As Consequências das Escolhas Precipitadas – Ev. Isaías de Jesus

As Consequências das Escolhas Precipitadas – Ev. Isaías de Jesus

AS CONSEQUÊNCIAS DAS ESCOLHAS PRECIPITADAS

TEXTO ÁUREO = “O longânimo é grande em entendimento, mas o de ânimo precipitado exalta a loucura.” (Pv 14.29).

VERDADE PRÁTICA = Não sejamos precipitados em nossas escolhas, pois a precipitação gera crises e erros irreparáveis.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE= Gênesis 13. 7-18

INTRODUÇÃO

A vida de Abraão foi marcada por uma série de altos e baixos. Ele era um homem de verdadeira fé, e como todos os santos, ele passou por períodos de declínio espiritual. Após a sua queda no capítulo 12, ele estava brilhando novamente para Deus no capítulo 13 de Gênesis.

A restauração de Abraão – versículos 1-4.

Embora Abraão tenha falhado com Deus no Egito, o Senhor não o abandonou [Salmo 37:23-24]. Através do castigo ele foi restaurado novamente para Deus [Hebreus 12:6-11]. Embora a fé das pessoas regeneradas possa falhar de vez em quando, ela nunca é vencida [Hebreus 12:2; Lucas 22:32]. Abraão voltou para Canaã e à comunhão com Deus. Ele estava confiando em sua própria sabedoria quando ele desceu ao Egito. Cada passo de descrença o envolveu em maiores dificuldades. Depois de ser castigado e lembrado da habilidade de Deus em cuidar de Seus filhos, ele retornou ao lugar onde havia abandonado a Deus, e então começou novamente a ter comunhão com Ele. A oração de Abraão sem dúvida incluiu uma confissão de seu pecado [I João 1:7-9].

Um Problema – versículos 5-7.

Os Cristãos nunca vão muito longe sem se depararem com problemas. Deus havia enriquecido tanto a Abraão e a Ló, que se tornou difícil para eles viverem perto um do outro. Começou a ocorrer um atrito entre seus pastores, que aumentou dia a dia. Não podemos afirmar, mas imaginamos que em parte este problema veio pela desobediência inicial de Abraão, que falhou em se separar totalmente de sua parentela [Gênesis 12:1].

O versículo 7 nos mostra que os habitantes originais de Canaã estavam presentes lá. Uma importante lição deveria ser observada aqui. Os Cristãos terão sempre suas diferenças e desacordos. No entanto devemos lembrar que o mundo e os inimigos de Deus estão assistindo. O mundo adora ver os Cristãos brigando e desonrando a Deus. Vamos sempre ser cuidadosos em nosso comportamento quando tratarmos com outros crentes, de maneira que venhamos a agradar a Deus [I Coríntios 6:1-7 ilustra isto].

Uma Resposta Espiritual – versículos 8-9.

Abraão verdadeiramente manifestou um espírito Cristão aqui. Lembrando-se de que ele e Ló eram “irmãos”, demonstrou que não queria brigar. Ele parecia valorizar seu relacionamento com o povo de Deus. Em sendo um homem mais velho, ele poderia ter decidido as coisas a sua maneira, mas rebaixou-se para Ló [I Pedro 5:5; I Coríntios 6:7]. Em tudo isso ele agiu como um homem de mente espiritual [I Coríntios 3:1-3].

Perceba que enquanto nós nunca deveríamos desenvolver uma raiz de amargura contra outro Cristão, às vezes a separação é a melhor opção. Como ocorreu com Paulo e Barnabé, às vezes os homens mortais não podem se encarar face a face [Atos 15:36-41]. Entretanto, o amor Cristão deveria permanecer.

Uma Decisão Carnal – versículos 10-13.

Ló era um verdadeiro filho de Deus [II Pedro 2:6-9]. Infelizmente, ele ilustrou a verdade de que os santos podem fazer decisões carnais e sofrerem grandes perda.

Note os erros de Ló:

A.  Ele se casou com uma mulher que não temia a Deus e teve graves conseqüências em sua vida como resultado dessa decisão.

B. Ele tomou decisões sem primeiro orar [Provérbios 3:5-6]. Diferente de Abraão, a Bíblia não menciona que ele tivesse muita comunhão com Deus.

C. Suas decisões foram baseadas somente em fatores mundanos [vers. 10], sem nenhuma preocupação das implicações espirituais [vers. 13]. Quando sua vida é explanada diante de nós, vemos que ele estava constantemente ocupado nos negócios deste mundo.

Vejamos o que Ló perdeu em razão de sua vida espiritual descuidada:

A) Ele perdeu a paz e a alegria de espírito [II Pedro 2:7-8].

B) Ele perdeu sua família. Sua mulher e alguns de seus filhos morreram quando Sodoma foi julgada. Suas outras duas filhas deram muitas evidências de que não conheciam a Deus.

C) Ele perdeu na sua influência. Não há evidências de nenhuma conversão em Sodoma. Até mesmo sua família não levou a sério as suas advertências espirituais [Gênesis 19:14].

D) Seus descendentes se tornaram uma maldição para o povo de Deus [Gênesis 19:36-38].

E) Ele caiu em pecados grosseiros [Gênesis 19:30-38].

F) Parece que ele foi corrigido por Deus [Gênesis 14], mas não tirou proveito disso, o que levou Deus a exercer uma disciplina mais séria de Gênesis 19.

G) Em geral podemos dizer, que enquanto a alma de Ló estava salva, sua vida foi perdida. Consideremos a importância de caminharmos em obediência com o Nosso Salvador.

Andando com Deus – versículos 14-18.

Enquanto Ló estava aprendendo que este mundo não pode dar satisfação, Abraão estava desfrutando da comunhão com Deus. Vamos meditar seriamente neste contraste. Porventura Abraão não escolheu a melhor parte? Uma vez mais Deus faz promessas a Abraão. Estas promessas se referem à Aliança da Palestina. A terra da Palestina foi dada como uma concessão perpétua a Abraão e sua semente. É fascinante ver Israel hoje de volta à sua terra.

Alguns têm perguntado como as promessas de Deus a respeito de uma herança terrena, pode se encaixar com a passagem de Hebreus 11:8-10. Lembre-se de que Abraão será ressuscitado para reinar com Cristo aqui na terra [Mateus 8:11]. Um dia o reino de Deus se manifestará visivelmente na nova e transformada terra. Abraão morreu sem possuir um acre da terra de Canaã [Atos 7:2-5], no entanto, ele desfrutará desta herança por toda a eternidade.

Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Setor I – Em Dourados – MS

Bibliografia

Livro – Um Guia de Estudo do Livro de Gênesis = Ron Crisp, Pastor

 

AS CONSEQUÊNCIAS DAS ESCOLHAS PRECIPITADAS

TEXTO ÁUREO = “O longânimo é grande em entendimento, mas o de ânimo precipitado exalta a loucura.” (Pv 14.29)

VERDADE PRÁTICA = Não sejamos precipitados em nossas escolhas, pois a precipitação gera crises e erros irreparáveis.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE= Gênesis 13. 7-18

INTRODUÇÃO

  1. A primeira chamada de Abraão. Quando Abraão ainda morava em Ur, o Deus da glória lhe apareceu e lhe deu uma chamada que compreendia três diferentes ordens: sai da tua terra”, “sai da tua parentela, e dirige-te à terra que eu te mostrar” (At 7.2,3).
  1. Abraão sai de Ur com sua família. O relato bíblico sugere que Abraão falou com sua família sobre a ordem que havia recebido de Deus, e esta mostrou- se disposta a ir à mesma terra que Deus prometera mostrar a Abraão. Assim, diz a Bíblia: ‘Tomou Terá a Abrão seu filho, e a Ló, filho de Ara, filho de seu filho, e Sarai sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos caldeus, para ir à terra de Canaã; e vieram até Harã. e habitaram ali” (Gn 11.31). Parece que Abraão nem teve oportunidade de emitir opinião.
  1. Obediência incompleta. Quando Abraão saiu de Ur, seu pai era o patriarca da família. O resultado desta incompleta obediência à ordem de Deus foi negativo. Nenhuma das três ordens de Deus havia sido atendida: Abraão não deixou a sua terra, pois parou em Harã, outra cidade do mesmo país; Abraão não saiu de sua parentela, pois seu pai era o líder da peregrinação; a promessa de que Deus lhe mostraria uma terra não foi aproveitada, uma vez que a direção estava com Terá.

O CUIDADO COM AS ESCOLHAS

  1. A fome, uma grande prova. Uma das maiores provas a que alguém pode ser submetido é a da falta de alimentos, a falta da subsistência. Todavia, para aquele que confia no Senhor, ela toma-se uma oportunidade do crente glorificar a Deus. Veja He 3.17-19. Diz a Bíblia: E havia fome naquela terra (Gn 12.10). Abraão, iniciante no caminho da fé. não tinha ainda enfrentado obstáculos e dificuldades na sua caminhada. Não tinha ainda experiência quanto à maneira de proceder quando as coisas começassem a aparecer contrárias. E a provação veio para o servo de Deus. Abraão possuía um grande rebanho que dependia de bons pastos, e a situação era realmente preocupante. Mas que contradição! Veio a seca e a consequente fome na terra da promessa!
  1. Deus sempre permanece fiel. Desde que iniciara sua caminhada de acordo com a chamada de Deus, Abraão havia experimentado que o Senhor havia em tudo cumprido a sua palavra. Deus havia dito: E eu te mostrarei” (Gn 12. l), e assim foi. O percurso de Abraão até aquele momento havia sido o trilho da direção divina. A seca que castigou aquela terra colocou a fé de Abraão em prova. Deus havia dito: E abençoar-te-ei” (Gn 12.2). Onde estava agora a bênção prometida? É importante lembrar que Deus nunca prometeu que a nossa vida de fé seria livre de provações. Mas prometeu que seria nosso refúgio e fortaleza e socorro bem presente na angústia’ (SI 46.1). “E ainda: ‘Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás” (SI 50.15).

3.Abraão desce ao Egito. Abraão havia passado por Betel onde havia edificado um altar a Deus e invocado seu nome (Gn 12.8). A situação de fome que passou a castigar a terra de Canaã colocou Abraão numa verdadeira encruzilhada: continuar a peregrinar na terra para a qual Deus o havia trazido, mas onde havia fome, ou fugir para o Egito à busca de uma solução. (SH) Não há na Bíblia evidência de que Deus tivesse orientado Abraão a peregrinar no Egito. “Contudo está escrito: E desceu Abraão ao Egito para peregrinar ali” (Gn 12.10).

Pelo menos duas vezes lemos na Bíblia acerca de pessoas que foram orientadas por Deus para irem ao Egito. Jacó, já velho, foi convidado por seu filho José para ir ao Egito. (SC) Deus apareceu a Jacó em visões de noite e disse: “Não temas descer ao Egito, porque eu te farei ali uma grande nação. E descerei contigo ao Egito…” (Gn 46.1- 5). No Novo Testamento encontramos a orientação dada por Deus a José de fugir para o Egito com Maria e o menino Jesus, a fim de escaparem da perseguição de Herodes (Mt2.13).  No caso de Abraão, a decisão de descer ao Egito foi resultado de considerações humanas. Quem sabe a ideia partiu de Ló que era extremamente materialista.

  1. Abraão pagou caro a sua precipitação. Para aquele que deseja andar no caminho da fé, lançar mão de soluções precipitadas para problemas e sofrimentos é sempre perigoso. Abraão pagou caro ter-se precipitado, indo para o Egito sem a direção de Deus. Esperar em Deus é sempre a melhor solução. Deus tem em todas as circunstâncias a solução do mais alto nível. Devemos, portanto, cuidar a fim de que não nos precipitemos criando saídas humanas para dificuldades que venhamos a enfrentar.

LÓ É ATRAIDO POR AQUILO QUE VÊ

  1. A chamada pessoal. Abraão foi chamado para ir sozinho a Canaã, (SH) pois a sua chamada não se referia apenas à salvação de sua alma. Havia ainda uma chamada específica: Abraão seria feito uma grande nação. Deus queria levantar uma grande nação e estava levantando o patriarca para ela. Neste empreendimento Ló não tinha nenhuma participação. A chamada era para Abraão, e a presença de Ló viria a ser bastante prejudicial ao futuro patriarca de Israel.
  1. A falta de espaço. Tomou-se um impedimento à convivência de ambos a falta de espaço. Tanto Abraão como Ló tinham rebanhos, vacas e tendas (Gn 13.5). E não tinha capacidade a terra para poderem habitar juntos, porque a sua fazenda era muita, de maneira que não podiam habitar juntos (Gn 13.6). E houve contenda entre os pastores do gado de Abraão c os pastores do gado de Ló (Gn 13.7). Abraão não queria de modo algum que a contenda entre os pastores viesse a gerar problema entre ele e seu sobrinho. Abraão zelava pelo bom testemunho deles diante dos povos em cujo meio peregrinavam.

DEUS ORIENTOU ABRAÃO NA SUA SEPARAÇÃO DE LÓ

1. Abraão abordou o assunto. Abraão havia recentemente renovado o altar do Senhor (Gn 13.4). Certamente ele se sentiu impulsionado a completar a obediência total diante de Deus, para assim desfrutar de modo pleno das bênçãos prometidas na sua chamada inicial.

  1. A proposta de Abraão a Ló. Sem constrangimento disse Abraão a Ló: “Não haja contenda entre mim e ti, e entre os meus pastores e os teus pastores, porque irmãos somos. Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois. aparta-te de mim; se escolheres a esquerda, irei para a direita; e se a direita escolheres, eu irei para a esquerda”(Gn 13.8-9).
  1. O direito de escolha. Abraão, sendo o mais velho e o líder desta peregrinação em Canaã, por direito poderia ter escolhido primeiro, mas deixou que Ló o fizesse. Abraão era homem de fé, e a fé opera por amor” (Gl 5. 6). O amor não busca o seu interesse (l Co 13.5). Na sua fé em Deus, Abraão confiava que Deus ia tomar a frente dele e de sua esposa não só quanto àqueles problemas então presentes, mas também nos tempos que estavam por vir. E os que confiam no Senhor não serão confundidos (Is 49.23).

A ESCOLHA DE LÓ.  Ante a proposta generosa de Abraão, diz a Bíblia: “Então Ló escolheu para si toda a campina do Jordão, e partiu Ló para o oriente, e apartaram-se um do outro” (Gn 13. 11). Não houve um rompimento entre eles. Não houve uma separação brusca, tão-somente Ló deixou a companhia de Abraão para viver a sua vida particular em região de sua própria escolha.

  1. A escolha materialista de Ló. A escolha de Ló só levou em conta vantagens materiais. A vida que havia levado até então na terra de Canaã tinha sido aquela de peregrinos e forasteiros. Moravam em tendas. Talvez Ló almejasse estabelecer-se de modo mais permanente. E as campinas bem regadas que havia escolhido, eram muito promissoras. Certamente uma bela escolha, dentro de uma visão puramente material.

Ló esqueceu-se de avaliar as consequências espirituais de sua escolha. 0ra, eram maus os varões de Sodoma. e grandes pecadores contra o Senhor (Gn 13.13). Certamente Ló conhecia estas características dos habitantes de Sodoma, mas as vantagens materiais eram irresistíveis. Assim, LÓ habitou nas cidades da campina, e armou as suas tendas até Sodoma (Gn 13.12).

  1. Consequências da escolha de Ló. Ló e toda a sua família foram bastante prejudicados pela escolha feita. Vejamos:

a) Armou as suas tendas até Sodoma. Ló, depois de armar as suas tendas até Sodoma, passou a habitar naquela cidade (Gn 14.12). Mais tarde, passou a assentar- se à porta da mesma, lugar das autoridades municipais (Gn 19.1).

b) Perdeu a autoridade sobre a esposa. A mulher de Ló envolveu-se de tal forma com a sociedade de Sodoma, que quando os anjos, quase arrastado-a para fora da cidade, para livrá-la da destruição iminente, lhe ordenaram que não olhasse para trás ela desobedeceu e ficou convertida em uma estátua de sal (Gn 19.16.26; Lei 7.32).

c) Suas filhas se corromperam. A? filhas de Ló, por ocasião da destruição de Sodoma, tinham contratado casamento com pessoas que consideraram Ló um zombador quando este os avisou da destruição da cidade e queria salvá-los dela (Gn 19.14). Já salvas da destruição, as filhas de Ló mostraram que tinham assimilado a devassa moral de Sodoma (Gn 19.31-38).

  1. Uma advertência sempre atual. O exemplo de Ló é, para nós, uma séria advertência. Jesus disse: “Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló… assim será no dia em que o Filho do homem se há de manifestar (Lc 17. 28-30). Vivemos às vésperas do Arrebatamento, e precisamos atentar para o exemplo de Ló. o qual fez as suas escolhas pensando em vantagens materiais. Jesus deu-nos um aviso muito sério: Olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia” (Lc21.34).

ABRAÃO APÓS A SEPARAÇÃO DE LÓ

  1. Obediência integral. Após a partida de Ló para a região que escolhera, Abraão finalmente entrou no trilho da obediência integral à ordem que Deus lhe dera de deixar não só a sua terra, mas também a sua parentela. Fica bem claro nesta experiência que não existem detalhes insignificantes numa ordem dada por Deus. Tudo é importante, e tudo deve ser obedecido. Abraão precisou consertar uma falha na sua obediência. Será que nós também temos uma necessidade semelhante? Será que temos plena certeza de estarmos obedecendo a Deus à risca? O salvo deve ter purificada a sua alma na obediência à verdade (l Pé l .22), pois é eleito ‘para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo (l Pé l.2).

Nunca devemos nos sentir tranqüilos se estivermos vivendo alguma desobediência, ou abrigando algum vício. Aprendamos com Abraão. Ele se consertou com Deus. Não sejamos rebeldes: Porque a rebelião é como pecado de feitiçaria”. Fujamos, pois, de todo pecado. Sigamos nas pisadas de nosso pai Abraão!

  1. O Senhor fala novamente a Abraão. “E disse o Senhor a Abraão depois que Ló se apartou dele: Levanta agora os teus olhos, e olha desde o lugar onde estás, para a banda do norte e do sul. e do oriente e do ocidente; porque toda esta terra que vês te hei de dar a ti e à tua semente para sempre (Gn 13.14- 15). Observem que a promessa incluía a terra que Ló passou a ocupar! E Abraão armou as suas tendas nos carvalhais de Manre, junto a Hebrom. Agradecido a Deus pelas muitas bênçãos, Abraão edificou ali um altar ao Senhor (Gn 13.18).

ABRAÃO SOCORRE LÓ E SUA FAMÍLIA

  1. Situação política da planície de Sodoma. Durante 12 anos cinco reis da planície de sodoma haviam sido tributário do rei Quedorlaomer. Sabendo que este rei, juntamente com outros três aliados. estava em campanha militar contra nações que habitavam nas redondezas, os cinco reis da planície resolveram aproveitar a ocasião para libertarem-se da opressão, e saíram para guerrear contra ele (Quedorlaomer) e seus aliados.
  1. Ló é levado cativo. No confronto militar, os reis da planície de Sodoma ficaram em desvantagem. Os reis de Sodoma e de Gomorra fugiram. Suas cidades foram despojadas e seus habitantes levados cativos, inclusive Ló e sua família.
  1. Abraão é informado. Um homem que escapara da batalha veio a Abraão e contou-lhe o que acontecera. E Abraão sentiu necessidade de levar a sua ajuda a seu parente em perigo. Como prisioneiro de guerra Ló poderia até ser vendido como escravo. Ló sofria as consequências da escolha que fizera… Neste acontecimento, também, Abraão deu o exemplo de crente fiel. Diz a Escritura: “Mas se alguém não tem cuidado dos seus. e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel (l Tm 5.8). Abraão se prontificou a ajudar, mas esta tarefa era muito difícil. (SH) Seus recursos eram pequenos, seus homens poucos em relação ao exército inimigo. Mas certamente ponderou como Jônatas se expressou séculos mais tarde: “Porventura obrará o Senhor por nós. porque para com o Senhor nenhum impedimento há para livrar com muitos ou com poucos (l Sm 14.6).
  1. Abraão entra em ação. Ao tomar conhecimento do que havia acontecido com Ló, Abraão não ficou indeciso quanto ao que deveria fazer. (SD) Diz a Escritura: “Armou os seus criados, nascidos em sua casa, trezentos e dezoito, e os perseguiu até Da (Gn 14.14). Acompanharam-no três confederados. Escol. Manre e Aner. Usou a estratégia de dividir seus poucos homens em vários grupos e fazê-los todos, simultaneamente, atacar o acampamento inimigo à noite (Gn 14.15).

Tirou portanto proveito da surpresa e da escuridão. O exército dos quatro reis foi derrotado e fugiu. Dos quatro reis alguns morreram (Hb 7.1). Assim, Abraão lutou contra os opressores e obteve vitória e tomou a trazer toda a fazenda, e tomou a trazer também a Ló. seu irmão, e a sua fazenda, e também as mulheres, e o povo”(Gn 14.16).

MELQUISEDEQUE ABENÇOA ABRAÃO

Ao voltar vitorioso da guerra, Abraão encontrou-se com Melquisedeque.

  1. Quem era Melquisedeque? Era rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo (Gn 14.18). Certamente era um rei cananita que servia o Deus verdadeiro. (SC)
  1. Melquisedeque, um tipo de Cristo. Consideremos alguns pontos de coincidência entre os dois. Feito semelhante ao Filho de Deus (Hb 7.3).

a) Seu nome. Melquisedeque significa “rei de justiça”. Jesus é a nossa justiça (Jr 23.6). Ele é Rei (l Tm 6.15). Melquisedeque era rei de paz. Jesus é o Príncipe da Paz (Is 9.6). Ele é a nossa Paz (Ef 2.14).

b) Seu ministério. A investidura de Melquisedeque no sacerdócio do Deus Altíssimo não estava vinculada à condição de pertencer à tribo de Lê vi, pois este ainda nem existia. Melquisedeque era cananeu. Deus falou por Davi uma mensagem profética a respeito de Jesus: Tu és sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque” (SI 110.4). Assim como Melquisedeque, Cristo foi chamado por Deus para ser o Sumo Sacerdote.sem ter vínculo com a tribo de Levi. Jesus, enquanto homem, nasceu na tribo de Judá.

c) Sua genealogia. “Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio nem fim de dias” (Hb 7.3). Estes dados acerca de Melquisedeque não ficaram registrados na história da sua vida. E esta omissão foi aproveitada pelo Espírito Santo como uma alegoria de Cristo, o qual é Deus de eternidade a eternidade e não teve pai terreno (SI 90.2).

d) Seu ministério gentílico. Melquisedeque era cananeu e portanto sacerdote em um país gentílico. Cristo veio para trazer salvação a todos os homens, isto inclui os gentios. E no seu nome os gentios esperarão” (Mt 12.21).

e) Melquisedeque confortou Abraão com pão e vinho (Gn 14.18). Cristo nos convida à sua mesa, para com o pão e o vinho, símbolos de sua morte, tonificar a vida daqueles que estão empenhados numa luta que não é contra a carne e o sangue, mas. sim. contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais (Ef 6.12).

  1. A bênção sobre Abraão. Melquisedeque abençoou Abraão em nome do Deus Altíssimo (Gn 14.19). Dessa maneira, Melquisedeque glorificou a Deus porque Ele (não a força de Abraão) havia sido a causa da vitória sobre os inimigos naquela peleja (Gn 14.20).

Conclusão

Não espere que as coisas aconteçam e a ira de Deus se manifeste como foi com Salomão (I Rs 11:9-13) e você perca a promessa. Não se precipite como Arão e Saul, indo atrás de outros e movidos pelas circunstâncias. Não faça como Sansão e Salomão que movidos pela paixão as mulheres perderam o reino e a unção. Não votes a Deus precipitadamente , nem imponhas suas mãos diante de alguém que Deus não ungiu (Ec 5,Pv 29:20, I Tm 5:22). Não se precipite em ficar rico, mas seja fiel a Deus e será cumulado de bênçãos (Pv 28:20), pois também a pressa excessiva leva a pobreza(Pv 21:5).

Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Setor I – Em Dourados – MS

http://www.apazdosenhor.org.br

https://estudos.gospelmais.com.br

 

ABRAÃO LÓ E AS CAMPINAS DO JORDÃO

Amando ao Senhor, teu Deus, dando ouvidos à sua voz e te achegando a ele; pois ele é a tua vida e a longura dos teus dias; para que fiques na terra que o Senhor jurou a teus pais, a Abraão, a Isaque e a Jacó, que lhes havia de dar.— Deuteronômio 30.20

O caminho que Abrão teria que percorrer traçado por Deus não era um caminho sem as dificuldades próprias que surgem na caminhada. Mas seria um caminho sob a égide de Deus, e Abrão não teria o que temer, porque Deus cuidaria dele e tudo quanto possuía. Entretanto, Abrão se deixou dominar pelo sentimentalismo familiar e permitiu que seus parentes interferissem na sua caminhada traçada por Deus para a “Terra Prometida”.

Quando Deus o chamou, fez-lhe um desafio em que a obediência seria o ponto-chave do sucesso do projeto de Deus na sua vida. Esse projeto revelado a Abrão acerca da Terra Prometida não incluía seus parentes, mas Abrão não conseguiu dizer não para os seus familiares, e estes criaram várias dificuldades ao longo da sua peregrinação desde que saiu de Ur dos Caldeus (Gn 12.1).

Havia um sobrinho chamado Ló que tinha família formada e estava instalado naquela terra. Ele era ambicioso e sonhador, por isso, sem que Abrão pudesse explicar que o plano não o incluía, Ló juntou seus pertences, levando mulher, filhos, servos e servas, seu gado e tudo quanto poderia carregar em seus animais seguindo a mesma rota do caminho de Abrão. Na realidade, o plano original de Deus para Abrão foi interceptado por aqueles parentes que lhe trouxeram muitos problemas. Essa interferência foi mantida por muitos anos, mas Deus, paciente e amoroso, soube esperar o momento certo para agir e liberar Abrão e Sarai daquelas amarras familiares.

No capítulo 13, Abrão ainda era identificado pelo nome de família, “Abrão”, bem como sua esposa, “Sarai”. Depois alguns anos, desde que saiu de Harã, já com 99 anos de idade, Deus promove um encontro pessoal com Abrão, lhe faz promessas e muda o seu nome de Abrão para “Abraão”, com o significado de “pai de uma multidão de nações”. Também trocou o nome de Sarai para “Sara”, cujo significado é “mãe de nações”, e lhe promete um filho em sua velhice (Gn 17.1,4,5,15). Da semente de Abrão formaram-se muitas nações.

Entretanto, essa história vem demonstrar ao povo de Deus hoje, a Igreja, que as interferências humanas e materiais podem prejudicar os projetos de Deus para a nossa vida. Abrão deveria, tão somente, obedecer e fazer a vontade de Deus e, então, todas as coisas fariam seu curso normal porque Deus garante o que diz. Embora Deus determine todas as coisas, Ele o faz respeitando a vontade do homem, seu livre-arbítrio. Por isso, cada um de nós é responsabilizado pelas decisões que tomamos. Deus tem sua vontade soberana e pode determinar o que quiser, mas, ao mesmo tempo, Ele faz valer suas misericórdias quando não correspondemos plenamente o que Ele nos ordena fazer.

Por isso, Deus não desistiu de Abrão porque sabia que ele o amava e queria fazer a sua vontade. Deus sabia também que Abrão, como homem, tinha as limitações próprias que poderiam criar algumas dificuldades.

O CUIDADO COM NOSSAS ESCOLHAS

Interferência de Provações Imprevisíveis

Nossas escolhas podem influenciar nossas decisões para bem e para o mal. Muito das nossas escolhas tem a ver com a questão da vontade, a nossa vontade e o confronto com a vontade de Deus. Todos queremos fazer a vontade de Deus, mas sabemos que fazer a vontade de Deus, quase sem exceção, envolve riscos, ajustes, decepções, sucessos e derrotas e, também, mudanças. Normalmente amamos tudo aquilo que for familiar e conhecido por nós; gostamos em especial das coisas que podemos controlar.

Nossas escolhas pessoais envolvem esses elementos. Em relação a Deus, queremos entregar a Ele nossos desejos e alinhá-los com o seu querer. Porém, quando temos de escolher um caminho de renúncia que Ele nos mostra para percorrer, temos dificuldades com a aceitação desse desafio.

Abrão, mesmo percebendo a dureza do caminho que lhe mostrara, creu em Deus, mas, como homem, cometeu alguns deslizes que resultaram em consequências ruins.

Há momentos na vida de um servo de Deus que se tornam dificeis, principalmente quando se precisa tomar decisões. A fé nas promessas de Deus era o estímulo maior para a peregrinação de Abrão à Terra Prometida. Entretanto, ele teria que se manter fiel ao plano original de Deus e saber que as provações seriam inevitáveis.

Ao deparar-se com “a fome na terra”, deixou de buscar de Deus a direção para a sua vida e tomou a decisão de ir para o Egito, terra que tinha pastagens para o seu gado e muita riqueza. Ele baixou seus olhos para as coisas da terra e, então, fraquejou na fé quando, mesmo com o empobrecimento da terra onde estava vivendo, não lhe faltava nada. Ele mudou a visão da Terra Prometida por uma visão limitada e materialista. Foi dominado por um sentimento de ambição material ao ouvir da prosperidade da terra do Egito. Decidiu então sair de terra de Canaã e tomar o caminho do Egito sem consultar a Deus. Abrão permitiu que a força da carne o dominasse e seu coração se enchesse de ambição. Dominado por essa força carnal, ele decidiu quebrar seus princípios éticos e morais e, para sobreviver sem ser incomodado, mentiu e usou de engano (Gn 12.11).

No Egito, Abrão não levantou um altar ao Senhor como sempre fez desde que havia saído de Hará. Por pouco não perde tudo, inclusive com a ameaça de morte.

O caminho fora da vontade de Deus induz aos caminhos tortuosos e pecaminosos. Sem dúvida, Abrão entristeceu a Deus e não o consultou sobre qualquer decisão que tomou naquela terra. Mesmo assim, Deus, que o amava, não desistiu de dele. Pelo poder soberano divino, o Senhor interferiu naquele momento histórico em que Abrão e Sarai corriam o risco de serem mortos por terem enganado o próprio rei do Egito. O Senhor enterneceu o coração de Faraó para que o casal não fosse punido no Egito. O cuidado de Deus ainda estava com o casal quando Abrão entendeu que precisava começar tudo de novo e pedir o perdão de Deus pelo seu descaminho.

Abrão, então, deixou o Egito e voltou para Betel, e naquele lugar onde Deus o abençoara tão abundantemente, ele lembrou-se do Senhor e, mais uma vez, levantou um altar de pedras ao Senhor” (Gn 12.4). Quando havia saído de Betel e tomou o caminho do Egito, Abrão não ofereceu culto algum a Deus. Apesar dessa fraqueza de atitude, Deus não o abandonou e manteve seu propósito com ele. Porém, Abrão ainda enfrentou algumas dificuldades.

Interferência no Plano de Deus

Depois que Abrão decidiu voltar, também Ló o acompanhou de volta a Canaá. Ambos progrediram e aumentaram seus gados e riquezas, mas começou a haver conflito entre os pastores de ambos porque o espaço geográfico ficou pequeno para eles.

Abrão, desde que voltara do Egito, mais que nunca, entendeu que Ló não fazia parte do plano de Deus e ainda estava provocando problemas.

A lição difícil que se aprende nessa história é que o fruto da desobediência é sempre amargo. Abrão estava vivendo essa experiência por ter se deixado dominar por situações que poderia ter evitado quando se dispôs sair da sua terra em Ur dos Caldeus. A interferência de Ló começou a provocar problemas de ordem social dentro da família. O tempo todo o seu sobrinho Ló havia saído com tudo o que possuía, gados e pessoas para servi-lo e, onde chegavam, os seus pastores procuravam as melhores pastagens em prejuízo do gado de Abrão. Começou a haver choque de interesses, e Ló não teve o menor respeito por seu tio Abrão quando seus pastores começaram a contender com os pastores os dele.

Ao deparar-se com o problema, Abrão entendeu a gravidade do conflito e entendeu que era a hora de definir a situação. Então, procurou fazer isso da melhor forma possível, confiando na provisão e promessa de Deus que lhe daria sabedoria para solucionar esse conflito. Essa interferência não invalidou a promessa de Deus para Abrão, mas ele entendeu que, se não podia voltar ao início de tudo, pelo menos podia amenizar o problema confiando que Deus o perdoaria. É sempre perigoso quando permitimos interferências no plano de Deus para a nossa vida.

Interferência de Sentimentalismos

Quando alguém toma consciência do plano de Deus, deve desvencilhar-se de qualquer coisa relacionada à sua vida pessoal que possa vir a ser um obstáculo ao plano divino. No caso de Abrão foi o sentimento familiar que bloqueou sua decisão de apenas obedecer a Deus e sair do meio de seus parentes indo para a terra que o Senhor lhe havia prometido. Ao estabelecer esse requisito a Abrão, ele deveria ter saído imediatamente daquela terra.

O desafio e a promessa envolviam a conquista de uma terra de leite e mel (Gn 12.1), mas ele ficou empolgado e revelou o projeto de Deus à família. A revelação do projeto fez pulsar a ambição de toda a família, a partir do próprio pai Tera, além de Ló, sobrinho de Abrão, filho de seu irmão Naor.

Então Abraão, pressionado por seus parentes e, principalmente, pelo pai Tera, não conseguiu sair só com sua esposa. Ele não conseguiu desvencilhar-se de seus parentes. Sentimentos familiares interferiram no plano original e ele não conseguiu dizer para a família que não estavam incluídos. Quando permitimos que os nossos sentimentos pessoais interfiram no plano de Deus para a nossa vida, não conseguimos evitar as consequências dessa atitude.

Interferência no Espaço e Geográfico que Era Destinado para Abrão

A vontade de Deus para Abrão era uma vontade específica que deveria, tão somente, ser obedecida sem permitir que interferências a impedissem de ser concretizada. Entretanto, as interferências no plano original de Deus para Abrão foram várias, a começar pelos parentes; depois, pelo espaço fisico que deveria pertencer apenas a Abrão e sua mulher. Mas o texto de Gênesis 13.6 diz literalmente que: “E não tinha capacidade a terra para poderem habitar juntos”, então, começaram a surgir os conflitos dentro desse espaço.

Há uma lei na ciência da física que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. Metaforicamente entendemos que Deus havia estabelecido um espaço dentro do seu plano para Abrão e, portanto, aqueles familiares no contexto do plano original de Deus eram excedentes e não faziam parte do plano divino. Na realidade, toda essa situação tornou-se uma intromissão no plano de Deus, e Abrão se viu obrigado a aceitar, trazendo-lhe péssimos resultados. Não se tratava apenas de um espaço físico comprimido entre Abrão e Ló, mas significava uma intromissão no espaço que Deus havia destinado apenas para Abrão e sua esposa Sarai.

Em nossos tempos, no meio cristão, especialmente no seio da igreja, desenvolvem-se desacordos e contendas por causa de campo de trabalho eclesiástico. Se não houver uma solução cristã capaz de neutralizar a contenda, parte-se para a separação de interesses.

Conflitos Modernos nos Espaços Eclesiásticos

Lamentavelmente, existem interferências e invasões de igrejas em campos alheios em que a ética parece ter sido aposentada na cabeça de algumas lideranças, que justificam suas atitudes em nome do crescimento da igreja. Não respeitam limites nem agem com bom senso, sem levar em conta pelo menos um limite geográfico que respeite o campo de trabalho do outro. Essas interferências não têm respaldo bíblico nem apoio do Espírito Santo, porque tais atitudes promovem conflitos que não glorificam a Deus.

RUPTURAS GERADAS POR ESCOLHAS MAL FEITAS

Em meu livro A brado, a Experiência de nosso Pai na Fé (CPAD), apresentei como resultado negativo do conflito entre Abrão e Ló algumas rupturas que culminaram com a quebra de relações familiares e a separação inevitável entre ambos. Além das interferências circunstanciais a que havia se submetido, as rupturas provocadas pela contenda com Ló fizeram com que Abrão, mais uma vez, levantasse um altar e ali invocasse o nome do Senhor a fim de obter de Deus a graça para saber administrar aquela situação entre ele e Ló. Abrão não queria cometer nenhuma injustiça, mas sabia que, inevitavelmente, a decisão que tomaria traria pesar e separação entre ambos. Ao oferecer sacrifício ao Senhor, Abrão foi fortalecido em sua fé (Gn 12.8).

Anteriormente, Abrão já havia experimentado o dissabor da sua estada no Egito, mas agora, o Senhor desperta a sua mente para o reinício de sua caminhada de fé para a conquista final do plano original. Entretanto, esse reinício seria palmilhado por algumas rupturas produzidas por aquela contenda. Destacamos, pelo menos, três rupturas.

A Primeira Ruptura Foi Social

Não foi fácil para Abrão decidir a separação, porque ele tinha um coração generoso a despeito da atitude egoísta de Ló, sua família e seus pastores. Mas ele precisou decidir, mesmo sabendo do que iria incidir como resultado daquela decisão. E natural que, quando tomamos uma decisão que atinge o nosso emocional, nos assaltem dúvidas e hesitações que poderiam imobilizá-lo. Eram dúvidas que respondiam a temores íntimos e que poderiam impedi-lo de agir com convicção. São os medos interiores que embargam nossas ações e podem prejudicar o nosso futuro. Mas Abrão foi capaz de superar esses medos, e mesmo com o coração partido, ele precisou escolher a separação do seu sobrinho.

A separação entre ambos foi, na verdade, produzida pela contenda entre os seus pastores, de Ló e de Abrão, por causa das pastagens e água que não eram suficientes para os dois. Abraão tinha consciência de que seu erro iniciou quando saiu de Harã para ir à terra que Deus havia lhe prometido. Ló começou a agir de forma egoísta a ponto de perder o respeito ao seu tio Abrão. Aceitou os argumentos de seus pastores de ovelhas e cabras e permitiu que a contenda agisse como um vírus que contagiou a relação com os pastores de Abrão.

Brigaram por causa dos poços abertos sob a sua tutela e queriam se apossar desses poços. Abraão entendeu que seria impossível viver pacificamente com seu sobrinho quando os interesses estavam acima do respeito familiar e do temor a Deus.

A Segunda Ruptura da Concessão

Para evitar maiores confusões, Abrão estava consciente de que o que estava acontecendo era o fruto de sua falha em ter permitido que Ló o acompanhasse. Mas, acima de tudo, Abrão estava debaixo da bênção de Deus e estava disposto a pagar o preço pelo erro passado. Quando ofereceu sacrifício ao Senhor em Betel, Abrão estava em paz consigo mesmo porque naquele monte ele havia renovado seu pacto com Deus (Gn 13.4). A partir de então, ele estava pronto para assumir as responsabilidades de seus atos e decidir sobre coisas que não mais restringiriam sua obediência completa ao plano original feito por Deus.

Abraão sabia que sua decisão implicaria na concessão de coisas, mesmo com perdas, para que o plano divino não fosse obstruído por qualquer outra circunstância. Para que não houvesse mais constrangimento entre ambos, eles deveriam separar-se geograficamente (Gn 13.8,9).

Partiu de Abrão a oportunidade oferecida de escolha. Em sua decisão, Abrão preferiu fazer concessões que propiciassem a paz entre ambos, mesmo que se separados geograficamente.

A Terceira Ruptura Foi a Cobiça de Ló

Com essa concessão do velho Abrão para o seu sobrinho Ló, percebe-se que a cobiça de Ló foi um dos motivos da contenda entre ambos. A sombra da prosperidade de Abrão, o seu sobrinho Ló ia tirando proveito com o aumento de sua fazenda e de sua riqueza, mas Ló não tinha visão espiritual do projeto de Deus que só Abrão sabia e conhecia. Não foi leal com seu tio quando não puderam mais conviver na mesma terra. Por isso, com a opção da escolha concedida por Abrão, Ló expôs sua ambição carnal e material, e não teve a menor consideração pelo seu tio Abrão.

A palavra “cobiça” pode ser identificada na Bíblia como “avareza, avidez, ganância”. Na verdade, a cobiça que dominou a mente e o coração de Ló era tão forte que ele não teve escrúpulos em tirar proveito do seu tio Abrão. Mas o velho Abrão temia ao Senhor, e sabia que Deus cuidaria dele e o abençoaria onde ele colocasse os pés. Essa ruptura da cobiça aconteceu nas relações familiares e entre seus pastores, porque ela sempre produz contenda e infecciona todo um ambiente de paz (Pv 17.14; Fp 2.3,4). A cobiça de Ló o tornou ardiloso e insensível; por isso, seu coração endureceu e a contenda provocada trouxe muitos espinhos que feriram as relações de convivência entre as famílias.

Um dos mandamentos de Deus para o povo de Israel, alguns séculos depois, destacava a cobiça como algo que deveria ser punido no meio do povo. Era o décimo mandamento que condenava e proibia a cobiça de tudo quanto é coisa que envolvesse a casa do vizinho, sua esposa, servos, gado ou qualquer outra coisa alheia (Êx 20.17).

Existe uma história no Antigo Testamento acerca do rei Acabe que, cobiçando a vinha de Nabote, não teve qualquer escrúpulo juntamente com sua diabólica mulher Jezabel em mandar matá-lo para possuir a vinha de Nabote, que era uma herança de seus pais (1 Rs 21.1-16). No Novo Testamento, a cobiça é condenada como uma forma de idolatria (Cl 3.5, NTLH).

Na Carta aos Romanos 7.7, Paulo fala da cobiça como uma força da carne que precisa ser bloqueada para obter uma vida cristá vitoriosa. Jesus condenou a cobiça, quando fala de “avareza” em um dos seus discursos: “Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem” (Mc 7.21-23).

Em 1 Timóteo 6.10, o apóstolo Paulo declara que “o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males”. Foi o caso de Ananias e Safira, que mentiram por causa da cobiça e avareza de seus corações (At 5.1-11). No caso de Ló, sua cobiça o fez perder o bom senso e o respeito pelo seu tio.

DUAS ESCOLHAS

Abrão chegou a um ponto no qual não podia mais voltar atrás; tinha que escolher uma decisão que pudesse resolver o problema do conflito entre ele e Ló. Na história da Literatura sul-americana, no Chile, o poeta Pablo Neruda declarou certa ocasião: “Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências”. Ele disse, ainda:

“Escrevo isso porque acredito mesmo que podemos decidir sobre aquilo que é melhor para nós”. Uma vez que as nossas escolhas definem as consequências que teremos que viver mais à frente.

A Escolha de Ló

Saber fazer as escolhas é sinal de sabedoria. Por outro lado, devemos entender que tudo o que escolhemos fazer gera consequências para nós e atinge as pessoas do nosso convívio. Até que ponto a nossa escolha afetará as pessoas ao nosso redor. Parece-nos que Ló, dominado pela avareza em seu coração, não percebeu o mal que estava fazendo para si mesmo e acabaria atingindo as pessoas do seu convívio.

O texto diz que “levantou Ló os seus olhos e viu toda a campina do Jordão”. Pela ética familiar, o direito de escolha era de Abrão, mas Abrão preferiu oferecer a Ló a oportunidade de escolher.

Abrão subiu a um lugar alto e mostrou a Ló os dois lados das terra à vista, do lado oriental e do lado ocidental (Gn 13.10,11). A visão egoísta e materialista, sem pestanejar, focalizou as melhores terras do lado Oriente, onde estavam as campinas do Jordão, próximas das cidades de Sodoma e Gomorra. Havia grandes e vastos campos para o seu gado e para o plantio. Abrão não duvidou da promessa de Deus e olhou o outro lado onde havia enormes montanhas e que não inspiravam qualquer sonho para a terra de Canaá e habitou ali (Gn 13.12).

Ter atitude de respeito, compreensão, contribuição, cooperação, amizade, amor, tolerância e gratidão são elementos positivos que encurtam o caminho de quem faz a vontade de Deus. A escolha egoísta de Ló, não muito depois daquela decisão, com poucos anos naquela terra que havia escolhido em prejuízo de seu tio Abrão, converteu-se em morte e destruição para as cidades de Sodoma e Gomorra. Ao escolher o que entendia ser a melhor parte, nas campinas do Jordão, não podia imaginar o dedo de Deus naquele lugar onde perdeu tudo o que tinha, inclusive a família.

Diz a Bíblia que Ló armou as suas tendas até Sodoma e passou a habitar naquela cidade (Gn 13.12). As consequências inevitáveis aconteceram e, mesmo que Ló procurasse ter uma vida de retidão onde vivia, não conseguiu dominar o ímpeto de sua família, perdendo a autoridade sobre sua mulher e suas filhas, as quais se corromperam com o estilo de vida depravado daquela cidade (Gn 19.14,16,17). Ló escolheu segundo o espírito do mundo representado por Sodoma e Gomorra.

A Escolha de Fé de Abrão

Abrão, um homem de fé, confiou na provisão de Deus e, por isso “armou as suas tendas, e veio, e habitou nos carvalhais de Manre, que estão junto a Hebrom; e edificou ali um altar ao Senhor”. Nos lugares que lhe restaram na terra de Canaá, não havia campinas verdejantes nem terra fértil para o plantio. As fontes de água eram poucas, porque era uma região pedregosa e montanhosa, mas Abrão sabia que, aquilo que parecia ser o pior, era, de fato, o melhor, porque, ao depender de Deus, o aparente prejuízo foi transformado em lucro.

No Egito, Abrão teve que viver por “vista”, e não “por fé”. Por isso, sua visão apenas horizontal para a prosperidade das terras egípcias roubou a sua visão vertical para Deus. No Egito, ele enfrentou dissabores morais e espirituais que marcaram a sua vida. Ló, enquanto estava à sombra de seu tio Abrão, tinha a bênção de Deus, mas buscou liberdade para reger sua própria vida, a prosperidade conquistada não durou muito tempo. Naquelas belas campinas do Jordão, Ló perdeu sua família, seus bens e até a honra, mas Abrão recebeu a promessa de uma família que encheria a terra. Quando Deus é o primeiro em nossa vida, não importa quem é o segundo ou o último, O que parecia perda com a escolha gananciosa de Ló, na verdade, converteu-se em lucro para o patriarca.

CONCLUSÃO

Jesus, em um dos seus discursos, fez uma séria advertência aos seus discípulos, lembrando a triste e decadente história de Ló e sua família em meio a uma geração corrompida, como foi a de Sodoma e Gomorra. Com poucas palavras, apenas disse: “Lembrai-vos da mulher de Ló” ( Lc 17.32). Em nossos dias, muitos cristáos se deixam levar pela avareza e tornam seus corações ambiciosos, porque se deixam dominar pelo espírito do mundo moderno, mas Jesus adverte-nos, dizendo: “E olhai por vós, para que não aconteça que o vosso coração se carregue de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia” (Lc 21.34).

Abraão creu no invisível e foi abençoado pelo Senhor. A terra que ele teve que escolher era inóspita e pedregosa, e não parecia produzir riqueza alguma, mas Abrão aprendeu a depender de Deus, que o fez prosperar e crescer. Nessa história, a despeito de algumas situações de fraqueza a que se rendeu Abrão, em nenhum momento deixou de temer ao Senhor.

Se, por um pouco, oscilou na fé e se descuidou da relação com Deus, seu caráter passou por uma drenagem e limpeza para que ele aprendesse a não depender de ações temperamentais. A partir de então, ele pôde iniciar a retomada do caminho da fé. As decisões erradas de outrora seriam apenas lembranças de algo que ele não cometeria mais. Seu caminho estava agora livre para alcançar a vitória do Senhor.

Deus deu o livre-arbítrio ao homem para que,

com inteligência e temor em seu coração,

saiba escolher e decidir sobre sua vida.

 

Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Setor I – Em Dourados – MS

Livro O Deus de Toda Provisão –  1ª. Edição CPAD – Elienai Cabral

Publicado no Blog do Ev. Isaias de Jesus

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.