Adotados por Deus – Luciano de Paula Lourenço

Adotados por Deus – Luciano de Paula Lourenço

Aula 11 – ADOTADOS POR DEUS

4º Trimestre/2017

Texto Base: Romanos 8:12-17

 “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai” (Rm.8:15).

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos da Adoção, elemento integrante do processo da salvação. Fomos regenerados, justificados, santificados e adotados em Cristo Jesus. A salvação torna-nos filhos de Deus (João 1:12). Fazer parte da família de Deus é a certeza de que nEle estaremos seguros. Uma pessoa torna-se participante de uma família por nascimento ou por adoção, assim também acontece com o crente. Após crermos e arrependermo-nos, ingressamos à família de Deus pelo novo nascimento (João 1:12,13; 3:6,7; 1Pd.1:3-5,23) tornando assim seus filhos por adoção (Gl.3:26; Rm.8:15). Deus ama todas as criaturas e que o sacrifício de Cristo foi feito em favor de todos, mas somente aqueles que, pela fé, recebem a Jesus como Salvador podem se tornar filhos (João 1:12). Como filho, podemos desfrutar do amor altruísta do Pai e da sua comunhão. E como Pai amoroso, Ele supre as nossas necessidades, sejam elas físicas, emocionais ou espirituais. Conquanto usufruamos das inumeráveis bênçãos dessa condição atualmente, temos a esperança de, num futuro bem próximo, desfrutarmos da adoção plena e gloriosa nos céus.

I. O CONCEITO BÍBLICO DE ADOÇÃO

“Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai” (Rm.8:15).

Quando um indivíduo nasce de novo, recebe o espírito de adoção, ou seja, torna-se parte da família de Deus como um filho. Um instinto espiritual o leva a olhar para Deus e chamá-lo deAba, Pai. Aba é um termo aramaico impossível de traduzir com exatidão. É uma forma carinhosa da palavra pai, como “papai” ou “paizinho”. Apesar de hesitarmos em usar uma linguagem tão intima para nos dirigir a Deus, não deixa de ser verdade que Ele é, ao mesmo tempo, infinitamente exaltado e intimamente próximo.

O termo adoção é usado de três formas em Romanos:

  • Em Rm.8:15, refere-se à consciência da filiação produzida pelo Espírito Santo na vida do cristão.
  • Em Rm.8:23, olha para o futuro, quando o corpo do cristão será redimido ou glorificado – “E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo”.
  • Em Rm.9:4, olha para o passado, quando Deus escolheu Israel para ser seu filho (Êx.4:32) – “que são israelitas, dos quais é a adoção de filhos, e a glória, e os concertos, e a lei, e o culto, e as promessas”.

Em Gálatas 4:5 e Efésios 1:5, o termo significa “colocação como filho”, isto é, o ato de colocar os cristãos na posição de filhos adultos maduros, com todos os privilégios e responsabilidades da filiação.

“para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” (Gl.4:5).

“e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade”.

Todo cristão é filho de Deus, no sentido de que nasceu na família na qual Deus é o Pai. Porém, nem todo cristão vivencia o relacionamento mais profundo da filiação com os privilégios de alguém que alcançou a maturidade da vida adulta.

II. A ADOÇÃO NO TEMPO PRESENTE

O recém-convertido possui um instinto espiritual de que é filho de Deus. O Espírito Santo lhe dá essa certeza. O próprio Espirito Santo testifica com o espírito do cristão que ele é membro da família de Deus. À medida que o cristão lê a Bíblia, o Espirito lhe confirma que, por ter crido no Salvador, ele agora é filho de Deus. Diz o texto sagrado: “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm.8:16).

  1. Parecidos com o Pai.O apóstolo João afirma que, pelo fato de agora sermos filhos, somos semelhantes ao Pai, ou seja, manifestamos em nossa vida as características do caráter do Pai, cuja característica principal é o amor (Ef.5:1), que será aperfeiçoada em nós até o dia final (Fp.1:6).

“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos” (1João 3:2).

A característica genética do filho não é escolhida por este, mas, sim, comandada pelo “DNA” do pai; portanto, quem é filho de Deus automaticamente é parecido com o Pai. Quem não herdou as características do Pai precisa nascer de novo e passar pelo processo de adoção para ser como o Pai é (ler Is.64:8) e ter sua filiação eterna garantida para escapar da condenação do pecado.

  1. Ser amado pelo Pai.O processo de adoção pelo qual todos nós passamos ao aceitarmos a salvação que há em Cristo é prova do grande amor que Deus tem por nós, seus filhos (1João 3:1). Agora, o assombro da culpa do pecado, das angústias da perdição eterna e a insignificância de ser escravo do pecado não perturbam mais (Ef.6:23), pois nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus (Rm.8:1). E, na comunhão do Pai, podemos morrer gradualmente para nossas ilusões terrenas, que fatalmente nos afastam do Pai, e podemos dar ouvidos à voz de amor paterno escondida no centro de nosso ser que nos chama para seus braços.

Os amados do Pai são guiados pelo Espírito de Deus (Rm.8:14) e mortificam a carne com seus apetites desordenados porque neles habita a vida do Espirito de Deus (Rm.8:13). Eles manifestam sua aversão ao mundo e aos valores do mundo porque retribuem o amor do Pai amando da mesma forma (1João 2:15). Portanto, há um antagonismo claro entre amar o Pai e amar o mundo, pois o filho de Deus não pode ter um coração dividido. Para permanecer em seu amor, é preciso guardar os seus mandamentos, que sempre serão contrários aos do mundo (João 15:10).

Posso ter certeza do amor de Deus porque, em primeiro lugar, ele enviou o seu Filho para morrer por mim; em segundo lugar, porque ele habita em mim no presente e; em terceiro lugar, posso olhar para o futuro com confiança e sem medo. O amor de Deus não encontra espaço para operar na vida daqueles que têm medo de Deus, ou seja, das pessoas que não se achegaram a ele em arrependimento e receberam o perdão dos pecados. Cientes do amor do Pai, não temos mais medo de perecer. No amor não existe medo; antes, o perfeito amor de Deus lança fora o medo (cf. 1João 4:18).

  1. Os direitos e os deveres na adoção. Na lei romana, os filhos adotivos desfrutavam dos mesmos direitos dos filhos legítimos. Um filho adotivo recebia o nome da nova família e tornava-se herdeiro natural dessa família. Somos filhos de Deus. Recebemos um novo nome, uma nova herança. Os filhos de Deus passam a ter garantias e direitos (Rm.8:17) de filhos legítimos enxertados (Rm.11:17) na oliveira verdadeira, que é Cristo. Eles passam a ter um novo nome (Ap.2:17); passam a fazer parte de uma nova família (Ef.2:19); estão livres e emancipados da lei que gera morte (Gl.3:25).

Mas da mesma forma que temos direitos, os filhos de Deus têm também deveres, que são: apartar-se do mundo e do que é imundo (2Co.6:17,18); vencer o mundo (Ap.21:7); praticar a justiça e amar o seu irmão (1João 3:10); amar os inimigos, bendizer os que maldizem, fazer o bem aos que nos odeiam e orar pelos que nos maltratam e perseguem (Mt.5:44). E com todos esses deveres devemos glorificar a Deus (Mt.5:16). Os filhos também devem aceitar a disciplina do Pai, pois essa disciplina demonstra o seu amor, que é para nosso aperfeiçoamento em santidade (Hb.12:5-11).

III. A ADOÇÃO PLENA NO FUTURO

Todos os filhos de Deus são herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo (Rm.8:17). Tudo que o Pai possui é nosso. Ainda não estamos desfrutando de todos os benefícios, mas certamente o faremos no futuro; quando Cristo voltar para reinar sobre o mundo, teremos parte com ele em todas as riquezas do Pai. Temos uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível que está reservada nos céus para nós (1Pd.1:4).

Embora sejamos herdeiros de todas as coisas que pertencem ao nosso Pai, pois tudo é dele, por meio dele e para ele, a nossa mais gloriosa herança é o próprio Deus (Sl.73:25,26); Ele é nosso quinhão, nosso tesouro, nossa herança; nele está nosso prazer. Somos coerdeiros com Cristo da sua glória excelsa, aquela mesma glória de que o pecado nos havia privado. Como a glória é a efulgência de Deus, participar de sua glória é aparecer em sua presença, ser envolvido na efulgência de sua divindade gloriosa.

Enquanto não tomamos posse definitiva dessa herança imarcescível e gloriosa, cruzamos aqui vales escuros, desertos esbraseados e caminhos juncados de espinhos. O sofrimento com Cristo sempre há de preceder a glória com Cristo. É confortador saber que todos quantos participam do sofrimento de Cristo por fim ouvirão de seus lábios as palavras de boas-vindas: “Bem está servo bom e fiel. Entra em meu descanso” (Mt.25:23).

Em Romanos 8:22,23, o apóstolo Paulo assim expressa: “Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo”. Neste texto, a “adoção” plena do crente é algo que ainda ocorrerá no futuro, visto que incluiu a redenção do corpo, quando a vida será transformada, por ocasião do Arrebatamento, e aqueles que morreram em Cristo serão ressuscitados.

Vivemos na tensão entre o que Deus inaugurou (ao dar-nos seu Espírito) e o que ele consumará (quando se completar nossa adoção e redenção final); gememos em desconforto, desejando ardentemente o futuro. Os gemidos da igreja não são os soluços da alma, movidos pela desesperança, mas o anseio ardente daqueles que, tendo provado os sabores da bem-aventurança eterna, aguardam a glorificação, ou seja, a manifestação pública de sua adoção como filhos de Deus. Veja que o apóstolo Paulo diz: “também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo”. Os gemidos da igreja não são de morte, mas de vida. Os filhos de Deus não gemem com medo da morte; gemem pela ardente expectativa da ressurreição. Não gemem por aquilo que são, mas por desejarem ardentemente aquilo que virão a ser. Não gemem pela fraqueza do corpo terreno, mas pelo anelo do revestimento do corpo de glória.

John Stott tem razão quando escreve: “É claro que já fomos adotados por Deus (Rm.8:15), e o Espirito nos assegura que somos filhos de Deus (Rm.8:16). Existe, porém, uma relação Pai-filho ainda mais rica e profunda que virá quando formos plenamente ‘revelados’ como seus filhos (Rm.8:19) e ‘conformados à imagem do seu Filho’ (Rm.8:29). Nós já fomos redimidos, mas nossos corpos não. Nosso espírito está vivo (Rm.8:11), mas aguardamos o dia em que receberemos um corpo semelhante ao corpo da glória de Cristo” (John Stott. A mensagem de Romanos).

Portanto, embora desfrutemos, aqui na Terra, dos benefícios da adoção espiritual, a alegria plena dessa realidade se dará somente quando da manifestação plena e literal de Jesus Cristo, na ocasião da sua gloriosa vinda.

CONCLUSÃO

É um privilégio fazer parte da família de Deus. Entretanto, sabemos que ainda não vivemos a plenitude do que está prometido para nós. Embora sejamos plenamente filhos de Deus, num futuro, quando deixarmos o nosso “tabernáculo terreno”, receberemos a plenitude da adoção, “a saber, a redenção do nosso corpo” (Rm.8:23). O que significa que vivemos a realidade da adoção neste tempo presente, mas quando a ressurreição dentre os mortos for realizada, ou por meio do Arrebatamento da Igreja, a nossa adoção será plena. Será o dia em que veremos o Pai como Ele é. Por isso, o apóstolo Paulo disse: “Porque, agora, vemos por espelho em enigma; mas, então, veremos face a face; agora, conheço em parte, mas, então, conhecerei como também sou conhecido” (1Co.13:12).

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) – William Macdonald.

Revista Ensinador Cristão – nº 72. CPAD.

Wayne Grudem. Teologia Sistemática Atual e exaustiva.

Claiton Ivan Pommerening. Obra da Salvação. CPAD.

Ev. Caramuru Afonso Francisco. As Doutrinas da Graça de Deus. Portal EBD.2006.

Comentário Bíblico Pentecostal. Novo Testamento. CPAD.

Publicado no Blog do Luciano de Paula Lourenço

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