Conhecendo a Carta aos Romanos – Valorize a EBD

Conhecendo a Carta aos Romanos – Valorize a EBD

OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
CONHECER a autoria, data e local da escrita da Epístola aos Romanos;
MOSTRAR os destinatários e o propósito da Carta aos Romanos;
COMPREENDER a gratidão de Paulo em favor da comunidade cristã em Roma.
INTERAÇÃO
Caro(a) professor(a), vamos iniciar um novo trimestre com um dos escritos com maior profundidade teológica e, ao mesmo tempo, com o cuidado pastoral do apóstolo Paulo. Nesta epístola vamos perceber a paixão do apóstolo pela pregação do Evangelho, nunca satisfeito com os resultados, sabendo que podia oferecer sempre mais pelo Reino de Deus. Durante a caminhada deste trimestre, convido você a se colocar no lugar do autor e vivenciar cada momento ao estudar os textos bíblicos. Que este não seja simplesmente mais um trimestre, mas que faça a diferença em sua vida cristã e na de seus alunos. Aproveite cada aula, cada momento para se aproximar mais de Deus, reconhecer sua justiça e seu amor para com o ser humano. Caminharemos juntos por 13 lições, por isso, esperamos que seja agradável e produtivo para você.

O comentarista do trimestre é o pastor Natalino das Neves. Ele é mestre e doutorando em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná — PUC.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor(a), sugerimos que você faça a leitura de toda a epístola aos Romanos e todas as lições desta revista. Na sequência estude a lição específica que vai lecionar, destacando os principais pontos. Se possível, consulte literaturas que falem sobre o assunto e prepare um esboço sobre a lição, destacando os pontos principais de cada tópico em forma de frases.
Durante a aula, não leia a revista com os(as) alunos(as), mas apresente os principais pontos e incentive a participação de todos. Estimule os(as) alunos(as) a estudarem previamente a lição em suas casas.
De acordo com Romanos 15.20-29, o apóstolo Paulo planejava passar por três cidades: Jerusalém, Roma e Espanha. Na primeira, seu objetivo era levar uma oferta recolhida pelas igrejas gentílicas (15.27; At 20.16). Na segunda, tencionava fazer de Roma sua base operacional a fim de evangelizar o Ocidente, uma vez que considerava sua missão no Oriente cumprida (15.19,20 cf. At 19.21). Na terceira, Espanha, não há qualquer menção nas Escrituras de que tal empreendimento tenha se concretizado. Entretanto, o propósito de Paulo se justifica se considerarmos que a Espanha ficava localizada no extremo Ocidente do mundo civilizado. Ali estava reunido um grande número de intelectuais e líderes, o que possibilitava uma atmosfera favorável ao debate e apresentação do Evangelho.
A fim de esclarecer esses dados, faça uma síntese da preparação e viagem de Paulo a Roma como indicamos a seguir: At 18.1-3: Paulo se encontra com Áquila em Corinto por ocasião da expulsão dos judeus de Roma; At 23.11: O Senhor impele e encoraja Paulo a testemunhar em Roma; At 25.10-12: Paulo apela para que seja julgado em Roma (cf. 26.32); At 27-28: viagem de Paulo a Roma.
Com o auxílio de um mapa, faça um resumo dos principais locais da viagem a Roma a partir de Cesaréia: Mirra, Bons Portos, Malta, Siracusa, Régio, Putéoli e Roma. Conclua explicando que durante os dois anos em que esteve preso em Roma (At 28.16,30-31), Paulo pregou e ensinou o Evangelho, escrevendo nessa ocasião as Epístolas de Efésios, Colossenses, Filemom e Filipenses.
TEXTO BÍBLICO Romanos 1.1-8,13,16,17.
 
Lição 1 – Conhecendo a Carta aos Romanos 
Colaboração ao Conteúdo com o Comentário do Dc. Aildo
Introdução 
 
Estimado professor, somos gratos ao Senhor Jesus Cristo pelo início de um novo ano. Alcançamos mais uma vitória com o início deste novo trimestre, onde estudaremos a Carta aos Romanos.
Neste trimestre estudaremos a respeito da primeira epístola do cânon paulino, que apesar de ter um enfoque pastoral, é a mais longa e mais teológica de todas suas epístolas. Movido pela paixão que tinha pela evangelização dos gentios e o desejo de conhecê-los pessoalmente, o apóstolo escreveu, excepcionalmente, para uma igreja que ele não havia fundado. Paulo precisava auxiliar a comunidade, formada em sua maioria por gentios e uma minoria de judeus, que enfrentava conflitos com relação aos requisitos necessários para a justificação diante de Deus. Nesta epístola o apóstolo apresenta um espetacular tratado para demonstrar que a justificação se dá por meio da fé e não pelas obras.
 
I. PRIMEIRAS QUESTÕES
1. Autoria, data e local da escrita. A Epístola de Romanos (1.1) foi escrita provavelmente em 57 d.C. na cidade de Corinto, pouco antes da visita do apóstolo à Jerusalém (Rm 15.25-29). Esta foi ditada pelo “Doutor dos Gentios” ao amanuense Tércio (Rm 16.22) e entregue a igreja em Roma por Febe, auxiliar da igreja de Cencréia, porto oriental de Corinto (Rm 16.1,2).
Roma, no tempo do Novo Testamento, era uma cidade imperial, cosmopolita com cerca de um milhão de habitantes. Tornou-se conhecida pela frouxidão moral e a relativização dos costumes. A cidade acolhia diversos grupos étnicos e religiosos, dos quais o judaísmo e os judeus eram um dos mais numerosos e importantes. A preocupação do império com a cultura, proselitismo e o fervor da religião judaica desencadeou, em 49 d.C, por meio de um decreto de Cláudio, a expulsão dos judeus de Roma (At 18.2).
A igreja que estava na capital do Império era mista, composta por cristãos de origem pagã (1.5,6,18-32), grega (Epêneto, Apeles, Trifena e Trifosa), judaica (Priscila, Áquila, Maria) e romana (Rufo, Júlia). Compunha-se também de pessoas provenientes das camadas pobres de Roma, sejam escravos ou livres (Amplíato, Asíncrito, Hermas, Nereu, cf. 16.1-23).
A Epístola aos Romanos está dividida em duas seções principais: doutrinas (1-11) e práticas cristãs (12-16). O vocábulo justiça e o tema Justiça de Deus (1.17) são dois inabaláveis fundamentos que sustentam toda estrutura doutrinária em Romanos.
2. A cidade de Roma. A cidade de Roma ofereceu um contexto político,religioso e geográfico para a maior parte do Novo Testamento. Seu poder e influência permeiam quase todos os livros do cânon do NT. Um imperador romano emitiu a ordem que resultou no nascimento do Senhor Jesus Cristo em Belém, ao invés de Nazaré. Um oficial romano providenciou sua crucificação. Engenheiros romanos construíram as estradas que o apóstolo Paulo percorreu para pregar o evangelho, protegido pela cidadania romana. Os imperadores romanos administravam todas as províncias alcançadas pelo Evangelho em seus primeiros dias.
 Nas primeiras décadas da Igreja, seus principais oponentes foram as seitas greco-romanas. Como uma das primeiras referências específicas a Roma, encontramos a expulsão dos judeus de Roma pelo imperador Cláudio (At 18.2), mas eles logo retomaram, pois alguns ainda lá se encontravam uma ou duas décadas mais tarde, quando Paulo chegou a essa cidade, A cidade a e Roma aparece no NT principalmente em conexão com esse apóstolo. Ele caminhou pela famosa via Ápia até chegar a Roma (At 28.15), e ali permaneceu como prisioneiro durante cerca de dois anos, e provavelmente em duas ocasiões. A primeira delas quando apelou a César para deliberar sobre a questão da lei judaica. Em Atos 28, temos alguns detalhes a esse respeito. Há indicações de que nessa época ele gozava de considerável liberdade, de que foi libertado e deu início a uma quarta viagem missionária.
Durante sua primeira prisão, Paulo se alegrou com a difusão do evangelho em Roma. O texto em Filipenses 1.13 faz referência ao fato de ele ter evangelizado toda a guarda do “palácio”. Mas na versão grega consta “pretório”, querendo dizer, provavelmente, a Guarda
Pretoriana, a legião imperial favorita, cujos membros haviam recebido a incumbência de vigiá-lo durante o período de sua prisão. Não há dúvida de que Paulo tinha em mente os
resultados de seu testemunho aos seus guardas.
Sua segunda epístola a Timóteo provavelmente foi escrita durante sua segunda prisão em Roma, e o capítulo 4 antecipa o martírio do apóstolo. Acredita-se que nessa ocasião ele estivesse encarcerado na Prisão Mamertine, que ainda hoje pode ser vista por qualquer pessoa que visite Roma.
Muito tem sido escrito sobre a conexão do apóstolo Pedro com Roma. E provável que ele realmente tenha visitado a cidade, e que lá tenha sido martirizado durante a perseguição de Nero. Mas isso não é o mesmo que dizer que ele fundou a Igreja romana, ou que foi seu primeiro bispo. Entretanto, na verdade, a Igreja de São Pedro e o Vaticano foram construídos sobre o circo e os jardins de Nero, onde os cristãos foram martirizados, e Pedro foi provavelmente sepultado em alguma parte de Roma. Porém, afirmar que o túmulo de Pedro encontra-se sob o principal altar da basílica é exigir muito da credulidade da maioria das pessoas.
A leitura das evidências não parece ser suficientemente convincente da possibilidade da sepultura de Pedro ter sido localizada ali (veja na bibliografia uma lista de alguns dos livros mais importantes sobre o assunto).
Roma no Primeiro Século Quando Paulo chegou a Roma por volta do ano 60 d.C., essa cidade ainda não havia atingido o seu apogeu, e isso somente aconteceria durante as primeiras décadas do século II. Mas Roma era uma grande cidade que dominava o mundo Mediterrâneo e comandava o temor, a admiração e o respeito de milhões de pessoas além das fronteiras imperiais.
3. A comunidade judaica em Roma. Havia judeus em Roma já no segundo século a.C. Quando o imperador Pompeu, em 63 a.C, conquistou a Judéia, o número de judeus em Roma aumentou consideravelmente. Mas, por um decreto do imperador Tibério, os judeus de Roma foram expulsos da cidade, para logo em seguida retornarem em maior número. Em 49 d.C, o imperador Cláudio decreta uma nova expulsão de judeus da cidade — este fato é mencionado em At 18.2 — onde está dito que em Corinto, Paulo conheceu um certo judeu chamado Áquila, que havia recentemente chegado da Itália, com Priscila, sua esposa, por ter o imperador Cláudio decretado a expulsão dos judeus da cidade. Tudo indica que Áquila e Priscila já eram cristãos antes do encontro com Paulo em Corinto. Talvez fossem membros da primeira igreja cristã em Roma.
Na capital do Império Romano, desenvolveu-se, no século primeiro, o maior centro judaico do mundo antigo. Havia 13 comunidades e sinagogas com elevado número de membros.
 
 II. OS DESTINATÁRIOS E O PROPÓSITO DA EPÍSTOLA
 
1. Endereço e saudação (Rm 1.1-7).  A epístola de Paulo tinha um endereço certo: a comunidade cristã em Roma. Todas as cartas antigas iniciavam-se conforme um modelo: “Gaio a Jünio, saudação”. Paulo usa a forma habitual – Paulo… -a todos os que estais em Roma – mas ele expande e dá uma ênfase cristã a cada parte da fórmula. A extensão da saudação é explicada pelo fato de que Paulo não havia fundado a igreja em Roma, e ainda não a visitara. Além disso, desde o princípio, o apóstolo sentiu a necessidade de expor os pontos de destaque da polêmica que viria a seguir.1 Este fato confere uma importância incomum às suas palavras de abertura. “Elas são muito mais do que uma introdução formal. Repetidas vezes o tremendo tema da carta aparece nelas. O grande assunto é apresentado desde o início”.
Paulo se apresenta como sendo servo (doulos, servo sem liberdade, ou escravo) de Jesus Cristo (1). Isto é mais do que uma expressão de humildade; Paulo está completamente à disposição do seu Mestre. “O homem que fala agora é um emissário, compelido a cumprir sua obrigação; o ministro do seu Rei; um servo, não um amo. Por mais importante e grandiosa que possa ter sido a pessoa de Paulo, o tema essencial da sua missão não está nele, mas acima dele”.3 Abraão (Gn 26.24; SI 105.6, 42), Moisés (Nm 12.7-8), Davi (2 Sm 7.5-8) e os profetas (Am 3.7; Is 20.3; Jr 7.25) foram chamados de servos do Senhor. Este é o primeiro exemplo de um uso similar no Novo Testamento, e “é impressionante a maneira tranquila como Paulo assume o lugar dos profetas e líderes da Antiga Aliança, e com que tranqüilidade ele substitui pelo nome do seu próprio Mestre uma conexão até agora reservada para o nome de Jeová”.
Ele ainda se identifica como alguém chamado para apóstolo. A expressão grega (.kletos apostolos) significa literalmente “um apóstolo chamado”. Godet explica que isto significa “um apóstolo pelo chamado”.5 Kletos também tem suas raízes no Antigo Testamento. Abraão (Gn 12.1-3), Moisés (Êx 3.10) e os profetas (Is 6.8-9; Jr 1.4-5; Am 7.14- 15) eram servos de Deus por uma convocação divina. A mesma coisa aconteceu com Paulo. Apóstolos significa literalmente “um mensageiro” (“alguém enviado”); é o equivalente grego a “missionário”, que deriva da palavra latina missus. Apóstolo tem dois significados. No sentido mais restrito, é aplicável aos Doze originais (Mc 3.14; Lc 6.13), mas em um sentido mais abrangente é usado para incluir Barnabé (At 14.4,14), talvez Tiago, o irmão de Jesus, (G11.19) e outros (Rm 16.7). Paulo era um apóstolo na concepção mais ampla do termo, mas ao referir-se a si mesmo como kletos apóstolos ele está enfatizando o fato de que ele não é meramente um apóstolo pelo fato de possuir as qualificações descritas em Atos 1.21-22, mas por meio de um encontro pessoal com o Cristo ressuscitado (cf. 1 Co 15.8; G11.1,15-16). “O seu chamado para ser um apóstolo, uma comissão especial de Cristo, veio diretamente, ele afirma, de ‘Jesus Cristo, e de Deus Pai’ (G11.1), que lhe atribuíram a responsabilidade de proclamar o evangelho ao mundo gentílico (G11.16)”.
  Separado para o evangelho, portanto, corresponde a kletos apóstolos. Separado (.aphorismenos) tem a mesma raiz de fariseu (pharisaios). “Paulo, que se separou da lei, foi separado por Deus para o evangelho”.7 “Devemos então chamá-lo de fariseu?”, pergunta Barth. “Sim, um fariseu – ‘separado’, isolado e distinto. Mas ele é um fariseu de uma ordem superior”.8 Ele está separado para o evangelho de Deus. A dedicação é a resposta humana para o ato divino da separação. Deus separa os seus servos, que em troca se dedicam a Ele.9 A aceitação humana do ato divino de separação mostra o lugar da livre ação moral no cumprimento do plano pré-ordenado de Deus (cf. 1 Co 9,27). O evangelho de Deus é “a sua alegre proclamação da vitória e da exaltação do seu Filho, e a conseqüente anistia e libertação que podemos experimentar por meio da fé nele”.
A seguir, Paulo mostra a continuidade da revelação do evangelho com a antiga aliança. As boas-novas (o evangelho) tinham sido prometidas pelos seus profetas nas Santas Escrituras (2). O evangelho representa não uma ruptura com o passado, mas uma consumação dele. Assim Paulo escreve em 1 Coríntios 15.3-4 que “Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras… e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras”. A repetição insistente de que estas coisas aconteceram de acordo com as Escrituras mostra como este fato era vital para Paulo. “As palavras dos profetas, durante muito tempo fechadas a chave, agora estão livres… agora podemos ver e compreender o que estava escrito, porque temos uma ‘entrada para o Antigo Testamento’ (Lutero)”.
  Embora o evangelho tenha a sua origem em Deus, as boas-novas são acerca de seu Filho (3), em quem todas as promessas do Antigo Testamento são cumpridas (2 Co 1.20), e são realizados todos os atos de salvação de Deus (2 Co 5.18-19). “O evangelho tem um centro ao redor do qual tudo gira. Do começo até o final, ele trata do Filho de Deus”.12 Uma fórmula breve (provavelmente relacionada à fé) expõe a natureza do Filho de Deus. Ele nasceu da descendência de Davi segundo a carne, declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos (3- 4). Várias passagens do Novo Testamento confirmam que Jesus era descendente de Davi (por exemplo, Mt 1.1; At 2.30; Ap 5.5).
2. A comunidade cristã em Roma. Aproximadamente cinco anos depois de escrita a carta, o apóstolo chega à Roma.
3. O propósito da epístola.
 
O propósito que Paulo teve em escrever está claramente expresso na carta, e ele não teve razão de ocultar quaisquer veleidades teológicas. Escreveu para dar a entender sua real intenção de visitar os cristãos de Roma (ver 1.10-13), de modo que repartisse com eles, como apóstolo de Jesus Cristo, “algum dom espiritual” (cf. 15.29).
  Aparentemente não tinha um único propósito. Pelo menos quatro podem ser identificados: a) missionário: evidente sentimento paulino de que o trabalho missionário na Ásia e na Grécia já estava completo (Rm 15.19,20) e tencionava levar o Evangelho até a Europa; b) doutrinário: exposição de forma didática e compreensiva das verdades centrais do Evangelho, provável deficiência devido à ausência de um líder apostólico; c) apologético: argumentação sobre a justificação pela fé não parece ser simplesmente informativa, mas uma oposição aos judaizantes que estavam atuando na cidade (Rm 14-15); d) didático: principalmente na seção de prática geral, sobre a moral e a conduta cristã (Rm 12-15), que tem por alvo ensinar, informar e iluminar, e não meramente resolver determinados problemas.
Embora tivesse inúmeros amigos e conhecidos na Igreja de Roma, Paulo era pessoalmente desconhecido da maioria dos crentes. Ele escreveu, em parte, para tornar a Igreja familiarizada com seu antigo desejo de visitá-la (1.13), e também para iniciar uma declaração bastante longa sobre o evangelho. Provavelmente, este fato não se devia a um sentimento de que a Igreja estivesse pouco informada sobre esse assunto, e sim porque estava procurando uma enérgica cooperação desse grupo de crentes na divulgação do evangelho em toda a área ocidental do Mediterrâneo, à qual estava disposto a conceder total atenção assim que o seu ministério em Jerusalém estivesse concluído. Parece que o apóstolo estava enxergando Roma como uma futura base missionária, assim como Antioquia havia sido no oriente.
 A partir dessa base, ele e os demais cristãos poderiam alcançar locais tão distantes quanto a Espanha (15.23ss,). E pouco provável que Paulo tivesse escrito com tantos detalhes apenas por causa de uma subjacente preocupação de talvez ser impedido de chegar até Roma (15.30-32; cf. At 23.11). Se esse fosse o caso, a Igreja usaria essa carta pelo menos para sua instrução e inspiração, assumindo a responsabilidade nela descrita.
Uma outra alternativa, isto é, de que Paulo escreveu dessa forma a fim de lidar com as situações da Igreja de Roma, não seria compatível com a própria epístola. Nada existe sugerindo que Paulo estivesse procurando tratar de problemas específicos dessa comunidade.
De qualquer forma, isso dificilmente poderia ser esperado, pois essa Igreja não havia sido implantada pelo apóstolo.
III. A GRATIDÃO DE PAULO E A JUSTIÇA DE DEUS REVELADA 
 
1. Paulo agradece a Deus pela comunidade cristã em Roma (Rm 1.8-15).
 
Ele começa com um sincero elogio e agradecimento: dou graças ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé O apóstolo exprime sua satisfação a respeito de cada um dos cristãos romanos, porque a fé que eles possuem não está escondida num canto obscuro, mas é do domínio público.
Paulo prossegue acrescentando, como em todas as suas introduções, que ele ora pelos crentes romanos. O bispo Charles Gore ressalta que ocorre uma profunda diferença nos sentimentos de outras pessoas por nós quando elas têm motivo para acreditar que nós oramos por elas.35 Paulo se permite esta vantagem. Porque Deus,… me é testemunha, escreve, de como incessantemente faço menção de vós, … em minhas orações (9). O seu pedido específico é que pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião (10) de ir ter com os romanos.
Depois desse início sem rodeios, Paulo expressa a razão do seu desejo de ir visitá- los… a fim de que sejais confortados. Ele não diz “para que eu possa confortá-los”. O uso modesto da voz passiva omite a participação pessoal de Paulo. Ele continua: isto é, para que juntamente convosco eu seja consolado pela fé mútua, tanto vossa como minha (12). A ênfase recai sobre a reciprocidade do que irá acontecer quando ele fizer a visita. Os cristãos romanos também terão algo para dar ao apóstolo. Paulo aqui exemplifica o espírito de uma pessoa que é genuinamente espiritual. Ele não adota ares de superioridade religiosa (cf. G1 6.1).
Paulo pode ser um estrangeiro em Roma, e a igreja pode ter sido fundada por outro homem, mas ainda assim o apóstolo dos gentios pode escrever: Não quero, porém, irmãos, que ignoreis que muitas vezes me propus ir ter convosco … para também ter entre vós algum fruto, como também entre os demais gentios (13).38 Não há dúvida quanto ao seu direito, ou ao seu desejo, de pregar em Roma. A razão pela qual ele ainda não havia feito essa visita é porque… até agora tenho sido impedido. “Aqui, Paulo não fala (como em 1 Ts 2.18) de um impedimento por Satanás; na verdade, o uso da voz passiva pode (à moda semita) esconder uma referência a Deus – não tinha sido a vontade de Deus que Paulo fosse (cf. At 16.6ss., e talvez 1 Co 16.12). Isto provavelmente deve ser interpretado como significando que tarefas urgentes (somente recentemente terminadas, 15.18ss., 22ss.) haviam mantido o apóstolo no Oriente”.
2. Paulo era testemunha da justiça de Deus revelada pelo poder do Evangelho (Rm 1.16). O apóstolo reconhecia a situação em que estava, diante de Deus, antes de conhecer a Jesus e a mudança que o Evangelho fez em sua vida, após o encontro no caminho de Damasco (At 9).
vv.16, 17 Estes dois últimos versículos da seção introdutória dão a definição, nos próprios termos de Paulo, do evangelho que ele acaba de dizer que pretende pregar em Roma.41 Aqui o apóstolo começa a apresentar o motivo pelo qual a Epístola foi escrita. Dificilmente se percebe, no entanto, a transição do tema precedente.
Ele começa assegurando aos romanos: não me envergonho do evangelho (16).42 Ele deseja que eles entendam que a sua demora não significa algum receio de sua parte acerca do evangelho. “Ninguém deve pensar que ele não poderia ir por estar evitando o desafio que Roma em particular – como o verdadeiro centro do mundo gentílico – poderia representar à sua mensagem. Ele não tem medo de que o evangelho não esteja à altura do seu encontro com a cultura e a vulgaridade acumuladas pela metrópole, nem que os poderes (espirituais ou não), a cultura e a banalidade dominantes ali, possam diminuir o evangelho e até ridicularizar o apóstolo”.43 Mas esta intrepidez não se baseia em uma confiança nos seus próprios recursos espirituais, nem na sua eloqüência, ou em algo deste tipo. A sua confiança se baseia unicamente no poder do evangelho (cf. 1 Co 2.1-5).
Quando Paulo escreve de todo aquele, ele está expressando a universalidade da oferta de Deus; a expressão que crê indica a gratuidade daquela oferta. Godet explica: “A fé da qual o apóstolo está falando não é nada mais do que a simples aceitação da salvação oferecida na pregação”.
Conclusão
 
 Estamos a penas no Inicio do 1º trm. 2016 diante dessa lição maravilhosas, como vimos aceca do conteúdo introdutório da Carta aos Romanos . Paulo estava para encerrar seu trabalho na Ásia (15:19) e ir a Jerusalém com a oferta de amor das igrejas da Ásia (1 5:25-26). Seu coração sempre ansiou por pregar em Roma, e essa longa carta foi sua forma de
preparar os cristãos para sua chegada.
Enquanto estava em Corinto (At 20:1-3), ele também escreveu a carta aos Gálatas, em que respondia aos judaizantes que confundiam as igrejas da Galácia. Talvez, Paulo quisesse advertir e ensinar os cristãos de Roma a fim de impedir que esses judaizantes atrapalhassem seus planos, caso chegassem a Roma antes dele.
O modo como Paulo dirige-se aos irmãos em Roma mostra que ali havia uma igreja atuante bem antes da epístola ser escrita. Não há dados precisos dos primeiros anos do cristianismo em Roma, no entanto, pode-se inferir algo sobre o assunto em fontes literárias e arqueológicas confiáveis.
Paulo destaca alguns aspectos principais na carta aos Romanos. A doutrina da salvação é apresentada dentro de 4 itens essenciais: o teológico (1.18-5.11); o antropológico (5.12-8.39); o histórico (9.1-11.36) e o ético (12.1-15.33). Esse plano alcança toda a obra e contém verdades incontestáveis e irremovíveis.
1. Na esfera Teológica (1.18-5.11). Paulo apresenta a condição perdida dos homens, sem a mínima possibilidade de salvação por méritos próprios. Logo depois, Cristo é a solução, visto que, por meio de sua morte, todos podem ser justificados da condenação. O pecador é justificado mediante a obra expiatória de Cristo Jesus.
2. Na esfera Antropológica (5.12-8.39). Nestes textos a vida assume nova perspectiva. A ilustração do primeiro e segundo Adão coloca o crente de frente a uma nova realidade espiritual. O primeiro Adão foi vencido pelo pecado, mas o segundo o venceu por todos os homens. Em Cristo, o homem assume um novo regime de vida sob a orientação do Espírito Santo.
3. Na esfera Histórica (9.1-11.36). Paulo destaca a questão da rejeição de Israel ao plano divino. A doutrina da salvação é apresentada de forma explícita. Um grupo de judeus cristãos, ainda amarrado às exigências da religião judaica, queria impor sobre os gentios convertidos os mesmos requisitos exigidos pela lei mosaica. Entretanto, Paulo apresentou a obra salvadora de Cristo com sentido universal, extensiva a todos os homens.
4. Na esfera Ética (12.1-15.33). Paulo apresenta algumas implicações do Evangelho para a vida diária. Responsabilidades éticas para com a igreja, a família e a vida material são colocadas em destaque”
Obras Consultadas
Comentário Bíblico WESBE Novo Testamento – Warren W
Romanos Comentário Bíblico ESPERANÇA Adolf Pohl Editora Evangélica Esperança 1998
Comentário Beacon Romanos a 1 e 2 Corintios Volume 8 Editora Cpad
CABRAL, E. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. 7.ed., RJ: CPAD, 2003, p.17.
 Dicionário Bíblico Wycliffe Charles F Pfeiffer Howard

Publicado no blog Valorize a EBD

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *