Cristo é Superior a Arão e à Ordem Levítica – IEADPE

Cristo é Superior a Arão e à Ordem Levítica – IEADPE

Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco

Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais

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LIÇÃO 05 – CRISTO É SUPERIOR A ARÃO E À ORDEM LEVÍTICA

1º TRIMESTRE DE 2018 (Hb 4.14-16; 5.1-14)

INTRODUÇÃO

Nesta lição falaremos um pouco sobre Arão, o irmão de Moisés, que foi chamado por Deus para ser o primeiro sacerdote do povo de Israel; destacaremos sua relação com Jesus, quanto a função, consagração, intercessão e oferta; pontuaremos a superioridade do sacerdócio de Cristo em relação ao araônico; e, por fim, quais os benefícios que recebemos por meio do sacrifício de Jesus na cruz.

I – QUEM FOI ARÃO

Arão era filho de Anrão e Joquebede ambos oriundos da tribo de Levi (Êx 2.1). Ele era o irmão do meio, numa família de três filhos (Êx 6.20; Nm 26.59). Arão nasceu durante a opressão de Israel no Egito, mas evidentemente antes do decreto genocida de Êxodo 1.22. Tinha três anos de idade quando Moisés nasceu (Êx 7.7). Quando cresceu casou com Eliseba e teve quatro filhos: Nadabe, Abiú, Elezar e Itamar (Êx 6.23; Lv 10.1,6; 1 Cr 24.1). Durante toda a narrativa do Êxodo Arão é um auxiliar de Moisés (Êx 4.14). A Bíblia como um todo fala gentilmente de Arão. Nos Salmos ele é chamado de pastor (Sl 77.20); sacerdote (Sl 99.6); escolhido (Sl 105.26); santo (Sl 106.16) e ungido (Sl 133.2).

II – A RELAÇÃO DE ARÃO COM JESUS

O escritor aos Hebreus diz que o sacerdócio de Arão prefigurava o de Cristo (Hb 2.17,18; 4.14-16; 5.1-4; 7.11). A expressão “prefigurar” significa: “representar o que está por vir” (HOUAISS, 2001, p. 2284). A forma antiga é apenas uma figura (uma sombra) da real que está por vir (Hb 10.1). Vejamos a relação que existe entre ambos personagens:

2.1 Na função. O sacerdote, termo que no hebraico é “kohen”, era o ministro divinamente designado, cuja função principal era representar o homem diante de Deus (Êx 28.38; 30.8). Os sacerdotes deviam queimar incenso, cuidar do castiçal e da mesa dos pães da proposição, oferecer sacrifícios no altar e abençoar o povo (Nm 5.5-31). Eles ensinavam a Lei (Ne 8.7,8); ministravam como mediadores entre o povo e Deus (Êx 12.12,29,30); comunicavam ao povo a vontade e o concerto de Deus (Jr 33.20-22; Ml 2.4); intercediam, perante Deus, devido à pecaminosidade do povo. Exercendo o seu ministério, eles faziam expiação pelos seus próprios pecados e pelo pecado do povo (Êx 29.33; Hb 9.7,8), e testificavam da santidade de Deus (Êx 28.38; Nm 18.1). O primeiro sacerdote escolhido por Deus em favor de Israel foi Arão (Êx 28.1; Hb 4.4); e, dentre os sacerdotes, ele foi eleito “sumo sacerdote” o qual era o principal entre os sacerdotes (Hb 5.1-4). Em hebraico o “sumo sacerdote” é chamado de “kohen gadol” que quer dizer “grande sacerdote”. Somente ele entrava uma vez por ano no Lugar Santíssimo para expiar os pecados da nação israelita, no Dia da Expiação (Êx 30.10; Lv 16.34). Jesus também feito sacerdote por Deus Pai: “Chamado por Deus sumo sacerdote […]” (Hb 5.10). Veja ainda: (Hb 5.5,6; 7.21).

2.2 Na consagração. Quando foi escolhido para ser sacerdote, Arão foi ungido por Moisés (Êx 28.41). Davi faz alusão a esta consagração no Salmo 133.2. Tal ato tipifica a unção do Espírito Santo que era concedido para capacitá-lo para exercer tal função. No NT Jesus recebe o título de Cristo (Mt 16.16,18; Lc 2.26; Hb 1.6; Jo 4.25,26; At 3.6,18,20; 4.10; Rm 1.4; 1 Co 1.23). O adjetivo Cristo do hebraico “messiah”, do grego “christhos” significa: “ungido” (ANDRADE, 2006, p. 122). As profecias do AT revelaram, com muitos séculos de antecedência, que Deus enviaria um Redentor, o Ungido de Deus (Sl 2.2; 45.7; 89.20; Is 61.1; Dn 9.25,26). a promessa de Deus anunciava a vinda de alguém que ocuparia as três funções, dentre elas a de sacerdote (Sl 110.4; Hb 2.17; 7.26-28).

2.3 Na intercessão. Dentre as atribuições do sacerdote destaca-se a de ser mediador entre o povo e Deus, fazendo intercessão por eles (Êx 12.12,29,30). O profeta Isaías anunciou que o Messias intercederia pelos pecadores (Is 53.12). Jesus interceu pelos seus discípulos (Jo 17.9); intercedeu por aqueles que haveriam de crer, por meio da pregação deles (Jo 17.20). Jesus, como sacerdote, encontra-se a direita de Deus, intercedendo por aqueles que a Ele se chegam (Hb 7.25).

2.4 Na oferta. Aos sacerdotes foi dada a responsabilidade de comparecer diante de Deus com ofertas e sacrifícios (Hb 5.11). Estas leis são classificadas didaticamente de “Lei Cerimonial”, pois elas regulavam os serviços praticados pelos sacerdotes no Templo e tinham tudo a ver com os sacrifícios e ofertas, os dias anuais de festas e a questão dos deveres do sacerdócio (Nm 8.1; Js 8.31; 2 Cr 23.18; 30.15-16; Ed 3.2). Embora estes sacrifícios tenham sido instituídos por Deus, eles não eram plenos, pois: (a) eram repetitivos (Hb 10.11); (b) não limpavam à consciência (Hb 9.9); e, (c) não purificavam os pecados (Hb 10.4). Isaías profetizou que um homem faria expiação pelos pecados da humanidade (Is 53.1-12). O salmista já havia profetizado que o sacrificio definitivo seria de um corpo sem pecado (Sl 40.6-8). O escritor aos hebreus cita este texto para mostrar que profeticamente se cumpriu em Jesus, quando este encarnou e vivendo de forma perfeita fez oblação pelo nosso pecado (Hb 10.5-9). Na cruz, Jesus, ofereceu-se a si mesmo como oferta pelo pecado (Hb 10.10).

III – A SUPERIORIDADE DO SACERDÓCIO DE CRISTO EM RELAÇÃO AO DE ARÃO

O sacerdócio de Arão prefigura o sacerdócio de Cristo. No entanto, o sacerdócio de Cristo é superior. As Escrituras deixam bem claro que a Antiga Aliança era apenas sombra dos bens futuros (Hb 10.1), demonstrando assim a superioridade da Nova Aliança. O escritor aos Hebreus diz: “De tanto melhor aliança Jesus foi feito fiador” (Hb 7.22).

Destacaremos na tabela abaixo, informações que comprovam que o sacerdócio de Cristo é superior ao de Arão:

SACERDÓCIO DE ARÃO SACERDÓCIO DE CRISTO
Feito sem juramento (Hb 7.20) Feito com juramento (Hb 7.21)
Instituído durante a Lei (Êx 28.1; Hb 7.28) Instituído antes da Lei (Gn 14.18; Hb 6.20)
Necessitava sacrificar por si mesmo, pois era imperfeito (Lv 9.7,8; Hb 5.3; 7.27,28) Não necessitou sacrificar por si mesmo, pois é perfeito (Hb 7.28; 1 Pe 2.22)
Sacrificava continuamente (Hb 10.11) Fez um único sacrifício (Hb 7.26,27; 9.25-28,10.10,12,14)
Teve o seu ministério impedido pela morte (Hb 7.23) É sacerdote para sempre (Hb 6.20; 7.3,24)
Entrou no tabernáculo terrestre (Hb 9.1) Entrou no tabernáculo celeste (Hb 8.1,2; 9.11,24)
Oferecia sacrifício de animais (Hb 9.13) Ofereceu a si mesmo como sacrifício (Hb 9.11-14)
Entregou dízimos a Melquisedeque na pessoa de Abraão (Hb 7.9,10) Recebeu dízimos até de Levi na pessoa de Melquisedeque (Hb 7.9,10)

 

IV – QUE TIPO DE SACERDOTE É CRISTO

Embora Arão e Cristo preenchessem as qualificações para sacerdote, pois foram instituídos por Deus para este fim (Hb 5.4-6), ambos eram diferentes na forma como podiam funcionar. Vejamos:

4.1 Um sacerdote que tem acesso direto a Deus. O Sumo sacerdote só podia entrar no Lugar Santíssimo, onde estava a arca da aliança, que simbolizava a presença de Deus, apenas um vez no ano (Êx 30.10; Lv 16.34; Hb 9.7). No entanto, Cristo, nosso “[…] grande sumo sacerdote […] penetrou nos céus” (Hb 4.14). Ele entrou no santuário celeste, para interceder por nós: “Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus” (Hb 9.24).

4.2 Um sacerdote que se identifica com a natureza humana. Quando encarnou, Cristo, compartilhou da natureza humana de forma plena: corpo, alma e espírito (Mt 26.12; Jo 12.27; Mt 27.50). Especificamente no corpo, Ele também padeceu de todas as fragilidades humanas. A Bíblia mostra que ele sentiu fome (Lc 4.2); sede (Jo 4.7; 19.28); teve cansaço físico (Jo 4.6); chorou (Jo 11.35); sorriu (Lc 10.21) e, foi tentado em tudo, mas não pecou (Mt 4.1; Lc 22.28; 1 Pe 2.22).

Por isso, como sacerdote, Ele pode se compadecer das nossas fraquezas (Hb 4.15); e, pode socorrer os que são tentados “porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados” (Hb 2.18). Jesus, conhece o ser humano de forma plena (Jo 2.25; Ap 1.14; 2.23).

4.3 Um sacerdote que nos dá acesso a presença de Deus. Quando Jesus, morreu na cruz como oferta pelos nossos pecados, o véu do Templo foi rasgado de alto a baixo (Mt 27.51; Mc 15.38; Lc 23.45). Agora, ficou aberto o acesso a Deus (Hb 9.1-14; 10.19-22). Contrastando o acesso limitado a Deus que os israelitas tinham na Antiga Aliança, Cristo, ao dar sua vida por nós como como sacrifício perfeito, abriu o caminho para a própria presença de Deus e para o trono da graça (Hb 4.16). Por isso, na Nova Aliança, os crentes podem com muita liberdade achegar-se a Deus (Ef 2.18, 3.12), chamando-o de Pai como Jesus nos ensinou e o Espírito Santo nos leva a fazer (Mt 6.9; Rm 8.15). Agora, também todo crente é constituído sacerdote para o serviço de Deus (Ap 1.6; 5.10; 20.6).

CONCLUSÃO

Tanto o sacerdócio da Antiga Aliança como as ofertas que eram oferecidas a Deus eram imperfeitos e transitórios. Quando a este sistema da Antiga Aliança as Escrituras afirmam que “… se aquela primeira fora irrepreensível, nunca se teria buscado lugar para a segunda” (Hb 8.7). Na Nova Aliança, Jesus, como Sumo Sacerdote constituído por Deus, no céu, exerce seu trabalho no verdadeiro tabernáculo, fundado pelo Senhor, e não pelo homem (Hb 8.1-4).

REFERÊNCIAS

  • ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico.
  • GARDNER, Paul. Quem é quem na Bíblia Sagrada. VIDA.
  • HENRICHSEN, Walter A. Depois do sacrifício: Estudo Prático da Carta aos Hebreus. VIDA.
  • HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa. OBJETIVA.
  • SOARES, Esequias. Visão Panorâmica do Antigo Testamento.
  • STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.

Publicado no site da Rede Brasil de Comunicação

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