Andrade. A evangelização das pessoas com deficiência.

(2) Adaptado do texto do Pr. Claudionor de Andrade. A evangelização das pessoas com deficiência.

Publicado no Blog do Luciano de Paula Lourenço

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