A Origem da Diversidade Cultural da Humanidade – Luciano de Paula Lourenço

A Origem da Diversidade Cultural da Humanidade – Luciano de Paula Lourenço

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Filament.io 0 Flares ×

Texto Base: Gênesis 11:1-9

“e o SENHOR disse: Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o que começam a fazer; e, agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer” (Gn 11:6).

INTRODUÇÃO

A diversidade cultural é algo associado a dinâmica do processo aceitativo da sociedade. O termo diversidade diz respeito à variedade e convivência de ideias, características ou elementos diferentes entre si, em determinado assunto, situação ou ambiente.

Qual a origem da diversidade linguística e cultural da humanidade? Em Gênesis capítulo 11, Moisés narra como a civilização, a princípio monolinguista e monocultural, veio a dividir-se em idiomas, dialetos e falares. Multiplicando-se a língua, subdividiu-se a cultura dos filhos de Noé.

Nesta Aula, estudaremos a respeito da construção da Torre de Babel, considerada o monumento da arrogância, da soberba e da rebelião do homem contra o Criador. Veremos que o monolinguismo foi um dos fatores que contribuíram para que a depravação da geração pós-diluviana pululasse. Já que não havia impedimento quanto a língua, os homens cheios de soberba, e com um espirito de rebelião se unem para fazer um monumento que seria símbolo da sua altivez. O Senhor abomina a altivez, o orgulho (Pv 6:17). Esse sentimento nefasto jamais poderá encontrar guarida no coração do servo de Deus.

I. A TORRE DE BABEL (Gn 11:1-9)

A Torre de Babel é um dos acontecimentos marcantes do período pós-dilúvio. Dá-nos a origem das línguas e os característicos físicos humanos. É um evento que revela a deterioração da condição moral e espiritual dos descendentes de Noé, tendo como figura de destaque Ninrode. Alguns estudiosos julgam que Ninrode prefigura o homem “iníquo” que será o último e pior inimigo do povo de Deus (2Tes 2:3-10). As pessoas que se dispuseram a construir a Torre (Gn 11:3,4) o fizeram como um momento à sua própria grandeza, algo para ser visto por todo o mundo. A construção dessa torre muito desagradou a Deus.

Por que a construção da torre de Babel desagradou a Deus? Segundo Paul Hoff, porque:

a) Os homens desobedeceram o mandamento de que deviam espalhar-se e encher a terra (Gn 9:1; 11:4). Um dos motivos que os impulsionavam e pelo qual levaram a cabo a construção era que desejavam permanecer juntos, no meso território. Sabiam que os edifícios permanentes e uma coletividade firmemente estabelecida produziriam um modelo comum de vida que os ajudaria a permanecer juntos.

b) Foram motivados pela intenção de exaltação pessoal (“façamo-nos um nome“, disseram) e de culto ao poder, que posteriormen­te caracterizou a Babilônia. Uma torre elevada e visível para todas as nações seria um símbolo de sua grandeza e de seu poder para dominar os habitantes da terra.

c) Excluíam Deus de seus planos; ao glorificar seu próprio nome, esqueciam-se do nome de Deus, nome por excelência: o Senhor.

Deus não estava preocupado com a construção ou com o tamamnho da torre, mas com a arrogância que dominava, novamente, o coração do ser humano. Deus, portanto, desbaratou seus planos não só para frustrar-lhes o orgulho e independência, mas também para espalhá-los, a fim de que povoas­sem a terra.

  1. O monolinguismo (Gn 11:1). Os descendentes de Noé se multiplicaram e todos falavam uma mesma lingua. Havia uma certa unidade de pensamento e de entendimento, que se manifestava de modo natural, porque era um só povo. Diz o texto sagrado: “Ora, em toda a terra havia apenas uma linguagem e uma só maneira de falar”. Unidos pela comunicação, através de uma só língua, imaginaram fortalecer o poder humano, construindo uma cidade grande e uma torre que tocasse os céus. Facilmente, esqueceram da aliança que Deus havia feito com Noé, logo após saírem da Arca. Em Gênesis 11:6, Deus diz: “O povo é um e tem a mesma lingua”. Esta declaração divina nao significa que a unidade seja uma coisa má. Entretanto, em relação àquele povo, ela tinha um fim negativo, pois visava confrontar a autoridade divina e estabelecer a autossuficiência humana.
  1. Uma nova apostasia. A utilização regular de apenas uma língua facilitava a rápida disseminação do conhecimento, todavia, muito contribuía para proliferação da apostasia, de adorações a deuses falsos, obra da imaginação humana.

Parece que Canaã não gostou da maldição divina que ficou sobre ele, e ficou cada vez maisrancoroso, ressentido e rebelde. Também que ele passou este ódio e rebelião para o seu filho Cuse e seu neto Ninrode. O rancor dele foi aumentando até que quando seu neto nasceu ele recebeu o nome de Ninrode, que significa “vamos rebelar ou rebelde”.

Deus tinha dado para Canaã e a sua descendência a posição de ser os servos de Sem e Jafé, mas ele não aceitou e decidiu rebelar-se contra Deus, e foi isto mesmo que fez. Em vez de se submeter à vontade de Deus e servi-lo obedientemente, ele rebelou-se contra Deus e disse: “Vamos dominar, governar e reinar sobre os outros”.

Observa o texto de Gn 10:8, a cerca de Ninrode: “este começou a ser poderoso na terra“. Também em Gn 10:9 está escrito que ele era “poderoso caçador diante da face do Senhor“. A palavra “diante” neste versiculo significa “contra” o Senhor. Tudo isto mostra para nós que Ninrode era um guerreiro, rebelde, tirano e um líder de rebeldes na face do Senhor, e que ficou contra os mandamentos e a vontade de Deus.

Ninrode construiu cidades, não altares. Ninrode funda seu império em evidente agressão (Gn 10:8). Seu império incluía toda a Mesopotâmia, tanto a Babilônia ao sul (Gn 10:10) quanto a Assíria ao norte (Gn 10:10-12). Como prinicpais centros de seu império, ele funda a grande cidade de Babilônia, mais notavelmente Babel (Gn 10:10); e, subsequentemente, tendo mudado para a Assíria, fundou Nínive ainda maior (Gn 10:11). Todas essas cidades adoraram deuses falsos, frutos da imaginação humana.

Da religião que Ninrode criou, como resultado de sua rebelião contra Deus, saiu toda religião falsa. Ela é chamada em Apocalípse 17:5 de “a grande Babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra“. Ninrode e a sua esposa se tornaram os deuses desta religião blasfema.

A esposa de Ninrode (Semíramis) foi chamada a rainha dos céus e da Babilônia. Quando Ninrode morreu, Semíramis proclamou que ficou grávida milagrosamente (a verdade é que ela era adúltera) e o filho que nasceu era Ninrode reencarnado. Então, Semíramis e o seu filho (Tamuz) se tornaram a mãe e o filho que este povo idólatra adorou como Deus. Este filho (Tamuz) se tornou o deus do sol Baal, e Semíramis a deusa Asterote.

Ninrode se tornou o deus do povo que adorava as hostes dos céus (planetas, estrelas, lua e o sol principalmente). Eles de forma deliberada deixaram os mandamentos de Deus e adoraram a criação de Deus em vez do Criador. Eles edificaram uma torre dedicada à adoração das hostes dos céus que eram seus deuses. É isto que Gn 11:4 significa quando diz que edificaram “uma torre cujo cume toque nos céus”. Era uma clara rebelião, um afrontamento contra Deus.

  1. Um monumento à soberba humana (Gn 11:4) – “Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos céus e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra” (Gn 11:3,4).

A Torre de Babel é um monumento ao pecado humano e não à bondade e faculdade inventiva humana. Mostra a depravação humana bem no princípio da nova geração descendente de Noé.Gênesis 11:4 mostra que a Torre de Babel foi uma grande conquista humana, uma maravilha do mundo; no entanto, era um monumento para engrandecer as pessoas, não a Deus.

– “edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos céus”. O interesse principal da geração pós-diluviana estava numa torre, embora também houvesse a construção de uma cidade. A intenção era que a torre alcançasse os céus. Nada é dito sobre um templo para adoração a Deus. Isto mostra que o paganismo estava indiretamente envolvido neste empreendimento, pois havia um ímpeto construtivo em direção ao céu e o único verdadeiro Deus foi definitivamente omitido de todo o planejamento e de todas as metas. Mas Deus observava tudo o que estava acontecendo e logo mostrou sua avaliação da situação. O homem deve estar cônscio de que não pode viver à margem de Deus; ele foi criado à imagem de Deus (Gn 1:26), e isto significa que o homem é dotado de grandes poderes, mas que é totalmente dependente de Deus para sua essência de vida e razão de ser.

– “e tornemos célebre o nosso nome”. Esta expressão denota a busca pela fama. Esses construtores estavam tentando obter relevância e imortalidade nos seus feitos, porém apenas Deus pode dar um nome eterno àqueles que engradecem o nome dEle, assim como Ele fez com Abraão (Gn 12:2).

– “para que não sejamos espalhados”. Assim como Caim, no seu afastamento de Deus, esses pecadores orgulhosos temiam deslocamento, desejavam segurança. Assim como Caim, eles encontraram solução para isto numa cidade que se rebelava contra Deus – estratégia que envolvia desobedecer à ordem de Deus de “encher a terra” (Gn 9:1). A desobediência às ordens de Deus é um grande pecado contra Ele e um grande perigo para o ser humano. Isto sempre trouxe consequências desastrosas para o ser humano e para o meio em que ele vive.

“Podemos construir monumentos para nós mesmos (grandes edifícios, carros luxuosos, cargos importantes) a fim de chamar atenção para as nossas realizações. Estas coisas podem não estar erradas em si mesmas, mas quando as utilizamos para promover nossa identidade e valor, elas tomam o lugar de Deus em nossa vida. Somos livres para prosperar em muitas áreas, mas não para pensar em tomar o lugar de Deus. Quais “torres” você tem construído em sua vida?” (Bíblia de Estudo – Aplicação Pessoal).

II. A CONFUSÃO DE LÍNGUAS (Gn 11:1-9)

Depois do dilúvio a raça humana viveu primeiramente na região do Ararate, nas montanhas da Armênia, e ali Noé tornou-se lavrador (Gn 9:20). Como as pessoas aumentaram em número, uma parte delas se espalhou pelas margens dos rios Tigre e Eufrates, a leste do Ararate, e assim chegou às planícies de Sinar ou Mesopotâmia (Gn 11:2). Ali eles criaram colônias e muito cedo, como cresceram em riqueza e poder, fizeram planos de construir uma grande torre para fazer célebre o seu nome e evitar a dispersão do grupo. Em desobediência à ordem de Deus de multiplicar e dominar toda a terra, eles tentaram criar um grande centro para manter a unidade e reunir toda a humanidade em um reino mundial que encontraria sua sustentação na força e na glorificação do propósito e do esforço humano. Pela primeira vez na história surge a ideia de concentração e organização de toda a humanidade com toda a sua força e sabedoria, com toda a sua arte, ciência e cultura, contra Deus e Seu reino. Essa ideia foi ventilada várias vezes depois dos eventos de Babel, e sua realização tem sido o objetivo de todos os tipos de grandes homens no curso da história.

Como punição dessa rebeldia, Deus confundiu a linguagem deles e os dispersou em todas as direções sobre a Terra. Babel significa “confusão”, resultado inevitável de qualquer empreendimento que deixe Deus de lado ou não esteja de acordo com a Sua vontade.

  1. Uma cidade à prova d’água. “Vinde, façamos tijolos e queimemo-los bem. Os tijolos serviram-lhes de pedra, e o betume, de argamassa. Disseram: Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos céus e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra” (Gn 11:3,4).

Percebe-se pelo texto que eles buscavam uma cidade à prova d’água. Se houvesse outro dilúvio, estariam eles a salvo naquele centro urbano. E, caso este viesse a ser inundado, correriam todos à torre, onde, segundo imaginavam, estariam a salvo. Parecem que eles desconheciam ou não acreditavam no pacto firmado entre Deus e Noé, que não mais destruiria a terra por um dilúvio (Gn 9:11). Todo esse complexo era alicerçado por uma filosofia deletéria e antagônica a Deus: concentrar a todos num só lugar, substituir o culto ao verdadeiro Deus Criador por um culto antropocêntrico.

  1. A torre que Deus não viu (Gn 11:5) – “Então, desceu o SENHOR para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam”.

Neste texto há uma ironia quase imperceptível: “desceu o SENHOR para ver”. Deus é onipresente, logo não precisa sair do seu trono para ver algo na Terra. Esta é uma descrição antropomórfica da atividade de Deus, e serve para enfatizar que o julgamento divino é sempre de acordo com a verdade. As torres da Mesopotâmia (zigurates) foram construídas com escadas para a descida dos deuses (falsos, claro!). Deus desceu em julgamento nessa torre de orgulho e rebeldia humana contra o Senhor.

Muitas vezes, os homens poderosos orgulham-se de seus projetos. Mas, aos olhos de Deus, são pequenos e simplesmente desprezíveis. O que dizer das pirâmides? Dos arranha-céus que são construídos em alguns países – como o de Burj Khalifa – na cidade de Dubai -, a maior estrutura feita pelo homem no mundo, com 800 metros de altura. Ainda que se avultem em grandezas, não subsistirão para sempre. Um dia serão apenas pó e cinza.

  1. Quando ninguém mais se entende (Gn 11:7,8) – “Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro. Assim, o SENHOR os espalhou dali sobre a face de toda a terra; e cessaram de edificar a cidade”.

Os habitantes estavam unidos, tinham comunicação aberta entre si, contudo arruinaram estas bênçãos em rebelião contra o Criador. Deus não permitiria ser ignorado, e a loucura da ilusão humana de que posses e atividades criativas eram insuperáveis não ficaria sem confrontação.

Para demonstrar que a unidade humana era superficial sem Deus, Ele introduziu confusão de som na língua humana. Imediatamente estabeleceu-se o caos. O grande projeto foi abandonado e a sociedade unida, mas sem temor de Deus, foi despedaçada em segmentos confusos. Deus frustrou o propósito daquela geração, multiplicando idiomas em seu meio, de tal maneira que não podiam comunicar-se entre si. A diversidade de línguas resultou em balbucios ou fala ininteligível. Isso deu origem à diversidade de raças e idiomas no mundo.

Alguém observou que se pode considerar o dom de línguas no dia de Pentecostes como o contrário da confusão de línguas em Babel. Quando os homens, motivados pelo orgulho, vangloriam-se de seus êxitos, nada resulta exceto divisão, confusão e falta de compreensão; mas quando se proclamam as obras maravilhosas de Deus, todo homem pode ouvir a mensagem do evangelho em seu próprio idioma.

III. A MULTIPLICIDADE LINGUÍSTICA E CULTURAL

Com a intervenção de Deus em Babel, impedindo que um império totalitário mundial fosse estabelecido, aconteceu o surgimento de nações e povos, e de línguas e dialetos. Pessoas que tiveram os mesmos antepassados, o mesmo espírito empreendedor, que compartilharam a mesma carne e o mesmo sangue, essas pessoas começaram a se tratar como estranhos. Eles não se entendiam uns aos outros e não podiam comunicar-se uns com os outros. A raça humana foi dividida em nações distintas, que a partir de agora, disputariam sua existência umas com as outras. Foram criadas diversas fronteiras entre os descendentes de Noé: linguísticas, culturais e geográficas.

  1. Linguísticas. Como punição, o Senhor confundiu a linguagem dos edificadores da torre de Babel, e assim surgiram as diferentes línguas que o mundo possui atualmente. Nós não somos informados sobre como essa confusão aconteceu. O que aconteceu foi que pessoas fisiológica e psicologicamente diferentes umas das outras começaram a ver e a dar nome às coisas diferentemente, e, consequentemente, foram divididas em nações e povos, e se dispersaram em todas as direções sobre toda a Terra. Devemos nos lembrar que essa confusão de línguas foi preparada pela separação em tribos e famílias dos descendentes dos filhos de Noé (Gn 10:1ss). Diz o texto sagrado que nos dias de Pelegue se repartiu a terra (Gn 10:25).

Segundo a enciclopédia Ethnologue, considerado o maior inventário de línguas do planeta, existem cerca de 6.912 idiomas em todo o mundo. Essa enciclopédia, editada desde 1951, é uma espécie de bíblia da linguística, indicando quais são as línguas em uso, onde elas são faladas e quantas pessoas usam o idioma. De acordo com os organizadores da enciclopédia, o total de línguas no planeta pode ser até maior. Estima-se que haja entre 300 e 400 línguas ainda não catalogadas em regiões do Pacífico e da Ásia.

O idioma mais popular do planeta é o mandarim, o principal dialeto chinês, falado por algo em torno de 900 milhões de pessoas. Em segundo lugar aparece o híndi, a língua oficial da Índia, falada por cerca de 70% dos indianos. O espanhol vem em terceiro lugar, o inglês em quarto e o nosso português em sétimo.

Já imaginou se todos falassem um único idioma? Não precisaríamos de interpretes, nem de tradutores para testemunhar de Cristo aos alemães, chineses e belgas. Inexistindo barreiras idiomáticas, sentir-nos-íamos mais irmanados. A comunicação com os africanos e asiáticos fluiria sem dificuldades. O conhecimento poderia ser transmitido com eficácia sem os perigos que representam as traduções apressadas e temerárias. Mas Deus, a fim de preservar a espécie humana, achou bem confundir-nos a língua, para que o caos não fosse maior, afirma pr. Claudionor de Andrade.

  1. Culturais. Com a dispersão da comunidade única pós-diluviana após o juízo de Babel (Gn 11:9), naturalmente que os povos ali nascidos passaram a construir diferentes culturas, até porque a língua é um fator fundamental na formação de uma cultura e Deus confundiu as línguas, impondo, pois, uma diversidade cultural para o mundo. Cada povo, uma língua, uma cultura e costumes bem característicos.

As nações ali formadas, inicialmente isoladas, passaram, pouco a pouco, a manter um contato que hoje é muito intenso e praticamente diário. Esta diversidade gera nos seres humanos a sensação de que não existe um único modo de vida, uma única forma de se viver sobre a face da Terra, a mesma impressão que toda criança sente ao ir para a escola e perceber que nem todas as famílias têm o mesmo sistema de criação e educação que ela tem em casa.

Esta sensação, porém, não pode, em absoluto, levar-nos à conclusão de que não existem valores morais absolutos. A comunidade única pós-diluviana, de onde provêm todas as nações, tinha como fundamento moral a principiologia divina, a conduta estabelecida por Deus ao homem, desde o Éden, e que foi renovada a Noé (Gn 9:1-17), princípios que são denominados pelos estudiosos da Bíblia de “pacto noaico”, a saber: praticar a equidade, adorar e servir somente a Deus, não blasfemar o nome de Deus, não praticar idolatria, imoralidades, assassinatos, roubos, honrar pais, não cobiçar os bens do próximo.

A diversidade cultural existe e é obra de Deus, mas a existência de valores morais universais, válidos para todos os homens, pois são decorrentes de uma determinação divina a toda a humanidade, é também uma realidade presente e inafastável.

CONCLUSÃO

Deus não destruiu a torre de Babel por recear que o homem pudesse elevá-la até os céus, pois isto era impossível. Esta atitude do Criador foi uma resposta à desobediência dos descendentes de Noé, pois o Senhor lhes falara que crescessem, multiplicassem e enchessem a Terra. Temos aqui uma demonstração da soberania divina intervindo na vida humana para salvá-la.

———-

Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 64. CPAD.

Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento) – William Macdonald.

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards

Teologia do Antigo Testamento – ROY B. ZUCK.

George Herbert LivingstonComentário Bíblico Beacon. CPAD.

O Pentateuco. Paul Hoff.

Gênesis. Bruce K. Waltke. Editora Cultura Cristã.

Manuel do Pentateuco. Victor P. Hamilton. CPAD.

Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia. Norman Geisler.

Noé, um homem justo e incorruptível. Caramuru Afonso Francisco. PortalEBD.2007.

Publicado no Blog do Luciano de Paula Lourenço

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *