Esperando a Volta de Jesus – Luciano de Paula Lourenço

Esperando a Volta de Jesus – Luciano de Paula Lourenço

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Texto Base: Mateus 24:42-46

“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts 5:23).

INTRODUÇÃO

A esperança da Igreja é a volta de Jesus (Tt 2:13; 1Pd 1:3; 1João 3:2-3). Sem esta expectativa não há esperança; não há sentido sermos crentes; não há sentido a nossa adoração. Por isso, a esperança da volta de Jesus é um elemento indispensável e essencial na vida cristã; é o resultado da fé e do amor a Deus e precisa estar corretamente desenvolvida nos crentes.

“Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo” (Tt 2:13).

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos” (1Pd 1:3).

“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos. E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro” (1João 3:2-3).

Esta esperança é a “âncora da alma segura e firme e que penetra até ao interior do véu” (Hb 6:19), ou seja, o ponto de apoio que nos permite caminhar sobre a face da Terra, certos de que, brevemente, tudo o que aqui existe passará e para sempre estaremos com o Senhor.

I. AGUARDANDO A VOLTA DO SENHOR

  1. Com fé e vigilância. A fé é um dos pilares fundamentais da estrutura espiritual do cristão (1Co 13:13). Ela só cresce e é fortificada à medida que o crente amadurece espiritualmente, e isto acontece quando mantemos plena comunhão com Deus e, devocionalmente, estudamos a Palavra de Deus. Todos os pássaros nascem com duas asas, mas não nascem em condições de voar. Nenhum pássaro sai voando logo após o nascimento. Para poder voar é preciso que suas asas cresçam e se fortifiquem. Quando elas alcançam o tamanho ideal, então o pássaro voa. Assim é, também, o crente. O homem não pode nascer, espiritualmente, sem antes receber a fé, como dom de Deus. Todavia, para que o homem salvo possa “levantar voo”, subir até as regiões celestiais, sua fé precisa crescer, e fortificar-se.  Para que isto aconteça é de fundamental importância a Palavra de Deus, a oração, e, algumas vezes, a critério de Deus, uma provação. É assim, e é através destes meios que nós vamos, dia a dia, crescendo e fortalecendo na fé.

Quanto à vigilância é uma atitude fundamental para quem deseja morar eternamente com o Senhor. Jesus exortou os discípulos a serem vigilantes. Ele afirmou: “vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor” (Mt 24:42). Por que devemos vigiar? Porque não sabemos a data da segunda vinda de Cristo. Por isso, devemos ter uma conduta ilibada em nosso viver diário, para não sermos pegue de surpresa na volta do Senhor. Veja o que diz o texto sagrado:

“Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis” (Mt 24:44).

“Para que, vindo de improviso, não vos ache dormindo” (Mc 13:36).

“Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios”(1Tss 5:6).

“E agora, filhinhos, permanecei nele; para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança, e não sejamos confundidos por ele na sua vinda” (1João 2:28).

Jesus ensinou a Parábola das dez virgens (Mt 25:1-13) para mostrar o que significa estar vigilante e pronto para o seu retorno. As “virgens prudentes”, que estavam vigilantes, representam os crentes fiéis, que esperam a volta de Jesus em santidade e cheios do Espírito Santo. As “virgens loucas” representam os crentes não salvos, aqueles que abraçaram o Evangelho como se fosse uma religião. Aqueles que mudaram de religião, mas que não mudaram de vida. Estão na Igreja, são batizados nas águas, são parecidos com os verdadeiros crentes, mas, não têm o Espírito Santo, não têm “azeite”. Elas estavam descuidadas e negligentes, por isso não participaram da festa das Bodas quando o Noivo chegou à meia-noite.

“Mas, à meia-noite, ouviu-se um clamor: Ai vem o esposo! Sai-lhe ao encontro!” (Mt 25:6).

Vejamos algumas verdades que este texto nos mostra.

a) Meia-noite termina um dia e começa outro. Meia-noite, ou 24 horas, representava o fim de um dia e o começo de outro (observe que os judeus estavam sob o regime romano). Podemos, pois, imaginar que a expressão “…à meia-noite, ouviu-se um clamor: Ai vem o esposo!”, signifique o fim do Dia da Graça e o começo do Dia do Senhor. Esse Dia que começou na cruz do calvário está para terminar, pois, ele terminará com o Arrebatamento da Igreja. A Igreja será arrebatada à “meia-noite”, no momento em que findar o Dia da Graça. O momento seguinte já será outro Dia – o Dia do Senhor, que o Profeta Joel descreve como sendo “grande e terrível” – “E mostrarei prodígios no céu e na terra, sangue, e fogo, e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor” (Joel 2:30-31).

A Igreja será arrebatada à “meia-noite”. Ao que tudo indica falta pouco, mas, muito pouco para a “meia-noite”. Ainda há tempo para todas as “Virgens” verificarem se estão preparadas, se há azeite em suas lâmpadas, e, também nas vasilhas. Como foi dito anteriormente, o azeite é um dos símbolos do Espírito Santo, e Ele ainda se encontra entre nós, e conosco. É tempo, ainda, de “comprar” azeite!

b) Depois da Meia-noite não haverá mais Azeite – “Então, todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas. E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam. Mas as prudentes responderam, dizendo: não seja caso que nos falte a nós e a vós; ide, antes, aos que o vendem e comprai-o para vós. E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo...” (Mt 25:7-10).

É interessante observar que as “virgens loucas” não tendo conseguido o azeite, por empréstimo, junto às “virgens prudentes”, então elas foram comprá-lo. Isto me faz pensar duas coisas: elas sabiam onde poderiam comprar azeite; elas tinham condições, ou o dinheiro necessário para pagarem o preço requerido. Assim, se não tinham azeite em suas vasilhas, foi por pura negligencia. Elas tiveram tempo, pois, o esposo tardou a chegar; elas sabiam que havia azeite disponível para ser adquirido; elas tinham condições para adquirir.

Para que não incorramos no erro das “virgens loucas”, Paulo nos adverte, dizendo: “…enchei-vos do Espírito” (Ef 5:18). Isto é para ser feito antes da “meia-noite”. No Dia do Arrebatamento da Igreja, quando chegar “meia-noite” e quando se ouvir “um clamor: ai vem o esposo!”, então, a Noiva que deverá estar pronta, será levada pelo Espírito Santo para ser entregue à Jesus. Ao deixar a Terra Ele terminará sua missão, nesta dispensação da Graça, em relação à Igreja. Em sendo desta forma, é certo que as “virgens loucas” não mais encontrarão o Espírito Santo na Terra.

c) Quem não clamar antes da “meia-noite” clamará depois da “meia-noite”, porém, em vão! – “…e fechou-se a porta. E, depois, chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, senhor, abre-nos a porta!”. O clamor foi ouvido, mas o pedido foi recusado – “e ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço” (Mt 25:10-12). O Dia da misericórdia já havia terminado!

É certo que no Dia do Arrebatamento, o mundo, ou seja, os que não conhecem a Palavra de Deus não vão entender nada. Mas, as “virgens loucas”, a saber, algumas denominações evangélicas que não estão ensinando e nem pregando as verdades da Bíblia ao povo, onde nada se fala sobre santificação e Arrebatamento, porque todo o tempo está sendo ocupado com as coisas materiais e terrenas; os crentes desviados. Todos estes entenderão e saberão que Jesus veio, e eles ficaram.

Lamentamos ter que dizer, mas logo após o Arrebatamento muitos templos evangélicos começarão se encher. As “virgens loucas” virão para saber se haverá uma maneira de entrar, mas as portas já estarão fechadas. Será quando haverá o clamor, depois da “meia-noite”.

“Vigiai, pois, porque não sabeis o Dia nem a hora em que o Filho do Homem há de vir” (Mt 25:13).

“E o Espírito e a esposa dizem: vem! E quem ouve diga: Vem!…Ora, vem Senhor Jesus” (Ap 22:17-20).

Cheio do Espírito Santo. Na Parábola das dez virgens, ter azeite na lâmpada significa ser cheio do Espírito Santo. O Azeite é um dos Símbolos do Espírito Santo. No Tabernáculo e no Templo as sete lâmpadas do candelabro tinham que permanecer acesas, continuamente, e, para isto, não podia faltar o azeite. Este tinha que ser renovado duas vezes ao dia, de manhã e à tarde (Êx 27:20,21). Sem o azeite as sete lâmpadas do candeeiro, ou candelabro, se apagariam. Daí a necessidade de renovação do azeite, diariamente.

Observação:

As “virgens loucas” não representam os crentes que não são batizados com o Espírito Santo. Há uma corrente de comentaristas que afirma que as “virgens loucas” representam os crentes que não são batizadas com o Espírito Santo. Biblicamente nós afirmamos que esta interpretação não tem fundamento. Há crentes que não são batizados com o Espírito Santo, mas que são cheios do Espírito Santo. A salvação não é um privilégio apenas das denominações pentecostais, não. Entre as “virgens prudentes” estão muitos que não são batizados com o Espírito Santo, mas que são salvos. O batismo com o Espírito Santo não é garantia de salvação. O que a Bíblia recomenda a todos os crentes (ela não diz os crentes batizados com o Espírito Santo), é “segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”(Hb 12:14).

Assim, entre as “virgens prudentes” estão crentes que são e que não são batizados com o Espírito. Entre as “virgens loucas” estão crentes que são e que não são batizados com o Espírito Santo.

Não se pode negar que os Apóstolos já tinham o Espírito Santo, habitando com eles. É o que podemos entender do disposto em João 20:22 – “E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo”. Isto aconteceu no dia em que Jesus ressuscitou. Eles só foram batizados com o Espírito Santo cinquenta dias depois. Nesse período acreditamos não ser correto afirmar que eles eram “virgens loucas”.

  1. Em santidade e em amor. Conforme Jesus Cristo ensinou, devemos amar uns aos outros assim como Ele nos amou (João 15:12). Este é o mandamento de Cristo e devemos pô-lo em prática. Sem o amor de uns para com os outros, a Igreja não tem condições de subsistir. Se não amamos os nossos irmãos, não temos como testificar que somos crentes (1João 2:9-11).

O amor é o cartão de identidade do salvo – “Aquele que ama a seu irmão está na luz, e nele não há escândalo” (1João 2:10). Foi o Senhor Jesus quem estabeleceu uma maneira de identificar os seus discípulos. Conforme disse Jesus, o salvo é identificado pelo seu viver em amor – “nisto conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (João 13:35).

– Santidade. Se o amor é a marca registrada do cristão, a santidade é o meio pelo qual ele poderá chegar a Deus (Hb 12:14) – “O que anda num caminho reto, esse me servirá” (Sl 101:6). Portanto, viver em santidade deve ser uma das características dos crentes salvos que estão esperando desejosos a volta do Senhor Jesus, porquanto esta é uma das exigências de Deus.

“Como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância; mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santosem toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: sede santos, porque eu sou santo”(1Pd 1:14-16).

Portanto, para viver como salvo esperando o retorno de Jesus é necessário o viver em santidade, principalmente o obreiro que precisa ser exemplo dos infiéis (1Tm 4:12). Muitos líderes preocupam-se, hoje em dia, com a santificação do povo de Deus sob sua responsabilidade, mas, a cada dia, estão a diminuir o espaço da Palavra de Deus nas reuniões. Cânticos e mais cânticos, apresentações de toda sorte, ensaios e mais ensaios tomam todo o tempo das atividades eclesiásticas. Desta maneira, não haverá mesmo como contribuir para que a igreja local promova a santificação dos crentes. Santificação vem com Palavra, Palavra, Palavra e, para finalizar, Palavra.

II. ATITUDES ERRÔNEAS DIANTE DA VINDA DE JESUS

  1. Ignorar a vinda de Jesus. Certa feita, ao ensinar a respeito do seu retorno, Jesus contou uma parábola sobre um servo fiel e prudente e um mau servo (Mt 24:45-51). Essa parábola se refere à volta visível de Cristo para a Terra como Messias-Rei. Mas o princípio aplica-se de igual modo ao Arrebatamento. Jesus mostra que um servo manifesta seu verdadeiro caráter pelo seu comportamento enquanto espera a volta do Senhor.

O que caracteriza o mau servo é a certeza de que “o senhor tarde viria” e, por causa disto, passa a espancar os conservos, a comer e a beber com os temulentos, isto é, com pessoas que se embriagam, que não têm uma conduta aprovada diante de Deus, ou seja, que se mistura com os pecadores, com os desregrados e os dominados com os vícios. O pecado é o fator que nos distancia de Deus (Is.59:2), é o elemento que impedirá que muitos crentes sejam arrebatados naquele dia (Mt 24:12). Como diz o início da terceira estrofe do hino 125 da Harpa Cristã: “Em santidade [Jesus] nos deve achar”.

  1. Escarnecer das profecias –Sabendo primeiro isto: que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? Porque desde que os pais dormiram todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação”(2Pd 3:3-4).

Um dos sinais da Vinda de Jesus é, exatamente, a incredulidade, ou a falta de esperança quanto a sua vinda. Os “escarnecedores” mencionados pelo apóstolo Pedro, não estão, por certo, entre os não evangélicos – estes nada sabem sobre a volta de Jesus -, eles estão entre aqueles que deveriam estar vigiando e esperando seu retorno. Esta incredulidade pode ser contagiante. Faz-se necessário vigiar, e crer que o Senhor Jesus, realmente, virá. Assim, se algum “escarnecedor” levantar dúvidas e perguntar: “onde está a promessa da sua vinda?”, possamos estar atentos para responder, com convicção, que a “promessa da sua vinda” está confirmada pelas próprias palavras ditas por Jesus, enquanto homem, aqui na Terra, quando afirmou: “ E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também”(Jo 14:3).

III. ATITUDES DO SERVO FIEL ANTE A VOLTA DO SENHOR

  1. Ser vigilante. A primeira atitude para quem quer, realmente, esperar a vinda de Jesus é, como vimos anteriormente, a vigilância. Esta é uma atitude indispensável para que o cristão consiga viver neste mundo e alcance a vitória. Quando vemos a conhecida declaração de Paulo ao término de sua caminhada, logo observamos que o apóstolo era uma pessoa vigilante. Disse ele que havia “combatido o bom combate, acabado a carreira e guardado a fé “(2Tm 4:7). Nestas três expressões apostólicas, nós notamos que Paulo tinha consciência de que a sua vida, desde o momento de sua conversão, tornara-se um combate entre a sua nova natureza e o velho homem, que ele mantinha constantemente crucificado com Cristo (Gl 2:20). Esta consciência é fruto de uma vida de vigilância. Quando sabemos que faz parte da vida de cada crente esta batalha segundo a qual temos de lutar contra as portas do inferno (Mt 16:18), contra as hostes espirituais da maldade (Ef 6:12), contra a nossa natureza carnal (Rm 7:23-25), passamos a tomar cuidado, a não dar ocasião ao pecado, andando segundo o espírito (Rm 8:1).
  1. Ter uma vida de oração. A segunda atitude adequada para quem está, de verdade, esperando a volta de Jesus é manter uma vida de oração. Dizem as Escrituras que, no dia do Arrebatamento, soará uma trombeta (1Co 15:52), haverá um alarido, uma voz de arcanjo (1Ts 4:16), conclamando, chamando os salvos para o seu triunfo e encontro com o Senhor nos ares. Naturalmente que o texto emprega uma linguagem figurada, mas devemos observar que o fato de a Bíblia dizer que haverá um som que somente os salvos ouvirão, revela-nos que existe um ambiente de intimidade e de comunicação recíproca entre o Senhor e os crentes que serão arrebatados. Ora, a comunicação se dá, preferentemente, pela oração e pela meditação na Palavra de Deus. Somente quem mantém uma vida de oração pode ouvir a voz de Deus, está acostumado a tal voz (João 10:14-16), poderá ouvir a trombeta que soará no Dia do Arrebatamento da Igreja.
  1. Ter uma vida de santidade. A terceira atitude de quem está esperando Jesus é a santidade. Quem espera Jesus, sabe que ele pode vir a qualquer momento e que devemos estar separados do pecado, pois só quem estiver em comunhão com o Senhor, lavado e remido no sangue do Cordeiro, poderá ser arrebatado, pois só estes entrarão na cidade santa pelas portas (Ap 22:14). Quem não seguir a santificação, não verá o Senhor (Hb 12:14). Só os limpos de coração verão a Deus (Mt 5:8). Uma das consequências mais imediatas de uma vida de negligência com relação à vinda do Senhor é o descuido com relação à santificação e à santidade.

Se nos abstivermos de toda a espécie de mal, se fizermos a nossa parte, Deus fará a dEle, qual seja, a de nos santificar em tudo, começando pelo espírito, passando pela alma e indo até o corpo. Quando tomamos a decisão de nos afastarmos do pecado, entramos em comunhão com Deus e o Senhor nos santifica, nos torna santos, nos justifica, numa transformação que começa de dentro para fora. A salvação e a santificação são operações divinas, que não podem ser feitas pelo homem, que dependem de uma ação de Deus, mas que não se realizam enquanto não houver a disposição humana.

  1. Ter a presença do Espírito Santo em nossa vida. A quarta atitude de quem está esperando Jesus é a presença do Espírito Santo em nossas vidas, como deixa bem claro o Senhor na parábola das dez virgens, que precisavam estar abastecidas de azeite no aguardo do esposo. É fundamental que sejamos templo do Espírito Santo (1Co 6:19). Ora, para termos o Espírito Santo em nós, é necessário que nos ajuntemos com o Senhor (1Co 6:17), ou seja, que tenhamos uma vida de comunhão com Deus, que desfrutemos da Sua intimidade, mediante a oração e a meditação da Palavra de Deus. Para termos o Espírito Santo em nós, temos de ter uma vida de separação do pecado, agindo sob a orientação divina, pois assim são os que andam segundo o espírito (Rm 8:1,5,9), o que faz com que não estejamos inclinados às coisas carnais, aos prazeres oferecidos pelo mundo.
  1. Amar a Deus e ao próximo. A quinta atitude de quem está esperando Jesus é o amor – o “caminho mais excelente” que deve ser buscado pelo cristão. Quando aceitamos a fé, recebemos o amor de Deus em nossas vidas e este amor deve ser cultivado, aumentado e praticado em relação a Deus e ao próximo. Em relação a Deus, demonstraremos nosso amor se fizermos o que Ele nos manda através da Sua Palavra (João 15:14). O amor não é demonstrado por palavras ou por belas declarações, mas por gestos concretos e atitudes reais (1João 3:18). De igual forma, temos de demonstrar nosso amor com relação ao próximo (Mt 22:39), que nada mais é que o reflexo do amor de Deus para conosco e para com toda a humanidade. Somente quem ama a Deus e ao próximo, poderá amar a vinda do Senhor (2Tm 4:8).
  1. Ser fiel. A sexta atitude de quem está esperando Jesus é a fidelidade. Para ser arrebatado, a pessoa precisa perseverar até o fim (Mt 24:13). Para ser arrebatado, o cristão deve ser encontrado servindo com boa vontade, dedicação e de todo o seu coração quando o Senhor vier nos ares (Mt 24:45,46). Para receber a coroa da vida, temos de ser fiéis até à morte (Ap 2:10). Somente os fiéis e os prudentes é que verão o rosto do Senhor na sua volta.
  1. Dar frutos. Enquanto estamos neste mundo, aguardando a volta do Senhor, devemos trabalhar para Ele, ganhar almas para o Seu reino, usar das habilidades e dos dons que dEle recebemos para que venhamos a dar frutos para o reino de Deus. Tudo o que temos, tudo o que somos, devemos aplicar no reino de Deus. Devemos buscar, primeiramente, o reino de Deus e a sua justiça. Nossas ações devem ter, como propósito primeiro, o de dar frutos para o reino de Deus. Nosso objetivo primeiro, em todas as nossas atitudes, tem de ser o de propiciar um meio para que o nome do Senhor seja glorificado.
  1. Ter uma vida irrepreensível. Na Igreja Primitiva os cristãos eram ensinados a viver entre os pagãos, andando de forma diferente da deles; eram ensinados a viver no mundo, não deixando que o mundo vivesse neles. Hoje, certamente, não é diferente. Deve-se observar o ensino de Paulo: “Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo”(Fp 2:15).

Nos dias em que vivemos, há muitos que defendem estratégias de convivência ou de tolerância com o pecado. Criam um sem-número de subterfúgios para conviver com condutas pecaminosas, entre as quais a mais em voga, na atualidade, é a chamada “questão cultural”, querendo, com isto, justificar condutas que, “no passado seriam pecaminosas, mas que, com a evolução da humanidade, não mais podem ser assim consideradas”. Tudo não passa de artimanha do inimigo de nossas almas, que está bramando como leão buscando a quem possa tragar (1Pd 5:8). Pecado é pecado porque é uma ofensa a Deus e Ele não muda (Tg 1:17), de sorte que pecado será pecado em qualquer cultura, em qualquer região, em qualquer lugar. Deus está sempre à disposição para nos conservar plenamente irrepreensíveis, ou seja, inteiramente santos, até o dia da Sua volta. Basta que nos mantenhamos separados do pecado, que nos abstenhamos de toda espécie de mal.

“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts 5:23).

CONCLUSÃO

A esperança da Igreja é a promessa da volta de Jesus. A vida cristã sem esta perspectiva perde toda a sua razão de ser, motivo pelo qual o adversário tem lutado (e, infelizmente, obtido êxito em muitos lugares) para sufocar esta mensagem no meio do povo de Deus. A volta de Jesus é a mensagem que mais vezes se repete no Novo Testamento, um testemunho vivo das Escrituras de que é assunto que não pode faltar na meditação diária da Palavra, na vida de todo cristão. Será que somos daqueles que estamos esperando a volta de Jesus?

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Ev. Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) – William Macdonald.

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards

Manual de Escatologia (uma análise detalhada dos eventos futuros). J. Dwight Pentecost. Vida.

Joel Leitão de Melo – Sombras, Tipos mistérios da Bíblia.

Vem o Fim, o Fim Vem. Pr. Claudionor, de Andrade. CPAD. 2004.

Revista Ensinador Cristão – nº 65. CPAD.

Elinaldo Renovato de Lima – O Final de Todas as Coisas. CPAD.

Vigiai, pois não sabeis quando virá o Senhor. Caramuru Afonso Francisco. PortalEBD_2004.

Publicado no Blog do Luciano de Paula Lourenço

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