Escatologia, o Estudo das Últimas Coisas – Ev. José Roberto A. Barbosa

Escatologia, o Estudo das Últimas Coisas – Ev. José Roberto A. Barbosa

Texto Áureo  II Tm. 3.1 – Leitura Bíblica  Mt. 24.4,5; I Ts. 1.10

 Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa

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Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO

Neste trimestre estudaremos um dos assuntos mais complexos, e às vezes, mais polêmicos, da teologia bíblica, a escatologia. Nesta aula apresentaremos os aspectos conceituais da área de estudo, destacando suas Escolas de intepretação, e o mais importante, os princípios fundamentais para a interpretação do texto profético. Destacamos, a princípio, a necessidade de uma avaliação criteriosa e contextualizada dos textos, a fim de evitar excessos e especulações, sem fundamentação bíblica.

  1. ESCATOLOGIA, ESTUDO DAS ÚLTIMAS COISAS

A escatologia é uma área dos estudos teológicos que trata a respeito das últimas coisas, ou da realidade ulterior. Esse termo é derivado da combinação de duas palavras gregas: eschatos, que significa último, e logos, que significa estudo ou doutrina. No âmbito da Escatologia Pessoal, faz-se necessário ressaltar a dimensão material (corporal) e imaterial (espiritual) do ser humano. Após a morte o crente entra imediatamente na presença de Deus (II Co. 5.8), ainda que seu corpo físico permaneça na terra, aguardando a ressurreição e a glorificação (I Co. 15.54,55). Quando o descrente morre, segue para o Hades (Lc. 16.19-31), onde aguarda o julgamento do Trono Branco (Ap. 20.11-15). Depois do julgamento o Hades, e todos aqueles que ali habitam, será lançado no lago de fogo, esse período, que envolve tanto o período posterior à morte do justo quanto do ímpio, é dominado de Estado Intermediário. A Escatologia Geral trata, fundamentalmente, sobre a Volta de Cristo, doutrina repetidamente ensinada pelo Senhor (Mt. 24.27-31; 45-51; Mc. 13.32; At. 1.11). Além da volta de Cristo, os estudiosos da Escatologia Bíblica assumem que existe uma sequência de eventos: arrebatamento da igreja, tribunal de Cristo, Grande Tribulação, Milênio, Ressurreição, Julgamento e Estado Eterno. Existem divergências em relação a alguns aspectos da Escatologia Bíblica, especialmente quanto à ocasião do Arrebatamento da Igreja, se esse se dará antes da Tribulação (Pré-tribulacionismo), antes e durante a Tribulação (Parcial), no meio da tribulação (Midi-Tribulacionsimo), ou após a Tribulação (Pós-tribulacionismo). A diferença em relação a esse tema não compromete a ortodoxia, consideramos, no entanto, que a posição mais apropriada é a Pré-tribulacionista (I Ts. 1.10; Ap. 4.1,2).

  1. ESCOLAS DE INTERPRETAÇÃO NO ESTUDO ESCATOLÓGICO

Existem diferentes escolas de interpretação dos estudos escatológicos, relacionadas à maneira de abordar o livro do Apocalipse. A Escola Preterista defende que o Apocalipse deve ser interpretado no contexto do seu autor original, relacionando-o às adversidades pelas quais passavam as igrejas do Sec. I. Por conseguinte, o objetivo desse livro era o fortalecimento da igreja diante das perseguições. A Escola Futurista argumenta que apenas os três primeiros capítulos do Apocalipse têm enfoque histórico. Para os estudiosos dessa perspectiva, a partir do capítulo 4 o livro aponta para eventos futuros, que acontecerão nos últimos dias. O objetivo do Apocalipse, de acordo com essa escola de interpretação, é descrever a consumação do propósito redentor de Deus, nos últimos tempos. A Escola Simbolista, ou Idealista, tende à alegoria, argumenta que o Apocalipse é um texto figurado, que discorre a respeito da batalha cósmica entre o bem e o mal. Para os adeptos dessa Escola, o texto apocalíptico não deve ser interpretado literalmente, antes aponta para significados espirituais, que somente podem ser compreendido na esfera cósmica. A Escola que mais condizente com a interpretação bíblica é a Futurista, ainda que reconheçamos que no Apocalipse existem passagens históricas (preteristas) e figuradas (simbólicas). O objetivo principal do Apocalipse, de acordo com essa abordagem, é direcionar o leitor para os eventos que deverão acontecer no futuro (Ap. 1.1). Para a Escola Futurista o texto bíblico, de modo geral, deve ser interpretado literalmente, sendo harmonizado em um todo coerente. Ela é importante para também porque justificar a posição Pré-tribulacionista do arrebatamento da Igreja.

  1. PRINCÍPIOS PARA A INTERPRETAÇÃO DA ESCATOLOGIA

Existem muitas especulações escatológicas nas igrejas, para evitar os excessos faz-se necessário estimular uma abordagem apropriada no que tange à intepretação do texto profético. A esse respeito é válido ressaltar o que disse Jesus sobre o cumprimento das profecias: “quem lê entenda”, e não, quem lê invente (Mt. 24.15). As suposições infundadas, e sem qualquer respaldo escriturístico, alimentam a imaginação dos curiosos, mas não devem ser ensinadas na igreja. Uma interpretação apropriada da profecia bíblica parte de uma abordagem que considere o método gramatical (de acordo com as regras da gramática), histórico (coerente com o contexto histórico da passagem), e contextual (de acordo com o contexto no qual foi escrito). Evidentemente, conforme ressaltamos anteriormente, não podemos desconsiderar que existem passagens proféticas que recorrem às figuras de linguagem, e que não podem ser interpretadas literalmente. Além disso,  é necessário fazer as distinções devidas entre a profecia direcionada à igreja, e àquelas cujo cumprimento se dará com Israel. Existem equívocos na interpretação do texto escatológico que estão relacionados à confusão que alguns intérpretes fazem sobre o papel de Israel e da Igreja no desenrolar dos acontecimentos proféticos. Há profecias que são exclusivas para Israel, e que não podem ser interpretadas como se fossem alusivas à Igreja. O futuro determinado por Deus para Israel e a Igreja são distintos, um exemplo disso é o Arrebatamento, cujo alvo é a Igreja do Senhor Jesus Cristo (I Ts. 4.13-18), e o Milênio, que o Milênio terá como foco Israel, a nação escolhida por Deus (Ez. 36.33-36).

CONCLUSÃO

O estudo da doutrina das últimas coisas – Escatologia – deve ser estimulado entre os crentes, considerando que esse é um assunto recorrente nas Escrituras. Mas é preciso que esse seja realizado com cautela, respeitado os princípios hermenêuticos, que orientam a interpretação do texto profético. É importante também ressaltar que o objetivo da Escatologia não é provocar discussões infundadas, ou mesmo debates acalorados, mas que permaneçamos firmes na fé, na esperança da Palavra Profética, que brilha como luzeiro, em um mundo de trevas (II Pe. 1.19).

BIBLIOGRAFIA

LAHAYE, T. HINDSON, E. Enciclopédia popular de profecia bíblica. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

PENTECOST, J .D. Manual de Escatologia. Sáo Paulo: Vida, 2002.

Publicado no blog Subsídio EBD

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