Ética Cristã e Política – Ev. Isaías de Jesus

Ética Cristã e Política – Ev. Isaías de Jesus

Ética Cristã e Política

TEXTO ÁUREO = “Portanto, dai a cada um o que deveis: quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; o quem honra, honra.” (Rm 13.7)

VERDADE PRÁTICA = A política faz parte da vida em sociedade. Como o cristão não vive isolado, ele deve ter consciência política, sendo sal e luz neste mundo.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE = Romanos 13.1-7

HINOS SUGERIDOS: 386, 398, 401 DA HARPA CRISTÃ

INTRODUÇÃO

O crente é um súdito do reino de Deus na Terra, e como tal tem os seus deveres de cunho espiritual a cumprir com ele. Nada obstante, é também cidadão do país onde nasceu e tem para com este obrigações cíveis, como os demais cidadãos, uma vez que recebe do Estado o amparo, a segurança, os direitos, enfim, que as leis deste lhe outorgam. Nesta lição vamos tratar do papel que cabe à Igreja dentro do contexto político do Estado, ressaltando a sua inteira independência do mesmo, da separação que deve existir entre ambos.

 

UMA PERSPECTIVA BÍBLICA DA POLITICA

Um dos textos mais importantes da história sobre a questão política. A palavra de Deus estabelece princípios claros acerca do papel do Estado e da responsabilidade dos cidadãos, a fim de que haja ordem e progresso na sociedade. Destacaremos, à luz do texto, três verdades importantes:

Em primeiro lugar, a origem das autoridades constituídas (Rm 13.1,2). Paulo diz que não há autoridade que não proceda de Deus e as autoridades que existem foram por ele instituídas. Logo, se opor deliberada e formalmente à autoridade é resistir à própria ordenação de Deus. Aqueles que entram por esse caminho de desordem e anarquia trarão sobre si mesmos condenação. É óbvio que o apóstolo Paulo não está dizendo que Deus é o responsável moral pelos magistrados ditadores e corruptos que ascendem ao poder. Deus instituiu o princípio do governo e da ordem e não o despotismo. As autoridades não podem domesticar a consciência dos cidadãos nem desrespeitar a sua fé. Nossa sujeição às autoridades não é submissão servil nem subserviência, mas submissão crítica e positiva. A relação entre a Igreja e o Estado deve ser de respeito e não de subserviência. Deus não é Deus de confusão nem aprova a anarquia. Deus instituiu a família, a igreja e o Estado para que haja ordem na terra e justiça entre os homens.

Em segundo lugar, a natureza das autoridades constituídas (Rm 13.3-5). As autoridades constituídas não devem ser absolutistas. Elas governam sob o governo de Deus. A fonte de sua autoridade não emana delas mesmas nem mesmo do povo. Emana de Deus através do povo.

Portanto, a autoridade é ministro (diákonos) de Deus, ou seja, é servo de Deus para servir ao povo. Aqueles que recebem um mandato pelo voto popular não ascendem ao poder para se servirem do povo, mas para servirem ao povo. Não chegam ao poder para se locupletarem, mas para se doarem. Não buscam seus interesses, mas os interesses do povo. Esse princípio divino mostra que o político que sobe ao poder pobre e desce dele endinheirado não merece nosso voto.

O político que usa seu mandato para roubar os cofres públicos e desviar os recursos que deveriam atender as necessidades do povo para se enriquecer ilicitamente deve ter nosso repúdio e não nosso apoio. O político que rouba ou deixa roubar, que se corrompe ou deixa a corrupção correr solta, que acusa os adversários, mas protege seus aliados, não deve ocupar essa posição de ministro de Deus, pois Deus abomina a injustiça e condena o roubo.

Em terceiro lugar, a finalidade das autoridades constituídas (Rm 13.4-7). Deus instituiu as autoridades com dois propósitos claros: a promoção do bem e a proibição do mal. O governo é ministro de Deus não só para fazer o bem, mas, também, para exercer o juízo de Deus sobre os transgressores. Portanto, devemos sujeitar-nos às autoridades não por medo de punição, mas por dever de consciência. Cabe a nós, como cidadãos, orar pelas autoridades constituídas, honrá-las, respeitá-las e pagar-lhes tributo, uma vez que seu chamado é para atender constantemente à essa honrosa diaconia, de servir ao povo em nome de Deus. Quando, porém, as autoridades invertem essa ordem e passam a promover o mal e a proibir o bem, chamando luz de trevas e trevas de luz, cabe a nós, alertar as autoridades a voltarem à sua vocação. Se essas autoridades, porém, quiserem nos impor leis injustas, forçando-nos a negar a nossa fé, cabe-nos agir como os apóstolos: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29).

 

O ESTADO E A BÍBLIA

O Brasil está vivendo uma efervescência política em todos os segmentos da sociedade, especialmente na igreja evangélica, incluindo a Assembleia de Deus. O momento político de nosso país requer das lideranças evangélicas, especialmente da Assembléia de Deus, uma postura equilibrada e moderada face às ofertas politiqueiras comprometedoras. A igreja evangélica não deve omitir-se desse momento político de eleições, mas deve fazer-se valer pelo seu papel moral no seio da sociedade brasileira. O poder decisório de nossa igreja requer de nossos líderes o compromisso, antes de tudo, com os valores expressos no Evangelho de Jesus Cristo. A contextualização de nosso papel evangélico não pode jamais significar a absorção do sistema mundano que opõe-se às premissas do Evangelho de Cristo.

Há uma interpretação equivocada acerca do papel da igreja quanto à submissão ao Estado. Em Romanos 13.1-2, lemos que “toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus, e as autoridades que há foram ordenadas por Deus.

Por isso, quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus”. Respeitar as autoridades e submeter-se a elas não significa acomodar-se às suas corrupções e desvarios políticos. Significa ter uma atitude de coerência com os princípios que não ferem a Palavra de Deus. O Estado não é divino. Apenas a autoridade positiva do Estado é “ordenada por Deus”.

O Estado não tem a última palavra em relação aos assuntos litigiosos, porque é uma instituição temporária. Portanto, a Igreja deve prescindir dele. A Igreja deve preservar seus valores de representação como instituição moral e ética, cobrando do Estado quando esses valores forem ameaçados.

As instituições governamentais existem para aplicação das leis que regem os indivíduos dentro de uma nação. Elas são identificadas como agentes de representação da ordem política. Porém, a ordem política existente é relativa, provisória, mutável e mutante, porque um dia será estabelecido um governo divino sobre a Terra, depois da vitória final de Cristo sobre todo o principado e poder.

Para sermos “o sal da terra” e a “luz do mundo” numa sociedade corrompida, precisamos impor nosso papel como Igreja, no sentido de desenvolver uma vida social e política capaz de influenciar o mundo que vivemos. A Igreja deve se conscientizar da importância do momento político e indicar pessoas capazes de defenderem os valores mais sagrados da sociedade. A consciência da Igreja é a garantia contra a corrupção no seio da sociedade. A omissão da Igreja quanto à participação da vida política deixa vazios nossos parlamentos políticos do papel crítico, construtivo e sensibilizador da Igreja. Os regimes autoritários e os governos corruptos surgem pela falta do papel político da Igreja, que é comprometida com os ideais do Evangelho de Cristo.

 

POLÍTICA SEGUNDO A BÍBLIA

  1. Dupla cidadania do cristão. O cristão vive nesta terra uma verdadeira tensão. Ao mesmo tempo que as Escrituras afirmam que a nossa cidade está nos céus (Fl 3.20), asseguram, também, que somos peregrinos neste mundo (1 Pe 2.11). Não há qualquer contradição nessas verdades bíblicas, pois elas simplesmente enfatizam o desafio do servo de Deus em viver de forma transitória na esfera terrenal. Ao interceder pelos seus discípulos, Jesus pediu ao Pai: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (Jo 17.15).

Portanto, temos duas cidadanias: celestial e terrena. Uma conquistada por herança, a outra por local de nascimento. Isso significa que os crentes não podem estar alienados da sociedade e das questões sociais, políticas e econômicas. Como cidadãos deste planeta e embasados em uma visão de mundo eminentemente bíblica, devemos respeitar as leis e participar das discussões do cenário político, influindo nos temas da sociedade e do governo, a exemplo de José e Daniel.

  1. Separação entre Estado e Igreja.A conscientização dos crentes a respeito da importância da participação política não significa a união entre o Estado e a Igreja. A propósito, o Senhor Jesus estabeleceu a clara separação entre esses dois ao ordenar: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Lc 20.25). As palavras do Mestre reforçam tanto a responsabilidade espiritual quanto social, enfatizando que Igreja e Estado possuem papéis bem distintos. A Igreja deve influenciar o governo, mas não pode confundir-se com ele. Quando o Estado tenta intervir na Igreja, ou vice-versa, os prejuízos são inevitáveis, com implicações que afetam a consistência doutrinária da cristandade. Foi o que ocorreu quando o imperador romano Constantino uniu a religião cristã com o Estado, incorporando elementos do paganismo. Por isso, a separação entre o Estado e a Igreja foi um ponto crucial defendido na Reforma Protestante.

 

A SEPARAÇÃO DO ESTADO DA IGREJA: UMA HERANÇA PROTESTANTE

DEFININDO A IGREJA E O ESTADO

A Igreja de Deus é o povo que foi resgatado do mundo de perdição através da obra sacrificial de Cristo. É, então, Sua propriedade e corpo místico (Tt 2.14).

A Igreja se constitui no verdadeiro refúgio do cristão, onde ele pode alcançar o mais desejado triunfo: a eterna salvação. Alegremo-nos em pertencer à Igreja do Deus vivo

O Estado é a nação politicamente organizada e tem o dever de garantir a ordem e a segurança da Nação, tudo fazendo para alcançar o seu progresso. A garantia dos direitos individuais é da competência do Estado. Explicando melhor, o Estado é uma organização que protege a família em todos os seus direitos definidos na constituição. Garante os direitos individuais do cidadão, e visa alcançar os ideais do povo, a virtude e a expansão econômica. Objetiva a prática da justiça social, que não favorece o rico em detrimento do pobre, posto que diante da lei,e, conseqüentemente do Estado, todos são iguais e merecem igual tratamento, igual respeito aos seus direitos. Enfim o Estado protege a sociedade, que por sua vez tem na família a sua célula máter que é, em última análise, a base do Estado.

  1. A missão da Igreja no governo do mundo. Em relação ao poder temporal, a Igreja não recebeu de Deus a autoridade para dominá-lo, nem para submetê-lo ao seu governo. A missão da Igreja é espiritual. Ela é a luz do mundo e o sal da Terra, e como tal a sua missão é “iluminar” e “salgar” a Terra.
  2. A origem do Estado.O Estado é de origem sobrenatural. Dissemos que a origem do Estado é sobrenatural porque toda a autoridade, todo o poder procede de Deus. É Deus quem outorga a autoridade ao homem para exercer o governo sobre o homem, visando o bem estar do homem.

Por esta razão o apóstolo Paulo recomendou aos crentes em Roma: “Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à potestade à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação” (Rm 13.1,2). Leia também 1Pe 2.13-17. Contudo é bom que se esclareça que toda a autoridade humana está subordinada à autoridade de Deus e certamente Ele cobrará de cada governante os erros e as iniqüidades praticadas em Seu nome.

  1. A missão do Estado.Sabemos que os elementos essenciais que constituem o Estado são: um território, uma população, uma lei e urna organização administrativa. “O Estado é uma sociedade humana organizada que se submete ao mando e à orientação de um poder central, com a finalidade de estabelecer o bem próprio de cada um, ao mesmo tempo que busca o bem geral”.

 

A INDEPENDÊNCIA ENTRE A IGREJA E O ESTADO

O maior prejuízo que a Igreja do senhor sofreu, através dos séculos, teve início quando o Imperador Constantino aderiu ao cristianismo, batizando-se ele e toda a sua corte, arrastando assim ao seio da Igreja todos os seus maus hábitos e a sua idolatria. Aquilo que Satanás não havia conseguido, afogando-a no sangue dos mártires que eram cruelmente lançados às feras, nas arenas do Coliseu Romano, ou nas fogueiras e outros inomináveis sofrimentos, que os obrigavam a morar nas cavernas e covas (catacumbas) mas, sem no entanto, silenciarem quanto ao testemunho de Cristo (Hb 11.38), alcançou, no entanto, tomando o cristianismo a igreja oficial do Império, afogando os líderes da época, na “seda e na púrpura” ou seja, no pecado e na luxúria. Deste modo, sua autoridade espiritual foi aniquilada, e, os tais, para agradar as autoridades seculares, foram obrigados, pouco a pouco, a mudar o essencial, no que respeita ao culto, à doutrina e à disciplina. tornando o cristianismo autêntico, naquilo que é hoje a Igreja Romana, que de cristã só tem o nome. Por essa razão, entendemos que a independência entre a Igreja e o Estado deve ser absoluta.

 

O CRENTE COMO CIDADÃO DO CÉU

A Bíblia ensina, que a Igreja está aguardando ansiosamente a sua trasladação para a sua pátria celestial (Fp 3.20,21; J0 17.16), e classifica esta expectativa como a “bem aventurada esperança” (Tt 2.12,13). Na qualidade de cidadão do Céu, devemos viver de tal maneira a não causar escândalo nem aos gentios, nem aos judeus, nem à Igreja de Deus (1Co 10.32). Devemos nos portar com dignidade diante de todos.

 

TODA A POTESTADE VEM DE DEUS

O apóstolo Pedro, concorda com o conceito inspirado do apóstolo Paulo, ï que respeita à obediência às potestades superiores, porque “assim é a vontade de Deus, que fazendo o bem, tapeis a boca à ignorância dos homens loucos’‘(1Pe 2.15). Todos sabemos que os magistrados são constituídos por ordenação de Deus (Rm 13.1). Não é necessário temê-los, se praticamos as boas ações, mas, se as más, seremos punidos com o rigor da lei, e o mesmo apóstolo Pedro afirma que, se sofrermos, soframos não como ladrões, rebeldes ou malfeitores, mas como cristãos, e nisso glorifiquemos a Deus (1 Pe4.15,16).

 

  1. O poder do Estado tem sua origem em Deus.De conformidade com os ensinos dos profetas sobre a soberania de Deus e sua intervenção no governo do mundo (Dn4.17,31,32), o Senhor Jesus, quando interrogado pelos fariseus e herodianos quanto à licitude de pagar ou não- tributo a César, respondeu: “Dai pois a César o que é de César,e a Deus o que é de Deus”. Perante Pilatos Ele foi claro ao responder: “O meu reino não é deste mundo”. E diante da alegação do mesmo Pilatos, que afirmava possuir poder para mandar crucificá-lo ou soltá-lo, Jesus respondeu de modo inquestionável: “Nenhum poder terias sobre mim, se de cima te não fosse dado”. Assim sendo, o Senhor deixava claro que a autoridade de Cesar, de Herodes, de Pilatos e todos os governantes em todos os tempos procede de Deus. Ele é a causa primeira de toda a autoridade, tanto do Estado quanto da Igreja. Por isso Jesus como perfeito homem, submeteu-se ao poder do Estado (Mt 17.24-27; Fp 2.6-8). Nós não podemos fazer menos que isso

 

O CRISTÃO DEVE OBEDECER ÀS AUTORIDADES

Nos regimes democráticos, o governo é dividido em três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário. A todos esses poderes devemos obediência e respeito.Sujeitar-se à ordenação humana por amor ao Senhor é mandamento, e, não somente s bons e humanos, mas também aos maus.

Cristãos há, que se negam a pagar impostos ao Estado, e, quando o fazem é com malícia, alguns chegam ao extremo de subornar o fisco, cometendo um pecado que mais cedo ou mais tarde, de Deus recebem a devida cobrança e raramente prosperam em seus negócios, isto, quando não sofrem outros revezes (1 Pe 2.11), “aui1oqueohomemsemear, isto também ceifará” (Gl 6.7,8). Honrar, respeitar e reverenciar os membros desses poderes é justo. “A quem honra, honra; a quem tributo, tributo”.

 

INSUBMISSÃO ÀS AUTORIDADES É REBELDIA

Sem dúvida, o povo de Deus, através de todos os tempos, tem sofrido dura oposição por parte das autoridades, mas isto não nos autoriza a fazer oposição aos poderes constituídos.

Por três séculos, o Império Romano desencadeou cruel perseguição à Igreja. O apóstolo Paulo foi vítima desses poderes até a morte, mas deixou escrito: “Quem se opõe ‘as autoridades, resiste a Deus”.

É dever do verdadeiro servo de Deus, cooperar, ajudar, e acatar as ordens das autoridades para o seu próprio bem, orando por elas (1Tm 2.13). Resistir- lhes ouopor-se-lhes é diabólico e traz consequências embaraçosas. (1Tm 4.12).

 

COMO O CRISTÃO DEVE LIDAR COM A POLÍTICA

 

O PERIGO DA POLITICAGEM

Como em algumas das igrejas a conscientização política ainda é incipiente, faz-se necessário um alerta referente ao perigo da politicagem. Os dicionários em geral conceituam politicagem como: “política reles e mesquinha de interesses pessoais”. O perigo dos atos politiqueiros é colocar em descrédito o evangelho e a igreja cristã. O cristão fiel jamais pode compactuar com este procedimento. Os princípios cristãos não podem ser negociados. A ética e a moral cristã não podem ser vendidas e nem compradas.

Aqueles que são contrários as convicções cristãs não podem receber o apoio e nem o voto da igreja. O cristão não pode se iludir com o esplendor das promessas e nem com as supostas garantias apresentadas. Os que não compartilham os ideais do evangelho não devem ser homologados pelo povo de Deus. No cristianismo primitivo a igreja em Corinto foi advertida a observar este princípio (2Co 6.14).

Contudo, apesar da orientação bíblica, obreiros fraudulentos ludibriam e manipulam as ovelhas sob seus cuidados. Interessados em levar vantagem pessoal não hesitam em apoiar candidatos políticos contrários a fé cristã. Vislumbram benefícios econômicos e “status” social. Sem nenhum pudor, ao leve toque musical, prostram-se diante da estátua de Nabucodonozor. Estão interessados em manter ou adquirir privilégios e indispostos a sofrer retaliações por causa do evangelho.

Não satisfeitos em apoiar candidatos de conduta repreensível, soma-se a este erro, o uso da mídia e do púlpito da igreja para promover a iniquidade. O cristão é cidadão e deve exercer sua cidadania. Contudo, não pode esquecer que também é cidadão do céu. Como Embaixador de Cristo representa os interesse do reino de Deus na terra. Portanto, não pode apoiar, nem permitir ou promover apoio aqueles que afrontam o reino de Deus.

 

COMO DELIMITAR NOSSA ATUAÇÃO

Os princípios éticos devem ser observados. O púlpito da igreja não pode ser transformado em “palanque eleitoreiro”. As orientações devem ser claras, precisas e esclarecedoras, contudo, não se pode ocupar o espaço da palavra ou da adoração. As convicções cristãs devem ser conhecidas por todos bem como a posição da igreja. Se houver coerência entre o discurso e a fé cristã, certamente a igreja acatará o conselho da liderança.

Por outro lado não se pode confundir a cruz de Cristo com ideologias partidárias. A renovação política não pode ser substituída pela transformação espiritual. A degeneração da sociedade não será resolvida ou corrigida por uma série de leis que inibam a má conduta. Somente a propagação do evangelho de Jesus Cristo pode deter o declínio e a ruína moral de nossa sociedade.

A igreja deve fazer oposição a qualquer ideia que desrespeite a mensagem do evangelho. Precisa se mobilizar para erradicar os políticos corruptos em todas as esferas. Porém, a batalha nas urnas será constante. Se usarmos apenas a ferramenta política certamente venceremos umas batalhas e perderemos outras. Mas, se cumprirmos nosso papel de sal da terra e luz do mundo, o poder do evangelho pode desarraigar para sempre a iniquidade dos corações.

Levanto a bandeira da conscientização política e sou favorável a mobilização evangélica. Entendo que o cristão deva divulgar sua posição coerente com o evangelho. No entanto, lembro que nossa luta não é contra a carne e o sangue (Ef 6.12). A Igreja não pode se limitar a fazer oposição e oferecer resistência à iniquidade no poder temporal. Não pode depositar sua confiança e esperança em decisões políticas, embora não deva subestimá-la ou negligenciá-la.

As lideranças devem promover o “voto consciente” sem descuidar-se do avivamento espiritual. O avivamento liderado por John Wesley (1703-1791) trouxe mudanças sociais na Inglaterra. Porque na realidade o mal a ser combatido é o pecado

 

AJUSTANDO O FOCO DA IGREJA

Durante todo o tempo que Jesus Cristo esteve aqui na terra, ele nos deixou muitos ensinamentos, e demonstrou ao mundo a sua maior missão através do seu grande amor por nós, que era libertar e salvar a humanidade. Aos seus discípulos, foi dada a missão de continuar a espalhar este amor, como também fazer novos discípulos, a igreja.

Nos dias atuais, é possível notar, que a igreja de Cristo vem perdendo o seu maior foco, no que se diz respeito à sua principal tarefa, que é anunciar ao mundo o grande amor de Deus. Mc 16: 15-16.

É verdade sim, que mundo afora, as igrejas estão cada vez mais lotadas. Mas o evangelho genuíno da Palavra, tem sido verdadeiramente pregado? Temos ensinado a essas pessoas sobre o Reino de Deus e a sua justiça?

Devemos compreender o fato de que o nosso governo não pode nos salvar! Só Deus pode. Nunca lemos no Novo Testamento sobre Jesus ou qualquer um dos apóstolos gastando qualquer tempo ou energia em ensinar os crentes a reformar o mundo pagão de suas práticas idólatras, imorais e corruptas através do governo. Os apóstolos nunca convidaram os crentes a demonstrar desobediência civil e protestar contra as leis injustas ou esquemas brutais do Império Romano. Em vez disso, os apóstolos ordenaram os cristãos do primeiro século, assim como nós hoje, a proclamar o evangelho e viver vidas que dão evidência clara do poder transformador do Evangelho.

O propósito original da igreja, dado por Deus, não se encontra em ativismo político. Em nenhum lugar na Bíblia temos o comando de gastar nossa energia, nosso tempo ou nosso dinheiro em assuntos governamentais. A nossa missão não reside na mudança da nação através de uma reforma política, mas na mudança de coração através da Palavra de Deus. Quando os crentes acham que o crescimento e a influência de Cristo podem de alguma forma se aliar com a política do governo, eles corrompem a missão da igreja. O nosso mandato cristão é espalhar o evangelho de Cristo e pregar contra os pecados do nosso tempo. Só à medida que os corações dos indivíduos em uma cultura são alterados por Cristo é que a cultura começa a refletir essa mudança.

CONCLUSÃO

O cristão não pode ser contrário a uma atividade que busca a “conduta ideal do Estado”. Como cidadãos da terra, precisamos viver num determinado local físico e social, que faz parte de um Estado, que faz parte de um País. Esses precisam ser administrados por homens de bem. Melhor seria que fossem cristãos. Que Deus nos dé sabedoria e visão.

A melhor atuação política da igreja deve ser por meio da conscientização e orientação dos seus membros, para que votem com ética e discernimento bíblico. Cabe à liderança o ensino adequado da política à luz das Escrituras, enfatizando a importância da politização sadia dos crentes e o envolvimento com as questões públicas. Por outro lado, não se recomenda o envolvimento direto da igreja local com as disputas político-partidárias ou a declaração de apoio a candidatos. O púlpito não é lugar para propaganda eleitoreira, e a igreja de Deus (Gl 1.13) não é trampolim político, mas a coluna e firmeza da verdade (1Tm 3.15).

 

Por: Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

 

Bibliografia

https://geracaobiblia.com

Lições bíblicas CPAD 1990

http://www.cpadnews.com.br

http://hernandesdiaslopes.com.br

https://comoviveremos.wordpress.com

CPAD, Revista, Lições Bíblicas Jovens, alunos, 2º trimestre 2015

Publicado no Blog do Ev. Isaías de Jesus

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