Conselhos Gerais – Ev. Luiz Henrique

Conselhos Gerais – Ev. Luiz Henrique

3º trimestre de 2015 – A Igreja E O Seu Testemunho – As Ordenanças De CRISTO Nas Cartas Pastorais

Comentarista da CPAD: Pr. Elinaldo Renovato de Lima

Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva

Questionário

NÃO DEIXE DE ASSISTIR AOS VÍDEOS DA LIÇÃO ONDE TEMOS MAPAS, FIGURAS, IMAGENS E EXPLICAÇÕES DETALHADAS DA LIÇÃO

http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm

TEXTO ÁUREO
“Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o ESPÍRITO SANTO vos constituiu bispos […].” (At 20.28).

VERDADE PRÁTICA
O pastor precisa cuidar das ovelhas do Sumo Pastor com o mesmo zelo com que cuida de sua família.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Mt 26.41 – O crente precisa orar e vigiar para não

Terça – Nm 14.18 – “DEUS não tem o culpado por inocente”
Quarta – Jo 7.24 – Jamais devemos julgar pela a aparência

Quinta – Cl 3.23 – Devemos trabalhar para o Senhor e não para os homens
Sexta – Lc 12.21 – A insensatez do homem revelada na busca por riquezas
Sábado – Ef 2.10 – Fomos criados em JESUS para as boas obras

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE – 1 Timóteo 5.17-22; 6.9-10

1 Tm 5.17 – Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina. 18 – Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário. 19 – Não aceites acusação contra presbítero, senão com duas ou três testemunhas. 20 – Aos que pecarem, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor. 21 – Conjuro-te, diante de DEUS, e do Senhor JESUS CRISTO, e dos anjos eleitos, que, sem prevenção, guardes estas coisas, nada fazendo por parcialidade. 22 – A ninguém imponhas precipitadamente as mãos, nem participes dos pecados alheios; conserva-te a ti mesmo puro.

1 Tm 6.9 – Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. 10 – Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.

 

OBJETIVO GERAL
Mostrar que o zelo do pastor pelo rebanho de CRISTO precisa ser semelhante ao zelo que tem por sua família.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Refletir acerca do cuidado que o pastor deve ter com as ovelhas do Senhor.

Apresentar as orientações bíblicas com respeito ao trato com os presbíteros.

Compreender os conselhos paulinos sobre a sã doutrina.

 

PONTO CENTRAL
O pastor deve cuidar do rebanho com zelo e dedicação.
Resumo da Lição 6 – Conselhos Gerais

I – O CUIDADO COM O REBANHO
1. O cuidado com os anciãos (5.1).

  1. O cuidado com as mulheres idosas e viúvas (5.2).
  2. O cuidado com os ministros fiéis (v. 17).

II – O TRATO COM O PRESBITÉRIO

  1. Acusação contra os presbíteros.
  2. A repreensão aos presbíteros.
  3. O cuidado com a saúde (v. 23).

III – CONSELHOS GERAIS

  1. Aos que não respeitam a sã doutrina (6.3,4).
  2. Aos que querem ser ricos (6.9,10).
  3. Conselhos aos ricos (6.17-19).

 

SÍNTESE DO TÓPICO I – O pastor precisa se relacionar bem com todos e cuidar dos membros com amor.

SÍNTESE DO TÓPICO II – Nenhum obreiro é infalível, por isso, a Palavra de DEUS apresenta a maneira correta de disciplinar aqueles que erram.

SÍNTESE DO TÓPICO III – Paulo apresenta a Timóteo, e à Igreja do Senhor, vários conselhos úteis quanto ao ensino e o trato para com o rebanho do Senhor.

 

RESUMO RÁPIDO

I – O CUIDADO COM O REBANHO 
1. O cuidado com os anciãos (5.1). Tratá-los como pais. Com muito cuidado, amor e temor a DEUS. Jovens como a irmãos.

  1. O cuidado com as mulheres idosas e viúvas (5.2). Tratá-las como mães. Com muito cuidado, amor e temor a DEUS. Cuidado com as mais novas dobrado.
  2. O cuidado com os ministros fiéis (v. 17). Dignos de dobrada honra. Reconhecimento de seu trabalho como ensinadores e despenseiros.

II – O TRATO COM O PRESBITÉRIO

  1. Acusação contra os presbíteros. Três testemunhas o ideal para se provar qualquer acusação.
  2. A repreensão aos presbíteros. Se comprovada alguma acusação por três testemunhas a repreenção deveria ser de tal forma que desse exemplo para os outros a não praticarem o mesmo pecado.

3- O cuidado com a saúde – Observação do Ev. Henrique – 23. O preceito “mantenha-se puro” era de natureza pessoal. Isso leva a outra observação que é também pessoal: Não continue a beber [somente] água, porém use um pouco de vinho por causa de seu estômago e suas frequentes enfermidades. Onde se lê vinho entenda-se suco de uva. vinho é produto da vinha, árvore que produz uvas, que para nós é videira ou parreira de uvas. Como no orinete o conjunto de árvores que produzem uvas é chamado vinha o nome dado a seu produto é vinho (não significando bebida alcoólica, desde que consumido em pequenas quantidadaes). Paulo orienta Timóteo a misturar um pouco de suco de uva à água que bebia para torná-la menos ácida (qualidade da água da região), amenizando assim as frequentes enfermidades de seu estômago.

III – CONSELHOS GERAIS

  1. Aos que não respeitam a sã doutrina (6.3,4). Os ricos têm a tendência a se acharem imunes aos pecados dos outros e às doutrinas da igreja, bem como aos bons costumes. Devem ser tratados como qualquer outro membro da igreja.
  2. Aos que querem ser ricos (6.9,10). É um laço o desejo de enriquecer, pois, os meios para isso podem ser escusos e na prática do pecado.
  3. Conselhos aos ricos (6.17-19). Não ser altivos, não colocarem seu coração nas riquezas e serem comunicáveis.

 

PARA REFLETIR – A respeito das Cartas Pastorais:
Como Paulo aconselha Timóteo a tratar as mulheres idosas?
Ele aconselha a tratá-las como a mães.
Qual era a situação das mulheres viúvas nos tempos bíblicos?
A situação era difícil, não havia espaço para as mulheres viúvas no mercado de trabalho.
Como deveria ser a repreensão aos presbíteros?
Deveriam ser repreendidos na presença de todos.
Segundo a lição, como deve ser a disciplina?
Ela deve ser feita de maneira criteriosa, com sabedoria e amor.
Qual o conselho de Paulo aos ricos?
Que não sejam arrogantes e não depositem sua esperança na riqueza.

 

CONSULTE

Revista Ensinador Cristão – CPAD, nº 63, p. 40. Você encontrará mais subsídios para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

 

SUGESTÃO DE LEITURA

As Ovelhas também Gemem, Competências para o ministério pastoral e As Emoções de um Líder.

 

COMENTÁRIOS DE VÁRIOS AUTORES COM ALGUMAS MUDANÇAS DO Ev. LUIZ HENRIQUE.

1 Tm 5.17 – Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina. 18 – Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário. 19 – Não aceites acusação contra presbítero, senão com duas ou três testemunhas. 20 – Aos que pecarem, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor. 21 – Conjuro-te, diante de DEUS, e do Senhor JESUS CRISTO, e dos anjos eleitos, que, sem prevenção, guardes estas coisas, nada fazendo por parcialidade. 22 – A ninguém imponhas precipitadamente as mãos, nem participes dos pecados alheios; conserva-te a ti mesmo puro.

 

ORIENTAÇÕES ACERCA DOS PRESBÍTEROS. 5:17-25.

A PRIMEIRA EPÍSTOLA A TIMÓTEO – J. N. D. Kelly – Novo Testamento – Vida Nova – Série Cultura Cristã.

Se excluirmos 4:14, esta é a primeira ocorrência nas Pastorais, de “presbítero” (Gr. presbuteros) como título de um cargo; além da presente passagem é achado também em Tt 1:5. J. Jeremias e outros têm alegado que nestes dois contextos, a palavra simplesmente significa, como em 5:1 supra, “homem idoso,” e que, portanto, não há qualquer menção aberta de uma ordem de presbíteros nestas cartas, assim como não há nas Paulinas reconhecidas. É altamente provável, visto que este era o único método de organizar uma comunidade do qual tivera experiência direta, que Paulo instintivamente teria estabelecido mesa de presbíteros em todos os lugares onde fundava uma congregação, nas regiões gentias tanto quanto nas judaicas; e isto, conforme já vimos, é exatamente o que Lucas relata que ele fazia (At 14:23). Não há razão para supor que seus convertidos gentios, que tinham plena familiaridade com o governo das cidades ficando nas mãos de um senado, tivessem achado este plano estranho ou desagradável. É concebível, naturalmente, que o título “presbítero” pegasse mais rapidamente onde houvesse um elemento predominantemente judaico na congregação, pois relembrava a LXX; mas a política deve ter seguido linhas patriarcais, normalmente. Isto fornece uma explicação muito mais natural e satisfatória da preponderância universal da ordem dos presbíteros já nos fins do século I, do que a hipótese da fusão, nalguma data não determina após a morte de Paulo, de dois tipos estranhos de organização.

 

  1. A importância do primeiro requisito de Paulo, de que Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino, dificilmente pode ser exagerada; fornece um indício valiosíssimo não somente sobre a situação local em Éfeso, como também sobre os começos embriônicos do próprio ministério.

Primeiramente, descreve a posição dos presbíteros; sua função é presidir (“exercer liderança”) em cada congregação. Quer dizer que exercem uma supervisão geral sobre seus negócios de modo análogo à supervisão exercida pelos anciãos numa sinagoga judaica: para o mesmo verbo aplicado àqueles que são provavelmente os mesmos oficiais, cf. Rm 12:8; 1 Ts 5:12 (onde Paulo está insistindo que sejam respeitados “os que vos presidem no Senhor”). Em segundo lugar, no entanto, este texto sugere que uma distinção está começando a emergir entre o grupo principal dos anciãos que exercem esta supervisão geral, e o grupo mais restrito entre eles que tem tarefas mais específicas para realizar. Ressalta-se claramente na referência aos que se afadigam; etc., mas é provavelmente subentendida na expressão que presidem bem. Estas palavras devem significar, não simplesmente os que se comprovaram bons presbíteros (a qualidade do seu serviço não pode ter sido a base de uma diferença de remuneração), mas, sim, os que participaram da administração de modo ativo e eficiente, possivelmente com tempo integral. Os exemplos mais óbvios destes devem ter sido os que se afadigam na palavra e no ensino, i.é, os superintendentes em distinção dos diáconos; ficamos sabendo em 3:2 e Tt 1:9 que o ensino era a responsabilidade deles, e, como os oficiais executivos principais, a pregação deve ter sido incumbência deles também. A palavra traduzida se afadigam (Gr. kipiõntas) literalmente significa “labutando,” mas este sentido não deve ser forçado; o verbo era técnico no vocabulário de Paulo para a atividade ministerial (4:10; Rm 16:12; 1 Co 15:10; G 14:ll; Fp2:16; Cl 1:29; lTs5:12). Em terceiro lugar, a passagem revela que, embora todos os presbíteros, em virtude do seu cargo, recebem algum tipo de estipêndio ou emolumento, Paulo é solícito em insistir que os oficiais executivos recebem o dobro dos demais, presumivelmente porque dedicam mais do seu tempo e das suas energias às suas funções. A palavra traduzida honorários (Gr. time) literalmente significa “honra,” e muitos preferem traduzi-la assim, alguns pela razão de que a lista de qualidades esperadas dos superintendentes e diáconos no cap. 3 possa ser entendida como indicação de que normalmente retinham seus empregos seculares. Não é necessário atribuir muito peso a este argumento, pois a exigência de que não sejam excessivamente interessados em ganhos financeiros quase certamente se refere à sua administração da bolsa em comum. A honra e o respeito da parte da congregação naturalmente estão em mira aqui, mas a inferência do v. 18 de que recompensas financeiras, ou de qualquer maneira materiais, estão sendo referidas primariamente aqui, não pode ser evadida. Não temos, é claro, qualquer idéia do caráter, escopo ou montante destas, mas a conclusão natural a ser tirada do v. 18 é que os respectivos presbíteros têm o direito de esperar da parte da igreja a sua manutenção. Este princípio está em completa harmonia com a atitude de Paulo conforme é revelada noutros lugares. Embora preferisse não tirar vantagem dele pessoalmente (1 Co 9:3-18; 1 Ts 2: 7-9), sempre defendia vigorosamente o direito dos apóstolos e seus assistentes serem materialmente sustentados pela comunidade. Nem é necessário dizer que esta passagem tem uma aplicação importante ao problema da data e da autoria. Na Ásia Menor no começo do século II, se é que podemos confiar nas cartas de Inácio, a linha de demarcação entre os oficiais executivos (o bispo e seus diáconos) e a mesa dos presbíteros estava firme e claramente estabelecida, e não poderia haver questão alguma do prestígio e dignidade extraordinários desfrutados pelo bispo. Os arranjos retratados aqui têm um ar totalmente mais primitivo, porque a linha de separação entre os dois tipos de ministros ainda está um pouco ofuscada, e (b) o direito dos superintendentes de desfrutar de privilégios especiais ainda não era, conforme parece, completamente aceito, pois o escritor da carta sentia necessidade de insistir no assunto.

 

  1. Paulo apoia sua proposição de que os ministros da igreja têm direito a apoio material com duas citações.

Pois a Escritura declara é uma expressão totalmente paulina: cf. Rm 4:3; 9:17; 11:2; G14:30; etc. A primeira das suas citações é Dt 25:4 (versão da LXX), texto este que aplica da mesma maneira em 1 Co 9:9. A intenção original de “Não amordaces, ” etc., era simplesmente garantir que um boi pudesse tirar algumas bocadas enquanto girava, pisando o trigo, mas em 1 Co 9:9 Paulo argumenta, de modo caracteristicamente rabínico, que DEUS não pode ter tido somente o gado em vista quando fez com que estas palavras fossem escritas. Destarte, acha nelas evidência inconfundível de que é da vontade divina que o apóstolo, ou o ministro cristão, seja sustentado pela congregação.

Tira a mesma lição aqui. A segunda citação: “O trabalhador é digno do seu salário,” não é tirado do A. T., mas,‘ sim, é um dito que Lucas (10:7) atribuiu a JESUS. À primeira vista, parece que o Terceiro Evangelho está sendo citado, e alguns acharam nisto prova convincente de que a carta deve datar da era pós-apostólica. Outros (e.g. C. Spicq) não pode ver razão alguma porque Paulo não estivesse citando um esboço anterior do Evangelho segundo Lucas, e declaram que este é o primeiro exemplo de o N. T. ser designado como sendo Escritura. Há certamente um problema aqui, mas sua solução não acarreta necessariamente qualquer destas duas conclusões. As palavras Pois a Escritura declara podem muito possivelmente referir-se somente à primeira citação, e o dito do Senhor pode ter sido frouxamente anexado como explicação ou confirmação. Alternativamente, a máxima pode derivar-se dalgum escrito apócrifo que contava como Escritura aos olhos do Apóstolo. Conforme tem sido freqüentemente indicado, Lc 10:7 deixa a nítida impressão de que JESUS está apelando a um provérbio comumente aceito.

 

19,20. Os próximos dois versículos estão estreitamente relacionados entre si, e tratam da situação, bastante comum em qualquer comunidade, de acusações serem feitas contra detentores de cargos.

Paulo pede a Timóteo: Não aceites denúncia contra presbítero, senão exclusivamente sob o depoimento de duas ou três testemunhas. Este era um princípio perpétuo do procedimento jurídico judaico (Dt 19:15), e evidentemente era prezado na igreja apostólica: cf. Mt 18:16; Jo 8:17; 2 Co 13:1. Não é surpreendente que os cristãos o adotassem; era uma regra esclarecida que dava ao judeu uma proteção quase sem igual nos códigos de justiça antigos. O que Paulo quer frisar é que os líderes da igreja não deviam estar à mercê de queixas frívolas ou feitas com má vontade, mas, sim, devem desfrutar pelo menos da proteção que qualquer judeu comum poderia reivindicar sob a lei. Do outro lado, quando a culpa de um presbítero é estabelecida desta maneira, Timóteo deve repreendê-lo na presença de todos, para que também os demais temam. Alguns ressaltam o presente do particípio aqui traduzido Quanto aos que vivem no pecado, e explicam que significa “os que persistem na prática do mal,” presumivelmente depois de uma chamada de atenção inicial e particular (Mt 18:15); mas isto introduz uma idéia inteiramente nova. O desmascaramento público diante da igreja está muito mais em harmonia com a atmosfera do cristianismo apostólico. Do outro lado, os demais provavelmente denota o restante dos presbíteros.

 

  1. Uma nota de forte petição agora entra no estilo de Paulo enquanto conclama Timóteo a guardar estes conselhos, sem prevenção, nada fazendo com parcialidade.

É difícil escapar à impressão de que tem em mente um caso concreto, ou talvez casos, de escândalos surgindo do tratamento preferencial que presbíteros em erro têm recebido. Invoca DEUS e CRISTO JESUS e os anjos eleitos porque o julgamento final estará nas mãos deles; Timóteo deve exercer suas funções judiciais como representante deles, e como alguém que também há de ser julgado por eles. Os anjos são descritos como eleitos em contraste com os anjos caídos: cf. Od. Sal. iv. 8. Para a crença de que participarão do último julgamento, cf. 4 Ed 16:67; Mt 25:31; Mc 8:38; Lc 9:26; Ap 14:10.

 

  1. A ordem: A ninguém imponhas precipitadamente as mãos quase certamente se refere a ordenação. Esta interpretação se encaixa admiravelmente no contexto; o reconhecimento que os presbíteros são passíveis de cair na má conduta, e do julgamento terrível que os aguarda caso assim fizerem, sublinha a importância de usar cuidado e deliberação extremos quando se nomeia tais oficiais. Além disto, está de acordo com a preocupação de Paulo nas Pastorais o fato de ser muito desejável obter para o ministério homens de caráter firme e comprovado. Uma exegese alternativa que recebeu muito apoio explica as palavras como uma referência à restauração formal dos penitentes. O significado seria, então: “depois de pronunciar sentença contra os culpados, não sê apressado em revogá-la e readmitir os pecadores à comunhão.” Sabemos que no século III e depois, os penitentes eram readmitidos mediante a imposição das mãos (e.g. Cipriano, Ep. lxxiv. 12; Eusébio, Hist. eccl. vii. 2; Apost. Const. II. xviii. 7). Tais considerações, no entanto, como (a) o fato que noutras partes nas Pastorais a imposição das mãos subentende a ordenação, (b) a ausência de qualquer outra evidência em prol de semelhante rito de readmissão no século I, e até mesmo no século II, se a carta for supostamente pseudonimica, e (c) a dificuldade de supor que, até qualquer das datas sugeridas para a composição das Pastorais, a Igreja tinha evolvido um procedimento formalizado deste tipo para restaurar os pecados, parecem pesar decisivamente contra tal idéia. Uma razão sadia porque um pastor principal deve exercer prudência em ordenar é evitar a associação de si mesmo com os pecados de outrem. Ele poderia, com toda a justiça, ser considerado até certo ponto responsável se o homem a quem ordenara com pressa imprópria se tomasse ocasião de escândalo. Longe de permitir que isto acontecesse, o líder cristão que é conclamado a julgar, e também a castigar outros deve (conforme Paulo admoesta a Timóteo) conservar-se a si mesmo puro, i.é, sua própria vida deve estar absolutamente acima de repreensão.

 

1 Tm 6.9 – Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. 10 – Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.

 

  1. Estes pensamentos incentivam o apóstolo a contemplar os efeitos desastrosos, sobre a alma, do amor desregrado ao dinheiro.

Não são os ricos como tais que fustiga; havia alguns deles na igreja de Éfeso (cf. 17 abaixo), e embora Paulo tenha conselhos para eles, não condena suas posses como intrinsecamente erradas. Sua advertência é para os que querem ficar ricos, i.é, que fixaram seus desejos nas riquezas materiais e fizeram delas seu motivo predominante; outra vez, provavelmente esteja pensando nos sectários e no seu conceito da religião como sendo um empreendimento lucrativo. Como animais engodados para saírem do caminho seguro, os que pretendem ser ricos caem em tentação e cilada. Supõe-se que seu senso moral fica ofuscado como resultado da paixão que totalmente os domina, e viram presa de muitas concupiscências insensatas e perniciosas, do tipo que afogam os homens na ruína e perdição. O verbo para afogar (Gr. buthizein) é vívido, e faz pensar no quadro de afogar alguém no mar, ao passo que os dois substantivos, ruína e destruição, se é que devem ser diferenciados entre si, podem significar o desastre material e espiritual respectivamente.

 

  1. Para justificar sua linguagem enfática, Paulo cita o que parece ser um provérbio corrente: Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males.

Este era um tema popular da ética popular judaica e pagã: cf. Eclo. 27:1-2; Filo, Spec leg. iv. 65; Test. xii patr. . , Jud. Na segunda metade do versículo, depois de citar o provérbio popular, Paulo revela que sua polêmica visa diretamente os sectários e sua comercialização da religião. Relembra a Timóteo que alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé, não necessariamente apostatando no sentido rigoroso, mas, sim, vivendo vidas em desacordo com o evangelho. Por nessa cobiça significa a produção do dinheiro; no Grego a palavra concorda exatamente com o amor do dinheiro, mas a inserção global do adágio popular explica a conexão frouxa.

A PRIMEIRA EPÍSTOLA A TIMÓTEO – J. N. D. Kelly – Novo Testamento – Vida Nova – Série Cultura Cristã.

 

O Apóstolo Paulo, Escrevendo a Timóteo, Ministra Diretrizes para a Administração da Igreja

William Hendriksen, 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito, São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 191-6 (Comentário do Novo Testamento) 

Diretrizes com Respeito a Certos Grupos e Individuos Definidos.

5.1,2 A. Idosos e jovens, homens e mulheres

5.3-8 B. Viúvas angustiadas

5.9-16 C. Viúvas dedicadas a obra espiritual

5.17-25 D. Presbíteros e candidatos a presbíteros

 

1 Tm 5.17 – Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina. 18 – Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário. 19 – Não aceites acusação contra presbítero, senão com duas ou três testemunhas. 20 – Aos que pecarem, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor. 21 – Conjuro-te, diante de DEUS, e do Senhor JESUS CRISTO, e dos anjos eleitos, que, sem prevenção, guardes estas coisas, nada fazendo por parcialidade. 22 – A ninguém imponhas precipitadamente as mãos, nem participes dos pecados alheios; conserva-te a ti mesmo puro.

 

17 Os presbíteros que governam bem sejam dignos de duplicada honra, especialmente os que labutam na pregação e no ensino. A honra devida às viúvas pressupõe a honra devida aos presbíteros.

Além do mais, justamente como o termo viúva foi primeiramente usado num sentido geral (v. 3), o último (v. 9), porém, no sentido daqueles cujos nomes constavam numa lista e que realizavam determinadas funções na igreja, assim também o termo presbítero aparece primeiramente no sentido geral de idoso (5.1), porém agora como sinônimo de supervisor, o último termo indicando o caráter da obra do homem, e o primeiro a idade e a dignidade que lhe pertence em decorrência de sua idade e ofício. É evidente que pelas palavras bispo e presbítero se indica a mesma pessoa, pois em ambos os casos somos informados de que esses homens governam e ensinam (cf. 1 Tm 3.2, 5 com 5.17). Não causa estranheza que um supervisor ou bispo fosse chamado presbítero ou ancião, porque no antigo Israel na sinagoga, e também na igreja primitiva os investidos com tal ofício eram os homens de mais idade. De forma bem adequada, o termo bispo (supervisor) é usado quando a ênfase recai sobre sua obra (ITm 3.1), e o termo ancião, quando a ênfase recai sobre a honra que lhe é devida (nessa passagem, 1 Tm 5.17).

É digno de nota que Timóteo, aqui, seja instruído a providenciar que os “anciãos [presbíteros] que governam excelentemente” (assim literalmente) sejam honrados pela congregação. O apóstolo estaria cônscio do fato de que, em muitos casos, os membros da igreja são propensos a esquecer esse fato. As palavras “especialmente os que labutam na pregação (literalmente em palavra) e no ensino” mostram que já no tempo de Paulo começava a fazer-se distinção entre os que hoje chamamos “ministros”, ou “pastores”, e os que ainda chamamos “presbíteros”. Todos governam, e em certo grau todos ensinam, mas alguns (além de governarem) labutam na pregação (expondo a Palavra na congregação reunida) e no ensino (ministrando instrução a juventude, aos que a buscam, e a todos os que tem necessidade dela). Eles se especializam e labutam arduamente nisso. A tarefa lhes exige a dedicação de muito tempo e esforço: pregar, ensinar e preparar-se para isso. Ora, todos esses presbíteros que governam excelentemente devem receber “honra duplicada”. Mas, o que se quer dizer com essa expressão? As interpretações variam:

(1) honra e honorários. Devem receber honra e uma recompensa material (Crisostomo, C. Bouma).

(2) amplo pagamento, melhor remuneração, duas vezes o salário que recebem (algo nessa direção, mas com variações pessoais, Moflatt, White em Expositor ’s Greek Testament, Williams).

(3) o dobro da “honra” devida as viúvas, ou uma porção duplicada das primícias das viúvas (Constitutions ofthe Holy Apostles Il.xxviii; no mesmo sentido, Calvino, Lock).

(4) honra como irmãos e honra como governantes; ou honra quanto a idade e honra quanto ao ofício (Tertuliano, Bengel).

(5) honra como presbíteros, honra adicional como quem governa de forma excelente (Lenski). Creio que esta ultima interpretação é a correta, e aceito a declaração de Lenski de que o próprio contexto explica a “duplicada honra”. Não obstante, essa duplicada honra não deve ser interpretada como se fosse excluída toda a ideia de remuneração, e como se em conexão com o versículo 18 o pensamento desse a entender simplesmente isto: os presbíteros que governam de forma excelente deveriam receber o que é justo, a saber, duplicada honra; justamente como o boi que debulha recebe o que lhe corresponde, ou seja, punhados de grãos; e como o obreiro recebe o que lhe é devido, ou seja, seu salário (ver Lenski sobre o v. 18). Desse modo toda noção de remuneração econômica ficaria completamente excluída da “duplicada honra” devia aos presbíteros que servem bem e são dependentes disso. Mas isso dificilmente seria correto, porque também no caso das viúvas, a honra que lhes é devida estava imediatamente ligada ao sustento material (vv. 3 e 4), e as analogias usadas por Paulo no versículo 18 certamente apontam na mesma direção no que respeita aos presbíteros. Portanto, a verdadeira explicação pareceria ser esta: O presbítero merece ser honrado; particularmente, se seu labor se destaca por sua qualidade. Esta honra se deve especialmente aos que trabalham na pregação e no ensino. E isto implica, naturalmente, que, onde se faz necessário (e seria necessário especialmente no caso do “ministro”), seu trabalho deveria também ser remunerado de uma maneira material. O homem que dedica todo seu tempo e esforço na obra do reino (o “ministro”) certamente merece “um bom salário”. Não significa que a palavra “honra”, em si e por si, tenha aqui o sentido de honorário, significa honra. Mas seria evidência de falta de honra se a igreja exigisse de um homem a total dedicação à obra espiritual e que o fizesse gratuitamente. A explicação que eu tenho dado não significa simplesmente que todo presbítero, ou ainda que todo presbítero que governa excelentemente, receba salário. Todos os que governam bem merecem duplicada honra. No Novo Testamento, a palavra nunca significa soldo, ou pagamento, ou salário. Antes, tem o sentido de preço (Mt 27.6, 9; At 5.2, 3; 7 .16; ICo 6.20; 7.23; plural em At 4.34; 19.19) e estima, honra (Rm 12.10; 13.7; ICo 12.23; etc.). Isso corresponde a conotação da palavra nos papiros (M.M., p. 635). No grego clássico, a palavra tem uma vasta gama de significados: valor, preço; compensação, satisfação, recompensa; multa; honra, dignidade; senhorio, ofício; prêmio, presente, oferenda; estima, honra. Honra, é no caso dos que se dedicam inteiramente à obra da igreja; isto implica o direito à remuneração. (E implica ainda mais que isso; ver vv. 19, 20, 22.).

 

  1. Porque a Escritura diz: Não amordace o boi que está debulhando e O trabalhador é digno de seu salário.

Ambos os provérbios estão claramente coordenados. Se o primeiro “Escritura” é, então o segundo também o é. Assim uma palavra dita por JESUS é posta em paralelo com um provérbio do canon do Antigo Testamento. O primeiro provérbio é uma citação de Deuterônomio 25.4. Paulo faz uso semelhante dele em 1 Corintios 9.8-12. O quadro é o de uma eira: um terreno circular exposto ao relento. As vezes era uma rocha plana no cume de uma colina. Os feixes de grãos eram desatados e se estendiam no piso, arranjados e em círculos. Os bois eram guiados a pisarem sobre as espigas para que, pelo impacto de seus pés, o grão maduro se soltasse das espigas (Os 10.11; Mq4.13). Ou, com o mesmo propósito, os bois podiam ser arreados e montados por um condutor que guiava os bois para que dessem repetidos giros (Jz 8.7; Is 28.27; 41.15), Esse arreio era uma espécie de trenó formado por duas tábuas pesadas, atadas uma ao lado da outra e curvadas para cima na parte dianteira. Punham-se-lhes debaixo pedras pontiagudas para fazer soltar os grãos de trigo.

Ora, os cruéis pagãos às vezes punham bocais nos bois enquanto debulhavam, mas JDEUS proibira claramente a Israel que fizesse tal coisa. O propósito dessa ordem era para que os homens pudessem ver a bondade de DEUS; particularmente, para que pudessem discernir este princípio básico, ou seja: que a todo obreiro (quer aquele que trabalha com bois, ou um trabalhador comum, ou um ministro do evangelho) DEUS tem dado o direito de participar dos frutos de seu trabalho. Em Deuterônomio trata de homens, não de animais. Cf. ICo 9.9, 10.) No presente caso, isso significaria que “os que proclamam o evangelho devem viver do evangelho” (ICo 9.14).

O segundo provérbio, “O trabalhador é digno de seu salário”, encontra-se precisamente nessa forma em Lucas 10.7. (Em Mt 10.10, o provérbio ocorre numa forma ligeiramente diferente: “O trabalhador é digno de seu alimento”.) Paulo e Lucas eram amigos, e com frequência estavam juntos. Lucas estivera com Paulo durante a primeira prisão deste em Roma (Cl 4.14; Fm 24). Nao é impossível que o evangelho de Lucas já tivesse sido concluido. Daí, se esse foi o caso, o apóstolo estava em condições de citá-lo. Ou também poderia ser que estivesse citando uma coleção de provérbios que presumivelmente fora usada como fonte do Evangelho de Lucas. Combinando as duas citações, e considerando-as à luz do contexto precedente, notamos que Paulo esta enfatizando que o respeito do qual são dignos os presbíteros que governam bem, implica que os que entre eles se dedicam inteiramente à obra do evangelho tem o direito a salário, e que tal salário não lhes devia ser retido.

 

  1. Ora, essa “honra” que é devida ao presbítero deveria ser também expressa noutro sentido: Nunca aceite uma acusação contra um presbítero, a menos que [ela seja] endossada por duas ou três testemunhas.

Uma acusação contra um presbítero deve ser sobre – ou seja, deve ter por base o testemunho oral de – duas ou três testemunhas. Note que, embora de antemão todo israelita estivesse salvaguardado de processo e sentença, a menos que duas ou três testemunhas fidedígnas testificassem contra o mesmo (cf. Dt 17.6; cf. Nm 35.30; e ver C.N.T. sobre João 5.31; 8.14). Aqui (! Tm 5.19) os presbíteros são excetuados ainda de ter de responder a uma acusação (cf. Ex 23.1 na LXX), a menos que esteja imediatamente endossada por duas ou três testemunhas. Sem esse apoio, a acusação não deve ser levada em conta nem ainda recebida. Não se deve prejudicar desnecessariamente a reputação de um presbítero, e sua obra não deve sofrer uma interrupção desnecessária.

 

  1. Não obstante, às vezes a acusação contra um presbítero pode contar com suficiente endosso para ser recebida e em seguida ser endossada pelos fatos.

O que fazer, então? Diz Paulo: Os que cometem erro, você deve repreender na presença de todos, a fim de que outros também possam encher-se de temor (literalmente: possam ter temor). Os presbíteros que andam por vias pecaminosas não devem ser poupados. Aliás, seus pecados devem ser punidos ainda com mais severidade do que os demais. A lei fazia a mesma distinção (Lv 4.22, 27). Timóteo devia não só fazer com que seu pecado ferisse sua consciência, mas que, no caso deles, isso fosse feito não privativamente, nem na presença de apenas uns poucos (Mt 18.15-17), mas publicamente, ou seja, na presença de todo o consistório, para que os demais presbíteros também viessem a sentir-se cheios de um piedoso temor de praticar o mal (cf. Gn 39.9; Sl 19.13).

 

  1. Ora, nos assuntos discutidos nos versículos 19 e 20 e, na realidade, em todo assunto que tange a disciplina de líderes eclesiásticos, pode-se ser facilmente influenciado por considerações puramente subjetivas.

Mas isto pode significar a ruína para a igreja e para todos os envolvidos. Timóteo, como delegado apostólico nas igrejas de Éfeso e suas cercanias, não deve permitir que isto ocorra. Ainda em nossos dias, os juízes tendenciosos, as “máquinas” eclesiásticas, os assim chamados “comitê de investigadores” integrados por caçadores de intrigas, o “companheirismo” e coisas afins podem destruir facilmente uma denominação. A corrupção geralmente começa “na cúpula”. A história eclesiástica proporciona vários exemplos. O homem do banco da igreja não sabe o que de fato ocorreu “enquanto dormia”. Ao despertar-se é que desperta! – geralmente já e tarde demais. Daí, é essencial a imparcialidade e a honestidade absolutas em todos esses assuntos. E por essa razão que a ordem que o apóstolo agora dá a Timóteo é tão importante. Tudo está em jogo. A igreja do século 21 bem que poderia levar a sério estas solenes palavras: Ordeno [-lhe] perante DEUS e CRISTO JESUS e os anjos eleitos que observe essas instruções sem preconceito, nada fazendo com parcialidade. É evidente à luz da cláusula introdutória, “que observe essas instruções”, que o verbo usado no original não pode, aqui, significar “testifico-lhe” (como, por exemplo, em I Ts 4.6), mas “encarrego”, ou seja, “admoesto solenemente” ou “ordeno solenemente” ou “conjuro”. Paulo enfatiza que é ante os olhos do próprio DEUS e com sua plena aprovação que as instruções devam ser ministradas (vv. 19, 20). Este é o mesmo DEUS que, por intermédio de CRISTO JESUS, um dia julgará todos os homens. E esses são os anjos que estarão junto a CRISTO no juízo final. Daí Paulo estar, por assim dizer, pondo Timóteo sob o juramento de cumprir o mandamento que recebeu (no espírito de Gn 24.3, 9).

Quem quebrar o juramento será julgado. Comparando-se a linguagem semelhante de 2 Timóteo 4.1, fica evidente que, ao ministrar essa ordem, Paulo está pensando realmente no juízo final. Note bem os detalhes que são mencionados aqui em 1 Timóteo 5.21: O juiz é DEUS (Gn 18.25; Hb 12.23). O destinatário deve estar profundamente cônscio do fato de que Paulo, ao escrever, e Timóteo ao pôr em prática essa ordem, estão agindo ante os olhos de DEUS, o juiz. Não obstante, DEUS não julga diretamente, e, sim, por intermédio de CRISTO JESUS. A honra do juízo foi conferida ao Mediador, como recompensa pela expiação que ele operou (Mt 25.31-46; Jo 5.22, 23, 27; At 19.42; 17.31; 2Co 5.10; Fp 2.10, 2 T m 4 .1 ;A p 14.14-16). Associados a CRISTO nessa tarefa de juízo estarão os anjos, como é ensinado por toda parte nas Escrituras Sagradas (Dn 7.10; Mt 13.27, 41, 42; 16.27; 24.31-33; 25.31; 2Ts 1.7; Hb 12.22; Ap 14.15, 17-20).

Recolherão os redimidos e conduzirão os maus ante o trono do juiz. Esses são os anjos eleitos de DEUS, distintos dos anjos “que não guardaram seu estado original” (Satanás e seus demônios; cf. Jd 6). Em seu decreto soberano e inescrutável, que transcende todo o entendimento humano, DEUS, desde toda a eternidade, decidiu que esses anjos (aqui chamados eleitos) recebessem a graça de perseverar, de modo que pudessem permanecer em seu estado. Sendo eleitos, naturalmente são também amados. Não é estranho que o apóstolo mencione também esses anjos. Ele quer que Timóteo obedeça a importantíssima ordem acerca da disciplina dos presbíteros; ou seja, ele quer que se assemelhem aos anjos em obediência. Além do mais, esses anjos são espectadores das ações de Timóteo e acompanharão a CRISTO no juízo final, quando tudo o que estiver oculto será revelado e castigado a quebra dos juramentos.

 

Segundo Paulo, e em harmonia com todo o restante das Escrituras,

OS ANJOS SÃO:

Assistentes de CRISTO (2 Ts 1.7), sua Cabeça exaltada (Ef 1.21, 22; Cl 2.10); são mensageiros do evangelho de nossa salvação, que vieram ao Senhor não só em seu nascimento, mas também em sua ressurreição e na glória de sua vinda posterior e a ressurreição (ver I Tm 3.16; cf. Lc 2.14; 24.4; At 1.11); Cantores no coral celestial (1 Co 13.1; cf. Lc 2.14; Lc 15.10; Ap 5.11, 12); Defensores dos filhos de DEUS (2Ts 1.7-10; cf. Sl 91.11; Dn 6.22; 10.10, 13, 20; Mt 18.10; At 5.19; Ap 12.7), embora estes terão uma posição mais elevada que eles e os julgarão (ICo 6.3; cf. Hb 1.14); Exemplos de obediência (ICo 11.10; cf. Mt 6.10); Fiéis amigos dos redimidos, que os vigiam constantemente, profundamente interessados em sua salvação e os servem de toda forma, executando também o juízo de DEUS sobre o inimigo (Gl 3.19; ICo 4.9; 2Ts 1.7; cf. Mt 13.41; 25.31, 32; Lc 16.22; l Pe 1.12; Hb 1.14; Ap 20.1-3).

Por conseguinte, já que as ações de Timóteo são vistas por DEUS, por CRISTO JESUS (ambos divinos, note que no original usa-se somente um artigo) e pelos anjos (criaturas, note a repetição do artigo), e isto com vistas ao juízo final, que Timóteo observe (cuide de cumprir) as ordens comunicadas “sem preconceito”, isto é, sem deixar-se influenciar por nenhum tipo de consideração subjetiva pecaminosa, guiado somente pela norma objetiva da verdade revelada por DEUS, e “nada fazendo com parcialidade (ou favoritismo)”, sem inclinar-se para este lado nem para aquele, nem para o acusador nem para o acusado, até que todos os fatos importantes de cada caso concreto tenham se estabelecido plenamente.

 

  1. É possível evitar muitos problemas se Timóteo, ao ordenar homens para o ofício, exercer a devida precaução. Daí Paulo continuar: Não imponha as mãos [para ordenar] precipitadamente sobre ninguém, nem seja participante dos pecados de outros: conserve-se puro.

A indicação simbólica da comunicação de dons dos quais alguém necessitara para o cumprimento dos deveres de seu ofício já foi mencionada (ver sobre ITm 4.14) e será mencionada uma vez mais (2Tm 1.6). Essa tarefa não deve ser feita “com precipitação”. As qualificações dos homens que estão sendo considerados devem ser examinadas completamente antes que possam ser designados para o ofício. Isso está em harmonia com o que o apóstolo esteve afirmando em 1 Timóteo 3.2, 7, 10. A ordenação sem uma criteriosa investigação prévia tornava Timóteo responsável pelos males que tais presbíteros pudessem subsequentemente cometer. Em contrapartida, isso aumentaria a dificuldade em discipliná-los. Timóteo deve esforçar-se por “manter-se puro” (em plena conformidade com a lei moral de DEUS) com respeito a esse a todos os demais assuntos. (Acerca do substantivo relacionado, pureza, ver sobre ITm 4.12; 5.2).

 

Observação do Ev. Henrique – 23. O preceito “mantenha-se puro” era de natureza pessoal. Isso leva a outra observação que é também pessoal: Não continue a beber [somente] água, porém use um pouco de vinho por causa de seu estômago e suas frequentes enfermidades. Onde se lê vinho entenda-se suco de uva. vinho é produto da vinha, árvore que produz uvas, que para nós é videira ou parreira de uvas. Como no orinete o conjunto de árvores que produzem uvas é chamado vinha o nome dado a seu produto é vinho (não significando bebida alcoólica, desde que consumido em pequenas quantidadaes). Paulo orienta Timóteo a misturar um pouco de suco de uva à água que bebia para torná-la menos ácida (qualidade da água da região), amenizando assim as frequentes enfermidades de seu estômago.

 

  1. O preceito “mantenha-se puro” era de natureza pessoal. Isso leva a outra observação que é também pessoal: Não continue a beber [somente] água, porém use um pouco de vinho por causa de seu estômago e suas frequentes enfermidades. Timóteo era uma pessoa conscienciosa. Ele não queria ser acusado de ser o tipo de pessoa que “se demora ao lado do vinho” (ver sobre ITm 3.3). Daí, ele formara o hábito de beber nada mais, senão água. Não obstante, no Oriente a água com frequência está longe de ser “digna de confiança”. Os que já estiveram por lá, inclusive, por exemplo, os que estiveram por lá enquanto serviam as forças armadas sabem bem disso. Se alguém insiste em não beber nada mais senão água sem ferver, é passível de sofrer ataques de desinteria. Aliás algo pior pode acontecer-lhe. Por conseguinte, com o fim de ajudar Timóteo a vencer seus problemas estomacais, bem como outras enfermidades colaterais, que tudo indica o afetavam com frequência e de forma grave, Paulo lhe aconselha que pare de bebedor água pura. Timóteo deve usar um pouco de vinho, não muito, apenas um pouco. Isso iria fazer-lhe bem fisicamente. Paulo aqui está falando do vinho como medicina, não como bebida, como observa corretamente Wuest. 24, 25.

 

  1. Voltando agora ao tema da precaução necessária antes da ordenação de alguém para o ofício (ver v. 22), Paulo diz: Os pecados de alguns homens são claramente evidentes, e vão adiante deles para juízo, mas os pecados de outros seguem após eles].

Semelhantemente, os feitos nobres [s.o] claramente evidentes, e os que não o são não podem permanecer ocultos.

Das muitas explicações, a mais razoável parece ser esta:

Note bem que, com respeito ao uso de vinho, Paulo evita extremos. Por um lado, adverte contra o que “se demora ao lado do vinho” (ITm 3.3. 8). Por outro, crê ser, no caso (Para Timóteo, é aconselhável o uso de um pouco de vinho, tanto para melhorar sua saúde quanto como precaução no uso da água, provavelmente devido ao perigo de contaminação). Muitos tem apresentado seus pontos de vista sobre o tema do sinistro efeito do costume de beber vinho socialmente e o uso de diversas bebidas alcoólicas.

Na atualidade, convém a realização de uma vigorosa campanha contra toda forma de intemperança. As palavras de Paulo devem ser interpretadas a luz das condições que prevaleciam no Oriente e a luz da condição física de Timóteo.

No versículo 24, Paulo está falando dos pecados, ou seja, os pecados de homens que não são aptos para o ofício. No versículo 25, ele está falando sobre os feitos nobres (ou obras excelentes), ou seja, os feitos nobres de homens que são aptos para o ofício. Por implicação, ele divide o primeiro grupo principal, os pecados de homens não aptos para o ofício, em duas subdivisões:

  1. os pecados claramente evidentes de alguns homens;
  2. os pecados que não são claramente evidentes de outros homens (isto está mais implícito do que explicito).

Expressamente, ele divide o segundo grupo principal – os feitos nobres de homens que são aptos para o ofício – em duas subdivisões similares:

  1. os feitos nobres claramente evidentes de alguns homens;
  2. os feitos não nobres claramente evidentes de outros homens.

Portanto, com respeito ao primeiro grupo, Paulo diz que os pecados de alguns homens são tão claramente evidentes (ver também Hb 7.14), tão conspícuos ou óbvios, que em seu caso nem sequer é necessário um exame detido para se chegar a uma decisão ou juízo (ver C.N.T. sobre João, Vol. I). Os pecados precedem o homem! Isso não significa meramente que o homem em questão desfruta de má reputação (porque tal coisa poderia estar baseada numa calúnia), mas que é mau: suas más ações estão a descoberto. Estão a vista de todos. A própria ideia de designar tais homens para o ofício é ridícula. No caso de outros homens, a situação é diferente. Seus pecados os seguem (literalmente, seguem após eles, ou os perseguem). Ao considerar seu caso para chegar a uma decisão, depois de um cuidadoso exame, descobre-se que não são aptos para o ofício. Antes que seu caso venha a lume, Timóteo, e talvez os diversos presbíteros, deve considerar tais homens como candidatos para o ofício. Depois de um exame criterioso e o veredicto, as coisas tomam um aspecto completamente diferente. Os pecados desses homens agora foram descobertos, de modo que, havendo emitido o juízo, já não resta dúvida alguma da falta de aptidão dos mesmos para o ofício. A situação com respeito a homens que são espiritualmente aptos para o ofício é semelhante neste aspecto, a saber: que também em seu filho Timóteo, como regra, não necessita temer que as qualidades ocultas continuem ocultas. Em geral, os feitos nobres (ou obras excelentes que adornam a vida desses homens serão claramente evidentes). Mesmo no caso excepcional em que não fazem evidentes de imediato, não podem permanecer ocultas. As averiguações e perguntas adequadas as fará vir a superfície. Com vistas ao incentivo de Timóteo que, como já se demonstrou (ver p. 48), era por demais tímido, Paulo está tentando estabelecer este ponto: se ele tiver o devido cuidado e não se precipitar na ordenação de homens para o ofício (ver v. 22), terá bons presbíteros nas igrejas de Éfeso e suas cercanias. A regra é que mesmo no caso de homens tais que não se mostram de imediato, de forma clara, se são ou não aptos, um exame cuidadoso o conduzirá a conclusões válidas. E, em todo caso, então Timóteo não se verá envolvido nos pecados de outros homens.

Síntese do Capítulo 5

Ver o Esboço no inicio deste Capítulo, o qual pode ser parafraseado assim: Quanto aos membros que necessitam de conselho pastoral ou correção, você (Timóteo) deve tratá-los como o requer sua idade e seu sexo: Admoeste um homem [mais] idoso como se fosse seu pai; os homens [mais] jovens, como a irmãos; as mulheres [mais] idosas, como a mães; as mulheres [mais] jovens, como a irmãs, com toda pureza. Quanto as viúvas que se acham em necessidade, devem honrar e dar assistência as que são realmente destituídas de amparo. Devem receber tanto apoio moral quanto físico. O Objeto de sua constante esperança e oração lhes será provido por meio da igreja. Entretanto, há viúvas que tem filhos e netos que podem prover-lhes sustento. Estes devem quitar aquela dívida que contraíram ao serem eles criados por elas. DEUS tem prazer em tal atitude. Se negligenciam seu dever, são piores que os infiéis. E a viúva que carece de meios de sustento que devem ser assistidas pela igreja. Há algumas viúvas, contudo, que passam a viver nos prazeres. Essas, ainda que fisicamente vivas, estão espiritualmente mortas. Nem é preciso acrescentar que tais viúvas não merecem ser honradas pela igreja. Enfatiza constantemente tais regulamentações a respeito do dever da igreja e dos filhos e netos para com as viúvas. Ora, quanto as viúvas e sua obra, com vistas a qualificá-las para obras tais como ministrar bom conselho as mulheres mais jovens, prepará-las para o batismo, levá-las a comunhão, ministrar orientação aos órfãos, etc. (esta é uma conjetura acerca da natureza de sua obra), estas não devem ter menos de 60 anos de idade, devem ter sido esposas fiéis, mães sabias, boas hospedeiras, benfeitoras bondosas; em suma tem de ter dado provas de sua aptidão para essa posição. Para este tipo de obra, você não deve engajar viúvas jovens, porque a experiência tem provado que em muitos casos elas se inquietam e quebram o compromisso de trabalho devotado a igreja, incorrendo, portanto, em culpa. Também amiúde põem as atividades sociais acima das atividades do reino, de modo que ao visitarem diversos lares aparentemente com o intuito de ministrar orientação, realmente não fazem outra coisa senão tagarelar e intrometer-se nos assuntos de outrem. Assim causam mais dano que benefício e provocam escândalos. É preciso evitar isso por todos os meios. É necessário que eu adicione isso, pois estou a par de certas viúvas que se tem desviado do honroso curso com o fim de seguir Satanás. Não obstante, isso não significa que não há oportunidade para as viúvas jovens na obra do reino. Há trabalho para todos, bem como para toda e qualquer mulher. Por exemplo, se há alguma mulher crente que possua meios, que se ponha em alguma relação de responsabilidade para com as viúvas desamparadas; que as ajude para que a igreja não seja sobrecarregada e estejam em melhores condições de auxiliar as viúvas que não recebem sustento de ninguém. Quanto aos presbíteros, e futuros presbíteros, note o seguinte: O presbítero deve ser honrado por causa de seu ofício; e deve receber honra duplicada caso execute bem sua tarefa. Isso recebe ênfase especial com respeito aos “ministros”, homens que labutam na pregação e no ensino. Deve-se respeitá-los de forma elevada e prover-lhes de forma generosa, porque diz a Escritura: “Não amordace o boi quando está debulhando” (Dt 25.4) e “O trabalhador é digno de seu salário” (Lc 10.7).

Acerca de acusações contra um presbítero, as mesmas não devem ser aceitas a não ser que sejam endossadas por duas ou três testemunhas. Mas, se o pecado fica claramente determinado, o homem que o cometeu deve ser reprovado na presença de todo o consistório para que os demais presbíteros se encham de piedoso temor diante de DEUS e de JESUS e dos anjos eleitos, para que você observe essas diretrizes sem preconceito. Não deve permitir a influência de considerações subjetivas. Não se apresse a ordenar um homem. Assim não será responsável com ele pelos males que venha a cometer no futuro. Conserve-se puro. (Incidentemente, cuide também de seu corpo. Não beba apenas água, mas use um pouco de vinho por causa de seu estômago e suas frequentes enfermidades.)

Em conexão com os homens que estão sendo considerados para algum ofício, você não deve preocupar-se indevidamente, uma vez que exerça a devida prudência. No caso de homens que não são aptos, seus pecados, os quais os desqualificam, com frequência se fazem evidentes mesmo antes de começar-se uma investigação de seu caráter; e se não se tornam evidentes antes, se tornarão evidentes depois da investigação. E no caso de homens que são aptos, seus feitos nobres, os quais revelam que são qualificados, são geralmente tão claramente evidentes, ainda antes da investigação; e se não antes, se farão evidentes posteriormente.

 

ESBOÇO DO CAPÍTULO 6

Tema: O Apóstolo Paulo, Escrevendo a Timóteo, Ministra Diretrizes para a Administração da Igreja.

Diretrizes com Respeito a Certos Grupos e Indivíduos Definidos (continuação)

6.1,2 E. Escravos

6.3-10 F. Mestres de novidades que aspiram à fama e riquezas.

6.11-16 G. O próprio Timóteo (“Guarde a comissão!”).

6.17-19 H. Pessoas que são ricas em termos desta presente era.

6.20, 21 I. O próprio Timóteo (“Guarde o deposito!”).

 

  1. Mas os que são ávidos por ficar ricos caem em tentação e em laço e numerosas cobiças insensatas e nocivas.

Paulo não condena o “desejo” como tal. Ele não é estoico, e, sim, cristão. O que ele condena é o desejo de ser rico. Tais pessoas caem em tentação. (A palavra no original significa provação ou tentação. O exemplo clássico que ilustra primeiro um sentido e logo o outro é Tiago 1.2, 12.

No presente caso, o sentido tentação é claro a luz do contexto. Como um laço (ver sobre I Tm 3.7) mantém um animal prisioneiro, assim a paixão incontrolável pelas riquezas fecha seus tenazes tentáculos sobre os que “cobiçam até o pó da terra” (Am 2.7). Cf. Salmo 39.6; Provérbios 28.20; Mateus 6.19-21, 24-26; 19.24; Tiago 5.1-6. Além do mais, o pecado nunca anda só. O desejo de enriquecer faz com que o homem que, na terminologia atual, é uma “encarnação de gordos dividendos” caia em numerosas cobiças. Um gênero de cobiça conduz a outro. A pessoa que cobiça riquezas geralmente também anela por honra, popularidade, poder, comodidade, satisfação dos desejos da carne, etc. Tudo emana da mesma raiz, o egoísmo, o qual, sendo o pior método possível para satisfazer realmente a “alma”, é um método insensato e nocivo (cf. Mt 20.26-28; ver C.N.T. sobre João 12.25, 26). No original, a sentença é notável em virtude de sua bela aliteração. A recorrência constante da letra p (tt) capta a atenção dos olhos e dos ouvidos, e provavelmente sirva para fixar mais solidamente na mente o provérbio, como se disséssemos: “Os que vão após a opulência se precipitam a investigações malignas, ciladas arriscadas e numerosas paixões perigosas.” Estas cobiças, paixões ou concupiscências, das quais o apóstolo fala, são arroladas como as quais precipitam os membros da raça humana em ruína e destruição. Em vez do ganho que estavam buscando (ver v. 5), os homens cujo coração está assentado nas riquezas só experimentam perda. No original, os termos ruína e destruição são ambos derivados de um verbo cujo significado secundário é perder. Note o caráter progressivo e culminante do movimento que é aqui retratado. Primeiro esses homens são descritos como desejando o mal, a saber: a riqueza material. Logo perdem pé e caem em tentação e em laço e em numerosas cobiças insensatas e nocivas. Finalmente, essas cobiças os precipitam em ruína e destruição. Homens desventurados! Conduziram seu barco até a própria borda da catarata, que, por sua vez, os lança nas terríveis profundezas. Quanto a exemplos, ver o versículo seguinte.

 

  1. A situação exposta é correta: Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.

O apóstolo não diz que o amor ao dinheiro é a (única e exclusiva) raiz de todos os males existentes, mas, sim, que é uma raiz. Embora seja verdade que uma palavra não precisa estar sempre precedida pelo artigo o ou a para ser definida, certamente não seria sábio aplicar a exceção, quando isso poria conflito entre as palavras de Paulo e os fatos da experiência diária e com outras passagens da Escritura. Há outras raízes ou fontes de males além do amor ao dinheiro, por exemplo, a “amargura” (Hb 12.15; cf. também Tg 1.15). Mas, indubitavelmente, a avareza é uma raiz “de todos os males”, ou “de todo gênero de mal”. Ela levou o homem que possuía muitos rebanhos e tropas (na parábola de Natã) a roubar a única cordeirinha do homem pobre; o jovem rico a afastar-se de CRISTO; o rico insensato (na parábola de CRISTO) a enganar a si próprio pensando que tudo estava bem; o rico (de outra parábola relatada pelo Senhor) a negligenciar o pobre Lázaro; Judas a trair seu próprio Mestre e suicidar-se; Ananias e Safira a mentir; e os ricos opressores da epístola de Tiago (cf. Am 2.6, 7) a explorar os que trabalhavam para eles. Nenhum deles escapou ao castigo.

A avidez por riquezas além do mais, tem sido a causa de inumeráveis fraudes, casamento por dinheiro, divórcios, perjúrios, latrocínios, envenenamentos, homicídios e guerras. E, no coração do homem, esta pecaminosa cobiça o tem levado a sofrer “muitos tormentos”. No presente contexto, Paulo está pensando especialmente nos membros da igreja, como também se faz evidente a luz do que se segue: e alguns, sendo atingidos por ele, se desviaram da fé e se espicaçaram com numerosas dores. As pessoas que assim vão após (ou “aspiram ao”, ver sobre I Tm 3.1) dinheiro são como os planetas. Elas tem vagueado da fé; literalmente, “planetado longe da fé”. A palavra planeta significa errante, pois isso é precisamente o que um planeta é. Não no sentido em que a terra ou outros planetas são “expelidos de suas órbitas designadas”. Suas órbitas foram pre-fixadas, de modo a ser possível, por meio de seis ou sete “elementos de uma órbita planetária” predizer exatamente onde no céu cada planeta estará. Mas em relação as estrelas “fixas”, os planetas, girando em torno do sol, parecem vaguear. Essa é a razão de seu nome. Ora, essas pessoas tem se extraviado ou se desviado da fé, a verdade confessada pela igreja. Elas tem se extraviado na atitude interior, na conduta exterior e ainda na confissão dos lábios, ou seja, nas coisas que ora estão ensinando. Mas, ao agir assim, traspassaram-se (como a pessoa que se traspassa com uma lança) com numerosas dores. Entre essas dores se encontra a inquietude, o aborrecimento, a insatisfação, a tristeza, a inveja. No bolso de um homem rico que acabara de cometer suicídio foi encontrada a soma de trinta mil dólares e uma carta que em parte dizia: “Descobri, durante minha vida, que as altas somas de dinheiro não ocasionam felicidade”. Tiro minha vida porque já não posso suportar mais a solidão e o aborrecimento. Quando era um trabalhador comum em Nova York, eu era feliz. “Agora que possuo milhões, sinto-me infinitamente triste, e prefiro a morte”. (Citado por W. A. Maier, ForBetter Not For Worse [Para melhor, não para pior], p. 223.)

William Hendriksen, 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito, São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 191-6 (Comentário do Novo Testamento) 

 

 

Questionário da Lição 6 – Conselhos Gerais

3º trimestre de 2015 – A Igreja E O Seu Testemunho – As Ordenanças De CRISTO Nas Cartas Pastorais

Comentarista da CPAD: Pr. Elinaldo Renovato de Lima

Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva

Complete os espaços vazios e marque com”V” as respostas Verdadeiras e com”F” as Falsas, conforme a revista da CPAD.

 

TEXTO ÁUREO
1- Complete:

“Olhai, pois, por vós e por todo o ________________________ sobre que o ESPÍRITO SANTO vos constituiu _________________________ […].” (At 20.28).


VERDADE PRÁTICA
2- Complete:

O pastor precisa cuidar das ________________________ do Sumo _________________________ com o mesmo zelo com que cuida de sua __________________________.

 

I – O CUIDADO COM O REBANHO
3- Como deve ser o cuidado com os anciãos (5.1)?

(    ) O pastor não precisa se relacionar bem com os membros de avançada idade.

(    ) O pastor precisa se relacionar bem com os membros de diferentes idades.

(    ) Paulo procurou ensinar a Timóteo a maneira correta de lidar com as pessoas mais velhas.

(    ) Todavia, isso não significa dizer que o pastor não deve corrigir, disciplinar os mais velhos, porém segundo o Comentário Bíblico Beacon o conselho de Paulo a Timóteo é: “Em vez de repreender o mais velho, solicite-lhe; apela a ele como se fosse teu pai”.


4- Como deve ser o cuidado com as mulheres idosas e viúvas (5.2)?

(    ) A igreja não precisava sustentar as viúvas que não tinham nenhum parente, elas tinham espaço garantido no mercado de trabalho.

(    ) As mulheres idosas deveriam ser tratadas como mães, ou seja, membros da família.

(    ) O pastor deve proteger as irmãs idosas e ajudá-las para que continuem a crescer na graça e no conhecimento de JESUS CRISTO.
(    ) Paulo também dá a Timóteo algumas orientações para que ele pudesse resolver as questões das viúvas na igreja.

(    ) No mundo antigo, as viúvas enfrentavam uma situação difícil.

(    ) Não havia o serviço de previdência social e quando o marido morria, se os filhos e parentes não cuidassem delas, elas passavam por sérias dificuldades financeiras.

(    ) Não havia espaço para a mulher viúva no mercado de trabalho, por isso, a igreja deveria sustentar aquelas que não tinham nenhum parente.


5- Como deve ser o cuidado com os ministros fiéis (v. 17)?

(    ) Os líderes que são fiéis ao Senhor e à Igreja devem ser estimados e apoiados.

(    ) O cuidado espiritual, e não o econômico fazia parte das recomendações de Paulo a Timóteo.

(    ) Sabemos que não é fácil agradar a todos e que os líderes sempre acabam sendo alvo de críticas.

(    ) Assim como os primeiros apóstolos, muitos dos obreiros de Éfeso deixaram tudo para seguir a CRISTO, vivendo exclusivamente da igreja e para a igreja.

(    ) O cuidado espiritual e econômico fazia parte das recomendações de Paulo a Timóteo.

(    ) Aos coríntios, ele fez observações idênticas, revelando seu zelo pela manutenção dos obreiros.

 

II – O TRATO COM O PRESBITÉRIO

6- Como analisar a acusação contra os presbíteros?

(    ) Os presbíteros, ou pastores, não são isentos de falhas.

(    ) Mas deve-se encobrir os pecados dos presbíteros do povo em geral, para não gerar escândalos.

(    ) Eles estão sujeitos a pecar, por isso, precisam vigiar e orar ainda mais.

(    ) Nenhum obreiro pode pensar que é infalível.

(    ) Sabemos que os líderes cristãos são alvo de críticas, calúnias, injúrias e difamações, por isso, Paulo dá orientações importantes quanto aos pastores dizendo: “Não aceites acusação contra presbítero, senão com duas ou três testemunhas”.

(    ) Mas, se o líder for realmente culpado, precisa se arrepender, confessar, deixar os seus pecados e ser disciplinado.

(    ) Encobrir os erros daqueles que pecaram não é a solução, pois “DEUS não tem o culpado por inocente”.

 

7- Como deve ser a repreensão aos presbíteros?

(    ) “Aos que pecarem, repreende-os secretamente, para que os outros tenham temor”.

(    ) “Aos que pecarem, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor”.

(    ) Aqui, Paulo ensina a respeito da forma como aqueles que pecaram e tiveram suas faltas comprovadas por testemunhas, devem ser disciplinados.

(    ) O pastor que aplica a disciplina precisa ter muito cuidado para agir conforme a reta justiça.

(    ) A disciplina deve ser feita de maneira criteriosa, com sabedoria e amor.

 

8- Como deve ser o cuidado com a saúde (v. 23)?

(    ) Paulo aconselhou Timóteo a beber somente vinho para evitar suas frequentes dores de estômago.

(    ) Paulo aconselhou Timóteo a não beber somente água pura, mas misturar um pouco de vinho à água.

(    ) Não sabemos ao certo o porquê de tal conselho, mas sabemos que naquele tempo as pessoas não podiam contar com os medicamentos que temos hoje.

(    ) Sabemos também que o crente não deve beber vinho.

(    ) Encontramos na Palavra de DEUS inúmeras advertências a respeito do vinho.

(    ) O importante aqui é ressaltar que esse texto contraria a ideia de que o crente não pode adoecer.

(    ) Certamente Paulo sofreu algum tipo de enfermidade (Gl 4.13); seus companheiros, como Trófimo, adoeceram.

(    ) O líder também está sujeito a enfermidade, por isso, precisa cuidar da sua saúde física e emocional a fim de que possa cuidar do rebanho do Senhor.

 

III – CONSELHOS GERAIS

9- Algumas igrejas não respeitam a sã doutrina (6.3,4). Como isso acontece?

(    ) Todas igrejas, infelizmente, têm sucumbido aos apelos dos falsos mestres que deturpam a sã doutrina, falsificando a Palavra, e seguindo os ensinos de Tiatira e à semelhança de Balaão, acabam tolerando a imoralidade.

(    ) Doutrina “é a exposição sistemática e lógica das verdades extraídas da Bíblia”.

(    ) Na igreja em Éfeso havia alguns falsos mestres que resolveram disseminar falsos ensinos.

(    ) Algumas igrejas, infelizmente, têm sucumbido aos apelos dos falsos mestres que deturpam a sã doutrina, falsificando a Palavra, e seguindo os ensinos de Balaão.

(    ) Para piorar ainda mais a situação, essas igrejas, à semelhança de Tiatira, acabam tolerando a imoralidade.

(    ) Porém, a autêntica noiva de CRISTO mantém-se fiel às Escrituras, pois, é “a igreja do DEUS vivo a coluna e firmeza da verdade”.

 

10- Qual o perigo dos que querem ser ricos (6.9,10)?

(    ) Paulo é totalmente contra o crente possuir riquezas materiais, pois estas o conduzem para longe do Senhor.

(    ) É muito eloquente a exortação de Paulo acerca dos que buscam riquezas.

(    ) Ele se refere aos “que querem ser ricos” ou que vivem buscando bens materiais, não dando valor às coisas de DEUS. São como o rico da parábola, de quem JESUS disse: “Assim é aquele que para si ajunta tesouros e não é rico para com DEUS”.

(    ) Paulo não é contra o possuir bens materiais, pois estes podem ser usados para o Reino de DEUS, beneficiando a obra do Senhor.

(    ) Paulo fala aqui do desejo de ser rico a qualquer custo.

(    ) Ele fala do amor ao dinheiro e da cobiça.

(    ) A Palavra de DEUS nos ensina que a cobiça leva a todos os tipos de males: adultério, roubo, corrupção, suborno, etc.

 

11- Quais os conselhos dados por Paulo aos ricos (6.17-19)?

(    ) Paulo aconselha aos ricos que não sejam arrogantes e não depositem sua esperança na riqueza.

(    ) Os bens materiais são efêmeros, pois não vamos levar nada quando partirmos desta vida.

(    ) Paulo exorta aos ricos que “façam o bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente e sejam comunicáveis”.

(    ) As boas obras não salvam ninguém, mas são necessárias ao bom testemunho cristão e fazem parte da vida cristã.

(    ) O crente sábio tanto entesoura para esta vida quanto para a futura.

(    ) O crente sábio não entesoura para esta vida, mas para a futura.

 

CONCLUSÃO
12- Conclusão:

Paulo era cuidadoso em sua missão ____________________________. Ele se preocupava com diversos assuntos de interesse da igreja, de sua __________________________ e de seus membros. Deu especial importância à ____________________________ dos obreiros, discorreu sobre a questão da disciplina dos líderes, especialmente dos ___________________________ que vierem a falhar. De forma bem clara, ___________________________ igualmente sobre o relacionamento humano, na igreja local, entre servos e senhores.

 

 

RESPOSTAS DO QUESTIONÁRIO EM http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm 

 

Referências Bibliográficas (outras estão acima)

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Bíblia de Estudo Almeida. Revista e Atualizada. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2006.

Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. Texto bíblico Almeida Revista e Corrigida.

Bíblia de Estudo Pentecostal. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida, com referências e algumas variantes. Revista e Corrigida, Edição de 1995, Flórida- EUA: CPAD, 1999.

BÍBLIA ILUMINA EM CD – BÍBLIA de Estudo NVI EM CD – BÍBLIA Thompson EM CD.

CPAD – http://www.cpad.com.br/ – Bíblias, CD’S, DVD’S, Livros e Revistas. BEP – Bíblia de Estudos Pentecostal.

VÍDEOS da EBD na TV, DE LIÇÃO INCLUSIVE – http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm

www.ebdweb.com.br

www.escoladominical.net

www.gospelbook.net

www.portalebd.org.br/

http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/alianca.htm

A PRIMEIRA EPÍSTOLA A TIMÓTEO – J. N. D. Kelly – Novo Testamento – Vida Nova – Série Cultura Cristã.

William Hendriksen, 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito, São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 191-6 (Comentário do Novo Testamento).

Publicado no site do Ev. Luiz Henrique

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