Esteja Alerta e Vigilante, Jesus Voltará – Luciano de Paula Lourenço

Esteja Alerta e Vigilante, Jesus Voltará – Luciano de Paula Lourenço

Texto Básico: Lucas 17:24-30

“Porque, como o relâmpago ilumina desde uma extremidade inferior do céu até à outra extremidade, assim será também o Filho do Homem no seu dia” (Lc 17:24).

INTRODUÇÃO

A atitude que Jesus espera de cada crente com relação à sua vinda não é outra senão a vigilância – “E as coisas que vos digo digo-as a todos: Vigiai” (Mc 13:37). Estar vigilante é estar atento, é estar prestando atenção a todos os acontecimentos, buscando ver nisto os sinais da proximidade da vinda de Jesus. Quando temos a convicção de que Cristo pode voltar a qualquer momento, que os sinais de sua vinda estão se cumprindo a todo instante, passamos a ser muito mais cuidadosos com nossa vida espiritual, temos um ânimo renovado para vivermos em santificação e para estarmos preparados para ouvir a última trombeta. Como as virgens prudentes da parábola (Mt 25:1-13), podemos voltar nosso alvo a cultivarmos a presença do Espírito Santo em nossas vidas e, com azeite suficiente, podermos até tosquenejar, mas jamais deixar de perder de vista a promessa do retorno do Senhor.

I. A VINDA DE JESUS SERÁ REPENTINA

O crente deve estar em comunhão com o Senhor, em santidade, a fim de que tenha condições de discernir espiritualmente o momento em que está vivendo e se preparar convenientemente para não ser apanhado de surpresa pela vinda do Senhor. O Arrebatamento é iminente e o juízo divino não demora, e somente aqueles que estiverem atentos, aguardando o Senhor, serão poupados do “Dia do Senhor”, da ira divina que se abaterá sobre a Terra.

  1. Como um relâmpago (Mt 24:27; 1Co 15:512). Como já sabemos, a Volta de Cristo se dará em duas fases: primeiro, o Arrebatamento; segundo, a vinda de Jesus em Glória, quando todo olho O verá (Ap 1:7). O Arrebatamento se dará de forma repentina, em tempo ínfimo, pois a Bíblia diz que isto se dará “num abrir e fechar de olhos” (1Co 15:52a), expressão que, no grego, é “átomo”, ou seja, unidade que não pode ser dividida. Jesus disse que o Filho do Homem virá como o relâmpago (Mt 24:27) e, como hoje sabemos, pela física, a maior velocidade que existe é a velocidade da luz, na qual a própria matéria se transforma em energia. Precisamos, portanto, está alerta e vigilantes para que não sejamos enganados e confundidos, pois muitos falsos cristos estão surgindo e ainda vão surgir, tentando enganar os crentes e mesmo os ímpios.
  1. Como um ladrão (1Ts 5:2) – “porque vós mesmos sabeis muito bem que o Dia do Senhor virá como o ladrão de noite”.

A figura do “ladrão” foi usada apenas para facilitar o nosso entendimento sobre como será o Arrebatamento da Igreja. Sabendo como age o ladrão, saberemos o que acontecerá no Dia do Arrebatamento.

a) O ladrão vem quando não é esperado – “mas considerai isto: Se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa”(Mt 24:43). Só o ladrão sabe quando ele vai agir; nós não sabemos. O ladrão não manda aviso prévio, não marca o dia e nem a hora. Quem não quiser ser surpreendido, tem que vigiar. Paulo, contudo, disse: “Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele Dia vos surpreenda como um ladrão” (1Tes 5:4). Eu e você sabemos que Jesus virá, e virá “como ladrão”. Resta-nos, portanto, esperar, e vigiar, para não sermos surpreendidos.

b) O ladrão age rapidamente. Ladrão que se preza não demora no local do crime. Planeja o que vai fazer e o faz no menor tempo possível. A vinda de Jesus será, portanto, repentina – “Num momento, num abrir e fechar de olhos…” (1Co 15:52), ou como um relâmpago (Mt 24:27). O Arrebatamento será tão rápido que não haverá tempo para ninguém se preparar. Resta-nos, portanto, estarmos preparados!

c) O ladrão só leva coisas que tenham valor. Aquele cesto cheio de lixo, aquele monte de roupa suja e velha, aquele guarda-roupa grande e cheio de cupim – não, ladrão não procura volume, coisas grandes e imprestáveis; ladrão procura e leva objetos valiosos, jóias, dinheiro. Para o ladrão não basta ser grande, é preciso ter valor. Sabemos que Jesus virá, como vem o ladrão. Então ele só levará coisas que tenham valor para Deus. Ele vem buscar e levará aquela “…Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível”(Ef 5:27). Ele vem buscar e levará “…um povo seu especial, zeloso de boas obras”(Tito 2:14). Ele vem buscar e levará homens e mulheres de muito valor para Deus, que não foram resgatados “com coisas corruptíveis, como prata ou ouro… mas com o precioso sangue de Cristo…”(1Pd 1:18-19), verdadeiras jóias, de muito valor para Deus. Assim, se você é um guarda-roupa grande com as portas estouradas e corroído pelos cupins, fique tranquilo, você não corre o risco de ser levado, porque o Senhor virá como vem o ladrão. Ladrão não se interessa pelo volume, não se impressiona pelo tamanho do objetivo; ladrão só leva se o objeto tiver valor. Para o ladrão um anel de ouro, cravejado de brilhantes, embora tão pequeno, vale muito mais que, um grande sofá velho.

d) Quando o ladrão age, sua ação só é constatada depois. Quando a pessoa chega ao local onde deixou seu carro, e ele não está; quando acorda de manhã ou retorna de uma viagem e encontra a casa totalmente “revirada” e dá falta das coisas de valor, então, não há dúvidas, o ladrão veio; porém, já se foi. A constatação de que ele agiu só é feita tardiamente. Da mesma forma, no Dia do Arrebatamento, “…estarão dois numa cama; um será tomado, e outro será deixado. Duas estarão juntas, moendo; uma será tomada, e outra será deixada. Dois estarão no campo; um será tomado, e outro será deixado”(Lc 17:34-36). A constatação e a certeza de que o companheiro, ou companheira desapareceu só será possível depois do desaparecimento. Será tarde demais! Eu e você sabemos que Jesus virá, e virá como vem o ladrão. Deixar para crer depois que ele tiver vindo não é próprio de quem conhece a Palavra de Deus.

e) A ação do ladrão gera prejuízos, lágrimas, tristezas. Depois que as pessoas descobrem que o ladrão veio e já foi, então, é hora de tristeza, choro, desespero; é hora de somar os prejuízos e de relacionar o que foi levado. Jesus virá como vem o ladrão. Depois de constatado o Arrebatamento, então haverá lágrimas, tristezas, desespero. Filhos, pais, amigos, enfim, muita gente terá sumido. As “virgens loucas” que não clamaram antes da meia noite clamarão depois. Será muito grande o clamor depois da meia noite – “…Senhor, Senhor, abre-nos a porta!”. Tudo será vão – “E ele, respondendo, disse: em verdade vos digo que vos não conheço”.

Eu e você sabemos que Jesus virá, e virá como vem o ladrão. Ir com ele, ou ficar para contar os prejuízos, é uma escolha nossa.

II. COMO FOI NOS DIAS DE NOÉ

Noé é um exemplo a ser seguido, por indicação até de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que, ao falar sobre os últimos dias desta dispensação, afirmou que viveríamos em dias como os “dias de Noé” (Mt 24:37; Lc 17:26). Assim como Noé achou graça aos olhos de Deus (Gn 6:8), nós também devemos causar em Deus a mesma reação, a fim de sermos poupados do tenebroso novo juízo que há de vir sobre a face da Terra.

A Bíblia dá-nos uma sucinta, mas bem precisa descrição dos chamados “dias de Noé” e que nos permite ver o que fez com que Noé fosse digno da benevolência divina, dias que devem ser bem analisados por nós, servos do Senhor, já que o próprio Jesus disse que os dias imediatamente anteriores à sua volta para buscar a sua Igreja seriam semelhantes aos “dias de Noé”. Cito algumas características predominantes da geração dos dias de Noé.

  1. Dias de prioridade ao materialismo – “Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento…”(Lc 17:27). O Senhor Jesus advertiu sobre o que o povo fazia naqueles dias: comer, beber, casar, dar os filhos em casamento, comprar, vender, plantar, edificar. Contudo, em si mesmo, nada disto é pecado. Porém, torna-se em pecado quando se coloca o coração somente nas coisas materiais. Nos “dias de Noé” prevalecia o materialismo. Tudo girava em torno e em relação das coisas e dos bens materiais.

A verdade é que os homens dos “dias de Noé” eram movidos pela concupiscência, ou seja, pelo desejo incontrolado nascido em suas naturezas pecaminosas. Guiavam-se pelos seus desejos e paixões, que os escravizavam. Em Gênesis 6:2 é dito que “os filhos de Deus tomaram para si mulheres de todas as que escolheram”. Os homens buscavam tão somente satisfazer as suas necessidades e seus desejos incontrolados, eram atraídos pela sua própria concupiscência e, portanto, procuravam apenas viver em função da comida, da bebida e do prazer sexual. Não há qualquer informação sobre a existência de altares, de sacrifícios, de oração, de vida com Deus, de busca de coisas e valores espirituais. Era tudo pelas coisas materiais, tudo pela busca de riquezas, tudo pelo consumismo desenfreado. Não se importavam em invocar a Deus, em ter um relacionamento com o Senhor, viviam como se Deus não existisse. Este foi o grande mal daqueles dias e é uma característica marcante nos dias em que estamos a viver.

  1. Dias de descaso com a família –Tomaram para si mulheres de todas as que escolheram”, “casavam e davam-se em casamento”. Os “dias de Noé” eram dias de total descaso para com a instituição familiar e para com o casamento, que era a forma instituída por Deus para a constituição de uma família. Como o que importava era a satisfação dos desejos incontrolados, da sua própria concupiscência, não havia o menor pudor entre os homens, que aviltaram a família e o matrimônio. Casavam-se, não cumpriam com os deveres conjugais, desfazendo-se o casamento, que era o compromisso assumido de vida em comum até a morte, como se nada tivesse acontecido antes. Muitos nem sequer se casavam mais, “davam-se em casamento”, ou seja, como dizem hoje, “juntavam os trapos para ver como é que fica”, e assim, sem qualquer compromisso, apenas buscavam satisfazer a natureza pecaminosa, num ambiente de total imoralidade.

Nesses dias de descaso com a família e de imoralidade sexual, Noé era um homem completamente diferente. Possuía uma única mulher e cuidava de sua família a ponto de esta se distinguir das demais. Havia uma família e Noé cuidava dela. O escritor aos hebreus diz que Noé preparou a Arca buscando a salvação da sua família, prova de que, depois de Deus, o que mais prezava era a sua família. Também vemos que seus filhos tinham, cada um, uma mulher (Gn 7:13), prova de que Noé também os havia instruído a se manter no princípio divino da família monogâmica e da veneração ao matrimônio e ao leito sem mácula (Hb 13:4).

  1. Dias de corrupção sem controle – “A terra, porém, estava corrompida diante de Deus…”(Gn 6:11). A terra estava amaldiçoada por Deus, como dissera Lameque, o pai de Noé, ao dar nome ao seu filho. A maldade do coração do homem repercutiu não só diante de Deus, a ponto de o Senhor ter resolvido destruir a criação (Gn 6:5-7), como também causou danos irreparáveis à natureza, ao próprio planeta, na medida em que toda a terra se corrompeu. A maldade do homem não fica no seu coração, mas é externada em atitudes e ações que só trazem destruição e mal-estar a natureza.

Nos dias em que vivemos não é diferente. A maldade dos homens, sua imoralidade e sua preocupação única e exclusiva com as coisas desta vida produziram a perspectiva da destruição, da própria eliminação da vida, pois o homem sem Deus só sabe fazer aquilo que é ordenado pela sua natureza pecaminosa e o salário do pecado é a morte (Rm 6:23), não só a morte espiritual, mas também a física, visto que o trabalho do inimigo, que cega o entendimento dos incrédulos é matar, roubar e destruir (João 10:10).

  1. Dias de violência sem controle“…Encheu-se a terra de violência” (Gn 6:11b). A criminalidade atingia níveis elevadíssimos naqueles dias. Lameque, o descendente de Caim, também havia instituído a violência como meio de solução de conflitos. Eram os dias dos “valentões”, daqueles que eram famosos pelo uso da violência e pelas proezas, “os gigantes da terra” (Gn 6:4). Era o tempo da “lei do mais forte”, do “salve-se quem puder”. Não havia o mínimo respeito pelo próximo nem pela dignidade da pessoa humana.

Nossos dias não são diferentes. A escalada da criminalidade e da violência supera todas as expectativas. As estatísticas mostram que a violência do crime mata mais do que as guerras e se vive uma sensação de contínua insegurança e descontrole, os “rumores de guerra” mencionados por Jesus no seu sermão escatológico. Não há sossego em canto algum e o aumento do pecado e da busca pela satisfação imediata dos desejos incontrolados alimenta cada vez mais a violência. O medo predomina em todo mundo. Estamos vivendo os “dias de Noé”.

  1. Dias de devassidão sexual. A Bíblia relata que foi na civilização cainita que deu início a poligamia e os pecados da prostituição. Lameque, o primeiro polígamo, foi quem deu a cartada inicial da quebra do princípio da monogamia (ler Gn 4:19), abandonando-se o modelo divino de família. Os pecados sexuais, agora, eram cometidos como se nada fosse proibido; não havia limites à prostituição; a irmã de Tubal-Caim, Naamá, é tida como a primeira prostituta da história. Conforme o texto sagrado, até mesmo os descendentes de Sete corromperam-se em meio àquela imoralidade abominável. Relata o autor sagrado: “viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram” (Gn 6:2). Esses “filhos de Deus”, sem dúvida, eram os descendentes da linhagem piedosa de Sete (cf. Dt 14:1; Sl 73:15; Os 1:10); eles deram início aos casamentos mistos com as “filhas dos homens”, isto é, mulheres da família ímpia de Caim. Sem dúvida, estamos vivendo os dias semelhantes aos dias da geração antediluviana.
  1. Dias de resistência à graça divina. Da geração de Lameque, falou o Senhor: “O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos” (Gn 6:3). Não sabemos por quantos anos, décadas, ou séculos, a geração de Lameque resistiu ao Espirito Santo. Da resistência ao Espirito Santo de Deus, aquela humanidade antediluviana passou a blasfemar contra o Senhor, depravando-se totalmente.

A graça salvadora de Deus é inesgotável, é abundante. Por isto ela envolve todo o mundo, é suficiente para predispor toda a humanidade a tornar-se merecedora da redenção divina, oferecendo-lhe a oportunidade de escapar da justa e inevitável condenação; mas, tal qual o mundo antediluviano, a maioria da população mundial de hoje resiste à graça salvadora de Deus. Isso terá limite. A justiça de Deus é certa e muito rigorosa sobre o mundo corrupto e destituído de Deus. Para aquela civilização Deus disse: “O fim de toda carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; eis que os desfarei com a terra” (Gn 6:3). A Palavra de Deus adverte: “E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem”(Mt 24:37).

III. COMO FOI NOS DIAS DE LÓ

“Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam. Mas, no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre, consumindo a todos. Assim será no dia em que o Filho do Homem se há de manifestar. Naquele dia, quem estiver no telhado, tendo os seus utensílios em casa, não desça a tomá-los; e, da mesma sorte, o que estiver no campo não volte para trás. Lembrai-vos da mulher de Ló “ (Lc 17:28-32).

A destruição da cidade de Sodoma (Gn 18-19), nos dias de Ló, é outro exemplo que Jesus citou como seriam os últimos dias antes de Seu retorno. Sodoma, juntamente com a cidade vizinha de Gomorra, foi destruída por Deus devido à sua grande iniquidade. Ló, sobrinho de Abraão, tinha decidido fixar-se na cidade de Sodoma (Gn 13:11-13). Então, no dia em que Ló saiu de Sodoma, a cidade foi destruída. A destruição veio tão repentinamente que somente Ló e sua família escaparam. Os anjos vieram e pouparam Ló e sua família do fogo e enxofre.

No intervalo entre a primeira e a segunda vinda de Cristo, alguns poderão ser levados a uma calma complacência pelo fato da vida continuar com as suas atividades normais. Hoje em dia, muitos veem a vida prosseguindo sem interrupções. Mas Jesus deixou claro que o Arrebatamento virá, inesperadamente, sem aviso prévio (1Co 15:52), em meio ao que terá começado como um dia rotineiro (Mt 24:44).

A ocasião de decidir sobre Cristo irá passar num único momento. Aqueles que estão esperando e ansiando por ver este dia (Lc 17:22) se alegrarão com a sua chegada. Aqueles que não acreditam que isto acontecerá não terão tempo de fazer nada a respeito. Será tarde demais.

Cito algumas características predominantes dos dias de Ló, principalmente das cidades de Sodoma, Gomorra e circunvizinhas.

  1. Dias de materialismo exacerbado. É o que podemos deduzir das palavras ditas por Jesus – “Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam ”(Lc 17:28). Sodoma era uma cidade em franco progresso material. Mais uma prova bíblica de que progresso na vida material não significa estar bem com Deus. Do ponto de vista material não há qualquer sinal de decadência em Sodoma. A cidade trabalhava, prosperava, se divertia. No entanto, nada se diz sobre Deus, altar, adoração. Nada! Só materialismo puro. Comer, beber, comprar, vender, plantar e edificar são sinais de progresso. Porém, ao que tudo indica, não havia lugar para Deus naquela cidade. Deus era o grande esquecido.

Numa sociedade rica, autossuficiente e sem Deus, certamente que será uma sociedade permissiva, e Sodoma era, como afirmou Pedro: “E livrou o justo Ló…pelo que via e ouvia sobre as suas obras injustas” (1Pedro 2:7-8). Esta era a situação reinante em Sodoma. Uma sociedade decaída, materialista, hedonista, antropocentrista. Uma sociedade muito parecida com a nossa, porém, em menor permissividade. Hoje, está muito pior. Hoje, está insuportável.

  1. Dias de permissividade sexual. Sodoma ficou conhecida na História pela sua permissividade sexual. Lá o sexo era livre e podia ser praticado sem qualquer regra, ou escrúpulo. Cada homem fazia sua opção sexual, e isto era visto com naturalidade. Homem com homem, mulher com mulher, tudo considerado normal. Ninguém se lembrava de que, no princípio, o Senhor Deus, vendo que o homem estava só, tomou uma decisão: “…far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele… Então, o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas e cerrou a carne em seu lugar. E da costela que o Senhor Deus tomou do homem formou uma mulher; e trouxe-a a Adão”(Gn 2:21-22). Esta foi uma decisão de Deus: fazer para o homem uma mulher.

Deus podia fazer quantas mulheres ele quisesse fazer. Porém, a Bíblia diz que Ele fez apenas uma mulher. Deus podia fazer para Adão outro homem igual a ele. Mas, para suprir a necessidade afetiva e sexual do homem, Deus fez uma mulher. O Espírito foi, ainda, detalhista, quando, talvez para que não pairasse dúvidas, fez Moisés escrever que Deus “macho e fêmea os criou”(Gn 1:27). Não ficou espaço para uma “coluna do meio”. Biblicamente a criatura humana ou é macho, ou é fêmea; ou seja, ou é homem, ou é mulher. Para Adão, Deus fez uma Eva, não fez um Ivo. Para o casamento o próprio Deus disse: “Portanto, deixará o homem o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma só carne”(Gn 2:24). O princípio é o mesmo no compêndio neotestamentário (Mt 18:4-5).

Nestes últimos dias, há um verdadeiro ataque aos princípios da “moral cristã”, sobretudo, no tratamento jurídico da família. Dissemina-se a prática do divórcio, ataca-se violentamente a instituição do casamento, com a legalização e aumento crescente das uniões sem casamento entre as pessoas, sem se falar na chamada “liberação sexual”, que deu guarida e conivência com todo o tipo de prática sexual condenada pelas Escrituras Sagradas e que foi até um dos significados que teve a palavra “permissividade”, com especial enfoque no homossexualismo. A TV e o meio artístico, como formadores de opinião tanto para o bem quanto para o mal, colocaram homossexuais em programas e novelas, que são vistos por milhões de pessoas, difundindo a ideia de que ser homossexual é perfeitamente normal, e não uma inversão de valores. Os seres humanos comportam-se, na atualidade, como verdadeiros animais irracionais, buscando parceiros para sentir momentos efêmeros de prazer na prática de relações sexuais. Dessa forma, com o afrouxamento moral e das convicções antes tidas por certas, alarga-se a permissividade social e moral da sociedade.

  1. Lembrai-vos da mulher de Ló(Lc 17:32). Por este Sinal, o Senhor Jesus adverte sobre o perigo da vaidade, da mistura com habitantes de Sodoma, símbolo do mundo de hoje. A mulher de Ló estava tão presa aos bens e valores materiais que, embora tenha conseguido sair, fisicamente seu coração tinha ficado naquela cidade. Por causa disso foi severamente punida (cf. Gn 19:26). Para que o mesmo não aconteça conosco, o Senhor Jesus advertiu-nos, dizendo: “Lembrai-vos da mulher de Ló”.

IV. FATOS SOCIAIS DESTES ÚLTIMOS DIAS

  1. Dias de degeneração moral e social. Os últimos dias em que vivemos denunciam a iminência do Arrebatamento da Igreja, a prisão de Satanás e o seu destino final no lago de fogo e enxofre como prescreve a Bíblia em Apocalipse 20:2,10. Conhecendo bem a sequência dos acontecimentos escatológicos, Satanás sabe que dos muitos dias que ele teve, resta-lhe, agora, pouco tempo. Assim, o que a Palavra de Deus diz a seu respeito e a respeito de seus demônios, ele sabe que vai se cumprir. Para ele e seus demônios não há qualquer possibilidade de retornar ao estado original, mas, que serão lançados no “…fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”(Mt 25:41), conforme afirmou o Senhor Jesus Cristo. Mas, ele sabe ainda que, para o homem, nesta dispensação da Graça, haverá, até o fim, esperança de Salvação, pois Deus ”…quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade”(1Tm 2:4). Satanás se opõe a este desejo de Deus e quer o maior número possível de homens, junto com ele, no lago de fogo e enxofre (o inferno, em seu estrito senso), eternamente.

Para cumprir seu objetivo, num linguajar humano, diríamos que ele, Satanás, e seu exército infernal estão trabalhando em regime integral, fazendo, inclusive, “horas extras”. Causar o maior estrago possível ao Arraial dos Santos, fazendo “multiplicar a iniquidade” para que o amor de muito se esfrie, impedir de todas as formas possíveis a pregação do Evangelho, “materializar” os crentes, desviando-os do conhecimento da Palavra de Deus e envolvendo-os com as coisas e os bens terrenos, e tantas outras coisas estranhas que tem acontecido nas denominações evangélicas, por certo fazem parte das “ordens de serviços” que ele tem expedido aos seus demônios. Mas, se Satanás e seus anjos trabalham em ritmo alucinante, também, pela Bíblia sabemos que Deus “não deixará vacilar o teu pé; aquele que te guarda não tosquenejará. Eis que não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel”(Sl 121:3-4).

Os fatos sociais dos dias atuais são tão aviltantes à santidade de Deus que se comparados com os de Sodoma, ultrapassam os limites ali tolerados por Deus à época de sua destruição. Senão vejamos:

– Lá em Sodoma, não havia “permissão legal” para que menores de 18 anos pudessem matar gente de bem, pais de famílias, estudantes, profissionais liberais, pessoas de todas as classes sociais, sem maiores consequências, como acontece nos dias atuais e sem nenhuma consequência no futuro, pois, aos 21 anos são considerados primários, como se nunca houvessem transgredido às leis. Lá em Sodoma os menores assassinos de hoje, seriam condenados à morte.

– Lá em Sodoma, o casamento era tido como um fato social sério e havia diferença entre uma mulher, legitimamente casada, e uma amante, ou concubina. Os direitos de ambas, por certo, não eram os mesmos como são na “Sodoma” de hoje.

– Lá em Sodoma, embora houvesse tolerância para com o relacionamento entre homossexuais, por certo o homossexualismo não era celebrado, com orgulho, em gigantescos desfiles, ou “paradas do orgulho gay”, prestigiadas pela presença de autoridades governamentais, como acontece na “Sodoma” destes “últimos dias”. Também, com certeza, não havia casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Havia um limite para a prática pecaminosa. Na Sodoma de hoje a permissividade sexual não tem limite e está aculturada.

– Lá em Sodoma, a virgindade não era uma coisa vergonhosa. As filhas de Ló, embora já estivessem noivas, ou prometidas em casamento, não estavam grávidas e nem eram mães solteiras. Na declaração feita por Ló, ficou claro que elas eram virgens – “E disse: meus irmãos, rogo-vos que não façais mal. Eis aqui, duas filhas tenho, que ainda não conhecem varão…” (Gn 19:8).

– Lá em Sodoma, os filhos obedeciam e acreditavam em seus pais. Vemos isto no episódio que envolveu os futuros genros de Ló. Eles não acreditaram que a cidade seria destruída – “Então, saiu Ló, e falou a seus genros, aos que haviam de tomar as suas filhas, e disse: levantai-vos; sai deste lugar, porque o Senhor há de destruir a cidade. Foi tido, porém, por zombador aos olhos de seus genros”(Gn 19:14). Contudo, as filhas de Ló, certamente duas jovens de tenra idade, deixaram seus noivos e acompanharam seus pais. Não sabemos se por pura obediência, ou por confiança de que o pai sabia o que estava fazendo. É até possível que elas não estivessem entendendo nada daquilo que Deus ia fazer, mas, a obediência, ou a confiança no velho pai, garantiu a sobrevivência delas. Na “Sodoma” destes “últimos dias”, ao que parece, o relacionamento entre pais e filhos está pior do que na Sodoma de Ló. Hoje os pais são tidos como “quadrados” e os filhos pensam estar sempre com a razão.

Os fatos sociais dos últimos dias, em temos do declínio espiritual, em termos da degeneração moral dos costumes, em termos de decadência social, com certeza, não encontram paralelos na história de qualquer época. Por certo estamos vivendo naqueles dias preditos por Paulo: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobreviverão tempos trabalhosos”(2Tm 3:1). Por certo que estamos também naqueles dias da multiplicação da iniquidade, referidos por Jesus: ”E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará”(Mt 24:12).

  1. Dias de declínio espiritual. Estamos vivendo a época descrita por Paulo em 1Timóteo 4:1: “Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé…”. Observe o termo “expressamente”, que demonstra plena certeza. Paulo teve uma revelação clara, indubitável, do que haveria nos últimos tempos, que são os nossos dias, acerca da vida espiritual de muitos crentes. Muitos falsos líderes têm aparecido nos nossos dias, os quais têm arrebanhado muitos crentes após si, causando divisões, politicagem e tremendas discórdias entre os crentes incautos, proporcionando uma apostasia sem precedente na história da Igreja e um esfriamento espiritual nos crentes que não leem a Bíblia e nem se preocupam com a iminente vinda de Cristo. Para os verdadeiros crentes em Cristo, a vinda de Jesus está bem perto, pois os sinais denunciam isto, mas, para muitos que se dizem cristãos, cuja vida espiritual tem esfriado, creem que Jesus não virá tão cedo, tão cedo mesmo. A aplicabilidade da parábola das dez virgens é evidente para os nossos dias. Quem estiver preparado subira com Cristo, caso contrário ficará para a grande tribulação ou morrerá sem salvação.

CONCLUSÃO

Vivemos dias difíceis, dias de degeneração moral, de decadência social; dias de materialismo, de ateísmo, de corrupção em todos os sentidos; dias de Noé, dias de Ló. Jesus está voltando. Portanto, estejamos alertas e vigilantes.

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Ev. Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) – William Macdonald.

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards

Manual de Escatologia (uma análise detalhada dos eventos futuros). J. Dwight Pentecost. Vida.

Joel Leitão de Melo – Sombras, Tipos mistérios da Bíblia.

Vem o Fim, o Fim Vem. Pr. Claudionor, de Andrade. CPAD. 2004.

Revista Ensinador Cristão – nº 65. CPAD.

Elinaldo Renovato de Lima – O Final de Todas as Coisas. CPAD.

Vigiai, pois não sabeis quando virá o Senhor. Caramuru Afonso Francisco. PortalEBD_2004.

A Permissividade Pessoal e Social. Caramuru Afonso Francisco. PortalEBD_2005

Noé, um homem justo e incorruptível. Caramuru Afonso Francisco. PortalEBD_2007.

Publicado no Blog do Luciano de Paula Lourenço

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