A Evangelização das Crianças – Luciano de Paula Lourenço

A Evangelização das Crianças – Luciano de Paula Lourenço

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Texto Base: Mateus 18:2-6; Marcos 10:13-16

“Assim também não é vontade de vosso Pai que estás nos céus, que um destes pequeninos se perca” (Mt 18.14).

INTRODUÇÃO

Quando Jesus ordenou para ir e fazer discípulos de todas as nações e ensiná-los a obedecer a tudo quanto Ele ordenou, certamente Ele quis incluir as crianças. As crianças precisam ser evangelizadas e discipuladas para que tenham um encontro pessoal com Jesus Cristo. Elas devem ser evangelizadas desde a mais tenra idade. Neste sentido, a criança precisa aprender sobre Deus desde cedo por intermédio dos seus pais. No capítulo seis de Deuteronômio, as Escrituras declaram que é tarefa dos pais conduzirem seus filhos no conhecimento de Deus. Quando você está segurando pela primeira vez em seus braços o filho dado por Deus é a hora de começar os seus esforços para ganhar esta criança para o Senhor Jesus Cristo. Quanto mais cedo a criança for evangelizada, maior será a sua chance de escapar dos perigos físicos, morais e espirituais que a rodeiam.

No Novo Testamento nós encontramos duas nobres senhoras, cuja fé influenciou uma criança que se tornou um dos valorosos homens do início da fé cristã. Seu nome: Timóteo. Ele foi um homem em que residia uma fé viva em Deus. Que passado e instruções ele teve para ser aquele tipo de cristão? A resposta a esta pergunta está em 2Tm 1:5: “trazendo à memória a fé não fingida que em ti há, a qual habitou primeiro em tua avó Lóide, e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também habita em ti“. Aqui mostra uma senhora que cria em Deus. Ela passou essa fé confidente à sua filha Eunice, e esta passou a sua fé a Timóteo.

Timóteo foi criado em Listra, região localizada na parte central da nação que hoje é conhecida por Turquia, bem longe do templo de Deus em Jerusalém. Não há nenhuma referência sobre a fé do pai de Timóteo, mas há uma enfática recomendação à fé de sua mãe. Portanto, podemos concluir que o pai de Timóteo não era crente. O que faltara na instrução espiritual de seu filho foi suprido pelos ensinamentos maternos. Está registrado em 1Tm 3:15: “e que desde a tua meninicesabe as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus“. Naquela casa havia um pai que não mostrava interesse nos assuntos bíblicos, mas ali estava uma mulher que tinha uma fé pura e preciosa no Deus da Bíblia. Desta maneira, enquanto o pai se preocupava com outras coisas, a fidelidade materna ensinava a seu filho os ensinos registrados nas Sagradas Escrituras. Ele aprendeu a história da criação, do dilúvio nos dias de Noé, dos detalhes sobre o Êxodo de Israel do Egito, dos ministérios e das mensagens dos profetas, do livramento de Daniel da jaula dos leões e de muitas outras coisas que ensinamos aos nossos filhos hoje. E ele nunca se desviou daqueles ensinos. Timóteo tornou-se um evangelista e foi um ardoroso companheiro do apóstolo Paulo em seu trabalho de evangelização. Ele foi fiel ao seu ministério. E o crédito disso estava depositado na criação dada por sua mãe e sua avó. A evangelização das crianças é mais do que prioritário, é urgentíssima.

I. A CRIANÇA É PECADORA E PODE PERDER-SE

Se a criança não entrar pela porta da salvação, a sua condição diante de Deus em nada difere da posição de um pecador adulto, elas estarão perdidas se não aceita­rem a Cristo. Nosso Senhor deu-nos o dever, como cristãos, de trazê-las a Cris­to para a salvação.

  1. A criança é nascida em pecado. Todos os seres humanos vêm ao mundo na condição de pecadores. Isto é consequência do pecado de Adão, conforme disse o apóstolo Paulo em Romanos 5:12 – “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram”. Davi era cônscio desta situação, por isso argumentou: “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl 51:5). E no Salmos 58:3, ele corrobora a ideia de que o coração do homem é desviado desde o ventre – “Desviam-se os ímpios desde a sua concepção; andam errados desde que nasceram, proferindo mentiras”. Portanto, a criança nasce em pecado e herda uma natureza pecaminosa.

Jesus não nos diz em que idade uma criança estará perdida (pois todos acre­ditam que a salvação de bebês está garantida pela obra de Cristo na cruz), mas que cada uma delas passa aquela linha invisível é um fato evidente. Ao passar a linha divisória entre a inocência e a consciência, toda criança está perdida ou logo estará, se não for trazida a Cristo como uma pecadora que precisa ser salva por Ele. Assim sendo, a única coisa razoável e segura a se fazer é levar cada criança a crer em Cristo como único Senhor e Salvador, o mais cedo possível. Assim que uma criança sabe a diferença entre o certo e o errado, assim que ela mostra evidên­cias de uma consciência de culpa quando faz coisas erradas, ela tem idade suficiente para que expliquemos como Deus a ama e como Jesus morreu por seus pecados. Ela é adulta o suficiente para que expliquemos como Deus em Sua palavra promete que perdoará nossos pecados, e que Jesus virá morar dentro de nosso coração se nós O aceitarmos como nosso Salvador (Mt 18:11,14).

  1. A alma da criança está em perigo. Mateus 18:10-14 mostra com clareza que uma criança pode se perder, se não for levada a Cristo. No versículo 10 Jesus está falando das crianças – “Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos...”. No verso 11 Ele diz: “Porque o Filho do Homem veio salvar o que se tinha perdido”. E no versículo 14 Ele conclui: “Assim também não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca“. Por que Jesus diria isto se não houvesse a possibilidade das crianças se perderem? Sua declaração leva-nos a crer que a alma infantil corre perigo, caso ela não seja levada a crer em Jesus Cristo, como único Senhor e suficiente Salvador.

Em Mateus 18:12-14, Jesus nos fala da parábola da ovelha perdida, que vem logo após o verso que declara que as crianças podem se perderem. Nestes versos Ele diz que é dever dos discípulos ir atrás e encontrar as crianças perdidas, trazendo-as para o aprisco, como faria um bom pastor se somente uma de suas ovelhas se perdesse.

Muitos que creem na conversão de crianças insistem que não devemos fazer nenhum esforço para trazê-las a Cristo, e que o Espírito Santo deve cuidar delas até que elas vão por si mesmas a Cristo, ou venham a nós desejando ser conduzidas a Ele. Jesus desfez totalmente estas falsas teorias que são responsáveis por grande número de crianças não terem aceitado a Cristo ainda, crianças que teriam sido conduzidas a Ele se tivéssemos cumprido nosso dever ao invés de empurrar esta responsabilidade para o Espírito Santo e para as próprias crianças. Como uma ovelha perdida poderia voltar para o aprisco sozi­nha sem ajuda do pastor? O pastor, nesta parábola, é o próprio discípulo de Jesus Cristo. E já que Jesus dirigiu este ensinamento a todos os seus discípu­los, a responsabilidade de evangelizar as crianças recai sobre todos nós.

Alguém poderá questionar: “e a questão da inocência, como fica?”. Segundo o pastor Claudionor de Andrade, a criança é inocente apenas no sentido de que não tem consciência do pecado, por ser, ainda, mental e moralmente incapaz de praticá-lo. Embora portador do pecado original, não tem o pecado experimental. Por isso, dizemos que a criança está na “idade da inocência”. Se ela vier a morrer nesse estado, irá para o céu, porquanto Deus não leva em “conta os tempos da ignorância” (At 17:30a). Todavia, a partir do momento em que a criança passa a distinguir entre o bem e o mal, torna-se culpada de seus erros e enquadra-se no restante do versículo: “anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam” (At 17:30b).

É válido ressaltar que a salvação não tem a ver com faixa etária. Nenhuma pessoa é salva por ser criança ou velha, mas por crer no Senhor Jesus. Quando uma criança morre antes da idade da razão, ela vai para o Céu não por ser criança, mas porque o Espírito Santo aplica nela a obra da redenção. Nenhuma criança entra no Céu pelos seus próprios méritos, mas pelos méritos de Cristo.

  1. O compromisso dos pais de dedicarem seus filhos a Deus. Abençoada é a criança que é dedicada a Deus. O exemplo bíblico clássico de dedicação de uma criança a Deus é encontrado no primeiro capítulo do livro de 1Samuel. Ali fala acerca de um homem chamado Elcana e sua mulher Ana. Eles eram hebreus que viveram há muito tempo atrás, pelo menos mil anos antes de Cristo nascer. Ana queria ter um bebê, mas ela era estéril. Mas no tempo determinado por Deus ela ganhou o seu bebê, o seu filho tão desejado. E ela dedicou seu filho a Deus. Ana dedicou seu filho a Deus antes mesmo dele nascer. Ela ofereceu um voto ao Senhor: “Senhor dos Exércitos, se benignamente atenderes para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva não te esqueceres, mas à tua serva deres um filho varão, ao Senhor o darei por todos os dias de sua vida” (1Sm 1:11). Ditosa é a criança se nasce em um lar que a mãe ora por ela, que o pai está comprometido em criá-la nas coisas de Deus. Essa criança terá um feliz e abençoado prospecto de vida.

Entenda que Ana, quando fez o voto, não estava tentando fazer um negócio com Deus, nem estava tentando suborná-lo, ao fazer o que ela queria. Seu solene voto era de obedecer a Deus ao criar a criança, se Ele fosse gracioso para com ela, fazendo-a frutífera para ter um filho. No devido tempo ela concebeu e quando o pequeno bebê nasceu nove meses depois, ela o chamou de “Samuel”. Na linguagem antiga a palavra Samuel significava “pedido a Deus”. Ela explicou que havia lhe dado aquele nome “porque eu o tenho pedido” (1Sm 1:20). Toda vez que ela chamava seu nome lembrava-se de seu pedido e do seu voto a Deus a respeito da criança.

O voto de dedicação de Ana foi por toda a vida de seu filho. Quando ele foi desmamado e podia viver sem sua mãe, ela e seu marido o levaram ao sumo sacerdote de Deus em Siló, com esta explicação: “por este menino orava eu e o Senhor me concedeu a minha petição que eu lhe tinha pedido. Pelo que ao Senhor eu o entreguei por todos os dias que viver, pois ao Senhor foi pedido” (1Sm 27:28). Ela lembrou-se e cumpriu o seu voto.

Ana dedicou seu filho a Deus para servi-lo. Ele viveu no tabernáculo e trabalhou como assistente dos sacerdotes. Mas Deus tinha planos maiores para o rapaz. Nos anos da adolescência de Samuel o Senhor falou com ele e o chamou para o ofício de profeta. Samuel falou por Deus, julgou o povo em nome de Deus, ensinou as leis de Deus e ungiu a dois reis da nação de Israel, Saul e Davi.

Outro exemplo de homem grandemente usado por Deus, que foi dedicado a Ele por seus pais antes mesmo do nascimento, foi Sansão. Os pais de Sansão o dedicaram a Deus e ele se tornou um grande juiz e líder (Juízes 13).

Outro exemplo: Zacarias e Isabel dedicaram seu filho ainda não nascido a Deus e ele tornou-se grande profeta, conhecido como João o Batista, o qual anunciou Jesus ao mundo (Lucas 1).

Estes exemplos mostram alguma coisa acerca do compromisso dos pais que dedicam seus filhos a Deus, compromisso que segue por toda a vida da criança, influenciando-a para o bem e para as coisas de Deus.

Prezado irmão em Cristo, os seus pais dedicaram você a Deus quando do seu nascimento? Se fizeram, viva por esse compromisso. Caso contrário, ainda não é tarde. Você pode oferecer-se a Deus em uma humilde entrega à Sua vontade. Confie em Jesus como seu Salvador pessoal. Renda-lhe o controle de sua vida como seu Senhor. Ele lhe receberá, purificará e usará você como uma benção para muitos. Igualmente, dedique a Deus cada um dos filhos que Ele te deu.

II. A CRIANÇA PODE CRER E SER SALVA

Muitos questionam se as crianças de 6 ou 8 ou 10 anos podem aceitar a Cristo e ser regeneradas pelo Espirito Santo. Quando lemos em João 1:12 a promessa que “a todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus”, não encontramos ali nenhum limite de idade. Uma criança pode perfeitamente se qualificar para se apropriar dessa promessa.

  1. Os pequeninos creem em Cristo. As crianças precisam da Salvação? Em Mateus 18:11, Jesus ainda está falando de crianças, quando Ele diz “que Ele veio para salvar os perdidos”. No versículo 14, Ele diz que não é a vontade do Pai que elas pereçam, deixando claro que as crianças vão perecer se não forem levadas a Cristo. Se acreditamos no que a Palavra de Deus diz aqui, nós nunca descansaremos enquanto não virmos nossas crianças, e as crianças pelas quais somos responsáveis, se converterem.

Qual a idade para uma criança crer em Cristo? Certa feita, os discípulos perguntaram a Jesus quem seria o maior no reino dos céus (Mt 18:1). Antes que Jesus respondesse, Ele cha­mou uma criancinha e a colocou entre os discípulos, usando-a para lhes dar uma lição concreta. Tudo o que Ele disse a seguir seria sobre aquela criança ou sobre outras semelhantes a ela. Por esta razão, é importante saber a idade daquela criança. Mateus diz que a criança era pequena, mas não muito pequena, pois aquela não fora a ocasião em que Jesus tomou crianças nos braços e as abençoou (Lc 18:15-17). Aquela criança era pequena, porém, não um bebê de colo. Marcos 9:36 esclarece um pouco mais a questão da idade da criança quando diz que Jesus a tomou em seus braços. Não é natural que um homem tome uma criança em seus braços, a menos que ela seja bem nova. Esta criança tinha provavelmente 6, 7 ou 8 anos, talvez menos, porém não mais que 10 anos. Era desta idade de crianças que Jesus estava falando em Mateus 18:2: “E Jesus, chamando uma criança, a pôs no meio deles”.

Jesus disse que receber uma criança em Seu nome (espiritualmente) é como receber a Ele mesmo. Marcos 9:37 põe ainda mais ênfase nesta afirmação: re­ceber uma criança é como receber a Deus Pai. Por que nosso Senhor valoriza tanto uma criança? A resposta é simples. Cada criança tem uma alma imortal. Ela vai passar a eternidade em algum lugar e se ela crescer no pecado, e não aceitar Cristo em sua vida, ela não vai passar a eternidade no Céu.

Muitos dos melhores crentes hoje – sejam leigos, ministros ou missio­nários -, acreditam que realmente nasce­ram de novo quando eram crianças, muitos até com menos de seis anos de idade. Portanto, levar crianças a Cristo é um trabalho tão maravilhoso quanto levar adultos a Cristo.

  1. Como levar uma criança a Cristo. Uma criança deve ser levada a Cristo exatamente da mesma maneira que um adulto. Entretanto, é de bom alvitre utilizar uma linguagem bastante simplificada, de maneira que a criança possa entender. É notório que a mensagem Bíblica, se apresentada de forma simples e apropriada, as atrai fortemente.

Explique que nem todas as pessoas vão para o Céu, e que o pecado impede todos os que pecaram de entrar no Céu – “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3:23). Então, com muito jeito, faça-a entender que ela pecou e que nós não somos bons o suficiente para entrar no Céu, e que não podemos nos salvar por nós mesmos, e que somente o Senhor Jesus Cristo pode nos salvar.

Conte como Jesus morreu na cruz, como o Seu sangue verteu e pagou a pena por nossos pecados. Deixe claro que Jesus está disposto e ansioso para salvar-nos neste exato momento. Explique estas verdades usando a Palavra de Deus.

Utilizar exemplos de crianças na Bíblia Sagrada, tal como Timóteo, que era apenas um menininho quando aprendeu as sagradas letras (2Tm 3:15), e que, mais tarde, ao ouvir o Evangelho através de Paulo, aceitou prontamente Cristo, tornando-se útil ao Reino de Deus (At 16:1-4; 2Tm 3:14-17). No Antigo Testamento, também encontramos crianças que conheciam a Deus e fielmente o serviam – exemplos: Miriã, irmã de Moisés; Samuel; a escrava de Naamã (Êx 2:4-8; 1Sm 2:11,18,26; 2Rs 5:2,3).

A criança deve ser levada a aceitar pessoalmente a salvação como dom de Deus. Se o Senhor Jesus não for recebido pessoalmente, a criança não será salva. Tome cuidado para que a decisão não seja forçada ou para que ela não a faça simplesmente porque alguma outra crian­ça esteja fazendo. Explique que a salvação é um dom, um presente (Rm 6:23: Ef 2:8). Pergunte se ela quer se arrepender, afastar-se dos seus pecados e entregar a sua vida a Jesus para que Ele a salve.

A melhor maneira de produzir esta acei­tação é levar a criança a orar, dizer a Jesus que está triste por causa dos seus pecados, pedir-lhe para perdoá-la, salvá-la e vir morar em seu coração. Faça com que ela diga ao Senhor Jesus que a partir deste momento ela O receberá como seu Salvador pessoal. Depois leve-a a agradecer a Jesus por ser seu Salvador.

Leve a criança a fazer uma confissão pública de Cristo como seu Salvador. Esta confissão pode ser feita primeiramente para a pessoa que está trabalhando com ela e mais tarde para os seus amigos. Além disso, a criança deve ser levada a fazer a confissão unindo-se a uma igreja fundamentada na Palavra de Deus.

  1. Onde evangelizar crianças (1). A evangelização infantil pode ser feita em qualquer lugar onde haja crianças. Podemos alcançá-las promovendo eventos que reúnam milhares delas, ou pessoalmente, onde quer que se encontrem. Na rua, no ônibus, em ambientes fechados ou ao ar livre, a criança está sempre pronta a ouvir a maravilhosa história do amor de Deus.
  1. No lar. O lar é o primeiro e mais importante campo evangelístico, onde os pais devem, o quanto antes, levar ao Salvador cada um de seus filhos. Esta é uma grande responsabilidade e um glorioso privilégio.

Os pais nunca devem deixar que outras pessoas sejam responsáveis pelo bem-estar espiritual de seus filhos. Deus deu a responsabilidade das almas dos fi­lhos para os pais. Na verdade, as Escri­turas se dirigem ao pai quando tratam desta obrigação – “Pais, não provoqueis os vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Ef 6:4). Os pais têm a responsabilidade de instruir os filhos. Quando as esposas apoiam seus maridos e o homem assume as suas responsabilidades na casa, o lar não se desfaz.

Deus dá boas instruções de como ganhar os filhos para uma vida de confiança em Jesus Cristo. Em Deuteronômio 6:6-9 nós lemos as seguintes ins­truções: “E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; e as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por testeiras entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas”. Enquanto estiver comendo ou con­versando no lar, enquanto estiver dirigindo ou trabalhando, nós devemos nos lembrar das palavras de Deus. Se amarmos o Senhor, amaremos os Seus mandamentos, e desejaremos guardá-los. Fazendo isto você estará en­sinando os seus filhos a fazer o mesmo. Eles precisam deste ambiente para pre­pará-los para o dia em que terão que fazer o seu compromisso com o nosso Senhor Jesus Cristo e ser fiel a isso.

Isto requer esforço, mas vale a pena. Tudo que você tem hoje um dia perderá o valor. Você não pode levar a sua bela casa, a sua mobília ou o seu novo carro consigo para o Céu. Mas pode levar seus filhos com você. Nada do que você puder fazer para ajudá-los a colocar a sua fé em Jesus Cristo lhe será caro demais. Pense nisso! Quando um filho é ganho para Cristo no lar ele passa a amar aquele lar. O lugar onde uma pessoa “nasce de novo” frequentemente se torna um lugar especial para ela.

  1. Na igreja. Os pequeninos podem ser evangelizados em trabalhos específicos, como as Escolas Bíblicas de Férias, os cultos infantis e as classes da Escola Dominical apropriadas à sua faixa etária. Todos esses trabalhos reúnem crianças com o objetivo de evangelizá-las e admoestá-las na Palavra. Entretanto, o mais eficaz desses trabalhos é a Escola Dominical. Como bem definiu o Pr. Antônio Gilberto, a Escola Dominical é a maior agência ganhadora de almas do Reino de Deus. O bom professor não descuida do fato de que, em sua classe, há dois tipos de alunos: o salvo e o não salvo – o que já se decidiu por Cristo e o que é apenas filho de crente. Ele sabe que o ensino bíblico ministrado às crianças tem como finalidade primordial salvar-lhes a alma e, então, fazê-las crescer na graça e no conhecimento de Deus. Por isso, o professor fiel sempre incluirá em suas lições o plano da salvação e o convite para receber Cristo.

Contudo, além das atividades específicas às crianças, os pastores não devem esquecer-se delas nas outras reuniões da igreja. Por mais que pareçam inquietas no banco ou desatentas no colo da mãe, elas estão ouvindo e aprendendo, seja pela pregação da Palavra, seja através dos cânticos. O pastor que ama Jesus sempre se dirigirá ao coração dos cordeirinhos, a quem Ele mandou apascentar (João 21:15).

  1. Nos orfanatos e hospitais. Visitas a orfanatos, acompanhadas de doações materiais, ou programações recreativas, são outra forma de alcançar crianças que, talvez, jamais venham a frequentar uma igreja ou ouvir falar do Salvador. Nos hospitais, em uma visita rápida e bem planejada, é possível apresentar Jesus a crianças que estão sofrendo e, assim, impedir que partam deste mundo sem salvação. Além do mais, poderemos orar, rogando ao Pai que, se for da sua vontade, cure-as de suas enfermidades. Lembramos que essas visitas só podem ser feitas com permissão dos responsáveis.
  1. Através da alfabetização evangelizado­ra. Quando Robert Raikes fundou a Escola Bíblia Dominical em 1780, o seu objetivo inicial foi a evangelização dos menores que viviam nas ruas da cidade de Gloucester. Todavia, ele não se limitou a evangelizar as crianças de Gloucester. Juntamente com o ensino da Palavra de Deus, ensinava-as a ler e a escrever, a fim de as engajarem na sociedade inglesa. Uma estratégia que ainda pode ser aplicada, hoje.

III. O LUGAR DAS CRIANÇAS NO REINO DE DEUS (Mc 10:13,14) (2)

“E traziam-lhe crianças para que lhes tocasse, mas os discípulos repreendiam aos que lhas traziam. Jesus, porém, vendo isso, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir os pequeninos a mim e não os impeçais, porque dos tais é o Reino de Deus”.

O Reino de Deus é o domínio de Deus no coração e na vida do ser humano com todas as bênçãos que resultam desse domínio. Entrar no Reino é ser salvo, é ter a vida eterna. Receber o Reino de Deus como uma pequena criança significa aceitá-lo com simplicidade e confiança genuína, bem como humildade despretensiosa.

  1. Reconhecendo a necessidade de trazer a criança a Cristo – “E traziam-lhe crianças para que lhes tocasse…” (Mc 10:13). Percebe-se neste texto que as crianças não vieram, elas foram trazidas. Algumas delas eram crianças de colo, outras vieram andando, mas todas foram trazidas. Os pais ou mesmo parentes reconheceram a necessidade de trazer as crianças a Cristo. Eles não as consideraram insignificantes nem acharam que elas pudessem ficar longe de Cristo. Esses pais olharam para seus filhos como benção e não como fardo, como herança de Deus e não como um problema (Sl 127:3). Na cultura grega e judaica, as crianças não recebiam o valor devido, mas no Reino de Deus elas não apenas são acolhidas, mas também são tratadas como modelo para os demais que querem entrar (cf. Mc 10:15). As crianças são modelos em sua humildade, dependência de outros, receptividade e aceitação de sua condição.

Nós entramos no Reino de Deus pela fé, como crianças: inaptos para salvar-nos, totalmente dependentes da graça de Deus; nós desfrutamos o Reino de Deus pela fé, crendo que o Pai nos ama e irá atender nossas necessidades diárias. Quando uma criança é ferida, o que ela faz? Corre para os braços do pai ou da mãe. Esse é um exemplo para o nosso relacionamento com o Pai Celestial. Sim, Deus espera que sejamos como crianças e não infantis.

  1. Os que impedem as crianças de virem a Cristo (Mc 10:13) – “…mas os discípulos repreendiam aos que lhas traziam”. Aqui mostra que os discípulos de Cristo demonstraram dureza de coração e falta de visão. Em vez de serem facilitadores, se tomaram obstáculos para as crianças virem a Cristo. Eles não achavam que as crianças fossem importantes, mesmo depois de Jesus ter ensinado claramente sobre isso (Mc 9:36,37). Os discípulos devem ter julgado as crianças incapazes de discernir as coisas espirituais e assim procuraram mantê-las longe de Jesus.

À época de Jesus, dar atenção a uma criança era uma perniciosa perda de tempo, como beber muito vinho ou associar-se com os ignorantes. Somente com 13 anos um menino poderia tomar sobre si a responsabilidade de cumprir a Lei. Falamos para as crianças comportarem-se como os adultos, mas Jesus ensinou que os adultos devem imitar as crianças.

É evidente que os discípulos ainda não tinham compreendido a missão de Jesus nem a natureza do Reino de Deus. Eles repreendiam aqueles que traziam as crianças por acharem que Jesus não deveria ser incomodado por questões irrelevantes. Eles agiam com preconceito. Mas Jesus dirige aos discípulos de forma contundente: “Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus” (Mc 10:14). Jesus manda abrir o caminho de acesso a Ele para que as crianças possam vir. Aqui, também, Jesus encoraja os pais ou qualquer outra pessoa a trazer as crianças a Ele. As crianças podem crer em Cristo e são exemplo para aqueles que creem.

Nenhuma igreja pode ser considerada saudável se não acolhe bem as crianças. Jesus, o Senhor da Igreja, encontrou tempo para dedicar-se às crianças. Ele demonstrou que o cuidado com as crianças é um ministério de grande valor. Levá-las a Cristo é a coisa mais importante que podemos fazer por elas.

  1. “Jesus indignou-se…” (Mc 10:14a). Jesus se indignou quando viu que os discípulos afastaram as crianças em vez de introduzi-las a Ele. Esse é o único lugar nos evangelhos onde Jesus dirige sua indignação aos discípulos, exatamente quando eles demonstram preconceito com as crianças. É a única vez que o aborrecimento de Jesus se direcionou aos próprios discípulos, quando eles se tornaram estorvo em vez de bênção, quando eles levantaram muros em vez de construir pontes.

A indignação de Jesus aconteceu concomitantemente com o seu amor. A razão pela qual Ele se indignou com os seus discípulos foi o seu amor profundo e compassivo para com os pequeninos, e todos os que os trouxeram. Uma ordem dupla reverte as atitudes dos discípulos: “Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis”.

Jesus fica indignado quando a igreja fecha a porta em vez de abri-la. Jesus fica indignado quando identifica o pecado do preconceito na igreja.

  1. A revelação de Jesus“… porque dos tais é o Reino de Deus” (Mc 10:14). Jesus manda abrir o caminho de acesso a Ele para que os pequeninos possam vir. O que Jesus quis dizer, quando disse que às crianças pertence o Reino de Deus?

a) Ele quis dizer que as crianças vêm a Cristo com total confiança. Elas creem e confiam. Elas se entregam e descansam. Devemos despojar-nos da nossa pretensa capacidade e sofisticação e retornarmo-nos para a simplicidade dos infantes, confiando em Jesus com uma fé simples e sincera. Jesus está dizendo que o Reino de Deus não pertence aos que dele se acham “dignos”, ao contrário, é um presente aos que são “tais” como crianças, isto é, insignificantes e dependentes. Não porque merecem recebê-lo, mas porque Deus deseja conceder-lhes (Lc 12:32). Os que reivindicam seus méritos não entrarão nele, pois Deus dá o seu Reino àqueles que dele nada podem reivindicar.

b) Ele quis dizer que as crianças vivem na total dependência. Assim como as crianças descansam na provisão que os pais lhe oferecem, devemos também descansar na obra de Cristo, na providência do Pai e no poder do Espírito.

  1. Como as crianças podem ser impedidas de virem a Jesus? Podemos listar algumas maneiras:

a) Quando deixamos de ensiná-las a Palavra de Deus. Timóteo aprendeu as sagradas letras que o tornaram sábio para a salvação desde sua infância (2Tm 3:15). A Bíblia diz: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Pv 22:6). Os pais devem ensinar os filhos de forma dinâmica e variada (Dt 6:1-9).

b) Quando deixamos de dar exemplo a elas. Ensinamos as crianças não só com palavras, mas, sobretudo, com exemplo. Influenciamos as crianças sempre, seja para o bem ou para o mal. Escandalizar uma criança e servir de tropeço para ela é um pecado de consequências graves (Mc 9:42).

  1. c) Quando julgamos que as crianças não merecem a nossa maior atenção. Os discípulos julgaram que aquela não era causa tão importante a ponto de ocupar um lugar na agenda de Jesus. Eles, na intenção de poupar Jesus e administrar sua agenda, revelaram seu preconceito contra as crianças e sua escala de valores desprovida de discernimento espiritual. Devemos ser facilitadores e não obstáculo para as crianças virem a Cristo.

CONCLUSÃO

Quando uma criança é salva, ela pode dedicar toda a sua vida a Cristo. É bom lembrar que o problema da alma infantil é o mesmo da alma adulta: o pecado que a separa de Deus (Rm 3:23). O caminho da salvação para ela é o mesmo apontado a todo pecador: Jesus Cristo, o Filho de Deus, morto em nosso lugar e ressurreto dos mortos (1Co 15:3,4). E quem a convencerá de seu pecado e operará nela o novo nascimento é o mesmo Espírito Santo que age no coração do adulto. Portanto, levar o evangelho às crianças é uma missão urgente e essencial, mormente se considerarmos o estado moral degradante que a sociedade está atravessando. Não podemos deixar as crianças em poder de uma cultura anticristã, pecaminosa e contrária à moral e aos bons costumes. Salve os pequeninos do inferno. Jesus também morreu por eles.

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) – William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 67. CPAD.

O desafio da Evangelização. Pr. Claudionor, de Andrade. CPAD.

Orlando Boyer. Esforça-te para ganhar almas. Ed. Vida.

(1) Adaptado do texto do Pr. Claudionor de Andrade. O desafio da Evangelização. CPAD.

(2) Adaptado do texto  do Rev. Hernandes Dias Lopes. Marcos, o Evangelho dos milagres. HAGNOS.

J. Irvin Overholtzer. Como ensinar o evangelho para as crianças.

Publicado no Blog do Luciano de Paula Lourenço

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