As Manifestações do Espírito Santo – Ev. José Roberto A. Barbosa

As Manifestações do Espírito Santo – Ev. José Roberto A. Barbosa

AS MANIFESTAÇÕES DO ESPÍRITO SANTO

Texto Áureo: At. 2.39 – Texto Bíblico Básico: At. 2.1-6; I Co. 12.1-7

INTRODUÇÃO

Uma das doutrinas basilares da Assembleia de Deus, e do Movimento Pentecostal como um todo, é o batismo no Espírito Santo, com evidência inicial de falar línguas, e a atualidade dos dons espirituais. Por isso, nos estenderemos um pouco mais nessa aula, a fim de apontar os aspectos fundamentais dessas doutrinas. Inicialmente trataremos a respeito do batismo no Espírito Santo, e em seguida, dos Dons Espirituais, com ênfase em I Co. 12. 1-7, reconhecendo que existem outras passagens alusivas aos dons espirituais.

  1. OBJETIVO DO BATISMO NO ESPÍRITO SANTO

O objetivo central do batismo com o Espírito Santo não é a santificação, mas a preparação para o serviço. Essa é a razão pela qual Jesus ordenou aos seus discípulos, conforme o registro de Lucas, 24.49: “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder”. Ainda em outra oportunidade: E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes.  Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (At. 1.4,5).

  1. A PROMESSA DO BATISMO NO ESPÍRITO SANTO

Em At. 1.8, Jesus, antes de ascender ao Céu, disse aos seus discípulos: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”. Devemos observar que essa foi uma promessa ao discípulos que já desfrutavam de profunda comunhão com Cristo, pois seus nomes já estavam escritos nos Céus (Lc. 10.20) e já haviam sido purificados pela Palavra de Cristo (Jo. 13.10; 15.3). É válido ressaltar aqui que João Batista profetizou a respeito desse batismo: Mt. 3.11; Mc. 1.8; Lc. 3.16; Jo. 1.33.

  1. TERMINOLOGIA BÍBLICA DO BATISMO NO ESPÍRITO SANTO

Outros termos, do Novo Testamento, definem o que seja o batismo com o Espírito Santo. Ele é chamado de “enchimento” (At. 2.4), “derramamento”, conforme profecia de Jl. 2.28,29 (comp. At. 2.33; 10.45), “recebimento” do dom (At. 2.38, 8.17), “descida sobre” (At. 10.44; 11.15; 19.16). Conforme já vimos em lição anterior, esse é uma experiência recorrente, como diz Pedro, em At. 2.39) e como comprovação disso, vemos em At. 19.1-7, onde o verbo “crestes” é pisteusantes, particípio aoristo, que indica ação anterior à do verbo principal, reforçando, assim, a interpretação de que o “recebimento” do dom do Espírito foi posterior à “crença”.

  1. O MOTIVO DO BATISMO NO ESPÍRITO SANTO

Conforme depreendemos de At. 1.8, o propósito primordial do batismo com Espírito Santo é dotar o cristão de um poder sobrenatural para servir, através do qual, o indivíduo se torna um canal de testemunho para o mundo. Assim, o Senhor nos direciona no sentido de percebermos que não podemos testemunhar “até os confins da terra”, a menos que dependamos do “poder” dEle. A palavra poder, no grego, é dunamis, que se refere a capacidade dada por Deus para realizar coisas maravilhosas, incluindo, aqui, milagres, algo comum no livro de Atos. Um outro destaque para a palavra testemunha “martus”, que, no grego, tem tanto uma conotação legal quanto histórica, os apóstolos foram testemunhas da morte e ressurreição de Cristo (At. 2.32; 3.15; 5.32) e, na verdade, se tornaram “mártires”, que vem da palavra testemunha, isto é, entregaram suas próprias vidas por amor a Cristo.

  1. O RECEBIMENTO DO BATISMO NO ESPÍRITO SANTO

É comum, no meio evangélico, pensar que alguém recebe o batismo com o Espírito Santo por merecimento. Quando alguém vai a frente, pede, mas não recebe, pode achar que não obteve o “dom” porque deixou de cumprir algum ritual. Mas a experiência do Batismo com o Espírito Santo é um justamente isso, um “dom” (At. 10.45), sendo assim, não esperemos ser perfeitos para buscá-lo, pois como nos lembra o Senhor, aquele que batiza: “Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” (Lc. 11.13). Se alguém tiver de fazer alguma coisa para receber o batismo com o Espírito Santo, siga o exemplo dos discípulos, integre-se à adoração ao Senhor com júbilo sincero, do íntimo do nosso ser (Lc. 24.52), permaneçamos unanimemente em oração e súplicas (At. 1.14;2.1).

  1. DONS ESPIRITUAIS: DEFINIÇÃO E CLASSIFICAÇÃO

A palavra comum, no grego, para dons é charismata que, nos textos bíblicos, referem-se, no plural, às manifestações sobrenaturais provenientes do Espírito Santo para a edificação do corpo de Cristo (I Co. 12.4), tal palavra vem de charis (graça), sendo, portanto, assim como a salvação, dádiva divina, sem que haja merecimento. Conforme apontado anteriormente, tais dons são espirituais, isto é, pneumaticos (em grego), sendo assim, não se pode pensar que sejam resultantes do esforço meramente humano (I Co. 12.7; 14.1). Assim, o estudo desses vocábulos, a partir do grego do Novo Testamento, nos leva a concluir que os dons são dádivas espirituais, concedidas pelo Espírito Santo, sem que haja merecimento humano, a fim de favorecer a edificação da igreja. Em I Co. 12.8-10, temos a seguinte classificação teológica:  Palavra da Sabedoria – este dom, geralmente, transmite uma palavra de sabedoria para orientar a igreja, assim como em Jo. 4.17,18; At. 6.10; 15.13-22;  Palavra do Conhecimento – esse dom vem da revelação de um conhecimento antecipado de uma determinada verdade espiritual, como aconteceu em Jo. 4.23,24; At. 5.1-10; I Co. 14.24,25. Fé – esse dom tem como objetivo a operação de milagres, não se trata, portanto da fé para a salvação (Ef. 2.8,9), e muito menos da fé como aspecto do fruto do Espírito (Gl. 5.22). Essa é a fé dada instantaneamente por Deus para a realização de curas e milagres (Mt. 17.20; Mc. 11.22-24; Lc. 17.6).; Curas – no plural, são concedido para à restauração da saúde física, por meios divinos e sobrenaturais (At. 3.6-8; 4.30). O plural (dons) indica curas de diferentes enfermidades e sugere que cada ato de cura vem de um dom especial de Deus;  Operação de milagres – atos sobrenaturais de poder que intervêm nas leis da natureza com o objetivo de glorificar a Deus (At. 9.40; 13.9-11; 20.10; 27.43; 28.5); Profecia – capacita o crente a transmitir uma mensagem uma palavra ou revelação diretamente de Deus, sob o impulso do Espírito Santo (I Co. 14.24-31), a igreja não pode ter essas mensagens como infalíveis, pois há falsos-profetas (I Jo. 4.1), por isso, toda profecia deve ser julgada (I Co. 14.29,32; I Ts. 5.20,21); Discernimento de espíritos – para discernir e julgar corretamente as profecias e distinguir se uma mensagem provém do Espírito Santo ou não. Esse dom é fundamental na medida em que existem muitas distorções dos ensinos cristãos (I Tm. 4.1), eis alguns exemplos: At. 5.3; 8.20-23; 16.16-18; Variedade de línguas – não se trata de uma língua aprendida, e, geralmente, não é entendida nem pelo que fala (I Co. 14.14) nem pelo que a ouve (I Co. 14.16). Quem fala em línguas edifica-se a si mesmo, por isso, quem fala línguas ore para que haja interpretação (I Co. 14.3,27,28); e Interpretação de línguas – capacidade concedida pelo Espírito Santo, não através do conhecimento prévio de determinado idioma, para que o portador do dom compreenda e transmita o significado de uma mensagem dada em línguas (I Co. 14.6,13,16).

CONCLUSÃO

Os dons espirituais, conforme nos instrui o apóstolo Paulo, são dados para “cada um para o que for útil” (I Co. 12.7) e visam, acima de qualquer coisa, à edificação e à santificação da igreja (I Co. 12.7). Tantos os dons (charismata) de I Co. 12.8-10 quanto os de Rm. 12-6-8 são espirituais (pneumaticos), concedidos de acordo com a vontade do Espírito Santo (I Co. 12.11) a fim de suprir as necessidades da igreja (I Co. 12.31; 14.1)

BIBLIOGRAFIA

BARBOSA, J. R. A. O Cremos da Assembleia de Deus. São Paulo: Reflexão, 2017.

SOARES, E. A razão da nossa fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

Publicado no blog Subsídio EBD

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