A Carta aos Hebreus e a Excelência de Cristo – IEADPE

A Carta aos Hebreus e a Excelência de Cristo – IEADPE

Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco

Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais

Pastor Presidente: Aílton José Alves

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LIÇÃO 01 – A CARTA AOS HEBREUS E A EXCELÊNCIA DE CRISTO

1º TRIMESTRE DE 2018 (Hb 1.1-14)

INTRODUÇÃO

Neste primeiro trimestre de 2018, estudaremos sobre o tema: “A supremacia de Cristo: fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus”. Introduziremos o assunto trazendo informações importantes sobre esta epístola e destacaremos seu principal assunto: mostrar a superioridade de Cristo Jesus.

I – INFORMAÇÕES SOBRE A EPÍSTOLA AOS HEBREUS

A Epístola aos Hebreus ocupa lugar de destaque no Novo Testamento, em razão de sua contribuição à doutrina e excelência como peça literária, sendo neste sentido um livro sem par. Henrichsen (1996, p. 07) considera esta epístola como “o melhor comentário que temos do Antigo Testamento”. Vejamos algumas informações sobre esta epístola:

1.1 Autoria. A epístola aos Hebreus é anônima. O escritor não revela o seu nome nem se refere a quaisquer circunstâncias ou ligações que o identifiquem com absoluta certeza. Merryl (1995, p. 378) diz que: “a Igreja Oriental desde os primeiros tempos que considera esta epístola como produto de Paulo, se bem que talvez indireto. Eusébio declarou que Clemente de Alexandria afirmava que Paulo a escrevera em hebraico e que Lucas a traduzira para o grego. Orígenes freqüentemente a citava como havendo sido escrita por Paulo. Muitos outros autores têm sido sugeridos, sendo os principais Barnabé, a quem Tertuliano a atribui, e Apolo, uma sugestão de Martinho Lutero”.

1.2 Destinatários. O título da epístola, “Aos Hebreus”, corresponde plenamente ao conteúdo do livro. O autor tem em mente que os leitores sejam pessoas de confissão totalmente judaica. Os argumentos apresentados, as demais reflexões e muitos detalhes, todos dirigem-se a homens hebreus, em cujos corações estavam os pensamentos, esperanças e consolações do Antigo Concerto. Pelo conteúdo e tom, a epístola revela que os leitores eram cristãos judaicos, isto é, judeus que haviam abraçado o Evangelho de Cristo (BOYD, 1996, p. 111).

1.3 Data e Lugar. Foi escrita em Roma, pois a passagem de Hebreus 13.24 parece dizer que o autor escreveu esta epístola de algum lugar na Itália, por volta do ano 64 a 67 d.C. Levando em consideração Hebreus 10.1 em diante, parece que esta epístola foi escrita antes do ano 70 d.C. Neste capítulo, o escritor sagrado faz alusão à adoração no Templo, em Jerusalém, e aos sacrifícios diários que eram oferecidos pelos sacerdotes ordinários e também do sacrifício anual que era oferecido pelo sumo sacerdote pelo pecado, em favor de toda a nação. Isso nos leva a entender que o santuário ainda se encontrava de pé (SILVA, 2013, p. 18).

1.4 Assunto. Cristo é superior aos anjos, a Moisés ou Josué. O cristianismo é uma aliança superior. A palavra-chave de Hebreus é “melhor” ou “superior” ou “mais excelente”. O cristianismo tem um descanso melhor, um sacerdócio melhor e altar e sacrifício melhores. Barclay (sd, p. 02) diz: “creio que nenhum livro do Novo Testamento nos dá um quadro tão glorioso de Jesus Cristo em todo o esplendor de sua humanidade e em toda a majestade de sua divindade”.

1.5 Propósitos. Hebreus foi escrito para advertir os cristãos judeus contra a apostasia de voltar ao judaísmo. A intenção da epístola parece claramente ser de mostrar a superioridade do cristianismo em relação ao judaísmo. Os primeiros capítulos, mostram o caráter definitivo de Jesus Cristo como a revelação final e perfeita de Deus à humanidade (Hb 1-4).

II – A REVELAÇÃO PROGRESSIVA DE DEUS

2.1 Deus se revelou pelos profetas (Hb 1.1-a). O profeta é um mensageiro de Deus. Sua principal função é tornar conhecidas as revelações divinas e transmiti-las ao povo (Êx 7.1; Nm 12.6; Hb 1.1,2). Eles denunciavam as práticas pagãs e pecaminosas (Am 8.4-6) e conduziam o povo ao restabelecimento espiritual (Is 35.3). Os profetas previram, por exemplo, a vinda do Messias. Vejamos algumas destas profecias: (a) Moisés o chamou de “o profeta” (Dt 18.15); (b) Isaías de “Emanuel” (Is 7.14); “Rebento de Jessé” (Is 11.1); “Ungido do Senhor” (Is 61.1); “Servo” (Is 42.1-3; 52.13-15); “o Justo” (Is 53.11); “Maravihoso”, “Conselheiro”, “Deus Forte”, “Pai da eternidade” e, “Princípe da Paz” (Is 9.6); (c) Jeremias de “o Senhor Justiça Nossa” (Jr 23.5,6); (d) Daniel de “Ancião de Dias” (Dn 7.9); e, “Messias” (Dn 9.25-26); (e) Miquéias de Governador”, “Pastor” e a “nossa paz” (Mq 5.2-5); (f) Zacarias de “rei humilde” (Zc 9.9); e, (g) Malaquias de “o mensageiro da aliança” (Ml 3.1).

2.2 Deus se revelou pelo Filho (Hb 1.1-b). A mais completa forma da revelação especial de Deus encontra-se na encarnação de Jesus Cristo. A encarnação significa que Deus veio plena e pessoalmente a esfera humana, tomando-se acessível a percepção dos homens (Is 7.14; Jo 1.14). Jesus não era um mero mensageiro trazendo uma mensagem sobre Deus. Ele era o próprio Deus em forma humana. Na encarnação, Ele acrescentou a humanidade a sua divindade, sem deixar de ser Deus (Fp 2.5-9). A Bíblia mostra que Jesus Cristo é: (a) a maior revelação de Deus (Hb 1.1); (b) a expressa imagem de Deus (Hb 1.3; Cl 1.15); e, (c) nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade (Cl 1.19).

III – CRISTO NA EPÍSTOLA AOS HEBREUS

O escritor da epístola aos Hebreus introduz o assunto da epístola falando da forma como Deus se revelou através dos profetas e de forma especial em seu Filho visível e histórico e a função deste Filho na criação, revelação, redenção, posição. Vejamos:

3.1 Em relação a criação. Qual a relação de Jesus com a criação do cosmo? O Escritor aos Hebreus nos revela que Cristo é o: (a) Herdeiro de tudo (Hb 1.2-a); (b) Criador do mundo (Hb 1.2-b); e, (c) Sustentador do universo (Hb 1.3-b). Esta afirmação está em perfeita harmonia com o AT, pois a Bíblia diz que: “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). A expressão para “Deus” no hebraico aqui é “Elohim” revela a unidade de Deus na Trindade. “A Trindade é vista no nome Elohim à luz do contexto bíblico. A declaração, “façamos o homem” revela a existência de mais de uma Pessoa na divindade, e não mais de um Deus. Somente o Deus Filho e o Deus Espírito Santo tiveram participação na criação juntamente com o Deus Pai” (SOARES, 2008, p. 79). No NT João afirmou que: “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3); e, Paulo diz também que além de Criador é Herdeiro: “Tudo foi criado por ele e para ele” (Cl 1.16-b); e, Sustentador: “todas as coisas subsistem por ele” (Cl 1.17). O arianismo alega que Cristo era a criatura suprema de Deus dentre as demais criaturas. A expressão “primogênito da criação” (Cl 1.15) ou “princípio da criação de Deus” não quer dizer que ele é o primeiro ser criado, mas que é herdeiro de tudo, pois o primogênito era o herdeiro (Gn 27.19); e, “princípio” significa: origem, causa primeira e Senhor de toda a criação de Deus. A Bíblia mostra Jesus, o Messias, como um ser incriado (Mq 5.2; Is 9.6; Jo 8.58; Cl 1.16,17; Hb 1.10-12; Ap 1.8,11).

3.2 Em relação a revelação. Em relação a revelação o escritor aos Hebreus nos diz que Jesus é: (a) O Resplendor da Glória de Deus (Hb 1.3-a); (b) a expressa imagem da sua Pessoa (Hb 1.3-b); e, (c) Está sentado a direita do Pai (Hb 1.3-e).

A expressão “resplendor da sua glória” diz respeito “a revelação de Deus de si mesmo acompanhado por tal esplendor e brilho” (GRUDEN, p. 330). Quando encarnou, Jesus manifestou a glória de Deus (Jo 1.14). Paulo falou da revelação “da glória de Deus, na face de Jesus Cristo” (2 Co 4.6). Quanto a “expressa imagem da sua Pessoa” (Hb 1.3-b) é bom dizer que Deus é Espírito (Jo 4.24), portanto, não tem corpo (Lc 24.39); é invisível (1 Tm 1.17); nem pode ser visto por ninguém (Jo 1.18-a); mas, João diz que embora Deus não tenha sido visto por ninguém: “O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou” (Jo 1.18); pois, Ele é a “imagem do Deus invisível” (Cl 1.15). Jesus ocupa uma posição de destaque ao lado do Pai, a qual ninguém mais ocupa (Mt 26.64; At 2.33; 7.55; Hb 1.3-e,13; 12.2; 1 Pe 3.22).

3.3 Em relação a redenção. Em relação a redenção da humanidade, o escritor aos Hebreus assevera que Jesus “fez por si mesmo a purificação dos nossos pecados” (Hb 1.3-d). Ele nasceu com o propósito de salvar (Mt 1.21; Mt 20.28); e, estava disposto a cumprir por amor e de forma voluntária (Jo 10.17,18; 15.13). A sublime missão do Messias está presente em todas as Escrituras. Ela foi explicitada: (a) pelos profetas (Is 53.4,5,11-b; Jr 23.6; Ml 4.2); (b) pelos anjos de Deus (Mt 1.21; Lc 2.11); (c) o próprio Jesus (Mt 18.11; Mt 20.28; Lc 19.10; 26.26-28; Jo 3.16,17; 15.13); e, (d) os apóstolos (At 5.31; Ef 5.23; Fp 3.20; 1 Tm 1.11; 2 Tm 1.10; Tt 1.4; 2.13; 3.4,6; Hb 2.10; 2 Pe 1.1,11, 2.20; 3.18; 1 Jo 4.14).

3.4 Em relação aos anjos (Hb 1.4-14). Desde o primeiro século da igreja cristã surgiram várias concepções errôneas sobre a Pessoa de Jesus, dentre elas acreditavam alguns ser ele um anjo de poder elevado. Embora no AT Jesus apareça como “Anjo do Senhor” isto não significa dizer que Jesus é um anjo de alta hierarquia, até porquê a expressão “anjo” no hebraico “mal’ãkh” quer dizer “mensageiro” (Ml 3.1). Esse “Anjo do Senhor” aparece no AT como sendo o próprio Deus (Êx 3.2-22; 33.21; 33.14; Jz 6.11; 13.22). O escritor aos Hebreus diz que por causa da encarnação, Jesus, se fez por um pouco de tempo “menor do que os anjos” (Hb 2.9), mas, ainda assim, em figura humana, foi servido e adorado por eles (Mt 4.11; Lc 2.10-14; Hb 1.6). Portanto, Jesus é superior aos anjos e não pode ser confundido com eles. Vejamos:

ANJOS JESUS CRISTO
Criaturas (Hb 1.7) Criador (Cl 1.16; Hb 1.4-b)
Nome excelente (Hb 1.4-a) Nome mais excelente (Ef 1.20,21; Fp 2.9,10; Hb 1.4-b)
Relacionam-se como servos de Deus (Sl 103.21; Hb 1.7,14) Relaciona-se como Filho de Deus (Mc 1.11; Hb 1.5)
São adoradores (Hb 1.6) É adorado (Hb 1.6; Ap 5.8-14)

 

CONCLUSÃO

Embora a Epístola aos Hebreus trate de diversos assuntos referentes a vida cristã, este tratado é essencialmente Cristocêntrico, pois o autor esmerou-se em mostrar que Cristo é a revelação completa e definitiva de Deus aos homens.

REFERÊNCIAS

BOYD, Frank M. Comentário Bíblico: Gálatas, Efésios, Filipenses, 1 e 2 Tessalonicenses e Hebreus. CPAD

GILBERTO, Antonio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal. CPAD.

HENRICHSEN, Walter A. Depois do sacrifício: Estudo Prático da Carta aos Hebreus. VIDA.

RENOVATO, Elinaldo. Colossenses: A perseverança da igreja na Palavra nestes dias difíceis e trabalhosos. CPAD.

SILVA, Severino Pedro da. Epístola aos Hebreus: as coisas novas e grandes que Deus preparou para você. CPAD.

STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

TENNEY, Merryl. O Novo Testamento: sua origem e análise. VIDA NOVA.

Publicado no site da Rede Brasil de Comunicação

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