Arrependimento e Fé para a Salvação – Pr. José Costa Júnior

Arrependimento e Fé para a Salvação – Pr. José Costa Júnior

ARREPENDIMENTO E FÉ PARA SALVAÇÃO

Pr. JOSÉ COSTA JUNIOR

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

  Esta preciosa lição trata do fato do arrependimento e fé para a salvação. Como pode alguém ser justo diante de Deus? Como pode o pecador ser justificado? É unicamente por meio de Cristo que podemos ser postos em harmonia com Deus, com a santidade; mas como devemos chegar a Cristo? Muitos fazem hoje a mesma pergunta que fez a multidão no dia de Pentecoste, quando, convencidos do pecado, clamaram: “Que faremos?” At 2:37. A primeira palavra da resposta de Pedro foi: “Arrependei-vos.” Atos 2:38. Noutra ocasião, logo depois, disse: “Arrependei-vos, … e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados.” At 3:19.

O arrependimento compreende tristeza pelo pecado e afastamento do mesmo. Não renunciaremos ao pecado enquanto não reconhecermos a sua malignidade; enquanto dele não nos afastarmos sinceramente, não haverá em nós uma mudança real da vida.

Muitas pessoas não compreendem a verdadeira natureza do arrependimento. Multidões de pessoas se entristecem pelos seus pecados, efetuando mesmo exteriormente uma reforma, porque receiam que seu mau procedimento lhes traga sofrimentos. Mas não é este o arrependimento segundo o sentido que lhe dá a Bíblia. Lamentam antes os sofrimentos, do que o próprio pecado. Tal foi a tristeza de Esaú quando viu que perdera para sempre o direito da primogenitura. Balaão, aterrado à vista do anjo que se lhe pusera no caminho com a espada alçada, reconheceu seu pecado porque temia que devesse perder a vida; não teve, porém, genuíno arrependimento do pecado, nem mudança de propósito ou aborrecimento do mal. Judas Iscariotes, depois de haver traído seu Senhor, exclamou: “Pequei, traindo sangue inocente.” Mt. 27:4.

A confissão foi arrancada de sua alma culpada, por uma horrível consciência de condenação e temerosa expectação do juízo. As consequências que o aguardavam enchiam-no de terror; mas não houve em sua alma uma profunda e dolorosa tristeza por haver traído o imaculado Filho de Deus e negado o Santo de Israel. Faraó, quando sofria sob os juízos de Deus, reconheceu seu pecado, para escapar a castigos posteriores; mas voltava a desafiar o Céu apenas suspensas as pragas. Todos esses lamentaram as consequências do pecado, mas não se entristeceram pelo próprio pecado.

Quando, porém, o coração cede à influência do Espírito de Deus, a consciência é despertada, e o pecador discerne alguma coisa da profundeza e santidade da lei de Deus, base de Seu governo no Céu e na Terra. A “luz verdadeira, que alumia a todo homem que vem ao mundo” (Jo 1:9), ilumina também os secretos escaninhos da alma, e as coisas ocultas das trevas se põem a descoberto. A convicção se apodera do espírito e da alma. O pecador tem então uma intuição da justiça de Jeová e experimenta horror ante a ideia de aparecer, em sua própria culpa e impureza, perante o Perscrutador dos corações. Vê o amor de Deus, a beleza da santidade, a exaltação da pureza; anseia por ser purificado e reintegrado na comunhão do Céu.

A oração de Davi, depois de sua queda, ilustra a natureza da verdadeira tristeza pelo pecado. Seu arrependimento foi sincero e profundo. Não fez nenhum empenho por atenuar a culpa; nenhum desejo de escapar ao juízo que o ameaçava lhe inspirou a oração. Reconheceu a enormidade de sua transgressão; viu a contaminação de sua alma; aborreceu o pecado. Não suplicava unicamente o perdão, mas também um coração puro. Anelava a alegria da santidade – ser reintegrado na harmonia e comunhão com Deus. Era essa a linguagem de sua alma: “Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa maldade, e em cujo espírito não há engano.” Sl. 32:1 e 2.

Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a Tua benignidade; Apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das Tuas misericórdias. Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve. Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto. Não me lances fora da Tua presença e não retires de mim o Teu Espírito Santo. Torna a dar-me a alegria da Tua salvação e sustém-me com um espírito voluntário. Livra-me dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação, E a minha língua louvará altamente a Tua justiça.” Sl. 51:1, 3, 7, 10-12 e 14.

Arrependimento como esse, está além de nossas forças realizar; só é obtido por meio de Cristo, que subiu ao alto e deu dons aos homens. Exatamente aqui está o ponto em que muitos erram, sendo por isso privados de receber o auxílio que Cristo lhes desejava conceder. Pensam que não podem chegar a Cristo sem primeiro arrepender-se e que é o arrependimento que os prepara para o perdão de seus pecados. É certo que o arrependimento precede o perdão dos pecados, pois unicamente o coração quebrantado e contrito é que sente a necessidade de um Salvador. Mas terá o pecador de esperar até que se tenha arrependido, antes de poder chegar-se a Jesus? Deve fazer-se do arrependimento um obstáculo entre o pecador e o Salvador?

A Bíblia não ensina que o pecador tenha de arrepender-se antes de poder aceitar o convite de Cristo: “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei.” Mt. 11:28.

É a virtude que emana de Cristo, que conduz ao genuíno arrependimento. Pedro elucidou este ponto em sua declaração aos israelitas, dizendo: “Deus, com a Sua destra, O elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e remissão dos pecados.” At 5:31. Assim como não podemos alcançar perdão sem Cristo, também não podemos arrepender-nos sem que o Espírito de Cristo nos desperte a consciência.

            O objetivo deste estudo é trazer algumas informações, colhidas dentro da literatura evangélica, com a finalidade de ampliar a visão sobre arrependimento e fé para a salvação. Não há nenhuma pretensão de esgotar o assunto ou de dogmatizá-lo, mas apenas trazer ao professor da EBD alguns elementos e ferramentas que poderão enriquecer sua aula.

I – ARREPENDIMENTO, UMA TRANSFORMAÇÃO DO ESPÍRITO

No Novo Testamento, o apóstolo Pedro diz o seguinte: “Arrependei-vos, pois. e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados.” (At. 3:19.)

Ninguém pode voltar-se para Deus desejando arrepender-se ou crer, sem a ajuda dele. É ele quem opera este ato em nós.

A Bíblia nos diz muitas vezes como homens e mulheres fizeram isso. “Converte-me, e serei convertido, porque tu és o Senhor meu Deus.” (Jr. 31:18.)

Para muitas pessoas a palavra “arrependimento” está fora de moda. Ela não parece ocupar um lugar certo no vocabulário do século XXI. Mas o arrependimento significa reconhecer o que somos e ter a disposição de mudar de mente com relação ao pecado, ao ego e a Deus.

O arrependimento implica primeiramente num reconhecimento de nosso pecado. Quando nos arrependemos, estamos afirmando que reconhecemos que somos pecadores e que nosso pecado nos coloca em culpa perante Deus. Este tipo de culpa não significa um autodesprezo incriminante, mas significa que enxergamos a nós mesmos como Deus nos enxerga. e dizemos: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador.” (Lc. 18:13.) Não é somente a culpa de toda a sociedade que estamos reconhecendo. É muito fácil culpar o governo, o sistema de ensino, a igreja, o lar, pelos nossos próprios erros.

Cada um de nós tem suas culpas individuais perante Deus. Desde o momento em que somos concebidos, já trazemos a tendência para o pecado; depois tornamo-nos pecadores por uma escolha pessoal, e finalmente pecadores na prática. É por isso que a Bíblia diz que todos pecamos e carecemos da glória de Deus.

Todas as pessoas, de todo o mundo, seja qual for a raça, cor, língua ou cultura precisa nascer de novo. Somos culpados de “pecado” (singular), que se expressa em “pecados” (plural). Transgredimos a lei de Deus e nos rebelamos contra ele, porque somos pecadores por natureza. E foi esse problema do pecado (singular) que Cristo resolveu na cruz.

Temos ouvido falar muito em “raízes”. As raízes do pecado individual e coletivo da humanidade estão no fundo do coração do homem. Somos uma raça humana doente. E essa doença só pode ser tratada pelo sangue de Cristo, assim como no Velho Testamento o sangue dos animais era derramado em centenas de altares, na esperança do dia em que Jesus Cristo seria “o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo. 1:29). Ele se tornou o bode expiatório para o mundo inteiro. Todos os nossos pecados foram depositados sobre ele. É por esta razão que Deus pode perdoar-nos hoje. É por isso que ele pode infundir-nos nova vida – que é chamada regeneração ou novo nascimento.

Quando olhamos os atributos de Deus e compreendemos como estamos aquém de sua perfeição, não podemos deixar de reconhecer nossa natureza pecaminosa. O apóstolo Pedro havia praticado atos pecaminosos e abrigado pensamentos pecaminosos, mas muito além de um reconhecimento mental ou físico de seus erros, ele reconhecia sua natureza pecaminosa. Ele disse: “Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador.” (Lc. 5:8.) Notemos que ele não disse “Eu peco“, mas “sou pecador“.

Jó viu como era corrupto em relação à perfeição divina, e exclamou: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. Por isso me abomino, e me arrependo no pó e na cinza.” (Jó 42:5,6.) Ele se comparou com Deus e se arrependeu; reconheceu que se achava diante do Senhor.

O arrependimento também implica numa genuína tristeza pelo pecado. A tristeza é uma emoção, e nós somos criaturas muito instáveis quanto ao grau de emoção que experimentamos. Contudo, o arrependimento sem tristeza é vazio. O apóstolo Paulo disse: “Agora me alegro, não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus, para que de nossa parte nenhum dano sofrêsseis.” (II Co. 7:9.)

Arrependimento é uma mudança de mente, mas é sempre usado em referência às obras do passado e jamais usado em referência à conduta no futuro. Arrependimento é a mudança na mente de uma pessoa, que lida com as falhas, os pecados, os erros, a falta de zelo e a impiedade do passado. Isso significa que agora vemos todas essas coisas como erradas e impróprias. Esse é o significado do arrependimento. Podemos dizer que fé é olhar para Cristo e arrependimento é olhar para nós mesmos na luz de Cristo. Enquanto ainda somos pecadores, o Espírito Santo brilha em nós e nos expõe diante de nós mesmos.

Isso é arrependimento. Isso é o mais necessário e indispensável. Sem o iluminar do Espírito Santo e a percepção de nós mesmos, não podemos levantar os olhos ao Senhor Jesus.

A obra do arrependimento é similar às obras da lei. O propósito de Deus é que o homem receba Sua graça. Mas o homem pecou. Ele não tem luz. Ele não sabe que tipo de pessoa é. Não sabe que está condenado perante Deus, que é absolutamente inútil e, portanto, incapaz de receber a graça de Deus. Vamos supor que você esteja muito doente e que seus dois pulmões estejam completamente infectados. Você pode dizer que tem uma boa aparência e está corado. Você não acha que um bom remédio ou um médico sejam necessários. Agora suponha que faça uma radiografia. Depois de ver o resultado, admitirá que é um homem doente e que necessita de descanso e tratamento. Portanto, arrependimento é o objetivo de Deus ao dar a lei. Pelo arrependimento, pelo iluminar de Deus, o brilhar do Espírito Santo e a Palavra de Deus, vemos que nossas obras passadas estavam todas erradas e que nosso modo de vida era impróprio. Deus diagnosticou nossa doença e devemos admitir que estamos errados. Isso é arrependimento.

II – A FÉ COMO UM DOM DE DEUS E COMO RESPOSTA DO SER HUMANO

Considerando a conversão, vimos que ela tem uma faceta chamada arrependimento que consiste de “dar as costas ao pecado”. Mas ela possui também um lado chamado fé, que implica em “voltar-se para Deus”.

A fé é antes de tudo crença – a crença de que Cristo era quem ele disse ser. Segundo, a fé é a crença de que ele pode fazer aquilo que alegou poder fazer – ele pode perdoar-nos, e pode entrar em nossa vida. Em terceiro lugar, a fé é confiança, um ato de entrega, pelo qual abro a porta do coração para ele.

No Novo Testamento, as palavras “fé”, “crença” e “crer” correspondem, no grego, a palavras sinônimas, e, portanto, intercambiáveis.

Depositar fé em Cristo significa que primeiramente temos que fazer uma escolha. As Escrituras dizem: “Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.” (Jo. 3:18.) A pessoa que crê não é condenada; a pessoa que não creu está condenada. A fim de não ser condenada cada pessoa tem que tomar uma decisão – ela tem que resolver a crer.

Vemos então como é importante crer. A Bíblia diz que sem fé é impossível agradar a Deus. Mas o que significa crer? Significa entregar-se totalmente a Cristo, render-se a ele. Crer é uma reação positiva de nossa parte para com a oferta divina de misericórdia, amor e perdão.

Deus tomou a iniciativa, e fez tudo que lhe era possível para oferecer-nos salvação. Quando Cristo inclinou a cabeça na cruz e disse “Está consumado”, ele quis dizer exatamente isso (Jo. 19:30). O plano de Deus para nossa reconciliação e redenção estava completo em seu Filho. Mas, somente crendo em Jesus – rendendo-nos a ele, entregando-nos a ele – é que somos salvos.

A crença não é um mero sentimento; é a certeza da salvação. Talvez nos olhemos ao espelho e digamos: “Não me sinto salvo; não me sinto perdoado.” Mas não procuremos fundamentar nossa certeza em sentimentos. Cristo prometeu, e ele não pode mentir. A fé é um ato deliberado, o de entregarmos nosso ser à pessoa de Jesus Cristo. Não se trata simplesmente de “agarrar-se”, por assim dizer, a uma idéia vaga. É um ato de confiança no Deus-Homem, Jesus Cristo.

O Novo Testamento nunca emprega as palavras crença e fé no plural. Portanto, a fé cristã não implica em aceitar uma longa lista de proibições. Ela significa, isso sim, uma entrega individual da mente e do coração a uma pessoa, Jesus Cristo. Não implica em crer em toda e qualquer coisa. É crer numa pessoa, e essa pessoa é o Cristo descrito na Bíblia.

A fé não é anti-intelectual. Ela envolve uma premissa muito lógica – isto é, confiar na capacidade superior de Deus para salvar-nos.

Francis Schaeffer, esse brilhante teólogo cristão que faleceu em 1984, explicava que não somente a fé é lógica, mas a falta de fé é ilógica. Ele escreveu: “O homem foi criado à imagem de Deus; portanto, em vista do fato de que Deus é um Deus pessoal, o abismo que há não é entre Deus e o homem, mas entre o homem e tudo o mais. Mas em vista do fato de que Deus é infinito, o homem está tão separado de Deus, como o átomo ou qualquer outro objeto finito está do universo. Aqui então vemos como o homem pode ser finito, mas ainda assim uma pessoa.

“Não se trata de afirmar que esta é a melhor explicação da existência; é a única. É por isso que podemos apoiar o cristianismo e manter nossa integridade intelectual. A única explicação para tudo que existe é que Ele, o Deus infinito e pessoal, realmente existe.”

A fé em Cristo também é voluntária. Ninguém pode ser forçado a crer em Jesus, nem pode ser coagido a isso por propinas, nem ser iludido. Deus não entra em nossa vida pela força. O Espírito Santo faz todo o possível para nos importunar, atrair-nos, amar-nos – mas, no fim, a decisão é nossa. Deus não somente deu seu Filho na cruz, onde o plano da redenção foi consumado, mas ele deu a lei, expressa nos dez mandamentos e o Sermão do Monte para nos mostrar que precisamos de perdão; ele nos deu o Espírito Santo para nos convencer dessa necessidade.

Ele nos dá o Espírito Santo para atrair-nos para a cruz, mas, apesar de tudo isso, somos nós quem decidimos se aceitaremos o perdão gratuito que Deus nos oferece, ou continuaremos em nossa condição de pecadores.

A fé, também, afeta toda a personalidade. Em seu livro Knowing God (Conhecendo a Deus), J. J. Parker diz o seguinte: “Conhecer a Deus é uma questão de envolvimento pessoal, em mente, vontade e emoção. De outro modo, não seria um relacionamento pessoal pleno.”

Portanto, a fé não é apenas uma reação emocional, ou um entendimento intelectual, ou uma decisão voluntária; a fé abrange tudo isso. Ela envolve o intelecto, a emoção e a vontade.

III – O ARREPENDIMENTO E A FÉ SÃO AS RESPOSTAS DO HOMEM À SALVAÇÃO

Como, então, o homem é salvo? O Evangelho de João nos diz claramente que é pela fé. Os livros de Romanos e Gálatas também dizem claramente que é pela fé. Gálatas nos afirma que é somente pela fé. No Novo Testamento existem esses três livros que tratam da questão da salvação. Todos os três livros dizem que a salvação é somente pela fé e não pela lei. O arrependimento não é levado em consideração. Então, qual posição o arrependimento ocupa? Se lermos a Bíblia, veremos que arrependimento nunca está isolado da fé. Arrependimento nunca está separado da fé. Isso não significa que uma pessoa é salva pela fé e pelo arrependimento. O arrependimento está incluído na fé e já está incluído na salvação. Quando um homem crê no Senhor Jesus, o elemento de arrependimento já está incluído nesse crer. Se alguém diz que é salvo, então a sua salvação já inclui arrependimento. O arrependimento nunca está separado da fé. Está sempre incluído na salvação.

Agora consideremos se o arrependimento é uma condição. No Novo Testamento, na época do livro de Atos, o Espírito Santo veio e o evangelho completo foi pregado. O livro de Atos parece mostrar-nos que arrependimento é uma condição para a salvação. Muitos não interpretaram adequadamente o assunto, porque não viram a posição do arrependimento. Sem dúvida, o Antigo Testamento também fala sobre arrependimento. Jonas pregou aos homens de Nínive que se eles não se arrependessem, Deus iria destruí-los (Jn 1:1-2). Eles se arrependeram, vestiram-se de panos de saco, cobriram-se de cinzas e jejuaram. Isso foi por causa das suas obras passadas. O fato de vestir-se de panos de saco e cobrir-se com cinzas não foi por causa dos atos futuros. Se fosse, que pano de saco e cinzas teriam a ver com isso? Arrependimento é lamentar e condenar o comportamento passado de uma pessoa. Uma pessoa veste-se com pano de saco e cobre-se com cinzas porque percebe que está errada perante Deus. Anteriormente ela pensava que estava viva.

Agora fica sabendo que estava morta. Portanto lamenta por suas obras erradas do passado. Isso é arrependimento. Foi isso que Jonas pregou. Antes que o evangelho do Senhor Jesus viesse, não víamos a salvação pela fé. O que tínhamos então era somente o arrependimento de obras passadas.

Mais tarde João Batista veio. Ele não pregou fé. Somente pregou arrependimento, isto é, um arrependimento dos atos e das transgressões do passado. Em Mateus 3:8, ele disse uma coisa muito boa: “Produzi, pois, frutos dignos do arrependimento”. Ele também disse que: “Quem tiver duas túnicas, reparta com quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo” (Lc 3:11). Temos de perceber que isso não é arrependimento. Antes, é o fruto do arrependimento. Arrependimento refere-se ao passado e o fruto do arrependimento refere-se ao futuro. No tempo de João, o evangelho completo não tinha ainda sido pregado, e a luz da verdade não tinha sido ainda totalmente revelada. Para conduzir os homens a Deus, ele tinha de levá-los a uma visão diferente do passado.

Logo após, o próprio Senhor Jesus veio. O Evangelho de João é diferente dos outros três evangelhos. Os primeiros três evangelhos falam sobre o que Ele fez no tempo. Todo leitor da Bíblia sabe que o Evangelho de João não fala de coisas relacionadas com o tempo; ao contrário, fala de coisas da eternidade. Começa com “No princípio” e termina com o recebimento da vida eterna (1:1; 20:22). Os primeiros três livros falam sobre o Filho de Davi, o Filho de Abraão (Mt 1:1). Isso nos mostra o Cristo no tempo. João nos fala sobre o Cristo na eternidade (3:13). Os primeiros três livros são transitórios. Portanto, eles falam sobre arrependimento. Mas por que o Senhor também fala sobre arrependimento? (Mt 4:17). Porque o reino dos céus se aproximara. Pelo fato de o reino dos céus ter se aproximado temos de arrepender-nos. Mas no Evangelho de João, depois da pregação do evangelho completo, não há mais nenhuma menção de arrependimento. Em Atos, alguns versículos também dizem que salvação tem de ser pela fé. At 16:31 diz: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa”.

Portanto podemos ver o verdadeiro significado de arrependimento segundo a Bíblia. É um novo conceito do passado do homem. O arrependimento vê alguém do mesmo modo que a fé vê o Senhor Jesus. Quando o homem crê, ele vê o que o Senhor Jesus fez por ele. Quando se arrepende vê as obras que ele mesmo fez no passado. Ver o que alguém fez no passado é arrependimento, ver o que o Senhor Jesus fez na cruz é fé. Se quisermos ver o que o Senhor Jesus fez por nós, precisamos primeiro ver o que nós próprios fizemos. A menos que o ladrão que foi crucificado ao lado de Jesus tivesse dito claramente com a própria boca que o que ele estava sofrendo era o que ele merecia, ele não poderia ter dito para Aquele crucificado ao seu lado: “Lembra-te de mim quando vieres no teu reino” (Lc 23:42). Se estivesse amaldiçoando os magistrados como agentes dos imperialistas e se não tivesse visto que o que ele sofreu foi o que merecia, ele não teria visto quem o Senhor era. Quando não nos vemos, não vemos o Senhor. Quando vemos a nós mesmos, vemos o Senhor. Isso é arrependimento.

CONCLUSÃO

A única condição para a salvação de Deus é a fé. Fé é dizer que você deseja e anela a salvação de Deus. Que é a fé sobre a qual a Bíblia fala? Primeiro, Deus cumpriu a redenção por meio da morte de Seu Filho Jesus Cristo na cruz. Sua obra na cruz foi completa. Por que foi completa? Eu não sei por quê. Nem você sabe. Somente Deus sabe. Como pode o sangue do Senhor Jesus redimir-nos de nossos pecados? Por que a redenção do Senhor Jesus é eficaz? Não precisamos fazer essas perguntas. Essas questões são para Deus. A obra do Senhor na cruz foi cumprida e o coração de Deus está satisfeito, amém.

Na confecção deste pequeno estudo, buscamos consultar literatura que mais se aproxima com o pensamento de nossa denominação, tentando não perder a coerência teológica. Evitamos expressar conceitos e opiniões pessoais sem o devido embasamento na Palavra, pois a finalidade é agregar conhecimentos, enriquecer a aula da escola dominical e proporcionar ao professor domínio sobre a matéria em tela. Caso alcance tais finalidades, agradeço ao meu DEUS por esta grandiosa oportunidade.

 Pr. JOSÉ COSTA JUNIOR

Publicado no Blog do Ev. Isaías de Jesus

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