A Epístola aos Romanos – Pr. Adilson Guilhermel

A Epístola aos Romanos – Pr. Adilson Guilhermel

Texto Áureo: Romanos 1.16 Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego.

Leitura Bíblica em Classe: Romanos 1.1-17

Introdução: A carta foi escrita em Corinto ou em Filipo, no tempo em que Paulo estava prestes a voltar para Jerusalém. Provavelmente foi escrita por volta do ano 60 d.C. A igreja em Roma ao que tudo indica foi iniciada por judeus de Roma, como também prosélitos gentios que estavam presentes em Jerusalém, durante a festa de Páscoa e Pentecoste. A maioria desses se converteu após o sermão do apóstolo Pedro em frente ao cenáculo. Foi nesse cenáculo que os discípulos ficaram por ordem de Jesus para receber o batismo com o Espírito Santo. Como os fatos indicam, eles permaneceram em Jerusalém após a sua conversão, pois tinham grande interesse em obter conhecimento dos ensinamentos dados pelos apóstolos. Ficaram por algum tempo em Jerusalém, até que começou a perseguição naquela cidade e motivado por isso retornaram aos seus lugares de origem. Como havia os que vieram de Roma, ao retornarem já com algum conhecimento acerca do evangelho resolveram abrir pontos de pregação da palavra naquela cidade. Como esses cristãos não tinham um profundo conhecimento teológico em alguma questão como justificação, santificação, adoção e propiciação, se fizeram necessário que o apóstolo corrigisse essas distorções. Havia também no meio, judeus que se converteram ao cristianismo, mas que continuavam a tentar mesclar o evangelho com a lei de Moisés.

1 – O PREGADOR DO EVANGELHO DEVE TER AUTORIDADE E HUMILDADE – Romanos 1.1 PAULO, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus.

Paulo na sua finalidade de se identificar como servo de Jesus Cristo tinha a haver com a sua comissão e dedicação a Ele como o Senhor absoluto da sua vida. O conceito de dependência e consagração ao Senhor envolve o serviço prestado com toda abnegação e disposição que são exemplos a serem imitados pelos seguidores de Cristo.

2 – A IGREJA HERDOU A PROMESSA ANUNCIADA PELOS ANTIGOS PROFETAS – Romanos 1.2 O qual antes prometeu pelos seus profetas nas santas escrituras,

O evangelho em relação ao Antigo Testamento, não era uma novidade ao mundo e sim uma revelação de algo que já vinha sendo anunciado e prometido pelo intermédio dos profetas em várias épocas. Ao falar com os cristãos de Roma no assunto que envolve o Evangelho, Paulo teve o cuidado de esclarecer aos seus leitores que a revelação do evangelho que ele defendia tem suas raízes nos escritos do Antigo Testamento. A igreja dos gentios convertidos a Cristo ganhou o mais precioso tesouro de Israel, a promessa do Evangelho da graça.

3 – A PROMESSA ANUNCIADA PELOS PROFETAS ERA A VINDA DE CRISTO – Romanos 1.3 Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne,

Paulo explica que o Evangelho não é uma ruptura com a lei de Moisés e sim uma atualização. Para reforçar esta tese ele se preocupou em identificar o Messias como descendente biológico oriundo do tronco de Davi. As previsões messiânicas apontavam que Jesus tinha que ser um descendente de Davi, com a missão de restaurar e governar o reino de Davi, o reino prometido que seria eterno. Jesus Cristo é o conteúdo principal da mensagem do Evangelho. Ele é identificado como um homem, um judeu e também como Filho de Deus nascido de uma virgem na família de Davi. Vindo dessa descendência tinha pleno direito ao trono de Davi.

4 – O CONTEÚDO DO EVANGELHO É A OBRA SACRIFICIAL DE CRISTO – Romanos 1.4 Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dentre os mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor,

Ele morreu pelos pecados do mundo e foi ressuscitado dentre os mortos. A raça humana estava sob a influência soberana da morte; e só havia um meio para reverter essa situação tão terrível. Essa solução exigia a ressurreição de Cristo, onde a sua vida emergiu vitoriosamente, para dar início a uma nova época onde a esperança da ressurreição da vida se tornou possível para todos os que crerem nele. Todo esse processo envolveu a participação do Espirito Santo que exerceu o poder ressuscitador.

5 – A DISPOSIÇÃO PARA A PROVISÃO DA BOA NOVA É GRAÇA E VOCAÇÃO – Romanos 1.5 Pelo qual recebemos a graça e o apostolado, para a obediência da fé entre todas as gentes pelo seu nome,

Paulo foi chamado para ser apóstolo diretamente pelo Senhor Jesus, com a comissão especial de levar o evangelho os gentios. Ele veio mostrar que a salvação não era por obras ou o cumprimento de alguma outra obrigação referente a lei de Moisés. Como havia muitas controvérsias a esse respeito, se fez necessário um esclarecimento teológico mais profundo para a compreensão de todos. Paulo procurou mostrar que a salvação só acontece quando uma alma se arrepende do seu pecado e recebe pela fé, a graciosa provisão de perdão oferecido por Deus através da obra expiatória de Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo.

6 – O CRENTE ALÉM DO CHAMADO SALVÍFICO TEM O DEVER DE SERVIR – Romanos 1.6 Entre as quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo.

No chamado de Jesus Cristo incluem-se os verdadeiros crentes, pois como diz a palavra acerca disso, que muitos são chamados e poucos são os escolhidos. A chamada envolve a salvação, mas também envolve a obediência irrestrita a Cristo. Nessa obediência inclui-se o empenho em trazer outros para Cristo. Essa chamada também envolve a credencial de um novo mundo, para que prestem lealdade a um novo Rei, para servirmos a uma santa causa. Essa nomeação a princípio envolve uma conversão autêntica, para ser verdadeiramente um ser regenerado, quando a partir desse princípio entra-se no processo de transformação a imagem de Cristo.

7 – CRISTO AO LADO DO PAI É A FONTE DOADORA DE TODAS AS BÊNÇÃOS – Romanos 1.7 A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos: Graça e paz de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

Embora a igreja de Roma fosse na sua maioria constituída de gentios, Paulo não se dirige mais a eles como gentios, mas como cristãos. Ressalta também que foram chamados para serem de Jesus Cristo, recebendo a condição de amados de Deus, e identificados como santos. Cada crente é um filho de Deus e através de Cristo o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. Todos os que vieram a Cristo pela obediência da fé vem pelo chamado de Deus. Jesus disse: Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.

8 – A FÉ SALVÍFICA DOS CRENTES É A EVIDÊNCIA PURA DA GRAÇA DIVINA – Romanos 1.8 Primeiramente dou graças ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé.

O nosso serviço espiritual, deve ser marcado pela gratidão por tudo que Deus opera em nós e nos outros irmãos. Todas as dádivas vindas de Deus Pai passam pelo mediador entre Deus e os homens. Assim os nossos agradecimentos passam por Cristo para chegar ao Deus Pai. Como Jesus disse: Ninguém vem ao Pai se não for por mim. Sendo Roma a capital do mundo naquela época foi extremamente importante para o evangelho a implantação da igreja naquele lugar. Paulo procurou mostrar a esses cristãos a importância que eles tinham na propagação do evangelho partindo dali, pelo fato de Roma ser o centro das atenções dos povos do mundo da época.

9 – UMA DEVOÇÃO PROFUNDA SUBLINHA A SERIEDADE DO SERVIR A DEUS – Romanos 1.9 Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, me é testemunha de como incessantemente faço menção de vós,

Quem tem a responsabilidade de propagar o evangelho deve se equipar para isso. Faltava aos cristãos de Roma os dons espirituais que são virtudes necessárias para todos que se dispõe a avançar nos campos do maligno para resgatar os seus prisioneiros. Para isso a qualidade dos dons é muito significativa e a concessão desses dons era algo almejado por Paulo quando fosse a Roma visitar esses cristãos. Os cristãos romanos deveriam ouvir o evangelho com fé, para que pudessem experimentar a experiência dos dons espirituais.

10 – A VONTADE DEUS É QUE HAJA SENTIMENTOS SINCEROS ENTRE IRMÃOS – Romanos 1.10 Pedindo sempre em minhas orações que nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de ir ter convosco.

O desejo e a preocupação de Paulo visitar os cristãos de Roma era tanto, que ele orava insistentemente fazendo petições a Deus, para que lhe proporcionasse meios para ele chegar até lá. Como os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos e nem os nossos pensamentos são os pensamentos de Deus, a petição de Paulo foi atendida certamente não do jeito que ele imaginava. Deus proporcionou meios, não apenas como um pregador, mas como um prisioneiro de Roma. Quando Paulo escreveu essa carta, não imaginava, ou fazia ideia de que ficaria encarcerado e de que sofreria até um naufrágio antes de chegar a Roma.

11 – É PRECISO CRER NO EVANGELHO PURO PARA O DOM SE MANIFESTAR – Romanos 1.11 Porque desejo ver-vos, para vos comunicar algum dom espiritual, a fim de que sejais confortados;

Apesar de doutrinar os cristãos de Roma através desta carta escrita a distância, Paulo desejava estar presente entre eles, pois nem tudo ele poderia fazer pela carta. Ele queria comunicar os dons que possuía pessoalmente, tais como, pregar; exortar; profecia, dons esses que provinham da graça divina. Os dons são dados a cada um individualmente, de modo a serem úteis em tudo que envolve o reino de Deus. Paulo sabia que faltava aos cristãos de Roma a qualidade carismática que para ele era extremamente significativa, pois sem essa qualidade ele não teria o sucesso que teve na propagação do Evangelho. Entende-se que a concessão desse dom era o principal interesse da sua visita, pois isso não poderia ser realizado somente pela carta enviada.

12 – QUEM É GENUINAMENTE ESPIRITUAL NÃO USA ARES DE SUPERIORIDADE – Romanos 1.12 Isto é, para que juntamente convosco eu seja consolado pela fé mútua, assim vossa como minha.

Paulo reconhecia que os cristãos de Roma já haviam feito grandes progressos, mas ainda necessitavam de assistência, pois todos nós precisamos estar constantemente nos aprofundando nos mistérios das Escrituras Sagradas. Paulo nos seus ideais não se colocava como sábio em tudo, isto porque, ele também desejava compartilhar e beneficiar-se mutuamente com eles. Esse desejo de também beneficiar-se era sincero, pois é algo que ele dá ênfase na reciprocidade que iria acontecer na ocasião da sua visita. Esse é um exemplo de um espírito de uma pessoa que é genuinamente espiritual, sem adotar uma postura de superioridade perante os irmãos de Roma.

13 – TUDO QUE PRETENDEMOS FAZER TEM QUE SER PELA VONTADE DE DEUS – Romanos 1.13 Não quero, porém, irmãos, que ignoreis que muitas vezes propus ir ter convosco (mas até agora tenho sido impedido) para também ter entre vós algum fruto, como também entre os demais gentios.

Por várias vezes Paulo intentou fazer essa viagem a Roma e rogou muito a Deus por isso. Porém sempre houve um impedimento para ele executar esse propósito de visitar Roma, não por falta de esforço, mas de oportunidade, a qual sempre aguardava sem nunca desistir. O crente dirigido pelo Espírito não tem o poder de planejar ou executar a própria vontade, pois todos que são filhos de Deus, são guiados pelo Espírito Santo de Deus. No seu ministério onde era reconhecido como o apóstolo dos gentios ele produziu muitos frutos e tinha certeza que também produziria entre os cristãos de Roma. Os frutos que Paulo dava, não era para se promover a si próprio, pois todo o seu esforço na propagação do evangelho era para promover a glória do Senhor.

14 – O EVANGELHO DEVE ALCANÇAR OS INSTRUÍDOS E OS IGNORANTES – Romanos 1.14 Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes.

Paulo sabia se fazer de sábio para ganhar os sábios e se fazer de tolo para ganhar os tolos. Essa habilidade dúbia foi fundamental para conquistar muitas almas para Cristo. A sua missão como apóstolo, era trazer todos os homens sem acepção de pessoas para o domínio de Jesus Cristo. O apóstolo sentia-se responsável por todos os homens, assim como nós precisamos nos preocupar com o mundo todo.

15 – É NOSSA OBRIGAÇÃO TRAZER TODA ALMA PARA O DOMÍNIO DE CRISTO –
Romanos 1.15 E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma.

Paulo sabia das oposições que enfrentaria com aqueles que o acusavam de ser inimigo da lei, e que era traidor da nação. Outros, ainda, distorciam seus ensinamentos sobre a justificação pela fé através da graça divina. Também o acusavam de ensinar os crentes para levar uma vida libertina fugindo das exigências da lei mosaica, a qual foi escrita para o povo judeu.

16 – É UM GRAVE PECADO ALGUÉM SE ENVERGONHAR DO SEU SALVADOR – Romanos 1.16 Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.

Paulo não se envergonhava do Evangelho de Cristo pois era uma mensagem que vinha do Filho de Deus. Também ele pode testificar os efeitos poderosos que a mensagem do evangelho produzia nas almas que conquistava para Cristo. O Evangelho apesar da sua mensagem de salvação, não é bem aceito por todos que o recebem. Alguns escarnecem, outros desdenham, outros desprezam, mas tudo isso foi alertado pelo Senhor que iria acontecer quando o evangelho fosse anunciado. Temos que estar preparado para enfrentar todo tipo de adversidade, assim como suportar os sofrimentos provenientes de entregar a preciosa semente. (Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos. Salmos 126:6).

17 – A NOSSA FÉ DEVE SE BASEAR UNICAMENTE NO PODER DO EVANGELHO –
Romanos 1.17 Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.

A salvação que vem pela graça de Deus envolve a fé genuína de cada pessoa. A continuidade da fé não é um ato único, mas um modo de vida. O verdadeiro crente que se fez justo viverá pela fé toda a sua vida, o que implica necessariamente em perseverança. É pela fé que alcançamos a justificação, a qual nos faz justos diante de Deus. É pela fé que passamos a viver em santificação, a qual nos leva a atingir o clímax na verdadeira glória quando chegarmos ao último estágio que é a glorificação. (Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam. Hebreus 11:6).

Elaborado pelo Pastor Adilson Guilhermel

Publicado no site Esboços da EBD

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